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fmvz-unesp 
FACULDADE DE MEDICINA VETERINÁRIA E ZOOTECNIA - BOTUCATU 
DEPARTAMENTO DE MELHORAMENTO E NUTRIÇÃO ANIMAL 
18.618-000 - Botucatu - SP- Caixa Postal 560 - Fone (14) 3880-2988 - FAX - (14) 3880-2999 
 
 
 
 
 
 
APOSTILA 
 
 
 
 
Bioclimatologia 
 
 
 
 
Apostila para consulta dos alunos de Graduação do Curso de 
Zootecnia na disciplina de Bioclimatologia 
 
Professor Assistente Doutor José Roberto Sartori 
 
jrsartori@fmvz.unesp.br 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
BOTUCATU – SP 
2017 
ÍNDICE 
 
 
 
 
Aula Título da Aula Página 
 
01 Introdução ao estudo da bioclimatologia. Ecologia, climatologia, 
bioclimatologia, adaptação e evolução dos animais............................................... 
 
01 
 
02 Conceitos de meteorologia básica, fatores determinantes do clima e climas e 
classificação climática............................................................................................. 
 
07 
 
03 Considerações atuais sobre o clima e sua influência sobre o globo terrestre.......... 27 
 
04 Instrumental meteorológico e posto meteorológico................................................ 34 
 
05 Termorregulação em animais domésticos (aves e mamíferos)............................... 42 
 
06 Zona de termoneutralidade e índices de adaptação e de conforto térmico.............. 58 
 
07 Estresse e estressores. Conceitos e fisiologia. Estresse climático........................... 69 
 
08 Estresse térmico vs parâmetros fisiológicos dos animais domésticos..................... 75 
 
09 Características morfo-funcionais de adaptação dos animais em ambiente 
tropical..................................................................................................................... 
 
84 
 
10 Efeitos do ambiente tropical sobre a produção animal (crescimento)..................... 92 
 
11 Efeitos do ambiente tropical sobre a produção de leite........................................... 100 
 
12 Efeitos do ambiente tropical sobre a produção animal (ovinos, suínos e 
aves)......................................................................................................................... 
 
109 
 
13 Efeitos do ambiente tropical sobre a reprodução dos animais domésticos............. 120 
 
14 Medidas alternativas para controle do estresse térmico.......................................... 128 
 
15 Instalações para aves de postura, corte e reprodutores e seu conforto 
térmico..................................................................................................................... 
 
145 
 
 
 
 
 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 1 
Aula 01 - Introdução ao Estudo da Bioclimatologia. Ecologia, Climatologia, Bioclimatologia, Adaptação 
e Evolução dos Animais. 
 
Prof. Dr. José Roberto Sartori 
 
O ambiente físico é composto por quatro domínios que não se superpõem uns aos outros, mas trocam 
energia entre si: atmosfera, litosfera, hidrosfera e biosfera. Os três primeiros constituem o ar, a terra e as 
águas, ao passo que o último é o conjunto de seres vivos que habitam o planeta. Entre essas quatro esferas 
existem relações estreitas e interações mútuas (Figura 1) cujo equilíbrio é fundamental para a manutenção da 
vida na Terra (SILVA, 2000). 
 
 a ATMOSFERA b 
 
 c 
HIDROSFERA BIOSFERA 
 
 e 
 d LITOSFERA f 
Figura 1. Relação entre os quatro domínios do ambiente físico e as principais ciências que se ocupam deles: a) 
Meteorologia e Climatologia; b) Ecologia, Bioclimatologia, Biometeorologia; c) Ecologia; d) 
Geografia; e) Climatologia; f) Ecologia (SILVA, 2000). 
 
 
1. Ecologia: Oikos  casa; Estudo do lugar onde se vive. 
 Logos  estudo, saber. 
 
 Ecologia é a ciência que trata das inter-relações entre os seres vivos e entre estes e seu ambiente físico 
(ERNEST HAECKEL, 1866). Segundo Ferri (1976) citado por BACCARI Jr. (1980), a Ecologia se divide 
em: 
a. Ecologia animal: estuda as relações entre animais e o ambiente; 
b. Ecologia vegetal: estuda as relações entre vegetais e o ambiente; 
c. Ecologia dos microrganismos: estuda as relações entre microrganismos e o ambiente. 
 
A Ecologia geral cuida das interações dos seres vivos com os ambientes em que vivem, quando se 
estudam os fenômenos gerais, fundamentais a todos os seres vivos (BACCARI Jr., 1980). 
 
 
1.1. Alguns conceitos importantes relacionados à ecologia: 
O ecossistema é formado pelos seres vivos e seu ambiente físico. A Ecologia pode ser descrita como o 
estudo das inter relações dentro de ecossistemas. A biosfera é a porção da Terra na qual os ecossistemas 
podem operar, isto é, o solo, a água e o ar, biologicamente habitados (PHILLIPSON, 1969). O meio ambiente 
é o conjunto de elementos favoráveis ou desfavoráveis que cercam determinado ser vivo, como luz, calor, 
ventos, chuvas, solo e outros seres vivos. 
Um conceito de ambiente mais afeito à Zootecnia foi proposto por Campbell e Lasley (1975) citados 
por BACCARI Jr. (1980), caracterizando-o como a soma total de todas as condições externas que afetam a 
vida e o desempenho dos animais. 
 
 
2. Meteorologia e Climatologia 
 
2.1. Meteorologia: 
 A Meteorologia é o ramo da física que se ocupa dos fenômenos atmosféricos (meteoros). O seu campo 
de atuação abrange o estudo das condições atmosféricas em dado instante (o “tempo”), dos movimentos 
atmosféricos e as forças que os originam (dinâmica da atmosfera), do estudo das condições médias e das 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 2 
flutuações temporais da atmosfera em um local (clima), definindo-se as especialidades básicas: a 
Meteorologia Física, a Meteorologia Dinâmica, e a Climatologia (SENTELHAS et al., 1998). 
 A Meteorologia estuda os movimentos atmosféricos na baixa atmosfera e suas causas e preocupa-se 
com a análise e previsão do tempo (BACCARI Jr., 1980). 
 
2.2. Climatologia: 
 Estuda os climas e suas características num determinado lugar ou região; procede à análise física das 
relações básicas entre os vários fatores atmosféricos, principalmente temperatura, umidade, pressão e vento. 
Entre seus subgrupos podemos citar a bioclimatologia, microclimatologia, paleoclimatologia, etc (BACCARI 
Jr., 1980). 
 A Meteorologia e a Climatologia se superpõem inevitavelmente, não havendo separação definida 
entre elas (BLAIR e FITE, 1964). 
 
2.3. Bioclimatologia (ou Biometeorologia): 
A Bioclimatologia trata das inter-relações entre o clima, solo, plantas e animais (HAFEZ, 1968). 
Bioclimatologia é o ramo da Climatologia e da Ecologia que trata dos efeitos do ambiente físico sobre os 
organismos vivos (BACCARI Jr., 1980). Bioclimatologia é o estudo da influência do clima na vida do animal 
(MÜLLER, 1989). Segundo Tommasi (1977) citado por BACCARI Jr. (1980), a Bioclimatologia é o ramo da 
Ecologia que estuda as inter-relações entre os fatores físicos e químicos do ambiente atmosférico e os seres 
vivos. Estuda, também, as reações e os ajustamentos dos organismos vivos às mudanças atmosféricas. 
Biometeorologia estuda a influência do ambiente atmosférico sobre a fisiologia e a patologia dos 
organismos vivos e seu comportamento (Johnson, 1972 citado por BACCARI Jr., 1980). Biometeorologia se 
ocupa dos efeitos do estresse ambiente que limitam uma produção animal ótima (Dowling, 1974 citado por 
BACCARI Jr., 1980). 
Ambiente para os propósitos da Bioclimatologia, é o conjunto de tudoaquilo que afeta a constituição, 
o comportamento e a evolução de um organismo e que não envolva diretamente fatores genéticos (SILVA, 
2000). 
Segundo BACCARI Jr. (1980), as áreas de atuação na Bioclimatologia mais enfatizadas, são: a) 
influência do tempo e clima sobre microrganismos e insetos causadores de doenças nas plantas, animais e 
homem; b) influência do tempo e clima sobre os processos fisiológicos no homem e animais sadios e sobre 
suas doenças; c) influência do microclima das casas, instalações rurais e cidades sobre a saúde do homem e 
animais; d) influência de fatores extraterrestres sobre os organismos vivos e, e) influência de condições 
climáticas passadas sobre o desenvolvimento e distribuição de plantas, animais e homem. 
 O maior conhecimento das relações clima-animal-vegetal, que tendem a dar uma maior exatidão da 
influência que o meio ambiente exerce sobre a produção agrícola e pecuária, são devidos, em grande parte, ao 
desenvolvimento da Bioclimatologia, ao estudo das inter-relações diretas ou indiretas entre o ambiente 
geofísico e geoquímico da atmosfera e os seres vivos (MÜLLER, 1989). 
 Nos países de climas quentes, o principal objetivo da bioclimatologia é estudar os efeitos do estresse 
térmico (estresse pelo calor) sobre o desempenho produtivo e reprodutivo dos animais de interesse zootécnico. 
Os princípios da Bioclimatologia podem ajudar na adoção de instalações e métodos de manejo mais 
adequados às condições tropicais. Sua aplicação prática generalizada e feita com conhecimento de causa, 
poderá trazer grandes benefícios sob a forma de uma resposta mais satisfatória dos animais em termos de 
produção e reprodução (BACCARI Jr., 1988). 
 Assim, em termos de fatores produtivos, a Biometeorologia é a ciência que se ocupa dos efeitos do 
stress climático que limitam uma produção animal ótima e das estratégias de manejo ambiental visando 
minimizar o stress e melhorar a produção (desempenhos produtivos e reprodutivos) e a saúde (BACCARI Jr., 
1998). Em virtude de todo aspecto do clima e tempo ter algum efeito sobre os seres vivos, o escopo da 
Bioclimatologia (ou Biometeorologia) é quase ilimitado e seu conhecimento de amplo espectro (Figura 2). 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 3 
Geografia
Meteorologia
Etologia
Fisiologia
Patologia
Bioclimatologia
 
Figura 2. Bioclimatologia, ramo da Ecologia, é uma ciência multidisciplinar que envolve, principalmente, 
conhecimentos de Geografia, Meteorologia, Fisiologia, Etologia e Patologia (BACCARI Jr., 1998). 
 
3. Princípios de adaptação e evolução animal 
 
Conceito genético: geneticamente a adaptação refere-se às características animais herdáveis que 
favorecem a sobrevivência de uma população num determinado ambiente. Pode ocorrer por seleção natural 
envolvendo modificações evolutivas espontâneas em muitas gerações ou por seleção artificial, através da 
aquisição de propriedades genéticas especificadas pelo homem (SILVA, 1988). 
 
Conceito biológico: biologicamente a adaptação é o resultado da ação conjunta de características 
morfológicas, anatômicas, fisiológicas, bioquímicas e comportamentais, no sentido de promover o bem estar e 
favorecer a sobrevivência de um organismo em um ambiente específico (SILVA, 1988). 
 
3.1. Adaptação: 
Quanto maior o grau de adaptação, maior a tendência do animal sobreviver e reproduzir-se de forma 
que suas características biológicas persistem (BACCARI Jr., 1980). Segundo HAFEZ (1968), a adaptação é 
um fenômeno complexo que não pode ser reduzido a um simples tipo de medida. 
 
3.1.1. Conceitos relacionados a adaptação: 
Adaptabilidade, isto é, a capacidade de se adaptar, pode ser avaliada pela habilidade do animal de se 
ajustar às condições ambientes médias, assim como aos extremos climáticos (HAFEZ, 1968). 
Aclimatação: é um ajustamento fisiológico adaptativo a longo prazo que resulta numa tolerância 
aumentada após exposições contínuas ou repetidas a fatores estressantes do complexo climático (normalmente 
é produzida sobre condições de campo) (BACCARI Jr., 1980). 
Aclimação: é o ajustamento fisiológico adaptativo em resposta a uma única variável climática, por 
exemplo, a temperatura (normalmente é produzida em câmaras climáticas) (BACCARI Jr., 1980). 
Segundo BACCARI Jr. (1980), os animais bem adaptados se caracterizam por: 1) Mínima perda no 
desempenho produtivo (peso corporal, produção de leite) durante a exposição ao estresse; 2) Alta eficiência 
reprodutiva; 3) Alta resistência às doenças e 4) Longevidade e baixa taxa de mortalidade. 
O tipo de animal necessário para os trópicos (Yousef et al., 1977, citados por BACCARI Jr., 1980) se 
caracteriza por apresentar: 1) Alta eficiência na utilização dos alimentos; 2) Habilidade para promover a perda 
de calor corporal eficazmente; 3) Habilidade para conservar a produção corporal de calor permitindo que os 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 4 
processos produtivos ocorram num nível normal, mesmo quando a temperatura do ar é alta; 4) Isolamento 
contra a radiação solar (características da pele e pêlos); 5) Habilidade para suportar um alto grau de 
desidratação e elevação da temperatura corporal e 6) Possuir um alto grau de resistência às doenças e parasitas 
mais comuns. 
 
3.1.2. Importância da aclimatação dos bovinos: 
 A aclimatação é uma forma de adaptação que caracteriza um conjunto de processos de ajustamento 
que um animal deve experimentar quando transladado a um ambiente diferente do original. Os ajustamentos 
fisiológicos tendem a levar a um equilíbrio entre as necessidades ambientais do organismo animal e as 
possibilidades providas pela nova situação. A intervenção do meio se caracteriza por eleger os exemplares 
cujo organismo possui condições que lhes facultam alcançar um equilíbrio com o ambiente. As respostas num 
grupo de animais geralmente não são uniformes, ainda que em animais de mesma raça. Diferentes graus de 
aclimatação têm sido descritos e classificados (Figura 3), podendo a aclimatação ser positiva ou negativa (não-
aclimatação). A aclimatação absoluta é conseguida pelos animais que, transportados para um ambiente 
diferente do original, reagem mantendo intacta a capacidade produtiva. A naturalização ocorre quando os 
animais, transportados para ambiente semelhante ao original, não sofrem alteração no desempenho produtivo. 
A aclimatação degenerativa ocorre quando os animais, transladados para ambientes diferentes do original, 
apresentam diminuição no desempenho produtivo e reprodutivo. Sobrevivem os exemplares menos exigentes 
e com menor capacidade de produção. O fracasso da raça corresponde ao translado de animais de uma 
determinada raça a um meio diferente do original, onde nenhum dos exemplares consegue superar o esforço 
que o clima o novo ambiente impõe (BACCARI Jr., 1986). 
Aclimatação
Positiva
Negativa
Mantém ou
 aumentam a
capacidade
produtiva
original
Capacidade
fisiológica
alterada.
Desempenho
produtivo
diminuído.
Procedem
de clima
semelhante
Procedem
de clima
diferente
Desenvol-
vem-se median-
te longos perío-
 dos de ade-
guação
Não supe-
ram a agres-
sividade
ambiental
NATURALIZAÇÃO
ABSOLUTA
DEGENERATIVA
FRACASSO
Crescimento, pro-
dução de leite e
reprodução normais
Crescimento retar-
dado, produção de
leite diminuída e
fertilidade comprometida
 
Figura 3. Importância da aclimatação dos bovinos (Adaptado de Helman, 1977 por BACCARI Jr., 1986). 
 
 Animais homeotérmicos como os bovinos, possuem um controle termorregulador para manter a 
temperatura interna num nível constante, dentro de certos limites, sob variadas condições ambientes e deatividade. Se a temperatura corporal sofre uma elevação forçada por quaisquer meios, incluindo a atividade e 
alimentação sob altas temperaturas ambientes, a morte ocorre num ponto de temperatura corporal entre 42 e 
45
o
C (hipertermia). Durante os verões quentes podem ocorrer acentuadas quedas na produção leiteira e mortes 
de vacas especializadas, devidas ao estresse pelo calor, que poderiam ser atenuadas ou evitadas se práticas de 
manejo ambiental adequadas fossem aplicadas. 
 
 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 5 
3.2. Evolução 
Um organismo qualquer é sempre uma conseqüência do ambiente em que vive, um fator de 
modificação desse ambiente e, ao mesmo tempo, é também um fator ambiental para todos os demais 
organismos da mesma e de outras espécies (SILVA, 2000). 
 Charles Darwin e outros depois dele expuseram o conceito de que o mundo vivo que hoje observamos 
foi modelado paulatinamente, ao longo de bilhões de anos de evolução. Os organismos que hoje existem 
evoluíram gradualmente de antepassados. A seleção natural foi o fenômeno responsável por este processo de 
modificações contínuas nos seres vivos e a reprodução é o mecanismo fundamental da seleção natural. 
Somente os indivíduos mais aptos para viver em um determinado conjunto de fatores ambientais teriam 
condições para se reproduzir e deixar descendentes suficientes, de modo a influir nas gerações futuras 
(variabilidade genética da população). Se uma população sobrevive e se reproduz, dizemos que ela adaptou-se 
ao meio ambiente (SILVA, 2000). 
 Segundo Dubzhansky (1970) citado por SILVA (2000), a evolução dos organismos é, na realidade, 
uma constante adaptação das populações às mudanças geológicas, climáticas e biológicas que ocorrem no 
mundo em que vivemos. O caminho natural dessa adaptação é a diversificação genética, pela qual, em uma 
mesma população, coexistem genótipos especializados para ocupação de diferentes nichos ecológicos ou para 
sobreviverem em diferentes condições ambientais. A diversificação genética permite uma utilização mais 
completa das oportunidades ambientais, com relação à que poderia ocorrer se existisse um genótipo único. A 
adaptação através da diversidade genética é o processo mais freqüente seguido pela natureza. 
 
3.2.1. Bovinos: 
 Admiti-se, que os bovinos tenham sido domesticados pelo homem por volta do ano 9000 a.C., no leste 
da Europa (BACCARI JR., 2001), conforme mostrado na Tabela 1. 
 
Tabela 1. Domesticação dos animais domésticos. 
Anos A.C. Espécie Região 
9000 Bovinos Leste da Europa 
10900 Ovinos Iraque 
9500 Caprinos Irã 
9000 Suínos Turquia 
5000 Búfalo d’água Paquistão 
4800 Cavalo Ucrânia 
5000 Dromedário Arábia Saudita 
5000 Lhama Peru 
3500 Alpaca Peru 
10400 Cão Grã-Bretanha e América do Norte 
 
Como a maioria dos animais domésticos, os bovinos criados nos países tropicais foram herdados de 
colonizadores Europeus, sendo produtos de milhares de anos de evolução e constante adaptação a fatores 
ambientais totalmente diversos daqueles que encontraram em seu novo “habitat”. Encontrando ambientes nos 
quais tinham que enfrentar temperaturas elevadas, agentes patogênicos e parasitas, novos e abundantes, 
alimentação diferente e freqüentemente inadequada ou insuficiente, os animais importados somente podiam 
sobreviver e deixar descendentes quando seus organismos eram capazes de funcionar sob tais condições. 
Sendo seletivamente mais desejáveis os indivíduos mais resistentes a certas doenças e parasitas, com tamanho 
corporal mais reduzido (para melhor enfrentar o calor e as deficiências nutricionais), esses indivíduos 
sobreviveram e deixaram descendentes em maior número e assim, foram progressivamente imprimindo suas 
características genéticas na população. Essas modificações morfológicas que ocorreram nestes animais não 
constituíram uma degeneração, mas sim, uma evolução, uma adaptação ao ambiente existente (SILVA, 2000). 
Segundo SILVA (2000), em meados do século XIX (revolução industrial), com o aumento 
urbanização e da demanda por alimentos, passou-se a dar importância à produtividade individual (registros 
genealógicos, controles de produção, cruzamentos, introdução de novas raças e variedades). Estas mudanças 
não tardaram a se refletir no Brasil e iniciou-se a importação de gado mais produtivo, zootecnicamente 
melhorado nos países Europeus. O repetido fracasso nas importações, implicou numa nova ordem de estudos. 
A essa nova ciência deu-se o nome de Climatologia Zootécnica (Villares, 1940) ou Bioclimatologia (Findlay, 
1950). 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 6 
Ultimamente tem havido um certo interesse no melhoramento das chamadas raças nativas, mas tais 
raças nativas estiveram em quase total abandono nos últimos 50 anos (exceção feita à raça Caracu), de modo 
que, são remotas as perspectivas de um aumento significativo a curto e médio prazo na capacidade produtiva 
destas. O Zebu ainda se acha muito longe de poder competir em produtividade com as raças européias 
melhoradas, não por falta de potencialidade, mas devido ao menor período de melhoramento já aplicado. Na 
produção de leite é onde ocorrem os problema mais sérios, pois genótipos para alta produção compatíveis aos 
fatores ambientais tropicais ainda não foram identificados e disseminados suficientemente nas variedades 
nativas (SILVA, 2000). 
Resultados a curto prazo podem ser obtidos pela aplicação dos princípios da Bioclimatologia na 
criação dos animais melhorados de origem européia, pela opção por animais que apresentem características 
altamente desejáveis ao ambiente tropical, relacionadas com estrutura e coloração do pelame, pigmentação 
cutânea e capacidade de sudação (SILVA, 2000). 
 
3.2.2. Ovinos: 
A criação de ovinos tem-se restringido inexplicavelmente ao Rio Grande do Sul, embora o clima dessa 
região não seja dos melhores para a produção de lã de alta qualidade. A raça Merino, adaptado a climas 
tropicais secos, é a que apresenta a melhor lã. A expansão da ovinocultura em outros Estados tem esbarrado 
nas dificuldades de seleção de animais, já que pouco se conhece sobre as reações dos animais às condições da 
região Centro-Sul do Brasil (SILVA, 2000). 
 
3.2.3. Avicultura: 
Problemas graves têm sido identificados na avicultura, que se baseia na importação de genótipos, 
quase sempre impróprios para as condições tropicais. Os esforços para o desenvolvimento de linhagens 
nacionais de aves têm-se concentrado na ESALQ (Piracicaba), UFV (MG) e na EMBRAPA (SC). Frangos de 
corte da linhagem Ross estão sendo selecionados no Brasil pela empresa Agroceres, que através de uma 
“joinventure” com a Ross Breeder, trouxe o material genético (Granjas de elite ou “Pedigree”) para o Brasil. 
 
 
LITERATURA CONSULTADA: 
BACCARI Jr., F. Ecologia, bioclimatologia e adaptação dos bovinos. Gado Holandês, n.92, p.18-19, 1980. 
BACCARI Jr., F. Importância da aclimatação dos bovinos. Folha de São Paulo, São Paulo, 15 de julho de 
1986. Agrofolha, p.2. 
BACCARI Jr., F. Estresse térmico causa queda na produção animal. Folha de São Paulo, São Paulo, 09 de 
agosto de 1988. Agrofolha, p.C-6. 
BACCARI Jr., F. Adaptação de sistemas de manejo na produção de leite em clima quente. In: SIMPÓSIO 
BRASILEIRO DE AMBIÊNCIA NA PRODUÇÃO DE LEITE, I., Piracicaba, 1998. Anais... Piracicaba: 
FEALQ, 1998. p.24-67. 
BACCARI Jr., F. Manejo ambiental da vaca leiteira em climas quentes. Londrina: UEL, 2001. 142p. 
HAFEZ, E.S.E. Adaptation of domestic animals. Philadelphia: LEA & FEBIGER, 1968. 415p. 
MÜLLER, P.R. Bioclimatologia aplicada aos animais domésticos. 3.ed. Porto Alegre: SULINA, 1989. 
262p. 
SILVA, R.G. Bioclimatologia e melhoramentodo gado leiteiro. Gado Holandês, n.148, p.5-12, 1988. 
SILVA, R.G. Introdução à bioclimatologia animal. São Paulo: NOBEL, 2000. 286p. 
 
 
EXERCÍCIOS PROPOSTOS: 
1) O que é ecologia? 
2) Defina ecossistema. 
3) Qual a diferença entre climatologia e meteorologia? 
4) No seu entendimento do texto proposto, defina a bioclimatologia. 
5) Pelo conteúdo do texto proposto, defina qual a diferença entre adaptação e evolução? 
6) O que é aclimatação? Cite quais são os tipos de aclimatação possíveis? 
7) Comente resumidamente sobre a situação dos bovinos, suínos e aves no nosso País. 
 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 7 
Aula 02 – Meteorologia Básica, Fatores Determinantes do Clima e Climas e Classificação Climática. 
 
 
I. CONCEITOS DE METEOROLOGIA BÁSICA 
 
1. ATMOSFERA TERRESTRE 
 Dentre todas as camadas que constituem a Terra, a atmosfera é a mais tênue, sendo sua massa 
1.000.000 de vezes menor que a massa da parte sólida da Terra. Sua densidade, mesmo ao nível do mar, onde 
é mais elevada, é menor que um milésimo da densidade das rochas. A maior parte da massa atmosférica é 
constituída de um reduzido número de elementos, embora exista um grande número de constituintes ocupando 
relativamente um diminuto volume. Existe, na atmosfera, um grupo de gases com concentrações 
aproximadamente constantes (até cerca de 90 km de altitude). São os chamados gases “permanentes” ou “não 
variáveis” (Tabela 1). Os demais, que não apresentam concentração fixa, são denominados “variáveis” 
(Tabela 2). 
 
Tabela 1. Constituintes “não variáveis” do ar atmosférico. 
Constituinte Conteúdo (% por volume) 
Nitrogênio – N2 78,084 
Oxigênio – O2 20,948 
Argônio – Ar 0,934 
Neônio – Ne 1,818 x 10-3 
Hélio – He 5,240 x 10-4 
Metano – CH4 2,000 x 10
-4
 
Criptônio – Kr 1,140 x 10-4 
Hidrogênio – H2 0,500 x 10
-4
 
Xenônio – Xe 0,087 x 10-4 
 
Tabela 2. Constituintes “variáveis” do ar atmosférico. 
Constituinte Conteúdo (% por volume) 
Vapor de Água – H2O 0 a 7 
Dióxido de carbono – CO2 0,033 
Ozônio – O3 0 a 0,01 
Dióxido de enxofre – SO2 0 a 0,0001 
Dióxido de nitrogênio – NO2 0 a 0,000002 
 
A atmosfera terrestre possui uma estrutura vertical extremamente variável quanto a inúmeros 
aspectos: composição, temperatura, umidade, pressão, movimentos, etc. Para fins acadêmicos, costuma-se 
dividir a atmosfera em várias camadas e cada camada têm características próprias, embora não seja 
homogênea (Tabela 3). Para fins meteorológicos, porém, é importante saber o que ocorre na Troposfera, que é 
a primeira camada da atmosfera onde ocorre a maioria dos fenômenos meteorológicos. 
 
Tabela 3. Faixas atmosféricas. 
Troposfera Camada mais baixa da atmosfera e esta em contato direto com a superfície da Terra. 
Espessura de cerca de 18 km nas proximidades do Equador, diminuindo para cerca de 8 
km perto dos pólos. É bastante instável e é nela que ocorrem os fenômenos 
meteorológicos mais importantes. 
Estratosfera Estende-se desde os limites superior da Troposfera (tropopausa) até cerca de 45 km de 
altitude, sendo relativamente estável. Apresenta correntes horizontais de ventos fortes, 
que tendem a dispersar extensamente as partículas sólidas e gasosas que invadem a 
área, mas tais partículas ainda aí permanecem por muito tempo. Há poucas nuvens. 
Mesosfera É a camada que se estende entre 45 e 75 km de altitude. 
Ionosfera Entre 75 a 400 km de altitude, representa o limite entre a atmosfera e o espaço exterior. 
Embora nessa grande altitude a concentração de oxigênio seja muito baixa, é nessa 
camada que se forma o ozônio, O3, pela ação da radiação ultravioleta. 
Adaptado de SILVA (2000). 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 8 
 As partículas presentes na atmosfera apresentam raio variando de 10
-3
 a 10
2
 m. O termo aerossol é 
usualmente reservado para partículas materiais que não sejam água ou gelo. Os aerossóis são importantes na 
atmosfera como núcleos de condensação e de cristalização, como absorventes e espalhadores da radiação e 
também, como participantes de vários ciclos químicos. 
 
2. FATORES DE ORDEM ASTRONÔMICA 
 A Terra executa em torno do Sol um movimento de translação, percorrendo uma trajetória chamada 
órbita terrestre. Considerando o Sol imóvel no espaço, verifica-se que a órbita terrestre tem a forma de uma 
eclipse (Figura 1). A Terra efetua uma translação completa em aproximadamente 365 dias e 6 horas. Neste 
movimento, ela ora se afasta ora se aproxima do Sol. O ponto em que a Terra encontra-se mais próxima ao Sol 
(1
o
 de Janeiro) denomina-se periélio e o mais afastado (1
o
 de Julho), afélio. 
 
Figura 1. Órbita terrestre e as estações do ano. 
 
 O movimento aparente do Sol na esfera celeste é helicoidal, em conseqüência de o eixo terrestre ser 
inclinado em relação ao Plano da Eclíptica (plano que contém a trajetória da Terra em torno do Sol). 
Atualmente, o ângulo entre o Plano da Eclíptica e o Plano Equatorial Celeste é de, aproximadamente, 23
o27’, 
como ilustra a Figura 2, e tal situação astronômica é conhecida como OBLIQÜIDADE DA ECLÍPTICA. 
A combinação da obliqüidade da eclíptica e a translação da Terra causa a impressão que o Sol se 
desloca na direção Norte-Sul ao longo do ano, dando origem às estações do ano, como pode ser facilmente 
visualizado nas Figuras 1 e 2. De forma análoga, a rotação da Terra dá a impressão de que o Sol se desloca de 
leste para oeste ao longo do dia. 
 
Figura 2. O plano do Equador forma um ângulo de 23
o27’ com o da Eclíptica. Observa-se o Círculo Polar 
Ártico (a), o Círculo Polar Antártico (d), o Trópico de Câncer (b) e o Trópico de Capricórnio (c). 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 9 
 As estações do ano se iniciam nos instantes denominados SOLSTÍCIOS e EQUINÓCIOS. Os 
solstícios são os instantes em que o Sol se encontra mais afastado do Plano Equatorial Celeste (ou terrestre), e 
equinócios, os instantes em que o Sol passa pelo Plano Equatorial. Como ilustrado na Figura 3, os dias de 
solstício são 22 de junho e 22 de dezembro, e os dias de equinócio, 21 de março e 23 de setembro, podendo 
haver ligeiras variações. No equinócio, o Sol incide perpendicularmente sobre um ponto do equador; no 
solstício, o Sol incide perpendicularmente sobre um ponto situado no trópico, e tangencia pontos situados nos 
círculos polares Ártico e Antártico. Assim, as culminações do Sol no zênite dos trópicos denominadas 
solstícios ocorrem dia 22 de junho e 22 de dezembro, respectivamente, para os trópicos de Câncer e 
Capricórnio. 
 
Figura 3. Movimento anual aparente do Sol na direção Norte-Sul, associado à variação de sua declinação, 
devida à obliqüidade do eixo terrestre em relação ao plano da Eclíptica. 
 
No solstício de inverno verificamos o dia mais curto e a noite mais longa do ano e no solstício de verão, o dia 
mais longo e a noite mais curta do ano. Nos equinócios, o dia e a noite tem duração igual em todo 
o planeta. 
Para o Hemisfério Sul, o verão se inicia em 22 de dezembro (dia de solstício de verão); o outono no 
dia 21 de março (dia de equinócio de outono); o inverno no dia 22 de junho (dia de solstício de inverno); e a 
primavera se inicia no dia 23 de setembro (dia de equinócio de primavera). Nota-se que para o Hemisfério 
Norte, as estações ocorrem em épocas opostas, ou seja, o verão se inicia no dia 22 de junho (dia de solstício de 
verão para o Hemisfério Norte); o outono se inicia no dia 23 de setembro (dia de equinócio de outono para o 
Hemisfério Norte), etc (Tabela 4 ).Tabela 4. Solstícios de verão e inverno e equinócios de primavera e outono nos Hemisférios Norte e Sul. 
Data Hemisfério Sul Hemisfério Norte 
22 de dezembro Solstício de Verão Dia mais longo 
Noite mais curta 
Solstício de 
Inverno 
Dia mais curto 
Noite mais longa 
21 de março Equinócio de 
Outono 
Duração do dia e 
noite iguais 
Equinócio de 
Primavera 
Duração do dia e 
noite iguais 
22 de junho Solstício de 
inverno 
Dia mais curto 
Noite mais longa 
Solstício de Verão Dia mais longo 
Noite mais curta 
23 de setembro Equinócio de 
Primavera 
Duração do dia e 
noite iguais 
Equinócio de 
Outono 
Duração do dia e 
noite iguais 
 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 10 
3. RADIAÇÃO SOLAR E A ATMOSFERA 
 
 O espectro eletromagnético é o conjunto de radiações eletromagnéticas ordenadas de acordo com as 
suas freqüências, seus comprimentos de ondas, ou, ainda, números de ondas. Os limites aproximados entre as 
diversas faixas do espectro eletromagnético são indicados na Tabela 5. 
 
Tabela 5. Faixas do espectro eletromagnético. 
Radiação Comprimento de Onda (m) 
Raios , Raios x <0,001 
Radiação ultravioleta 0,001 a 0,39 
Luz visível 0,39 a 0,77 
Radiação infravermelha 0,77 a 1000 
Ondas de radar, televisão e rádio >1000 
 
 A região visível do espectro pode ser subdividida, em micrômetros, como segue: 
 
Violeta Azul Verde Amarela Laranja Vermelha 
 
0,39 0,45 0,49 0,58 0,60 0,62 0,77 
 
 O infravermelho, por outro lado, é dividido em infravermelho próximo, compreendendo os 
comprimewntos de ondas de 0,77 a 25 m, e em infravermelho longínquo, de 25 a 1000 m. 
 
 Da radiação solar incidente, apenas 31% atinge efetivamente a superfície da Terra (Figura 3), sendo 
isso causado pelos seguintes processos: 
 Reflexão: cerca de 30% da radiação incidente é refletida pelas camadas de nuvens de volta para o 
espaço, e 6% é refletida pela superfície terrestre. 
 Absorção: cerca de 15 % da radiação que atinge a Terra por fora das camadas atmosféricas é 
absorvida na atmosfera, pelo vapor de água, CO2 e partículas (aerossóis). Aproximadamente 3% é 
absorvido na ionosfera, na formação do ozônio. 
 Dispersão: dependendo da composição atmosférica, cerca de 15% da radiação solar incidente é 
dispersada pelas partículas sólidas e gasosas, contribuindo para a luminosidade celeste. 
 
As parcelas da radiação que atingem a superfície da Terra são constituídas basicamente por ondas 
curtas (0,3 a 4,0 m) (Tabela 6). As ondas longas (4,0 a 100,0 m) são procedentes da atmosfera e da 
superfície terrestre previamente aquecidas. A energia solar que atinge a superfície terrestre no nível do mar 
raramente excede 1088 a 1120 W/m
2
, mesmo nos dias mais claros; em média, acha-se ao redor de 900 a 980 
W/m
2
. 
 
Tabela 6. Distribuição espectral da radiação solar ao nível do mar. 
Faixa de radiação Comprimento de onda (m) Potência (J/cm
2
) % de irradiância total 
Ultravioleta 0,4187 0,063 
C 0,200 – 0,280 
B 0,280 – 0,315 
A 0,315 – 0,380 
Visível 3,3496 0,521 
Violeta 0,380 – 0,424 
Azul 0,424 – 0,492 
Verde 0,492 – 0,535 
Amarelo 0,535 – 0,586 
Laranja 0,586 – 0,647 
Vermelho 0,647 – 0,780 
Infravermelho 0,780 – 3,000 2,5122 0,416 
SILVA (2000). 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 11 
A banda UVC (0,20 - 0,28 m) apresenta um efeito biológico particularmente intenso e perigoso, mas 
é quase toda absorvida pela camada de ozônio e não ultrapassa a estratosfera. A banda UVB (0,28 – 0,315 
m) é importante para a síntese de vitamina D, mas apresenta riscos de dano celular quando há exposição 
excessiva a ela. Os raios da banda UVA (0,315 – 0,40 m) são menos penetrantes e estão associados à síntese 
de melanina. 
 Considerando todas as faixas de onda da radiação solar que atingem a superfície terrestre, podem ser 
atribuídos os seguintes efeitos biológicos até agira conhecidos: síntese orgânica (fotossíntese, síntese de 
vitamina D), transformação da matéria (melanogênese, eritemas, efeitos bactericidas) e efeitos diversos 
(fotoperiodismo, fototropismo, fototaxia, movimentos fotonásticos, germinação de sementes, fotomorfose, 
estímulos nervosos e glandulares). 
 
4. OUTROS CONCEITOS RELACIONADOS À BIOCLIMATOLOGIA 
1. Meridiano: linha imaginária que une os pontos de mesma longitude. Os meridianos são semicírculos 
máximos da superfície terrestre ou da esfera celeste, limitados pelos pólos; os semicírculos que os 
completam são chamados antimeridianos. O meridiano de origem é aquele que passa pelo observatório 
britânico de Greenwich, escolhido convencionalmente como a origem das longitudes sobre a superfície 
terrestre, e como base para a contagem dos fusos horários. 
2. Paralelo: cada um dos círculos imaginários que secionam o globo terrestre em planos paralelos ao 
equador, unindo os pontos de mesma latitude. Cada paralelo une os pontos de mesma latitude, variando de 
0
o
 no equador a 90
o
 nos pólos, Norte e Sul; tornam-se menores a medida em que se distanciam do equador 
o maior dos paralelos); os paralelos mais importantes, além do equador, são os trópicos e os círculos 
polares. 
3. Longitude: distância angular entre um ponto qualquer da superfície terrestre e o meridiano inicial ou de 
origem. As longitudes são contadas a partir do meridiano de Greenwich, de 0
o
 a 180
o
 para oeste, e de 0
o
 a 
180
o
 para leste. 
4. Latitude: distância angular entre um ponto qualquer da superfície terrestre e o equador. É contada de 0o a 
90
o
, do equador em direção aos pólos, norte e sul. 
5. Altitude: elevação vertical de um ponto acima do nível médio do mar. 
6. Clima: conjunto de fenômenos meteorológicos (temperatura, pressão atmosférica, ventos, precipitações) 
que caracterizam, durante um longo período, o estado médio da atmosfera e sua evolução num 
determinado lugar. 
7. Tempo: estado da atmosfera num determinado momento e lugar, no que diz respeito à temperatura, 
umidade, pressão atmosférica, presença de nuvens, ocorrência de ventos. Os diferentes tipos de tempo 
definem-se como o conjunto de condições atmosféricas momentaneamente estáveis, que voltam a ocorrer 
a intervalos relativamente frequentes ou mesmo regulares. 
8. Temperatura do ar: quantidade de calor existente no ar atmosférico. Os raios solares atravessam a 
atmosfera e aquecem diretamente as superfícies continentais e oceânicas. O calor irradiado por essas 
superfícies é que vai aquecer, indiretamente, o ar atmosférico. A temperatura do ar é percebida 
subjetivamente por sensações de calor ou de frio e a medição exata é feita através da utilização de um 
termômetro. 
9. Calor: energia que se transfere de um sistema para outro, sem transporte de massa, e que não corresponde 
à execução de um trabalho mecânico. 
10. Calor sensível: o fornecimento de calor provoca geralmente uma variação da temperatura do sistema que 
o recebe. 
11. Calor latente: calor que deve ser absorvido por uma substância pura para que mude de estado. 
12. Umidade do ar: teor de vapor de água existente na atmosfera. Umidade absoluta é a relação entre a massa 
de vapor de água contida, num dado momento, em um certo volume de ar, e esse volume de ar 
considerado. A umidade absoluta é medida em número de gramas de vapor de água por metro cúbico de 
ar. A umidade relativa é a relação, expressa em porcentagem, entre a quantidade de vapor de água 
presente em um certo volume de ar, em um dado momento, e a quantidade máxima (limite de saturação) 
de vapor de água que esse volume de ar pode conter, à temperatura do momento. 
13. Precipitação: quantidade de água, neve, granizo, quese precipita da atmosfera sobre o solo, em 
determinado período. 
14. Pressão atmosférica: efeito do peso da atmosfera sobre os corpos. A pressão atmosférica média, tomada 
ao nível do mar e a 0
o
C é de 760 mm de uma coluna de mercúrio, ou 1013 milibares, valor aproximado ao 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 12 
exercido por um corpo de 1 kg de massa sobre uma superfície de 1 cm
2
 de área. A pressão varia conforme 
o estado da atmosfera e decresce com a altitude (800 milibares a 2000 m e 620 a 4000 m). 
15. Orvalho: tipo de precipitação atmosférica em que o vapor de água se condensa e se deposita durante a 
noite e pela manhã, sob a forma de gotículas muito finas, sobre a vegetação e certos corpos expostos ao ar 
livre. 
16. Transmissão de calor: coeficiente que caracteriza a transmissão de calor entre um sólido (ou um fluído) 
a uma certa temperatura a um sólido (ou um fluído) a uma outra temperatura. 
17. Termosfera: zona da atmosfera de um planeta situada acima da mesosfera e caracterizada por um forte 
aumento da temperatura com a altitude. A termosfera terrestre está situada entre 85 e 600 km de altitude. 
18. Estresse: conjunto de respostas metabólicas, fisiológicas e comportamentais aos agentes estressores de 
qualquer natureza (emoção, frio, calor, doença, intervenção cirúrgica, choque traumático, etc) que 
agridem um organismo na sua totalidade, podendo ameaçar a sua existência. 
19. Ambiência: aquilo que envolve, que cerca; conjunto formado pelo meio (ar) e pelo recinto (paredes, 
corpos radiantes, etc.). 
20. Equinócio: época do ano em que o Sol, em seu movimento próprio aparente na eclíptica, corta o equador 
celeste, e que corresponde à igualdade de duração dos dias e das noites.Há dois equinócios por ano: em 21 
de março e em 23 de setembro. 
21. Solstício: época do ano em que o Sol, no seu movimento aparente sobre a eclíptica, atinge a maior 
declinação boreau ou austral e que corresponde à duração máxima ou mínima do dia. A passagem do Sol 
nestes pontos, dia 21 ou 22 de junho e dia 21 ou 22 de dezembro, marca respectivamente o início do 
inverno e do verão no hemisfério Sul. A situação é inversa no hemisfério Norte. 
22. Albedo: Fração, expressa em centésimos, da energia de radiação incidente refletida ou difundida por um 
corpo, superfície ou meio. O aparelho utilizado para medir o albedo é o albedômetro. Um corpo negro e 
fosco possui um albedo de 0. A neve, fresca e limpa, possui um albedo próximo de 0,90, considerando os 
comprimentos de onda da luz visível. 
23. Insolação: ação dos raios solares sobre um objeto. Número de horas durante as quais o sol brilhou num 
dia, num mês ou num ano determinado. 
24. Isoterma: numa carta meteorológica, á a linha que une os pontos de temperatura média idêntica para 
determinado período. 
25. Isoieta: numa carta meteorológica, é a linha que une os pontos de uma região onde as precipitações 
médias são as mesmas para um período considerado. 
26. Isóbara: isobárica. Curva que une os pontos da Terra onde a pressão atmosférica, tomada ao nível do 
mar, é a mesma num determinado instante. 
27. Climograma: gráfico que representa, sobre um mesmo sistema de coordenadas, a variação anual das 
temperaturas e a média das chuvas de uma estação do ano. 
28. Zênite: ponto em que a vertical de um lugar encontra a esfera celeste. 
29. Monções: sistema de ventos sazonais alternados, que sopram em latitudes tropicais (principalmente na 
Ásia meridional), do mar para o continente no verão (monção de verão) e do continente para o mar no 
inverno (monção de inverno). A monção, fenômeno da baixa e da média troposfera, está ligada a fatores 
geográficos (interpenetração de massas oceânicas e continentais) e térmicos: o aumento da temperatura no 
verão acarreta a formação de baixas pressões sobre o continente, atraindo o ar oceânico úmido; a 
diminuição da temperatura no inverno, mais rápido sobre o continente, traz uma elevação da pressão 
atmosférica e formação de ventos que se dirigem para o oceano. Os fluxos alternados atravessam o 
equador. 
30. Nó: unidade de velocidade, utilizada em navegação marítima ou aérea, equivalente à velocidade uniforme 
que corresponde a 1 milha marítima por hora, ou seja, 0,5144 metros por segundo. 
31. Brisa: vento periódico que sopra nas regiões litorâneas, alternadamente em direção ao continente ( brisa 
marinha, diurna) ou em direção ao mar (brisa terrestre, noturna); e nos vales de montanha, durante o dia 
em direção aos cumes, e à noite em direção ao vale, em tempo calmo. É provocada pela diferença de 
aquecimento entre a terra e o mar ou entre as vertentes de jusante e de montante. 
32. Fuso horário: cada uma das 24 partes em que é dividida a superfície da Terra onde todos os pontos têm, 
em princípio, a mesma hora legal, e que corresponde ao fuso geométrico limitado por meridianos que 
distam entre si 15
o
. A hora legal corresponde àquela do meridiano central de cada fuso. 
33. Climatização: conjunto de operações que criam e mantêm, em determinado local, condições controladas 
de temperatura, umidade relativa, velocidade e pureza do ar. 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 13 
II. FATORES DETERMINANTES DO CLIMA 
 
1. DEFINIÇÕES: 
 
Tempo: é o estado atual da atmosfera num determinado local e instante, sendo caracterizado pelas condições 
de temperatura, pressão, concentração de vapor, velocidade e direção do vento, precipitação. 
 
Clima: são muitas as definições de clima e aqui descrevemos apenas três das mais utilizadas. 
 
HANN – é o conjunto dos fenômenos meteorológicos que caracterizam o estado médio da atmosfera em 
dado local. 
 
THORNTHWAITE – é a interação de fatores meteorológicos que conferem a uma região seu caráter e 
sua individualidade. 
 
KÖEPPEN – é o somatório das condições atmosféricas que fazem um lugar da superfície terrestre ser ou 
não habitável para homens, animais e plantas. 
 
Elementos Climáticos/Meteorológicos: são as grandezas (variáveis) que caracterizam o estado da atmosfera, 
ou seja, temperatura, umidade, pressão, velocidade e direção do vento, precipitação. 
 
Fatores Climáticos/Meteorológicos: são agentes causais que condicionam os elementos climáticos. Por 
exemplo, fatores geográficos como latitude, altitude, radiação solar, continentalidade / oceanalidade. 
 
 
2. ELEMENTOS E FATORES CLIMÁTICOS 
 
1. TEMPERATURA DO AR 
 
O calor da atmosfera provém do Sol. 
Temperatura é a quantidade de calor existente no ar, que provém do calor emitido pelo Sol. A 
superfície da Terra conserva o calor recebido do sol e irradia-o para a atmosfera, ocasionando o aquecimento 
das camadas de ar. Essa irradiação do calor solar explica por que a superfície da Terra permanece aquecida à 
noite e o fato do horário mais frio do dia ser de madrugada (momentos antes de nascer o Sol). As variações 
temporais e espaciais da temperatura do ar são condicionadas pelo balanço de energia na superfície. Assim, 
todos os fatores que afetam o balanço de energia influenciam também a temperatura do ar. 
 
A temperatura do ar sofre influência de muitos fatores. 
1. HORÁRIO DO DIA: a temperatura varia do dia para noite (T máxima por volta das 1500 às 1700h e T 
mínima momentos antes de nascer o Sol). 
2. ESTAÇÃO DO ANO: o Inverno é a estação mais fria e o Verão a mais quente. 
3. ALTITUDE: quanto maior a altitude, menor a temperatura do ar, pois as camadas de ar estão mais 
distantes da superfície da Terra que irradia calor e o ar mais rarefeito absorve menor quantidade de calor. 
Na troposfera, via de regra, se observa uma diminuição de 1
o
C a cada 180 ou 200 m de altitude. Nas 
primeiras camadas da estratosfera, reinam temperaturas muito baixas (50 a 60
o
C abaixo de zero).4. LATITUDE: a medida que as latitudes vão se tornando maiores, as temperaturas se tornam mais baixas 
(Tabela 7). Isto pode ser explicado por dois fatores: a) diferenças na inclinações dos raios solares devido a 
redondeza da Terra, e b) diferenças na espessura das camadas da atmosfera. Sobre o Equador, os raios 
solares incidem perpendicularmente e a medida que nos afastamos em direção aos pólos, aumenta a 
inclinação dos raios solares e a espessura das camadas da atmosfera, que os raios solares tem que 
atravessar ( massa atmosférica em PA   a quantidade de calor em PG). 
5. NEBULOSIDADE: as nuvens impedem que as massas aquecidas se dispersem nas altas camadas. Por isso, 
as noites sem nuvens são sempre mais frias. Durante o dia, as nuvens impedem que a irradiação solar atinja 
a superfície da Terra, provocando uma diminuição da temperatura do ar. 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 14 
Tabela 7. Variação da temperatura nas diferentes latitudes. 
LATITUDE Temperatura média 
(em graus) Hemisfério Norte Hemisfério Sul 
0 25,9 25,9 
15 26,3 24,2 
30 20,3 18,5 
45 9,6 8,9 
60 -0,8 0,2 
75 -13,3 -6,8 
 
6. DISTRIBUIÇÃO DAS TERRAS E DAS ÁGUAS: as diferenças na distribuição das terras e águas nos 
hemisférios exercem grande influência na caracterização dos climas, uma vez que se comportam de 
maneira diferente em relação a absorção e perda de calor. As águas demoram mais para aquecer e esfriar 
que as terras, e estas diferenças podem ser explicadas em função de: 
a) o calor específico da terra corresponde a 6/10 da água; (calor específico é a quantidade de calor (calorias) 
necessária para elevar em 1
o
C a temperatura de 1 grama do material). (CE da água = 1cal/g/
o
C) 
b) águas sofrem evaporação, que abaixa a temperatura. 
c) calor penetra até 20 m na terra e até 100 a 200 m na água. 
 
 Assim, o Equador térmico não coincide com o Equador terrestre. Passa a 10 e 15 
o
 de latitude Norte, 
devido a diferenças na distribuição das terras e águas nos hemisférios da Terra. 
 
7. Outros fatores que podem modificar a temperatura do ar: 
 VEGETAÇÃO (diminuem a temperatura, pois impedem a irradiação solar e concentra umidade); 
 CORRENTES MARÍTIMAS (quentes ou frias); 
 VENTOS e CHUVAS 
 CIDADES (temperaturas mais elevadas). 
 
 
Medida da temperatura do ar: 
Obtida através de termômetros, que podem diferir quanto ao seu elemento sensível (mercúrio, álcool, 
hidro carbureto) e quanto à escala (Centígrado ou Fahrenheit). Existem, ainda, termômetros registradores, 
termômetros de máxima e de mínima, termômetros de bulbo úmido, etc. 
 Em geral, se usa a graduação centígrada ou escala Celsius, apresentada pelo astrônomo sueco Anders 
Celsius (1742), que vai de 0
o
 (temperatura do gelo fundente) até 100
o
 (temperatura da água em ebulição). Nos 
países anglo-saxônicos, prefere-se a graduação em Fahrenheit, proposta pelo físico alemão Gabriel Daniel 
Fahrenheit, na qual 32
o
 F eqüivalem a 0
o
 C e 212
o
 F correspondem a 100
o
 C. A conversão entre as graduações 
pode ser feita pela fórmula: 
C =
5
9
F - 32)*(
, onde C é a temperatura em 
o 
C e F a temperatura em 
o
 F. 
As leituras de temperatura do ar nos termômetros podem ser obtidas na forma de medidas e registros, 
temperatura máxima e mínima. De posse das leituras podemos calcular as temperaturas médias diárias, 
mensal, do inverno ou verão, anual, etc. A comparação entre a temperatura média do dia ou mês mais quente 
com a do dia ou mês mais frio, é chamada de amplitude térmica mensal ou anual, respectivamente. 
Erros de leitura na temperatura do ar podem ser causados por defeitos nos termômetros, ventos e 
irradiação do calor solar sobre o aparelho. Para leituras corretas, o termômetro deve estar sempre abrigado e a 
uma altura entre 1,5 a 2 m. 
Para se determinar a temperatura de uma região são necessárias um número muito grande de 
observações, por muitos anos (500 anos, segundo HANN). Pode-se traçar as isotermas ou linhas isotérmicas, 
que são linhas imaginárias unindo os pontos da superfície terrestre que apresentam as mesmas temperaturas 
(HUMBOLDT). 
 
Temperaturas máximas observadas: 
 No Saara, 50o C à sombra não é raro; já foi registrado 57o C; 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 15 
 Vale da Morte (54o C), Egito, Eritréia, Mesopotânea, Arábia, noroeste da Índia, Austrália Central, são 
regiões muito quentes. 
 
Temperaturas mínimas observadas: 
 Na Sibéria a temperatura chega a 50o C abaixo de zero; já foi registrado - 69,8o C; 
 noroeste do Canadá, Groenlândia, Antártida, são regiões de frio intenso. 
 
Zonas térmicas da Terra segundo KÖPPEN, em função da duração da temperatura durante o ano. 
1. Zona tropical: pequena variação de temperatura, calor durante o ano, não menos de 20o C; 
2. Zona subtropical: temperatura acima de 20o C (1 a 8 meses), diferença entre a Tmáx e Tmín varia de 7 a 
18
o
 C, de acordo com a altitude e latitude. 
3. Zona temperada: temperatura inferior a 20o C por no mínimo 8 meses do ano; estações bem definidas. 
4. Zona fria: apenas 4 meses com temperatura acima de 10o C; sem verão. 
5. Zona polar: temperatura abaixo de 10o C, o ano todo. 
 
Para se estudar convenientemente a variação anual da temperatura, não bastam as médias anuais, 
torna-se preciso comparar as 12 cartas mensais. 
 Para se ter melhor compreensão das variações da temperatura, torna-se necessário enfatizar os 
movimentos da Terra em relação ao Sol: o de rotação, em torno do seu próprio eixo, com inclinação de 
23
o27’, originando o dia e a noite, e o de translação, ao redor do Sol, com seu eixo praticamente paralelo a si 
mesmo, propiciando um aquecimento desigual dos Hemisférios ao longo do ano e, conseqüentemente, 
estações do Hemisfério Norte diferentes das do Sul (BAÊTA, 1998). 
 Em conseqüência da inclinação de 23
o27’ do eixo de rotação da Terra, o observador vê o Sol nascer 
no Leste e se pôr no Oeste exatamente nos dias 23 de setembro e 21 de março. O plano dessa trajetória se 
desloca paralelamente para o Norte até dia 22 de junho e, em seguida, retorna para o Sul, até o dia 22 de 
dezembro. Dessa forma, no Brasil, uma parede disposta no sentido Leste-Oeste terá a face voltada para o 
Norte sempre mais ensolarada que a do Sul, com a máxima condição em 22 de junho e mínima em 22 de 
dezembro (BAÊTA, 1998). 
 
 
2. PRESSÃO ATMOSFÉRICA E VENTOS 
 
A pressão atmosférica e sua medida: 
A pressão atmosférica equivale ao peso de uma coluna de mercúrio com 760 mm de altura e 1 cm
2
 de 
base. Isto significa que o ar atmosférico exerce uma pressão média de 1033 g/cm
2
 e um indivíduo tem sobre si 
um peso de cerca de 15 toneladas. A medida da pressão atmosférica é feita através de barômetros de dois tipo: 
barômetros de mercúrio (mais exatos) e aneróides (fácil transporte, menos precisos). 
 
Variações da pressão atmosférica e suas causas: 
1. HORA DO DIA: em função da temperatura; 
2. ESTAÇÃO DO ANO: em função da temperatura; 
3. ALTITUDE: em função da densidade das camadas de ar. Com o aumento da altitude ocorre uma 
diminuição na densidade das camadas de ar. Até uns 300 m de altitude, a cada 10 a 11 m de elevação, 
diminui 1 mm de pressão atm. A partir daí, a proporção é variável (Tabela 8). De acordo com a chamada 
Lei de LAPLACE, enquanto a altitude aumenta em PA, a pressão atmosférica diminui em PG; 
 
Tabela 8. Influência da altitude na pressão atmosférica. 
ALTURA (metros) PRESSÃO (milímetros) 
0 760 
1000 674 
5000 405 
10000 198 
11000 170 
20000 41 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 16 
 TEMPERATURA: é a principal causa de variação na pressão atmosférica.Sua influência se faz sentir, 
num mesmo lugar, conforme a as horas do dia, as estações do ano ou a latitude (aumenta a pressão nas 
latitudes médias e nas regiões polares e a diminui no equador), conforme mostrado na Tabela 9. Tais fatos 
explicam-se naturalmente, porque, com o aumento da temperatura, ocorre dilatação do ar atmosférico e, em 
conseqüência, uma diminuição do seu peso e da pressão que exerce ( pressão atmosférica), e vice-versa. 
 
Tabela 9. Influência da temperatura em função da latitude. 
LATITUDE (em graus) PRESSÃO (milímetros) 
0 758 
20 759 
40 762 
50 761 
60 756 
80 761 
 
Chama-se de isóbara ou linha isobárica, a linha imaginária que une todos os pontos de igual pressão 
atmosférica, considerados como se estivessem ao nível do mar. 
 A maior pressão registrada foi na Sibéria (780 mmHg) e a mais baixa em Madagascár (628 mmHg). 
 
O mecanismo dos ventos: 
 As diferenças de temperatura do ar atmosférico e a conseqüente formação de diferentes zonas de 
pressão atmosférica, ocasionam a movimentação das massas de ar de uma região de maior pressão para outra 
de menor pressão; assim formam-se os ventos. A intensidade e direção dos ventos são determinados pela 
variação espacial e temporal do balanço de energia na superfície terrestre, que causa variações no campo de 
pressão atmosférica, gerando os ventos de grande circulação e os movimento ciclônicos e anticiclônicos. 
Assim, a troposfera está em constante troca de massas de ar. Nas zonas frias (altas pressões) formam-
se os chamados: anticiclones ou áreas anticiclonais, centros dispersores de vento, nos quais o ar se apresenta 
calmo e seco. Nas zonas quentes (baixa pressão), formam-se os chamados ciclones ou áreas ciclonais, nas 
quais o ar está sempre em movimento, pois para ali convergem os ventos. 
 A velocidade do vento é afetada, também, pela rugosidade da superfície e pela distância vertical em 
que ela é medida. Quanto mais próximo da superfície, maior o efeito de atrito com o terreno, desacelerando o 
movimento e diminuindo a velocidade do deslocamento do ar. A direção dos ventos é afetada pela rotação da 
Terra e pela diferença de temperatura e/ou pressão entre corpos de diferentes características e relevo. 
 
A velocidade do vento, medida através de aparelhos denominados anemômetros, é muito variável e 
depende diretamente das diferenças de pressão entre as áreas ciclonais e anticiclonais. Pode ser classificada 
em: 
 calma atmosférica = menos de 1 m/s; 
 vento fraco = 1 a 4 m/s; 
 vento moderado = 4 a 8 m/s; 
 vento forte = 8 a 16 m/s; 
 vento violento = 16 a 25 m/s; 
 furacão = mais de 25 m/s. 
 
Tipos de ventos, que apresentam um regime especial: 
 
a) Ventos regulares ou constantes: ocorrem na região intertropical e sopram de forma regular e constante 
(alísios e contra-alísios). 
 
a1) Alísios: sopram das regiões temperadas para o Equador, pelas camadas inferiores da atmosfera (até 2000 
m), numa velocidade de 5 a 8 m/s (fraco a moderado). Não são muito regulares em sua força e direção devido 
a formação de ciclones nas regiões tropicais. 
 
a2) Contra-alísios: sopram do Equador para as regiões temperadas, pelas camadas mais altas da atmosfera. 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 17 
b) Ventos periódicos: 
São ventos que sopram em períodos certos, ora numa direção, ora noutra. Seu mecanismo é explicado 
em função da diferença na forma como se aquecem e se esfriam as terras e as águas. 
 
b1) BRISAS: têm um âmbito quase universal e aparecem nas regiões banhadas pelo mar. Durante o dia, 
sopram do mar para a terra (brisa marítima, das 10 h até o entardecer), pois a terras se aquece mais depressa 
que o mar. Durante a noite, sopram do continente para o mar (terral ou brisa terrestre), pois a terra se esfria 
mais depressa do que o mar. 
 Ventos análogos ocorrem em regiões montanhosas. Durante o dia sopra uma brisa de baixo para cima 
( o fundo do vale se acha mais frio que o cume). Durante a noite, a brisa se dirige de cima para baixo (o cume 
se esfria mais rápido que o fundo do vale). 
 
b2) MONÇÕES: têm um âmbito mais restrito. Resultam das diferenças entre as estações do ano. 
 Verão: o continente aquece-se mais depressa que o oceano (monções marítimas ou de verão). Sopram do 
mar para o continente. 
 Inverno: continente mais frio que o oceano (monções continentais ou de inverno). Sopram da terra para o 
mar. 
As monções ocorrem nas regiões banhadas pelo Oceano Índico e Extremo Oriente. Têm muita 
importância no clima destas regiões: 
 monções marítimas ou de verão trazem chuvas torrenciais, muitas vezes catastróficas. 
 monções continentais ou de inverno ocasionam longos períodos de seca. 
 quando ocorrem as mudanças de estações, mudam as direção dos ventos, e registram-se grandes 
perturbações atmosféricas com a formação de ciclones e tufões. 
 
b3) VENTOS ETÉSIOS OU ANUAIS: não passam de uma variedade das monções e possuem idêntico 
mecanismo. Ocorrem na bacia do Mediterrâneo, costa da Guiné, Texas e Austrália. 
 
c) Ventos variáveis e locais: 
 
c1) Variáveis: 
Ocorrem em regiões onde não existem os alísios e monções, especialmente em latitudes acima de 30
o
. 
Sua direção sofre constantes alterações, pois os centros de alta e baixa pressão se deslocam com facilidade. 
Na Europa ocidental: 
 VENTOS DO OESTE: procedem de NO no verão e do SO no inverno. 
 
c2) Locais: resultantes da formação de áreas ciclonais e anticiclonais , de caráter local, em função de 
condições geográficas particulares de uma região. 
 
Na América: 
 PAMPEIRO: vento frio que sopra das regiões meridionais da Argentina e alcança o RS (Minuano). 
 CHINOOK: sopra das Montanhas Rochosas. Sendo frio no seu movimento ascendente e tépido no seu 
movimento descendente. 
 
Na África: 
 SIMUM: vento quente que levanta cortinas de areia no Saara, prolonga-se pelo Mar Mediterrâneo, e 
alcança a Espanha (Solano) e as costas da Itália e Grécia (Siroco). 
 CANSIM: no Egito (quente). 
 HARMATÃ: no Senegal e na costa da Guiné (quente). 
 
Na Europa: 
 MISTRAL: Sul da França. Sopra do Maciço Central para o baixo Ródamo (frio). 
 BORA: sopra dos planaltos da Bósnia para o Mar Adriático (frio). 
 CRIVETZ: nos Bálcãs, especialmente na Romênia (frio). 
 FOEHN: :na cadeia dos Alpes, sobretudo na Suíça e no Tirol (frio). 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 18 
3. A UMIDADE ATMOSFÉRICA E AS CHUVAS 
 
A evaporação é responsável pela presença vapor de água no ar atmosférico, e depende , sobretudo, de 
três fatores: 
1. Da extensão das superfícies líquidas; 
2. Da força dos raios solares; 
3. Da ação dos ventos. 
 
Umidade absoluta ou relativa: 
Chama-se umidade absoluta, peso do vapor de água contido em uma quantidade de ar. Em 1 m
3
 de 
ar, a umidade pode variar de uma quantidade mínima até 25 gramas, aproximadamente, dependendo da 
temperatura. 
 Denomina-se umidade relativa do ar, a relação existente entre a quantidade de vapor de água 
realmente contida no ar e a quantidade máxima que ele pode suportar em uma dada temperatura. Sabendo que 
em 1 m
3
 de ar pode conter, à temperatura de 12
o
C, um máximo de 10 gramas de vapor de água, e verificando-
se que o ar de um determinado lugar só contém 5 gramas de vapor, dizemos que a umidade relativa é igual a 
50%, e assim por diante. 
Ar atmosférico está saturado quando contém o máximo de vapor de água que pode suportar em uma 
determinada temperatura, ou seja, quando sua UR é igual a 100%. O grau de saturação depende da 
temperatura; quanto mais elevada a temperatura, maior quantidade de vapor de água o ar atmosférico poderá 
conter (Tabela 10).Tabela 10. Quantidades de vapor d’água necessárias para que 1 m3 de ar fique saturado, em diferentes 
temperaturas. 
TEMPERATURA (
o
 C) VAPOR DE ÁGUA (gramas) 
-1 2,26 
0 4,84 
10 9,33 
20 17,12 
30 30,04 
 
A umidade absoluta varia com o decorrer do dia, das estações do ano e nas diversas regiões do 
planeta. É mínima ao amanhecer e máxima à tarde. Na zona equatorial pode ultrapassar 20 mm, ao passo que, 
nas regiões polares, chega a ser inferior a 1 mm. 
Com a umidade relativa ocorre justamente o oposto, pois é máxima ao amanhecer e mínima à tarde e é 
maior no inverno e nas zonas frias, em conseqüência do papel que representa a temperatura. 
 
A nebulosidade atmosférica: 
Quando o ar atmosférico saturado de vapor de água, sofre uma diminuição de temperatura, ocorre a 
condensação desse vapor, formando pequenas gotas de água que ficam em suspensão na atmosfera (nevoeiro e 
nuvens). São várias as causas deste fenômeno: 
1. mistura de duas massas de ar de temperatura diferentes; 
2. passagem de uma porção de ar quente sobre uma superfície fria; 
3. passagem de um vento frio sobre uma superfície líquida mais quente; 
4. dilatação do ar e conseqüente formação de correntes ascendentes. 
 
O nevoeiro é a nebulosidade que se forma nas camadas inferiores da atmosfera, ao contato da 
superfície terrestre. As nuvens formam-se nas camadas mais elevadas e podem apresentar-se sob diferentes 
aspectos: cirros (8.000 a 11.000 m), cúmulos (2.000 a 6.000 m), estratos (500 a 1.000 m) e nimbos (baixas e 
escuras). 
 
As precipitações atmosféricas: 
 
Que ocorrem na superfície terrestre: 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 19 
 ORVALHO: forma-se nas noites claras e serenas, quando a superfície da terra fica mais fria que o ar, o 
vapor de água do ar se precipita sob a forma de gotículas que encobrem os objetos e a vegetação. 
 GEADA: o orvalho congela, quando a temperatura da superfície desce a menos de 0o C, formando um fino 
lençol de gelo sobre a vegetação. 
 
Que ocorrem nas altas regiões da troposfera: são resultantes do encontro de uma camada de ar frio com uma 
nuvem saturada de vapor de água: 
 NEVE: precipitação do vapor de água em pequenos cristais hexagonais (flocos de neve), que caem sobre a 
superfície terrestre, desde que não encontrem em seu trajeto camadas de ar quentes. 
 GRANIZO: resulta da precipitação do vapor de água contido nas nuvens. Caem em pequenas gotas, que se 
congelam em contato com uma camada fria da atmosfera, chegando à superfície como pedras de gelo 
(típicos das tempestades de verão). 
 CHUVAS: são as mais importantes das precipitações atmosféricas. Ocorrem quando nuvens saturadas de 
vapor de água, entram em contato com uma camada de ar frio, e precipitam-se sob a forma de gotas de 
água. 
 
A chuva pode de ocorrer de duas maneiras, principalmente: 
 
1) Ascensão vertical das massas de ar quente, as quais tornando-se mais frias em função da altitude, fazendo 
com que o vapor de água se condense sob a forma de nuvens e, em seguida, chuva; 
 chuvas de convecção: se originam do movimento ascendente diurno de massas de ar (regiões equatoriais e 
montanhas); 
 chuvas ciclonais: típicas de áreas ciclonais ou de baixa pressão (massas de ar em constante ascensão). 
 
2) Deslocamento horizontal das nuvens, conduzidas pelo vento para zonas de temperatura mais baixa, o que 
ocasiona a formação de chuva. 
 chuvas de relevo: aparecem nas encostas montanhosas, em virtude do contato das nuvens com o ar mais 
frio das zonas de maior altitude. 
 chuvas litorâneas: oriundas das diferenças de temperatura entre o mar e as terras. 
 
Fatores que influenciam o mecanismo das chuvas: 
 temperatura: representa papel fundamental nos processos de evaporação e condensação; 
 vento: ocasiona o deslocamento das nuvens e favorece a evaporação no mar e continentes; 
 florestas: sua presença promove uma diminuição da temperatura local. 
 
A medida da quantidade de chuva (mm) é dada por um aparelho denominado de pluviômetro. Isoieta é 
a linha imaginária que une os pontos que apresentam a mesma quantidade de chuva. 
 
As regiões que recebem maior quantidade de chuvas (+ de 2000 mm/ano) são: 
 Regiões intertropicais (chuvas de convecção, chuvas ciclonais e chuvas de relevo): Amazônia e Guianas, 
costa da Guiné, bacia do Congo, planície do Ganges, península de Malaca e ilhas Sonda; 
 Regiões restritas: costas ocidentais dos continentes (Alasca, Colúmbia Britânica, Sul do Chile, Irlanda 
Ocidental, Noruega, litoral da Iugoslávia). 
 
Entre as regiões que recebem menores quantidades chuvas (- de 250mm/ano), podemos citar: 
 Zonas circumpolares (Norte do Canadá e da Sibéria); 
 Áreas atravessadas pelos trópicos (Saara, Arábia, Calaari, Austrália Central); 
 Planaltos circundados por altas montanhas (centro-oeste da América do Norte, Ásia Central, planaltos da 
Bolívia e Argentina). 
 
Regimes pluviométricos: 
Não basta, porém, conhecer o total de chuvas caídas no espaço de um ano. Devemos conhecer a 
maneira como se distribuem as chuvas nos 12 meses do ano. Isto é chamado regime pluviométrico. 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 20 
Nas regiões intertropicais, é possível reconhecer três regimes pluviométricos distintos: 
1. regime equatorial: sem estação seca, com duas máximas correspondentes aos equinócios; 
2. regime subequatorial: com duas estações chuvosas (primavera e outono) e duas secas (verão e inverno); 
3. regime tropical: com uma estação chuvosa (verão) e uma seca (inverno). 
 
Nas regiões subtropicais, o regime pluviométrico dominante é o: 
 regime desértico: estação seca predomina na maior parte do ano (- de 250 mm/ano), quando não 
totalmente. Uma verdadeira faixa de desertos acompanha os 2 trópicos. 
 
Nas regiões temperadas, ocorrem grandes variações que podem ser sintetizadas em dois grandes regimes 
pluviométricos: 
1. regime mediterrâneo: chuvas de Inverno e seca no Verão. Característico da bacia do Mediterrâneo e outras 
regiões (Califórnia, Chile, Cabo, Austrália Meridional); 
2. regime das altas latitudes: chuvas bem distribuídas no decorrer do ano, sem uma verdadeira estação seca, e 
com diferenças que se explicam pela posição geográfica, regime dos ventos, proximidade ou não do 
oceano, natureza do relevo. 
 
 
CLASSIFICAÇÃO DOS CLIMAS NO BRASIL 
 
 O clima, conjunto de fenômenos meteorológicos que define a atmosfera de determinado lugar, pode 
ser de diversos tipos, como tropical úmido, tropical seco, subtropical, temperado e outros, que indica as 
características mais notáveis da região, apresentando infinitas variações, os chamados microclimas (BAÊTA, 
1998). 
 
1. Noção de clima, tempo e tipo de tempo. 
 tempo: é uma combinação passageira dos elementos; 
 tipo de tempo: é uma combinação mais durável dos elementos. 
 
Quando as combinações num determinado ponto da superfície terrestre são mais duráveis e se 
sucedem de ano para ano, elas chegam a constituir o tipo de tempo desse ponto, e portanto, o clima. 
 
 
2. Classificação climática de Arthur Strahler e de Wladimir Köppen adaptadas ao Brasil. 
O Brasil é um dos maiores países do Globo, com uma área de aproximadamente 8.512.000 km
2
. Suas 
terras estendem-se do Hemisfério Norte ( 5oN) ao hemisfério Sul ( 35oS). Alem de sua dimensão 
continental, o Brasil é um país de grandes contrastes: solos, vegetação, topografia e climas, por exemplo. 
Climaticamente, possui desde os climas equatoriais úmidos aos semi-áridos; dos temperados, com quatro 
estações bem definidas, aos tropicais, com apenas estações seca e chuvosa bem diferenciadas; dos climas 
continentais aos marítimos; dos montanhosos suaves, às depressões contrastantes.REGIÃO NORTE 
Localizada na faixa equatorial, esta região caracteriza-se por altas temperaturas e elevados índices 
pluviais. Os principais mecanismos que explicam o regime pluvial na região resultam da combinação ou da 
atuação predominante da Zona de Convergência Intertropical, das brisas marítimas, da penetração de 
sistemas frontais oriundos do sul do continente, e da fonte de vapor representada pela Floresta Amazônica 
e pela atuação da Cordilheira dos Andes. As precipitações são predominantemente convectivas. 
 
REGIÃO NORDESTE 
Temperaturas elevadas durante o ano todo, com amplitudes térmicas máximas em torno de 6
o
C. Mas a 
relativa homogeneidade térmica contrasta-se com a grande variabilidade espacial e temporal das chuvas. No 
litoral, a precipitação anual supera 1.600 mm, enquanto no interior não ultrapassa 400 mm em certas áreas. O 
Nordeste é considerado uma região anômala: anos chuvosos, com inundações calamitosas podem seguir-se de 
estiagens catastróficas. 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 21 
 
REGIÃO CENTRO-OESTE 
Condições bastante contrastantes entre verão e inverno. O verão é essencialmente quente e chuvoso, 
enquanto o inverno é menos quente e seco. 
 
REGIÃO SUDESTE 
Região que possui os maiores contrastes climáticos, em razão da diversidade de fatores que atuam: 
maritimidade/continentalidade, montanhas elevadas ( 2700 m), depressões intermontanhosas ( 300 m) e 
baixadas litorâneas; áreas semi-áridas (norte de MG) e regiões montanhosas, com elevadas precipitações ao 
longo de todo o ano. Pouca chuva e geadas freqüentes no inverno. Temperaturas elevadas e chuvas abundantes 
no verão. 
 
REGIÃO SUL 
Climaticamente mais regular; as chuvas são bem distribuídas o ano inteiro e as quatro estações do ano 
são nítidas. O calor do verão contrasta-se com as geadas do inverno, passando pelas temperaturas mais amenas 
do outono e primavera. Única região brasileira onde neva, ocasionalmente. 
 
 
2.1. Classificação de Strahler: 
Baseia-se nas áreas da superfície terrestre, controladas ou dominadas pelas massas de ar (deriva do 
estudo das massas de ar). Esta classificação pertence a uma escola da climatologia chamada dinâmica, ou seja, 
estuda a mecânica geral da atmosfera através das massas de ar (Figura 4 e Tabela 11). 
 
Figura 4. Classificação climática segundo o controle de massa de ar. 
 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 22 
Tabela 11. Classificação de Strahler 
Clima Características 
Clima Equatorial Úmido 
(convergência de alísios) 
Abrange a Amazônia, e se caracteriza por um clima equatorial continental, 
quase todo o ano. Em algumas porções litorâneas da Amazônia, há alguma 
influência da massa equatorial atlântica, que algumas vezes (no inverno) 
conduz a frente fria, atingindo o sul e o sudeste da região. Embora as massas 
de ar sejam em geral secas, a mEc é úmida por sua localização estar sobre uma 
área com rios caudalosos e com cobertura da Floresta Amazônica, que possui 
grande umidade pela transpiração dos vegetais. Portanto, é um clima úmido e 
quente. 
As médias anuais térmicas mensais vão de 24ºC a 27ºC, ocorrendo baixa 
amplitude térmica anual, com pequeno resfriamento no inverno. As médias 
pluviométricas são altas e a estação seca é curta. Por ser uma região de 
calmaria, devido ao encontro dos alísios do Hemisfério Norte com os do Sul, a 
maior parte das precipitações que aí ocorrem são chuvas de convecção. 
Clima litorâneo úmido 
Abrange parte do território brasileiro próximo ao litoral. A massa de ar que 
exerce maior influência nesse clima é a tropical atlântica (mTa). Pode ser 
notado em duas principais estações: verão (chuvoso) e inverno (menos 
chuvoso), com médias térmicas e índices pluviométricos elevados; é um clima 
quente e úmido. 
Clima tropical 
alternadamente úmido 
e seco 
Abrange os estados de Minas Gerais e Goiás, parte de São Paulo, Mato Grosso 
do Sul, parte da Bahia, do Maranhão, do Piauí e do Ceará. É um clima tropical 
típico, quente e semi-úmido, com uma estação chuvosa (verão) e outra seca 
(inverno). 
Clima tropical tendendo 
a seco pela irregularidade 
de ação das massas de ar 
ou clima semi-árido 
Abrange o Sertão do Nordeste, sendo um clima tropical próximo ao árido com 
médias anuais de pluviosidade inferior a 1000mm. As chuvas concentram-se 
num período de 3 meses. No Sertão Nordestino, é uma espécie de encontro de 
quatro sistemas atmosféricos oriundos das massas de ar mEc, mTa, mEa, mPa. 
Clima subtropical úmido 
Abrange o Brasil Meridional, porção localizada ao sul do Trópico de 
Capricórnio, com predominância da massa tropical atlântica, que provoca 
chuvas fortes. No inverno, tem freqüência de penetração de frente polar, dando 
origem às chuvas frontais com precipitações devidas ao encontro da massa 
quente com a fria, onde ocorre a condensação do vapor de água atmosférico. O 
índice médio anual de pluviosidade é elevado e as chuvas são bem distribuídas 
durante todo o ano, fazendo com que não exista a estação da seca. 
 
 
 
2.2. Classificação de Köppen - Wladimir Köppen (1846-1940): 
 
Pertence à escola tradicional ou separatista. Estuda separadamente os elementos do clima 
(temperatura, umidade, pressão e ventos) para depois recompô-los no seu todo. Esta classificação foi adaptada 
ao Brasil por Lysia Maria Cavalcante Bernardes (geógrafa de Conselho Nacional de Geografia), e por outros 
geógrafos. Além de aceitar inicialmente a vegetação natural mundial como a melhor expressão do clima, 
baseia-se fundamentalmente na temperatura, na precipitação e na distribuição dos valores de temperatura e 
precipitação durante as estações do ano. O mérito da classificação de Köppen é incontestável, uma vez que 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 23 
tem sido usada há mais de 80 anos. Uma vantagem adicional é o seu caráter didático, permitindo adaptá-la 
para diferentes níveis, sendo, ao mesmo tempo, simples e detalhada (Figura 5 e Tabelas 12 e 13). 
 
 
Os tipos de clima são representados por letras, sendo que: 
 a primeira letra é maiúscula e representa a característica geral do clima de uma zona. 
 a segunda letra é minúscula e representa as particularidades do regime de chuvas de uma dada zona. 
 a terceira letra é minúscula e procura representar a temperatura de uma zona. 
 
1
a
 letra 
A = clima quente e úmido 
B = clima árido ou semi-árido 
C = clima subtropical ou temperado 
 
2
a
 letra 
f = sempre úmido 
m = monçônico (com uma pequena estação seca) 
s = chuvas de inverno 
w = chuvas de verão 
w’ = chuvas de verão e outono 
3
a
 letra 
h = quente 
a = verões quentes 
b = verões brandos 
 
 
Fazendo a combinação dessas letras, obteremos um tipo de 
clima. 
Fazendo a combinação dessas letras, obteremos um tipo de clima. 
 
 
 
 
 
Figura 5. Tipos de clima no Brasil, segundo Köppen. 
 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 24 
Tabela12. Resumo da classificação climática de Köppen adaptada ao Brasil. 
Climas Símbolos Características Básicas Área de ocorrência 
 
Equatoriais 
Af não possui estação seca Amazônia Oriental e litoral da Bahia e 
trechos do litoral do Sudeste 
 Am com pequena estação seca no 
inverno 
Grande parte da Amazônia 
 Aw Chuvas de verão e seca no 
inverno 
Brasil central, parte de Minas Gerais e Bahia. 
Território de Roraima 
Tropicais Aw’ Chuvas de verão e outono Litoral Setentrional até o Ceará 
 As Chuvas de outono e inverno Litoral Oriental do Nordeste (Rio Grande do 
Norte até a Bahia) 
Semi-árido 
quenteBsh Chuvas escassas e irregulares Sertão Nordestino 
 Cwa Chuvas de verão e verões 
quentes 
Domina grande parte do Sudeste e pequena 
porção do sul de Mato 
Tropicais 
de Altitude 
Cwb Chuvas de verão e verões 
brandos 
Grosso 
 Csa Chuvas de outono-inverno Planalto da Borborema do Nordeste 
 
 
Subtropicais 
Cfa Chuvas bem distribuídas 
durante o ano e verões 
quentes 
Sudeste de São Paulo e parte da Região Sul 
 Cfb Chuvas bem distribuídas 
durante o ano e verões 
brandos 
Rio Grande do Sul, litoral e interior da 
Região Sul 
 
Tabela 13. Classificação de Köppen 
Denominação Área de Ocorrência Características 
Am (equatorial) Maior parte da Amazônia 
Temperaturas elevadas: médias entre 25ºC e 
27ºC. 
Pluviosidade elevada: médias de 1.500 a 2.500 
mm/ano. 
Aw (tropical) 
Brasil Central; parte de 
Minas Gerais e da Bahia 
Temperatura média entre 19ºC e 28ºC, 
pluviosidade média inferior a 2000 mm/ano. 
Duas estações bem definidas: o verão (chuvoso) 
e o inverno (seco). 
Bsh (semi-árido) Sertão do Nordeste 
Médias anuais térmicas superiores a 25ºC. 
Pluviosidade média anual inferior a 1000 
mm/ano com chuvas irregulares. 
Cwa (tropical de altitude) 
Partes do Sudeste e sul do 
Mato Grosso do Sul. 
Médias térmicas entre 19ºC e 27ºC. 
Pluviosidade média de 1500 mm/ano; chuvas de 
verão. 
Cf (subtropical) Sul do País 
Médias térmicas entre 17ºC e 19ºC. 
Pluviosidade média de 1500 mm/ano; chuvas 
bem distribuídas. 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 25 
Extremos climáticos do Brasil 
 
Maior total anual de chuvas (4515 mm) ............................................ Itapanhaú (SP) 
Menor total anual de chuvas (279 mm) ............................................. Cabaceiras (PB) 
 
Maior temperatura média mensal (dezembro, 28,9
o
C) ....................... Sobral (CE) 
Menor temperatura média mensal (julho, 8,4
o
C) ............................... Alto do Itatiaia (RJ) 
 
Maior índice mensal de chuvas (fevereiro, 1410 mm) ........................ Itapanhaú (SP) 
Menor índice mensal de chuvas (julho, 0 mm) ................................... Xiquexique (BA) 
 
Maior número de dias de chuva anual (254 dias) ............................... Javareté (AM) 
Menor número de dias de chuva anual (33 dias) ................................ Remanso (BA) 
 
Maior amplitude térmica anual (13,4
o
C) ............................................ Uruguaiana (RS) 
Menor amplitude térmica anual (0,7
o
C) ............................................. Tefé (AM) 
 
 
MONITORAMENTO CLIMÁTICO 
Trata-se do acompanhamento do comportamento médio do estado da atmosfera e dos oceanos numa 
determinada região por um longo período de tempo (mês, estação ou ano). O acompanhamento de fenômenos 
como as fases quentes (El Niño) e as frias (La Niña) da Oscilação Sul são fundamentais para o País, 
principalmente por causa dos diferentes impactos climáticos que ocasionam (Tabela 14). 
 
Tabela 14. Fenômenos climáticos e seus impactos sobre o Brasil. 
Fenômeno O que é/o que ocasiona Conseqüências no Brasil 
EL NIÑO 
1. É o aquecimento anômalo 
das águas do Oceano 
Pacífico Equatorial 
Central e Oriental. 
 
2. Faz com que o padrão 
normal de circulação 
atmosférica se altere. 
1. Região Sul: precipitações abundantes (primavera) e 
chuvas intensas de maio a julho, aumento da temperatura 
média do ar. 
2. Região Sudeste: moderado aumento das temperaturas 
médias. 
3. Região Centro-Oeste: tendência de chuvas acima da 
média e temperaturas mais altas no sul do Mato Grosso 
do Sul. 
4. Região Nordeste: secas de diversas intensidades no norte 
do Nordeste, durante a estação chuvosa, de fevereiro a 
maio. 
5. Região Norte: secas de moderadas a intensas no norte e 
no leste da Amazônia. Aumento da probabilidade de 
incêndios florestais. 
LA NIÑA 
1. É o resfriamento das 
águas do Oceano Pacífico 
Equatorial Central e 
Oriental 
 
2. Provoca mudanças no 
padrão de circulação 
atmosférica 
1. Região Sul: passagens rápidas de frentes frias. 
2. Região Sudeste: temperaturas abaixo da média durante 
inverno e verão. 
3. Região Nordeste: frentes frias, principalmente no litoral 
da Bahia, Sergipe e Alagoas. 
4. Região Norte: chuvas abundantes no norte e noleste da 
Amazônia. 
 
 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 26 
PREVISÃO CLIMÁTICA 
Estimativa do comportamento médio da atmosfera com antecedência de uma ou duas estações. 
Utilizam-se dois métodos: 
1. Método Estatístico: modelos de previsão empíricos, os quais se valem de uma correlação entre duas 
ou mais variáveis, para regionalmente estimar os prognósticos de uma delas. 
2. Método Dinâmico: modelos dinâmicos do sistema climático, nos quais se utiliza um conjunto de 
equações físicas que simulam os movimentos atmosféricos para prever os acontecimentos futuros. 
As regiões tropicais apresentam maior índice de acerto nas previsões, devido aos fatores que 
determinam os fenômenos meteorológicos, que são diretamente influenciados pelas condições da superfície 
(temperatura da superfície do mar e umidade do solos nos continentes). No Brasil, nas regiões Norte e 
Nordeste é possível se fazer as melhores previsões climáticas. 
 
 
LITERATURA CONSULTADA: 
ADAS, M. Estudos de geografia do Brasil. p.72-81. 
Ao encontro da natureza. 1.ed. Lisboa: Selecções do Reader’s Digest, 1978. 350p. 
AZEVEDO, A. A atmosfera e os climas. 
BAÊTA, F.C. Acondicionamento térmico natural de galpões avícolas. In: SIMPÓSIO GOIANO DE 
AVICULTURA, III, 1998, Goiânia. Anais... Goiânia: UFG/AGA, 1998. p.29-34. 
SENTELHAS, P.C., PEREIRA, A.R., ANGELOCCI, L.R. Meteorologia agrícola. Apostila... Piracicaba: 
ESALQ, 1998. 131p. 
SILVA, R.G. Introdução à bioclimatologia animal. São Paulo: NOBEL, 2000. 286p. 
VIANELLO, R.L., ALVES, A.R. Meteorologia básica e aplicações. Viçosa: UFV, 2000. 448p. 
 
 
EXERCÍCIOS PROPOSTOS: 
1) Quais são as faixas atmosféricas por ordem de altitude. Comente resumidamente sobre a troposfera. 
2) O que significam os termos solstício e equinócio? No hemisfério Sul, quais são os dias mais curto e o mais 
longo do ano? 
3) Qual a faixa de comprimento de onda da luz visível, do infravermelho e do ultravioleta? 
4) O que são elementos climáticos e fatores climáticos? 
5) Defina temperatura do ar e comente como é obtida sua medida. 
6) A temperatura do ar num dado local pode sofrer influência de aguns fatores. Cite-os. 
7) Defina pressão atmosférica e comente como é obtida sua medida. 
8) A pressão atmosférica num dado local pode sofrer influência de aguns fatores. Cite-os. 
9) Comente resumidamente como ocorre a formação dos ventos. 
10) Quais são os tipos de ventos? Cite-os. 
11) Defina umidade absoluta e umidade relativa do ar. 
12) Cite quais são os tipos de precipitação atmosférica em função do local onde ocorrem. 
13) Em que se baseia a classificação climática de Strahler? Cite quais os tipos de clima são propostos por ele 
para o nosso país. 
14) Em que se baseia a classificação climática de Köppen? Cite quais os tipos de clima são propostos por ele 
para o nosso país. 
15) O que são os fenômenos climáticos EL NIÑO e LA NIÑA. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 27 
Aula 03 - Considerações Atuais Sobre o Clima e Sua Influência Sobre o Globo Terrestre 
 
 
Existem muitos fatores que determinam o clima da Terra, os quais podem ser agrupados em duas 
categorias: 1) fatores naturais; 2) fatores antropogênicos. 
 
 Dentre os fatores naturais, a energia solarrepresenta papel de destaque, pois representa a quase 
totalidade da energia consumida nos processos do tempo e clima. Da energia solar que chega à Terra, cerca de 
1/3 é refletida de volta para o espaço e o restante é absorvido pelos diversos componentes do sistema climático 
(atmosfera, oceanos, camadas de gelo, superfície da Terra, elementos vivos). A longo prazo, a energia 
absorvida pelo sistema é devolvida ao espaço na forma de radiação infravermelha, mantendo-se assim, o 
balanço cuja grandeza é determinada pela temperatura média do sistema Terra-atmosfera. 
Este balanço pode ser alterado por fatores genericamente denominadas de “funções forçantes 
térmicas”, destacando-se entre outros: 
 as variações periódicas no fluxo de energia solar (ciclo solar de 11 anos). O número de manchas solares 
observadas é um indicativo da atividade solar. Quando a atividade é máxima, diz-se “Sol ativo” e, quando 
é mínima, “Sol calmo”; 
 as variações da órbita terrestre afetam as distribuições sazonal e latitudinal da distribuição da energia solar. 
O movimento de rotação e translação da Terra conferem ao Sol um movimento aparente ao longo do dia no 
sentido E – W, e ao longo do ano no sentido N – S. O movimento de translação resulta nas estações do ano 
e conseqüentemente no comprimento do dia (fotoperíodo) nas diferenteslatitudes, que por sua vez será 
responsável pela variação da disponibilidade de energia solar; 
 o efeito estufa causado por gases da atmosfera terrestre que permitem a passagem da radiação solar e 
absorvem grande parte da radiação infravermelha térmica da Terra. 
 
 
A. O EFEITO ESTUFA: 
 
A energia emitida pelo sol (radiação solar) atinge a Terra e parte dela é refletida de volta ao espaço 
sideral pelas camadas superiores da atmosfera. O planeta absorve o que resta da energia incidente do sol, se 
aquece e por sua vez, emite calor na forma de radiação infravermelha. Essa radiação infravermelha é captada 
(aquecendo) e posteriormente emitida pelas moléculas de alguma substâncias presentes na atmosfera, 
denominadas de gases estufa. Com isso a temperatura do planeta aumenta. Tudo funciona como se a atmosfera 
fosse uma gigantesca estufa e os gases estufa funcionam como o telhado de vidro de uma estufa. Eles 
interferem no equilíbrio térmico da Terra, na medida em que bloqueiam uma parte da radiação do calor para o 
espaço. 
Graças ao efeito estufa natural, a temperatura média da terra mantém-se em torno de 15
o
C. Em sua 
ausência, este valor cairia para 18
o
C abaixo de zero. Portanto, o efeito estufa natural é responsável pela 
elevação da temperatura em 33
o
C, criando condições favoráveis a vida em nosso planeta. 
 Os principais gases “estufa” são constituintes minoritários da atmosfera, tais como o vapor d’água, o 
dióxido de carbono, o metano, o óxido nitroso, o ozônio e os compostos de clorofluorcarbono (CFCs). 
 Além dos gases minoritários, as nuvens e os aerossóis provenientes de erupções vulcânicas e da 
queima de combustíveis fósseis, também desempenham papel de destaque, pois são capazes de refletir a 
energia radiante e esfriar o sistema Terra – Atmosfera e/ou absorver a energia radiante e esquentar o sistema 
Terra – Atmosfera (efeito estufa). 
 Inúmeras razões comprovam a real ocorrência do efeito estufa, tais como as observações da radiação 
emitida pela Terra, para o espaço, realizadas por satélites, a análise dos gases estufa em partículas de gelo 
antártico (160.000 anos passados), constatando-se que as temperaturas da Terra naquele período apresentaram 
uma marcha quase paralela às curvas de concentração do monóxido de carbono e do metano na atmosfera e as 
variações das temperaturas durante períodos glaciais e interglaciais, que estão acompanhadas também das 
flutuações no conteúdo destes gases na atmosfera terrestre (mecanismo desconhecido). 
As atividades humanas podem afetar o clima, através do aumento das concentrações de gases estufas 
ou a adição de outros, na atmosfera, que provocarão um aumento da temperatura média global anual do ar à 
superfície da terra. Seguir-se-ão outras mudanças climáticas, como por exemplo: alterações nas precipitações 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 28 
e aumento no nível dos mares. Alterações no albedo (desertificação e/ou desmatamento) afetam a quantidade 
de energia solar absorvida pela superfície da Terra. Os aerossóis, partículas suspensas na atmosfera com 
diâmetro de 10
-3
 a mais de 10
2
 m, emitidos pela queima de combustíveis fósseis como o carvão e o petróleo, 
podem aumentar as nuvens de partículas baixas e isto pode baixar as temperaturas (efeito antiestufa), pois 
bloqueiam e refletem a radiação solar incidente. Além disso, podem ocorrer alterações na camada de ozônio 
na estratosfera devido a emissão de CFCs. 
As concentrações dos gases estufas na atmosfera tem variado naturalmente na escala de tempo das 
glaciações e têm aumentado a partir da era pré-industrial, graças as atividades humanas. A Tabela 1 sintetiza 
os valores atuais e pré-industriais, taxas de variações e vida média dos “gases estufa” influenciados pela 
atividade humana. 
 
Tabela 1. Síntese dos gases estufas afetados pelas atividades humanas (IPCC – WMO/UNEP) 
Gases Estufa CO2 CH4 CFC-11 CFC-12 N2O 
Unidades de Concentração ppmv ppmv pptv pptv ppbv 
Era pré-industrial (1750-1800) 280 0,8 0 0 288 
Atualmente(1990) 353 1,72 280 484 310 
Variação atual, por ano 0,5% 0,9% 4% 4% 0,25% 
Vida média na atmosfera (anos) 50-200 10 65 130 150 
ppmv = partes por milhão por volume; ppbv = partes por bilhão por volume; pptv = partes por trilhão por 
volume. 
 
 
GASES ESTUFAS: 
A composição do ar atmosférico seco, ao nível do mar, em volume, é aproximadamente 78% de 
nitrogênio, 21% de oxigênio e 1% de outros gases. Torna-se importante também destacar a presença de 
quantidades variáveis de vapor de água e gás carbônico, aproximadamente 0,035% em volume, na atmosfera. 
Cada uma destas substâncias tem seu ciclo na natureza, sendo importantíssimos para a manutenção da vida 
dos vegetais e dos animais. 
 
1. Vapor de água: 
O vapor de água oferece a maior contribuição para o efeito “estufa”; sua concentração na troposfera é 
determinada intrinsecamente no sistema climático e, em escala global, não é afetado pela atividade 
humana. Porém, há controvérsias quando se refere a grandes áreas de devastação de florestas densas.O 
vapor de água aumentará com o aquecimento global e por sua vez intensificará ainda mais tal aquecimento 
num mecanismo de realimentação positivo. As nuvens refletem uma parte da luz solar incidente, 
provocando assim um certo resfriamento. Simultaneamente, o vapor de água contido nas nuvens funciona 
como gás estufa, contribuindo para o aquecimento. 
 
2. Ozônio: 
O ozônio desempenha também um papel importante no aquecimento da alta atmosfera, pela absorção de 
radiação nas faixas ultravioleta, visível e infravermelha do espectro eletromagnético. Esse aquecimento, 
por seu turno, atua como principal fonte de energia para os movimentos atmosféricos superiores (50 a 100 
km). Assim, os efeitos do ozônio no clima são mais fortes na alta troposfera e na baixa estratosfera. 
A concentração tem aumentado na alta troposfera em conseqüência da ação humana (emissão de óxidos de 
nitrogênio, hidrocarbonetos e monóxido de carbono) e diminuído na baixa extratosfera (latitudes mais altas 
do hemisfério sul) devidos aos efeitos dos CFC’s. Há indicações de uma diminuição em escala global, o 
que implicaria em uma diminuição da temperatura, balanceando parte do aquecimento provocado por 
outros gases, porém torna-se muito difícil quantificar os efeitos. 
 
Estes dois mais importantes “gases estufas”, o vapor de água e o ozônio, são pouco afetadospela 
atividade humana. 
 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 29 
3. Dióxido de carbono (CO2): 
O gás carbônico entra na atmosfera a partir da respiração dos vegetais e animais, da decomposição e 
queima das substâncias orgânicas e da atividade dos oceanos, voltando, a seguir, através da fotossíntese das 
plantas terrestres e do plâncton dos oceanos. É neste ciclo que dá-se também através da sedimentação da 
matéria orgânica morta, a formação do carvão mineral e do petróleo, num processo que pode levar milhões de 
anos. 
Embora presente em pequenas proporções, desempenha, também, a exemplo do vapor de água, o 
papel de termorregulador, sendo absorvedor eficiente de radiação de ondas longas. Sua concentração 
aumentou 26 % desde a revolução industrial devido a queima de combustíveis fósseis e ao desflorestamento. 
Atualmente são bem conhecidas as grandezas das fontes originárias de combustível fóssil, porém não se 
conhece bem a contribuição dos desflorestamentos no aumento do CO2, assim como, não se conhece bem a 
quantidade que é absorvida pelos oceanos e pela biota terrestre. 
De cem anos para cá, a quantidade de gás carbônico na atmosfera tem aumentado consideravelmente 
de forma muito rápida em função da explosão demográfica, do desenvolvimento industrial acelerado, 
desmatamentos e queimadas de florestas, etc. A civilização moderna consome muita energia que é produzida, 
por usinas termoelétricas que queimam carvão mineral ou óleos combustíveis derivados do petróleo. 
Automóveis consomem gasolina ou álcool etílico. Calcula-se que em uma viagem de São Paulo a Recife, um 
avião a jato libera cerca de 200kg de gás carbônico na atmosfera, por passageiro transportado. Atualmente os 
cálculos indicam que as quantidades de gás carbônico liberadas na atmosfera por ano, são da ordem de 
1.000.000 de toneladas produzidas por fontes naturais, tais como respiração e decomposição dos seres vivos, 
queimadas florestais espontâneas, liberação pelos oceanos, etc, e de 22.000 pelas fontes artificiais, 
principalmente as combustões de carvão mineral e de derivados de petróleo. Conseqüentemente, o efeito 
estufa vem aumentando, pois maiores quantidades de gás carbono na atmosfera absorvem cada vez mais 
radiação infravermelha emitidas pela Terra, impedindo-as de escapar para o espaço exterior. Nos últimos anos 
, o perigo do efeito estufa se agravou porque se constatou que não só o gás carbono e o vapor de água 
absorvem o calor refletido pela Terra, mas também partículas em suspensão no ar e outros gases poluentes 
como o CO, NO2, O3, CFC, CH4, que passaram a ser chamados de gases do efeito estufa; receia-se que estes 
gases possam ser responsáveis até por 50% do efeito estufa. 
 
Clorofluorcarbonos (CFC’s): 
São usados como substâncias propulsoras, refrigeradoras e solventes desde 1930. Também são 
utilizados na fabricação de espumas e plásticos. 
 
Metano (CH4): 
Suas concentrações dobraram com a produção de arroz (decomposição em arrozais pantanosos), com 
a expansão da pecuária (produto da digestão dos ruminantes) e com a queima de biomassa, dos aterros 
sanitários, dentre outras atividades. 
Recentemente, duas constatações, de certa forma, surpreenderam: que os cupins da Amazônia são 
grandes geradores de metano e que as grandes represas destinadas às termelétricas geram quantidades 
inimagináveis de CO2 e CH4, em face dos vegetais submersos nas represas. 
 
Óxido nitroso (NO2): 
Sua concentração tem aumentado em torno de 8 %, devido às atividades humanas. É difícil especificar 
suas fontes, mas acredita-se que a agricultura têm contribuído com grande parte. O NO2 é oriundo de 
combustões a altas temperaturas e que ensejam que o nitrogênio do ar reaja com o oxigênio, como, também, é 
oriundo de fertilizantes do solo. 
Mesmo se todas as emissões de CO2 pelo homem fossem interrompidas em 1990, aproximadamente 
metade da concentração já produzida permaneceria na atmosfera por volta do ano 2100. Já os CFC e CH4 tem 
tempo de vida mais curto e responderiam a diminuição na emissão em poucas décadas. 
O termo “estabilização atmosférica” é freqüentemente utilizado para designar o limite de concentração 
dos “gases estufas” na atmosfera, em níveis aceitáveis. As quantidades em que as emissões dever ser 
reduzidas a fim de estabilizar as concentrações nos níveis atuais são mostradas na Tabela 2. 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 30 
Tabela 2. Estabilização das concentrações atmosféricas. Reduções de emissões necessárias para estabilizar as 
concentrações nos níveis atuais (IPCC-WMO/UNEP-Modificado). 
Gases Estufas Reduções necessárias 
Dióxido de carbono > 60% 
Metano 15-20% 
Óxido Nitroso 70-80% 
CFC-11 70-75% 
CFC-12 75-85% 
HCFC-22 40-50% 
 
 É preciso conhecer as concentrações futuras de “gases estufas” para se estimar as mudanças climáticas 
futuras. O aumento das concentrações destes gases produz um aumento na quantidade de energia do sistema 
Terra-atmosfera, denominado “forçante radiativa”. O cálculo deste parâmetro é mais confiável que as 
estimativas de mudanças climáticas (inúmeros mecanismos atmosféricos ainda pouco conhecidos). Assim, a 
forçante radiativa por estar altamente correlacionada coma temperatura do sistema, funciona como base para 
calcular o efeito relativo da concentração de cada gás sobre o clima. A forçante radiativa total é a soma das 
contribuições dos gases individuais. A contribuição de vários gases na forçante radiativa total, durante os anos 
80, está mostrada na Tabela 3. 
 
Tabela 3. Contribuição de cada um dos gases estufas pelas atividades humanas nas alterações da forçante 
radiativa entre 1980 e 1990. A contribuição do ozônio pode ter sido também significativa, mas não 
pode ser ainda quantificada (IPCC-WMO/UNEP-Modificado). 
Gases Estufas Reduções necessárias 
Dióxido de carbono 55% 
Metano 15% 
Óxido Nitroso 6% 
CFC-11 e 12 17% 
Outros CFCs 7% 
 
 A medida que o clima começa a aquecer-se, vários processos atuam para ampliar o aquecimento 
(realimentação positiva) ou para reduzir o aquecimento (realimentação negativa). O principal processo de 
realimentação identificado relaciona o vapor d’água, o gelo oceânico, as nuvens, as precipitações e o nível os 
mares. Os “modelos de circulação geral” (MCG) são modelos matemáticos tridimensionais que simulam 
mudanças climáticas, sintetizando os processos físicos e dinâmicos já conhecidos, permitindo complexas 
interações entre os vários componentes (não inclui os gases estufas). Infelizmente, muitos dos processos 
envolvidos são pouco conhecidos. 
 Se as emissões forem mantidas no “cenário atual”, a taxa média de aumento da temperatura global é 
estimada em 0,3
o
C por década (0,2 a 0,5
o
C). Isto resultará em um aumento na temperatura média global em 
torno de 1
o
C acima do valor atual, no ano 2025, ou seja, 2
o
C acima da temperatura média do período pré-
industrial. Mesmo que se conseguisse estabilizar as emissões aos níveis atuais, a temperatura é prevista subir 
em torno de 0,2
o
C por década, nas próximas décadas. 
Previsões regionais e sazonais através dos modelos indicam que o aquecimento será mais rápido nos 
continentes que nos oceanos; que haverá um aquecimento mínimo na Antártica e no Atlântico Norte; o 
aquecimento será 50 a 100 % maior que a média global no hemisfério Norte e mais suave nas regiões cobertas 
de gelo, no verão; e que as precipitações vão aumentar nas áreas continentais, médias e altas latitudes, no 
inverno em torno de 5 a 10 % entre latitudes 35 e 55
o
 Norte. 
Variações no tempo que poderão ocorrer no futuro incluem: o aumento de tempestades locais severas; 
variação significativa no número de dias muito quentes e noitesmuito frias; mudança da trajetória e da 
posição dos ciclones e anticiclones afetará a variabilidade e os extremos do tempo em regiões particulares; e 
aumento na freqüência e na intensidade das tempestades tropicais (furacões). 
Quanto a elevação do nível dos mares até o ano 2100, o uso de modelos simples permite algumas 
estimativas que ignoram variações de longos períodos, que podem estar ocorrendo. Mantido o cenário atual, as 
variações esperadas no nível dos mares entre 1990 e 2100 implicam em um aumento de 6 cm por década (3 a 
10 cm), lembrando-se que há uma variação local. A principal contribuição resulta da expansão térmica da 
água dos oceanos e do derretimento dos glaciares. 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 31 
Mesmo que o efeito estufa se estabilize no momento, haverá um contínuo aumento do nível dos mares 
por muitas décadas e séculos, devido ao retardamento da resposta do sistema oceano-massas de gelo. 
 A estrutura dos ecossistemas e distribuição das espécies são sensíveis às variações do clima e 
esperam-se muitas mudanças no futuro. Tais mudanças serão controladas pelas futuras variações na 
concentração de dióxido de carbono e no clima, particularmente sensíveis às variações da temperatura, das 
precipitações, da umidade do solo e dos ventos extremos. No momento, os modelos usados são incapazes de 
fazer estimativas confiáveis, no grau e na escala requeridas. 
As conseqüências do aumento de temperatura no planeta, ocasionadas pelo efeito estufa, são inúmeras 
e de difícil previsão. Vejamos a seguir alguns exemplos: Derretimento de parte das calotas polares, com o 
conseqüente aumento do nível dos oceanos, causando inundações de regiões baixas à beira-mar (ex.: cidades 
como Rio de Janeiro, Santos, Nova York, Veneza e países como a Holanda, Bangladesh, etc.). 
Ocorreriam modificações climáticas, mais ou menos profundas, como alterações no regime das chuvas 
proporcionando em determinadas regiões, um volume demasiado de chuvas provocando grandes erosões e 
deslizamentos de morros e encostas, e em outras grandes estiagens causando a desertificação; tempestades e 
furações mais freqüentes e mais violentos; temperaturas mais altas, trazendo prejuízos à países tropicais, 
enquanto os países mais frios se beneficiam. Ocorreriam alterações na agricultura, não só devido às variações 
de temperatura, as chuvas e as secas, mas também com a proliferação de pragas e insetos. A maior quantidade 
de gás carbono dissolvido nos oceanos, rios e lagos, provocariam alterações no desenvolvimento de corais e 
das carapaças de animais aquáticos, com reflexos em toda a vida marinha. As grandes cidades e aglomerações 
industriais sofreriam ainda mais os efeitos da poluição atmosférica, por ocasião de um fenômeno 
meteorológico conhecido como inversão térmica. Com a inversão térmica, a temperatura do ar aumenta 
abruptamente na chamada camada de inversão; essa camada abafa a fumaça e sufoca a cidade. Todas estas 
perturbações atingiriam o mundo inteiro, pois desconhecem fronteiras. A solução para todos estes problemas 
são muito complicadas, e o preço a ser pago é bastante elevado. 
As tentativas das nações de solucionar o problema por elas mesmas criado beiram o ridículo. Na 
Conferência do Clima de 1995, em Berlim, os governos concordaram que "não foram adequadas" as medidas 
tomadas no sentido de tentar a redução das emissões de gases que provocam o efeito estufa. A Conferência do 
Clima de 1996, em Genebra, terminou com uma declaração em que os países "se comprometem a negociar a 
redução do uso de gases responsáveis pelo efeito estufa". O tratado firmado na Conferência do Clima de 1997, 
em Kioto, estabeleceu que as 38 nações industrializadas reduziriam a emissão de gazes em 5,2% entre 2008 e 
2012. 
 
 
PROTOCOLO DE KYOTO 
 
Foi adotado em dezembro de 1997, no Japão, com o objetivo de: a) fixar compromissos de redução e 
limitação para os países desenvolvidos; b) trazer a possibilidade de utilização de mecanismos de flexibilidade 
para que os países em desenvolvimento possam atingir os objetivos de redução de gases do efeito estufa. 
 
 
QUADRO DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE MUDANÇA DO CLIMA 
 
Foi assinada por mais de 150 países em junho de 1992, durante a ECO-92, no Rio de Janeiro. O 
objetivo principal da Convenção foi: 
“... alcançar a estabilização das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera num nível que 
impeça uma interferência antrópica perigosa no sistema clima. Esse nível deverá ser alcançado num prazo 
suficiente que permita aos ecossistemas adaptarem-se naturalmente à mudança do clima, que assegure que a 
produção de alimentos não seja ameaçada e que permita ao desenvolvimento econômico prosseguir de 
maneira sustentável.” (MCT/CPMG, 1999). 
A convenção reconhece que a maior parcela das emissões globais, históricas e atuais de gases de efeito 
estufa é originária dos países desenvolvidos, devendo estes estabelecerem medidas de redução de suas 
emissões. Reconhece também que, embora as emissões per capita dos países em desenvolvimento ainda sejam 
relativamente baixas, a parcela de emissões globais originárias desses países crescerá uma vez que eles 
tendem a satisfazer suas necessidades sociais e de desenvolvimento. (MCT/CPMG, 1999). 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 32 
Ficou decidido com o evento ECO-92, realizado em junho de 1992, no Rio de Janeiro, onde se 
reuniram representantes de diversos países, que em relação ao efeito estufa e outras alterações climáticas, a 
falta de certeza científica não deve ser usada como motivo para adiar-se medidas preventivas e corretivas. 
 
 
PAINEL INTERGOVERNAMENTAL DE MUDANÇAS CLIMÁTICAS DA ONU: o Efeito Estufa é 
muito pior do que se imaginava. 
 Um relatório divulgado em 12/07/2001 pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da 
ONU, afirmou que as temperaturas globais vão aumentar, em média, 5,8º C até o fim do século. Tal aumento é 
quase duas vezes maior que o previsto há cinco anos.Esta denúncia vem se somar a outras que asseguram que 
mudanças climáticas provocarão prejuízos nas colheitas e podem diminuir em um quarto a produção de 
alimentos nos países mais pobres. 
O Relatório vai contra a justificativa dos EUA em não ratificar o Protocolo de Kyoto. O Presidente 
dos Estados Unidos, George W. Bush afirma que não há provas de que o aquecimento global esteja 
relacionado à poluição industrial. E desta forma, é injusto esperar que os Estados Unidos e outros países 
industrializados assumam a responsabilidade pelo problema. 
Segundo especialistas a publicação do relatório aconteceu num momento decisivo. Com os índices 
apontados no estudo, muitos países devem tentar convencer os Estados Unidos a ratificarem o Protocolo de 
Kyoto. Para que o Protocolo seja eficiente é necessário que os países industrializados, responsáveis pela maior 
parte da emissão, assinem o acordo. 
Caso os Estados Unidos - responsáveis por 36% do total de CO2 lançado na atmosfera - não 
ratifiquem o protocolo, o Japão declara que também não o assina, tornando praticamente inviável se alcançar 
as metas de redução dos gases poluentes. 
 
 
B. CAMADA DE OZÔNIO: 
 
 O ozônio, O3, é outro constituinte da atmosfera de características peculiares. Sua presença na 
superfície é bastante reduzida, podendo, entretanto, ser aumentada na presença de atividades industriais e com 
a queima de combustíveis fósseis. Neste caso, é considerado poluente, em virtude de seu poder oxidante, 
causando grandes danos à vegetação e à saúde animal. 
 A camada de ozônio que envolve a Terra (entre 15 a 30 km de altitude), funciona como um escudo 
contra os raios ultravioleta do Sol (absorve radiação ultravioleta na faixa de 2400 a3200 . Os CFCs, gases que 
contém átomos de cloro e flúor, destroem o ozônio e seu uso foi regulamentado por acordos internacionais. 
 Pesquisadores holandeses estimaram a quantidade de ozônio na atmosfera e seus possíveis danos com 
base em três cenários de emprego dos CFCs: 
1. Sem qualquer restrição de uso dos CFCs: é o mais catastrófico; o número anual de casos de câncer de 
pele aumentaria 325% nos EUA e 315% no noroeste da Europa em 2050. 
2. Limitações prescritas pelo Protocolo de Montreal (1987): redução de 50% na emissão de CFCs em 
1999 (em relação à emissão de 1986); o aumento da incidência da doença seria de 100% nos EUA e 
95% no nooeste da Europa (Bélgica, Holanda, Luxemburgo, Dinamarca, Alemanha e eino Unido). 
3. Restrições mais severas do acordo de Copenhague (1992): interrupção da produção dos cinco CFCs 
mais danosos em 1995; o aumento da incidência da doença seria de 10% por volta do ano 2050, 
segundo HARRY SLAPER, que liderou a pesquisa. 
 
 Não existem as alegadas evidências científicas e observacionais de que a camada de ozônio e o buraco 
na Antártica estejam sendo afetados perlas atividades humanas. Há fortes indicações que as concentrações 
desses gás sejam altamente variáveis e que o buraco seja natural, como Sir Gordon Donson observou e 
afirmou há mais de 30 anos atrás. E, como tal, prevê-se que as concentrações reduzir-se-ão e que o buraco 
voltará a aumentar em 1996-98, época do próximo mínimo solar, e em anos com grande atividade vulcânica. 
A preocupação com o aumento do número de casos de câncer de pele parece exagerada e a eliminação dos 
CFCs, a partir de 1995 para os EEUU e em 2000 para outros países, muito prematura pois não existem 
substitutos adequados. Contrariamente aos CFCs, seus substitutos são gases corrosivos e tóxicos, podendo 
levar à morte se inalados. Qualquer que tenha sido as bases para decidir sua imediata eliminação, certamente a 
científica não foi a preponderante (MOLION, 1995). 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 33 
 Existem pelo menos quatro argumentos, citados a seguir, que põe em dúvida a hipótese, aceita pela 
maioria, de que as atividades humanas (CFCs) estariam destruindo a camada de ozônio: 
1. O buraco já existia, em grandes proporções, antes do consumo desenfreado de CFCs. 
2. As maiores fontes de cloro na atmosfera são naturais, na forma de aerossóis de cloreto de sódio e 
gases provenientes dos oceanos. Vulcões ativos liberam na atmosfera, diariamente, centenas a alguns 
poucos milhares de toneladas de enxofre, na forma de SO2, e centenas de toneladas de cloro, flúor e 
bromo, infinitamente, muito mais do que a humanidade. 
3. A produção fotoquímica de ozônio depende da radiação solar ultravioleta proveniente do Sol, cuja 
intensidade não é constante (ciclos solares). 
4. Problema da confiabilidade da instrumentação utilizada rotineiramente nas medições do ozônio. 
Variações de cerca de  20% na média anual e até de 1000% na variação diária. 
 
 As variações das atividades solar e sísmica seriam suficientes para explicar uma variabilidade da 
camada de ozônio com o tempo de 10 a 20% em torno da média (variabilidade natural, não induzida pelos 
CFCs). 
 
 
LITERATURA CONSULTADA: 
HAHN, G.L. Global warming and potential impacts on cattle and swine in tropical and temperate areas. In: 
CONGRESSO BRASILEIRO DE BIOCLIMATOLOGIA, I, 1995, Jaboticabal. Anais... Jaboticabal: 
FUNEP, 1995. p.136-173. 
MOLION, L.C.B. O buraco de ozônio: o outro lado da história. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE 
BIOCLIMATOLOGIA, I, 1995, Jaboticabal. Anais... Jaboticabal: FUNEP, 1995. p.16-25. 
VIANELLO, R.L. Considerações atuais sobre o clima e sua influência sobre o globo terrestre. In: 
SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE AMBIÊNCIA E INSTALAÇÃO NA AVICULTURA INDUSTRIAL, 
1995, Campinas. Campinas: FACTA, 1995. p.1-12. 
 
 
EXERCÍCIOS PROPOSTOS: 
1) Explique com suas palavras o que é o efeito estufa? 
2) Quais são os principais gases estufas? 
3) Como as atividades humanas podem afetar o clima da Terra? 
4) O efeito estufa é benéfico ou prejudicial para a vida na superfície terrestre? 
5) Dos gases estufa produzidos pela humanidade, qual o que mais contribui para a forçante radiativa e o 
aumento da temperatura da atmosfera terrestre? 
6) Qual a importância da camada de ozônio? Por que é dificil se afirmar se esta camada está diminuindo como 
têm sido divulgado freqüentemente pela mídia? 
7) O que contribui para aumentar a camada de ozônio e o que contribui para sua destruição? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 34 
Aula 04 - Instrumental Meteorológico e Posto Meteorológico 
 
 
1. Instrumental meteorológico: é o instrumental utilizado nas observações meteorológicas de superfície. 
 
2. Posto meteorológico: é a área aonde são instalados os instrumentos que fornecem sucintamente, as 
condições meteorológicas da superfície no momento da observação. 
 local representativo da topografia geral e do clima da região; 
 local aberto sem interferência de construções e vegetação, bem exposto aos ventos; local elevado em 
relação a região (horizonte livre em todas as direções, afastado de mananciais e com boa drenagem); 
 área mínima de 450 m2, independente da forma. Porta de acesso na face sul. 
 local nivelado, sem pedras e cascalhos, gramado e cercado; 
 localização geográfica é dada pelas coordenadas geográficas do local (latitude, longitude e altitude). 
Botucatu = 48
o26’ W grw, 22o51’ S, 786 m, respectivamente. 
 
3. Abrigo meteorológico: 
 onde são colocados os instrumentos de medição de temperatura e umidade do ar (medidos à sombra, 
abrigados da radiação solar global e refletida e da precipitação); 
 forma de um paralelepípedo, teto duplo, paredes de venezianas (renovação do ar), porta de duas folhas; 
 madeira e pintado de branco. Montado em terreno plano, sobre grama rasteira, de fácil acesso. 
 base a 1,5 a 2 m do solo (evitar microclima local). 
 
4. Instrumentos de medição da radiação solar: 
Irradiância solar (Q) é a quantidade de radiação solar por unidade de área e de tempo, recebida por 
uma superfície na Terra, sendo expressa em joule/m
2
.s ou watt/m
2
 (1 J/s = 1 W). Outra forma de expresá-la é 
em caloria/cm
2
.min, sendo que 1 cal/cm
2
.min = 697,7 W/m
2
. 
A radiação solar ao penetrar na atmosfera é atenuada pelos processos de absorção e difusão. No 
primeiro caso, os raios solares são parcialmente absorvidos e transformados em energia térmica. A absorção é 
seletiva e causada principalmente pelos gases estufa (ozônio, vapor de água, gás carbônico, metano). A 
difusão é produzida principalmente pelos gases do ar e poeiras em suspensão (aerossóis). Parte da radiação 
difundida toma a direção da Terra e parte retorna ao espaço sideral determinando perdas relevantes. Assim, a 
radiação solar recebida na superfície do solo, denominada irradiação solar global (Qg) compreende aquela que 
atinge a superfície sem interagir com a atmosfera, denominada de irradiação solar direta (Qd), mais a fração 
da radiação extraterrestre que sofre difusão na atmosfera e toma a direção da Terra, denominada de irradiação 
solar difusa (Qc). A determinação da irradiação solar baseia-se nos seguintes parâmetros: 
 irradiação solar direta (Qg): é a fração da radiação solar que atinge as superfície da Terra sem interagir com 
a atmosfera; 
 irradiação solar difusa (Qc): é a fração da radiação solar que sofre difusão na atmosfera, seletiva ou não 
seletiva, e atinge a superfície da Terra; 
 irradiação solar global (Qg): ao nível do solo, é a soma da radiação solar direta e difusa que atinge uma 
superfície horizontale unitária (Qg = Qd + Qc); 
 irradiação solar fotossinteticamente ativa: é a radiação solar emitida na faixa de comprimento de onda de 
0,4 a 0,7 , ou seja, a faixa visível do espectro solar; 
 irradiação solar infravermelha: compreende a radiação solar de comprimento de onda acima de 0,7 ; 
 irradiação solar refletida: é a fração da radiação solar global (Qg) que é refletida pela superfície terrestre, 
comumente denominada de albedo. 
Os instrumentos de medição da irradiação solar global (Qg) se baseiam na transformação da energia 
radiante em energia térmica. 
 
4.1. Heliógrafo (tipo CAMPBELL-STOKES): 
a) Finalidade: registrar a duração diária do brilho do sol, ou seja o número de horas de insolação, para cada 
dia, em dado local. 
 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 35 
b) Descrição: 
 esfera perfeita de cristal e seu suporte. A esfera concentra os raios solares, convergindo-os sobre uma tira 
de papelão de cor e textura padronizados; 
 armação metálica (concha) com 3 pares de ranhuras concêntricas com a esfera, nas quais são colocadas as 
fitas heliográficas (fitas de registro, com divisões horárias). Eixo da esfera deve ficar sempre paralelo ao 
eixo terrestre. 
c) Instalação: 
 dentro do cercado do posto meteorológico, em posição que nenhum objeto possa lhe fazer sombra (lado 
Norte do PM no hemisfério sul). Exposição livre do nascer ao ocaso do sol, de inverno a verão. 
 sobre um pilar de alvenaria de 1,0 x 0,30 x0,30 m, rebocado, face superior nivelada, faces laterais 
orientadas para N, S, E e W, respectivamente. 
d) Manejo: 
 3 tipos de tiras de papel que são utilizadas de acordo com a época do ano e devem ser substituídas todos os 
dias, na última observação (tiras curvas compridas: outubro a fevereiro; tiras retas: março a meado de abril 
e setembro a meado de outubro; tiras curvas curtas: meado de abril a agosto); 
 o calor dos raios solares concentrados queima as tiras, desde que não haja nuvens capazes de interceptá-los 
(interrupções na insolação, não queima as tiras). Deve-se medir todo traço visível por mais fraco que seja; 
 água da chuva deve ser removida na primeira oportunidade. 
e) Conservação: periodicamente limpo (pincel e pano seco). Ranhuras limpas para não dificultar a introdução 
das tiras. Esfera limpa e clara para não interceptar os raios solares (falhas). 
f) Dados: 
 insolação diária: é a soma do número de horas e de décimos de horas de insolação, determinado 
diretamente a partir das fitas queimadas; 
 razão de insolação: quociente entre o número real de horas de insolação e o número máximo possível de 
horas de insolação do referido dia. 
 insolação mensal é a soma dos valores diários e a anual é a soma dos valores mensais. 
 
 
4.2. Actinógrafo (piranógrafo de Robitzch): 
a) Finalidade: medir e registrar a quantidade de energia solar que atinge a superfície da Terra, em dado local, 
na unidade de tempo e área (cal/cm
2
.min). É um instrumento de registro secundário, proporcionando uma 
precisão suficiente para fins climatológicos. 
b) Descrição: caixa de metal pintada de branco, com uma cúpula de vidro em cima (proteger do vento e 
umidade) que permite a chegada dos raios solares (0,3 a 0,4) aos elementos sensíveis, filtrando as ondas 
longas. Visor de vidro lateral, permite a visualização da pena sobre a fita de registro. Três placas 
bimetálicas, uma de cor preto fosco (central) e duas brancas (laterais), que dilatam-se diferentemente 
gerando um esforço mecânico transmitido a um sistema de alavancas e registrado sobre uma fita colocado 
sobre um tambor que gira (relógio). 
c) Instalação: da mesma forma que o heliógrafo, sobre um pilar, em nível, em posição tal que nenhum objeto 
possa fazer-lhe sombra. 
d) Manejo: Troca-se diariamente ou semanalmente a faixa de papel, após o pôr do sol. Calibração em 
laboratório especializado. Ajuste do zero sempre que necessário. Colocar tinta semanalmente na pena. 
Conservar a cúpula de vidro limpa e dar corda no mecanismo do relógio. 
e) Dados: Gráfico: cal/cm2.min em qualquer instante do dia. Número de horas de insolação. Total de energia 
que atinge uma área em uma unidade de tempo. A integração da curva diária fornece o total diário de 
radiação solar global incidente. A radiação solar média mensal é a média aritmética dos valores diários e a 
radiação solar média anual é a média aritmética das médias mensais. 
 
 
4.3. Piranômetro de termopar (Eppley): 
a) Finalidade: Mede e registra o valor instantâneo da densidade de fluxo da radiação solar global incidente 
que atinge a superfície da Terra, em dado local, na unidade de tempo e área (cal/cm
2
/min). É um 
instrumento de alta precisão, utilizado como padrão. 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 36 
b) Descrição: tem um sensor constituído por um conjunto de termopares com áreas pintadas em preto fosco 
(junções quentes) e branco brilhante (junções frias). As junções ficam protegidas por uma ampola de vidro 
com atmosfera rarefeita e inerte, transparente a faixa de comprimento de onda de 0,3 a 4,0,. A diferença 
de potencial estabelecida entre as junções quentes e frias, é função da diferença de temperatura entre elas 
que, por sua vez, é proporcional ao total de energia incidente. A diferença de potencial é medida com um 
potenciômetro ou registrada com o auxílio de um potenciógrafo. 
c) Instalação: da mesma forma que o heliógrafo e o actinógrafo, sobre um pilar, em nível, em posição tal que 
nenhum objeto possa fazer-lhe sombra. 
d) Manejo: Troca-se diariamente ou semanalmente a faixa de papel, após o pôr do sol. Conservar a cúpula de 
vidro limpa. 
e) Dados: fornece as mesmas leituras do actinógrafo, porém os valores são bem mais precisos. 
 
4.4. Piranômetro de fotodiodo de silício: o fotodiodo de silício responde à absorção de energia, gerando uma 
corrente elétrica proporcional à irradiância global. 
 A irradiância difusa ou radiação do céu (Qc) pode ser medida com piranômetros instalados sob uma 
banda metálica concêntrica à cúpula hemisférica do aparelho, a qual impede a incidência direta dos raios 
solares sobre o piranômetro. A irradiância direta (Qd) é obtida pela diferença entre Qg e Qc. 
 
 
5. Instrumentos de medição da temperatura do ar e do solo. 
 
5.1. Termômetro comum ou de bulbo seco: 
a) Finalidade: medir a temperatura do ar, à sombra; 
b) Descrição: tubo capilar de vidro transparente, hermeticamente fechado, tendo numa extremidade um bulbo 
esférico ou cilíndrico e na outra, uma pequena dilatação (câmara de expansão). O bulbo contém o elemento 
sensível, o mercúrio. Paralela ao tubo capilar está a escala graduada em graus centígrados (
o
C), 
subdivididos de dois em dois décimos (-30 a 50
o
C) 
c) Instalação: dentro do abrigo meteorológico, num suporte duplo, junto com o termômetro de bulbo úmido 
(psicrômetro), em posição vertical. 
d) Com o aumento ou diminuição da temperatura, o mercúrio contido no bulbo se dilata ou se contrai, 
aumentando ou diminuindo, a coluna de mercúrio no tubo capilar, respectivamente. O menisco da coluna 
indica a temperatura do ar no momento da medida. 
 
5.2.Termômetro de máxima: 
a) Finalidade: determinar a temperatura máxima do ar à sombra, de um dia. 
b) Descrição: 
 elemento sensível é o bulbo cheio de mercúrio; 
 constrição na proximidade da união entre o bulbo e o tubo capilar. Com o aumento da temperatura, o 
mercúrio do bulbo se dilata e transpõe o estrangulamento. Com o abaixamento da temperatura , a coluna se 
rompe no estrangulamento, impedindo que o mercúrio retorne ao bulbo (fica indicada a temperatura 
máxima). 
c) Instalação: dentro do abrigo meteorológico, num suporte duplo, junto com o termômetro de mínima, em 
posiçãohorizontal levemente inclinada. 
d) Manejo: leitura como qualquer termômetro. Após a leitura, obrigamos o mercúrio a voltar para o depósito 
(rotação do termômetro ou pequenas batidas na palma da mão). Leitura das 7 às 9 h da manhã, referente ao 
dia anterior. 
 
5.3.Termômetro de mínima: 
a) Finalidade: determinar a temperatura mínima do ar à sombra, de um dia. 
b) Descrição: Tem proporções idênticas ao de máxima. Líquido capilar é o álcool, dentro do qual tem um 
haltere de vidro, porcelana ou plástico que fica imóvel quando o álcool se expande e é arrastado quando o 
álcool se contrai (indica a temperatura mínima). 
 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 37 
c) Instalação: dentro do abrigo meteorológico, na posição horizontal levemente inclinado, em suporte 
apropriado, junto com o termômetro de máxima. 
d) Manejo: leitura é feita na extremidade do haltere que se acha mais próxima ao menisco. Após a leitura 
inclina-se o termômetro para que o haltere se desloque em posição oposta a do bulbo (nova medida). 
Leitura à tarde. 
 
5.4.Termógrafo: 
a) Finalidade: registrar continuamente a temperatura do ar à sombra. 
b) Descrição: elemento bimetálico, sensível às variações de temperatura, ligado a um sistema de alavancas 
que determina o registro sobre uma faixa de papel colocada sobre um tambor, acionado por mecanismo de 
relógio. 
c) Instalação: dentro do abrigo meteorológico, em nível. 
d) Manejo: troca-se diariamente a faixa de papel. Regulagem quando necessário, comparando com o 
termômetro de bulbo seco. Dar corda e colocar tinta, sempre que necessário. 
 
5.5.Termômetro de solo (geotermômetro): 
a) Finalidade: determinar a temperatura do solo e suas variações em função da época do ano em diferentes 
profundidades. 
b) Descrição: os mais comuns são do tipo coluna de mercúrio, com haste de vidro longa para profundidade 
desejada (-13 a 60
o
C, com subdivisões de 0,2
o
C). Haste flexionada ficando uma parte enterrada no solo e 
outra apoiado em suporte apropriado. Tem uma saliência na haste que deve ficar na superfície da terra (um 
tipo de termômetro para cada profundidade). 
c) Instalação: profundidades padrões de 1, 2, 5, 10, 20, 40 e 80 cm. Dispostos em uma mesma linha com 
direção leste-oeste (diminuir erros de incidência solar) e extremidade superior deve aponta para o norte. 
d) Manejo: na leitura, não deve ser retirado do solo. 
 
Cálculo das temperaturas médias do ar e do solo: 
Em climatologia, as temperaturas do ar e do solo são normalmente expressas em valores médios, 
valores extremos e valores de amplitude. O cálculo da temperatura média é tanto mais exato quanto maior for 
o número de observações no período considerado. 
 
a) Temperatura média do ar: 
 
INMET (MARA): Tmed = (T9h + Tmax + Tmin + 2.T21h)/5 
 
IAC (SAAESP): Tmed = (T9h + T14h + 2.T21h)/4 
 
Valores extremos: Tmed = (Tmax +Tmin)/2 
 
Real (Estações automáticas):Tmed = ( Tar)/N, onde N é o número de observações e Tar, o valor de cada 
observação. 
 
b) Temperatura média do solo: 
 
ALFONSI (1979): Tmed = Ts7h + Ts14h + Ts21h)/3 
 
 
6. Instrumentos de medição de chuva: 
 
6.1. Pluviômetro: 
a) Finalidade: medir a precipitação pluvial em mm (altura pluviométrica); a altura pluviométrica (h) é 
definida como sendo o volume precipitado por unidade de área horizontal do terreno, onde 1 mm = 1 
litro/m
2
. 
b) Descrição: recipiente com certa área de captação (S) geralmente de 200 a 500 cm2, um receptor em forma 
de funil e um reservatório com torneira, pela qual é coletado um volume (V), na hora da observação. 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 38 
Precipitação pluviométrica é medida por meio da altura de água (mm). Altura que a água ficaria sobre um 
solo horizontal, se não infiltrasse, evaporasse ou escorresse. 
c) Instalação: preso a um mourão, área de captação a 1,5 m de altura e em nível. Livre de obstáculos que 
possam interferir na coleta da água. Área plana longe dos grandes obstáculos, para evitar a turbulência do 
ar. 
d) Manejo: nas horas de leitura, retira-se água do reservatório em uma proveta. Se a proveta for graduada em 
cm
3
, a altura da precipitação pluviométrica é dada pela fórmula h = (V/S).10, onde h é a altura da água em 
mm, V o volume de água captada em cm
3
 e S a área de captação do pluviômetro em cm
2
. Se a proveta tiver 
o mesmo calibre da área de captação e for graduada em mm, a leitura é direta. 
e) o dia pluviométrico vai das 0900h do dia anterior até às 0900h do dia considerado. A quantidade diária de 
chuva é a soma da água recolhida nas leituras das 0900, 1500 e 2100 h. No caso de apenas uma leitura, esta 
é feita às 0900h e a chuva correspondente à aquele dia é a recolhida na hora da leitura. A precipitação 
média mensal corresponde à soma dos valores diários e a anual, à soma dos valores mensais. 
 
Obs.: a altura da neve e do granizo são realizadas pela quantidade de água recolhida no pluviômetro ou 
pluviógrafo depois de liquefeita totalmente. 
 
6.2. Pluviógrafo de sifão: 
a) Finalidade: registrar continuamente a precipitação pluviométrica, dando-nos informações sobre o total de 
chuvas (mm) e sobre a intensidade (mm/min ou mm/h). 
b) Descrição: pluviógrafo de Hellmann Fuess. Boca de captação de 200 cm2 e depósito com bóia, que se 
eleva acionado uma pena que registra em papel apropriado a duração e o total acumulado de chuva. 
Esgotamento automático por sifão a cada 10 mm de chuva. 
c) Instalação: sobre uma base de cimento. Idênticos cuidados do pluviômetro. 
d) Manejo: troca diária ou semanal do papel, dar corda e colocar tinta. 
e) Dados: registro gráfico da precipitação por hora. 
 
 
7. Instrumental de medição da umidade do ar: 
O peso de vapor de água presente em uma atmosfera, por unidade de volume, é chamado de umidade 
absoluta. 
 
7.1. Psicrômetro de aspiração: 
a) Finalidade: 
 determinar a temperatura do ar à sombra a qualquer instante (bulbo seco); 
 determinar a umidade do ar através das temperaturas fornecidas pelos termômetros de bulbo seco e de 
bulbo úmido. 
b) Descrição: Formado por 2 termômetros idênticos de mercúrio em vidro (bulbo seco e bulbo úmido). 
Ventoinha colocada sobre os termômetros. O termômetro de bulbo úmido acusa uma temperatura sempre 
inferior ao de bulbo seco. Diferença entre as duas temperaturas e denominada depressão psicrométrica (t 
= ts - tu) e permite determinar a umidade relativa do ar (UR), como mostra a Tabela 1 ou calcular a tensão 
atual de vapor, com o emprego de fórmulas. 
c) Instalação: os termômetros são montados verticalmente, num suporte apropriado, juntamente com os 
termômetros de máxima e mínima no interior do abrigo meteorológico. 
d) Manejo: encher o reservatório molhando o tecido que reveste o termômetro de bulbo úmido, ligar a 
ventoinha, aguardar 1 minuto para estabilização e fazer as leituras das temperaturas. 
e) O psicrômetro comum difere do psicrômetro de aspiração por não apresentar ventilação artificial, de 
forma que a ventilação dos bulbos não é uniforme e a leitura menos precisa. Quando transformado em uma 
aparelho registrador, passa a chamar psicrógrafo. 
 
7.2. Higrômetro de cabelo: 
a) Finalidade: medir a umidade relativa do ar. 
 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 39 
b) Descrição: fornece a medida da umidade relativa do ar, mediante o uso de substâncias higroscópicas 
(cabelo humano) que sofre dilatação com o aumento do vapor de água que existe na atmosfera. O feixe de 
cabelos é fixado em uma das extremidades e a outra é enrolada em uma roldana na qual está fixado um 
ponteiro cuja ponta se encontra sobre um arco graduado de 0 a 100.c) Instalação: dentro do abrigo meteorológico; 
d) Manejo: leitura direta da UR do ar no visor graduado. 
 
7.3. Higrógrafo de cabelo: 
a) Finalidade: registrar continuamente a umidade relativa do ar; 
b) Descrição: a UR é correlacionada diretamente com a variação da tensão mecânica que sofre um feixe de 
cabelos ao absorver ou perder umidade. Amplificada por alavancas, registrada em papel graduado de 0 a 
100, colocado em mecanismo de relojoaria. A taxa de variação do feixe de cabelos não é uniforme e o 
sistema de alavancas e/ou o papel de registro é concebido de forma a compensar a variação não linear do 
elemento sensível. 
c) Instalação: junto com o termógrafo no abrigo meteorológico; 
d) Manejo: troca-se diariamente ou semanalmente a faixa de papel. Dar corda e trocar a tinta. Aferir 
periodicamente, utilizando um psicrômetro com padrão. 
e) termohigrógrafo: consiste de um higrógrafo fixado no mesmo chassi de um termógrafo, utilizando-se um 
único tambor relógio e um gráfico subdividido em dois campos. 
 
 A umidade relativa média diária do ar é calculada pela fórmula U = (U9h + U15h + 2U21h)/4, onde U9h, 
U15h, e U21h correspondem a umidade relativa às 0900, 1500 e 2100h, respectivamente. A umidade média 
mensal do ar é a média aritmética dos valores médios diários e a umidade média anual do ar é a média 
aritmética das médias mensais. 
 
7.4. Sensores capacitativos: são os sensores normalmente utilizados em estações meteorológicas automáticas. 
O sensor é coberto por um filme de polímero, o qual absorve vapor do ar alterando a capacitância de um 
circuito ativo. É instalado juntamente com o sensor de temperatura num abrigo do tipo multi-placa. 
 
 
8. Instrumental de medição de evaporação e evapo-transpiração: 
 
8.1. Tanques de evaporação: 
a) Finalidade: determinar a evaporação (perda de água por evaporação) de uma superfície livre de água em 
um período qualquer. 
b) Descrição: recipiente de volume avantajado, cheio de água, coberto por uma tela de arame. Tanque Classe 
A (cilíndrico, diâmetro de 120 cm e altura de 25 cm). Acompanham o tanque um poço tranquilizador 
(evitar ondulações), micrômetro (medir a altura da lâmina de água evaporada), termômetros de máxima e 
mínima (temperatura da água, flutuam no tanque) e anemômetro (velocidade média do vento, a 0,5 m do 
solo junto ao tanque). 
c) Instalação: sobre um estrado de madeira pintado de branco; este, por sua vez, assentado 5 a 10 cm acima 
do nível do solo e sobre um gramado em terreno plano. 
d) Manejo: nível de água mantido entre 3 e 8 cm do bordo superior. Leitura do nível por intermédio de bóia 
ou parafuso micrométrico. 
e) Dados: A evaporação (ET) é dada pela diferença entre duas leituras consecutivas (h) mais a precipitação 
no período (P), se houver (ET = P + h). O tanque superestima a evaporação de uma superfície de água de 
grande extensão, de forma que se faz necessário corrigir o valor obtido, utilizando-se um valor médio para 
correção da evaporação anual do tanque “Classe A” de 0,72, ou seja, a evaporação natural de uma 
superfície extensa é dada por: EN = Et . 0,72. 
 
8.2. Evaporímetros (Pichê): 
a) Finalidade: determinar o poder evaporativo do ar. 
 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 40 
b) Descrição: consiste de uma proveta de um centímetro de diâmetro graduada em ml, fechada em uma 
extremidade e aberta na outra. De boca para baixo, escala cresce no sentido descendente. A boca é fechada 
por círculo de papel de filtro de 1 ¼ de polegada. Secura do ar provoca evaporação da água através do 
disco de papel. 
c) Instalação: dentro do abrigo meteorológico, pendurado ao teto, de boca para baixo e geralmente do lado 
direito. 
d) Manejo: fazer a leitura, restituir a água quando estiver em nível muito baixo e trocar o disco. A diferença 
do nível de água entre duas leituras corresponde à água evaporada no período. 
 
 
9. Instrumental de medição de vento: 
O vento é uma grandeza vetorial, que para sua definição exige indicação de módulo (anemômetros), 
direção e sentido (cataventos). 
 
9.1. Catavento: 
a) Finalidade: instrumento de leitura direta destinado a medir a direção do vento; 
b) Descrição: 
 varão com uma seta na extremidade e um par de aletas sob ângulo de 22o na outra (grimpa), com seu centro 
de gravidade fixado a um eixo vertical móvel; 
 embaixo do eixo móvel estão fixadas quatro varetas coplanares (90o), indicando os pontos cardeais (rosa 
dos ventos), N, NE, NO, S, SE, SO, E e O. 
 direção que indica a seta é da onde vem o vento (direção e sentido). 
c) Instalação: é fixado sobre um mastro no canto sul do PM, com seu eixo perpendicular ao horizonte e 
altura de 6 m, livre de obstáculos à circulação do ar. 
d) manejo: permite leituras diretas da direção do vento durante o dia (0900, 1500 e 2100h), de forma que 
podemos obter as direções predominantes no dia, mês e ano. 
 
9.2. Anemômetro de deflexão: 
a) Finalidade: medir a velocidade do vento (m/s, km/h ou nó); 
b) Descrição: consiste de uma haste metálica que possui na extremidade uma placa metálica retangular 
móvel, colocada na vertical, que se desloca sob a força do vento, proporcionalmente a sua velocidade. Está 
sempre associado a um catavento, que orienta a placa metálica na direção do vento. A determinação da 
velocidade do vento é feita por uma escala semicircular numerada de 1 a 8 a partir do ponto em que é 
fixada ao eixo vertical móvel do catavento, sob a placa defletora. 
c) Instalação: junto ao catavento, geralmente compondo um único aparelho (por exemplo, o catavento Wild) 
; 
d) manejos: permite a leitura direta da velocidade do vento num determinado momento. As conexões móveis 
devem ser periodicamente lubrificadas. 
 
9.3. Anemômetro de canecas (Anemômetro totalizador de conchas tipo Robinson): 
a) Finalidade: determinação do vento percorrido e da velocidade média do vento entre duas leituras 
consecutivas; 
b) Descrição: três canecas dispostas horizontalmente de forma radial, formando um ângulo de 120o entre si, 
fixadas num eixo vertical móvel, as quais giram com velocidade proporcional à do vento. O espaço 
percorrido pelas conchas é acumulado em um hodômetro. A diferença entre duas leituras consecutivas 
dividida pelo tempo é igual a velocidade média do vento no período. Quando o movimento giratório do 
eixo vertical é transmitido a um sistema de registro, tem-se um anemógrafo de canecas. 
c) Instalação: é fixado sobre um mastro no canto sul do PM, com seu eixo perpendicular ao horizonte e 
altura de 6 m, livre de obstáculos à circulação do ar. 
d) manejo: suas leituras permitem obter a velocidade do vento média diária, mensal e anual. 
 
Velocidade do vento (v) = (1000 x Z)/86400, m/s, onde Z = distância percorrida pelo vento num 
período de 24 horas. A velocidade do vento é medida em m/s ou km/h, sendo a relação entre ambas dada por: 
1m/s = 3,6 km/h. 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 41 
10. Instrumental de medição de pressão: 
 
10.1. Barômetro: 
a) Finalidade: medir a pressão atmosférica. 
b) Descrição: 
 barômetro de mercúrio: empregado para medidas precisas (estações meteorológicas). Consiste de um tubo 
de vidro, na vertical, com extremidade superior fechada e inferior submersa em cuba de mercúrio, com 
escala em mb e/ou mm. A pressão da coluna de mercúrio, contida no tubo de vidro, é igual à pressão 
atmosférica existente sobre a superfície de mercúrio da cuba (76 cm em condições de temperatura e 
gravidade normal). 
 barômetro de cápsula anaeróide: medidas menos precisas (escritórios, residências, laboratórios, etc.). 
Consiste de uma cápsula de metal deformável, com vácuo no interior. Uma pequena mola no seu interior 
impedeo esmagamento pela pressão atmosférica. Os movimentos nesta cápsula, provocados por variações 
na pressão atmosférica, são transmitidos a um ponteiro que se desloca sobre um mostrador. 
c) Instalação: não deve ficar exposto a variações bruscas da temperatura e a golpes de vento. Assim, sua 
instalação não é feita no interior do cercado do posto meteorológico, mas numa sala próxima a este. 
d) Manejo: a soma dos dados obtidos dividida pelo número de leituras realizadas fornece a média diária. A 
média mensal é a média aritmética das médias diárias e a média anual é a média aritmética das médias 
mensais. 
 
 
10.2. Barógrafo: 
a) Finalidade: registrar continuamente a pressão atmosférica. 
b) Descrição: constituído por uma série de cápsulas anaeróides colocadas superpostas. O movimento 
combinado de todas as cápsulas é ampliado por alavancas e registrado num gráfico colocado em um 
tambor movido por mecanismo de relógio. 
c) Instalação: sobre um suporte, junto ao barômetro de coluna de mercúrio; 
d) Manejo: Aferido periodicamente com um barômetro de mercúrio. Colocar tinta, limpar a pena, trocar os 
gráficos, quando necessário. 
 
LITERATURA CONSULTADA: 
MÜLLER, P.R. Bioclimatologia aplicada aos animais domésticos. 3.ed. Porto Alegre: SULINA, 1989. 
262p. 
NAAS, I.A. Princípios de conforto térmico na produção animal. São Paulo: Ícone, 1989. 183p. 
SENTELHAS, P.C., PEREIRA, A.R., ANGELOCCI, L.R. Meteorologia agrícola. Apostila... Piracicaba: 
ESALQ, 1998. 131p. 
VIANELLO, R.L., ALVES, A.R. Meteorologia básica e aplicações. Viçosa: UFV, 2000. 448p. 
 
EXERCÍCIOS PROPOSTOS: 
1) O que é posto meteorologico e quais as caracteristícas necessárias para sua instalação em um terreno? 
2) Quais são os instrumentos meteorológicos que devem ser colocados dentro do abrigo meteorológico? 
3) Cite quais são os instrumentos utilizados para medição da radiação solar. Comente sobre as particularidades 
de cada aum deles enfocando qual(is) sua(s) forma(s) e unidade(s) de medida. 
4) Cite quais são os instrumentos utilizados para medição da temperatura do ar. Comente sobre as 
particularidades de cada aum deles enfocando qual(is) sua(s) forma(s) e unidade(s) de medida. 
5) Cite quais são os instrumentos utilizados para medição da quantidade de chuva. Comente sobre as 
particularidades de cada aum deles enfocando qual(is) sua(s) forma(s) e unidade(s) de medida. 
6) Cite quais são os instrumentos utilizados para medição da umidade do ar. Comente sobre as 
particularidades de cada aum deles enfocando qual(is) sua(s) forma(s) e unidade(s) de medida. 
7) Cite quais são os instrumentos utilizados para medição do vento. Comente sobre as particularidades de cada 
aum deles enfocando qual(is) sua(s) forma(s) e unidade(s) de medida. 
8) Cite quais são os instrumentos utilizados para medição da pressão atmosférica. Comente sobre as 
particularidades de cada aum deles enfocando qual(is) sua(s) forma(s) e unidade(s) de medida. 
9) O que você entende por radiação solar global? 
10) O que significa dizer que choveu 10 mm a noite passada? O que isto representa? 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 42 
Aula 05 - Termorregulação em Animais Domésticos (Aves e Mamíferos) 
 
 
 Termorregulação, como indica a palavra, é o processo de controle da temperatura em um sistema 
físico qualquer. Os organismos vivos são sistemas físicos geradores de energia térmica, a qual é produzida no 
decorrer de processos metabólicos de manutenção dos fenômenos vitais (SILVA, 1996). 
 
A temperatura de um tecido é um dos principais fatores que afetam a sua função: 
A função corpórea resulta dos processos físicos e químicos sensíveis a alterações na temperatura. Se a 
temperatura corpórea baixar muito os processos metabólicos ficam lentos e a função corpórea cessa. Se a 
temperatura corpórea aumentar além do normal pode ocorrer a desnaturação de proteínas (45
o
C) e também ser 
fatal (ROBINSON, 199 ). 
 
Distinção entre regulação da temperatura e controle da temperatura: 
Nos animais pecilotermos (exotérmicos), a temperatura corporal varia com o ambiente. Porém, estes 
animais apresentam a capacidade de regular a temperatura corporal através de respostas comportamentais. 
Dispendem menos energia para a produção de calor e geralmente vivem com uma baixa taxa metabólica. A 
quantidade de energia térmica estocada depende mais da energia proveniente do ambiente externo, sendo 
capazes de sobreviver a longos períodos de escassez de alimento. Exemplo: peixes, anfíbios e répteis. 
Os animais homeotermos (endotérmicos), conseguem manter a temperatura corporal constante, 
independente das variações térmicas do ambiente externo, pois desenvolveram mecanismos precisos de 
controle da temperatura corporal, o que os permite sobreviver a uma ampla diversidade de ambiente. A 
quantidade de energia térmica estocada depende essencialmente de uma elevada taxa metabólica 
(taquimetabolismo), o que implica em um alto custo energético e uma procura quase constante por alimento. 
Exemplo: aves e mamíferos. 
 
A temperatura corporal depende do equilíbrio entre os mecanismos de produção, ganho e perda de 
calor: O calor corporal provém do metabolismo e de fontes externas. 
 
1) PRODUÇÃO DE CALOR (termogênese): 
 Os animais homeotérmicos apresentam termogênese contínua, gerando um aporte térmico como 
conseqüência dos processos metabólicos que produzem a energia necessária à síntese de novas moléculas e ao 
trabalho muscular, glandular e nervoso. 
A energia dos alimentos é convertida em calor através dos processos metabólicos e do trabalho 
(fígado, coração e músculos). De um modo geral, os tecidos que apresentam maior atividade metabólica, em 
ordem decrescente, são: nervoso, glandular e muscular. 
 
A) O calor é um subproduto de todos os processos metabólicos: 
A taxa metabólica basal constitui o índice do metabolismo energético medido sob estresse mínimo 
(repouso) enquanto o animal está em jejum. É maior nos homeotermos que nos pecilotermos, porque os 
primeiros precisam gerar calor para manter a temperatura corporal. A taxa metabólica por quilograma de peso 
corporal é maior nos pequenos que nos grandes animais (mamíferos e aves), devido a maior proporção 
superfície/volume nos animais menores (Tabela 1). 
O componente classificado como calor basal abrange as atividades vitais que agem durante o 
completo repouso e contribui com 35 - 70% da produção média de calor diária. Algumas espécies animais 
possuem menor produção térmica desta natureza e são as que melhor se adaptam a climas quentes, entretanto, 
geralmente uma baixa produção de calor basal é acompanhada por menor desempenho, apresentando então 
um ponto discutível em termos econômicos (NAAS, 1989). O aumento da temperatura corporal também 
aumenta a taxa metabólica. 
 A produção de calor também pode ser medida na forma de BTU (British Thermal Units), onde 1 kcal 
= 3,968 BTU. Por exemplo, a taxa metabólica basal de uma aves em jejum é de 2,75 calorias/g PV. Uma ave 
pesando1,8 kg produzirá em torno de 5 kcal ou 20 BTU/hora (RUTZ, 1994). À medida que a ave vai 
crescendo e tornando-se mais pesada, o calor produzido por unidade de peso vivo decresce (Tabela 2). 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 43 
Tabela 1 Taxa metabólica de manutenção ou repouso, M, para várias espécies, conforme diversos autores. W 
é o peso corporal em kg. 
Espécies M (Watts) Autor (es) 
Aves (pássaros): 
 Atividade Normal 6,83 W
0,704
 ASCHOFF & POHL (1970) 
 Repouso 5,56 W
0,726
 ASCHOFF & POHL (1970) 
Aves (não pássaros): 
 Atividade Normal 4,41 W
0,729
 ASCHOFF & POHL (1970) 
 Repouso3,56 W
0,734
 ASCHOFF & POHL (1970) 
Répteis: 
 Lagartos até 7 kg 0,378 W
0,83
 BENNETT & DAWSON (1976) 
 Cobras (Colubridae) 0,213 W
0,98
 GALVÃO et al. (1965) 
 Cobras (Boidae) 0,087 W
1,09
 GALVÃO et al. (1965) 
 Serpentes em geral 0,15 W
0,86
 GALVÃO et al. (1965) 
Mamíferos: 
 Camundongos 1,91 W
2/3
 HEUSNER (1982) 
 Bovinas 6,06 W
2/3
 HEUSNER (1982) 
SILVA (1996). 
 
Tabela 2. Efeito do peso corporal sobre a produção de calor e umidade produzida (21
o
C). 
Peso corporal Produção de calor Umidade produzida (kg/100 aves/dias) 
(kg) (BTU/kg/h) Fecal Respiratória Total 
0,5 44,0 7,2 2,4 9,6 
0,9 31,9 9,2 4,9 14,1 
1,4 25,3 10,5 7,1 17,6 
1,8 22,0 11,4 8,8 20,3 
2,3 19,8 12,4 9,4 21,8 
2,7 18,0 13,3 10,2 23,5 
North & Bell (1990) citados por RUTZ (1994). 
 
As seguintes regras são apropriadas para estimar a produção de calor basal para poedeiras: poedeira 
leve = 40 BTU/ave/hora; semipesada = 45 BTU/ave/hora e pesada = 55 BTU/ave/hora. Frangos de corte do 
mesmo peso das poedeiras produzirão maior quantidade de calor porque os frangos crescem mais rápido e 
consomem mais alimento por unidade de peso. 
 
 
B) Tipos de termogênese e fatores envolvidos: 
 Conforme HIMMS-HAGEN (1983) há necessidade de se distinguir duas formas de termogênse, a 
obrigatória e a facultativa. A primeira ocorre em todos os órgãos, principalmente nos tecidos nervoso, 
glandular e muscular, sendo controlada basicamente pelos hormônios da glândula tireóide. Está associada às 
reações metabólicas essenciais à vida celular e é fundamentalmente endotérmica. Inclui ainda as reações 
metabólicas associadas ao processamento dos alimentos, as quais ocorrem ao nível dos intestinos, fígado e 
tecido adiposo branco. A Tabela 3 mostra a quantidade de calor produzida pelo metabolismo de carboidratos, 
gorduras e proteínas. 
 
Tabela 3. Produção de calor pelos principais tipos de alimento. 
 Produção de calor (kcal) 
Tipos de alimentos Por grama de 
alimento 
Por litro de O2 consumido Por litro de CO2 consumido 
Carboidratos 4,1 5,05 5,05 
Gorduras 9,6 4,75 6,67 
Proteínas 4,2 4,46 5,57 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 44 
A termogênese facultativa é aquela à qual o organismo recorre apenas quando há uma deficiência 
calórica (estresse pelo frio) e baseia-se em reações rápidas e de curta duração (algumas horas). O controle 
primário da termogênese facultativa é nervoso, por intermédio da acetilcolina (quando envolve atividade 
muscular) e da noradrenalina (quando envolve o tecido adiposo marrom - TAM). 
 
A termogênese facultativa pode ser dividida nos seguinte tipos: 
 
a. Termogênese induzida pela ingestão de alimentos: ocorre principalmente no TAM, sendo diretamente 
controlada pela noradrenalina e, eventualmente, também pelos glicocorticóides, insulina e hormônios da 
tireóide. O excesso de nutrientes ingeridos é transformado em calor no TAM e vai contribuir para 
manutenção da temperatura corporal em ambientes frios. 
 
b. Termogênese induzida pelo frio: ocorre em dois locais: 
 
b1.) No TAM, sendo afetada diretamente pelos glicocorticóides, insulina e hormônios da tireóide; 
A termogênese decorrente de não-tremor consiste em um aumento na taxa metabólica basal, causado 
especialmente pela oxidação de gorduras, para produzir calor. O aumento do metabolismo é mediado pelo 
aumento da secreção de tiroxina e pelos efeitos calorigênicos das catecolaminas sobre os lipídios. A produção 
de calor por “nonshivering thermogenesis” ocorre principalmente no tecido adiposo marrom dos mamíferos 
(com exceção dos suínos) e o calor produzido é distribuído por todo o corpo pela circulação sangüínea. 
A termogênese por não tremor (“non-shivering thermogenesis”) é importante fonte de calor para 
recém nascidos de mamíferos. Trata-se da produção de calor, sem contração muscular, a partir do tecido 
adiposo marrom. Aparentemente esta forma de gerar calor não ocorre em aves recém-nascidas (MACARI, 
1994). Entretanto, Halaqwani et al. (1971) citados por RUTZ (1994) registraram que tal mecanismo pode 
ocorrer em aves adultas condicionadas a baixas temperaturas. 
 
b2.) músculos esqueléticos, através de tremores ou calafrios, sendo induzia diretamente pela acetilcolina ou, 
eventualmente, pelos glicocorticóides e catecolaminas (adrenalina e noradrenalina). 
Os tremores produzem calor em decorrência da contração muscular. Consiste em um método eficaz 
para aumentar a produção metabólica de calor. 
 
c. Termogênese induzida pelo exercício físico: ocorre nos músculos esqueléticos, sendo induzida 
diretamente pela acetilcolina e eventualmente pelos glicocorticóides e catecolaminas. O exercício aumenta 
a taxa metabólica resultando em uma maior produção de calor. 
Segundo RUTZ (1994), a atividade física da ave acompanha inversamente a temperatura ambiental, 
quando acima da termoneutralidade. Trata-se de uma tentativa de reduzir a produção de calor 
 
 
B) GANHO DE CALOR DO AMBIENTE: 
 
 O sol e o interior do planeta são as principais fontes de energia que permitem a vida na Terra. O calor 
e a luminosidade que vêm do Sol resultam de reações termonucleares. O Sol fornece 99,98% da energia que 
chega à superfície terrestre, cabendo 0,02% ao fluxo de calor do interior do planeta. Os animais absorvem 
calor do ambiente além daquele produzido no organismo (metabolismo energético). Durante o dia, quase todo 
calor absorvido do ambiente pelos animais provém da radiação solar, direta ou indireta (BACCARI JR., 
1989). 
Os animais obtêm calor do ambiente quando a temperatura ambiente ultrapassa a corporal e/ou 
quando expostos a fontes que irradiam calor (sol ou corpos aquecidos) (Figuras 1 e 2). As fontes de radiação 
térmica que afetam um animal em campo aberto são: A) Radiação solar direta, B) Radiação refletida nas 
nuvens, C) Radiação refletida em partículas de gases e poeiras, D) Radiação infravermelha proveniente da 
atmosfera (gases estufa), E) Radiação infravermelha proveniente do solo, F) Radiação refletida no solo, rochas 
e objetos e, G) Radiação infravermelha proveniente da vegetação. 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 45 
 
Figura 1. Fontes de radiação térmica que afetam um animal em campo aberto. A = radiação solar direta; B = 
radiação refletida nas nuvens; C = radiação refletida em partículas de gases e poeira; D = radiação 
infravermelha proveniente da atmosfera; E = radiação infravermelha proveniente do solo; F = 
radiação refletida no solo, rochas e objetos; e G = radiação infravermelha proveniente da vegetação. 
 
 
 
 
Figura 2. Ação da radiação incidente e da velocidade do vento na Criação de frangos de corte (MACARI et 
al., 1994). 
 
 
C) PERDAS DE CALOR: 
 Há perda de calor para o ambiente por irradiação da superfície corporal para um objeto mais frio, bem 
como por convecção, à medida que o ar ou a água em volta são aquecidos pelo corpo, por evaporação de 
secreções respiratórias, suor ou saliva e por condução para superfícies mais frias com que o animal esteja em 
contato. Também há perda de pequena quantidade de calor através da urina e das fezes e nos produtos 
produzidos pelos animais (leite, ovos, etc.). 
 
 
1. PERDAS SENSÍVEIS: faz com que a temperatura do ambiente que circula o animal aumente. Quando a 
transferência de energia implica em variação da temperatura dos corpos, os mais “quentes” perdendo e os 
mais “frios” ganhando, o calor envolvido é denominado calor sensível (NAAS, 1989). 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 46 
1.1. Condução: ocorre quando o corpoestá em contato com uma superfície mais fria. 
 condução é a troca de calor entre dois corpos que se tocam ou mesmo partes do corpo que estejam a 
temperaturas diferentes. 
 ocorre a transmissão de energia térmica entre corpos que estejam em contato ou entre partes de um mesmo 
corpo; 
 a energia transmitida de uma partícula a outra, através da energia cinética de movimentação das moléculas 
(choque entre partículas adjacentes), ou pela movimentação de elétrons livres (metais); 
 o fluxo passa das moléculas de alta energia para as de baixa energia (quente  frio) e a perda de calor é 
proporcional ao gradiente de temperatura e a condutividade térmica dos materiais; 
 o coeficiente de condutividade térmica do material depende: 1) da densidade do material (a matéria é 
sempre muito mais condutora que o ar contido em seus poros); 2) da natureza química do material 
(materiais amorfos são geralmente menos condutores que os cristalinos); 3) da umidade do material (a água 
é mais condutora que o ar). 
 cuidados devem ser tomados com animais recém-nascidos e com o isolamento do piso (camas). 
 suínos e bubalinos adultos se refrescam por condução chafurdando na lama e na água. 
 
1.2. Convecção: ocorre quando um líquido e/ou gás é aquecido pelo corpo. 
 convecção é a troca de calor entre dois corpos, sendo um deles um sólido e o outro um fluído (líquido ou 
gás). 
 o ar ou água em contato com a pele se aquecem, tornam-se menos densos e se deslocam expondo a pele ao 
ar ou água frios (convecção natural ou passiva); 
 o organismo cede calor às moléculas do ar ou água por condução; 
 a perda é proporcional ao gradiente térmico entre a pele do animal e o ar ou água que a circula e a 
velocidade do ar ou da água. 
 convecção forçada ou ativa: neste caso, o líquido ou gás mais frio se move sobre a superfície cutânea por 
meio de uma corrente de ar (ou água), ou simplesmente porque os membros ou o próprio animal estão em 
movimento. 
 Cuidados de vem ser tomados com animais jovens e com a presença de correntes de vento. 
 
1.3. Radiação: emissão de irradiação infravermelha e sua absorção por objetos mais frios. 
 radiação é o mecanismo de troca de calor entre dois corpos através da natureza eletromagnética que 
caracteriza a onda de calor. Não há necessidade de meio de propagação, acontecendo mesmo na ausência 
de meio ou vácuo. 
 transmissão de energia térmica através de ondas eletromagnéticas, as quais constituem uma fração do 
espectro eletromagnético que se estende desde o final da faixa de luz visível até o início da faixa de 
microondas (radiação infravermelha); 
 as ondas são irradiadas pelos átomos e moléculas como resultado de modificações na seu conteúdo 
energético; 
 a quantidade de radiação emitida depende da natureza do material, da constituição física e da temperatura 
absoluta da superfície emissora. 
 qualquer superfície cuja temperatura esteja acima do zero absoluto (-273,15oC ou 0oK) emite radiação 
térmica, em comprimentos de onda que dependem dessa temperatura. 
 embora todos os objetos emitam calor radiante, a transferência do mesmo se dá dos objetos quentes para os 
frios. 
 a troca de energia radiante entre dois corpos exige que o meio que os separa permita a passagem das ondas 
radiantes por eles emitidas. O ar, que é chamado de transparente e diatérmano, não absorve e nem emite 
energia radiante. 
 a perda de calor radiante pode ocorrer mesmo quando o animal está rodeado por um ambiente 
termicamente neutro ou aquecido. Pode haver perda de calor de uma animal para as paredes mais frias da 
baia, mesmo que o ar ambiente esteja aquecido. 
 
Uma superfície pode se comportar de três formas, no que concerne à radiação térmica: 1) refletindo a energia 
nela incidente; 2) absorvendo essa energia e 3) transmitindo ou emitindo a energia. 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 47 
 As aves se caracterizam por alta capacidade de emissão e absorção de calor. A cor das penas 
influencia a radiação. Em ambientes frios, as aves que apresentam alta absorvência economizam energia 
(RUTZ, 1994). 
 As aves perdem até 75% de calor extra produzido através de radiação, convecção e condução. 
Entretanto, a velocidade de perda é influenciada pela temperatura ambiental. Quando a temperatura ambiental 
estiver até aproximadamente 21
o
C, estes processos agem perfeitamente. Entretanto, quando a temperatura 
ambiental se aproximar da temperatura corporal, os processos perdem a sua importância (RUTZ, 1994). 
A perda sensível de calor é muito influenciada pelas propriedades isolantes do empenamento. A 
temperatura ambiental influencia a capacidade de isolamento das penas. McFarland & Budgell (1971) citados 
por RUTZ (1994) observaram que as penas se moviam em resposta a trocas de temperaturas que estimulavam 
o hipotálamo, naturalmente, a partir de estímulo de termorreceptores periféricos. Portanto, a capacidade da ave 
de perder calor é influenciada mais pela temperatura da pele do que pela temperatura interna central. 
 Outro fator importante na termorregulação de aves é a presença dos apêndices, crista e barbelas, que 
podem representar 7% da área total da ave. Estas estruturas, por serem bem vascularizadas, contribuem no 
processo de termorregulação das aves. A perda de calor através das cristas e barbelas é maximizada em 
temperaturas ambientes acima de 30
o
C, através do aumento da migração do fluxo de sangue para a periferia 
do corpo da ave, facilitando a liberação de calor para o ambiente (NAAS, 1997). A troca de calor sensível 
pode variar de 9 a 26% quando a temperatura ambiente estiver entre -5 e 40
o
C. 
 
 
2. PERDAS INSENSÍVEIS: esta forma de eliminar calor não aumenta a temperatura do ambiente ao redor 
do animal. A transferência de energia tem seu efeito no sistema representado por mudança de estado de 
agregação, sendo que o calor envolvido nesse mecanismo de troca é denominado calor latente (NAAS, 1989). 
 
 
Evaporação: o animal perde calor quando a água contida no suor, na saliva e nas secreções respiratórias é 
transformada em vapor de água. 
 evaporação é a troca térmica úmida proveniente da mudança do estado líquido para o estado gasoso. Para 
ser evaporada passando para o estado de vapor, a água necessita de um certo dispêndio de energia. 
 para evaporação de 1 litro de água são necessárias 580 kcal (ROBINSON, sd); 
 para evaporação de 1 grama de água são necessárias 550 cal (MACARI, et al., 1994); 
 para evaporação de 1 grama de água (na superfície animal a 30oC) são necessários 579 cal (BAÊTA, 
1998). 
 a velocidade de evaporação é função do estado higrométrico do ar e de sua velocidade e temperatura. 
 a perda de calor por evaporação é contínua, mesmo em condições termoneutra, devido a ocorrência de 
difusão de água através da pele e vapor de água nas vias respiratórias; 
 a perda de calor ocorre na conversão para vapor, tanto do suor secretado pelas glândulas da pele quanto da 
umidade proveniente do trato respiratório (BAÊTA, 1998). 
 
Em condições de estresse térmico, as perdas por evaporação são fundamentais, pois: 
 quanto menor o gradiente térmico, entre o animal e o ambiente, menor as perdas sensíveis por condução, 
convecção e radiação; 
 as glândulas sudoríparas são ativadas e o animal começa a ofegar. 
 é a única forma de perda de calor viável quando a temperatura ambiente se iguala ou ultrapassa a do corpo 
(independe do gradiente de temperatura); 
 a gotícula de água somente irá se evaporar se a pressão de vapor do meio for menor do que a da via aérea 
superior ou superfície da pele. Assim, a eficiência da evaporação diminui conforme a umidade relativa do 
ar aumenta e o ar fica saturado com vapor de água. 
 a massa de pelame, lã ou penas influencia o processoevaporativo por sudorese, pois fixa junto a epiderme 
uma camada de ar na qual a pressão de vapor atinge o nível de saturação a uma temperatura próxima à da 
superfície cutânea. Esta camada de ar úmido é dificilmente removida. 
 
 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 48 
2.1. SUDORESE ou SUDAÇÃO: 
 Ocorre a partir de glândulas sudoríparas (écrinas e apócrinas) localizadas na derme. Todos os 
mamíferos placentários possuem glândulas sudoríparas, exceto os roedores e lagomorfos. Em cães e suínos, 
estas glândulas são pouco desenvolvidas. Nos mamíferos ungulados, a sudorese termorreguladora é 
proveniente de glândulas apócrinas, que estão associadas aos folículos pilosos e produzem secreção contendo 
proteína (94,4% de água, 5% de cloretos e outros sais e 0,5% de albumina). Nos primatas, a sudorese 
termorreguladora é proveniente de glândulas écrinas que produzem secreção aquosa com composição iônica 
semelhante a do plasma (99% de água e 1% de NaCl e KCl). O suor que chega à pele é uma solução 
concentrada de uréia, ácido lático, íons K
+
 e, no caso de mamíferos ungulados, proteínas. Quando o suor é 
abundante há menor reabsorção de Na
+
 e Cl
-
 no tubo, e maior perda de água. O homem pode chegar a perder 
1,5 kg de água/h durante este processo. A sudorese é a principal forma de perda de calor por evaporação em 
eqüinos e bovinos (Tabela 4). 
 
Tabela 4. Taxas de termólise por evaporação na superfície cutânea (W/m
2
). 
Espécie Abaixo da TCI Acima da TCS 
Homem (esforço físico) 6 816 
Homem (repouso) 6 102 
Porco 7 19 
Ovinos 8 35 
Bovinos 9 98 
Galinhas 4 12 
TCI = Temperatura crítica inferior. TCS = Temperatura crítica superior. INGRAN (1974). 
 
Em bovinos submetidos ao estresse por calor, a evaporação respiratória responde por 30% do total, 
correspondendo os restantes 70% à evaporação cutânea. 
 Na maioria das espécies, a sudorese está sob o controle de fibras nervosas simpáticas colinérgicas, 
mas no eqüino tal controle parede ser coordenado por fibras simpáticas adrenérgicas. 
 Mister se faz salientar que embora a ave não possua glândulas sudoríparas, ainda assim consegue 
perder água através da pele (difusão). Fundamentalmente, em temperaturas baixas, a quantidade eliminada 
representa 80% do total da umidade perdida. Ao aumentar a temperatura ambiental, a perda aquosa cutânea 
aumenta em termos absolutos, porém representa somente 40% quando a hiperpnéia começar e cai para 15% 
quando a ave estiver em hiperpnéia ativa. 
 De acordo com McDowell (1972) citado por SILVA (1996), os animais domésticos que mais suam, 
pela ordem decrescente de importância desse mecanismo para a termorregulação, são os seguintes: 1) eqüinos, 
2) asininos, 3) bovinos, 4) bubalinos, 5) caprinos, 6) ovinos e 7) suínos. Contudo, existem sensíveis diferenças 
entre raças. 
 Nos eqüinos, existe um efeito da raças sobre a taxa de sudação. TITTO (1994), verificou que a taxa de 
sudação foi influenciada pela raça, e os animais Bretão, originários de regiões de clima frio, utilizam 
eficientemente a sudação como via termolítica, quando comparados a animais das raças Anglo-Árabe e 
Mangalarga. As perdas sudativas dos eletrólitos cloro, sódio e potássio, também variam com a raça. O mesmo 
não ocorre com as minerais cálcio e magnésio. 
 
2.2. OFEGO (hiperpnéia): 
 É a forma de aumentar a evaporação pelas vias respiratórias. O calor é eliminado do corpo através do 
ar exterior inspirado e expirado pelo animal. Pequenos volumes tidais se movem a rápida freqüência (200 
movimentos/minuto) no espaço morto respiratório. O ofego ocorre junto à freqüência ressonante do sistema 
respiratório, de modo que o trabalho da respiração é minimizado e não se acrescenta à perda de calor. O 
ingurgitamento vascular das mucosas respiratórias e oral, bem como o aumento da salivação, acentua a perda 
de calor por evaporação. Ao ventilar o espaço morto, a hiperventilação e a alcalose são evitadas. 
Constitui-se na principal forma de perda de calor por evaporação em aves, suínos e cães submetidos a 
altas temperaturas. No caso dos ovinos, que são animais que suam pouco, o ofego é também muito importante. 
Pequenos roedores não apresentam ofego nem suam. Passam saliva ou água sobre o pêlo. As aves, aos 
primeiros sinais de estresse térmico pelo calor, aumentam a freqüência respiratória, e, em situações de estresse 
severo, pode chegar até 20 vezes o valor basal. Estima-se que, em condições médias de umidade, a ave adulta 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 49 
dissipa em torno de 20% do calor corporal por via latente à 15
o
C, 60% a 30
o
C e 100% a 41
o
C e, do calor 
dissipado na forma latente, 50% ocorre pelo aparelho respiratório à 15
o
C e 85% a 41
o
C (BAÊTA, 1998). 
A evaporação respiratória tem sido apontada como o principal mecanismo de termólise em ovinos 
(Figura 3). Entretanto, HOPKINS et al. (1978) observaram que em animais Merino sob alta temperatura 
(38
o
C) e baixa umidade (32%) que a evaporação respiratória contribuiu com apenas 10% da termólise 
evaporativa. 
 
Figura 3. Representação esquemática do ganho e da perda de calor entre um ovino e o ambiente 
(CUNNINGHAN, 1990). 
 
 O aumento na taxa respiratória é acompanhada por um aumento na perda de umidade pelo corpo, de 
forma que a ave bebe mais água para evitar a desidratação. Eventualmente, a ave bebe mais água do que 
realmente exalou e o excedente é perdido através das excretas (RUTZ, 1994). 
 
 
Relação entre calor sensível e insensível nas aves. 
 A temperatura ambiental e umidade relativa influenciam a perda de calor sensível e insensível do 
corpo. Em temperaturas ambientais até 21
o
C, imperam as perdas sensíveis (radiação, condução e convecção). 
Em temperaturas acima da termoneutralidade, aumenta a perda de calor por evaporação. Portanto, conforme 
aumenta a temperatura ambiental, uma maior percentagem de perda insensível de calor e uma menor perda 
sensível de calor ocorrem (Tabela 5). 
 
Tabela 5. Efeito da temperatura ambiental sobre a produção de calor sensível e insensível em aves Leghorn. 
Temperatura ambiental 
(
o
C) 
Calor sensível 
(%) 
Calor insensível 
(%) 
Produção sensível de 
calor/kg/h (BTU) 
4,4 90 10 19,8 
15,6 80 20 17,4 
26,7 60 40 13,4 
37,8 40 60 9,5 
North & Bell (1990) citados por RUTZ (1994). 
 
A umidade do ar é um fator importante, além da temperatura, uma vez que regula a taxa de 
evaporação a partir do trato respiratório (Tabela 6). Passa a assumir maior importância quando a temperatura 
ambiental atinge 25
o
C. Quanto maior a umidade relativa do ar, menos umidade será removida das vias aéreas, 
e menor será a perda de calor corporal. Em conseqüência, quando a temperatura corporal alcança o máximo 
fisiológico, sobrevém a hipertermia com prostação e morte (RUTZ, 1994). 
Também podem ocorrer pequenas perdas de calor através da produção de ovos ou leite e através da 
excreção de fezes e urina. SILVA & GAUDIOSI (1995) trabalhando com ovinos das raças Ideal e Suffolk 
consideraram a evaporação respiratória como a principal via de termólise evaporativa nos ovinos. 
 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 50 
Tabela 6. Efeito da temperatura e umidade relativa do ar sobre a perda evaporativa de calor em aves adultas. 
Clima Temperatura 
(
o
C) 
Umidade Relativa 
(%) 
Perda evaporativa de 
calor (%) 
Normal, seco 20 40 25 
Normal, úmido 20 87 25 
Quente, seco 24 40 50 
Quente, úmido 24 84 22 
Calor, seco 34 40 80 
Calor, úmido 34 90 39 
Romijn & Lorhorst (1966) citados por MACARI (1994). 
 
 
C. TRANSFERÊNCIAS DE CALOR NO CORPO 
 
Os tecidossão maus condutores e o calor é transferido mais efetivamente pelo sangue: 
O calor é produzido principalmente nos músculos e fígado, sendo eliminado pela pele e vias respiratórias. 
Logo é preciso que seja redistribuído por todo o corpo através do fluxo sangüíneo que transfere 
calor para as partes mais frias (extremidades) e resfria as partes mais quentes (cérebro e vísceras 
principais) (Figura 4 e Tabela 4). 
 
 
No calor, o fluxo sangüíneo cutâneo aumenta, e isto ocorre de duas formas: 1) As arteríolas dos leitos 
vasculares cutâneos se dilatam e aumenta o fluxo sangüíneo capilar; e 2) Abrem-se as anastomoses arterio-
venosas nos membros, orelhas e focinho. Desta forma, aumenta a temperatura nos membros e a perda de calor 
pela pele. 
No frio, o fluxo sangüíneo cutâneo diminui, pois ocorre: 1) Vasoconstrição nos leitos vasculares 
cutâneos; e 2) Fechamento das anastomoses arterio-venosas. Diminui a temperatura nos membros e a perda de 
calor pela pele. 
 
Tabela 7. Gradiente médios de temperatura (
o
C) observados em ovinos de três raças 
Variável Corriedale Ideal Suffolk 
Temperatura retal 39,90  0,02 39,39  0,02 39,92  0,02 
Temperatura da epiderme 39,44  0,04 38,72  0,04 39,05  0,04 
Temperatura do interior do velo 38,46  0,17 35,70  0,18 37,51  0,17 
Temperatura externa do velo 36,35  0,33 32,48  0,32 33,95  0,25 
Temperatura ambiente 30,5 (16 a 48) 24,3 (16 a 31) 26,1 (20 a 33) 
Espessura do velo (m) 0,071 0,049 0,065 
Número de observações 978 460 636 
(SILVA & BARBOSA, 1993). 
 
Figura 4. Representação esquemática da distribuição das 
temperaturas em um pônei sob condições ambientais 
quentes e frias. Em condições quentes, a temperatura 
corpórea central estende-se para baixo até os membros e 
aproxima-se da superfície cutânea do animal. Em condições 
frias, a vaso constrição nos vasos sangüíneos periféricos 
resulta em um gradiente de temperatura entre as partes 
centrais do corpo e as extremidades. A temperatura central 
se mantêm apenas no abdômen, tórax e no cérebro do 
animal. Os tecidos mais periféricos podem esfriar 
consideravelmente (CUNNINGHAN, 1990). 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 51 
A troca de calor em contracorrente ao longo dos membros conserva o calor corpóreo: 
 O calor é transferido do sangue arterial aquecido para o venoso mais frio, e assim retorna para as 
partes centrais do corpo resfriando-as. No calor, o sangue perfunde os leitos capilares mais periféricos (perda 
de calor através da pele) e retorna dos leitos vasculares superficiais através de veias superficiais (fonte 
adicional de perda de calor). No frio ocorre uma vasoconstrição periférica e o fluxo sangüíneo do membro é 
direcionado para os leitos vasculares mais profundos que acompanham as artérias. 
 
 
D. REGULAÇÃO DA TEMPERATURA CORPORAL: 
Os mamíferos e as aves normalmente regulam o produção e a perda de calor para manter a 
temperatura corpórea dentro de limites estreitos. 
 A temperatura retal, embora seja um pouco inferior à temperatura central do animal, serve como um 
bom indicativo desta (Tabela 8 e 9). 
 
Tabela 8. Temperatura retal de mamíferos domésticos em C. 
Espécie Média Limites 
Asinino 37,4 36,4-38,4 
Bovino (corte) 38,3 36,7-39,1 
Bovino (leite) 38,6 38,0-39,3 
Cão 38,9 37,9-39,9 
Caprino 39,1 38,5-39,7 
Eqüino 37,7 37,2-38,2 
Gato 38,6 38,1-39,2 
Ovino 39,1 38,5-39,9 
Suíno 39,2 38,7-39,8 
 
Tabela 9. Temperaturas retais (variação e média) de animais domésticos em condições de termoneutralidade, 
dentro da amplitude delimitada pelas temperaturas críticas inferior (TCI) e superior (TCS). 
Animais Temperatura Retal 
o
C TCI TCS 
Bovinos: 
Taurinos, adultos 
 
37,5 - 39,3 (38,3) 
 
- 6 
 
27 
 Taurinos, bezerros 13 25 
 Zebuínos 38,5 - 39,7 (39,1) 7 35 
Ovinos: 
Europeus, adultos 
 
38,3 - 40,0 (39,1) 
 
- 2 
 
20 
 Europeus, cordeiros 29 30 
 Deslanados 38,9 - 40,5 (39,8) 
Suínos: 
Adultos 
 
38,7 - 39,8 (39,2) 
 
0 
 
15 
 Leitões 32 33 
Caprinos: 
Adultos 
 
38,7 - 40,7 (39,9) 
 
10 
 
30 
Galinhas: 
Poedeiras 
 
40,6 - 43,0 (41,7) 
 
7 
 
21 
 Frangos 13 27 
 
 
PRINCÍPIOS DE REGULAÇÃO DA TEMPERATURA CORPORAL 
 Nos homeotermos, a temperatura corporal é regulada através de mecanismos fisiológicos (SNA 
simpático e parassimpático) e respostas comportamentais (Sistema motor). O modelo de termorregulação em 
aves é baseado em 4 diferentes unidades: 1) Receptor, 2) Controlador, 3) Efetor e 4) Sistema passivo (Figura 
5). Assim, o controle da temperatura é feito pelo balanço de duas variáveis: uma associada às respostas 
desencadeadas pelo aumento da temperatura e a outra às respostas desencadeadas pela redução da 
temperatura. 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 52 
 
 
 Assim, assume-se a existências de duas populações neuronais no hipotálamo, uma respondendo ao 
frio e a outra ao calor. O conceito de “set-point” termorregulador reside na influência recíproca dos sensores 
de frio e de calor sobre as eferências de sistemas controladores da temperatura corporal (Figura 6 e 7). 
 
 
 
Os receptores termossensíveis estão situados no sistema nervoso central, na pele e em alguns órgãos 
internos. 
 
Neurônios termossensíveis (sensores de temperatura): 
a) Neurônios termossensíveis que monitoram a temperatura cerebral ou central. 
Figura 5. Interação entre ambiente – 
frango de corte. A percepção dos 
estímulos pelos receptores e sua 
integração no sistema nervoso central 
(SNC) induz a ativação de 
mecanismos controladores (sistema 
nervoso central e medula). A 
participação dos sistemas efetores 
induzem respostas para a manutenção 
da homeostase orgânica (MACARI et 
al., 1994). 
Figura 6. Neurônios hipotalâmicos responsivos 
à variação de temperatura. Os neurônios 
responsivos ao calor são acionados quando a 
temperatura corporal aumenta e induzem 
respostas periféricas de perda de calor. Os 
neurônios responsivos ao frio são ativados 
quando a temperatura corporal diminui e 
induzem respostas periféricas associadas à 
produção de calor. Quando as atividades dos 
neurônios responsivos a calor e frio se 
igualam, a produção será igual à perda de 
calor, e a temperatura corporal será mantida 
estável. Este “ponto de atividade” é 
denominado de “set point” e, para o frango de 
corte, corresponde a 41
o
C (MACARI et al., 
1994). 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 53 
 área pré-óptica do hipotálamo (aumentam a freqüência de disparo em função de pequenos aumento das 
temperatura. local), iniciando-se os processos de vasodilatação periférica e sudorese. 
 outros neurônios hipotalâmicos e mesencefálicos: 
- alguns diminuem sua freqüência de disparo em resposta ao calor; 
- outros aumentam sua freqüência de disparo em resposta ao frio. 
 
b) Neurônios termossensíveis situados na pele: 
 receptores cutâneos para o frio: se encontram em maior número e são muito sensíveis a queda da 
temperatura; 
 receptores cutâneos para o calor. 
 
c) Neurônios termossensíveis situados em vários locais das vísceras. 
 
A informação proveniente dos neurônios termossensíveis centrais e periféricos é integrada no 
hipotálamo para regular os mecanismos de perda ou conservação de calor (Figura 7). 
 
 
Figura 7. Mecanismos de controle por retroalimentação para a regulação da temperatura corpórea. Os 
receptores de temperatura na pele e nas partes centrais do corpo liberam informação para o 
hipotálamo, que ajusta as respostas para conservar e produzir ou perdercalor. Os resultados dessas 
respostas são retransmitidos para os receptores através da circulação (CUNNINGHAN, 1990). 
 
 
RESPOSTAS INTEGRADAS: 
 A zona de termoneutralidade ou de conforto térmico é a faixa de temperatura ambiente efetiva, dentro 
da qual o custo fisiológico é mínimo e o desempenho produtivo esperado é máximo. Para poderem expressar 
seu potencial genético para a produção, os animais devem contar com condições meteorológicas que, 
idealmente, devem situar-se na zona de termoneutralidade, com alimentação adequada, quantitativa e 
qualitativamente. Dentro da zona de termoneutralidade o animal mantém uma variação normal da temperatura 
corporal, o apetite é normal e a produção ótima. Abaixo da temperatura crítica inferior os animais entram em 
estresse pelo frio e precisam produzir calor para manter a temperatura corporal. Acima da temperatura crítica 
superior sofrem estresse pelo calor ou térmico e necessitam mobilizar mecanismos fisiológicos de perda de 
calor para manter a temperatura corporal em níveis normais. Para ocorrência de tais reações termorreguladoras 
é desviada energia, a mesma que poderia ser empregada para o crescimento e desenvolvimento do animal 
(ENCARNAÇÃO, 1989). 
 Na zona termoneutra, a temperatura corporal pode ser regulada por mecanismos vasomotores que 
aumentam ou diminuem o fluxo sangüíneo cutâneo e, assim, modificam a quantidade de calor perdida por 
convecção e irradiação. 
 Fora da zona de termoneutralidade, os animais começam a desenvolver respostas integradas 
para enfrentar situações de frio ou de calor de forma a preservar sua temperatura corporal constante (Figura 8). 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 54 
 
Figura 8. A manutenção da temperatura corporal do frango de corte é função dos mecanismos de produção e 
perda de calor. Assim, quando a produção é igual à perda calórica, a temperatura corporal se 
mantém estável ( 41oC). As variações de temperatura na periferia (patas, crista, asas, etc.) 
ocorrem a fim de manter a constância da temperatura corporal, em especial, a temperatura visceral 
(MACARI et al., 1994). 
 
Integração das respostas ao estresse causado pelo calor: 
 Com o início e aumento da atuação dos elementos climáticos causadores do estresse térmico, os 
mecanismos de defesa contra o calor entram em ação em uma determinada seqüência. 
 Sob calor moderado o animal apresenta vasodilatação periférica (resposta inicial), que aumenta o 
fluxo sangüíneo cutâneo e nos membros, aumentando a perda de calor por irradiação e convecção. À medida 
que o ambiente se torna mais quente, a evaporação a partir da pele (sudorese) se intensifica sendo 
suplementada de forma progressiva pelo aumento da evaporação respiratória (ofego). A evaporação é o único 
método de perda de calor disponível quando a temperatura ambiente excede a cutânea (vacas a 30
o
 C perdem 
80% do calor por evaporação). O animal também busca ajustes comportamentais para diminuir a carga 
térmica (busca locais sombreados, água ou lama). Se a operação de todos os meios de dissipação de calor não 
é suficiente para restabelecer o equilíbrio térmico, a temperatura corporal começa a subir. Isto resultará na 
diminuição do apetite e da atividade da tireóide. O nível de estresse térmico sob o qual as animais começam a 
mobilizar seus mecanismos de defesa contra o calor depende grandemente da magnitude de sua produção 
normal de calor. Assim, novilhas têm limites críticos mais altos de temperatura ambiente que vacas altas 
produtoras, e o gado de corte limites mais altos que os do gado leiteiro. No caso, as novilhas possuem 
metabolismo energético mais baixo que as vacas altas produtoras, o mesmo ocorrendo com os bovinos de 
corte em relação aos de leite. O gado zebu tem metabolismo mais baixo do que o gado de origem européia. 
 Em aves, as cristas e barbelas aumentam se submetidas a altas temperaturas. Estas estruturas são 
amplamente vascularizadas, portanto, participam ativamente na regulação térmica através da perda sensível de 
calor pela ave (Freeman, 1983 citado por RUTZ, 1994). 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 55 
 Sob estresse térmico severo, ocorre alta taxa de fluxo de sangue do núcleo para a pele do animal e, 
consequentemente, alta taxa de fluxo de calor, resultando em altas temperaturas superficiais . À medida que as 
perdas evaporativas tornam-se maiores, grande quantidade de calor é removida da pele por vaporização, de 
forma que o sangue que circula pelas superfícies do corpo torna-se mais refrigerado (BAÊTA, 1998). 
 
Esquema da seqüência dos mecanismos de defesa contra o calor: 
1. Mecanismos vasomotores: vasodilatação periférica (“reação universal ao calor”) aumenta as perdas de 
calor sensíveis; 
2. Início da sudorese: perda por evaporação. Principal meio para a perda de calor nos bovinos sob 
temperaturas e radiação solar elevadas. O cavalo é o melhor suador entre os animais domésticos. 
3. Aumento da freqüência respiratória: perda por evaporação. Animais que não dispõe de glândulas 
sudoríparas (coelhos, aves) ou estas não são funcionais (suínos), utilizam-se principalmente deste 
mecanismo. 
4. Alterações na atividade endócrina: o estresse térmico reduz a atividade da tireóide, há redução do 
metabolismo energético. 
5. Mudanças de comportamento: os animais, em geral, procuram sombra; os ruminantes diminuem as horas 
de pastejo durante o dia; os suínos e os bubalinos procuram água para imergir (eventualmente também os 
bovinos); tendência para menor consumo de volumosos em relação aos concentrados; inibição do apetite e 
menor consumo de alimento. Diminuição na produção (leite, ganho de peso, ovos, etc.). 
6. Maior consumo de água: uma vaca em lactação com 500 kg bebe, em média, 50 l diários de água quando a 
21
o
 C, aumentando esse consumo de 25 a 100% sob temperatura de 32
o
 C; 
7. Elevação da temperatura corporal; 
8. Alterações na utilização da água corporal; 
9. Mudanças no estado de hidratação. 
 
Integração das respostas ao estresse causado pelo frio são: 
Sob condições ambientais frias, ocorre a vasoconstrição periférica, resultando em baixo gradiente de 
temperatura entre a pele e o ambiente, reduzindo as perdas por convecção e irradiação. Ocorre piloereção, 
aumentando a camada de ar que proporciona um maior isolamento da superfície da pele e aumenta da 
produção metabólica de calor por termogênese mediante tremores e não-tremores. A exposição prolongada ao 
frio resulta em aumento da secreção de tiroxina e do metabolismo basal (aumenta a produção basal de calor). 
Nas épocas mais frias do ano, a espessura da pelagem aumenta. 
 
Choque pelo calor: ocorre quando a produção ou ganho de calor excede as perdas, resultando em um 
aumento da temperatura corporal (hipertermia). Quando a temperatura corporal ultrapassa 41,5 a 42,5
o
 C, a 
função celular fica seriamente prejudicada e o animal perde a consciência. A temperatura letal é aquela na 
qual ocorre a morte do animal (44 a 45
o
 C). Segundo RUTZ (1994), a temperatura letal para aves é de 
aproximadamente 47
o
C. 
 
Hipotermia: ocorre quando as perdas de calor ultrapassam a sua produção e ganho, de forma que a 
temperatura corporal cai a níveis perigosos. Animais jovens e doentes necessitam maiores cuidado. A 
capacidade hipotalâmica de regular a temperatura corporal fica bastante prejudicada a uma temperatura abaixo 
de 29
o
 C e ocorre parada cardíaca em torno de 20
o
 C. 
 O desenvolvimento da atividade termorreguladora nas aves atinge sua plenitude entre 10 a 15 dias de 
vida pós-natal. Assim, o pinto recém nascido depende de fonte externa de energia, ou respostas 
comportamentais para termorregulação, sendo sua temperatura ao redor de 39 a 40o
C (MACARI et al., 1994). 
 É usual no manejo, o uso de campânulas de aquecimento nos primeiros 10 dias de vida do pinto, em 
função da deficiência do sistema termorregulador do pinto. As campânulas de calor radiante são mais 
eficientes que as de convecção, pois estas últimas podem aumentar a velocidade do ar pelas correntes de 
convecção. 
 
Febre: é uma elevação da temperatura corporal, resultante de um aumento no “set point”, provocado por 
pirógenos exógenos e/ou endógenos (Figura 9). O organismo inicia respostas para conservar e produzir calor 
até que a temperatura corporal alcance o novo “set point”. Acredita-se que a produção local de prostaglandina 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 56 
(E1) no hipotálamo esteja envolvida na elevação do “set point”. Por essa razão, os bloqueadores da 
cicloxigenase como a aspirina e a fenilbutazona são usados para tratar a febre. 
Figura 9. Eventos envolvidos na febre. A exposição a um pirôgeno eleva o ponto fixo (“set-point) do sistema 
regulador da temperatura, resultando em produção e conservação de calor para elevar a 
temperatura do corpo, o que causa a febre. Quando a febre cessa, o ponto fixo abaixa, e o corpo 
precisa perder calor (CUNNINGHAN, 1990). 
 
 
 
LITERATURA CONSULTADA: 
BACCARI JR., F. Manejo ambiental para produção de leite nos trópicos. In: CICLO INTERNACIONAL 
DE PALESTRAS SOBRE BIOCLIMATOLOGIA ANIMAL, I, 1986, Botucatu. Anais... Jaboticabal: 
FUNEP, 1989. p.45-53. 
BAÊTA, F.C. Acondicionamento térmico natural de galpões avícolas. In: SIMPÓSIO GOIANO DE 
AVICULTURA, III, 1998, Goiânia. Anais... Goiânia: UFG/AGA, 1998. p.29-34. 
CUNNINCHAM, J.G. Tratado de Fisiologia Veterinária. Rio de Janeiro: GUANABARA KOGAN, 1990. 
454p. 
ENCARNAÇÃO, R.O. Estresse e produção animal. In: CICLO INTERNACIONAL DE PALESTRAS 
SOBRE BIOCLIMATOLOGIA ANIMAL, I, 1986, Botucatu. Anais... Jaboticabal: FUNEP, 1989. p.111-
129. 
MACARI, M., FURLAN, R.L., GONZALES, E. Fisiologia aviária aplicada a frangos de corte. Jaboticabal: 
FUNEP, 1994. 296p. 
NAAS, I.A. Princípios de conforto térmico na produção animal. São Paulo: Ícone, 1989. 183p. 
NAAS, I.A. Ventilação e climatização para frangos de corte. In: CONFERÊNCIA APINCO DE CIÊNCIA E 
TECNOLOGIA AVÍCOLAS, 1997, São Paulo. Anais... Campinas: FACTA, 1997. p.108-119. 
ROBINSON, N.E. Termorregulação. In: CUNNINGHAM, J.G. Tratado de fisiologia veterinária. .ed. Rio 
de Janeiro: Guanabara Koogan, 199 . cap.51, p.427-435. 
RUTZ, F. Aspectos fisiológicos que regulam o conforto térmico das aves. In: CONFERÊNCIA APINCO DE 
CIÊNCIA E TECNOLOGIA AVÍCOLAS, 1994, Santos. Anais... Campinas: FACTA, 1994. p.99-110. 
SILVA, R.G., GAUDIOSI, M.C. Termólise evaporativa em ovinos sob altas temperaturas. In: CONGRESSO 
BRASILEIRO DE BIOCLIMATOLOGIA, I, Jaboticabal, 1995. Resumos das Comunicações... 
Jaboticabal: SILVA, R.G., 1995. p.17. 
SILVA, R.G. Introdução à bioclimatologia animal. São Paulo: NOBEL, 2000. 
TITTO, E.A.L. Taxa de sudação e composição mineral do suor de eqüinos das raças bretão, anglo-árabe e 
mangalarga. Botucatu, 1994. 39p. Tese (Doutorado em Zootecnia) - Faculdade de Medicina Veterinária e 
Zootecnia - UNESP, Câmpus de Botucatu. 
 
 
 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 57 
EXERCÍCIOS PROPOSTOS: 
1) Com relação a manutenção da temperatura corporal, como os animais são classificados? Exemplifique. 
2) O que significa metabolismo basal? 
3) Quais são os tipos de termogênese? 
4) Como um animal pode ganhar calor do ambiente? 
5) O que são perdas sensíveis de calos? Exemplifique? 
6) O que são perdas insensíveis de calor? Exemplifique? 
7) Qual a diferença entre um animal estar com febre e com hipertermia? 
8) O que significa hipotermia? 
9) O que é “set-point” termorregulador e qual sua localização no corpo dos animais? 
10) Como se comportam as perdas de calor sensíveis e insensíveis do corpo de um animal, a medida quea 
temperatura do ambiente aumenta? 
11) Qual é a relação entre a umidade relativa do ar e as perdas insensíveis? 
12) Cite 5 animais cuja perda de calor por ofêgo é um mecanismo importante? 
13) Cite 5 animais cuja perda de calor por sudorese é um mecanismo importante? 
14) Animais recém-nascidos são muito sensíveis ao frio? Por que? 
15) Quando submetemos um animal ao ambiente quente, qual a primeira alteração fisiológica que ocorre em 
seu organismo? Por quê? 
16) Quando submetemos um animal ao ambiente frio, qual a primeira alteração fisiológica que ocorre em seu 
organismo? Por quê? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 58 
Aula 06 - Zona de Termoneutralidade e Índices de Adaptação e de Conforto Térmico 
 
 
I. ZONA DE TERMONEUTRALIDADE 
 
As aves, como os mamíferos, são animais homeotermos e como tal, devem manter a temperatura 
corporal relativamente constante. Para que isto aconteça é indispensável que estes animais tenham condições 
de gerar ou dissipar calor de acordo com a temperatura efetiva do ambiente (PENZ JR., 1989). 
A ave produz calor continuamente através do processo metabólico e atividade muscular. O calor 
produzido pelo corpo deve ser eliminado ou a temperatura corporal elevar-se-á (PENZ JR., 1994). 
 Zona de termoneutralidade ou de conforto térmico é a faixa de temperatura ambiente efetiva, dentro 
da qual o custo fisiológico é mínimo e o desempenho produtivo esperado é máximo. Para poderem expressar 
seu potencial genético para a produção, os animais devem contar com condições meteorológicas que, 
idealmente, devem situar-se na zona de termoneutralidade, com alimentação adequada, quantitativa e 
qualitativamente. Dentro da zona de termoneutralidade o animal mantém uma variação normal da temperatura 
corporal, o apetite é normal e a produção ótima. 
 Na zona de conforto térmico, a taxa metabólica é mínima e a homeotermia é mantida com menos 
gasto energético. Assim, na zona de termoneutralidade, a fração de EM utilizada para a termogênese é mínima 
e a energia líquida de produção é máxima (Mount, 1979, citado por MACARI et al., 1994). 
Zona de termoneutralidade representa a amplitude de variação da temperatura ambiente dentro da qual 
os animais apresentam metabolismo mínimo, sem demonstrar quaisquer sintomas de desconforto térmico 
(BLIGH e JOHNSON, 1973). Nesta faixa, os animais podem manter a homeotermia somente as custas de 
compensações físicas (PENZ JR., 1989). A zona de termoneutralidade é limitada em ambos os extremos pela 
temperatura crítica inferior (TCI) e pela temperatura crítica superior (TCS). 
 Abaixo da temperatura crítica inferior os animais entram em estresse pelo frio e precisam produzir 
calor para manter a temperatura corporal. Acima da temperatura crítica superior sofrem estresse pelo calor e 
necessitam mobilizar mecanismos fisiológicos de perda de calor para manter a temperatura corporal em níveis 
normais. Sob estresse por calor a temperatura corporal pode aumentar e chegar a hipertermia (excesso de calor 
no corpo), associada a diminuição do apetite e menor ingestão de alimento (para baixar a taxa metabólica), 
resultando na diminuição dos desempenhos produtivo e reprodutivo. 
 Dentro da zona de termoneutralidade, o gasto de energia para a mantença do animal é constante e num 
nível mínimo, e a retenção de energia da dieta é máxima. Deste modo, a energia do organismo pode ser 
dirigida para os processos produtivos, além dos de manutenção, não havendo desvio de energia para manter o 
equilíbrio fisiológico (BACARI,1993). 
 O ambiente térmico ótimo corresponde a uma amplitude de variação da temperatura bem estreita e 
dentro da qual o organismo encontra condições perfeitas para a expressão de suas melhores características 
(ótimo para performance, reprodução e saúde). 
 
 
Temperatura crítica 
inferior 
 Temperatura crítica 
superior 
 
 
 ZONA DE TERMO 
Stress pelo frio NEUTRALIDADE Stress pelo calor 
 
 
 
 
Frio 
Ambiente Térmico 
Ótimo 
 
 
Quente 
 
Baixa TEMPERATURA AMBIENTE EFETIVA Alta 
 
Figura 1. Representação esquemática da zona de termoneutralidade (National Research Council, 1981). 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 59 
 A temperatura ambiente sozinha é uma representação inadequada do ambiente térmico. A zona de 
termoneutralidade é definida baseando-se na temperatura ambiente efetiva. Segundo AMES (1981), esta é um 
índice do poder de aquecimento e resfriamento do ambiente em termos de temperatura de bulbo seco e inclui, 
além da temperatura do ar, elementos climáticos que alteram a demanda de calor ambiente como a radiação 
solar, vento, umidade e precipitação. Entretanto, freqüentemente a zona de termoneutralidade é referida 
apenas em termos de temperatura do ar. 
 
 
Figura 2. Temperaturas críticas ambientais (HAFEZ, 1973). 
 
 As temperaturas críticas podem variar em função do estado fisiológico, da raça ou espécie, da idade, 
da ingestão de alimentos, do grau de aclimatação e de patologias e parasitoses. Valores mais altos de 
temperatura crítica superior indicam maior tolerância ao calor e valores mais baixos de temperatura crítica 
inferior indicam maior tolerância dos animais ao frio. 
 A temperatura crítica superior tende a ser excedida entre os animais de elevada produção (HAHN, 
1993). No caso de uma vaca leiteira, estar sob uma temperatura acima da crítica superior (25
o
C), sofrerá 
estresse térmico, que causará um aumento de sua temperatura corporal com a conseqüente inibição do apetite 
e menor ingestão de alimentos, resultando em uma diminuição da produção de leite. Os animais submetidos ao 
estresse pelo calor apresentam uma diminuição na taxa de crescimento (ganho de peso), na produção de leite e 
ovos e falhas na reprodução, que baixam os índices de fertilidade dos rebanhos (BACCARI, 1988). 
 As aves, assim como os mamíferos, tem mais capacidade de se adaptar em ambientes frios que em 
ambientes quentes, refletindo a razão porque os animais sofrem mais com o estresse causado pelo calor que 
pelo frio (PENZ JR, 1989 e RUTZ, 1994). Entretanto, ao contrário dos mamíferos, as aves possuem maior 
área de superfície corporal em relação ao peso, trocando mais temperatura com o meio. Assim, em caso de 
queda brusca da temperatura, as aves sofrem mais que os mamíferos (RUTZ, 1994). 
 Em situações onde a temperatura ambiente estiver dentro da zona de termoneutralidade das aves as 
perdas de calor corporal ocorrerão preferencialmente por radiação. Entretanto, quando as aves estiverem em 
ambiente muito quente o mecanismo preferencialmente empregado será a evaporação. Porém, com elevada 
umidade relativa do ar (acima de 60%) a eficiência da perda de calor por evaporação diminui para cerca de um 
terço. Em aves, esta perda por evaporação ocorre exclusivamente pela respiração, uma vez que as aves não 
tem glândulas sudoríparas (PENZ JR, 1989). 
 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 60 
 v  u  r u 
Produção e r m v a m 
de leite, n a i e d i 
Kg/dia t d d Zona de conforto n i d 
 o i a t a a 
  a d o ç d 
 ç e ã e 
 ã  o  
20 o  
 
 
 
 
 -20 0 20 40
o
C 
Figura 3. Ilustração da zona de termoneutralidade em função do efeito sobre a produção de leite. As setas 
verticais sugerem a alteração da zona de termoneutralidade para a produção de leite por 3 elementos 
climáticos diretos associados à temperatura como o vento, a radiação solar e a umidade relativa do 
ar. A zona de termoneutralidade mais estreita é sugestiva de diferenças nesta zona devidas à espécie, 
nível de aclimatação e outras influências (JOHNSON, 1965). 
 
 Um dos principais fatores que afetam a zona de conforto térmico é a idade do animal. Com o 
desenvolvimento do frango de corte, e a conseqüente maturação do sistema termorregulador e aumento da 
atividade energética, a zona de conforto térmico é reduzida de 35oC, com 1 dia de idade, para 24
o
C, com 4 
semanas de idade e, para 21-22
o
C com 6 semanas de idade (MACARI et al., 1994). Além da idade, o peso 
corporal, o nível de produção, a espécie e raça também podem afetar a zona de termoneutralidade dos animais 
(Tabela 1, 2, 3 e 4). 
 
Tabela 1. Zona de termoneutralidade ou de conforto térmico para os animais domésticos (
o
C). 
Espécie TCI TCS Faixa Ótima 
Coelho 10 30 18-21 
Suínos 
 com 20 kg 13 26 18-21 
 com 60 kg 8 24 15-18 
 com 100 kg 5 23 15-17 
Vaca leiteira 
 com 10 kg de leite/dia -5 26 5-15 
 com 22 kg de leite/dia -5 25 5-15 
Ovelha 
 lanada -15 30 2-16 
 tosquiada 17 27 21-24 
Caprinos 30-40 
Búfalos 27 18-23 
Frango de corte 24 21-22 
Poedeiras 15 25 18-22 
Amimais de Laboratório 
Hamster 15 29 21-23 
Cobaia 18 29 23-25 
Rato 18 29 23-25 
Camundongo 18 29 23-25 
Gérbil 18 29 23-25 
TCI = temperatura crítica inferior. TCS = temperatura crítica superior. 
Obs.: a umidade relativa considerada adequada para os animais de laboratório situa-se entre 30 e 70 %, com 
exceção do gérbil que é de 30 a 50 %. 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 61 
Tabela 2. Zona de termoneutralidade para bovinos leiteiros. 
Autores TCI TCS Animais 
RHOAD (1936) 11,0 23,0 Bovinos de origem européia 
JONHNSON & VANJONACK (1976) 1,7 21,0 Vacas em lactação 
HAHN (1981) 4,0 24,0 Vacas leiteiras, UR  75% 
YOUNG (1981) - 25,0 25,0 Holandesa, pico de lactação 
SHARMA et al. (1988) 5,0 22,0 Vacas em lactação 
SHEARE & BEEDE (1990) 5,0 25,0 Holandesas em lactação 
HUBER (1990) 4,0 26,0 Holandesas em lactação 
TCI= temperatura crítica inferior; TCS= temperatura crítica superior. 
 
Tabela 3. Temperaturas retais (variação e média) de animais domésticos em condições de termoneutralidade, 
dentro da amplitude delimitada pelas temperaturas críticas inferior (TCI) e superior (TCS). 
Animais Temperatura Retal, 
o
C TCI, 
o
C TCS, 
o
C 
Bovinos: 
 Taurinos, adultos 37,5 - 39,3 (38,3) -6 27 
 Taurinos, bezerros - 13 25 
Zebuínos 38,5 - 39,7 (39,1) 7 35 
Ovinos: 
 Europeus, adultos 38,3 - 40,0 (39,1) -2 20 
 Europeus, cordeiros - 29 30 
 Deslanados 38,9 - 40,5 (39,8) - - 
Suínos: 
 Adultos 38,7 - 39,8 (39,2) 0 15 
 Leitões - 32 33 
Caprinos (adultos) 38,7 - 39,8 (39,9) 10 30 
Galinhas: 
 Poedeiras 40,6 - 43,0 (41,7) 7 21 
 Frangos 13 27 
 
Tabela 4. Temperaturas ambientes recomendadas para galpões de aves, suínos, vitelos e coelhos. 
Animais Peso (kg) Temperatura Ideal (
o
C) 
Aves: 
Galinhas 18 a 24 
Frangos novos 27 a 28 
Frangos em acabamento 20 a 22 
Perus novos 29 
Perus em acabamento 16 a 19 
Suínos confinados: 
 5 24 a 32 
 20 21 a 31 
 40 18 a 30 
 80 14 a 28 
 140 12 a 30 
Vitelos: -5 a 20 
Coelhos: 
Engorda 12 a 30 
Adultos 10 a 30 
Filhotes novos 15 a 30 
HAHN (1993). 
 
 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 62 
II. ÍNDICES BIOCLIMÁTICOS OU DE CONFORTO TÉRMICO 
 Segundo SILVA (1996), os fatores a serem considerados nadeterminação do conforto térmico e nas 
condições de adaptação dos animais a ambientes específicos são: 
 
Ambiente: temperatura do ar, temperatura radiante, radiação solar, umidade do ar, vento, pressão atmosférica. 
 
Capa externa: espessura, estrutura, isolamento térmico, penetração pelo vento, ventilação, permeabilidade ao 
vapor, transmissividade, emissividade, absorvidade. 
 
Características corporais: forma corporal, tamanho e movimentos, área de superfície radiante, área exposta a 
radiação solar direta, emissividade da epiderme, absorvidade da epiderme. 
 
Respostas fisiológicas: Temperatura (epiderme, retal, etc.), taxa de sudação, trocas respiratórias, produção, 
taxa de crescimento e desenvolvimento, níveis hormonais (T3, T4, cortisol, etc.), metabolismo. 
 
 O objetivo fundamental dos índices é combinar diversos fatores, de modo a que os efeitos de 
diferentes ambientes, tipos de capa externa, atividades físicas e respostas fisiológicas, comportamentais, 
produtivas e reprodutivas possam ser comparadas entre si, permitindo a avaliação de animais e dos ambientes. 
 
 
1. ÍNDICES BASEADOS EM MEDIDAS AMBIENTAIS. 
 Existem diversos índices cujo objetivo é determinar a adequação de um ambiente com relação a uma 
atividade ou a um tipo especificado de animal. Tais índices dificilmente podem ser de uso generalizado, uma 
vez que são estruturados com base em determinados fatores ambientais, os quais podem ser importantes para 
alguns animais e não para outros. Além, disso, certos índices são baseados em associações de fatores 
ambientais, que ocorrem em locais determinados (SILVA, 1996). 
 
 
1.1. Temperatura Operativa (To) (Herrington et al., 1937): 
 Baseia-se no fato de que a ação de uma determinada temperatura sobre um organismo depende da 
influência combinada de outros fatores (radiação, vento, umidade, etc.). 
 
To = (hcTa + hrTr)ho , 
o
K 
 
 Onde: ho = hc + hr 
 Ta = temperatura do ar, 
o
K 
 Tr = temperatura radiante média, 
o
K 
 hc = coeficiente de convecção 
hr = coeficiente de transferência térmica por radiação =  (T +TTr + TsT +T) 
 = constante de Stefan-Boltzmann (5,6697 x 10-8Wm-2oK-4) 
 
 
1.2. Índice de estresse térmico de Givoni (ts) (Givoni, 1963): 
 Destina-se a prever a taxa de sudação necessária para levar ao equilíbrio térmico, seres humanos 
vestidos com roupa leve de verão. 
 
ts = 35 + 6 (to - 35), 
o
C 
 
Onde: ts = temperatura da epiderme (
o
C); 
to = temperatura operativa (
o
C). 
 
 Possível utilização em eqüinos, já que nesta espécie a sudação é quase tão importante quanto para 
seres humanos. 
 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 63 
1.3. Índice de temperatura e umidade (THI): 
Foi desenvolvido por Thom (1958) e empregado pelo “U. S. National Weather Service” desde 1959. 
Leva em consideração pesos para as temperaturas dos termômetros de bulbo seco e de bulbo úmido ou a 
temperatura do ponto de orvalho para relação com o desempenho produtivo dos animais (Kelly & Bond, 
1971). Os valores do índice podem ser calculados a partir da temperatura do bulbo seco mais uma medida de 
umidade. 
 
THI = ts + 0,36 tpo + 41,2 (BACCARI et al., 1983) 
Onde: ts = temperaturas do termômetro de bulbo seco, 
o
C; 
 tpo = temperatura do ponto de orvalho, oC. 
 
THI = ts - 0,55.(1 -UR).(ts - 58) (KELLY & BOND, 1971) 
Onde: ts = temperatura do termômetro de bulbo seco em graus Fahrenheit (
o
F); 
 UR = umidade relativa do ar expressa como uma fração decimal. 
 
THI = 0,72.(ts + tu) + 40,6 (McDOWELL & JOHNSTON, 1971) 
onde: ts = temperatura do termômetro de bulbo seco, (
o
C); 
 tu = temperatura do termômetro de bulbo úmido, (
o
C). 
 
Em função de diversas combinações de temperatura e umidade relativa do ar foi estabelecido o 
“Livestock Weather Safety Index” para previsão, inclusive das perdas de animais por morte, com base no 
índice de temperatura e umidade. Referindo-se à publicação do “U.S. National Weather Service (1976), 
ROSEMBERG et al. (1983) classificam o índice de temperatura e umidade em amplitudes, de modo que 
quando ele se situa entre 75 e 78 significa ALERTA para os produtores, no sentido de que precauções são 
necessárias para evitar as perdas. O THI na amplitude 79 a 83 significa PERIGO, principalmente para os 
rebanhos confinados, e medidas de segurança devem ser empreendidas para evitar perdas desastrosas. Um 
THI maior ou igual a 84 significa EMERGÊNCIA e providências urgentes devem ser tomadas. 
 
 
Figura 4. Declínio na produção de leite em função do índice de temperatura e umidade (THI). A curva 
superior refere-se a vacas de menor produção, a do meio corresponde às de produção intermediária 
e a inferior às de maior produção (JOHNSON & VANJONACK, 1976). 
 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 64 
Logo, acima de 75 já ocorrem prejuízos produtivos nos animais devido ao estresse térmico. De acordo 
com McDOWELL & JOHNSTON (1971), bovinos de todas as idades mostraram graus mensuráveis de 
desconforto térmico com índice de temperatura e umidade igual ou superior a 78 e o desconforto se tornou 
agudo à medida que o THI aumentou. 
 De acordo com HAHN (1985) um valor de THI igual a 70 ou menos indica condição normal, não 
estressante; um valor entre 71 e 78 é crítico; entre 79 e 83 indica perigo e acima de 83 já constitui uma 
emergência. Segundo este autor, tais faixas seriam válidas para animais domésticos em geral e não apenas 
para vacas. 
 Na Figura 4, verifica-se que a produção de leite começa a declinar a partir do THI = 72, sendo a queda 
maior com o aumento do valor do índice para as vaca mais produtoras, pois estas possuem taxa metabólica 
mais elevada e, portanto, são mais sensíveis ao estresse térmico. 
 
 
Temperatura de globo negro (BGT): 
 Quando, entre outros fatores, visa-se o conforto térmico animal em climas quentes, deve-se considerar 
o efeito da radiação solar como uma parte significativa da transferência de calor entre um animal e seu meio 
(NAAS, 1994). 
O termômetro de globo negro de Vernon ou globotermômetro fornece numa só medida em graus 
centígrados, uma indicação dos efeitos combinados de temperatura do ar, temperatura radiante e velocidade do 
vento (BOND & KELLY, 1955), provendo uma medida indireta do calor radiante ou carga térmica radiante 
(CTR) do ambiente (COX, 1979). A leitura é expressa em temperatura de globo negro (Tgl, 
o
C). 
Consiste de uma esfera oca de cobre com 15 cm de diâmetro e pintada externamente de preto fosco 
para absorver o máximo de radiação infravermelha incidente. No seu interior tem um termômetro de mercúrio, 
cujo bulbo situa-se no centro da esfera. 
 O termômetro de bulbo negro tem como desvantagem o fator custo, tornando raro o seu uso. Porém, é 
possível o emprego de materiais alternativos (plástico), na sua confecção, já que os valores de temperatura 
observados são similares aos obtido com o termômetro de globo convencional, com uma redução de custo de 
90 % (NAAS, 1994), viabilizando o uso do termômetro de bulbo negro pelos produtores rurais, para o 
monitoramento das instalações. 
 Segundo NAAS (1989), vários autores estudaram as aplicações práticas deste tipo de termômetro em 
estudos de ambiência ou conforto térmico, e algumas das conclusões mais importantes, são: 
1. A temperatura de globo está correlacionada com a “sensação de calor” e aparentemente indica o estresse 
térmico sentido pelo animal. 
2. Em experimentos de campo para a determinação da carga térmica radiante, o termômetro de globo 
mostrou-se eficiente, apontando, por exemplo, que a utilização de sombreamento reduz em até 20% a carga 
térmica radiante direta sobre os animaisà pasto. 
3. A utilização de uma esfera como superfície de referência, simplifica os cálculos da carga total radiante de 
um certo ambiente. Naturalmente que a carga térmica sobre uma esfera é numericamente diferente da carga 
térmica sobre uma pessoa ou animal, mas, para efeitos práticos, a simulação de uma esfera preta em 
determinado ponto pode representar a posição de um animal. 
 
 
Temperatura de globo úmido (WGT): 
 O termômetro de globo úmido ou “Botsball” deve ser colocado no local onde se encontra o animal, na 
altura do mesmo, para que as medidas expressem de maneira o mais real possível as condições do ambiente. 
 
 
1.4. Índice de globo e umidade (BGHI): 
 Considerando que a radiação térmica é um dos mais importantes fatores ambientais, especialmente 
para animais a campo aberto, BUFFINGTON et al. (1981) propuseram para vacas leiteiras uma modificação 
do THI, que denominaram Índice de Globo e Umidade (Black Globe-Humidity Index, BGHI). 
 
BGHI = tg + 0,36tpo + 41,5 
 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 65 
Onde: tg = temperatura (oC) do globo de Vernon colocado no mesmo local do animal; 
 Tpo = temperatura do ponto de orvalho, oC. 
 
 O BGHI é um indicador mais acurado que o THI do conforto térmico de animais expostos a ambientes 
tropicais, com temperaturas elevadas e radiação solar intensa. 
 
 
1.5. Índice de conforto térmico para ovinos (TCI) (SILVA & BARBOSA, 1993). 
 Específico para a classificação de ambientes para criação de ovinos. 
 
TCI = 0,659ta + 0,511p + 0,550tg - 0,042v 
 
 Onde: ta = temperatura do ar (
o
C); 
 p = pressão parcial de vapor d’água (kPa); 
 tg = temperatura do globo de Vernon; 
 v = velocidade do vento (m/s). 
 
 Os resultados tem demonstrado que a temperatura retal de ovinos da raça Ideal mantém-se normal e 
estável sob valores de TCI entre 20 e 37, subindo até 40oC quando o TCI atingia 50. Já os animais Suffolk 
aumentavam rapidamente a temperatura retal a partir de TCI=20, atingindo 40oC sob TCI=38; esta 
temperatura era atingida pelos Corriedale sob TCI=43. A freqüência respiratória também sofre efeitos 
significativos com a variação do TCI: estando este valor abaixo de 25, a freqüência respiratória dos Ideal 
mantinha-se menos que 90 respirações/minuto, aumentando rapidamente entre TCI=35 (124 resp./min.) e 
TCI=48 (280 resp./min.). O TCI é superior ao THI e ao BGHI no que se refere à avaliação do ambiente para 
ovinos. 
BARBOSA & SILVA (1995a) testaram a nova equação do índice de conforto térmico para ovinos 
(ICT = 0,6678ta + 0,4969p + 0,5444tg + 0,1038v) comparando-o com o THI (índice de temperatura e umidade) 
e com o BGHI (índice de umidade do termômetro de globo) e concluíram pela superioridade do ICT frente aos 
outros índices testados. 
 BARBOSA & SILVA (1995b) utilizaram o ITC (ICT = 0,6678ta + 0,4969p + 0,5444tg + 0,1038v) 
para fazer um zoneamento bioclimático da ovinocultura nos Estados de São Paulo e Paraná e concluíram que 
as regiões Noroeste do Paraná (Nova Esperança, Paranavaí e Nova Londrina) e Noroeste e Oeste de São Paulo 
(Presidente Prudente, Araçatuba, São José do Rio Preto) seriam as mais apropriadas para os animais da raça 
Ideal, pelas suas características de alta temperatura e baixa umidade. Uma extensa faixa ao longo do litoral de 
ambos os Estados, entrando cerca de 200 km para o interior, até os limites das cidades de Itapeva, Tatuí, 
Campinas e Caconde, em São Paulo, Castro, Telêmaco Borba, Laranjeiras do Sul e Pato Branco, no Paraná, 
permitiria a criação de animais da raça Suffolk e, em alguns pontos também adequada para a raça Corriedale, 
não sendo favorável para a raça Ideal. A parte central de ambos os Estados abrangendo as cidades de 
Botucatu, Piracicaba, Casa Branca, Ribeirão Preto, Jaboticabal, Barretos, Catanduva, Marília, Assis, em São 
Paulo, e Palotina, Umuarama, Maringá, Londrina, Cambará, Jaguariaíva, Pitanga e Francisco Beltrão, no 
Paraná, é adequada para a raça Corriedale e até certo ponto para a raça Suffolk. 
 
 
1.6. Índice de temperatura equivalente (ETI) (BAETA et al., 1987). 
 Combina os efeitos da temperatura, umidade e velocidade do vento sobre o equilíbrio térmico de 
vacas leiteiras. Expresso em graus oC. 
 
ETI = 27,88 - 0,456ta + 0,010754ta
2
 - 0,4905U + 0,00088U
2
 + 1,1507V - 0,126447V
2
 + 0,019876Uta - 
0,046313Vta 
 
Onde: ta = temperatura do ar (
o
C); 
 U = umidade relativa (%); 
 V = velocidade do vento (m/s). 
 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 66 
 Escalas de risco que podem ser considerada para os animais, conforme a faixa de ETI: 
 ausência de problemas: .......18 a 27; 
 cautela: ................................27 a 32; 
 cautela extrema: ..................32 a 38; 
 perigo: ..................................38 a 44; 
 perigo extremo: .....................acima de 44oC. 
 
 
1.7. Ambiente Equivalente: 
 Conforme Kerslake (1972) a taxa de termólise evaporativa requerida para eliminar toda a energia 
térmica que chega a superfície da epiderme é: 
 
Ereq = Hs - ho(ts - to), W/m
2
 
 
Onde: Hs = quantidade total de calor que deve ser eliminado ao nível da epiderme. 
 Considerando para um determinado animal que a taxa de sudação é plenamente suficiente para manter 
úmida sua epiderme, a termólise evaporativa máxima em uma dada condição ambiental será dada por: 
 
Emax = he (Ps{ts} - Ps{ta}), W/m
2
 
 
Onde: he = coeficiente de evaporação (W.m
-2
.kPa
-1
); 
 Ps{ts} = pressão de saturação de vapor à temperatura ts; 
 Ps{ta} = pressão de saturação de vapor à temperatura ta. 
 
 
1.8. Índice de estresse de calor de Belding-Hatch: 
 Desenvolvido por Belding & Hatch (1955) para uso em seres humanos, consiste na relação entre Ereq e 
Emax. 
 
HSI = Ereq/Emax 
 
 Como a evaporação respiratória é desprezada neste índice, o mesmo não pode ser utilizado para 
animais nos quais esse mecanismo seja importante. 
 
 
1.9. Índice de Globo Úmido: 
 O conceito de índice de globo úmido (Wet Bulb GlobeTemperature, WBGT) descreve um índice do 
estresse térmico total imposto por uma dada combinação de fatores ambientais sobre um indivíduo que sua, 
tendo sido proposto originalmente por Yaglou & Minard (1957). 
 
WBGT = 0,7tw + 0,2tg + 0,1ta 
 
Onde: tw = temperatura de bulbo úmido medida em um psicrômetro exposto a radiação solar direta, 
mas não ventilado artificialmente, 
o
C; 
 tg = temperatura de um globo de Vernon, 
o
C; 
Ta = temperatura do ar, 
o
C; 
 
 No caso de não ser possível dispor-se de uma medida de tw, pode ser usada a fórmula alternativa: 
 
WBGT = 0,7tu + 0,3tg 
Onde: tu = temperatura de bulbo úmido tomada da forma normal, isto é, com psicrômetro protegido 
da radiação solar direta. 
 
A principal deficiência deste índice é a não consideração do movimento do ar. 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 67 
2. ÍNDICES BASEADOS EM MEDIDAS AMBIENTAIS E FISIOLÓGICAS 
 
2.1. Índice Ibéria de tolerância ao calor (Rhoad, 1940): 
 Consiste em se reunir os animais a serem comparados entre si em um curral, onde permanecem 
durante as horas mais quentes do dia, sendo tomadas suas temperaturas retais duas vezes, a primeira às 10h00 
e a segunda às 15h00. O processo é repetido 3 vezes, em dias não necessariamente consecutivos, uma vez que 
é essencial a ocorrência de sol. Com essa seis temperaturas toma-se a sua medida média, tm, e calcula-se: 
 
 ITC = 100 - 18(tm - 38,33) 
 
O valor do ITC varia teoricamente de zero a 100, de modo que um indivíduo cuja temperatura 
corporal não se desvie da normal para a espécie (38,33
o
C) apresentao índice ITC=100. Para zebuínos, o valor 
de ITC está em torno de 93, para Aberdeen Angus é cerca de 52 e para Jersey 86, conforme o autor. 
 
 
2.2. Índice de tolerância ao calor de Rauschenbach-Yerokhin: 
 Rauschenbach & Yerokhin (1975), na Rússia, propuseram um novo procedimento, semelhante ao do 
Índice Ibéria, mas que seria extensivo a três espécies diferentes. 
 
Para bovinos: ITC = 1,2ta - 20d + 52 
 
Para ovinos: ITC = 1,0ta - 20d + 60 
 
Para suínos: ITC = 1,4ta - 20d + 44 
 
 Onde: ta = temperatura do ar (
o
C); 
 d = diferenças entre as temperaturas retais medidas de manhã (09h00) e à tarde 
(15h00). Durante este período de tempo os animais permaneceram expostos à radiação 
solar direta. 
 
 
2.3. Índice de seleção para adaptação de gado de corte (IS) (SILVA, 1973 e 1975): 
 Seleção simultânea para produção e adaptação no gado já existente nas regiões tropicais, baseada nas 
relações genéticas e fenotípicas entre os caracteres de produção e aqueles associados à adaptação. 
 Novilhos de 18 meses de idade são colocados em um curral totalmente expostos ao sol num dia de 
verão, entre as 09h00 e as 15h00, sendo medidos nesses dois horários para a temperatura retal e freqüência 
respiratória. 
 
IS = 100 - 0,026X1 - 0,064X2 - 0,009X3 - 0,133X4 + 0,281X5 
 
 Onde: X1 = temperatura retal de manhã; 
 X2 = aumento da temperatura retal entre dois horários; 
 X3 = freqüência respiratória de manhã; 
 X4 = logarítimo decimal do aumento da freqüência respiratória entre os dois horários; 
 X5 = ganho diário médio de peso entre a desmama e os 18 meses de idade. 
 
 Quanto mais alto o valor de IS, tanto maior o mérito do animal para a reprodução, uma vez que esse 
valor estima o mérito genético aditivo. 
 
 
 
 
 
 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 68 
LITERATURA CONSULTADA: 
BACCARI JR., F. Estresse térmico causa queda na produção animal. Folha de São Paulo, São Paulo, 09 de 
agosto de 1988. Agrofolha, p.C-6. 
BARBOSA, O.R., SILVA, R.G. Índice de conforto térmico para ovinos. Revista da Sociedade Brasileira de 
Zootecnia, v.24, p. 874-883, 1995a. 
BARBOSA, O.R., SILVA, R.G., SCOLAR, J. et al. Utilização de um índice de conforto térmico em 
zoneamento bioclimático da ovinocultura. . In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIOCLIMATOLOGIA, 
I, Jaboticabal, 1995. Anais... Jaboticabal: FUNEP, 1995b. p.251-259. 
HAHN, G.L. Bioclimatologia e instalações zootécnicas: aspectos teóricos e aplicados. Jaboticabal: FUNEP, 
1993. 28p. 
MACARI, M., FURLAN, R.L., GONZALES, E. Fisiologia aviária aplicada a frangos de corte. Jaboticabal: 
FUNEP, 1994. 296p. 
NAAS, I.A. Princípios de conforto térmico na produção animal. São Paulo: Ícone, 1989. 183p. 
NAAS, I.A. Aspectos físicos da construção no controle térmico do ambiente das instalações. In: 
CONFERÊNCIA APINCO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA AVÍCOLAS, 1994, Santos. Anais... 
Campinas: FACTA, 1994. p.111-118. 
PENZ JR., A.M. Estresse pelo calor: efeitos em frangos de corte e matrizes. Manipulação do equilíbrio ácido-
base. . In: CONFERÊNCIA APINCO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA AVÍCOLAS, 1989, Campinas. 
Anais... Campinas: APINCO, 1989. p.139-146. 
RUTZ, F. Aspectos fisiológicos que regulam o conforto térmico das aves. In: CONFERÊNCIA APINCO DE 
CIÊNCIA E TECNOLOGIA AVÍCOLAS, 1994, Santos. Anais... Campinas: FACTA, 1994. p.99-110. 
SILVA, G.G., BARBOSA, O.R. Thermal comfort index for sheep. In: INTERNATIONAL CONGRESS OF 
BIOMETEOROLOGY, 13, 1993, Calgary. Proceedings... Calgary, Alberta, Canada, 1993. v.2, p.383-
392. 
SILVA, R.G. Introdução à bioclimatologia animal. São Paulo: NOBEL, 2000. 286p. 
 
 
EXERCÍCIOS PROPOSTOS: 
1) Defina zona de temoneutralidade? 
2) O que significa temperatura crítica superior e temperatura crítica inferior? 
3) Quais fatores podem alterar a zona de termoneutralidade dos animais de interesse zootécnico? 
4) Qual o objetivo de se estabelecer índices bioclimáticos ou de conforto térmico para os animais de interesse 
zootécnico? 
5) Dados: temperatura do bulbo seco (ts = 33 oC) e temperatura do bulbo úmido (tu = 29oC), calcular: 
a) Umidade relativa do ar (%) 
b) Umidade absoluta do ar (g H2O/m3) 
c) Temperatura do ponto de orvalho 
d) Umidade de saturação do ar (g H2O/m3) 
e) Índice de temperatura e umidade 
f) Índice de conforto térmico para ovinos 
g) Índice de temperatura equivalente 
h) Índice de globo úmido 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 69 
Aula 07 - Estresse e Estressores. Conceitos e fisiologia. Estresse climático. 
 
 
 O termo estresse foi utilizado pela primeira vez pelo austríaco Hans Seyle em 1936, que o definiu 
como sendo o estado do organismo, o qual, após a atuação de agentes de quaisquer natureza, responde com 
uma série de reações não específicas de adaptação (ENCARNAÇÃO, 1989). 
 Estresse é um termo científico muito usado, contudo é uma palavra de origem inglesa imprecisa. Seu 
sentido muda de situação para situação, de uso para uso. Porém, há um significado comum na sua definição: 
“estresse atua em detrimento do bem estar do organismo” (FREEMAN, 1987). Estresse é soma de reações 
do organismo a agressões de ordem física, psicológica, infecciosa e outras, capazes de perturbar-lhe a 
homeostase (BACCARI Jr., 1987). 
O ambiente é composto de estressores que interagem entre si, incluindo todas as combinações de 
condições nas quais o organismo vive (ambiente externo e ambiente interno). 
 
Os estressores podem ser: 
 mecânicos (traumatismos); 
 físicos (calor, frio, umidade, eletricidade, som); 
 químicos (drogas); 
 biológicos (agentes infecciosos, estados de nutrição, dor, esforços corporais) 
 fatores psíquicos (medo, ansiedade, isolamento) 
 
 O estresse climático é produzido por fatores climáticos podendo afetar o crescimento, a produção 
(leite, ovos, lã, etc.) e a reprodução animal (Figura 1). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 1. Fatores que afetam o animal induzindo a uma carga de calor (estresse térmico ou climático) sobre 
seu organismo (BACCARI Jr., 1987). 
 
 A interação entre estímulo (estressor) e resposta ao estímulo (somatório das reações não específicas ao 
estressor), manifesta-se na forma de uma síndrome, a síndrome de adaptação geral (“General Adaptation 
Syndrome” - GAS), com a qual o organismo tenta evitar ou reduzir os efeitos de um estressor 
(ENCARNAÇÃO, 1989). 
 
 
SÍNDROME DE ADAPTAÇÃO GERAL OU DE STRESS (Seyle, 1955 citado por BACCARI Jr., 
1987): 
Segundo Seyle (1955) a glândula adrenal desempenha um papel central na resposta aos estímulos 
nocivos (estressores) e no mecanismo de adaptação. A resposta evocada na adrenal pode ser dividida em três 
fases: 1) Reação de alarme, 2) Fase de resistência e 3) Fase de exaustão (Figura 2). 
  Radiação solar (Rs) 
Umidade (U) 
Vento (V) 
Temperatura (T) 
Temperatura corporal (TC) 
Duração da Exposição (De) 
Stress 
Crescimento 
Produção de 
Carne 
Reprodução 
Produção de 
Leite 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 70 
1) Reação de alarme: 
 a adaptação ainda não foi adquirida; 
 organismo mostra as alterações características da primeira exposição a um agente estressor ao qual o 
organismo não estava adaptado qualitativa e quantitativamente (fenômenos não específicos); 
 sua resistência diminui e, se o estressor é suficientemente intenso, pode ocorrer a morte; 
 está sob controle nervoso simpático, envolvendo uma rápida liberação de catecolaminas (adrenalina e/ou 
noradrenalina) pela medulada adrenal e fibras nervosas simpáticas pós-ganglionares. Estes hormônios têm 
o efeito de preparar o animal para lutar ou fugir. 
 manifestações típicas: taquicardia, liberação de açucares armazenados no fígado na forma de glicogênio, 
redistribuição de reservas sangüíneas da pele e vísceras para os músculos e cérebro, a respiração se 
intensifica e os brônquios se dilatam para receber mais oxigênio. 
 hipotálamo libera o hormônio liberador de corticotrofina (CRH), o qual estimula a hipófise a liberar o 
hormônio corticotrófico (ACTH) e o ACTH estimula o córtex da adrenal a secretar glicocorticóides. 
 
 
2) Fase de Resistência: 
 a adaptação é ótima; 
 caracteriza-se pelo aumento da resistência do organismo ao agente estressor ao qual foi exposto; 
 os sinais característicos da reação de alarme desaparecem e a resistência aumenta acima do normal; 
 é uma resposta predominantemente adrenocortical, envolvendo a liberação de glicocorticóides pelo tecido 
cortical da adrenal, mobilizando rapidamente reservas corporais para serem utilizadas como fonte de 
energia. Em animais domésticos, o glicocorticóide liberado é a corticosterona. 
 a ação deste hormônio é promover, de uma maneira ainda indefinida, a adaptação do animal à sua nova 
condição ambiental. 
 também ocorre um decréscimo da atividade da tireóide resultante, provavelmente, da redução da liberação 
de TSH pela hipófise anterior. 
 
 
3) Fase de Exaustão: 
 se estabelece quando o organismo continua exposto prolongadamente ao estressor ao qual havia 
conseguido se adaptar. 
 redução da atividade adrenal com um declínio alarmante da resistência; 
 a insuficiência adrenal torna-se evidente e o animal morre (FREEMAN, 1985). 
 mecanismos de defesa estão esgotados e as reações catabólicas continuam até que o organismo entra em 
colapso e morre. 
 
Figura 2. As 3 fases da síndrome de adaptação geral ou de estresse (SEYLE, 1955). 
 
 
Depois da reação de alarme inicial, segue-se uma fase de resistência durante a qual a resistência ao 
stress original (que continua a agir) aumenta, mas a resistência a outras espécies diminui (Figura 3). Se o 
stress continua por algum tempo, a fase de resistência é substituída por uma fase de exaustão final, com 
declínio alarmante da resistência a todas as formas stress (GRAY, 1976). 
 
 
 
 
 
 
 
 1 2 3 
 
 
 
Nível normal 
de Resistência 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 71 
Resistência 
ao 
Stress Stress Original 
 
 
 
 
 
 
 Normal 
 
 c 
 C C o 
 h h n 
 o o t 
 q q r 
 u u á 
 e e r 
 i Stress Novo 
 o 
 Reação de Fase de Fase de 
 Alarme Resistência Exaustão 
Figura 3. Síndrome geral de adaptação de SEYLE. 
 
 
Na Figura 4, está demonstrada a aclimação de vacas holandesas de produção de leite alta, média e 
baixa quando expostas a 29 ºC e 50 % UR. A linha reta representa a produção esperada durante o período de 
exposição ao calor, baseada na produção média de leite antes e depois da exposição ao calor (a 18 ºC). Se a 
vaca é muito sensível ao calor ou é uma alta produtora, pode perder a resistência e passar para a fase de 
exaustão (curva superior). A curva do meio é típica de uma vaca média produtora, a qual para muitos animais 
representaria o que pode ser chamado de “aclimação parcial” ou produção estabilizada a um nível mais baixo 
que a 18 ºC. Uma vaca baixa produtora (curva inferior) demonstra recuperação completa (Johnson, 1965). 
 
 18 
o
C Exposição ao calor 18
o
 C 
L 35 
e 29 ºC 
i 
t 
e 
 25 
k 
g 
/ 
d Aclimação parcial 
i 15 
a Aclimação plena 
 
 Perda de resistência 
 e exaustão 
 1 3 5 7 9 
 1 3 Semanas 1 3 
 
Figura 4. Aclimação de vacas holandesas de produção de leite alta, média e baixa quando expostas a 29 ºC e 
50 % UR (Johnson, 1965). 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 72 
 A principal função dos glicocorticóides (hormônios da adaptação) está na regulação do metabolismo 
intermediário dos carboidratos, proteínas e lipídios: 
 induzindo a formação de glicose pela mobilização e degradação de proteínas e gorduras (neoglicogênese). 
 sua presença é necessária para as ações neoglicogênica e glicogenolítica do glucagon e da adrenalina, 
respectivamente. 
 inibição da síntese protéica e aumento do catabolismo com liberação de aminoácidos (aumento da excreção 
urinária de nitrogênio e balanço de nitrogênio negativo). 
 efeito direto sobre o tecido adiposo aumentando a lipólise e indiretamente inibindo a síntese de ácidos 
graxos no fígado. 
 inibem a absorção de glicose e sua utilização nos tecidos periféricos, particularmente nas células 
musculares e adiposas (efeito antiinsulínico). 
 efeito catabólico sobre os tecidos conjuntivo e ósseo e, principalmente sobre os órgãos linfáticos; 
 seu efeito linfolítico é responsável pela atrofia do sistema timolinfático, com o aumento do número de 
trombócitose e leucócitos totais e diminuição do número de eosinófilos e linfócitos, ocasionado um 
enfraquecimento do sistema imunitário do organismo (imunossupressão). 
 embora em pequena parcela, os glicocorticóides também participam do metabolismo do Na e K, influindo 
no balanço hídrico do animal. 
 
 Na Tabela 1, encontramos um resumo da funções dos glicocorticóides e seus tecidos alvos. 
 
Tabela 1. Efeito dos glicocorticóides e tecidos alvos. 
Efeito Local de ação 
Estimula neoglicogênese Fígado 
Aumenta glicogênio hepático Fígado 
Aumenta glicose sangüínea Fígado 
Facilita a lipólise Tecido adiposo 
Catabólico Músculo, fígado 
Inibe a secreção de ACTH Hipotálamo, hipófise anterior 
Facilita a excreção hídrica Rim 
Bloqueia a resposta inflamatória Múltiplos locais 
Suprime o sistema imunitário Macrófagos e linfócitos 
Estimula a secreção de ácidos gástricos Estômago 
STABENFELT (1993). 
 
A secreção de glicocorticóides é controlada pelo hipotálamo. O estressor atua, via sistema nervoso 
central, sobre as células neuro-secretoras do hipotálamo, as quais reagem com uma maior secreção do 
hormônio liberador de corticotrofina (CRH). Através de um sistema portal de veias, o CRH é transportado do 
hipotálamo até os lóbulos anteriores da hipófise (adenohipófise) e lá provoca uma elevada secreção do 
hormônio adrenocorticotrófico (ACTH) ou corticotrofina. Circulando na corrente sangüínea, este estimula o 
córtex da adrenal a produzir e secretar glicocorticóides. A concentração de glicocorticóides no plasma é 
regulada por um rígido mecanismo de “feedback” negativo, o qual é demonstrado na Figura 3. Sob condições 
normais, a concentração sangüínea de glicocorticóides atua, principalmente, sobre o hipotálamo, inibindo a 
secreção de CRH, resultando em uma reduzida produção de ACTH e conseqüentemente, reduzida secreção 
dos próprios hormônios adreno-corticais. Tão logo cai a concentração de glicocorticóides no sangue 
(degradação no fígado), cessa o efeito inibidor sobre o hipotálamo, o CRH é novamente secretado e voltam a 
aparecer mais ACTH e glicocorticóides no plasma (ENCARNAÇÃO, 1989). 
 Todavia, sob condições de estresse intenso e prolongado (crônico), os estressores estimulam 
diretamente a liberação de CRH, contornando o “regulador” do hipotálamo e desprezando a influência do 
“feedback” negativo. Com a ativação do eixo hipotálamo - adenohipófise -córtex adrenal,ocorrem mudanças 
em quase todo o sistema endócrino. Num organismo estressado a hipófise secreta menos hormônio 
somatotrófico (STH) ou de crescimento (GH), menos tireotrófico (TSH) e gonadotrófico (GTH), conduzindo a 
uma redução na atividade da tireóide e gônadas, respectivamente. Dado o efeito catabólico e a neoglicogênese 
estimulados pelos glicocorticóides, pode ocorrer constante degradação dos tecidos musculares e gordurosos, 
assim como a inibição da síntese desses tecidos, resultando na perda de peso e redução do crescimento. Não 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 73 
menos importante é o efeito dos glicocorticóides causando a atrofia do sistema timolinfático, e com isso a 
queda dos linfócitos e anticorpos, responsável pela reduzida imuno-capacidade do organismo no combate a 
quaisquer infecções. Caso o estado de estresse perdure demasiado, a própria adrenal não consegue sintetizar 
os esteróides em quantidades suficientes, dada a grande demanda de matéria prima e energia para a produção 
de seus hormônios, levando o organismo ao esgotamento, conduzindo à falta de resistência geral no 
organismo e à morte (ENCARNAÇÃO, 1989). 
Assim, os estressores ambientais, podem, na extensão em que excedam as capacidades de defesa e de 
compensação dos animais, afetar adversamente o desempenho, a saúde e o bem-estar dos animais. O manejo 
ambiental, através da seleção, projeto e operação racionais das instalações e equipamentos, pode reduzir ou 
eliminar os efeitos adversos e incrementar a lucratividade da empresa pecuária (HAHN, 1993). 
Modificações ambientais adquirem interesse econômico apenas quando as condições tendem a 
exceder os limites de perdas nominais de desempenho. As perdas de desempenho podem ser estimadas a partir 
das respostas das funções biológicas que mostram taxas de declínio do desempenho (HAHN, 1993). 
 
Sistema Nervoso Estressor 
 Central 
 _ 
 
 
 _ 
 
Glicocor- 
ticóide + CRH 
 
 _ 
 
 
 atuação nervosa 
 + ACTH 
 
 atuação hormonal 
 
 
 
Figura 3. Mecanismo regulador da secreção de glicocorticóides. 
 
 
Quantificação do estresse: 
 A magnitude do estresse ambiental pode ser medida de maneira indireta, através da resposta produtiva 
e reprodutiva do animal. A intensidade de resposta pode ser a medida da força do estresse (MÜLLER, 1989). 
Com o advento do Competitive Protein Binding (CPB) e dos radio imuno ensaios (RIA) para determinação de 
hormônios séricos, muita informação tem sido obtida sobre a secreção adrenal durante as fases da síndrome de 
estresse (MÜLLER, 1989). 
 Na maioria das espécies de mamíferos, o melhor índice de estresse parece ser a concentração 
plasmática de cortisol ou corticosterona. No entanto, nas aves, estudos têm mostrado que a concentração de 
hormônios da adrenal (corticosterona) não é o melhor índice de estresse. Assim, para as aves têm sido 
utilizada a relação entre heterófilos/linfócitos (MACARI, 1994). 
 
 
LITERATURA CONSULTADA: 
BACARI JR., F. Stress e estressores. Stress climático. Gado Holandês, v.51, n.138, p.11-18, 1987. 
ENCARNAÇÃO, R.O. Estresse e produção animal. In: CICLO INTERNACIONAL DE PALESTRAS 
SOBRE BIOCLIMATOLOGIA ANIMAL, I, 1986, Botucatu. Anais... Jaboticabal: FUNEP, 1989. p.111-
129. 
Hipotálamo 
Hipófise 
Córtex adrenal 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 74 
FREEMAN, B.M. Stress and the Domestic Fowl: Physiological fact or fantasy? World’s Poultry Science 
Journal, v.41, p.45-51, 1985. 
FREEMAN, B.M. The stress syndrome. World’s Poultry Science Journal, v.43, p.15-19, 1987. 
HAHN, G.L. Bioclimatologia e instalações zootécnicas: aspectos teóricos e aplicados. Jaboticabal: FUNEP, 
1993. 28p. 
MACARI, M., FURLAN, R.L., GONZALES, E. Fisiologia aviária aplicada a frangos de corte. Jaboticabal: 
FUNEP, 1994. 296p. 
MÜLLER, P.B. Bioclimatologia aplicada aos animais domésticos. 3ed. Porto Alegre: SULINA, 1989. 262p. 
STABENFELDT, G.H. Glândulas endócrinas e sua função. In: CUNNINGHAM, J.G. Tratado de fisiologia 
veterinária. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1993 . cap.33, p.273-296. 
 
 
EXERCÍCIOS PROPOSTOS: 
1) Qual a definição de estresse? 
2) Descreva rapidamente os eventos que ocorrem durante a reação de alarme da síndrome do estresse. 
3) Descreva rapidamente os eventos que ocorrem durante a fase de adaptação da síndrome do estresse. 
4) Descreva rapidamente os eventos que ocorrem durante a fase de exaustão da síndrome do estresse. 
5) Cite 5 dos principais efeitos causados no organismos animal pelos glicocorticóides liberados em situações 
de estresse. 
6) Como pode ser feita a quantificação do estresse nos animais de interesse zootécnico? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 75 
Aula 08 – Estresse Térmico vs Parâmetros Fisiológicos dos Animais Domésticos. 
 
 
1. Freqüência cardíaca (FC): 
 A primeira reação dos animais a um ambiente quente é a vasodilatação periférica, que leva a uma 
diminuição pressão sangüínea, e conseqüentemente, diminuição da freqüência cardíaca. Com o aumento da T 
corporal, ocorre um aumento da T ao nível do nódulo sino-atrial, que leva a um aumento da freqüência 
cardíaca. Assim, o aumento ou diminuição da FC está na dependência da intensidade do estresse. De maneira 
geral, com o aumento da temperatura ambiente, ocorre um aumento da FC, a qual é mais elevada nos animais 
pequenos, jovens e fêmeas. VEIGA et al. (1963), trabalhando com bovinos em Pirassununga, SP, verificaram 
que a FC era mais elevada no mês mais quente (janeiro, verão) e mais baixa no mês mais frio (julho, inverno). 
Em bovinos a FC normal varia de 40 a 80 bat/min. (60 - 70 bat/min vacas leiteiras). Em frangos de 
corte de 250 até 550 bat/min, dependendo das condições do animal. A pressão sistólica é de 160-190 mmHg e 
a diastólica de 110-150 mmHg. Fêmeas tem pressão arterial menor que machos (10 a 20 mmHg). 
A pressão arterial sistêmica em frangos não é afetada por fatores como exercícios e luminosidade 
apesar de grandes variações na FC. Afetada por respostas comportamentais (visão de predadores e 
comportamento sexual). 
 
Tabela 1. Freqüência cardíaca (FC) em repouso e à sombra (batimentos por minuto). 
Espécie Limites (bat/min) 
Bezerros (2 - 60 dias): 100 - 134 
Bezerros: (2 - 12 meses): 80 - 110 
Bovinos adultos: 40 - 80 
Ovinos e Caprinos adultos: 70 - 80 
Borrego: 80 - 100 
Cordeiro: 100 - 120 
Suínos: 60 - 80 
Coelho: 120 - 140 
Cavalo: 30 - 40 
Potro (1 - 2 anos): 40 - 56 
Potro 6 - 12 meses): 48 - 72 
Potro (3 - 6 meses): 64 - 76 
Potro (14 dias): 80 - 90 
Potro(1 - 2 dias): 100 - 120 
Aves: 150 - 200 
Cão: 60 - 120 
 raças maiores: 66 - 80 
 raças menores: 80 - 120 
Gato: 110 - 130 
Camelo: 34 - 42 
Búfalos 
 1 ano 69 
 2 anos 60 
 3 anos 59 
 4 a 8 anos 56 
Adaptado de BADREDIN et al. (1951) e de MAREK & MOCSY (1963). 
 
 
2. Freqüência respiratória (FR): 
O aumento da FR é um importante mecanismo fisiológico de perda de calor por evaporação em 
temperaturas elevadas. A evaporação respiratória depende do volume de ar movido por unidade de tempo 
sobre as superfícies úmidas das vias respiratórias (volume/min). O volume/min resulta do volume corrente 
multiplicado pelo número de respirações por minuto (FR). O volume corrente é o volume de ar inspirado ou 
expirado numa respiração. 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 -Zootecnia. 76 
No mecanismo de defesa contra o calor pelo ofego ocorre um aumento da ventilação efetuada pelo 
aumento da freqüência respiratória e conseqüente diminuição do volume corrente (profundidade). 
 
 
2.1. Atividade Respiratória x Sudorese: 
Geralmente, animais com baixa capacidade de suar tem alta capacidade para ofegar. Em Zebus a 
sudorese responde por uma maior parte da evaporação total que no gado Europeu. Dentro de uma raça, os 
animais tolerantes ao calor apresentam evaporação cutânea mais alta e evaporação respiratória baixa. O custo 
energético da perda de calor pelo sistema respiratório é mais alto. 
Bovinos em stress térmico podem apresentar os seguintes tipos de respiração: 1) rápida e superficial 
(estresse moderado); 2) lenta e profunda (estresse severo); e 3) respiração bucal, acompanhada de muita 
salivação e exposição da língua (animais intolerantes ao calor). 
Variações fisiológicas na freqüência respiratória podem ocorrer em função da idade, sexo, raça, 
produção de leite, tamanho do corpo, gestação, exercício, hora do dia, estação do ano e temperatura ambiental. 
 
A. TAMANHO DO CORPO: 
 Segundo MAREK & MOSSY (1963) a FR normal em bovinos adultos é de 10 a 16 mov/min. A FR 
nos animais de grande porte é maior que a FR dos animais de pequeno porte. Ou seja, a FR varia na razão 
inversa do tamanho do corpo, porém pode ser maior em animais obesos. 
 
B. IDADE: 
A medida que os animais avançam em idade a FR decresce (KLEMM et al., 1955; GILL et al., 1966; 
HALES et al., 1968). Em bovinos adultos, a FR varia de 10 a 16 mov/min e a FC de 49 a 80 bat/min, 
normalmente (WIRTH, 1966; BRION, 1964; GIBBONS, 1966; KELLY, 1967). BACCARI Jr. (1973), 
trabalhando com bezerros zebus de 1 a 54 semanas de idade, determinou um coeficiente de correlação entre 
FR e idade, r = - 0,59 (P<0,01). BACCARI Jr. (1977), observou um coeficiente de correlação entre FR e idade 
de r = - 0,46 (P<0,01), em bovinos Guernsey, Jersey e Schwwyz de 1 sem. a 21 meses. Segundo HALES 
(1968), a FR mais elevada nos animais jovens estaria relacionada ao seu menor volume corrente. 
 
C. SEXO: 
Em geral, as fêmeas apresentam FR mais elevada que os machos (BACCARI Jr., 1973; BACCARI Jr., 
1978). MALKMUS & OPPERMANN (1930) verificaram que com o aumento da temperatura ambiente, 
houve um aumento das FR e FC, e este aumento foi maior nos animais pequenos, jovens e fêmeas em relação 
aos de maior porte, adultos e machos. Os limites normais de FC observados foram de 40 a 80 bat/min. 
 
D. HORA DO DIA: 
 Segundo DOMINGUES (1961), a FR aumenta ou diminui quando a temperatura do ar aumenta ou 
diminui durante o transcurso do dia. Quando a UR aumenta, ocorre uma maior elevação da FR, quando a 
temperatura do ar é elevada. Os aumentos na FR são mais pronunciados com temperaturas acima de 26,6 a 
29,4
o
C. 
A FR é mais elevada à tarde que de manhã em bovinos zebus e europeus e búfalos (GAALAS, 1945; 
CHQUILOFF, 1964; BACCARI Jr., 1971; BACCARI Jr., 1973). 
 
E. ESTAÇÃO DO ANO: 
VEIGA et al. (1963), trabalhando com bovinos em Pirassununga – SP, observaram valores de FR dos 
animais mais elevados no mês mais quente (janeiro, verão) e valores de a FR mais baixos no mês mais frio 
(julho, inverno). SHARMA & SAIKIA (1974), em bovinos cruzados, verificaram valores médios de FR 
maiores no verão, seguidos da primavera, outono e inverno, em ordem do maior para o menor. 
 
F. RAÇA: 
CHQUILOFF (1964) observaram que novilhas Guernsey apresentavam FR maior que novilhas Jersey 
e Schwyz. BACCARI (1973) também observou diferenças na FR entre bezerros Gir, Nelore e Guzerá entre 6 
a 42 sem. de idade. 
 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 77 
G. PRODUÇÃO DE LEITE: 
 A lactação pode elevar ao dobro a produção de calor da vaca, em função do aumento no seu 
metabolismo (BIANCA, 1968). BACCARI Jr. et al. (1978), determinaram uma correlação entre FR e 
produção de leite de 0,49 (P0,01) em vacas Jersey. 
 
H. GESTAÇÃO: 
 BRODY et al. (1948), trabalhando com vacas holandesas verificaram que a FR tendeu a aumentar 
com o avançar da gestação. Segundo MAREK & MÓCSY (1963), a FR aumenta 2-3 mov/min no início da 
gestação, 4-5 até a metade e em 6-8 ou mais, antes do parto. 
 
I. EXERCÍCIO: 
A FR aumenta na dependência da duração e intensidade do exercício, podendo duplicar e até 
decuplicar (MAREK & MÓCSY (1963). 
 
J. TEMPERATURA E UMIDADE AMBIENTE: 
A partir dos 25
o
C, a FR aumenta progressivamente, acentuando-se acima dos 29
o
C e atingindo seus 
valores máximos acima dos 35
o
C (KOLB, 1971; McDOWELL, 1975). A FR aumenta e diminui com a 
elevação e a diminuição da temperatura do ar durante o dia. O aumento da UR acelera a FR, quando a 
temperatura do ambiente é elevada (DOMINGUES, 1961). GAALAAS (1945), trabalhando com vacas 
leiteiras Jersey, encontraram uma correlação positiva entre FR e Tar (r = 0,77) e entre FR e Tretal (r = 0,57). 
 Segundo DUKES (1967), em vacas leiteiras, a FR aumenta com as combinações entre valores altos de 
temperatura e UR do ar. Os limites normais, em repouso, para a FR são de 18 a 28 mov/min e para a FC, de 60 
a 70 bat/min. BERMAN & MORAG (1971), trabalhando com vacas holandesas de alta produção (30 a 35 kg 
leite/dia), em regime de estabulação com sombra, no verão de Israel, observaram que as FR máximas 
ocorreram ao redor das 1500h. ROMAN-PONCE et al. (1977) estudando bovinos leiteiros a sombra, 
observaram que para uma temperatura de globo termômetro de 24,4
o
C, a FR foi de 54 mov/min. 
 
Tabela 2. Valores fisiológicos normais da freqüência respiratória 
Categoria Média Variação Autor 
Vacas de leite - 18 - 28 Dukes (1960) 
Bovinos - 10 - 40 Marek e Mocsy (1963) 
Vacas holandesas de alta produção em lactação 50 24 - 88 Baccari Jr. et al. (1977) 
Vacas Guersey, Jersey e Schwytz de baixa 
produção em lactação 
37 24 - 64 Baccari Jr. et al. (1981) 
Bezerro 50 - Rosenberger (1966) 
Bovino Adulto - 15 - 35 Rosenberger (1966) 
 
Tabela 3. Freqüência respiratória (FR), em repouso e à sombra (mov/min). 
Espécie Limites (mov/min) 
Bovinos 10 - 40 
Ovinos e Caprinos 12 - 20 
Suínos 08 - 18 
Coelhos 50 - 60 
Cavalos 10 - 16 
Aves 12 - 36 
Cão 10 - 40 
Gato 20 - 40 
Camelo 10 - 12 
Búfalos 
 1 ano 29 
 2 anos 26 
 3 anos 25 
 4 a 8 anos 24 
Adaptado de BADREDIN et al. (1951) e MAREK & MOCSY (1963). 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 78 
Tabela 4. Valores de parâmetros respiratórios em aves em repouso. 
Espécie Peso (kg) FR
1
 (resp./min) VAC (ml) VMR (ml/min) 
Frango de corte 
 Macho 2,50 25 30 750 
 Fêmea 2,30 22 34 748 
Pato 
 Muscovy 2,16 10,5 69 700 
 Peking 2,40 8,2 98 807 
1
 FR = freqüência respiratória; VAC = volume de ar corrente; VMR = volume minuto respiratório. 
2
 Considerando que os parâmetros respiratórios variam em função do peso corporal do frango, a relação 
alométrica é baseada em uma função exponencial, Y=aW
b
, onde Y é a variável, W, o peso do frango em 
quilogramas, e a e b, constantes empíricas. Por exemplo, para frangos de corte, temos: VRM = 0,5W
0,72
 
litros/min, FR = 17,2W
-0,31
 resp./min e VAC = 0,0132W
1,08
 litros. 
 
O estresse térmico em aves pode aumentar a FR de 25 para 250 mov/min (NAAS, 1997). 
 
 
3. Temperatura Retal (TR): 
A temperatura corporal depende do equilíbrio entre a quantidade de calor produzida e/ou absorvida 
pelo organismo e a perda de calor. 
Os bovinos, assim como todos os animais homeotérmicos, necessitam de manter a temperatura 
corporal constante, dentro de certos limites. Em situações de estresse térmico, os mecanismos fisiológicos deperda de calor são ativados para manter a homeotermia, contudo, dependendo da intensidade e duração do 
stress pelo calor, pode ocorrer um aumento da temperatura corporal, denominado hipertermia. 
 
3.1. Variações fisiológicas na temperatura retal (TR): 
Segundo ROSENBERGER (1966), os valores normais de temperatura retal para bovinos adultos estão 
entre 38,0 a 39,0
o
C. Para DUKES (1967), os limites normais de temperatura retal para bovinos adultos variam 
de 38,0 a 39,3
o
C. Para vacas leiteiras, de 37,5 a 39,5
o
C, segundo MALKMUS & OPPERMANN (1930) e 
GIBBONS (1966). 
 Existem vários fatores que podem contribuir para a variação da temperatura corporal dos animais 
homeotérmicos: 
 
A. IDADE: 
Animais jovens apresentam TR mais elevada que os adultos. Segundo BACCARI et al. (1977), 
bovinos das raças Guernsey, Jersey e Schwyz apresentaram um coeficiente de correlação entre idade e TR de 
0,57. Para KOLB (1971), os animais jovens têm temperatura corporal superior aos adultos em função de 
apresentarem um metabolismo mais intenso. 
A temperatura corporal das aves é mais alta e variável que a dos mamíferos. A temperatura do pinto 
ao nascimento é de aproximadamente 39
o
C. Sofre um incremento gradativo até atingir a temperatura da ave 
adulta em 3 semanas: 41 a 42
o
C (RUTZ, 1994) e 41 a 44
o
C (NAAS, 1997). A temperatura corporal do frango 
de corte varia de 41 a 42
o
C, no entanto, a temperatura do cérebro é 0,5 ou até 1
o
C menor que a temperatura 
cloacal, estando esta diferença associada à presença da “arteriovenous rete”, ou seja, sistema arteriovenoso de 
contracorrente (MACARI,1994). 
 
B. PESO CORPORAL: 
As aves de menor peso corporal apresentam T corporal mais elevada que aves de maior porte (RUTZ, 
1994). 
 
C. HORA DO DIA: 
A TR é mais elevada à tarde do que de manhã (0,1 a 0,5
o
C). Segundo BERMAN & MORAG (1971), 
as TR máximas nos bovinos ocorreram às 1800h e as mínimas às 0600h. PATCHELL (1954), trabalhando 
com novilhas Jersey, notaram um mínimo de TR entre 0400 a 0600 h e um máximo das 1700 às 1800 h. 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 79 
Segundo MAREK & MOCSY (1963), a TR alcança o seu máximo entre 1700 e 1900 horas. As 
elevações regulares da TR durante o dia são devidas ao aumento dos processos bioquímicos originados pela 
ingestão de alimentos e movimentos do corpo. 
Animais jovens mostram maiores flutuações diurnas de TR. A variação da T corporal nas 24 horas do 
dia obedece a um ritmo denominado variação nictimeral, ciclo ou ritmo circadiano. A temperatura corporal 
das aves é maior nos períodos de luz que nos de escuro (RUTZ, 1994). 
 
D. SEXO: 
As fêmeas exibem TR um pouco mais elevada que os machos. BACCARI Jr. (1973), com bezerros 
zebus em crescimento, verificou que a TR das fêmeas foi 0,13
o
C maior que a dos machos. A diferença entre 
sexos varia de 0,1 a 0,5
o
C. 
 Aves do sexo masculino apresentam T corporal superior à de fêmeas, como resultado de uma taxa 
metabólica e atividade superiores (RUTZ, 1994). 
 
E. RAÇA: 
Raças especializadas, com alta produção leiteira a TR é maior. A TR nas vacas da raça Jersey é 
inferior que nas Holandesas. Bezerros Gir e Nelore em crescimento revelaram TR inferiores (38,79 e 38,78
o
C, 
respectivamente) à de bezerros Guzerá (38,95
o
C). 
A T cloacal de frangos caipiras apresentam uma menor variação do que os frangos de linhagens 
comerciais com o aumento da T ambiental (BOTURA et al., 1992). 
 
F. CIO, GESTAÇÃO E PARTO: 
Na vaca, durante o cio, podem ser observadas elevações da TR de até 1
o
C. Durante a gestação há um 
aumento da TR, principalmente nos três últimos meses, o que se deve a uma contínua secreção de 
progesterona (efeito termogênico) procedente do corpo lúteo e da placenta. A TR baixa 0,3 a 0,4
o
C, 24 a 48 
horas antes do parto. 
Aves durante o período de choco apresentam T corporal inferior àquelas fora do choco. Taxa 
metabólica e atividade são reduzidas durante o choco. Aves em período de muda apresentam T corporal 
superior àquelas em período de produção (RUTZ, 1994). 
 
G. PRODUÇÃO DE LEITE: 
Vacas em lactação exibem TR mais elevada do que vacas secas. A correlação entre TR e produção de 
leite em vacas Guernsey, Jersey e Schuwyz, agrupadas, com uma produção média diária de 6 kg/vaca, foi de 
0,21, significativa porém de baixa magnitude. 
 
H. INGESTÃO DE ALIMENTOS, ÁGUA E ESTADO DE NUTRIÇÃO: 
A ingestão de alimentos estimula a termogênese. Observa-se um aumento da temperatura do corpo de 
0,1 a 0,9
o
C durante um período de 3 a 5 horas devido aos movimentos de mastigação e outros, atividade das 
glândulas digestivas e dos processos de assimilação. A ingestão de grandes quantidades de água leva a uma 
redução da temperatura retal. Animais em mau estado de nutrição apresentam temperaturas retais mais baixas. 
 A temperatura corporal em aves aumenta após o consumo de alimento (RUTZ, 1994). 
 
I. EXERCÍCIOS: 
Durante o exercício, a TR aumenta de 0,1 a 0,5
o
C, segundo a duração e o grau de atividade muscular e 
conforme as condições do tempo. Garrotes Nelore submetidos a um exercício forçado ao sol por 20 minutos 
revelaram um aumento na TR de 1,3
o
C, com T ar de 29
o
C e UR de 45%. 
 Em aves, a atividade aumenta a T corporal de modo que a temperatura das aves em condições de piso 
é superior àquela das aves mantidas em gaiola (RUTZ, 1994). 
 
J. TEMPERATURA AMBIENTE: 
A TR aumenta com a elevação da T ambiente. SHARMA & SAIKIA (1974), trabalhando com 
bezerros cruzados com alta % sangue Holandês observaram TR mais elevadas no verão que nas outras 
estações. Existe uma correlação positiva entre T ambiente e TR. 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 80 
 HAINES & KOGER (1964), na Flórida, estudaram a TR em relação a T ar em garrotes de 1 ano das 
raças Angus, Brahman e Hereford, bimensalmente, por 2 anos e verificaram que a T corporal aumentou 
quando a T ar subiu, com coeficientes de correlação de r = 0,61, Angus, r = 0,57, Brahman e r = 0,70, 
Hereford. 
 BROWN et al. (1969), estudaram o aumento da TR como índice de sensibilidade de bovinos Holan. 
ao calor. Nas análises de regressão, verificou-se que a TR foi altamente influenciada pela T ambiente e que as 
correlações entre a TR e o THI não foram estatisticamente significativas. 
 A T corporal em aves aumenta com o aumento da T ambiente (RUTZ, 1994). 
 
K. RADIAÇÃO SOLAR: 
A TR é mais elevada sob radiação solar direta que à sombra. COLLIER et al. (1981) verificaram que 
vacas Holandesas e Jersey, em lactação e mantidas ao sol, exibiram TR 0,9 e 0,7
o
C mais elevada, 
respectivamente, que sua companheiras com acesso à sombra. A temperatura de globo negro foi de 38,8
o
C ao 
sol e 30,1
o
C à sombra. 
 BACCARI Jr. et al. (1982) observaram que vacas mestiças Europeu x Zebu, em lactação, expostas ao 
sol durante o dia, apresentaram TR 0,6
o
C mais elevada que suas companheiras com sombra à disposição. A 
temperatura de globo negro foi 40,1
o
C ao sol e 29,6
o
C à sombra 
 
4. Equilíbrio Ácido-Base e Parâmetros Sangüíneos: 
Em situações de estresse calórico, a produção e/ou sobrecarga de calor sobrepuja a perda calórica, de 
forma que o animal começa a ofegar, o que proporciona uma hiperventilação pulmonar com diminuição da 
concentração de CO2 no sangue, levando a uma aumento no pH sangüíneo (alcalose respiratória). 
FURLAN et al. (1991a) submeteram frangos de corte entre 21 e 27 dias de idade a diferentes tipos de 
agentes estressores: hídrico (retirada da água por 24 h), alimentar (retirada da ração por 24 h) e estresse 
térmico (34  2oC por 4 h) e observaram que não houve efeito dos diferentes tipos de estresse para os 
parâmetrossangüíneos (pH, pO2, pCO2, bicarbonato e excesso de bases). O estresse térmico que provocou 
uma redução significativa na pO2 e na pCO2. 
Num outro trabalho, FURLAN et al. (1991b) submeteram frangos machos com 42 e 49 dias de idade 
de 5 linhagens comerciais, ao estresse térmico (342oC por 4 horas) e observaram que não houve diferenças 
entre linhagens para os parâmetros sangüíneos analisados (pH, pO2, pCO2, bicarbonato, excesso de base). O 
estresse aumentou a pO2 e diminuiu a pCO2, bicarbonato e o excesso de base. Para os parâmetros 
hematológicos (hematócrito, hemoglobina e hemácias) não houve diferença significativa em cada linhagem, 
antes e após o estresse. 
 
Tabela 5. Valores hematológicos e bioquímicos normais de frangos com 4 a 6 semanas de idade (média  
desvio padrão). 
Parâmetros Valores 
Hematócrito (%) 27,6  2,60 
Albumina (g/l) 12,7  1.60 
Proteína total (g/l) 31,5  3,70 
Viscosidade do plasma (CP) 0,94  0,05 
Viscosidade do sangue (CP) 2,14  0,24 
Adaptado de MACARI (1994). 
 
NAKAGHI et al. (1993) estudando características morfométricas de heritrócitos em frangos de corte 
verificaram que com exceção do perímetro e diâmetro mínimo nos animais controle, houve um efeito da idade 
sobre os heritrócitos, ocorrendo um aumento nos parâmetros analisados (Tabela 6). Aos 21 dias de idade, o 
estresse térmico teve efeito nos parâmetros morfométricos, sendo observada uma redução nos valores 
analisados. Aos 42 dias, não foi verificado efeito do estresse sobre os parâmetros. O diâmetro máximo 
aumentou com a idade, no entanto, sob condições de estresse ocorreu uma redução. Com o crescimento dos 
frangos as características morfométricas dos eritrócitos são menos afetadas pelo estresse térmico. 
Existe uma relação entre conforto térmico e imunocompetência em frangos O estresse calórico agudo 
exerce um efeito inibitório sobre os leucócitos periféricos na produção de pirógenos endógenos (CASTRO et 
al., 1994). 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 81 
Tabela 6. Interação entre idade e estresse para a área, volume, perímetro e diâmetro mínimo. 
Parâmetro Idade (dias) Controle Estressado
1
 
Área, m2 21 63,84
Ab 2
 58,60
Bb
 
 42 66,98
Aa
 66,36
Aa
 
Volume, m3 21 307,42
Ab
 266,56
Bb
 
 42 331,27
Aa
 326,35
Aa
 
Perímetro, m 21 31,03
Aa
 29,03
Bb
 
 42 31,18
Aa
 31,02
Aa
 
Diâmetro mínimo, m 21 6,98
Aa
 6,66
Bb
 
 42 7,17
Aa
 7,17
Aa
 
1
Temperatura inicial de 26
o
C, acrescida de 2
o
C por hora, até uma temperatura de 38
o
C. 
2
 Médias seguidas de letras iguais maiúsculas nas linhas e minúsculas nas colunas não diferem entre si 
(P0,05) pelo teste de Tukey. NAKAGHI et al. (1993). 
 
INGRACI et al. (1994), verificaram que independente da presença ou ausência de água, frangos não 
selecionados mostraram-se mais tolerantes ao calor que as linhagens comerciais. A presença de água fresca 
(25
o
C) foi eficaz em atenuar o aumento da T corporal e a perda de peso dos frangos submetidos ao estresse 
calórico, porém não influenciou os valores de hematócrito (Tabela 07). 
JUNQUEIRA et al. (1994) expuseram frangos de corte a altas temperaturas (37 a 39
o
C) durante 6, 12 
e 18 horas aos 7 dias de idade e observaram que aos 42 dias de idade, a indução de 18 horas resultou em um 
significativo aumento do VGM e da hemoglobina globular médio e diminuição do n
o
 hemácias (Tabela 08). 
 
Tabela 7. Variação da temperatura retal, peso corporal e hematócrito dos frangos não selecionados submetidos 
ao estresse calórico na presença ou ausência de água. 
 Idade (SEMANAS) 
 5 6 7 8 
 Temperatura retal 
Presença de água 41,2
A
 41,5
A
 41,4
A
 41,4
A
 
Ausência de água 41,3
A
 41,6
A
 41,5
A
 41,8
B
 
 Peso Corporal 
Presença de água 215
A
 293
A
 375
A
 456
A
 
Ausência de água 189
A
 276
A
 325
A
 425
A
 
 Hematócrito 
Presença de água 27
A
 27
A
 27
A
 26
A
 
Ausência de água 26
A
 26
A
 25
A
 27
A
 
Médias seguidas de letras iguais nas colunas não diferem entre si (P0,05) pelo teste de Tukey. 
 INGRACI et al. (1994). 
 
Tabela 8. Temperatura corporal e parâmetros sangüíneos dos frangos aos 42 dias de idade. 
Tratamento Temperatura 
corporal (
o
C) 
Hemoglobina no 
eritrócito 
(C/mm
3
) 
Volume 
globular médio 
(m3) 
Hemoglobina 
globular médio 
(pg/c) 
Número de 
hemácias 
(C/mm
3
) 
Testemunha 41,25 a 43,64 a 103,8 a 45,3 a 2763 a 
6 h 41,31 a 44,72 a 112,8 a 49,9 b 2480 ab 
12 h 41,28 a 44,00 a 112,1 a 49,4 b 2461 ab 
18 h 41,30 a 42,93 a 130,5 b 55,9 c 2196 b 
C.V. (%) 1,34 12,70 23,9 24,3 23,7 
 JUNQUEIRA et al. (1994). 
 
Segundo BACCARI Jr. et al. (1995), sob estresse térmico de 31,0
o
C (5
o
 acima da TCS) ou um 
THI=79 (7 unidades acima do THI crítico superior), 65 % das vacas holandesas malhadas de vermelho 
conseguiram manter sua normotermia com o auxílio da termólise evaporativa respiratória mediante a 
taquipnéia (mais a termólise evaporativa cutânea). Para 35% das vacas a termólise evaporativa não evitou a 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 82 
hipertermia. Temperaturas de hipertermia iguais ou superiores a 40,5
o
C não levaram à bradpnéia, mas 
associaram-se a uma elevada taquipnéia. 
FURLAN et al. (1992) verificaram que o estresse calórico foi mais efetivo em afetar as variáveis 
hematológicas e gasométricas de frangos, quando comparados com o hídrico e alimentar. Os parâmetros 
hematológicos e gasométricos do sangue também podem ser influenciados pela linhagem e pela idade dos 
frangos de corte. 
Independente do tempo de suspensão da alimentação dos frangos de corte em relação ao início do 
estresse calórico, o aumento da temperatura ambiente ocasionou um aumento da temperatura cloacal e do pH 
sangüíneo e uma diminuição na pCO2. As aves que receberam jejum de 6 horas antes do estresse, 
apresentaram uma tendência de menor T cloacal. A diminuição do consumo de alimento levou a uma redução 
nos substratos metabólicos e a uma diminuição na produção de calor (GIMENEZ et al., 1992). 
 Segundo GREGORUT et al. (1992), o aumento da temperatura ambiente ocasionou uma diminuição 
na pCO2, mas não foram observadas diferenças significativas no pH do sangue. Os frangos de corte 
começaram a ofegar a partir de 28
o
C e os caipiras com 32
o
C. Apesar do estresse calórico ter provocado 
alterações na pCO2, os frangos de corte e caipiras foram capazes de manter o equilíbrio ácido-básico. 
 BOTURA et al. (1992), trabalhando com frangos caipiras e frangos de corte, observaram que o 
aumento da temperatura ambiente provocou uma redução nos níveis sangüíneos de sódio e potássio, indicando 
que em condições de estresse calórico a homeostasia de Na e K é afetada. 
A acidose ou alcalose faz com que a maioria das atividades metabólicas sejam comprometidas, 
acarretando produções comprometidas. O estresse pelo calor faz com que os animais aumentem a FR, 
aumentando o nível de CO2 expirado e levando a uma alcalose respiratória (PENZ JR., 1989): 
 
Tabela 9. Hemograma. Valores normais nas diferentes espécies animais: Eritrograma. 
Animais Valores normais 
 Eritrócitos 
(x10
6
/ml) 
Hb 
(g/dl) 
VG 
(%) 
HGM 
(pg) 
VGM 
(fl) 
CHGM 
(%) 
Bovino 5,0-10,0 8-15 24-46 14,4-18,6 40-60 30-36 
Cão 5,5-8,5 12-18 37-55 19,0-23,0 60-77 32-36 
Caprino 8,0-18,0 8-14 19-38 5,0-7,4 15-30 35-42 
Eqüino: Tração 5,5-9,5 8-14 24-44 15,2-18,6 39-52 31-35 
 PSI 6,5-12,5 11-19 32-52 13,3 34-58 31-37 
Gato 5,0-10,0 8-15 24-45 13,0-17,0 39-55 30-36 
Ovino 8,0-16,0 8-1624-50 9,0-13,0 23-48 31-38 
Suíno 5,0-8,0 10-16 32-50 16,6-22,0 50-68 30-34 
 
 
Tabela 10. Eletrólitos no sangue normal dos animais domésticos. 
 Bovino Canino Caprino Eqüino Felino Ovino Suíno 
pH sangue 7,35-7,50 7,31-7,42 - 7,20-7,55 7,24-7,40 7,32-7,54 - 
Na, mEq/l 132-152 141,1-152,3 142-155 132-146 147-156 139-152 135-150 
K, mEq/l 3,9-5,8 4,37-5,65 3,5-6,7 2,4-4,7 4,0-4,5 3,9-5,4 4,4-6,7 
Ca, mEq/l 2,4-3,1 2,2-2,8 2,2-2,9 2,8-3,4 1,5-2,6 2,8-3,2 1,9-2,9 
Ca, mg/dl 9,7-12,4 9,0-11,3 8,9-11,7 11,2-13,6 6,2-10,2 11,5-12,8 7,1-11,6 
Fosfato, mg/dl 5,6-6,5 2,6-6,2 6,5 3,1-5,6 4,5-8,1 5,0-7,3 5,3-9,6 
Mg, mg/dl 1,8-2,3 1,8-2,4 2,8-3,6 2,2-2,8 2,2 2,2-2,8 2,7-3,7 
Cloreto, mEq/l 97-111 105-115 99,0-110,3 99-109 117-123 95-103 94-106 
Bicarbonato, 
mEq/l 
17-29 18-24 - 20-28 17,21 20-25 18-27 
Valores do plasma seguidos pelos valores do sangue (P - S). 
 
BARBOSA et al. (1992a,b) trabalhando com coelhos da raça Nova Zelândia em diferentes tipos de 
instalação (inverno e verão): 1) gaiolas ao ar livre, sombreada com tela de sombrite de cor preta textura 7x6, 
permitindo 80% de sombra; 2) gaiolas em galpão de alvenaria totalmente fechado, com lanternins; e 3) gaiolas 
em galpão de alvenaria com tela de arame galvanizado nas laterais, verificaram que embora tenham ocorrido 
diferenças entre estações do ano e entre instalações, os valores de todos os componentes sangüíneos 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 83 
estudados, apresentaram-se dentro dos limites normais. Melhores parâmetros foram obtidos para os animais 
criados nas instalações que permitiam melhor ventilação (1 e 3) e também verificaram diferenças entre 
instalação e estação do ano para os valores dos diferentes constituintes bioquímicos. Contudo, estas não foram 
suficientes para influenciar o desempenho dos animais, indicando que instalações mais simples e baratas como 
gaiolas ao ar livre podem ser amplamente utilizadas. 
ZHOU et al. (1998) verificaram que existe uma variação diurna na viscosidade sangüínea total. A 
viscosidade sangüínea total é maior durante o período de escuro que no período de luz. No período de luz é 
fortemente influenciada pelas altas temperaturas ambientes e pela retirada do alimento e da água. 
 
 
LITERATURA CONSULTADA: 
Anais do I Ciclo Internacional de Palestras Sobre Bioclimatologia Animal, UNESP, Botucatu, 1986. 129p. 
Anais do Simpósio Internacional de Ambiência e Instalação na Avicultura Industrial, FACTA, Campinas, 
1995. 265p. 
BACCARI Jr., F. Manejo ambiental da vaca leiteira em climas quentes. Londrina: Editora UEL, 2001. 142p. 
HAFEZ, E.S.E. Adaptation of domestic animals. Philadelphia: Lea & Febiger, 1968. 415p. 
MÜLLER, P.B. Bioclimatologia aplicada aos animais domésticos. Porto Alegre: Sulina, 1989. 262p. 
SILVA, R.G. Introdução à bioclimatologia animal. São Paulo: NOBEL, 2000. 
 
 
EXERCÍCIOS PROPOSTOS: 
1) O que ocorre com a freqüência cardíaca em animais submetidos ao estresse pelo calor? 
2) O que ocorre com a freqüência respiratória em animais submetidos ao estresse pelo calor? 
3) Além da temperatura ambiente, quais os fatores que alteram a freqüência respiratória dos animais? 
4) O que ocorre com a temperatura retal dos animais submetidos ao estresse pelo calor? Por quê? 
5) Além da temperatura ambiente, quais os fatores que alteram a temperatura retal dos animais? 
6) Quais os parâmetros sangüíneos, indicativos do equilíbrio ácido-base do organismo, são alterados em 
animais submetidos ao estresse pelo calor e qual é a alteração esperada nesta situação? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 84 
Aula 09 - Características Morfo-Funcionais de Adaptação dos Animais em Ambiente Tropical 
Prof. Dr. José Roberto Sartori 
Dra. Josiane Maria Cardoso Starling 
 
 
I. ADAPTAÇÃO E CARACTERÍSTICAS CUTÂNEAS: 
 
1. Introdução: 
A superfície cutânea, constituída pela epiderme e seus anexos (pêlos, lã, glândulas sudoríparas e 
glândulas sebáceas nos mamíferos, penas e penugem nas aves e estruturas córneas nos répteis e escamas nos 
peixes) representa a mais extensa linha de contato entre o organismo e o ambiente. Essa condição de fronteira 
determina as características da superfície externa do corpo, em função daquelas do ambiente e da natureza do 
organismo do qual faz parte. A epiderme e seus anexos não são um conjunto de estruturas fixas e estáticas, 
mas sim, reguláveis e dinâmicas, capazes de ajustarem-se as variações ambientais (SILVA, 2000). 
A superfície externa dos animais é constituída por uma série de camadas, de fora para dentro: a) capa 
externa (pêlos, penas, escamas, etc.), b) epiderme (vários extratos), c) derme (onde se inserem folículos 
pilosos e glândulas sudoríparas e sebáceas, vasos sangüíneos, fibras nervosas e fibras musculares lisas) e d) 
hipoderme (células adiposas e fibras musculares estriadas). 
 
 
2. Capa de cobertura: 
Marston (1955) citado por SILVA (2000) classificou a capa de cobertura dos animais em dois grandes 
grupos funcionais: 1) proteção mecânica (espinhos, cerdas, crina) e 2) proteção térmica (lã, lanugem, 
penugem, penas, pêlos). 
 A capa externa do corpo dos animais terrestres, constituída pelo pelame (conjunto de pêlos) ou velo 
(capa de lã) nos mamíferos e pena e penugens nas aves, assume importância fundamental para as trocas 
térmicas entre o organismo e o ambiente. Entre as funções da capa externa, podemos citar: o isolamento 
térmico, fundamental em climas frios (regiões temperadas e circumpolares). Nas regiões tropicais, assume 
funções mais ligadas a proteção mecânica da epiderme, minetismo e proteção contra radiação solar (SILVA, 
2000). 
 
 
3. Pelame: 
Por pelame, entendemos a capa pilosa que cobre a superfície cutânea, que protege a epiderme de 
lesões mecânicas e age como uma cobertura “sombreadora”, evitando o acesso direto de grande parte da 
radiação solar sobre a epiderme. Este último efeito depende da estrutura dos pêlos, coloração, dimensões e 
posicionamento (SILVA, 1988). 
Um pelame espesso, com pêlos finos e compridos, oferece uma excelente proteção, independente da 
sua cor. Mas apresenta propriedades termoisolantes acentuadas, impedindo a passagem de calor da superfície 
da epiderme para o exterior. Um pelame constituído por pêlos curtos e eretos, é uma barreira menos eficiente a 
radiação solar, especialmente se for de coloração clara. Oferecerá maior facilidade à passagem da energia 
térmica procedente do interior do corpo, particularmente se os pêlos forem bem assentados sobre a epiderme 
(zebuínos). Uma vantagem dos pêlos mais assentados é que proporcionam uma superfície externa mais 
reflectante à radiação solar (diminuindo a quantidade de radiação que atinge a epiderme) e a evaporação do 
suor é muito facilitada. Os pelames espessos impedem a evaporação, sendo recomendado uma tosa periódica, 
tomando-se cuidado com queimaduras cutâneas nos animais expostos ao sol intenso (SILVA, 1988). 
 
 
4. Pigmentação da epiderme e do pelame: 
 
4.1. Melanina: 
 A melanina, pigmento negro presente na epiderme e seus anexos, é formada pela oxidação de um 
composto orto-dihidroxifenilico do aminoácido tirosina, proveniente da digestão de proteínas, resultando em 
um polímero insolúvel de elevado peso molecular, cuja única função conhecida é a proteção contra a radiação 
ultravioleta, sendo essa função fundamental para os animais que vivem em regiões tropicais. 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 85 
4.2. Melanócitos: 
 A melanina é formada em células especializadas denominadas melanócitos,que se localizam na 
camada basal da epiderme e na base dos folículos pilosos, introduzindo suas projeções entre as demais células. 
A maior ou menor pigmentação cutânea deve-se a quantidade de grânulos de melanina produzidos e inseridos 
nas células da epiderme, e não ao número de melanócitos. Raças bovinas tropicais apresentam a epiderme 
muito mais pigmentada que as de origem européia, mas não há diferença entre elas quanto ao número de 
melanócitos por unidade de área. Aliás, animais de raças européias com pelame malhado (Hereford e 
Holandesa, por exemplo) também apresentam melanócitos nas áreas despigmentadas da epiderme, mas a 
atividade desses está bloqueada por fatores gênicos (SILVA, 2000). 
 
 
4.3. Melanogênese: 
 Quando um animal é exposto a radiação ultravioleta (especialmente a de ondas curtas,  0,3m), esta 
atravessa a capa de pelame, penetra nas camadas basais da epiderme e desencadeia uma reação de oxidação da 
tirosina, que vai se transformando sucessivamente em DOPA (3,4-dihidroxifenilalanina), DOPA-quinona, 
DOPA-cromo, indol-5,6-quinona e finalmente melanina (Figura 1)(Seiji, 1967 citado por SILVA, 2000). 
 
DIETA PROTEÍNAS TIROXINA 
 TRIIODOTIRONINA 
 
 
 
 
 
 
FENILALANINA TIROSINA 
 
 
 
 
 
 3,4 IDROXIFENIALANINA 
 (DOPA) 
INDOL-5,6 5,6-DIHIDROXI-INDOL 
QUINONA 
 
 
 
 DOPA-CROMO 
 DOPA-QUINONA 
 
 
MELANINA 
 
Figura 1. Esquema da melanogênese a partir da tirosina (Seiji, 1967). 
 
 
A melanina se deposita em camadas sucessivas no interior das vesículas, as quais se transformam em 
pré-melanossomos, melanossomos e posteriormente em grânulos de melanina. Quanto maior a atividade 
melanogênica, maior a produção de grânulos e maior será a pigmentação da epiderme. Caso o animal não seja 
mais exposto a radiação ultravioleta intensa, com o tempo a epiderme perde a coloração adquirida, à medida 
que as células pigmentadas vão sendo substituídas por outras poucos ou nada pigmentadas, no processo 
normal de desgaste e formação de novas células epiteliais. Nos indivíduos cuja epiderme é permanentemente 
escura, existe um mecanismo genético que mantém o nível de melanogênese, independentemente das 
variações na exposição à radiação ultravioleta. 
Fenilalanina 
hidroxilase 
(Fígado) 
(Tireóide) 
Polimerização 
Tirosinase
e 
Tirosinase 
(Epiderme) 
Radiação UV 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 86 
5. Radiação solar e características da pele e pêlos 
Nas regiões tropicais, a radiação solar atinge perpendicularmente a superfície da Terra, atravessando 
uma camada de atmosfera menos espessa do que os raios que atingem diagonalmente as regiões de altas 
latitudes. Por esse motivo a radiação ultravioleta (UV) é mais intensa nas regiões tropicais. Enquanto a 
radiação infravermelha que é a radiação térmica propriamente dita, é pouco penetrante em virtude de sua 
baixa freqüência, a ultravioleta tem forte ação biológica. Uma delas é a ativação intratissular do ergosterol e 
do 7-dehidrocolesterol, para a formação das vitaminas D2 e D3, respectivamente. Estas vitaminas estão 
associadas à absorção de Ca e mineralização óssea, de modo que a falta de exposição aos raios UV pode levar 
ao raquitismo em animais novos (SILVA, 1988). 
Por outro lado, o excesso de radiação, principalmente o de ondas mais curtas (0,3 m), pode levar a 
destruição direta dos tecidos e causar processos cancerosos. Segundo Robbins & Contran (179) citados por 
SILVA (1988), a radiação ultravioleta causa dano direto ao DNA celular e causa mutações, levando a 
formação de diversos tipos de carcinomas. 
 
5.1. Cor da pele: 
O fator predisponente à estes tipos de carcinomas é sempre a ausência de pigmentação melânica. Por 
tais motivos desenvolveu-se pela seleção natural, uma pigmentação cutânea escura nos animais e nas raças 
humanas autóctones em climas tropicais. O valor da proteção oferecida pela melanina pode ser evidenciado 
por casos de fotossensibilização em bovinos da raça holandesa: nestes animais a epiderme é pigmentada 
fortemente sob as malhas pretas e muito pouco nas malhas brancas. Após exposição ao sol forte, queimaduras 
de até 3
o
 grau podem ocorrer nas regiões de malhas brancas, e não ocorrem nas regiões de malha preta 
(SILVA, 1988). 
 
5.2. Cor do pelame: 
Sob radiação solar direta, a quantidade de calor (raios infravermelhos) transferida ao animal depende 
diretamente da cor da pelagem. A capacidade de uma superfície de absorver radiação chama-se absorvidade. 
Esta varia de 0 a 1, onde o valor 0 significa nenhuma absorção, 0,5 indica que 50 % da radiação é absorvida e 
1 indica absorção total. O solo nu tem uma absorvidade de 0,75 a 0,90, a areia de 0,70 a 0,82 e a rocha de 0,85 
a 0,88. 
 A cor do pelame é de fundamental importância para a absorção de energia térmica do ambiente. Por 
exemplo, Stewart (1953) citado por BACCARI Jr. (1995) verificou que uma vaca holandesa de pelagem preta 
absorverá mais que o dobro de calor que uma vaca holandesa branca. Vacas Jersey de pelagem parda clara 
absorvem menos calor que suas pares pardas escuras e mais calor que vacas holandesas brancas. Ademais, 
num mesmo animal, como uma vaca malhada de preto, temperatura superficial sobre as malhas pretas é maior 
que sobre as brancas (Tabela 1). 
 Em geral, considera-se que uma capa de pigmentação escura apresenta maior absorvidade para a 
radiação solar de ondas curtas e portanto armazena maior quantidade de energia térmica, resultando em maior 
estresse para os animais do que uma capa de coloração clara (maior refletividade). Contudo, a transmissão da 
energia absorvida pela capa para a epiderme é maior nas capas de coloração clara que nas escuras. 
 
Tabela 1. Coeficiente de absorção de pêlos de bovinos (STEWART, 1953). 
Raça Cor Coeficiente de absorção 
Holandesa Branca 0,41 
Holandesa Preta 0,92 
Guernsey Branca 0,40 
Guernsey Parda 0,65 
Jersey Parda clara 0,67 
Jersey Parda escura 0,73 
 
Nota-se que, embora a cor negra absorva maior quantidade de radiação térmica, a proteção contra a 
radiação UV parece ser mais importante do que o superaquecimento corporal, que pode ser compensado de 
outras formas (SILVA, 1988). Contudo, nos pelames de cor branca a radiação solar, especialmente a faixa do 
UV, penetra mais profundamente, atingindo as camadas cutâneas (Hutchinson & Brown, 1969 citados por 
SILVA, 1988). 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 87 
Schleger (1967) citado por BACCARI Jr. (1995), trabalhando com vacas da raça “Australian Illawarra 
Shorthorn” predominantemente vermelhas, encontrou uma correlação negativa significativa entre cor da 
pelagem e produção de leite média durante os primeiros 6 meses de lactação. As vacas mais) claras 
produziram mais leite em 7 dos 9 rebanhos estudados. Na Flórida, vacas holandesas predominantemente 
brancas produziram mais leite ao sol e à sombra que suas pares predominantemente pretas e exibiram ao sol, 
freqüência respiratória e temperatura retal e superficial mais baixas. A diferença na produção de leite, ao sol, 
foi de 3,9 kg/vaca/dia a mais nas vacas de pelagem branca, sendo 2,1 kg/vaca/dia à sombra, diferença de 53,8 
% (Hansen, 1990 citado por BACCARI Jr., 1995). 
De acordo com Silva (1987) citado por BACCARI Jr. (1995), no gado holandês, as malhas de 
pelagem branca cobrem áreas de pele pouco pigmentada e considerando-se que a pele pigmentada protege 
mais contra a radiação ultravioleta (causa queimaduras ou câncer de pele), bovinos holandeses de pelagens 
claras seriam mais susceptíveis à estas afecções. 
Os animais brancos, com pele muito pigmentada ebem providas de glândulas sebáceas, podem evitar 
o risco de afecções da pele devidas à radiação solar, pois além da proteção promovida pela pigmentação, o 
sebo atua como um filtro contra os raios UV. No nelore (zebu), a pelagem é branca sobre a pele preta e na raça 
Jersey a pele é bem pigmentada e pelagem mais ou menos clara, atributos favoráveis em climas quentes 
(Bonsma, 1966 citado por BACCARI Jr., 1995). 
No clima tropical é mais favorável um pelame de cor branca ou bem clara, com pêlos grossos, curtos e 
bem assentados sobre uma superfície epidérmica bem pigmentada. A função desse pelame é refletir ao 
máximo a radiação infravermelha e pelo menos uma fração da faixa UV de ondas mais longas e ao mesmo 
tempo permitir a perda de calor corporal. A função da epiderme escura é constituir um filtro para a radiação 
UV de ondas curtas, a qual ultrapassa um pelame com as características descritas acima. Em qualquer 
hipótese, é preferível um indivíduo com pelame negro com epiderme pigmentada, do que um coberto com 
pêlos brancos e com epiderme despigmentada (SILVA, 1988). 
A temperatura do ar, por si mesma, parece ter efeito sobre a cor da pelagem, pois novilhas zebus 
Shorthorn e Santa Gertrudis mantidas em câmara climática a 27
o
C), exibiram pelagem mais escura que suas 
pares a 10
o
C (Brody, 1956 citado por BACCARI Jr., 1995). 
 
 
5.3. Espessura da Pele: 
Bonsna, Van Marle &Hofmeyer (1953), na África do Sul, atribuíram à espessura da pele de bovinos 
funções essenciais na tolerância ao calor. Sendo a pele espessa, poderia prevenir a penetração de calor. 
Dowling (1955), na Austrália, fez uma série de mensurações da espessura da pele em bovinos de origem 
européia e asiática, de corte e leite e chegou a conclusão que a espessura da pele não representa papel 
importante na adaptabilidade de bovinos nas regiões quentes. 
Tulloh (1961), na Austrália, procedeu a mensuração da pele de bovinos europeus de corte e não 
constatou relações entre espessura da pele e peso vivo dos bovinos, pelo que julga improvável seu uso na 
seleção de indivíduos com habilidade de ganhar peso. Hayman et al. (1966), na Austrália, verificaram que os 
zebuínos Sahiwal tem a pele mais espessa do que os bovinos Jersey e que a espessura varia com a estação do 
ano, sendo menos espessa no verão. Mc Dowell (1971), nos EUA divulgou esclarecimentos sobre a 
sistemática de mensuração da pele de bovinos. Na sua opinião, a pele adquire espessamento em função da 
idade e da sub-nutrição, variando ainda segundo as regiões do corpo do indivíduo. Admitiu que nos trópicos 
secos o espessamento da pele teria vantagem, ao passo que nos trópicos úmidos a pele fina seria mais 
conveniente. 
 
 
6. Folículos pilosos: 
 Nos bovinos, a formação de folículos pilosos inicia-se por volta do 78
o
 dia de gestação, estando bem 
definidos aos 166 dias. Assim, um animal já nasce com um número definido de folículos, geneticamente 
estabelecidos. Contudo, o número de folículos diminui por unidade de área com a idade, estabilizando-se a 
partir dos 2 anos de idade, coincidindo com o término da fase de crescimento corporal (Tabela 2). Essa relação 
amo a idade pode ser explicada pelo crescimento e expansão da epiderme, sem que haja alteração no número 
total de folículos. 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 88 
Tabela 2. Número médio de folículos pilosos por unidade de área de superfície cutânea em bovinos de 
diferentes idades, ajustados para o peso corporal. 
Bovinos Idade Peso Corporal (kg) Número de folículos 
Europeu Feto 3,7 23.300 
 Recém-nascido 31,3 5.186 
 2 a 10 meses 133,4 2.061 
 12 a 22 meses 218,6 1.413 
 6 anos 406,0 887 
Zebu Recém-nascido 35,8 5.652 
 2 a 10 meses 134,7 2.446 
 12 a 22 meses 271,7 1530 
(Adaptado de Turner et al., 1962) 
 
Os ciclos de atividade folicular podem assumir um caráter: 
1. Estacional: ocorre uma muda ou duas por ano (gatos, cães, cavalos, veados, bovinos e ovinos); 
2. Ondulatório: há ondas de atividade em padrões bem definidos (animais de pele, como a raposa prateada, 
arminho, etc.) e, em outros, há uma atividade irregular e aleatória (homem). 
 No que diz respeito à variação estacional do pelame de bovinos, têm-se observado que as vacas de 
origem européia normalmente apresentam um pelame espesso e lanoso durante o inverno, ao passo que 
durante o verão os pelos são curtos, grossos e medulados. Este comportamento também foi observado em 
zebuínos. Nos bovinos, ocorrem duas mudas, uma na primavera quando caem os pêlos de inverno e se forma o 
pelame do verão (crescem novos pêlos, curtos e grossos), e outra no outono, quando caem os pêlos de verão e 
se origina o pelame de inverno (pêlos longos e finos). Essas mudas dependem tanto da temperatura ambiente 
como do fotoperíodo. A condição de nutrição do animal também parece ter um efeito importante nas mudas. 
 No que se refere a lã dos ovinos, Wodzicka (1959) citada por SILVA (2000) estudou sua variação 
estacional nas raças Merino, Hampshire e Columbia-Southdale, na Austrália, observando que a produção de lã 
era sempre maior no verão que no inverno, sendo controlada pela temperatura ambiente e não pelo 
fotoperíodo; esse ritmo estacional também não seria uma conseqüência da alimentação mais deficiente no 
inverno. 
 
Tabela 3. Variação estacional de características do pelame de vacas Jersey em região tropical (SILVA et al., 
1988). 
Época Comprimento médio dos 
pêlos (mm) 
Espessura do pelame 
(mm) 
Pigmentação do pelame 
(%) 
Janeiro - março 14,75 3,17 0,47 
abril - junho 16,58 4,55 0,47 
Julho - setembro 17,49 5,48 0,49 
Outubro - dezembro 12,80 3,23 0,43 
 
French (1946), referiu-se à importância da camada de ar que os pêlos longos retém no inverno, para 
prevenir a perda de calor. Já no verão, os pêlos curtos devem permitir a eliminação do calor corporal 
excedente. 
 
 
7. Glândulas sudoríparas: 
 As glândulas sudoríparas dos bovinos e ruminantes em geral são do tipo apócrinas e se acham sempre 
associadas a um folículo piloso (epitríquias). Elas se abrem exclusivamente dentro dos folículos e suas células 
secretoras descarregam no interior do lume glandular um líquido contendo materiais graxos. São constituídas 
por uma camada interna de células secretoras poliédricas e por uma camada externa de miofibrilas (SILVA, 
2000). 
 De acordo com McDowell (1972) citado por SILVA (2000), os animais domésticos que mais suam, 
pela ordem decrescente de importância desse mecanismo para a termorregulação, são os seguintes: 1) eqüinos, 
2) asininos, 3) bovinos, 4) bubalinos, 5) caprinos, 6) ovinos e 7) suínos. Contudo, existem sensíveis diferenças 
entre raças. 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 89 
 Existem consideráveis diferenças estruturais entre as glândulas sudoríparas de diferentes raças de 
bovinos. Nay (1959) citado por SILVA (2000), verificou que as glândulas dos animais de origem européia 
tendem a apresentar estruturas de diâmetro menor (até 100 mm) e com aparência enovelada, ao passo que os 
zebuínos apresentam glândulas saculiformes de maior diâmetro (180 a 200 mm). 
 O mecanismo de ativação das glândulas apócrinas é pouco conhecido, parecendo ocorrer uma 
mediação pela adrenalina, que é transportada por via sangüínea para as glândulas, ativando as miofibrilas que 
as envolvem, causando sua contração e assim, a eliminação do fluido. Não há aporte de nervos simpáticos 
adrenérgicos às glândulas sudoríparas. A distribuição das glândulas sudoríparas não é homogênea na 
superfície corporal e algumas regiões apresentam densidade folicular (e portanto glandular) maior que as 
outras: o tronco, a tábua do pescoço, a papada, o ventre e as extremidades, emordem decrescente (SILVA, 
2000). 
Em bovinos submetidos ao estresse calórico, cerca de 67 a 70 % da perda de calor ocorre por 
evaporação cutânea. A taxa de sudação varia de 140 - 300 g/m
2
, nunca sendo maior que 300 g/m
2
, de forma 
que o animal não fica com a pele molhada, pois a evaporação é muito rápida. As perdas de calor por 
evaporação cutânea podem aumentar 7 vezes, enquanto que as perdas por evaporação respiratória podem 
aumentar 1,5 vezes. Os animais reduzem o consumo de alimento para reduzir o calor metabólico (redução na 
disponibilidade de nutrientes) e o incremento calórico dos alimentos (rúmen). Há uma redução na atividade da 
glândula tireóide com diminuição na produção de seus hormônios (T3 e T4), implicando em uma diminuição 
do metabolismo e da produção (animais ociosos). Ocorre um aumento da temperatura corporal (correlação 
positiva com a temperatura ambiente). 
 
 
8. Perdas de calor por evaporação: 
 A evaporação é o meio mais eficaz de eliminação de calor corporal quando a carga térmica do 
ambiente é elevada (temperatura próxima ou acima da do corpo do animal), uma vez que este mecanismo de 
termólise não depende do gradiente de temperatura entre a superfície do corpo e o ambiente, e, as perdas 
sensíveis (radiação, convecção e condução) estão bastantes reduzidas pois dependem do desse gradiente. A 
perda de calor por evaporação depende da temperatura da superfície e da pressão de vapor do ar junto à 
mesma. Quanto mais seco o ar ambiente, mais intensa será a perda de calor por evaporação. 
Nos animais existem duas vias de termólise evaporativa: a respiratória e a cutânea. A primeira é mais 
desenvolvida em espécies que não usam a evaporação via cutânea (aves, cães, animais com cobertura lanoso 
ou pilosa muito densa e espécies que vivem em regiões muito secas, nas quais a economia de água é 
importante). Nos bovinos, cerca de 1/5 da termólise evaporativa se processa através da respiração, sendo que o 
principal mecanismo é a perda por evaporação cutânea através da sudorese ou sudação. Vacas adultas de raças 
européias apresentam uma densidade média de 800-900 glândulas sudoríparas por cm
2
 de pele, ao passo que 
zebuínos apresentam densidade média de até 1500 glândulas/cm
2
, sendo suas glândulas mais volumosas e 
ativas. 
Salimos (1980) citado por SILVA (1988) medindo semanalmente a taxa de sudação de vacas Jersey e 
Holandesas durante 12 meses, observou taxas médias de 124, 125 e156 g/cm
2
 hora para HPB, HVB e Jersey, 
respectivamente, durante o verão. As diferenças foram significativas, sendo que animais entre 100 e 200 dias 
de lactação apresentavam taxas de sudação maiores os animais de 0 a 100 e com mais de 200 dias de lactação. 
 Existe uma relação entre a capacidade de suar e o comportamento dos animais a pasto. Borges (1986) 
citado por SILVA (1988) acompanhou vacas holandesas a pasto durante um ano e observou que vacas com 
maior capacidade de sudação dispendiam mais tempo pastando ao sol nas horas mais quentes do dia (11 - 15 
horas). 
 
 
9. Estresse pelo calor: 
 
9.1. Em uma animal submetido ao estresse por calor: 
a) Há uma tendência de reduzir a produção de calor corporal, o que é conseguido através da redução do 
metabolismo e da atividade física; 
b) A redução do metabolismo através de mecanismos endócrinos força a diminuição das atividades 
produtivas, particularmente a secreção de leite. Esta redução leva ainda à diminuição no consumo de 
alimento, principalmente de volumosos; 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 90 
c) A queda na produção é proporcionalmente maior que a da ingestão alimentar, conseqüentemente diminui a 
eficiência de conversão de alimento em leite; 
d) A reprodução é muito afetada. A regularidade do ciclo estral é prejudicada e aumenta muito a perda de 
embriões nos estágios iniciais. A fertilidade dos machos também é bastante prejudicada. 
e) Em indivíduos em crescimento, o mesmo pode ser prejudicado, quer diretamente através da ação sobre o 
sistema endócrino, quer indiretamente, através da redução na ingestão de alimento. 
 
 
9.2. Interação genótipo-ambiente 
Um experimento efetuado na câmara climática da Universidade de Missouri revelou que bovinos das 
raças Brahman (zebu), Santa Gertrudes e Shorthorn, em crescimento, mantidos dos 3 aos 14 meses (um grupo 
a 10
o
C e outro a 27
o
C), revelou que no ambiente quente o GP dos Shorthorn foi muito afetado negativamente, 
o inverso ocorrendo com os Brahman. Entretanto, a 10
o
C os Shorthorn ganharam bem peso, o contrário 
ocorrendo com os Brahman. Esses resultados indicam a presença de uma interação genótipo-ambiente: o 
efeito genético na taxa de GP dependeu do ambiente no qual o crescimento ocorreu. 
 Os Santa Gertrudes ganharam mais peso que os Brahman e foram mais tolerantes ao calor que os 
Shorthorn. Os Santa Gertrudes ganharam mais peso que os Shorthorn tanto a 27
o
C quanto a 10
o
C. Então, a 
interação genótipo ambiente foi menor para os Shorthorn e Santa Gertrudes que para os Shorthorn e Brahman. 
A experiência prática têm demonstrado que os bovinos Santa Gertrudes apresentam performance aceitável 
tanto em regiões de clima temperado como naquelas quentes e úmidas. Talvez os Santa Gertrudes tenham uma 
“adaptação cruzada”. 
 
 
10. Calor diminui a fertilidade em vacas 
Nos países de clima tropical ou subtropical, um dos efeitos desfavoráveis na fertilidade das vacas é a 
diminuição nas taxas de concepção, nas épocas quentes do ano, em função do estresse térmico. Trabalhos 
realizados na Flórida com vacas Jersey, Pardo-Suiça e Holandesas (6555 inseminações artificiais), mostraram 
que as taxas de concepção diminuíram nos meses de verão, sendo de 45% (Jersey), 41% (Pardo-Suiço) e 39% 
(Holandesa). As maiores taxas de concepção observadas para a Jerseyem comparação às outras duas, e da 
Pardo-Suiça com relação a Holandesa, estiveram provavelmente associadas à produção de leite e respostas 
fisiológicas de cada raça ao estresse térmico. Verificou-se, também, que, quando a temperatura do ar máxima 
excedeu 30
o
C um dia após a inseminação, ocorreu uma maior queda nas taxas de concepção em vacas em 
lactação (BACCARI Jr., 1990). 
 Os efeitos do estresse térmico sobre a fertilidade das vacas resultam de dois problemas principais: 1) 
ausência de expressão do cio ou ineficiência na sua detecção e 2) mortalidade do embrião (estimada em 15 % 
no gado leiteiro). Nos meses quentes há uma redução na duração do cio para cerca de 10 horas, o que diminui 
a probabilidade de sucesso na detecção nos programas de inseminação artificial. Além disso, as vacas exibem 
comportamento de cio menos intenso. No caso da mortalidade embrionária, observou-se uma associação entre 
temperaturas elevadas do útero, um dia após a inseminação, com a queda nas taxas de concepção. Assim, a 
alta temperatura no microambiente do embrião, o útero, seria um fator responsável por a prenhez não se 
confirmar. Admite-se, ainda, que um decréscimo no fluxo sangüíneo para o útero (vasodilatação periférica) 
seja um agente mediante o qual o estresse térmico exerceria seus efeitos negativos na fertilidade ddas vacas, 
considerando-se que o fluxo de sangue para o útero é uma fonte de nutrientes, água e oxigênio para o embrião 
em desenvolvimento (BACCARI Jr., 1990). 
Com o objetivo de se obter taxas de concepção mais altas, nas regiões quentes, recomenda-se manejo 
ambiental que inclui, principalmente, a provisão de sombra, natural (árvores) ou artificial (abrigos), nas horas 
mais quentes do dia (das 10 às 16h), aliada a aspersão de água fria sobre as vacas (BACCARI Jr., 1990). 
 
 
LITERATURA CONSULTADA: 
BACCARI JR., F. Calor diminui a fertilidade de vacas. Folha de São Paulo,São Paulo, 20 de fevereiro de 
1990. Agrofolha, p.C-4. 
BACCARI JR., F. Apostila da disciplina de Stress e Produção animal. Curso de Pós-Graduação em 
Zootecnia, Área de Concentração em Nutrição e Produção Animal, FMVZ - UNESP - Câmpus de 
Botucatu, 1995. 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 91 
MÜLLER, P.R. Bioclimatologia aplicada aos animais domésticos. 3.ed. Porto Alegre: SULINA, 1989. 
262p. 
SILVA, R.G. Bioclimatologia e melhoramento do gado leiteiro. Gado Holandês, n.148, p.5-12, 1988. 
SILVA, R.G. Introdução à bioclimatologia animal. São Paulo: NOBEL, 2000. 286p. 
 
 
EXERCÍCIOS PROPOSTOS: 
1) A superfície externa dos animais é constituída por uma série de camadas. Quais? 
2) O que você entende por pelame? 
3) O que é melanina e qual sua importância para os animais? Qual é o precursor para síntese da melanina? 
4) Que tipo de glândula sudorípara é comulmente observada em ruminantes? Comente. 
5) Quais as características mais desejáveis da capa externa para bovinos que vivem em um ambiente quente, 
com radiação solar intensa e baixa umidade do ar. Explique. 
6) Qual a relação entre espessura da pele e resistência oa estresse pelo calor? 
7) Cite quais os animais domésticos que mais suam, pela ordem decrescente de importância desse mecanismo 
para a termorregulação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 92 
Aula 10 - Efeitos do Ambiente Tropical Sobre a Produção Animal (Crescimento) 
 
 
As condições climáticas, tais como temperatura, umidade, vento e irradiação, podem causar estresse 
calórico nos animais, diminuindo o ritmo de crescimento fetal e antes e após a desmama. Aumenta a ingestão 
de água e diminui a ingestão de alimento e a quantidade de energia, para propiciar uma diminuição na 
produção de calor. O ganho de peso nos animais em crescimento é muito mais afetado do que nos animais 
adultos (MÜLLER, 1989). 
 Em climas tropicais e subtropicais, a exemplo do Brasil, a radiação solar intensa e os elevados valores 
da temperatura e umidade relativa do ar no verão, geram condições de desconforto térmico quase permanentes 
às aves, prejudicando seu desempenho produtivo e sendo incluídos entre os principais problemas que afetam a 
exploração avícola (TINÔCO, 1994). A redução no crescimento está associada à diminuição do consumo de 
alimento, a redução na taxa metabólica e ao aumento do catabolismo. 
 A redução no consumo de alimentos se dá via centro hipotalâmico da saciedade. Cabras saciadas 
iniciam o consumo quando o hipotálamo anterior resfriado, enquanto que se for aquecido, o consumo é inibido 
em cabras em jejum. Apesar do mecanismo ser ainda pouco conhecido, o estresse tem um efeito negativo 
sobre o apetite. Se a temperatura ambiente aumenta acima da termoneutralidade, observa-se uma diminuição 
na ingestão de forragem e mesmo inibição geral do trato digestivo (Mcdowell, 1972, citado por 
ENCARNAÇÃO, 1989). 
Segundo MÜLLER (1989), a causa primária da redução no crescimento está associada à diminuição 
da produção de calor pelo animal, através da diminuição do consumo de alimento e do metabolismo, e com as 
mudanças na utilização de energia para dissipação de calor, que implicam em desvio da energia que poderia 
ser utilizada para o crescimento. 
 
 
1. Crescimento pré-natal (crescimento fetal): 
A temperatura ambiente é, sem dúvida, o fator climático mais importante que afeta o crescimento 
fetal. A diminuição do crescimento pré-natal, se deve à diminuição da utilização de substratos (albumina do 
ovo, por embriões de aves) e à diminuição da circulação sangüínea no útero, da disponibilidade de substrato e 
da massa placentária na etapa final de prenhes, ocasionando atrofiamento fetal (bezerros miniaturas, comuns 
em raças européias não adaptadas aos trópicos). Na Tabela 1 podemos observar que o peso ao nascer é bem 
maior nas zonas temperadas do que nas tropicais. O peso ao nascer dos machos e fêmeas são semelhantes nas 
zonas tropicais, enquanto que, o lógico seria o macho ser mais pesado. 
 
Tabela 1. Diminuição do crescimento pré-natal nos trópicos. 
 Machos Fêmeas 
Zona Temperada 42,4 40,8 Holanda 
 41,8 39,5 Inglaterra 
Zona Tropical 32,4 32,2 Índia 
 32,5 30,6 Egito 
 30,7 30,7 Venezuela 
 
 Os bovinos europeus apresentam menor peso ao nascer quando transportado do país de origem para as 
zonas tropicais, sendo esta diferença mais acentuada nos machos, que são menos adaptados que as fêmeas. Na 
raça Nelore ocorreu o inverso, uma melhor adaptação no Brasil que na Índia (Tabela 2). 
 
Tabela 2. Peso ao nascer de diferentes raças no Brasil e comparadas com o país de origem. 
Raça Brasil País de Origem 
 M F M F 
Holandesa 40,3 36,2 42,4 40,8 
Charolesa 39,3 36,7 45,2 42,0 
Chianina 39,5 37,0 46,0 42,0 
Nelore 32,4 28,7 29,5 27,0 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 93 
Segundo WENIGER (1971), a taxa de crescimento do embrião decresce proporcionalmente à duração 
do estresse térmico. 
 
 
2. Crescimento pós-natal: 
O crescimento pós-natal em lactação depende do meio ambiente imposto ao recém nascido e dos 
fatores ambientais impostos a mãe e à produção de leite. A estação do ano em que ocorre o nascimento afeta 
ambos; por exemplo, quanto mais perto da primavera, maior peso dos bezerros ao desmame. 
 
2.1. Efeitos do ambiente: 
As altas temperaturas podem reduzir o crescimento de animais após o desmame, em graus diferentes, 
segundo a raça, a idade, a gordura, o plano de nutrição e a umidade relativa do ar. As raças européias 
diminuem o crescimento, se submetidas a uma temperatura constante acima de 24
o
C. Os efeitos se agravam, 
ao elevarmos esta para 29 a 32
o
C, cessando o aumento de peso. A 41
o
C, sobrevêm a prostração, 
principalmente se a UR do ar é alta (MÜLLER, 1989). 
 Em ambientes quentes, o consumo de MS/unidade de peso corporal, o quociente de digestibilidade e a 
absorção intestinal é maior no gado zebu do que no gado europeu (HAFEZ, 1968). 
 O’Bannon et al. (1955) citados por ENCARNAÇÃO (1989) analisaram a taxa de crescimento de 
novilhas de 3 populações diferentes, submetidas a temperaturas de 10 a 27
o
C e verificaram que os animais da 
raça Brahman mostraram melhores resultados em temperaturas mais altas. Para a raça Santa Gertrudes, não 
houve diferença no desenvolvimento, enquanto novilhas Shorthorns cresceram mais no frio. 
VIEIRA et al. (1995) com base nos valores médios dos índices de conforto térmico analisados, 
concluíram que, sob um THI=93 e BGT=37,1
o
C por 8 horas, durante o dia (0900 às 1700h) e THI=83 e 
BGT=32,9
o
C por 16 horas (1700 às 0900 h), as novilhas bubalinas da raça Mediterrâneo sofreram diminuição 
no consumo de alimento e depressão no ganho de peso, atribuindo-se o fenômeno ao custo fisiológico mais 
elevado necessário para promover o resfriamento evaporativo (termólise respiratória e cutânea) e à 
hipertermia. 
As temperaturas elevadas e ar radiação solar são, dentre os fatores climáticos, os que mais causam 
afecções nos bovinos. A insolação, que se deve à ação intensa da radiação solar nos dias claros, atua 
diretamente sobre a cabeça do animal, onde provoca o superaquecimento do encéfalo, levando a transtornos 
na irrigação sangüínea do órgão. A temperatura do corpo sobe acima do limite normal, caracterizando a 
hipertermia. No “golpe de calor”, a hipertermia é devida à excessiva temperatura ambiente (épocas muito 
quentes), sem intervenção direta da radiação solar. Tanto na insolação quanto no “golpede calor”, o animal 
manifesta dificuldades de locomoção e aceleração da respiração. Temperaturas corporais superiores a 42
o
C 
são muito graves, causando transtornos no sistema nervoso central. Aos 45
o
C, o animal morre. A temperatura 
corporal normal nos bovinos varia de 38,5 a 40,5
o
C (BACCARI Jr., 1989). Em suínos de 40 a 45 kg, o 
crescimento mais rápido é obtido a 21 e 16
o
C, respectivamente (HAFEZ, 1968). 
Os frangos de corte da atualidade são provenientes de linhagens de híbridos altamente produtivos. São 
animais que crescem mais rapidamente e convertem ração em GP de forma muito eficiente. A zona de 
conforto térmico para os frangos nas fase de crescimento e final (21 a 42 dias, em média) se situa entre 15 a 
25
o
C, de forma que nas condições brasileiras de criação (clima tropical e sub-tropical), fatalmente serão 
submetidos à períodos de estresse térmico, retardando o seu crescimento. Num experimento realizado na 
câmara bioclimática, observou-se que frangos de corte submetidos ao estresse pelo calor a 32,5
o
C, em média, 
durante o dia e 27
o
C durante a noite, por 12 dias consecutivos pesaram 105,5 g a menos por ave que frangos 
mantidos na zona de termoneutralidade. No abate (12 dias após terem sido liberados do estresse), os frangos 
previamente estressados pesaram 79g a menos que os não estressados (BACCARI Jr., 1987). 
 Em frangos de corte, os efeitos do estresse pelo calor começam a se tornar preocupantes, 
principalmente após a 3
a
 semana de idade, quando as aves já possuem o seu sistema termorregulador bem 
desenvolvido, estão empenados, numa fase de expressivo consumo e crescimento e sua zona de conforto 
térmico se encontra ao redor de 24
o
C (Tabela 3). Vários autores têm relatado os prejuízos causados em lotes 
de frangos de corte criados em períodos quentes, em função do estresse calórico: queda de desempenho, em 
decorrência de um menor consumo de ração, menores ganho de peso e peso final, piora na conversão 
alimentar e aumento da mortalidade (Baccari Jr. et al., 1986, Leeson, 1986, Donkoh, 1989, Teeter, 1985 e 
1989, Mendes, 1990, May e Lott, 1992 e Fabricio, 1994, citados por SARTORI et al., 1997). 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 94 
Tabela 3. Idade dos frangos x temperatura de termoneutralidade. 
Idade das aves (dias) Temperatura ambiente (
o
C) 
0 a 3 31 
4 a 7 28 
8 a 14 26 
15 a 21 24 
22 a 30 23 
31 ao abate 21 
FABRÍCIO (1994). 
 
Acima de 25
o
C, tanto os frangos de corte, quanto as galinhas poedeiras, sofrem estresse térmico. 
Nessas condições, as aves comem menos e tomam mais água em função do aumento da temperatura corporal, 
enquanto a respiração se acelera, para aumentar as perdas de calor por evaporação. Como resultantes, o 
crescimento se reduz devido ao menor ganho de peso, no caso dos frangos, e o peso dos ovos das poedeiras 
diminui. A taxa de mortalidade aumenta na criação, sendo maior nos machos em comparação com as fêmeas 
(BACCARI Jr., 1990b). FABRÍCIO (1994) comparando os resultados dos meses de dezembro/92 e 
janeiro/93 (verão), com os dos meses de abril e maio/93 (outono), verificou diferenças significativas no 
desempenho de frangos de corte (Tabela 4). Quando as aves são criadas próximas à zona de 
termoneutralidade, na fase final, todos os índices avaliados foram melhores 
 
Tabela 4. Dados comparativos em frangos com idade de 48 dias entre os meses de dezembro/92, janeiro/93 e 
abril e maio/93. 
Mês Peso CA Mort. I.E.E. T máx, 
o
C UR, % 
12/92 2347 c 2,076 b 7,09 c 218,83 b 28,81 65,4 
01/93 2321 c 2,068 b 6,89 bc 217,71 b 28,38 77,7 
04/93 2444 b 2,012 a 5,80 ab 238,39 a 26,30 78,4 
05/93 2527 a 2,012 a 5,01 a 248,55 a 22,00 77,6 
Fonte: Sadia Concórdia S/A Indústria e Comércio - Unidade de Chapecó. Amostra: 2.321.000 aves. 
Letras iguais na mesma coluna não diferem estatisticamente (P0,05). 
 
 BERTECHINI et al. (1991a,b) observaram uma redução linear no consumo de ração de frangos de 
corte com o aumento da temperatura ambiente de 17,1 para 27,9
o
C, com uma redução equivalente no ganho de 
peso (Tabela 05). Abaixo da temperatura termoneutra (22,2
o
C), houve um aumento no consumo de 1,3 % e 
um aumento no ganho de peso de 0,7 % para cada 1
o
C. Acima da temperatura termoneutra (22,2
o
C) houve 
uma redução no consumo de 1,9 % e uma diminuição no ganho de peso de 1,8 % para cada 1
o
C. Estes dados 
estão em conformidade com os observados por NAS (1981), onde o consumo de ração das aves varia 1,5 % 
para cada 1
o
C entre as temperaturas de 5 a 35
o
C. 
 
Tabela 5. Efeito da temperatura ambiente sobre o desempenho de frangos de corte de 29 a 49 dias de idade. 
 Temperatura, 
o
C 
 17,1 22,2 27,9 
 (15,8 a 18,3) (21,3 a 23,1) (26,9 a 28,9) 
Consumo 
g/ave 2711 2547 2272 
Relativo 106,4 100 89,2 
%/ 1oC +1,3 0 -1,9 
Ganho 
g/ave 1139 1100 990 
Relativo 103,5 100 90 
%/ 1oC +0,7 0 -1,8 
Umidade relativa média de 50, 76 e 79 % para as temperaturas de 17,1, 22,2 e 27,9
o
C, respectivamente. 
(BERTECHINI et al., 1991a,b). Média de 2 experimentos. 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 95 
 O estresse calórico é responsável por grandes perdas no rendimento de frangos de corte, já que estas 
ocorrem na fase final de criação, aumentando a mortalidade, diminuindo o peso e piorando a conversão 
alimentar. A nível de campo, observa-se que a mortalidade acentua-se no final da tarde, aproximadamente 
quatro horas após o pico de temperatura (que ocorre em torno das 1300 h), quando as aves ficam exaustas e 
não conseguem manter a temperatura corporal (hipertermia), pois a hiperventilação pulmonar não é suficiente 
eficaz na perda de calor e induz o animal à alcalose respiratória (FABRÍCIO, 1994). 
 O consumo de alimento diminui com o calor , enquanto que o consumo de água aumenta. Em bovinos 
de corte, o consumo de matéria seca diminui 3 a 10% quando a temperatura ambiente aumenta de 25 para 
35
o
C. Para a mesma variação, o consumo de água aumenta de 4 para 10 litros/kg de MS ingerida. As 
exigências de manutenção permanecem as mesmas ou até aumentam, resultando em uma piora na eficiência 
alimentar (BERGIGIER, 1989). 
 No caso de frangos de corte, o consumo de alimento e o calor ambiente causam um aumento na 
estocagem de calor que resulta, especialmente em ambientes quentes, em uma redução do consumo de 
alimentos, que pode causar a falta de algum nutriente essencial para o desenvolvimento do animal. Com 
relação aos aminoácidos pode levar a falta de algum dos limitantes e provocar uma redução no ganho de peso 
e também aumento do catabolismo dos demais aminoácidos que ficam sobrando. O aumento do catabolismo, 
por conseqüência, aumenta a produção de calor, o que leva a reduzir ainda mais o consumo e em alguns casos 
a morte das aves (PENZ JR., 1989). 
 No estresse térmico agudo, ocorre acentuada perda de peso, a qual é atenuada pela presença de água. 
Os pintos aos 7 dias de idade perdem relativamente mais peso que os frangos (40 dias), mas apresentam ganho 
compensatório adequado quando colocados em situação termoneutra (CÉSAR et al., 1994). 
 Independente da origem das linhagens de frangos de corte, os genótipos que apresentam as mais altas 
taxas de crescimento em temperaturas baixas ou normais, são os mais afetados pelas altas temperaturas e que 
os machos são bem mais sensíveis que as fêmeas. Este efeito atua em detrimento ao desempenho animal, 
como também no rendimento e composição das carcaças. Genótipos selecionados com ênfase na conversão 
alimentar ou para baixa ou alta deposição de gordura abdominal são menos afetados pelas altas temperaturas 
(Leenstra, 1992 citado por COSTA, 1997).Teoria termostática do controle do consumo de alimento: 
 Todos os animais homeotérmicos apresentam um consumo de alimento inversamente proporcional à 
temperatura do meio ambiente (NRC, 1981). 
 A alteração do consumo de alimento, em função da temperatura ambiente, é um dos mecanismos que 
possibilitam ao animal regular sua temperatura corporal dentro de um limite térmico compatível com sua 
atividade metabólica. Assim, o animal diminui o consumo de alimento, quando a temperatura ambiental é alta, 
e aumenta, quando é baixa. Esse comportamento alimentar está associado aos mecanismos de produção e 
perda de calor. 
 Brobeck (1948, 1957, 1960) citado por MACARI et al. (1994) postulou a teoria termostática, segundo 
a qual, as condições térmicas ambientais determinariam uma modificação da temperatura corporal profunda 
que, sinalizada no hipotálamo anterior, modularia o comportamento alimentar do animal. A teoria pressupõe a 
existência de um ponto de referência (“set-point”) térmico corporal, acima do qual, o consumo de alimento 
seria diminuído e, abaixo, aumentado. 
 As críticas a essa teoria apontam justamente para a dificuldade de se estabelecer qual é o “set-point” 
térmico hipotalâmico e pela constatação de que a temperatura corporal profunda é passível de modificações 
temporais não relacionadas com alterações da temperatura ambiental e nem com o início e término das 
refeições (Sykes, 1979, citado por MACARI et al., 1994). 
 Mas, como a temperatura corporal profunda é influenciada por modificações na taxa metabólica que, 
por sua vez, altera-se com o nível de alimentação e/ou temperatura ambiental, é possível que outro 
mecanismo, que não o do “set-point”, esteja envolvido na regulação da ingestão alimentar, via temperatura 
ambiental/temperatura corporal, utilizando, talvez, a participação de hormônios calorigênicos (tiroxina, 
triiodotironina) e hormônios metabólicos que atuam na partição de energia corporal (insulina, glugagon, 
hormônio de crescimento, entre outros) (Ingran & Dauncey, 1986, citados por MACARI, 1994). 
 
 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 96 
Efeitos psicológicos: 
O efeito do estresse no crescimento de animais não está relacionado unicamente à estressores de 
natureza física, mas também a pressões psicológicas. Semelhantes estados de estresse, que podem resultar em 
menores GP em bovinos, foram observados em várias situações: grupos confinados com maior densidade 
populacional, animais de menor categoria social e em animais isolados (ENCARNAÇÃO, 1989). 
 Também em suínos é notório o efeito social no desempenho produtivo. Beilharz & Cox (1967) citados 
por ENCARNAÇÃO (1989) acharam correlações positivas entre categoria social e peso aos 42, 98 e 154 dias 
de idade. McBride et al. (1964; 1965) citados por ENCARNAÇÃO (1989), atribuíram à hierarquia social de 
13 a 17 % da variação do ganho de peso vivo. 
 
 
Mudanças na composição do corpo em animais em crescimento: 
 Além da influência sobre o crescimento, os fatores ambientais influenciam a composição do corpo 
(características de carcaça e qualidade da carne). Em todas as espécies animais, o crescimento pára em 
temperaturas limites (baixas ou altas) e é máximo nas zonas de conforto do animal (MÜLLER, 1989). 
 Fêmeas Holstein de regiões mais quentes apresentaram comprimento do corpo e altura de cernelha 
menores que suas meio-irmãs paternas criadas em regiões frias (Mcdowell, 1972, citado por ENCARNAÇÃO, 
1989). Porcos criados a 35
o
C por 8 semanas apresentaram extremidades mais longas e menos pêlos que as 
testemunhas, mantidas a 25
o
C. Galinhas a 18
o
C tem elevado GP, porém a maior parte é acumulo de água, pois 
o ganho calórico é mínimo. Ratas criadas de 21 a 27
o
C possuem menos tecido adiposo do que as criadas a 
34
o
C. Nos animais em lactação, as reservas de gordura se esgotam com o aumento da temperatura ambiente. 
Há um efeito do ambiente sobre o teor de gordura intramuscular, cor e maciez da carne, durante a engorda de 
suínos e ovinos (WENIGER, 1971). 
 
 
Regulação neuro-hormonal: 
 O crescimento animal está sujeito à regulação hormonal. Em caso de estresse há um desequilíbrio do 
sistema endócrino. A hipófise secreta menos hormônio tireotrófico, reduzindo a atividade da tireóide (Faber & 
Haid, 1976, citados por ENCARNAÇÃO, 1989). Esta glândula por intermédio de seus hormônios (T3, T4 e 
outros), desempenha importante papel estimulando os metabolismos de proteínas, gorduras, carboidratos, 
água, minerais e energia, além de sua imprescindível função no crescimento. 
Segundo Mitra et al. (1972) e Mitra & Johnson (1972), citados por ENCARNAÇÃO (1989), O 
estresse prolongado também inibe a secreção do hormônio do crescimento (GH). O GH é um dos principais 
hormônios anabólicos, responsável pela estimulação do desenvolvimento corporal, atuando em todos os 
tecidos, particularmente nos ossos, músculos, rins, fígado e tecido adiposo. 
Baccari Jr. et al. (1983) citados por ENCARNAÇÃO (1989) verificaram que bezerras Holstein (5 
meses de idade) expostas por 5 semanas ao estresse térmico (32 a 34
o
C) apresentaram um aumento na 
temperatura retal e uma redução nos ganhos de peso e na concentração plasmática de triiodotironina (T3). 
JOHNSON et al. citado por ENCARNAÇÃO (1989) trabalhando com os mesmos animais verificaram que o 
comportamento do GH é semelhante às alterações do T3 e dos ganhos de peso. Após a exposição ao calor, os 
animais voltaram a TN (20
o
C) e apresentara valores de T3 e ganhos diários superiores ao período pré-estresse 
térmico (reações compensatórias). O GP foi correlacionado positivamente com T3 e GH e negativamente com 
a temperatura retal. 
Segundo Faber & Haid (1976) citados por ENCARNAÇÃO (1989), sob estresse, a hipófise diminui a 
secreção dos hormônios gonadotróficos, reduzindo a atividade das gônadas e a secreção dos hormônios 
sexuais. O mesmo acontece com os hormônios sexuais oriundos da adrenal, onde o eixo hipotálamo - hipófise 
- córtex-adrenal é desativado pelo “feed-back negativo”, e em caso de esgotamento da glândula (estresse 
crônico), a produção desses esteróides é ainda mais reduzida. Os esteróides possuem grande efeito anabólico, 
estimulando o crescimento e desenvolvimento da musculatura. 
 
 
Resistência orgânica: 
Em casos de estresse prolongado, o efeito catabólico e a gliconeogênese, estimulados pelos 
glicocorticóides, têm como conseqüência a perda de peso dos animais, pois os tecidos muscular e adiposo são 
transformados em glicose, para fins de produção de energia. Outro efeito decorrente da mesma síndrome, que 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 97 
influi indiretamente sobre o crescimento ou engorda é a reduzida resistência orgânica contra infecções, 
quando sob elevados níveis de hormônios corticoadrenais. Altas concentrações de glicocorticóides acarretam 
atrofia do timo e outros órgãos linfáticos, com conseqüente prejuízo na produção de anticorpos 
(ENCARNAÇÃO, 1989). 
Embora menos sensíveis às quedas de temperatura, estas também podem provocar perdas de peso e 
queda de resistência em ruminantes. Não é raro o aparecimento de pneumonia e diarréia em bezerros expostos 
ao frio, podendo levar à morte (ENCARNAÇÃO, 1989). 
Doenças como bronquite, New Castle, laringotraqueíte, coriza, colibacilose e cólera comprometem o 
sistema respiratório e é através da respiração que ocorre uma das principais trocas de calor em ambientes com 
alta temperatura. Os animais tendo os pulmões e/ou os sacos aéreos comprometidos tem uma redução na 
capacidade de troca que resulta em uma maior probabilidade de morrerem em condições de calor (PENZ JR., 
1989). 
 
 
Período inicial de criação (animais recém-nascidos):A amplitude térmica externa reflete diretamente na amplitude térmica interna dos galpões. Visto que 
os maiores índices de mortalidade ocorrem em dias de amplitudes maiores, este tema deveria ser tratado com 
mais atenção pelos pesquisadores, uma vez que o frango não resiste adequadamente às variações altas e 
bruscas da temperatura ambiente. O manejo adequado, bem como as instalações com materiais construtivos de 
maior inércia térmica, podem solucionar parcialmente o problema de calor excessivo. Entretanto, em dias de 
amplitudes críticas e temperaturas mínimas muito abaixo da zona de termoneutralidade nas primeiras 
semanas, a única solução fica sendo o aquecimento artificial adequado (NAAS, 1995). 
 Mesmo em ambientes nos quais a temperatura varia entre 22 a 30
o
C, não é aconselhável a retirada do 
aquecimento na fase inicial dos frangos de corte para reduzir os custos de produção, pois a resposta 
comportamental de agrupamento, não é suficiente para compensar a demanda energética sem custo adicional 
extra, refletindo na piora da conversão alimentar (CAMPOS et al., 1993). Em ambientes com temperaturas 
frias, ocorre uma maior produção de calor pelo organismo animal e um maior consumo de alimento. 
 Considerando valores de ITGU e CTR, na segunda semana de idade, as placas aquecidas 
eletricamente propiciaram melhores condições ambientais para as aves quando comparadas aos outros 
sistemas de aquecimento testados (campânula a gás, campânula elétrica e lâmpadas infravermelhas). 
Considerando a UR, as placas aquecidas e as lâmpadas infravermelhas propiciaram as melhores condições 
ambientais, com menores valores de UR e melhor qualidade de cama. A melhor observação comportamental 
foi verificada no tratamento com placas aquecidas eletricamente, em que os animais ficaram tranqüilos e 
uniformemente distribuídos nos círculos de proteção (ABREU et al., 1995a). 
 ABREU et al. (1995b) estudando o desempenho de frangos de corte frente a diferentes sistemas de 
aquecimento na fase inicial, verificaram que, de forma geral, as placas aquecidas eletricamente propiciaram os 
melhores resultados de desempenho produtivo para os machos e as fêmeas. 
 Segundo BACCARI Jr. (1990a), o resfriamento a que estão sujeitos os animais recém nascidos, nas 
épocas frias do ano, se deve à excessiva perda de calor do organismo levando à queda da temperatura do corpo 
(hipotermia) e, não raro, à morte. Os recém-nascidos tem pouca reserva de energia e a sua capacidade para 
regular a temperatura corporal é limitada, sendo importante que logo após o nascimento o animal mame para 
adquirir energia e sobreviver. A maior ocorrência de mortes se verifica quando o tempo é frio e úmido, 
acompanhado de vento. Para evitar a morte dos recém-nascidos em situações de frio, deve-se secar os pêlos o 
mais rápido possível após o nascimento, esfregando vigorosamente o corpo do animal com um pano seco 
(estimula a atividade muscular) e protegê-lo do vento. Pode-se utilizar aquecedores elétricos e lâmpadas 
infravermelha em casos mais críticos (temperatura corporal próxima a 36
o
C). 
 
 
Nutrição: 
As necessidades nutritivas de um animal também dependem da temperatura do meio. A redução ou 
cessação do crescimento nas altas temperaturas deve-se, aparentemente, a: a) diminuição voluntária da 
ingestão de alimentos; b) aumento do gasto de energia para dissipação de calor (aumento do ritmo 
respiratório) e c) redução da quantidade de N, gordura ou água armazenada (MÜLLER, 1989). Efeito 
catabólico sobre os tecidos conjuntivos e ósseos e órgãos linfáticos, com balanço negativo de nitrogênio no 
organismo (inibição do crescimento). 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 98 
Genética: 
Uma alternativa ainda pouco explorada para enfrentar o problema de adaptação às condições tropicais 
é a introdução de genes maiores, tais como, os genes “pescoço pelado” (Na) e “empenamento lento” (K), nas 
linhagens selecionadas utilizadas pelos produtores de pintos de corte (DAROZ et al., 1991). O efeito desses 
genes são: 
a) gene Na: redução no número de penas na ordem de 30%, caracterizando-se por deixar o pescoço das aves 
completamente desprovido de penas (pelado); 
b) gene K: conduz a um desenvolvimento tardio das penas deixando áreas do dorso das aves quase sem penas. 
 
 
LITERATURA CONSULTADA: 
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de Pesquisa... Campinas: FACTA, 1995a. p.237-238. 
ABREU, P.G., SOARES, P.R., BAÊTA, F.C. et al. Sistemas de aquecimento tradicionais vs aquecimento em 
piso, com resistência elétrica, para criação de aves: II - desempenho produtivo de frangos de corte. In: 
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Pesquisa... Campinas: FACTA, 1995b. p.235-236. 
BACCARI JR., F. Calor retarda engorda de aves. Folha de São Paulo, São Paulo, 18 de agosto de 1987. 
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Agrofolha, p.C-11. 
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BACCARI JR., F. Planeje aviários para clima quente. Folha de São Paulo, São Paulo, 27 de fevereiro de 
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BERGIGIER, P. Effect of heat on intensive meat production in the tropics: cattle, sheep and goats, pigs. In: 
CICLO INTERNACIONAL DE PALESTRAS SOBRE BIOCLIMATOLOGIA ANIMAL, I, 1986, 
Botucatu. Anais... Jaboticabal: FUNEP, 1989. p.07-44. 
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sobre o desempenho de frangos de corte. In: CONFERÊNCIA APINCO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA 
AVÍCOLAS, 1993, Santos. Trabalhos de Pesquisa... Campinas: FACTA, 1993. p.83. 
CÉSAR, R.A., FURLAN, R.L., MACARI, M. et al. Efeito do estresse calórico agudo sobre a perda de peso 
em frangos de corte de diferentes idades. In: CONFERÊNCIA APINCO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA 
AVÍCOLAS, 1994, Santos. Trabalhos de Pesquisa... Campinas: FACTA, 1994. p.139-140. 
COSTA, P.T.C. Criação de frangos sexados: vantagens x desvantagens e programas de alimentação. In: 
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ENCARNAÇÃO, R.O. Estresse e produção animal. In: CICLO INTERNACIONAL DE PALESTRAS 
SOBRE BIOCLIMATOLOGIA ANIMAL, I, 1986, Botucatu. Anais... Jaboticabal: FUNEP, 1989. p.111-
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FABRÍCIO, J.R. Influência do estresse calórico no rendimento da criação de frangos de corte. In: 
CONFERÊNCIA APINCO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA AVÍCOLAS, 1994, Santos. Anais... 
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MACARI, M., FURLAN, R.L., GONZALES, E. Fisiologia aviária aplicada a frangos de corte. Jaboticabal: 
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NAAS, I.A., MOURA, D.J., LAGANÁ, C. A amplitude térmica e seu reflexo na produtividade de frangos de 
corte. In: CONFERÊNCIA APINCO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA AVÍCOLAS, 1995, Curitiba. 
Trabalhos de Pesquisa... Campinas: FACTA, 1995. p.203-204. 
PENZ JR., A.M. Estresse pelo calor: efeitos em frangos de corte e matrizes. Manipulação do equilíbrio ácido-
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Anais... Campinas: APINCO, 1989. p.139-146. 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia.99 
SARTORI, J.R., GONZALES, E., SOUZA, E.M. et al. Efeito do período de jejum na fase final de criação de 
frangos de corte machos sobre o desempenho e mortalidade. Revista da Sociedade Brasileira de 
Zootecnia, v.26, p.1192-1199, 1997. 
TINÔCO, I.F.F. Resfriamento adiabático evaporativo no controle térmico de galpões avícolas. In: 
CONFERÊNCIA APINCO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA AVÍCOLAS, 1994, Santos. Anais... 
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VIERA, R.J., BACCARI JR., F., OBA, E. et al. Efeitos do estresse térmico sobre o desempenho produtivo e 
algumas variáveis fisiológicas de novilhas bubalinas da raça Mediterrâneo. In: CONGRESSO 
BRASILEIRO DE BIOCLIMATOLOGIA, I, Jaboticabal, 1995. Resumos das Comunicações... 
Jaboticabal: SILVA, R.G., 1995. p.65-66. 
 
 
EXERCÍCIOS PROPOSTOS: 
1. Os animais submetidos ao estresse pelo calor diminuem a sua taxa de crescimento. Esta diminuição está 
principalmente associada à 3 fatores. Cite-os. 
2) Como o estresse pelo calor pode afetar o crescimento pré-natal? 
3) No que se baseia a teoria termostático do consumo de alimento? 
4) Porque os animais recém-nascidos são mais sensíveis ao frio? 
5) Explique como o estresse pelo calor afeta o crescimento do animal através de sua regulação hormonal? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 100 
Aula 11 - Efeitos do Ambiente Tropical Sobre a Produção de Leite 
 
 
I. EFEITOS DO AMBIENTE TROPICAL SOBRE A PRODUÇÃO DE LEITE 
 As vacas, em virtude de serem animais homeotérmicos, reagem a variações da temperatura ambiente, 
com objetivo de manter a temperatura corporal constante. Porém, quando há um aumento muito acentuado na 
temperatura ambiente, há uma elevação na temperatura corporal, o que é chamado de hipertermia. A 
hipertermia causa um aumento de 40 a 50% no índice metabólico. As reservas de glicogênio no fígado são 
esgotadas e a energia é obtida mediante o uso de proteína corporal, salvo se a alimentação fornecer o 
excedente. Os animais com hipertermia costumam ingerir maiores quantidades de líquidos e urinar menos. Há 
uma aceleração da respiração e dos batimentos cardíacos. O corpo tenta enviar maior quantidade de sangue à 
epiderme para promover ação refrescante. Em virtude da deficiência respiratória, causada pelo estresse 
prolongado ou excessivo, pode advir a morte do animal. Há uma maior tolerância ao estresse em vacas secas 
quando comparadas às vacas em lactação. Raças zebuínas apresentam maior resistência ao estresse que as 
raças taurinas. O estresse pode-se tornar um problema crítico e ocasionar a morte dos animais. Sem dúvida, 
acarretará baixas produções, pouca eficiência alimentar, elevada suscetibilidade a doenças e diminuição da 
eficiência reprodutiva (PARDUE et al., 1990). 
Nos trópicos a produção de leite é muito baixa e o problema principal está na adaptação das raças 
leiteiras de alta produtividade de origem européia, ao ambiente composto por fatores climáticos estressantes, 
tais como altas temperatura e umidade do ar e elevada incidência de radiação solar (MÜLLER, 1989). As 
vacas de raças leiteiras em lactação, são particularmente sensíveis ao estresse térmico devido a sua função 
produtiva mais especializada e a sua alta eficiência na utilização dos alimentos (BACCARI JR., 1989). 
 Os animais sob condições de pasto aberto estão expostos à: 1) radiação solar direta, sendo que parte 
das ondas se refletem segundo a cor e outras propriedades do pelame, e as restantes são absorvidas na forma 
de calor, 2) radiação solar refletida nas nuvens e outras partículas da atmosfera, uma parte da qual pode ser 
refletida pelos pêlos dos animais e 3) radiação solar refletida pelo solo e outros objetos que rodeiam o animal. 
Estas fontes de radiação se somam ao calor do próprio animal (BACCARI JR., 1989). 
Em temperaturas ambiente abaixo de 4,4
o
C, as vacas leiteiras são obrigadas a dispor de mecanismos 
de termorregulação para manter constante a temperatura corporal, porém com pouca ou nenhuma influência 
na produção. Abaixo -10oC, a compensação pelo aumento do consumo de alimento não é suficiente para 
manter o nível da produção de leite. Os efeitos de um aumento da temperatura ambiente acima de 23,9
o
C 
variam segundo a espécie, a raça, o potencial produtivo, o grau de tolerância ao calor, o estágio de lactação, o 
nível alimentar e o tipo de manejo a que estão submetidos estes animais (MÜLLER, 1989). 
A zona de termoneutralidade para produção de leite acha-se entre -5 a 21
o
C para vacas Holandesas 
(Johnson, 1985), sendo ligeiramente maior, 24
o
C, para as vacas Jersey e Schwys (Johnson, 1965). Para as 
raças tropicais esse limite atinge 29
o
C (Worstell e Brody, 1953). Na Figura 1 são observadas as variações no 
consumo de alimento e na produção de leite de animais submetidos a uma variação de temperatura de -20 a 
40
o
C (Johnson, 1965 citado por MÜLLER, 1989). Observa-se um equilíbrio entre as duas variáveis entre -10 e 
23,9
o
C. Os extremos, inferior e superior, produzem alterações irreversíveis. 
 
Leite (kg) 
 
 50 
45 
 40 
 35 
 30 
 25 
 20 
 15 
 10 
 
 -20 -10 0 10 20 30 Temperatura ambiente, 
o
C 
Figura 1. Variações no consumo de alimento e na produção de leite de animais submetidos a uma variação de 
temperatura de -20 a 40
o
C (JOHNSON, 1953). 
Tensão pelo frio 
Tensão pelo calor 
Produção de Leite 
Consumo de Alimento 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 101 
Para Worstel e Brody (1953) citados por MÜLLER (1989), aumentos da temperatura ambiente acima 
de 15,6
o
C afetam o gado de origem européia. A temperatura retal em vacas altamente produtoras começa 
aumentar acima dos 21,1
o
C, seguido de uma diminuição no consumo de alimento, na produção de leite, na 
produção de calor e na freqüência cardíaca. Os animais mestiços (Europeu x Zebu) apresentam uma baixa 
carga de calor atribuída à baixa taxa de metabolismo, e apresentam menor produção de leite. 
Animais com produção de leite mais baixa, tem uma taxa metabólica menor e uma menor produção de 
calor corporal. Desta forma, os animais tolerantes ao calor não são necessariamente os mais produtivos ou os 
mais eficientes quando expostos ao estresse térmico. 
 Segundo PARDUE et al. (1990), vários fatores acrescentados à alta temperatura podem causar o 
estresse: 
1. Exposição direta à luz solar ou deficiência de sombra; 
2. Esforços severos no calor, tais como e exercícios forçados; 
3. Confinamento, geralmente em explorações leiteiras intensivas ou no transporte de animais por longas 
distâncias; 
4. Desidratação, devido a perdas acentuadas por evaporação cutânea e respiratória e diminuição do consumo 
de água em função de pouca disponibilidade e elevada temperatura da água de bebida. 
5. Condição do animal. Vacas gordas e aquelas com quantidade excessiva de pêlo apresentam menor 
tolerância ao estresse. 
 
1. UMIDADE X TEMPERATURA: 
Acima de 18,3
o
C a umidade relativa do ar (UR) alta causa perdas na produção de vacas holandesas. 
Segundo Johnson et al. (1962) citados por MÜLLER (1989), a UR acima de 50% afeta adversamente a 
produção de leite quando a temperatura ambiente ultrapassa 18,3
o
C. A combinação temperatura ambiente e 
UR influencia significativamente o consumo de NDT. A UR em ambientes com temperatura acima dos 26,7
o
C 
apresenta-se como fator crítico para a manutenção do balanço calórico, assim como sobre o consumo de 
alimento e a produção de leite. 
MacDowell (1971) citado por MÜLLER (1989) verificou que a produção leiteirade uma vaca 
Holandesa sofre uma redução de quase 50% a 29,4
o
C e das vacas zebuínas e cruzamentos não serem afetadas 
em sua produção, a produção/lactação destes dois grupos de animais não chegaria aos níveis observados em 
vacas holandesas (Figura 2). 
 
 
Figura 2. Influência de diversos níveis 
de temperatura, umidade relativa e 
radiação térmica sobre o consumo de 
energia e rendimento leiteiro do Zebu, 
cruza Zebu-Europeu e vacas 
Holandesas. Efeitos da temperaturas e 
umidades relativas a 50% e 60% e 
energia total (efeito adicional calculado 
da radiação). 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 102 
A temperatura ótima para a produção de leite depende da espécie, raça, e grau de tolerância ao calor e 
ao frio. A raça Holandesa apresenta uma diminuição na produção de leite a partir de 24
o
C, a Suiça e Jersey a 
partir de 27
o
C e as Zebuínas acima de 32
o
C (MÜLLER, 1989). 
 AGUIAR et al. (1995) verificaram que um estresse térmico brando, igual ou próximo aos valores 
críticos de temperatura do ar e de THI deprimiu significativamente a produção de leite de vacas holandesas, 
porém em pequena magnitude, nas fases de termoneutralidade subseqüentes, mas quando as vacas 
permaneceram alguns dias em condições de termoneutralidade seguintes ao estresse, revelaram capacidade de 
recuperar total ou parcialmente a produção de leite no período de estresse térmico brando subseqüente. 
 
2. Sombreamento natural e artificial: 
Experimentos realizados em regiões de clima quente têm demonstrado que vacas com acesso à 
sombra no verão, podem produzir até 21,5% a mais de leite que suas congêneres mantidas ao sol nas horas 
mais quentes do dia. A sombra pode reduzir de 30 a 50 % a carga de calor sobre os animais (BACCARI JR., 
1989). 
Mac Farlene e Stevens (1972) citados por BACCARI JR. (1989) verificaram que a sombra natural 
(coqueiros espaçados a cada 10 m
2
) teve um efeito benéfico altamente significativo sobre as vacas cruzadas 
(Holandês x Boran), que apresentaram produção de leite 18,24% superior que as vacas controle sem sombra. 
Não houve efeito significativo do sombreamento sobre a produção de leite das Boran. Trabalho realizado 
numa região quente e úmida da Tanzânia. 
Roman-Ponce et al. (1977) citados por BACCARI JR. (1989) observaram que as vacas (Holandesas, 
Jersey e Guersey) sem acesso à sombra permaneciam deitadas durante o dia, preferindo pastar no fim da tarde 
e à noite. As vacas com acesso a sombra tiveram uma produção de leite diária média 10,7 % maior que suas 
congêneres sem acesso à sombra. 
Ingraham et al. (1979) citados por BACCARI JR. (1989) verificaram que, vacas holandesas na 1a fase 
de lactação, que dispuseram de sombra, produziram 18,5 kg de leite/dia, contra 14,5 kg de leite/dia, das vacas 
expostas ao sol, ou seja, 21,5% a mais de leite. 
Collier et al. (1981) citados por BACCARI JR. (1989) trabalhando com vacas Holandesas e Jersey em 
2 grupos (com e sem acesso a sombra), verificaram que as vacas que dispunham de sombreamento produziram 
aproximadamente 16% a mais de leite que sua companheiras mantidas ao sol (médias de 15,1 e 12,7 kg de 
leite/dia, paras as vacas com e sem sombra, respectivamente). Tanto a temperatura retal como a freqüência 
respiratória foram mais baixas nas vacas com sombreamento. 
Collier et al. (1982) citados por BACCARI JR. (1989) estudaram o efeito do estresse térmico durante 
o último trimestre de gestação, sobre a produção de leite pós-parto (primeiros 100 dias) em vacas holandesas 
divididas em 2 grupos (com e sem acesso à sombra) e verificaram que as vacas com acesso à sombra 
produziram mais leite que suas congêneres ao sol, embora a diferença não tenha sido estatisticamente 
significativa. 
BACCARI et al. (1982) não observaram diferença na produção de leite de vacas com e sem sombra, 
embora a temperatura retal das vacas à sombra (das 12 às 16 h) tem sido significativamente menor que das 
vacas ao sol. O mesmo ocorreu para o calor radiante indicado pelo globotermômetro (Tabela 1). O não 
melhoramento do produção através do sombreamento deveu-se ao baixo mérito genético das vacas (variados 
graus de mestiçagem Zebu x Europeu) e às baixas produções de leite. Além disso, o material de cobertura do 
estábulo (asbestos) e a orientação (Norte-Sul) não são os mais indicados. 
A Tabela 2 resume os resultados obtidos por vários autores quanto aos tratamentos sombra e sol sobre 
a produção leiteira (BACCARI JR., 1989). Para as raças puras o oferecimento de sombra propicia um 
aumento na produção de leite. A aspersão de água também é benéfica. 
 
Tabela 1. Condições meteorológicas, temperatura retal e produção de leite sob os tratamentos sol e sombra 
para vacas mestiças. 
Parâmetro Sol Sombra 
Temperatura do ar, 
o
C 29,5 29,3 
Índice de temperatura e umidade, THI 79 79 
Temperatura do Globotermômetro, oC 40,1 29,6** 
Temperatura Retal, oC 39,4 38,8** 
Produção de Leite, kg/dia 2,8 2,7 
** P<0,01. BACCARI et al. (1982). 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 103 
Tabela 2. Produção leiteira de vacas de acordo com os tratamentos sol e sombra e porcentagem de aumento 
devido à sombra. 
 Produção de leite, kg/dia 
 Sol Sombra % Autor 
Holandesa, Jersey, Guersey e Schwys 15,0 16,6 10,7 ROMAN-PONCE et al. (1977) 
Holandesa 14,5 18,5 21,5 INGRAHAM et al. (1979) 
Holandesa e Jersey 12,7 15,1 16,0 COLLIER et al. (1981) 
Mestiças (Zebu x Europeu) 2,8 2,7 0,0 BACCARI et al. (1982) 
BACCARI JR. (1989). 
 
3. Aspersão de água: 
Hernàndez e Castellanos (1983) citados por BACCARI JR. (1989), numa região de clima subtropical 
úmido (AWo). verificaram que o uso de banhos refrescantes melhorou o desempenho desempenho produtivo e 
reprodutivo de vacas Holandesas, Schwys e cruzadas Holandês-Zebu, aumentando a produção de leite em 7% 
nas raças especializadas e 19% nas cruzadas em relação às tetemunhas (sem banho). A taxa de fertilidade foi 
maior nas banhadas (76% nas raças especializadas e 65% nas cruzadas) que nas sem banho (20% nas 
especializadas e 37% nas cruzadas). O número de serviços foi menor nas tratadas (1,3 nas especializadas e 1,5 
nas cruzadas) em relação às testemunhas (4,8 nas especializadas e 2,6 nas cruzadas). 
Igono et al. (1985) citados por BACCARI JR. (1989), observaram que vacas holandesas que 
receberam aspersão de água (das 11 às 17:30 h, 43 litros/h) à sombra quando a temperatura do ar excedeu 
27oC apresentaram uma produção de leite significativamente maior que as vacas com sombra sem aspersão 
(controle). A temperatura retal foi significativamente menor para as vacas com aspersão. A aspersão foi 
benéfica mesmo durante um verão relativamente moderado e que o THI médio de 73,9 foi apenas ligeiramente 
superior ao THI considerado crítico, de valor 72, a partir do qual a produção de leite começa a declinar. 
Igono et al. (1992) citados por SILVA (1996) observaram a variação da produção de leite em dois 
rebanhos durante um ano, nas condições de deserto, com altas temperaturas durante o dia (Arizona, EUA), 
sendo que um dos rebanhos era manejado com resfriamento evaporativo no estábulo durante as horas mais 
quentes do dia, ao passo que o outro não tinha este benefício (Tabela 03). A temperatura máxima diária variou 
desde 18,6
o
C no inverno até mais de 40,5
o
C no verão; a umidade de 10,6% no verão a 70,1% no inverno. 
 
Tabela 3. Efeito da temperatura ambiente sobre a produção média diária de leite de vacas da raça Holandesa 
no Arizona, EUA. 
Ambiente Rebanho 1 
(com resfriamento) 
Rebanho 2 
(sem resfriamento) 
 n kg/dia n kg/dia 
Frio 8.285 30,1  0,01 200 31,8  0,07 
Frio a morno 12.739 29,6  0,01 616 29,0  0,07 
Frio, mornoe quente 12.542 28,2  0,02 712 28,4  0,01 
Morno a quente 8.205 26,9  0,02 571 26,9  0,01 
Quente 8.152 25,3  0,02 563 21,7  0,01 
IGONO (1992). 
 
 
4. Recomendações gerais de manejo ambiental para vacas leiteiras nos trópicos úmidos (BACCARI JR., 
1989 e PARDUE et al., 1990): 
a. Prover sombra para as vacas: procurando protegê-las da radiação solar direta, uma vez que a temperatura 
do ar ao sol e à sombra é praticamente a mesma (BACCARI, 1988). 
 sombreamento natural: árvores com copa frondosa e alta (3 m no mínimo); 
 sombreamento artificial (abrigos): 
 altura de 3,70 m do nível do solo ao ponto mais baixo do telhado (pé direito); 
 largura de 13 m (4,64 m2 de piso por vaca); 
 piso de concreto com 10,5 cm de espessura e declive de 1,5 a 2 %; 
 distante de árvores, edifícios e outro obstáculos que possam impedir a ventilação. 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 104 
 cobertura de telha francesa ou materiais com propriedades refletivas (alumínio ou metal galvanizado 
branco). 
 orientação leste-oeste, no sentido do eixo longitudinal do telhado; 
 recomenda-se o uso de lanternim e pintar as telhas externamente de branco (cimento amianto). 
 alimento e água dever ser dispostos na sombra. 
 
b. Prover aspersão de água (fria) sobre as vacas quando a temperatura ultrapassar 27oC. 
 aspersão de água sobre as vacas conduz o calor da superfície corporal para o ambiente e leva os animais a 
evaporarem mais umidade da pele permitindo que as vacas utilizem o calor latente de vaporização para o 
resfriamento do corpo, poupando energia que poderá ser utilizada nas funções de produção. 
 
c. Horas de ordenha: 
 segundo McDowell (1975) citado por BACCARI JR. (1989), quando a temperatura do ar é maior que 
25
o
C, as vacas pastam mais das 6 às 10 h e reduzem o pastejo das 10 às 16 h, quando procuram a sombra. 
Reiniciam o pastejo das 16 até as 20 h, e reduzem muito a partir daí, principalmente da meia-noite às 6 da 
manhã (Figura 3). Portanto, para vacas mantidas em regime de pasto, recomenda-se ordenhas em períodos 
de menor intensidade de pastejo. Fixar horários para a realização da ordenha em períodos mais frescos do 
dia; 
 entre as ordenhas, vacas devem ter livre acesso à sombra, água e alimento. 
 
Figura 3. Padrões de pastoreio de vacas leiteiras em lactação, que consomem pastos bons quando a 
temperatura diária máxima é de 20
o
C ou menor ou maior a 25
o
C (McDOWELL, 1975). 
 
d. Efetuar controle de moscas, para minimizar o gasto de energia efetuado pelos animais para espantar as 
moscas. Aplicação de vacinas de acordo com os desafios da região, desinfecções dos estábulos e demais 
medidas profiláticas recomendadas. 
e. Dar prioridade às vacas secas, através da elaboração de programas que visem prevenir o estresse; 
f. Fornecer água fresca e limpa em abundância; 
g. Realizar o manejo dos animais em pequenos grupos, com pastagens bem divididas. 
h. Promover reajustes nos programas alimentares para compensar o declínio na ingestão de alimentos. 
Verificam-se bons resultados quando se administra pouca quantidade de forragem e maior quantidade de 
cereais (ração de maior digestibilidade que proporciona menores perdas corporais); 
i. Aumentar o número de tratos alimentares (3 a 4 vezes por dias); 
j. Efetuar os tratos alimentares nos períodos mais frescos do dia. 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 105 
Outra forma de combater o estresse é a busca de animais resistentes ao estresse. Por meio de seleção 
vem sendo possível produzir linhagens que demonstrem menor sensibilidade aos estressores ou maior 
capacidade de adaptação ao meio ambiente. Nesse sentido observa-se a nítida diferença entre raças dentro de 
uma mesma espécie, o que permite esperanças otimistas em futuros programas de seleção e cruzamentos para 
produzir mestiços que combinem as características de maior resistência às regiões tropicais. 
Nos trabalhos de melhoramento devemos considerar a existência de correlações negativas entre 
produção de carne (ou fertilidade) e resistência ao estresse. Assim, a seleção unilateral de animais, orientada 
exclusivamente para a resistência ao estresse pode ter resultados indesejáveis sobre as características 
produtivas e reprodutivas (ENCARNAÇÃO, 1989). 
 Deve ser buscado, em programas de seleção, a elaboração de índices de seleção, englobando 
eficiência reprodutiva, produção de leite, tolerância ao calor e endo e ectoparasitas (POLASTRE, 1989). 
 As características que envolvem aspectos de adaptabilidade e eficiência reprodutiva revela maior 
proporção de heterose do que a produção de leite, sendo que as características que abrangem a taxa de 
crescimento e a qualidade do leite apresentam os menores níveis de heterose (POLASTRE, 1989). 
 
6. Estressores psicológicos: 
Estressores de natureza psicológica apresentam destacada importância na produção de leite, 
principalmente em criações em regime intensivo, onde cresce a competição por alimento, local de descanso e 
parceiro sexual. Elevada densidade populacional, lutas (hierarquia social), e até mesmo sensação de medo ou 
inferioridade diante de um animal dominante são motivos para um estresse social e queda da produção de leite 
(ENCARNAÇÃO, 1989). 
 
6. Considerações fisiológicas: 
A temperatura age sobre a fisiologia da produção de leite da seguinte forma: 
a) reduz a ingestão de alimentos; 
b) baixa o metabolismo (inibição da tireóide); 
c) age sobre o sistema endócrino, provocando uma hipofunção da tireóide, reduzindo o tamanho desta. Esta 
hipofunção da tireóide Influi no crescimento, na eficiência reprodutiva, na conversão alimentar e na 
produção de leite. 
 
No que se refere à composição do leite, vacas submetidas a altas temperaturas aumentam alguns 
constituintes do leite (NNP, ácido palmítico e esteárico) e diminuem outros (graxa, sólidos totais, N total, 
lactose, ácidos graxos de cadeia curta e ácido oléico). 
COLLIER et al. (1982) citados por MÜLLER (1989) estudaram as modificações que o calor ocasiona 
nas vacas leiteiras, quando expostas a ciclos diários de temperatura ambiente para definir mais claramente as 
respostas sob condição natural. Assim que a carga de calor aproxima-se da temperatura corporal: 
 diminuem as perdas sensíveis de calor (condução, convecção e radiação) e  perdas insensíveis 
(evaporação); 
 diminui o consumo de alimento e ruminação; 
 a diminuição no consumo de forragem contribui para  na produção de ácido graxos voláteis e altera 
relação acetato /propionato no rúmen; 
 diminui o pH ruminal; 
 aumento o consumo de água e a quantidade de água no rúmem e diminui a pressão osmótica do conteúdo 
ruminal; 
 diminui a concentração de eletrólitos (Na e K) no conteúdo ruminal e isto está relacionada com o aumento 
da perda urinária de Na e das perdas de K e com a diminuição de aldosterona e aumento da prolactina no 
plasma; 
 se aumenta a concentração de K na dieta de animais estressados, aumenta a produção de leite e diminui a 
concentração plasmática de prolactina; 
 a diminuição da tiroxina, do GH e de glicocorticóides no estresse crônico parecem estar relacionados com 
a diminuição do metabolismo basal durante este período; 
 o aumento da freqüência respiratória também eleva o pH sanguíneo e está associado com o aumento na 
excreção de bicarbonato pelo urina e suor. 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 106 
 aumenta a concentração de adrenalina, que está relacionada com o aumento de atividade das glândulas 
sudoríparas; 
 aumento na mastite clínica, relacionada a uma redução da resistência orgânica e elevação na quantidade de 
patógenos; 
 diminuição da circulação uterina que está associada à diminuiçãona taxa de concepção, diminuição no 
crescimento fetal e alterações nas funções placentárias. 
 
 Assim, os animais leiteiros em períodos carentes (neonatal, reprodução e lactação) são mais sensíveis 
ao estresse térmico que em outros. O estresse ambiental durante estes períodos ocasiona grandes perdas 
econômicas para os produtores. 
 
II. EFEITOS SOBRE A PRODUÇÃO DE MANTEIGA 
Nas altas temperaturas há uma diminuição total dos ácidos graxos voláteis do rúmen (Kelley et al., 
1967 citados por MÜLLER, 1989). A proporção de ácido acético em relação ao ácido propiônico diminui 
gradativamente à medida que aumenta a temperatura ambiente. Desta forma, é de se esperar que ocorra um 
declínio na percentagem de gordura do leite. 
Porém, segundo Brody citado por MÜLLER (1989), há uma tendência de aumento na percentagem de 
gordura no leite à medida que aumenta a temperatura ambiente, em vacas Holandesas e Jersey e isto ocorre, 
provavelmente, em função da queda na produção de leite (quanto menos leite, maior a percentagem de 
gordura). Porém, este aumento na percentagem de gordura não compensa a redução na produção de leite, 
quando se trata da quantidade total de gordura produzida (diminui a produção de manteiga). 
Maiplles citado por MÜLLER (1989), em Uganda, comparou raças européias e zebuínas com as 
locais e verificou que, embora as raças européias apresentem uma menor percentagem de gordura no leite, elas 
produzem mais gordura (manteiga), pela maior produção de leite (Tabela 4). Segundo ALIM citado por 
MÜLLER (1989), todas as raças nativas dos trópicos têm alta percentagem de gordura no leite (Tabela 5). 
 
Tabela 4. Percentual de gordura no leite e produção de manteiga. 
Lactação Gado Uganda Zebu x Shorthorn Holandês 
(meses) Gordura Manteiga Gordura Manteiga Gordura Manteiga 
 (%) (libras) (%) (libras) (%) (libras) 
1 5,30 7,5 5,30 4,7 3,20 22,0 
2 5,60 16,5 5,60 15,0 3,30 31,5 
3 6,00 15,5 5,90 14,5 3,40 32,0 
4 6,10 15,0 6,00 13,0 3,15 29,0 
5 6,10 14,0 6,00 11,0 3,50 28,0 
6 6,25 12,5 6,25 10,0 3,55 26,0 
7 6,25 11,0 6,50 7,5 3,65 25,0 
8 6,60 10,0 6,60 5,1 3,80 24,0 
9 6,65 7,5 6,65 4,7 4,00 22,0 
 
Tabela 5. Percentagem de gordura no leite. 
Meses Bovinos Nativos Búfalos 
Janeiro 4,41 6,45 
Fevereiro 4,45 6,43 
Março 4,34 4,39 
Abril 4,36 6,32 
Maio 4,34 6,38 
Junho 4,41 6,63 
Julho 4,40 6,56 
Agosto 4,49 6,70 
Setembro 4,50 6,71 
Outubro 4,49 6,70 
Novembro 4,53 6,62 
Dezembro 4,42 6,53 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 107 
III. INFLUÊNCIA DO CALOR SOBRE A PRODUÇÃO DE LEITE E GORDURA: 
1. O aumento da temperatura ambiente provoca uma diminuição na produção de leite, cujo início é aos 
26,5
o
C para Holandesa e 29,5
o
C para a Jersey; 
2. A redução na produção de leite devido a altas temperaturas ambientes é mais brusca para a Holandesa e 
mais gradual para a Jersey; 
3. A associação da temperatura ambiente e UR só é preocupante acima de 24oC; 
4. A redução na produção de leite ocorre paralela à diminuição no consumo de alimento; 
5. As diferenças entre Holandesa e Jersey na produção de leite estão de acordo com a diferença na 
temperatura retal de 1 a 2
o
C, mostrando que a Holandesa é menos adaptada; 
6. Pode-se constatar enormes variações individuais; 
7. O processo fisiológico de produção de leite produz muito calor, podendo dobrar a produção de calor 
corporal. Em condições quentes o animal tem que diminuir a produção de leite para sobreviver; 
8. A produção de leite tende a cessar completamente, com temperaturas ambientes muito altas (40oC ou 
mais); 
9. Aumenta a percentagem de gordura no leite quando as temperaturas são altas; 
10. A raça Holandesa revela uma tendência mais nítida a elevar a percentagem de gordura no leite do que a 
Jersey, em altas temperaturas. 
 
 
1. Relações funcionais entre o ambiente climático e o desempenho de vacas leiteiras: 
 
Declínio da produção de leite (DPL) de vacas individuais (Berry et al., 1964 citados por HAHN, 1993): 
 DPL = -1,075 - 1,736PN + 0,02474 (PN)(THI), kg/dia 
 onde : PN = nível normal da produção de leite, kg/dia; 
 THI = valor médio diário do índice de temperatura e umidade. 
 
Taxa de concepção (TC) adaptado de Ingrham (1974) por HAHN (1993): 
 TC = 388,3 - 4,62THI, em termos de % de bezerros nascidos, 
 onde: THI = valor médio diário do índice de temperatura e umidade. 
 
BACCARI et al. (1996) observaram que cabras mantiveram o consumo de alimento e a produção de 
leite durante um curto período de estresse térmico (durante 14 dias, das 0800 às 1700 h, à 38,4
o
C, 62%UR e 
temperatura de globo negro de 46,1
o
C), ainda que adaptações fisiológicas ao estresse térmico tenham sido 
evidenciadas (aumento na taxa respiratória, no consumo de água e na temperatura retal). 
Vacas leiteiras tratadas com BST em condições de clima quente claramente respondem com aumentos 
na produção de leite, consumo de água, alimentos, e na produção de calor, sem sofrer efeito adverso d 
temperatura retal ou equilíbrio energético. Os animais tratados sob condições de estresse dissipam a carga 
extra de calor pela respiração e pele. Os resultados corroboram perfeitamente a função homeorréica do BST. 
Mesmo em condições de estresse, o BST coordena as funções fisiológicas do animal para suportar os 
aumentos em produção de leite. Dessa maneira, a tolerância ao calor não parece ser uma conseqüência do uso 
de BST; garantindo-se suprimento adequado de água, alimento de alta qualidade e o manejo do ambientem, 
pode-se, de acordo com as evidências, utilizar o BST com sucesso em condições de clima tropical e 
subtropical (COLLIER e HARTNELL, 1989). 
 
 
LITERATURA CONSULTADA: 
AGUIAR, I.S., BACCARI JR., F., GOTTSCHALK, A.F et al. Produção de leite de vacas holandesas em 
função da temperatura do ar e do índice de temperatura e umidade. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE 
BIOCLIMATOLOGIA, I, Jaboticabal, 1995. Resumos das Comunicações... Jaboticabal: SILVA, R.G., 
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BACCARI JR., F., ASSIS, P.S., POLASTRE, R. et al. Shade management in tropical environment for milk 
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BACCARI JR., F. Estresse térmico causa queda na produção animal. Folha de São Paulo, São Paulo, 09 de 
agosto de 1988. Agrofolha, p.C-6. 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 108 
BACCARI JR., F. Manejo ambiental para produção de leite nos trópicos. In: CICLO INTERNACIONAL 
DE PALESTRAS SOBRE BIOCLIMATOLOGIA ANIMAL, I, 1986, Botucatu. Anais... Jaboticabal: 
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PARDUE, F.E., WRIGHT, R.E., VINES, D.T. Redução do stress. Gado Holandês, agosto, 1990. p.28. 
POLASTRE, R. Ouso de cruzamentos em bovinos de aptidão leiteira nos trópicos. In: CICLO 
INTERNACIONAL DE PALESTRAS SOBRE BIOCLIMATOLOGIA ANIMAL, I, 1986, Botucatu. 
Anais... Jaboticabal: FUNEP, 1989. p.55-82. 
SILVA, R.G.Introdução à bioclimatologia animal. São Paulo: NOBEL, 2000. 
 
 
EXERCÍCIOS PROPOSTOS: 
1) Vacas leiteiras estão entre os animais mais sensíveis ao estresse térmico pelo calor. Por que ? Em 
que fases da vida ? 
2) Quais os efeitos do estresse pelo calor na produção de leite e de manteiga? 
3) Em vacas leiteiras de alta produção criadas em uma região tropical, quais os cuidados podem ser tomados 
para minimizar os problemas causados pelo calor? 
4) Além da temperatura do ar, vários outros fatores podem contribuir para causar o estresse pelo calor em 
vacas leiteiras. Cite-os. 
5) Como a temperatura age sobre a fisiologia da produção de leite? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 109 
Aula 12 - Efeitos do Ambiente Tropical Sobre a Produção Animal (Ovinos, Suínos e Aves) 
 
 
1. OVINOS 
A raça Merino é muito adaptada a zonas semi-áridas com pouca água e, resiste à desidratação em 
ambientes com alta temperatura. Macfarlane et al. (1961) citado por MÜLLER (1989) provaram ser a 
capacidade de concentração renal da raça Merino é igual à dos camelos. A raça a raça Merino apresenta uma 
alta eficiência de perda de calor pela respiração, os carneiros de pêlo mostraram uma atividade moderada em 
todos os aspectos. O Bos indicus superou o Bos taurus na evaporação através do suor. O Búfalo, o camelo e a 
cabra são animais de alta adaptação a situações adversas de clima quente (Tabela 1) (MÜLLER, 1989). 
 
Tabela 1. Características de adaptação ao clima quente. 
Animais Pelagem Evaporação Conservação da água 
 Reflexão Absorção Respiração Suor Renal Fecal Cor da pele 
Carneiro Merino + +++ +++ + ++ ++ Branco 
Carneiro de pêlo ++ ++ ++ ++ ++ ++ Escuro 
Cabras ++ + ++ ++ ++ ++ Escuro 
Bos taurus ++ + ++ ++ + + Branco 
Bos Indicus +++  + +++ + ++ Preto 
Búfalo - - + +++ + + Preto 
Camelo subtropical ++ + - +++ +++ +++ Preto 
Camelo equatorial +++  - +++ +++ - Preto 
+++ = maior efeito, alta eficiência; ++ = atividade moderada; 
+ = algum efeito;  = muito pouca ação. 
 
 Em ovinos das raças Ideal e Suffolk submetidos a altas temperaturas do ar a termólise evaporativa 
processa-se principalmente através das vias respiratórias. A quantidade de água evaporada nestas condições é 
em média 3,990,12 g/kg/h e o principal fator de variação é a freqüência respiratória, numa relação direta. Há 
uma diferença entre as raças quanto a termólise evaporativa. Sob uma temperatura de 35oC, animais da raça 
Ideal tendem a evaporar em média 1 g/kg/h de água a menos que os animais Suffolk. Essa diferença acha-se 
associada a uma menor freqüência respiratória dos animais Ideal (SILVA e GAUDIOSI, 1995). 
Macfarlane (1966) citado por MÜLLER (1989), na Austrália, estudando o comportamento da raça 
Merino sob condições tropicais, tomando a lã como condição especial no estudo, observou que nas ovelhas 
com lã completa, a superfície da lã absorve grande quantidade de energia radiante e reflete pouco, porém 
como a lã é má condutora de calor, este não penetrou na ovelha, pois a temperatura da pele não aumentou. Nas 
ovelhas com lã com extremidade cortada ocorreu o mesmo que nas ovelhas com lã completa, porém em 
menores proporções. Nas ovelhas tosquiadas, a irradiação solar atingiu diretamente o corpo do ovino, havendo 
penetração de calor, com aumento da temperatura da pele e da freqüência respiratória (Tabela 2). 
Ostwald (1963) citado por MÜLLER (1989) mostrou que a ovelha Romney Marsh pode manter o 
índice metabólico semelhante ao Merino a 40oC, porém resiste por menos tempo que este (podem sobreviver 
por 4 e 9 dias, respectivamente). 
Müller e Monge (1946) citados por MÜLLER (1989) verificaram que a raça Merino é mais resistentes 
ao calor que as raças européias. Sua pelagem protege contra a radiação solar. As raças produtoras de carne 
foram mais sensíveis ao calor e as produtoras de lã se adaptaram melhor ao calor (Tabela 3). 
 
Tabela 2. Espessura do velo sobre a penetração de calor no animal. 
Condições Compr. 
lã (mm) 
35,5oC Radiação e 
reflexão 
T extremidades da 
lã (oC) 
T pele T retal No resp/ 
minuto 
Lã completa 35-40 0,18 * 75,60 42,25 40,0 108 
Lã só com a extre-
midade cortada 
33-37 0,34 * 57,75 41,75 40,0 108 
Lã tosquiada 5-8 0,36 * 52,50 52,50 39,6 230 
* cal/cm2/min 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 110 
Tabela 3. Temperatura retal (TR) e freqüência respiratória (FR) de diferentes raças de ovinos 
Raças 25,5oC e 81 % UR 25,5oC e 100 % UR 35oC e 79 % UR 
 TR FR TR FR TR FR 
Hampshire 39,10 116 39,00 122 39,45 134 
Southdown 39,70 109 39,65 113 40,50 150 
Merino 39,20 88 39,05 84 39,60 104 
Rambouillet 39,35 97 39,20 94 39,85 125 
Southdown x Rambouillet 38,95 84 38,75 63 39,55 105 
Sulffolk x Rambouillet 39,00 41 38,85 40 39,50 78 
MÜLLER e MONGE (1946). 
 
PHILLIPS citado por MÜLLER (1989) deslocou ovinos da raça Southdown de uma latitude de 39o 
(região quente - Belltsville) para 44o de latitude Norte (região fria - Middelbury) e verificou que nas duas 
regiões estudadas não houve diferença significativa para peso ao nascer (Tabela 4). O peso ao desmame 
diferiu significativamente entre as regiões. Houve uma pequena diferença na produção e qualidade da lã a 
favor de Middelbury (região fria). 
 
Tabela 4. Peso ao nascer e ao desmame e peso e comprimento do velo de carneiros de duas regiões com 
temperaturas diferentes. 
Peso ao nascer (lb) Peso ao desmame (lb) 
 
Peso do velo (lb) Comprimento do velo 
(cm) 
MIDD BELL BELL MIDD BELL MIDD BELL MIDD BELL 
7,81 7,87 51,8 37,8 45,3 6,14 5,88 6,09 5,86 
 
Phillips citado por MÜLLER (1989) deslocou ovinos da raça Colúmbia (carne e lã) de uma Latitude 
de 45o (Middelbury - frio) para 27o Norte (Flórida - quente e úmido) verificou que não houve diferença 
significativa entre as regiões para quantidade e qualidade da lã. A percentagem de cordeiros nascidos diminuiu 
bruscamente de 89,7 para 30 % do 2o para o 3o ano e para 47 % no 4o ano na região quente. O peso ao 
desmame foi menor na região quente, nos últimos anos (Tabela 5). Os ovinos são animais que tem grande 
capacidade de adaptação, sendo que é mais favorável transferir um animal de uma região de clima quente para 
uma região de clima frio, do que o contrário (Tabela 6). 
 
Tabela 5. Peso de carneiros ao nascer, desmame e aos 1, 2, 3 e 4 anos de idade em regiões quentes e frias. 
Regiões Nascer Desmame 1 ano 2 anos 3 anos 4 anos 
Fria Peso, lb 4,4 34,4 35,8 62,8 57,0 63,4 
Quente 4,4 35,8 41,9 65,3 58,8 58,0 
Fria % cordeiros - - - 86,6 100,0 64,3 
Quente - - - 89,7 30,0 47,0 
Fria No cordeiros - - - 1,6 1,22 1,44 
Quente - - - 1,08 1,32 1,25 
Fria Peso velo, lb - - 4,6 4,3 5,4 6,8 
Quente - - 4,9 5,4 4,9 5,7 
Fria Compr velo, cm - - 8,38 9,04 8,97 8,70 
Quente - - 8,59 9,49 8,04 8,54 
 Peso ao desmame 
 F 33,0 F 37,5 F 41,1 F 28,4 
 Q 33,6 Q 32,7 Q 21,5 Q 26,1 
 
 
FREITAS e SILVA (1995) relataram que, sob estresse calórico, as taxas de passagem da ingesta se 
tornaram mais lentas, fazendo com que o tempo de retenção ruminal seja maior, possibilitando que haja um 
maior tempo para a digestão das frações fibrosas dos alimentos. Frente ao estresse calórico, as reduções em 
certos aspectos fisiológicos, dentre eles o tempo dedicado a ruminação, são parte da estratégia que visa manter 
a homeotermia corporal, o que é fundamental para a manutenção da vida do organismo no ambiente em que 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 111 
vivem. A amplitude térmica diária influencia diretamente na produçãode ovos no dia seguinte. O mesmo 
comportamento é apresentado pela temperatura ambiente. Ou seja, quanto maior a amplitude térmica e a 
temperatura no dia anterior (às 1400h), menor a produção de ovos no dia seguinte (SILVA et al., 1995). 
 
Tabela 6. Ajustes no consumo de alimento para cordeiros em crescimento sob condições ambientais 
escolhidas (NRC, 1987), considerando a base termoneutra de 15oC. 
Condição (oC) Percentual de Ajuste 
15 0 
25 -10 
35 -25 
HAHN (1993). 
 
 
2. SUÍNOS 
Os suínos são muito sensíveis às altas temperaturas, devido ao seu elevado metabolismo, sua capa 
subcutânea de tecido adiposo e seu sistema termorregulador pouco desenvolvido (não suam). Quando a 
temperatura retal atinge 44,4oC, eles morrem por hipertermia, apresentando uma concentração 9 vezes maior 
de ácido lático no sangue e o pH cai para 7,37, indicando uma desorganização no processo de oxidação 
(MÜLLER, 1989). 
Os suínos apresentam diferentes tipos de comportamentos de adaptação diante do frio e do calor. No 
frio, se agrupam e mantêm o ventre sobre o solo para diminuir perda de calor; no calor, deitam de lado com o 
focinho em direção do vento. Na zona de termoneutralidade, os suínos defecam num lugar e deitam-se em 
outro, porém no calor deitam-se sobre os excrementos e procuram água e lama para aumentar as perdas de 
calor. 
Expostos a elevadas temperatura, os suínos podem reduzir a quase nada as suas funções ajudando a 
manter a temperatura corporal, ficando quase em estado de latência. Robinson citado por MÜLLER (1989) 
submeteu 2 grupos de suínos a temperaturas elevadas de 32 e 35oC e verificaram que suínos submetidos a 
32oC aumentam a temperatura retal até 41oC no final de 6 h, mas não morrem. Nos animais submetidos a 
35oC, após 3 h de exposição, ocorreu mortalidade (Figura 1). 
 
T retal 32oC T retal 35oC 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 1 2 3 4 5 6 Horas 1 2 3 4 5 6 Horas 
Figura 1. Temperatura retal de suínos em função da temperatura ambiente (32 e 35oC). 
 
Robinson citado por MÜLLER (1989) trabalhando com dois tipos de suíno de terminação rápida, em 
fase de crescimento (32 - 65 kg), com pouca gordura e em fase final de crescimento (75 - 118 kg), a medida 
que aumentou a temperatura ambiente, observou que os porcos menos pesados sofrem muito menos que os 
mais pesados, apresentando um acréscimo menor e mais lento na freqüência respiratória (Figura 2). 
Dentre os animais de interesse zootécnico, os suínos e as aves são os animais que nascem mais 
desprovidos de sistema termorregulador, pois não são capazes de gerar calor extra para termorregulação por 
não-tremor (“nonshivering thermogenesis”), pois não apresentam o tecido adiposo marrom. Os suínos chegam 
a perder 1,7 a 7,7oC ao nascerem, sendo muito vulnerável a baixas temperaturas, o que ainda é agravado pela 
hipoglicemia do recém-nascido. HEITMAN et al. citados por MÜLLER (1989) estudaram comportamento 
produtivo de suínos em experimento em câmara climática para determinar a temperatura para se obter o 
máximo rendimento em função do peso corporal (Tabela 7). 
38 
39 
40 
41 
42 42 
41 
40 
39 
38 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 112 
N
o
 de Respirações 
por minuto (75 - 118 kg) 
 160 
 140 
 120 (32 - 65 kg) 
 100 
 80 
 60 
 40 
 
 
 
 
 4,4 15,5 26,6 37,7 
 Temperatura ambiente (
o
C) 
 
Figura 2. Temperatura retal de suínos em crescimento em função da temperatura ambiente. 
 
 
Tabela 7. Comportamento produtivo de suínos em câmara climática. 
Classes pesos Temperatura (oC) 
médios (kg) 5 10 15 21 26,5 32,2 36,1 43,2 
A - 45,4 - 0,622 0,714 0,908 0,898 0,636 0,177 -0,590 
B - 68,1 0,577 0,667 0,802 0,981 0,826 0,517 -0,086 -1,180 
C - 90,8 0,540 0,713 0,867 1,079 0,758 0,399 -0,350 - 
D -113,5 0,499 0,763 0,944 0,971 0,685 0,281 -0,617 - 
E – 136,2 0,463 0,804 1,017 0,942 0,617 0,163 -0,813 - 
F – 158,9 0,427 0,849 1,094 0,899 0,594 0,145 -1,149 - 
1. Classes A e B (jovens): melhores GP a 21oC (0,908 e 0,981); 
2. Classes C e D: melhores GP a 21oC (1,079 e 0,971); 
3. Classes E e F (adultos): melhores GP a 15oC (1,017 e 1,094); 
4. Quando os suínos se afastam destas temperaturas, para cima ou para baixo, diminui o GP (altas 
temperaturas são mais prejudiciais); 
5. Suínos jovens são mais tolerantes ao calor; 
6. À 32oC, somente porcos com menos de 90 kg ganharam peso; 
7. À 36,1oC, todos perderam peso (menos a classe A); 
8. À 43oC, todos perderam peso e poucos sobreviveram. 
 
Marrow citado por MÜLLER (1989) concluiu que suínos entre 68 a 98 kg de peso vivo alimentados a 
5 e 26,5oC, proporcionam uma carcaça tipo carne a 5oC e tipo banha a 26,5oC. 
BACCARI JR. et al. (1995), com base nos índices de conforto térmico obtidos, concluíram que, para 
uma mesma duração porém aumento na intensidade do estresse, de 3 unidades no THI e 2,4oC no BGT das 
0800 às 1700 h e de 5 unidades e 3,0oC das 1700 às 0800 h, respectivamente, ocorreu diminuição maior no 
consumo de ração das leitoas Landrace-Large White, depressão mais acentuada no ganho de peso com piora 
elevada na conversão alimentar, embora a freqüência respiratória e a temperatura retal tenham diminuído 
ligeiramente o que pode revelar uma ligeira adaptação fisiológica ao ambiente térmico. 
 A velocidade de crescimento dos suínos é afetada por altas temperaturas do ar e radiação solar direta. 
Nessas condições, sendo particularmente sensíveis ao estresse térmico, os animais comem menos, devido ao 
aumento da temperatura corporal, ganham menos peso e necessitam de mais alimento por unidade de ganho, 
isto é, diminui a eficiência alimentar. A capacidade de suar dos suínos é muito limitada e sendo a água um 
excelente agente resfriador, sua utilização é indicada na forma de aspersão direta sobre os animais, 
principalmente nas horas mais quentes do dia (1000 às 1600h), além de provisão de sombra aos animais. A 
redução na temperatura corporal faz com que os animais comam mais e poupem energia, que será aproveitada 
para os processos de produção (BACCARI JR., 1990). 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 113 
 Quando a temperatura ambiente efetiva está acima ou abaixo da zona de termoneutralidade (Tabela 8), 
o comportamento e a utilização de alimento pelo suíno podem ser sensivelmente afetados. Quando fora da 
zona de termoneutralidade, os suínos conseguem compensar (dentro de certos limites), pela mudança da taxa 
metabólica, ingestão de alimentos e dissipação de calor. 
 
Tabela 8. Zona de ternomeutralidade das diversas categorias de suínos. 
Categorias Temperaturas (oC) 
Leitão ao nascer 30 a 32 
Leitão na primeira semana de idade 28 a 30 
Leitão na segunda semana de idade 24 a 27 
Leitão na terceira semana de idade 22 a 25 
Leitão na quarta semana de idade 20 a 22 
Leitão na quinta semana de idade 18 a 22 
Leitão pós-desmame 20 a 23 
Suínos de 20 a 35 kg de PV 18 a 20 
Suínos de 35 a 60 kg de PV 15 a 18 
Suínos com mais de 60 kg de PV 10 a 15 
Cachaço 12 a 18 
Porcas em gestação ou lactação 10 a 15 
Bauza e Petrocelly (1986) citados por MIYADA (1996) 
 
 De forma geral quando os animais são submetidos a temperaturas abaixo da temperatura crítica 
inferior, há um aumento no consumo de ração que pode ser destinado principalmente para atender às 
exigências das atividades metabólicas. Por outro lado, temperaturas acima da temperatura crítica superior 
proporcionam uma redução no consumo de ração, no ganho de peso e na eficiência alimentar. 
Conseqüentemente, a temperatura ambiente pode ter uma influênciasignificativa nas exigências nutricionais 
dos suínos (MIYADA, 1996). Nas tabelas 9 e 10, estão mostrados os efeitos das condições de estresse de altas 
e baixas temperaturas em suínos. 
 
Tabela 9. Valores estimados do aumento do consumo de ração (g/d) provocado pelas baixas temperaturas em 
suínos. 
Peso vivo Temperatura crítica Temperatura ambiente efetiva 
(kg) inferior (oC) 15oC 10oC 5oC 
20 18 39 104 169 
100 14 0 144 334 
NAAS (1981) citado por MIYADA (1996). 
 
 
Tabela 10. Redução do consumo de ração e ganho de peso, sob condições de estresse de calor. 
Temperatura Peso vivo Redução 
(oC) (kg) Consumo (g/oC) Ganho (g/oC) Referência 
21 – 32 35 - 65 60 33 Heitman e Hughes, 1949 
21 – 32 75 - 100 120 57 Heitman e Hughes, 1949 
24 – 32 45 - 38 Heitman et al., 1958 
22 – 32 68 - 60 Heitman et al., 1958 
22 – 27 91 - 60 Heitman et al., 1958 
19 – 27 114 - 60 Heitman et al., 1958 
18 – 32 20 - 100 30 7 Hazen e Mangold, 1960 
16,5 – 32 7 - 92 14 3 Seymour et al., 1964 
22 – 38 13,5 8 4 Seymour et al., 1964 
22 – 38 35 33 8 Seymour et al., 1964 
22 – 38 65 41 12 Seymour et al., 1964 
23 – 33 6 - 35 42 21 Sugaha et al., 1970 
NAAS (1981) citado por MIYADA (1996) 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 114 
3. AVES 
 A moderna avicultura para atingir melhores resultados econômico-produtivos, precisa considerar não 
só os aspectos genéticos, nutricionais e sanitários, como também os aspectos ambientais, pois além de 
interferirem diretamente na não expressão de potencialidades genéticas, na utilização com máxima eficiência 
de nutrientes, podem interferir também fortemente sobre os aspectos sanitários das aves levando a prejuízos 
incalculáveis (BAÊTA, 1997). 
 Dentre os fatores ambientais, os fatores térmicos representados pela temperatura do ar, umidade, 
radiação térmica e movimentação do ar, são aqueles que afetam mais diretamente a ave, pois comprometem 
sua função vital mais importante que é a manutenção da própria homeotermia. Fora da zona de conforto 
térmico, ocorre um decréscimo na performance produtiva, reprodutiva e resistência do organismo, sendo que 
extremos num e noutro sentido, podem vir a ser letais (TINÔCO, 1998). 
O meio ambiente afeta muito a idade e o peso da ave à maturidade sexual, o número de ovos por 
ninhada, por estação e por ano e o peso dos ovos. O aumento da duração do dia favorece a maturidade sexual. 
Os criadores utilizam luz artificial para completar 17 horas de luz por dia, o que favorece a produção de ovos. 
O estresse térmico diminui a produção de ovos/ave e leva à produção de ovos pequenos e de má 
qualidade de casca. Temperaturas acima de 32
o
C diminuem o peso do ovo e a qualidade da casca (diminui a 
espessura da casca), Temperaturas ambientes entre 15 e 18
oC proporcionam ovos de casca “forte”. Acima de 
25oC, as poedeiras diminuem consumo de ração, o que leva à uma diminuição no consumo de Ca e P, que 
somado à vários outros efeitos metabólicos vão reduzir a espessura da casca dos ovos. 
 Temperaturas elevadas também acarretam uma queda na fertilidade e na eclodibilidade, em função de 
uma menor produção de sêmen pelos galos e menor freqüência de acasalamentos (diminui a libido dos 
machos). Ovos mantidos em ambiente com temperatura acima de 24oC (zero fisiológico), apresenta uma 
redução na eclosão, devido a distorções na embriogênese. 
 
Tabela 11. Redução dos índices de produtividade de poedeiras em função do aumento da temperatura 
ambiente. 
Temperatura, 
o
C 15 18 21 24 27 30 
Consumo/dia 130,1 126,9 120,2 113,9 106,9 93,4 
No de ovos 169 174 177 175 178 166 
Peso do ovo 62,9 63,0 62,9 62,9 61,6 58,9 
Massa 45,8 46,6 47,7 47,1 47,0 42,0 
Crescimento -0,1 0,22 0,43 0 1,93 -0,28 
Temperatura retal 41,2 41,5 41,6 41,4 41,6 41,9 
I.C. 2,84 2,72 2,52 2,42 2,27 2,22 
 
 De acordo com Carter (1981) citado por SILVA (1996), a temperatura ideal para produção de ovos 
estaria entre 21 e 26
o
C. Entre 26 e 29
o
C ocorreria uma leve redução no tamanho dos ovos e na qualidade da 
casca; entre 29 e 32
o
C haveria uma deterioração sensível no tamanho dos ovos e na qualidade da casca e a 
produção seria afetada. Por volta de 35 a 38
o
C a produção seria severamente afetada, podendo ocorrer 
prostração das aves. 
 A redução no peso dos ovos, como resultado do estresse pelo calor, é uma conseqüência da redução 
no peso da clara, da gema e da casca. A perda de peso da gema é proporcional à perda na clara, mas há casos 
em que houve uma redução apenas no peso da casca. Assim, parece ocorrer uma redução no peso do ovo de 
0,33 g para cada 1oC de aumento na temperatura ambiente. Um efeito subseqüente dessa redução é o 
significativo enfraquecimento da casca, fato de considerável importância econômica pois influi muito na 
qualidade interna do ovo, na sua vida útil e estocagem, no número de ovos trincados e inutilizados. 
 De um modo geral, galinhas da raça Leghorn são reconhecidamente mais adaptáveis aos ambientes 
quentes que as demais raças (SILVA, 1996). 
A temperatura retal aves é mais alta que a dos mamíferos; galinha varia de 41,1 a 42,2
o
C em 
comparação com a dos mamíferos, que vai de 36,4 a 39
o
C (HAFEZ, 1968). 
 Os pintos ao nascer são bastante vulneráveis, pois seu sistema termorregulador é pouco desenvolvido 
e chegam a nascer com 2,5
o
C abaixo da temperatura normal do adulto, mas ao cabo de seis dias alcançam seus 
níveis normais, estando este aumento relacionado com a saída das plumas e o aumento da atividade 
metabólica que se desenvolve de acordo com o crescimento do animal (MÜLLER, 1989). 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 115 
A habilidade termorreguladora das aves atinge a sua plenitude entre 10 a 15 dias de vida pós-natal. 
Assim, o pinto recém-nascido depende de fonte externa de calor, ou respostas comportamentais para 
termorregulação, sendo sua temperatura ao redor de 39 a 40oC (MACARI et al., 1994). 
A temperatura corporal das aves varia de acordo com o tamanho, raça e sexo. Assim, a Leghorn 
branca tem uma temperatura retal mais elevada que a New Hampshire. Os machos, em geral, tem temperatura 
mais elevada que as fêmeas (MÜLLER, 1989), provavelmente como resultado de uma taxa metabólica e 
atividade superiores. 
Além deste fatores citados, a temperatura corporal das aves pode variar com a atividade da animal 
(maior temperatura corporal nas aves em condições de piso que em gaiola), período de muda de penas (maior 
temperatura corporal que nas aves em condição normal), choco (menor temperatura corporal em função de 
uma menor taxa metabólica e atividade reduzida), período de luz (maior temperatura corporal que em períodos 
de escuro) e a temperatura corporal aumenta após o consumo de alimento e com o aumento da temperatura 
ambiental (RUTZ, 1994). 
 A temperatura ótima para poedeiras adultas varia de 10 a 12oC, com poucos inconvenientes 
observados na faixa de 5 a 29
o
C. Para pintinhos o ótimo de temperatura é de 35
o
C, diminuindo rapidamente 
com a idade (0,5
o
C/dia). Com 6 semanas, a temperatura ideal é semelhante à de um adulto (16
o
C). 
 Freeman (1988) citado por RUTZ (1994) resumiu zonas de termoneutralidade pra aves registradas por 
vários autores (Tabela 12). As ave, assim como os mamíferos, apresentam menos recursos para enfrentar 
temperaturas acima do que abaixo da termoneutralidade (RUTZ, 1994). 
 
Tabela 12. Zonas de termoneutralidade e limiar de respiração ofegante. 
Ave Termoneutralidade Temperatura mínima 
 Mínima Máxima para hiperpnéia 
Galináceo 
Recém-nascido 35 37 40 
Adulto 21 28 29 
Pato de pequim 
Recém-nascido 33 34 
Adulto 12 30 
Peru 
10 dias de idade 20 30 
Adulto 15 20 20 
Média de váriostrabalhos de FREEMAN (1988). 
 
 
Mac Daniel citado por MÜLLER (1989), na Austrália, estudou os efeitos da exposição dos ovos a 
diferentes temperaturas (4,5, 15 e 26,
5oC
 e 70% de UR), no período de 1 a 7 dias antes da incubação, sobre a 
eclodibilidade dos ovos, crescimento e viabilidade dos pintos em Leghorn Branca (Tabela 13) e observou que 
a temperatura mais elevada (26,5
o
C) provocou uma maior mortalidade embrionária na 10
o
 e 17
o
 dias de 
incubação e não afetou o peso ao nascer e no 14o dia de idade. 
 
 
Tabela 13. Eclodibilidade dos ovos, crescimento e viabilidade dos pintos em Leghorn Branca 
UR 
(%) 
Temp. 
(oC) 
Duração 
(dias) 
Mortalidade 
embrionária (%) 
Peso do pinto (g) Mortalidade no 14o 
dia (%) 
 10o dia 17o dia PN 14odia 
70 4,5 1 a 7 2,65 1,72 39,1 77,2 6,58 
70 15,0 1 a 7 2,95 1,72 38,3 77,9 6,42 
70 26,5 1 a 7 7,28 3,22 38,6 80,2 6,74 
 
A mortalidade ao 14
o
 dia não foi significativa. Embriões são mais afetados pela temperatura nos 
estágios iniciais de desenvolvimento (até o 10
o
 dia). 
 
 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 116 
Tabela 14. Temperatura e período de tempo ideais para estocagem de ovos em câmara fria. 
Tempo de estocagem Temperatura, 
o
C 
04 a 06 dias 18 a 19 
07 a 10 dias 16 a 17 
mais d 14 dias 14 a 15 
MORETTI, C.S. - Granjas Ito ltda. 
 
Tabela 15. Recomendações de temperatura e umidade para ovos. 
Ambiente Temperatura, C Umidade Relativa, % 
Sala de ovos 20 a 22 75 
Caminhão 22 a 24 70 
Câmara fria 18 75 a 85 
Fonte: Big Birds S/A Produtos Avícolas. 
 
 
Rao (1970) citado por MÜLLER (1989) estudou o efeito da temperatura de inverno e de verão na 
Índia (região tropical), sobre a mortalidade, fertilidade, crescimento e maturidade sexual de galinhas da raça 
Leghorn Branca, verificando um aumento na infertilidade, mortalidade embrionária e pintos mortos na casca 
durante o verão, que refletiram em uma menor eclodibilidade (Tabela 16). Até as 8 semanas de idade, a 
mortalidade foi maior no período de inverno, em função das aves não terem seu sistema termorregulador 
totalmente desenvolvidos. No período de recria das aves, de 8 a 24 semanas de idade, as aves apresentaram 
uma maior mortalidade no verão que no inverno, devido aos efeitos do estresse pelo calor (Tabela 17). Na 
Tabela 18 pode-se observar que o ganho de peso de 1 a 24 semanas de idade foi menor nas frangas nascidas 
no período de verão que no inverno, provavelmente em função de um menor consumo de alimento no verão. 
 
Tabela 16. Fertilidade e eclodibilidade dos ovos. 
Estação Total de ovos Ovos 
inférteis (%) 
Embriões 
mortos (%) 
Pintos mortos 
na casca (%) 
Pintos 
nascidos (%) 
Verão 6055 19,4 23,3 14,2 43,1 
Inverno 7280 8,4 7,7 8,4 75,8 
 
Tabela 17. Mortalidade (%) de pintos após o nascimento. 
Estação 1a semana 2 a 8 semanas 8 a 24 semanas 
 (7 dias) (14 a 56 dias) (56 a 128 dias) 
Verão 1,6 6,2 15,7 
Inverno 4,5 12,4 3,0 
 
Tabela 18. Crescimento das aves (em semanas). 
Idade em semanas Peso em gramas 
 Verão Inverno 
1 34,6 38,5 
2 59,7 68,3 
4 88,5 121,0 
6 159,8 190,5 
8 253,6 273,9 
10 324,0 368,0 
12 407,0 482,0 
14 540,4 608,0 
16 633,0 789,0 
18 759,1 845,2 
20 826,0 894,8 
22 889,1 1009,0 
24 965,0 1155,0 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 117 
A maturidade sexual (número de dias que a franga leva para botar o 1
o
 ovo) foi atingida mais 
precocemente nas aves criadas no inverno, sendo que o peso corporal deve ter sido um dos principais fatores 
que influenciaram (Tabela 19). 
 
Tabela 19. Maturidade sexual e produção de ovos. 
Estação Idade de maturidade 
sexual (dias) 
Idade em que 50% 
das aves estavam em 
postura (dias) 
Produção de ovos no 
1o ano de idade (%) 
Peso médio do ovo 
no 1o ano de vida (g) 
Verão 182 243 71,0 49,2 
Inverno 151 190 92,0 53,1 
 
 
Rao (1970) citado por MÜLLER (1989) concluiu que a galinha é um animal mais adaptado ao frio, 
pois seu sistema termorregulador é adequado para reter calor corporal e não para perdê-lo. 
Além do peso corporal, a luz exerce grande influência na maturidade sexual e sobre a produção das 
aves em geral. 
Segundo NESTOR (1970) citado por MÜLLER (1989), perus submetidos a luz artificial por 14 h/dia, 
apresentaram após a 5a semana de exposição, o dobro de volume de sêmen, porém ocorre uma diminuição nas 
percentagens de espermatozóides por volume de sêmen (Tabela 20). 
Anchar citado por MÜLLER (1989), se referindo a aves em geral, afirmou que, quando a temperatura 
ambiente se eleva de 18 para 38
o
C, ocorre redução no volume dos ovos, diminuição na espessura da casca, 
diminuição no Ca sangüíneo das aves, aumento no consumo de água, redução do número de ovos, as aves 
ficam mais excitadas e com a duração da exposição, sobrevem a morte. 
 
Tabela 20. Estímulo de luz e produção de sêmen em Perus. 
Referências Semanas 
 3
a
 4
a
 5
a
 6
a
 7
a
 
Perus que não responderam às 14 h de luz (%) 35,3 28,4 6,0 4,0 2,3 
Quantidade de sêmem (cm3) 0,111 0,140 0,235 0,208 0,247 
Quantidade de sêmen (avaliação por 
espermatozóides normais (%) 
 
26,1 
 
23,4 
 
23,0 
 
17,5 
 
17,9 
 
 
 Com o aumento da temperatura ambiente podemos observar uma queda acentuada no consumo de 
alimento e um aumento bastante expressivo do consumo de água. Também ocorre uma diminuição na 
quantidade de excretas produzidas e no conteúdo aquoso fecal. Há um aumento muito expressivo na perda de 
água por evaporação com o aumento da temperatura ambiente (Tabela 21). 
 
Tabela 21. Efeito da temperatura ambiental sobre o consumo de água e ração e eliminação de água 
(base de 100 poedeiras Leghorn/dia). 
 Temperatura média do aviário (oC) 
 4,4 10,0 15,6 21,1 26,7 32,2 37,8 
Consumo ração, kg 11,8 11,6 11,0 10,0 8,7 7,0 4,8 
Água ingerida por kg de ração 1,3 1,4 1,6 2,0 2,9 4,8 8,4 
Consumo de água, L 15,5 16,3 17,8 20,1 25,4 33,7 40,9 
Excreta produzida, kg 16,6 16,2 15,3 14,0 12,1 9,7 6,7 
Conteúdo aquoso fecal, kg 13,1 13,0 12,4 11,5 10,1 8,2 5,7 
Conteúdo aquoso da respiração, kg 2,1 2,9 5,1 8,8 15,3 25,5 34,5 
Conteúdo (kg) aquoso fezes + respiração 15,2 16,0 17,6 20,3 25,4 33,7 40,2 
North & Bell (1990) citados por RUTZ (1994). 
 
 
 No caso das matrizes, o excesso de calor que leva as aves a alcalose respiratória durante o dia faz com 
que ocorra uma redução nos níveis de bicarbonato no sangue (compensação) e, à noite, quando da síntese da 
Disciplina de Bioclimatologia – Ano Letivo de 2017 - Zootecnia. 118 
casca, ocorre uma falta de bicarbonato para reagir com o cálcio e forma o carbonato de cálcio (CaCO3). Ou 
seja, no verão as aves produzem ovos com casca mais fina. As aves tem sua produções reduzidas e isto está 
relacionado à redução do consumo e conseqüente falta de nutrientes para síntese. O calor também causa uma 
redução na maturação folicular e uma aumento da permanência do ovo na glândula da casca. Outro prejuízo 
do calor está relacionado ao tamanho do ovo produzido. Aves sob estresse de calor têm o consumo reduzido e 
também o calor faz com que a secreção de FSH diminua provocando uma diminuição do tamanho do óvulo. 
Também, o calor faz com que o fluxo de sangue para a periferia aumente em detrimento da irrigação dos 
órgãos, provocando uma redução de cálcio na glândula da casca o que compromete a qualidade da casca e 
uma redução na síntese de albumina pela diminuição da circulação no magno. Além disso, o calor afeta a 
fertilidade das fêmeas e diminui a libido nos machos (PENZ JR., 1989). 
 Zimmerman e Snetsinger

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