Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

Prévia do material em texto

1 
 
PAÇO ALFÂNDEGA: ANÁLISE DA INTERVENÇÃO A PARTIR DA 
INTERPRETAÇÃO DA TEORIA DE GIOVANNI CARBONARA ACERCA DO 
RESTAURO¹ 
 
BELLADONA, A. M. A.; MÔNEGO, R. Z.; MONTAGNER, F.4; QUERUZ, F.5 
1Artigo apresentado à disciplina de Técnicas de Restauro, do curso de Arquitetura e Urbanismo do 
Centro Universitário Franciscano - UNIFRA, Santa Maria, RS, Brasil. 
2Acadêmica de Arquitetura e Urbanismo, Centro Universitário Franciscano - UNIFRA, Santa Maria, 
RS, Brasil. 
3Acadêmica de Arquitetura e Urbanismo, Centro Universitário Franciscano - UNIFRA, Santa Maria, 
RS, Brasil. 
4Acadêmica de Arquitetura e Urbanismo, Centro Universitário Franciscano - UNIFRA, Santa Maria, 
RS, Brasil. 
5Professor Orientador, Centro Universitário Franciscano - UNIFRA, Santa Maria, RS, Brasil. 
E-mail: anambelladona@gmail.com; raquel.monego@hotmail.com; franmontagner@yahoo.com.br; 
f.queruz@gmail.com. 
 
RESUMO 
 
Giovanni Carbonara é um arquiteto italiano, histórico da arquitetura e teórico da restauração. 
Aderiu à linha crítico-conservativa do restauro, que é calcada na teoria brandiana e na releitura de 
aspectos do chamado restauro crítico. 
Na postura crítico-conservativa tem-se em pauta noções de distinção entre passado e 
presente, assim como levanta-se a necessidade da investigação e entendimento histórico e estético 
da obra a ser restaurada. Carbonara aponta também o papel da reutilização, reabilitação e 
recuperação: A primeira é o meio mais eficaz para a preservação de um bem, pois um monumento 
sem uso se deteriora rapidamente enquanto que aquele mantido em funcionamento perdura. A 
recuperação parte da premissa da reutilização que resulta na conservação da obra. 
Por fim, tem-se a apresentação do projeto de restauro do atual Paço Alfândega, em Recife, 
construção datada de meados de 1700, na qual é possível visualizar alguns dos princípios defendidos 
por Carbonara, tais como a reutilização do espaço e diferenciação dos momentos históricos das 
intervenções. 
 
Palavras-chave: Giovanni Carbonara, restauro crítico-conservativo, Paço Alfândega. 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
O seguinte artigo consiste em uma pesquisa sobre a visão do arquiteto Giovanni 
Carbonara - histórico da arquitetura e teórico do restauro – e uma análise sobre a obra de 
restauração da antiga alfândega de Recife (atual shopping Paço Alfândega) tendo em 
consideração a opinião do arquiteto. 
Desta forma, uma vez entendido que Carbonara faz parte da linha crítico-
conservativa da restauração, nota-se que as intervenções na obra em questão 
2 
 
correspondem ao seu pensamento, do mesmo modo que à ideologia de outros teóricos, 
como Brandi. 
 
2. METODOLOGIA 
 
Na presente investigação foi empregada a metodologia qualitativa, por meio do 
método descritivo. Inicialmente buscou-se em literatura especializada informações 
pertinentes ao objeto de estudo. Assim, efetuou-se uma compilação bibliográfica acerca da 
visão de Giovanni Carbonara sobre a teoria da preservação e do restauro, quais os 
procedimentos adequados e resultados satisfatórios. Num segundo momento foi realizada a 
análise de uma obra de restauração brasileira, comparando as intervenções nela realizadas 
com os princípios defendidos por Carbonara. As fontes de pesquisa se constituíram em 
livros, dissertações de mestrado e doutorado, além e artigos científicos do campo da 
restauração. 
 
3. REVISÃO DE LITERATURA 
 
Giovanni Carbonara (Roma, 1942) é um arquiteto italiano, histórico da arquitetura e 
teórico da restauração. O trabalho científico de Carbonara concentra-se principalmente no 
estudo da história da arquitetura e da teoria da restauração e renovação. Nesta área o 
arquiteto publicou diversos livros com abordagem, em muitos caos, calcada na análise de 
outros arquitetos restauradores, dentre eles Brandi, do qual Giovanni Carbonara é seguidor 
de muitos princípios da linha de pensamento. 
A teoria brandiana afirma que: 
 
(...) a restauração deve visar ao restabelecimento da unidade potencial da 
obra-de-arte, desde que isso seja possível, sem cometer um falso artístico 
ou um falso histórico, e sem cancelar nenhum traço da passagem da obra-
de-arte no tempo. (BRANDI, 2004, pg. 33) 
 
Desse modo, as intervenções deveriam se guiar por uma crítica de valor em relação 
ao significado histórico do objeto, considerando-se o seu estado físico e amaradas à um 
vasto conhecimento técnico, histórico, estilístico e filosófico da obra em questão. Para 
Brandi "(...) as intervenções deveriam tornar os acréscimos facilmente reconhecíveis, 
mesmo para um leigo, e que fossem reversíveis, permitindo sua retirada em caso de uma 
eventual intervenção futura" (ROCHA, 2008, pg. 31). A partir desses critérios, evita-se que a 
obra receba danos que podem perdurar por muitas gerações. 
3 
 
Segundo Carsalade (2007) Giovannni Carbonara aderiu à linha crítico-conservativa 
do restauro, que considera o restauro um ato de cultura, renega o ripristino (reconstituição 
identica do objeto restaurado, que acaba falsificando a realidade e "enganando" o 
observador, fazendo-o acreditar que a porção acrescida é original), e levanta questões como 
a importância do juízo crítico e do entendimento histórico e estético da obra de intervenção. 
Essa linha pertence às tendências atuais do restauro que, de acordo com Kühl 
(2005), está alicerçada na teoria brandiana e na releitura de aspectos do chamado restauro 
crítico. A restauração assume postura conservativa e propõe, quando necessário, o uso de 
recursos criativos na reintegração de lacunas quando os elementos remanescentes forem 
insuficientes no fornecimento dos traços para a restituição as partes faltantes durante uma 
obra de restauro. A vertente crítico-conservativa deve ter juízo-crítico baseado na história da 
arte e da estética. 
Para Carbonara: 
 
O dilema, Conservação ou Intervenção, histórica ou estética na restauração, 
não é uma atitude de escolha, valorizar um ou outro. O dilema precisa ser 
resolvido a cada momento por ações críticas e escolhas necessariamente 
subjetivas, mas não necessariamente infundadas ou arbitrárias. Se for 
absolutamente impossível voltar atrás no tempo (buscar a intenção original 
do artista), poderia não ser possível e desejável, pelo trabalho e reusando 
de fragmentos antigos como incentivo e pontos de partida e ir para uma 
nova criação original que deveria também respeitar a necessidade de 
conservação? O resultado poderá certamente ser uma imagem diferente e 
não uma substituição pelo original perdido. O novo contexto deriva de trocar 
(transformar) o objeto degradado em um novo trabalho artístico e então o 
objeto original faz parte da estrutura do novo no qual está inserido 
mantendo sua independente legibilidade e unindo-se com outros novos 
elementos”.(CARBONARA, 1996 apud NEVES, 2010, pg.61) 
 
Kühl (1998) proporciona uma ampliação da visão de Carbonara, ao explanar que a 
partir de meados dos anos 60 houve um acréscimo do que é considerado patrimônio 
histórico. Abandonou-se o princípio de preservar somente os grandes monumentos dotados 
de expressivo valor estético, e passou-se a considerar também os ambientes urbanos, rurais 
e qualquer exemplar detentor de valor histórico. Esta atitude estabeleceu-se inicialmente 
nas cidades européias, pois o patrimônio perdeu o caráter de ser somente um testemunho 
das gerações passadas, adquirindo também valores sociais e econômicos, através, por 
exemplo, do incentivo ao turismo. 
Nesse contexto, os debates de preservação ganharam novos métodos, como 
Reutilização, Reabilitação e Recuperação. A opinião de Carbonara é que a "Reutilização é o 
4 
 
meio mais eficaz para a preservação de um bem, pois um monumento sem uso se deteriora 
rapidamente enquanto que aquele mantido em funcionamento pode durar séculos" (KÜHL, 
1998, pg.209). Contudo, a reutilização é somente o meio,mas não a finalidade da 
intervenção. 
Marco e Zein (2007, pg.6) também expõem a diferenciação proposta por Giovanni 
Carbonara entre os termos reutilização, reabilitação e recuperação: 
 
Considerada o meio mais eficaz para evitar a degradação física do bem, a 
reutilização foi comparada com a aplicação da medicina preventiva, 
favorecendo um processo periódico de manutenção para evitar uma 
intervenção mais traumática - a restauração, que deve ser preferentemente 
evitada. A recuperação resulta de uma concepção diferente que coloca a 
reutilização como primeira premissa do trabalho de intervenção, situando a 
conservação apenas como eventual conseqüência. 
 
Cunha (2010) aponta o posicionamento de Carbonara acerca das intervenções em 
pré-existência, para uma aproximação entre ela e o contemporâneo: As ações de inserções 
contemporâneas em áreas ou em bens históricos podem seguir as sugestões da própria 
obra a ser restaurada, agindo em consonância com esta, ou ainda, de modo dissonante, 
estabelecendo um contraste. Todavia, essas adições devem ser claramente distinguíveis e 
efetuadas de modo reversível, sem destruir a matéria original e estudando atentamente a 
forma de menor impacto e dano ao bem. 
A partir de agora, tem-se a apresentação da obra de restauração da antiga alfândega 
de Recife, que é o atual shopping Paço Alfândega: 
Segundo Simis (2005, apud Moreira; Zarate, 2010) a edificação foi construída no 
início do século XVIII e seus usos anteriores foram diversos: O prédio abrigou o convento 
dos padres da Ordem de São Felipe de Néri, depois se tornou a Alfândega de Pernambuco 
e após o incêndio de 1922, transformou-se em um armazém utilizado pelos usineiros de 
açúcar. 
De maneira geral o prédio apresentava um razoável estado de conservação, apesar 
da descaracterização em função dos usos. As aberturas, vãos de portas, janelas e arcadas 
estavam em bom estado, embora partes delas tenham sido modificadas ou arrancadas. A 
cobertura original do edíficio em telhas do tipo colonial apresentava trechos com telhas de 
cimento amianto. Além disso, as peças de madeira encontravam-se degradadas pela ação 
dos cupins. Os pisos mais antigos do edíficio ainda se apresentavam em bom estado de 
conservação: mosaicos, soalhos de madeira e de pedra, falso mármore de lioz, mas 
existiam muitos trechos em cimentado recente e de má execução. 
5 
 
Observando a planta (figura 01), percebe-se que no pavimento térrreo foram criadas 
salas para atender as necessidades de escritórios. Para tal, arcadas foram entaipadas e 
paredes de construção mais recentes interceptaram vãos antigos. Quando o prédio serviu 
para guardar sacas de açucar e foi necessário maior espaço em altura, e não se hesitou em 
demolir os pavimentos superiores e entaipar inúmenros vãos. 
 
Figura 01: Planta Baixa pav. Térreo do edíficio em análise. 
Fonte: SIMIS (2005, apud MOREIRA; ZARATE, 2010) 
 
Dentre os valores identificados da Alfândega, cabe ressaltar três que lhe conferem 
significância cultural exemplar. Em primeiro lugar, seu valor histórico e sua capacidade de 
se adaptar aos diferentes usos ao longo do tempo. Em segundo, seu valor artístico, pelo 
conjunto de elementos estéticos de vários períodos. E em terceiro, cabe enfatizar seu valor 
paisagístico, compondo uma fachada para o rio Capibaribe com outros edifícios vizinhos. 
O projeto de intervenção do Shopping Paço Alfândega data de 2000, sendo uma 
obra de iniciativa privada sob-responsabilidade da Alfândega Empreendimentos e 
Participações Ltda. 
Fazem parte do projeto, o shopping, cujo autor é o arquiteto Carlos Fernando 
Pontual, dois edifícios garagem, projetados pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha e uma 
central de ar condicionado. 
 
Figura 02: Perspectiva virtual da intervenção do Paço da Alfândega; 
Figura 03: Planta de situação do Paço, edifícios garagem e central de ar. 
Fonte: TRINDADE (2005, apud MOREIRA; ZARATE, 2010) 
6 
 
 
De acordo Serapião (2004) a transformação de prédios antigos em centros de 
compras é temática presente no Brasil - onde é exemplo o Shopping Light, de Carlos 
Faggin, em São Paulo. Esse tipo de intervenção é bastante utilizada para revitalizar áreas 
degradadas, transita entre a preservação de elementos históricos fundamentais e o arranjo 
interno que viabilize o empreendimento. 
Destinado às classes média e alta, o centro de compras Paço Alfândega promete ser 
a âncora da revitalização da porção sul da ilha do Recife, centro histórico da capital 
pernambucana. 
No caso do Paço Alfândega, a mudança de uso de um edifício do século XVIII, 
tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan), submeteu o projeto a uma 
série de exigências. 
Como resultado, o partido arquitetônico foi definido pelo contraste dos elementos 
antigos com os atuais. As novas intervenções estão aparentes, inclusive o próprio 
mecanismo de funcionamento de novos equipamentos, como é o caso do elevador 
panorâmico, inserido em um grande vazio iluminado por uma cúpula moderna (figura 04 e 
05). 
 
Figura 04: Escadas rolantes e elevador panorâmico interligam todos os pisos; 
Figura 05: Equipamentos do elevador panorâmico estão à mostra. 
Fonte: SERAPIÃO (2004) 
 
As paredes originais desnudadas - apesar de tratar-se, historicamente, de edifício 
rebocado - pontuam o interior com trechos de alvenaria (de tijolos ou de pedras e tijolos) e 
revelam elementos do passado e da técnica construtiva. Como o volume ocupa uma quadra 
inteira, foi possível abrir quatro entradas, voltadas para faces diferentes. Os acessos leste e 
oeste rasgam a antiga alvenaria com um desenho “inusitado, uma caligrafia nova”, segundo 
7 
 
o arquiteto. No entanto, manteve-se aparente o ritmo das janelas de antigas celas de 
convento. 
A estrutura interna é nova, uma vez que não mais existiam os velhos pavimentos em 
assoalho (que, de qualquer forma, seriam inadequados ao programa). 
Pontual criou uma malha estrutural metálica independente da antiga alvenaria, mas, 
para “buscar uma ordem arquitetônica”, utilizou os mesmos eixos das arcadas 
sobreviventes. O aço foi escolhido por gerar menos impacto nos elementos preexistentes. 
O Paço Alfândega possui 82 lojas e quatro pavimentos. Os três primeiros são 
ocupados pelas unidades de comércio, com núcleo de serviços na porção sudeste do 
volume. 
Nesse grande vazio - que é o ponto de convergência do fluxo, segundo Pontual -, 
destacam-se a nova cúpula, que o ilumina, e a alvenaria antiga, com dois conjuntos de três 
arcadas sobrepostas. A praça de alimentação, no segundo andar, é o outro grande largo do 
conjunto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figuras 06, 07 e 08: Plantas baixas dos pavimentos: Térreo, 1º e 3º pavimentos. 
Fonte: SERAPIÃO (2004) 
 
O pé-direito mais alto do térreo possibilitou a criação de um andar técnico 
intermediário, no perímetro da construção. O Paço Alfândega liga-se ao edifício-garagem 
por meio de uma passarela no primeiro andar, que aproveita o vão de uma grande arcada 
8 
 
construída para acesso de locomotivas e caminhões, na época em que o edifício foi 
depósito de açúcar. 
O terceiro andar, por sua vez, possui cobertura plana, situada entre dois elementos 
preexistentes, mais altos e lineares, que ladeiam as porções norte e sul. A cúpula, que 
ilumina o vazio central, faz parte dessa cobertura. Nesse piso estão três restaurantes e uma 
galeria de arte, circundados por um terraço de onde se pode visualizar o rio e o mar. 
O Paço Alfândega é dividido em quatro volumes. Dois deles são edifícios de múltiplo 
uso: garagens, centro de convenção e locais de eventos. A intervenção foi finalizada no ano 
de 2004. 
 
Figura 06: O Paço Alfândega na margem do rio Capibaribe; à esquerda está a catedral e à direita, o 
edifício-garagem. Fonte: SERAPIÃO (2004) 
 
É importantesalientar que na intervenção analisada, constatam-se alguns princípios 
defendidos por Giovanni Carbonara. Como é o caso da reutilização do espaço, visto que até 
o momento a edificação estava abandonada e a mercê da deteriorização. Para o teórico, a 
melhor maneira para conservar uma edificação é atribuindo novos usos para a mesma. 
Percebe-se também a visível distinção entre a pré-existência e o novo elemento 
construído. Desse modo, os usuários do espaço poderão diferenciar facilmente o que é 
original e o que foi acrescido posteriormente, conforme defendia Carbonara, as intervensões 
deveriam ser reversíveis, possibilitando sua remoção no caso de uma futura intervenção. No 
caso do Paço Alfândega, foi utilizada uma estrutura metálica independente da original em 
todos os acrescimos do projeto. O que proporciona um menor impacto nos elementos pré-
existentes. 
Supõe-se que as alterações em alguns elementos da obra original, como a retirada 
do reboco e dos assoalhos dos pavimentos são consequência do incêndio de 1922. Isso vai 
ao encontro das idéias de Carbonara, quando os elementos remanescentes estão 
demasiadamente danificados para uma reconstituição, onde o arquiteto deve ter a 
sensibilidade e a criatividade para solucionar o problema, sem realizar nenhuma ocultação 
dos fatos históricos ali ocorridos. 
9 
 
4. CONCLUSÃO 
 
A teoria crítico-conservativa pode ser caracterizada como uma das melhores opções 
quando se fala em intervenção, pois fomenta a proposição de um uso para o espaço a ser 
restaurado. Desta forma, evita-se a acentuada degradação física do patrimônio histórico, 
pois a reutilização do espaço exige uma manutenção periódica, que mantém um bom estado 
de conservação do local. Todavia, nos casos em que a edificação permanecerá inutilizada, é 
inevitável um processo de degradação mais acelerado, de maneira que só será feita outra 
intervenção quando a situação estiver precária ou próxima a isto, fato que é altamente 
impactante e prejudicial à obra. 
Outro ponto forte na visão crítico-conservativa é o princípio de manter o existente e 
construir o novo independente dele, sem mascarar a edificação e mantendo a história. 
Contemplando tal ideologia, na restauração da antiga alfândega de Recife, os elementos 
pré-existentes foram conservados e os elementos danificados, como reboco e assoalho 
foram solucionados de forma criativa, sem gerar nenhuma falsificação da realidade ou 
cancelar a sua passagem no tempo. As intervenções feitas são fruto de um olhar crítico e 
criativo, de maneira que as novas adições fazem contraste com o antigo e são totalmente 
reversíveis, bem como prega a linha em questão. 
 
REFERÊNCIAS 
 
BRANDI, Cesare. Teoria da Restauração. Tradução Beatriz Mugayar Kühl; Apresentação Giovanni 
Carbonara. São Paulo: Ateliê Editorial, 2004. 
 
CARSALADE, Flavio de Lemos. Desenho Contextual: Uma abordagem fenomenológico- 
existencial ao problema da intervenção e restauro em lugares especiais feitos pelo homem. 
Tese (Doutorado em Concentração, Conservação e Restauro) - Universidade Federal da Bahia, 
Salvador, 2007. Disponível em: <http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/bitstream/1843/RAAO-
7J7HZK/1/tese.pdf> Acesso 03 maio 2012. 
 
CASTRO, Maria Ângela Reis de. A dupla instância do bem integrado : análise dos critérios de 
restauração sob a ótica das artes e da arquitetura sobre o ornamento aplicado. Dissertação 
(Mestrado) - Universidade Federal de Minas Gerais, Escola de Arquitetura, 2009. Disponível em: 
<http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/handle/1843/MMMD-8Q7N45> Acesso 02 maio 2012. 
 
CUNHA, Claudia dos Reis. Restauração: diálogos entre teoria e prática no Brasil nas 
experiências do Iphan. Tese (doutorado), Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de 
São Paulo, São Paulo, 2010. Disponível em:<http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16133/tde-
26052010-090302/pt-br.php> Acesso 03 maio 2012. 
10 
 
 
KÜHL, Beatriz Mugayar. Arquitetura do Ferro e Arquitetura Ferroviária em São Paulo: Reflexões 
sobre a sua preservação. São Paulo: Ateliê Editorial: Fapesp: Secretaria da Cultura, 1998. 
 
______. História e Ética na Conservação e na Restauração de Monumentos Históricos. R. CPC, 
São Paulo, v.1, n.1, p. 16-40, nov. 2005. Disponível em: 
<http://www.revistasusp.sibi.usp.br/pdf/cpc/n1/a03n1.pdf> Acesso 07 maio 2012. 
 
______. Preservação do Patrimônio Arquitetônico da Industrialização: Problemas Teóricos do 
Restauro. São Paulo: Ateliê Editorial, 2008. 
 
MARCO, Anita Di; ZEIN, Ruth Verde. A rosa por outro nome tão doce...seria? Anais do 7º 
Seminário do.co,mo.mo_brasil. Porto Alegre: 2007. Disponível em: 
<http://www.docomomo.org.br/seminario%207%20pdfs/049.pdf> Acesso 07 maio 2012. 
 
MOREIRA, Fernando Diniz; ZARATE, Diana Lira. Conservação da autenticidade em centros 
históricos: Um estudo sobre o Pólo Alfândega no Recife. Centro de estudos avançados da 
conservação integrada – CECI, Texto para Discussão vol. 48, Série 2, Gestão de Restauro, Olinda, 
2010.Disponível em: <http://www.ceci-br.org/ceci/en/publicacoes/59/533-textos-para-discussao-v-
48.html> Acesso 07 maio 2012. 
 
NEVES, Anamaria Ruegger Almeida. Um banquete de idéias: O juízo crítico na restauração do 
afresco de Andrea Mantegna. Dissertação (Doutorado em Artes), Universidade Federal de Minas 
Gerais, 2010. Disponível em: <http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/bitstream/1843/JSSS-
894NVT/1/um_banquete_de_ideias.pdf > Acesso 07 maio 2012. 
 
PEREZ, Vanessa Baggio Franco. Subsídios para o estudo da história da preservação do 
patrimônio cultural no Brasil : os conflitos de uma trajetória. Dissertação (mestrado) - 
Universidade Federal de Minas Gerais, Escola de Arquitetura, 2009. Disponível em: 
<http://www.bibliotecadigital.ufmg.br/dspace/handle/1843/RAAO-7YHE7C> Acesso 02 maio 2012. 
 
ROCHA, Christiana Arruda Lee da. O livro como obra-de-arte: Critérios teóricos para 
conservação de obras raras. Monografia (Pós-Graduação em Gestão e Conservação de Bens 
Culturais), Universidade Estácio de Sá, Rio de Janeiro, 2008. Disponível em: 
<http://www.bn.br/portal/arquivos/pdf/ChristianaRocha.pdf> Acesso 07 maio 2012. 
 
SERAPIÃO, Fernando. Centro de compras Paço Alfândega. Projeto Design, Edição 290, Abril de 
2004. Disponível em <http://www.arcoweb.com.br/arquitetura/pontual-arquitetos-centro-de-04-05-
2004.html> Acesso 07 maio 2012.

Mais conteúdos dessa disciplina