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Capítulo introdutório de Ecologia: origem do termo (Haeckel; etimologia grega), visão moderna (Odum), distinção ecólogo/ecologista; autoecologia e sinecologia; definição de meio ambiente (físico, químico, biológico) com exemplos: lago fertilizado, melanismo industrial e seleção artificial (galinha doméstica).

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1a Parte 
ECOLOGIA GERAL 
 
 
 
1. INTRODUÇÃO À ECOLOGIA 
 
 
 
o século XIX, o biólogo e naturalista alemão Ernest Haeckel (1866) partindo da observa-
ção de que “o conhecimento biológico nunca é completo quando o organismo é estudado 
isoladamente”, deu um novo rumo à História Natural - hoje Biologia, criando uma nova ciência - 
a Ecologia. 
 
O termo eco deriva do grego oikos que significa lugar onde se vive, casa, ambiente, e logos é 
estudo, ciência, tratado. No sentido literal, Ecologia seria o estudo dos seres vivos em sua casa, 
no seu ambiente, ou ainda, a ciência que estuda as relações dos seres vivos com o meio ambien-
te. Numa concepção mais moderna, a ciência que estuda a estrutura e funcionamento da Na-
tureza, considerando que a humanidade é uma parte dela (Odum, 1972). 
 
Com a criação da ciência Ecologia, surgiram os termos ecólogo e ecologista. Este identifica os 
militantes de organizações em defesa do meio ambiente, enquanto que ecólogo é o profissional - 
pesquisador, cientista, que tem formação e trabalha no campo da ecologia. 
 
Em princípio, a Ecologia considerava as espécies individualmente (ecologia da araucária, ecolo-
gia do peixe-boi...), o que deu origem a auto-ecologia. Hoje, a auto-ecologia é a parte da ecolo-
gia que estuda as respostas das espécies aos fatores ambientais, em função de suas fisiologias e 
respectivas adaptações. Posteriormente, os ecólogos perceberam a importância das relações entre 
as diversas espécies, surgindo assim a sinecologia, passando esta a ser a parte da ecologia que 
estuda as interações entre as diferentes espécies que ocupam um mesmo ambiente, como estas se 
interrelacionam e de que maneira interagem com o meio ambiente. 
 
 
1.1. MEIO AMBIENTE 
 
Para a ciência ecológica, o meio ambiente é o conjunto de condições físicas (luz, temperatura, 
pressão...), químicas (salinidade, oxigênio dissolvido...) e biológicas (relações com outros seres 
vivos) que cercam o ser vivo, resultando num conjunto de limitações e de possibilidades para 
uma dada espécie: o meio ambiente é tudo que nos cerca. 
 
Sempre heterogêneo, o meio ambiente segue variando de um local para outro, dando origem a 
agrupamentos de seres vivos diferentes. Tais agrupamentos - comunidades - interferem na com-
posição do meio e são beneficiados ou prejudicados com essas transformações. O meio ambiente 
assim evolui, para melhor ou para pior, conforme a espécie considerada. Num lago que recebe 
adubo, proveniente de projetos agrícolas na vizinhança, se for considerada a população de algas, 
N 
 
2 - Introdução às Ciências do Ambiente para Engenharia 
 
 
esta vai ser favorecida, aumentando as suas possibilidades de desenvolvimento, pela maior oferta 
de nitratos e fosfatos; porém, se forem considerados os peixes, estes têm suas possibilidades de 
desenvolvimento limitadas pela redução do oxigênio, ocasionada pela grande proliferação de al-
gas, e como resultado morrem asfixiados. O meio ambiente melhorou para as algas e piorou para 
as populações de peixes. 
 
O meio ambiente está sempre mudando e evoluindo. O clima, os seres vivos e as próprias ativi-
dades humanas modificam o ambiente e são influenciadas por essas modificações, gerando novas 
alterações. Esta é a essência da evolução. Alguns seres vivos são incapazes de adquirir os recur-
sos que necessitam e se extinguem. Outros desenvolvem constantemente melhores formas de a-
daptação aos problemas do ambiente mutante. Diz-se que estes evoluíram. Podemos dizer então 
que o meio ambiente é ‘seletivo’ na medida que certas características dão aos seus possuidores 
certa vantagem na sobrevivência e procriação. Diz-se que os indivíduos melhor adaptados ao 
ambiente mutante ‘foram selecionados’, por meio da seleção natural. 
 
No século passado a poluição nas cidades inglesas fez com que a seleção natural atuasse em uma 
espécie de mariposas. No início da industrialização a maioria das mariposas salpicadas era clara 
com manchas escuras, confundindo-se com as cascas das árvores e escondendo-se de seus preda-
dores. Quando a fuligem das fábricas escureceu as árvores e a paisagem urbana de um modo ge-
ral, as mariposas claras ficaram mais visíveis aos pássaros. Alguns anos depois as mariposas es-
curas tornaram-se mais comuns nas cidades e as claras salpicadas prevaleciam nos campos, me-
nos poluídos. Tal fenômeno de seleção natural ficou conhecido como melanismo industrial. 
 
A seleção nem sempre é natural. O homem aprendeu a utilizar a mutação para produzir organis-
mos que atendam a algum propósito útil ou desejável, criando o processo de seleção artificial. Os 
organismos assim obtidos, sobrevivem no ambiente sob a proteção humana. Um exemplo típico 
é a galinha doméstica, seu ancestral das selvas africanas é extremamente astuto e bota cerca de 
uma dúzia de ovos por ano. Algumas galinhas domésticas botam uma dúzia de ovos por mês, 
são extremamente dóceis, perderam a astúcia e, se fossem devolvidas ao seu ambiente natural, 
seriam extintas. 
 
O meio ambiente é sempre o conjunto de possibilidades físicas, químicas e biológicas para cada 
indivíduo - espécie - de uma comunidade. Neste sentido, a espécie Homo sapiens, entre milhões 
de espécies da Terra, tem sido o foco de toda atenção da ciência ecológica, dada a sua capacidade 
de transformar as condições ambientais, em nome da qualidade de vida humana. 
 
 
1.2. HÁBITAT E NICHO ECOLÓGICO 
 
O meio ambiente é o palco onde se desenrola todo o estudo da ecologia. Neste, segundo Odum 
(1972), cada espécie considerada tem um ‘endereço’- hábitat, e desenvolve uma ‘profissão’ - 
nicho ecológico. 
 
O hábitat de um organismo é o local onde ele vive; ou ainda, é o ambiente que oferece um con-
junto de condições favoráveis ao desenvolvimento de suas necessidades básicas - nutrição, prote-
ção e reprodução. O nicho ecológico é o papel de uma espécie numa comunidade - como ela faz 
para satisfazer as suas necessidades. As algas, por exemplo, têm o seu hábitat na água superficial 
de um lago (zona iluminada), e parte do seu nicho ecológico é a produção de matéria orgânica, 
através da fotossíntese, a qual serve de alimento para sua população e para alguns animais. 
 
1a Parte - Ecologia Geral - 3 
 
 
 
Teoricamente, o hábitat seria aquele ambiente em que as condições ambientais atingem o ponto 
ótimo e uma espécie consegue reproduzir em toda a sua plenitude, ou seja, consegue desenvolver 
o seu potencial biótico. Porém, a reprodução sem oposição não pode manter-se por muito tempo 
em um ambiente de recursos limitados. Desse modo, o ambiente se encarrega de controlar o cres-
cimento da população através da resistência ambiental, o que pode fazer com que a população 
retorne ao ponto de partida. 
 
A resistência ambiental compreende todos os fatores - fome, enfermidades, alterações climáti-
cas, competição, etc. - que impedem o desenvolvimento do potencial biótico. O processo fun-
ciona do seguinte modo: quando a densidade populacional aumenta, aumenta também a resistên-
cia ambiental, que por sua vez origina uma diminuição da densidade populacional. A interação 
entre o potencial biótico e a resistência ambiental resulta num aumento , ou numa diminuição, do 
número total de organismos de uma população, ou seja, o seu crescimento populacional. O hábi-
tat é então a região onde a resistência ambiental para a espécie é mínima, ou seja, onde ela en-
contra melhores possibilidades de sobrevivência. 
 
 
1.3. NÍVEIS DE ORGANIZAÇÃO BIOLÓGICA 
 
A melhor maneira de entender o campo de estudo da ecologia moderna é utilizando-se do concei-
to de níveis de organização dos seres vivos (Odum, 1972). Nestes, um arranjo hierárquico agrupa 
os seres vivos partindo de sistemas biológicos simples – genes - para biossistemas cada vez mais 
complexos – biosfera -, formando um todo unificado, conforme esquema abaixo. 
 
 
GENES → CÉLULAS→ TECIDO → ÓRGÃO → APARELHO → ORGANISMO → 
→→→→ POPULAÇÃO →→→→ COMUNIDADE →→→→ ECOSSISTEMA →→→→ BIOSFERA 
 
 
A ecologia estuda fundamentalmente os quatro últimos níveis desta seqüência. Entendendo-se 
por: 
♦ população: conjunto de indivíduos de uma mesma espécie que ocupa uma determinada área; 
♦ comunidade: conjunto de populações que interagem de forma organizada, vivendo numa 
mesma área; 
♦ ecossistemas: conjunto resultante da interação entre a comunidade e o ambiente inerte; 
♦ biosfera ou ecosfera: sistema que inclui todos os organismos vivos da Terra, interagindo com 
o ambiente físico, como um todo. 
 
 
1.4. EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO 1 
 
1. Conceitue Ecologia. Qual a diferença entre ecólogo e ecologista ? 
2. Defina hábitat e nicho ecológico. Cite exemplos. 
3. O que é resistência ambiental ? Enumere alguns fatores de resistência ambiental para o ho-
mem. 
4. Como ciência biológica, qual o campo de estudo da ecologia ? 
 
4 - Introdução às Ciências do Ambiente para Engenharia 
 
 
 
 
2. NOÇÕES DE BIOSFERA 
 
 
biosfera é definida como sendo a região do planeta que contém todo o conjunto dos seres 
vivos e na qual a vida é permanentemente possível. O termo ‘permanentemente possí-
vel’ é atrelado ao conceito de biosfera significando ‘ambiente capaz de satisfazer às necessidades 
básicas dos seres vivos, de forma permanente’. Neste contexto, a biosfera não passa de uma del-
gada casquinha em torno do planeta, uma vez que as condições de vida vão diminuindo à medida 
que nos afastamos da superfície, até que cessam a, aproximadamente, 7 km acima do nível do 
mar e abaixo deste não ultrapassa a 6 km. No total a biosfera não vai além de 13 km de espessu-
ra. 
 
Para satisfazer as necessidades dos seres vivos, são necessários, por um lado, a presença de água, 
luz, calor e matéria para a síntese dos tecidos vivos e, por outro, ausência de condições prejudici-
ais à vida como substâncias tóxicas, radiações ionizantes e variações extremas de temperatura. A 
biosfera apresenta todas essas condições: uma fonte externa de luz e calor - o sol; água que chega 
a cobrir ¾ da superfície do planeta e substâncias minerais em contínua reciclagem nos seus vá-
rios ambientes. Apresenta ainda um escudo contra radiações ionizantes provenientes do sol - a 
camada de ozônio - e grandes massas de água que se encarregam de manter a temperatura média 
do planeta em torno dos 15oC, sem grandes variações. 
 
Na realidade o termo correto para biosfera seria ecosfera (eco = oikos = casa), correspondendo 
ao conjunto de biosfera, atmosfera, litosfera e hidrosfera. Porém popularizou-se o termo biosfera 
que é usado no seu sentido funcional e não descritivo, ficando esta dividida em três regiões físi-
cas distintas: 
 
♦ litosfera - Camada superficial sólida da Terra, constituída de rochas e solos, acima do nível 
das águas. Compreende ¼ da biosfera, apresenta variações de temperatura, umidade, luz, etc. 
e possui enorme variedade de flora e de fauna; 
♦ hidrosfera - Representada pelo ambiente líquido: rios, lagos e oceanos. Recobre ¾ da super-
fície total do planeta, apresenta condições climáticas bem mais constantes do que na litosfera, 
salinidade variável (nos oceanos chega a 35 gramas/litro) e possui menor variedade de plantas 
(20 para 1) e de animais (9 para 1) que a litosfera; 
♦ atmosfera - Camada gasosa que circunda toda a superfície da Terra, envolvendo portanto, os 
dois ambientes acima citados. 
 
 
2.1. VIDA NA BIOSFERA 
 
A história da Terra começou há 4,6 bilhões de anos e o início da vida remonta a aproximadamen-
te 1,1 bilhão de anos depois - o ser vivo mais antigo conhecido, uma bactéria, formou-se há cerca 
de 3,5 bilhões de anos. Nas eras posteriores, a vida foi se diversificando cada vez mais: o padrão 
de evolução assemelha-se a uma árvore com uma espécie na ponta de cada ramo. De um tronco 
único, os seres vivos evoluíram e formaram os reinos do mundo vivo: monera, protista, fungi, 
vegetal e animal. Os primeiros exemplares do reino vegetal datam de cerca de 1,5 bilhões de 
anos - estes foram para a terra firme há cerca de 420 milhões de anos. As esponjas, membros 
A 
 
1a Parte - Ecologia Geral - 5 
 
 
mais simples do reino animal, datam de 570 milhões de anos. Os insetos surgiram há aproxima-
damente 250 milhões, os mamíferos há 175 milhões e o homem há 46 milhões de anos. Compa-
rando com a idade da Terra, a espécie Homo sapiens está na sua infância, principalmente se con-
siderarmos os seus impulsos destrutivos. 
 
 
2.2. COMPLEXIDADE 
 
A biosfera caracteriza-se por uma estrutura muito complexa. A sua composição é resultado de 
fenômenos físicos associados à própria atividade biológica que aí se realiza há milhares de anos. 
As atividades de nutrição e de respiração das plantas, dos animais e dos microrganismos, que ha-
bitam o solo e as águas, alteram quimicamente a composição do ar atmosférico, por consumirem 
alguns gases que o compõem e produzirem outros; modificam a estrutura do solo, por cavarem 
buracos e galerias ou por produzirem alterações químicas do meio; modificam, ainda, a composi-
ção da água em virtude das trocas de alimentos e compostos químicos que realizam no seu inte-
rior. Portando, desde a sua criação, a biosfera está em constante modificação pela ação dos pró-
prios seres vivos, o que de certa forma a torna frágil, principalmente quando este ser vivo é o 
homem. 
 
 
2.2.1. HIPÓTESE DE GAIA 
 
A melhor maneira de compreender a fragilidade da biosfera talvez seja através da Hipótese de 
Gaia e do texto elaborado pelo Greenpeace que nos faz pensar sobre o comportamento da espécie 
Homo sapiens. 
 
O termo Gaia foi usado pela primeira vez no século XVII pelo médico inglês William Gilbert 
referindo-se a ‘Mãe Terra’ e popularizado pelo norte-americano James Lovelock quando formu-
lou a hipótese de Gaia: “a Terra seria um superorganismo, de certa forma frágil, mas com 
capacidade de auto-recuperação”. Na Terra, como no metabolismo de um organismo vivo, ca-
da parte influencia e depende de outras partes, ao perturbar uma só dessas partes da vida pode 
afetar o todo. Mais recentemente, essa hipótese foi comungada por Jonathan Weiner, mas com 
uma certa preocupação. Segundo Weiner “os agentes destrutivos hoje são artificiais e provocam 
desgaste em quase todo o planeta, ao mesmo tempo. A constituição de Gaia seria tão vigorosa a 
ponto de reparar naturalmente o desgaste e manter o planeta saudável? Poderá Gaia nos salvar?”1 
 
 
 
“A Terra tem 4,6 bilhões de anos, se condensarmos esse espaço de tempo num conceito compre-
ensível, poderíamos comparar a Terra a uma pessoa que neste momento estaria completando 46 
anos. Nada sabemos dos 7 primeiros anos de vida dessa pessoa e mínimas são as informações 
sobre o longo período de sua juventude e maturação. 
 
Sabemos, no entanto, que foi aos 42 anos que a terra começou a florescer. Os dinossauros e os 
grandes répteis surgiram há um ano, quando o planeta tinha 45 anos. Os mamíferos apareceram 
há apenas oito meses e na semana passada os primeiros hominídeos aprenderam a caminhar 
eretos. 
 
1 Revista Ecologia e Desenvolvimento, no 59, 1996. 
 
6 - Introdução às Ciências do Ambiente para Engenharia 
 
 
 
No fim dessa semana a Terra ficou coberta com uma camada de gelo, mas abrigou em seu seio 
as sementes da vida. O homem moderno tem apenas quatro horas de existência e faz uma hora 
que descobriu a agricultura. A Revolução Industrial iniciou há um minuto. Durante esses ses-
senta segundos da imensidão do tempo geológico, o homem fez do paraíso um depósito de lixo. 
 
Multiplicou-se como praga, causou a extinção de inúmeras espécies, saqueou o planeta para 
obter combustíveis; armou-se até os dentes para travar, com suas armas nuclearesinteligentes, 
a última de todas as guerras, que destruirá definitivamente o único oásis da vida no sistema so-
lar. 
 
A evolução natural de 4,6 bilhões de anos seria anulada num segundo pela ação do animal inte-
ligente que inventou o conhecer. Será esse o nosso destino ?” 
 
Texto do Greenpeace. 
 
 
 
2.3. A ENERGIA 
 
A fonte de energia para a biosfera é o sol: além de iluminar e aquecer o planeta, fornece energia 
para a síntese de alimento. A energia solar também é responsável pela distribuição e reciclagem 
de elementos químicos, pois governa o clima e o tempo nos sistemas de distribuição de calor e 
água na superfície do planeta. Dos 100% de energia solar enviada para a Terra, somente 47% 
conseguem atingir a sua superfície, sendo 30% energia direta e 17% difusa (Figura 2.1). Dos 
100% iniciais, menos de 1% é utilizado pelos vegetais na produção de alimento. 
 
 
 
 
 
Figura 2.1: Distribuição da energia solar na terra. (FREIRE DIAS, G., 1992) 
 
 
1a Parte - Ecologia Geral - 7 
 
 
A energia solar que toca a superfície da terra é uma ação conjunta de espécies de radiações dis-
tintas. Do aspecto ecológico, somente as radiações infravermelhas, as visíveis e as ultravioletas 
são bem conhecidas quanto aos seus efeitos. As radiações infravermelhas, apesar de serem ab-
sorvidas em grande parte pelo vapor d'água atmosférico, exercem poderosa influência sobre os 
seres vivos, dando também origem a fenômenos meteorológicos, como o vento. As radiações 
ultravioletas têm importância na formação da vitamina D, necessária aos seres vivos, mas por 
outro lado, possuem grande poder mutágeno, estando relacionadas com a incidência de câncer de 
pele. A grande maioria desses raios é absorvida pela camada de ozônio presente na atmosfera 
terrestre. As radiações visíveis constituem a parte do espectro solar indispensável à vida: a luz 
solar se relaciona fundamentalmente com a produção de alimentos. 
 
Todos os processos energéticos da biosfera obedecem às duas leis da termodinâmica. A primeira 
lei estabelece que “a energia do universo é constante” ou seja a energia não pode ser criada 
nem destruída, apenas transformada. A segunda lei reza que “a entropia no universo tende ao 
máximo” ou seja a cada transformação a energia passa de uma forma mais organizada e concen-
trada (energia de alta qualidade) a outra menos organizada e mais dispersa (energia de baixa qua-
lidade - calor). As duas leis podem ser observadas no fluxo contínuo e num único sentido da e-
nergia solar na biosfera (Figura 2.2): a energia luminosa é captada pelas plantas e transformada 
em energia química ou absorvida pela água, ar e solo e, posteriormente, em ambos os casos, 
transformada em energia calorífica que é irradiada para o espaço. Neste contexto, a Terra é um 
sistema aberto. 
 
Energia Solar 
(irradiada à Terra com luz solar) 
 
Biosfera 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Energia Degradada 
(irradiada para o espaço na forma de calor) 
 
Figura 2.2: Fluxo de energia na biosfera. 
 
 
2.4. OS RECURSOS NATURAIS 
 
Ar, água, solo, minerais, flora e fauna, genericamente, são recursos naturais, isto é, são recursos 
que a natureza coloca à disposição dos seres vivos, para que estes possam satisfazer às suas ne-
cessidades. A existência da biosfera está condicionada à disponibilidade desses recursos que po-
dem der divididos em: 
 
♦ renováveis - são aqueles recursos que naturalmente podem ser regenerados após o uso, como: 
a água, o ar, a energia solar, a energia eólica, a madeira, as plantas produtoras de fibra, os ve-
Energia solar convertida em energia 
química na matéria orgânica 
(através da fotossíntese) 
Energia química que se emprega para produzir 
trabalho nas células do organismo 
(através da respiração) 
 
8 - Introdução às Ciências do Ambiente para Engenharia 
 
 
getais usados na alimentação, animais usados na alimentação e na confecção de agasalhos e os 
nutrientes; 
♦ não-renováveis - são aqueles que não podem ser naturalmente regenerados após o uso ou são 
regenerados em tempos geológicos muito extensos. O calcário, a argila, a areia, o petróleo e o 
carvão mineral são exemplos de recursos naturais não-renováveis. 
 
Quando estes conceitos são aplicados no meio humano, o recurso natural será renovável ou não 
dependendo da sua exploração e/ou capacidade de reposição. Assim, determinado recurso con-
ceituado como renovável pode deixar de sê-lo, como é o caso da fauna que pode entrar em extin-
ção quando explorada de forma incorreta ou quando o ambiente modificado não fornece condi-
ções para sua renovação. O peixe-boi, o tatu-canastra, o tamanduá-bandeira, a jaguatirica e a ara-
ra-azul, são exemplos de espécies brasileiras que se encontram ameaçadas de extinção, devido à 
caça predatória associada a transformações no ambiente. A água também pode deixar de ser um 
recurso renovável na região quando manejada de forma incorreta. Para evitar a extinção, exaus-
tão ou perda de recursos naturais é fundamental o conhecimento ecológico, para que se possa es-
tabelecer condições e limites de uso e exploração, bem como planos de manejo adequados à ca-
pacidade de suporte do ambiente e, por que não, da biosfera. 
 
 
2.5. ATIVIDADES HUMANAS E DESEQUILÍBRIOS NA BIOSFERA 
 
As atividades humanas contribuem para alterações dos requisitos de qualidade da biosfera. As 
indústrias com suas chaminés e o uso dos veículos movidos a gasolina ou a óleo alteram a com-
posição da atmosfera; os resíduos lançados pelos esgotos das fábricas e das casas alteram a com-
posição da hidrosfera; a disposição inadequado do lixo, dos entulhos de construção, dos rejeitos 
da mineração, dos inseticidas, dos adubos, etc., alteram a composição da litosfera. 
 
Algumas dessas atividades humanas podem ser benéficas para a biosfera, melhorando as condi-
ções de vida ou de desenvolvimento, por exemplo: a adubação e a irrigação do solo, aumentando 
nele a quantidade de elementos nutritivos e água necessários ao crescimento das plantas. Outras 
porém são nocivas por causarem poluição, erosão. etc. Às vezes, uma atividade é benéfica em 
uma determinada área e para outra torna-se nociva, como, por exemplo, a aplicação de inseticidas 
para combater as pragas da lavoura, causando morte de insetos inofensivos e contaminando a á-
gua dos rios próximos. O perfeito equilíbrio entre todas essas atividades e o perfeito conhecimen-
to das relações entre as espécies de animais e vegetais que habitam diferentes locais da biosfera, 
torna-se assim indispensável para que se consiga manter as características do meio em que vive-
mos. 
 
 
2.6. EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO 2 
 
1. Conceitue biosfera e ecosfera, com noções sobre sua amplitude e idade. 
2. Comente sobre a importância da presença da luz, do calor e da água como elementos indis-
pensáveis à vida na biosfera. 
3. Explique porque do ponto de vista energético a biosfera ou ecosfera é um sistema aberto. 
4. Elabore um quadro com cinco atividades humanas que contribuem para alterar a biosfera, re-
lacionando-as com os benefícios esperados e os prejuízos observados. 
 
 
1a Parte - Ecologia Geral - 9 
 
 
 
 
3. NECESSIDADES BÁSICAS DOS SERES VIVOS 
 
 
 existência da biosfera ou de vida de forma permanente, em um ambiente qualquer, só é 
possível se este oferecer condições para que os seres vivos satisfaçam as suas necessida-
des básicas: nutrição, proteção e reprodução (Quadro 3.1). A nutrição garante matéria (alimen-
to) rica em energia, para que os seres vivos possam proteger-se de seus inimigos e dos rigores do 
tempo e, finalmente, reproduzir para garantir a continuidade das espécies. 
 
 
Quadro 3.1: Necessidades básicas dos seres vivos. 
 
Necessidade 
 
 
Conceito 
 
Tipos 
 
Organismos 
• Nutrição • Processos de obten-
ção de matéria e e-
nergia pelos seresvivos. 
• Autotrófica: os seres vivos 
sintetizam seu próprio ali-
mento, partindo de substân-
cias inorgânicas e de uma 
fonte de energia. 
• Heterotrófica: os seres 
vivos, através de relações 
com outros seres vivos, ad-
quirem o alimento sintetiza-
do. 
• Vegetais cloro-
filados, algas e 
algumas bactéri-
rias. 
 
• Animais, fun-
gos, vírus, pro-
tozoários e o res-
tante das bacté-
rias. 
• Proteção • Mecanismos utili-
zados pelos seres vi-
vos para se defende-
rem das intempéries e 
dos seus inimigos na-
turais. 
• Crescimento quase ilimi-
tado, espinhos, substâncias 
urticantes, perda das folhas, 
... 
• Aspecto repulsivo, agres-
são, fuga, construção de 
abrigos, elevada descendên-
cia, camuflagem, ... 
• Vegetais. 
 
 
 
• Animais. 
• Reprodução • Processos desenvol-
vidos pelos seres vi-
vos para gerar des-
cendentes e, conse-
quentemente, dar con-
tinuidade às espécies. 
• Assexuada: quando não há 
mistura de genes, gerando 
indivíduos geneticamente 
idênticos ao que lhe deu 
origem. 
• Sexuada: ocorre mistura 
de genes, gerando seres com 
novas combinações genéti-
cas. 
• Bactérias e al-
guns protozoá-
rios. 
 
 
• Maioria dos 
seres vivos. 
 
 
Boa parte da vida de um organismo é utilizada no processo de nutrição. Por isso, a relação ali-
mentar constitui fator determinante da estrutura da comunidade. Para satisfazer ao processo nu-
tricional, o ser vivo precisa de condições que lhe permitam produzir (autótrofo) ou utilizar (hete-
rótrofo) os alimentos disponíveis, e o meio ambiente deve oferecê-las. 
A 
 
10 - Introdução às Ciências do Ambiente para Engenharia 
 
 
No que diz respeito à proteção, a camuflagem é talvez o mais curioso mecanismo. Neste, o orga-
nismo envolvido adota a aparência transitória (mimetismo), ou permanente, de uma característica 
do ambiente e consegue assim se proteger de seus inimigos naturais: borboletas com cores e for-
ma de pétalas de flores, gafanhotos com aparência de folhas ou de ramos, lagartos com cores da 
paisagem, etc. O fenômeno da camuflagem é de tal forma que chega a ser possível identificar, 
pelo aspecto do organismo, o tipo de ambiente de onde o mesmo provém. 
 
A reprodução, seja sexuada ou assexuada, depende de condições ambientais particulares, envol-
vendo vento, água, temperatura, presença de outros organismos (polinizadores ou não), disponi-
bilidade de abrigo e de materiais para construção de ninhos, tocas, etc. O ambiente deve ser ca-
paz de satisfazer às necessidades de cada espécie para que ela reproduza, povoe e a vida continue 
existindo. 
 
Como heterótrofo, o homem, na busca do alimento, desenvolve as mais variadas relações com o 
ambiente, através da caça, pesca, agricultura, pecuária, piscicultura, desmatamento, etc. e, ao 
contrário dos demais seres vivos, consome muito mais compostos orgânicos do que a quantidade 
por ele utilizada como alimento. A maior parte da matéria consumida é usada na produção de 
energia. Em nome do desenvolvimento, o homem vem interferindo na Natureza, eliminando ou 
modificando o ambiente, de modo a inviabilizar a satisfação das necessidades básicas de seres 
vivos, o que pode causar profundas modificações de caráter ecológico, com o desaparecimento 
de espécies úteis e a superpopulação por espécies indesejáveis, com conseqüências para o próprio 
homem. 
 
 
3.1. PROCESSOS ENERGÉTICOS UTILIZADOS PELOS SERES VIVOS 
 
Na biosfera, os seres vivos obtêm energia para satisfazer suas necessidade básicas através de cin-
co processos, divididos em dois grupos. 
 
a) Processos que levam à formação de compostos orgânicos (alimento) ricos em energia, a partir 
de CO2 e H2O: 
 
♦ fotossíntese - quando a energia utilizada para a síntese do alimento provém da luz. 
 
 CO2 + H2O Alimento + O2 
 
 
♦ quimiossíntese - quando a energia utilizada para a síntese do alimento, provém da oxidação 
de compostos inorgânicos. 
 
 Comp. Inorg. Reduzido + O2 Comp. Inorg. Oxidado 
 
 Energia Química 
 
 CO2 + H2O Alimento 
 
Luz 
 
 
 
 
 
 
 
1a Parte - Ecologia Geral - 11 
 
 
 
b) Processos que levam à liberação da energia contida nos alimentos: 
 
♦ respiração aeróbia - quando o receptor final dos hidrogênios é o oxigênio. 
 
 Alimento + O2 CO2 + H2O + Energia 
 
♦ respiração anaeróbia - quando o receptor dos hidrogênios é uma substância diferente do oxi-
gênio (CO3-2, PO4-3, SO4-2 ). 
 
 Alimento + KNO3 CO2 + H2O + N2 + KOH + Energia 
 
♦ fermentação: quando o receptor dos hidrogênios é uma substância orgânica subproduto da 
reação em questão. 
 
 Alimento C2H5OH + CO2 + Energia 
 
 
Os organismos que realizam fotossíntese e quimiossíntese são portanto autótrofos. Tanto autótro-
fos como heterótrofos retiram energia dos alimentos através da respiração. Os seres vivos que 
respiram aerobicamente são chamados aeróbios. Os que respiram anaerobiamente são denomi-
nados anaeróbios. Os seres que respiram tanto aeróbia como anaerobiamente, dependendo das 
condições do ambiente, são chamados facultativos. 
 
Os processos energéticos mais difundidos nas condições atuais da biosfera são: fotossíntese, res-
piração aeróbia e fermentação. Estes surgiram na Terra juntamente com os primeiros seres vivos. 
Tudo indica que a seqüência de aparição destes processos na biosfera foi: fermentação (compos-
tos orgânicos nos mares primitivos), fotossíntese (após introdução de CO2 pela fermentação) e 
respiração aeróbia (após a introdução de O2 pela fotossíntese). 
 
 
3.2. BIOSSÍNTESE E BIODEGRADAÇÃO 
 
Em todo processo de nutrição autotrófica há síntese ou composição de compostos orgânicos e no 
de respiração há degradação ou decomposição de compostos, que se caracteriza pela volta destes 
aos seus constituintes originais - carbono, água e sais minerais; como ambos os processos são 
biológicos, fala-se em biossíntese e biodegradação. 
 
Na biosfera, a todo processo de biossíntese (foto e quimiossíntese) deve corresponder um proces-
so de biodegradação (respiração aeróbia, anaeróbia e fermentação). Isso é quantitativamente ver-
dadeiro, o que origina um equilíbrio entre esses dois processos naturais. A existência desse equi-
líbrio é condição fundamental à continuidade da vida, porque se por um lado a quantidade de e-
nergia disponível (solar) é inesgotável, por outro lado a quantidade de carbono e outros elemen-
tos constitutivos das moléculas orgânicas é limitada no ambiente habitado. Isto faz com que to-
dos os elementos retirados do meio devam, mais cedo ou mais tarde, ser restituídos ao meio, a-
través da biodegradação, para novas biossínteses. Este processo denomina-se reciclagem. 
 
 
 
 
 
 
12 - Introdução às Ciências do Ambiente para Engenharia 
 
 
Os vegetais e animais continuamente realizam biodegradação de compostos orgânicos, através da 
respiração. Quando morrem, os compostos orgânicos que formam os seus corpos passam a ser 
biodegradados, graças à ação de microrganismos que utilizam como alimento os cadáveres ani-
mais e restos de vegetais. Esses microrganismos constituem um grupo particular de heterótrofos 
que recebem a denominação genérica de sapróvoros. Se não existisse a atividade desses seres, 
todos os restos e detritos animais e vegetais permaneceriam intactos na biosfera, acumulando e-
lementos essenciais à formação de novos seres vivos e o planetaseria um amontoado de lixo. 
 
 
3.3. EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO 3 
 
1. Classifique os seres vivos quanto ao processo de nutrição. 
2. Por que os seres vivos precisam se proteger ? Enumere cinco processos de proteção que você 
conhece. 
3. O que pode acontecer com os seres vivos de uma determinada região quando a mata nativa é 
substituída por plantações exóticas ? 
4. Identifique os processos energéticos utilizados pelos seres vivos. 
5. Os primeiros seres vivos do planeta eram autótrofos ou heterótrofos ? Por que? 
6. Levando em consideração a atmosfera primitiva (NH3, H2, CH4 e vapor d’água), explique 
porque nem a fotossíntese e nem a respiração aeróbia tinham condições de ocorrer. 
7. O que é reciclagem ? Faça uma lista de 5 produtos recicláveis que você usa diariamente. 
8. Explique a importância da reciclagem para continuidade da biosfera. 
 
 
 
1a Parte - Ecologia Geral - 13 
 
 
 
 
4. FATORES ECOLÓGICOS 
 
 
ntende-se por fatores ecológicos o conjunto de fatores biológicos, ou bióticos, e físicos, ou 
abióticos, de um determinado ambiente, que atuam sobre o desenvolvimento de uma co-
munidade. Tais fatores podem constituir elementos da resistência ambiental, diminuindo a sobre-
vivência dos seres vivos. Os fatores ecológicos bióticos compreendem as relações simbióticas 
entre os seres vivos e os fatores ecológicos abióticos constituem as condições físicas do ambien-
te. 
 
 
4.1. FATORES ECOLÓGICOS BIÓTICOS 
 
Para satisfazer suas necessidades de alimentação, proteção, transporte e reprodução os seres vi-
vos associam-se com outros seres vivos, de mesma espécie ou de espécie diferente, surgindo as-
sim as relações ecológicas. Consideradas fatores ecológicos bióticos, as relações ecológicas 
(Quadro 4.1) podem ser classificadas em: 
 
♦ intra-específica - relação que ocorre entre indivíduos de mesma espécie; 
♦ inter-específica - relação que ocorre entre indivíduos de espécies diferentes; 
♦ harmônica - relação em que nenhum dos organismos é prejudicado; 
♦ desarmônica - relação em que pelo menos um dos organismos é prejudicado. 
 
Quadro 4.1: Relações entre os seres vivos. 
 
Relações 
 
 
Conceito 
 
Exemplos 
 
Observações 
• Canibalismo 
(intra-específi-
ca desarmôni-
ca) 
• Um animal ma-
ta e devora outro 
da sua espécie. 
• Ocorre, dentre 
outras populações, 
nas de aranhas, 
ratos, peixes, lou-
va-a-deus, 
• Raro. Ocorre em super-
populações quando há falta 
de alimento; em algumas 
espécies é comum a fêmea 
devorar o macho, após a 
fecundação. 
• Competição 
(intra e inter-
específica de-
sarmônica) 
• Luta por ali-
mento, posse de 
território, da fê-
mea, etc. 
• Todos os seres 
vivos. 
• Freqüente. Observa-se 
sempre que há sobreposição 
de nichos ecológicos. É um 
fator de seleção natural e de 
limitação da população. 
• Predatismo 
(inter-específi-
ca desarmôni-
ca) 
• Um animal ma-
ta outro de espé-
cie diferente para 
se alimentar. 
• Mamífero carní-
voro (predador) x 
mamífero herbívo-
ro (presa). 
• Freqüente. Fator de sele-
ção natural e equilíbrio da 
população de presas. Apli-
cado no Controle Biológico: 
predador x praga. 
• Forésia 
(inter-específi-
ca harmônica) 
• Transporte de 
um ser, seus ovos 
ou sementes por 
outro ser vivo. 
• Pólen x insetos e 
aves; sementes x 
aves e mamíferos, 
etc. 
• Polinização. 
E 
 
14 - Introdução às Ciências do Ambiente para Engenharia 
 
 
 
• Mutualismo 
(inter-específi-
ca harmônica) 
 
• Troca de bene-
fícios entre seres 
vivos, com ou 
sem interdepen-
dência. 
• Cupim x proto-
zoários, algas x 
fungos, plantas x 
insetos, crocodilo 
x ave-palito. 
• Obrigatório (liquens), fa-
cultativo (mosca do berne). 
• Parasitismo 
(inter-específi-
ca desarmôni-
ca) 
• Um ser vive à 
custa de outro, 
prejudicando-o. 
• Cipó-de-chumbo 
x outros vegetais; 
vermes x mamífe-
ro; vírus, bactérias, 
fungos e protozoá-
rios x outros seres 
vivos. 
• Freqüente. Fator de home-
ostase na população de pre-
sas. Aplicado no Controle 
Biológico: parasita x praga. 
Endoparasita (ameba) e ec-
toparasita (piolho). 
• Inquilinismo 
(inter-específi-
ca harmônica) 
• Um organismo 
usa outro como 
suporte ou abri-
go. 
• Bromélia x árvo-
re (suporte), fie-
ráster x holoturói-
des (abrigo). 
• Epifitismo, epizoísmo, 
endofitismo e endozoísmo. 
•Comensalismo 
(inter-específi-
ca harmônica) 
• Um ser come 
restos da comida 
de outro. 
• Rêmora x tuba-
rão, hiena x leão. 
• Também é aplicada a situ-
ações em que não está en-
volvido o alimento (tuim x 
pica-pau). 
• Colônias 
(intra-específi-
ca harmônica) 
• Seres unidos 
anatômica e/ou 
fisiologicamente. 
• Algas, protozoá-
rios, corais, cracas, 
caravelas. 
• Os indivíduos podem ser 
todos iguais (algas) ou dife-
rentes com divisão de traba-
lho (caravelas). 
• Sociedade 
(intra-específi-
ca harmônica) 
• Indivíduos com 
tendência à vida 
gregária, traba-
lham para o de-
senvolvimento da 
população. 
• Castores, gorilas, 
homens, peixes, 
formigas, abelhas, 
cupins. 
• Comum no mundo dos 
insetos, onde a divisão de 
trabalho leva a formação de 
castas. 
 
• Amensalismo 
(inter-específi-
ca desarmôni-
ca) 
• Uma espécie 
inibidora produz 
secreções (subs-
tâncias tóxicas) 
eliminando a es-
pécie amensal. 
• Eucalipto x gra-
míneas, mandioca-
brava x fungos, 
fungos x bactérias, 
algas x peixes 
(Maré vermelha). 
• Esta relação é mais co-
mum entre vegetais, fungos 
e bactérias. 
 
 
Determinadas relações têm importância vital para o equilíbrio ecológico dentro das comunidades. 
Numa interação como o predatismo, o predador influi diretamente no controle da população da 
presa, mantendo-a em níveis compatíveis com a quantidade de alimento disponível no local. Re-
lações como predatismo e parasitismo são assim utilizadas para eliminação ou diminuição de es-
pécies indesejáveis, num processo conhecido como Combate ou Controle Biológico. Este ofe-
rece duas vantagens sobre o combate através de substâncias químicas: não polui o ambiente e, 
desde que adequadamente planejado, não causa desequilíbrios ecológicos. Muitas espécies para-
sitas são seletivas, vivem apenas em um hospedeiro ou em espécies aparentadas do seu hospedei-
ro. Neste sentido, o uso do parasitismo no controle biológico tem se mostrado mais eficiente do 
que o predatismo. 
 
 
 
1a Parte - Ecologia Geral - 15 
 
 
Algumas relações existentes entre os seres vivos não se enquadram nos tipos citados, por não se-
rem tão óbvias. Muitas espécies, para sobreviverem em um determinado ambiente, dependem 
indiretamente da presença de outras. Como exemplo, podemos citar os mamíferos: as regiões 
mais ricas do mundo em mamíferos, são aquelas que apresentam uma fauna diversificada de co-
prófagos (bosteiros), estes além de contribuírem para melhorar as pastagens, reduzem as infec-
ções parasitárias dos mamíferos por enterrarem no solo os vermes parasitas. 
 
 
4.2. FATORES ECOLÓGICOS ABIÓTICOS 
 
Os fatores ecológicos abióticos estão representados pelas condições climáticas, edáficas e quími-
cas, que determinam a composição física do ambiente. Os principais fatores ecológicos abióticos 
nos ambientes terrestres são a luz, a temperatura e a água, enquanto que nos ambientes aquáticos 
são a luz, a temperatura e a salinidade. Os principais fatores ecológicos abióticos encontram-se 
listados no quadro 4.2. 
 
 
Quadro 4.2: Fatores ecológicos abióticos. 
 
Fator 
 
 
Importância 
 
Classificação 
Temperatura • Constitui fator determinante na dis-
tribuição dos seres vivos, influi no 
metabolismo, no apetite, na fotossín-
tese, no desenvolvimento, na ativida-
de Sexual e na fecundidade. As tem-peraturas mais favoráveis à vida estão 
na faixa de 10 a 30oC. Para cada ser 
vivo existe um preferendo térmico 
(PT). Temperaturas fora do PT de-
terminam migrações. Quando a tem-
peratura diminui ou aumenta demasi-
adamente, alguns seres vivos entram 
em estado de quiescência, fazendo 
hibernação (morcego, urso) ou estiva-
ção (lagarto, rato-canguru), outros 
migram. 
 
• Homeotermos: organismos 
que conseguem manter a tem-
peratura corporal, apesar das 
variações do meio (Aves e 
Mamíferos). 
 
• Pecilotermos: a temperatura 
corporal acompanha as varia-
ções do meio (peixes, répteis e 
anfíbios). 
 
Luz • Essencial na produção de alimentos 
(fotossíntese), nos processos ópticos, 
na pigmentação da pele, regula os 
ritmos biológicos diários e anuais, 
regula a atividade motora de animais 
(fotocinese), orienta o movimento dos 
vegetais (heliotropismo). Alguns ani-
mais e vegetais produzem luz, proces-
so chamado bioluminescência. 
• Eurifotos: organismos que su-
portam grandes variações lumi-
nosas. 
• Estenofotos: só conseguem 
viver numa estreita faixa lumi-
nosa. 
• Lucífilos: atraídos pela luz 
(mariposas). 
• Lucífobos: fogem da luz 
(toupeira). 
 
 
16 - Introdução às Ciências do Ambiente para Engenharia 
 
 
 
 
Água • Entra na composição das células de 
todo ser vivo, está presente em todos 
os processos metabólicos, é o solvente 
universal; tem papel fundamental na 
temperatura corporal dos homeoter-
mos, na regulação do clima do planeta 
e na distribuição dos seres vivos na 
biosfera. As sementes têm em torno 
de 3 a 5% de água, o homem 65%, o 
recém-nascido 90% e as medusas 
99%. 
 
• Hidrófilos ou hidrófitos: ve-
getais que só vivem em locais 
onde haja muita água (vitória-
régia). 
 
• Xerófilos ou xerófitos: vege-
tais adaptados a locais com 
pouca água, áridos (cactos). 
Nutrientes • Necessários para o crescimento e 
reprodução dos seres vivos, são eles 
os elementos químicos e sais dissol-
vidos. Seu suprimento na biosfera se 
mantém mediante o movimento den-
tro dos ciclos biogeoquímicos. Podem 
se tornar fator limitante por falta ou 
por excesso no meio. Constituem, 
juntamente com outras características 
do solo (pH, textura, umidade), os 
fatores edáficos. 
• Macronutriente: entra em 
grande quantidade na composi-
ção dos tecidos vivos (Carbono, 
Oxigênio, Hidrogênio, Nitrogê-
nio). 
 
• Micronutriente: necessário 
em quantidades relativamente 
pequenas (Manganês, Cobre, 
Zinco, Magnésio). 
 
 
 
 
4.3. FATORES LIMITANTES 
 
Para cada um dos fatores ecológicos, os seres vivos têm limites de tolerância dentro dos quais 
podem sobreviver. Assim, qualquer fator abiótico fora do extremo superior ou inferior, tende a 
limitar a oportunidade de sobrevivência do organismo (Lei de Leidberg), e esse fator passa a ser 
um fator limitante. O mesmo se aplica para os fatores bióticos quando estes passam a limitar o 
desenvolvimento dos seres vivos. Os principais fatores limitantes abióticos são a temperatura 
(clima), a água, a luz e os nutrientes; e os bióticos são a competição, o predatismo e o parasitis-
mo. 
 
Quanto mais ampla for a faixa de tolerância de um organismo a um dado fator, mais probabilida-
de ele tem de sobreviver às variações ambientais relacionadas a esse fator. Alguns animais têm 
uma faixa de tolerância muito estreita: para os peixes, por exemplo, uma variação de poucos 
graus na temperatura da água, pode eliminar a população inteira. Em termos gerais, quanto mais 
ampla for a faixa de tolerância de um organismo aos fatores do meio, mais ampla será a sua dis-
tribuição geográfica. Mediante a tecnologia, o homem tem ampliado, artificialmente, sua faixa de 
tolerância a muitos fatores, de modo que pode sobreviver em quase todas as regiões da biosfera e 
fora dela (nave espacial). 
 
 
 
1a Parte - Ecologia Geral - 17 
 
 
4.4. EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO 4 
 
1. De que maneiras podem interagir os organismos de uma mesma espécie ? 
2. Identifique e classifique as relações abaixo: 
a) A penicilina, o primeiro antibiótico descoberto pelo homem, é uma substância produzida 
por um fungo capaz de inibir o crescimento de microrganismos. 
b) As abelhas, para produzirem o mel, utilizam o néctar das flores. 
c) Em uma calçada, a lagartixa fica imóvel por alguns minutos e, subitamente, lança sua lín-
gua e captura um inseto. 
d) O anum é freqüentemente encontrado nas costas do gado bovino, alimentando-se de carra-
patos que infestam sua pele. 
e) As orquídeas em uma floresta utilizam as árvores como suporte, para poderem ficar mais 
próximas da fonte de luz. 
3. As relações entre os seres vivos podem envolver ganho (+), perda (-) ou neutralidade e tole-
rância (0). Classifique as relações listadas no quadro 4.1 usando pares de sinais, como (+,+), 
(+,-), (0,+), etc. 
4. Qual a importância, para uma espécie, da competição entre seus indivíduos ? 
5. Qual a importância do predatismo para a comunidade ? 
6. O que é controle biológico ? É mais eficiente quando se usam parasitas ou predadores? Por 
que? 
7. Por que alguns seres vivos migram ? 
8. Qual a diferença entre hibernação e estivação ? 
9. Conceitue fator limitante. Dê exemplo de um fator limitante para o homem. 
10. Qual a diferença entre fator limitante e resistência ambiental ? 
 
 
18 - Introdução às Ciências do Ambiente para Engenharia 
 
 
 
 
5. ECOSSISTEMAS 
 
 
s vegetais, animais e microrganismos que vivem numa região e constituem uma comuni-
dade biológica, estão ligados por uma intrincada rede de relações e influências, que inclui 
o meio físico e a própria comunidade. Estes componentes físicos e biológicos, interdependentes, 
formam uma unidade funcional básica de estudo da Ecologia, denominada ecossistema (Tansley, 
1935). Um ecossistema pode ser definido como: “unidade funcional básica, composta de uma 
biocenose - conjunto de seres vivos - e um biótopo - lugar que abriga uma biocenose”. 
 
As dimensões dos ecossistemas são as mais variadas possíveis, pois convenientemente pode-se 
escolher uma unidade maior ou menor para estudo. Ele pode ser constituído por uma floresta in-
teira (macro-ecossistema) ou por uma simples planta como a bromeliácea (micro-ecossistema), 
ou ainda, um oceano ou um aquário. 
 
 
5.1. COMPONENTES E ESTRUTURA 
 
Há nos ecossistemas um enorme complexo de fenômenos e fatores que delimitam e definem a 
sua composição: primeiramente, a composição física do meio (natureza do solo, luminosidade, 
temperatura, etc.); depois, a composição química (sais minerais e compostos inorgânicos utiliza-
dos como nutrientes, ácidos, álcalis, oxigênio, gás carbônico, etc.); finalmente, a presença de se-
res vivos que podem ser predadores, comensais, parasitas, competidores, etc., e caracterizam-se 
por uma interdependência não somente nas relações alimentares, mas também na reprodução e 
proteção. Desse modo, pode-se dividir o ecossistema em dois conjuntos amplos de componentes: 
os bióticos (vivos) e os abióticos (não vivos). O conjunto dos componentes bióticos compõe a 
biocenose e dos componentes abióticos o biótopo. 
 
Os componentes bióticos podem ser agrupados em três categorias funcionais: produtores, con-
sumidores e decompositores. Os produtores são todos os organismos autótrofos, principalmen-
te plantas verdes que realizam fotossíntese, e outros, em menor quantidade, que realizam quimi-
ossíntese. Os consumidores dos ecossistemas são os heterótrofos, principalmente animais, que 
se alimentam de outros seres vivos. Podem ser subdivididos em: (a) consumidor primário (her-
bívoro), que utiliza diretamente o vegetal - veado, gafanhoto, coelho e muitos peixes; (b) con-
sumidor secundário (carnívoro), que obtém seu alimento de consumidores primários - leão, ca-
chorro, cobra e espécies carnívoras de peixes; e, (c) consumidor misto (onívoro),que não faz 
discriminação pronunciada em sua preferência alimentar entre produtores e outros consumidores 
- esta categoria inclui o homem, o urso e alguns peixes. Os decompositores também são heteró-
trofos - bactérias e fungos sapróvoros -, porém se alimentam de materiais residuais (excreções, 
cadáveres, etc.) transformando-os em substâncias inorgânicas simples utilizáveis pelos produto-
res. Não fosse o trabalho dos decompositores, o nosso planeta seria um amontoado de ‘lixo’. 
 
A estrutura de um ecossistema pode ser exemplificada através de um Terrário: uma espécie de 
jardim encerrado em uma caixa de vidro ou plástico transparente, que recebe luz solar e contém 
uma camada de solo, pequenas plantas (produtores), pequenos insetos (consumidores primários) 
-como pulgões - alimentando-se da seiva dessas plantas, insetos carnívoros (consumidores se-
O 
 
1a Parte - Ecologia Geral - 19 
 
 
cundários) - como joaninhas - comendo pulgões e, mesmo, um predador maior (consumidor ter-
ciário) - como a aranha ou louva-a-deus, capturando as joaninhas. Finalmente, o próprio solo 
contendo bactérias e outros sapróvoros (decompositores), nutrindo-se de folhas mortas e outros 
detritos de origem vegetal ou animal. Desse modo, mantém-se dentro do terrário, um fluxo de 
energia e uma reciclagem de elementos químicos, de maneira a conservar, no seu interior, apro-
ximadamente constantes as concentrações de gás carbônico, água, oxigênio, sais minerais e com-
postos orgânicos, não sendo necessário adicionar ou retirar, periodicamente, qualquer deles. 
 
 
5.2. CARACTERÍSTICAS DOS ECOSSISTEMAS 
 
No estudo dos ecossistemas distinguem-se quatro características básicas: 
♦ continuidade - todos os ecossistemas do planeta estão interligados, formando um grande e-
cossistema - a biosfera; 
♦ sistema aberto - sob o ponto de vista da termodinâmica, todos os ecossistemas são sistemas 
abertos, que se mantêm através do fluxo contínuo de energia solar; 
♦ homeostase - todo ecossistema é dotado de auto-regulação, o que o torna capaz de resistir às 
mudanças e lhe confere um estado de equilíbrio dinâmico; 
♦ sucessão ecológica - a maioria dos ecossistemas forma-se no curso de uma longa evolução, 
conseqüência do processo de adaptação entre as espécies e o meio ambiente. Uma sucessão 
ecológica pode levar dezenas a centenas de anos, até que a comunidade estabilize atingindo o 
clímax. A sucessão pode ser primária ou secundária. A primeira ocorre em regiões nunca 
antes habitadas, como numa crosta rochosa. A segunda ocorre em regiões antes habitadas mas 
que, em função de fatores naturais ou artificiais, como enchentes, erupções vulcânicas, quei-
madas, projetos agrícolas, etc., romperam o clímax, retornando ao processo de sucessão. Na 
figura 5.1, estão enumeradas as séries da sucessão de um bosque queimado até atingir nova-
mente o clímax, num tempo de aproximadamente 350 anos. 
 
 
 
Figura 5.1: Sucessão ecológica em um bosque queimado. (SUTTON, D. B. e HARMON, N. P., 1979) 
 
 
5.3. EQUILÍBRIO NOS ECOSSISTEMAS 
 
Todos os consumidores da biosfera obtêm energia e nutrientes para satisfazer as suas necessida-
des, comendo plantas (produtores), ou comendo outros animais (herbívoros) que comeram plan-
tas, ou comendo animais (carnívoros) que comeram animais que comeram plantas, e assim por 
diante. Dessa forma, embora os ecossistemas variem muito em proporção e em aparência, todos 
têm uma mesma estrutura de funcionamento, apresentando um fluxo de energia e um ciclo de 
matéria (Figura 5.2), da mesma forma que na biosfera. 
 
20 - Introdução às Ciências do Ambiente para Engenharia 
 
 
 
 
 
 Sol 
 
 
 
 
 
 
 
 Materiais particulados e gasosos 
Energia dissolvidos na água, 
Matéria no ar ou no solo. 
 
Figura 5.2: Fluxo de energia e ciclo de matéria nos ecossistemas. 
 
 
A estrutura de funcionamento, resultante do arranjo produtor-consumidor, denomina-se cadeia 
alimentar. Uma cadeia alimentar é definida como sendo uma seqüência de seres vivos unidos 
pelo alimento. Uma forma de representá-la é ligando o nome dos organismos com setas, as quais 
indicam o caminho percorrido pela matéria nos ecossistemas. Esta representação classifica os 
organismos de acordo com o nível trófico que ocupam (Quadro 5.1). Por definição o primeiro 
nível trófico (NT) pertence ao produtor, com uma única exceção para as cadeias alimentares do 
solo, que se iniciam com restos de vegetais e animais mortos. O último nível trófico , por sua 
vez, é ocupado pelos decompositores. Estes compreendem miríades de organismos sapróvoros, 
que estabelecem cadeias de decomposição sobre a matéria morta. Tais cadeias ocupam sempre o 
último nível trófico das cadeias de predadores (predomina o predatismo) e parasitas (predomina 
o parasitismo). Logo os decompositores quase nunca são representados nestas seqüências alimen-
tares. Exemplos de cadeias alimentares: 
 
♦ capim → gafanhotos → pássaros → raposas (Cadeia de Predadores) 
♦ trigo → pulgão → protozoário (Cadeia de Parasitas) 
♦ folhas → fungos → vermes (Cadeia de Decomposição) 
 
 
 
Quadro 5.1: Classificação dos organismos num ecossistema. 
 
Tipo de nutrição 
 
Categoria funcional 
 
Nível trófico 
 
Autotrófica Produtor (vegetal) 1o 
Heterotrófica Consumidor 
• primário (herbívoro) 
• secundário (carnívoro 1) 
• terciário (carnívoro 2) 
• misto (onívoro) 
 
2o 
3o 
4o 
2o,3o,4o,5o 
Heterotrófica Decompositor 2o,3o,4o,5o,6o 
 
 Decompositores 
 Produtores
 
 Herbívoros Carnívoros 
 Calor Calor Calor 
 
1a Parte - Ecologia Geral - 21 
 
 
 
 
Num ecossistema, as relações de transferência de matéria e energia não são tão simples como nas 
cadeias alimentares. Na realidade, estas entrelaçam-se, num delicado equilíbrio, constituindo 
verdadeiras teias que unem entre si predadores e presas, parasitas e hospedeiros, formando estru-
turas mais complexas denominadas teias ou redes alimentares. Numa teia alimentar, um orga-
nismo pode ocupar diferentes níveis tróficos (Figura 5.3). Isso torna-se vantajoso para a comuni-
dade, uma vez que um organismo passa a ter várias opções de alimento, fato que confere maior 
estabilidade à estrutura e, consequentemente, ao ecossistema. 
 
 
 
 
 
 
Figura 5.3: Teia alimentar de águas costeiras 
(SUTTON, D. B. e HARMON, N. P., 1979) 
 
 
5.4. PRODUTIVIDADE NOS ECOSSISTEMAS 
 
A produtividade, ou produção, designa a quantidade de matéria orgânica produzida, ou de e-
nergia fixada pelos produtores, que é transferida para os consumidores ao longo das seqüências 
alimentares, podendo ser expressa em unidades de massa ou de energia. Em termos de energia, as 
calorias incorporadas em cada nível trófico denominam-se: produção primária ou PP (1oNT), 
produção secundária ou PS (2oNT), produção terciária ou PT (3oNT), etc. Denomina-se pro-
dução primária bruta (PPB ou PB), a quantidade de energia fixada pelas plantas no processo de 
fotossíntese. Parte dessa energia é dissipada no processo de respiração do autótrofo (Ra) e parte - 
produção primária líquida (PPL ou PL) é incorporada à biomassa vegetal e transferida para os 
consumidores. A cada nível trófico, parte da energia recebida é incorporada à biomassa e parte é 
dissipada na forma de calor (2a lei da termodinâmica) ou perdida na matéria excretada. Toman-
do-se R como sendo o somatório da energia dissipada - energia calorífica - em todos os níveis 
tróficos, a produtividade no ecossistema pode ser representada por PB = PL + R. 
 
22 - Introdução às Ciências do Ambiente para Engenharia 
 
 
 
A produtividade média nas cadeias alimentares é estimada em torno de 10%, ou seja, a cada nível 
trófico são incorporados cerca de 10% da energia provenientedo nível trófico precedente (Lei de 
Elton ou dos 10%). Assim, PS = 10%PL, PT = 10%PS, sucessivamente. Conseqüência da se-
gunda lei da termodinâmica, quanto maior o nível trófico do organismo, menor a quantidade de 
energia disponível. Tal fato limita o número de níveis de uma cadeia, e este é atingido quando os 
organismos não obtêm energia suficiente para manterem-se vivos e reproduzirem-se. Por esta 
razão, a maioria das cadeias apresentam quatro a cinco níveis tróficos. Consequentemente, quan-
to mais próximo da base de produção maior a disponibilidade de energia e, portanto, maior quan-
tidade de organismos poderá ser mantida com a produção primária do ecossistema. 
 
O estudo da produtividade é usado para identificar o estágio da sucessão ecológica em que se en-
contra o ecossistema. Com base na relação PB/R determina-se se a comunidade é clímax ou está 
em sucessão ecológica. Na primeira, PL = 0, isto é, toda produção primária líquida de um certo 
intervalo de tempo é consumida pela fauna em intervalo de tempo igual, logo PB/R = 1,0 ou e-
cossistema maduro. Na segunda, PL > 0, apenas parte da produção primária líquida é consumi-
da, havendo portanto saldo de energia para manter novos consumidores, logo PB/R > 1,0 ou e-
cossistema sucessional. No quadro 5.2, estão resumidas algumas diferenças entre estes dois ti-
pos de ecossistemas. 
 
 
Quadro 5.2: Diferenças entre o ecossistema sucessional e maduro 
 
Características 
 
Ecossistema Suces-
sional 
 
Ecossistema 
Maduro 
Diversidade biológica Baixa Alta 
Biomassa total Pequena Grande 
Número de relações Pequeno Grande 
Teia alimentar Simples Complexa 
Relação produção/consumo Maior que um Igual a um 
Estabilidade Instável Estável 
Resistência aos distúrbios externos Baixa Alta 
 
 
A produtividade dos vários ecossistemas da biosfera não se distribui casualmente. Ela está limi-
tada pelo clima, distribuição de nutrientes, luz e água. A figura 5.4 ilustra a distribuição da pro-
dução primária em vários ecossistemas. 
 
 
5.5. PIRÂMIDES ECOLÓGICAS 
 
A estrutura trófica de um ecossistema pode ser ilustrada graficamente por meio de pirâmides 
ecológicas, nas quais o primeiro nível trófico, ou nível produtor, forma sempre a base e os níveis 
sucessivos formam camadas até o ápice. 
 
 
1a Parte - Ecologia Geral - 23 
 
 
Capim 
Trigo 
Gafanhotos 
Pulgões 
Pássaros 
Protozoários 
Raposas 
Trigo 
Plâncton 
Pulgão 
Peixes 
Protozoário 
 
 
“A” - Desertos; 
 “B” - Pastagens, Lagos profundos, Bosques montanhosos; 
 “C” - Florestas tropicais, Lagos rasos, Pastagens úmidas, Agricultura irrigada; 
 “D” - Estuários, Recifes de corais; 
 “E” - Águas costeiras; 
 “F” - Mares profundos. 
 
Figura 5.4: Produtividade primária bruta de vários ecossistemas, 
em kcal/m2 ao ano. (SUTTON, D. B. e HARMON, N. P., 1979) 
 
 
As pirâmides ecológicas podem ser de três tipos: números, biomassa e energia. A pirâmide de 
números (Figura 5.5) dá uma idéia da distribuição quantitativa da biocenose, ou seja, quantos 
organismos existem em cada nível trófico do ecossistema; também ilustra relações quantitativas 
entre presa-predador e hospedeiro-parasita. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 5.5: Pirâmides de números de predadores (a) e de parasitas (b). 
 
 
A pirâmide de biomassa (Figura 5.6) representa o peso total dos indivíduos nos sucessivos ní-
veis tróficos, expresso em peso seco total por unidade de área, por exemplo kg/m2. Tanto as pi-
râmides de números como as de biomassa podem apresentar o vértices invertidos, em virtude da 
variação no tamanho dos indivíduos e da capacidade de renovação dos organismos menores (Fi-
guras 5.5-b e 5.6-b). 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 5.6: Pirâmides de biomassa terrestre (a) e aquática (b). 
(a) 
(a) 
(b) 
(b) 
 
24 - Introdução às Ciências do Ambiente para Engenharia 
 
 
Produtores 
Herbívoros 
Carnívoros 1 
Carnívoros 2 
Segundo NT 
Terceiro NT 
 
A pirâmide de energia (Figura 5.7) representa a distribuição de energia por nível trófico no e-
cossistema. Das três pirâmides, é a que dá melhor idéia do conjunto da natureza funcional das 
biocenoses nos ecossistemas. Sua forma não é afetada pelas variações no tamanho e na intensi-
dade metabólica dos organismos. Ela é sempre voltada para cima, uma vez que representa a pro-
dutividade energética nos ecossistemas. A quantidade de energia disponível em cada nível é ex-
pressa em Kcal/m2.ano. 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 5.7: Pirâmide de energia. 
 
 
5.6. DESEQUILÍBRIOS NOS ECOSSISTEMAS 
 
O equilíbrio dinâmico dos ecossistemas baseia-se na sua estrutura trófica, isto é, na forma como 
a comunidade está organizada e se relaciona com o ambiente, para distribuição da matéria e e-
nergia. Assim sendo, alterações na composição da cadeia alimentar ou no ambiente físico podem 
promover desequilíbrios ecológicos. 
 
 
5.6.1. BLOQUEIO NA CADEIA ALIMENTAR 
 
Uma forma comum de desequilíbrio, dá-se pela destruição de um dos elos da cadeia alimentar. A 
destruição de um elo acarreta o desaparecimento total do elo seguinte, dependente do primeiro, e 
a superpopulação do ambiente pelo elo anterior. A eliminação de cobras que atacam lavradores 
no campo, causa aumento da população de ratos e redução do número de animais comedores de 
cobras como a sariema. Na década de setenta, a caça predatória ao sapo-boi na zona rural de Per-
nambuco, incentivada pelo valor da pele para exportação, resultou na invasão da zona rural por 
gafanhotos (grilos), forçando a migração das pessoas para as cidades. 
 
A introdução de organismo estranho à cadeia alimentar pode também resultar em desequilíbrios 
ecológicos, decorrente da inexistência do elo superior ou predador natural que controle a sua pro-
liferação. Na Austrália, na década de trinta, a importação do coelho gerou sérios problemas, pois 
o mesmo não encontrou, na fauna local, nenhum animal capaz de predá-lo e passou então a des-
truir as plantações. Atualmente, os australianos procuram reduzir a população de coelhos através 
de viroses específicas desses animais. Ainda na Austrália, em 1935, foi introduzido o sapo-boi 
(Bufo marinus) para controle biológico de um besouro que atacava os canaviais. A baixa resis-
tência ambiental ao anfíbio, devido ao clima favorável e ausência de predador, resultou numa 
praga, agravada pelo fato do sapo ser venenoso. Atualmente, pesquisa-se controle biológico da 
espécie. 
 
 
Primeiro NT 
Quarto NT 
 
1a Parte - Ecologia Geral - 25 
 
 
Fitoplâncton (0,5) 
 
Zooplâncton (3,0) 
Peixes planctófagos (7 a 9) 
Mergulhão (2.500) 
Peixes carnívoros (22 a 221) 
Água (0,014) 
Inseticida transferido 
por via alimentar 
5.6.2. BIOMAGNIFICAÇÃO 
 
Outra forma de gerar desequilíbrios é a interferência nas cadeias alimentares através do constante 
lançamento, no ambiente, de subprodutos da indústria química ricos em metais pesados, como 
chumbo e mercúrio, materiais radioativos e de moléculas sintéticas, como plásticos, detergentes e 
pesticidas. Essas substâncias, por não serem biodegradáveis, aos poucos vão se acumulando no 
ambiente. Algumas delas, quando ingeridas pelos seres vivos, tendem a concentrar-se ao longo 
das cadeias alimentares e, consequentemente, os últimos níveis tróficos tornam-se os mais preju-
dicados. Esse fenômeno é conhecido como biomagnificação, ou magnificação trófica, e apre-
senta-se como resultado da absorção seletiva de uma substância pelos tecidos do organismo. Por 
exemplo, a glândula tireóide separa seletivamente o iodo da corrente sangüínea. Desta maneira, 
quando o iodo 131 (radioativo) está presente no sangue, é absorvido seletivamente pela glândula. 
Da mesma forma, o estrôncio 90 e o césio 137 concentram-se nos ossos, os pesticidas organoclo-
rados nas gorduras, etc. 
 
Um dos primeiros estudos sobreesse fenômeno foi o do Lago Clear, na Califórnia, quando o uso 
do TDE2 levou ao desaparecimento de aves como o mergulhão na região. Na figura 5.7, através 
da pirâmide de biomassa, pode-se observar a concentração do TDE na cadeia alimentar. Neste 
caso, a taxa de amplificação do tóxico da água para a ave chegou a 180.000 vezes. A taxa de 
amplificação é a razão entre a concentração no último nível trófico da cadeia e a concentração no 
ambiente, se este dado estiver disponível, ou a concentração no primeiro nível trófico. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 5.7: Pirâmide de biomassa do Lago Clear, na Califórnia (concentração de TDE em ppm). 
(CHARBONNEAU, J. P. et al, 1979) 
 
Deste fenômeno constata-se que os animais predadores e os superpredadores, situados no topo 
das cadeias alimentares, são os mais ameaçados. O homem, pelo seu regime alimentar, é um su-
perpredador, encontrando-se também ameaçado de intoxicações. Com base nesta constatação, 
muitos países proíbem a produção e comercialização de pesticidas organoclorados, uso de metais 
pesados como o mercúrio e controlam a exposição às radiações ionizantes. 
 
Os desequilíbrios também podem ocorrer devido: (a) às alterações do ambiente que impeçam a 
camuflagem de determinadas espécies, expondo-as ao seus inimigos, ou que estas encontrem na 
nova paisagem alimento e abrigo; (b) ao uso de inseticidas que diminuem ou eliminam espécies 
polinizadoras, levando ao desaparecimento de vegetais e, consequentemente, de animais; (c) ao 
lançamento de esgotos, ricos em matéria orgânica, nos corpos d’água, favorecendo as bactérias 
aeróbias em detrimento dos peixes, dentre outros. 
 
 
 
2 Abreviatura usual do inseticida organoclorado tetraclorodifeniletano (C14H10Cl4) 
 
 
 
 
 
 
26 - Introdução às Ciências do Ambiente para Engenharia 
 
 
5.7. EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO 5 
 
1. Explique por que, apesar de terem a mesma estrutura de funcionamento, os ecossistemas dife-
rem entre si. 
2. Que posição ocupa o onívoro numa teia alimentar? Dê exemplo de uma teia incluindo duas 
espécies onívoras que você conheça. 
3. Descreva o que você observa na figura 5.1 deste capítulo. Qual a importância da sucessão eco-
lógica para os ecossistemas. 
4. Observe a cadeia alimentar: planta →→→→ larva de mosca de fruta →→→→ protozoário. Esquemati-
ze as pirâmides de números, energia e biomassa. De que tipo é essa cadeia ? 
5. Qual a vantagem das teias alimentares para os ecossistemas? 
6. Explique porque quanto mais próximo do produtor mais consumidores podem ser mantidos 
num ecossistema. 
8. Suponha que a produção primária líquida das plantas de uma região seja de 1.000 cal/m2.dia. 
Considere agora uma área de 100 m2 nessa região. 
a) Que energia pode ser transferida para os consumidores: PB ou PL ? Por que ? 
b) Qual a produção líquida total dessa área ? 
c) Se a população de herbívoros ingerir diariamente 100.000 cal, qual será a produção se-
cundária ? 
d) Poderia viver nessa região uma população de herbívoros que ingerisse diariamente 
mais do que 100.000 cal ? Por que ? 
9. A relação PB / R para três florestas distintas é: 3,0; 2,0 e 1,0. 
a) Qual dessas três florestas já atingiu o clímax ? Por que ? 
b) Quais podem manter novas populações de consumidores ? 
c) Qual dessas comunidades está em estágio menos avançado da sucessão ecológica? Jus-
tifique sua resposta. 
10. Parte de uma floresta foi queimada e transformada em pastagem. Usando adjetivos como 
simples/complexo, pequeno/grande, etc., compare estes dois ecossistemas em termos de: bio-
diversidade, biomassa total, teia alimentar, relação produção/consumo e estabilidade. 
11. Por que os ecossistemas sucessionais são mais susceptíveis às pragas ? 
12. Observe a concentração de estrôncio 90 na cadeia alimentar de um lago (água - 1ppm): 
plantas aquáticas (280 ppm) →→→→ peixes herbívoros (950 ppm) →→→→ perca (3.000 ppm) 
(a) Que fenômeno se observa ? 
(b) Descreva brevemente o fenômeno ? 
(c) Qual a taxa de amplificação do estrôncio ? 
 
 
 
1a Parte - Ecologia Geral - 27 
 
 
 
 
6. CICLOS BIOGEOQUÍMICOS 
 
 
ntende-se por ciclo biogeoquímico o movimento cíclico de elementos químicos entre o 
meio biológico e o ambiente geológico. Todos os 30 a 40 elementos necessários ao desen-
volvimento dos seres vivos circulam na biosfera. No quadro 6.1, encontram-se relacionados os 
elementos químicos mais presentes nos tecidos vivos, relacionando-os com a sua proporção na 
crosta terrestre. 
 
 
Quadro 6.1: Elementos químicos mais presentes nos seres vivos (% por pêso). 
 
Elemento 
 
Símbolo 
 
Homem 
 
 
Crosta terrestre 
 
 
Pé de milho 
 
Oxigênio O 65,0 49,0 75,0 
Carbono C 18,0 0,09 13,0 
Hidrogênio H 10,0 0,88 10,0 
Nitrogênio N 3,3 0,03 0,45 
Cálcio Ca 1,5 3,4 0,07 
Fósforo P 1,0 0,12 0,06 
Potássio K 0,35 2,4 0,28 
Enxofre S 0,25 0,05 0,05 
Sódio Na 0,24 2,6 traços 
Cloro Cl 0,19 0,19 0,04 
Magnésio Mg 0,05 1,9 0,06 
Ferro Fe 0,005 4,7 0,03 
Manganês Mn 0,0003 0,08 0,01 
Silício Si traços 25 0,36 
 Fonte: BIOLOGIA – BSCS: VersãoVerde, vol.1, 1979. 
 
Para a ecologia, o fator mais importante de um ciclo biogeoquímico constitui-se no fato de que 
os componentes bióticos e abióticos aparecem intimanente entrelaçados. Todos os ciclos biogeo-
químicos incluem seres vivos; sem a vida, os ciclos biogeoquímicos cessariam e, sem eles, a vida 
se extinguiria. As seguintes características podem ser observadas nos ciclos biogeoquímicos: 
 
♦ um depósito "geológico" (atmosfera ou litosfera); 
♦ inclusão de seres vivos (vegetais, animais e microrganismos); 
♦ câmbios químicos; 
♦ movimento do elemento químico desde o meio físico até os organismos e seu retorno a este. 
 
Os ciclos biogeoquímicos podem dividir-se em dois tipos básicos: 
 
♦ ciclos (de nutrientes) gasosos, cujo depósito ou reservatório geológico é a atmosfera. Exem-
plos: ciclo do carbono, do oxigênio e do nitrogênio. São ciclos relativamente rápidos e fecha-
dos, onde não existe quase nenhuma perda de elementos nutrientes durante o processo de re-
circulação; 
E 
 
28 - Introdução às Ciências do Ambiente para Engenharia 
 
 
♦ ciclos (de nutrientes) sedimentares, têm como reservatório geológico as rochas sedimenta-
res. Exemplo: o ciclo do fósforo e do enxofre. Estes são considerados ciclos lentos, posto que 
os depósitos sedimentares são pouco acessíveis aos organismos, uma vez que, para que os e-
lementos cheguem até eles, as rochas devem ser intemperizadas e, posteriormente, transporta-
das ao solo. 
 
A interferência do homem nos ciclos biogeoquímicos dá-se basicamente pela utilização do ar, da 
água ou do solo como sumidouro de seus despejos. Muitas substâncias são tóxicas, atacam o sis-
tema respiratório de plantas e animais, causam danos aos tecidos das folhas, destroem os micror-
ganismos dos solos, alteram as trocas gasosas, contribuindo para inibir o desenvolvimento da vi-
da nesses ambientes. O homem também contribui para tornar o processo acíclico, quando, por 
exemplo, extrai e trata rochas fosfatadas, produzindo fertilizantes fosfatados que são usados na 
agricultura. Posteriormente, estes atingem os corpos d'água, concorrendo para o processo de eu-
troficação, provocando sérios desequilíbrios nas águas. 
 
 
6.1. CICLO DO CARBONO 
 
O carbono é o principal constituinte de qualquer matéria orgânica, sendo portanto essencial à vi-
da na Terra. Encontra-se disponível no ar atmosférico ou dissolvido nas águas, na forma de gás 
carbônico. O CO2 entra na composição do ar atmosférico com apenas 0,03%. Entretanto, esta 
quantidade é suficiente para manter toda a vida na Terra, uma vez que se mantém em contínua 
reciclagem, através do seu ciclo, conforme esquematizadona figura 6.1. Inicialmente, o CO2 é 
fixado por vegetais, algas e bactérias na fotossíntese, formando carboidratos e liberando oxigê-
nio. Os carboidratos são degradados pela respiração e o carbono é devolvido ao meio na forma de 
CO2. Uma fração do CO2 do ar combina-se com a chuva formando ácido carbônico (H2CO3). No 
solo, este passa a bicarbonato (HCO3
-) e, posteriormente, a carbonato (CO3
=). Este reage com os 
ácidos existentes no solo, liberando CO2 para a atmosfera. 
 
 
Figura 6.1: Ciclo do carbono (SILVA, T. B. e OLIVEIRA, W. B. 1992) 
 
1a Parte - Ecologia Geral - 29 
 
 
 
Algumas vezes, o ciclo do carbono é interrompido e o retorno do mesmo à atmosfera pode levar 
milhões de anos. É o caso dos compostos de carbono que não foram atacados pelos decomposito-
res e permanecem armazenados no subsolo sob a forma de carvão fóssil e petróleo, ou nas rochas 
formadas por conchas e esqueletos de animais. A queima dos combustíveis fósseis devolve o 
carbono ao ciclo, na forma de CO, CO2 e diversos hidrocarbonetos. Reações posteriores levam o 
CO a CO2 e os hidrocarbonetos a CO2 e H2O. 
 
A queimada, o desmatamento e a queima de combustíveis fósseis são atividades que interferem 
diretamente no ciclo do CO2. Porém, maior atenção deve ser dada às águas, pois 80% da produ-
ção fotossintética vem das algas marinhas e de água doce. A poluição das águas, com destruição 
do fitoplâncton, pode desequilibrar todo o ciclo do carbono. 
 
 
6.2. CICLO DO OXIGÊNIO 
 
O maior reservatório de oxigênio é o ar atmosférico, do qual constitui cerca de 20%. Está presen-
te tanto no mundo orgânico como no inorgânico. Neste, entra na constituição dos minerais e das 
rochas. No mundo orgânico, é essencial à vida, uma vez que entra na composição dos tecidos 
vivos e é imprescindível para a respiração. É através da respiração de vegetais, animais e micror-
ganismos que o oxigênio é retirado da atmosfera e devolvido na forma de gás carbônico (CO2) e 
água. Mesmo os organismos anaeróbios participam do ciclo, uma vez que retiram o oxigênio da 
matéria orgânica devolvendo-o ao meio na forma de CO2. Água e gás carbônico, pela ação dos 
autótrofos, são retirados do ambiente e devolvidos na forma de carboidratos (alimento) e oxigê-
nio, através da fotossíntese. No ar, tanto a H2O como o CO2 entram nos seus respectivos ciclos e 
ambos contém oxigênio, que faz parte do ciclo total. Desse modo, pode-se notar que o ciclo do 
oxigênio está intimamente relacionado com os ciclos do carbono e da água. 
 
O fator mais recente que afeta o ciclo do oxigênio na biosfera e o balanço de oxigênio na terra, é 
o próprio homem. Além de inalar oxigênio e de exalar dióxido de carbono, o homem contribui 
para diminuir o nível de oxigênio e aumentar o de dióxido de carbono pela queima de combustí-
veis, o desmatamento e pavimentação de terras anteriormente verdes. 
 
 
6.3. CICLO DO NITROGÊNIO 
 
O nitrogênio é importante pela sua participação fundamental na composição das proteínas, as 
quais, por exemplo, representam aproximadamente 16% do corpo humano. O N2 encontra-se 
disponível no ar atmosférico na proporção de 79% mas, apesar dessa abundância, são poucos os 
organismos que conseguem fixá-lo: nos solos, é fixado pelas bactérias do gênero Rhizobium e 
Nitrobacter que vivem em mutualismo com plantas leguminosas, e, nas águas, pelas algas azuis 
do gênero Nostoc. Além da fixação biológica, pode ocorrer fixação atmosférica e industrial, 
quando o nitrogênio é transformado em nitrato ou ácido nítrico, que fica no ambiente à disposi-
ção dos vegetais. Estes absorvem o nitrogênio fixado, transformando-o em proteínas; a passagem 
para os animais inicia-se com os herbívoros. 
 
Plantas e animais mortos, juntamente com as excreções, são transformados, pelos organismos da 
putrefação (bactérias e fungos), em amônia (NH3) num processo denominado amonificação. A 
amônia é utilizada pelas bactérias Nitrosomonas que a oxidam, produzindo nitrito (NO2
-) e este é 
 
30 - Introdução às Ciências do Ambiente para Engenharia 
 
 
transformado em nitrato (NO3
-) pelas bactérias Nitrobacter. Após a nitrificação, dissolve-se nas 
águas ou permanece nos solos, de onde é absorvido pelas plantas ou sofre desnitrificação por a-
ção de bactérias, voltando ao ar atmosférico (Figura 6.2). 
 
 
Figura 6.2: Ciclo do nitrogênio (SILVA, T. B. e OLIVEIRA, W. B. 1992). 
 
 
O nitrogênio fixado que não é absorvido pelos vegetais, pode ser transportado para os mares, in-
do constituir sedimentos profundos nos oceanos, podendo sair de circulação por milhões de anos, 
só voltando ao ciclo pelas erupções vulcânicas. Não fosse a atividade vulcânica em determinados 
ambientes, talvez ocorressem problemas devidos à falta de proteínas para a alimentação humana. 
 
 
6.4. CICLO DA ÁGUA 
 
A água representa o constituinte inorgânico mais abundante na matéria viva. O homem possui 
65% do seu peso constituído de água e alguns animais chegam a ser formados de 99% desse 
composto. O ciclo da água consiste basicamente na evaporação da água das camadas líquidas su-
perficiais do solo, por efeito da ação dos raios solares. Seguindo-se a formação de nuvens e sua 
condensação e precipitação sob a forma de chuva, granizo ou neve. Uma parcela da água que se 
precipita sobre o solo infiltra-se, promovendo a sua rehidratação e o recarregamento das reservas 
freáticas. Uma outra parcela, escoa superficialmente formando os córregos, rios e lagos. A pro-
porção, de água de escoamento superficial em relação à infiltração é influenciada fortemente pela 
ausência ou presença de cobertura vegetal, uma vez que esta constitui barreira ao rolamento livre, 
além de tornar o solo mais poroso. A parcela de água que se precipita sobre a hidrosfera participa 
do ciclo curto e a que cai sobre a litosfera compõe o ciclo longo. 
 
Os organismos terrestres podem obter água em vários pontos deste ciclo. As plantas a retiram do 
solo, enquanto que a maioria dos animais a ingere. Por outro lado, vegetais e animais devolvem 
água para a atmosfera: os vegetais principalmente pelas folhas; os animais, através da pele e pe-
los sistemas respiratório, digestivo e urinário. 
 
 
1a Parte - Ecologia Geral - 31 
 
 
A vegetação exerce, por sua vez, função importante com relação à devolução da água de infiltra-
ção através da evapotranspiração, acelerando muito os processos de simples evaporação. Consi-
derando-se a proporção que representa o somatório da superfície das folhas em relação à superfí-
cie do solo, é fácil avaliar-se o papel acelerador desempenhado pela vegetação em relação à 
transferência de umidade do solo para a atmosfera. Além disso, o sistema radicular de árvores e 
arbustos, podendo atingir dezenas de metros de profundidade, constitui um mecanismo de alta 
eficiência em relação a esse transporte, permitindo a movimentação rápida de enormes volumes 
de água. Daí a importância fundamental da cobertura vegetal, com relação à manutenção da umi-
dade atmosférica, regularidade das chuvas e outros fatores eco-metereológicos. 
 
Todos os ciclos biogeoquímicos relacionam-se intimamente com o ciclo da água e o fluxo ener-
gético através da biosfera. De uma forma ou de outra, a água constitui o meio principal para a 
circulação de nutrientes. O calor solar que determina a formação de correntes atmosféricas, per-
mitindo a precipitação e evaporação no ciclo da água, proporciona também a energia para que os 
organismos vivos, principalmente os vegetais, possam manter em movimento os ciclos dos nutri-
entes. Estes últimos, requerem o fluxo da água para manterem-se. 
 
 
6.5. EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO 6 
 
1. Conceitue ciclo biogeoquímico e enumere as suas principais características. 
2. Como o homem interfere nos ciclos biogeoquímicos ? 
3. A concentração de CO2 atmosférico é mais baixa ao meio dia e mais alta à noite. Usando o 
ciclo do carbono,explique como isto é possível. 
4. Como a queima de combustíveis fósseis pode influenciar o ciclo do carbono ? 
5. As águas de profundidade são ricas em nutrientes. O ‘Projeto Cabo Frio’, no Rio de Janeiro, 
tem como um de seus objetivos bombear água de profundidade para a superfície. Com base 
nos ciclos biogeoquímicos, explique de que modo isso poderia ser benéfico para a população 
de pescadores da região. 
6. A água que se usa dia a dia pode eventualmente ir para o oceano. Descreva o caminho dessa 
água dentro do seu ciclo, enumerando suas etapas. 
7. Explique como a cobertura vegetal pode influenciar no ciclo da água. 
 
 
32 - Introdução às Ciências do Ambiente para Engenharia 
 
 
 
7. DISTRIBUIÇÃO DOS ECOSSISTEMAS 
 
 
s várias regiões do planeta possuem características próprias, desenvolvendo-se nela flora e 
fauna típicas, sejam terrestres ou aquáticas, constituindo ecossistemas. A forma mais co-
mum de estudar os ecossistemas é através da identificação de formações vegetais, associando-se 
a estas os animais, como uma unidade biótica. Cada combinação distinta de plantas e animais, 
formando uma comunidade clímax, é chamada bioma. A biosfera é constituída de dois tipos de 
biomas: os aquáticos e os terrestres. 
 
 
7.1. BIOMAS AQUÁTICOS 
 
Os biomas aquáticos podem ser de água doce ou de água salgada. Os ecossistemas de água sal-
gada, ou talássicos (mares e oceanos), têm como principais características: tamanho (≈70% da 
superfície), salinidade (≈35 gramas/litro), marés, correntes, temperatura (-2oC a 32oC), nutrientes 
minerais, profundidade e luminosidade. Os ecossistemas de água doce, ou límnicos (rios, ria-
chos, lagos, lagoas, represas), têm como principais características: temperatura, turbidez, tensão 
superficial, movimentos das águas, gases (O2 e CO2) e sais minerais dissolvidos (nutrientes). Es-
tes podem ser divididos em dois grupos: ecossistemas lênticos ou de água parada, como os lagos, 
as lagoas, as represas e os pântanos; ecossistemas lóticos ou de água em movimento, como as 
nascentes, os córregos, os riachos e os rios. No quadro 7.1, listam-se algumas classificações de 
interesse para o estudo dos ecossistemas aquáticos. 
 
 
Quadro7.1: Classificações inerentes aos ecossistemas aquáticos. 
 
Classificação baseada na quantidade de nutrientes: 
 
Eutróficos • Apresentam águas ricas em nutrientes minerais e com alta produtivida-
de. 
Mesotróficos • Águas que apresentam valores intermediários entre eutrófico e oligotró-
fico. 
Oligotróficos • Apresentam águas pobres em nutrientes minerais e com baixa produtivi-
dade. 
 
Divisão do ecossistema baseada na temperatura: 
 
 
Epilímnio • Camada superior dos lagos, onde a água é mais quente e circulante, rica 
em oxigênio. 
Termoclino • Camada intermediária, caracterizada por uma rápida variação na tempe-
ratura e no oxigênio com o aumento da profundidade. 
Hipolímnio • Camada inferior dos lagos, onde a água é mais fria e não circulante, po-
bre em oxigênio. 
A 
 
1a Parte - Ecologia Geral - 33 
 
 
 
 
Divisão do ecossistema baseada na quantidade de luz solar: 
 
 
Eufótica • Zona iluminada do ecossistema, onde a produtividade primária é intensa. 
Disfótica • Zona fracamente iluminada. 
Afótica • Zona totalmente obscura, onde é ausente a vida vegetal, predominando a 
fauna de carnívoros. 
 
Classificação dos organismos aquáticos: 
 
 
Plânctons • Organismos flutuantes, que se deixam transportar pelas correntes. Divi-
dem-se em: fitoplâncton (algas unicelulares) e zooplâncton (pequenos a-
nimais). 
Néctons • Organismos que vivem em plena água, que são capazes de se deslocar 
ativamente contra as correntes (peixes, tartarugas). 
Bêntons • Organismos que vivem fixos no fundo, sobre outros organismos ou den-
tro do lodo do fundo (vermes). 
 
 
7.2. BIOMAS TERRESTRES 
 
Os biomas terrestres têm o clima (temperatura e precipitação) e o solo como principais responsá-
veis pela sua formação. Representam aproximadamente 30% da biosfera e apresentam grandes 
variações de temperatura, umidade, luz, pressão, etc. e grande variedade florística e faunística, 
que dão origem aos mais variados tipos de ecossistemas: florestas, campos, montanhas, desertos, 
mangues, praias, ilhas, solos e cavernas (Quadro 7.2). Com base nestes tipos de ecossistemas, na 
biosfera podem ser identificados os seguintes biomas terrestres: tundra, taiga, floresta temperada, 
floresta tropical, campos e desertos. 
 
Quadro 7.2: Tipos e características de ecossistemas terrestres. 
 
Tipo 
 
 
Características 
Florestas • Apresenta vegetação contínua de árvores; temperatura mais ou menos 
constante; grande umidade; pouca luz e poucos ventos; fauna diversificada 
com adaptações como bico, garras, cauda longa; olfato e audição muito apu-
rados. 
Campos • Sem árvores ou com árvores espaçadas; predomínio de gramíneas; baixa 
umidade; temperatura variável (alta durante o dia e baixa à noite); muita luz 
e muitos ventos; animais euritérmicos, miméticos, de hábitos noturnos; na 
fauna guarás, tamanduás, emas, cobras, ratos, lagartos, cupins, formigas. 
Montanhas • Vegetação variável; menor teor de oxigênio; radiação solar mais intensa; 
baixa temperatura; fauna pobre com animais fortemente pigmentados, con-
trastando muitas vezes com o branco da neve nos picos; a fauna de vicunha, 
lhama, condor, cabrito-montês, águia. 
 
34 - Introdução às Ciências do Ambiente para Engenharia 
 
 
 
Desertos • Vegetação composta de ombrófitas e xerófitas; palmas e gramíneas nos 
oásis; baixa umidade; chuvas irregulares com precipitações anuais abaixo de 
250 mm; ventos fortes; grande intensidade luminosa; grandes variações de 
temperatura; muito frio como o de Gobi, na Ásia, ou muito quente como o 
Saara, na África; na fauna de desertos frios, encontra-se rena, urso-branco, 
boi-almiscarado e pingüim; nos desertos quentes, camelo, cobra, lagarto, 
gazela e rato. 
Mangues • Regiões sujeitas à invasão do mar; solo lodoso; vegetação de halófitas e 
hidrófitas; rica em crustáceos (caranguejo). 
Praias • Regiões de transição entre ecossistemas aquáticos e terrestres; salinidade 
elevada nas praias de mar; vegetação pobre próxima do mar, porém mais 
rica na restinga, com gramíneas, coqueiros, cajueiros, pitangueiras, cactos, 
bromélias; fauna composta de caranguejos, pulgas-d’água, moluscos, barati-
nhas. 
Ilhas • Oceânicas: fauna e flora apresentam verdadeiro endemismo, devido ao 
afas-tamento dos continentes; 
• Continentais: flora e fauna semelhantes às dos continentes. 
Solos • Apresentam baixas flutuações de temperatura, luminosidade, evaporação, 
ventos e umidade; ecossistemas típicos onde vivem bactérias, fungos, algas, 
vermes, protozoários, anelídeos, formigas, cupins e roedores; uma colher de 
chá de solo fértil pode conter 5 bilhões de bactérias, um milhão de protozoá-
rios e 200 mil algas e fungos. 
Cavernas • Ausência de luz e de ventos; alta umidade; temperatura constante; flora 
paupérrima; fauna composta de animais despigmentados, olhos atrofiados 
ou adaptados à visão noturna, com tato e audição muito aguçados: tatuzi-
nhos, carrapatos, aranhas, escorpiões, morcegos, corujas e insetos. 
 
 
7.3. BIOMAS BRASILEIROS 
 
As principais zonas fitogeográficas (Figura 7.1) do país podem ser estudadas sob o prisma de u-
nidades bióticas ou biomas, a saber: Cerrado, Caatinga, Pantanal, Floresta Atlântica, Mata 
de Araucárias, Campos, Banhados, Cocais, Mangues, Restingas e Floresta Amazônica. As 
dimensões continentais do país, associadas à grande variedade de fatores ecológicos combinados, 
favorecem a essa diversidade de paisagens, que se apresentam nas várias regiões Norte, Nordeste, 
Sul, etc. A descrição de cada bioma pode ser facilmente encontrada em livros sobre meio ambi-
ente e ecologia. A seguir tem-secomentários sobre alguns desses biomas. 
 
A Floresta Amazônica, maior floresta tropical do mundo, cobre quase metade do território bra-
sileiro (área sete vezes maior que a da França). Tem suas maiores riquezas no seu sistema hídri-
co, por onde corre 1/5 de toda a água doce do planeta, e na sua biodiversidade. Estima-se que 
20% de todas as espécies vivas do planeta convivam neste ecossistema, sendo 20 mil de vegetais 
superiores, 1.700 de peixes, 300 de mamíferos, 1.300 de pássaros e dezenas de milhares de inse-
tos, outros invertebrados e microrganismos. Berço de inúmeras civilizações indígenas - Yanoma-
ni, Tukano, Caiapó, Tikuna, Manaó, Guanavena, etc., muitas já extintas, é também fonte de ma-
térias primas alimentícias, medicinais, florestais, energéticas e minerais. Boa parte destas rique-
zas ainda não foi catalogada, porém milhares de espécies desaparecem a cada ano em virtude da 
devastação da floresta para exploração de ouro, cobre, ferro, manganês, cassiterita, bauxita, etc., 
implementação de grandes projetos agropecuários, usinas hidrelétricas, grandes indústrias (ferro 
 
1a Parte - Ecologia Geral - 35 
 
 
gusa, alumínio), construção de grandes rodovias (Transamazônica), caça e pesca predatórias. Du-
rante muito tempo, atribuiu-se à Amazônia o papel de “pulmão do mundo”. Hoje, sabe-se que o 
balanço de oxigênio na floresta é praticamente nulo. No entanto, acredita-se que tenha importan-
te papel na estabilização do clima do planeta, como ‘condicionador de ar”. Neste contexto, a der-
rubada e queima da floresta pode contribuir para o aumento do ‘efeito estufa’. 
 
 
 
 
Figura 7.1: Biomas Brasileiros. 
 
Muito semelhante à Floresta Amazônica, a Floresta Atlântica cobria aproximadamente 12% do 
território brasileiro. Hoje porém, está reduzida a menos de 10% de sua cobertura primitiva, apre-
sentando-se em alguns Estados como manchas desprovidas de espécies arbóreas mais valiosas, 
chamadas de matas catadas. Segundo os botânicos, este ecossistema apresenta a maior diversi-
dade de vegetais do planeta, 150 espécies por hectare (as Florestas Temperadas apresentam 10 
espécies por hectare). Considerado um dos mais importantes ecossistemas do planeta pela sua 
biodiversidade, é também um dos mais ameaçados, devido às grandes concentrações urbanas, 
atividade portuária, agroindústria de açúcar e álcool, papel e celulose, siderúrgicas, polos petro-
químicos, transporte de combustíveis em oleodutos e gasodutos, expansão urbana desordenada 
na faixa litorânea e mineração de granito, calcário e areia. 
 
As Restingas como os Mangues, estendem-se por quase toda a costa brasileira. Os mangues são 
ecossistemas de alta produtividade, criadouro e refúgio permanente e temporário de muitas espé-
cies de peixes, crustáceos, moluscos e aves. Pela sua importância como berçário da vida marinha, 
sem manguezais a vida dos oceanos estaria ameaçada. As restingas com suas variedades de vege-
tação, à medida que avança para o interior do continente, têm papel fundamental na fixação das 
dunas. A presença humana através de especulação imobiliária, a extração da lenha para produção 
do carvão, a construção de grandes vias costeiras, projetos agrícolas para produção de cana e a-
bacaxi e extração de areia, têm contribuído para a degradação desse ecossistema. A localização 
dos manguezais coincide com a área de maior interesse para a ocupação humana, causando a su-
perexploração dos seus recursos naturais, alteração da rede de drenagem, poluição por derrama-
mento de petróleo e sua conversão em áreas industriais e urbanas. 
 
 
36 - Introdução às Ciências do Ambiente para Engenharia 
 
 
Os Campos ou Pampas, característicos da região sul do país, pela sua constituição florística, são 
ideais para o desenvolvimento da pecuária, tornando-se a região detentora do maior rebanho bo-
vino do país. A atividade pecuária, aliada ao plantio de soja e trigo e à prática da queimada, tem 
contribuído para a degradação desses ecossistemas. 
 
Hoje restrita ao Estado do Paraná e Santa Catarina, a Mata de Araucárias, que forneceu madeira 
para os mais diversos usos humanos, é, atualmente, um ecossistema praticamente extinto, substi-
tuído por plantações de eucaliptus e pinus, que oferecem madeira de qualidade inferior, mas de 
corte mais rápido. 
 
O Pantanal, característico pelas duas estações bem definidas - inverno e verão - e pela mistura 
de floras, abriga a maior densidade faunística das Américas, representada por 650 espécies de 
aves, 230 de peixes, 80 de mamíferos, 50 de répteis e, dentre os insetos, são mais de mil espécies 
de borboletas já catalogadas. A atividade humana se faz presente no pantanal principalmente a-
través das grandes fazendas de gado (pecuária extensiva), pesca predatória, caça do jacaré (cou-
reiros), garimpo de ouro e pedras preciosas nos rios Paraguai e São Lourenço, turismo e migra-
ção desordenados e predatórios, manejo inadequado dos cerrados, resultando no assoreamento e 
contaminação das águas pantaneiras. 
 
Seca prolongando-se por nove meses ou mais, baixas precipitações médias anuais, predomínio de 
plantas xerófitas e arbustos esbranquiçadas na seca (Caatinga = mata branca), são características 
da Caatinga. Representa 11% do solo do país, cobrindo mais de 70% da região nordeste. O rio 
São Francisco é o corpo d’água mais importante, tendo no seu vale a região mais produtiva desse 
ecossistema. O uso humano desordenado da caatinga vem deixando suas marcas, muitas vezes 
irreversíveis, como a desertificação. Suas ações se fazem presentes através dos grandes latifún-
dios, da prospecção e exploração da água subterrânea e de combustíveis fósseis, de siderúrgicas, 
olarias e outras indústrias, formação de pastagens, grandes projetos de irrigação e drenagem mal 
conduzidos e exploração da lenha como combustível. 
 
Os Cerrados característicos da região central do país, cerca de 25% do território brasileiro, tem a 
queimada natural como importante fator ecológico e quase todas as plantas têm adaptações para 
se defender. Após o fogo, muitas espécies florescem e as folhas novas atraem herbívoros das re-
giões de vegetação seca, garantindo assim o seu desenvolvimento. A ocupação humana dos cer-
rados nos últimos quarenta anos, acelerou os processos de degradação pela implantação de gran-
des projetos agropecuários, expansão urbana desordenada, invasão de reservas indígenas, grandes 
olarias, indústria de transformação (carvão, cimento), garimpo de ouro e pedras preciosas. 
 
 
7.4. EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO 7 
 
1. Que são biomas ? Como se dividem os biomas da Terra ? 
2. Quais as principais carcterísticas dos biomas talássicos ? 
3. Explique porque a zona eufótica das águas é a que detém a maior produtividade. O mesmo 
para águas eutróficas. 
4. Classifique os organismos aquáticos quanto a sua distribuição nas águas. 
5. Cite pelo menos três diferenças básicas entre um ecossistema de floresta e um deserto. 
6. Enumere os principais biomas terrestres. 
 
1a Parte - Ecologia Geral - 37 
 
 
7. Desenhe o mapa do Brasil e localize os principais biomas brasileiros. 
8. Explique como a queimada pode atuar como fator ecológico contribuindo para a conservação 
dos cerrados. 
9. Para cada um dos biomas brasileiros, identifique três atividades humanas que contribuem para 
a sua degradação. 
 
 
 
38 - Introdução às Ciências do Ambiente para Engenharia 
 
 
 
8. ECOSSISTEMAS HUMANOS 
 
 
s necessidades e desejos da população humana em expansão têm requerido um controle 
ambiental intenso. Deste modo, a intervenção do homem tem criado ambientes completa-
mente novos, que podem ser denominados Ecossistemas Humanos. 
 
Estas áreas intensivamente controladas, especialmente as cidades, têm tido êxito em resguardar 
os habitantes humanos dos rigores do mundo externo, a tal grau que algumas pessoas questionam 
o fatodestas áreas dependerem das propriedades de manutenção da vida dos ecossistemas natu-
rais da terra. Mas, considerando-se os ecossistemas ou ambientes humanos, de pronto constata-
se que estes não existem isoladamente, e sim que dependem, como qualquer outro ecossistema, 
de uma fonte externa de energia, dos diferentes ciclos e das complicadas inter-relações com os 
ecossistemas naturais. 
 
Do ponto de vista humano, a biosfera pode ser dividida em quatro classes gerais de ecossistemas: 
 
♦ classe 1 - Ecossistemas Naturais Maduros: aparecem, mais ou menos, em seus estados natu-
rais e, geralmente, não são empregados nem habitados pelo homem. Exemplo: as áreas silves-
tres, as montanhas e os oceanos; 
♦ classe 2 - Ecossistemas Naturais Controlados: ecossistemas que o homem controla para uso 
recreativo, estudo, pesquisa ou preservação de recursos naturais. Exemplo: os parques, reser-
vas, as áreas de caça, as estações ecológicas, etc. (ver Unidades de Conservação do IBAMA ); 
♦ classe 3: Ecossistemas Produtivos ou Exportadores: ecossistemas que o homem emprega 
para a produção de alimentos ou de outros recursos naturais. Exemplo: as granjas, os ranchos 
de gado, as minas, etc. O homem cria estes ecossistemas com o objetivo de obter a máxima 
produtividade da área, geralmente mediante o aumento de uma ou duas espécies de organis-
mos. Sob esse ponto de vista, tais ecossistemas são eficientes, mas tornam-se ineficientes 
quando analisados sob o ponto de vista da quantidade de energia gasta para irrigação, fertili-
zação, controle de pragas e da simplificação dos mesmos que resulta na sua instabilidade; 
♦ classe 4 - Ecossistemas Urbanos ou Importadores: ecossistemas nos quais o homem vive e 
trabalha, exercendo um controle mais intensivo. Requer entradas constantes e produz saídas 
contínuas. Exemplo: as áreas industrializadas, as cidades, os povoados, etc. 
 
O homem começou a criar os ecossistemas urbanos, que chamou de cidades, quando descobriu 
que a agricultura lhe permitia estabelecer áreas permanentes para viver e armazenar seus produ-
tos, bem como era possível satisfazer suas necessidades tanto biológicas (de ar, água, energia, 
alimento, abrigo e áreas para eliminar desperdícios), como culturais (de política, economia, tec-
nologia, transporte, comunicação, educação, atividades sociais e intelectuais e os sistemas de 
proteção e segurança). Estima-se que aproximadamente 20% da população mundial vive em e-
cossistemas urbanos de mais de 100.000 habitantes. 
 
À medida que aumenta o tamanho das cidades, cresce também a sua complexidade. O homem 
tem desenvolvido sistemas muito complexos, elaborados para controlar a terra, a água e o fluxo 
energético através deles. Mas, apesar de toda influência humana, as cidades ainda constituem e-
cossistemas e, como todos os ecossistemas, também são sistemas abertos. Para continuar existin-
A 
 
1a Parte - Ecologia Geral - 39 
 
 
do, devem receber do ambiente externo alimentos, combustíveis, materiais, ar e água. Posterior-
mente, estas entradas são controladas, transformadas, armazenadas e, finalmente, expelidas como 
uma corrente na qual se incluem produtos de desperdícios, ar viciado, água impura e produtos 
úteis da tecnologia, educação e cultura. 
 
Mesmo com toda a tecnologia de controle, os ecossistemas urbanos têm se tornado fontes de au-
mento da instabilidade na biosfera. Algumas dessas razões tornam-se visíveis quando se analisa 
o quadro 8.1. 
 
Quadro 8.1: Comparação entre os ecossistemas naturais e urbanos. 
 
Ecossistemas Naturais 
 
 
Ecossistemas Urbanos 
Energia 
• São sustentados por fonte ilimitada de e-
nergia: radiação solar. 
• Atualmente, sustentados por uma fonte 
finita de energia: combustíveis fósseis. 
• Não acumulam energia em excesso. • O consumo excessivo de combustíveis 
fósseis libera muito calor para a biosfera e 
altera a temperatura. 
• Nas cadeias alimentares, cerca de dez ca-
lorias de um organismo são necessárias para 
produzir uma caloria de outro (10:1). 
• Nas cadeias alimentares, são necessárias 
cem calorias de combustível fóssil para pro-
duzir dez calorias de alimento, que produ-
zem uma caloria no homem (100:1) 
Evolução 
• A evolução biológica adapta todos os or-
ganismos e o seu sistema de suporte aos 
processos que sustentam a vida. 
• A evolução cultural, atualmente, subordina 
os organismos e os sistemas de suporte da 
Terra aos processos que sustentam a tecno-
logia. 
População 
• Mantém os níveis de população dentro dos 
limites estabelecidos pelos controles e ba-
lanços naturais, incluindo fatores como ali-
mento, abrigo, doenças e presença de inimi-
gos naturais. 
• Permite que as populações cresçam mais 
rapidamente que a capacidade de aumentar a 
disponibilidade de alimentos e abrigo, e e-
limina inimigos naturais e doenças via bio-
cidas e medicamentos. 
Comunidade 
• Apresenta uma grande diversidade de es-
pécies que vive nos limites do local dos re-
cursos naturais. 
• Tende a excluir a maioria das espécies e é 
sustentada por recursos provenientes de ou-
tras áreas . 
• Tende a ser mais regularmente dispersa no 
ecossistema. 
• Tende a se concentrar em locais determi-
nados pela proximidade de grandes corpos 
d’água ou pela conveniência da rede de ser-
viços. Em certos países 95% da população 
habita em 5% da área. 
Interação 
• As comunidades são organizadas em torno 
das interações de funções biológicas e pro-
cessos. A maioria dos organismos interage 
com uma grande variedade de outros orga-
nismos. 
• As comunidades são organizadas, de modo 
crescente, em torno de interações de funções 
e processos tecnológicos. 
 
40 - Introdução às Ciências do Ambiente para Engenharia 
 
 
 
Equilíbrio 
• São imediatamente governados por pro-
cessos comuns, naturais, de controle e equi-
líbrio, incluindo a disponibilidade de luz, 
alimentos, água, oxigênio, habitat e a pre-
sença ou ausência de inimigos naturais e 
doenças. 
• São governados por um conjunto de com-
petições de controle cultural e equilíbrio, 
inclusive de ideologia, costumes, religião, 
leis, políticas e economias. Esse acordo con-
sidera um pouco, ou não considera, os re-
querimentos para a sustentação da vida, que 
não seja a humana. 
 Fonte: FREIRE DIAS, G. (1992) 
 
Na realidade, à medida que a população humana tem se desenvolvido, os ecossistemas das clas-
ses 2, 3 e 4 têm aumentado significativamente, em última instância às expensas da classe 1. É 
necessário que exista um certo equilíbrio entre todas as classes, já que cada tipo é necessário ao 
homem. São óbvias suas necessidades tanto de ecossistemas urbanos como produtivos (estes não 
existem isolados). Usualmente, reconhece-se também sua necessidade de parques e outros ecos-
sistemas naturais controlados. Mas, geralmente, compreende-se pouco a necessidade que tem o 
homem de áreas silvestres, já que tradicionalmente as tem considerado como áreas não produti-
vas e, portanto, de pouco valor. 
 
Os ecossistemas naturais maduros, não devem ser medidos em termos estritamente econômicos. 
Seus efeitos de limpeza da atmosfera são só um exemplo de seu caráter benéfico para o homem. 
Tais ecossistemas não só mantêm a si mesmos, mas também têm efeito amortizador nas áreas 
circundantes. Regulando as correntes e a erosão, melhorando as condições climáticas locais e ab-
sorvendo os contaminantes, funcionam pois como um filtro para os ecossistemas empregados 
mais intensamente. Os bosques e as montanhas ajudam a purificar uma área, da mesma forma 
que os oceanos diluem os contaminantes que chegam até eles. Se mantêm um equilíbrio, os ecos-
sistemas naturais podem absorver e neutralizar a contaminação, tal como fizeram no passado. Se 
as regiões silvestres se reduzem significativamente, ao mesmo tempo se incrementará a contami-nação e os problemas ambientais se agravarão consideravelmente. 
 
Não se sabe por quanto tempo será possível continuar expandindo intensivamente a agricultura e 
as zonas urbanas, às expensas das paisagens protetoras. A saúde e a sobrevivência de nossos e-
cossistemas urbanos e agrícolas relacionam-se, direta e indiretamente, com a presença contínua 
dos ecossistemas naturais. O problema agora é um problema de equilíbrio: "que limites devem 
ser impostos ao tamanho e à capacidade de cada uma das classes gerais, de maneira que se 
mantenha o equilíbrio vital entre o homem e as comunidades naturais?" 3 
 
 
8.1. UNIDADES DE CONSERVAÇÃO 
 
A expansão das atividades humanas indistintamente na biosfera, tem apresentado como conse-
qüência a destruição dos hábitats, com extinção de plantas e animais, redução da biodiversidade e 
quebra do equilíbrio dos ecossistemas. Pensando na necessidade de reverter esse quadro, os paí-
ses do mundo inteiro decidiram montar uma rede de proteção, de dimensões planetárias, para a 
biodiversidade de plantas, animais e microrganismos, e também das nações indígenas. São as 
chamadas Unidades de Conservação - UC. 
 
3 Sutton, N.B. e Harmon, N.P., Fundamentos de Ecologia, 1979. 
 
1a Parte - Ecologia Geral - 41 
 
 
 
Em 1992, existiam no mundo inteiro 8.163 UC em ecossistemas terrestres e aquáticos, totalizan-
do 1,5% da superfície da Terra ou 5,1% da extensão territorial dos países (Bridgewater, 1992). 
No Brasil, existe o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNCN), constituído de Uni-
dades Federais de Conservação, de uso direto e indireto (Quadro 8.2), totalizando menos de 4% 
do território nacional, classificando o país em 9o lugar, dentre os treze países da América Latina. 
 
 
 
Quadro 8.2: Unidades Federais de Conservação, de uso direto e indireto*. 
 
Unidades de Conservação 
 
 
Quantidade 
 
Extensão (km2) 
Parques Nacionais 35 97.421 
Reservas Biológicas 23 30.444 
Estações Ecológicas 41 126.040 
Reservas Ecológicas 05 6.530 
Áreas de Relevante Interesse Ecológico 10 230 
Florestas Nacionais* 21 21.590 
Reservas Extrativistas* 09 22.007 
Áreas de Proteção Ambiental* 21 17.147 
Total 165 321.409 
 Fonte: Instituto Socio-Ambiental (ISA) 
 
♦ Parques Nacionais - PN. São áreas destinadas à proteção e conservação dos recursos natu-
rais e de valor ecológico, geológico, histórico, arqueológico, paisagístico ou estético, abran-
gendo flora e fauna de uma determinada região e aberto ao público. Em 1995, existiam trinta e 
cinco parques nacionais no país, nove deles localizados na região Nordeste: Chapada Dia-
mantina, centro da Bahia; Grande Sertão Veredas, Bahia e Minas Gerais; Lençóis Mara-
nhenses, nordeste do Maranhão; Marinho de Abrolhos, a 80 km do litoral sul da Bahia; Ma-
rinho de Fernando de Noronha, Pernambuco; Monte Pascoal, sul da Bahia; Serra da Ca-
pivara, sul do Piauí; Sete Cidades, norte do Piauí; e Ubajara, noroeste do Ceará. 
♦ Reservas Biológicas - RB. São áreas de conservação destinadas à preservação de estoque ge-
nético, à conservação de espécimes raros e à pesquisa científica. Das vinte e três reservas bio-
lógicas existentes no país em 1995, cinco situam-se no Nordeste: Atol da Rocas, Fernando de 
Noronha/Pe; Gurupi, no Maranhão; Saltinho e Serra Negra em Pernambuco; e Una na Ba-
hia. 
♦ Estações Ecológicas - EE. São áreas representativas de ecossistemas brasileiros, de proprie-
dade da União, destinadas à realização de pesquisas aplicadas à ecologia, banco genético para 
reprodução de animais e vegetais e à preservação do meio ambiente da região. Em 1995, exis-
tiam 41 estações ecológicas no país, das quais oito estão na região Nordeste: Aiuaba, no sul 
do Ceará; Mamanguape, na Paraíba; Raso da Catarina, no norte da Bahia; Seridó, no Rio 
Grande do Norte; Uruçuí-Una, no Piauí; Praia do Peba, em Alagoas; Itabaiana, em Sergi-
pe; Ilha dos Caranguejos, no Maranhão. 
♦ Reservas Ecológicas - RE. São as formações florestais e as áreas de florestas de preservação 
permanente nas áreas de pouso das aves de arribação, nos mangues, nas restingas, nas dunas, 
nas matas ciliares, nas nascentes, nos topos de morros e montanhas. 
 
42 - Introdução às Ciências do Ambiente para Engenharia 
 
 
 
Entrada Saída 
♦ Áreas de Proteção Ambiental - APA. São áreas destinadas à proteção e conservação da qua-
lidade ambiental e dos ecossistemas ali existentes, visando à melhoria da qualidade de vida da 
população local. Não necessita obrigatoriamente ser de propriedade da União. Exemplo: 
Manguezais da Foz do Rio Mamanguape em Rio Tinto, Pb. 
♦ Áreas de Relevante Interesse Ecológico - ARIE. São áreas de características naturais extra-
ordinárias ou que abriguem exemplares raros da biota regional. Exemplo: Vale dos Dinossau-
ros em Souza, Pb. 
 
 
8.2 EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO 8 
 
1. Considerando o esquema abaixo, responda as questões a, b e c. 
a) Mencione algumas entradas; 
b) Mencione algumas saídas; 
c) Em que este ecossistema se assemelha aos ecossistemas naturais ? 
 
 
 
 
2. Mencione as quatro classes gerais de ecossistemas da biosfera. 
3. Descreva resumidamente um ecossistema urbano. Em que difere dos ecossistemas produtivos 
? 
4. Compare uma floresta tropical com uma cidade, em termos de: energia, evolução, comunidade 
e equilíbrio. 
5. Quando o homem cria os ecossistemas produtivos qual é o seu objetivo ? Em que esta classe 
de ecossistema é eficiente ? Em que não o é ? 
6. Que são Unidades de Conservação ? Enumere as Unidades Federais de Conservação. 
 
 
 
Ecossistema 
Urbano

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