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Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 1 de 155 $8/$��� -85,6',d2��$d2�(� &203(7Ç1&,$ Sumário 1 - Considerações Iniciais ................................................................................................. 2 2 - Jurisdição e Ação........................................................................................................ 2 2.1 - Jurisdição ............................................................................................................ 4 2.2 - Ação ................................................................................................................. 17 3 - Limites da Jurisdição Nacional e da Cooperação Internacional ........................................ 34 3.1 - Limites da Jurisdição Nacional .............................................................................. 34 3.2 - Cooperação Internacional .................................................................................... 39 4 - Competência Interna ................................................................................................ 45 4.1 - Introdução ........................................................................................................ 45 4.2 ± Classificação da competência .............................................................................. 47 4.3 - Critérios ............................................................................................................ 47 4.4 - Justiças Cíveis ................................................................................................... 50 4.5 - Competência Territorial no NCPC .......................................................................... 53 4.6 ± Método para Identificar o Juízo Competente .......................................................... 59 4.7 - Modificação da Competência ................................................................................ 60 4.8 - Incompetência ................................................................................................... 66 4.9 - Conflito de Competência ..................................................................................... 69 5 - Cooperação Nacional ................................................................................................ 70 6 ± Questões ................................................................................................................ 71 6.1 - Questões sem Comentários ................................................................................. 71 6.2 - Gabarito ........................................................................................................... 91 6.3 - Questões com Comentários ................................................................................. 92 6.4 - Lista de Questões de Aula ................................................................................. 133 7 - Destaques da Legislação ......................................................................................... 137 8 - Súmulas e Jurisprudência Correlatos ......................................................................... 141 9 - Resumo ................................................................................................................ 144 10 - Considerações Finais ............................................................................................. 155 Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 3 de 155 O primeiro estágio do Direito Processual Civil é dominando pelo pensamento dos juristas imanentistas, para os quais o processo civil é visto como parte integrante do Direito Civil. Para facilitar a compreensão, basta OHPEUDU�TXH�D�SDODYUD�³LPDQHQWH´�VLJQLILFD� ³LQVHSDUiYHO´�� ³LQHUHQWH´�� 3DUD� HVVD� SULPHLUD� FRUUHQWH�� R� SURFHVVR� FLYLO� p� DOJR� inerente ao Direito Civil. São, portanto, inseparáveis. O problema dessa concepção é que Direito Processual Civil é visto como um apêndice, como um mero acessório, como uma disciplina não autônoma, mas vinculada ao Direito Civil. Devido a diversas críticas que foram formuladas, surgiu um novo grupo de juristas que passou a defender a separação absoluta entre Direito Processual Civil e Direito Civil. No segundo estágio o Direito Processual Civil é uma disciplina cientificamente autônoma, que possui regras e princípios próprios e está TOTALMENTE desvinculada do Direito Civil. Por um lado, essa corrente destaca a importância do estudo do Direito Processual, contudo, há um problema. A ideia exagerada e extrema de autonomia (quiçá, independência) do processo em relação ao direito material, levou os processualistas ao isolamento. Dito de outro modo, o processo judicial tem uma finalidade clara: resolver os conflitos de interesses havidos na sociedade. Esses conflitos decorrem da insatisfação de uma pessoa em relação a outra no tocante aos direitos materiais. Se o direito processual está totalmente desvinculado do direito material, perde-se a razão de ser do direito processual, passa-se a discutir questões processuais diversas, e não há preocupação com a efetividade e com o caráter instrumental do direito processual civil. É justamente esse caráter de instrumento, meio de auxílio, de veículo para pacificação dos conflitos que atingimos no terceiro estágio. No terceiro estágio temos os instrumentalistas, que defendem a reaproximação do direito processual do direito material. Para esses juristas, o Direito Processual Civil representa uma disciplina autônoma (caráter ontológico), mas que reconhece e busca a aproximação com o Direito Civil, pois a razão de ser do processo é servir como instrumento de concretização do direito material. Esse é o estágio atual consolidado do Direito Processual Civil brasileiro. Então haveria um quarto estágio? A resposta do questionamento acima deve ser dada com parcimônia. A doutrina contemporânea, à luz da interpretação constitucional do processo civil e também em razão do Novo Código, tem defendido que essa instrumentalidade é bastante intensa. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 4 de 155 Para Fredie Didier Jr.1, por exemplo, a relação entre Direito Processual Civil e Direito Civil é circular. Entende o autor que há reciprocidade e relação de complementariedade entre ambas as disciplinas. Cássio Scarpinella Bueno2, por sua vez, vai um pouco além e defende que estamos no quarto estágio de evolução do Direito Processual Civil. Para o autor, esse quarto estágio agrega os juristas neoconcretistas. Em sentido semelhante a Fredie Didier Jr., ele entende que o Direito Processual Civil e Direito Civil estão muito próximos um do outro, o Direito Processual Civil tem um único sentido, o de prestar a tutela jurisdicional a quem fizer jus a ela no plano material. É partir dessa evolução retratada acima que são identificados os três principais institutos do Direito Processual Civil, quais sejam: jurisdição, ação e processo. 2.1 - Jurisdição O estudo da jurisdição passa pela análise de vários conceitos importantes, frequentemente cobrados em prova. Vamos ver o conceito de jurisdição, a distinção da jurisdição em relação aos denominados ³HTXLYDOHQWHV�MXULVGLFLRQDLV´, as características e espécies da jurisdição e, por fim, vamos tratar um pouco sobre a tutela jurisdicional. Todos esses elementos que vamos estudar refletem o art. 16, do NCPC: Art. 16. A jurisdição civil é exercida pelos juízes e pelos tribunais em TODO o território nacional, conforme as disposições deste Código. Vamos lá! Conceito, escopos e caracterização A jurisdição é vista como uma parcela do Poder do Estado (no caso, o Poder Judiciário), no exercício da sua função típica: a de julgador. Antes de prosseguir, cumpre ressaltar que a jurisdição poderá, excepcionalmente (de forma atípica), ser exercidatambém pelos poderes Legislativo e Executivo. Didaticamente, a jurisdição é analisada a partir de três aspectos distintos. A jurisdição é poder, função e atividade. Como poder, a jurisdição é compreendida como a prerrogativa do Estado de interferir na esfera jurídica das pessoas, aplicando o direito ao caso concreto e resolvendo eventuais conflitos. Nesse contexto, o juiz surge como alguém que, por intermédio da jurisdição, cria a norma jurídica para o caso concreto. E para que essa norma jurídica concretamente aplicada seja efetiva, é necessário não 1 DIDER JR., Fredie. Curso de Direito Processual Civil: introdução ao Direito Processual Civil, Parte Geral e Processo de Conhecimento. Vol. 1, 18ª edição, rev., ampl. e atual., Bahia: Editora JusPodvim, 2016, p. 41. 2 BUENO, Cássio Scarpinella. Manual de Direito Processual Civil., Volume Único. 2ª Edição, São Paulo: Editora Saraiva, 2016, p. 77. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 9 de 155 Confira uma questão: (TRF1ªR/Juiz Federal Substituto/2015) Assinale a opção correta a respeito da jurisdição e dos equivalentes jurisdicionais. a) Na jurisdição voluntária, a lei confere maior flexibilidade ao julgador para conduzir o processo, mas o obriga à observância de critérios de legalidade estrita quando da prolação da sentença. b) A imparcialidade é a característica da jurisdição contenciosa que impede o julgador de determinar, de ofício, a produção de prova em juízo. c) A autodefesa, excepcionalmente permitida no direito brasileiro para a composição da lide, pode ocorrer antes ou durante o processo. d) Na arbitragem, as partes podem escolher a norma de direito material a ser aplicada para a solução do conflito. e) Configura exceção à regra da indelegabilidade da jurisdição a expedição de carta precatória que delegue a oitiva de testemunha a outro juízo. A alternativa A está incorreta, pois o art. 723, parágrafo único, do NCPC, prevê que o juiz não é obrigado a observar o critério de legalidade estrita, podendo adotar, em cada caso, a solução que considerar mais conveniente ou oportuna. A alternativa B está incorreta, pois, como vimos, o juiz exerce a direção do processo e, em face disso, poderá determinar a produção de provas. A alternativa C está incorreta. Não tratamos diretamente da autodefesa, pois é uma técnica comum aos Juizados especiais que permite às partes atuar sem advogado, e, portanto, ocorrerá no curso do processo, não havendo possibilidade se configurar antes do processo. Se ela falasse em autocomposição ficaria correta a alternativa. A alternativa D está correta, pois, na arbitragem as partes poderão escolher, livremente, as regras de direito que serão aplicadas, desde que não haja violação aos bons costumes e à ordem pública. A alternativa E está incorreta, pois a carta precatória é ato de cooperação e não delegação de competência. Pede-se auxílio para praticar um ato para o qual o Juiz não detém competência. Sigamos! Princípios/Características Esse é um tema aberto, mas que é frequente em questões de prova. Aberto porque cada doutrinador adota, em maior ou menor grau, um conjunto de princípios e características próprios. Vamos, dada a amplitude que podemos observar em concursos jurídicos, analisar os princípios mais comuns da jurisdição. Esse rol de princípios tem por finalidade facilitar a compreensão do que é a jurisdição. São eles: Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 11 de 155 Pela perspectiva interna, o princípio da indelegabilidade entende-se que a jurisdição é fixada por intermédio de um conjunto de normas gerais, abstratas e impessoais, não sendo admissível a delegação da competência para julgar de um Juiz para outro. Existem exceções ao princípio da indelegabilidade? Seria o caso da carta precatória? Cuidado para não confundir esse assunto! Existem duas exceções sim! 1ª exceção: carta de ordem determinando a prática de atos de instrução em caso de ações originárias de segundo grau. Na distribuição de competência, em regra, o processo inicia-se perante o primeiro grau de jurisdição. Contudo, em determinadas situações (como nos casos conhecidos de foro por prerrogativa de função), o processo pode se iniciar diretamente perante um Tribunal, ou seja, diretamente na segunda instância. Lembre-se que essa hipótese é excepcional, pois a principal função da segunda instância é julgar os recursos das decisões de primeiro grau, no exercício do duplo grau de jurisdição. De todo modo, em relação a essas ações originárias de segundo grau, quando necessária a prática de determinado ato instrutório ± como a oitiva de uma testemunha ±, o Tribunal (ou melhor, o relator do processo no Tribunal) poderá delegar, por intermédio da carta de ordem, a prática desse ato pelo magistrado de primeiro grau. Nesse caso, temos uma exceção ao princípio da indelegabilidade. 2ª exceção: execução dos julgados do STF pelo Juiz de primeiro grau por intermédio de carta de ordem. Novamente temos a determinação ao magistrado de primeiro grau para que proceda à execução das decisões dadas pelo Supremo Tribunal Federal, devido ao fato de que esse órgão não detém estrutura suficiente para exercer a função executória. Essa hipótese de exceção ao princípio da indelegabilidade está prevista no art. 102, I, m, da CF. E a carta precatória? A expedição de carta precatória não constitui exceção ao princípio da indelegabilidade, mas ato de cooperação processual. Em razão das regras de competência territorial, o Juiz deprecante (quem expede a carta) não tem competência para a prática do ato. Quem possui a competência é o Juiz deprecado (quem recebe a carta). Portanto, o magistrado pede auxílio ao juiz verdadeiramente compete para a prática de um ato processual que possa instruir o processo. Veja que, ao contrário do que podemos ser levados a crer, a carta precatória confirma o princípio da indelegabilidade. Princípio da inevitabilidade Também relevante, o princípio da inevitabilidade aplica-se em dois momentos distintos: 1º momento: vinculação das partes ao processo judicial. A parte tem a prerrogativa de ingressar com a ação judicial, demovendo o Poder Judiciário da inércia. Uma vez provocado e formada a relação jurídico processual não é possível negar (evitar) a decisão judicial, ainda que a parte ou as partes não concordem com a decisão. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 12 de 155 2ª momento: estado de sujeição ante a vinculação automática. Uma vez movimentado o Poder Judiciário, a partes vinculam-se automaticamente ao Poder Judiciário, sujeitando-se à decisão judicial. Em síntese, o princípio da inevitabilidade impõe às partes a vinculação ao processo e a sujeição à decisão judicial. Princípio da inafastabilidade O princípio da inafastabilidade da atuação jurisdicional informa o instituto da jurisdição e está prescrito no art. 5º, XXXV, da CF, além de estar exposto no NCPC como uma normal fundamental, prescrita no art. 3º. Portanto, a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça de lesão a direito. Cumpre aqui apenas ressaltar que o princípio da inafastabilidade é complementado por dois aspectos: 1º aspecto: relação entre contencioso judicial e administrativo. Muito embora seja possível buscar administrativamente a solução de determinado conflito, essa via não é necessária, muito menos impeditiva do acesso ao Poder Judiciário. Assim, a pessoa interessada poderá ou não se valer da via administrativa e, além disso, após a decisão administrativa, poderá decidir pelo ingresso para rediscussão da mesma matéria na esfera judicial. Há, contudo, duas exceções: 1ª) necessidade de esgotamento administrativo na Justiça Desportiva em face da exceção previstano art. 217, §1º, da CF; e 2ª) admissibilidade do habeas data apenas após a caracterização da recusa administrativa (Súmula STJ 2). 2º aspecto: acesso à ordem jurídica justa. Somente será considerado inafastável a atuação jurisdicional se a tutela prestada for satisfativa, ou seja, se a atuação do Poder Judiciário for efetivamente capaz de tutelar o interesse da parte. Princípio do juiz natural O princípio do juiz natural vem expresso no art. 5º, LIII, da CF e prevê que ninguém será julgado a não ser pela autoridade competente. Por um lado, esse princípio impossibilita que a parte escolha quem irá julgar o conflito de interesses, de modo que a fixação da competência se dá pelas normas gerais e abstratas previstas no ordenamento e, quando dois ou mais juízes forem ao mesmo tempo competentes, a distribuição se dá de forma aleatória e imparcial. Por outro, o princípio veda a criação de juízos de exceção, tal como prevê o art. 5º, XXXVII, da CF, de forma que não é admissível a criação de um tribunal para julgar determinados fatos após a ocorrência. O órgão jurisdicional deve ser pré- existente ao fato. Confira uma questão: Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 13 de 155 (TRF5ªR/Juiz Federal Substituto/2015) Acerca da jurisdição e de seus equivalentes, assinale a opção correta. a) A sentença estrangeira arbitral não pode funcionar como título executivo devido ao princípio da territorialidade, que rege a arbitragem no Brasil. b) A legislação civil brasileira prevê hipótese de autocomposição ao permitir que o possuidor esbulhado obtenha de volta a posse de seu bem, por sua própria força, contanto que o faça logo. c) A jurisdição constitui atividade substitutiva do Estado para solução de conflitos e é exercida, em regra, mediante provocação do interessado. d) A justiça federal é considerada especial em comparação com a justiça estadual. e) O princípio dispositivo não se aplica à instrução do processo, podendo o juiz determinar produção de provas não requeridas pelas partes. A alternativa A está incorreta, pois, se homologada, a sentença estrangeira produzirá efeitos internamente, podendo ser executada em nosso território. A alternativa B está incorreta, pois é o instituto da autotutela que permite ao possuidor exercer uma espécie de legítima defesa sobre a posse em caso de esbulho (violação da posse). A alternativa C está incorreta, a jurisdição, embora substitutiva, é inerte, e depende de provocação da parte. A alternativa D está incorreta, pois a justiça federal e a estadual são comuns em contraposição à Justiça do Trabalho, Militar e Eleitoral, que são especiais. A alternativa E está correta, pois uma vez incitado, o Juiz tem o poder diretivo sobre o processo, podendo determinar de ofício a prática de atos instrutórios. Confira uma questão: (TJ-AM/Juiz Substituto/2016) Acerca da jurisdição e dos princípios informativos do processo civil, assinale a opção correta. a) No âmbito do processo civil, admite-se a renúncia, expressa ou tácita, do direito atribuído à parte de participar do contraditório. b) A jurisdição voluntária se apresenta predominantemente como ato substitutivo da vontade das partes. c) A carta precatória constitui exceção ao princípio da indeclinabilidade da jurisdição. d) A garantia do devido processo legal se limita à observância das formalidades previstas no CPC. e) O princípio da adstrição atribui à parte o poder de iniciativa para instaurar o processo civil. A alternativa A está correta, pois o art. 9º, do NCPC, é expresso em afirmar que não se proferirá decisão contra uma das partes sem que ela seja previamente ouvida. Contudo, a parte intimada a se manifestar não é obrigada a fazê-lo, podendo renunciar o direito de se manifestar. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 23 de 155 ª A alternativa D representa a teoria da substanciação da causa de pedir, aplicada em detrimento da teoria da individuação. A alternativa E trata do ônus da impugnação especificada (assunto que será estudado em outra oportunidade). Sigamos! Do que estudamos até aqui você pode concluir sem maior dificuldade que não aplicamos ao Direito Civil Processual Civil brasileiro as teorias imanentista e concreta da ação. Contudo, ante o NCPC o que devemos seguir em provas objetivas? A resposta a esse questionamento não é simples! A doutrina ainda não tem um posicionamento claro a respeito, de modo que as provas de concurso refletem variadas posições. Uma das doutrinas5, mais representativas do Direito Processual Civil atual, conclui: Sepulta-se um conceito que, embora prenhe de defeitos, estava amplamente disseminado no pensamento jurídico brasileiro. Inaugura-se, no particular, um novo paradigma teórico, mais adequado que o anterior, e que, por isso mesmo, é digno de registro e aplauso. Para o autor: ª QmR�Ki�PDLV�TXH�VH�IDODU�QD�H[SUHVVmR�³FRQGLo}HV�GD�DomR´� ª ³SRVVLELOLGDGH�MXUtGLFD�GR�SHGLGR´�p�KLSyWHVH�TXH�JHUD�D�LPSURFHGrQFLD�GR�SHGLGR��H ª legitimidade e interesse passam a constituir pressuposto processual. Mas como acertar questões de prova? Pelo analisado das provas na égide do NCPC, ainda se fala em condições da ação. A grande vantagem é que dificilmente a banca pedirá para você julgar se as condições da ação existem ou não existem à luz do NCPC. No máximo, haverá referência no sentido de não há mais PREVISÃO EXPRESSA de condições da ação. Contudo, tudo que vimos em relação à teoria eclética e à teoria da asserção permanecem perfeitamente aplicáveis em prova. Confira como o assunto pode ser abordado: (Câmara dos Deputados/Analista Legislativo/2014) Julgue o item seguinte, relativo à teoria e às condições da ação. Entre as condições da ação inclui-se a possibilidade jurídica do pedido, que consiste na exigência de que o pedido de tutela jurisdicional formulado em juízo não seja vedado pelo ordenamento jurídico. 5 DIDER JR., Fredie. Curso de Direito Processual Civil: introdução ao Direito Processual Civil, Parte Geral e Processo de Conhecimento. Vol. 1, 18ª edição, rev., ampl. e atual., Bahia: Editora JusPodvim, 2016, p. 308. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 24 de 155 A assertiva está incorreta em face do NCPC, que não aborda mais a ³SRVVLELOLGDGH�MXUtGLFD�GR�SHGLGR´��DVVXQWR��DJRUD��GH�PpULWR� Confira uma questão: (TJ-AM/Juiz Substituto/2016) A respeito da ação e dos pressupostos processuais, assinale a opção correta. a) Segundo a teoria da asserção, a análise das condições da ação é feita pelo juiz com base nas alegações apresentadas na petição inicial. b) Na ação de alimentos contra o pai, o menor de dezesseis anos de idade tem legitimidade para o processo, mas não goza de legitimidade para a causa. c) O direito a determinada prestação jurisdicional se esgota com o simples exercício do direito de ação. d) Conforme a teoria concreta da ação, o direito de agir é autônomo e independe do reconhecimento do direito material supostamente violado. e) Na hipótese de legitimidade extraordinária, a presença e a higidez dos pressupostos processuais serão examinadas em face da parte substituída. A alternativa A está correta e representa justamente a teoria da asserção aplicada às condições da ação. A alternativa B está incorreta, pois no caso o adolescente tem legitimidade para a causa, ou seja, para figurar como parte, mas não goza de legitimidade para o processo, pelo que deverá ser assistido. A alternativa C está incorreta, pois a prestação jurisdicional esgota-se apenas com a satisfação. A alternativa D está incorreta, pois de acordo com a teoria concreta da ação o direito de ação nada mais é do que o direito material na forma dinâmica. Direito de ação é autônomo,mas não é independente. A alternativa E, por sua vez, está incorreta, pois a legitimidade extraordinária envolve situações nas quais o titular do direito material não é a parte processual, sob quem recaem os pressupostos processuais. Confira uma questão: (TRT4ªRJuiz do Trabalho Substituto/2016) Julgue: São condições da ação, conforme previsão expressa, e, portanto, matéria de ordem pública, sobre as quais o Juiz deve se pronunciar de ofício, a legitimidade de parte, o interesse processual e a possibilidade jurídica do pedido. Essa questão, segundo o NCPC, contém dois erros: Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 25 de 155 ª não se fala mais em condições da ação, embora, como dito, isso ainda é discutível. ª ³SRVVLELOLGDGH�MXUtGLFD�GR�SHGLGR´�QmR�p�PDLV�UHWUDWDda no NCPC, constituindo temática a ser analisada no julgamento do feito. Não pode nem mesmo ser classificada como pressuposto processual. Incorreta a assertiva, portanto. Interesse e legitimidade Assim disciplina o art. 17, do NCPC: Art. 17. PARA POSTULAR EM JUÍZO é necessário ter interesse e legitimidade. Da leitura do dispositivo, nota-se um condicionamento para que a pessoa possa ingressar com uma ação. Desse, embora não nominado como condições, no fundo, trata-se de condicionamento para o exercício da ação, portanto, um pressuposto para o exercício do processo. Tal como estudado, em um primeiro momento o magistrado, ao tomar conhecimento da petição inicial, irá avaliar à vista das informações que constam da petição, sem considerar as provas que ainda serão produzidas, se a parte tem interesse e legitimidade. Essa cognição é prévia, é sumária e exercida in status assertionis (em asserção). Caso o juiz entenda que não há interesse ou legitimidade, indeferirá a petição inicial com extinção do processo sem resolução do mérito. Trata- se, da denominada sentença terminativa, que não produz coisa julgada material. Superada a cognição sumária, se o magistrado decidir pela citação da parte ré, preclui a possibilidade da sentença terminativa pela não caracterização de interesse e legitimidade. Contudo, ao final da demanda, quando o juiz for sentenciar o mérito, o art. 17, do NCPC, poderá ser novamente referido pelo juiz, que poderá rejeitar o pedido do autor por entender que faltou interesse e legitimidade. Nesse caso, a sentença será de mérito e forma coisa julgada material. Na sequência, vamos distinguir e compreender o que é interesse e o que é legitimidade. Interesse O interesse refere-se à necessidade e utilidade da tutela jurisdicional pedida pelo demandante6. O autor deve demonstrar que o provimento pretendido é capaz de melhorar a sua situação fática a ponto de justificar o dispêndio de tempo, energia e dinheiro no processo. 6 MARINONI, Luiz Guilherme, ARENHART, Sérgio Cruz e MITIDIERO, Daniel. Código de Processo Civil Comentado. 2ª edição, rev., atual. e ampl. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016, p. 172. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 37 de 155 situações nas quais um mesmo processo seja simultaneamente proposto perante a jurisdição brasileira e a estrangeira. Nesse caso, há alguma regra de preferência para julgar a ação? Ambos os processos serão válidos? O art. 24, do NCPC, estabelece uma regra: será aplicada a sentença que transitar em julgado primeiro. As duas sentenças (a nacional e a estrangeira) terão ampla liberdade para serem decididas até o final, sem se falar em litispendência, cujo efeito é a extinção do julgamento do mérito. O aspecto mais relevante desse assunto, é compreender que, no território nacional, uma sentença estrangeira apenas transitará em julgado após a homologação pelo STJ, como define o NCPC no art. 961, do NCPC. Isso significa que ambos os processos podem tramitar regularmente. Caso o processo que tramite perante a jurisdição nacional transite em julgado, o procedimento de homologação será extinto sem julgamento de mérito. A partir da homologação, portanto, da sentença estrangeira, teríamos a litispendência em razão de formação de coisa julgada no território nacional. O mesmo vale para o procedimento inverso, no qual a homologação perante o STJ transita em julgado antes do processo em trâmite no território nacional. Nesse caso, o magistrado brasileiro irá extinguir o processo sem julgamento do mérito, pelo trânsito em julgado da sentença estrangeira que foi homologada pelo STJ. Há, entretanto, uma exceção: se entre o país estrangeiro e o Brasil houver um tratado internacional, ou acordo bilateral, atribuindo regras de prevenção da competência, essas normas devem ser observadas e ambas as ações não poderão tramitar ao mesmo tempo. Isso irá depender de cada tratado ou acordo. Hipoteticamente, se entre Brasil e Argentina houver um acordo internacional disciplinando que contratos de consumo serão da competência do Brasil em relação ao domiciliados em nosso país, seja ele brasileiro ou argentino, e serão da competência da Argentina em relação aos domiciliados naquele país, ainda que brasileiros, a competência não será mais concorrente (tal como prevista no art. 22, II). Em face desse acordo, a competência será exclusiva. A regra e a exceção acima constam do art. 24, do NCPC: Art. 24. A ação proposta perante tribunal estrangeiro NÃO induz litispendência e NÃO obsta a que a autoridade judiciária brasileira conheça da mesma causa e das que lhe são conexas, RESSALVADAS as disposições em contrário de tratados internacionais e acordos bilaterais em vigor no Brasil. Parágrafo único. A pendência de causa perante a jurisdição brasileira não impede a homologação de sentença judicial estrangeira quando exigida para produzir efeitos no Brasil. Outra exceção à concorrência da jurisdição nacional ou estrangeira está no art. 25, do NCPC. Esse dispositivo trata da possibilidade de eleição foro pelas partes em relação às matérias disciplinadas no art. 21 e 22, do NCPC, nas quais a competência é concorrente. Com correta eleição do foro e desde que a parte alegue o respeito a essa cláusula, a competência deixa de ser concorrente, devendo observar o que disciplina a cláusula elegida pelas partes. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 38 de 155 Por exemplo, no caso de contrato para prestação de uma obrigação de fazer no Brasil, cuja parte contratante é argentina e a contratada é brasileira, mas a execução se dará no Brasil, é possível que as partes estipulem a competência da Justiça Argentina. Nesse caso, se o processo for ajuizado no Brasil e o réu invocar a cláusula na contestação, a competência da Justiça Brasileira será afastada. Veja: Art. 25. NÃO compete à autoridade judiciária brasileira o processamento e o julgamento da ação quando houver cláusula de eleição de foro exclusivo estrangeiro em contrato internacional, arguida pelo réu na contestação. § 1º NÃO se aplica o disposto no caput às hipóteses de competência internacional exclusiva previstas neste Capítulo. § 2º Aplica-se à hipótese do caput o art. 63, §§ 1º a 4º. Apenas para esclarecer, os §§ do art. 63, acima referidos, trazem algumas regras para a cláusula de eleição de foro, que devem ser observadas no art. 25: ª A eleição de foro só produz efeito quando constar de instrumento escrito e aludir expressamente a determinado negócio jurídico. ª O foro contratual obriga os herdeiros e sucessores das partes. ª Antes da citação, a cláusula de eleição de foro, se abusiva, pode ser reputada ineficaz de ofício pelo juiz, que determinará a remessa dos autos ao juízo do foro de domicílio do réu. ª Citado, incumbe ao réu alegar a abusividade da cláusula de eleição de foro na contestação, sob pena de preclusão. Jurisdição nacional exclusivaEm relação ao art. 23, do NCPC, o ordenamento jurídico brasileiro não reconhece qualquer eficácia à decisão estrangeira, pois aqui a competência é exclusiva da jurisdição civil nacional. Importante frisar que em relação a essas matérias, nem mesmo a homologação da sentença ou a cláusula de eleição de foro farão a sentença a estrangeira produzir efeitos. Portanto, por questões ligadas à soberania nacional, não é aceita a sentença estrangeira. Ainda que tenhamos uma sentença estrangeira que verse sobre o assunto, ela não terá qualquer eficácia dentro do território brasileiro. Veja as hipóteses de jurisdição exclusiva: Art. 23. Compete à autoridade judiciária brasileira, COM EXCLUSÃO DE QUALQUER OUTRA: I - conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil; II - em matéria de sucessão hereditária, proceder à confirmação de testamento particular e ao inventário e à partilha de bens situados no Brasil, AINDA QUE o autor da herança seja de nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do território nacional; III - em divórcio, separação judicial ou dissolução de união estável, proceder à partilha de bens situados no Brasil, AINDA QUE o titular seja de nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do território nacional. Podemos notar da leitura dos dispositivos acima que no caso de bens imóveis aqui situados a competência será sempre brasileira. Já na situação que envolver Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 41 de 155 De toda forma, em ambos os casos de cooperação (por intermédio de tratado ou por reciprocidade) devem ser observados os parâmetros previstos nos incisos do art. 26: Art. 26. A cooperação jurídica internacional será regida por tratado de que o Brasil faz parte e observará: I - o respeito às garantias do devido processo legal no Estado requerente; II - a igualdade de tratamento entre nacionais e estrangeiros, residentes ou não no Brasil, em relação ao acesso à justiça e à tramitação dos processos, assegurando-se assistência judiciária aos necessitados; III - a publicidade processual, exceto nas hipóteses de sigilo previstas na legislação brasileira ou na do Estado requerente; IV - a existência de autoridade central para recepção e transmissão dos pedidos de cooperação; V - a espontaneidade na transmissão de informações a autoridades estrangeiras. § 1o Na ausência de tratado, a cooperação jurídica internacional poderá realizar-se com base em reciprocidade, manifestada por via diplomática. § 2o NÃO se exigirá a reciprocidade referida no § 1o para homologação de sentença estrangeira. § 3o Na cooperação jurídica internacional não será admitida a prática de atos que contrariem ou que produzam resultados incompatíveis com as normas fundamentais que regem o Estado brasileiro. § 4o O Ministério da Justiça exercerá as funções de autoridade central na ausência de designação específica. Compreendido o que é a cooperação internacional, como ela funcionará e quais os parâmetros, permanece a dúvida: que tipos de atos processuais poderão ser objeto de cooperação internacional para a efetividade dos processos? O NCPC trata disso explicitamente no art. 27. Leia com atenção: Art. 27. A cooperação jurídica internacional terá por objeto: I - citação, intimação e notificação judicial e extrajudicial; II - colheita de provas e obtenção de informações; III - homologação e cumprimento de decisão; IV - concessão de medida judicial de urgência; V - assistência jurídica internacional; VI - qualquer outra medida judicial ou extrajudicial não proibida pela lei brasileira. Dos incisos citados, é importante destacar o inc. VI, que traz uma regra aberta. Prevê o dispositivo que qualquer medida judicial ou extrajudicial não proibida pela lei brasileira poderá ser objeto de cooperação internacional. Em outras palavras, TODOS os atos processuais que podem ser praticados no bojo do processo civil brasileiro poderão ser praticados em cooperação internacional. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 45 de 155 ª O art. 40, do NCPC, esclarece que a execução de sentença no Brasil pode ocorrer por carta rogatória ou por intermédio de ação diretamente ajuizada perante o STJ. Ambos os recursos necessitam da ordem do STJ (denominada de exequatur) para que a execução seja eficaz em nosso ordenamento. Art. 40. A cooperação jurídica internacional para execução de decisão estrangeira dar-se-á por meio de carta rogatória ou de ação de homologação de sentença estrangeira, de acordo com o art. 960. ª Por fim, o art. 41, do NCPC, fixa que não necessária é a autenticação dos documentos judicias estrangeiros, exceto quanto o país estrangeiros exigir do Brasil a autenticação (regra da reciprocidade). Art. 41. Considera-se autêntico o documento que instruir pedido de cooperação jurídica internacional, inclusive tradução para a língua portuguesa, quando encaminhado ao Estado brasileiro por meio de autoridade central ou por via diplomática, dispensando-se ajuramentação, autenticação ou qualquer procedimento de legalização. Parágrafo único. O disposto no caput não impede, quando necessária, a aplicação pelo Estado brasileiro do princípio da reciprocidade de tratamento. Finalizamos, assim, o estudo da competência internacional e dos atos de cooperação internacional, que possuem, com o NCPC, uma estrutura diferenciada. 4 - Competência Interna 4.1 - Introdução Vimos que a competência é a capacidade de exercer a jurisdição. A jurisdição, como parcela do Poder Estatal, é a capacidade genérica de dizer o direito de forma definitiva. A competência, por sua vez, retrata essa capacidade aplicada ao caso concreto. Ao passo que a jurisdição é um poder nacional para dizer o direito, a competência é o exercício dessa jurisdição no caso concreto. Assim, enquanto todos os magistrados possuem jurisdição, apenas um deles será competente para resolver determinado caso. Estudar a competência interna, portanto, é desvendar quem é o juiz concretamente competente. Portanto, a finalidade principal da competência é organizar o sistema judiciário brasileiro, atribuindo a diferentes juízes a jurisdição no caso concreto. Nesse contexto, prevê o art. 42, do NCPC: Art. 42. As causas cíveis serão processadas e decididas pelo juiz nos limites de sua competência, RESSALVADO às partes o direito de instituir juízo arbitral, na forma da lei. O NCPC não aborda a competência nos processos que não tratam de causas cíveis, excluindo, portanto, aos processos criminais. Além disso, dentro dos processos de natureza cível que seguem a distribuição de competência do NCPC, devemos excluir o processo do trabalho, que possui Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 50 de 155 relativa de competência, conferindo às partes possibilidade de, em regra, derrogar tal competência pela vontade das partes. Embora haja legislação extravagante sobre o tema, o assunto é preponderantemente tratado entre os arts. 42 a 63, do NCPC. Eles servirão para definir, dentro da competência da justiça comum estadual ou federal, onde a demanda será proposta. Critério funcional No critério funcional são levados em consideração aspectos internos do processo, relacionando-se com as atribuições do magistrado na marcha processual. O critério funcional envolve a distinção entre: ª competência originária e recursal; ª competência de acordo com a fase do processo (cognição, cautelar ou execução); ª competência em razão de assunção de competência, instituto próprio do NCPC, que está previsto no art. 947; ª competência decorrente de arguição de inconstitucionalidade em controle difuso, disciplinada no NPCP, no art. 948. 4.4 - Justiças Cíveis A distribuição da competênciano Brasil é efetuada a partir da Constituição, que atribui competência ao STF no art. 102, ao STJ no art. 105, à Justiça Federal (arts. 108 e 109) e àV�³MXVWLoDV�HVSHFLDLV´��HOeitoral, militar e trabalhista). Para nós interessa a distribuição de competência civil, razão pela qual não vamos aprofundar o estudo da competência penal e, consequentemente, da Justiça Militar. Feita essa premissa, vamos em frente! Justiça Eleitoral A Justiça Eleitoral tem as regras de competência estabelecida no art. 121 da CF, que atribui à lei complementar a responsabilidade para fixar a competência da Justiça Federal. Como essa lei não foi editada, é utilizado o Código Eleitoral, lei ordinária recepcionada como lei complementar. A definição da competência da Justiça Eleitoral é feita pela causa de pedir (os fundamentos de fato e de direito), abrangendo o que envolver o sufrágio (eleições, plebiscito e referendos) e questões político-partidárias. Justiça do Trabalho Novamente com base na causa de pedir, será da competência da Justiça do Trabalho os processos que envolverem as relações de trabalho, nos termos previstos no art. 114, da CF. Justiça Federal A competência da Justiça Federal é assentada em dois elementos da ação: em razão das partes no processo ou em razão da causa de pedir. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 51 de 155 O critério mais comum é o da parte, em vista do que estabelece o art. 109, I, da CF, segundo o qual é da competência da Justiça Federal processar e julgar ações que tenha como parte a União, autarquias federais (por exemplo, INSS, IBAMA) e empresas públicas federais (por exemplo, Caixa Econômica Federal e Correios). É importante destacar que não compete à Justiça Federal o julgamento de ações de sociedades de economia mista federal, como é o caso do Banco do Brasil e da Petrobrás. Além disso, temos no art. 109, da CF, quatro exceções que, embora a parte seja a União, autarquia federal ou empresa pública, o processo não será julgado perante a Justiça Federal. Essas mesmas hipóteses estão disciplinadas expressamente nos inc. I e II do art. 45, do NCPC São eles: ª matéria trabalhista (por exemplo, reclamatória trabalhista contra a Caixa Econômica); ª matéria eleitoral (por exemplo, autuação irregular efetuada pelo Correios no bojo de processo eleitoral cível); ª falência e recuperação judicial; e ª acidente de trabalho típico, quando o INSS é parte. Contudo, a competência da Justiça Federal poderá ser definida pela causa de pedir, por exemplo, em ações fundadas na aplicação de tratados e de convenções internacionais. Aqui não interessa a parte que está presente na ação, mas a causa de pedir, conforme se extrai da leitura do inc. III do art. 109 da CF: Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: III - as causas fundadas em tratado ou contrato da União com Estado estrangeiro ou organismo internacional; Outro exemplo, são as demandas que envolvem a disputa sobre direitos indígenas. Veja: Art. 109. Aos juízes federais compete processar e julgar: XI - a disputa sobre direitos indígenas. Para finalizar o tópico, resta estudar os §§ do art. 45, do NCPC. Ocorre, na prática, a situação de muitos processos iniciarem perante o poder judiciário estadual e, em seu curso, ocorrer o ingresso um ente público na demanda. Se houver intervenção da União, de autarquia ou empresas públicas federais, o processo deverá ser remetido à Justiça Federal para avaliar se há ou não interesse da União. Por exemplo, no processo entre dois particulares se a União tentar o ingresso relatando possuir interesse na causa, o magistrado da Justiça Comum deverá encaminhar o processo para o juiz federal para deliberar se há ou não competência. Se o magistrado federal entender que há competência do ente federal, esse ente se tornará parte interessada e o processo será conduzido perante a Justiça Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 52 de 155 Federal. Se o magistrado federal entender que o processo não é da competência da Justiça Federal determinará a exclusão do ente federal e fará a devolução dos autos para julgamento perante o poder judiciário comum. Ao retornar o processo, o magistrado estadual não poderá suscitar o conflito de competência. Veja o dispositivo do NCPC: Art. 45. Tramitando o processo perante outro juízo, os autos serão remetidos ao juízo federal competente se nele intervier a União, suas empresas públicas, entidades autárquicas e fundações, ou conselho de fiscalização de atividade profissional, na qualidade de parte ou de terceiro interveniente, exceto as ações: I - de recuperação judicial, falência, insolvência civil e acidente de trabalho; II - sujeitas à justiça eleitoral e à justiça do trabalho. § 1o Os autos NÃO serão remetidos se houver pedido cuja apreciação seja de competência do juízo perante o qual foi proposta a ação. § 2o Na hipótese do § 1o, o juiz, ao não admitir a cumulação de pedidos em razão da incompetência para apreciar qualquer deles, não examinará o mérito daquele em que exista interesse da União, de suas entidades autárquicas ou de suas empresas públicas. § 3o O juízo federal restituirá os autos ao juízo estadual sem suscitar conflito se o ente federal cuja presença ensejou a remessa for excluído do processo. Ainda, a simples intervenção da União, de entidade autárquica ou de empresa pública federal é o suficiente para a remessa dos Autos à Justiça Federal. É exatamente nesse sentido, a Súmula STJ 150, segundo a TXDO�³compete à Justiça Federal decidir sobre a existência de interesse jurídico que justifique a presença, no processo, da União, suas autarquias ou empresas públicas´. Os §§ 1º e 2º tratam dos pedidos cumulados. Quando houver mais de um pedido e um deles envolver matéria de competência de outro juízo, o processo será extinto em relação àqueles conteúdos que devem ser analisados da justiça comum, prosseguindo o processo tão somente em relação às partes cuja competência é estritamente da Justiça Federal. Com encerramos o estudo das regras relativas à Justiça Federal. Justiça Comum A competência da justiça estadual é determinada por exclusão. Se não for da FRPSHWrQFLD� GDV� ³MXVWLoDV� HVSHFLDLV´� RX� GD� -XVWLoD� )HGHUDO�� VHUi� DWULEXtGD� DR� poder judiciário comum estadual. Para encerrar, vamos tratar de um ponto específico que envolve a delegação de competência material. Isso acontece excepcionalmente e a competência será delegada à Justiça Comum dada a capilaridade desse órgão judicial. São duas as hipóteses de delegação: 1ª hipótese: assunção da competência da Justiça Federal (art. 109, §3º, da CF) Nos foros onde não houver vara da Justiça Federal, os juízes estaduais serão competentes para julgar os processos relacionados a benefícios previdenciárias de segurados ali domiciliados, a ser ajuizada contra o INSS. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 53 de 155 Além disso, prevê o art. 103, §3º, da CF, que poderá ser editada uma lei federal para ampliar a competência da Justiça Estadual delegada da Federal desde que não haja vara federal na comarca. 2ª hipótese: assunção da competência da Justiça do Trabalho (art. 112, da CF) Nos casos onde não houver vara do trabalho no local de residência do trabalhador, será possível ajuizar a reclamatória perante o juiz estadual. Esse dispositivo, contudo, depende de lei para conferir aplicabilidade. Veja o dispositivo da CF: Art. 112. A lei criará varas da Justiça do Trabalho, podendo, nas comarcas não abrangidas por sua jurisdição, atribuí-la aos juízes de direito, com recurso para o respectivo Tribunal Regional do Trabalho. 4.5 - Competência Territorial no NCPC O art. 46, do NCPC, afirma a regra clássica de distribuição de competência quandoenvolver questões de direito pessoal e de direito real fundada em bens móveis. A regra é a competência do foro do domicílio do réu. Veja: Art. 46. A ação fundada em direito pessoal ou em direito real sobre bens móveis será proposta, em regra, no foro de domicílio do réu. § 1o Tendo mais de um domicílio, o réu será demandado no foro de qualquer deles. § 2o Sendo incerto ou desconhecido o domicílio do réu, ele poderá ser demandado onde for encontrado ou no foro de domicílio do autor. § 3o Quando o réu não tiver domicílio ou residência no Brasil, a ação será proposta no foro de domicílio do autor, e, se este também residir fora do Brasil, a ação será proposta em qualquer foro. § 4o Havendo 2 (dois) ou mais réus com diferentes domicílios, serão demandados no foro de qualquer deles, à escolha do autor. § 5o A execução fiscal será proposta no foro de domicílio do réu, no de sua residência ou no do lugar onde for encontrado. Podemos esquematizar esse dispositivo de duas formas: ações fundadas em direito pessoal ou direito real sobre bens móveis em geral e execuções fiscais. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 57 de 155 No art. 50, do NCPC, está fixo o foro do domicílio do representante ou do assistente para ações que o incapaz for réu. Art. 50. A ação em que o incapaz for réu será proposta no foro de domicílio de seu representante ou assistente. O art. 51, do NCPC, reproduz o que nós temos no art. 109, §§ 1º e 2º da CF, a respeito da competência da Justiça Federal, ao determinar que: ª nas ações ajuizadas pela a União o foro competente será o domicílio do réu; e O réu deve ajuizar a demanda no foro que abrange o seu domicílio, ainda que não haja propriedade órgão da Justiça Federal naquela cidade. Por exemplo, se na localidade não houver órgão jurisdicional federal, a ação será proposta perante a Vara Federal que é responsável territorialmente por aquela localidade. ª nas ações ajuizadas contra a União, o jurisdicionado tem três possibilidades: a) foro do domicílio; b) no local do ato ou fato; c) no foro da situação da coisa; ou d) Distrito Federal. Veja o dispositivo: Art. 51. É competente o foro de domicílio do réu para as causas em que seja autora a União. Parágrafo único. Se a União for a demandada, a ação poderá ser proposta no foro de domicílio do autor, no de ocorrência do ato ou fato que originou a demanda, no de situação da coisa ou no Distrito Federal. O art. 52 é outra novidade no NCPC e aborda as ações que envolverem Estado da Federação ou o Distrito Federal. De acordo com dispositivo, é competente o foro do domicílio do réu nas ações em que o Estado ou o Distrito forem autores. Agora, quando o Estado ou Distrito Federal forem demandados, a competência será do foro do domicílio do autor, do foro de ocorrência do ato ou fato que originou a demanda, do foro da situação da coisa ou do foro da capital do respectivo ente federado. Veja: Art. 52. É competente o foro de domicílio do réu para as causas em que seja autor Estado ou o Distrito Federal. Parágrafo único. Se Estado ou o Distrito Federal for o demandado, a ação poderá ser proposta no foro de domicílio do autor, no de ocorrência do ato ou fato que originou a demanda, no de situação da coisa ou na capital do respectivo ente federado. Pergunta-se: Qual a distinção da regra de competências das ações propostas contra a União e contra o Estados e Distrito Federal? NENHUMA! São mesmas regras! Assim... Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 59 de 155 II - de domicílio ou residência do alimentando, para a ação em que se pedem alimentos; No caso do incs. III a IV temos algumas regras específicas, cuja leitura atenta se faz necessária: III - do lugar: a) onde está a sede, para a ação em que for ré pessoa jurídica; b) onde se acha agência ou sucursal, quanto às obrigações que a pessoa jurídica contraiu; c) onde exerce suas atividades, para a ação em que for ré sociedade ou associação sem personalidade jurídica; d) onde a obrigação deve ser satisfeita, para a ação em que se lhe exigir o cumprimento; e) de residência do idoso, para a causa que verse sobre direito previsto no respectivo estatuto; f) da sede da serventia notarial ou de registro, para a ação de reparação de dano por ato praticado em razão do ofício; IV - do lugar do ato ou fato para a ação: a) de reparação de dano; b) em que for réu administrador ou gestor de negócios alheios; V - de domicílio do autor ou do local do fato, para a ação de reparação de dano sofrido em razão de delito ou acidente de veículos, inclusive aeronaves. Finalizamos mais um ponto muito relevante! 4.6 ± Método para Identificar o Juízo Competente Existem vários métodos criados para identificação do competência. Esses métodos trilham um caminho que deve ser observado para determinar exatamente qual é o Juízo competente. Vamos utilizar um dos métodos sugeridos por Fredie Didier Jr.10: 10 DIDER JR., Fredie. Curso de Direito Processual Civil: introdução ao Direito Processual Civil, Parte Geral e Processo de Conhecimento. Vol. 1, 18ª edição, rev., ampl. e atual., Bahia: Editora JusPodvim, 2016, p. 214. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 68 de 155 § 4º SALVO decisão judicial em sentido contrário, conservar-se-ão os efeitos de decisão proferida pelo juízo incompetente até que outra seja proferida, se for o caso, pelo juízo competente. O art. 65, por sua vez, estabelece a prorrogação da competência relativa: Art. 65. Prorrogar-se-á a competência relativa SE o réu NÃO alegar a incompetência em preliminar de contestação. Parágrafo único. A incompetência relativa pode ser alegada pelo Ministério Público nas causas em que atuar. Confira uma questão: (TRT23ªR/Juiz do Trabalho Substituto/2014) Analise as proposituras abaixo e responda: I) A Jurisdição é uma função do Estado, por meio da qual ele soluciona os conflitos de interesse de forma coercitiva, aplicando a lei geral e abstrata aos casos concretos que lhe são submetidos. II) A Jurisdição possui como características a substitutividade, a definitividade, imperatividade, inafastabilidade, a inércia e indelegabilidade. III) Reconhecida a incompetência absoluta, deve o juiz remeter os autos ao juízo competente, sendo nulos os atos decisórios praticados até então. Mesmo que a sentença transite em julgado, a incompetência absoluta ensejará o ajuizamento de ação rescisória. IV) A incompetência relativa deve ser arguida por meio de exceção de incompetência, no prazo da contestação, sob pena de preclusão, contudo o juiz poderá declará-la de ofício, caso haja prejuízo para quaisquer das partes. V) As ações possessórias em regra são consideradas reais imobiliárias e a competência para julgá-las é do foro de situação da coisa. a) Apenas a propositura IV é falsa. b) São verdadeiras apenas as assertivas I, II e V. c) São verdadeiras apenas as assertivas II, III e V. d) Apenas a propositura V é falsa. e) As assertivas I e IV são corretas. O item I está perfeito e retrata o conceito clássico de jurisdição. O item II também está correto, retratando características relevantes da jurisdição. Importante registrar que a imperatividade é considerada por alguns como característica, dado o poder de ser lei no caso concreto. O item III está incorreto à luz do NCPC, conforme consta do §4º, do art. 64, exceto no caso de decisão judicial em sentido contrário, conservar-se-ão os efeitos de decisão proferida pelo juízo incompetente até que outra seja proferida, se for o caso, pelo juízo competente. O item IV também está incorreto à luz do NCPC, pois a incompetência relativa deve ser arguida em preliminar de contestação. Alémdisso, não poderá ser declarada e ofício. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 70 de 155 declinada, exceto se ele remeter a ação a um terceiro juiz. Esse terceiro poderá acolher a competência ou, se não concordar, deverá suscitar o conflito. Importante registrar que o julgamento do conflito de competência se dá pela autoridade judiciária superior ao dois ou mais juízes conflitantes e será sempre um tribunal. Veja alguns exemplos: ª se o conflito for entre dois Juízes do mesmo estado Æ competência do TJ ª se o conflito for entre dois Juízes Federais do mesmo TRF Æ competência do TRF ª se o conflito for entre juízes estaduais de Estados distintos Æ competência do STJ ª se o conflito for entre juízes federais de Estados distintos Æ competência do STJ ª se for conflito entre juiz estadual e juiz federal Æ competência do STJ 5 - Cooperação Nacional Para finalizarmos o conteúdo teórico pertinente à aula de hoje, vamos estudar a questão relativa à cooperação nacional, estabelecida entres os arts. 67 e 69 do NCPC. Os órgãos jurisdicionais devem atuar em cooperação recíproca na condução da atividade jurisdicional, independentemente da instância ou se da justiça estadual ou federal. É o que estabelece o art. 67: Art. 67. Aos órgãos do Poder Judiciário, estadual ou federal, especializado ou comum, em todas as instâncias e graus de jurisdição, inclusive aos tribunais superiores, incumbe o dever de recíproca cooperação, por meio de seus magistrados e servidores. Nesse contexto, podem ser praticados quaisquer atos processuais no exercício da cooperação, conforme prevê o art. 68. Já o art. 69 estabelece alguns exemplos de atos que podem ser praticados pela via da cooperação, sem a necessidade de maiores formalidades. Leia: Art. 68. Os juízos poderão formular entre si pedido de cooperação para prática de QUALQUER ato processual. Art. 69. O pedido de cooperação jurisdicional deve ser prontamente atendido, prescinde de forma específica e pode ser executado como: I - auxílio direto; II - reunião ou apensamento de processos; III - prestação de informações; IV - atos concertados entre os juízes cooperantes. § 1o As cartas de ordem, precatória e arbitral seguirão o regime previsto neste Código. § 2o Os atos concertados entre os juízes cooperantes poderão consistir, além de outros, no estabelecimento de procedimento para: I - a prática de citação, intimação ou notificação de ato; II - a obtenção e apresentação de provas e a coleta de depoimentos; III - a efetivação de tutela provisória; IV - a efetivação de medidas e providências para recuperação e preservação de empresas; V - a facilitação de habilitação de créditos na falência e na recuperação judicial; Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 72 de 155 b) Na ação de alimentos contra o pai, o menor de dezesseis anos de idade tem legitimidade para o processo, mas não goza de legitimidade para a causa. c) O direito a determinada prestação jurisdicional se esgota com o simples exercício do direito de ação. d) Conforme a teoria concreta da ação, o direito de agir é autônomo e independe do reconhecimento do direito material supostamente violado. e) Na hipótese de legitimidade extraordinária, a presença e a higidez dos pressupostos processuais serão examinadas em face da parte substituída. Questão 02 ± FCC/DPE-RR ± Oficial de Diligência ± 2015 O interesse do autor da ação a) não pode se limitar à declaração da existência de relação jurídica, caso já tenha ocorrido a violação do direito. b) pode se limitar à declaração da inexistência de relação jurídica, ainda que tenha ocorrido a violação do direito. c) não pode se limitar à declaração da autenticidade ou falsidade de documento, ainda que tenha ocorrido a violação do direito. d) pode se limitar à declaração da existência de relação jurídica, mas não da sua inexistência, independentemente de eventual violação do direito. e) pode se limitar à declaração da existência de relação jurídica, mas apenas se já tiver ocorrido a violação do direito. Questão 03 ± FCC/TRT-9ª REGIÃO (PR) ± Técnico Judiciário ± Área Administrativa ± 2015 Se estiverem ausentes as condições da ação, mas o réu nada alegar em contestação, o juiz deve: a) conhecer da matéria de ofício, em qualquer grau de jurisdição, e extinguir o processo sem resolução de mérito. b) dar ao processo curso normal, em razão da preclusão. c) conhecer da matéria de ofício, desde que ainda não tenha ocorrido audiência de instrução, e extinguir o processo com resolução de mérito. d) conhecer da matéria, em qualquer grau de jurisdição, mas apenas se a matéria foi alegada pelo réu no curso do processo, extinguindo-o sem resolução de mérito. e) conhecer da matéria de ofício, em qualquer grau de jurisdição, e extinguir o processo com resolução de mérito. Questão 04 ± CESPE/Telebras ± Advogado ± 2015 A respeito de jurisdição, ação e processo, julgue o item seguinte. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 73 de 155 O interesse de agir, a possibilidade jurídica do pedido e a capacidade processual são condições indispensáveis da ação sem os quais o processo é extinto com a resolução do mérito. Questão 05 ± CESPE/TCU ± Procurador do Ministério Público ± 2015 Acerca de princípios gerais do processo, ação, jurisdição e pressupostos processuais, assinale a opção correta. a) Viola o princípio do juiz natural a criação, em tribunais de justiça, de câmaras para julgamento de ações no período de recesso forense. b) A teoria da asserção só pode ser aplicada antes da apresentação da defesa pelo réu. c) O substituto processual é aquele que está em juízo em nome alheio, defendendo interesse alheio. d) É possível a propositura de ação de cunho declaratório para interpretar decisão judicial. e) No âmbito do processo civil, a imputação de penalidades decorrentes da violação ao princípio da boa-fé limita-se ao autor e ao réu. Questão 06 ± CESPE/TRE-PI ± Analista Judiciário ± Judiciária ± 2016 Tendo em vista que, em uma relação processual, o pronunciamento de mérito está condicionado ao cumprimento de algumas formalidades, tais como a atuação do órgão jurisdicional competente e o tempo dessa atuação, as condições da ação e os pressupostos processuais, assinale a opção correta. a) Transcorrido o prazo legal sem que o jurisdicionado ingresse em juízo para proteger seu direito, opera-se a preclusão do direito de ação. b) Quando a ação for considerada intransmissível por disposição legal, a morte de um dos sujeitos da relação processual provocará a extinção do processo sem resolução de mérito. c) Para não contrariar o princípio da inércia da jurisdição, segundo o qual a jurisdição deve ser provocada, é vedado ao juiz determinar, de ofício, a produção de provas. d) A jurisdição voluntária pode ser exercida extrajudicialmente em casos expressamente autorizados pelo ordenamento jurídico vigente, como nos casos de inventário ou divórcio extrajudiciais. e) O defeito ou a ausência de representação na relação processual provoca, por falta de uma das condições da ação, a extinção do processo sem resolução de mérito. Questão 07 ± FCC/TJ-AL ± Juiz Substituto ± 2015 Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 74 de 155 Em relação à jurisdição, considere os seguintes princípios e características: I. As únicas soluções possíveis para a lide são por meio da jurisdição e pelos mecanismos alternativos da autocomposição e da arbitragem. II. Pelo princípio da indeclinabilidade, a prestação jurisdicional não é discricionária e sim obrigatória para o Estado. III. Pelo princípio da inevitabilidade, tem-se que a jurisdição é atividade pública que cria um estado de sujeição às partes do processo.IV. Nenhum juiz prestará a tutela jurisdicional senão quando a parte ou o interessado a requerer, nos casos e forma legais, é enunciado relativo ao princípio da indelegabilidade das atribuições típicas e refere-se à jurisdição contenciosa e voluntária. Está correto o que se afirma APENAS em a) I e IV. b) II e III. c) I, II e III. d) I, II e IV. e) III e IV. Questão 08 ± VUNESP/TJ-MS ± Juiz Substituto ± 2015 É possível a existência de conflito de competência entre juízo estatal e câmara arbitral? a) Sim, porque a atividade jurisdicional estatal deve prevalecer sobre a decisão arbitral. b) Não, porque a atividade arbitral não tem natureza jurídica compatível para aplicação das normas processuais. c) Não, porque independentemente da natureza da câmara arbitral, inexiste previsão legal para tanto. d) Sim, porque a atividade desenvolvida no âmbito da arbitragem tem natureza jurisdicional. e) Sim, porque embora a atividade arbitral não tenha natureza jurisdicional, não é possível admitir dois entes julgadores. Questão 09 ± CEPERJ ± Prefeitura de Saquarema-RJ ± Procurador ± 2015 São inúmeras as classificações das ações. Uma delas, a considerada clássica, estabelece que as ações podem ser consideradas cognitivas, cautelares e executivas. Outra, preconizada por Pontes de Miranda, utiliza critérios diversos, dentre os quais avulta o da ação: a) social Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 75 de 155 b) mandamental c) inibitória d) preventiva e) repressiva Questão 10 ± FCC/MPE-PB ± Técnico Ministerial ± Sem Especialidade ± 2015 A respeito da ação e da jurisdição, considere: I. O direito de ação depende do direito material ou da eventual relação jurídica entre as partes. II. O direito de ação é o direito subjetivo público de pleitear ao Poder Judiciário uma decisão sobre uma pretensão. III. A jurisdição é o poder, função e atividade de aplicar o direito a um fato concreto pelos órgãos públicos destinados a tal, obtendo-se a justa composição da lide. Está correto o que se afirma APENAS em a) II e III. b) I e II. c) II. d) I. e) III. Questão 11 ± INSTITUTO AOCP/EBSERH ± Advogado ± 2015 ± Adaptada ao NCPC O interesse de agir é a) condição da ação. b) intervenção iussu iudicis. c) pressuposto processual. d) faculdade da ação. e) litisconsórcio. Questão 12 ± FGV/DPE-RO ± Técnico da Defensoria Pública ± Oficial de Diligência ± 2015 O Ministério Público, por seu Promotor de Justiça com atribuição para o feito, ajuizou ação de investigação de paternidade em face de João, para que fosse reconhecida a sua condição de pai em relação ao menor José, ainda sem registro. A legitimidade com que o autor da demanda atua no caso é: a) ordinária; Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 76 de 155 b) passiva; c) ativa; d) mista; e) extraordinária. Questão 13 ± FUNIVERSA/PC-DF ± Delegado de Polícia ± 2015 Assinale a alternativa correta acerca da jurisdição e de sua natureza, seus princípios e suas características. a) A jurisdição, atividade de poder decorrente da soberania, é una, mas seu exercício é fragmentado pela distribuição de competências a diversos órgãos judiciais. O ordenamento brasileiro admite, assim, a justaposição de competências, mas não de diferentes jurisdições. b) A atividade jurisdicional submete as demais funções estatais ao seu controle. A jurisdição mesma, porém, é controlada, via de regra, pela própria jurisdição, apenas admitindo-se excepcionalmente o seu controle externo pela administração e pelo Legislativo. c) A realização do direito objetivo é traço caracterizador da jurisdição, suficientemente apto a distingui-la das demais atividades estatais. d) A jurisdição é atividade criativa, visto que o julgador pensa até o final o que foi pensado antes pelo legislador, cabendo ao juiz-intérprete produzir a norma jurídica individualizada por meio de processo hermenêutico e linguístico que, a rigor, não conhece limites. e) O juiz natural é princípio jurisdicional que visa a resguardar a imparcialidade e que pode ser desmembrado em tripla significação: no plano da fonte, cabe à lei instituir o juiz e fixar-lhe a competência; no plano temporal, juiz e competência devem preexistir ao tempo do caso concreto objeto do processo a ser submetido à apreciação; e no plano da competência, a lei, anterior, deve prever taxativamente a competência, excluindo juízos ad hoc ou de exceção. Questão 14 ± FCC/TCM-GO ± Procurador do Ministério Público de Contas ± 2015 ± Adaptada ao NCPC Quanto à ação e à jurisdição no direito processual civil, é correto afirmar: a) Preenchidos ou não os pressupostos de interesse de agir e legitimidade da parte, o juiz sempre deverá dizer quem tem razão, ao proferir uma sentença de procedência ou improcedência b) A jurisdição é inerte, precisando que o autor ou interessado tome a iniciativa de movimentá-la, o que se faz por meio do direito de ação, exercido contra o Estado, em face da parte adversa. c) A jurisdição, entre nós, exercida por meio da ação, é um direito sujetivo privado exercido contra o adversário e coordenado pelo Estado. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 77 de 155 d) A existência do direito de ação é condicionada à ocorrência do próprio direito material postulado. e) Tanto o direito de acesso à justiça como o direito de ação em sentido estrito são incondicionados, devendo o juiz apreciar necessariamente o mérito da causa. Questão 15 ± FGV/TJ-BA ± Técnico Judiciário ± Escrevente ± Área Judiciária ± 2015 A jurisdição representa uma atividade estatal voltada à composição dos conflitos de interesses. No Brasil, uma das características fundamentais da jurisdição é a: a) inércia; b) diametricidade; c) eleição direta; d) dualidade; e) formalidade. Questão 16 ± VUNESP/PC-CE ± Delegado de Polícia Civil de 1ª Classe ± 2015 Sobre o princípio do juiz natural, é correto afirmar: a) faz referência à necessidade dos magistrados serem brasileiros, natos ou naturalizados. b) tem relação com a prerrogativa de foro para determinadas pessoas, em razão do cargo ou função que ocupam. c) garante que o juiz que primeiro conhecer a causa deve necessariamente julgá-la. d) dispõe sobre a forma de promoção dos juízes, por antiguidade ou por merecimento. e) está ligado à competência jurisdicional, imparcialidade do órgão julgador e vedação aos tribunais de exceção. Questão 17 ± MPE-GO/MPE-GO ± Promotor de Justiça Substituto ± 2014 O objeto material do processo é: a) A pretensão do autor. b) A admissibilidade do julgamento de mérito. c) A legitimidade ad causam. d) A representação por advogado devidamente constituído. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 78 de 155 Questão 18 ± LEGALLE Concursos/Prefeitura de Silveira Martins-RS ± Procurador Jurídico ± 2014 Sobre jurisdição e ação, conforme o Código de Processo Civil, assinale a alternativa incorreta. a) A jurisdição civil, contenciosa e voluntária, é exercida pelos juízes, em todo o território nacional. b) O juiz poderá prestar a tutela jurisdicional mesmo quando a parte ou interessado não a requerer, nos casos e forma legais. c) Para propor ou contestar a ação é necessário ter interesse e legitimidade. d) O interesse do autor pode limitar-se à declaração da existência ou da inexistência de relação jurídica ou da autenticidade ou falsidade de documento. e) Se, no curso do processo, se tornar litigiosa relação jurídica de cuja existência ou inexistência depender o julgamento da lide, qualquer das partes poderá requerer que o juiz a declare por sentença. Questão 19 ± FCC/DPE-CE ± Defensor Público de Entrância Inicia ± 2014 No tocante à jurisdição,examine os enunciados seguintes: I. Tecnicamente, a atividade jurisdicional é sempre substitutiva das atividades dos sujeitos envolvidos no conflito, a quem a ordem jurídica proíbe, como regra, atos de autodefesa. II. O caráter substitutivo da jurisdição está presente nas situações envolvendo particulares, mas não quando um dos sujeitos litigantes é o próprio Estado, pois nesse caso haveria identidade de funções e de atividades estatais. III. Da natureza da jurisdição decorre sua definitividade, que é caracterizada pela imunização dos efeitos dos atos realizados, cujo maior grau, outorgado pela ordem jurídica, é a autoridade da coisa julgada material. É correto o que se afirma APENAS em a) I b) II c) II e III. d) I e II. e) I e III. Questão 20 ± FGV/TJ-RJ ± Técnico de Atividade Judiciária ± 2015 A alternativa que alude apenas aos elementos da ação é: Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 79 de 155 a) órgão jurisdicional, partes e pedido; b) órgão jurisdicional, causa de pedir e demanda; c) partes, causa de pedir e pedido; d) partes, interesse processual e pedido; e) causa de pedir, interesse processual e demanda. Questão 21 ± FGV/Câmara Municipal do Recife-PE ± Assessor Jurídico ± 2014 A teoria adotada no direito processual civil brasileiro que norteia a aferição, no caso concreto, da presença, ou não, das condições para o regular exercício da ação, é a da: a) asserção; b) substanciação; c) individuação; d) causa madura; e) concreta da ação. Questão 22 ± FCC/DPE-PB ± Defensor Público ± 2014 ± Adaptada ao NCPC Em relação à ação, é correto afirmar: a) Os elementos da ação são as partes, o pedido e a causa de pedir, servindo para identificá-la. b) Se os elementos da ação forem idênticos, ter-se-á a configuração de continência ou conexão, conforme a natureza da demanda. c) Se os elementos da ação forem semelhantes, ter-se-á a caracterização de litispendência ou coisa julgada. d) O direito de ação em sentido estrito é incondicionado, por decorrer do direito de acesso à justiça. e) O interesse de agir e a legitimidade constituem condições da ação. Questão 23 ± FCC/DPE-PB ± Defensor Público ± 2014 "Toda pessoa que se acha no exercício dos seus direitos tem capacidade para estar em juízo". Este conceito é a) falso, porque é preciso ser advogado para se ter a capacidade processual e para se estar em juízo. b) verdadeiro e diz respeito à capacidade postulatória, a ser exercida em regra por meio de advogados que representem a parte. c) verdadeiro e diz respeito à legitimação processual, conceito que se confunde com o de capacidade para estar em juízo. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 80 de 155 d) falso, porque é preciso a maioridade civil para se estar em juízo e poder exercer pessoalmente a capacidade postulatória nos autos. e) verdadeiro e diz respeito à capacidade processual, que não se confunde com a capacidade postulatória. Questão 24 ± VUNESP/DPE-MS ± Defensor Público ± 2014 No tocante à ação, adotou o Código de Processo Civil brasileiro a teoria a) imanentista. b) eclética. c) da ação concreta. d) da ação como direito potestativo. Questão 25 ± CESPE/TJ-SE ± Titular de Serviços de Notas e de Registros ± Remoção ± 2014 A respeito da jurisdição e da ação, assinale a opção correta. a) Segundo a teoria da asserção, as condições da ação devem ser verificadas conforme as afirmações do autor, antes de produzidas as provas. b) Dado o princípio da indeclinabilidade, o juiz não pode delegar a jurisdição a outra pessoa. c) Conforme a doutrina majoritária, a mediação está inserida na atividade jurisdicional. d) De acordo com a teoria clássica da ação, desenvolvida por Friedrich Savigny, a ação é o direito a uma sentença favorável. e) Na teoria concretista, defendida por Adolf Wach, não se reconhece a autonomia do direito de ação. Questão 26 ± CESPE/Câmara dos Deputados ± Analista Legislativo ± 2014 Julgue o item seguinte, relativo à teoria e às condições da ação. Conforme a teoria da asserção, majoritariamente adotada pela doutrina, na análise das condições da ação, deve-se considerar o que foi afirmado pela parte autora na inicial. Essa análise permite que o magistrado, ao ter contato com o processo, pronuncie-se a respeito das condições da ação. Questão 27 ± FCC/TCE-PI ± Assessor Jurídico ± 2014 Referente à jurisdição, é INCORRETO afirmar: a) A função jurisdicional tem caráter substitutivo, busca solucionar os conflitos de interesses aplicando a lei ao caso concreto e pode produzir decisões definitivas e imutáveis. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 81 de 155 b) Em relação ao objeto, a jurisdição classifica-se em civil, penal e trabalhista; no tocante à hierarquia, em superior e inferior, tendo a justiça federal prevalência sobre a justiça estadual de mesma instância. c) Os juízes só podem prover a jurisdição dentro do território nacional, respeitados os limites de sua competência, que vem a ser a medida territorial da jurisdição. d) A jurisdição é inafastável, isto é, a lei não pode excluir da apreciação do Poder Judiciário nenhuma lesão ou ameaça a direito. e) A jurisdição é obrigatória, ou seja, mesmo que não haja lei aplicável ao caso concreto, o juiz não poderá escusar-se de julgar invocando a lacuna, devendo fazê-lo com base na analogia, usos e costumes e princípios gerais de direito. Questão 28 ± FCC/TRT-14ª ± TJAA ± 2016 Isael, advogado, viaja para a Espanha para fazer um curso com duração de 6 meses na Universidade de Salamanca. Durante o trâmite do curso, Isael acaba se envolvendo em um acidente automobilístico e vem a óbito no local. Isael tem domicílio na cidade de Guajará-Mirim, Rondônia, onde reside sozinho há mais de dez anos e todos os seus bens imóveis estão situados na cidade de Salvador (Bahia), onde nasceu e foi criado. Os filhos de Isael, únicos herdeiros, residem na cidade de São Paulo, onde cursam universidades. Isael saiu do Brasil rumo à Espanha do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Neste caso, nos termos estabelecidos pelo Código de Processo Civil, a competência para processamento do inventário será o foro da a) comarca de São Paulo, onde residem os herdeiros do falecido. b) comarca do Rio de Janeiro, último local onde o falecido esteve no Brasil. c) comarca de Salvador, onde estão situados os bens imóveis do falecido. d) cidade de Salamanca, na Espanha, onde ocorreu o óbito. e) comarca de Guajará-Mirim, no estado de Rondônia, onde está situado o domicílio do autor da herança. Questão 29 ± FCC - DPE/BA ± Defensor - 2016 Sobre a competência, a) a ação fundada em direito real sobre bem móvel será proposta, em regra, no foro da situação da coisa. b) a ação possessória imobiliária será proposta no foro da situação da coisa, cujo juízo tem competência absoluta. c) são irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente ao registro ou à distribuição da petição inicial, ainda que alterem competência absoluta. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 82 de 155 d) serão remetidos à Justiça Federal os processos nos quais intervier a União, incluindo as ações de recuperação judicial e falência. e) uma vez remetidos os autos à Justiça Federal, em razão de intervenção da União, o juízo federal suscitará conflito de competência se, posteriormente, esta for excluída do processo. Questão 30 ± CESPE/TCE-PR ± Auditor ± 2016 A respeito da competência, assinale a opção correta. a) Declarada a incompetência, poderá ser conservado o efeito de decisão proferida por juiz absolutamente incompetente. b) Tendo o réu domicílio certo, a propositura de execução fiscal no foro da sua residência ensejaa extinção do processo caso não seja emendada a inicial. c) Sendo demandado estado da Federação, a ação deverá ser proposta pelo réu, obrigatoriamente, no foro onde tiver ocorrido o ato que deu origem à demanda. d) Por ser matéria de ordem pública, sendo abusiva a cláusula de eleição de foro, a ineficácia pode ser alegada a qualquer momento antes da sentença. e) A atuação do MP como custos legis impede a arguição de incompetência relativa do juízo. Questão 31 ± FGV/TJ-PI ± AJOAF ± 2015 ± adaptada ao NCPC Günther, empresário alemão com domicílio em Teresina/PI, vem a falecer durante visita à Alemanha, deixando bens em território brasileiro. Nesse caso, à luz do disposto na Constituição e no Código de Processo Civil, a justiça brasileira: a) não é competente para conhecer de ações em que o espólio de Günther for réu, nem para processar o inventário de seus bens; b) é competente para processar o inventário dos bens deixados por Günther no Brasil, bem como para conhecer de ações em que o seu espólio for réu; c) é competente para processar o inventário dos bens deixados por Günther no Brasil e no exterior, mas não para conhecer de ações em que o seu espólio for réu; d) é competente para processar o inventário dos bens deixados por Günther no Brasil, mas não para processar o inventário de eventuais bens deixados no exterior e conhecer de ações em que o seu espólio for réu; e) é competente para processar o inventário dos bens deixados por Günther no Brasil e no exterior, bem como para conhecer de ações em que o seu espólio for réu. Questão 32 ± CESPE/TRE-RS ± AJAJ ± 2015 Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 83 de 155 Os órgãos do Poder Judiciário exercem a jurisdição, que é delimitada seguindo-se as regras de distribuição da competência previstas no ordenamento jurídico brasileiro. Acerca desse assunto, assinale a opção correta. a) O réu deve, por meio de exceção, alegar a incompetência absoluta, sob pena de preclusão, momento em que se prorrogará a competência do foro. b) A incompetência absoluta, por não constituir matéria de ordem pública, não pode ser reconhecida pelo juiz de ofício, devendo a parte alegá-la na primeira oportunidade em que couber citá-la nos autos, sob pena de responder integralmente pelas custas. c) A doutrina classifica a jurisdição, quanto ao organismo que a exerce, como comum e especial. A jurisdição comum é exercida pela justiça estadual, enquanto a jurisdição especial é exercida pelas justiças federal, trabalhista, eleitoral e militar. d) A incompetência absoluta do juízo pode ser reconhecida de ofício, inclusive em embargos infringentes e em reexame necessário. e) Havendo conexão, o juiz pode ordenar a reunião de ações propostas separadamente, a fim de que sejam decididas simultaneamente. Correndo em separado as ações conexas perante juízes que têm a mesma competência territorial, considera-se prevento aquele que promoveu a juntada da citação válida em primeiro lugar. Questão 33 ± CESPE/TRE-MT ± AJAJ ± 2015 ± adaptada ao NCPC Assinale a opção correta, no que se refere à competência no processo civil. a) A competência estabelecida por critérios em razão do valor e territorial podem ser prorrogados em razão da conexão, continência e inércia da parte. b) Havendo conexão entre demandas, se os diferentes juízos para os quais foram distribuídas as ações não tiverem a mesma competência territorial, a prevenção será daquele que primeiro realizou a citação válida do réu. c) Em se tratando de ação fundada em direito real sobre imóvel, a competência é relativa se o litígio recai sobre direito de vizinhança. d) Distribuídas ações a diferentes juízos, para a modificação da competência pela conexão, exige-se a demonstração de que entre as demandas há identidade do objeto e da causa de pedir. e) A declaração de incompetência absoluta importa em reconhecimento da invalidade de todos os atos até então praticados perante o juízo incompetente. Questão 34 ± FCC/TRE-PB ± AJAA ± 2015 No tocante a competência interna prevista no Código de Processo Civil brasileiro, considere: Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 84 de 155 I. Sendo incerto ou desconhecido o domicílio do réu, ele será demandado onde for encontrado ou no foro do domicílio do autor. II. Havendo dois ou mais réus, com diferentes domicílios, serão demandados necessariamente no foro do autor. III. A competência em razão da matéria e da hierarquia é inderrogável por convenção das partes; mas estas podem modificar a competência em razão do valor e do território, elegendo foro onde serão propostas as ações oriundas de direitos e obrigações. IV. A competência, em razão do valor e do território, poderá modificar-se pela conexão ou continência. Está correto o que se afirma APENAS em: a) I, III e IV. b) II e III. c) I, II e IV. d) II e IV. e) I e III. Questão 35 ± FCC/TRE-AP ± AJAA ± 2015 Considere as seguintes hipóteses: O Processo A e o Processo B possuem em comum o objeto. O Processo C e o Processo D possuem em comum a causa de pedir. Nestes casos, a) há continência entre os processos A e B e entre os processos C e D. b) há conexão entre os processos A e B e entre os processos C e D. c) há conexão entre os processos A e B e continência entre os processos C e D. d) há continência entre os processos A e B e conexão entre os processos C e D. e) não há continência e nem conexão entres os processos A e B, nem entre os processos C e D. Questão 36 ± FCC/TRE-AP ± Analista Judiciário ± Judiciária ± 2015 Considere a seguinte situação hipotética: Marcos, advogado recém formado, irá ajuizar duas ações. A ação A é fundada em direito pessoal e a ação B é fundada em direito real sobre bem móvel. Nestes casos, de acordo com o Código de Processo Civil brasileiro, em regra, a) a ação A será ajuizada no foro do domicílio do autor e a ação B no foro do domicilio do réu. b) ambas as ações serão ajuizadas no foro do domicílio do réu. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 85 de 155 c) a ação A será ajuizada no foro do domicílio do réu e a ação B no foro do domicilio do autor. d) ambas as ações serão ajuizadas no foro do domicílio do autor. e) em ambas as ações o autor poderá escolher entre o foro do domicílio do autor ou do domicílio do réu. Questão 37 ± CONSULPLAN/TJ-MG ± Juiz Leigo ± 2015 ConsiderandoǦse as disposições do Código de Processo Civil vigente sobre a competência dos órgãos jurisdicionais, é correto afirmar que: a) a competência dos órgãos judiciários é estabelecida no momento em que a ação é contestada. b) as ações fundadas em direitos reais sobre bens móveis serão propostas, em regra, no foro do domicílio do autor. c) nas ações de reparação do dano sofrido em razão de delito ou acidente de veículos, será competente o foro do domicílio do réu. d) a autoridade judiciária brasileira é competente para proceder a inventário e partilha de bens situados no Brasil, mesmo que o inventariado seja estrangeiro e tenha residido em outro país. Questão 38 ± CESGRANRIO/LIQUIGÁS ± Professor Júnior ± Direito ± 2015 Sr. X promove ação de cobrança de determinado crédito em face de Sra. Z. Sra. Z é domiciliada em Bebedouro-SP. Sr. X é domiciliado em Sorocaba-SP. A ação é proposta em Presidente Prudente-SP. A ré não apresenta exceção de competência. Nesse caso, ocorrerá a denominada a) prorrogação de competência b) eleição de competência c) convenção de competência d) negação de competência e) declaração de competência Questão 39 ± FGV/TJ-RO ± Técnico Judiciário ± 2015 No curso de um processo, em que o genitor pede em face da genitora a guarda unilateral de seu filho, o juízo identificou que ali já tramitava outro feito referente ao mesmo pedido, emboraformulado pela avó materna em face da genitora. Em razão dessa circunstância, deverá o juiz: a) determinar o prosseguimento de ambos os processos, sem reuni-los, uma vez que as partes não coincidem; Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 86 de 155 b) determinar a reunião de ambos os feitos para julgamento em conjunto, por força da conexão entre as causas e da necessidade de se afastar o risco de prolação de decisões conflitantes; c) extinguir o segundo processo distribuído, porque já está sendo discutida a guarda do menor em outro feito; d) extinguir o segundo processo, porque configurada a hipótese de litispendência; e) determinar a reunião de ambos os feitos para julgamento em conjunto, dada a identidade do polo passivo, embora não ocorra a conexão. Questão 40 ± FUNCAB/Faceli ± Procurador ± 2015 ± adaptada ao NCPC São condições para o provimento final ou legítimo exercício do direito de ação: a) capacidade de fato, interesse de agir e forma prescrita ou não defesa em lei. b) possibilidade jurídica do pedido, existência de direito material e interesse de agir. c) legitimação para a causa, resistência à direito subjetivo e interesse de agir. d) violação de direito, interesse de agir e legitimidade das partes. e) interesse de agir e legitimidade para a causa. Questão 41 ± FCC/TJ-AL ± Juiz Substituto ± 2015 A nulidade da cláusula de eleição de foro, em contrato de adesão, pode ser declarada de ofício pelo juiz, que declinará de competência para o juízo de domicílio do réu. Esta norma refere-se à competência a) em razão da pessoa. b) funcional. c) absoluta. d) relativa. e) em razão da matéria. Questão 42 ± CONSULPLAN/TJ-MG ± Titular de Serviços de Notas e de Registros ± Provimento ± 2015 ± adaptada ao NCPC Sobre a incompetência relativa, observando o CPC, é correto afirmar: a) Pode ser suscitada a qualquer tempo e grau de jurisdição. b) Será decidida por decisão terminativa. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 87 de 155 c) Será arguida em preliminar de contestação. d) Será decidida por sentença definitiva. Questão 43 ± CONSULPLAN/TJ-MG ± Titular de Serviços de Notas e de Registros ± Provimento ± 2015 Quanto à competência absoluta, assinale a opção correta: a) Pode ser alterada apenas até a contestação. b) Pode ser prorrogada por convenção das partes. c) Pode ser prorrogada pelo juiz. d) Não pode ser modificada ou prorrogada pela vontade das partes e do órgão jurisdicional. Questão 44 ± FCC/TCM-RJ ± Auditor ± Substituto de Conselheiro ± 2015 A respeito da competência, considere I. A incompetência absoluta deve ser arguida no âmbito de exceção de incompetência. II. Declarada a incompetência absoluta, todos os atos do processo são declarados nulos, por afrontarem expressa disposição de lei. III. Declarada a incompetência absoluta, o processo é extinto sem resolução de mérito, por ausência de condições da ação. IV. Duas ou mais ações são conexas quando comum o objeto ou a causa de pedir. Está correto o que se afirma APENAS em a) IV. b) II, III e IV. c) I, II e III. d) I, II e IV. e) I e III. Questão 45 ± FCC/TCE-CE ± Analista de Controle Externo ± Atividade Jurídica ± 2015 As ações fundadas em direito real sobre bens a) móveis serão propostas, em regra, no foro do domicílio do réu, tratando- se de competência relativa. b) móveis serão propostas, em regra, no foro da situação da coisa, tratando- se de competência absoluta. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 88 de 155 c) imóveis serão propostas sempre no foro da situação da coisa, tratando- se de competência relativa. d) móveis serão propostas sempre no foro do domicílio do réu, tratando-se de competência absoluta. e) imóveis serão propostas sempre no foro do domicílio do réu, tratando-se de competência absoluta. Questão 46 ± VUNESP/MPE-SP ± Analista de Promotoria ± 2015 ± Adaptada ao NCPC Havendo modificação de competência no curso de um processo, em razão de incompetência absoluta, os atos processuais já praticados a) são ineficazes, devendo a ação prosseguir com nova citação. b) são anuláveis. c) estão automaticamente invalidados. d) podem ser ratificados pelo juízo competente. e) terão seus efeitos conservados, salvo decisão judicial em sentido contrário. Questão 47 ± FCC/TJ-RR ± Juiz Substituto ± 2015 Quanto à competência, a) se reconhecida a incompetência absoluta, o processo será extinto, sem resolução do mérito. b) sua estabilidade se dá com a propositura da ação. c) da decisão que reconhecer a incompetência relativa, não cabe recurso, por ausência de gravame às partes. d) como regra geral, são relevantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente à determinação da competência. e) as ações fundadas em direito real sobre móveis devem ser propostas em regra no foro da situação da coisa, no momento da propositura. Questão 48 ± FCC/TER-RR ± Analista Judiciário ± Área Judiciária ± 2015 No tocante à competência territorial, considere: I. Quando o réu não tiver domicílio nem residência no Brasil, a ação será proposta no foro do domicílio do autor. Se este também residir fora do Brasil, a ação será proposta obrigatoriamente no foro do réu. II. O foro do domicílio do autor da herança, no Brasil, é o competente para o inventário, a partilha, a arrecadação, o cumprimento de disposições de última vontade e todas as ações em que o espólio for réu, exceto se o óbito tenha ocorrido no estrangeiro. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 89 de 155 III. Nas ações de reparação do dano sofrido em razão de delito ou acidente de veículos, será competente o foro do domicílio do autor ou do local do fato. IV. Nas ações fundadas em direito real sobre imóveis é competente o foro da situação da coisa. Pode o autor, entretanto, optar pelo foro do domicílio ou de eleição, não recaindo o litígio sobre direito de propriedade, vizinhança, servidão, posse, divisão e demarcação de terras e nunciação de obra nova. Está correto o que se afirma APENAS em a) I, III e IV. b) I e II. c) I, II e III. d) III e IV. e) II, III e IV. Questão 49 ± CONSULPLAN/TJ-MG ± Titular de Serviços de Notas e de Registro ± 2015 ± adaptada ao NCPC A respeito de competência, marque a alternativa INCORRETA: a) A competência territorial é, em regra, relativa. b) A incompetência territorial deve ser arguida, segundo a norma legal, por meio de preliminar de contestação, na primeira oportunidade em que cumprir à parte se manifestar nos autos. c) Reconhecida a incompetência absoluta, remetem-se os autos ao juiz competente, reputando-se nulos todos os atos praticados, inclusive os decisórios. d) A incompetência absoluta pode ser reconhecida pelo magistrado ex officio. Questão 50 ± FCC/TCM-GO ± Auditor Conselheiro Substituto ± 2015 Quanto à competência, é correto afirmar: a) As mudanças de domicílio do réu, depois de ajuizada a demanda, não alteram a competência, já estabilizada com a propositura da ação. b) Sendo incerto ou desconhecido o domicílio do réu, ele será demandado no foro de seu último domicílio. c) A ação fundada em direito pessoal e a ação fundada em direito real sobre bens móveis serão propostas, em regra, no foro do domicílio do autor. d) A competência é determinada no momento em que a ação é proposta; são, porém, relevantes, como regra geral, as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente. e) A ação intentada perante tribunal estrangeiro induz litispendência, obstando a que a autoridade judiciária brasileira conheça da mesma causa e das que lhe são conexas. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 90 de 155Questão 51 ± FCC/TCM-GO ± Auditor Controle Externo ± Jurídica ± 2015 No tocante à competência, a) ocorrendo em separado ações conexas perante juízes que têm a mesma competência territorial, considera-se prevento aquele que saneou o feito em primeiro lugar. b) a conexão de causas é matéria de ordem privada, dependendo de requerimento da parte para ser conhecida pelo juiz. c) para a ação em que se pedem alimentos, é competente o foro do domicílio ou da residência do alimentante. d) quando decorrer da matéria e do território poderá modificar-se pela conexão ou continência. e) como regra normativa, nas ações de reparação do dano sofrido em razão de delito ou acidente de veículos, será competente o foro do domicílio do autor ou do local do fato. Questão 52 ± CONSULPLAN/TJ-MG ± Titular de Serviços de Notas e de Registros ± 2015 Sobre a conexão entre ações, marque a alternativa correta: a) Ocorrendo a conexão entre ações cujos juízes tem a mesma competência territorial, considera-se prevento aquele que teve o processo distribuído em primeiro lugar. b) Ocorrendo a conexão entre ações cujos juízes tem competência territorial diversa, considera-se prevento aquele que tiver primeiro realizado a citação válida. c) Havendo conexão entre as ações o Juiz não pode ex officio ordenar a reunião das ações propostas em separado. d) Dá-se a conexão entre duas ou mais ações sempre que há identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o objeto de uma, por ser mais amplo, abrange o das outras. Questão 53 ± FGV/TJ-BA ± Técnico Judiciário ± Escrevente ± Área Judiciária ± 2015 A incompetência territorial: a) pode ter natureza absoluta, quando fundada em critérios de ordem pública; b) deve ser alegada na primeira oportunidade, sob pena de preclusão; c) deve ser arguída pela parte que propôs a demanda; d) pode ser conhecida no curso do processo, em qualquer tempo ou grau de jurisdição; Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 93 de 155 Comentários A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. Segundo a teoria da asserção, a presença das condições da ação deve ser analisada pelo juiz com os elementos fornecidos pelo autor na petição inicial, sem qualquer desenvolvimento cognitivo. A alternativa B está incorreta. O menor de 16 anos tem legitimidade ad causam para propor ação contra seu suposto pai, mas não tem legitimidade ad processum, por não ter capacidade para estar em juízo, devendo ser representado. A alternativa C está incorreta. O direito de ação não pode ser apenas contemplado como direito ao exercício da função jurisdicional. Lembre-se da noção de satisfatividade do processo hodierno. A alternativa D está incorreta. A teoria concreta afirma que o direito de agir é autônomo, mas depende do reconhecimento do direito material supostamente violado. Apenas na teoria abstrata é que se postula total distinção. A alternativa E está incorreta. Como a parte que substitui é quem titulariza o direito de ação, os pressupostos processuais serão analisados em face dela. Questão 02 ± FCC/DPE-RR ± Oficial de Diligência ± 2015 O interesse do autor da ação a) não pode se limitar à declaração da existência de relação jurídica, caso já tenha ocorrido a violação do direito. b) pode se limitar à declaração da inexistência de relação jurídica, ainda que tenha ocorrido a violação do direito. c) não pode se limitar à declaração da autenticidade ou falsidade de documento, ainda que tenha ocorrido a violação do direito. d) pode se limitar à declaração da existência de relação jurídica, mas não da sua inexistência, independentemente de eventual violação do direito. e) pode se limitar à declaração da existência de relação jurídica, mas apenas se já tiver ocorrido a violação do direito. Comentários O interesse do autor da ação pode se limitar à declaração da inexistência de relação jurídica, ainda que tenha ocorrido a violação do direito, conforme art. 19 e 20 do NCPC. Art. 19. O interesse do autor pode limitar-se à declaração: I - da existência, da inexistência ou do modo de ser de uma relação jurídica; II - da autenticidade ou da falsidade de documento. Art. 20. É admissível a ação meramente declaratória, ainda que tenha ocorrido a violação do direito. Dessa forma, a alternativa B está correta e é o gabarito da questão. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 94 de 155 Questão 03 ± FCC/TRT-9ª REGIÃO (PR) ± Técnico Judiciário ± Área Administrativa ± 2015 Se estiverem ausentes as condições da ação, mas o réu nada alegar em contestação, o juiz deve: a) conhecer da matéria de ofício, em qualquer grau de jurisdição, e extinguir o processo sem resolução de mérito. b) dar ao processo curso normal, em razão da preclusão. c) conhecer da matéria de ofício, desde que ainda não tenha ocorrido audiência de instrução, e extinguir o processo com resolução de mérito. d) conhecer da matéria, em qualquer grau de jurisdição, mas apenas se a matéria foi alegada pelo réu no curso do processo, extinguindo-o sem resolução de mérito. e) conhecer da matéria de ofício, em qualquer grau de jurisdição, e extinguir o processo com resolução de mérito. Comentários 6H� HVWLYHUHP� DXVHQWHV� DV� ³FRQGLo}HV� GD� DomR´� �OHLD-se, o interesse e a legitimidade), mas o réu nada alegar em contestação, o juiz deve conhecer da matéria de ofício, em qualquer grau de jurisdição, e extinguir o processo sem resolução de mérito. Vejamos o art. 485, VI, §3º, do NCPC. Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: VI - verificar ausência de legitimidade ou de interesse processual; § 3o O juiz conhecerá de ofício da matéria constante dos incisos IV, V, VI e IX, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não ocorrer o trânsito em julgado. Só através do interesse e da legitimidade será possível o exercício adequado da jurisdição em resposta ao pleito da parte. Portanto, a alternativa A está correta e é o gabarito da questão. Questão 04 ± CESPE/Telebras ± Advogado ± 2015 A respeito de jurisdição, ação e processo, julgue o item seguinte. O interesse de agir, a possibilidade jurídica do pedido e a capacidade processual são condições indispensáveis da ação sem os quais o processo é extinto com a resolução do mérito. Comentários A assertiva está incorreta. O interesse de agir e a legitimidade das partes são considerados expressamente como pressupostos processuais, cuja falta leva à improcedência do pedido. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 95 de 155 Questão 05 ± CESPE/TCU ± Procurador do Ministério Público ± 2015 Acerca de princípios gerais do processo, ação, jurisdição e pressupostos processuais, assinale a opção correta. a) Viola o princípio do juiz natural a criação, em tribunais de justiça, de câmaras para julgamento de ações no período de recesso forense. b) A teoria da asserção só pode ser aplicada antes da apresentação da defesa pelo réu. c) O substituto processual é aquele que está em juízo em nome alheio, defendendo interesse alheio. d) É possível a propositura de ação de cunho declaratório para interpretar decisão judicial. e) No âmbito do processo civil, a imputação de penalidades decorrentes da violação ao princípio da boa-fé limita-se ao autor e ao réu. Comentários A alternativa A está incorreta. Não viola o princípio de juiz natural criação em tribunais de justiça, de câmaras para julgamento de ações no período de recesso forense, pois constitui mera técnica de organização judiciária. A alternativa B está incorreta. Na teoria da asserção, a análise das condições da ação é feita pelo juiz com base nas alegações apresentadas na petição inicial. A alternativa C está incorreta. O substituto processual é aquele que defende o direitoalheio em nome próprio. A alternativa D está correta e é o gabarito da questão. É possível a propositura de ação de cunho declaratório para interpretar decisão judicial. A alternativa E está incorreta. Todos os sujeitos que participarem do processo devem comportar-se de acordo com a boa-fé, conforme art. 5º, do NCPC. Art. 5o Aquele que de qualquer forma participa do processo deve comportar-se de acordo com a boa-fé Questão 06 ± CESPE/TRE-PI ± Analista Judiciário ± Judiciária ± 2016 Tendo em vista que, em uma relação processual, o pronunciamento de mérito está condicionado ao cumprimento de algumas formalidades, tais como a atuação do órgão jurisdicional competente e o tempo dessa atuação, as condições da ação e os pressupostos processuais, assinale a opção correta. a) Transcorrido o prazo legal sem que o jurisdicionado ingresse em juízo para proteger seu direito, opera-se a preclusão do direito de ação. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 96 de 155 b) Quando a ação for considerada intransmissível por disposição legal, a morte de um dos sujeitos da relação processual provocará a extinção do processo sem resolução de mérito. c) Para não contrariar o princípio da inércia da jurisdição, segundo o qual a jurisdição deve ser provocada, é vedado ao juiz determinar, de ofício, a produção de provas. d) A jurisdição voluntária pode ser exercida extrajudicialmente em casos expressamente autorizados pelo ordenamento jurídico vigente, como nos casos de inventário ou divórcio extrajudiciais. e) O defeito ou a ausência de representação na relação processual provoca, por falta de uma das condições da ação, a extinção do processo sem resolução de mérito. Comentários Aqui temos uma questão um pouco mais aprofundada, mas é sempre bom estar atento! A alternativa A está incorreta. Não há preclusão do direito de ação, o que há preclusão é a pretensão. A alternativa B está correta e é o gabarito da questão. Vejamos o art. 485, IX do NCPC. Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: IX - em caso de morte da parte, a ação for considerada intransmissível por disposição legal; A alternativa C está incorreta. Segundo o art. 370 do NCPC, caberá ao juiz determinar, de ofício ou a requerimento da parte, a produção de provas. Art. 370. Caberá ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte, determinar as provas necessárias ao julgamento do mérito. A alternativa D está incorreta. Não é necessário que esteja expressamente previsto o procedimento de jurisdição voluntária. A alternativa E está incorreta. O juiz não pode extinguir o feito sem resolver o mérito antes de dar à parte a oportunidade de regularizar a situação, conforme previsto no art. 76 do NCPC. Art. 76. Verificada a incapacidade processual ou a irregularidade da representação da parte, o juiz suspenderá o processo e designará prazo razoável para que seja sanado o vício. Questão 07 ± FCC/TJ-AL ± Juiz Substituto ± 2015 Em relação à jurisdição, considere os seguintes princípios e características: I. As únicas soluções possíveis para a lide são por meio da jurisdição e pelos mecanismos alternativos da autocomposição e da arbitragem. II. Pelo princípio da indeclinabilidade, a prestação jurisdicional não é discricionária e sim obrigatória para o Estado. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 97 de 155 III. Pelo princípio da inevitabilidade, tem-se que a jurisdição é atividade pública que cria um estado de sujeição às partes do processo. IV. Nenhum juiz prestará a tutela jurisdicional senão quando a parte ou o interessado a requerer, nos casos e forma legais, é enunciado relativo ao princípio da indelegabilidade das atribuições típicas e refere-se à jurisdição contenciosa e voluntária. Está correto o que se afirma APENAS em a) I e IV. b) II e III. c) I, II e III. d) I, II e IV. e) III e IV. Comentários Vamos analisar cada um dos itens. O item I está incorreto. A lide pode ser solucionada por diversas formas, inclusive por meios não jurisdicionais, como é o caso das instâncias administrativas não mencionadas na assertiva. O item II está correto. O princípio da indeclinabilidade ou da inafastabilidade da jurisdição está previsto no art. 5º, XXXV da CF, e afirma que a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. Assim, não pode o juiz eximir-se de julgar a lide nem mesmo diante da ausência de lei ou de lacuna, hipóteses em que deverá decidi-la com base na analogia, nos costumes e nos princípios gerais de direito, conforme art. 140 do NCPC. O item III está correto. O princípio da inevitabilidade da jurisdição, do qual decorre o poder de coerção, afirma a vinculação das partes ao processo e ao estado de sujeição delas aos efeitos da decisão judicial proferida. O item IV está incorreto. A questão traz o enunciado relativo ao princípio da inércia da jurisdição. O princípio da indelegabilidade indica que o Estado não poderá delegar a outrem o exercício da jurisdição, sendo esta uma função eminentemente sua. Portanto, a alternativa B está correta e é o gabarito da questão. Questão 08 ± VUNESP/TJ-MS ± Juiz Substituto ± 2015 É possível a existência de conflito de competência entre juízo estatal e câmara arbitral? a) Sim, porque a atividade jurisdicional estatal deve prevalecer sobre a decisão arbitral. b) Não, porque a atividade arbitral não tem natureza jurídica compatível para aplicação das normas processuais. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 98 de 155 c) Não, porque independentemente da natureza da câmara arbitral, inexiste previsão legal para tanto. d) Sim, porque a atividade desenvolvida no âmbito da arbitragem tem natureza jurisdicional. e) Sim, porque embora a atividade arbitral não tenha natureza jurisdicional, não é possível admitir dois entes julgadores. Comentários Sim, porque a atividade desenvolvida no âmbito da arbitragem tem natureza jurisdicional. Segundo o Superior Tribunal de Justiça "É possível a existência de conflito de competência entre juízo estatal e câmara arbitral. Isso porque a atividade desenvolvida no âmbito da arbitragem tem natureza jurisdicional"13. Portanto, a alternativa D está correta e é o gabarito da questão. Questão 09 ± CEPERJ ± Prefeitura de Saquarema-RJ ± Procurador ± 2015 São inúmeras as classificações das ações. Uma delas, a considerada clássica, estabelece que as ações podem ser consideradas cognitivas, cautelares e executivas. Outra, preconizada por Pontes de Miranda, utiliza critérios diversos, dentre os quais avulta o da ação: a) social b) mandamental c) inibitória d) preventiva e) repressiva Comentários Falamos das classificações das ações em aula. Vamos relembrar os esquemas: ª Classificação de conhecimento: condenatórias, constitutivas e declaratórias 13 STJ, 2ª Seção, CC 111230, j. 08/05/2013. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 101 de 155 A alternativa C está correta e é p gabarito da questão. Questão 12 ± FGV/DPE-RO ± Técnico da Defensoria Pública ± Oficial de Diligência ± 2015 O Ministério Público, por seu Promotor de Justiça com atribuição para o feito, ajuizou ação de investigação de paternidade em face de João, para que fosse reconhecida a sua condição de pai em relação ao menor José, ainda sem registro. A legitimidade com que o autor da demanda atua no caso é: a) ordinária; b) passiva; c) ativa; d) mista; e) extraordinária. Comentários A legitimidade do Ministério Público na demanda é a extraordinária, quando o legitimado não coincide com o titular do direito, portanto, será legitimado para agir em nome próprio defendendo interesse alheio. O NCPC, prevê a legitimidade extraordinária no art.18. Art. 18. Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico. Lembre-se: Legitimidade ordinária: quando a lei atribui legitimidade ao titular da relação jurídica em questão, ou seja, a parte corresponde com o legitimado. Legitimidade passiva: refere-se à aquele que suporta os efeitos da ação e contra quem é pleiteado o pedido. Legitimidade ativa: Só poderá propor uma ação quem for parte legítima. Portanto, a alternativa E está correta e é o gabarito da questão. Questão 13 ± FUNIVERSA/PC-DF ± Delegado de Polícia ± 2015 Assinale a alternativa correta acerca da jurisdição e de sua natureza, seus princípios e suas características. a) A jurisdição, atividade de poder decorrente da soberania, é una, mas seu exercício é fragmentado pela distribuição de competências a diversos órgãos judiciais. O ordenamento brasileiro admite, assim, a justaposição de competências, mas não de diferentes jurisdições. b) A atividade jurisdicional submete as demais funções estatais ao seu controle. A jurisdição mesma, porém, é controlada, via de regra, pela própria jurisdição, apenas admitindo-se excepcionalmente o seu controle externo pela administração e pelo Legislativo. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 102 de 155 c) A realização do direito objetivo é traço caracterizador da jurisdição, suficientemente apto a distingui-la das demais atividades estatais. d) A jurisdição é atividade criativa, visto que o julgador pensa até o final o que foi pensado antes pelo legislador, cabendo ao juiz-intérprete produzir a norma jurídica individualizada por meio de processo hermenêutico e linguístico que, a rigor, não conhece limites. e) O juiz natural é princípio jurisdicional que visa a resguardar a imparcialidade e que pode ser desmembrado em tripla significação: no plano da fonte, cabe à lei instituir o juiz e fixar-lhe a competência; no plano temporal, juiz e competência devem preexistir ao tempo do caso concreto objeto do processo a ser submetido à apreciação; e no plano da competência, a lei, anterior, deve prever taxativamente a competência, excluindo juízos ad hoc ou de exceção. Comentários A alternativa A está incorreta. O ordenamento jurídico não admite a justaposição de competências. Todos os órgãos jurisdicionais são portadores de jurisdição, mas cada um deve exercer dentro de uma determinada esfera de atuação, delimitada pela distribuição de competência. A alternativa B está incorreta. Não há previsão de controle externo da atividade jurisdicional no ordenamento jurídico brasileiro. O controle das decisões judiciais é realizado no próprio âmbito do Poder Judiciário, internamente, de modo que a decisão de um juízo inferior possa ser anulada ou reformada por um juízo superior. A alternativa C está incorreta. A possibilidade de realização do direito objetivo não é traço caracterizador apenas da jurisdição. O direito objetivo também pode ser assegurado administrativamente, sem necessidade de se recorrer ao Poder Judiciário. A alternativa D está incorreta. A jurisdição conhece, sim, limites. A atuação do juiz é limitada pela própria lei e por seus critérios de interpretação, não podendo o ato decisório ser considerado completamente livre. A alternativa E está correta e é o gabarito da questão, pois está de acordo com o art. 5º, XXXVII e LIII da CF, onde aborda o princípio do juiz natural, postulado derivado do direito fundamental de não ser processado por juízo ou Tribunal de exceção, mas, somente, pela autoridade competente. Questão 14 ± FCC/TCM-GO ± Procurador do Ministério Público de Contas ± 2015 ± Adaptada ao NCPC Quanto à ação e à jurisdição no direito processual civil, é correto afirmar: a) Preenchidos ou não os pressupostos de interesse de agir e legitimidade da parte, o juiz sempre deverá dizer quem tem razão, ao proferir uma sentença de procedência ou improcedência Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 103 de 155 b) A jurisdição é inerte, precisando que o autor ou interessado tome a iniciativa de movimentá-la, o que se faz por meio do direito de ação, exercido contra o Estado, em face da parte adversa. c) A jurisdição, entre nós, exercida por meio da ação, é um direito sujetivo privado exercido contra o adversário e coordenado pelo Estado. d) A existência do direito de ação é condicionada à ocorrência do próprio direito material postulado. e) Tanto o direito de acesso à justiça como o direito de ação em sentido estrito são incondicionados, devendo o juiz apreciar necessariamente o mérito da causa. Comentários A alternativa A está incorreta. O reconhecimento da ausência do interesse de agir da legitimidade levará à extinção do processo sem julgamento de mérito, conforme art. 485, VI, do NCPC. Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: VI - verificar ausência de legitimidade ou de interesse processual; A alternativa B está correta e é o gabarito da questão. O princípio da inércia da jurisdição está previsto nos art. 16 e no art. 2º, do NCPC. Art. 16. A jurisdição civil é exercida pelos juízes e pelos tribunais em todo o território nacional, conforme as disposições deste Código. Art. 2o O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por impulso oficial, salvo as exceções previstas em lei. Conforme se nota, o ordenamento jurídico proíbe que a jurisdição seja, em regra, exercida de ofício, por iniciativa própria dos juízes, de modo a se assegurar, também, a garantia da separação dos poderes e da independência e imparcialidade da jurisdição. A alternativa C está incorreta. O direito à jurisdição, por meio da ação, é direito subjetivo público e não privado, pois se exige do Estado a prestação de tutela jurisdicional. A alternativa D está incorreta. O direito de ação não está condicionado à existência do direito material postulado, sendo considerado um direito autônomo. A alternativa E está incorreta. O direito de ação não é incondicionado, devendo o autor demonstrar, na narrativa de sua petição inicial, o interesse de agir e a legitimidade. Questão 15 ± FGV/TJ-BA ± Técnico Judiciário ± Escrevente ± Área Judiciária ± 2015 A jurisdição representa uma atividade estatal voltada à composição dos conflitos de interesses. No Brasil, uma das características fundamentais da jurisdição é a: Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 104 de 155 a) inércia; b) diametricidade; c) eleição direta; d) dualidade; e) formalidade. Comentários A alternativa A está correta e é o gabarito da questão, conforme o art. 2º, do NCPC. Art. 2o O processo começa por iniciativa da parte e se desenvolve por impulso oficial, salvo as exceções previstas em lei. Esse artigo refere-se ao que a doutrina denomina de princípio da inércia da jurisdição, o qual proíbe, que a jurisdição, em regra, seja exercida de ofício, por iniciativa própria dos juízes. Questão 16 ± VUNESP/PC-CE ± Delegado de Polícia Civil de 1ª Classe ± 2015 Sobre o princípio do juiz natural, é correto afirmar: a) faz referência à necessidade dos magistrados serem brasileiros, natos ou naturalizados. b) tem relação com a prerrogativa de foro para determinadas pessoas, em razão do cargo ou função que ocupam. c) garante que o juiz que primeiro conhecer a causa deve necessariamente julgá-la. d) dispõe sobre a forma de promoção dos juízes, por antiguidade ou por merecimento. e) está ligado à competência jurisdicional, imparcialidade do órgão julgador e vedação aos tribunais de exceção. Comentários O Princípio do Juiz Natural, previsto no art. 5º, XXXVII e LIII, CF, nada mais é do que uma garantia decorrente do devido processo legal. Segundo ele, não haverá tribunal de exceção, e a decisão será proferida pela autoridadecompetente. XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção; LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente; Portanto, a alternativa E está correta e é o gabarito da questão. Questão 17 ± MPE-GO/MPE-GO ± Promotor de Justiça Substituto ± 2014 O objeto material do processo é: Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 105 de 155 a) A pretensão do autor. b) A admissibilidade do julgamento de mérito. c) A legitimidade ad causam. d) A representação por advogado devidamente constituído. Comentários A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. O objeto material do processo se refere a pretensão do autor ao propor a ação. Trata-se do conteúdo pelo qual foi ingressado com a ação para solicitar a tutela jurisdicional. Questão 18 ± LEGALLE Concursos/Prefeitura de Silveira Martins-RS ± Procurador Jurídico ± 2014 Sobre jurisdição e ação, conforme o Código de Processo Civil, assinale a alternativa incorreta. a) A jurisdição civil, contenciosa e voluntária, é exercida pelos juízes, em todo o território nacional. b) O juiz poderá prestar a tutela jurisdicional mesmo quando a parte ou interessado não a requerer, nos casos e forma legais. c) Para propor ou contestar a ação é necessário ter interesse e legitimidade. d) O interesse do autor pode limitar-se à declaração da existência ou da inexistência de relação jurídica ou da autenticidade ou falsidade de documento. e) Se, no curso do processo, se tornar litigiosa relação jurídica de cuja existência ou inexistência depender o julgamento da lide, qualquer das partes poderá requerer que o juiz a declare por sentença. Comentários A alternativa B está incorreta e é o gabarito da questão, por violação do princípio da inércia da jurisdição. Como dissemos em aula, a inércia é uma das características mais importantes da jurisdição. Vejamos todas as características: a) Caráter substitutivo - caracteriza-se a jurisdição por substituir a vontade da parte pela vontade da Lei aplicada ao caso concreto, como forma de por fim ao conflito. b) Lide ± caracteriza-se a jurisdição por atuar quando há um conflito de interesses em decorrência de uma pretensão resistida. c) Inércia ± caracteriza-se a jurisdição por ficar subordinada à provocação pela parte (princípio da demanda); e d) Definitividade ± caracteriza-se a jurisdição por decidir o conflito de interesses de forma incontestável, definitiva e imutável. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 106 de 155 Questão 19 ± FCC/DPE-CE ± Defensor Público de Entrância Inicia ± 2014 No tocante à jurisdição, examine os enunciados seguintes: I. Tecnicamente, a atividade jurisdicional é sempre substitutiva das atividades dos sujeitos envolvidos no conflito, a quem a ordem jurídica proíbe, como regra, atos de autodefesa. II. O caráter substitutivo da jurisdição está presente nas situações envolvendo particulares, mas não quando um dos sujeitos litigantes é o próprio Estado, pois nesse caso haveria identidade de funções e de atividades estatais. III. Da natureza da jurisdição decorre sua definitividade, que é caracterizada pela imunização dos efeitos dos atos realizados, cujo maior grau, outorgado pela ordem jurídica, é a autoridade da coisa julgada material. É correto o que se afirma APENAS em a) I b) II c) II e III. d) I e II. e) I e III. Comentários Vamos analisar cada um dos itens. O item I está correto. Havendo conflito, a atividade jurisdicional sempre será substitutiva. A jurisdição é substitutiva da vontade das partes porque ao exercê- la o juiz afasta a vontade das partes pela vontade do Estado. Diante da existência de conflito acerca da titularidade de um direito não pode uma parte invadir a esfera de direitos da outra para ter sua pretensão satisfeita. O item II está incorreto. O caráter substitutivo da jurisdição está presente em todas as hipóteses em que esta é exercida, não havendo diferença acerca de VHUHP� RV� LQWHUHVVDGRV� RX� DV� SDUWHV� HQYROYLGDV� QR� OLWtJLR� SDUWLFXODUHV� ³VWULFWR� sensu" ou pessoas jurídicas de direito público. O item III está correto. A definitividade é uma das características da jurisdição. Ademais, segundo o art. 502, do NCPC, denomina-se coisa julgada material a autoridade que torna imutável e indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso. Dessa forma, a alternativa E está correta e é o gabarito da questão. Questão 20 ± FGV/TJ-RJ ± Técnico de Atividade Judiciária ± 2015 A alternativa que alude apenas aos elementos da ação é: Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 108 de 155 b) Se os elementos da ação forem idênticos, ter-se-á a configuração de continência ou conexão, conforme a natureza da demanda. c) Se os elementos da ação forem semelhantes, ter-se-á a caracterização de litispendência ou coisa julgada. d) O direito de ação em sentido estrito é incondicionado, por decorrer do direito de acesso à justiça. e) O interesse de agir e a legitimidade constituem condições da ação. Comentários A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. Os elementos da ação são as partes, a causa de pedir e o pedido, os quais se destinam a individualizá- la e a identificá-la, distinguindo-a das demais. A alternativa B está incorreta. Se todos os elementos da ação forem iguais haverá litispendência. A alternativa C está incorreta. A semelhança dos elementos da ação é causa de conexão ou continência, e a identidade entre esses elementos é causa de litispendência. A alternativa D está incorreta. O direito de ação é condicionado ao interesse de agir e à legitimidade. A alternativa E está incorreta. Como dissemos em aula, não se fala mais em condições da ação com a edição no novo CPC. Assim, o interesse de agir e a legitimidade são considerados pressupostos processuais. Questão 23 ± FCC/DPE-PB ± Defensor Público ± 2014 "Toda pessoa que se acha no exercício dos seus direitos tem capacidade para estar em juízo". Este conceito é a) falso, porque é preciso ser advogado para se ter a capacidade processual e para se estar em juízo. b) verdadeiro e diz respeito à capacidade postulatória, a ser exercida em regra por meio de advogados que representem a parte. c) verdadeiro e diz respeito à legitimação processual, conceito que se confunde com o de capacidade para estar em juízo. d) falso, porque é preciso a maioridade civil para se estar em juízo e poder exercer pessoalmente a capacidade postulatória nos autos. e) verdadeiro e diz respeito à capacidade processual, que não se confunde com a capacidade postulatória. Comentários Este conceito é verdadeiro embora pareça falso. Para acertar a questão você não pode confundir capacidade processual com capacidade postulatória. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 110 de 155 e) Na teoria concretista, defendida por Adolf Wach, não se reconhece a autonomia do direito de ação. Comentários A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. Segundo a teoria da asserção, o juiz deve verificar a existência das condições da ação analisando apenas a narrativa trazida pelo autor em sua petição inicial. A alternativa B está incorreta. O princípio que veda ao juiz delegar a jurisdição a outrem é o da indelegabilidade. O princípio da indeclinabilidade ou da inafastabilidade da jurisdição está previsto no art. 5º, XXXV, da CF, e afirma que a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário nenhuma lesão ou ameaça a direito. A alternativa C está incorreta. A mediação é considerada pela doutrina majoritária equivalente jurisdicional e não atividade de jurisdição propriamente dita. A alternativa D está incorreta. A teoria que defende ser a ação o direito de se obter em juízo umasentença favorável é a teoria concreta da ação. A alternativa E está incorreta. A teoria concreta da ação vincula a existência do direito de ação à existência do direito material que se busca com ele tutelar, considerando o direito de ação o direito de se obter em juízo uma sentença favorável, mas, apesar disso, reconhecia o direito de ação e o direito material como institutos diversos. Questão 26 ± CESPE/Câmara dos Deputados ± Analista Legislativo ± 2014 Julgue o item seguinte, relativo à teoria e às condições da ação. Conforme a teoria da asserção, majoritariamente adotada pela doutrina, na análise das condições da ação, deve-se considerar o que foi afirmado pela parte autora na inicial. Essa análise permite que o magistrado, ao ter contato com o processo, pronuncie-se a respeito das condições da ação. Comentários A assertiva está correta. De acordo com a teoria da asserção, o juiz deve verificar a existência das condições da ação analisando apenas a narrativa trazida pelo autor em sua petição inicial. Essa narrativa deve ser clara e coerente o suficiente para que a ação se apresente como juridicamente possível, necessária e instaurada entre as partes legítimas. Caso não seja, deverá o juiz extinguir o processo de plano, sem adentrar no mérito da ação. Vejamos o esquema de aula: Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 112 de 155 A alternativa C está correta. Afirma-se que a competência é a medida da jurisdição porque embora sejam todos os órgãos jurisdicionais portadores de jurisdição, a lei determina que cada um somente pode exercê-la dentro de uma determinada esfera de atuação, sendo esta a sua esfera de competência. A alternativa D está correta, pois se refere ao art. 5º, XXXV da CF, a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito. A alternativa E está correta. Refere-se ao princípio da vedação. Uma vez provocado o Poder Judiciário, este tem o dever de apreciar a demanda que lhe for submetida. Sendo a lei omissa e entendendo o juiz não haver comando legal aplicável ao caso concreto, deve ele decidir o caso com base na analogia, nos costumes e nos princípios gerais de direito, não podendo escusar-se de julgá- lo. Competência Questão 28 ± FCC/TRT-14ª ± TJAA ± 2016 Isael, advogado, viaja para a Espanha para fazer um curso com duração de 6 meses na Universidade de Salamanca. Durante o trâmite do curso, Isael acaba se envolvendo em um acidente automobilístico e vem a óbito no local. Isael tem domicílio na cidade de Guajará-Mirim, Rondônia, onde reside sozinho há mais de dez anos e todos os seus bens imóveis estão situados na cidade de Salvador (Bahia), onde nasceu e foi criado. Os filhos de Isael, únicos herdeiros, residem na cidade de São Paulo, onde cursam universidades. Isael saiu do Brasil rumo à Espanha do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Neste caso, nos termos estabelecidos pelo Código de Processo Civil, a competência para processamento do inventário será o foro da a) comarca de São Paulo, onde residem os herdeiros do falecido. b) comarca do Rio de Janeiro, último local onde o falecido esteve no Brasil. c) comarca de Salvador, onde estão situados os bens imóveis do falecido. d) cidade de Salamanca, na Espanha, onde ocorreu o óbito. e) comarca de Guajará-Mirim, no estado de Rondônia, onde está situado o domicílio do autor da herança. Comentários Nos termos estabelecidos pelo Novo Código, a competência para processamento do inventário será o foro da comarca de Guajará-Mirim, no estado de Rondônia, onde está situado o domicílio do autor da herança. Vejamos o art. 48 do NCPC. Art. 48. O foro de domicílio do autor da herança, no Brasil, é o competente para o inventário, a partilha, a arrecadação, o cumprimento de disposições de última vontade, a impugnação ou anulação de partilha extrajudicial e para todas as ações em que o espólio for réu, ainda que o óbito tenha ocorrido no estrangeiro. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 113 de 155 Parágrafo único. Se o autor da herança não possuía domicílio certo, é competente: I - o foro de situação dos bens imóveis; II - havendo bens imóveis em foros diferentes, qualquer destes; III - não havendo bens imóveis, o foro do local de qualquer dos bens do espólio. Portanto, a alternativa E está correta e é o gabarito da questão. Questão 29 ± FCC - DPE/BA ± Defensor - 2016 Sobre a competência, a) a ação fundada em direito real sobre bem móvel será proposta, em regra, no foro da situação da coisa. b) a ação possessória imobiliária será proposta no foro da situação da coisa, cujo juízo tem competência absoluta. c) são irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente ao registro ou à distribuição da petição inicial, ainda que alterem competência absoluta. d) serão remetidos à Justiça Federal os processos nos quais intervier a União, incluindo as ações de recuperação judicial e falência. e) uma vez remetidos os autos à Justiça Federal, em razão de intervenção da União, o juízo federal suscitará conflito de competência se, posteriormente, esta for excluída do processo. Comentários Questão que aborda o conhecimento da competência territorial interna, segundo a disciplina do NCPC. A alternativa A está incorreta, pois o art. 46, do NCPC, disciplina que no caso GH�³ação fundada em direito pessoal ou em direito real sobre bens móveis será proposta, em regra, no foro de domicílio do réu´��H�QmR�VREUH�R�IRUR�GD�VLWXDomR� da coisa. A alternativa B é a correta e gabarito da questão. Ela cobrou expressamente o §2º do art. 47, do NCPC, que prevê competência do juízo da situação da coisa para a ação possessória. Lembrando, essa é uma hipótese excepcional no qual a competência territorial é absoluta. A alternativa C está incorreta. De fato, são irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente ao registro ou à distribuição da petição inicial, exceto no caso de competência absoluta, A alternativa D também está incorreta, pois as ações de recuperação judicial e falência constituem exceções à regra de remessa à Justiça Federal quando for parte a União, autarquias públicas e empresas públicas federais, do que se extrai do art. 45, do NCPC. A alternativa E está incorreta, pois o §3º do art. 45 do NCPC é expresso em sentido contrário ao prever que o juízo federal restituirá os autos ao juízo estadual Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 114 de 155 sem suscitar conflito se o ente federal cuja presença ensejou a remessa for excluído do processo. Questão 30 ± CESPE/TCE-PR ± Auditor ± 2016 A respeito da competência, assinale a opção correta. a) Declarada a incompetência, poderá ser conservado o efeito de decisão proferida por juiz absolutamente incompetente. b) Tendo o réu domicílio certo, a propositura de execução fiscal no foro da sua residência enseja a extinção do processo caso não seja emendada a inicial. c) Sendo demandado estado da Federação, a ação deverá ser proposta pelo réu, obrigatoriamente, no foro onde tiver ocorrido o ato que deu origem à demanda. d) Por ser matéria de ordem pública, sendo abusiva a cláusula de eleição de foro, a ineficácia pode ser alegada a qualquer momento antes da sentença. e) A atuação do MP como custos legis impede a arguição de incompetência relativa do juízo. Comentários A alternativa A está correta e é o gabarito da questão, conforme art. 64, §4º do NCPC. § 4o Salvo decisão judicial em sentido contrário, conservar-se-ão os efeitos de decisão proferida pelo juízo incompetente até que outra seja proferida, se for o caso, pelo juízo competente. A alternativa B está incorreta. Para o STJ o réu não tem o direito de ser demandado no seu domicílio.Ademais, o art. 46, §3º, do NCPC estabelece três possibilidade, de modo que não é caso de incompetência, como defende a assertiva. § 5º A execução fiscal será proposta no foro de domicílio do réu, no de sua residência ou no do lugar onde for encontrado. A alternativa C está incorreta. De acordo com o art. 52 do NCPC, a ação poderá ser proposta no foro de domicílio do autor, no de ocorrência do ato ou fato que originou a demanda. Art. 52. É competente o foro de domicílio do réu para as causas em que seja autor Estado ou o Distrito Federal. Parágrafo único. Se Estado ou o Distrito Federal for o demandado, a ação poderá ser proposta no foro de domicílio do autor, no de ocorrência do ato ou fato que originou a demanda, no de situação da coisa ou na capital do respectivo ente federado. A alternativa D está incorreta. A questão da abusividade da cláusula de eleição de foro não pode ser alegada a qualquer momento. Segundo o art. 63, §4º, do NCPC, citado, incumbe ao réu alegar a abusividade da cláusula de eleição de foro na contestação, sob pena de preclusão. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 115 de 155 A alternativa E está incorreta. A incompetência relativa pode ser alegada pelo Ministério Público nas causas em que atuar. Vejamos o art. 65, parágrafo único, do NCPC. Parágrafo único. A incompetência relativa pode ser alegada pelo Ministério Público nas causas em que atuar. Questão 31 ± FGV/TJ-PI ± AJOAF ± 2015 ± adaptada ao NCPC Günther, empresário alemão com domicílio em Teresina/PI, vem a falecer durante visita à Alemanha, deixando bens em território brasileiro. Nesse caso, à luz do disposto na Constituição e no Código de Processo Civil, a justiça brasileira: a) não é competente para conhecer de ações em que o espólio de Günther for réu, nem para processar o inventário de seus bens; b) é competente para processar o inventário dos bens deixados por Günther no Brasil, bem como para conhecer de ações em que o seu espólio for réu; c) é competente para processar o inventário dos bens deixados por Günther no Brasil e no exterior, mas não para conhecer de ações em que o seu espólio for réu; d) é competente para processar o inventário dos bens deixados por Günther no Brasil, mas não para processar o inventário de eventuais bens deixados no exterior e conhecer de ações em que o seu espólio for réu; e) é competente para processar o inventário dos bens deixados por Günther no Brasil e no exterior, bem como para conhecer de ações em que o seu espólio for réu. Comentários Nesse caso, à luz do disposto na Constituição e no Novo Código de Processo Civil, a justiça brasileira é competente para processar o inventário dos bens deixados por Günther no Brasil, bem como para conhecer de ações em que o seu espólio for réu. Vejamos o art. 48 do NCPC: Art. 48. O foro de domicílio do autor da herança, no Brasil, é o competente para o inventário, a partilha, a arrecadação, o cumprimento de disposições de última vontade, a impugnação ou anulação de partilha extrajudicial e para todas as ações em que o espólio for réu, ainda que o óbito tenha ocorrido no estrangeiro. Parágrafo único. Se o autor da herança não possuía domicílio certo, é competente: I - o foro de situação dos bens imóveis; II - havendo bens imóveis em foros diferentes, qualquer destes; III - não havendo bens imóveis, o foro do local de qualquer dos bens do espólio. Portanto, a alternativa B está correta e é o gabarito da questão. Questão 32 ± CESPE/TRE-RS ± AJAJ ± 2015 Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 116 de 155 Os órgãos do Poder Judiciário exercem a jurisdição, que é delimitada seguindo-se as regras de distribuição da competência previstas no ordenamento jurídico brasileiro. Acerca desse assunto, assinale a opção correta. a) O réu deve, por meio de exceção, alegar a incompetência absoluta, sob pena de preclusão, momento em que se prorrogará a competência do foro. b) A incompetência absoluta, por não constituir matéria de ordem pública, não pode ser reconhecida pelo juiz de ofício, devendo a parte alegá-la na primeira oportunidade em que couber citá-la nos autos, sob pena de responder integralmente pelas custas. c) A doutrina classifica a jurisdição, quanto ao organismo que a exerce, como comum e especial. A jurisdição comum é exercida pela justiça estadual, enquanto a jurisdição especial é exercida pelas justiças federal, trabalhista, eleitoral e militar. d) A incompetência absoluta do juízo pode ser reconhecida de ofício, inclusive em embargos infringentes e em reexame necessário. e) Havendo conexão, o juiz pode ordenar a reunião de ações propostas separadamente, a fim de que sejam decididas simultaneamente. Correndo em separado as ações conexas perante juízes que têm a mesma competência territorial, considera-se prevento aquele que promoveu a juntada da citação válida em primeiro lugar. Comentários A alternativa A está incorreta. Somente a incompetência relativa poderá ser prorrogada. A alternativa B está incorreta. A competência absoluta é uma regra criada para atender o interesse público. Dessa maneira pode ser reconhecida pelo juiz de ofício, conforme art. 64, §1º do NCPC. § 1o A incompetência absoluta pode ser alegada em qualquer tempo e grau de jurisdição e deve ser declarada de ofício. A alternativa C está incorreta. A doutrina classifica a jurisdição, quanto ao organismo que a exerce, como comum e especial. A jurisdição comum é exercida pela justiça federal em conjunto com a estadual, ao passo que a jurisdição especial é exercida pelas justiças eleitoral, trabalhista e militar. A alternativa D está correta, conforme art. 64, §1º, do NPC, mencionado acima. A alternativa E está incorreta. O NCPC prevê uma única regra determinante da prevenção, o registro ou distribuição judicial, com base no art. 59, do NCPC. Art. 59. O registro ou a distribuição da petição inicial torna prevento o juízo. Questão 33 ± CESPE/TRE-MT ± AJAJ ± 2015 ± adaptada ao NCPC Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 117 de 155 Assinale a opção correta, no que se refere à competência no processo civil. a) A competência estabelecida por critérios em razão do valor e territorial podem ser prorrogados em razão da conexão, continência e inércia da parte. b) Havendo conexão entre demandas, se os diferentes juízos para os quais foram distribuídas as ações não tiverem a mesma competência territorial, a prevenção será daquele que primeiro realizou a citação válida do réu. c) Em se tratando de ação fundada em direito real sobre imóvel, a competência é relativa se o litígio recai sobre direito de vizinhança. d) Distribuídas ações a diferentes juízos, para a modificação da competência pela conexão, exige-se a demonstração de que entre as demandas há identidade do objeto e da causa de pedir. e) A declaração de incompetência absoluta importa em reconhecimento da invalidade de todos os atos até então praticados perante o juízo incompetente. Comentários A alternativa A está correta. Segundo o art. 63 do NCPC, as partes podem modificar a competência em razão do valor e do território. Art. 63. As partes podem modificar a competência em razão do valor e do território, elegendo foro onde será proposta ação oriunda de direitos e obrigações. A alternativa B está incorreta. Com a entrada em vigor do Novo Código de Processo Civil, a regra da prevenção é estabelecida com a distribuição/registro da petição inicial, conforme prevê o art. 59. A alternativa C está incorreta. Com base no art. 47, §1º, do NCPC, o autor não pode optar pelo foro do domicílio do réu ou de eleição quando o litígio recair sobre direito de vizinhança. A competência é absoluta e, portanto, a ação deve ser proposta no foro da situação dacoisa. § 1o O autor pode optar pelo foro de domicílio do réu ou pelo foro de eleição se o litígio não recair sobre direito de propriedade, vizinhança, servidão, divisão e demarcação de terras e de nunciação de obra nova. A alternativa D está incorreta. A conexão ocorre quando forem comuns o pedido OU a causa de pedir. A alternativa E está incorreta. O art. 64, §4º, menciona TXH� RV� ³HIHLWRV� GD� GHFLVmR�SURIHULGD�SHOR�MXt]R�LQFRPSHWHQWH´�VHUmR conservados. 4o Salvo decisão judicial em sentido contrário, conservar-se-ão os efeitos de decisão proferida pelo juízo incompetente até que outra seja proferida, se for o caso, pelo juízo competente. Questão 34 ± FCC/TRE-PB ± AJAA ± 2015 No tocante a competência interna prevista no Código de Processo Civil brasileiro, considere: I. Sendo incerto ou desconhecido o domicílio do réu, ele será demandado onde for encontrado ou no foro do domicílio do autor. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 118 de 155 II. Havendo dois ou mais réus, com diferentes domicílios, serão demandados necessariamente no foro do autor. III. A competência em razão da matéria e da hierarquia é inderrogável por convenção das partes; mas estas podem modificar a competência em razão do valor e do território, elegendo foro onde serão propostas as ações oriundas de direitos e obrigações. IV. A competência, em razão do valor e do território, poderá modificar-se pela conexão ou continência. Está correto o que se afirma APENAS em: a) I, III e IV. b) II e III. c) I, II e IV. d) II e IV. e) I e III. Comentários Vamos analisar cada um dos itens. O item I está correto, prevê o art. 46, §2º do NCPC. § 2o Sendo incerto ou desconhecido o domicílio do réu, ele poderá ser demandado onde for encontrado ou no foro de domicílio do autor. O item II está incorreto. De acordo com o art. 46, §4º, havendo dois ou mais réus, com diferentes domicílios, serão demandados no foro de qualquer um deles, à escolha do autor. § 4o Havendo 2 (dois) ou mais réus com diferentes domicílios, serão demandados no foro de qualquer deles, à escolha do autor. O item III está correto, pois reproduz os art. 62 e 63. Art. 62. A competência determinada em razão da matéria, da pessoa ou da função é inderrogável por convenção das partes. Art. 63. As partes podem modificar a competência em razão do valor e do território, elegendo foro onde será proposta ação oriunda de direitos e obrigações. O item IV está correto. Vejamos o art. 54. Art. 54. A competência relativa poderá modificar-se pela conexão ou pela continência, observado o disposto nesta Seção. Assim, a alternativa A está correta e é o gabarito da questão. Questão 35 ± FCC/TRE-AP ± AJAA ± 2015 Considere as seguintes hipóteses: O Processo A e o Processo B possuem em comum o objeto. O Processo C e o Processo D possuem em comum a causa de pedir. Nestes casos, a) há continência entre os processos A e B e entre os processos C e D. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 119 de 155 b) há conexão entre os processos A e B e entre os processos C e D. c) há conexão entre os processos A e B e continência entre os processos C e D. d) há continência entre os processos A e B e conexão entre os processos C e D. e) não há continência e nem conexão entres os processos A e B, nem entre os processos C e D. Comentários A conexão e a contingência estão previstas nos art. 55 e 56 do NCPC. Art. 55. Reputam-se conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o pedido ou a causa de pedir. Art. 56. Dá-se a continência entre 2 (duas) ou mais ações quando houver identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o pedido de uma, por ser mais amplo, abrange o das demais. Nestes casos, há conexão entre os processos A e B e entre os processos C e D. Dessa forma, a alternativa B está correta e é o gabarito da questão. Questão 36 ± FCC/TRE-AP ± Analista Judiciário ± Judiciária ± 2015 Considere a seguinte situação hipotética: Marcos, advogado recém formado, irá ajuizar duas ações. A ação A é fundada em direito pessoal e a ação B é fundada em direito real sobre bem móvel. Nestes casos, de acordo com o Código de Processo Civil brasileiro, em regra, a) a ação A será ajuizada no foro do domicílio do autor e a ação B no foro do domicilio do réu. b) ambas as ações serão ajuizadas no foro do domicílio do réu. c) a ação A será ajuizada no foro do domicílio do réu e a ação B no foro do domicilio do autor. d) ambas as ações serão ajuizadas no foro do domicílio do autor. e) em ambas as ações o autor poderá escolher entre o foro do domicílio do autor ou do domicílio do réu. Comentários A ação A é fundada em direito pessoal e a ação B é fundada em direito real sobre bem móvel. Nesses casos, de acordo com o NCPC, em regra, ambas as ações serão ajuizadas no foro do domicílio do réu, conforme art. 46 do NCPC. Art. 46. A ação fundada em direito pessoal ou em direito real sobre bens móveis será proposta, em regra, no foro de domicílio do réu. Portanto, a alternativa B está correta e é o gabarito da questão. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 120 de 155 Questão 37 ± CONSULPLAN/TJ-MG ± Juiz Leigo ± 2015 ConsiderandoǦse as disposições do Código de Processo Civil vigente sobre a competência dos órgãos jurisdicionais, é correto afirmar que: a) a competência dos órgãos judiciários é estabelecida no momento em que a ação é contestada. b) as ações fundadas em direitos reais sobre bens móveis serão propostas, em regra, no foro do domicílio do autor. c) nas ações de reparação do dano sofrido em razão de delito ou acidente de veículos, será competente o foro do domicílio do réu. d) a autoridade judiciária brasileira é competente para proceder a inventário e partilha de bens situados no Brasil, mesmo que o inventariado seja estrangeiro e tenha residido em outro país. Comentários A alternativa A está incorreta. Segundo o art. 43, do NCPC, a competência é estabelecida no momento em que a ação é proposta. Art. 43. Determina-se a competência no momento do registro ou da distribuição da petição inicial, sendo irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente, salvo quando suprimirem órgão judiciário ou alterarem a competência absoluta. A alternativa B está incorreta. As ações fundadas em direitos reais sobre bens móveis serão propostas, em regra, no foro do domicílio do réu, conforme art. 46, do NCPC. Art. 46. A ação fundada em direito pessoal ou em direito real sobre bens móveis será proposta, em regra, no foro de domicílio do réu. A alternativa C está incorreta. Com base no art. 53, V, do NCPC, nas ações de reparação do dano sofrido em razão de delito ou acidente de veículos, será competente o foro do domicílio do autor ou do local do fato. V - de domicílio do autor ou do local do fato, para a ação de reparação de dano sofrido em razão de delito ou acidente de veículos, inclusive aeronaves. A alternativa D está correta e é o gabarito da questão, em razão do que prevê o art. 23, II, do NCPC. Art. 23. Compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de qualquer outra: II - em matéria de sucessão hereditária, proceder à confirmação de testamento particular e ao inventário e à partilha de bens situados no Brasil, ainda que o autor da herança seja de nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do território nacional; Questão 38 ± CESGRANRIO/LIQUIGÁS ± Professor Júnior ± Direito ± 2015 Sr. X promove ação de cobrança de determinado crédito em face de Sra. Z. Sra. Z é domiciliada em Bebedouro-SP. Sr. X é domiciliado em Sorocaba-SP. A ação é proposta em Presidente Prudente-SP. A ré não apresenta exceção de competência. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br121 de 155 Nesse caso, ocorrerá a denominada a) prorrogação de competência b) eleição de competência c) convenção de competência d) negação de competência e) declaração de competência Comentários Nesse caso, de acordo com o art. 65 do NCPC, ocorrerá prorrogação de competência. Art. 65. Prorrogar-se-á a competência relativa se o réu não alegar a incompetência em preliminar de contestação. Assim, a alternativa A está correta e é o gabarito da questão. Questão 39 ± FGV/TJ-RO ± Técnico Judiciário ± 2015 No curso de um processo, em que o genitor pede em face da genitora a guarda unilateral de seu filho, o juízo identificou que ali já tramitava outro feito referente ao mesmo pedido, embora formulado pela avó materna em face da genitora. Em razão dessa circunstância, deverá o juiz: a) determinar o prosseguimento de ambos os processos, sem reuni-los, uma vez que as partes não coincidem; b) determinar a reunião de ambos os feitos para julgamento em conjunto, por força da conexão entre as causas e da necessidade de se afastar o risco de prolação de decisões conflitantes; c) extinguir o segundo processo distribuído, porque já está sendo discutida a guarda do menor em outro feito; d) extinguir o segundo processo, porque configurada a hipótese de litispendência; e) determinar a reunião de ambos os feitos para julgamento em conjunto, dada a identidade do polo passivo, embora não ocorra a conexão. Comentários Em razão dessa circunstância, deverá o juiz determinar a reunião de ambos os feitos para julgamento em conjunto, por força da conexão entre as causas e da necessidade de se afastar o risco de prolação de decisões conflitantes. Visto que há identidade de objetos nas duas causas, houve conexão, conforme art. 55 do NCPC. Consequentemente, deve haver reunião das duas ações a fim de que sejam decididas ao mesmo tempo. Art. 55. Reputam-se conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o pedido ou a causa de pedir. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 122 de 155 § 1o Os processos de ações conexas serão reunidos para decisão conjunta, salvo se um deles já houver sido sentenciado. § 2o Aplica-se o disposto no caput: I - à execução de título extrajudicial e à ação de conhecimento relativa ao mesmo ato jurídico; II - às execuções fundadas no mesmo título executivo. § 3o Serão reunidos para julgamento conjunto os processos que possam gerar risco de prolação de decisões conflitantes ou contraditórias caso decididos separadamente, mesmo sem conexão entre eles. Dessa forma, a alternativa B está correta e é o gabarito da questão. Questão 40 ± FUNCAB/Faceli ± Procurador ± 2015 ± adaptada ao NCPC São condições para o provimento final ou legítimo exercício do direito de ação: a) capacidade de fato, interesse de agir e forma prescrita ou não defesa em lei. b) possibilidade jurídica do pedido, existência de direito material e interesse de agir. c) legitimação para a causa, resistência à direito subjetivo e interesse de agir. d) violação de direito, interesse de agir e legitimidade das partes. e) interesse de agir e legitimidade para a causa. Comentários A alternativa E está correta e é o gabarito da questão. Importante registrar que o NCPC não fala mais expressamente em condições da ação, pelo que devemos considerá-la apenas se a questão referir expressamente. Questão 41 ± FCC/TJ-AL ± Juiz Substituto ± 2015 A nulidade da cláusula de eleição de foro, em contrato de adesão, pode ser declarada de ofício pelo juiz, que declinará de competência para o juízo de domicílio do réu. Esta norma refere-se à competência a) em razão da pessoa. b) funcional. c) absoluta. d) relativa. e) em razão da matéria. Comentários Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 123 de 155 Essa norma refere-se à competência relativa, pois somente ela, ao contrário da competência absoluta, poderá ser alterada por acordo entre as partes, por prorrogação ou quando dela declinar o juiz. A cláusula de eleição de foro refere- se à fixação de competência territorial a qual, em regra, é relativa. Vejamos o art. 63, §3º e §4º, do NCPC. § 3o Antes da citação, a cláusula de eleição de foro, se abusiva, pode ser reputada ineficaz de ofício pelo juiz, que determinará a remessa dos autos ao juízo do foro de domicílio do réu. § 4o Citado, incumbe ao réu alegar a abusividade da cláusula de eleição de foro na contestação, sob pena de preclusão. Assim, a alternativa D está correta e é gabarito da questão. Questão 42 ± CONSULPLAN/TJ-MG ± Titular de Serviços de Notas e de Registros ± Provimento ± 2015 ± adaptada ao NCPC Sobre a incompetência relativa, observando o CPC, é correto afirmar: a) Pode ser suscitada a qualquer tempo e grau de jurisdição. b) Será decidida por decisão terminativa. c) Será arguida em preliminar de contestação. d) Será decidida por sentença definitiva. Comentários A alternativa A está incorreta. A competência absoluta poderá ser arguida a qualquer tempo e em qualquer grau de jurisdição. A competência relativa deve ser alegada como questão preliminar de contestação. Vejamos os arts. 64 e 65, do NCPC. Art. 64. A incompetência, absoluta ou relativa, será alegada como questão preliminar de contestação. § 1o A incompetência absoluta pode ser alegada em qualquer tempo e grau de jurisdição e deve ser declarada de ofício. § 2o Após manifestação da parte contrária, o juiz decidirá imediatamente a alegação de incompetência. § 3o Caso a alegação de incompetência seja acolhida, os autos serão remetidos ao juízo competente. § 4o Salvo decisão judicial em sentido contrário, conservar-se-ão os efeitos de decisão proferida pelo juízo incompetente até que outra seja proferida, se for o caso, pelo juízo competente. Art. 65. Prorrogar-se-á a competência relativa se o réu não alegar a incompetência em preliminar de contestação. Parágrafo único. A incompetência relativa pode ser alegada pelo Ministério Público nas causas em que atuar. As alternativas B e D estão incorretas, pois a alegação de incompetência pode ser acolhida ou não. Em todo caso, a decisão não será terminativa ou definitiva. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 124 de 155 A alternativa C está correta e é o gabarito da questão. A incompetência não será o objeto principal do processo, devendo ser arguida em preliminar de contestação. Questão 43 ± CONSULPLAN/TJ-MG ± Titular de Serviços de Notas e de Registros ± Provimento ± 2015 Quanto à competência absoluta, assinale a opção correta: a) Pode ser alterada apenas até a contestação. b) Pode ser prorrogada por convenção das partes. c) Pode ser prorrogada pelo juiz. d) Não pode ser modificada ou prorrogada pela vontade das partes e do órgão jurisdicional. Comentários A alternativa D está correta e é o gabarito da questão. A competência absoluta não pode ser modificada ou prorrogada pela vontade das partes e do órgão jurisdicional. Trata-se de competência legal pré-determinada que não pode ser afastada. Apenas competência relativa permite prorrogação e escolha das partes. Questão 44 ± FCC/TCM-RJ ± Auditor ± Substituto de Conselheiro ± 2015 A respeito da competência, considere I. A incompetência absoluta deve ser arguida no âmbito de exceção de incompetência. II. Declarada a incompetência absoluta, todos os atos do processo são declarados nulos, por afrontarem expressa disposição de lei. III. Declarada a incompetência absoluta, o processo é extinto sem resolução de mérito, por ausência de condições da ação. IV. Duas ou mais ações são conexas quando comum o objeto ou a causa de pedir. Está correto o que se afirma APENAS em a) IV. b) II, III e IV. c) I, II e III. d) I, II e IV.e) I e III. Comentários Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 125 de 155 Vamos analisar cada um dos itens. O item I está incorreto. A incompetência, absoluta ou relativa, será alegada como questão preliminar de contestação, conforme prevê o art. 64, do NCPC. Contudo, diz o § 1º, do mesmo artigo, que a incompetência absoluta poderá ser alegada a qualquer tempo e em qualquer grau de jurisdição. O item II está incorreto. Conforme art. 64, §4º, salvo decisão judicial em sentido contrário, conservar-se-ão os efeitos de decisão proferida pelo juízo incompetente até que outra seja proferida, se for o caso, pelo juízo competente. O item III está incorreto. Ainda com base no art. 64, o §3º, o qual menciona que caso a alegação de incompetência seja acolhida, os autos serão remetidos ao juízo competente. O item IV está correto. De acordo com o art. 55, reputam-se conexas duas ou mais ações quando lhes for comum o pedido ou a causa de pedir. Assim, a alternativa A está correta e é o gabarito da questão. Questão 45 ± FCC/TCE-CE ± Analista de Controle Externo ± Atividade Jurídica ± 2015 As ações fundadas em direito real sobre bens a) móveis serão propostas, em regra, no foro do domicílio do réu, tratando- se de competência relativa. b) móveis serão propostas, em regra, no foro da situação da coisa, tratando- se de competência absoluta. c) imóveis serão propostas sempre no foro da situação da coisa, tratando- se de competência relativa. d) móveis serão propostas sempre no foro do domicílio do réu, tratando-se de competência absoluta. e) imóveis serão propostas sempre no foro do domicílio do réu, tratando-se de competência absoluta. Comentários Com base no art. 46, do NCPC, as ações fundadas em direito real sobre bens móveis serão propostas, em regra, no foro do domicílio do réu. Além disso, trata- se de competência relativa, pois as partes poderão dispor de forma diversa em contrato. Art. 46. A ação fundada em direito pessoal ou em direito real sobre bens móveis será proposta, em regra, no foro de domicílio do réu. Portanto, a alternativa A está correta e é o gabarito da questão. Questão 46 ± VUNESP/MPE-SP ± Analista de Promotoria ± 2015 ± Adaptada ao NCPC Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 126 de 155 Havendo modificação de competência no curso de um processo, em razão de incompetência absoluta, os atos processuais já praticados a) são ineficazes, devendo a ação prosseguir com nova citação. b) são anuláveis. c) estão automaticamente invalidados. d) podem ser ratificados pelo juízo competente. e) terão seus efeitos conservados, salvo decisão judicial em sentido contrário. Comentários A alternativa E está correta e é o gabarito da questão. No NCPC há aplicação do princípio do aproveitamento dos atos processuais. Assim, apenas de declarados inválidos pelo juízo competente, os atos praticas serão afastados do processo. Vejamos o art. 64, § 4º, do NCPC. § 4o Salvo decisão judicial em sentido contrário, conservar-se-ão os efeitos de decisão proferida pelo juízo incompetente até que outra seja proferida, se for o caso, pelo juízo competente. Questão 47 ± FCC/TJ-RR ± Juiz Substituto ± 2015 Quanto à competência, a) se reconhecida a incompetência absoluta, o processo será extinto, sem resolução do mérito. b) sua estabilidade se dá com a propositura da ação. c) da decisão que reconhecer a incompetência relativa, não cabe recurso, por ausência de gravame às partes. d) como regra geral, são relevantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente à determinação da competência. e) as ações fundadas em direito real sobre móveis devem ser propostas em regra no foro da situação da coisa, no momento da propositura. Comentários A alternativa A está incorreta. Se reconhecida a incompetência absoluta do juízo, os autos serão encaminhados ao juízo, sem a necessidade de sentença, conforme art. 64, §2º do NCPC. § 2o Após manifestação da parte contrária, o juiz decidirá imediatamente a alegação de incompetência. A alternativa B está correta e é o gabarito da questão, pois se refere ao art. 43. Art. 43. Determina-se a competência no momento do registro ou da distribuição da petição inicial, sendo irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente, salvo quando suprimirem órgão judiciário ou alterarem a competência absoluta. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 127 de 155 A alternativa C está incorreta. A decisão que reconhece a incompetência relativa é uma decisão interlocutória, impugnável por meio do recurso de agravo. Vejamos o art. 1.015. Art. 1.015. Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre: A alternativa D está incorreta. Como citado acima, o art. 43 prevê que são irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente, salvo quando suprimirem órgão judiciário ou alterarem a competência absoluta. A alternativa E está incorreta. De acordo com o art. 47, as ações fundadas em direito real sobre imóveis devem ser propostas, em regra, no foro da situação da coisa. Art. 47. Para as ações fundadas em direito real sobre imóveis é competente o foro de situação da coisa. Questão 48 ± FCC/TER-RR ± Analista Judiciário ± Área Judiciária ± 2015 No tocante à competência territorial, considere: I. Quando o réu não tiver domicílio nem residência no Brasil, a ação será proposta no foro do domicílio do autor. Se este também residir fora do Brasil, a ação será proposta obrigatoriamente no foro do réu. II. O foro do domicílio do autor da herança, no Brasil, é o competente para o inventário, a partilha, a arrecadação, o cumprimento de disposições de última vontade e todas as ações em que o espólio for réu, exceto se o óbito tenha ocorrido no estrangeiro. III. Nas ações de reparação do dano sofrido em razão de delito ou acidente de veículos, será competente o foro do domicílio do autor ou do local do fato. IV. Nas ações fundadas em direito real sobre imóveis é competente o foro da situação da coisa. Pode o autor, entretanto, optar pelo foro do domicílio ou de eleição, não recaindo o litígio sobre direito de propriedade, vizinhança, servidão, posse, divisão e demarcação de terras e nunciação de obra nova. Está correto o que se afirma APENAS em a) I, III e IV. b) I e II. c) I, II e III. d) III e IV. e) II, III e IV. Comentários Vamos analisar cada um dos itens. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 128 de 155 O item I está incorreto. Segundo o art. 46, §3º do NCPC, quando o réu não tiver domicílio ou residência no Brasil, a ação será proposta no foro de domicílio do autor, e, se este também residir fora do Brasil, a ação será proposta em qualquer foro. O item II está incorreto. De acordo com o art. 48, o foro de domicílio do autor da herança, no Brasil, é o competente para o inventário, a partilha, a arrecadação, o cumprimento de disposições de última vontade, a impugnação ou anulação de partilha extrajudicial e para todas as ações em que o espólio for réu, ainda que o óbito tenha ocorrido no estrangeiro. O item III está correto, pois está previsto no art. 53, V. Art. 53. É competente o foro: V - de domicílio do autor ou do local do fato, para a ação de reparação de dano sofrido em razão de delito ou acidente de veículos, inclusive aeronaves. O item IV está correto. Vejamos o art. 47, §1º. Art. 47. Para as ações fundadas em direito real sobre imóveis é competente o foro de situação da coisa. § 1o O autor pode optar pelo foro de domicílio do réu ou pelo foro de eleição se o litígio não recair sobre direito de propriedade, vizinhança, servidão, divisão e demarcaçãode terras e de nunciação de obra nova. Portanto, a alternativa D está correta e é o gabarito da questão. Questão 49 ± CONSULPLAN/TJ-MG ± Titular de Serviços de Notas e de Registro ± 2015 ± adaptada ao NCPC A respeito de competência, marque a alternativa INCORRETA: a) A competência territorial é, em regra, relativa. b) A incompetência territorial deve ser arguida, segundo a norma legal, por meio de preliminar de contestação, na primeira oportunidade em que cumprir à parte se manifestar nos autos. c) Reconhecida a incompetência absoluta, remetem-se os autos ao juiz competente, reputando-se nulos todos os atos praticados, inclusive os decisórios. d) A incompetência absoluta pode ser reconhecida pelo magistrado ex officio. Comentários A alternativa A está correta. Em regra, a competência territorial é relativa. É válido lembrar que a lei processual excepciona alguns casos em que a competência territorial é considerada absoluta, quando, por exemplo, determina que será competente o foro da situação da coisa para dirimir conflitos sobre direito de propriedade, de vizinhança, de servidão, de posse, de divisão, de demarcação de terras e de nunciação de obra nova. A alternativa B está correta. Como já citado, a incompetência territorial é relativa. Ela deve ser arguida na primeira oportunidade em que cumprir à parte Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 129 de 155 se manifestar nos autos, sob pena de prorrogação, agora, no NCPC, em preliminar de contestação. A alternativa C está incorreta e é o gabarito da questão. Declarada incompetência absoluta, os autos serão remetidos ao juízo competente e todos os atos serão conservados, salvo decisão judicial em contrário. É o que dispõe o art. 64, § 4º, do NCPC. A alternativa D está correta, conforme previsto no art. 64, §1º. § 1o A incompetência absoluta pode ser alegada em qualquer tempo e grau de jurisdição e deve ser declarada de ofício. Questão 50 ± FCC/TCM-GO ± Auditor Conselheiro Substituto ± 2015 Quanto à competência, é correto afirmar: a) As mudanças de domicílio do réu, depois de ajuizada a demanda, não alteram a competência, já estabilizada com a propositura da ação. b) Sendo incerto ou desconhecido o domicílio do réu, ele será demandado no foro de seu último domicílio. c) A ação fundada em direito pessoal e a ação fundada em direito real sobre bens móveis serão propostas, em regra, no foro do domicílio do autor. d) A competência é determinada no momento em que a ação é proposta; são, porém, relevantes, como regra geral, as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente. e) A ação intentada perante tribunal estrangeiro induz litispendência, obstando a que a autoridade judiciária brasileira conheça da mesma causa e das que lhe são conexas. Comentários A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. As mudanças de domicílio do réu, depois de ajuizada a demanda, não alteram a competência. Trata-se do princípio da perpetuação da competência. Vejamos o art. 43, do NCPC. Art. 43. Determina-se a competência no momento do registro ou da distribuição da petição inicial, sendo irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente, salvo quando suprimirem órgão judiciário ou alterarem a competência absoluta. A alternativa B está incorreta. De acordo com o art. 46, §2º, sendo incerto ou desconhecido o domicílio do réu, a ação poderá ser proposta no local onde o réu for encontrado ou no foro de domicílio do autor. A alternativa C está incorreta. A ação fundada em direito pessoal e a ação fundada em direito real sobre bens móveis serão propostas, em regra, no foro do domicílio do réu, conforme art. 46. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 130 de 155 A alternativa D está incorreta. Como já citado, a competência é determinada no momento em que a ação é proposta; são, porém, irrelevantes, como regra geral, as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente. A alternativa E está incorreta. Com base no art. 24, a ação proposta perante tribunal estrangeiro não induz litispendência e não obsta que a autoridade judiciária brasileira conheça da mesma causa e das que lhe são conexas. Art. 24. A ação proposta perante tribunal estrangeiro não induz litispendência e não obsta a que a autoridade judiciária brasileira conheça da mesma causa e das que lhe são conexas, ressalvadas as disposições em contrário de tratados internacionais e acordos bilaterais em vigor no Brasil. Questão 51 ± FCC/TCM-GO ± Auditor Controle Externo ± Jurídica ± 2015 No tocante à competência, a) ocorrendo em separado ações conexas perante juízes que têm a mesma competência territorial, considera-se prevento aquele que saneou o feito em primeiro lugar. b) a conexão de causas é matéria de ordem privada, dependendo de requerimento da parte para ser conhecida pelo juiz. c) para a ação em que se pedem alimentos, é competente o foro do domicílio ou da residência do alimentante. d) quando decorrer da matéria e do território poderá modificar-se pela conexão ou continência. e) como regra normativa, nas ações de reparação do dano sofrido em razão de delito ou acidente de veículos, será competente o foro do domicílio do autor ou do local do fato. Comentários A alternativa A está incorreta. De acordo com o art. 59, correndo em separado ações conexas perante juízes que têm a mesma competência territorial, considera-se prevento o juízo para o qual foi primeiro distribuído o processo e se manifestou no proceso. Art. 59. O registro ou a distribuição da petição inicial torna prevento o juízo. A alternativa B está incorreta. A conexão de causas é matéria de ordem pública, e pode ser conhecida de ofício pelo juiz, ou também requerida da parte. A alternativa C está incorreta. Para a ação de alimentos, é competente o foro do domicílio ou da residência do alimentando, conforme art. 53, II. Art. 53. É competente o foro: II - de domicílio ou residência do alimentando, para a ação em que se pedem alimentos; A alternativa D está incorreta. Competência em razão da matéria não pode ser modificada por conexão ou continência, pois trata-se de competência absoluta. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 131 de 155 A alternativa E está correta e é o gabarito da questão, com base no art. 53, IV. IV - do lugar do ato ou fato para a ação: a) de reparação de dano; b) em que for réu administrador ou gestor de negócios alheios; Questão 52 ± CONSULPLAN/TJ-MG ± Titular de Serviços de Notas e de Registros ± 2015 Sobre a conexão entre ações, marque a alternativa correta: a) Ocorrendo a conexão entre ações cujos juízes tem a mesma competência territorial, considera-se prevento aquele que teve o processo distribuído em primeiro lugar. b) Ocorrendo a conexão entre ações cujos juízes tem competência territorial diversa, considera-se prevento aquele que tiver primeiro realizado a citação válida. c) Havendo conexão entre as ações o Juiz não pode ex officio ordenar a reunião das ações propostas em separado. d) Dá-se a conexão entre duas ou mais ações sempre que há identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o objeto de uma, por ser mais amplo, abrange o das outras. Comentários Para responder a essa questão devemos lembrar dos arts. 58 e 59 do NCPC. Identificada a conexão ou continência haverá a reunião dos processos que deve ocorrer perante o Juízo prevento. A prevenção é fixada no art. 59 em razão do registro ou da distribuição da petição inicial. Veja: Art. 58. A reunião das ações propostas em separado far-se-á no juízo prevento, onde serão decididas simultaneamente. Art. 59. O registro ou a distribuição da petição inicial torna prevento o juízo.Assim, a alternativa A está correta, pois conforme o art. 59, do NCPC. A alternativa B, por sua vez, está incorreta. Embora fosse esse o gabarito sob a vigência do CPC73, para o NCPC a citação válida não terá o condão de prevenir a competência. A alternativa C está incorreta. A lei processual é expressa em afirmar que, havendo conexão entre as ações, o juiz poderá ordenar, de ofício, a reunião delas a fim de que sejam decididas simultaneamente. A alternativa D está incorreta. A afirmativa corresponde à de continência e não de conexão. Com base no art. 55, reputam-se conexas duas ou mais ações quando lhes for comum o pedido ou a causa de pedir. Questão 53 ± FGV/TJ-BA ± Técnico Judiciário ± Escrevente ± Área Judiciária ± 2015 Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 132 de 155 A incompetência territorial: a) pode ter natureza absoluta, quando fundada em critérios de ordem pública; b) deve ser alegada na primeira oportunidade, sob pena de preclusão; c) deve ser arguida pela parte que propôs a demanda; d) pode ser conhecida no curso do processo, em qualquer tempo ou grau de jurisdição; e) pode levar à extinção do processo sem resolução do mérito. Comentários A alternativa A está correta e é o gabarito da questão. A legislação processual excepciona alguns casos em que a competência territorial é absoluta. Vejamos o art. 47, §1º do NCPC. Art. 47. Para as ações fundadas em direito real sobre imóveis é competente o foro de situação da coisa. § 1o O autor pode optar pelo foro de domicílio do réu ou pelo foro de eleição se o litígio não recair sobre direito de propriedade, vizinhança, servidão, divisão e demarcação de terras e de nunciação de obra nova. A alternativa B está incorreta. A incompetência territorial deve ser alegada na primeira oportunidade em que couber a parte falar nos autos, sob pena de sofrer prorrogação. Há preclusão do prazo para alegar a incompetência com a entrega da contestação pela parte ré. A alternativa C está incorreta. O autor propõe a ação no juízo que entende competente para processá-la e julgá-la, cumprindo ao réu, ou ao Ministério Público em casos específicos, arguir a sua incompetência. A alternativa D está incorreta. A incompetência relativa deve ser arguida, por meio de preliminar à contestação, sob pena de preclusão. A incompetência absoluta não está sujeita à prorrogação, podendo ser conhecida no curso do processo, de ofício ou mediante requerimento da parte, a qualquer tempo e em qualquer grau de jurisdição. A alternativa E está incorreta. Como regra geral, a declaração da incompetência relativa leva à remessa dos autos ao juiz competente, e não à extinção do processo. Questão 54 ± FCC/TRT ± 6ª REGIÃO (PE) ± Juiz do Trabalho Substituto ± 2015 José e Pedro celebraram contrato de compra e venda a prestação de um veículo. Tendo Pedro deixado de pagar as prestações, José moveu ação de cobrança e Pedro, ação de rescisão de contrato, por vício redibitório. Nesse caso, há, entre as ações propostas, a) coisa julgada. b) conexão. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 133 de 155 c) afinidade que não acarreta conexão, litispendência ou continência. d) litispendência. e) continência. Comentários A questão trata do ajuizamento de duas ações: a primeira, ajuizada por José em face de Pedro, requerendo o pagamento das prestações acordadas em um contrato por eles firmado. A segunda, ajuizada por Pedro em face de José, requerendo a rescisão do referido contrato. No caso da presente questão há mesmo objeto, ou seja, o contrato entre ambos. A causa de pedir, entretanto, é diferente, pois uma delas explora o vício no veículo e o outro explora o não pagamento. Portanto, não há possibilidade para ser contingência. Havendo identidade de partes ou de causa de pedir, as ações são reputadas conexas, conforme art. 55, do NCPC. Art. 55. Reputam-se conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o pedido ou a causa de pedir. Portanto a alternativa B está correta e é o gabarito da questão. A alternativa A está incorreta. Não há que se falar em coisa julgada se ainda não houve julgamento de quaisquer das ações, conforme art. 337, §3º. Art. 337. Incumbe ao réu, antes de discutir o mérito, alegar: § 3o Há litispendência quando se repete ação que está em curso. A alternativa C está incorreta. Como já citado, há conexão entre as ações. A alternativa D está incorreta. A litispendência pressupõe a equivalência dos três elementos identificadores da demanda, quais sejam, as partes, a causa de pedir e o pedido, previsto no art. 337, §§ 1º, 2º e 3º. Nesse caso não há equivalência entre os pedidos. § 1o Verifica-se a litispendência ou a coisa julgada quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. § 2o Uma ação é idêntica a outra quando possui as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido. § 3o Há litispendência quando se repete ação que está em curso. A alternativa E está incorreta. Nesse caso, os seus pedidos são diversos, a primeira requer o pagamento das prestações, a segunda requer a rescisão do contrato e, portanto, o não pagamento das mesmas. Sendo os pedidos diversos, não há que se falar na abrangência de um pelo outro. 6.4 - Lista de Questões de Aula (TRT4ªRJuiz do Trabalho Substituto/2016) Julgue: Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 134 de 155 São condições da ação, conforme previsão expressa, e, portanto, matéria de ordem pública, sobre as quais o Juiz deve se pronunciar de ofício, a legitimidade de parte, o interesse processual e a possibilidade jurídica do pedido. Gabarito: INCORRETA (TJ-AM/Juiz Substituto/2016) Acerca da jurisdição e dos princípios informativos do processo civil, assinale a opção correta. a) No âmbito do processo civil, admite-se a renúncia, expressa ou tácita, do direito atribuído à parte de participar do contraditório. b) A jurisdição voluntária se apresenta predominantemente como ato substitutivo da vontade das partes. c) A carta precatória constitui exceção ao princípio da indeclinabilidade da jurisdição. d) A garantia do devido processo legal se limita à observância das formalidades previstas no CPC. e) O princípio da adstrição atribui à parte o poder de iniciativa para instaurar o processo civil. Gabarito: ALTERNATIVA A (TRF5ªR/Juiz Federal Substituto/2015) Acerca da jurisdição e de seus equivalentes, assinale a opção correta. a) A sentença estrangeira arbitral não pode funcionar como título executivo devido ao princípio da territorialidade, que rege a arbitragem no Brasil. b) A legislação civil brasileira prevê hipótese de autocomposição ao permitir que o possuidor esbulhado obtenha de volta a posse de seu bem, por sua própria força, contanto que o faça logo. c) A jurisdição constitui atividade substitutiva do Estado para solução de conflitos e é exercida, em regra, mediante provocação do interessado. d) A justiça federal é considerada especial em comparação com a justiça estadual. e) O princípio dispositivo não se aplica à instrução do processo, podendo o juiz determinar produção de provas não requeridas pelas partes. Gabarito: ALTERNATIVA E (TRT23ªR/Juiz do Trabalho Substituto/2014) Analise as proposituras abaixo e responda: I) A Jurisdição é uma função do Estado, por meio da qual ele soluciona os conflitos de interesse de forma coercitiva, aplicando a lei geral e abstrata aos casos concretos que lhe são submetidos. II) A Jurisdição possui como características a substitutividade, a definitividade, imperatividade, inafastabilidade, a inércia e indelegabilidade. III) Reconhecida a incompetência absoluta, deve o juiz remeter os autos ao juízo competente, sendo nulos os atos decisórios praticados até então. Mesmo que a sentençatransite em julgado, a incompetência absoluta ensejará o ajuizamento de ação rescisória. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 135 de 155 IV) A incompetência relativa deve ser arguida por meio de exceção de incompetência, no prazo da contestação, sob pena de preclusão, contudo o juiz poderá declará-la de ofício, caso haja prejuízo para quaisquer das partes. V) As ações possessórias em regra são consideradas reais imobiliárias e a competência para julgá-las é do foro de situação da coisa. a) Apenas a propositura IV é falsa. b) São verdadeiras apenas as assertivas I, II e V. c) São verdadeiras apenas as assertivas II, III e V. d) Apenas a propositura V é falsa. e) As assertivas I e IV são corretas. Gabarito: ALTERNATIVA B. (TRF1ªR/Juiz Federal Substituto/2015) Assinale a opção correta a respeito da jurisdição e dos equivalentes jurisdicionais. a) Na jurisdição voluntária, a lei confere maior flexibilidade ao julgador para conduzir o processo, mas o obriga à observância de critérios de legalidade estrita quando da prolação da sentença. b) A imparcialidade é a característica da jurisdição contenciosa que impede o julgador de determinar, de ofício, a produção de prova em juízo. c) A autodefesa, excepcionalmente permitida no direito brasileiro para a composição da lide, pode ocorrer antes ou durante o processo. d) Na arbitragem, as partes podem escolher a norma de direito material a ser aplicada para a solução do conflito. e) Configura exceção à regra da indelegabilidade da jurisdição a expedição de carta precatória que delegue a oitiva de testemunha a outro juízo. Gabarito: ALTERNATIVA D (TJ-AM/Juiz Substituto/2016) A respeito da ação e dos pressupostos processuais, assinale a opção correta. a) Segundo a teoria da asserção, a análise das condições da ação é feita pelo juiz com base nas alegações apresentadas na petição inicial. b) Na ação de alimentos contra o pai, o menor de dezesseis anos de idade tem legitimidade para o processo, mas não goza de legitimidade para a causa. c) O direito a determinada prestação jurisdicional se esgota com o simples exercício do direito de ação. d) Conforme a teoria concreta da ação, o direito de agir é autônomo e independe do reconhecimento do direito material supostamente violado. e) Na hipótese de legitimidade extraordinária, a presença e a higidez dos pressupostos processuais serão examinadas em face da parte substituída. Gabarito: ALTERNATIVA A Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 136 de 155 (PGFN/Procurador da Fazenda Nacional/2015) Segundo a teoria da asserção ou prospettazione: a) o juiz deve estrita observância aos limites do pedido, não podendo julgar além, aquém ou fora do que foi postulado pelas partes. b) as condições da ação devem ser apreciadas de acordo com as alegações do autor na petição inicial, ou seja, não dependem da correspondência entre tais afirmações e a realidade verificada a partir da dilação probatória. c) trata-se de teoria relacionada à impugnação das decisões judiciais, que delimita o efeito devolutivo dos recursos ao que consta precisamente da peça recursal. d) o autor deve descrever, na inicial, os fatos e os fundamentos jurídicos do pedido, ou seja, ao autor incumbe substanciar a causa de pedir com todos os fatos importantes que deram origem ao seu pleito. e) cabe ao réu impugnar todos os fatos articulados pelo autor na petição inicial, sendo vedada a impugnação genérica. Gabarito: ALTERNATIVA B (Câmara dos Deputados/Analista Legislativo/2014) Julgue o item seguinte, relativo à teoria e às condições da ação. Entre as condições da ação inclui-se a possibilidade jurídica do pedido, que consiste na exigência de que o pedido de tutela jurisdicional formulado em juízo não seja vedado pelo ordenamento jurídico. Gabarito: INCORRETA (Câmara dos Deputados/Analista Legislativo/2014) Julgue o item seguinte , relativo à teoria e às condições da ação. A escola clássica, imanentista ou civilista, segundo a qual a ação é uma qualidade de todo direito ou o próprio direito como forma de reação a uma violação, é a teoria predominantemente adotada no direito processual civil brasileiro. Gabarito: INCORRETA (Câmara dos Deputados/Analista Legislativo/2014) Com referência a jurisdição, ação e competência, julgue os itens que se seguem. O Código de Processo Civil (CPC) adotou a teoria concreta do direito de ação que proclama como desdobramento lógico o reconhecimento da pretensão posta em juízo Gabarito: CORRETA (TJ-DFT/AJAJ/2015) Julgue o item seguinte, com base no que dispõe o Código de Processo Civil (CPC) a respeito de competência, intervenção de terceiros, liquidação de sentença e capacidade postulatória. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 137 de 155 Situação hipotética: Carolina propôs na Circunscrição Judiciária de Brasília ação reivindicatória contra Júlia, domiciliada em Brasília ± DF, com a finalidade de discutir a propriedade de imóvel localizado em Goiânia ± GO. Assertiva: Nesse caso, o juiz deve declinar de sua competência de ofício, independentemente de oferecimento de exceção pela parte interessada. Gabarito: CORRETA 7 - Destaques da Legislação ª art. 17, do NCPC: Art. 17. PARA POSTULAR EM JUÍZO é necessário ter interesse e legitimidade. ª art. 18, do NCPC: Art. 18. NINGUÉM poderá pleitear direito alheio em nome próprio, SALVO quando autorizado pelo ordenamento jurídico. Parágrafo único. Havendo substituição processual, o substituído poderá intervir como assistente litisconsorcial. ª art. 19, do NCPC: Art. 19. O interesse do autor pode limitar-se à declaração: I - da existência, da inexistência ou do modo de ser de uma relação jurídica; II - da autenticidade ou da falsidade de documento. ª art. 20, do NCPC: Art. 20. É admissível a ação meramente declaratória, ainda que tenha ocorrido a violação do direito. ª art. 21, do NCPC: Art. 21. Compete à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações em que: I - o réu, QUALQUER que seja a sua nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil; II - no Brasil tiver de ser cumprida a obrigação; III - o fundamento seja fato ocorrido ou ato praticado no Brasil. Parágrafo único. Para o fim do disposto no inciso I, considera-se domiciliada no Brasil a pessoa jurídica estrangeira que nele tiver agência, filial ou sucursal. ª art. 22, do NCPC: Art. 22. Compete, ainda, à autoridade judiciária brasileira processar e julgar as ações: I - de alimentos, quando: a) o credor tiver domicílio ou residência no Brasil; b) o réu mantiver vínculos no Brasil, tais como posse ou propriedade de bens, recebimento de renda ou obtenção de benefícios econômicos; II - decorrentes de relações de consumo, quando o consumidor tiver domicílio ou residência no Brasil; III - em que as partes, expressa ou tacitamente, se submeterem à jurisdição nacional. ª art. 23, do NCPC: Art. 23. Compete à autoridade judiciária brasileira, COM EXCLUSÃO DE QUALQUER OUTRA: Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 138 de 155 I - conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil; II - em matéria de sucessão hereditária, proceder à confirmação de testamento particular e ao inventário e à partilha de bens situados no Brasil, AINDA QUE o autor da herança seja de nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do território nacional; III - em divórcio, separação judicial ou dissolução de união estável, proceder à partilha de bens situados no Brasil, AINDA QUE o titular seja de nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do território nacional. ª art. 43, do NCPC: Art. 43. Determina-se a competência no momento do registro ou da distribuição da petição inicial,sendo irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas posteriormente, SALVO quando suprimirem órgão judiciário ou alterarem a competência absoluta. ª art. 44, do NCPC: Art. 44. Obedecidos os limites estabelecidos pela Constituição Federal, a competência é determinada pelas normas previstas neste Código ou em legislação especial, pelas normas de organização judiciária e, ainda, no que couber, pelas constituições dos Estados. ª art. 45, do NCPC: Art. 45. Tramitando o processo perante outro juízo, os autos serão remetidos ao juízo federal competente se nele intervier a União, suas empresas públicas, entidades autárquicas e fundações, ou conselho de fiscalização de atividade profissional, na qualidade de parte ou de terceiro interveniente, exceto as ações: I - de recuperação judicial, falência, insolvência civil e acidente de trabalho; II - sujeitas à justiça eleitoral e à justiça do trabalho. § 1o Os autos NÃO serão remetidos se houver pedido cuja apreciação seja de competência do juízo perante o qual foi proposta a ação. § 2o Na hipótese do § 1o, o juiz, ao não admitir a cumulação de pedidos em razão da incompetência para apreciar qualquer deles, não examinará o mérito daquele em que exista interesse da União, de suas entidades autárquicas ou de suas empresas públicas. § 3o O juízo federal restituirá os autos ao juízo estadual sem suscitar conflito se o ente federal cuja presença ensejou a remessa for excluído do processo. ª art. 46, do NCPC: Art. 46. A ação fundada em direito pessoal ou em direito real sobre bens móveis será proposta, em regra, no foro de domicílio do réu. § 1o Tendo mais de um domicílio, o réu será demandado no foro de qualquer deles. § 2o Sendo incerto ou desconhecido o domicílio do réu, ele poderá ser demandado onde for encontrado ou no foro de domicílio do autor. § 3o Quando o réu não tiver domicílio ou residência no Brasil, a ação será proposta no foro de domicílio do autor, e, se este também residir fora do Brasil, a ação será proposta em qualquer foro. § 4o Havendo 2 (dois) ou mais réus com diferentes domicílios, serão demandados no foro de qualquer deles, à escolha do autor. § 5o A execução fiscal será proposta no foro de domicílio do réu, no de sua residência ou no do lugar onde for encontrado. ª art. 47, do NCPC: Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 139 de 155 Art. 47. Para as ações fundadas em direito real sobre imóveis é competente o foro de situação da coisa. § 1o O autor pode optar pelo foro de domicílio do réu ou pelo foro de eleição se o litígio NÃO recair sobre direito de propriedade, vizinhança, servidão, divisão e demarcação de terras e de nunciação de obra nova. § 2o A ação possessória imobiliária será proposta no foro de situação da coisa, cujo juízo tem competência absoluta. ª art. 48, do NCPC: Art. 48. O foro de domicílio do autor da herança, no Brasil, é o competente para o inventário, a partilha, a arrecadação, o cumprimento de disposições de última vontade, a impugnação ou anulação de partilha extrajudicial e para todas as ações em que o espólio for réu, ainda que o óbito tenha ocorrido no estrangeiro. Parágrafo único. Se o autor da herança não possuía domicílio certo, é competente: I - o foro de situação dos bens imóveis; II - havendo bens imóveis em foros diferentes, qualquer destes; III - não havendo bens imóveis, o foro do local de qualquer dos bens do espólio. ª art. 49, do NCPC: Art. 49. A ação em que o ausente for réu será proposta no foro de seu último domicílio, também competente para a arrecadação, o inventário, a partilha e o cumprimento de disposições testamentárias. ª art. 50, do NCPC: Art. 50. A ação em que o incapaz for réu será proposta no foro de domicílio de seu representante ou assistente. ª art. 51, do NCPC: Art. 51. É competente o foro de domicílio do réu para as causas em que seja autora a União. Parágrafo único. Se a União for a demandada, a ação poderá ser proposta no foro de domicílio do autor, no de ocorrência do ato ou fato que originou a demanda, no de situação da coisa ou no Distrito Federal. ª art. 52, do NCPC: Art. 52. É competente o foro de domicílio do réu para as causas em que seja autor Estado ou o Distrito Federal. Parágrafo único. Se Estado ou o Distrito Federal for o demandado, a ação poderá ser proposta no foro de domicílio do autor, no de ocorrência do ato ou fato que originou a demanda, no de situação da coisa ou na capital do respectivo ente federado. ª art. 53, do NCPC: Art. 53. É competente o foro: I - para a ação de divórcio, separação, anulação de casamento e reconhecimento ou dissolução de união estável: a) de domicílio do guardião de filho incapaz; b) do último domicílio do casal, caso não haja filho incapaz; c) de domicílio do réu, se nenhuma das partes residir no antigo domicílio do casal; Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 140 de 155 II - de domicílio ou residência do alimentando, para a ação em que se pedem alimentos; III - do lugar: a) onde está a sede, para a ação em que for ré pessoa jurídica; b) onde se acha agência ou sucursal, quanto às obrigações que a pessoa jurídica contraiu; c) onde exerce suas atividades, para a ação em que for ré sociedade ou associação sem personalidade jurídica; d) onde a obrigação deve ser satisfeita, para a ação em que se lhe exigir o cumprimento; e) de residência do idoso, para a causa que verse sobre direito previsto no respectivo estatuto; f) da sede da serventia notarial ou de registro, para a ação de reparação de dano por ato praticado em razão do ofício; IV - do lugar do ato ou fato para a ação: a) de reparação de dano; b) em que for réu administrador ou gestor de negócios alheios; V - de domicílio do autor ou do local do fato, para a ação de reparação de dano sofrido em razão de delito ou acidente de veículos, inclusive aeronaves. ª art. 54, do NCPC: Art. 54. A competência relativa poderá modificar-se pela conexão ou pela continência, observado o disposto nesta Seção. ª art. 55, do NCPC: Art. 55. Reputam-se conexas 2 (duas) ou mais ações quando lhes for comum o pedido ou a causa de pedir. § 1o Os processos de ações conexas serão reunidos para decisão conjunta, SALVO se um deles já houver sido sentenciado. § 2o Aplica-se o disposto no caput: I - à execução de título extrajudicial e à ação de conhecimento relativa ao mesmo ato jurídico; II - às execuções fundadas no mesmo título executivo. § 3o Serão reunidos para julgamento conjunto os processos que possam gerar risco de prolação de decisões conflitantes ou contraditórias caso decididos separadamente, mesmo sem conexão entre eles. ª art. 56, do NCPC: Art. 56. Dá-se a continência entre 2 (duas) ou mais ações quando houver identidade quanto às partes e à causa de pedir, mas o pedido de uma, por ser mais amplo, abrange o das demais. ª art. 58, do NCPC: Art. 58. A reunião das ações propostas em separado far-se-á no juízo prevento, onde serão decididas simultaneamente. ª art. 59, do NCPC: Art. 59. O registro ou a distribuição da petição inicial torna prevento o juízo. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 141 de 155 ª art. 63, do NCPC: Art. 63. As partes podem modificar a competência em razão do valor e do território, elegendo foro onde será proposta ação oriunda de direitos e obrigações. § 1o A eleição de foro só produz efeito quando constar de instrumento escrito e aludir expressamente a determinado negócio jurídico. § 2o O foro contratual obriga os herdeiros e sucessores das partes. § 3o Antes da citação, a cláusula de eleição de foro, se abusiva, pode ser reputada ineficaz de ofício pelo juiz, que determinará a remessa dos autos ao juízo do foro de domicíliodo réu. § 4o Citado, incumbe ao réu alegar a abusividade da cláusula de eleição de foro na contestação, sob pena de preclusão. ª art. 62, do NCPC: Art. 62. A competência determinada em razão da matéria, da pessoa ou da função é inderrogável por convenção das partes. ª art. 63, do NCPC: Art. 63. As partes podem modificar a competência em razão do valor e do território, elegendo foro onde será proposta ação oriunda de direitos e obrigações. ª art. 64, do NCPC: Art. 64. A incompetência, absoluta ou relativa, será alegada como questão preliminar de contestação. § 1º A incompetência absoluta pode ser alegada em qualquer tempo e grau de jurisdição e deve ser declarada de ofício. § 2º Após manifestação da parte contrária, o juiz decidirá imediatamente a alegação de incompetência. § 3º Caso a alegação de incompetência seja acolhida, os autos serão remetidos ao juízo competente. § 4º SALVO decisão judicial em sentido contrário, conservar-se-ão os efeitos de decisão proferida pelo juízo incompetente até que outra seja proferida, se for o caso, pelo juízo competente. O art. 65, por sua vez, estabelece a prorrogação da competência relativa: Art. 65. Prorrogar-se-á a competência relativa SE o réu NÃO alegar a incompetência em preliminar de contestação. Parágrafo único. A incompetência relativa pode ser alegada pelo Ministério Público nas causas em que atuar. 8 - Súmulas e Jurisprudência Correlatos ª Súmula STJ 59: não se cogita conflito de competência se uma das causas já foi julgada. Súmula STJ 59 Não há conflito de competência se já existe sentença com trânsito em julgado, proferida por um dos Juízos conflitantes. ª Súmula STJ 33: O reconhecimento da competência relativa depende de provocação, sob pena de prorrogação da competência. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 142 de 155 Súmula STJ 33 A incompetência relativa não pode ser declarada de oficio. ª Súmula STJ 150: para que a demanda seja deslocada para a Justiça Federal, basta a presença de interesse jurídico da União ou de suas autarquias ou empresas públicas para deslocamento do processo. Súmula STJ 150 Compete à Justiça Federal decidir sobre a existência de interesse jurídico que justifique a presença, no processo, da União, suas autarquias ou empresas públicas. ª Súmula STJ 181: exemplo de ação declaratória admissível à luz do art. 19 do NCPC. Súmula STJ 181 É admissível ação declaratória, visando a obter certeza quanto à exata interpretação de cláusula contratual. ª Súmula STJ 213: exemplo de ação declaratória admissível à luz do art. 19 do NCPC. Súmula STJ 213 O mandado de segurança constitui ação adequada para a declaração do direito à compensação tributária. ª Súmula STJ 242: exemplo de ação declaratória admissível à luz do art. 19 do NCPC. Súmula STJ 242 Cabe ação declaratória para reconhecimento de tempo de serviço para fins previdenciários. ª Súmula STJ 2: e enunciado traz hipótese de exceção à princípio da inafastabilidade do Poder Judiciário, ao condicionar o exercício da jurisdição à prévia recusa por parte da autoridade administrativa para o ajuizamento da ação constitucional. Súmula STJ 2 Não cabe habeas data (CF, art. 5º, LXXI, a) se não houver recusa de informações por parte da autoridade administrativa. ª REsp. 796.533/BA14: indeferimento da petição com extinção do processo sem julgamento do mérito por faltar interesse dada a inexistência de utilidade prática da ação. PROCESSUAL CIVIL - EXECUÇÃO DE VALOR IRRISÓRIO - PRINCÍPIO DAUTILIDADE - AUSÊNCIA DE INTERESSE PROCESSUAL - EXTINÇÃO DO PROCESSOSEM JULGAMENTO DO MÉRITO - PRECEDENTES DESTA CORTE. 1. O exercício da jurisdição deve considerar a utilidade do provimento judicial, sopesando o custo social de sua efetivação, especialmente quando o exequente pertence à estrutura do Estado. 2. Consubstancia o interesse processual a utilidade prática do provimento judicial, que não ocorre na execução de valor irrisório, no montante de R$ 130,00 (cento e trinta reais), merecendo ser confirmada a extinção do processo sem julgamento do mérito. Precedentes desta Corte. 3. Recurso especial improvido. 14 REsp 796.533/BA, Rel. Min. Paulo Furtado, DJe 24/02/2010. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 143 de 155 ª EREsp 609.266/RS15: muito embora a sentença declaratória não se preste à execução forçada, possui eficácia executiva. PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VALORES INDEVIDAMENTE PAGOS A TÍTULO DE FINSOCIAL. SENTENÇA DECLARATÓRIA DO DIREITO DE CRÉDITO CONTRA A FAZENDA PARA FINS DE COMPENSAÇÃO. EFICÁCIA EXECUTIVA DA SENTENÇA DECLARATÓRIA, PARA HAVER A REPETIÇÃO DO INDÉBITO POR MEIO DE PRECATÓRIO. 1. No atual estágio do sistema do processo civil brasileiro não há como insistir no dogma de que as sentenças declaratórias jamais têm eficácia executiva. O art. 4º, parágrafo único, do CPC considera "admissível a ação declaratória ainda que tenha ocorrido a violação do direito", modificando, assim, o padrão clássico da tutela puramente declaratória, que a tinha como tipicamente preventiva. Atualmente, portanto, o Código dá ensejo a que a sentença declaratória possa fazer juízo completo a respeito da existência e do modo de ser da relação jurídica concreta. 2. Tem eficácia executiva a sentença declaratória que traz definição integral da norma jurídica individualizada. Não há razão alguma, lógica ou jurídica, para submetê-la, antes da execução, a um segundo juízo de certificação, até porque a nova sentença não poderia chegar a resultado diferente do da anterior, sob pena de comprometimento da garantia da coisa julgada, assegurada constitucionalmente. E instaurar um processo de cognição sem oferecer às partes e ao juiz outra alternativa de resultado que não um, já prefixado, representaria atividade meramente burocrática e desnecessária, que poderia receber qualquer outro qualificativo, menos o de jurisdicional. 3. A sentença declaratória que, para fins de compensação tributária, certifica o direito de crédito do contribuinte que recolheu indevidamente o tributo, contém juízo de certeza e de definição exaustiva a respeito de todos os elementos da relação jurídica questionada e, como tal, é título executivo para a ação visando à satisfação, em dinheiro, do valor devido. Precedente da 1ª Seção: ERESP 502.618/RS, Min. João Otávio de Noronha, DJ de 01.07.2005. 4. Embargos de divergência a que se dá provimento. ª Súmula STF 508, 517, 556 e Súmula 42 STJ: à Justiça Federal compete apenas processar e julgar ações em que a União, autarquias federais e empresas públicas federais forem partes, não abrangendo sociedades de economia mista. Súmula STF 508 Compete à Justiça Estadual, em ambas as instâncias, processar e julgar as causas em que for parte o Banco do Brasil S.A. Súmula STF 517 As sociedades de economia mista só têm foro na Justiça Federal, quando a União intervém como assistente ou opoente. Súmula STF 556: É competente a Justiça Federal para julgar as causas em que são partes a COBAL e a CIBRAZEM. Súmula 42 STJ Compete à Justiça Comum Estadual processar e julgar as causas cíveis em que é parte sociedade de economia mista e os crimes praticados em seu detrimento. 15 EREsp 609.266/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, DJ 11/09/2006. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 144 de 155 ª Súmula 1 STJ: dada a hipossuficiência da parte e consentâneo com a nova normativa do NCPC, em ações que envolvam alimentos e investigações de paternidade, o foro compete será o do domicílio/residência do incapaz. Súmula 1 STJ O foro do domicílio ou da residência do alimentando é o competente para a ação de investigação de paternidade, quando cumulada com a de alimentos. ª Súmula 383 STJ: fundada na hipossuficiênciada parte, fixa-se o foro do domicílio do incapaz para ações que envolver interesses de menor. Súmula 383 STJ A competência para processar e julgar as ações conexas de interesse de menor é, em princípio, do foro do domicílio do detentor de sua guarda. 9 - Resumo Jurisdição e Ação z ESTÁGIOS DE EVOLUÇÃO: ª primeiro estágio: imanentistas, para os quais o processo civil é visto como parte integrante do Direito Civil. ª segundo estágio: autônoma, que possui regras e princípios próprios e está TOTALMENTE desvinculada do Direito Civil. ª terceiro estágio: instrumentalistas, que defendem a reaproximação do direito processual do direito material. z NEOCONCRETISTAS: o Direito Processual Civil e Direito Civil estão muito próximos um do outro, o Direito Processual Civil tem um único sentido, o de prestar a tutela jurisdicional a quem fizer jus a ela no plano material. z JURISDIÇÃO: Jurisdição constitui parcela do Poder Estatal, voltada para a função jurisdicional, que é executada como uma atividade, composta por um complexo de atos para a prestação efetiva da tutela jurisdicional. z JURISDIÇÃO É PODER, FUNÇÃO E ATIVIDADE: x JURISDIÇÃO COMO PODER - Poder Estatal de interferir na esfera jurídica dos jurisdicionados. x JURISDIÇÃO COMO FUNÇÃO - Encargo atribuído pela CF ao Poder Judiciário (em regra). x JURISDIÇÃO COMO ATIVIDADE - Conjunto de atos praticados pelos agentes estatais investidos de jurisdição. z CARACTERÍSTICAS: e) Caráter substitutivo - caracteriza-se a jurisdição por substituir a vontade da parte pela vontade da Lei aplicada ao caso concreto, como forma de por fim ao conflito. f) Lide ± caracteriza-se a jurisdição por atuar quando há um conflito de interesses em decorrência de uma pretensão resistida. g) Inércia ± caracteriza-se a jurisdição por ficar subordinada à provocação pela parte (princípio da demanda); e h) Definitividade ± caracteriza-se a jurisdição por decidir o conflito de interesses de forma incontestável, definitiva e imutável. z EQUIVALENTES JURISDICIONAIS ª autônomos: transação, reconhecimento jurídico do pedido, renúncia ª heterônomo: tribunais administrativos e arbitragem. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 145 de 155 Sem necessidade de maior aprofundamento, é relevante ter em mente alguns conceitos: ª AUTOTUTELA: Solução de conflitos pelo uso da força, por intermédio do qual a parte vencedora sacrifica o interesse da outra. ª CONCILIAÇÃO: Solução de conflitos pela vontade das partes, por intermédio da conciliação (transação), da submissão ou da renúncia. ª MEDIAÇÃO: Solução de conflitos fundada no exercício da vontade das partes, sem a existência de um sacrifício de interesses, mas na investigação das causas que levaram ao conflito, com a finalidade de assegurar o real interesse de ambas as partes. ª ARBITRAGEM: Solução de conflitos por intermédio da nomeação consensual (prévia ou posterior ao conflito) de árbitros que tenham a confiança das partes para a solução do conflito de interesses. Essa solução decorre da imposição da decisão pelo terceiro (árbitro), independentemente da vontade das partes. ª TRIBUNAIS ADMINISTRATIVOS: A solução de questões por tribunais administrativos também é considerada como um equivalente jurisdicional para parte da doutrina . São exemplos o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e o CARF (Conselho Administrativo da Receita Federal). z PRINCÍPIO ª Princípio da investidura: necessidade de que a jurisdição seja exercida pela pessoa legitimamente investida na função jurisdicional. ª Princípio da territorialidade: apenas poderá ser exercida a jurisdição dentro dos limites territoriais brasileiros, em razão da soberania do nosso Estado. ª Princípio da indelegabilidade: a) externa; e b) interna. Pela perspectiva externa, o princípio da indelegabilidade remete à ideia de que o Poder Judiciário não poderá outorgar a sua competência a outros poderes. Dito de forma simples, não pode o Poder Judiciário delegar a atribuição de julgar os processos aos poderes Executivo ou Legislativo. Pela perspectiva interna, o princípio da indelegabilidade entende-se que a jurisdição é fixada por intermédio de um conjunto de normas gerais, abstratas e impessoais, não sendo admissível a delegação da competência para julgar de um Juiz para outro. ª Princípio da inevitabilidade: o princípio da inevitabilidade impõe às partes a vinculação ao processo e a sujeição à decisão judicial. 1º momento: vinculação das partes ao processo judicial. 2ª momento: estado de sujeição ante a vinculação automática. ª Princípio da inafastabilidade: a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça de lesão a direito. 1º aspecto: relação entre contencioso judicial e administrativo. 2º aspecto: acesso à ordem jurídica justa. ª Princípio do juiz natural: ninguém será julgado a não ser pela autoridade competente. z ESPÉCIES DE JURISDIÇÃO EM RELAÇÃO AO OBJETO DA DEMANDA - Jurisdição Penal - matéria penal - Jurisdição Civil - todas matérias não penais (conceito amplo e subsidiário) EM RELAÇÃO AO ÓRGÃO JURISDICIONAL - Jurisdição Inferior - enfrenta a demanda do início (originariamente) - Jurisdição Superior - enfrenta a demanda, em regra, na esfera recursal Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 147 de 155 - condicionado ao direito material - direito potestativo TEORIA ABSTRATA DO DIREITO DE AÇÃO - direito a um pronunciamento do Estado - direito de ação existe ainda que sem o direito material - não há condição da ação ou sentença terminativa por carência da ação - interesse e legitimidade são assuntos de mérito TEORIA ECLÉTICA - direito de ação condicionado (interesse e legitimidade) - carência da ação forma apenas coisa julgada formal - condição da ação é matéria de ordem pública analisável a qualquer momento - direito de petição é incondicionado TEORIA DA ASSERÇÃO - distinção entre direito material e direito de ação - direito de ação condicionado à legitimidade e interesse - avaliação das condições da ação à vista das afirmações do demandante em congnição sumária, que pode levar à carência da ação - avaliação do interesse e legitimidade como matéria de mérito que pode conduzir à rejeição do pedido z INTERESSE E LEGITIMIDADE ª Essa cognição é prévia, é sumária e exercida in status assertionis (em asserção). Superada a cognição sumária, se o magistrado decidir pela citação da parte ré, preclui a possibilidade da sentença terminativa pela não caracterização de interesse e legitimidade. ª Interesse: ¾ necessário toda vez que o autor não tiver outro meio para obter o bem da vida pretendido, a não ser por intermédio do Poder Judiciário. ¾ adequado se, em razão dos pedidos deduzidos, o processo for apto a resolver o conflito de interesses. ª Legitimidade: pertinência subjetiva da ação, ou seja, refere-se à titularidade para promover ativa ou passivamente a ação. LEGITIMAÇÃO ¾ ordinária - a parte pleiteia direito próprio ¾ extraordinária - a parte pleiteia direito alheio, quando expressamente autorizado pelo ordenamento. ª A legitimação extraordinária aplica-se apenas ao processo judicial individual. ª Legitimação extraordinária não se confunde com substituição processual. Ocorre substituição sempre que uma das partes é retirada da relação processual para dar lugar a outra parte, o que não ocorre na legitimação extraordinária. ª Legitimação extraordinária não se confunde com a legitimação ad processum, ou seja, a capacidade para estar em Juízo. ª Ainda em relação à legitimação extraordinária, cumpre observar que o substituto detém, em regra, todos os poderes inerentes à ação, como a capacidade de alegar, postular e produzir provas, etc. Contudo, não poderá: a) fazerdepoimento pessoal; b) não pode praticar atos de Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 148 de 155 disposição do direito material do titular do direito, como renunciar ou reconhecer o pedido e transicionar. Para esses atos é necessária a anuência expressa do substituído. z ELEMENTOS DA AÇÃO: ¾ parte ¾ pedido ¾ causa de pedir ª Partes ¾ Parte processual: aquela que está em uma relação jurídica processual, que exerce o contraditório, atua com parcialidade e pode sofrer consequências com a decisão. ¾ Parte material: é o sujeito da relação jurídica discutida em Juízo, podendo (legitimação ordinária) ou não (legitimação extraordinária) ser parte processual. ª Causa de pedir ¾ causa de pedir remota (ou fática)- constitui a descrição do fato que deu origem a lide ¾ causa de pedir próxima (ou jurídica) o é o próprio direito, aplicado a partir da descrição fática o envolve a concretização da norma, conferindo substância ao pedido do autor ª Teoria da Individuação X Teoria da Substanciação ¾ TEORIA DA INDIVIDUAÇÃO: a) causa de pedir composta tão somente pela relação jurídica afirmada pelo autor; b) caráter meramente histórico. ¾ TEORIA DA SUBSTANCIAÇÃO: a) causa de pedir formada apenas pelos fatos jurídicos narrados pelo autor; b) aplicada ao Direito Processual Civil brasileiro. ª Pedido: objeto da ação, consiste na pretensão do autor que é levada ao Estado-Juiz, que irá prestar a tutela jurisdicional sobre essa pretensão. ¾ pedido imediato: a) aspecto processual; b) espécie de tutela jurisdicional. ¾ pedido mediato: a) aspecto material; b) bem da vida z ESPÉCIES DE AÇÃO Classificação segundo a natureza da relação jurídica discutida: real e pessoal ¾ ação real: envolve relação jurídica de direito real ¾ ação pessoal: envolve relação jurídica de direito pessoal ª Classificação segundo o objeto do pedido mediato: mobiliária e imobiliária ¾ ação mobiliária: envolve bens móveis. ¾ ação imobiliária: envolve bens imóveis. Classificação segundo o tipo de tutela jurisdicional: conhecimento, cautelar e executiva (ações sincréticas) ¾ ação de conhecimento - certificação de direito ¾ ação de execução - efetivação de direito ¾ ação cautelar - proteger a efetivação de um direito ª Classificação de conhecimento: condenatórias, constitutivas e declaratórias ¾ ação condenatória: aquela em que se afirma a titularidade de um direito a uma prestação e pela qual se busca a certificação e a efetivação desse mesmo direito, com a condenação do réu ao cumprimento da prestação devida. ¾ ações constitutivas: aquela que tem por objetivo obter uma certificação e efetivação de um direito potestativo. ¾ ações declaratórias: aquela que tem o objetivo de certificar a existência, a inexistência ou o modo de ser de uma relação jurídica. Além das classificações acima, dois outros conceitos são importantes: Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 149 de 155 a) ação executiva em sentido amplo: é aquela pela qual se afirma um direito e se busca a efetivação e certificação desse direito por intermédio de medidas de coerção direta. b) ação mandamental: é aquela pela qual se afirma um direito e se busca a efetivação e certificação desse direito por intermédio de medidas de coerção indireta. Limites da Jurisdição Nacional e da Cooperação Internacional z LIMITES DA JURISDIÇÃO NACIONAL ª Princípios: 1 ± efetividade ± os países irão delimitar a jurisdição sobre processos que eles entendem que poderão posteriormente cumprir. 2 ± interesse ± os países delimitam a jurisdição sobre processos que entendem que é de interesse do Estado. 3 ± submissão ± os países respeitam a decisão das partes na eleição da jurisdição internacional (contratos internacionais). ª Jurisdição internacional concorrente: ¾ ação contra réu domiciliado no Brasil; ¾ ação cujo objeto envolva obrigação que deve ser cumprida no país; ¾ ação cujo fato objeto de discussão tenha sido praticado no Brasil; ¾ ação de alimentos cujo credor seja domiciliado ou tenha, tão somente, residência no Brasil ou mantenha vínculos no país (posse, proprietário, renda ou benefício econômico); ¾ ação decorrente de relação de consumo quando o consumidor tiver domicílio ou residência no Brasil; e ¾ ação em que as partes se submetam à jurisdição nacional. ª Jurisdição nacional exclusiva ¾ ações relativas a imóveis situações no Brasil; ¾ ações para confirmação de testamento particular, de inventário e de partilha de bens situados no Brasil, mesmo que o falecido seja estrangeiro ou tenha residido fora do Brasil; e ¾ ações relativas à partilha de bens para divórcio ou dissolução de união estável quando envolver bens situados no Brasil, mesmo que o titular dos bens seja de nacionalidade estrangeira ou tenha domicílio fora do território brasileiro. z COOPERAÇÃO INTERNACIONAL ª CARTA ROGATÓRIA ¾ Sempre que o ato possuir conteúdo decisório, devendo passar pela homologação perante o STJ. ¾ Para atos sem conteúdo decisório (como um intimação), quando não houver regra expressa adotando o auxílio direto. ª Atos processuais poderão ser objeto de cooperação internacional para a efetividade dos processos: ¾ citação, intimação e notificação judicial e extrajudicial; ¾ colheita de provas e obtenção de informações; ¾ homologação e cumprimento de decisão; ¾ concessão de medida judicial de urgência; ¾ assistência jurídica internacional; ¾ qualquer outra medida judicial ou extrajudicial não proibida pela lei brasileira. AUXÍLIO DIRETO Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 152 de 155 ¾ as causas fundadas em tratado ou contrato da União com Estado estrangeiro ou organismo internacional; ¾ os crimes políticos e as infrações penais praticadas em detrimento de bens, serviços ou interesse da União ou de suas entidades autárquicas ou empresas públicas, excluídas as contravenções e ressalvada a competência da Justiça Militar e da Justiça Eleitoral; ¾ os crimes previstos em tratado ou convenção internacional, quando, iniciada a execução no País, o resultado tenha ou devesse ter ocorrido no estrangeiro, ou reciprocamente; ¾ as causas relativas a direitos humanos a que se refere o § 5º deste artigo; ¾ os crimes contra a organização do trabalho e, nos casos determinados por lei, contra o sistema financeiro e a ordem econômico-financeira; ¾ os habeas corpus, em matéria criminal de sua competência ou quando o constrangimento provier de autoridade cujos atos não estejam diretamente sujeitos a outra jurisdição; ¾ os mandados de segurança e os habeas data contra ato de autoridade federal, excetuados os casos de competência dos tribunais federais; ¾ os crimes cometidos a bordo de navios ou aeronaves, ressalvada a competência da Justiça Militar; ¾ os crimes de ingresso ou permanência irregular de estrangeiro, a execução de carta rogatória, após o "exequatur", e de sentença estrangeira, após a homologação, as causas referentes à nacionalidade, inclusive a respectiva opção, e à naturalização; ¾ a disputa sobre direitos indígenas. z JUSTIÇA COMUM ª A competência da justiça estadual é determinada por exclusão. Se não for da competência das ³MXVWLoDV�HVSHFLDLV´�RX�GD�-XVWLoD�)HGHUDO��VHUi�DWULEXtGD�DR�SRGHU�MXGLFLiULR�FRPXP�HVWDGXDO� z COMPETÊNCIA TERRITORIAL NO NCPC Ações de direito pessoal ou direito real sobre bens móveis REGRA - foro do domicílio do réu ESPECIFICIDADES: ¾ mais de um domicílio - qualquer um deles ¾ domicílio incerto ou desconhecido - onde for encontrado OU domicílio do autor ¾ não tiver domicílio ou residência no Brasil - domicílio do autor ¾ 2 réus com domicílios diferentes - qualquer deles a escolha do autor Execuções Fiscais ¾ foro de domicílio do réu, no de sua ¾ residência ou no do lugar onde for encontrado. Ações fundadas em direito real sobre imóveis DEVEM SER AJUIZADA NOFORO DA SITUAÇAO DA COISA ¾ competência relativa (EXCEÇÃO) - domicílio do réu ou foro de eleição ¾ competência absoluta (REGRA) - direito de propriedade, de vizinhança, de servidão, de divisão e demarcação de terras e nunciação de obra nova E Ações relativas à sucessão causa mortis 1ª regra: o último domicílio do falecido; 2ª regra: se não tiver domicílio certo, será o local da situação dos bens imóveis; 3ª regra: se tiver bens em domicílios em vários locais, poderá ser juizado em qualquer foro; 4ª regra: se não tiver domicílio, nem bens móveis, a ação poderá ser ajuizada em qualquer local dos bens móveis do espólio. Ação contra réu Ausente - foro do seu último domicílio Ações contra incapaz - foro do domicílio do representante ou do assistente. Prof. Ricardo Torques www.estrategiaconcursos.com.br 153 de 155 Competência para julgar ações envolvendo a união, estados-membros e distrito federal ¾ Se os entes públicos forem autores - domicílio do réu ¾ Se os entes públicos forem réus: a) foro do domicílio; b) no local do ato ou fato; c) no foro da situação da coisa; ou d) Distrito Federal. Ação de divórcio separação, anulação de casamento e reconhecimento de união estável 1º - domicílio do incapaz; 2º - não havendo, último domicílio do casal; e 3º - se residirem em domicílios distintos do domicílio do casal, a competência será do foro do domicílio do réu. Ação de alimentos: de domicílio ou residência do alimentando. Ação em que a ré for pessoa jurídica: foro do lugar onde está a sede. Ação relativa às obrigações que a pessoa jurídica contraiu: local onde está a agência ou sucursal. Ação contra ré sociedade ou associação sem personalidade jurídica: local onde exerce suas atividades. Ação em que se lhe exigir o cumprimento: local onde a obrigação deve ser satisfeita. Ação que verse sobre direito previsto o estatuto: local de residência do idoso. Ação de reparação de dano por ato praticado em razão do ofício: local da serventia notarial ou de registro. Ação de reparação de dano ou cujo réu administrador ou gestor de negócios alheios: foro do lugar do ato ou do fato. Ação de reparação de dano sofrido em razão de delito ou acidente de veículos, inclusive aeronaves: foro do domicílio do autor do local do fato. z MÉTODO PARA IDENTIFICAR O JUÍZO COMPETENTE a) verificar se a justiça brasileira é competente para julgar as causas (arts. 21 a 23 do NCPC); b) se for, investigar se é caso de competência originária de Tribunal ou de órgão jurisdicional atípico (Senado Federal ± art. 52, I e II, da CF; Câmara dos Deputados ± art. 51, da CF; Assembleia Legislativa estadual para julgar governador de Estado) c) não sendo o caso, verificar se é afeto à justiça especial (eleitoral, trabalhista ou militar) ou justiça comum; d) sendo competência da justiça comum, verificar se é da justiça federal (arts. 108 e 109, da CF), pois, não sendo, será residualmente da estadual; e) sendo da justiça estadual, deve-se buscar o foro competente, segundo os critérios do CPC (competência absoluta e relativa, material, funcional, valor da causa e territorial); f) determinado o foro competente, verifica-se o juízo competente, de acordo com o sistema do CPC (prevenção, p. ex.) das normas de organização judiciária. z MODIFICAÇÃO DA COMPETÊNCIA ª um Juiz que não era originariamente competente passará a ser ª isso somente é possível quando se tratar de competência relativa z PRORROGAÇÃO DE COMPETÊNCIA: ª supressão do órgão judiciário (art. 43, do NCPC); ª alteração da competência absoluta (art. 43, do NCPC); ª conexão (art. 55, do NCPC) e continência (arts. 56 e 67, ambos do NCPC);