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AEAÛEPAR - AssociaçAo Educacional das 
Assembléias de Deus no Estado do Paraná
] MA D E P - Ins t i tu to E io l i c o das A sse m b le ia s de D e u t no 
E s tado do P a r e r a A v . Bras i l . S/N* E le t r o tu l - Cx. P o i t a l 
2 4 B H 5 9 BD -W P Gua lr a PH loneyFax ( A A ) 3 6 4 2 25BI / 
3 6 4 2 6 9 6 1 / 3 6 4 2 - 5 4 3 1 E m a i l : i b a d e p f l I b a d e p ccm 
Site: wis-r t. iPadeQ.cam
índice
Lição 1 - A B íb l ia ..................................................... 13
Lição 2 - 0 Cânon da B íb lia .................................... 41
Lição 3 - Inspiração B íb lica .................................... 69
Lição 4 - Revelação Bíblica .................................... 95
Lição 5 - Preservação e Tradução B íb l ic a ............ 125
Referências B ib liográ ficas......................................153
\
A Bíblia
Lição 1
"Cremos na inspiração divina e plena da Bíblia, 
bem como na sua infalibilidade e inerrância1, 
como única regra de fé normativa para a vida e 
o caráter cristão".
Leia (2Tm 3.14-17)
Nos primórdios da civilização o homem 
para viver em grupo necessitou de normas que 
regulasse os seus direitos e deveres. Surge assim, 
após diversas experiências, a constituição que, 
transgredida, priva o cidadão dos bens maiores: a 
vida, a liberdade, etc.
Semelhantemente no mundo espiritual, 
Deus estabeleceu a Bíblia Sagrada como fonte de 
vida. A Palavra de Deus liberta da escravidão do 
pecado os que vivem na mentira.
Horace Greeley assim define a importância 
da Bíblia: "É impossível escravizar mental ou
socialmente um povo que lê a Bíblia".
Os princípios bíblicos são os fundamentos 
da liberdade humana: "E conhecereis a verdade, e a 
verdade vos libertará" (Jo 8.32).
1 Que não pode errar; infalível. Não errante; fixo.
13
O conhecimento da Bíblia Sagrada posto 
em pratica, liberta o ser humano da escravidão do 
pecado, pois quem comete pecado é escravo do 
pecado.
Necessitamos da Bíblia, pois é alimento 
espiritual para nós: "Achando-se as tuas palavras, 
logo as comi, e a tua palavra foi para mim o gozo e 
alegria do meu coração; porque pelo teu nome me 
chamo, ó Senhor, Deus dos Exércitos" (Jr 15.16).
A Escritura é a segurança para 
caminharmos no mundo de trevas: "Lâmpada para os 
meus pés é a tua palavra e luz para o meu caminho" 
(SI 119.105). Muitos andam em trevas por não 
conhecerem a luz gloriosa de Deus.
A Bíblia é a maravilhosa biblioteca de Deus 
com sessenta e seis livros. É acima de tudo a 
verdade para o fatigado peregrino; é hábil, eficaz e 
vigoroso cajado.
Para os sobrecarregados e oprimidos pelos 
fardos da vida, ela é suave descanso; para os que 
foram feridos pelos delitos e pecados, é um bálsamo 
consolador. Aos aflitos e desesperados, sussurra 
uma alegre mensagem de esperança.
Para os desamparados e arrastados pelas 
tormentas da vida é uma âncora segura; para a 
solidão, é uma mão repousante [s ic]1 que acalma e 
tranqüiliza suas mentes.
O termo Bíblia não existe no texto das 
Sagradas Escrituras. O vocábulo "Bíblia" significa 
coleção de livros pequenos e deriva da palavra 
"biblos", nome dado pelos gregos à folha de papiro 
preparada para a escrita.
1 [Lat "assim".]. Adv. Palavra que se pospõe a uma citação, ou 
que nesta se intercala, entre parênteses ou entre colchetes, 
para indicar que o texto orig inal é bem assim, por errado ou 
estranho que pareça.
14
A palavra portuguesa Bíblia vem do grego, 
bíblia, que é o plural de "bíblion", livros. A 
expressão "Bíblia" foi aplicada às Sagradas
Escrituras por João Crisóstomo, patriarca de
Alexandria. Trata-se de uma coleção de livros 
perfeitamente harmônicos entre si.
Tais livros foram reunidos num só volume 
através de um longo processo histórico divinamente 
dirigido: a sua canonização; isto é, o reverente, 
criterioso e formal reconhecimento pela Igreja dos 
escritos divinamente inspirados do Antigo e do Novo 
Testamento.
Esse conjunto de escritos sagrados passou 
a denominar-se cânon ou escrituras canônicas.
A Bíblia é uma Dádiva de Deus
Deus, que antigamente falou "muitas vezes 
e de muitas maneiras aos pais" (Hb 1.1), queria que 
a sua Palavra não somente ficasse guardada pelos 
homens por meio da sua própria experiência com 
Deus e pela tradição falada, isto é, os pais contando 
aos seus filhos, etc.
Deus ordenou a Moisés: "Escreva isto para 
a memória em um livro" (Êx 17.14). Ordem esta que 
foi depois repetida durante 1.600 anos por um valor 
aproximado de 40 homens inspirados por Deus, e 
assim surgiu: "O livro de Deus" (Is 34.16), a
"Palavra de Deus" (Ef 6.17; Mc 7.13), "As Santas 
Escrituras" (Rm 1.2), que nós chamamos de Bíblia.
Os que escreveram os livros da Bíblia 
receberam as mensagens de diferentes maneiras. Às 
vezes Deus disse: "Escreve num livro todas as
palavras que eu tenho dito" (Jr 30.2; 36.2; Hc 
2.1,2). Muitas vezes os autores escreveram: "Veio a 
mim a palavra de Deus" (Jr 1.4), "palavras da vida 
para no-las dar" (At 7.38).
15
Isaías menciona 120 vezes o que o Senhor 
lhe fala; Jeremias 430; e Ezequiel 329 vezes. Outros 
registram acontecimentos como se escreve história 
(Ex 17.14 etc.).
Uns examinaram minuciosamente sobre o 
que deveriam escrever (Lc 1.3); outros receberam a 
mensagem por revelação (At 22.14-17; Gl 1.11,12, 
15,16; Ef 3.1-8; Dn 10.1), sonhos e visões (Dn 7.1; 
Ez 1.1, 2Co 12.1-3). Mas, escreveram o que 
receberam pela inspiração do Espírito Santo e 
podiam dizer: "O que recebi do Senhor também vos 
entreguei" (ICo 11.23; 15.3).
As Escrituras produz resultados práticos
indiscutíveis; têm influenciado civilizações,
transformado vidas e trazido luz, inspiração, 
conforto a milhões de pessoas. Nelas podemos
confiar a orientação integral de nossa vida e extrair 
os fundamentos do bem-estar e liberdade humana. O 
Senhor as estabeleceu como: regra, bússola,
alimento e fonte de bênçãos para a vida do crente.
Autenticidade Bíblica
A autenticidade da Bíblia é fundamentada 
na infalibilidade e inerrância. Os atributos da 
divindade são por ela revelados. Ela é autêntica em 
tudo, pois o próprio Deus é o seu autor, o Espírito 
Santo, o seu inspirador. Nela são autênticos e 
inerrantes as revelações e os fatos narrados.
O racionalismo se opõe vorazmente contra 
a autenticidade, infalibilidade e a autoridade da 
Bíblia. O ateísmo, assim como o racionalismo, jamais 
poderá ofuscar a autenticidade das Escrituras. O 
problema do ateu em não querer aceitar a Bíblia 
como Palavra de Deus está na forma como ele se 
comporta ao ler as Escrituras, pelo fato de não 
querer observar o que ela realmente esta dizendo.
16
Uma das principais afirmações da 
autenticidade da Bíblia é sustentada por Jesus, 
quando diz aos judeus que as Escrituras dão 
testemunho dEle (Jo 5.39).
As Escrituras revela sua autenticidade à 
menção de Jesus ao profeta Jonas, cujo livro foi 
escrito aproximadamente 790 anos antes de Cristo. 
Jesus afirma que Jonas esteve no ventre do grande 
peixe por três dias e três noites e que o profeta 
pregou aos ninivitas.
Portanto, tentar obscurecer a inerrância 
das Escrituras é no mínimo um ato grotesco! O 
Senhor Jesus Cristo confirmou a sua veracidade: 
"Santifica-os na verdade, a tua palavra é a verdade" 
(Jo 17.17).
Verificação \/
O Antigo Testamento declara-se escrito sob 
inspiração especial de Deus. A expressão "Deus 
disse" ou "disse Deus" - como forte indicador da 
chancela1 divina nos escritos sagrados é usada mais 
de 2.600 vezes na Bíblia. A Lei, os Salmos, os 
Profetas, os Evangelhos, as Epístolas, o Apocalipse - 
Antigo e Novo Testamento receberam de Deus sua 
inspiração.
O Novo Testamento cita as leis antigas e 
as menciona com harmonia. Por isso há uma 
diferença insondável entre a Bíblia e qualquer outro 
livro.Essa diferença deve-se à origem, à forma e à 
organização da Bíblia.
Escrita por um valor aproximado de 
quarenta autores, num período de mais ou menos 
1.600 anos, abrangendo uma variedade de tópicos, a
1 Marca ou sinal que merece confiança e, portanto, faz aceitar 
como boa uma afirmação, referência, etc.
17
Bíblia demonstra uma unidade de tema e propósito 
que só é possível explicar, considerando que há uma 
mente diretriz, uma única fonte inspiradora.
Quantos livros suportam sucessivas
leituras? A Bíblia pode ser lida todos os dias e todas 
as horas da vida. Tem o seu lugar reservado em 
muitas bibliotecas do mundo, em centenas de
milhares de casas e no coração do homem.
A Bíblia está traduzida em milhares de 
idiomas e dialetos e é lida em todos os países do
mundo. O tempo não à afeta. É um dos livros mais
antigo do mundo e ao mesmo tempo moderno.
As defesas intelectuais da Bíblia têm o seu 
lugar, mas, o melhor argumento é o prático.
Como as Escrituras Chegaram Até Nós J
A história de como a Bíblia chegou até nós, 
na forma em que a conhecemos, é longa e 
fascinante. Começa com os manuscritos originais ou 
"autógrafos", como são às vezes chamados. Textos 
originais foram escritos por homens movidos pelo 
Espírito Santo (2Tm 3.16; 2Pe 1.20,21).
Céticos1 declaram que Moisés não poderia 
ter escrito a primeira parte da Bíblia porque a escrita 
era desconhecida na época (1500 a.C.). A ciência da 
arqueologia2 provou desde então que a escrita já era 
conhecida milhares de anos antes dos dias de 
Moisés.
Os sumérios já escreviam cerca de 4000 
a.C., e os egípcios e babilônios quase nessa mesma 
época.
1 Que duvida de tudo; descrente.
2 O estudo científ ico do passado da humanidade, mediante os 
testemunhos materiais que dele subsistem.
18
Divisão e Classificação
As Escrituras formam uma unidade 
perfeita. A palavra Bíblia significa: conjunto de livros 
e neste aspecto, forma o Livro dos livros, por se 
tratar da revelação de Deus aos homens.
Por causa de sua perfeita unidade, a Bíblia 
é uma biblioteca e um livro ao mesmo tempo. Possui 
vários nomes em seu próprio conteúdo, a saber: 
Escritura (Mt 21.42); Sagradas Escrituras (Rm 1.2); 
Livro do Senhor (Is 34.16); A Palavra de Deus (Mc 
7.13); A Lei e os Profetas (Js 1.7,8; Ne 8.3,4,18); 
Oráculos de Deus (ARA Rm 3.2; Hb 5.12), etc.
A Bíblia é dividida em Antigo e Novo 
Testamento, com um total de 66 livros. Uma divisão 
detalhada pode ser visualizada no quadro logo 
abaixo:
“ 3 S L
N° Livros 39 27 66
N° Capítulos 929 260 1.189
N° Versículos 23.214 7.959 31.173
Livro Central Pv 2Ts Mq e Na
Capítulo Central Jó 29 Rm 13 e 14 SI 117
Livro Mínimo Ob 3Jo 3Jo
Versículo Mínimo
Êx 20.13 
Dt 5.17
Jo 11.35
Êx 20.13 
Dt 5.17
Os livros das Escrituras estão classificados 
por assunto, sem ordem cronológica. O Antigo e o 
Novo Testamento se dividem em 4 partes.
 ^ Antigo Testamento:
I a) Lei. Os cincos primeiros livros da Bíblia, 
chamados de O Pentateuco, traz a revelação 
da criação e mostram todo o cuidado de
19
Deus em manifestar a lei, código de 
disciplina espiritual, civil e moral para seu 
povo.
2a) História. Do livro de Josué ao de Ester, é 
formado um conjunto de doze livros, que nos 
traz a história do Povo de Deus (Israel) em 
suas diversas fases ou períodos, após o 
estabelecimento em Canaã.
3 a) Poesia. De Jó a Cantares de Salomão, 
encontramos a poesia bíblica, em forma de 
revelação, adoração e conhecimento de 
Deus.
4a) Profecia: De Isaías até Malaquias, temos a 
revelação profética, que dividida em:
a) Profetas Maiores - Isaías à Daniel;
b) Profetas Menores - Oséias à Malaquias.
r Novo Testamento:
I a) Biografia. O NT se inicia com os quatros 
Evangelhos trazendo-nos a vida maravilhosa 
de Jesus Cristo. Três deles formam um 
paralelismo no Ministério de Cristo e são 
chamados Sinópticos1.
2a) História. A história do Novo Testamento é a 
história da Igreja, revelada em Atos dos 
Apóstolos.
3a) Doutrina. As Epístolas ou Cartas, de 
Romanos a Judas, mostra de maneira 
esclarecedora todos os mandamentos do 
Senhor Jesus Cristo à sua Igreja.
1 Os Evangelhos de S. Mateus, S. Marcos e S. Lucas, assim 
chamados porque permite uma vista de conjunto, dada a 
semelhança de suas versões.
20
4a) Profecia. No Apocalipse, Deus revela o 
encerrar de todas as coisas sobre a ég ide1 de 
um Senhor Soberano Eterno, Glorioso e 
revela manifestação pessoal de Jesus Cristo 
e sua vitória final.
Valor Espiritual das Escrituras
"O Valor da Palavra de Deus é inestimável!
Seu valor excede a todas as coisas. O valor 
espiritual está naquilo que é " .
m m m m ■ << 1 * * ^ a w 'h a r ■ r— 5 w g~ ; »
Os seres humanos têm experimentado o 
valor da Palavra de Deus em suas vidas. Pessoas 
dantes2 materialistas, céticas, indiferentes, alienadas 
e párias3 da Sociedade, encontraram com a Palavra 
de Deus foram transformadas, abençoadas, 
vivificadas (Ef 2.1) e valorizadas.
'•*' Seu valor como Livro:
Qual o valor de um livro, capa, volume, 
acabamento? Ou conteúdo? A Bíblia não é um mero 
livro, e sim "O Livro de Valor", seu conteúdo 
ultrapassa todos os limites do homem, suas palavras 
vieram do céu (SI 119.89). São palavras que 
produzem vida (Jo 6.63).
Desde o princípio Deus estabeleceu que 
suas Palavras fossem escritas em um livro (Êx 
17.14). Havia em Israel outros livros, principalmente 
o livro histórico dos Reis (2Cr 35.27). Entretanto o 
livro que trouxe avivamento em Judá foi o Livro do 
Senhor (2Rs 23.2,3), no tempo do Rei Josias.
1 Escudo; defesa, proteção. Abrigo, amparo, arrimo.
2 Antes, anteriormente.
3 Fig. Homem exclu ído da sociedade.
21
Ao retornarem do cativeiro, os poucos 
judeus que vieram a Jerusalém fizeram um grande 
ajuntamento na praça (Ne 8.3), onde Esdras, o 
Sacerdote, trouxe o livro de Deus e abriu diante do 
povo (Ne 8.5), o que trouxe um grande 
despertamento para o povo de Deus (Ne 8.17).
Nos dias do profeta Jeremias, Deus 
ordenou que sua Palavra fosse escrita num livro (Jr 
36.2), e fossem lidas diante do povo (Jr 36.6).
Daniel descobriu o número de anos do 
cativeiro pelos livros (Dn 9.2), certamente o livro 
dos profetas, e começou a orar para a libertação do 
povo do cativeiro (Dn 9.3).
O Senhor Jesus Cristo deu importância e 
valor ao livro divino, em Nazaré, foi à sinagoga e leu 
o livro do profeta Isaías aos ouvidos do povo (Lc 
4.17), ratificando1 o valor e o cumprimento da 
profecia (Lc 4.21).
Deus, na sua sabedoria, proporcionou uma 
coleção de livros para o seu povo em todo o mundo: 
A Bíblia (Jo 21.25).
Seu valor como Alimento:
Como o corpo físico precisa do alimento, 
nosso espírito e alma necessitam do alimento 
espiritual (Dt 8.3). Este é o princípio estabelecido 
por Deus para o seu povo valorizar a Palavra como 
alimento.
O próprio Senhor Jesus confirmou a 
Palavra do Pai, diante de Satanás (Mt 4.4). "Nem só 
de pão...".
A Palavra de Deus, como alimento 
espiritual, é comparada ao:
1 Confirmando autenticamente, va lidando (o que já fora 
prometido).
22
s Mel - O Salmo 19.10b nos apresenta a Palavra 
"mais doce do que o mel", ele fala do sabor 
espiritual da Bíblia, o mel é um alimento 
completo.
s Leite - O primeiro alimento do recém-nascido é 
também indicado para aqueles que iniciam na fé 
cristã (Hb 5.13).
O escritor aos Hebreus fala de crentes que 
com o tempo de vida cristã já deveriam provar 
alimentos sólidos, entretanto ainda precisam de leite 
(Hb 5.12). Toda doutrina, e os primeiros rudimentos1 
da Palavra de Deus, são como leite espiritual para os 
que nasceram de novo (Jo 3.3). Alimento sólido é 
para aqueles que superaram a infância espiritual.
r Seu valor como Guia:
Segundo o dicionário, a palavra guia, 
dentre outras coisas significa, caderno ou livro, que 
contém indicaçõesúteis acerca de lugares, horários, 
roteiros, etc.
Ao examinarmos as Escrituras, 
encontramos o fiel e perfeito roteiro de Deus que 
ajuda-nos alcançar: uma vida plena em Sua
presença e um caminho certo para chegarmos às 
mansões celestiais (Jo 14.6).
Quando Deus retirou o povo de Israel do 
Egito, para orientá-los acerca de sua vontade, deu- 
lhes a Lei, que consistia em um guia espiritual, 
moral e pessoal para cada família de Israel (Dt 
4.5,6).
A Bíblia é o livro por excelência que nos 
leva a salvação (At 4.12), nos conduz a uma vida de 
vitória (Rm 8.37), nos ensina a cerca da vida,
1 Elemento inicial; princípio, começo; esboço: Primeiras noções; 
p r in c íp io s :
23
orienta-nos diante das circunstâncias boas ou ruins 
(Lc 12.22-34).
Constitui-se num guia perfeito para as 
famílias, colocando a ordem de Deus em nossas 
vidas (Ef 6.1-4); orienta empregados (Ef 6.5-8), 
patrões (Ef 6.9) e muitos outros assuntos.
A Bíblia orienta-nos quando não sabemos 
como fazer (ICo 10.23) e ensina-nos acerca da 
vontade de Deus para com nossas vidas (Ef 
5.17,18).
7 Seu valor Espiritual:
Os dias de hoje é marcado por uma 
verdadeira corrida ao mundo espiritual. Cremos ser 
um dos sinais da vinda de Cristo. Cabe à Igreja do 
Senhor aproveitar este momento e disseminar1 a 
Palavra de Deus, só ela tem valor espiritual para 
estes dias de crise.
O Valor espiritual da Bíblia consiste em ser 
Alimento do espírito (Rm 7.22), pão que desceu do 
céu e que produz vida (Jo 6.58).
Nestes dias de indefinições para muitos a 
Bíblia viva e eficaz é como espada que penetra até a 
divisão da alma e espírito discernindo todas as 
coisas (Hb 4.12).
Testifica com nosso espírito confirmando 
nossa posição em Cristo (Rm 8.16). Ela produz fé 
nos corações (Rm 10.17), estimula a crer nas 
promessas de Deus, e mostra um Senhor fiel e 
cumpridor de suas palavras (Hb 10.23).
O livro dos Salmos registra algo 
importante acerca do mundo espiritual (SI 89.48). 
Este versículo fala do poder do mundo invisível, e 
pergunta: "Quem livra a sua alma?” .
1 Semear ou espalhar por muitas partes: Difundir, d ivulgar, 
propagar; espalhar:
24
Devemos estar sempre ligados no poder da 
oração, da fé, do nome de Jesus (Mc 16.17), que nos 
dá vitória sobre este mundo maligno (Ef 6.12).
Para muitos a Bíblia não valor algum (ICo 
2.14). Mas o homem espiritual, aquele cujos olhos 
estão abertos, pode discernir o valor precioso das 
Escrituras (ICo 2.15,16).
Apenas o Espírito Santo pode nos levar a 
compreender o valor espiritual da Palavra de Deus. 
Jesus declarou acerca disso em João 14.26, Dizendo: 
"Ele vos ensinará todas as coisas".
25
Questionário
S? Assinale com "X" as alternativas corretas
1. A expressão "Bíblia" foi aplicada às Sagradas 
Escrituras por
a) 0 João, o apóstolo
b) [U João Batista
c) D João Calvino
d) 0 J o ã o Crisóstomo
2. Profeta que Jesus fez menção para confirmar a 
autenticidade das Escrituras
a) 0 Jonas
b) [U Daniel
c) D Miquéias
d) E] Naum
3. Quanto às divisões do AT, é incerto dizer que:
a) EH A 4a parte são os livros proféticos divididos 
em: Profetas Maiores e Menores
b) D A 3a parte são os livros que vão de Jó até 
Cantares de Salomão denominados poéticos
c) 0 A 2a parte são os livros históricos que trazem 
a revelação da criação
d) 0 A I a parte é a Lei, que são os cincos primeiros 
livros da Bíblia, chamados de: O Pentateuco
4? Marque "C" para Certo e "E" para Errado
4. [?~1 A arqueologia provou que a escrita não era 
conhecida antes dos dias de Moisés
5.IZI1 A Palavra de Deus, como alimento espiritual, é 
comparada ao mel e ao leite
26
Unidade Singular
A Bíblia em sua perfeita unidade, só pode 
ser explicada como um perfeito milagre de Deus. A 
maneira como foi escrita sob diversas circunstâncias 
e tudo com perfeição uniforme em mensagem e 
conteúdo; só pode ser considerada como, um livro 
divino!
Ninguém sabe como estes 66 livros 
divinos se encontram num só volume, isto é obra de 
Deus. Qualquer outra obra literária nas
circunstâncias da Bíblia seria como uma verdadeira 
Babel (confusão).
Num período de quase 16 séculos, os 
escritores inspirados, vivendo sob diversas
circunstâncias e em lugares distintos e distantes 
(três continentes), escrevendo em duas principais 
línguas, trouxeram-nos a revelação de Deus - A 
B íb lia .
•*" A diversidade de escritores:
Deus usou para escrever sua Palavra, 
homens de atividades variadas, razão que
encontramos os mais diversos tipos de linguagem na 
Bíblia. Abaixo segue alguns exemplos de escritores 
bíblicos com suas respectivas ocupações:
|p rofíssã S^Ocüaaç ã o Í3 ÊM
Moisés Cientista At 7.22
Josué Soldado Ex 17.9
Davi Pastor de ovelhas e Rei 2Sm 7.8; 8.15
Salomão Rei e poeta Ec 1.12
Isaías Estadista e profeta Is 6.8
Daniel Ministro do rei Dn 2.49
Zacarias Profeta Zc 1.1
Jeremias Profeta Jr 1.5
27
Amós Boiadeiro e cultivador Am 7.14,15
Ped ro Pescador Mt 4.18
Tiago Pescador Mt 4.21
João Pescador Lc 5.10
Paulo Doutor da lei At 22.3
Muitos outros homens foram usados por 
Deus para revelar-nos sua Palavra. Apesar da 
diversidade de atividades, ao examinarmos os 
escritos destes homens, observamos como eles se 
completam.
Na verdade não foram escritos muitos 
livros, mais sim um só livro, a maravilhosa Palavra 
de Deus (SI 119.152).
» A diversidade de condições:
O Deus Soberano permitiu que sua Palavra
fosse esc rita em diversas condições, certamente
para nos mostrar hoje, que Ele está no controle de
tudo.
Por exemplo, a Bíblia foi escrita:
s Na i:idade;
s Nos desertos como Elias ( lR s 19.4,5);
s Nas ilhas co mo João escreveu (Ap 1.9);
s Nas prisões como Paulo escreveu (Fm 1.1).
Entretanto a mensagem é uma só: "Como a 
luz da aurora, que vai brilhando mais e mais, até ser 
dia perfeito" (Pv 4.18), esta perfeição é exclusiva no 
livro divino - A Bíblia Sagrada.
' A diversidade de circunstâncias:
Desencontradas foram às circunstâncias 
em que foram escritos os livros da Bíblia. Davi, 
homem segundo o coração de Deus, escreveu, por 
exemplo, o Salmo 24, quando trazia a arca de Deus
28
à Jerusalém. Salomão certamente escreveu na 
tranqüilidade do palácio ( lR s 4.32-34). Josué 
escreveu após grandes conquistas (Js 24.26).
Apesar da diversidade de situações, a 
mensagem, a doutrina e o tema central são um só.
9 Autor da Bíblia:
Nenhum homem, ímpio, justo, piedoso ou 
mesmo judeu, seria o autor da Bíblia. Certamente 
estes homens não fariam um livro que falasse dos 
seus fracassos, derrotas, pecados, idolatrias e 
rebeliões contra Deus.
Deus, verdadeiramente é o autor deste 
livro maravilhoso e infalível que revela a salvação, 
libertação e transformação do homem em uma nova 
criatura (2Co 5.17).
As evidências confirmam o efeito e a 
influência da Bíblia em pessoas e nações. A Palavra 
de Deus tem influenciado e melhorado o mundo, pelo 
caráter que molda na vida das pessoas.
Muitos dantes incrédulos, indiferentes, 
viciados, idólatras, supersticiosos, que aceitaram 
este livro, foram por ele transformados, salvos, 
libertos e santificados. Nenhum outro livro tem 
poder de transformar pessoas, lares e nações (At 
19.18-19), como a Palavra de Deus.
A Mensagem das Escrituras
Deus na sua presciência estabeleceu sua 
Palavra, de modo que ela abrange o passado, o 
presente e o futuro.
As necessidades dos homens durante todo 
o tempo, tem sido as mesmas durante sua existência 
na terra. Somente uma palavra atual, poderia suprir 
as necessidades humanas.
29
Em Hebreus 4.12, diz que a Palavra de 
Deus "é viva e eficaz", sua mensagem, seu poder, se 
cumpre a cada dia na vida daqueles que a buscam 
como verdadeiro refúgio em dia de tempestade (cf. 
Is 32.2).
1. Apresenta Deus como criador e Senhor de tudo.
As Escrituras testificamda existência de 
Deus e tudo o que Ele fez, faz e fará. Toda a criação 
está sujeita a Ele e depende dEle.
O Eterno converge todas as coisas para a 
sua glória e alegria do seu povo. Vários textos 
confirmam estes fatos: Gênesis 1.1; Salmos 95.6; 
104.30; Isaías 40,26; Efésios 3.9; Apocalipse 10.6.
2. Apresenta sem reserva a verdade e a realidade 
do pecado.
Nenhum outro livro tem o poder de revelar 
o pecado e seu caráter maligno como a Bíblia. Ela 
não filosofa sobre o pecado, mas trata-o com clareza 
e o expõe sem qualquer reserva, como uma dívida 
do homem contraída com Deus (Rm 1.18-32; 3.23; 
5.12). 3
3. Apresenta o plano de salvação para o homem.
As religiões intentam salvar o homem 
pelos seus próprios méritos; entretanto, a salvação 
só é possível através da solução única apresentada 
na Bíblia.
A redenção humana foi planejada no céu 
pelo Pai, consumada na terra pelo Filho e é oferecida 
pelo Espírito Santo (Tt 3.5).
Só Deus através de sua poderosa Palavra, 
mediante o sangue remidor de seu Filho pode 
resgatar o homem da perdição eterna (At 4.12; Lc 
19.10).
30
4. A Bíblia tem mensagem para os nossos dias.
A Bíblia define os dias de hoje como: dias 
maus (Ef 5.16), de aflições, tempos trabalhosos. 
Temos visto o clamor do povo e até mesmo da 
Igreja, face aos acontecimentos mundiais.
A primeira grande mensagem da Bíblia 
para nós é sobre a fé. A Bíblia é um livro de fé e em 
suas páginas temos lições de fé. A fé bíblica dissipa 
todas as coisas: incertezas, dúvidas, temores,
angústias, depressões, num mundo onde as pessoas 
andam tateando. A fé vê o invisível (Hb 11.27). 
Quando muitos estão caindo e se prostrando diante 
das situações, os que têm fé estão de pé (2Co 1.24).
Onde encontrar fé num mundo de 
incredulidade? Na Palavra de Deus!
Outra grande mensagem bíblica para os 
dias atuais é a mensagem de revestimento 
espiritual. Muitas pessoas têm fé, entretanto não 
estão revestidas.
O apóstolo Paulo afirma em Efésios 6.13: 
"Portanto tomai toda a armadura de Deus". Fé sem 
revestimento nos traz decepções. Todos os homens 
de fé que a Bíblia registra, precisaram do 
revestimento de Deus para a peleja (At 7.55).
O mundo atual é um mundo vazio. São 
corações vazios de Deus, e muitas vezes, cheios do 
diabo. Diz em Romanos 13.14, "Mas revesti-vos do 
Senhor Jesus Cristo, e não tenhais cuidado da carne 
em suas concupiscências".
A fé e o revestimento do Espírito Santo, 
portanto, são duas grandes necessidades. Jesus 
disse aos discípulos "Quando, porém vier o Filho do 
homem, porventura achará fé na terra?" (Lc 18.8). 
Não esqueça o revestimento que Deus tem para dar 
( lT s 5.8).
31
5. A Bíblia tem esperança para nossos dias.
Uma outra grande mensagem da Bíblia 
para nossos dias é sobre a esperança. Deus é Deus 
de esperança (Rm 15.13), e gostaria que seus filhos 
fossem cheios de esperança.
Vemos, porém o contrário, vidas 
desesperadas, sem Deus, estranhos a tudo que é 
espiritual (Ef 2.12). Esperança é uma dádiva de 
Deus, que nem todos conhecem.
Jeremias, o profeta das lágrimas disse: 
"Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a 
salvação do Senhor" (Lm 3.26).
Esperança é motivo de alegria na vida 
daqueles que a têm. A esperança produz uma série 
de bênçãos (Jr 17.7,8). O mundo necessita de 
mensagens de esperança. Sem ela o mundo tem 
vivido em constantes sofrimentos ( lT s 4.13).
Cabe, portanto à Igreja, portadora dessa 
mensagem, divulgá-la com todos os recursos 
possíveis, pois esperança é uma das virtudes que 
permanecem (ICo 13.13); é algo que incentiva a 
viver na presença de Deus, esperança para os salvos 
é vida, é regeneração. Fomos regenerados para uma 
viva esperança (IPe 1.3).
Esperança precisa ser explicada àqueles 
que procuram saber sua razão de viver.
A esperança dos salvos tem uma razão 
(IPe 3.15), que leva-nos a viver uma vida de 
santificação na presença do Senhor, esperando-o a 
cada dia ( lJo 3.3), pacientemente como o lavrador 
espera pelos frutos.
Finalizando, podemos entender que a vida 
eterna em Cristo Jesus, torna-se o maior resultado 
de esperança na vida do cristão (Tt 1.2).
32
6. A Bíblia tem salvação para os nossos dias.
O que mais precisa o mundo moderno? 
Temos uma visão que em quase todas as áreas da 
vida humana tem havido progresso tecnológico, 
científico e humano. Entretanto, na área moral, 
pessoal, social, familiar e outras, o homem necessita 
de salvação. E salvação é com a Palavra de Deus.
Não vamos encontrar outro livro que nos 
mostre de maneira tão simples e clara tudo o que 
precisamos para nos tornar salvos.
A Bíblia nos mostra que a salvação é um 
ato de fé (Ef 2.8), da parte do homem, e um ato da 
graça partido de Deus. Em suma, o homem por meio 
da fé, Deus o encontra com a graça (At 16.31).
Precisamos testificar àqueles que estão 
próximo de nós que a salvação é necessária nos dias 
de hoje. Salvação é uma palavra abrangente, pois 
quando somos salvos, sentimo-nos seguros em Deus 
(SI 91.1) de todo o poder do pecado contra nossas 
vidas (Rm 6.14), somos resgatados acima de tudo 
das garras do diabo.
Em Atos 26.18, diz que o Senhor Jesus nos 
livrou do poder de Satanás, e nos converteu a Deus. 
Tal experiência tem acontecido hoje, em nossos dias 
com milhares de vidas, que, dantes presas, agora 
libertas em Cristo Jesus, foram livres do presente 
século mal, segundo a vontade de Deus, nosso Pai 
(Gl 1.4). 7
7. Salvação abrange também o futuro.
A Bíblia nos fala sobre a ira vindoura, 
quando Deus julgará os atos dos homens dissolutos 
e maus que desprezam sua salvação em Cristo (Rm 
2.5), e salvando de maneira gloriosa e poderosa, 
todos aqueles que em Cristo fizeram confissão de 
sua fé em Deus (Rm 10.10).
33
Esta salvação final é descrita na carta aos 
Romanos, capítulo 8 quando Paulo diz: Porque
sabemos que toda a criação geme e está juntamente 
com dores de parto até agora, e continuando afirma 
que não somente a criação, mas todos nós que 
temos as primícias do Espírito, também gememos 
esperando a redenção do nosso corpo.
Esta redenção final se dará no 
arrebatamento da Igreja, quando seremos
transformados à semelhança do corpo de Jesus (Fp 
3.21), e estaremos para sempre como o Senhor.
8. A Bíblia tem santificação para nossos dias.
A santificação bíblica é um dos aspectos de 
nossa salvação em Jesus Cristo. É descrita na Bíblia 
não como um mandamento apenas, mas sim como a 
vontade de Deus ( lT s 4.3). Santificação tem estado 
nos propósitos eternos de Deus.
Paulo afirma em Efésios 1.4, que antes da 
fundação do mundo, Deus planejou nossa
santificação. Santificação é coisa tão séria, que o 
escritor aos Hebreus escreve numa linguagem clara e 
fácil: "Sem santificação, ninguém verá o Senhor" (Hb 
12.14).
Assim sendo, quando o povo de Deus se 
reúne, Deus nos vê como uma congregação de 
santificados, que desejam cada dia mais e mais de 
seu Pai Celestial (Mt 6.9). A vida do povo de Deus é 
uma vida de santificados, pois a todo o momento 
esperam a volta do Senhor Jesus (Fp 4.5).
Infelizmente, hoje, muitos têm desprezado 
a santificação. Cremos ser isto uma investida do 
inimigo na vida do povo de Deus. A falta de 
santificação muito tem atrapalhado a operação de 
Deus no meio do seu povo (Js 3.5).
34
A santificação começa no interior do 
crente. É obra do Espírito Santo, que deseja nos 
preparar a cada dia para o arrebatamento da Igreja 
( lT s 5.23).
A Inerrância das Escrituras
Inerrância não significa que os escritores 
eram infalíveis, mas que seus escritos foram 
preservados de erros. Inerrância significa que a 
verdade é transmitida em palavras entendidas no 
sentido que foram empregadas, não expressava erro 
algum.
O conceito de inerrância das Escrituras 
contraria alguns críticos modernos que não aceitam 
a infalibilidadedas Escrituras. Tais críticos julgam 
haver erros nas Escrituras em razão de encontrarem 
nelas palavras divinas e humanas.
Para nós que cremos na inspiração plena 
das Escrituras estamos convictos que as dificuldades 
nela encontradas não representam erros e, 
geralmente, são explicadas pelos textos paralelos 
encontrados em toda a Bíblia.
A verdade divina revelada nas Escrituras é 
apresentada de modo explícito, certo e transparente. 
O ensino genuíno das Escrituras não tem
discrepâncias1 doutrinárias; é único em todo o 
mundo e adaptável a qualquer cultura (Jo 17.17; lR s 
17.24; SI 119.142,151; Pv 22.21).
‘r A infalibilidade das Escrituras.
As Escrituras é a infalível Palavra de Deus. 
A sua infalibilidade tem sido alvo de muita 
contestação, especialmente entre os chamados 
"racionalistas" que idolatram a razão humana, sem
1 Desacordos, divergênc ias, discórdias.
35
perceberem que ela é falha, afirmam que o 
racionalismo científico, com seus métodos de estudo 
e pesquisa, será capaz de analisar e responder todas 
as indagações do homem. Porém, são 
completamente limitados quando analisam coisas 
espirituais, além da matéria.
A ciência é incapaz de estudar elementos 
que não são pesados ou medidos, como a alma 
humana. Portanto, o poder sobrenatural das 
Escrituras não pode ser analisado em laboratório, 
porque se refere a algo espiritual.
A autoridade divina e humana das Escrituras.
Indiscutivelmente a Bíblia tem dupla 
autoridade. A autoridade divina é demonstrada pela 
infalibilidade das Escrituras, uma vez que elas têm 
origem em Deus e é a expressão de sua mente.
A autoridade humana é reconhecida pelo 
fato de Deus ter escolhido pelo menos 40 homens, 
os quais receberam a sua Palavra e a transmitiram 
na forma escrita.
Teorias Evangélicas de Inerrância * S
■r Posição: Inerrância Limitada
t Proponente: Daniel Fuller, Stephen Davis e
William Lasor.
S Formulação do conceito:
A Bíblia é inerrante somente em seus ensinos 
doutrinários salvíficos. A Bíblia não foi criada 
para ensinar ciência ou história, nem Deus 
revelou questões de histórias a compreensão da 
sua cultura e, portanto, pode conter erros.
36
®" Posição: Inerrância Plena
t Proponente: Harold Lindsell, Roger Nicole e
Millard Erickson.
S? Formulação do conceito:
A Bíblia é plenamente veraz em tudo o que ensina 
e afirma. Isso se estende tanto à área da história 
quanto da ciência. Não significa que a Bíblia tem 
o propósito primário de apresentar informações 
exatas acerca de história e ciência. Portanto, o 
uso de expressões populares, aproximações e 
linguagens fenomênicas são reconhecidos e 
entendidos no sentido de cumprir com o requisito 
da veracidade. Assim sendo, as aparentes 
discrepâncias podem e devem ser harmonizadas.
* Posição: Irrelevância da Inerrância 
t Proponente: David Hubbard 
Formulação do conceito:
A inerrância é substancialmente irrelevante por 
várias razões:
x A inerrância é um conceito negativo. A nossa 
concepção da Escritura deve ser positiva; 
x A inerrância não é um conceito bíblico; 
x Na Escritura, erro é uma questão espiritual ou 
moral, e não intelectual;
x A inerrância concentra a nossa atenção nos 
detalhes, e não nas questões essenciais da 
Escritura;
x A inerrância impede uma avaliação honesta 
das Escrituras;
x A inerrância produz desunião na Igreja.
37
^ Posição: Inerrância de Propósito 
í Proponente: Jack Rogers e James Orr 
Formulação do conceito:
A Bíblia é isenta de erros no sentido de 
concretizar o seu propósito primário de levar as 
pessoas a uma comunhão pessoal com Cristo. 
Portanto, a Escritura é verdadeira (inerrante) 
somente na medida em que realiza o seu 
propósito fundamental, e não por ser factual ou 
precisa naquilo que assevera. (Esta concepção é 
semelhante à Irrelevância da Inerrância, a 
próxima abordagem).
38
Questionário
^ Assinale com "X" as alternativas corretas
6. Quanto aos homens de atividades variadas que 
Deus usou-os na escrita de sua Palavra, é incerto 
dizer que
a) [H Paulo era doutor da lei
b) 0 Ageu era boiadeiro e cultivador
c) D Pedro, Tiago e João eram pescadores
d) C] Moisés era um cientista e Josué um soldado
7. É incorreto dizer que a esperança é
a) LZI Algo que incentiva a vivermos na presença de 
Deus
b) D É vida para os salvos - é regeneração
c) CD Uma das virtudes que permanecem
d) [7] Uma dádiva de Deus que todos conhecem
8. Teoria de inerrância que afirma em ser a Bíblia 
inerrante somente em seus ensinos doutrinários 
salvíficos
a) EH Inerrância Plena
b) íxl Inerrância Limitada
c) D Inerrância de Propósitod) 1ZZI Irrelevância da Inerrância
/<? Marque "C" para Certo e "E" para Errado
9.l~1 A Bíblia nos mostra que a salvação é um ato de fé 
da parte do homem e um ato da graça partido de 
Deus
10.m A ciência é capaz de estudar elementos que não 
são pesados ou medidos, como a alma humana
39
O Cânon da Bíblia
Lição 2
Quais são os escritos pertencentes à 
Bíblia? Que diremos dos chamados: Livros ausentes? 
Como foi que a Bíblia veio a ser composta de 66 
livros?
Essa é a questão do cânon das Escrituras, 
que pode ser definido da seguinte maneira: Cânon 
ou Escrituras Canônicas é a coleção completa dos 
livros divinamente inspirados, que constituem a 
Bíblia. Esse assunto intitula-se canonicidade. Trata- 
se do segundo grande elo da corrente que vem de 
Deus até nós.
A inspiração é o meio pelo qual a Bíblia 
recebeu sua autoridade; a canonização é o processo 
pelo qual a Bíblia recebeu sua aceitação definitiva. 
Uma coisa é o profeta receber uma mensagem da 
parte de Deus, bem diferente é tal mensagem ser 
reconhecida pelo povo de Deus.
Canonicidade é o estudo que trata do 
reconhecimento e da compilação dos que nos foram 
dados por inspiração de Deus. Não devemos 
subestimar1 a importância dessa questão. As
1 Não dar a devida estima, apreço, valor, a; não ter em grande 
conta; desdenhar.
41
palavras das Escrituras são as palavras pelas quais 
nutrimos nossa vida espiritual. Portanto, re­
afirmamos o comentário de Moisés ao povo de Israel 
a respeito da lei de Deus: "Porque esta palavra não 
é para vós outros, coisa vã; antes, é a vossa vida; e, 
por esta mesma palavra, prolongareis os dias na 
terra à qual, passando o Jordão, ides para possuí-la" 
(Dt 32.47).
Aumentar ou diminuir as palavras de Deus 
impediria o seu povo de obedecer-lhe plenamente, 
pois as ordens retiradas não seriam conhecidas pelo 
povo, e as palavras acrescentadas poderiam exigir 
das pessoas coisas que Deus não ordenou. Por isso, 
Moisés advertiu o povo de Israel: "Nada
acrescentareis à palavra que vos mando, nem 
diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos 
do Senhor, vosso Deus, que eu vos mando" (Dt 4.2).
A determinação precisa da extensão do 
cânon das Escrituras é, portanto, de extrema 
importância. Para que possamos confiar em Deus e 
obedecer a Ele, precisamos de uma coleção de 
palavras sobre as quais temos certeza ser as 
palavras do próprio Deus para nós.
Se houver qualquer trecho das Escrituras 
sobre os quais tenhamos dúvidas, não vamos aceitar 
que tenham autoridade divina absoluta nem confiar 
nelas na mesma medida em que confiamos no 
próprio Deus.
O Termo "Cânon"
O termo "cânon" é proveniente do grego, 
no qual kanon significa cana, regra, lista - um 
padrão de medida, que por sua vez, se origina do 
hebraico kaneh, palavra do Antigo Testamento que 
significa "vara ou cana de medir" (Ez 40.3).
42
Em época anterior ao cristianismo, essa 
palavra era usada de modo mais amplo, com o 
sentido de padrão ou norma além de cana ou 
unidade de medida. Com relação à Bíblia, diz 
respeito aos livros que estavam de acordo com o 
padrão e foram dignos de inclusão.
Desde o século IV, o vocábulo kanon é 
usado pelos cristãospara indicar uma lista 
autoritária de livros que pertencem ao Antigo ou ao 
Novo Testamento.
No sentido religioso, cânon não significa 
aquilo que mede, mas aquilo que serve de norma, 
regra. Com este sentido, a palavra cânon aparece no 
original em vários lugares do Novo Testamento (Gl 
6.16; 2Co 10.13,15; Fp 3.16). A Bíblia, como o 
cânon sagrado, é a nossa norma ou regra de fé e 
prática.
Diz-se dos livros da Bíblia que são 
canônicos para diferençá-los dos apócrifos. O 
emprego do termo cânon foi primeiramente aplicado 
aos livros da Bíblia por Orígenes (185-254 d.C.).
A Canonicidade é Determinada Pela 
Inspiração
Os livros da Bíblia são considerados 
valiosos porque provieram de Deus - fonte de todo 
bem. O processo mediante o qual Deus nos concede 
sua revelação chama-se inspiração.
E a inspiração de Deus num livro que 
determina sua canonicidade. Deus dá autoridade 
divina a um livro, e os homens de Deus o acatam; 
revela, e seu povo reconhece o que o Ele revelou.
A canonicidade é determinada por Deus e 
descoberta pelos homens de Deus. A Bíblia constitui 
o "cânon", ou "medida" pela qual tudo mais deve ser
43
medido e avaliado pelo fato de ter autoridade 
concedida por Deus.
Sejam quais forem as medidas (i.e., os 
cânones) usadas pela Igreja para descobrir com 
exatidão que livros possuem essa autoridade 
canônica ou normativa, não se deve dizer que 
"determinam" a canonicidade dos livros.
Dizer que o povo de Deus, mediante 
quaisquer regras de reconhecimento, "determina" 
que livros são autorizados por inspiração de Deus só 
confunde a questão. Só Deus pode conceder a um 
livro autoridade absoluta e, por isso mesmo, 
canonicidade divina. Veja abaixo dois sentidos 
importantes:
v O sentido primário da palavra cânon aplicado 
às Escrituras é aplicado na acepção ativa, i.e., a 
Bíblia é a norma que governa a fé.
v o sentido secundário, segundo o qual um livro 
é julgado por certos cânones e é reconhecido 
como inspirado (o sentido passivo), não deve 
ser confundido com a determinação divina da 
canonicidade. Só a inspiração divina determina 
a autoridade de um livro, i.e., se ele é canônico, 
de natureza normativa.
O Surgimento do Cânon
A doutrina da inspiração bíblica foi 
completamente desenvolvida apenas nas páginas do 
Novo Testamento. Mas, muito antes disso, já 
encontramos na história de Israel certos escritos 
reconhecidos como autoridade divina e como regra 
escrita de fé e conduta para o povo de Deus.
Identificamos isso na resposta do povo, 
quando Moisés leu para eles o livro do concerto (Éx 
34.7), ou quando o livro da Lei, achado por Hilquias,
44
foi lido primeiro para o rei e depois para a 
congregação (2Rs 22-23; 2Cr 34), ou ainda quando 
Esdras leu o Livro da Lei para o povo (Ne 8.9,14-17; 
10.28-39; 13.1-3).
Os escritos em questão são uma parte do 
Pentateuco ou ele todo - no primeiro caso, 
provavelmente uma parte bem pequena do Êxodo, 
capítulos 20 a 23.
O Pentateuco é tratado com a mesma 
reverência em Josué 1.7,8; 8.31 e 23.6-8; IReis 
2.3; 2Reis 14.6 e 17.37; Oséias 8.12; Daniel 
9.11,13; Esdras 3.2,4; lC rôn icas 16.40, 2Crônicas 
17.9; 23.18; 30.5,18; 31.3 e 35.26.
Cânon do Antigo Testamento
Onde surgiu a idéia do cânon - a idéia de 
que o povo de Deus deve preservar uma coleção de 
palavras escritas de Deus? A própria Bíblia dá 
testemunho do desenvolvimento histórico do cânon. 
A coleção mais antiga das palavras de Deus é os Dez 
Mandamentos. Portanto, constituem o início do 
cânon bíblico.
O próprio Deus escreveu sobre duas tábuas 
de pedra as palavras que Ele ordenou ao seu povo 
(Êx 32.16; cf. Dt 4.13; 10.4). As tábuas foram
depositadas na Arca da Aliança (Dt 10.5) e 
constituíam os termos do pacto entre Deus e seu 
povo.
Nem todos os escritores dos livros do AT 
eram profetas, no sentido estrito da palavra. Alguns 
eram reis e sábios. Mas, as experiências da 
inspiração que tiveram, fez com que seus escritos 
também encontrassem um lugar no cânon.
A inspiração dos salmistas é mencionada 
em 2Samuel 23.1-3 e lC rôn icas 25.1, e a dos
45
sábios, em Eclesiastes 12.11,12. Note também as 
revelações feitas por Deus no livro de Jó (Jó 38.1; 
40.6) e a inferência exarada1 em Provérbios 8.1-9.6, 
indicando que o livro de Provérbios é obra da 
Sabedoria divina.
Na época patriarcal, a revelação divina era 
transmitida escrita e oralmente. A escrita já era 
conhecida na Palestina, séculos antes de Moisés; a 
arqueologia tem provado isto, inclusive tem 
encontrado inúmeras inscrições, placas, sinetes* 2 e 
documentos antediluvianos.
O cânon do Antigo Testamento como temos 
atualmente, ficou completo desde o tempo de 
Esdras, após 445 a.C. Entre os judeus, tem ele três 
divisões, as quais Jesus citou em Lucas 24.44: Lei, 
Profetas, Escritos.
A divisão dos livros no cânon hebraico é 
diferente da nossa. Consiste em 24 livros em vez dos 
nossos 39, isto porque é considerado um só livro 
cada grupo dos seguintes:
Os dois de Samuel 1
Os dois de Reis 1
Os dois de Crônicas 1
Esdras e Neemias 1
Os doze Profetas Menores 1
Os demais livros do Antigo Testamento 19
Total 24
A disposição ou ordem dos livros no cânon 
hebraico é também diferente da nossa. Damos a 
seguir essa disposição dentro da tríplice divisão do 
cânon, já mencionada (Lei, Profetas, Escritos).
‘ Cons ignar ou registrar por escrito; lavrar.
2 Utensíl io gravado em alto ou ba ixo-relevo.
46
Divisão Qtdade Livros
Lei 5
s Gênesis; 
s Êxodo; 
s Levítico; 
v" Números;
■s Deuteronômio.
Profetas 8
Divididos em :
-> Primeiros Profetas: 
s Josué;
^Juizes;
^Samuel; 
s Reis.
Últimos Profetas: 
s Isaías; 
s Jeremias;
S Ezequiel;
s Os Doze Profetas Menores.
Escritos 11
Divididos em :
-» Livros Poéticos: 
^Salmos; 
^Provérbios; 
s Jó.
-> Os Cinco Rolos: 
^Cantares; 
s Rute;
s Lamentações;
V Eclesiastes; 
s Ester.
Livros Históricos: 
s Daniel;
^Esdras e Neemias; 
^Crônicas.
47
Os Cinco Rolos eram assim chamados por 
serem separados, lidos anualmente em festas 
distintas:
Cantares, na Páscoa, em alusão ao êxodo.
Rute, no Pentecostes, na Celebração da 
Colheita, em seu início.
Ester, na Festa do Purim, comemorando o 
livramento de Israel da mão do mau Hamã.
Eclesiastes, na Festa dos Tabernáculos - 
festa de gratidão pela colheita.
Lamentações, no mês de abibe, relembrando 
a destruição de Jerusalém pelos babilónicos.
No cânon hebraico também os livros não 
estão em ordem cronológica. Os judeus não se 
preocupavam com um sistema cronológico. Também 
pode haver nisto um plano divino.
A nossa divisão em 39 livros vem da 
Septuaginta, através da Vulgata Latina. A 
Septuaginta foi a primeira tradução das Escrituras, 
feita do hebraico para o grego cerca de 285 a.C. 
Também a ordem dos livros por assuntos, do formato 
da Bíblia atual, vem dessa famosa tradução.
Jesus em Lucas 24.44, Ele chamou 
"Salmos" à última divisão do cânon hebraico, 
certamente porque esse livro era o primeiro dessa 
divisão.
Segundo a nossa divisão, o AT começa com 
Gênesis e termina em Malaquias, porém, segundo a 
divisão do cânon hebraico, o primeiro livro é Gênesis 
e o último é I e II Crônicas. Isto é visto claramente 
nas palavras de Jesus em Mateus 23.35 - o caso de 
Abel está em Gênesis e o do filho de Baraquias está 
em Crônicas.
48
7 A formação canônica do Antigo Testamento.
O cânon no Antigo Testamento foi formado 
num espaço aproximado de 1046 anos - de Moisés a 
Esdras. Moisés escreveu as primeiras palavras do 
Pentateuco por volta de 1491 a.C. Esdras entrou em 
cena em 445 a.C.
Esdras não foi o último escritor na 
formação canônica do AT; os últimos foram Neemias 
e Malaquias, porém, de acordo com os escritos 
históricos, ele como escriba e sacerdote reuniu os 
rolos canônicos, ficando o cânonencerrado em seu 
tempo.
A chamada Alta Crítica tem feito uma 
devastação com seu modernismo e suas contradições 
no que concerne à formação, fontes de autenticidade 
do cânon, especialmente do Antigo Testamento, 
mutilando quase todos os seus livros. 
s Alta Crítica é a discussão das datas e da 
autoria dos livros. Ela estuda a Bíblia do lado de 
fora, externamente, baseada apenas em fontes 
do conhecimento humano.
s Por outro ângulo, a Critica Textual, também 
conhecida por Baixa Crítica, estuda somente o 
texto bíblico, e, ao lado da arqueologia, vem 
alcançando um progresso valioso, posto à 
disposição do estudante das Escrituras.
Por exemplo, a teoria de que a escrita era 
desconhecida nos dias de Moisés já foi destruída. E 
de ano em ano, aumentam os achados nas terras 
bíblicas, evidenciando e comprovando as narrativas e 
fatos do Antigo Testamento.
Mediante tais provas irrefutáveis1, os 
homens estão respeitando mais às Sagradas 
Escrituras! Toda a Bíblia vem sendo confirmada pela
1 Que não se pode refutar; ev idente, irrecusável, incontestável.
49
pá do arqueólogo e pelos eruditos em antiguidades 
bíblicas. Coisas que pareciam as mais incríveis são 
hoje aceitas por todos, sem objeções.
A formação gradual do cânon.
Houve, originalmente, a transmissão oral, 
como se vê em Jó 15.18. O livro de Jó é tido como o 
mais antigo da Bíblia. Mostraremos a seguir a 
seqüência da formação gradual do cânon do Antigo 
Testamento.
Convém ter em mente aqui que toda 
cronologia bíblica é apenas aproximada. Já o Novo 
Testamento há precisão de muitos casos. Essa 
cronologia vai sendo atualizada à medida que os 
estudos avançam e a arqueologia fornece informe 
oficial.
1. Moisés (cerca de 1491 a.C.). Começou a 
escrever o Pentateuco, concluindo-o por volta 
de 1451 a.C. (Nm 33.2). Mais textos 
relacionados com Moisés e sua escrita do 
Pentateuco: Êxodo 17.14; 24.4,7; 34.27. As
partes do Pentateuco anteriores a Moisés, como 
o relato da Criação, todo o livro de Gênesis e 
parte de Êxodo, ele escreveu, ou lançando mão 
de fontes existentes (ver Gn 2.4; 5.1), ou por 
revelação divina. Gênesis 26.5 dá a entender 
que nesse tempo já havia "mandamentos, 
preceitos e estatutos" escritos. Algumas 
passagens do Pentateuco foram acrescentadas 
posteriormente, como: Êxodo 11.3; 16.35;
Deuteronômio 34.1-12; 2
2. Josué. Sucessor de Moisés (1443 a.C.),
escreveu uma obra que colocou perante o 
Senhor (Js 24.26);
50
3. Samuel (1095 a.C.), o último juiz e também 
profeta do Senhor, escreveu, pondo seus 
escritos perante o Senhor (ISm 10.25). 
Certamente "perante o Senhor" significa que 
seus escritos foram depositados na Arca do 
Concerto com os demais escritos sagrados (Êx 
25.21);
4. Isaías (770 a.C.) fala do "Livro do Senhor" (Is 
34.16), e "palavras do livro" (Is 29.18). São 
referências às Escrituras na sua formação;
5. Em 726 a.C. os Salmos já eram cantados (2Cr 
29.30). O fato aí registrado teve lugar nesse 
tempo;
6. Jeremias, cuja chamada deu-se em 626 a.C., 
registrou a revelação divina (Jr 30.1,2). Tal 
livro foi queimado pelo rei Joaquim, em 607 
a.C., porém, Deus ordenou que Jeremias 
preparasse um novo rolo, o que foi feito 
mediante seu amanuense1 Baruque (Jr 
36.1,2,28,32; 45.1);
7. No tempo do rei Josias (621 a.C.), Hilquias 
achou o "Livro da Lei" (2Rs 22.8-10);
8. Daniel (553 a.C.) refere-se aos "livros" (Dn 
9.2). Eram os rolos sagrados das Escrituras de 
então;
9. Zacarias (520 a.C.) declara que os profetas que 
o precederam falaram da parte do Espírito 
Santo (Zc 7.12). Não há aqui referência direta a 
escritos, mas há inferência. Zacarias foi o 
penúltimo profeta do Antigo Testamento.
1 Escrevente, copista. Funcionário público de cond ição modesta 
que fazia a correspondência e copiava ou registrava 
documentos.
51
10. Neemias, (445 a.C.), achou o livro das
genealogias dos judeus que já haviam 
regressado do exílio (Ne 7.5); certamente havia 
outros livros;
11. Nos dias de Ester, o Livro Sagrado estava 
sendo escrito (Et 9.32);
12. Esdras. Contemporâneo de Neemias e foi hábil 
escriba da lei de Moisés, e leu o livro do Senhor 
para os judeus já estabelecidos na Palestina, de 
regresso do cativeiro babilónico (Ne 8.1-5). 
Conforme 2Macabeus e outros escritos judaicos, 
Esdras presidiu a chamada "Grande Sinagoga", 
que selecionou e preservou os rolos sagrados, 
determinando, dessa maneira, o cânon das 
Escrituras do AT (cf. Ed 7.10-14).
S Uma Grande Sinagoga era um conselho 
composto de 120 membros que se diz ter 
sido organizado por Neemias, cerca de 410 
a.C., sob a presidência de Esdras. Essa 
entidade reorganizou a vida religiosa 
nacional dos repatriados e, mais tarde, deu 
origem ao S inédrio1, cerca de 275 a.C.
A Esdras é atribuída a tríplice divisão do cânon, 
já estudada. Foi nesse tempo, que os 
samaritanos foram expulsos da comunidade 
judaica (Ne 13) levando consigo o Pentateuco, 
que é até hoje a Bíblia dos samaritanos. Isto 
prova que o Pentateuco era escrito canônico;
13. Encontramos profeta citando outro profeta, do 
que se infere haver mensagem escrita (Cf. 
Miquéias 4.1-3 com Isaías 2.2-4.);
1 O supremo tribunal dos judeus.
52
14. Filo, escritor de Alexandria (30 a.C. - 50 d.C.) 
possuía todo o cânon do Antigo Testamento. Em 
seus escritos ele cita quase todo o Antigo 
Testamento;
15. Josefo, o historiador judeu (37-100 d.C.),
contemporâneo de Paulo, diz, escrevendo aos 
judeus, no livro "Contra Appion
"Nós temos apenas 22 livros, contando 
a história de todo o tempo; livros em 
que nós cremos, ou segundo se dizem, 
livros aceitos como divinos".
Desde os dias de Artaxerxes ninguém se 
aventurou a acrescentar, tirar ou alterar uma 
única sílaba. Faz "parte de cada judeu, desde 
que nasce considerar estas Escrituras como 
ensinos de Deus".
Josefo era um homem culto, judeu ortodoxo de 
linhagem sacerdotal, governou a Galiléia e foi 
comandante militar nas guerras contra Roma. 
Presenciou a queda de Jerusalém. Foi levado a 
Roma, onde se dedicou a escritos literários.
Ora, o Artaxerxes que ele menciona é o 
chamado Longímano, que reinou de 465-424 
a.C. Isso coincide com o tempo de Esdras e 
confirma as declarações de outras peças da 
literatura judaica que ensinam ter Esdras 
presidido a Grande Sinagoga que selecionou e 
preservou os rolos sagrados para a 
posterioridade.
Josefo conta os livros do AT como 22 porque 
considera Juizes e Rute como 1 (um) livro; 
Jeremias e Lamentações também. Isto, para 
coincidir com o número de letras do alfabeto 
hebraico: "22";
53
16. Nos dias do Senhor, esse livro chamava-se
Escrituras (Mt 26.54; Lc 24.27,45; Jo 5.39), 
com as suas três conhecidas divisões: Lei,
Profetas, Salmos (Lc 24.44). Era também 
chamada "A Palavra de Deus" (Mc 7.13; Jo 
10.34,35). Note bem este título aplicado pelo 
próprio Senhor Jesus! Outro fato notável é a 
citação feita por Jesus em Mateus 23.35 que 
autentica todo o Antigo Testamento!
17. Os escritores do Novo Testamento reconhecem 
como canônicos os livros do Antigo Testamento, 
pois este é am iúde1 citado naquele, havendo 
cerca de 300 referências diretas e indiretas. Os 
escritores do NT referem-se ao cânon do AT 
como sendo oráculos divinos (cf. Rm 3.2; 2Tm 
3.16 e Hb 5.12). Cremos que, começando por 
Moisés, à proporção que os livros iam sendo 
escritos, eram postos no tabernáculo, junto ao 
grupo de livros sagrados. Esdras como já disse, 
após a volta do cativeiro, reuniu os diversos 
livros e os colocou em ordem, como coleção 
completa. Destes originais eram feitas cópias 
para as sinagogas largamente disseminadas.
Data do reconhecimento e fixação do cânon 
do Antigo Testamento.
Em 90 d.C. em Jâmnia, perto da moderna 
Jope, em Israel, os rabinos, num concílio sob a 
presidência de Johanan Ben Zakai, reconheceram e 
fixaramo cânon do Antigo Testamento.
Houve muitos debates acerca da aprovação 
de certos livros, especialmente dos "Escritos". Note- 
se, porém que o trabalho desse concílio foi apenas
1 Repetidas vezes; repetidamente; freqüentemente; a miúdo.
54
ratif icar1 aquilo que já era aceito por todos os judeus 
através de séculos. Jâmnia, após a destruição de 
Jerusalém (70 d.C.) tornou-se a sede do Sinédrio.
r Livros desaparecidos, citados no texto do 
Antigo Testamento.
Notemos que a Bíblia faz referência a 
livros até agora desaparecidos (cf. Nm 21.14; Js 
10.13 com 2Sm 1.18; IRe 11.41; lC r 27.24; 29.29; 
2Cr 9.29; 12.15; 13.22; 33.19). São casos cujo
segredo só Deus conhece. Talvez um dia eles 
venham à luz como o MSS de Qumran, Mar Morto, em 
1947.
Questionário
à? Assinale com "X" as alternativas corretas
1. Cânon ou Escrituras canônicas é a
a) H Coleção completa dos livros divinamente 
inspirados, que constituem a Bíblia
b) IZ] Coleção completa dos livros divinamente 
inspirados, que constituem a Lei, os Profetas e os 
Escritos
c) D Parte da Bíblia composta pelos livros do NT
d) [ZH Parte da Bíblia composta pelos livros do AT
2. Os Cinco Rolos eram compostos de:
a) E] Lamentações, Neemias, Esdras, Salmos e 
Eclesiastes
b) E] Salmos, Neemias, Esdras, Provérbios e Jó
c) K Cantares de Salomão, Rute, Ester, Eclesiastes 
e Lamentações
d) D Eclesiastes, Jó, Rute, Provérbios e Ester
Confirmar ou reafirmar o que foi dito.
55
3. Discute as datas e a autoria dos livros, baseando-se 
apenas em fontes do conhecimento humano
a) H Alta Crítica
b) Q Baixa Crítica
c) D Critica Textual
d) CH Critica Execrável
4? Marque "C" para Certo e "E" para Errado
4. No sentido religioso, cânon significa aquilo que 
mede, não aquilo que serve de norma, regra
5. □ Em 90 d.C. em Jâmnia que reconheceram e 
fixaram o cânon do Antigo Testamento
56
Cânon do Novo Testamento
Semelhante ao AT, homens inspirados por 
Deus escreveram aos poucos os livros que compõem 
o cânon do Novo Testamento.
Sua formação levou apenas duas gerações: 
quase 100 anos. Em 100 d.C. todos os livros do NT 
estavam escritos. O que demorou foi o 
reconhecimento canônico, isto motivado pelo cuidado 
e escrúpulo1 das igrejas de então, que exigia provas 
concludentes2 da inspiração divina de cada um 
desses livros.
Outra coisa que motivou a demora na 
canonização foi o surgimento de escritos heréticos e 
espúrios3 com pretensão de autoridade apostólica. 
Trata-se dos livros apócrifos do Novo Testamento, 
fato idêntico ao acontecido nos tempos derradeiros 
do cânon do Antigo Testamento. Há também livros 
mencionados no NT até agora desaparecidos (ICo 
5.9; Cl 4.16).
A ordem dos 27 livros do NT, como é 
atualmente em nossas Bíblias, vem da Vulgata, e 
não leva em conta a seqüência cronológica.
 ^ As Epístolas Paulinas.
Foram os primeiros escritos no Novo 
Testamento. São 13: de Romanos a Filemom. Foram 
escritas entre 52 e 67 d.C.
Pela ordem cronológica, o primeiro livro do 
Novo Testamento é ITessalonicenses, escrito em 52 
d.C. 2Timóteo foi escrita em 67 d.C pouco antes do 
martírio do apóstolo Paulo em Roma.
1 Hesitação ou dúvida de consciência; inquietação de 
consciência; remorso.
; Que conclui, ou merece fé; term inante, categórico.
'Não genuíno; suposto, h ipotético.
57
Esses livros foram também os primeiros 
aceitos como canônicos. Pedro chama os escritos de 
Paulo de "Escrituras" - título aplicado somente à 
palavra inspirada de Deus! (2Pe 3.15,16).
r Os Atos dos Apóstolos. Escrito em 63 d.C., no 
fim dos dois anos da primeira prisão de Paulo em 
Roma (At 28.30).
Os Evangelhos.
Estes, a princípio, foram propagados 
oralmente. Não havia perigos de enganos e 
esquecimento porque era o Espírito Santo quem 
lembrava tudo e Ele é infalível (Jo 14.26).
Os Sinópticos foram escritos entre 60 a 65 
d.C. João foi escrito em 85 d.C. Entre Lucas e João 
foram escritas quase todas as epístolas. Note-se que 
Paulo chama Mateus e Lucas de "Escrituras" ao citá- 
los em ITimóteo 5.18.
As Epístolas, de Hebreus a Judas, foraitt escritas 
entre 68 e 90 d.C.
•r O Apocalipse.
Foi escrito em 96 d.C., durante o governo 
do imperador Domiciano. Muitos livros antes de 
serem finalmente reconhecidos como canônicos 
foram duramente debatidos. Houve muita relutância 
quanto às epístolas de Pedro, João e Judas bem 
como quanto ao Apocalipse. Tudo isto tão-somente 
revela o cuidado da Igreja e também a 
responsabilidade que envolvia a canonização.
Antes do ano 400 d.C., todos os livros 
estavam aceitos. Em 367, Atanásio, patriarca de 
Alexandria, publicou uma lista dos 27 livros 
canônicos, os mesmos que hoje possuímos; essa 
lista foi aceita pelo Concílio de Hipona (África) em 
393.
58
ljr Dc.ta do reconhecimento e fixação do cânon 
do Novo Testamento.
Isso ocorreu no III Concílio de Cartago, em 
397 d.C. Nessa ocasião, foi definitivamente 
reconhecido e fixado o cânon do Novo Testamento. 
Como se vê, houve um amadurecimento de 400 
anos.
A necessidade da mensagem escrita do Novo 
Testamento.
A mensagem da Nova Aliança precisava ter 
forma escrita como a da Antiga. Após a ascensão do 
Senhor Jesus, os apóstolos pregaram por toda parte 
sem haver nada escrito. Suas Bíblias era o Antigo 
Testamento.
Ao decorrer do tempo, o grupo de 
apóstolos diminuiu. O Evangelho espalhou-se. Surge 
então a necessidade de reduzir a forma escrita, para 
ser transmitido às gerações futuras. Era o plano de 
Deus em marcha.
Muitas igrejas e indivíduos pediam 
explicações acerca de casos difíceis surgidos por 
perturbações, falsas doutrinas, problemas internos, 
etc. (cf. ICo 1.11; 5.1; 7.1).
Os judeus cumpriram sua missão de 
transmitir ao mundo os oráculos divinos (Rm 3.2). A 
Igreja também cumpriu sua parte, transmitindo as 
palavras e ensinos do Senhor Jesus, bem como as 
que Ele, pelo Espírito Santo inspirou aos escritores 
sacros.
Jesus disse: "Tenho muito que vos dizer... 
mas o Espírito de verdade... dirá tudo o que tiver 
ouvido e vos anunciará o que há de vir" (Jo 
16.12,13).
59
Testemunhas importantes.
Dão testemunho da existência de livros do 
Novo Testamento, em seu tempo, os seguintes 
cristãos primitivos, cujas vidas coincidiram com as 
dos apóstolos ou com os discípulos destes:
t Clemente de Roma, na sua carta aos Coríntios, 
em 95 d.C. cita vários livros do NT;
t Policarpo, na sua carta aos Filipenses, cerca de 
110 d.C., cita diversas epístolas de Paulo;
t Inácio, por volta de 110 d.C. cita grande 
número de livros em seus escritos;
t Justino Mártir, nascido no ano da morte de 
João, escrevendo em 140 d.C. cita diversos livros 
do Novo Testamento;
í Irineu (130-200 d.C.), cita a maioria dos livros 
do Novo Testamento, chamando-os de 
"Escrituras";
t Origines (185-200 d.C.), homem erudito,
piedoso e viajado, dedicou sua vida ao estudo 
das Escrituras, em seu tempo, os 27 livros já 
estavam completos; ele os aceitou, embora com 
dúvida sobre alguns: Hebreus, Tiago, 2Pedro, 2 e 
3João.
Datas e Períodos Sobre o Cânon em Geral
O AT foi escrito no espaço de mais ou 
menos 1046 anos, de 1491 a 445 a.C. isto é de 
Moisés a Esdras. A data de 445 a.C. é apenas um 
ponto geral de referência cronológica quanto ao 
encerramento do cânon do Antigo Testamento.
60
Se entrarmos em detalhes sobre o último 
livro do Antigo Testamento em ordem cronológica - 
Malaquias, teremos uma variação de espaço de 
tempo como veremos a seguir.
O Pentateuco, como já vimos, foi iniciado 
cerca de 1.491 a.C.. Malaquias, o último livro do 
Antigo Testamento por ordem cronológica, foi escrito 
entre 430 e 420 a.C., no final do governo de 
Neemias e do sacerdócio de Esdras. Ora, isto foi 
quando Neemias regressou a Jerusalém, procedendo 
da Pérsia, para onde tinha ido (430 - 425a.C.) a fim 
de renovar sua licença (Ne 13.6).
É a partir desse ano que Malaquias 
escreveu e talvez Neemias, não estivesse mais na 
Palestina, porque não o menciona em seu livro, como 
fazem Ageu e Zacarias, seus antecessores, os quais 
mencionam Zorobabel e Josué, respectivamente, 
governador e sacerdote dos reparos (cf. Zc 3; 4; Ag 
1 . 1 ).
Malaquias não menciona nominalmente 
Neemias, apenas menciona o "Governador" (Ml 1.8). 
O próprio livro de Malaquias apresenta outras 
evidências internas que o colocam de 432 a.C. em 
diante, como passamos a mostrar:
Em Malaquias 2.10-16, vê-se que os casamentos 
ilícitos que Esdras corrigira antes de Neemias, 
516 a.C. (Ed 9-10), estavam ocorrendo de novo.
-* Isto coincide com o estado descrito em Neemias 
13, acontecido em 432 a C.
Em Malaquias 3.6-12, havia pobreza no tesouro 
do templo. Situação idêntica à de Neemias 13, 
reinante em 432 a.C.
As referências de Malaquias 1.13; 2.17; 3.14, 
indicam que o culto Levítico já havia sido 
restaurado há bastante tempo. Temos essa 
restauração ampliada em Neemias 12.44 ss.
61
Portanto, Malaquias (O livro) deve ter sido 
escrito cerca de 432 a.C. Repetimos: a data 445 a.C. 
é apenas um ponto de referência quanto ao 
encerramento do cânon do Antigo Testamento. Foi 
nesse ano que Esdras iniciou seu grande Ministério 
entre os repatriados de Israel.
Se descermos a detalhes quanto ao livro 
de Malaquias, partiremos de 432 a.C. Malaquias é o 
último livro do Antigo Testamento, quanto à ordem 
cronológica. Quanto à disposição dos livros no corpo 
do cânon hebraico, o último livro é 2Crônicas, como 
já mostramos.
O IMovo Testamento foi completado em 
menos de 100 anos, pois seu último livro, o 
Apocalipse, foi escrito cerca de 96 d.C. Isto dá um 
total de 1.142 anos para a formação de ambos os 
Testamentos (1.046 + 96).
Leva-se em conta que a cronologia bíblica 
é sempre aproximada, pois os povos orientais não 
tinham um sistema fixo de anotar ou contar datas. 
Quando se fala do espaço de tempo, que vai da 
escrita do Pentateuco ao Apocalipse, é preciso 
intercalar os 400 anos do Período Interbíblico 
ocorrido entre os Testamentos, o que dará um total 
de 1.542 anos (1.046 + 96 + 400).
Por isso se diz que a Bíblia foi escrita no 
espaço de dezesseis séculos. Este é o período no 
qual o cânon foi completado. Noutras palavras: o 
cânon abrange na história um total de 1.142 anos, 
aproximadamente.
Os Livros Apócrifos
Nas Bíblias de edição católica-romana, o 
total de livros é 73, porque essa igreja, desde o 
Concílio de Trento, em 1.546, incluiu no cânon do
62
Antigo Testamento 7 livros apócrifos, além de 4 
acréscimos ou apêndices canônicos, acrescentando 
ao todo, 11 escritos apócrifos.
A palavra "apócrifo" significa, literalmente, 
"escondido", "oculto", isto em referência a livros que 
tratavam de coisas secretas, misteriosas, ocultas. No 
sentido religioso, o termo significa "não genuíno" ou 
"espúrio", desde sua aplicação por Jerônimo.
Os apócrifos foram escritos entre 
Malaquias e Mateus, ou seja, entre o Antigo e o Novo 
Testamento, numa época em que cessara por 
completo a revelação divina; isto basta para tirar- 
lhes qualquer pretensão a canonicidade.
Josefo rejeitou-os totalmente, nunca foram 
reconhecidos pelos judeus como parte do cânon 
hebraico. Jamais foram citados por Jesus nem foram 
reconhecidos pela Igreja Primitiva. Jerônimo,
Agostinho, Atanásio, Júlio Africano e outros homens 
de valor para os cristãos primitivos, opuseram-se a 
eles na qualidade de livros inspirados.
Apareceu pela primeira vez na
Septuaginta, a tradução do Antigo Testamento feita 
do hebraico para o grego. Quando a Bíblia foi
traduzida para o latim, em 170 d.C. seu Antigo
Testamento foi traduzido do grego da Septuaginta e 
não do hebraico. Quando Jerônimo traduziu a 
Vulgata, no início do século V (405 d.C.), incluiu os 
apócrifos oriundos da Septuaginta, através da Antiga 
Versão Latina, de 170 d.C. porque isso lhe foi 
ordenado, mas recomendou que esses livros não 
poderiam servir como base doutrinária.
São 14 os escritos apócrifos: 10 livros e 4 
acréscimos a livros. Antes do Concílio de Trento, a 
Igreja Romana aceitava todos, mas depois passou a 
aceitar apenas 11: 7 livros e 4 acréscimos. A igreja 
Ortodoxa grega mantém os 14 até hoje.
63
Os livros apócrifos constantes das Bíblias 
de edição católico-romana são:
1. Tobias (Após o livro canônico de Esdras);
2. Judite (Após o livro de Tobias);
3. Sabedoria de Salomão (Após o livro canônico 
de Cantares);
4. Eclesiástico (após o livro de Sabedoria);
5. Baruque (Após o livro canônico de Jeremias);
6. IMacabeu (após o livro canônico de Malaquias);
7. 2Macabeu (após o livro IMacabeu).
Os quatro acréscimos ou apêndices são:
1. Ester (Et 10.4-16.24);
2. Cântico dos três Santos Filhos (Dn 3.24-90);
3. A história de Suzana (Dn 13);
4. Bei e o Dragão (Dn 14).
Como já foi dito dos 14 apócrifos, a Igreja 
Romana aceita 11, rejeita 3, isto, após 1.546 d C.
Os livros rejeitados são: 3 e 4Esdras e "A 
Oração de Manassés". Os livros apócrifos de 3 e 
4Esdras são assim chamados porque nas Bíblias de 
edição católico-romana o livro de Esdras, é chamado 
de lEsdras e o de IMeemias, de 2Esdras.
A Igreja Romana aprovou os apócrifos em 
18 de abril de 1.546, para combater o movimento da 
Reforma Protestante, então recente. Nessa época, os 
protestantes combatiam violentamente as novas 
doutrinas romanistas: Purgatório, oração pelos
mortos, salvação mediante obras, etc.
64
A Igreja Romana via nos apócrifos bases 
para essas doutrinas, e, apelou para eles, 
aprovando-os como canônicos.
Houve prós e contras dentro da própria 
Igreja de Roma. Nesse tempo os jesuítas exerciam 
muita influência no clero. Os debates sobre apócrifos 
motivaram os dominicanos contra os franciscanos.
O Cardeal Pallavacini, em sua "História 
Eclesiástica", declara que em pleno concílio, 40 
bispos, dos 49 presentes, travaram luta corporal, 
agarrados às barbas e batinas uns dos outros. Foi 
neste ambiente espiritual que os apócrifos foram 
aprovados!
A primeira edição da Bíblia romana com os 
apócrifos deu-se em 1.592, com a autorização do 
Papa Clemente VIII.
Os Reformadores protestantes publicaram 
a Bíblia com os apócrifos colocando-se entre o AT e 
o NT; não como livros inspirados, mas bons para 
leitura e de valor literários e históricos. Isto 
continuou até 1.629. A famosa versão inglesa King 
Jaimes, de 1.611, ainda os conservou.
Após 1.629, os evangélicos os omitiram de 
vez nas Bíblias editadas, para evitar confusão entre 
o povo simples que nem sempre sabe discernir entre 
um livro canônico e um apócrifo.
A aprovação dos apócrifos pela Igreja 
Romana foi uma intromissão1 dos católicos em 
assuntos judaicos, porque, quanto ao cânon do 
Antigo Testamento, o direito é dos judeus e não de 
outros. Além disso, o cânon do Antigo Testamento 
estava completo e fixado há muitos séculos.
Entre os católicos corre a versão de que as 
Bíblias de edição protestante são falsas. Quem, 
contudo, comparar a Bíblia editada pelos evangélicos 
com a editada pelos católicos há de concordar em
1 Ato de intrometer; intrometimento.
65
que as duas são iguais, exceto na linguagem e 
estilo, que são peculiares a cada tradução.
Outros Livros Apócrifos
Há ainda outros escritos espúrios 
relacionados ao Antigo e Novo Testamento. São 
chamados de pseudo-epigráficos.
Os do Antigo Testamento pertencem à 
última parte do período interbíblico. Todos os livros 
dessa classe apresentam-se como tendo sido escritos 
por santos de ambos os Testamentos, daí seu título: 
pseudo-epigráficos.
São na maioria, de natureza apocalíptica. 
Nunca foram reconhecidos por nenhuma Igreja. Os 
principais do Antigo Testamento chegam a 26.
Os referentes ao período doNT também 
nunca foram reconhecidos por ninguém como tendo 
canonicidade. São cheios de histórias grotescas e até 
indignas de Cristo e seus apóstolos. Essas histórias 
são muito exploradas pela gente simplória e crédula. 
Desse período há de tudo: evangelhos, epístolas, 
apocalipse, etc. Os principais somam 24.
O estudante da Bíblia deve estar 
acautelado, concernente aos livros canônicos e 
apócrifos em gera l:
•* Os 39 livros canônicos do AT são chamados de 
protocanônicos pelos católicos;
4 Os 7 livros que chamamos de apócrifos, são 
chamados de deuterocanônicos pelos católicos;
-* Os livros que chamamos de pseudo-epigráficos, 
são chamados de apócrifos pelos católicos.
A respeito dos livros apócrifos, seja qual 
for o valor devocional ou eclesiástico que tiverem, 
não são canônicos, comprova-se pelos seguintes 
fatores:
66
-* A comunidade judaica jamais os aceitou como 
canônicos;
■* Não foram aceitos por Jesus, nem pelos autores 
do Novo Testamento;
A maioria dos primeiros grande pais da Igreja 
rejeitou sua canonicidade;
-» Nenhum concílio da Igreja os considerou canônicos 
senão no final do século IV;
-* Jerônimo, o grande especialista bíblico e tradutor 
da Vulgata, rejeitou-os fortemente;
Muitos estudiosos católicos romanos, ainda ao 
longo da Reforma, também os rejeitaram;
■* Nenhuma Igreja ortodoxa grega, anglicana ou 
protestante, até a presente data, reconheceu os 
apócrifos como inspirados e canônicos, no sentido 
integral dessas palavras.
A vista desses fatos importantíssimos, 
torna-se absolutamente necessário que os cristãos 
de hoje jamais usem os livros apócrifos como se 
fossem Palavra de Deus, nem os citem em apoio 
autorizado a qualquer doutrina cristã.
Com efeito, quando examinados segundo 
os critérios elevados de canonicidade, verificamos 
que aos livros apócrifos faltam os seguintes 
aspectos:
Os apócrifos não reivindicam ser proféticos;
-» Não detêm a autoridade de Deus;
-» Contêm erros históricos (ver Tobias 1.3-5; 14.11) 
e graves heresias teológicas, como a oração pelos 
mortos (2Macabeus 12.45,46; 4);
-> Embora seu conteúdo tenha algum valor para a 
edificação nos momentos devocionais, na maior 
parte se trata de texto repetitivo; são textos que 
já se encontram nos livros canônicos;
-* Há evidente ausência de profecia, o que não 
ocorre nos livros canônicos;
67
-* Nada acrescentam ao nosso conhecimento das 
verdades messiânicas;
O povo de Deus, a quem os apócrifos teriam sido 
originariamente apresentados, recusou-os 
terminantemente.
Questionário
Assinale com "X" as alternathvas corretas
6. Foram os primeiros escritos no NT entre 52-
a )Q Os Atos dos Apóstolos
b)[X| As Epístolas Paulinas
c )D Os Evangelhos
d ) d As Epístolas Gerais
7. Quanto aos livros apócrifos, é ince rto dizer
a )D No sentido religioso, 0 termo "apócrifo"
significa "não genuíno" ou "espúrio"
b) d] Baruque e Tobias são exemplos de apócrifos 
contidos nas Bíblias de edição católico-romana
c) D Foram escritos numa época em que cessara por 
completo a revelação divina
d) d Foram escritos entre Ester e Mateus, ou seja, 
entre o Antigo e o Novo Testamento 8 9 10
8. Os 39 livros canônicos do AT são chamados de:
a) D Apócrifos pelos católicos
b) D Pseudo-epígrafos pelos católicos
c) H Protocanônicos pelos católicos
d) D Deuterocanônicos pelos católicos
Marque "C" para Certo e "E" para Errado
9. 0 A ordem dos 27 livros do NT, como é atualmente 
em nossas Bíblias, vem da Vulgata, e não leva em 
conta a seqüência cronológica
10. E l Os apócrifos contêm erros históricos e graves 
heresias teológicas, como a oração pelos mortos
68
Lição 3_______________
Inspiração Bíblica
A característica mais importante da Bíblia 
não é sua estrutura e sua forma, mas o fato de ter 
sido inspirada por Deus. Não se deve interpretar de 
modo errôneo a declaração da própria Bíblia a favor 
dessa inspiração. Quando falamos de inspiração, não 
se trata de inspiração poética, mas de autoridade 
d iv ina.
A Bíblia é singular, ela foi literalmente 
"soprada por Deus". A seguir examinaremos o que 
significa isso.
Não podemos confundir revelação com 
inspiração. Enquanto a revelação é o ato pelo qual 
Deus torna-se conhecido pelos homens, a inspiração 
diz respeito ao modo como os' homens recebem e 
transmitem essa revelação.
As Escrituras tanto falam da inspiração do 
escritor quanto da inspiração do escrito: um é o 
agente, o outro é o efeito.
^ Exe mplos:
s O texto de 2Timóteo 3.16: "Toda Escritura é 
divinamente inspirada", faz referência ao 
escrito como inspirado;
s Em 2Pedro 1.21: "Homens santos de Deus 
falaram inspirados pelo espírito Santo", fala 
do escritor.
69
Embora a palavra inspiração seja usada 
apenas uma vez no Novo Testamento (2Tm 3.16) e 
outra no Antigo Testamento (Jó 32.8), o processo 
pelo qual Deus transmite sua mensagem autorizada 
ao homem é apresentado de muitas maneiras.
Um exame logo à frente, das duas grandes 
passagens a respeito da inspiração encontradas no 
Novo Testamento poderá ajudar-nos a entender o 
que significa a inspiração bíblica.
Descrição Bíblica de Inspiração
Assim escreveu Paulo a Timóteo: "Toda 
Escritura divinamente inspirada é proveitosa para 
ensinar, redargüir1, corrigir e instruir em justiça" 
(2Tm 3.16). Em outras palavras, o texto sagrado do 
Antigo Testamento foi "soprado por Deus" (gr. 
theopneustos) e, por isso, dotado da autoridade 
divina para o pensamento e para a vida do crente.
A passagem correlata de ICoríntios 2.13 
realça a mesma verdade. "Disto também falamos", 
escreveu Paulo, "não com palavras de sabedoria 
humana, mas com as que o Espírito Santo ensina, 
comparando as coisas espirituais com as espirituais". 
"Quaisquer palavras ensinadas pelo Espírito Santo 
são palavras divinamente insp iradas".
A segunda grande passagem do NT a 
respeito da inspiração da Bíblia está em 2Pedro 
1.21: "Pois a profecia nunca foi produzida por
vontade dos homens, mas os homens santos da 
parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo". 
Em outras palavras, os profetas eram homens cujas 
mensagens não se originaram de seus próprios 
impulsos, mas foram "soprados pelo Espírito".
1 Replicar argumentando; responder argüindo; replicar.
70
Pela revelação, Deus falou aos profetas de 
muitas maneiras (Hb 1.1), mediante: anjos, visões, 
sonhos, vozes e milagres.
Inspiração é a forma pela qual Deus falou 
aos homens mediante os profetas. Mais um sinal de 
que as palavras dos profetas não partiam deles 
próprios, mas de Deus, é o fato de eles sondarem 
seus próprios escritos a fim de verificar "qual o 
tempo ou qual a ocasião que o Espírito de Cristo, 
que estava neles, indicava, ao dar de antemão 
testemunho sobre os sofrimentos que a Cristo 
haviam de vir, e sobre as glórias que os seguiram" 
(IPe 1.11).
Fazendo uma combinação das passagens 
que ensinam sobre a inspiração divina, descobrimos 
que a Bíblia é inspirada no seguinte sentido:
^ Homens, movidos pelo Espírito, escreveram 
palavras sopradas por Deus, as quais são as 
fontes de autoridade para a fé e para a prática 
cristã.
Definição Teológica da Inspiração
l\la única vez em que o NT usa a palavra 
inspiração, ela se aplica aos escritos, não aos 
escritores. A Bíblia que é inspirada, e não seus 
autores humanos. O adequado, então, é dizer que: o 
produto é inspirado, os produtores não.
Os autores escreveram e falaram sobre 
muitas coisas, como, por exemplo, quando se 
referiram a assuntos mundanos, pertinentes a esta 
vida, os quais não foram divinamente inspirados.
Todavia, visto que o Espírito Santo, 
conforme ensina Pedro, tomou posse dos homens 
que produziram os escritos inspirados, podemos, por 
extensão, referir-nos à inspiração em sentido mais
71
amplo. Tal sentido mais amplo incluio processo total 
por que alguns homens, movidos pelo Espírito Santo, 
enunciaram e escreveram palavras emanadas da 
boca do Senhor; e, por isso mesmo, palavras 
dotadas da autoridade divina.
É esse processo total da inspiração que 
contém os três elementos essenciais: a causalidade 
divina, a mediação profética e a autoridade escrita.
* Causalidade divina.
Deus é a Fonte Primordial da inspiração da 
Bíblia. O elemento divino estimulou o elemento 
humano. Primeiro Deus falou aos profetas e, em 
seguida, aos homens, mediante esses profetas. Deus 
revelou-lhes certas verdades da fé, e esses homens 
de Deus as registraram.
O primeiro fator fundamental da doutrina 
da inspiração bíblica, e o mais importante, é que 
Deus é a fonte principal e a causa primeira da 
verdade bíblica. No entanto, não é esse o único 
fator.
' Mediação profética.
Os profetas que escreveram as Escrituras 
não eram autômatos1. Eram algo mais que meros 
secretários preparados para anotar o que se lhes 
ditava. Escreveram segundo a intenção total do 
coração, segundo a consciência que os movia no 
exercício normal de sua tarefa, com seus estilos 
literários e seus vocabulários individuais.
As personalidades dos profetas não foram 
violentadas por uma intrusão sobrenatural. A Bíblia 
que eles produziram é a Palavra de Deus, mas 
também é a palavra do homem.
1 Pessoa que age como máquina, sem racioc ín io e sem vontade 
p róp r ia .
72
Deus usou personalidades humanas para 
comunicar proposições divinas. Os profetas foram a 
causa imediata dos textos escritos, mas Deus foi a 
causa principal.
' Autoridade escrita.
O produto firial da autoridade divina em 
operação por meio dos profetas, como intermediários 
de Deus, é a autoridade escrita de que se reveste a 
Bíblia. A Escritura "é divinamente inspirada e 
proveitosa para ensinar, repreender, corrigir, instru ir 
em ju s t iça " .
A Bíblia é a última palavra no que concerne 
a assuntos doutrinários e éticos. Todas as 
controvérsias teológicas e morais devem ser trazidas 
ao tribunal da Palavra escrita de Deus.
As Escrituras recebere~ sua autoridade do 
próprio Deus, que falou mediante os profetas. No 
entanto, são os escritos proféticos e não os 
escritores desses textos sagrados que possuem e 
retêm a resultante autoridade divina.
Todos os profetas morreram; os escritos 
proféticos prosseguem.
Em suma, a definição adequada de 
inspiração precisa ter três fatores fundamentais:
♦ Deus, o Causador original;
t Os homens de Deus, que serviram de 
instrumentos;
d A autoridade escrita, ou Bíblia Sagrada, que é o 
produto final.
73
Distinções Importantes
1) A inspiração em contraste com a revelação e 
a iluminação.
Há dois conceitos inter-relacionados que 
nos ajudam a esclarecer, pela contraposição, o que 
significa inspiração, a saber:
y A revelação diz respeito à exposição da 
verdade;
y A iluminação, à devida compreensão dessa 
verdade descoberta.
No entanto, a inspiração não consiste nem 
em uma, nem em outra. A revelação prende-se à 
origem da verdade e à sua transmissão; a inspiração 
relaciona-se com a recepção e o registro da verdade. 
A iluminação ocupa-se da posterior apreensão e 
compreensão da verdade revelada.
A inspiração que traz a revelação escrita 
aos homens não traz em si mesma garantia alguma 
de que os homens a entendam. É necessário que 
haja iluminação do coração e da mente.
A revelação é uma abertura objetiva; a 
iluminação é a compreensão subjetiva da revelação; 
a inspiração é o meio pelo qual a revelação se 
tornou uma exposição aberta e objetiva.
A revelação é o fato da comunicação 
divina; a inspiração é o meio; a iluminação, o dom 
de compreender essa comunicação. 2
2) Inspiração dos originais, não das cópias.
A inspiração e a conseqüente autoridade 
da Bíblia não se estendem automaticamente a todas 
as cópias e traduções bíblicas. Só os manuscritos 
originais, conhecidos por autógrafos, foram 
inspirados por Deus.
74
Os erros e as mudanças efetuados nas 
cópias e nas traduções não podem ser atribuídos à 
inspiração original.
Por exemplo: 2Reis 8.26 (ARC) diz que
Acazias tinha 22 anos de idade quando foi coroado 
rei, enquanto 2Crônicas 22.2 diz que tinha 42 anos. 
IMão é possível que ambas as informações estejam 
corretas.
O original é autorizado; a cópia errônea 
não tem autoridade. Outros exemplos desse tipo de 
erro podem encontrar-se nas atuais cópias das 
Escrituras (e.g., cf. lR s 4.26 e 2Cr 9.25). Portanto, 
uma tradução ou cópia só é autorizada à medida que 
reproduz com exatidão os autógrafos.
O grandioso conteúdo doutrinário e 
histórico da Bíblia tem sido transmitido de geração a 
geração, ao longo da história, sem mudanças nem 
perdas substanciais.
As cópias e as traduções da Bíblia, 
encontradas no século XX, não detêm a inspiração 
original, mas contêm uma inspiração derivada, uma 
vez que são cópias fiéis dos autógrafos.
De uma perspectiva técnica, só os 
autógrafos são inspirados; todavia, para fins 
práticos, a Bíblia nas línguas de nossa época, por ser 
transmissão exata dos originais, é a Palavra de Deus 
inspirada.
Visto que os originais não mais existem, 
alguns críticos têm contestado a inerrância dos 
autógrafos que não podem ser examinados e nunca 
foram vistos. Eles perguntam como é possível 
afirmar que os originais não continham erro, se não 
podem, ser examinados.
A resposta é que a inerrância bíblica não é 
um fato conhecido empiricamente, mas uma crença 
baseada no ensino da Bíblia a respeito de sua
75
inspiração, bem como baseada na natureza 
altamente precisa da grande maioria das Escrituras 
transmitidas e na ausência de qualquer prova em 
contrário.
Afirma a Bíblia ser a declaração de um 
Deus que não pode cometer erro. É verdade que 
nunca se descobriram um único autógrafo original 
falível.
Temos, pois, manuscritos que foram 
copiados com toda precisão e traduzidos para muitas 
línguas, dentre as quais o português.
Portanto, para todos os efeitos de doutrina 
e de dever, a Bíblia como possuímos hoje é 
representação suficiente da Palavra de Deus, cheia 
de autoridade. Inspiração do ensino, mas não de 
todo o conteúdo da Bíblia.
Cumpre ressaltar também que só o que a 
* Bíblia ensina foi inspirado por Deus e não apresenta 
erro; nem tudo que está na Bíblia ficou isento de 
erro. Por exemplo, as Escrituras contêm o relato de 
muitos atos maus, pecaminosos, mas de modo algum 
a Bíblia os elogia; tampouco os recomenda. Ao 
contrário, condena essas práticas malignas.
A Bíblia chega a narrar algumas das 
mentiras de Satanás (e.g., Gn 3.4). Portanto, a 
simples existência dessa narração não significa que a 
Bíblia ensine serem verdadeira essas mentiras. A 
única coisa que a inspiração divina garante aqui é 
que se trata de um registro verdadeiro de uma 
mentira satânica, de uma perversidade real de 
Satanás.
Às vezes não está perfeitamente claro se a 
Bíblia registra apenas um mero relato do que alguém 
disse ou fez, ou se ela está ensinando que devemos 
proceder de igual forma.
76
A Natureza da Inspiração
O elo da cadeia comunicativa "de Deus 
para nós" chama-se inspiração. Há diversas teorias 
sobre a inspiração. Algumas não se coadunam1 com 
o ensino bíblico. Nosso propósito, portanto, têm dois 
aspectos:
1. Examinar teorias sobre inspiração;
2. Apurar o que está implícito no ensino da Bíblia a 
respeito de sua própria inspiração.
Teorias Sobre a Inspiração Divina
Teorias a respeito da inspiração bíblica têm 
variado segundo as características de três 
movimentos teológicos: a ortodoxia, o modernismo 
e a neo-ortodoxia.
Mesmo que estas não se limitem a um 
único período, suas manifestações iniciais são 
características de três períodos sucessivos na 
História da Igreja.
-» Historicamente sempre prevaleceua visão 
ortodoxa, a saber: a Bíblia é a Palavra de Deus.
Surgindo o modernismo, muitos vieram a crer 
que a Bíblia meramente contém a Palavra de 
Deus.
Recentemente, sob a influência do
existencialismo contemporâneo, os teólogos 
neo-ortodoxos ensinam que a Bíblia torna-se a 
Palavra de Deus quando o indivíduo tem um 
encontro pessoal com Deus em suas páginas.
C o n fo rm a m , combinam, harmonizam.
77
Ortodoxia: A Bíblia é a Palavra de Deus.
Em 18 séculos de História da Igreja, 
prevaleceu a opinião ortodoxa da inspiração divina. 
Os pais da Igreja, em geral, com raras
manifestações menos importantes contrárias,
ensinaram firmemente que a Bíblia é a Palavra de 
Deus escrita.
Teólogos ortodoxos ao longo dos séculos 
vêm ensinando, todos de comum acordo, que a Bíblia 
foi inspirada verbalmente, isto é, o registro escrito 
por inspiração de Deus.
No entanto, tem havido tentativas de 
procurar explicação para o fato de o registro escrito 
ser a Palavra de Deus e ao mesmo tempo em que o 
Livro foi composto por autores humanos, dotados de 
estilos diferentes; essas tentativas conduziram os 
estudiosos ortodoxos a duas opiniões divergentes:
1) Alguns abraçaram a idéia do "ditado verbal", 
afirmando que os autores humanos da Bíblia 
registraram apenas o que Deus lhes havia 
ditado, palavra por palavra.
2) Outros estudiosos que preferiam a teoria do 
"conceito inspirado", segundo qual Deus só 
concedeu aos autores pensamentos inspirados, 
e estes tiveram liberdade de revesti-los com 
palavras próprias.
Modernismo: A Bíblia contém a Palavra Divina.
Ao surgir o idealismo germânico e a crítica 
da Bíblia, surgiu uma nova visão evoluída da 
inspiração bíblica, junto ao modernismo ou 
liberalismo teológico.
Opondo-se à opinião ortodoxa tradicional 
que a Bíblia é a Palavra de Deus, os modernistas 
ensinam que a Bíblia meramente contém a Palavra
78
de Deus. Certas partes dela são divinas, expressam 
a verdade, outras são obviamente humanas e 
apresentam erros.
Tais autores acham que a Bíblia foi vítima 
de sua época, como acontece a qualquer livro. Dizem 
que ela teria incorporado muito das lendas, dos 
mitos e das falsas crenças relacionadas à ciência.
Sustentam que, o fato dos elementos não 
terem sido inspirados por Deus, devem ser 
rejeitados pelos homens iluminados de hoje; tais 
erros seriam resquícios1 de uma mentalidade 
primitiva indigna de fazer parte do credo cristão.
Somente as verdades divinas, entremeadas 
nessa mistura de ignorância antiga e erro grosseiro, 
é que de fato teriam sido inspiradas por Deus.
Alguns modernistas afirmam que os 
homens que escreveram a Bíblia tiveram apenas uma 
intuição, dizendo que houve apenas manifestação do 
conhecimento natural da verdade.
A intuição faz parte do ser humano normal, 
e muitas vezes leva-os a escreverem livros sagrados, 
científicos, filosóficos e desse modo se pode até 
conhecer a verdade, sem necessidade da inspiração 
do Espírito de Deus. Essa teoria, entretanto procura 
negar a pessoa de Deus, que é a verdade suprema e 
o Único que a possa revelar.
Outra teoria diz que apenas foi inspirada 
as idéias da Bíblia, ficando a palavra a cargo dos 
escritores.
c*' Neo-Ortodoxia: a Bíblia torna-se a Palavra de 
Deus.
No início do século XX, a reviravolta nos 
acontecimentos mundiais e a influência do pai 
dinamarquês do existencialismo, Soren Kierkegaard,
1 Resíduo, vestígio.
79
deram origem a uma nova reforma na teologia 
européia. Estudiosos começaram a voltar-se de novo 
para as Escrituras, a fim de ouvir nelas a voz de 
Deus. Sem abrir mão de suas opiniões críticas a 
respeito da Bíblia, começaram a levar a Bíblia a 
sério, por ser a fonte da revelação de Deus aos 
homens.
Criando um novo tipo de ortodoxia, 
afirmavam que Deus fala aos homens mediante a 
Bíblia; as Escrituras tornam-se a Palavra de Deus 
num encontro pessoal entre Deus e o homem.
À semelhança das outras teorias a respeito 
da inspiração da Bíblia, a neo-ortodoxia desenvolveu 
duas correntes.
1) Na extremidade mais importante estavam os 
demitizadores1, que negam todo e qualquer 
conteúdo religioso importante, factual ou 
histórico, nas páginas da Bíblia, e crêem apenas 
na preocupação religiosa existencial sobre a 
qual desenvolve os mitos.
2) Na outra, procuram preservar a maior parte dos 
dados factuais e históricos das Escrituras, mas 
sustentam que a Bíblia de modo algum é 
revelação de Deus. Antes, Deus se revela na 
Bíblia nos encontros pessoais, não, porém, de 
maneira proposicional.
Cremos que qualquer criatura pode 
experimentar o poder da Bíblia em sua vida, basta 
deixar as teorias e viver na prática a Palavra de 
Deus. Vamos, portanto observar algumas dessas 
teorias:
1 Separar o essencia l das narrativas b íb licas de sua forma 
literária mítica. Escoimar de mitos a mensagem cristã.
80
Teoria da Inspiração Mecânicãoú.do.D itado *
& Formulação do conceito: O autor bíblico é um 
instrumento passivo na transmissão da revelação 
de Deus. A personalidade do autor é posta de 
lado para preservar o texto de aspectos 
humanos falíveis.
^ Objeções ao conceito: Se Deus houvesse
ditado a Escritura, o estilo, o vocabulário e a 
redação seriam uniformes. Mas a Bíblia indica 
diferentes personalidades e modos de expressão 
nos seus escritores.
L.Teoría~da Inspiração da Intuição ou'Natural
Formulação do conceito: Indivíduos talentosos 
dotados de excepcional percepção foram 
escolhidos por Deus para escreverem a Bíblia. A 
inspiração é semelhante a uma habilidade 
artística ou ao talento natural.
S Objeções ao conceito: Esta concepção torna a 
Bíblia não muito diferente de outras obras 
literárias religiosas ou filosóficas inspiradoras. O 
texto bíblico afirma que a Escritura vem de Deus 
por meio de homens (2Pe 1.20-21). * &
- c » Teoria dá iríspirãção.VerjpalAPIenáriá
& Formulação do conceito: Elementos tanto
divinos quanto humanos estão presentes na 
produção da Escritura. Todo o texto da Escritura, 
inclusive as próprias palavras, é um produto da 
mente de Deus expresso em termos e condições 
humanas.
Objeções ao conceito: Se toda palavra da 
Escritura fosse uma palavra de Deus, então não 
existiria o elemento humano que se observa na 
Bíblia.
81
j "Teoria da Inspiração - Graus de Inspira
C j Formulação do conceito: Certas partes da
Bíblia são mais inspiradas que outras, ou 
inspiradas de modo diferente. Essa concepção 
admite erros de diferentes tipos na Escritura. 
à? Objeções ao conceito: Não se encontra no 
texto nenhuma sugestão de graus de inspiração 
(2Tm 3.16). Toda a Escritura é incorruptível e 
não pode falhar (Jo 10.35; IPe 1.23).
CTeoria da lnspiração dallum inação ou Mística
Formulação do conceito: Os autores humanos 
foram capacitados por Deus a redigirem a 
Escritura. O Espírito Santo intensificou as suas 
capacidades normais.
Objeções ao conceito: O ensino bíblico indica 
que a revelação veio por meio de comunicações 
divinas especiais, e não por meio de capacidades 
humanas intensificadas. Os autores humanos 
expressam as próprias palavras de Deus, e não 
simplesmente as suas próprias palavras.
82
Questionário
Assinale com "X" as alternativas corretas
1. Sabendo que o processo total da inspiração contém 
três elementos essenciais, assinale a incorreta
a) CH Autoridade escrita
b) D Causalidade divina
c) D Mediação profética
d) E] Impulsividade humana
2. A ______ prende-se à origem da verdade e à sua
transmissão. A _____ relaciona-se com a recepção e
o registro da verdade
a) 0 Inspiração, iluminação
b) [3 Revelação, inspiração
c) D Inspiração, revelação
d) C] Iluminação, revelação
3. As teorias a respeito da inspiração bíblica têm 
variado segundo as características de três 
movimentos teológicos
a) C] A pré-ortodoxia, ortodoxia e a neo-ortodoxiab) 0 A ortodoxia, o modernismo e a neo-ortodoxia
c) D O pré-modernismo, a ortodoxia e o 
modernismo
d) D O pré-modernismo, modernismo e o pós- 
modernismo
4? Marque "C" para Certo e "E" para Errado
4.1~cl Qualquer criatura pode experimentar o poder da 
Bíblia em sua vida, basta deixar as teorias e viver na 
prática a Palavra de Deus
5.[cl Os profetas eram homens cujas mensagens não 
se originaram de seus próprios impulsos, mas foram 
"soprados pelo Espírito"
83
0 Ensino Bíblico a Respeito da Inspiração
Objeções têm sido levantadas contra as 
teorias da inspiração, partindo de diferentes 
concepções, com variados graus de legitimidade, 
independentemente do ângulo de observação da 
pessoa que as formula.
Visto que o objetivo deste estudo é levar 
ao leitor a compreender o caráter da Bíblia; o 
critério analítico que escolhemos, visa avaliar essas 
teorias, levando em consideração o que as Escrituras 
revelam a respeito de sua própria inspiração.
Começaremos com o que a Bíblia ensina 
formalmente sobre essa questão e, depois, 
examinaremos o que se acha implícito nesse ensino.
^ O que a própria Bíblia ensina a respeito de sua 
inspiração.
A Bíblia declara ser um livro dotado de 
autoridade divina, resultante de um processo pelo 
qual, homens movidos pelo Espírito Santo 
escreveram textos inspirados (soprados) por Deus. 
Vamos agora examinar em minúcias1 o que significa 
essa declaração.
No mesmo assunto, destacam-se ainda 
duas posições que os modernistas não conseguem 
negar, embora não concordem com:
1. A inspiração plena e verbal da Bíblia;
2. A inspiração e inerrância das Escrituras.
Quando dizemos inspiração verbal é para 
denotar cada palavra, e, inspiração plena, para dar o 
sentido de completo, inteiro; o que contraria o 
conceito de inspiração parcial.
1 Pormenor. C ircunstância particular; particu laridade.
84
*" Compreendendo a inspiração divina.
Para que sua palavra chegasse a nós, Deus 
usou homens, que foram auxiliados e diretamente 
assistidos pelo Espírito Santo, a fim de não permitir 
que eles cometessem erros quando escreviam o 
registro fiel e verdadeiro da Palavra de Deus.
Foram inspirados, nas ocasiões em que 
Deus pelo seu Espírito atuava em seus corações (2Pe 
1.21). Eram homens cheios de fraquezas, dúvidas, 
negações, divergências, etc, mas quando estavam 
sob a atuação do Espírito de Deus, jamais falharam, 
pois estavam nas mãos de Deus.
O apóstolo Paulo, homem de Deus, afirma 
a inspiração da Palavra dizendo: "toda a Escritura 
divinamente inspirada é proveitosa" (2Tm 3.16). 
Paulo cria na inspiração da Bíblia.
Os autores dos livros históricos, por 
exemplo, puderam separar a verdade do erro quando 
buscavam as bases para suas narrativas. Na 
verdade, os livros históricos têm ensinos vitais para 
as nossas vidas. Paulo falou disso (ICo 10.11).
Temos um livro que os registros foram 
inspirados por Deus e que todo o ensino necessário 
acerca das coisas da vida fosse transmitido de 
maneira singular. "Uma das artimanhas de Satanás é 
desacreditar a Bíblia, como a palavra inspirada, 
usando fatos e argumentos contra a ela".
Entretanto, Deus (Hb 1.1) tem falado aos 
homens, inspirando outros, movidos pelo seu 
Espírito Santo para comunicar com exatidão a 
mensagem divina, tornando a Bíblia, O Livro 
Singular! "Conhecer a Inspiração Divina da Bíblia é 
conhecer o próprio Deus, movendo-se através do 
tempo, usando vidas chamadas e consagradas (Is 
6.8) para realizar seus propósitos".
Com inspiração queremos dizer que os 
manuscritos originais da Bíblia nos foram concedidos
85
pela revelação de Deus, exatamente por isso, detêm 
a absoluta autoridade de Deus, para formar o 
pensamento e a vida cristã. Isso significa que tudo 
quanto a Bíblia ensina constitui tribunal de apelação 
infalível.
cr A snsp iração é verba!.
O texto de 2Timóteo 3.16 declara que as 
graphã, i.e., os textos, é que são inspirados. "Moisés 
escreveu todas as palavras do Senhor..." (Êx 24.4).
O Senhor ordenou a Isaías que escrevesse 
num livro a mensagem eterna de Deus (Is 30.8). 
Davi confessou: "O Espírito do Senhor fala por mim, 
e a sua Palavra está na minha boca" (2Sm 23.2). Era 
a Palavra do Senhor que chegava aos profetas nos 
tempos do AT. Jeremias recebeu esta ordem: "... não 
te esqueças de nenhuma Palavra" (Jr 26.2).
Jesus e seus apóstolos ressaltaram a 
revelação registrada ao usar repetidamente a 
expressão "está escrito" (Mt 4.4,7; Lc 24.27,44).
Paulo testemunhou: "... falamos, não com 
palavras de sabedoria humana, mas com as que o 
Espírito Santo ensina..." (ICo 2.13). João nos 
adverte quanto a não "tirar quaisquer palavras do 
livro desta profecia" (Ap 22.19).
As Escrituras (i.e. os escritos) do AT são 
continuamente mencionadas como Palavra de Deus. 
No célebre sermão da montanha, Jesus declarou que 
não só as palavras, mas até mesmo os pequeninos 
sinais d iacrít icos1 de uma palavra hebraica vieram de 
Deus: "Em verdade vos digo que até que a terra e o 
céu passem nem um jota ou um til se omitirá da lei, 
sem que tudo seja cumprido" (Mt 5.18).
1 Sinal que se apõe a uma letra para dar-lhe novo valor, como 
cedilha, til, acentos, ou, nos a lfabetos fonéticos, a um símbolo, 
para indicar as característ icas de um som, tais como duração e 
articulação secundária.
86
Portanto, o que se diz como teoria a 
respeito da inspiração das Escrituras, fica bem claro 
que a Bíblia reivindica para si mesma toda a 
autoridade verbal ou escrita. Diz a Bíblia que suas 
palavras vieram da parte de Deus.
Inspiração verbal significa que, na 
preparação das Escrituras, a superintendência do 
Espírito Santo se estende às próprias palavras 
empregadas. A Bíblia constantemente afirma que as 
suas palavras foram dadas ou dirigidas pelo Espírito 
Santo (At 28.25; *LCo 2.13; 2Pe 1.21).
^ A inspiração é plena.
A inspiração plena da Bíblia é fato 
incontestável porque assuntos vitais como expiação, 
salvação, ressurreição, recompensas e castigo
futuros requerem a direção de um Espírito infalível a 
fim de se evitarem informações que levem ao erro. 
Inspiração plena significa que toda a Bíblia é 
inspirada em todas as suas partes.
Cristo nunca fez distinção entre os livros 
da Bíblia quanto à sua origem divina e autenticidade, 
mas aplica a expressão "Palavra de Deus" a todo o 
cânon do Antigo Testamento. O mesmo fez os 
apóstolos (2Tm 3.16).
Na verdade, os escritores bíblicos
escreveram suas mensagens com palavras de seu 
próprio vocabulário, porém, inspirados e
influenciados pelo Espírito Santo.
Ele guiou os escritores na escolha das
palavras de acordo com a personalidade e o contexto 
cultural de cada um. Apesar de conter palavras 
humanas, a Bíblia é a Palavra de Deus.
Deus deu a Palavra e providenciou o modo 
de garantir a autenticidade da sua Palavra, que os 
homens de Deus haveriam de escrever. Ele não 
escreveu nenhuma parte da Bíblia. Uma vez escreveu
87
com o seu dedo os Dez Mandamentos em duas 
tábuas de pedra, em ambas as bandas (Êx 
32.15,16), porém, Moisés quando viu o bezerro de 
ouro que os israelitas haviam feito, arremessou as 
tábuas, quebrando-as ao pé do monte (Êx 32.19). 
Jesus escreveu uma só vez na terra (Jo 8.8).
Deus, ao dar aos homens o Livro Divino, 
escolheu e preparou para isto servo seus, dando 
plena inspiração pelo Espírito Santo a eles (IPe 
1.10-12; 2Pe 1.21; lTm 3.16, Jó 32.18-20, etc).
Cada autor escreveu conscientemente 
conforme o seu estilo e vocabulário e a sua maneira 
individual de se expressar, mas todos sob a 
influência da inspiração do Espírito Santo. Assim as 
palavras, com que registraram o que receberam de 
Deus, foram-lhes ensinadas pelo Espírito (ICo 2.13).
Davi, que era rei e profeta, disse: "O 
Espírito de Deus falou por mim e a sua palavra 
esteve na minha boca" (2Sm 23.2).Desta maneira 
ficou toda a Bíblia inspirada pelo Espírito Santo.
É realmente um milagre! O mesmo Espírito 
que inspirou Moisés a escrever os primeiros cinco 
livros da Bíblia (Êx 24.1-4, Nm 33.2), cerca de 1.550 
anos antes de Cristo, inspirou também o apóstolo 
João a escrever o seu Evangelho, e as suas três 
Epístolas e o Apocalipse, no ano 90 d.C.
Esta inspiração plena atinge até as 
palavras usadas, inclusive a sua forma gramatical. 
Temos vários exemplos na Bíblia que mostram como 
a forma gramatical adequada, que os autores 
aplicaram, serviu para explicar grandes e 
importantes doutrinas (cf. Mt 22.32), onde Jesus 
empregou o verbo "ser", na forma de presente (Eu 
sou o Deus de Abraão, etc) para provar a real 
existência de vida após morte.
Em Gálatas 3.16 vemos como a forma 
singular do substantivo "posteridade" foi usada para
88
dar um importante ensino, como a promessa dada a 
Abraão se cumpriu na pessoa de Jesus. O mesmo 
pode ver também em Hebreus 12.27; João 8.57 e em 
muitos outros exemplos.
A teologia modernista não aceita a 
doutrina sobre a inspiração plenária da Bíblia. Eles 
concordam em aceitar que as idéias ou pensamentos 
da Bíblia podem ser inspirados, mas que as palavras 
usadas, no texto, são um produto de autores, os 
quais estão sujeitos a erros.
Outros reconhecem a Bíblia como 
autoridade em assuntos meramente espirituais, 
porém, em tudo que se relaciona com ciência, 
biologia, geologia, história, etc, a Bíblia não pode 
ser considerada uma autoridade.
Eles dizem abertamente: "Errar é
humano". Para dar uma aparência de piedade e 
respeito às coisas de Deus eles dizem: "A Bíblia 
contém a Palavra de Deus, mas ela não o é". 
Infelizmente esta crítica materialista contra a 
veracidade da Bíblia tem se espalhado. A falsamente 
chamada "ciência" faz com aqueles que a professem 
se desviem da fé ( lTm 6.20,21).
Para os crentes convictos da sua salvação, 
que vivem em comunhão com Deus e sentem a 
operação do Espírito Santo em suas vidas, esta 
crítica não gera problemas. Eles simplesmente 
rejeitam terminantemente qualquer afirmativa 
contrária à Bíblia. Eles o fazem com convicção. A 
base desta rejeição é segura. Vejamos:
s Rejeitamos toda a crítica contra a Bíblia, porque 
Jesus considerou a Bíblia como a "Palavra de 
Deus” (Mc 7.13). E o apoio dEle vale mais que as 
idéias afirmativas de quem querem que seja.
S Rejeitamos a crítica modernista, contra a 
veracidade da Bíblia, porque seria uma ofensa 
contra Deus que é perfeito (Mt 5.48), afirmar que
89
a sua Palavra contém erros e mentiras. A Bíblia 
afirma: "A lei do senhor é perfeita" (SI 19.7). "É 
provada" (SI 18.30), e "fiéis são todos os seus 
mandamentos" (SI 111.7).
A palavra da "Ciência" também nunca é a 
"última palavra". "O que hoje se afirma em nome da 
Ciência, amanhã outros o desfazem".
Um grande teólogo alemão, A. Luescher 
constatou em uma de suas obras, que no ano de 
1.850 os críticos contra a Bíblia apresentaram 700 
argumentos científicos contra a veracidade da Bíblia. 
Hoje, 600 destes argumentos já foram deixados por 
descobertas mais atualizadas.
O que a Bíblia afirma é como uma rocha, 
que não muda por causa das ondas do mar que se 
lançam contra ela. Não queremos trocar a nossa fé 
na Palavra de Deus levando em conta, homens que 
consideram a sua sabedoria mais que a de Deus, e 
sim, que a nossa fé se apóie não na sabedoria 
humana, mas no poder de Deus (ICo 2.5).
Negar a inspiração plena das Escrituras, 
portanto, é desprezar o testemunho fundamental de 
Jesus Cristo (Mt 5.18; 15.3-6; Lc 16.17; 24.25-
27,44,45; Jo 10.35), do Espírito Santo (Jo 15.26; 
16.13; ICo 2.12-13; lTm 4.1) e dos apóstolos (2Tm 
3.16; 2Pe 1.20,21). Além disso, limitar ou descartar 
a sua inerrância é depreciar sua autoridade divina.
' A inspiração atribui autoridade.
O termo "Escritura", conforme se encontra 
em 2Timóteo 3.16, refere-se principalmente aos 
escritos do Antigo Testamento (2Tm. 3.15).
Há evidências, porém, que os escritos do 
Novo Testamento já eram considerados escritura 
divinamente inspirada por volta do período em que 
Paulo escreveu 2Timóteo ( lTm 5.18, cita Lc 10.7; 
2Pe 3.15,16). Para nós, a Escritura refere-se aos
90
escritos divinamente inspirados tanto do AT quanto 
do NT, isto é, a Bíblia. São (os escritos) as 
mensagens originais de Deus para a humanidade, e o 
único testemunho infalível da graça salvífica de Deus 
para todos.
Paulo afirma que toda a Escritura é 
inspirada por Deus. A palavra "inspirada" (gr. 
theopneustos) provém de duas palavras gregas:
^ Theos, que significa "Deus"; 
s Pneuõ, que significa "respirar".
Sendo assim, "inspirado" significa "aquilo 
que é soprado ou respirado por Deus". Toda a 
Escritura, portanto, é "respirada" por Deus; é a 
própria vida e Palavra de Deus. Deste modo, 
entendemos que o Espírito inspirou cada palavra da 
Bíblia, capacitando os escritores a registrarem de 
modo correto e preciso a revelação divina.
A Bíblia, nas palavras dos seus 
manuscritos originais, é inerrante; sendo verdadeira, 
fidedigna e infalível. Esta verdade permanece 
inabalável, não somente quando a Bíblia trata da 
salvação, valores éticos ou morais, como também 
está isenta de erro em tudo aquilo que ela trata 
inclusive a história e o cosmos (cf. 2Pe 1.20,21).
Os escritores do AT estavam conscientes 
em dizer e escrever ao povo que era realmente a 
Palavra de Deus (Dt 18.18; 2Sm 23.2).
Repetidamente os profetas iniciavam suas 
mensagens com a expressão: "Assim diz o Senhor". 
Jesus também ensinou que a Escritura é a inspirada 
Palavra de Deus até em seus mínimos detalhes (Mt 
5.18). Afirmou que tudo quanto Ele disse foi 
recebido da parte do Pai e é verdadeiro (Jo 5.19,30, 
31; 7.16; 8.26). Ele falou da revelação divina ainda 
futura (isto é, a verdade revelada do restante do 
NT), da parte do Espírito Santo através dos 
apóstolos (Jo 16.13; cf. 14.16,17; 15.26,27).
91
Na sua ação de inspirar os escritores pelo 
seu Espírito, Deus, sem violar a personalidade deles, 
agiu neles de tal maneira que escreveram sem erro 
(2Tm 3.16; 2Pe 1.20,21; ver ICo 2.12,13).
A inspirada Palavra de Deus é a expressão 
da sabedoria e do caráter de Deus e pode, portanto, 
transmitir sabedoria e vida espiritual através da fé 
em Cristo (Mt 4.4; Jo 6.63; 2Tm 3.15; IPe 2.2).
A Bíblia é um testemunho infalível e 
verdadeiro de Deus, na sua atividade salvífica a 
favor da humanidade, em Cristo. Ela é incomparável, 
eternamente completa e incomparavelmente 
obrigatória. Nenhuma palavra de homens ou 
declarações de instituições religiosas iguala-se à 
autoridade delas.
Qualquer comentário, explicação, doutrina, 
interpretação e tradição devem ser julgadas e 
validadas pelas palavras e mensagens da Bíblia (Dt 
13.3). A Bíblia como Palavra divina deve ser 
recebida, crida e obedecida como a autoridade 
suprema em todas as coisas pertencentes à vida e à 
piedade (Mt 5.17-19; Jo 14.21; 15.10; 2Tm 3.15,16).
Na Igreja, a Bíblia deve ser a autoridade 
final em todas as questões: de ensino, repreensão, 
correção, doutrina e instrução na justiça (2Tm 
3.16,17).
Ninguém pode submeter-se ao senhorio de 
Cristo sem estar submisso a Deus e à sua Palavra 
como a autoridade máxima (Jo 8.31,32, 37). E só 
podemos entender devidamente a Bíblia se 
estivermos em harmonia com o Espírito Santo. Ele 
quem abre nossas mentes para compreendermos o 
seu sentido, e dá-nos testemunho em nosso interior 
de sua autoridade.
Devemos nos firmar na inspirada Palavra 
de Deus para vencermos o poder do pecado, de 
Satanás e do mundo (Mt 4.4; Ef 6.12,17; Tg 1.21).
92
& Nota:
Não devemos deixar de observar que a 
Bíblia é infalível na sua inspiração somente no texto 
original dos livros que lhe são inerentes.
Logo, sempre que acharmos nas Escrituras 
alguma coisa queparece errada, ao invés de 
pressupor que o escritor daquele texto bíblico 
cometeu um engano, deve ter em mente três 
possibilidades no tocante a tal suposto problema:
1. As cópias existentes do manuscrito bíblico 
original podem conter inexatidão;
2. As traduções atualmente existentes do texto 
bíblico grego ou hebraico podem conter falhas;
3. A nossa própria compreensão do texto bíblico 
pode ser incompleta ou incorreta.
Questionário
S? Assinale com "X" as alternativas corretas
6. É incerto dizer que
a) H Cristo fez distinção entre os livros da Bíblia 
quanto à sua origem divina e autenticidade
b) LU A Bíblia reivindica para si mesma toda a 
autoridade verbal ou escrita e diz que suas 
palavras vieram da parte de Deus
c) D Os manuscritos originais da Bíblia nos foram 
concedidos pela revelação de Deus, e por isso, 
detêm a absoluta autoridade divina, para formar 
o pensamento e a vida cristã
d) D A Bíblia declara ser um livro dotado de 
autoridade divina, resultante de um processo pelo 
qual, homens movidos pelo Espírito Santo 
escreveram textos inspirados por Deus
93
7. É correto afirmar que
a) CUJ A teologia modernista aceita a doutrina sobre 
a inspiração plenária da Bíblia
b) d l A teologia modernista não concorda em aceitar 
que as idéias ou pensamentos da Bíblia podem ser 
inspirados
c) Q Os escritores bíblicos escreveram suas 
mensagens a partir de um vocabulário novo e 
divino
d) H O Espírito Santo guiou os escritores na escolha 
das palavras de acordo com a personalidade e o 
contexto cultural de cada um
8. É incorreto dizer que:a) IZI Só podemos entender devidamente a Bíblia se 
estivermos em harmonia com o Espírito Santo
b) S Jesus também ensinou que a Escritura não é a 
inspirada Palavra de Deus em seus mínimos 
detalhes
C ) D O Espírito Santo inspirou cada palavra da 
Bíblia, capacitando os escritores a registrarem de 
modo correto e preciso a revelação divina
d)[ZI A inspirada Palavra de Deus é a expressão da 
sabedoria e do caráter de Deus e pode, portanto, 
transmitir sabedoria e vida espiritual através da 
fé em Cristo
4? Marque "C" para Certo e "E" para Errado
9.[ç] Os crentes convictos da sua salvação, rejeitam 
terminantemente qualquer afirmativa contrária à 
Bíblia
10.L£] Negar a inspiração plena das Escrituras, 
portanto, é aceitar o testemunho fundamental de 
Jesus Cristo, do Espírito Santo e dos apóstolos
94
Revelação Bíblica
"... toda Escritura é divinamente 
inspirada..." (2Tm. 3.16). Esta declaração fortalece 
que as Escrituras têm sua origem sobrenatural e, 
portanto, ela é infalível Palavra de Deus.
Quando ainda não havia Palavra de Deus 
escrita, o Todo-Poderoso revelava-se verbalmente às 
suas criaturas na terra.
'e' A revelação divina nas Escrituras.
A palavra "revelação" significa "mostrar, 
tornar conhecido". No latim reveiare significa "por 
para trás o véu para que se veja o que está 
encoberto".
O significado bíblico de revelação é 
"descobrir, despir, tornar a verdade conhecida". Ora, 
"Deus é Espirito" (Jo 4.24), por isso, é imperceptível 
aos sentidos físicos; todavia Ele pode ser conhecido 
pela revelação que faz de si mesmo aos homens.
Revelação é o desvendamento que Deus 
faz de si mesmo, girando em torno da pessoa de 
Jesus Cristo, através da criação, da história, da 
consciência humana e das Escrituras. Ela é dada 
através de acontecimentos e de palavras. Não há 
termo técnico para exprimir a idéia nas Escrituras, a 
mesma é expressa de vários modos.
95
Duas palavras gregas são mais comumente 
usadas: apocalúptein e farenoun. Entre as duas há 
sutis sombras de significados. A primeira significa 
"desvendamento", ao passo que a segunda aponta 
mais para o conceito de "manifestação daquilo que 
fora desvendado". Portanto, a idéia de revelação 
envolve o que antes era misterioso, oculto e 
desconhecido.
Os teólogos geralmente descrevem a 
revelação divina em termos de revelação geral e de 
revelação especial.
s A revelação geral consiste no testemunho que 
Deus dá de si mesmo através da criação, da 
história e da consciência humana. Aparece em 
trechos como Salmos 19; Atos 14.8-18; 17.16- 
34; Romanos 1.18-32; 2.12,16; etc.
s A revelação especial é o desvendamento que 
Deus faz de sim mesmo, dentro da história da 
salvação (revelação na realidade), e na palavra 
interpretativa das Escrituras (revelação na 
Palavra).
Modelos de Revelação
1. Revelação como Doutrina.
O Definição: A revelação é dotada de autoridade 
divina, sendo transmitida pelo meio (palavras) 
exclusivo da Bíblia. As suas proposições em geral 
assumem o caráter da doutrina.
S? Propósito: Despertar a fé salvadora por meio da 
aceitação da verdade revelada de maneira suprema 
em Jesus Cristo.
t Partidários: Pais da Igreja, Igreja Medieval,
Reformadores, B. B. Warfield, Francis Schaeffer e 
Concílio Internacional Sobre Inerrância Bíblica.
96
03 Visão aeral da Bíblia: A Bíblia é a Palavra de Deus 
(tanto na forma como no conteúdo).
1 Relação com a história: A revelação é trans- 
histórica (ela é discreta e determinativa quanto à 
sua contigüidade1 com a história).
* Meio de apreensão humana: Iluminação (pelo
Espírito Santo).
b£5 Hermenêutica básica: Indução (objetiva).
Pontos fortes alegados:
</ Deriva do próprio testemunho da Bíblia sobre si 
mesma;
É a concepção tradicional, desde os pais da 
Igreja até o presente;
v É distintivo em virtude da sua coerência interna; 
✓ Provê o fundamento para uma teologia
consistente.
-♦ Pontos fracos alegados:
y A Bíblia não reivindica a sua própria
infalibilidade proposicional. Os exegetas antigos 
e medievais eram abertos a interpretações 
alegóricas/espirituais. A diversidade de termos e 
convenções literárias milita contra esse modelo.
y A ciência moderna refuta o literalismo bíblico e 
outras noções ligadas a esse modelo, 
y Sua hermenêutica ignora o poder sugestivo do 
contexto bíblico.
2. Revelação como Evento Histórico.
O Definição: Revelação é a demonstração da
disposição e capacidade redentora de Deus 
conforme testificada por seus grandes feitos na 
história humana.
1 Estado de contíguo. Proxim idade, v iz inhança, adjacência.
97
Propósito: Instilar esperança e confiança no Deus 
da história.
t Partidários: Willian Temple, G. Ernest Wright,
Oscar Cullman e Wolfhart Pannenberg.
d l Visão geral da Bíblia: A Bíblia é um evento. Está 
ligada à auto-revelação de Deus manifesta 
indiretamente na totalidade de sua atividade na 
história. Ela nunca é extrínseca seja à continuidade 
ou à particularidade dessa história.
2 Relação com a história: A revelação é intra- 
histórica (a Bíblia revela a história dentro da 
história).
* Meio de apreensão humana: Razão.
k* Hermenêutica básica: Dedução objetiva/subjetiva.
■* Pontos fortes alegados:
<✓ Tem valor religioso pragmático1 por causa do seu 
caráter concreto;
✓ Identifica certos temas bíblicos subestimados ou 
ignorados pelo modelo proposicional (Revelação 
como Doutrina);
✓ É mais orgânico em sua abordagem e aponta 
para um modelo de história;
v É não-autoritário, sendo assim mais plausível* 2 
para a mentalidade contemporânea.
Pontos fracos alegados:
y Relega a Bíblia a uma posição de "fenômeno". É 
virtualmente desprovido de sustentação 
teológica. Apesar de sua alegada plausibilidade, 
não promove o diálogo ecumênico3.
‘ Suscetível de aplicações práticas; voltado para a ação.
2Que merece aplauso. Razoável, aceitável, admissível.
3 Diz-se do crente que manifesta d isposição à convivência e 
diálogo com outras confissões religiosas.
98
3. Revelação como Experiência Interior.
0 Definição: Revelação é a auto-manifestação de 
Deus por meio de sua presença íntima nas 
profundezas do espírito e da psiquê humanas.
Propósito: Propiciaruma experiência de união com 
Deus que equivale à imortalidade.
1 Partidários: Friedrich Schleirmacher, D. W. R.
Inge, C. H. Dodd e Karl Rahner.
d Visão geral da Bíblia: A Bíblia contém a palavra 
de Deus (misturada com os elementos humanos de 
erro e mito: a Bíblia é uma "casca" que envolve o 
"cerne" da verdade). Essa verdade somente pode 
ser apreendida (experimentada) por meio de 
iluminação pessoal.
I Relação com a história: A revelação é psico- 
histórica (ela relaciona-se com a história como uma 
imagem mental da continuidade humana).
' Meio de apreensão humana: Intuição.
ES Hermenêutica básica: Ecletismo (subjetiva).
•* Pontos fortes alegados:
v Oferece defesa contra uma crítica racionalista da 
Bíblia;
v Promove a vida devocional. A sua flexibilidade 
incentiva o diálogo inter-religioso.
Pontos fracos alegados:
y Faz uma seleção arbitrária de dados bíblicos;
M Substitui o conceito bíblico da eleição pelo 
elitismo1 natural. Por sua ênfase na experiência, 
faz um divórcio entre revelação e doutrina; 
y Sua orientação experimental também apresenta 
o risco de uma excessiva introspecção na prática 
devocional.
S is t e m a que favorece as elites, com preju ízo da maioria. Ideal 
ou concepção de vida fundada em tal sistema.
99
4. Revelação como Presença Dialética.
0 Definição: Revelação é a mensagem de Deus
àqueles que Ele confronta com a sua Palavra na 
Bíblia e com Cristo na proclamação cristã.
+ * Propósito: Gerar a fé como a adequada
consumação meta-revelatória de si própria.
J Partidários: Karl Barth, Emil Brunner e Jonh
Baillie.
d Visão Geral da Bíblia: A Bíblia torna-se a palavra 
de Deus a nós (a revelação não é estática, mas 
dinâmica, e tem que ver com a contingência da 
resposta humana) na medida em que é dinamizada 
pelo Espírito Santo.
1 Relação com a história: A revelação é supra- 
histórica (a Bíblia revela a "história além da 
história").
*' Meio de apreensão humana: Razão "transacional" 
(interação com a fé intrínseca à revelação).
i<1 Hermenêutica básica: Indução (subjetiva).
-> Pontos fortes alegados:
•/ Procura apoiar-se sobre um fundamento bíblico;
</ Evidencia um claro enfoque cristológico, porém 
não ortodoxo;
«/ Oferece a oportunidade de encontro com Deus.
-» Pontos fracos alegados:
y Embora fundamentado na Bíblia, carece de 
coerência interna;
y Sua linguagem paradoxal1 é confusa; 
y Sua obscuridade ao relacionar o Cristo da fé com 
o Jesus histórico enfraquece a sua validade.
1 Que encerra paradoxo ou se funda em paradoxo. Paradoxo: 
Conceito que é ou parece contrário ao comum; contra-senso, 
absurdo, d isparate.
100
5. Revelação como Nova Consciência.
O Definição: Revelação é o atingir de um nível 
superior de consciência à medida que se é atraído 
para uma participação mais frutífera na criatividade 
divina.
t Propósito: Obter a reestruturação da percepção e 
da experiência; e uma autotransformação 
simultânea.
t Partidários: Teihard de Chardin, M. Blondel,
Gregory Baum, Leslie Dewart, Ray L. Hart e Paul 
Tillich.
CO Visão geral da Bíblia: A Bíblia é um paradigma - 
um mediador pelo qual se pode obter 
autotransformação e transcendência (mas ela é 
somente um esforço humano que utiliza uma 
linguagem humana "claudicante1" com vistas a esse 
objetivo).
S Relação com a história: A revelação é não-
histórica (a história torna-se irrelevante ao ser 
submetida a contínuas re-interpretações de 
transcendência pessoal).
,Jf Meio de apreensão humana: Meditação racional / 
mística.
fí*i Hermenêutica básica: Ultra-ecletismo* 2 (subjetiva 
ao extremo).
Pontos fortes alegados:
v Evita a inflexibilidade e o autoritarismo. 
Respeita o papel ativo da pessoa no processo de 
revelação. Harmoniza-se com o pensamento 
evolucionista ou transformacionista; 
v Sua filosofia satisfaz a necessidade de um viver 
frutífero no mundo.
'Q u e claudica. Incerto, vacilante, duvidoso.
2 Reunião de e lementos doutr inários de origens d iversas que não 
chegam a se articular em uma unidade sistemática consistente.
101
-» Pontos fracos alegados:
y Faz violência a Escritura por meio de suas 
interpretações não-ortodoxas; 
y É um néo-gnosticismo inadequado para uma 
experiência cristã significativa; 
y Nega o valor cognitivoVobjetivo da Bíblia em sua 
totalidade.
Categorias da Revelação Divina
As Escrituras nos informam sobre três 
modos pelos quais Deus têm se revelado às suas 
criaturas terrenas:
1. A revelação natural manifesta na Criação.
É impossível negar a existência de Deus 
diante da beleza da Criação (SI 19.1-6). Entretanto, 
quando entrou o pecado no mundo, o homem 
desviou-se do Criador e, conseqüentemente, a 
revelação natural tornou-se insuficiente. Daí a 
necessidade de uma revelação mais objetiva e 
explícita - a escrita (At 14.17).
2. A revelação escrita.
Por esse modo, Deus revelou seu amor à 
obra-prima da Criação, o homem; demonstrando-lhe 
o desejo de manter comunhão com ele e revelar-lhe 
sua soberana vontade através da escrita.
Este modo de revelar-se não anulou a 
revelação natural, mas tornou-a ainda mais viva e 
real, propiciando ao homem uma revelação pessoal, 
como o Todo-Poderoso e suficiente.
Para que sua Palavra fosse conhecida por 
todos os homens através da escrita, o Senhor 
escolheu dois ricos idiomas, o hebraico e o grego. 1
1 Relativo à cognição, ou ao conhecimento.
102
3. A revelação pessoal.
Deus é um ser Pessoal que se comunica 
com suas criaturas racionais. Não é uma força ou 
energia cósmica, nem tampouco, qualquer coisa 
neutra e impessoal. Ele é único e singular, tem 
personalidade, pensa, decide, e tem sentimentos.
Sua revelação pessoal ao homem foi feita 
através do Verbo Divino que se fez carne, Jesus 
Cristo (Jo 1.1-12). As profecias bíblicas anunciavam 
uma revelação pessoal de Deus através de Jesus (Jo 
1.18; 5.39).
Modalidades da Revelação Especial
Eventos Miraculosos.
Deus atuando no mundo de maneiras 
históricas concretas, afetando o que ocorre. 
Exemplos:
s Chamado de Abraão (Gn 12);
s Nascimento de Isaque (Gn 21);
s Páscoa (Êx 12);
s Travessia do Mar Vermelho (Êx 14).
Comunicações Divinas.
A revelação de Deus por meio da 
linguagem humana. Exemplos:
v Linguagem audível: Deus falando a Adão no 
Éden (Gn 2.16) e a Samuel no templo (ISm 
3.4);
S O ofício profético (Dt 18.15-18);
s Sonhos (Daniel, José);
S Visões (Ezequiel, Zacarias, João no 
Apocalipse);
S A Escritura (2Tm 3.16).
103
* Manifestações Visíveis.
Deus manifestando-se em forma visível.
Exemplos:
s Teofanias1 do AT antes da encarnação de Jesus 
Cristo (geralmente descrito como o Anjo do 
Senhor, Gn 16.7-14, ou como um homem, 
como no caso de Jacó, Gn 32); 
s A glória do shekinah (Êx 3.2-4; 24.15-18; 
40.34-35);
•/ Jesus Cristo (a inigualável manifestação de 
Deus como um verdadeiro ser humano, com 
todos os processos e experiências humanas 
tais como o nascimento, a dor e a morte; Jo 
1.14; 14.9; Hb 1.1-2).
Questionário
S? Assinale com "X" as alternativas corretas
1. Consiste no testemunho que Deus dá de si mesmo 
através da criação, da história e da consciência 
humana
a) D A revelação progressiva
b) EH A revelação antrópica
c) D a revelação especial
d) 0 A revelação geral
2. O modelo de revelação que tem uma visão geral da 
Bíblia como a Palavra de Deus, tanto na forma como 
no conteúdo
a) d Revelação como Experiência Interior
b) H Revelação como Doutrina
c) I I Revelação como Evento Histórico
d) d Revelação como Nova Consciência
1 Manifestação de Deus, desde a voz até a imagem, perceptível 
pelos sentidos humanos.
104
3. As revelações especiais no nascimento de Isaque e 
na travessia do mar Vermelho são exemplos de
a ) d l Manifestações visíveis
b) I I Comunicações divinas
c) ®Eventos miraculosos
d) ® Teofanias
Marque "C" para Certo e "E" para Errado
4 M Quando ainda 
o Todo-Poderoso 
criaturas na terra
não havia Palavra de Deus escrita, 
revelava-se verbalmente às suas
5 □ É o único modo pelo qual Deus tem se revelado às 
suas criaturas terrenas: a revelação escrita
105
Teologia e Revelação
A possibilidade da teologia advém da 
revelação de Deus, dos dons com que o homem foi 
dotado. A idéia cristã tem sido a de que temos 
através das Escrituras a Palavra revelada e que elas 
constituem, portanto, a fonte suprema para a 
teologia. Vamos apresentar provas para esta crença.
* Argumento a priori.
Este é um argumento, que vai de algo 
interior para algo exterior. No que diz respeito a 
presente discussão, ele pode ser enunciado: sendo o 
homem o que é, e sendo Deus o que é; examinemos 
mais de perto as partes deste argumento:
O homem não é apenas um pecador 
debaixo da condenação da morte eterna, como ele 
também se inclina para longe de Deus, ignorante a 
respeito dos propósitos e dos métodos de salvação 
de Deus por suas próprias forças.
Ele se encontra, em outras palavras, em 
uma condição desesperadora, da qual ele apenas 
parcialmente tem consciência, e não sabe se pode 
ser salvo desta condição e nem se isso for possível, 
como fazê-lo.
As revelações não escritas geral e especial 
de Deus não oferecem respostas reais a esta 
questão. Vê-se claramente, portanto, que ele precisa 
de instrução infalível a respeito de seu mais 
importante bem na vida: seu bem eterno.
Acima desta necessidade profunda do 
homem, temos os atributos e caráter singular de 
Deus que se tornam possível, se não provável, a 
satisfação dessa necessidade.
Deus é onisciente, santo, amoroso, bom e 
onipotente. Como Ele é onisciente, Ele conhece tudo 
sobre a necessidade do homem; como Ele é santo,
106
não pode desculpar o pecado e aceitar um 
relacionamento com o homem enquanto ele estiver 
nessa condição, como Ele é amoroso e bom, pode ser 
levado a procurar e por em funcionamento um plano 
de salvação; e como Ele é onipotente, pode não 
apenas revelar a si próprio, mas também dar por 
escrito as revelações a seu respeito que forem 
necessárias para a experiência de salvação.
É certo què este argumento não nos leva 
além de mera possibilidade, ou quando muito da 
probabilidade.
Apesar de sabermos que Deus é amor e 
que Ele exerce esse atributo em sua divindade, se 
não tivermos uma revelação clara a esse respeito, 
não teremos certeza que Ele ama ao pecador.
Não podemos fazer de seu amor uma 
atitude necessária da parte dEle, ou então o amor 
não será mais amor, e a misericórdia não será mais 
misericórdia, e a graça não será mais graça.
O elemento de voluntariedade tem que ser 
mantido em todos eles. Mas, mesmo assim, o 
argumento tem certo valor por inspirar a esperança 
que Deus pode satisfazer às mais profundas 
necessidades dos homens.
^ Argumento da analogia.
Este é o argumento resultante da 
correspondência entre as proporções ou relações 
entre coisas. Ele fortalece o argumento anterior em 
direção à probabilidade de uma incorporação da 
revelação divina. O argumento pode ser apresentado 
em duas partes:
•* Primeira parte:
Onde a comunicação entre indivíduos 
possuidores de algum tipo de inteligência se faz 
necessária; encontramos a "revelação".
107
Existe pronunciamento direto. Até mesmo 
os animais inferiores expressam com suas vozes 
seus diferentes sentimentos. E quando entramos no 
domínio da vida humana, percebemos uma presença 
correspondente aos poderes notados nas criaturas 
inferiores. Observamos algum tipo de fala para a 
sociedade.
Existe comunicação direta de uma para 
outra, uma revelação constante, imediata de 
pensamentos e sentimentos íntimos, expressa de 
maneira a ser claramente compreendida.
Conseqüentemente, não pode haver 
oposição ao fato de uma revelação direta, clara e 
verdadeira, tirada da analogia com a natureza.
Apesar de que este argumento não pode 
ser válido para provar que a revelação de Deus vai 
ser incorporada em um livro, ele contribui para essa 
opinião.
-* Segunda parte:
Observa que na natureza há sinais de 
bondade reparadores, e na vida dos indivíduos e 
nações há evidências de paciência em ações 
providenciais que permitem a esperança de que, 
como diz Strong: "Enquanto a justiça for exercida, 
Deus pode ainda dar a conhecer alguma maneira de 
restaurar os pecadores".
Strong acha que: "este fato está
subentendido nas providências para a cura de 
machucaduras em plantas e pela restauração de 
ossos quebrados na criação animal, na provisão de 
agentes medicinais para a cura das enfermidades 
humanas, e especialmente na demora para o 
arrependimento" .
Esses fatos todos fornecem alguma base 
para se pensar que o Deus da natureza é um Deus 
de paciência e misericórdia. Dissemos no começo
108
desta seção que este argumento nos leva um pouco 
mais longe do que o argumento priori.
O primeiro simplesmente oferece a
esperança de que Deus possa vir em socorro de um 
ser caído; o segundo, mostrando que Deus
providenciou a cura de muitos males nos mundos 
animal e vegetal e, que ele lida pacientemente e 
benevolamente com a humanidade em geral, prova 
de que Ele realmente vem em socorro de suas 
criaturas carentes.
Mais uma vez, porém, podemos derivar 
deste argumento, apenas de maneira muito geral, a 
garantia de que Ele revelará seus planos e 
promessas em registro escrito...
{jr Argumento da indestrutibilidade da Bíblia.
Quando lembramos que apenas uma 
porcentagem pequena de livros sobrevive além de 
um quarto de século, e apenas um número pequeno, 
dura mil anos; percebemos imediatamente que a 
Bíblia é um livro diferente. Lembrando-nos das 
circunstâncias nas quais ela tem sobrevivido, este 
fato torna-se surpreendente.
Pink diz: "Quando pensamos no fato da 
Bíblia ter sido algo especial, de infindái/ei 
perseguição, a maravilha da sua sobrevivência se 
transforma em um milagre. Por dois mil anos, o ódio 
do homem pela Bíblia tem sido persistente, 
determinado, incansável e assassino".
Todos os esforços possíveis têm sido feito 
para corroer a fé na inspiração e autoridade da 
Bíblia, e inúmeras operações têm sido levantadas a 
efeito para fazê-la desaparecer.
Decretos imperiais têm sido impostos, 
ordenando que todas as cópias existentes da Bíblia 
fossem destruídas, e quando essa medida não 
conseguiu exterminar e aniquilar a Palavra de Deus,
109
ordens foram dadas para que qualquer pessoa que 
possuísse uma cópia da Bíblia fosse morta.
O próprio fato de a Bíblia ser alvo de tão 
incansável perseguição nos deixa maravilhados 
diante de tal fenômeno. Podemos mencionar apenas 
alguns dos esforços que têm sido feito para abolir ou 
exterminar a Bíblia, ou, quando isso não se deu, 
para roubar dela sua autoridade divina.
Os imperadores romanos logo descobriram 
que os cristãos baseavam sua crença nas Escrituras. 
Conseqüentemente, buscavam suprimi-los ou 
exterminá-los.
O mais notável foi Dioclécio que, através 
de um decreto real em 303 d.C. ordenou que todos 
os exemplares da Bíblia fossem queimados. Ele havia 
matado tantos cristãos e destruído Escritos Sagrados 
que, quando os cristãos ficaram quietos por algum 
tempo e permaneceram escondidos, ele achou que 
havia realmente conseguido eliminar as Escrituras. 
Ele fez com que em uma medalha fosse gravada a 
seguinte inscrição: "/I religião cristã está destruída e 
o culto aos deuses restaurados".
Entretanto, não demorou muito para que 
Constantino subisse ao trono e fizesse do
Cristianismo a religião oficial. O que diria Dioclécio 
se pudesse voltar a terra e ver como a Bíblia tem 
prosseguido em sua missão mundial?!.
Durante os dois séculos em que o Papado 
teve poder absoluto na Europa Ocidental (1073-1294), os estudiosos passaram a colocar o credo 
acima da Bíblia. Enquanto que a maioria deles ainda 
procurava o apoio das Escrituras para o credo, 
alguns deles se apegavam às religiões transmitidas 
apenas pela tradição e não dependentes dos 
ensinamentos da Bíblia.
Fischer diz que durante este período a 
leitura da Bíblia por parte dos leigos ficou sujeita a
110
tanta restrições, especialmente após a ascensão dos 
Valdenses, que se, não era absolutamente proibida, 
era vista com graves suspeitas.
Durante a época da Reforma, quando a 
Bíblia foi traduzida para a língua do povo, a Igreja 
Católica impôs severas restrições à sua leitura, 
alegando que as pessoas eram incapazes de 
interpretá-las por si só. Tinham que obter permissão 
para tê-las, mesmo quando essa permissão era dada, 
era com a condição de que o leitor não tentasse 
interpretá-la por si só.
Muitos deram sua vida pela simples razão 
de serem seguidores de Cristo e colocaram sua 
confiança nas Escrituras.
Newman diz: "Um esforço persistente foi 
feito pelos romanistas para eliminar a Bíblia 
inglesa".
"Em 1543, um decreto foi passado 
proibindo terminantemente o uso de versão de 
Tyndale, e qualquer das Escrituras em Assembléia, 
sem a permissão real". A princípio, foram feitas 
tentativas de proibir a impressão de sua Bíblia; e 
quando finalmente publicou seu Novo Testamento em 
Woms, teve que despachá-lo para a Inglaterra em 
engradados de mercadorias.
Quando os livros chegaram a Inglaterra, 
foram comprados em grandes quantidades pelas 
autoridades eclesiásticas e queimados em Londres, 
Oxford e Antuérpia. Dos 18.000 exemplares que se 
estima terem sido impressos entre 1525 a 1528, 
sabe-se que apenas dois fragmentos restaram.
E interessante notar, com respeito ao que 
foi acima citado, que Voltaire, o famoso infiel 
francês que morreu em 1778, predisse que em 100 
anos a partir de sua época, o cristianismo estaria 
extinto. Mas ao invés disto, apenas vinte e cinco 
anos após sua morte, a Sociedade Bíblica Inglesa e
111
Estrangeira foi fundada, e as mesmas impressoras 
que haviam imprimido a literatura infiel de Voltaire 
têm sido usadas desde então para imprimir a Bíblia.
Como se pode ver nem decreto imperial, 
nem restrições papais, nem destruições 
eclesiásticas, conseguiram exterminar a Bíblia. 
Quanto maiores têm sido as tentativas de levar cabo 
tal destruição, maior tem sido a circulação da Bíblia.
A mais recente tentativa de roubar a 
autoridade da Bíblia é o esforço modernista para 
degradá-la até ao nível de todos os outros livros 
religiosos. A Bíblia é hoje encontrada em mais de 
1.000 línguas no mundo. O fator de 
indestrutibilidade da Bíblia pesa fortemente de ser 
ela a mensagem escrita de uma revelação divina.
* Argumento da natureza da Bíblia.
Quando consideramos a natureza da Bíblia, 
somos forçados chegar a uma única conclusão: "Ela 
é a mensagem escrita de uma revelação divina".
Em primeiro lugar:
Consideramos o conteúdo da Bíblia.
s Este livro inteiro reconhece a personalidade, 
unidade e trindade de Deus;
S Magnifica a santidade e o amor de Deus, feita 
à Sua semelhança;
s Explica a criatura como sendo uma criação 
direta de Deus, feita também à Sua 
semelhança;
S Expõe a criatura com uma livre rebeldia contra 
a vontade revelada de Deus;
v' Mostra a condição de pecador do homem e seu 
possível perdão;
s Ensina sobre o governo soberano de Deus no 
universo;
112
s Apresenta, com grandes detalhes a salvação 
providenciada por Deus e as condições pelas 
quais ela pode ser experimentada;
s Delineia os propósitos de Deus com respeito a 
Israel e a Igreja;
s Prediz o desenvolvimento do mundo: social, 
econômico, político e religiosamente;
s Retrata o clímax de todas as coisas na 
segunda vinda de Cristo, as ressurreições, os 
julgamentos, o milênio e o estado eterno.
Que conceito e que livro! Quem, a não ser 
Deus, poderia ter inventado tal esquema e quem, 
alem dEle, poderia ter registrado tudo por escrito?
-» Em segundo lugar:
Consideremos a unidade da Bíblia. Apesar 
de ter sido escrita por uns quarenta autores 
diferentes durante um período de aproximadamente 
1.600 anos, a Bíblia é um só livro. Tem um só 
sistema doutrinário, somente um padrão moral, um 
único plano de salvação e um exclusivo programa de 
eras.
As diversas narrativas ali encontradas dos 
mesmos incidentes e ensinamentos não são 
contraditórios, mas suplementares. Por exemplo, as 
palavras escritas na cruz foram, sem dúvida, as 
seguintes: "Este é Jesus de Nazaré, o Rei dos 
Judeus".
s Mateus diz: "Este é Jesus, o Rei dos Judeus" 
(Mt 27.37);
s Marcos diz: "O Rei dos Judeus" (Mc 15.26);
S Lucas diz: "Este é o Rei dos Judeus" (Lc 
23.38);
s João diz: "Jesus nazareno, o Rei dos Judeus" 
(Jo 19.19).
113
Vemos a Lei e a Graça harmonizarem-se 
quando entendemos a natureza e o propósito exatos 
de cada um. Os relatos dos homens e nações que 
praticaram o mal são inofensivos e até mesmo úteis 
se percebermos que são registrados para serem 
condenados. A doutrina do Espírito Santo se 
harmoniza na natureza progressiva da revelação 
desta verdade.
Falando a respeito das Escrituras 
Maometanas, Zoroastranas e Budistas, Orr diz que 
elas são: "destituídas de começo, meio e fim". Elas 
são na maior parte, coleções de materiais 
heterogêneos, juntados ao acaso. Quão diferente é 
com relação á Bíblia, têm que reconhecer que são 
livros singulares!
"Não há nada exatamente parecido com 
ela, ou que mesmo se aproxime dela, em toda 
literatura". "Considerando o conteúdo e unidade da 
Bíblia, parecemos ser obrigados a concluir que ela é 
incorporação de uma revelação divina".
Que homem poderia ter inventado tal visão 
do mundo e da vida? Que autores poderiam 
apresentá-la de forma tão harmoniosa e auto- 
consistente?
"Afirmamos, portanto, que a natureza da 
Bíblia prova ser ela a incorporação de uma revelação 
divina".
Argumento da influência da Bíblia.
O Alcorão, o Livro dos Mórmons, Ciência e 
Saúde, o Zenda Avesta, os Clássicos de Confúcio, 
todos tiveram uma influência tremenda no mundo. 
Mas existe uma vasta diferença entre o tipo de 
influência que eles exerceram com a influência da 
B íb lia .
Os primeiros conduziram a uma idéia 
apagada de Deus e do pecado, até o ponto de
114
ignorá-los; produziram uma indiferença estoica par.i 
com a vida e simplesmente resultaram em idéias a 
respeito da moral e conduta.
A Bíblia, pelo contrário, tem produzido os 
mais altos resultados em todas as esferas da vida. 
Tem conduzido aos supremos tipos de criatividade 
nos campos de arte, arquitetura, literatura e música.
s Pense nos grandes quadros de Rafael,
Michelangelo, Leonardo da Vinci, e dos mestres 
holandeses;
s Veja, com os olhos da imaginação, as grandes 
catedrais e santuários da Europa e da América;
s Relembre as obras escritas pelos antigos, pelos 
reformadores protestantes, pelos poetas e 
escritores ingleses, europeus e americanos;
S Relembre os grandes hinos, cantatas e oratórios 
sacros;
s Examine as leis fundamentais dos países 
considerados civilizados;
s Observe as grandes reformas sociais que tem 
acontecido como a libertação dos escravos e o 
reconhecimento dos direitos da mulher;
V Isso sem considerar o efeito regenerador sobre 
milhões de vidas individuais - você encontrará 
por toda parte influência mais poderosa da 
Bíblia.
Onde, em todo o mundo, pode ser 
encontrado um livro que mesmo remotamente1 possa 
se comparar a Bíblia em toda a sua influência 
beneficente sobre a humanidade? Com certeza, isto 
prova que ela é revelação de Deus para a 
humanidade carente.
Há mais de trinta anos apareceram na 
publicação Gospel Banner (Estandarte do Evangelho)
1 Que sucedeu há muito tempo; antigo, longínquo.
115
diversascitações de grandes homens a respeito da 
influência da Bíblia no mundo em suas próprias 
vidas. Demos aqui algumas delas:
Willian E. Gladstoner disse: "Se me
pedirem para citar o que me conforta na tristeza, a 
única regra de conduta, o verdadeiro guia na vida, 
terá de indicar o que, no dizer de um hino 
conhecido, é chamado a 'velha História', contada em 
um livro muito antigo, que é a melhor e mais rica 
dádiva de Deus para a humanidade".
Woodrow Wilson, o presidente americano 
durante a I a Guerra Mundial, disse: "A opinião da 
Bíblia inculcou em mim, não apenas pelo que aprendi 
em casa quando menino, mas também a cada volta e 
experiência da minha vida e a cada passo de estudo, 
que ela é a única fonte suprema de revelação, a 
revelação do significado da vida, da natureza de 
Deus, e da natureza espiritual e necessidades do 
homem".
A Bíblia é o único guia para a vida que 
realmente leva o espírito para o caminho da paz e da 
salvação.
John G. Whittier expressou de maneira 
maravilhosa o fato que a verdade que os homens 
buscam encontrar no mundo é, na realidade, 
encontrada na Bíblia. Ele disse: "Buscamos no
mundo a verdade: Separamos o bom, puro e belo. 
Gravado em pedra de pergaminho; dos velhos 
campos floridos da alma e, cansados de buscar o 
melhor, voltamos carregados de tesouros, para 
descobrir que os sábios ditos estão nos livros que 
nossas mães liam".
Argumento da profecia cumprida.
Este poderia parecer que pertence ao 
argumento da natureza da Bíblia, mas devido a sua 
singularidade, tratamos dele separadamente.
116
Estabelecemos o fato de que exkte 
realmente a profecia que prediz um acontecimento 
futuro, mostramos que as muitas profecias a 
respeito de Cristo (nenhuma das quais estavam a 
menos de 165 anos do primeiro advento, mesmo por 
métodos modernos para o estabelecimento de datas 
de livros do AT e muito mais distantes das datas 
verdadeiras) foram, apesar disso, cumpridas quando 
Ele veio.
Desejamos acrescentar a este tipo de 
profecia algumas outras para provar que a Bíblia é a 
incorporação de uma revelação divina. Somente 
Deus pode revelar o futuro, e temos inúmeras provas 
nas Escrituras de que Ele realmente o revelou aos 
seus servos. Vamos ver aqui algumas delas:
Elliot diz: "Profecia, no sentido de
predição, é um milagre de conhecimento e pertence 
tão realmente ao sobrenatural quanto aos milagres 
do poder. Se, portanto, encontramos na Bíblia 
predição de eventos futuros que já foram cumpridos 
em todos os detalhes, temos evidência clara de que 
seus escritores possuíram inteligência sobrenatura l".
A menos que desejamos então acusar os 
escritores das Escrituras de representação 
fraudulenta1, de escrever a história sob a forma de 
predição, encontraremos muitas profecias na Bíblia 
que já foram cumpridas há muito tempo.
As profecias a respeito da dispersão de 
Israel já foram cumpridas em detalhes (Dt 28; Jr 
15.4; 16.3; Os 3.4). No cumprimento, Samaria iria 
ser conquistada, mas Judá seria preservada (Is 7.6- 
8; Os 1.6,7; lR s 14.15), Judá e Jerusalém. Embora 
salvas dos assírios, cairiam nas mãos dos babilónicos 
(Is 39.6; Jr 25.9-12) a destruição de Samaria seria
1 Propenso à fraude. Em que há fraude; doloso; impostor; 
fraudatório.
117
final (Mq 1.6-9), mas à Jerusalém deveria ser 
seguida por uma restauração (Jr 29.10-14), até o 
nome do restaurador de Judá foi predito (Is 44.28; 
45.1); os medos e os persas haveriam de conquistar 
a Babilônia (Is 21.2; Dn 5.28), a cidade de 
Jerusalém, e o Templo deveriam ser reconstruídas 
(Is 44.28).
Assim também há profecias a respeito das 
nações gentias. Nínive, Babilônia, Tiro, Egito, Amon, 
Moabe, Edom, e Filistia estão entre elas. Não é
necessário dar as referências para essas nações,
qualquer um pode 
concordância.
achá-las usando uma boa
Notaríamos particularmente que as
profecias a respeito dos quatro grandes Impérios do 
mundo em Daniel 2 e 7 já foram cumpridas. Algumas 
partes relacionadas ao quarto desses impérios estão 
manifestadamente ainda no futuro e nos levam ao 
retorno de Cristo, mas as demais já foram 
cumpridas.
Assim também o conflito detalhado entre a 
Síria e o Egito que se seguiu à queda do Império de 
Alexandre.
Tão precisa é a correspondência entre as 
predições de Daniel 11 e os fatos históricos que os 
anti-sobrenaturais são dogmáticos em suas
afirmações de que isto é história e não predição.
Com base nesta suposição, eles datam o 
livro de Daniel entre 168-165 a.C. Mas, aqueles que 
crêem nas revelações sobrenaturais de Deus
continuam a afirmar que temos neste capítulo uma 
das mais fortes provas do fato de que temos na 
Bíblia a incorporação da presciência divina e não um 
registro de acontecimentos já passados, feito com 
um piedoso logro1.
1 Engano propositado contra alguém; artif íc io ou manobra.
118
Há muitas outras predições na Bíblia que 
poderiam ser mencionadas como prova da mesma 
coisa. Vamos acrescentar apenas algumas.
s O progresso do conhecimento e das viagens nos 
últimos tempos (Dn 12.4);
s A continuação das guerras e de rumores de 
guerras (Mt 24.6,7);
S O aumento da maldade (Lc 17.26-37; 2Tm 3.1- 
13);
s A preservação do remanescente de Israel (Rm 
11.1-5,25-32); e
s A movimentação desses "ossos secos" e o seu 
retorno à vida nacional e espiritual (Ez 37.1- 
28).
Que homem poderia prever e predizer 
qualquer uma destas coisas? Verdadeiramente temos 
na Bíblia a mensagem escrita da revelação divina.
As Reivindicações da Própria Escritura
A Bíblia afirma ser não apenas uma 
revelação da parte de Deus, mas também um 
registro infalível dessa revelação. Apresentaremos 
algumas provas do fato de que ela afirma ser uma 
revelação de Deus. No entanto, enfrentamos já de 
início a objeção de que é inadmissível recorrer ao 
testemunho para provar que é uma revelação divina. 
Será que o testemunho não ficaria sob suspeita? 
Perguntam-nos.
Respondemos a isto que não. Se pudermos 
provar a autenticidade dos livros da Bíblia e a 
verdade das coisas que eles relatam a respeito de 
outros assuntos, então estaremos justificados em 
aceitar seu testemunho em favor de si próprio.
Se houvermos examinado as credenciais de 
um embaixador e tivermos ficado satisfeitos quanto
119
à sua veracidade com respeito à autorização que 
possui, podemos então aceitar também, suas 
declarações pessoais a respeito de seus poderes e a 
fonte de sua informação.
Temos freqüentemente declarações como 
estas no Pentateuco: "Disse o Senhor a Moisés" (Êx 
14.1,15, 26; 16.4; Lv 1.1; 4.1; 11.1; Nm 4.1; 13.1 
Dt 32.48). Ele recebeu ordens de escrever o que 
Deus lhe disse em um livro (Êx 17.14; 34.27) e 
sabemos que ele assim o fez (Êx 24.4; 34.28; Nm 
33.2; Dt 31.9,22, 24).
Também assim dizem os profetas: "O
Senhor é quem fala" (Is 1.2); "Disse o Senhor a 
Isaías" (Is 7.3); "Mas agora assim diz o Senhor" (Is 
43.1); "Palavras que veio a Jeremias da parte do 
Senhor, dizendo" (Jr 11.1); "Veio expressamente a 
Palavra do Senhor a Ezequiel" (Ez 1.3); "Palavra do 
Senhor, que foi dirigida a Oséias" (Os 1.1); "Palavra 
do Senhor, que foi dirigida a Joel" (Jl 1.1).
Afirma-se que estas declarações ocorrem 
mais de 3.800 vezes no AT, declara ser uma 
revelação de Deus. Os escritores do NT afirmam, da 
mesma maneira, que elas declaram a mensagem de 
Deus.
V Paulo afirma que as coisas que ele escreveu 
eram mandamentos de Deus (ICo 14.37);
V Que os homens deviam aceitar como a própria 
Palavra de Deus, aquilo que ele pregava ( lT s 
2.13);
v Que a salvação dos homens depende da fé nas 
doutrinas que ele ensinava (Gl 1.8).
v João ensina que seu depoimento era o 
testemunho de Deus ( lJo 5.10);
V Pedro deseja que seus leitores se lembrem das 
palavras que anteriormente foram ditas pelos 
santos profetas, bem como do mandamentodo
120
Senhor Salvador, ensinado pelos vossos 
apóstolos (2Pe 3.2).
s O autor de Hebreus prediz um castigo mais 
severo para aqueles que rejeitarem a mensagem 
que fora confirmada a ele por aqueles que a 
ouviram (Hb 2.1-4).
s Severamente, o NT também afirma ser a 
mensagem escrita da uma revelação divina.
7 O peso da evidência é cumulativo.
Se pesarmos separadamente os 
argumentos apresentados nesta lição, podemos 
achar que nenhum deles é conclusivo; mas se 
permitirmos que cada argumento contribua com sua 
parcela de verdade, será forçado a concluir que a 
Bíblia, a Palavra de Deus, é uma revelação divina!
Aceitando esta idéia como estabelecida, 
teremos os pré-requisitos para estudarmos os outros 
assuntos da Bibliologia.
A Genuinidade
Quando aceitamos o fato que na Bíblia 
temos a palavra escrita de uma revelação divina, 
ficamos imediatamente interessados na natureza dos 
documentos que transmitem essa revelação. Assim, 
imediatamente desejamos saber se os diversos livros 
da Bíblia são genuínos, dignos de crédito e 
canônicos.
L? A genuinidade dos Livros da Bíblia.
Algumas pessoas usam o termo 
"autenticidade", mas o uso corrente prefere o termo 
"genuinidade". Os dois têm realmente o mesmo 
significado.
121
Com genuinidade queremos dizer que um 
livro é escrito pela pessoa ou pessoas cujo nome ele 
leva, ou, se anônimo, pela pessoa ou pessoas a 
quem a tradição antiga o atribui, ou, se não for 
atribuído a algum autor ou autores específicos, à 
época que a tradição lhe atribui.
Diz-se que um livro é forjado ou espúrio se 
não tiver sido escrito na época que lhe é atribuída.
As Homilias Clementinas são atribuídas a 
Clemente de Roma, mas a crítica é agora 
praticamente unânime em afirmar que não foram 
escritas por Clemente, mas sim por escritores 
ebionistas, talvez da seita elquesiática do 
ebionitismo.
O Evangelho de Tomé diz ter sido da 
autoria do apóstolo Tomé, mas não é genuíno porque 
não foi composto pelo apóstolo. O Credo Apostólico 
não é genuíno por não ter sido escrito pelos 
apóstolos.
Cremos que os livros do Antigo Testamento 
e Novo Testamento são genuínos ou autênticos.
122
Questionário
Assinale com "X" as alternativas corretas
6. Imperador romano que, através de um decreto real 
ordenou que todos os exemplares da Bíblia fossem 
queimados
a ) [Hl Zenão
b) ÍT] Dioclécio
c) D Constantino
d ) [ZH Rômulo Augústulo
7. Argumento que considera em primeiro lugar o 
conteúdo e em segundo a unidade da Bíblia
a) EH Argumento da analogia
b) [ZI Argumento da profecia cumprida
c) D Argumento da natureza da Bíblia
d) CH Argumento da influência da Bíblia
8. Não é um exemplo de predição da Bíblia
a) CH O aumento da maldade
b) D A preservação do remanescente de Israel
c) [Õ] O retrocesso do conhecimento e das viagens 
nos últimos tempos
d) D A continuação das guerras e de rumores de 
guerras
r Marque "C" para Certo e "E" para Errado
9. [TI O Alcorão; o Livro dos Mórmons; Ciência e Saúde; 
o Zenda Avesta; os Clássicos de Confúcio; nunca 
tiveram influência no mundo
10.0 O Evangelho de Tomé diz ter sido da autoria do 
apóstolo Tomé, mas não é genuíno porque não foi 
composto pelo apóstolo
123
Lição 5________________
Preservação e Tradução Bíblica
As Línguas Originais da Bíblia
Hebraico Antigo Testamento
Aramaico Antigo Testamento
Grego Novo Testamento
O hebraico.
Todo o AT foi escrito em hebraico, o idioma 
oficial da nação de Israel, exceto algumas passagens 
de Esdras, Jeremias e Daniel, que foram escritas em 
aramaico. A mais extensa é em Daniel (2.4-7.28).
O hebraico faz parte das línguas semíticas, 
que eram faladas na Ásia Mediterrânea, exceto em 
raras regiões. As línguas semíticas formavam um 
ramo dividido em grupos, sendo o hebraico 
integrante do grupo cananeu. Este compreendia o 
litoral oriental do Mediterrâneo, incluindo a Síria, a 
Palestina e o território que constitui hoje a Jordânia. 
Integrava também o grupo cananeu de línguas, o 
ugarítico, o fenício e o moabítico.
O fenício tem muita semelhança com o 
hebraico. O primitivo alfabeto hebraico é oriundo do 
fenício, segundo a opinião dos versados na matéria.
Possivelmente Abrão encontrou esse 
idioma em Canaã, ao chegar ali, em vez de trazê-lo 
da Caldéia. Em Gênesis 31.47, vê-se que Labão, o
125
sobrinho de Abraão, vivendo em sua terra, a Caldéia, 
falava aramaico; ao passo que Jacó, recém-chegado 
de Canaã, falava o hebraico.
A língua hebraica é chamada no AT de 
"Língua de Canaã" (Is 19.18) e "Língua judaica" ou 
apenas: "Judaico" (Is 36.13).
Como a maior parte das línguas do ramo 
semítico, o hebraico lê-se da direita para a 
esquerda: O hebraico é composto de 22 letras todas 
consoantes em seu alfabeto. Há sinais vocálicos, 
sim, mas não podemos chamá-los de letras.
Sabe-se agora que a forma primitiva dos 
caracteres hebraicos estava em uso na Palestina 
1.800 anos antes de Cristo. Há exemplos mais 
recentes das letras hebraicas no Calendário de Gézer 
(950-920 a.C.), na Pedra Moabita (850 a.C.); na 
inscrição de Siloé (702 a.C.); nas moedas do tempo 
dos irmãos Macabeus (175-100 a.C.), e nalguns 
fragmentos dos escritos achados junto ao mar Morto, 
a partir de 1.947 d.C.
Esta forma primitiva do hebraico passou 
por modificações ao longo da história. Após o exílio, 
teve início a chamada "escrita quadrada", que, por 
fim, foi pelos massoretas1 convertida na atual 
forma do alfabeto hebraico - uma forma quadrada 
modificada. As letras tipo bloco eram escritas em 
maiúsculas, sem vogais, sem espaços entre palavras, 
frases ou parágrafos, e sem pontuação.
A escrita hebraica dos tempos antigos só 
empregava consoantes sem qualquer sinal de 
vocalização. Os sons vocálicos eram supridos pelos 
leitores durante a leitura, o que dava origem a 
constantes enganos, uma vez que havia palavras 
com as mesmas consoantes, mas com acepções
1 Cada um daqueles que co laboraram na M a s s o r á , que é o 
conjunto dos comentários cr ít icos e gramatica is acerca da Bíblia 
(sobretudo o Velho Testamento) feitos por doutores judeus.
126
diferentes. Quer dizer, a pronúncia exata dependia 
da habilidade do leitor, levando em conta o contexto 
e a tradição. É por causa disso que se perdeu a 
pronúncia de muitas palavras bíblicas.
Após o século VI, os eruditos judeus 
residentes em Tiberíades, passaram a colocar na 
escrita, sinais vocálicos, perpetuando, assim a 
pronúncia tradicional. Esses sinais são pontos 
colocados em cima, em baixo e dentro das 
consoantes. Os autores desse sistema de vocalização 
chamavam-se massoretas - palavra derivada de 
"massorah", que quer dizer tradição, isto porque os 
massoretas, por meio desse sistema, fixaram a 
pronúncia tradicional do hebraico.
Textos bíblicos posteriores ao século VI, 
são chamados de "massorético", porque contêm 
sinais vocálicos. Os mais famosos eruditos 
massoretas foram os judeus Moses bem Asher e seus 
filhos Arão e Naftali, que viveram e trabalharam em 
Tiberíades, na Galiléia.
Além do texto massorético, há outro texto 
hebraico das Escrituras, o do Pentateuco 
Samaritano, que emprega os antigos caracteres 
hebraicos. É do tempo pré-cristão. São, portanto, 
dois tipos de textos que temos em hebraico: o
massorético e o Pentateuco Samaritano.
O aramaico.
O aramaico é um idioma semítico falado 
desde 2000 a.C. em Arã ou Síria, que é a mesma 
região (Arã é hebreu; Síria é grega). Nas Escrituras, 
o território da Síria não é o mesmo de hoje, o que 
acontece também com outras terras bíblicas.
O primitivo território estendia-se das 
montanhas do Líbano até além do rio Eufrates, 
incluindo Babilônia; Mesopotâmia Superior, 
conhecida na Bíblia por Arã-Naaraim; e Padã-Arã (Gn
127
25.20), e outros distritos. Era ainda falado numa 
grande área da ArábiaPétrea.
Algumas partes do Antigo Testamento 
foram escritas nesse idioma:
S Uma palavra designando nome de lugar em 
Gênesis 31.47;
s Um versículo em Jeremias (Jr 10.11); 
s Cerca de seis capítulos no livro de Daniel (Dn 
2 .4b-7 .28); e
v' Vários capítulos em Esdras (Ed 4.8-6.18; 7.12- 
26).
A influência do aramaico foi profunda sobre 
o hebraico, começando no cativeiro de Israel, em 
722 a.C na Assíria. E continuando através do 
cativeiro do Reino de Judá, em 587, na Babilônia.
Em 536 a.C quando Israel começou a 
regressar do exílio, falava o aramaico como língua 
vernácula1. É por esta razão que, no tempo de 
Esdras, as Escrituras que era em hebraico, ao serem 
lidas em público, era preciso alguém que pudesse 
interpretá-las, para compreenderem o seu 
significado (Ne 8.5,8).
No tempo de Cristo, o aramaico tornara-se 
a língua oficial dos judeus e nações vizinhas, estas 
foram influenciadas pelo aramaico devido às 
transações comerciais dos arameus na Ásia Menor e 
litoral do mediterrâneo.
Em 1000 a.C., o aramaico já era língua 
internacional do comércio nas regiões situadas ao 
longo das rotas comerciais do Oriente.
O aramaico é também chamado "siríaco", 
no Norte (2Rs 18.26; Ed 4.7; Dn 2.4 ARC), e 
também "caldaico", no sul (Dn 1.4). Tinha o mesmo 
alfabeto que o hebraico, só diferia nos sons e na 
estrutura de certas partes gramaticais.
1 Próprio da região em que está; nacional.
128
Do mesmo modo que o hebraico, não tinha 
vogal, a partir de 800 a.C. é que os sinais vocálicos 
foram introduzidos. É um idioma muito parecido com 
o hebraico.
Foi usado pelo Senhor Jesus e seus 
discípulos e pela Igreja Primitiva, em Jerusalém. Em 
Mateus 5.18, quando Jesus diz que a menor letra é o 
jota (aramaico iode), pois somente neste é que se 
verifica isto (a letra iode originou o nosso i).
Nos dias de Jesus, o aramaico já se 
modificara um pouco na Palestina, resultando no 
"aramaico palestinense", como o chamam os 
eruditos. Também em Marcos 14.36, o uso da 
Palavra aramaica "abba", por Jesus, é outra 
evidência de que Ele falava aquela língua. Que Ele 
também falava o hebraico é evidente em Lucas 4.16- 
20; uma vez que os rolos sagrados eram escritos em 
hebraico.
Temos assim algumas palavras aramaicas 
preservadas para nós no Novo Testamento: 
s Ta l ith a Cum i ("Menina, levanta-te") em Marcos 
5.41;
s Epha tha ("Abre-te") em Marcos 7.34; 
s E l i, EH lam a s a b a ch th a n i ("Deus meu, Deus 
meu, por que me desamparaste?") em Mateus 
27.46.
s Jesus se dirigia habitualmente a Deus como 
Abba ("Pai"). Note a influência disto em 
Romanos 8.15 e Gálatas 4.6. 
s Outra frase comum dos primeiros cristãos era 
M arana tha ("Vem, nosso Senhor") em 
ICoríntios 16.22.
O hebraico foi de fato absorvido pelo 
aramaico, mas continuou sendo a língua oficial do 
culto divino no Templo e nas sinagogas, dos rolos 
sagrados, e dos rabinos e eruditos.
129
Havia escoias de rabinos, inicialmente em 
Jerusalém e, depois da queda da cidade, em 
Tiberíades. Havia escolas semelhantes noutros 
centros judaicos.
As conquistas árabes e a propagação do 
islamismo em largas áreas da Ásia, África e Europa, 
reduziu e por fim destruiu a influência do aramaico. 
Por sua vez, o hebraico, sendo língua morta, 
começou a ressurgir.
Para que cumprissem as profecias
referentes a Israel, era necessário que a língua 
revivesse e assumisse a posição que hoje desfruta 
na família das nações modernas.
O aramaico ainda sobrevive numa remota e 
pequena vila da Síria, chamada Ma liou la, com a 
população de aproximadamente 4.000 habitantes.
Devido aos hebreus terem adotado o 
aramaico como uma língua, este passou a chamar-se 
hebraico, conforme se vê em João 5.2; 19.13,17,20; 
Atos 21.40; 26.14; Apocalipse 9.11. Portanto, 
quando o NT menciona o hebraico, trata-se na 
realidade, do aramaico. Marcos, escrevendo para os 
romanos, põe em seu livro referências aramaicas (Mc 
5.41 e 15.34); Mateus que escreveu para os judeus 
escreve a mesma passagem em hebraico (Mt 27.46).
O AT contém, além do hebraico e 
aramaico, algumas palavras persas, como "tirsata" 
(Ed 2.63) e "sátrapa" (Dn 3.2).
S? O grego.
Esta é a língua em que foi originalmente 
escrito o NT. A única dúvida paira sobre o livro de 
Mateus, que muitos eruditos afirmam ter sido escrito 
em aramaico.
O grego faz parte do grupo de línguas 
arianas. Vem da fusão dos dialetos: dórico e ático.
130
Os dóricos e os áticos foram as duas principais tribos 
que povoaram a Grécia. É uma língua de expressão 
mais precisa, e das línguas bíblicas, é a que mais se 
conhece, devido a ser mais próxima da nossa.
O grego do NT não é o grego clássico dos 
filósofos, mas o dialeto popular do homem da rua, 
dos comerciantes, dos estudantes, que todos podiam 
entender: era o "Koiné". Este dialeto formou-se a 
partir das conquistas de Alexandre, em 336 a.C. 
Nesse ano, Alexandre subiu ao trono e, no curto 
espaço de tempo de 13 anos, alterou o rumo da 
história do mundo. A Grécia tornou-se um império 
mundial, e toda a terra conhecida recebeu influência 
da língua grega.
Deus preparou deste modo, um veículo 
linguístico para disseminar as novas do Evangelho 
até aos confins do mundo, no tempo oportuno. Até 
no Egito o grego se impôs, pois aí foi a Bíblia 
traduzida do hebraico para o grego - a chamada 
Septuaginta, cerca de 285 a.C.
Nos dias de Jesus, os judeus entendiam 
quase tão bem o grego como o aramaico, haja vista 
que a Septuaginta em grego era popular entre os 
judeus. Nos primórdios do Cristianismo, o Evangelho 
pregado ou escrito em grego podia ser compreendido 
pelo mundo todo. Só Deus podia fazer isto! Ele não 
enviaria seu filho ao mundo enquanto este não 
estivesse preparado, a esse preparo incluía uma 
língua conhecida por todos (ver Mc 1.15; Gl 4.4).
A língua grega tem 24 letras; a primeira é 
alfa e a última ômega. Quando em Apocalipse Jesus 
diz que é o Alfa e o Ômega, está afirmando que é o 
primeiro e o último.
Os gregos receberam seu alfabeto através 
dos fenícios, conforme mostram estudos a respeito. 
Ninguém vá supor que por não conhecer as línguas 
originais das Escrituras, não compreenderá a
131
revelação divina. Sim, o conhecimento e a 
compreensão dos originais auxiliarão muito, mas não 
é o aspecto principal, por não ser o suficiente.
Na Bíblia, como já dissemos, vêem-se duas 
coisas principais: o texto e a mensagem. O principal 
é a mensagem contida no texto. É especialmente a 
mensagem que o Espírito Santo vitaliza, revela e 
maneja como sua espada (Ef 6.17).
Os Manuscritos da Bíblia
A história da Bíblia e como chegou até nós, 
é encontrada em seus manuscritos1. Assim como seu 
texto foi preservado e transmitido.
Nos tratados sobre a Bíblia, a palavra 
manuscritos é sempre indicada pela abreviatura MS, 
no plural MSS. Há em nossos dias, cerca de 4.000 
MSS, da Bíblia, preparados entre os séculos II e XV.
1. Material gráfico dos MSS bíblicos.
Vários materiais foram usados 
nos tempos antigos, como:
1.1. Linho.
Tem sido encontrado nas 
arqueológicas.
1.2. Ostrasco.
Fragmentos de cerâmicas. É 
na Bíblia em Jó 38.14; Ezequiel 4.1. Foi 
na Babilônia.
1.3. Pedra.
Muitas inscrições famosas encontradas no 
Egito e Babilônia foram escritas em pedra.
Deus deu a Moisés os Dez Mandamentos 
escritos em tábuas de pedra (Êx 24.12; 31.18;
1 São rolos ou livros da antiga l iteratura, escr itos à mão.
para escrita
descobertas
mencionado 
muito usado
132
34.1,28; Js 8. 30-32). Dois outros exemplos são: a 
Pedra Moabita (850 a.C.) e a Inscrição de Siloé, 
encontrada no túnel de Ezequias, junto ao tanque de 
Siloé (700 a.C.).
Um exemplo do emprego desse material é 
o livro escrito em pedras, conhecido como Código 
Hamurabi. Trata-se de um Rei de Babilônia coevo1 deAbraão. É identificado pelos cientistas como o 
Anrafel de Gn 14.1. É um código de leis descoberto 
em Susã, em 1902, lindamente trabalhado em pedra, 
com dois metros de altura. Esse livro é testemunha 
de que aquele tempo o homem atingira uma 
capacidade literária notável. O Código trata do culto 
nos templos (pagãos, é claro), administração da 
justiça e leis em geral.
1.4. Argila.
O material de escrita predominante na 
Assíria e Babilônia era a argila, preparada em 
pequenos tabletes e impressa com símbolos em 
forma de cunha chamados de escrita cuneiforme, e 
depois assada em um forno ou seca ao sol. Milhares 
desses tabletes foram encontrados por arqueólogos.
1.5. Madeira.
Tábuas de madeira foram muito usadas 
pelos antigos para escrever. Durante muitos séculos 
a madeira foi a superfície comum para escrever 
entre os gregos. Alguns acreditam que este tipo de 
material de escrita é mencionado em Isaías 30.8 e 
Habacuque 2.2. Tábuas recobertas de cera (Is 81; Lc 
1.63).
1.6. Couro.
O Talmude judeu exigia especificamente 
que as Escrituras fossem copiadas sobre peles de
1 Que é do mesmo tempo, contemporâneo.
133
animais, sobre couro. É praticamente certo, então, 
que o AT foi escrito em couro. Eram feitos rolos, 
costurando juntas as peles que mediam de alguns 
metros a 30 perpendiculares ao rolo. Os rolos, entre 
26 e 70 cm de altura, eram enrolados em um ou dois 
pedaços de pau.
1.7. Papiro.
É quase certo que o NT foi escrito sobre 
papiro, por ser este o material de escrita mais 
importante na época. O papiro é feito cortando-se 
em tiras seções delgadas1 da cana de papiro, 
empapando-as em vários banhos de água, e depois 
as sobrepondo umas às outras para formar folhas. O 
centro da indústria de papiro era o Egito, onde teve 
início o seu emprego, cerca de 3.000 a.C.
O papiro é um tipo de junco de grandes 
proporções. Tem caule tríquetro2 de 3cm a 5m de 
altura, com 5cm a 7cm de diâmetro, tendo sua 
fronde3 em forma de guarda-chuva. As dimensões da 
folha de papiro preparada para a escrita eram 
normalmente de 30cm a 3m de comprimento por 
30cm de largura.
Essas folhas eram formadas por tiras 
cortadas das plantas, sobrepostas cruzadas, coladas, 
prensadas e depois polidas. Eram escritas de um 
lado, apenas e tinham uma cor amarelada. A folha 
do papiro assim preparada era chamada pelos gregos 
de biblos.
1.8. Velino ou Pergaminho.
Este tipo de material foi utilizado centenas 
de anos antes de Cristo e, por volta do século IV
1 De pouca espessura; fino.
2 Que tem seção tr iangu lar e, portanto, três ângulos maciços, 
como os escapos das ciperáceas.
3 A copa das árvores.
134
d.C., ele suplantou o papiro. Quase todos os 
manuscritos conhecidos são em velino. Seu uso 
generalizado vem dos primórdios do cristianismo, 
mas já era conhecido em tempos remotos, pois já 
era mencionado em Isaias 34.4.
0 pergaminho preparado de modo especial 
chamava-se veio. Este se tornou conhecido a partir 
do século IV. Tem maior durabilidade. Foi muito 
usado nos códices.
Tudo indica que o vocábulo pergaminho 
derivou seu nome na capital de Pérgamo, capital de 
um riquíssimo reino que ocupou grande parte da Ásia 
Menor, sendo Eumenes II (197-159 d.C.), seu maior 
rei que projetou formar para si uma biblioteca maior 
do que a de Alexandria, Egito.
O rei egípcio, por inveja, proibiu a 
importação do Papiro, obrigando Eumenes a recorrer 
a outro material gráfico. Tal fato motivou o 
surgimento de um novo método de preparar peles, 
muito aperfeiçoado, que resultou no pergaminho.
O resultado é conhecido como velino ou 
pergaminho. Embora os termos sejam usados 
intercambiavelmente, o velino era preparado 
originalmente com a pele de bezerros e antílopes1, 
enquanto o pergaminho era de pele de ovelhas e 
cabras. Obtinha-se assim um couro de excelente 
qualidade, preparado especial e cuidadosamente 
para receber escrita de ambos os lados.
O Novo Testamento menciona este material 
gráfico em 2Timóteo 4.13 e Apocalipse 6.14.
A tinta usada pelos escribas era uma 
mistura de carvão em pó com uma substância 
semelhante à goma arábica (ver Jr 36.18; Ez 9.2;
1 Mamífero ruminante de porte médio ou pequeno, ch ifres 
permanentes, longos, dir ig idos para cima e para trás. São 
comuns na África.
135
2Co 3.3; 2Jo 12; 3Jo 13). 0 carvão é um elemento 
que se conserva admiravelmente através dos 
séculos, não sendo afetado por substâncias 
químicas.
Para a escrita em papiro ou pergaminho, 
usavam penas de aves, pincéis finos e um tipo de 
caneta feita de madeira porosa e absorvente. Para a 
cera usavam um estilete de metal (Is 30.8).
Cuidado redobrado havia com a escrita dos 
livros sagrados. Devemos ser agradecidos aos judeus 
por seu cuidado extremo na preparação e
preservação dos manuscritos do AT. Aqui estão 
algumas regras que eles exigiam de cada escriba: 
v' O pergaminho tinha que ser preparado de peles 
de animais limpos, somente por judeus, sendo 
as folhas unidas por fios feitos de pele de 
animais limpos;
s A tinta era especialmente preparada; 
s O escriba não podia escrever uma só palavra de 
memória. Tinha de pronunciar bem alto cada 
palavra antes de escrevê-la; 
s Tinha de limpar a pena com muita reverência 
antes de escrever o nome de Deus; 
v'' As letras e palavras eram contadas; 
v' Um erro numa folha inutilizava-a; 
v' Três erros numa folha inutilizavam todo o rolo. 2
2. O formato dos MSS.
Quanto ao formato, o MSS pode ser códice 
ou rolos. Códice é um MS, em formato de livro, feito 
de pergaminho. As folhas têm normalmente 65cm de 
altura por 55cm de largura.
Este tipo de MS começou a ser usado no 
século II. O rolo podia ser de papiro ou de 
pergaminho. Era preso a dois cabos de madeira, para
136
facilitar o manuseio durante a leitura e enrolado da 
direita para a esquerda, sua extensão dependia da 
escrita a ser feita. Portanto, antigamente não era 
fácil conduzir pessoalmente os 66 livros como 
fazemos hoje.
3= A caligrafia dos MSS.
Há dois tipos de caligrafia ou forma gráfica 
nos MSS bíblicos. Tal diferença na forma gráfica deu- 
se no século X, o que os divide em: u n c ia is e 
cu rs ivos .
S Uncial é o MS de letras maiúsculas e sem 
separação entre as palavras.
§ Cursivo é o de letras minúsculas, tendo espaço 
entre as palavras.
Pa lim psesto é um MS reescrito, isto é, um novo 
texto escrito por cima da escrita anterior, por 
meio de raspagem. Isso ocorria devido ao alto 
preço do pergaminho. Inutilizava-se assim uma 
escrita para se usar o mesmo material.
Os manuscritos originais também não 
tinham sinais de pontuação. Estes foram 
introduzidos na arte de escrever em época recente. É 
claro, pois, que a pontuação moderna não é 
inspirada, e por isso não dá, às vezes, sentido às 
palavras do original. 4
4. MSS originais da Bíblia.
MSS originais, isto é, saídos das mãos dos 
escritores, não existe nenhum conhecido no 
momento. Deus na sua providência permitiu isso. Se 
existisse algum, os homens o adorariam mais do que 
o seu divino Autor.
-» A serpente de metal posta entre os israelitas 
como meio de auxílio à fé em Deus (Nm 21.8,9;
137
Is 45.22) foi depois idolatrada por eles (2Rs 
18.4).
-» Deus cuidou do sepultamento de Moisés e 
ocultou o seu local porque certamente o povo 
adoraria seu corpo (Dt 34.5,6).
-» O Diabo tinha interesse na idolatria e contendeu 
com o arcanjo sobre o corpo de Moisés (Jd 9). 
Milhões, em muitas terras adoram a cruz de 
Cristo, ao invés do Cristo da cruz.
-* É também o caso da virgem Maria, mãe de Jesus 
Cristo, que milhões adoram-na e não o Filho.
Além disso, temos que considerar o 
seguinte, historicamente, quanto à inexistência de 
MSS originais:
1. Era costume judaico enterrar os MSS estragados 
pelo uso ou qualquer outra causa, para evitar 
sua mutilação,profanação e interpolação 
espúria;
2. Os reis idólatras e ímpios de Israel podem ter 
destruído muito ou contribuído para isso, como 
é o caso descrito em Jeremias 36.20-26.
3. O tirano Antíoco Epifânio, rei da Síria (175-164 
a.C.), durante seu reinado dominou sobre toda 
a Palestina, extremamente cruel, tinha prazer 
em aplicar torturas e decidiu exterminar a 
religião judaica, assolou Jerusalém em 168 a.C., 
profanando o templo e destruindo todas as 
cópias que achou das escrituras sagradas.
4. Nos dias do feroz Imperador Diocleciano (284-
305 d.C.), os perseguidores dos cristãos
destruíram quantas cópias acharam.
A literatura judaica afirma que a missão da 
chamada Grande Sinagoga, presidida por Esdras, foi 
reunir e preservar os MSS originais do Antigo
138
Testamento - que serviram aos Setenta no preparo 
da Septuaginta - a primeira tradução das Escrituras 
do Antigo Testamento, do hebraico para o grego.
Há inúmeras cópias de manuscritos 
originais, em várias partes do mundo. Eles 
harmonizam-se admiravelmente, assegurando-nos 
assim da sua autenticidade. Uma confirmação disso 
há nos MSS do Mar Morto:
Num dia de verão, em 1947, o pastor 
beduíno1 Árabe, Muhammad ad Dib, da Tribo dos 
Taa'mireh, que está entre Belém e o Mar Morto, saiu 
a procura de uma cabra desgarrada nas ravinas2 
rochosas da costa noroeste do referido Mar Morto, e 
encontrou inestimável tesouro bíblico.
Estava um pastor junto à encosta rochosa 
do Qumran e ao atirar uma pedra numa das cavernas 
ouviu um barulho de cacos se quebrando. Entrou na 
caverna e encontrou uma preciosa coleção de MSS 
bíblicos: 12 rolos de pergaminhos ou fragmentos de 
outros. Um dos rolos era um MS de Isaías do ano de 
100 a.C., isto é, mil anos mais antigo que os 
exemplares até então conhecidos. Os rolos estão 
escritos em papiro e pergaminhos e envolvidos em 
panos de linho.
Outras cavernas foram vasculhadas e 
novos MSS foram encontrados. Novas luzes estão 
surgindo na interpretação de passagens difíceis do 
AT. Exemplos: em Êxodo 1.5, o total de pessoas é 
75, concordando assim com Atos 7.14 (o hebraico 
não tem algarismos para os números e sim letras; 
daí, para ter um erro não custa muito...).
Em Isaías 49.12, o MS achado de Isaías diz 
"Siene" e não "Sinin". Ora, Siene era uma 
importante cidade fronteiriça do Egito, às margens
1 Árabe do deserto.
2 Escavação provocada pela enxurrada; barranco.
139
do Nilo, junto à Etiópia, hoje a moderna Assuam. 
Ezequiel 29.10 e 30.6 referem-se a essa cidade; a 
versão ARC grafa "Sevené". Muitos eruditos 
pensavam até agora que o termo "Sinin" de Isaías 
49.12 fosse uma alusão1 à China.
É muito confortante saber que os textos 
desses MSS encontrados concordam com a versão 
atual das Bíblias.
Pesquisas revelam que os MSS do Mar 
Morto foram escondidos pelos essênios - seita 
ascética judaica - durante a segunda revolução dos 
judeus contra os romanos em 132-135 d.C.
Os responsáveis por um grande mosteiro2 
agora descoberto, ao verem aproximarem-se as 
tropas romanas, esconderam ali sua biblioteca! Nas 
267 cavernas examinadas, foram encontrados 
fragmentos de 332 obras, ao todo.
Encontraram, inclusive, cartas do líder 
dessa revolta: Bar Kochba, em perfeito estado,
estando sua assinatura bem nítida. Nos MSS 
encontrados há trechos de todos os livros do AT, 
exceto Ester.
1 Menção, referência, relação.
2 Habitação de monges ou monjas.
140
Questionário
Assinale com "X" as alternativas corretas
1. Quanto às línguas originais da Bíblia, é certo que
a) D O idioma usado na escrita do Antigo 
Testamento foi: o grego
b) L j Os idiomas usados na escrita do Antigo 
Testamento foram: o hebraico e o aramaico
C )D O idioma usado na escrita do Novo Testamento 
fo i: o hebraico
d ) D Os idiomas usados na escrita do Novo 
Testamento foram: o aramaico e o hebraico
2. Uma das exigências do AT aos escribas:
a) D Um erro numa folha inutilizava todo o rolo
b) CH O pergaminho tinha que ser preparado de 
peles de animais limpos, somente por gregos
c) D As letras e palavras não eram para ser 
contadas
d) [>3 Eles tinham que pronunciar bem alto cada 
palavra antes de escrevê-la 3 4
3 . ____ é o MS de letras maiúsculas e sem
separação entre as palavras; ________ é o de
letras minúsculas, tendo espaço entre as palavras
a) [H Uncial e Palimpsesto
b) D Palimpsesto e Cursivo
c) 0 Uncial e Cursivo
d) D Cursivo e Uncial
a*0 Marque "C" para Certo e "E" para Errado
4. y Vários materiais foram usados para escrita nos 
tempos antigos, como: pergaminho, papiro e argila
5.1T-1 Há inúmeros MSS originais em várias partes do 
mundo. Uma confirmação disso há nos MSS do Mar 
Morto
141
A Tradução da Bíblia
Era preciso a tradução da Bíblia para dar 
cumprimento às palavras do Senhor Jesus após 
ressuscitar: "Ide por todo o mundo e pregai o 
Evangelho a toda a criatura" (Mc 16.15).
Ora o mundo está dividido em nações, 
tribos e povos, cada qual com sua língua. Hoje, 
quando vemos as Escrituras traduzidas em 2.092 
línguas e dialetos, sabemos que Aquele que 
comissionou os discípulos para tão grande obra 
proveria também os meios para a sua realização.
Portanto, abordaremos aqui três famosas 
traduções da Bíblia, sendo elas: a S e p tu a g in ta , a 
Vu lga ta e a Versão A u to r iz a d a ou Versão do R e i 
Tiago.
^ A Septuaginta.
Foi a primeira tradução da Bíblia. É a 
tradução feita do hebraico para o grego. 
Compreende só o AT, é evidente. Foi a escritura que 
Jesus e seus apóstolos usaram. A mais antiga cópia 
da Septuaginta está na biblioteca do Vaticano. Data 
de 325 d.C.
(%) Local da tradução: Alexandria, no Egito.
I Tempo: Cerca de 285 a.C.
r A Vulgata.
É a tradução da Bíblia toda, do hebraico 
para o latim, feita por Jerônimo - um notável erudito 
da Igreja que estava em Roma, a qual nesse tempo 
ainda mantinha pureza espiritual.
O Concílio de Trento (1546 d.C.)
determinou que "apenas essa edição antiga .. dever
142
ser considerada autêntica para fins de leitura 
pública, debate, sermões e discursos expositores, e 
que ninguém ouse rejeitá-la sob qualquer pretexto".
(^ ) Local da tradução: Belém, Palestina.
1 Tempo: concluída em 405 d.C.
A Versão Autorizada ou Versão do Rei Tiago.
Essa versão é até hoje a predileta dos 
povos de fala inglesa. O povo inglês tem alta 
veneração pela Bíblia. Ela formou a mentalidade 
desse povo, e é tida como seu sustentáculo e seu 
maior legado.
(%) Local da tradução: Inglaterra.
1 Tempo: 1611 d.C.
A Bíblia em Português
A primeira tradução da Bíblia em português 
foi feita pelo pastor João Ferreira de Almeida. Fato 
interessante é que o trabalho foi realizado fora de 
Portugal - na cidade de Batávia, ilha de Java, no 
Oceano Índico. Hoje, Jacarta, capital da Indonésia.
Almeida foi ministro do Evangelho da 
Igreja Reformada Holandesa, a mesma que 
evangelizou o Brasil, com sede em Recife durante a 
ocupação holandesa, no século XVII. Nasceu em 
1628, em Torre de Tavares, concelho1 de Mangualde, 
distrito de Veseu, em Portugal. Faleceu em Java em 
1691.
A Igreja Católica, através do tribunal da 
Inquisição, não teve como queimá-lo vivo, queimou 
sua efíg ie2, em Goa, antiga possessão portuguesa na
1 C ircunscrição administrativa de categoria imediatamente 
inferior ao d istr ito, do qual é divisão.
2 Imagem, figura, retrato (de pessoa).
143
índia. Essa igreja nem mesmo agora, no chamado 
Ecumenismo1, se desculpou de tais coisas.
A Versão de Almeida
O Novo Testamento.
Almeida traduziu primeiro o NT, o qual foi 
publicado em 1681 em Amsterdã, Holanda.
Na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, 
há um exemplar da 3a Edição do Novo Testamento 
de Almeida, feito em 1712.
r O Antigo Testamento.
Almeida traduziu primeiro o AT até o livro 
de Ezequiel.Foi interrompida a tradução por causa 
de sua morte em 1691.
Ministros do Evangelho da Igreja
Reformada Holandesa, amigos seus, terminaram a 
referida tradução em 1694, e publicaram a tradução 
completa em 1753.
A Sociedade Bíblica Britânica e
Estrangeira, de Londres, começou a publicar a 
tradução de Almeida em 1809, apenas o NT. A Bíblia 
completa num só volume, a partir de 1819. O Texto 
em apreço foi revisado em 1894 e 1925.
A Bíblia de Almeida foi publicada pela 
primeira vez no Brasil em 1944 pela Imprensa 
Bíblica Brasileira, uma organização da Igreja Batista.
A Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira 
foi maravilhosamente usada por Deus na 
disseminação da Bíblia em português, em trabalho 
pioneiro e contínuo, bem como a Sociedade Bíblica 
Americana.
1 Movimento que buscam semelhante universa l idade, pregam a 
união indistinta entre protestantes, católicos, judeus, espír itas, 
budistas, etc.
144
A versão ARC (Almeida Revista e Corrida).
A Imprensa Bíblica Brasileira publicou em 
1951 a edição revista e corrigida, abreviadamente 
conhecida por ARC.
' A versão ARA (Almeida Revista e Atualizada).
Uma comissão de especialistas brasileiros 
trabalhando de 1946 a 1956 preparou a Edição 
Revista e Atualizada de Almeida, conhecida 
abreviadamente por ARA. 0 NT foi publicado em 
1951. 0 AT, em 1958.
A publicação é da Sociedade Bíblica do 
Brasil. Foi usado o texto grego de Nestlé para o NT e 
o hebraico de Letteris para o AT.
Outras Traduções
^ Versão do Padre Antonio Pereira de Figueiredo.
Grande latinista. Editou o NT em 1778 e o 
AT em 1790. Tradução feita em Portugal. Figueiredo 
traduziu da Vulgata Latina.
* A Tradução Brasileira.
Feita por uma comissão de teólogos 
brasileiros e estrangeiros. O NT foi publicado em 
1910 e o AT em 1917. É tradução mui fiel ao 
original. Esgotada, sua publicação foi suspensa em 
1954.
** Humberto Rhoden.
Padre brasileiro, de Santa Catarina. 
Traduziu só o NT. Texto grego: Nestlé. Foi publicado 
em 1935. Esse padre deixou a Igreja Romana. É 
versão muita usada na crítica textual.
145
Matos Soares.
Também padre brasileiro. Traduziu da 
Vulgata. Publicada no Brasil em 1946. Em Portugal 
desde 1933. É a Bíblia popular dos católicos romanos 
de fala portuguesa. Um grave inconveniente, são os 
itálicos muito extensos, e que conduzem a 
preconceitos e tendências.
A versão da Impressa Bíblica Brasileira.
A IBB lançou em 1968, após longos anos 
de cuidadoso trabalho, uma nova versão em 
português, conhecida como VIBB, baseada na 
tradução de Almeida. Nessa versão foram utilizados 
os melhores textos em hebraico e grego.
-r_ " Tradução Novo Mundo".
As Testemunhas de Jeová publicam uma 
versão falsificada de toda a Bíblia - a "Tradução 
Novo Mundo". O texto é mutilado e cheio de 
interpolação1. Foi preparado para apoiar as crenças 
antibíblicas dessa seita falsa.
As Sociedades Bíblicas
Há no Brasil várias entidades evangélicas 
publicadoras e distribuidoras de Bíblias.
v' A primeira é a Imprensa Bíblica Brasileira 
(IBB), fundada em 02/07/1940.
v' A segunda é a Sociedade Bíblica do Brasil 
(SSB), fundada em 10/06/1948, resultante da 
fusão em 1942, das agências que no Brasil 
funcionavam, da Sociedade Bíblica Britânica e 
Estrangeira e da Sociedade Bíblica Americana.
1 Numa cópia, inserção de liberada de e lemento(s) que não 
constava(m) do orig inal.
146
Essa fusão (de 1942 a 1948) denominou-se 
Sociedades Bíblicas Unidas.
A agência da Sociedade Bíblica Britânica e 
Estrangeira no Rio de Janeiro foi a primeira desse 
gênero organizada na América Latina.
A primeira remessa de Bíblias para 
aquisição popular chegou ao Brasil em 1822 - o ano 
da nossa independência política. É significativa essa 
conotação entre a chegada aqui da Bíblia em massa 
e a independência do Brasil.
A primeira, trazendo a emancipação 
espiritual; a segunda, a nacional ou política.
Essa primeira remessa foi de 2000 
exemplares de Bíblias e Novos Testamentos, enviada 
pela Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, com 
sede em Londres. Porto de chegada ao Brasil: Recife.
Em 1855 novas portas se abrem para uma 
maior difusão da Bíblia com a fundação da primeira 
Igreja Evangélica em nossa terra - a 
Congregacional, pelo missionário Roberto Kalley e 
esposa. A partir daí ele desenvolveu grande esforço 
para a divulgação da Bíblia.
Em 1856 foi fundada a primeira agência 
distribuidora de Bíblias no Brasil, pela Sociedade 
Bíblica Britânica e Estrangeira (SBBE). A segunda 
agência foi a Sociedade Bíblica Americana (SBA), 
fundada em 1876. Ambas funcionaram no Rio de 
Janeiro. Antes disso, Bíblias já circulavam no Brasil, 
vindas através de comandantes de navios e entregue 
aos revendedores.
Outro fator marcante foi os distribuidores 
itinerantes (colportores), como é o caso do Rev. 
James Thompson enviado pela SBBE em 1818, que 
viajou muito através das Américas, distribuindo o 
Santo Livro.
147
Outro caso que muito contribuiu para o 
mesmo fim é o do missionário D.P. Kidder, 
metodista, que distribuiu exemplares da Palavra de 
Deus em quase todo o Império do Brasil, a partir de 
1837.
Só na eternidade se revelará o benefício 
que as Sociedades Bíblicas acima mencionadas, 
coadjuvadas por pioneiros indómitos, como os 
mencionados, têm trazido ao Brasil no sentido 
espiritual, social e cultural, mediante a bendita 
semeadura pioneira do Livro de Deus.
Funciona também no Brasil, com sede em 
São Paulo, a Sociedade Bíblica Trinitariana.
A mais antiga Sociedade Bíblica do mundo 
é a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira (SBBE) 
fundada em 1804; a segunda é a Sociedade Bíblica 
Americana (SBA) fundada em 1816.
Na distribuição de Bíblias em todo o 
mundo, o Brasil ocupa o segundo lugar.
Particularidades Sobre o Texto Bíblico em 
Geral e a sua Tradução
-r As palavras em itálico.
Não constam do original. Foram 
introduzidas na tradução para completar o sentido 
do texto. A única versão protestante com itálico é a 
ARC.
Uso da margem.
Muitas Bíblias têm em suas margens, em 
determinados trechos, a tradução literal do hebraico 
e do grego. Às vezes, tem uma tradução diferente 
quando o caso é duvidoso. São muito úteis essas 
notas feitas à margem do texto bíblico.
148
v Datas impressas no texto.
Muitas Bíblias antigas, em português, bem 
como noutras línguas, trazem datas impressas no 
texto. São datas da chamada "Cronologia Aceita" 
elaborada pelo Arcebispo Ussher (anglicano) e 
inseridas pela primeira vez no texto bíblico em 1701. 
Depois de Ussher, surgiram outras cronologias como 
a de Calmet, Hales, etc.
As investigações modernas e descobertas 
arqueológicas têm alterado em muitos pontos a 
cronologia tradicional. A cronologia é terreno 
movediço1, especialmente quanto aos primeiros 
milênios da História.
O sumário dos capítulos.
São preparados pelos editores, e nada tem 
com a inspiração e o texto original. As exceções são 
algumas frases introdutórias de certos Salmos (4; 5; 
6; 7; 8; 9; 22; 32; 45; 46; 53; 69; 75; etc). Tais 
sumários nem sempre correspondem com os 
capítulos aos quais fazem referências.
Há casos até negativos, como a parábola 
dos "Dez Talentos", quando não são dez; a "Parábola 
do Rico e do Lázaro", quando não se trata de 
parábola, e assim por diante.
A divisão em capítulos e versículos.
Não vem do original. A primeira Bíblia que 
trouxe essa divisão foi a Vulgata, em 1555. Em 
muitos casos, a divisão tanto em capítulos como em 
versículos, quebra o sentido, biparte2 o texto e 
altera toda a linha do pensamento.
1 Que se move com facil idade. Pouco firme; instável. Volúvel, 
inconstante.
2 D iv idir em duas partes.
149
Exemplo de capítulos: Isaías 53, que
deveria começar em 52.13; João capítulo 8, deveria 
começar em 7.53; 2Reis 7 deveria começarem 2Reis 
6.24, o capítulo 3 de Colossenses deveria terminar 
em 4.1; o capítulo 10 de Mateus deveria começar em 
9.35; Atos 5 deveria começar em 4.36, etc.
Com a divisão em versículos, acontece a 
mesma coisa, por exemplo: Efésios 1.5 deveria
começar com as duas últimas palavras de 1.4. 
ICoríntios 2.9,10 deveria ser um só versículo; o 
mesmo deveria ocorrer com João 5.39,40. Na 
Epístola aos Romanos, bem como em Efésios, há 
diversos casos desses.
Também, a divisão em versículos não é a 
mesma em todas as versões; por exemplo, Lucas 
20.30 na ARC, corresponde a Lucas 20.30,31 na 
"Tradução Brasileira". Marcos 9.49 deve ficar ligado 
ao versículo 48, e não como está na ARA, tendo a 
epígrafe1 entre os dois versículos.
,Jr' A divisão do texto em parágrafos.
É muito útil para a sua compreensão. O 
Salmo 2, por exemplo, contém 5 parágrafos, tendo 
cada um, aplicação diferente (vv 1-3, 4-6, 7-9, 10- 
12a; 12b). A única versão em português que indica 
os parágrafos é a ARA, com um tipo negrito cada vez 
que isso ocorre.
Há versões noutras línguas que dão tanta 
importância a essa divisão, que, para maior 
comodidade ao leitor, imprimem o próprio sinal 
gráfico para parágrafo (muito parecido com um "P" 
invertido).
1 Títu lo ou frase que serve de tema a um assunto; mote. Curta 
c itação posta no frontisp íc io de livro, na entrada de um 
capítu lo, de uma composição poética, etc.
150
Questionário
S? Assinale com "X" as alternativas corretas
6. Quanto à Septuaginta, é errado afirmar que
a) 0 É a tradução feita do hebraico para o latim
b) HH Foi a primeira tradução da Bíblia
c) D Compreende só o Antigo Testamento
d) E] Foi traduzida em Alexandria, no Egito, cerca de 
285 a.C
7. A Bíblia de Almeida foi publicada pela primeira vez 
no Brasil em 1944 pela
a) CH Sociedade Bíblica do Brasil
b) IZI Sociedade Bíblica Americana
c) D Sociedade Bíblic^ Britânica e Estrangeira
d) Q Imprensa Bíblica Brasileira, uma organização 
da Igreja Batista
8. Seita que publicou uma versão falsificada de toda a 
Bíblia chamada de: "Tradução Novo Mundo"
a) Q A Maçonaria
b) CH O Grupo dos 12
C )S As Testemunhas de Jeová 
d )G Os Mórmons
^ Marque "C" para Certo e "E" para Errado
9. ^1 A Vulgata é a tradução da Bíblia toda, do hebraico 
para o latim, feita por Jerônimo, concluída em 405 
d.C
10. □ A mais antiga Sociedade Bíblica do mundo é a 
Sociedade Bíblica Americana
151
Biblioloqia
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cv%rx
Gráfica e Editora LEX Ltda
Fone/Fax: (44) 3642-I I 88
GUAÍRA - PR.
155
IBADEP - Instituto Bíblico das Igrejas Evangélicas Assembléias de Deus do Estado do Paraná 
Av. Brasil, S/N° - Cx.Postal 248 - Fone: (44) 3642-2581 
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E-mail: ibadep@ ibadep.com - www.ibadep.com

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