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AEAÛEPAR - AssociaçAo Educacional das
Assembléias de Deus no Estado do Paraná
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E s tado do P a r e r a A v . Bras i l . S/N* E le t r o tu l - Cx. P o i t a l
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índice
Lição 1 - A B íb l ia ..................................................... 13
Lição 2 - 0 Cânon da B íb lia .................................... 41
Lição 3 - Inspiração B íb lica .................................... 69
Lição 4 - Revelação Bíblica .................................... 95
Lição 5 - Preservação e Tradução B íb l ic a ............ 125
Referências B ib liográ ficas......................................153
\
A Bíblia
Lição 1
"Cremos na inspiração divina e plena da Bíblia,
bem como na sua infalibilidade e inerrância1,
como única regra de fé normativa para a vida e
o caráter cristão".
Leia (2Tm 3.14-17)
Nos primórdios da civilização o homem
para viver em grupo necessitou de normas que
regulasse os seus direitos e deveres. Surge assim,
após diversas experiências, a constituição que,
transgredida, priva o cidadão dos bens maiores: a
vida, a liberdade, etc.
Semelhantemente no mundo espiritual,
Deus estabeleceu a Bíblia Sagrada como fonte de
vida. A Palavra de Deus liberta da escravidão do
pecado os que vivem na mentira.
Horace Greeley assim define a importância
da Bíblia: "É impossível escravizar mental ou
socialmente um povo que lê a Bíblia".
Os princípios bíblicos são os fundamentos
da liberdade humana: "E conhecereis a verdade, e a
verdade vos libertará" (Jo 8.32).
1 Que não pode errar; infalível. Não errante; fixo.
13
O conhecimento da Bíblia Sagrada posto
em pratica, liberta o ser humano da escravidão do
pecado, pois quem comete pecado é escravo do
pecado.
Necessitamos da Bíblia, pois é alimento
espiritual para nós: "Achando-se as tuas palavras,
logo as comi, e a tua palavra foi para mim o gozo e
alegria do meu coração; porque pelo teu nome me
chamo, ó Senhor, Deus dos Exércitos" (Jr 15.16).
A Escritura é a segurança para
caminharmos no mundo de trevas: "Lâmpada para os
meus pés é a tua palavra e luz para o meu caminho"
(SI 119.105). Muitos andam em trevas por não
conhecerem a luz gloriosa de Deus.
A Bíblia é a maravilhosa biblioteca de Deus
com sessenta e seis livros. É acima de tudo a
verdade para o fatigado peregrino; é hábil, eficaz e
vigoroso cajado.
Para os sobrecarregados e oprimidos pelos
fardos da vida, ela é suave descanso; para os que
foram feridos pelos delitos e pecados, é um bálsamo
consolador. Aos aflitos e desesperados, sussurra
uma alegre mensagem de esperança.
Para os desamparados e arrastados pelas
tormentas da vida é uma âncora segura; para a
solidão, é uma mão repousante [s ic]1 que acalma e
tranqüiliza suas mentes.
O termo Bíblia não existe no texto das
Sagradas Escrituras. O vocábulo "Bíblia" significa
coleção de livros pequenos e deriva da palavra
"biblos", nome dado pelos gregos à folha de papiro
preparada para a escrita.
1 [Lat "assim".]. Adv. Palavra que se pospõe a uma citação, ou
que nesta se intercala, entre parênteses ou entre colchetes,
para indicar que o texto orig inal é bem assim, por errado ou
estranho que pareça.
14
A palavra portuguesa Bíblia vem do grego,
bíblia, que é o plural de "bíblion", livros. A
expressão "Bíblia" foi aplicada às Sagradas
Escrituras por João Crisóstomo, patriarca de
Alexandria. Trata-se de uma coleção de livros
perfeitamente harmônicos entre si.
Tais livros foram reunidos num só volume
através de um longo processo histórico divinamente
dirigido: a sua canonização; isto é, o reverente,
criterioso e formal reconhecimento pela Igreja dos
escritos divinamente inspirados do Antigo e do Novo
Testamento.
Esse conjunto de escritos sagrados passou
a denominar-se cânon ou escrituras canônicas.
A Bíblia é uma Dádiva de Deus
Deus, que antigamente falou "muitas vezes
e de muitas maneiras aos pais" (Hb 1.1), queria que
a sua Palavra não somente ficasse guardada pelos
homens por meio da sua própria experiência com
Deus e pela tradição falada, isto é, os pais contando
aos seus filhos, etc.
Deus ordenou a Moisés: "Escreva isto para
a memória em um livro" (Êx 17.14). Ordem esta que
foi depois repetida durante 1.600 anos por um valor
aproximado de 40 homens inspirados por Deus, e
assim surgiu: "O livro de Deus" (Is 34.16), a
"Palavra de Deus" (Ef 6.17; Mc 7.13), "As Santas
Escrituras" (Rm 1.2), que nós chamamos de Bíblia.
Os que escreveram os livros da Bíblia
receberam as mensagens de diferentes maneiras. Às
vezes Deus disse: "Escreve num livro todas as
palavras que eu tenho dito" (Jr 30.2; 36.2; Hc
2.1,2). Muitas vezes os autores escreveram: "Veio a
mim a palavra de Deus" (Jr 1.4), "palavras da vida
para no-las dar" (At 7.38).
15
Isaías menciona 120 vezes o que o Senhor
lhe fala; Jeremias 430; e Ezequiel 329 vezes. Outros
registram acontecimentos como se escreve história
(Ex 17.14 etc.).
Uns examinaram minuciosamente sobre o
que deveriam escrever (Lc 1.3); outros receberam a
mensagem por revelação (At 22.14-17; Gl 1.11,12,
15,16; Ef 3.1-8; Dn 10.1), sonhos e visões (Dn 7.1;
Ez 1.1, 2Co 12.1-3). Mas, escreveram o que
receberam pela inspiração do Espírito Santo e
podiam dizer: "O que recebi do Senhor também vos
entreguei" (ICo 11.23; 15.3).
As Escrituras produz resultados práticos
indiscutíveis; têm influenciado civilizações,
transformado vidas e trazido luz, inspiração,
conforto a milhões de pessoas. Nelas podemos
confiar a orientação integral de nossa vida e extrair
os fundamentos do bem-estar e liberdade humana. O
Senhor as estabeleceu como: regra, bússola,
alimento e fonte de bênçãos para a vida do crente.
Autenticidade Bíblica
A autenticidade da Bíblia é fundamentada
na infalibilidade e inerrância. Os atributos da
divindade são por ela revelados. Ela é autêntica em
tudo, pois o próprio Deus é o seu autor, o Espírito
Santo, o seu inspirador. Nela são autênticos e
inerrantes as revelações e os fatos narrados.
O racionalismo se opõe vorazmente contra
a autenticidade, infalibilidade e a autoridade da
Bíblia. O ateísmo, assim como o racionalismo, jamais
poderá ofuscar a autenticidade das Escrituras. O
problema do ateu em não querer aceitar a Bíblia
como Palavra de Deus está na forma como ele se
comporta ao ler as Escrituras, pelo fato de não
querer observar o que ela realmente esta dizendo.
16
Uma das principais afirmações da
autenticidade da Bíblia é sustentada por Jesus,
quando diz aos judeus que as Escrituras dão
testemunho dEle (Jo 5.39).
As Escrituras revela sua autenticidade à
menção de Jesus ao profeta Jonas, cujo livro foi
escrito aproximadamente 790 anos antes de Cristo.
Jesus afirma que Jonas esteve no ventre do grande
peixe por três dias e três noites e que o profeta
pregou aos ninivitas.
Portanto, tentar obscurecer a inerrância
das Escrituras é no mínimo um ato grotesco! O
Senhor Jesus Cristo confirmou a sua veracidade:
"Santifica-os na verdade, a tua palavra é a verdade"
(Jo 17.17).
Verificação \/
O Antigo Testamento declara-se escrito sob
inspiração especial de Deus. A expressão "Deus
disse" ou "disse Deus" - como forte indicador da
chancela1 divina nos escritos sagrados é usada mais
de 2.600 vezes na Bíblia. A Lei, os Salmos, os
Profetas, os Evangelhos, as Epístolas, o Apocalipse -
Antigo e Novo Testamento receberam de Deus sua
inspiração.
O Novo Testamento cita as leis antigas e
as menciona com harmonia. Por isso há uma
diferença insondável entre a Bíblia e qualquer outro
livro.Essa diferença deve-se à origem, à forma e à
organização da Bíblia.
Escrita por um valor aproximado de
quarenta autores, num período de mais ou menos
1.600 anos, abrangendo uma variedade de tópicos, a
1 Marca ou sinal que merece confiança e, portanto, faz aceitar
como boa uma afirmação, referência, etc.
17
Bíblia demonstra uma unidade de tema e propósito
que só é possível explicar, considerando que há uma
mente diretriz, uma única fonte inspiradora.
Quantos livros suportam sucessivas
leituras? A Bíblia pode ser lida todos os dias e todas
as horas da vida. Tem o seu lugar reservado em
muitas bibliotecas do mundo, em centenas de
milhares de casas e no coração do homem.
A Bíblia está traduzida em milhares de
idiomas e dialetos e é lida em todos os países do
mundo. O tempo não à afeta. É um dos livros mais
antigo do mundo e ao mesmo tempo moderno.
As defesas intelectuais da Bíblia têm o seu
lugar, mas, o melhor argumento é o prático.
Como as Escrituras Chegaram Até Nós J
A história de como a Bíblia chegou até nós,
na forma em que a conhecemos, é longa e
fascinante. Começa com os manuscritos originais ou
"autógrafos", como são às vezes chamados. Textos
originais foram escritos por homens movidos pelo
Espírito Santo (2Tm 3.16; 2Pe 1.20,21).
Céticos1 declaram que Moisés não poderia
ter escrito a primeira parte da Bíblia porque a escrita
era desconhecida na época (1500 a.C.). A ciência da
arqueologia2 provou desde então que a escrita já era
conhecida milhares de anos antes dos dias de
Moisés.
Os sumérios já escreviam cerca de 4000
a.C., e os egípcios e babilônios quase nessa mesma
época.
1 Que duvida de tudo; descrente.
2 O estudo científ ico do passado da humanidade, mediante os
testemunhos materiais que dele subsistem.
18
Divisão e Classificação
As Escrituras formam uma unidade
perfeita. A palavra Bíblia significa: conjunto de livros
e neste aspecto, forma o Livro dos livros, por se
tratar da revelação de Deus aos homens.
Por causa de sua perfeita unidade, a Bíblia
é uma biblioteca e um livro ao mesmo tempo. Possui
vários nomes em seu próprio conteúdo, a saber:
Escritura (Mt 21.42); Sagradas Escrituras (Rm 1.2);
Livro do Senhor (Is 34.16); A Palavra de Deus (Mc
7.13); A Lei e os Profetas (Js 1.7,8; Ne 8.3,4,18);
Oráculos de Deus (ARA Rm 3.2; Hb 5.12), etc.
A Bíblia é dividida em Antigo e Novo
Testamento, com um total de 66 livros. Uma divisão
detalhada pode ser visualizada no quadro logo
abaixo:
“ 3 S L
N° Livros 39 27 66
N° Capítulos 929 260 1.189
N° Versículos 23.214 7.959 31.173
Livro Central Pv 2Ts Mq e Na
Capítulo Central Jó 29 Rm 13 e 14 SI 117
Livro Mínimo Ob 3Jo 3Jo
Versículo Mínimo
Êx 20.13
Dt 5.17
Jo 11.35
Êx 20.13
Dt 5.17
Os livros das Escrituras estão classificados
por assunto, sem ordem cronológica. O Antigo e o
Novo Testamento se dividem em 4 partes.
^ Antigo Testamento:
I a) Lei. Os cincos primeiros livros da Bíblia,
chamados de O Pentateuco, traz a revelação
da criação e mostram todo o cuidado de
19
Deus em manifestar a lei, código de
disciplina espiritual, civil e moral para seu
povo.
2a) História. Do livro de Josué ao de Ester, é
formado um conjunto de doze livros, que nos
traz a história do Povo de Deus (Israel) em
suas diversas fases ou períodos, após o
estabelecimento em Canaã.
3 a) Poesia. De Jó a Cantares de Salomão,
encontramos a poesia bíblica, em forma de
revelação, adoração e conhecimento de
Deus.
4a) Profecia: De Isaías até Malaquias, temos a
revelação profética, que dividida em:
a) Profetas Maiores - Isaías à Daniel;
b) Profetas Menores - Oséias à Malaquias.
r Novo Testamento:
I a) Biografia. O NT se inicia com os quatros
Evangelhos trazendo-nos a vida maravilhosa
de Jesus Cristo. Três deles formam um
paralelismo no Ministério de Cristo e são
chamados Sinópticos1.
2a) História. A história do Novo Testamento é a
história da Igreja, revelada em Atos dos
Apóstolos.
3a) Doutrina. As Epístolas ou Cartas, de
Romanos a Judas, mostra de maneira
esclarecedora todos os mandamentos do
Senhor Jesus Cristo à sua Igreja.
1 Os Evangelhos de S. Mateus, S. Marcos e S. Lucas, assim
chamados porque permite uma vista de conjunto, dada a
semelhança de suas versões.
20
4a) Profecia. No Apocalipse, Deus revela o
encerrar de todas as coisas sobre a ég ide1 de
um Senhor Soberano Eterno, Glorioso e
revela manifestação pessoal de Jesus Cristo
e sua vitória final.
Valor Espiritual das Escrituras
"O Valor da Palavra de Deus é inestimável!
Seu valor excede a todas as coisas. O valor
espiritual está naquilo que é " .
m m m m ■ << 1 * * ^ a w 'h a r ■ r— 5 w g~ ; »
Os seres humanos têm experimentado o
valor da Palavra de Deus em suas vidas. Pessoas
dantes2 materialistas, céticas, indiferentes, alienadas
e párias3 da Sociedade, encontraram com a Palavra
de Deus foram transformadas, abençoadas,
vivificadas (Ef 2.1) e valorizadas.
'•*' Seu valor como Livro:
Qual o valor de um livro, capa, volume,
acabamento? Ou conteúdo? A Bíblia não é um mero
livro, e sim "O Livro de Valor", seu conteúdo
ultrapassa todos os limites do homem, suas palavras
vieram do céu (SI 119.89). São palavras que
produzem vida (Jo 6.63).
Desde o princípio Deus estabeleceu que
suas Palavras fossem escritas em um livro (Êx
17.14). Havia em Israel outros livros, principalmente
o livro histórico dos Reis (2Cr 35.27). Entretanto o
livro que trouxe avivamento em Judá foi o Livro do
Senhor (2Rs 23.2,3), no tempo do Rei Josias.
1 Escudo; defesa, proteção. Abrigo, amparo, arrimo.
2 Antes, anteriormente.
3 Fig. Homem exclu ído da sociedade.
21
Ao retornarem do cativeiro, os poucos
judeus que vieram a Jerusalém fizeram um grande
ajuntamento na praça (Ne 8.3), onde Esdras, o
Sacerdote, trouxe o livro de Deus e abriu diante do
povo (Ne 8.5), o que trouxe um grande
despertamento para o povo de Deus (Ne 8.17).
Nos dias do profeta Jeremias, Deus
ordenou que sua Palavra fosse escrita num livro (Jr
36.2), e fossem lidas diante do povo (Jr 36.6).
Daniel descobriu o número de anos do
cativeiro pelos livros (Dn 9.2), certamente o livro
dos profetas, e começou a orar para a libertação do
povo do cativeiro (Dn 9.3).
O Senhor Jesus Cristo deu importância e
valor ao livro divino, em Nazaré, foi à sinagoga e leu
o livro do profeta Isaías aos ouvidos do povo (Lc
4.17), ratificando1 o valor e o cumprimento da
profecia (Lc 4.21).
Deus, na sua sabedoria, proporcionou uma
coleção de livros para o seu povo em todo o mundo:
A Bíblia (Jo 21.25).
Seu valor como Alimento:
Como o corpo físico precisa do alimento,
nosso espírito e alma necessitam do alimento
espiritual (Dt 8.3). Este é o princípio estabelecido
por Deus para o seu povo valorizar a Palavra como
alimento.
O próprio Senhor Jesus confirmou a
Palavra do Pai, diante de Satanás (Mt 4.4). "Nem só
de pão...".
A Palavra de Deus, como alimento
espiritual, é comparada ao:
1 Confirmando autenticamente, va lidando (o que já fora
prometido).
22
s Mel - O Salmo 19.10b nos apresenta a Palavra
"mais doce do que o mel", ele fala do sabor
espiritual da Bíblia, o mel é um alimento
completo.
s Leite - O primeiro alimento do recém-nascido é
também indicado para aqueles que iniciam na fé
cristã (Hb 5.13).
O escritor aos Hebreus fala de crentes que
com o tempo de vida cristã já deveriam provar
alimentos sólidos, entretanto ainda precisam de leite
(Hb 5.12). Toda doutrina, e os primeiros rudimentos1
da Palavra de Deus, são como leite espiritual para os
que nasceram de novo (Jo 3.3). Alimento sólido é
para aqueles que superaram a infância espiritual.
r Seu valor como Guia:
Segundo o dicionário, a palavra guia,
dentre outras coisas significa, caderno ou livro, que
contém indicaçõesúteis acerca de lugares, horários,
roteiros, etc.
Ao examinarmos as Escrituras,
encontramos o fiel e perfeito roteiro de Deus que
ajuda-nos alcançar: uma vida plena em Sua
presença e um caminho certo para chegarmos às
mansões celestiais (Jo 14.6).
Quando Deus retirou o povo de Israel do
Egito, para orientá-los acerca de sua vontade, deu-
lhes a Lei, que consistia em um guia espiritual,
moral e pessoal para cada família de Israel (Dt
4.5,6).
A Bíblia é o livro por excelência que nos
leva a salvação (At 4.12), nos conduz a uma vida de
vitória (Rm 8.37), nos ensina a cerca da vida,
1 Elemento inicial; princípio, começo; esboço: Primeiras noções;
p r in c íp io s :
23
orienta-nos diante das circunstâncias boas ou ruins
(Lc 12.22-34).
Constitui-se num guia perfeito para as
famílias, colocando a ordem de Deus em nossas
vidas (Ef 6.1-4); orienta empregados (Ef 6.5-8),
patrões (Ef 6.9) e muitos outros assuntos.
A Bíblia orienta-nos quando não sabemos
como fazer (ICo 10.23) e ensina-nos acerca da
vontade de Deus para com nossas vidas (Ef
5.17,18).
7 Seu valor Espiritual:
Os dias de hoje é marcado por uma
verdadeira corrida ao mundo espiritual. Cremos ser
um dos sinais da vinda de Cristo. Cabe à Igreja do
Senhor aproveitar este momento e disseminar1 a
Palavra de Deus, só ela tem valor espiritual para
estes dias de crise.
O Valor espiritual da Bíblia consiste em ser
Alimento do espírito (Rm 7.22), pão que desceu do
céu e que produz vida (Jo 6.58).
Nestes dias de indefinições para muitos a
Bíblia viva e eficaz é como espada que penetra até a
divisão da alma e espírito discernindo todas as
coisas (Hb 4.12).
Testifica com nosso espírito confirmando
nossa posição em Cristo (Rm 8.16). Ela produz fé
nos corações (Rm 10.17), estimula a crer nas
promessas de Deus, e mostra um Senhor fiel e
cumpridor de suas palavras (Hb 10.23).
O livro dos Salmos registra algo
importante acerca do mundo espiritual (SI 89.48).
Este versículo fala do poder do mundo invisível, e
pergunta: "Quem livra a sua alma?” .
1 Semear ou espalhar por muitas partes: Difundir, d ivulgar,
propagar; espalhar:
24
Devemos estar sempre ligados no poder da
oração, da fé, do nome de Jesus (Mc 16.17), que nos
dá vitória sobre este mundo maligno (Ef 6.12).
Para muitos a Bíblia não valor algum (ICo
2.14). Mas o homem espiritual, aquele cujos olhos
estão abertos, pode discernir o valor precioso das
Escrituras (ICo 2.15,16).
Apenas o Espírito Santo pode nos levar a
compreender o valor espiritual da Palavra de Deus.
Jesus declarou acerca disso em João 14.26, Dizendo:
"Ele vos ensinará todas as coisas".
25
Questionário
S? Assinale com "X" as alternativas corretas
1. A expressão "Bíblia" foi aplicada às Sagradas
Escrituras por
a) 0 João, o apóstolo
b) [U João Batista
c) D João Calvino
d) 0 J o ã o Crisóstomo
2. Profeta que Jesus fez menção para confirmar a
autenticidade das Escrituras
a) 0 Jonas
b) [U Daniel
c) D Miquéias
d) E] Naum
3. Quanto às divisões do AT, é incerto dizer que:
a) EH A 4a parte são os livros proféticos divididos
em: Profetas Maiores e Menores
b) D A 3a parte são os livros que vão de Jó até
Cantares de Salomão denominados poéticos
c) 0 A 2a parte são os livros históricos que trazem
a revelação da criação
d) 0 A I a parte é a Lei, que são os cincos primeiros
livros da Bíblia, chamados de: O Pentateuco
4? Marque "C" para Certo e "E" para Errado
4. [?~1 A arqueologia provou que a escrita não era
conhecida antes dos dias de Moisés
5.IZI1 A Palavra de Deus, como alimento espiritual, é
comparada ao mel e ao leite
26
Unidade Singular
A Bíblia em sua perfeita unidade, só pode
ser explicada como um perfeito milagre de Deus. A
maneira como foi escrita sob diversas circunstâncias
e tudo com perfeição uniforme em mensagem e
conteúdo; só pode ser considerada como, um livro
divino!
Ninguém sabe como estes 66 livros
divinos se encontram num só volume, isto é obra de
Deus. Qualquer outra obra literária nas
circunstâncias da Bíblia seria como uma verdadeira
Babel (confusão).
Num período de quase 16 séculos, os
escritores inspirados, vivendo sob diversas
circunstâncias e em lugares distintos e distantes
(três continentes), escrevendo em duas principais
línguas, trouxeram-nos a revelação de Deus - A
B íb lia .
•*" A diversidade de escritores:
Deus usou para escrever sua Palavra,
homens de atividades variadas, razão que
encontramos os mais diversos tipos de linguagem na
Bíblia. Abaixo segue alguns exemplos de escritores
bíblicos com suas respectivas ocupações:
|p rofíssã S^Ocüaaç ã o Í3 ÊM
Moisés Cientista At 7.22
Josué Soldado Ex 17.9
Davi Pastor de ovelhas e Rei 2Sm 7.8; 8.15
Salomão Rei e poeta Ec 1.12
Isaías Estadista e profeta Is 6.8
Daniel Ministro do rei Dn 2.49
Zacarias Profeta Zc 1.1
Jeremias Profeta Jr 1.5
27
Amós Boiadeiro e cultivador Am 7.14,15
Ped ro Pescador Mt 4.18
Tiago Pescador Mt 4.21
João Pescador Lc 5.10
Paulo Doutor da lei At 22.3
Muitos outros homens foram usados por
Deus para revelar-nos sua Palavra. Apesar da
diversidade de atividades, ao examinarmos os
escritos destes homens, observamos como eles se
completam.
Na verdade não foram escritos muitos
livros, mais sim um só livro, a maravilhosa Palavra
de Deus (SI 119.152).
» A diversidade de condições:
O Deus Soberano permitiu que sua Palavra
fosse esc rita em diversas condições, certamente
para nos mostrar hoje, que Ele está no controle de
tudo.
Por exemplo, a Bíblia foi escrita:
s Na i:idade;
s Nos desertos como Elias ( lR s 19.4,5);
s Nas ilhas co mo João escreveu (Ap 1.9);
s Nas prisões como Paulo escreveu (Fm 1.1).
Entretanto a mensagem é uma só: "Como a
luz da aurora, que vai brilhando mais e mais, até ser
dia perfeito" (Pv 4.18), esta perfeição é exclusiva no
livro divino - A Bíblia Sagrada.
' A diversidade de circunstâncias:
Desencontradas foram às circunstâncias
em que foram escritos os livros da Bíblia. Davi,
homem segundo o coração de Deus, escreveu, por
exemplo, o Salmo 24, quando trazia a arca de Deus
28
à Jerusalém. Salomão certamente escreveu na
tranqüilidade do palácio ( lR s 4.32-34). Josué
escreveu após grandes conquistas (Js 24.26).
Apesar da diversidade de situações, a
mensagem, a doutrina e o tema central são um só.
9 Autor da Bíblia:
Nenhum homem, ímpio, justo, piedoso ou
mesmo judeu, seria o autor da Bíblia. Certamente
estes homens não fariam um livro que falasse dos
seus fracassos, derrotas, pecados, idolatrias e
rebeliões contra Deus.
Deus, verdadeiramente é o autor deste
livro maravilhoso e infalível que revela a salvação,
libertação e transformação do homem em uma nova
criatura (2Co 5.17).
As evidências confirmam o efeito e a
influência da Bíblia em pessoas e nações. A Palavra
de Deus tem influenciado e melhorado o mundo, pelo
caráter que molda na vida das pessoas.
Muitos dantes incrédulos, indiferentes,
viciados, idólatras, supersticiosos, que aceitaram
este livro, foram por ele transformados, salvos,
libertos e santificados. Nenhum outro livro tem
poder de transformar pessoas, lares e nações (At
19.18-19), como a Palavra de Deus.
A Mensagem das Escrituras
Deus na sua presciência estabeleceu sua
Palavra, de modo que ela abrange o passado, o
presente e o futuro.
As necessidades dos homens durante todo
o tempo, tem sido as mesmas durante sua existência
na terra. Somente uma palavra atual, poderia suprir
as necessidades humanas.
29
Em Hebreus 4.12, diz que a Palavra de
Deus "é viva e eficaz", sua mensagem, seu poder, se
cumpre a cada dia na vida daqueles que a buscam
como verdadeiro refúgio em dia de tempestade (cf.
Is 32.2).
1. Apresenta Deus como criador e Senhor de tudo.
As Escrituras testificamda existência de
Deus e tudo o que Ele fez, faz e fará. Toda a criação
está sujeita a Ele e depende dEle.
O Eterno converge todas as coisas para a
sua glória e alegria do seu povo. Vários textos
confirmam estes fatos: Gênesis 1.1; Salmos 95.6;
104.30; Isaías 40,26; Efésios 3.9; Apocalipse 10.6.
2. Apresenta sem reserva a verdade e a realidade
do pecado.
Nenhum outro livro tem o poder de revelar
o pecado e seu caráter maligno como a Bíblia. Ela
não filosofa sobre o pecado, mas trata-o com clareza
e o expõe sem qualquer reserva, como uma dívida
do homem contraída com Deus (Rm 1.18-32; 3.23;
5.12). 3
3. Apresenta o plano de salvação para o homem.
As religiões intentam salvar o homem
pelos seus próprios méritos; entretanto, a salvação
só é possível através da solução única apresentada
na Bíblia.
A redenção humana foi planejada no céu
pelo Pai, consumada na terra pelo Filho e é oferecida
pelo Espírito Santo (Tt 3.5).
Só Deus através de sua poderosa Palavra,
mediante o sangue remidor de seu Filho pode
resgatar o homem da perdição eterna (At 4.12; Lc
19.10).
30
4. A Bíblia tem mensagem para os nossos dias.
A Bíblia define os dias de hoje como: dias
maus (Ef 5.16), de aflições, tempos trabalhosos.
Temos visto o clamor do povo e até mesmo da
Igreja, face aos acontecimentos mundiais.
A primeira grande mensagem da Bíblia
para nós é sobre a fé. A Bíblia é um livro de fé e em
suas páginas temos lições de fé. A fé bíblica dissipa
todas as coisas: incertezas, dúvidas, temores,
angústias, depressões, num mundo onde as pessoas
andam tateando. A fé vê o invisível (Hb 11.27).
Quando muitos estão caindo e se prostrando diante
das situações, os que têm fé estão de pé (2Co 1.24).
Onde encontrar fé num mundo de
incredulidade? Na Palavra de Deus!
Outra grande mensagem bíblica para os
dias atuais é a mensagem de revestimento
espiritual. Muitas pessoas têm fé, entretanto não
estão revestidas.
O apóstolo Paulo afirma em Efésios 6.13:
"Portanto tomai toda a armadura de Deus". Fé sem
revestimento nos traz decepções. Todos os homens
de fé que a Bíblia registra, precisaram do
revestimento de Deus para a peleja (At 7.55).
O mundo atual é um mundo vazio. São
corações vazios de Deus, e muitas vezes, cheios do
diabo. Diz em Romanos 13.14, "Mas revesti-vos do
Senhor Jesus Cristo, e não tenhais cuidado da carne
em suas concupiscências".
A fé e o revestimento do Espírito Santo,
portanto, são duas grandes necessidades. Jesus
disse aos discípulos "Quando, porém vier o Filho do
homem, porventura achará fé na terra?" (Lc 18.8).
Não esqueça o revestimento que Deus tem para dar
( lT s 5.8).
31
5. A Bíblia tem esperança para nossos dias.
Uma outra grande mensagem da Bíblia
para nossos dias é sobre a esperança. Deus é Deus
de esperança (Rm 15.13), e gostaria que seus filhos
fossem cheios de esperança.
Vemos, porém o contrário, vidas
desesperadas, sem Deus, estranhos a tudo que é
espiritual (Ef 2.12). Esperança é uma dádiva de
Deus, que nem todos conhecem.
Jeremias, o profeta das lágrimas disse:
"Bom é ter esperança, e aguardar em silêncio a
salvação do Senhor" (Lm 3.26).
Esperança é motivo de alegria na vida
daqueles que a têm. A esperança produz uma série
de bênçãos (Jr 17.7,8). O mundo necessita de
mensagens de esperança. Sem ela o mundo tem
vivido em constantes sofrimentos ( lT s 4.13).
Cabe, portanto à Igreja, portadora dessa
mensagem, divulgá-la com todos os recursos
possíveis, pois esperança é uma das virtudes que
permanecem (ICo 13.13); é algo que incentiva a
viver na presença de Deus, esperança para os salvos
é vida, é regeneração. Fomos regenerados para uma
viva esperança (IPe 1.3).
Esperança precisa ser explicada àqueles
que procuram saber sua razão de viver.
A esperança dos salvos tem uma razão
(IPe 3.15), que leva-nos a viver uma vida de
santificação na presença do Senhor, esperando-o a
cada dia ( lJo 3.3), pacientemente como o lavrador
espera pelos frutos.
Finalizando, podemos entender que a vida
eterna em Cristo Jesus, torna-se o maior resultado
de esperança na vida do cristão (Tt 1.2).
32
6. A Bíblia tem salvação para os nossos dias.
O que mais precisa o mundo moderno?
Temos uma visão que em quase todas as áreas da
vida humana tem havido progresso tecnológico,
científico e humano. Entretanto, na área moral,
pessoal, social, familiar e outras, o homem necessita
de salvação. E salvação é com a Palavra de Deus.
Não vamos encontrar outro livro que nos
mostre de maneira tão simples e clara tudo o que
precisamos para nos tornar salvos.
A Bíblia nos mostra que a salvação é um
ato de fé (Ef 2.8), da parte do homem, e um ato da
graça partido de Deus. Em suma, o homem por meio
da fé, Deus o encontra com a graça (At 16.31).
Precisamos testificar àqueles que estão
próximo de nós que a salvação é necessária nos dias
de hoje. Salvação é uma palavra abrangente, pois
quando somos salvos, sentimo-nos seguros em Deus
(SI 91.1) de todo o poder do pecado contra nossas
vidas (Rm 6.14), somos resgatados acima de tudo
das garras do diabo.
Em Atos 26.18, diz que o Senhor Jesus nos
livrou do poder de Satanás, e nos converteu a Deus.
Tal experiência tem acontecido hoje, em nossos dias
com milhares de vidas, que, dantes presas, agora
libertas em Cristo Jesus, foram livres do presente
século mal, segundo a vontade de Deus, nosso Pai
(Gl 1.4). 7
7. Salvação abrange também o futuro.
A Bíblia nos fala sobre a ira vindoura,
quando Deus julgará os atos dos homens dissolutos
e maus que desprezam sua salvação em Cristo (Rm
2.5), e salvando de maneira gloriosa e poderosa,
todos aqueles que em Cristo fizeram confissão de
sua fé em Deus (Rm 10.10).
33
Esta salvação final é descrita na carta aos
Romanos, capítulo 8 quando Paulo diz: Porque
sabemos que toda a criação geme e está juntamente
com dores de parto até agora, e continuando afirma
que não somente a criação, mas todos nós que
temos as primícias do Espírito, também gememos
esperando a redenção do nosso corpo.
Esta redenção final se dará no
arrebatamento da Igreja, quando seremos
transformados à semelhança do corpo de Jesus (Fp
3.21), e estaremos para sempre como o Senhor.
8. A Bíblia tem santificação para nossos dias.
A santificação bíblica é um dos aspectos de
nossa salvação em Jesus Cristo. É descrita na Bíblia
não como um mandamento apenas, mas sim como a
vontade de Deus ( lT s 4.3). Santificação tem estado
nos propósitos eternos de Deus.
Paulo afirma em Efésios 1.4, que antes da
fundação do mundo, Deus planejou nossa
santificação. Santificação é coisa tão séria, que o
escritor aos Hebreus escreve numa linguagem clara e
fácil: "Sem santificação, ninguém verá o Senhor" (Hb
12.14).
Assim sendo, quando o povo de Deus se
reúne, Deus nos vê como uma congregação de
santificados, que desejam cada dia mais e mais de
seu Pai Celestial (Mt 6.9). A vida do povo de Deus é
uma vida de santificados, pois a todo o momento
esperam a volta do Senhor Jesus (Fp 4.5).
Infelizmente, hoje, muitos têm desprezado
a santificação. Cremos ser isto uma investida do
inimigo na vida do povo de Deus. A falta de
santificação muito tem atrapalhado a operação de
Deus no meio do seu povo (Js 3.5).
34
A santificação começa no interior do
crente. É obra do Espírito Santo, que deseja nos
preparar a cada dia para o arrebatamento da Igreja
( lT s 5.23).
A Inerrância das Escrituras
Inerrância não significa que os escritores
eram infalíveis, mas que seus escritos foram
preservados de erros. Inerrância significa que a
verdade é transmitida em palavras entendidas no
sentido que foram empregadas, não expressava erro
algum.
O conceito de inerrância das Escrituras
contraria alguns críticos modernos que não aceitam
a infalibilidadedas Escrituras. Tais críticos julgam
haver erros nas Escrituras em razão de encontrarem
nelas palavras divinas e humanas.
Para nós que cremos na inspiração plena
das Escrituras estamos convictos que as dificuldades
nela encontradas não representam erros e,
geralmente, são explicadas pelos textos paralelos
encontrados em toda a Bíblia.
A verdade divina revelada nas Escrituras é
apresentada de modo explícito, certo e transparente.
O ensino genuíno das Escrituras não tem
discrepâncias1 doutrinárias; é único em todo o
mundo e adaptável a qualquer cultura (Jo 17.17; lR s
17.24; SI 119.142,151; Pv 22.21).
‘r A infalibilidade das Escrituras.
As Escrituras é a infalível Palavra de Deus.
A sua infalibilidade tem sido alvo de muita
contestação, especialmente entre os chamados
"racionalistas" que idolatram a razão humana, sem
1 Desacordos, divergênc ias, discórdias.
35
perceberem que ela é falha, afirmam que o
racionalismo científico, com seus métodos de estudo
e pesquisa, será capaz de analisar e responder todas
as indagações do homem. Porém, são
completamente limitados quando analisam coisas
espirituais, além da matéria.
A ciência é incapaz de estudar elementos
que não são pesados ou medidos, como a alma
humana. Portanto, o poder sobrenatural das
Escrituras não pode ser analisado em laboratório,
porque se refere a algo espiritual.
A autoridade divina e humana das Escrituras.
Indiscutivelmente a Bíblia tem dupla
autoridade. A autoridade divina é demonstrada pela
infalibilidade das Escrituras, uma vez que elas têm
origem em Deus e é a expressão de sua mente.
A autoridade humana é reconhecida pelo
fato de Deus ter escolhido pelo menos 40 homens,
os quais receberam a sua Palavra e a transmitiram
na forma escrita.
Teorias Evangélicas de Inerrância * S
■r Posição: Inerrância Limitada
t Proponente: Daniel Fuller, Stephen Davis e
William Lasor.
S Formulação do conceito:
A Bíblia é inerrante somente em seus ensinos
doutrinários salvíficos. A Bíblia não foi criada
para ensinar ciência ou história, nem Deus
revelou questões de histórias a compreensão da
sua cultura e, portanto, pode conter erros.
36
®" Posição: Inerrância Plena
t Proponente: Harold Lindsell, Roger Nicole e
Millard Erickson.
S? Formulação do conceito:
A Bíblia é plenamente veraz em tudo o que ensina
e afirma. Isso se estende tanto à área da história
quanto da ciência. Não significa que a Bíblia tem
o propósito primário de apresentar informações
exatas acerca de história e ciência. Portanto, o
uso de expressões populares, aproximações e
linguagens fenomênicas são reconhecidos e
entendidos no sentido de cumprir com o requisito
da veracidade. Assim sendo, as aparentes
discrepâncias podem e devem ser harmonizadas.
* Posição: Irrelevância da Inerrância
t Proponente: David Hubbard
Formulação do conceito:
A inerrância é substancialmente irrelevante por
várias razões:
x A inerrância é um conceito negativo. A nossa
concepção da Escritura deve ser positiva;
x A inerrância não é um conceito bíblico;
x Na Escritura, erro é uma questão espiritual ou
moral, e não intelectual;
x A inerrância concentra a nossa atenção nos
detalhes, e não nas questões essenciais da
Escritura;
x A inerrância impede uma avaliação honesta
das Escrituras;
x A inerrância produz desunião na Igreja.
37
^ Posição: Inerrância de Propósito
í Proponente: Jack Rogers e James Orr
Formulação do conceito:
A Bíblia é isenta de erros no sentido de
concretizar o seu propósito primário de levar as
pessoas a uma comunhão pessoal com Cristo.
Portanto, a Escritura é verdadeira (inerrante)
somente na medida em que realiza o seu
propósito fundamental, e não por ser factual ou
precisa naquilo que assevera. (Esta concepção é
semelhante à Irrelevância da Inerrância, a
próxima abordagem).
38
Questionário
^ Assinale com "X" as alternativas corretas
6. Quanto aos homens de atividades variadas que
Deus usou-os na escrita de sua Palavra, é incerto
dizer que
a) [H Paulo era doutor da lei
b) 0 Ageu era boiadeiro e cultivador
c) D Pedro, Tiago e João eram pescadores
d) C] Moisés era um cientista e Josué um soldado
7. É incorreto dizer que a esperança é
a) LZI Algo que incentiva a vivermos na presença de
Deus
b) D É vida para os salvos - é regeneração
c) CD Uma das virtudes que permanecem
d) [7] Uma dádiva de Deus que todos conhecem
8. Teoria de inerrância que afirma em ser a Bíblia
inerrante somente em seus ensinos doutrinários
salvíficos
a) EH Inerrância Plena
b) íxl Inerrância Limitada
c) D Inerrância de Propósitod) 1ZZI Irrelevância da Inerrância
/<? Marque "C" para Certo e "E" para Errado
9.l~1 A Bíblia nos mostra que a salvação é um ato de fé
da parte do homem e um ato da graça partido de
Deus
10.m A ciência é capaz de estudar elementos que não
são pesados ou medidos, como a alma humana
39
O Cânon da Bíblia
Lição 2
Quais são os escritos pertencentes à
Bíblia? Que diremos dos chamados: Livros ausentes?
Como foi que a Bíblia veio a ser composta de 66
livros?
Essa é a questão do cânon das Escrituras,
que pode ser definido da seguinte maneira: Cânon
ou Escrituras Canônicas é a coleção completa dos
livros divinamente inspirados, que constituem a
Bíblia. Esse assunto intitula-se canonicidade. Trata-
se do segundo grande elo da corrente que vem de
Deus até nós.
A inspiração é o meio pelo qual a Bíblia
recebeu sua autoridade; a canonização é o processo
pelo qual a Bíblia recebeu sua aceitação definitiva.
Uma coisa é o profeta receber uma mensagem da
parte de Deus, bem diferente é tal mensagem ser
reconhecida pelo povo de Deus.
Canonicidade é o estudo que trata do
reconhecimento e da compilação dos que nos foram
dados por inspiração de Deus. Não devemos
subestimar1 a importância dessa questão. As
1 Não dar a devida estima, apreço, valor, a; não ter em grande
conta; desdenhar.
41
palavras das Escrituras são as palavras pelas quais
nutrimos nossa vida espiritual. Portanto, re
afirmamos o comentário de Moisés ao povo de Israel
a respeito da lei de Deus: "Porque esta palavra não
é para vós outros, coisa vã; antes, é a vossa vida; e,
por esta mesma palavra, prolongareis os dias na
terra à qual, passando o Jordão, ides para possuí-la"
(Dt 32.47).
Aumentar ou diminuir as palavras de Deus
impediria o seu povo de obedecer-lhe plenamente,
pois as ordens retiradas não seriam conhecidas pelo
povo, e as palavras acrescentadas poderiam exigir
das pessoas coisas que Deus não ordenou. Por isso,
Moisés advertiu o povo de Israel: "Nada
acrescentareis à palavra que vos mando, nem
diminuireis dela, para que guardeis os mandamentos
do Senhor, vosso Deus, que eu vos mando" (Dt 4.2).
A determinação precisa da extensão do
cânon das Escrituras é, portanto, de extrema
importância. Para que possamos confiar em Deus e
obedecer a Ele, precisamos de uma coleção de
palavras sobre as quais temos certeza ser as
palavras do próprio Deus para nós.
Se houver qualquer trecho das Escrituras
sobre os quais tenhamos dúvidas, não vamos aceitar
que tenham autoridade divina absoluta nem confiar
nelas na mesma medida em que confiamos no
próprio Deus.
O Termo "Cânon"
O termo "cânon" é proveniente do grego,
no qual kanon significa cana, regra, lista - um
padrão de medida, que por sua vez, se origina do
hebraico kaneh, palavra do Antigo Testamento que
significa "vara ou cana de medir" (Ez 40.3).
42
Em época anterior ao cristianismo, essa
palavra era usada de modo mais amplo, com o
sentido de padrão ou norma além de cana ou
unidade de medida. Com relação à Bíblia, diz
respeito aos livros que estavam de acordo com o
padrão e foram dignos de inclusão.
Desde o século IV, o vocábulo kanon é
usado pelos cristãospara indicar uma lista
autoritária de livros que pertencem ao Antigo ou ao
Novo Testamento.
No sentido religioso, cânon não significa
aquilo que mede, mas aquilo que serve de norma,
regra. Com este sentido, a palavra cânon aparece no
original em vários lugares do Novo Testamento (Gl
6.16; 2Co 10.13,15; Fp 3.16). A Bíblia, como o
cânon sagrado, é a nossa norma ou regra de fé e
prática.
Diz-se dos livros da Bíblia que são
canônicos para diferençá-los dos apócrifos. O
emprego do termo cânon foi primeiramente aplicado
aos livros da Bíblia por Orígenes (185-254 d.C.).
A Canonicidade é Determinada Pela
Inspiração
Os livros da Bíblia são considerados
valiosos porque provieram de Deus - fonte de todo
bem. O processo mediante o qual Deus nos concede
sua revelação chama-se inspiração.
E a inspiração de Deus num livro que
determina sua canonicidade. Deus dá autoridade
divina a um livro, e os homens de Deus o acatam;
revela, e seu povo reconhece o que o Ele revelou.
A canonicidade é determinada por Deus e
descoberta pelos homens de Deus. A Bíblia constitui
o "cânon", ou "medida" pela qual tudo mais deve ser
43
medido e avaliado pelo fato de ter autoridade
concedida por Deus.
Sejam quais forem as medidas (i.e., os
cânones) usadas pela Igreja para descobrir com
exatidão que livros possuem essa autoridade
canônica ou normativa, não se deve dizer que
"determinam" a canonicidade dos livros.
Dizer que o povo de Deus, mediante
quaisquer regras de reconhecimento, "determina"
que livros são autorizados por inspiração de Deus só
confunde a questão. Só Deus pode conceder a um
livro autoridade absoluta e, por isso mesmo,
canonicidade divina. Veja abaixo dois sentidos
importantes:
v O sentido primário da palavra cânon aplicado
às Escrituras é aplicado na acepção ativa, i.e., a
Bíblia é a norma que governa a fé.
v o sentido secundário, segundo o qual um livro
é julgado por certos cânones e é reconhecido
como inspirado (o sentido passivo), não deve
ser confundido com a determinação divina da
canonicidade. Só a inspiração divina determina
a autoridade de um livro, i.e., se ele é canônico,
de natureza normativa.
O Surgimento do Cânon
A doutrina da inspiração bíblica foi
completamente desenvolvida apenas nas páginas do
Novo Testamento. Mas, muito antes disso, já
encontramos na história de Israel certos escritos
reconhecidos como autoridade divina e como regra
escrita de fé e conduta para o povo de Deus.
Identificamos isso na resposta do povo,
quando Moisés leu para eles o livro do concerto (Éx
34.7), ou quando o livro da Lei, achado por Hilquias,
44
foi lido primeiro para o rei e depois para a
congregação (2Rs 22-23; 2Cr 34), ou ainda quando
Esdras leu o Livro da Lei para o povo (Ne 8.9,14-17;
10.28-39; 13.1-3).
Os escritos em questão são uma parte do
Pentateuco ou ele todo - no primeiro caso,
provavelmente uma parte bem pequena do Êxodo,
capítulos 20 a 23.
O Pentateuco é tratado com a mesma
reverência em Josué 1.7,8; 8.31 e 23.6-8; IReis
2.3; 2Reis 14.6 e 17.37; Oséias 8.12; Daniel
9.11,13; Esdras 3.2,4; lC rôn icas 16.40, 2Crônicas
17.9; 23.18; 30.5,18; 31.3 e 35.26.
Cânon do Antigo Testamento
Onde surgiu a idéia do cânon - a idéia de
que o povo de Deus deve preservar uma coleção de
palavras escritas de Deus? A própria Bíblia dá
testemunho do desenvolvimento histórico do cânon.
A coleção mais antiga das palavras de Deus é os Dez
Mandamentos. Portanto, constituem o início do
cânon bíblico.
O próprio Deus escreveu sobre duas tábuas
de pedra as palavras que Ele ordenou ao seu povo
(Êx 32.16; cf. Dt 4.13; 10.4). As tábuas foram
depositadas na Arca da Aliança (Dt 10.5) e
constituíam os termos do pacto entre Deus e seu
povo.
Nem todos os escritores dos livros do AT
eram profetas, no sentido estrito da palavra. Alguns
eram reis e sábios. Mas, as experiências da
inspiração que tiveram, fez com que seus escritos
também encontrassem um lugar no cânon.
A inspiração dos salmistas é mencionada
em 2Samuel 23.1-3 e lC rôn icas 25.1, e a dos
45
sábios, em Eclesiastes 12.11,12. Note também as
revelações feitas por Deus no livro de Jó (Jó 38.1;
40.6) e a inferência exarada1 em Provérbios 8.1-9.6,
indicando que o livro de Provérbios é obra da
Sabedoria divina.
Na época patriarcal, a revelação divina era
transmitida escrita e oralmente. A escrita já era
conhecida na Palestina, séculos antes de Moisés; a
arqueologia tem provado isto, inclusive tem
encontrado inúmeras inscrições, placas, sinetes* 2 e
documentos antediluvianos.
O cânon do Antigo Testamento como temos
atualmente, ficou completo desde o tempo de
Esdras, após 445 a.C. Entre os judeus, tem ele três
divisões, as quais Jesus citou em Lucas 24.44: Lei,
Profetas, Escritos.
A divisão dos livros no cânon hebraico é
diferente da nossa. Consiste em 24 livros em vez dos
nossos 39, isto porque é considerado um só livro
cada grupo dos seguintes:
Os dois de Samuel 1
Os dois de Reis 1
Os dois de Crônicas 1
Esdras e Neemias 1
Os doze Profetas Menores 1
Os demais livros do Antigo Testamento 19
Total 24
A disposição ou ordem dos livros no cânon
hebraico é também diferente da nossa. Damos a
seguir essa disposição dentro da tríplice divisão do
cânon, já mencionada (Lei, Profetas, Escritos).
‘ Cons ignar ou registrar por escrito; lavrar.
2 Utensíl io gravado em alto ou ba ixo-relevo.
46
Divisão Qtdade Livros
Lei 5
s Gênesis;
s Êxodo;
s Levítico;
v" Números;
■s Deuteronômio.
Profetas 8
Divididos em :
-> Primeiros Profetas:
s Josué;
^Juizes;
^Samuel;
s Reis.
Últimos Profetas:
s Isaías;
s Jeremias;
S Ezequiel;
s Os Doze Profetas Menores.
Escritos 11
Divididos em :
-» Livros Poéticos:
^Salmos;
^Provérbios;
s Jó.
-> Os Cinco Rolos:
^Cantares;
s Rute;
s Lamentações;
V Eclesiastes;
s Ester.
Livros Históricos:
s Daniel;
^Esdras e Neemias;
^Crônicas.
47
Os Cinco Rolos eram assim chamados por
serem separados, lidos anualmente em festas
distintas:
Cantares, na Páscoa, em alusão ao êxodo.
Rute, no Pentecostes, na Celebração da
Colheita, em seu início.
Ester, na Festa do Purim, comemorando o
livramento de Israel da mão do mau Hamã.
Eclesiastes, na Festa dos Tabernáculos -
festa de gratidão pela colheita.
Lamentações, no mês de abibe, relembrando
a destruição de Jerusalém pelos babilónicos.
No cânon hebraico também os livros não
estão em ordem cronológica. Os judeus não se
preocupavam com um sistema cronológico. Também
pode haver nisto um plano divino.
A nossa divisão em 39 livros vem da
Septuaginta, através da Vulgata Latina. A
Septuaginta foi a primeira tradução das Escrituras,
feita do hebraico para o grego cerca de 285 a.C.
Também a ordem dos livros por assuntos, do formato
da Bíblia atual, vem dessa famosa tradução.
Jesus em Lucas 24.44, Ele chamou
"Salmos" à última divisão do cânon hebraico,
certamente porque esse livro era o primeiro dessa
divisão.
Segundo a nossa divisão, o AT começa com
Gênesis e termina em Malaquias, porém, segundo a
divisão do cânon hebraico, o primeiro livro é Gênesis
e o último é I e II Crônicas. Isto é visto claramente
nas palavras de Jesus em Mateus 23.35 - o caso de
Abel está em Gênesis e o do filho de Baraquias está
em Crônicas.
48
7 A formação canônica do Antigo Testamento.
O cânon no Antigo Testamento foi formado
num espaço aproximado de 1046 anos - de Moisés a
Esdras. Moisés escreveu as primeiras palavras do
Pentateuco por volta de 1491 a.C. Esdras entrou em
cena em 445 a.C.
Esdras não foi o último escritor na
formação canônica do AT; os últimos foram Neemias
e Malaquias, porém, de acordo com os escritos
históricos, ele como escriba e sacerdote reuniu os
rolos canônicos, ficando o cânonencerrado em seu
tempo.
A chamada Alta Crítica tem feito uma
devastação com seu modernismo e suas contradições
no que concerne à formação, fontes de autenticidade
do cânon, especialmente do Antigo Testamento,
mutilando quase todos os seus livros.
s Alta Crítica é a discussão das datas e da
autoria dos livros. Ela estuda a Bíblia do lado de
fora, externamente, baseada apenas em fontes
do conhecimento humano.
s Por outro ângulo, a Critica Textual, também
conhecida por Baixa Crítica, estuda somente o
texto bíblico, e, ao lado da arqueologia, vem
alcançando um progresso valioso, posto à
disposição do estudante das Escrituras.
Por exemplo, a teoria de que a escrita era
desconhecida nos dias de Moisés já foi destruída. E
de ano em ano, aumentam os achados nas terras
bíblicas, evidenciando e comprovando as narrativas e
fatos do Antigo Testamento.
Mediante tais provas irrefutáveis1, os
homens estão respeitando mais às Sagradas
Escrituras! Toda a Bíblia vem sendo confirmada pela
1 Que não se pode refutar; ev idente, irrecusável, incontestável.
49
pá do arqueólogo e pelos eruditos em antiguidades
bíblicas. Coisas que pareciam as mais incríveis são
hoje aceitas por todos, sem objeções.
A formação gradual do cânon.
Houve, originalmente, a transmissão oral,
como se vê em Jó 15.18. O livro de Jó é tido como o
mais antigo da Bíblia. Mostraremos a seguir a
seqüência da formação gradual do cânon do Antigo
Testamento.
Convém ter em mente aqui que toda
cronologia bíblica é apenas aproximada. Já o Novo
Testamento há precisão de muitos casos. Essa
cronologia vai sendo atualizada à medida que os
estudos avançam e a arqueologia fornece informe
oficial.
1. Moisés (cerca de 1491 a.C.). Começou a
escrever o Pentateuco, concluindo-o por volta
de 1451 a.C. (Nm 33.2). Mais textos
relacionados com Moisés e sua escrita do
Pentateuco: Êxodo 17.14; 24.4,7; 34.27. As
partes do Pentateuco anteriores a Moisés, como
o relato da Criação, todo o livro de Gênesis e
parte de Êxodo, ele escreveu, ou lançando mão
de fontes existentes (ver Gn 2.4; 5.1), ou por
revelação divina. Gênesis 26.5 dá a entender
que nesse tempo já havia "mandamentos,
preceitos e estatutos" escritos. Algumas
passagens do Pentateuco foram acrescentadas
posteriormente, como: Êxodo 11.3; 16.35;
Deuteronômio 34.1-12; 2
2. Josué. Sucessor de Moisés (1443 a.C.),
escreveu uma obra que colocou perante o
Senhor (Js 24.26);
50
3. Samuel (1095 a.C.), o último juiz e também
profeta do Senhor, escreveu, pondo seus
escritos perante o Senhor (ISm 10.25).
Certamente "perante o Senhor" significa que
seus escritos foram depositados na Arca do
Concerto com os demais escritos sagrados (Êx
25.21);
4. Isaías (770 a.C.) fala do "Livro do Senhor" (Is
34.16), e "palavras do livro" (Is 29.18). São
referências às Escrituras na sua formação;
5. Em 726 a.C. os Salmos já eram cantados (2Cr
29.30). O fato aí registrado teve lugar nesse
tempo;
6. Jeremias, cuja chamada deu-se em 626 a.C.,
registrou a revelação divina (Jr 30.1,2). Tal
livro foi queimado pelo rei Joaquim, em 607
a.C., porém, Deus ordenou que Jeremias
preparasse um novo rolo, o que foi feito
mediante seu amanuense1 Baruque (Jr
36.1,2,28,32; 45.1);
7. No tempo do rei Josias (621 a.C.), Hilquias
achou o "Livro da Lei" (2Rs 22.8-10);
8. Daniel (553 a.C.) refere-se aos "livros" (Dn
9.2). Eram os rolos sagrados das Escrituras de
então;
9. Zacarias (520 a.C.) declara que os profetas que
o precederam falaram da parte do Espírito
Santo (Zc 7.12). Não há aqui referência direta a
escritos, mas há inferência. Zacarias foi o
penúltimo profeta do Antigo Testamento.
1 Escrevente, copista. Funcionário público de cond ição modesta
que fazia a correspondência e copiava ou registrava
documentos.
51
10. Neemias, (445 a.C.), achou o livro das
genealogias dos judeus que já haviam
regressado do exílio (Ne 7.5); certamente havia
outros livros;
11. Nos dias de Ester, o Livro Sagrado estava
sendo escrito (Et 9.32);
12. Esdras. Contemporâneo de Neemias e foi hábil
escriba da lei de Moisés, e leu o livro do Senhor
para os judeus já estabelecidos na Palestina, de
regresso do cativeiro babilónico (Ne 8.1-5).
Conforme 2Macabeus e outros escritos judaicos,
Esdras presidiu a chamada "Grande Sinagoga",
que selecionou e preservou os rolos sagrados,
determinando, dessa maneira, o cânon das
Escrituras do AT (cf. Ed 7.10-14).
S Uma Grande Sinagoga era um conselho
composto de 120 membros que se diz ter
sido organizado por Neemias, cerca de 410
a.C., sob a presidência de Esdras. Essa
entidade reorganizou a vida religiosa
nacional dos repatriados e, mais tarde, deu
origem ao S inédrio1, cerca de 275 a.C.
A Esdras é atribuída a tríplice divisão do cânon,
já estudada. Foi nesse tempo, que os
samaritanos foram expulsos da comunidade
judaica (Ne 13) levando consigo o Pentateuco,
que é até hoje a Bíblia dos samaritanos. Isto
prova que o Pentateuco era escrito canônico;
13. Encontramos profeta citando outro profeta, do
que se infere haver mensagem escrita (Cf.
Miquéias 4.1-3 com Isaías 2.2-4.);
1 O supremo tribunal dos judeus.
52
14. Filo, escritor de Alexandria (30 a.C. - 50 d.C.)
possuía todo o cânon do Antigo Testamento. Em
seus escritos ele cita quase todo o Antigo
Testamento;
15. Josefo, o historiador judeu (37-100 d.C.),
contemporâneo de Paulo, diz, escrevendo aos
judeus, no livro "Contra Appion
"Nós temos apenas 22 livros, contando
a história de todo o tempo; livros em
que nós cremos, ou segundo se dizem,
livros aceitos como divinos".
Desde os dias de Artaxerxes ninguém se
aventurou a acrescentar, tirar ou alterar uma
única sílaba. Faz "parte de cada judeu, desde
que nasce considerar estas Escrituras como
ensinos de Deus".
Josefo era um homem culto, judeu ortodoxo de
linhagem sacerdotal, governou a Galiléia e foi
comandante militar nas guerras contra Roma.
Presenciou a queda de Jerusalém. Foi levado a
Roma, onde se dedicou a escritos literários.
Ora, o Artaxerxes que ele menciona é o
chamado Longímano, que reinou de 465-424
a.C. Isso coincide com o tempo de Esdras e
confirma as declarações de outras peças da
literatura judaica que ensinam ter Esdras
presidido a Grande Sinagoga que selecionou e
preservou os rolos sagrados para a
posterioridade.
Josefo conta os livros do AT como 22 porque
considera Juizes e Rute como 1 (um) livro;
Jeremias e Lamentações também. Isto, para
coincidir com o número de letras do alfabeto
hebraico: "22";
53
16. Nos dias do Senhor, esse livro chamava-se
Escrituras (Mt 26.54; Lc 24.27,45; Jo 5.39),
com as suas três conhecidas divisões: Lei,
Profetas, Salmos (Lc 24.44). Era também
chamada "A Palavra de Deus" (Mc 7.13; Jo
10.34,35). Note bem este título aplicado pelo
próprio Senhor Jesus! Outro fato notável é a
citação feita por Jesus em Mateus 23.35 que
autentica todo o Antigo Testamento!
17. Os escritores do Novo Testamento reconhecem
como canônicos os livros do Antigo Testamento,
pois este é am iúde1 citado naquele, havendo
cerca de 300 referências diretas e indiretas. Os
escritores do NT referem-se ao cânon do AT
como sendo oráculos divinos (cf. Rm 3.2; 2Tm
3.16 e Hb 5.12). Cremos que, começando por
Moisés, à proporção que os livros iam sendo
escritos, eram postos no tabernáculo, junto ao
grupo de livros sagrados. Esdras como já disse,
após a volta do cativeiro, reuniu os diversos
livros e os colocou em ordem, como coleção
completa. Destes originais eram feitas cópias
para as sinagogas largamente disseminadas.
Data do reconhecimento e fixação do cânon
do Antigo Testamento.
Em 90 d.C. em Jâmnia, perto da moderna
Jope, em Israel, os rabinos, num concílio sob a
presidência de Johanan Ben Zakai, reconheceram e
fixaramo cânon do Antigo Testamento.
Houve muitos debates acerca da aprovação
de certos livros, especialmente dos "Escritos". Note-
se, porém que o trabalho desse concílio foi apenas
1 Repetidas vezes; repetidamente; freqüentemente; a miúdo.
54
ratif icar1 aquilo que já era aceito por todos os judeus
através de séculos. Jâmnia, após a destruição de
Jerusalém (70 d.C.) tornou-se a sede do Sinédrio.
r Livros desaparecidos, citados no texto do
Antigo Testamento.
Notemos que a Bíblia faz referência a
livros até agora desaparecidos (cf. Nm 21.14; Js
10.13 com 2Sm 1.18; IRe 11.41; lC r 27.24; 29.29;
2Cr 9.29; 12.15; 13.22; 33.19). São casos cujo
segredo só Deus conhece. Talvez um dia eles
venham à luz como o MSS de Qumran, Mar Morto, em
1947.
Questionário
à? Assinale com "X" as alternativas corretas
1. Cânon ou Escrituras canônicas é a
a) H Coleção completa dos livros divinamente
inspirados, que constituem a Bíblia
b) IZ] Coleção completa dos livros divinamente
inspirados, que constituem a Lei, os Profetas e os
Escritos
c) D Parte da Bíblia composta pelos livros do NT
d) [ZH Parte da Bíblia composta pelos livros do AT
2. Os Cinco Rolos eram compostos de:
a) E] Lamentações, Neemias, Esdras, Salmos e
Eclesiastes
b) E] Salmos, Neemias, Esdras, Provérbios e Jó
c) K Cantares de Salomão, Rute, Ester, Eclesiastes
e Lamentações
d) D Eclesiastes, Jó, Rute, Provérbios e Ester
Confirmar ou reafirmar o que foi dito.
55
3. Discute as datas e a autoria dos livros, baseando-se
apenas em fontes do conhecimento humano
a) H Alta Crítica
b) Q Baixa Crítica
c) D Critica Textual
d) CH Critica Execrável
4? Marque "C" para Certo e "E" para Errado
4. No sentido religioso, cânon significa aquilo que
mede, não aquilo que serve de norma, regra
5. □ Em 90 d.C. em Jâmnia que reconheceram e
fixaram o cânon do Antigo Testamento
56
Cânon do Novo Testamento
Semelhante ao AT, homens inspirados por
Deus escreveram aos poucos os livros que compõem
o cânon do Novo Testamento.
Sua formação levou apenas duas gerações:
quase 100 anos. Em 100 d.C. todos os livros do NT
estavam escritos. O que demorou foi o
reconhecimento canônico, isto motivado pelo cuidado
e escrúpulo1 das igrejas de então, que exigia provas
concludentes2 da inspiração divina de cada um
desses livros.
Outra coisa que motivou a demora na
canonização foi o surgimento de escritos heréticos e
espúrios3 com pretensão de autoridade apostólica.
Trata-se dos livros apócrifos do Novo Testamento,
fato idêntico ao acontecido nos tempos derradeiros
do cânon do Antigo Testamento. Há também livros
mencionados no NT até agora desaparecidos (ICo
5.9; Cl 4.16).
A ordem dos 27 livros do NT, como é
atualmente em nossas Bíblias, vem da Vulgata, e
não leva em conta a seqüência cronológica.
^ As Epístolas Paulinas.
Foram os primeiros escritos no Novo
Testamento. São 13: de Romanos a Filemom. Foram
escritas entre 52 e 67 d.C.
Pela ordem cronológica, o primeiro livro do
Novo Testamento é ITessalonicenses, escrito em 52
d.C. 2Timóteo foi escrita em 67 d.C pouco antes do
martírio do apóstolo Paulo em Roma.
1 Hesitação ou dúvida de consciência; inquietação de
consciência; remorso.
; Que conclui, ou merece fé; term inante, categórico.
'Não genuíno; suposto, h ipotético.
57
Esses livros foram também os primeiros
aceitos como canônicos. Pedro chama os escritos de
Paulo de "Escrituras" - título aplicado somente à
palavra inspirada de Deus! (2Pe 3.15,16).
r Os Atos dos Apóstolos. Escrito em 63 d.C., no
fim dos dois anos da primeira prisão de Paulo em
Roma (At 28.30).
Os Evangelhos.
Estes, a princípio, foram propagados
oralmente. Não havia perigos de enganos e
esquecimento porque era o Espírito Santo quem
lembrava tudo e Ele é infalível (Jo 14.26).
Os Sinópticos foram escritos entre 60 a 65
d.C. João foi escrito em 85 d.C. Entre Lucas e João
foram escritas quase todas as epístolas. Note-se que
Paulo chama Mateus e Lucas de "Escrituras" ao citá-
los em ITimóteo 5.18.
As Epístolas, de Hebreus a Judas, foraitt escritas
entre 68 e 90 d.C.
•r O Apocalipse.
Foi escrito em 96 d.C., durante o governo
do imperador Domiciano. Muitos livros antes de
serem finalmente reconhecidos como canônicos
foram duramente debatidos. Houve muita relutância
quanto às epístolas de Pedro, João e Judas bem
como quanto ao Apocalipse. Tudo isto tão-somente
revela o cuidado da Igreja e também a
responsabilidade que envolvia a canonização.
Antes do ano 400 d.C., todos os livros
estavam aceitos. Em 367, Atanásio, patriarca de
Alexandria, publicou uma lista dos 27 livros
canônicos, os mesmos que hoje possuímos; essa
lista foi aceita pelo Concílio de Hipona (África) em
393.
58
ljr Dc.ta do reconhecimento e fixação do cânon
do Novo Testamento.
Isso ocorreu no III Concílio de Cartago, em
397 d.C. Nessa ocasião, foi definitivamente
reconhecido e fixado o cânon do Novo Testamento.
Como se vê, houve um amadurecimento de 400
anos.
A necessidade da mensagem escrita do Novo
Testamento.
A mensagem da Nova Aliança precisava ter
forma escrita como a da Antiga. Após a ascensão do
Senhor Jesus, os apóstolos pregaram por toda parte
sem haver nada escrito. Suas Bíblias era o Antigo
Testamento.
Ao decorrer do tempo, o grupo de
apóstolos diminuiu. O Evangelho espalhou-se. Surge
então a necessidade de reduzir a forma escrita, para
ser transmitido às gerações futuras. Era o plano de
Deus em marcha.
Muitas igrejas e indivíduos pediam
explicações acerca de casos difíceis surgidos por
perturbações, falsas doutrinas, problemas internos,
etc. (cf. ICo 1.11; 5.1; 7.1).
Os judeus cumpriram sua missão de
transmitir ao mundo os oráculos divinos (Rm 3.2). A
Igreja também cumpriu sua parte, transmitindo as
palavras e ensinos do Senhor Jesus, bem como as
que Ele, pelo Espírito Santo inspirou aos escritores
sacros.
Jesus disse: "Tenho muito que vos dizer...
mas o Espírito de verdade... dirá tudo o que tiver
ouvido e vos anunciará o que há de vir" (Jo
16.12,13).
59
Testemunhas importantes.
Dão testemunho da existência de livros do
Novo Testamento, em seu tempo, os seguintes
cristãos primitivos, cujas vidas coincidiram com as
dos apóstolos ou com os discípulos destes:
t Clemente de Roma, na sua carta aos Coríntios,
em 95 d.C. cita vários livros do NT;
t Policarpo, na sua carta aos Filipenses, cerca de
110 d.C., cita diversas epístolas de Paulo;
t Inácio, por volta de 110 d.C. cita grande
número de livros em seus escritos;
t Justino Mártir, nascido no ano da morte de
João, escrevendo em 140 d.C. cita diversos livros
do Novo Testamento;
í Irineu (130-200 d.C.), cita a maioria dos livros
do Novo Testamento, chamando-os de
"Escrituras";
t Origines (185-200 d.C.), homem erudito,
piedoso e viajado, dedicou sua vida ao estudo
das Escrituras, em seu tempo, os 27 livros já
estavam completos; ele os aceitou, embora com
dúvida sobre alguns: Hebreus, Tiago, 2Pedro, 2 e
3João.
Datas e Períodos Sobre o Cânon em Geral
O AT foi escrito no espaço de mais ou
menos 1046 anos, de 1491 a 445 a.C. isto é de
Moisés a Esdras. A data de 445 a.C. é apenas um
ponto geral de referência cronológica quanto ao
encerramento do cânon do Antigo Testamento.
60
Se entrarmos em detalhes sobre o último
livro do Antigo Testamento em ordem cronológica -
Malaquias, teremos uma variação de espaço de
tempo como veremos a seguir.
O Pentateuco, como já vimos, foi iniciado
cerca de 1.491 a.C.. Malaquias, o último livro do
Antigo Testamento por ordem cronológica, foi escrito
entre 430 e 420 a.C., no final do governo de
Neemias e do sacerdócio de Esdras. Ora, isto foi
quando Neemias regressou a Jerusalém, procedendo
da Pérsia, para onde tinha ido (430 - 425a.C.) a fim
de renovar sua licença (Ne 13.6).
É a partir desse ano que Malaquias
escreveu e talvez Neemias, não estivesse mais na
Palestina, porque não o menciona em seu livro, como
fazem Ageu e Zacarias, seus antecessores, os quais
mencionam Zorobabel e Josué, respectivamente,
governador e sacerdote dos reparos (cf. Zc 3; 4; Ag
1 . 1 ).
Malaquias não menciona nominalmente
Neemias, apenas menciona o "Governador" (Ml 1.8).
O próprio livro de Malaquias apresenta outras
evidências internas que o colocam de 432 a.C. em
diante, como passamos a mostrar:
Em Malaquias 2.10-16, vê-se que os casamentos
ilícitos que Esdras corrigira antes de Neemias,
516 a.C. (Ed 9-10), estavam ocorrendo de novo.
-* Isto coincide com o estado descrito em Neemias
13, acontecido em 432 a C.
Em Malaquias 3.6-12, havia pobreza no tesouro
do templo. Situação idêntica à de Neemias 13,
reinante em 432 a.C.
As referências de Malaquias 1.13; 2.17; 3.14,
indicam que o culto Levítico já havia sido
restaurado há bastante tempo. Temos essa
restauração ampliada em Neemias 12.44 ss.
61
Portanto, Malaquias (O livro) deve ter sido
escrito cerca de 432 a.C. Repetimos: a data 445 a.C.
é apenas um ponto de referência quanto ao
encerramento do cânon do Antigo Testamento. Foi
nesse ano que Esdras iniciou seu grande Ministério
entre os repatriados de Israel.
Se descermos a detalhes quanto ao livro
de Malaquias, partiremos de 432 a.C. Malaquias é o
último livro do Antigo Testamento, quanto à ordem
cronológica. Quanto à disposição dos livros no corpo
do cânon hebraico, o último livro é 2Crônicas, como
já mostramos.
O IMovo Testamento foi completado em
menos de 100 anos, pois seu último livro, o
Apocalipse, foi escrito cerca de 96 d.C. Isto dá um
total de 1.142 anos para a formação de ambos os
Testamentos (1.046 + 96).
Leva-se em conta que a cronologia bíblica
é sempre aproximada, pois os povos orientais não
tinham um sistema fixo de anotar ou contar datas.
Quando se fala do espaço de tempo, que vai da
escrita do Pentateuco ao Apocalipse, é preciso
intercalar os 400 anos do Período Interbíblico
ocorrido entre os Testamentos, o que dará um total
de 1.542 anos (1.046 + 96 + 400).
Por isso se diz que a Bíblia foi escrita no
espaço de dezesseis séculos. Este é o período no
qual o cânon foi completado. Noutras palavras: o
cânon abrange na história um total de 1.142 anos,
aproximadamente.
Os Livros Apócrifos
Nas Bíblias de edição católica-romana, o
total de livros é 73, porque essa igreja, desde o
Concílio de Trento, em 1.546, incluiu no cânon do
62
Antigo Testamento 7 livros apócrifos, além de 4
acréscimos ou apêndices canônicos, acrescentando
ao todo, 11 escritos apócrifos.
A palavra "apócrifo" significa, literalmente,
"escondido", "oculto", isto em referência a livros que
tratavam de coisas secretas, misteriosas, ocultas. No
sentido religioso, o termo significa "não genuíno" ou
"espúrio", desde sua aplicação por Jerônimo.
Os apócrifos foram escritos entre
Malaquias e Mateus, ou seja, entre o Antigo e o Novo
Testamento, numa época em que cessara por
completo a revelação divina; isto basta para tirar-
lhes qualquer pretensão a canonicidade.
Josefo rejeitou-os totalmente, nunca foram
reconhecidos pelos judeus como parte do cânon
hebraico. Jamais foram citados por Jesus nem foram
reconhecidos pela Igreja Primitiva. Jerônimo,
Agostinho, Atanásio, Júlio Africano e outros homens
de valor para os cristãos primitivos, opuseram-se a
eles na qualidade de livros inspirados.
Apareceu pela primeira vez na
Septuaginta, a tradução do Antigo Testamento feita
do hebraico para o grego. Quando a Bíblia foi
traduzida para o latim, em 170 d.C. seu Antigo
Testamento foi traduzido do grego da Septuaginta e
não do hebraico. Quando Jerônimo traduziu a
Vulgata, no início do século V (405 d.C.), incluiu os
apócrifos oriundos da Septuaginta, através da Antiga
Versão Latina, de 170 d.C. porque isso lhe foi
ordenado, mas recomendou que esses livros não
poderiam servir como base doutrinária.
São 14 os escritos apócrifos: 10 livros e 4
acréscimos a livros. Antes do Concílio de Trento, a
Igreja Romana aceitava todos, mas depois passou a
aceitar apenas 11: 7 livros e 4 acréscimos. A igreja
Ortodoxa grega mantém os 14 até hoje.
63
Os livros apócrifos constantes das Bíblias
de edição católico-romana são:
1. Tobias (Após o livro canônico de Esdras);
2. Judite (Após o livro de Tobias);
3. Sabedoria de Salomão (Após o livro canônico
de Cantares);
4. Eclesiástico (após o livro de Sabedoria);
5. Baruque (Após o livro canônico de Jeremias);
6. IMacabeu (após o livro canônico de Malaquias);
7. 2Macabeu (após o livro IMacabeu).
Os quatro acréscimos ou apêndices são:
1. Ester (Et 10.4-16.24);
2. Cântico dos três Santos Filhos (Dn 3.24-90);
3. A história de Suzana (Dn 13);
4. Bei e o Dragão (Dn 14).
Como já foi dito dos 14 apócrifos, a Igreja
Romana aceita 11, rejeita 3, isto, após 1.546 d C.
Os livros rejeitados são: 3 e 4Esdras e "A
Oração de Manassés". Os livros apócrifos de 3 e
4Esdras são assim chamados porque nas Bíblias de
edição católico-romana o livro de Esdras, é chamado
de lEsdras e o de IMeemias, de 2Esdras.
A Igreja Romana aprovou os apócrifos em
18 de abril de 1.546, para combater o movimento da
Reforma Protestante, então recente. Nessa época, os
protestantes combatiam violentamente as novas
doutrinas romanistas: Purgatório, oração pelos
mortos, salvação mediante obras, etc.
64
A Igreja Romana via nos apócrifos bases
para essas doutrinas, e, apelou para eles,
aprovando-os como canônicos.
Houve prós e contras dentro da própria
Igreja de Roma. Nesse tempo os jesuítas exerciam
muita influência no clero. Os debates sobre apócrifos
motivaram os dominicanos contra os franciscanos.
O Cardeal Pallavacini, em sua "História
Eclesiástica", declara que em pleno concílio, 40
bispos, dos 49 presentes, travaram luta corporal,
agarrados às barbas e batinas uns dos outros. Foi
neste ambiente espiritual que os apócrifos foram
aprovados!
A primeira edição da Bíblia romana com os
apócrifos deu-se em 1.592, com a autorização do
Papa Clemente VIII.
Os Reformadores protestantes publicaram
a Bíblia com os apócrifos colocando-se entre o AT e
o NT; não como livros inspirados, mas bons para
leitura e de valor literários e históricos. Isto
continuou até 1.629. A famosa versão inglesa King
Jaimes, de 1.611, ainda os conservou.
Após 1.629, os evangélicos os omitiram de
vez nas Bíblias editadas, para evitar confusão entre
o povo simples que nem sempre sabe discernir entre
um livro canônico e um apócrifo.
A aprovação dos apócrifos pela Igreja
Romana foi uma intromissão1 dos católicos em
assuntos judaicos, porque, quanto ao cânon do
Antigo Testamento, o direito é dos judeus e não de
outros. Além disso, o cânon do Antigo Testamento
estava completo e fixado há muitos séculos.
Entre os católicos corre a versão de que as
Bíblias de edição protestante são falsas. Quem,
contudo, comparar a Bíblia editada pelos evangélicos
com a editada pelos católicos há de concordar em
1 Ato de intrometer; intrometimento.
65
que as duas são iguais, exceto na linguagem e
estilo, que são peculiares a cada tradução.
Outros Livros Apócrifos
Há ainda outros escritos espúrios
relacionados ao Antigo e Novo Testamento. São
chamados de pseudo-epigráficos.
Os do Antigo Testamento pertencem à
última parte do período interbíblico. Todos os livros
dessa classe apresentam-se como tendo sido escritos
por santos de ambos os Testamentos, daí seu título:
pseudo-epigráficos.
São na maioria, de natureza apocalíptica.
Nunca foram reconhecidos por nenhuma Igreja. Os
principais do Antigo Testamento chegam a 26.
Os referentes ao período doNT também
nunca foram reconhecidos por ninguém como tendo
canonicidade. São cheios de histórias grotescas e até
indignas de Cristo e seus apóstolos. Essas histórias
são muito exploradas pela gente simplória e crédula.
Desse período há de tudo: evangelhos, epístolas,
apocalipse, etc. Os principais somam 24.
O estudante da Bíblia deve estar
acautelado, concernente aos livros canônicos e
apócrifos em gera l:
•* Os 39 livros canônicos do AT são chamados de
protocanônicos pelos católicos;
4 Os 7 livros que chamamos de apócrifos, são
chamados de deuterocanônicos pelos católicos;
-* Os livros que chamamos de pseudo-epigráficos,
são chamados de apócrifos pelos católicos.
A respeito dos livros apócrifos, seja qual
for o valor devocional ou eclesiástico que tiverem,
não são canônicos, comprova-se pelos seguintes
fatores:
66
-* A comunidade judaica jamais os aceitou como
canônicos;
■* Não foram aceitos por Jesus, nem pelos autores
do Novo Testamento;
A maioria dos primeiros grande pais da Igreja
rejeitou sua canonicidade;
-» Nenhum concílio da Igreja os considerou canônicos
senão no final do século IV;
-* Jerônimo, o grande especialista bíblico e tradutor
da Vulgata, rejeitou-os fortemente;
Muitos estudiosos católicos romanos, ainda ao
longo da Reforma, também os rejeitaram;
■* Nenhuma Igreja ortodoxa grega, anglicana ou
protestante, até a presente data, reconheceu os
apócrifos como inspirados e canônicos, no sentido
integral dessas palavras.
A vista desses fatos importantíssimos,
torna-se absolutamente necessário que os cristãos
de hoje jamais usem os livros apócrifos como se
fossem Palavra de Deus, nem os citem em apoio
autorizado a qualquer doutrina cristã.
Com efeito, quando examinados segundo
os critérios elevados de canonicidade, verificamos
que aos livros apócrifos faltam os seguintes
aspectos:
Os apócrifos não reivindicam ser proféticos;
-» Não detêm a autoridade de Deus;
-» Contêm erros históricos (ver Tobias 1.3-5; 14.11)
e graves heresias teológicas, como a oração pelos
mortos (2Macabeus 12.45,46; 4);
-> Embora seu conteúdo tenha algum valor para a
edificação nos momentos devocionais, na maior
parte se trata de texto repetitivo; são textos que
já se encontram nos livros canônicos;
-* Há evidente ausência de profecia, o que não
ocorre nos livros canônicos;
67
-* Nada acrescentam ao nosso conhecimento das
verdades messiânicas;
O povo de Deus, a quem os apócrifos teriam sido
originariamente apresentados, recusou-os
terminantemente.
Questionário
Assinale com "X" as alternathvas corretas
6. Foram os primeiros escritos no NT entre 52-
a )Q Os Atos dos Apóstolos
b)[X| As Epístolas Paulinas
c )D Os Evangelhos
d ) d As Epístolas Gerais
7. Quanto aos livros apócrifos, é ince rto dizer
a )D No sentido religioso, 0 termo "apócrifo"
significa "não genuíno" ou "espúrio"
b) d] Baruque e Tobias são exemplos de apócrifos
contidos nas Bíblias de edição católico-romana
c) D Foram escritos numa época em que cessara por
completo a revelação divina
d) d Foram escritos entre Ester e Mateus, ou seja,
entre o Antigo e o Novo Testamento 8 9 10
8. Os 39 livros canônicos do AT são chamados de:
a) D Apócrifos pelos católicos
b) D Pseudo-epígrafos pelos católicos
c) H Protocanônicos pelos católicos
d) D Deuterocanônicos pelos católicos
Marque "C" para Certo e "E" para Errado
9. 0 A ordem dos 27 livros do NT, como é atualmente
em nossas Bíblias, vem da Vulgata, e não leva em
conta a seqüência cronológica
10. E l Os apócrifos contêm erros históricos e graves
heresias teológicas, como a oração pelos mortos
68
Lição 3_______________
Inspiração Bíblica
A característica mais importante da Bíblia
não é sua estrutura e sua forma, mas o fato de ter
sido inspirada por Deus. Não se deve interpretar de
modo errôneo a declaração da própria Bíblia a favor
dessa inspiração. Quando falamos de inspiração, não
se trata de inspiração poética, mas de autoridade
d iv ina.
A Bíblia é singular, ela foi literalmente
"soprada por Deus". A seguir examinaremos o que
significa isso.
Não podemos confundir revelação com
inspiração. Enquanto a revelação é o ato pelo qual
Deus torna-se conhecido pelos homens, a inspiração
diz respeito ao modo como os' homens recebem e
transmitem essa revelação.
As Escrituras tanto falam da inspiração do
escritor quanto da inspiração do escrito: um é o
agente, o outro é o efeito.
^ Exe mplos:
s O texto de 2Timóteo 3.16: "Toda Escritura é
divinamente inspirada", faz referência ao
escrito como inspirado;
s Em 2Pedro 1.21: "Homens santos de Deus
falaram inspirados pelo espírito Santo", fala
do escritor.
69
Embora a palavra inspiração seja usada
apenas uma vez no Novo Testamento (2Tm 3.16) e
outra no Antigo Testamento (Jó 32.8), o processo
pelo qual Deus transmite sua mensagem autorizada
ao homem é apresentado de muitas maneiras.
Um exame logo à frente, das duas grandes
passagens a respeito da inspiração encontradas no
Novo Testamento poderá ajudar-nos a entender o
que significa a inspiração bíblica.
Descrição Bíblica de Inspiração
Assim escreveu Paulo a Timóteo: "Toda
Escritura divinamente inspirada é proveitosa para
ensinar, redargüir1, corrigir e instruir em justiça"
(2Tm 3.16). Em outras palavras, o texto sagrado do
Antigo Testamento foi "soprado por Deus" (gr.
theopneustos) e, por isso, dotado da autoridade
divina para o pensamento e para a vida do crente.
A passagem correlata de ICoríntios 2.13
realça a mesma verdade. "Disto também falamos",
escreveu Paulo, "não com palavras de sabedoria
humana, mas com as que o Espírito Santo ensina,
comparando as coisas espirituais com as espirituais".
"Quaisquer palavras ensinadas pelo Espírito Santo
são palavras divinamente insp iradas".
A segunda grande passagem do NT a
respeito da inspiração da Bíblia está em 2Pedro
1.21: "Pois a profecia nunca foi produzida por
vontade dos homens, mas os homens santos da
parte de Deus falaram movidos pelo Espírito Santo".
Em outras palavras, os profetas eram homens cujas
mensagens não se originaram de seus próprios
impulsos, mas foram "soprados pelo Espírito".
1 Replicar argumentando; responder argüindo; replicar.
70
Pela revelação, Deus falou aos profetas de
muitas maneiras (Hb 1.1), mediante: anjos, visões,
sonhos, vozes e milagres.
Inspiração é a forma pela qual Deus falou
aos homens mediante os profetas. Mais um sinal de
que as palavras dos profetas não partiam deles
próprios, mas de Deus, é o fato de eles sondarem
seus próprios escritos a fim de verificar "qual o
tempo ou qual a ocasião que o Espírito de Cristo,
que estava neles, indicava, ao dar de antemão
testemunho sobre os sofrimentos que a Cristo
haviam de vir, e sobre as glórias que os seguiram"
(IPe 1.11).
Fazendo uma combinação das passagens
que ensinam sobre a inspiração divina, descobrimos
que a Bíblia é inspirada no seguinte sentido:
^ Homens, movidos pelo Espírito, escreveram
palavras sopradas por Deus, as quais são as
fontes de autoridade para a fé e para a prática
cristã.
Definição Teológica da Inspiração
l\la única vez em que o NT usa a palavra
inspiração, ela se aplica aos escritos, não aos
escritores. A Bíblia que é inspirada, e não seus
autores humanos. O adequado, então, é dizer que: o
produto é inspirado, os produtores não.
Os autores escreveram e falaram sobre
muitas coisas, como, por exemplo, quando se
referiram a assuntos mundanos, pertinentes a esta
vida, os quais não foram divinamente inspirados.
Todavia, visto que o Espírito Santo,
conforme ensina Pedro, tomou posse dos homens
que produziram os escritos inspirados, podemos, por
extensão, referir-nos à inspiração em sentido mais
71
amplo. Tal sentido mais amplo incluio processo total
por que alguns homens, movidos pelo Espírito Santo,
enunciaram e escreveram palavras emanadas da
boca do Senhor; e, por isso mesmo, palavras
dotadas da autoridade divina.
É esse processo total da inspiração que
contém os três elementos essenciais: a causalidade
divina, a mediação profética e a autoridade escrita.
* Causalidade divina.
Deus é a Fonte Primordial da inspiração da
Bíblia. O elemento divino estimulou o elemento
humano. Primeiro Deus falou aos profetas e, em
seguida, aos homens, mediante esses profetas. Deus
revelou-lhes certas verdades da fé, e esses homens
de Deus as registraram.
O primeiro fator fundamental da doutrina
da inspiração bíblica, e o mais importante, é que
Deus é a fonte principal e a causa primeira da
verdade bíblica. No entanto, não é esse o único
fator.
' Mediação profética.
Os profetas que escreveram as Escrituras
não eram autômatos1. Eram algo mais que meros
secretários preparados para anotar o que se lhes
ditava. Escreveram segundo a intenção total do
coração, segundo a consciência que os movia no
exercício normal de sua tarefa, com seus estilos
literários e seus vocabulários individuais.
As personalidades dos profetas não foram
violentadas por uma intrusão sobrenatural. A Bíblia
que eles produziram é a Palavra de Deus, mas
também é a palavra do homem.
1 Pessoa que age como máquina, sem racioc ín io e sem vontade
p róp r ia .
72
Deus usou personalidades humanas para
comunicar proposições divinas. Os profetas foram a
causa imediata dos textos escritos, mas Deus foi a
causa principal.
' Autoridade escrita.
O produto firial da autoridade divina em
operação por meio dos profetas, como intermediários
de Deus, é a autoridade escrita de que se reveste a
Bíblia. A Escritura "é divinamente inspirada e
proveitosa para ensinar, repreender, corrigir, instru ir
em ju s t iça " .
A Bíblia é a última palavra no que concerne
a assuntos doutrinários e éticos. Todas as
controvérsias teológicas e morais devem ser trazidas
ao tribunal da Palavra escrita de Deus.
As Escrituras recebere~ sua autoridade do
próprio Deus, que falou mediante os profetas. No
entanto, são os escritos proféticos e não os
escritores desses textos sagrados que possuem e
retêm a resultante autoridade divina.
Todos os profetas morreram; os escritos
proféticos prosseguem.
Em suma, a definição adequada de
inspiração precisa ter três fatores fundamentais:
♦ Deus, o Causador original;
t Os homens de Deus, que serviram de
instrumentos;
d A autoridade escrita, ou Bíblia Sagrada, que é o
produto final.
73
Distinções Importantes
1) A inspiração em contraste com a revelação e
a iluminação.
Há dois conceitos inter-relacionados que
nos ajudam a esclarecer, pela contraposição, o que
significa inspiração, a saber:
y A revelação diz respeito à exposição da
verdade;
y A iluminação, à devida compreensão dessa
verdade descoberta.
No entanto, a inspiração não consiste nem
em uma, nem em outra. A revelação prende-se à
origem da verdade e à sua transmissão; a inspiração
relaciona-se com a recepção e o registro da verdade.
A iluminação ocupa-se da posterior apreensão e
compreensão da verdade revelada.
A inspiração que traz a revelação escrita
aos homens não traz em si mesma garantia alguma
de que os homens a entendam. É necessário que
haja iluminação do coração e da mente.
A revelação é uma abertura objetiva; a
iluminação é a compreensão subjetiva da revelação;
a inspiração é o meio pelo qual a revelação se
tornou uma exposição aberta e objetiva.
A revelação é o fato da comunicação
divina; a inspiração é o meio; a iluminação, o dom
de compreender essa comunicação. 2
2) Inspiração dos originais, não das cópias.
A inspiração e a conseqüente autoridade
da Bíblia não se estendem automaticamente a todas
as cópias e traduções bíblicas. Só os manuscritos
originais, conhecidos por autógrafos, foram
inspirados por Deus.
74
Os erros e as mudanças efetuados nas
cópias e nas traduções não podem ser atribuídos à
inspiração original.
Por exemplo: 2Reis 8.26 (ARC) diz que
Acazias tinha 22 anos de idade quando foi coroado
rei, enquanto 2Crônicas 22.2 diz que tinha 42 anos.
IMão é possível que ambas as informações estejam
corretas.
O original é autorizado; a cópia errônea
não tem autoridade. Outros exemplos desse tipo de
erro podem encontrar-se nas atuais cópias das
Escrituras (e.g., cf. lR s 4.26 e 2Cr 9.25). Portanto,
uma tradução ou cópia só é autorizada à medida que
reproduz com exatidão os autógrafos.
O grandioso conteúdo doutrinário e
histórico da Bíblia tem sido transmitido de geração a
geração, ao longo da história, sem mudanças nem
perdas substanciais.
As cópias e as traduções da Bíblia,
encontradas no século XX, não detêm a inspiração
original, mas contêm uma inspiração derivada, uma
vez que são cópias fiéis dos autógrafos.
De uma perspectiva técnica, só os
autógrafos são inspirados; todavia, para fins
práticos, a Bíblia nas línguas de nossa época, por ser
transmissão exata dos originais, é a Palavra de Deus
inspirada.
Visto que os originais não mais existem,
alguns críticos têm contestado a inerrância dos
autógrafos que não podem ser examinados e nunca
foram vistos. Eles perguntam como é possível
afirmar que os originais não continham erro, se não
podem, ser examinados.
A resposta é que a inerrância bíblica não é
um fato conhecido empiricamente, mas uma crença
baseada no ensino da Bíblia a respeito de sua
75
inspiração, bem como baseada na natureza
altamente precisa da grande maioria das Escrituras
transmitidas e na ausência de qualquer prova em
contrário.
Afirma a Bíblia ser a declaração de um
Deus que não pode cometer erro. É verdade que
nunca se descobriram um único autógrafo original
falível.
Temos, pois, manuscritos que foram
copiados com toda precisão e traduzidos para muitas
línguas, dentre as quais o português.
Portanto, para todos os efeitos de doutrina
e de dever, a Bíblia como possuímos hoje é
representação suficiente da Palavra de Deus, cheia
de autoridade. Inspiração do ensino, mas não de
todo o conteúdo da Bíblia.
Cumpre ressaltar também que só o que a
* Bíblia ensina foi inspirado por Deus e não apresenta
erro; nem tudo que está na Bíblia ficou isento de
erro. Por exemplo, as Escrituras contêm o relato de
muitos atos maus, pecaminosos, mas de modo algum
a Bíblia os elogia; tampouco os recomenda. Ao
contrário, condena essas práticas malignas.
A Bíblia chega a narrar algumas das
mentiras de Satanás (e.g., Gn 3.4). Portanto, a
simples existência dessa narração não significa que a
Bíblia ensine serem verdadeira essas mentiras. A
única coisa que a inspiração divina garante aqui é
que se trata de um registro verdadeiro de uma
mentira satânica, de uma perversidade real de
Satanás.
Às vezes não está perfeitamente claro se a
Bíblia registra apenas um mero relato do que alguém
disse ou fez, ou se ela está ensinando que devemos
proceder de igual forma.
76
A Natureza da Inspiração
O elo da cadeia comunicativa "de Deus
para nós" chama-se inspiração. Há diversas teorias
sobre a inspiração. Algumas não se coadunam1 com
o ensino bíblico. Nosso propósito, portanto, têm dois
aspectos:
1. Examinar teorias sobre inspiração;
2. Apurar o que está implícito no ensino da Bíblia a
respeito de sua própria inspiração.
Teorias Sobre a Inspiração Divina
Teorias a respeito da inspiração bíblica têm
variado segundo as características de três
movimentos teológicos: a ortodoxia, o modernismo
e a neo-ortodoxia.
Mesmo que estas não se limitem a um
único período, suas manifestações iniciais são
características de três períodos sucessivos na
História da Igreja.
-» Historicamente sempre prevaleceua visão
ortodoxa, a saber: a Bíblia é a Palavra de Deus.
Surgindo o modernismo, muitos vieram a crer
que a Bíblia meramente contém a Palavra de
Deus.
Recentemente, sob a influência do
existencialismo contemporâneo, os teólogos
neo-ortodoxos ensinam que a Bíblia torna-se a
Palavra de Deus quando o indivíduo tem um
encontro pessoal com Deus em suas páginas.
C o n fo rm a m , combinam, harmonizam.
77
Ortodoxia: A Bíblia é a Palavra de Deus.
Em 18 séculos de História da Igreja,
prevaleceu a opinião ortodoxa da inspiração divina.
Os pais da Igreja, em geral, com raras
manifestações menos importantes contrárias,
ensinaram firmemente que a Bíblia é a Palavra de
Deus escrita.
Teólogos ortodoxos ao longo dos séculos
vêm ensinando, todos de comum acordo, que a Bíblia
foi inspirada verbalmente, isto é, o registro escrito
por inspiração de Deus.
No entanto, tem havido tentativas de
procurar explicação para o fato de o registro escrito
ser a Palavra de Deus e ao mesmo tempo em que o
Livro foi composto por autores humanos, dotados de
estilos diferentes; essas tentativas conduziram os
estudiosos ortodoxos a duas opiniões divergentes:
1) Alguns abraçaram a idéia do "ditado verbal",
afirmando que os autores humanos da Bíblia
registraram apenas o que Deus lhes havia
ditado, palavra por palavra.
2) Outros estudiosos que preferiam a teoria do
"conceito inspirado", segundo qual Deus só
concedeu aos autores pensamentos inspirados,
e estes tiveram liberdade de revesti-los com
palavras próprias.
Modernismo: A Bíblia contém a Palavra Divina.
Ao surgir o idealismo germânico e a crítica
da Bíblia, surgiu uma nova visão evoluída da
inspiração bíblica, junto ao modernismo ou
liberalismo teológico.
Opondo-se à opinião ortodoxa tradicional
que a Bíblia é a Palavra de Deus, os modernistas
ensinam que a Bíblia meramente contém a Palavra
78
de Deus. Certas partes dela são divinas, expressam
a verdade, outras são obviamente humanas e
apresentam erros.
Tais autores acham que a Bíblia foi vítima
de sua época, como acontece a qualquer livro. Dizem
que ela teria incorporado muito das lendas, dos
mitos e das falsas crenças relacionadas à ciência.
Sustentam que, o fato dos elementos não
terem sido inspirados por Deus, devem ser
rejeitados pelos homens iluminados de hoje; tais
erros seriam resquícios1 de uma mentalidade
primitiva indigna de fazer parte do credo cristão.
Somente as verdades divinas, entremeadas
nessa mistura de ignorância antiga e erro grosseiro,
é que de fato teriam sido inspiradas por Deus.
Alguns modernistas afirmam que os
homens que escreveram a Bíblia tiveram apenas uma
intuição, dizendo que houve apenas manifestação do
conhecimento natural da verdade.
A intuição faz parte do ser humano normal,
e muitas vezes leva-os a escreverem livros sagrados,
científicos, filosóficos e desse modo se pode até
conhecer a verdade, sem necessidade da inspiração
do Espírito de Deus. Essa teoria, entretanto procura
negar a pessoa de Deus, que é a verdade suprema e
o Único que a possa revelar.
Outra teoria diz que apenas foi inspirada
as idéias da Bíblia, ficando a palavra a cargo dos
escritores.
c*' Neo-Ortodoxia: a Bíblia torna-se a Palavra de
Deus.
No início do século XX, a reviravolta nos
acontecimentos mundiais e a influência do pai
dinamarquês do existencialismo, Soren Kierkegaard,
1 Resíduo, vestígio.
79
deram origem a uma nova reforma na teologia
européia. Estudiosos começaram a voltar-se de novo
para as Escrituras, a fim de ouvir nelas a voz de
Deus. Sem abrir mão de suas opiniões críticas a
respeito da Bíblia, começaram a levar a Bíblia a
sério, por ser a fonte da revelação de Deus aos
homens.
Criando um novo tipo de ortodoxia,
afirmavam que Deus fala aos homens mediante a
Bíblia; as Escrituras tornam-se a Palavra de Deus
num encontro pessoal entre Deus e o homem.
À semelhança das outras teorias a respeito
da inspiração da Bíblia, a neo-ortodoxia desenvolveu
duas correntes.
1) Na extremidade mais importante estavam os
demitizadores1, que negam todo e qualquer
conteúdo religioso importante, factual ou
histórico, nas páginas da Bíblia, e crêem apenas
na preocupação religiosa existencial sobre a
qual desenvolve os mitos.
2) Na outra, procuram preservar a maior parte dos
dados factuais e históricos das Escrituras, mas
sustentam que a Bíblia de modo algum é
revelação de Deus. Antes, Deus se revela na
Bíblia nos encontros pessoais, não, porém, de
maneira proposicional.
Cremos que qualquer criatura pode
experimentar o poder da Bíblia em sua vida, basta
deixar as teorias e viver na prática a Palavra de
Deus. Vamos, portanto observar algumas dessas
teorias:
1 Separar o essencia l das narrativas b íb licas de sua forma
literária mítica. Escoimar de mitos a mensagem cristã.
80
Teoria da Inspiração Mecânicãoú.do.D itado *
& Formulação do conceito: O autor bíblico é um
instrumento passivo na transmissão da revelação
de Deus. A personalidade do autor é posta de
lado para preservar o texto de aspectos
humanos falíveis.
^ Objeções ao conceito: Se Deus houvesse
ditado a Escritura, o estilo, o vocabulário e a
redação seriam uniformes. Mas a Bíblia indica
diferentes personalidades e modos de expressão
nos seus escritores.
L.Teoría~da Inspiração da Intuição ou'Natural
Formulação do conceito: Indivíduos talentosos
dotados de excepcional percepção foram
escolhidos por Deus para escreverem a Bíblia. A
inspiração é semelhante a uma habilidade
artística ou ao talento natural.
S Objeções ao conceito: Esta concepção torna a
Bíblia não muito diferente de outras obras
literárias religiosas ou filosóficas inspiradoras. O
texto bíblico afirma que a Escritura vem de Deus
por meio de homens (2Pe 1.20-21). * &
- c » Teoria dá iríspirãção.VerjpalAPIenáriá
& Formulação do conceito: Elementos tanto
divinos quanto humanos estão presentes na
produção da Escritura. Todo o texto da Escritura,
inclusive as próprias palavras, é um produto da
mente de Deus expresso em termos e condições
humanas.
Objeções ao conceito: Se toda palavra da
Escritura fosse uma palavra de Deus, então não
existiria o elemento humano que se observa na
Bíblia.
81
j "Teoria da Inspiração - Graus de Inspira
C j Formulação do conceito: Certas partes da
Bíblia são mais inspiradas que outras, ou
inspiradas de modo diferente. Essa concepção
admite erros de diferentes tipos na Escritura.
à? Objeções ao conceito: Não se encontra no
texto nenhuma sugestão de graus de inspiração
(2Tm 3.16). Toda a Escritura é incorruptível e
não pode falhar (Jo 10.35; IPe 1.23).
CTeoria da lnspiração dallum inação ou Mística
Formulação do conceito: Os autores humanos
foram capacitados por Deus a redigirem a
Escritura. O Espírito Santo intensificou as suas
capacidades normais.
Objeções ao conceito: O ensino bíblico indica
que a revelação veio por meio de comunicações
divinas especiais, e não por meio de capacidades
humanas intensificadas. Os autores humanos
expressam as próprias palavras de Deus, e não
simplesmente as suas próprias palavras.
82
Questionário
Assinale com "X" as alternativas corretas
1. Sabendo que o processo total da inspiração contém
três elementos essenciais, assinale a incorreta
a) CH Autoridade escrita
b) D Causalidade divina
c) D Mediação profética
d) E] Impulsividade humana
2. A ______ prende-se à origem da verdade e à sua
transmissão. A _____ relaciona-se com a recepção e
o registro da verdade
a) 0 Inspiração, iluminação
b) [3 Revelação, inspiração
c) D Inspiração, revelação
d) C] Iluminação, revelação
3. As teorias a respeito da inspiração bíblica têm
variado segundo as características de três
movimentos teológicos
a) C] A pré-ortodoxia, ortodoxia e a neo-ortodoxiab) 0 A ortodoxia, o modernismo e a neo-ortodoxia
c) D O pré-modernismo, a ortodoxia e o
modernismo
d) D O pré-modernismo, modernismo e o pós-
modernismo
4? Marque "C" para Certo e "E" para Errado
4.1~cl Qualquer criatura pode experimentar o poder da
Bíblia em sua vida, basta deixar as teorias e viver na
prática a Palavra de Deus
5.[cl Os profetas eram homens cujas mensagens não
se originaram de seus próprios impulsos, mas foram
"soprados pelo Espírito"
83
0 Ensino Bíblico a Respeito da Inspiração
Objeções têm sido levantadas contra as
teorias da inspiração, partindo de diferentes
concepções, com variados graus de legitimidade,
independentemente do ângulo de observação da
pessoa que as formula.
Visto que o objetivo deste estudo é levar
ao leitor a compreender o caráter da Bíblia; o
critério analítico que escolhemos, visa avaliar essas
teorias, levando em consideração o que as Escrituras
revelam a respeito de sua própria inspiração.
Começaremos com o que a Bíblia ensina
formalmente sobre essa questão e, depois,
examinaremos o que se acha implícito nesse ensino.
^ O que a própria Bíblia ensina a respeito de sua
inspiração.
A Bíblia declara ser um livro dotado de
autoridade divina, resultante de um processo pelo
qual, homens movidos pelo Espírito Santo
escreveram textos inspirados (soprados) por Deus.
Vamos agora examinar em minúcias1 o que significa
essa declaração.
No mesmo assunto, destacam-se ainda
duas posições que os modernistas não conseguem
negar, embora não concordem com:
1. A inspiração plena e verbal da Bíblia;
2. A inspiração e inerrância das Escrituras.
Quando dizemos inspiração verbal é para
denotar cada palavra, e, inspiração plena, para dar o
sentido de completo, inteiro; o que contraria o
conceito de inspiração parcial.
1 Pormenor. C ircunstância particular; particu laridade.
84
*" Compreendendo a inspiração divina.
Para que sua palavra chegasse a nós, Deus
usou homens, que foram auxiliados e diretamente
assistidos pelo Espírito Santo, a fim de não permitir
que eles cometessem erros quando escreviam o
registro fiel e verdadeiro da Palavra de Deus.
Foram inspirados, nas ocasiões em que
Deus pelo seu Espírito atuava em seus corações (2Pe
1.21). Eram homens cheios de fraquezas, dúvidas,
negações, divergências, etc, mas quando estavam
sob a atuação do Espírito de Deus, jamais falharam,
pois estavam nas mãos de Deus.
O apóstolo Paulo, homem de Deus, afirma
a inspiração da Palavra dizendo: "toda a Escritura
divinamente inspirada é proveitosa" (2Tm 3.16).
Paulo cria na inspiração da Bíblia.
Os autores dos livros históricos, por
exemplo, puderam separar a verdade do erro quando
buscavam as bases para suas narrativas. Na
verdade, os livros históricos têm ensinos vitais para
as nossas vidas. Paulo falou disso (ICo 10.11).
Temos um livro que os registros foram
inspirados por Deus e que todo o ensino necessário
acerca das coisas da vida fosse transmitido de
maneira singular. "Uma das artimanhas de Satanás é
desacreditar a Bíblia, como a palavra inspirada,
usando fatos e argumentos contra a ela".
Entretanto, Deus (Hb 1.1) tem falado aos
homens, inspirando outros, movidos pelo seu
Espírito Santo para comunicar com exatidão a
mensagem divina, tornando a Bíblia, O Livro
Singular! "Conhecer a Inspiração Divina da Bíblia é
conhecer o próprio Deus, movendo-se através do
tempo, usando vidas chamadas e consagradas (Is
6.8) para realizar seus propósitos".
Com inspiração queremos dizer que os
manuscritos originais da Bíblia nos foram concedidos
85
pela revelação de Deus, exatamente por isso, detêm
a absoluta autoridade de Deus, para formar o
pensamento e a vida cristã. Isso significa que tudo
quanto a Bíblia ensina constitui tribunal de apelação
infalível.
cr A snsp iração é verba!.
O texto de 2Timóteo 3.16 declara que as
graphã, i.e., os textos, é que são inspirados. "Moisés
escreveu todas as palavras do Senhor..." (Êx 24.4).
O Senhor ordenou a Isaías que escrevesse
num livro a mensagem eterna de Deus (Is 30.8).
Davi confessou: "O Espírito do Senhor fala por mim,
e a sua Palavra está na minha boca" (2Sm 23.2). Era
a Palavra do Senhor que chegava aos profetas nos
tempos do AT. Jeremias recebeu esta ordem: "... não
te esqueças de nenhuma Palavra" (Jr 26.2).
Jesus e seus apóstolos ressaltaram a
revelação registrada ao usar repetidamente a
expressão "está escrito" (Mt 4.4,7; Lc 24.27,44).
Paulo testemunhou: "... falamos, não com
palavras de sabedoria humana, mas com as que o
Espírito Santo ensina..." (ICo 2.13). João nos
adverte quanto a não "tirar quaisquer palavras do
livro desta profecia" (Ap 22.19).
As Escrituras (i.e. os escritos) do AT são
continuamente mencionadas como Palavra de Deus.
No célebre sermão da montanha, Jesus declarou que
não só as palavras, mas até mesmo os pequeninos
sinais d iacrít icos1 de uma palavra hebraica vieram de
Deus: "Em verdade vos digo que até que a terra e o
céu passem nem um jota ou um til se omitirá da lei,
sem que tudo seja cumprido" (Mt 5.18).
1 Sinal que se apõe a uma letra para dar-lhe novo valor, como
cedilha, til, acentos, ou, nos a lfabetos fonéticos, a um símbolo,
para indicar as característ icas de um som, tais como duração e
articulação secundária.
86
Portanto, o que se diz como teoria a
respeito da inspiração das Escrituras, fica bem claro
que a Bíblia reivindica para si mesma toda a
autoridade verbal ou escrita. Diz a Bíblia que suas
palavras vieram da parte de Deus.
Inspiração verbal significa que, na
preparação das Escrituras, a superintendência do
Espírito Santo se estende às próprias palavras
empregadas. A Bíblia constantemente afirma que as
suas palavras foram dadas ou dirigidas pelo Espírito
Santo (At 28.25; *LCo 2.13; 2Pe 1.21).
^ A inspiração é plena.
A inspiração plena da Bíblia é fato
incontestável porque assuntos vitais como expiação,
salvação, ressurreição, recompensas e castigo
futuros requerem a direção de um Espírito infalível a
fim de se evitarem informações que levem ao erro.
Inspiração plena significa que toda a Bíblia é
inspirada em todas as suas partes.
Cristo nunca fez distinção entre os livros
da Bíblia quanto à sua origem divina e autenticidade,
mas aplica a expressão "Palavra de Deus" a todo o
cânon do Antigo Testamento. O mesmo fez os
apóstolos (2Tm 3.16).
Na verdade, os escritores bíblicos
escreveram suas mensagens com palavras de seu
próprio vocabulário, porém, inspirados e
influenciados pelo Espírito Santo.
Ele guiou os escritores na escolha das
palavras de acordo com a personalidade e o contexto
cultural de cada um. Apesar de conter palavras
humanas, a Bíblia é a Palavra de Deus.
Deus deu a Palavra e providenciou o modo
de garantir a autenticidade da sua Palavra, que os
homens de Deus haveriam de escrever. Ele não
escreveu nenhuma parte da Bíblia. Uma vez escreveu
87
com o seu dedo os Dez Mandamentos em duas
tábuas de pedra, em ambas as bandas (Êx
32.15,16), porém, Moisés quando viu o bezerro de
ouro que os israelitas haviam feito, arremessou as
tábuas, quebrando-as ao pé do monte (Êx 32.19).
Jesus escreveu uma só vez na terra (Jo 8.8).
Deus, ao dar aos homens o Livro Divino,
escolheu e preparou para isto servo seus, dando
plena inspiração pelo Espírito Santo a eles (IPe
1.10-12; 2Pe 1.21; lTm 3.16, Jó 32.18-20, etc).
Cada autor escreveu conscientemente
conforme o seu estilo e vocabulário e a sua maneira
individual de se expressar, mas todos sob a
influência da inspiração do Espírito Santo. Assim as
palavras, com que registraram o que receberam de
Deus, foram-lhes ensinadas pelo Espírito (ICo 2.13).
Davi, que era rei e profeta, disse: "O
Espírito de Deus falou por mim e a sua palavra
esteve na minha boca" (2Sm 23.2).Desta maneira
ficou toda a Bíblia inspirada pelo Espírito Santo.
É realmente um milagre! O mesmo Espírito
que inspirou Moisés a escrever os primeiros cinco
livros da Bíblia (Êx 24.1-4, Nm 33.2), cerca de 1.550
anos antes de Cristo, inspirou também o apóstolo
João a escrever o seu Evangelho, e as suas três
Epístolas e o Apocalipse, no ano 90 d.C.
Esta inspiração plena atinge até as
palavras usadas, inclusive a sua forma gramatical.
Temos vários exemplos na Bíblia que mostram como
a forma gramatical adequada, que os autores
aplicaram, serviu para explicar grandes e
importantes doutrinas (cf. Mt 22.32), onde Jesus
empregou o verbo "ser", na forma de presente (Eu
sou o Deus de Abraão, etc) para provar a real
existência de vida após morte.
Em Gálatas 3.16 vemos como a forma
singular do substantivo "posteridade" foi usada para
88
dar um importante ensino, como a promessa dada a
Abraão se cumpriu na pessoa de Jesus. O mesmo
pode ver também em Hebreus 12.27; João 8.57 e em
muitos outros exemplos.
A teologia modernista não aceita a
doutrina sobre a inspiração plenária da Bíblia. Eles
concordam em aceitar que as idéias ou pensamentos
da Bíblia podem ser inspirados, mas que as palavras
usadas, no texto, são um produto de autores, os
quais estão sujeitos a erros.
Outros reconhecem a Bíblia como
autoridade em assuntos meramente espirituais,
porém, em tudo que se relaciona com ciência,
biologia, geologia, história, etc, a Bíblia não pode
ser considerada uma autoridade.
Eles dizem abertamente: "Errar é
humano". Para dar uma aparência de piedade e
respeito às coisas de Deus eles dizem: "A Bíblia
contém a Palavra de Deus, mas ela não o é".
Infelizmente esta crítica materialista contra a
veracidade da Bíblia tem se espalhado. A falsamente
chamada "ciência" faz com aqueles que a professem
se desviem da fé ( lTm 6.20,21).
Para os crentes convictos da sua salvação,
que vivem em comunhão com Deus e sentem a
operação do Espírito Santo em suas vidas, esta
crítica não gera problemas. Eles simplesmente
rejeitam terminantemente qualquer afirmativa
contrária à Bíblia. Eles o fazem com convicção. A
base desta rejeição é segura. Vejamos:
s Rejeitamos toda a crítica contra a Bíblia, porque
Jesus considerou a Bíblia como a "Palavra de
Deus” (Mc 7.13). E o apoio dEle vale mais que as
idéias afirmativas de quem querem que seja.
S Rejeitamos a crítica modernista, contra a
veracidade da Bíblia, porque seria uma ofensa
contra Deus que é perfeito (Mt 5.48), afirmar que
89
a sua Palavra contém erros e mentiras. A Bíblia
afirma: "A lei do senhor é perfeita" (SI 19.7). "É
provada" (SI 18.30), e "fiéis são todos os seus
mandamentos" (SI 111.7).
A palavra da "Ciência" também nunca é a
"última palavra". "O que hoje se afirma em nome da
Ciência, amanhã outros o desfazem".
Um grande teólogo alemão, A. Luescher
constatou em uma de suas obras, que no ano de
1.850 os críticos contra a Bíblia apresentaram 700
argumentos científicos contra a veracidade da Bíblia.
Hoje, 600 destes argumentos já foram deixados por
descobertas mais atualizadas.
O que a Bíblia afirma é como uma rocha,
que não muda por causa das ondas do mar que se
lançam contra ela. Não queremos trocar a nossa fé
na Palavra de Deus levando em conta, homens que
consideram a sua sabedoria mais que a de Deus, e
sim, que a nossa fé se apóie não na sabedoria
humana, mas no poder de Deus (ICo 2.5).
Negar a inspiração plena das Escrituras,
portanto, é desprezar o testemunho fundamental de
Jesus Cristo (Mt 5.18; 15.3-6; Lc 16.17; 24.25-
27,44,45; Jo 10.35), do Espírito Santo (Jo 15.26;
16.13; ICo 2.12-13; lTm 4.1) e dos apóstolos (2Tm
3.16; 2Pe 1.20,21). Além disso, limitar ou descartar
a sua inerrância é depreciar sua autoridade divina.
' A inspiração atribui autoridade.
O termo "Escritura", conforme se encontra
em 2Timóteo 3.16, refere-se principalmente aos
escritos do Antigo Testamento (2Tm. 3.15).
Há evidências, porém, que os escritos do
Novo Testamento já eram considerados escritura
divinamente inspirada por volta do período em que
Paulo escreveu 2Timóteo ( lTm 5.18, cita Lc 10.7;
2Pe 3.15,16). Para nós, a Escritura refere-se aos
90
escritos divinamente inspirados tanto do AT quanto
do NT, isto é, a Bíblia. São (os escritos) as
mensagens originais de Deus para a humanidade, e o
único testemunho infalível da graça salvífica de Deus
para todos.
Paulo afirma que toda a Escritura é
inspirada por Deus. A palavra "inspirada" (gr.
theopneustos) provém de duas palavras gregas:
^ Theos, que significa "Deus";
s Pneuõ, que significa "respirar".
Sendo assim, "inspirado" significa "aquilo
que é soprado ou respirado por Deus". Toda a
Escritura, portanto, é "respirada" por Deus; é a
própria vida e Palavra de Deus. Deste modo,
entendemos que o Espírito inspirou cada palavra da
Bíblia, capacitando os escritores a registrarem de
modo correto e preciso a revelação divina.
A Bíblia, nas palavras dos seus
manuscritos originais, é inerrante; sendo verdadeira,
fidedigna e infalível. Esta verdade permanece
inabalável, não somente quando a Bíblia trata da
salvação, valores éticos ou morais, como também
está isenta de erro em tudo aquilo que ela trata
inclusive a história e o cosmos (cf. 2Pe 1.20,21).
Os escritores do AT estavam conscientes
em dizer e escrever ao povo que era realmente a
Palavra de Deus (Dt 18.18; 2Sm 23.2).
Repetidamente os profetas iniciavam suas
mensagens com a expressão: "Assim diz o Senhor".
Jesus também ensinou que a Escritura é a inspirada
Palavra de Deus até em seus mínimos detalhes (Mt
5.18). Afirmou que tudo quanto Ele disse foi
recebido da parte do Pai e é verdadeiro (Jo 5.19,30,
31; 7.16; 8.26). Ele falou da revelação divina ainda
futura (isto é, a verdade revelada do restante do
NT), da parte do Espírito Santo através dos
apóstolos (Jo 16.13; cf. 14.16,17; 15.26,27).
91
Na sua ação de inspirar os escritores pelo
seu Espírito, Deus, sem violar a personalidade deles,
agiu neles de tal maneira que escreveram sem erro
(2Tm 3.16; 2Pe 1.20,21; ver ICo 2.12,13).
A inspirada Palavra de Deus é a expressão
da sabedoria e do caráter de Deus e pode, portanto,
transmitir sabedoria e vida espiritual através da fé
em Cristo (Mt 4.4; Jo 6.63; 2Tm 3.15; IPe 2.2).
A Bíblia é um testemunho infalível e
verdadeiro de Deus, na sua atividade salvífica a
favor da humanidade, em Cristo. Ela é incomparável,
eternamente completa e incomparavelmente
obrigatória. Nenhuma palavra de homens ou
declarações de instituições religiosas iguala-se à
autoridade delas.
Qualquer comentário, explicação, doutrina,
interpretação e tradição devem ser julgadas e
validadas pelas palavras e mensagens da Bíblia (Dt
13.3). A Bíblia como Palavra divina deve ser
recebida, crida e obedecida como a autoridade
suprema em todas as coisas pertencentes à vida e à
piedade (Mt 5.17-19; Jo 14.21; 15.10; 2Tm 3.15,16).
Na Igreja, a Bíblia deve ser a autoridade
final em todas as questões: de ensino, repreensão,
correção, doutrina e instrução na justiça (2Tm
3.16,17).
Ninguém pode submeter-se ao senhorio de
Cristo sem estar submisso a Deus e à sua Palavra
como a autoridade máxima (Jo 8.31,32, 37). E só
podemos entender devidamente a Bíblia se
estivermos em harmonia com o Espírito Santo. Ele
quem abre nossas mentes para compreendermos o
seu sentido, e dá-nos testemunho em nosso interior
de sua autoridade.
Devemos nos firmar na inspirada Palavra
de Deus para vencermos o poder do pecado, de
Satanás e do mundo (Mt 4.4; Ef 6.12,17; Tg 1.21).
92
& Nota:
Não devemos deixar de observar que a
Bíblia é infalível na sua inspiração somente no texto
original dos livros que lhe são inerentes.
Logo, sempre que acharmos nas Escrituras
alguma coisa queparece errada, ao invés de
pressupor que o escritor daquele texto bíblico
cometeu um engano, deve ter em mente três
possibilidades no tocante a tal suposto problema:
1. As cópias existentes do manuscrito bíblico
original podem conter inexatidão;
2. As traduções atualmente existentes do texto
bíblico grego ou hebraico podem conter falhas;
3. A nossa própria compreensão do texto bíblico
pode ser incompleta ou incorreta.
Questionário
S? Assinale com "X" as alternativas corretas
6. É incerto dizer que
a) H Cristo fez distinção entre os livros da Bíblia
quanto à sua origem divina e autenticidade
b) LU A Bíblia reivindica para si mesma toda a
autoridade verbal ou escrita e diz que suas
palavras vieram da parte de Deus
c) D Os manuscritos originais da Bíblia nos foram
concedidos pela revelação de Deus, e por isso,
detêm a absoluta autoridade divina, para formar
o pensamento e a vida cristã
d) D A Bíblia declara ser um livro dotado de
autoridade divina, resultante de um processo pelo
qual, homens movidos pelo Espírito Santo
escreveram textos inspirados por Deus
93
7. É correto afirmar que
a) CUJ A teologia modernista aceita a doutrina sobre
a inspiração plenária da Bíblia
b) d l A teologia modernista não concorda em aceitar
que as idéias ou pensamentos da Bíblia podem ser
inspirados
c) Q Os escritores bíblicos escreveram suas
mensagens a partir de um vocabulário novo e
divino
d) H O Espírito Santo guiou os escritores na escolha
das palavras de acordo com a personalidade e o
contexto cultural de cada um
8. É incorreto dizer que:a) IZI Só podemos entender devidamente a Bíblia se
estivermos em harmonia com o Espírito Santo
b) S Jesus também ensinou que a Escritura não é a
inspirada Palavra de Deus em seus mínimos
detalhes
C ) D O Espírito Santo inspirou cada palavra da
Bíblia, capacitando os escritores a registrarem de
modo correto e preciso a revelação divina
d)[ZI A inspirada Palavra de Deus é a expressão da
sabedoria e do caráter de Deus e pode, portanto,
transmitir sabedoria e vida espiritual através da
fé em Cristo
4? Marque "C" para Certo e "E" para Errado
9.[ç] Os crentes convictos da sua salvação, rejeitam
terminantemente qualquer afirmativa contrária à
Bíblia
10.L£] Negar a inspiração plena das Escrituras,
portanto, é aceitar o testemunho fundamental de
Jesus Cristo, do Espírito Santo e dos apóstolos
94
Revelação Bíblica
"... toda Escritura é divinamente
inspirada..." (2Tm. 3.16). Esta declaração fortalece
que as Escrituras têm sua origem sobrenatural e,
portanto, ela é infalível Palavra de Deus.
Quando ainda não havia Palavra de Deus
escrita, o Todo-Poderoso revelava-se verbalmente às
suas criaturas na terra.
'e' A revelação divina nas Escrituras.
A palavra "revelação" significa "mostrar,
tornar conhecido". No latim reveiare significa "por
para trás o véu para que se veja o que está
encoberto".
O significado bíblico de revelação é
"descobrir, despir, tornar a verdade conhecida". Ora,
"Deus é Espirito" (Jo 4.24), por isso, é imperceptível
aos sentidos físicos; todavia Ele pode ser conhecido
pela revelação que faz de si mesmo aos homens.
Revelação é o desvendamento que Deus
faz de si mesmo, girando em torno da pessoa de
Jesus Cristo, através da criação, da história, da
consciência humana e das Escrituras. Ela é dada
através de acontecimentos e de palavras. Não há
termo técnico para exprimir a idéia nas Escrituras, a
mesma é expressa de vários modos.
95
Duas palavras gregas são mais comumente
usadas: apocalúptein e farenoun. Entre as duas há
sutis sombras de significados. A primeira significa
"desvendamento", ao passo que a segunda aponta
mais para o conceito de "manifestação daquilo que
fora desvendado". Portanto, a idéia de revelação
envolve o que antes era misterioso, oculto e
desconhecido.
Os teólogos geralmente descrevem a
revelação divina em termos de revelação geral e de
revelação especial.
s A revelação geral consiste no testemunho que
Deus dá de si mesmo através da criação, da
história e da consciência humana. Aparece em
trechos como Salmos 19; Atos 14.8-18; 17.16-
34; Romanos 1.18-32; 2.12,16; etc.
s A revelação especial é o desvendamento que
Deus faz de sim mesmo, dentro da história da
salvação (revelação na realidade), e na palavra
interpretativa das Escrituras (revelação na
Palavra).
Modelos de Revelação
1. Revelação como Doutrina.
O Definição: A revelação é dotada de autoridade
divina, sendo transmitida pelo meio (palavras)
exclusivo da Bíblia. As suas proposições em geral
assumem o caráter da doutrina.
S? Propósito: Despertar a fé salvadora por meio da
aceitação da verdade revelada de maneira suprema
em Jesus Cristo.
t Partidários: Pais da Igreja, Igreja Medieval,
Reformadores, B. B. Warfield, Francis Schaeffer e
Concílio Internacional Sobre Inerrância Bíblica.
96
03 Visão aeral da Bíblia: A Bíblia é a Palavra de Deus
(tanto na forma como no conteúdo).
1 Relação com a história: A revelação é trans-
histórica (ela é discreta e determinativa quanto à
sua contigüidade1 com a história).
* Meio de apreensão humana: Iluminação (pelo
Espírito Santo).
b£5 Hermenêutica básica: Indução (objetiva).
Pontos fortes alegados:
</ Deriva do próprio testemunho da Bíblia sobre si
mesma;
É a concepção tradicional, desde os pais da
Igreja até o presente;
v É distintivo em virtude da sua coerência interna;
✓ Provê o fundamento para uma teologia
consistente.
-♦ Pontos fracos alegados:
y A Bíblia não reivindica a sua própria
infalibilidade proposicional. Os exegetas antigos
e medievais eram abertos a interpretações
alegóricas/espirituais. A diversidade de termos e
convenções literárias milita contra esse modelo.
y A ciência moderna refuta o literalismo bíblico e
outras noções ligadas a esse modelo,
y Sua hermenêutica ignora o poder sugestivo do
contexto bíblico.
2. Revelação como Evento Histórico.
O Definição: Revelação é a demonstração da
disposição e capacidade redentora de Deus
conforme testificada por seus grandes feitos na
história humana.
1 Estado de contíguo. Proxim idade, v iz inhança, adjacência.
97
Propósito: Instilar esperança e confiança no Deus
da história.
t Partidários: Willian Temple, G. Ernest Wright,
Oscar Cullman e Wolfhart Pannenberg.
d l Visão geral da Bíblia: A Bíblia é um evento. Está
ligada à auto-revelação de Deus manifesta
indiretamente na totalidade de sua atividade na
história. Ela nunca é extrínseca seja à continuidade
ou à particularidade dessa história.
2 Relação com a história: A revelação é intra-
histórica (a Bíblia revela a história dentro da
história).
* Meio de apreensão humana: Razão.
k* Hermenêutica básica: Dedução objetiva/subjetiva.
■* Pontos fortes alegados:
<✓ Tem valor religioso pragmático1 por causa do seu
caráter concreto;
✓ Identifica certos temas bíblicos subestimados ou
ignorados pelo modelo proposicional (Revelação
como Doutrina);
✓ É mais orgânico em sua abordagem e aponta
para um modelo de história;
v É não-autoritário, sendo assim mais plausível* 2
para a mentalidade contemporânea.
Pontos fracos alegados:
y Relega a Bíblia a uma posição de "fenômeno". É
virtualmente desprovido de sustentação
teológica. Apesar de sua alegada plausibilidade,
não promove o diálogo ecumênico3.
‘ Suscetível de aplicações práticas; voltado para a ação.
2Que merece aplauso. Razoável, aceitável, admissível.
3 Diz-se do crente que manifesta d isposição à convivência e
diálogo com outras confissões religiosas.
98
3. Revelação como Experiência Interior.
0 Definição: Revelação é a auto-manifestação de
Deus por meio de sua presença íntima nas
profundezas do espírito e da psiquê humanas.
Propósito: Propiciaruma experiência de união com
Deus que equivale à imortalidade.
1 Partidários: Friedrich Schleirmacher, D. W. R.
Inge, C. H. Dodd e Karl Rahner.
d Visão geral da Bíblia: A Bíblia contém a palavra
de Deus (misturada com os elementos humanos de
erro e mito: a Bíblia é uma "casca" que envolve o
"cerne" da verdade). Essa verdade somente pode
ser apreendida (experimentada) por meio de
iluminação pessoal.
I Relação com a história: A revelação é psico-
histórica (ela relaciona-se com a história como uma
imagem mental da continuidade humana).
' Meio de apreensão humana: Intuição.
ES Hermenêutica básica: Ecletismo (subjetiva).
•* Pontos fortes alegados:
v Oferece defesa contra uma crítica racionalista da
Bíblia;
v Promove a vida devocional. A sua flexibilidade
incentiva o diálogo inter-religioso.
Pontos fracos alegados:
y Faz uma seleção arbitrária de dados bíblicos;
M Substitui o conceito bíblico da eleição pelo
elitismo1 natural. Por sua ênfase na experiência,
faz um divórcio entre revelação e doutrina;
y Sua orientação experimental também apresenta
o risco de uma excessiva introspecção na prática
devocional.
S is t e m a que favorece as elites, com preju ízo da maioria. Ideal
ou concepção de vida fundada em tal sistema.
99
4. Revelação como Presença Dialética.
0 Definição: Revelação é a mensagem de Deus
àqueles que Ele confronta com a sua Palavra na
Bíblia e com Cristo na proclamação cristã.
+ * Propósito: Gerar a fé como a adequada
consumação meta-revelatória de si própria.
J Partidários: Karl Barth, Emil Brunner e Jonh
Baillie.
d Visão Geral da Bíblia: A Bíblia torna-se a palavra
de Deus a nós (a revelação não é estática, mas
dinâmica, e tem que ver com a contingência da
resposta humana) na medida em que é dinamizada
pelo Espírito Santo.
1 Relação com a história: A revelação é supra-
histórica (a Bíblia revela a "história além da
história").
*' Meio de apreensão humana: Razão "transacional"
(interação com a fé intrínseca à revelação).
i<1 Hermenêutica básica: Indução (subjetiva).
-> Pontos fortes alegados:
•/ Procura apoiar-se sobre um fundamento bíblico;
</ Evidencia um claro enfoque cristológico, porém
não ortodoxo;
«/ Oferece a oportunidade de encontro com Deus.
-» Pontos fracos alegados:
y Embora fundamentado na Bíblia, carece de
coerência interna;
y Sua linguagem paradoxal1 é confusa;
y Sua obscuridade ao relacionar o Cristo da fé com
o Jesus histórico enfraquece a sua validade.
1 Que encerra paradoxo ou se funda em paradoxo. Paradoxo:
Conceito que é ou parece contrário ao comum; contra-senso,
absurdo, d isparate.
100
5. Revelação como Nova Consciência.
O Definição: Revelação é o atingir de um nível
superior de consciência à medida que se é atraído
para uma participação mais frutífera na criatividade
divina.
t Propósito: Obter a reestruturação da percepção e
da experiência; e uma autotransformação
simultânea.
t Partidários: Teihard de Chardin, M. Blondel,
Gregory Baum, Leslie Dewart, Ray L. Hart e Paul
Tillich.
CO Visão geral da Bíblia: A Bíblia é um paradigma -
um mediador pelo qual se pode obter
autotransformação e transcendência (mas ela é
somente um esforço humano que utiliza uma
linguagem humana "claudicante1" com vistas a esse
objetivo).
S Relação com a história: A revelação é não-
histórica (a história torna-se irrelevante ao ser
submetida a contínuas re-interpretações de
transcendência pessoal).
,Jf Meio de apreensão humana: Meditação racional /
mística.
fí*i Hermenêutica básica: Ultra-ecletismo* 2 (subjetiva
ao extremo).
Pontos fortes alegados:
v Evita a inflexibilidade e o autoritarismo.
Respeita o papel ativo da pessoa no processo de
revelação. Harmoniza-se com o pensamento
evolucionista ou transformacionista;
v Sua filosofia satisfaz a necessidade de um viver
frutífero no mundo.
'Q u e claudica. Incerto, vacilante, duvidoso.
2 Reunião de e lementos doutr inários de origens d iversas que não
chegam a se articular em uma unidade sistemática consistente.
101
-» Pontos fracos alegados:
y Faz violência a Escritura por meio de suas
interpretações não-ortodoxas;
y É um néo-gnosticismo inadequado para uma
experiência cristã significativa;
y Nega o valor cognitivoVobjetivo da Bíblia em sua
totalidade.
Categorias da Revelação Divina
As Escrituras nos informam sobre três
modos pelos quais Deus têm se revelado às suas
criaturas terrenas:
1. A revelação natural manifesta na Criação.
É impossível negar a existência de Deus
diante da beleza da Criação (SI 19.1-6). Entretanto,
quando entrou o pecado no mundo, o homem
desviou-se do Criador e, conseqüentemente, a
revelação natural tornou-se insuficiente. Daí a
necessidade de uma revelação mais objetiva e
explícita - a escrita (At 14.17).
2. A revelação escrita.
Por esse modo, Deus revelou seu amor à
obra-prima da Criação, o homem; demonstrando-lhe
o desejo de manter comunhão com ele e revelar-lhe
sua soberana vontade através da escrita.
Este modo de revelar-se não anulou a
revelação natural, mas tornou-a ainda mais viva e
real, propiciando ao homem uma revelação pessoal,
como o Todo-Poderoso e suficiente.
Para que sua Palavra fosse conhecida por
todos os homens através da escrita, o Senhor
escolheu dois ricos idiomas, o hebraico e o grego. 1
1 Relativo à cognição, ou ao conhecimento.
102
3. A revelação pessoal.
Deus é um ser Pessoal que se comunica
com suas criaturas racionais. Não é uma força ou
energia cósmica, nem tampouco, qualquer coisa
neutra e impessoal. Ele é único e singular, tem
personalidade, pensa, decide, e tem sentimentos.
Sua revelação pessoal ao homem foi feita
através do Verbo Divino que se fez carne, Jesus
Cristo (Jo 1.1-12). As profecias bíblicas anunciavam
uma revelação pessoal de Deus através de Jesus (Jo
1.18; 5.39).
Modalidades da Revelação Especial
Eventos Miraculosos.
Deus atuando no mundo de maneiras
históricas concretas, afetando o que ocorre.
Exemplos:
s Chamado de Abraão (Gn 12);
s Nascimento de Isaque (Gn 21);
s Páscoa (Êx 12);
s Travessia do Mar Vermelho (Êx 14).
Comunicações Divinas.
A revelação de Deus por meio da
linguagem humana. Exemplos:
v Linguagem audível: Deus falando a Adão no
Éden (Gn 2.16) e a Samuel no templo (ISm
3.4);
S O ofício profético (Dt 18.15-18);
s Sonhos (Daniel, José);
S Visões (Ezequiel, Zacarias, João no
Apocalipse);
S A Escritura (2Tm 3.16).
103
* Manifestações Visíveis.
Deus manifestando-se em forma visível.
Exemplos:
s Teofanias1 do AT antes da encarnação de Jesus
Cristo (geralmente descrito como o Anjo do
Senhor, Gn 16.7-14, ou como um homem,
como no caso de Jacó, Gn 32);
s A glória do shekinah (Êx 3.2-4; 24.15-18;
40.34-35);
•/ Jesus Cristo (a inigualável manifestação de
Deus como um verdadeiro ser humano, com
todos os processos e experiências humanas
tais como o nascimento, a dor e a morte; Jo
1.14; 14.9; Hb 1.1-2).
Questionário
S? Assinale com "X" as alternativas corretas
1. Consiste no testemunho que Deus dá de si mesmo
através da criação, da história e da consciência
humana
a) D A revelação progressiva
b) EH A revelação antrópica
c) D a revelação especial
d) 0 A revelação geral
2. O modelo de revelação que tem uma visão geral da
Bíblia como a Palavra de Deus, tanto na forma como
no conteúdo
a) d Revelação como Experiência Interior
b) H Revelação como Doutrina
c) I I Revelação como Evento Histórico
d) d Revelação como Nova Consciência
1 Manifestação de Deus, desde a voz até a imagem, perceptível
pelos sentidos humanos.
104
3. As revelações especiais no nascimento de Isaque e
na travessia do mar Vermelho são exemplos de
a ) d l Manifestações visíveis
b) I I Comunicações divinas
c) ®Eventos miraculosos
d) ® Teofanias
Marque "C" para Certo e "E" para Errado
4 M Quando ainda
o Todo-Poderoso
criaturas na terra
não havia Palavra de Deus escrita,
revelava-se verbalmente às suas
5 □ É o único modo pelo qual Deus tem se revelado às
suas criaturas terrenas: a revelação escrita
105
Teologia e Revelação
A possibilidade da teologia advém da
revelação de Deus, dos dons com que o homem foi
dotado. A idéia cristã tem sido a de que temos
através das Escrituras a Palavra revelada e que elas
constituem, portanto, a fonte suprema para a
teologia. Vamos apresentar provas para esta crença.
* Argumento a priori.
Este é um argumento, que vai de algo
interior para algo exterior. No que diz respeito a
presente discussão, ele pode ser enunciado: sendo o
homem o que é, e sendo Deus o que é; examinemos
mais de perto as partes deste argumento:
O homem não é apenas um pecador
debaixo da condenação da morte eterna, como ele
também se inclina para longe de Deus, ignorante a
respeito dos propósitos e dos métodos de salvação
de Deus por suas próprias forças.
Ele se encontra, em outras palavras, em
uma condição desesperadora, da qual ele apenas
parcialmente tem consciência, e não sabe se pode
ser salvo desta condição e nem se isso for possível,
como fazê-lo.
As revelações não escritas geral e especial
de Deus não oferecem respostas reais a esta
questão. Vê-se claramente, portanto, que ele precisa
de instrução infalível a respeito de seu mais
importante bem na vida: seu bem eterno.
Acima desta necessidade profunda do
homem, temos os atributos e caráter singular de
Deus que se tornam possível, se não provável, a
satisfação dessa necessidade.
Deus é onisciente, santo, amoroso, bom e
onipotente. Como Ele é onisciente, Ele conhece tudo
sobre a necessidade do homem; como Ele é santo,
106
não pode desculpar o pecado e aceitar um
relacionamento com o homem enquanto ele estiver
nessa condição, como Ele é amoroso e bom, pode ser
levado a procurar e por em funcionamento um plano
de salvação; e como Ele é onipotente, pode não
apenas revelar a si próprio, mas também dar por
escrito as revelações a seu respeito que forem
necessárias para a experiência de salvação.
É certo què este argumento não nos leva
além de mera possibilidade, ou quando muito da
probabilidade.
Apesar de sabermos que Deus é amor e
que Ele exerce esse atributo em sua divindade, se
não tivermos uma revelação clara a esse respeito,
não teremos certeza que Ele ama ao pecador.
Não podemos fazer de seu amor uma
atitude necessária da parte dEle, ou então o amor
não será mais amor, e a misericórdia não será mais
misericórdia, e a graça não será mais graça.
O elemento de voluntariedade tem que ser
mantido em todos eles. Mas, mesmo assim, o
argumento tem certo valor por inspirar a esperança
que Deus pode satisfazer às mais profundas
necessidades dos homens.
^ Argumento da analogia.
Este é o argumento resultante da
correspondência entre as proporções ou relações
entre coisas. Ele fortalece o argumento anterior em
direção à probabilidade de uma incorporação da
revelação divina. O argumento pode ser apresentado
em duas partes:
•* Primeira parte:
Onde a comunicação entre indivíduos
possuidores de algum tipo de inteligência se faz
necessária; encontramos a "revelação".
107
Existe pronunciamento direto. Até mesmo
os animais inferiores expressam com suas vozes
seus diferentes sentimentos. E quando entramos no
domínio da vida humana, percebemos uma presença
correspondente aos poderes notados nas criaturas
inferiores. Observamos algum tipo de fala para a
sociedade.
Existe comunicação direta de uma para
outra, uma revelação constante, imediata de
pensamentos e sentimentos íntimos, expressa de
maneira a ser claramente compreendida.
Conseqüentemente, não pode haver
oposição ao fato de uma revelação direta, clara e
verdadeira, tirada da analogia com a natureza.
Apesar de que este argumento não pode
ser válido para provar que a revelação de Deus vai
ser incorporada em um livro, ele contribui para essa
opinião.
-* Segunda parte:
Observa que na natureza há sinais de
bondade reparadores, e na vida dos indivíduos e
nações há evidências de paciência em ações
providenciais que permitem a esperança de que,
como diz Strong: "Enquanto a justiça for exercida,
Deus pode ainda dar a conhecer alguma maneira de
restaurar os pecadores".
Strong acha que: "este fato está
subentendido nas providências para a cura de
machucaduras em plantas e pela restauração de
ossos quebrados na criação animal, na provisão de
agentes medicinais para a cura das enfermidades
humanas, e especialmente na demora para o
arrependimento" .
Esses fatos todos fornecem alguma base
para se pensar que o Deus da natureza é um Deus
de paciência e misericórdia. Dissemos no começo
108
desta seção que este argumento nos leva um pouco
mais longe do que o argumento priori.
O primeiro simplesmente oferece a
esperança de que Deus possa vir em socorro de um
ser caído; o segundo, mostrando que Deus
providenciou a cura de muitos males nos mundos
animal e vegetal e, que ele lida pacientemente e
benevolamente com a humanidade em geral, prova
de que Ele realmente vem em socorro de suas
criaturas carentes.
Mais uma vez, porém, podemos derivar
deste argumento, apenas de maneira muito geral, a
garantia de que Ele revelará seus planos e
promessas em registro escrito...
{jr Argumento da indestrutibilidade da Bíblia.
Quando lembramos que apenas uma
porcentagem pequena de livros sobrevive além de
um quarto de século, e apenas um número pequeno,
dura mil anos; percebemos imediatamente que a
Bíblia é um livro diferente. Lembrando-nos das
circunstâncias nas quais ela tem sobrevivido, este
fato torna-se surpreendente.
Pink diz: "Quando pensamos no fato da
Bíblia ter sido algo especial, de infindái/ei
perseguição, a maravilha da sua sobrevivência se
transforma em um milagre. Por dois mil anos, o ódio
do homem pela Bíblia tem sido persistente,
determinado, incansável e assassino".
Todos os esforços possíveis têm sido feito
para corroer a fé na inspiração e autoridade da
Bíblia, e inúmeras operações têm sido levantadas a
efeito para fazê-la desaparecer.
Decretos imperiais têm sido impostos,
ordenando que todas as cópias existentes da Bíblia
fossem destruídas, e quando essa medida não
conseguiu exterminar e aniquilar a Palavra de Deus,
109
ordens foram dadas para que qualquer pessoa que
possuísse uma cópia da Bíblia fosse morta.
O próprio fato de a Bíblia ser alvo de tão
incansável perseguição nos deixa maravilhados
diante de tal fenômeno. Podemos mencionar apenas
alguns dos esforços que têm sido feito para abolir ou
exterminar a Bíblia, ou, quando isso não se deu,
para roubar dela sua autoridade divina.
Os imperadores romanos logo descobriram
que os cristãos baseavam sua crença nas Escrituras.
Conseqüentemente, buscavam suprimi-los ou
exterminá-los.
O mais notável foi Dioclécio que, através
de um decreto real em 303 d.C. ordenou que todos
os exemplares da Bíblia fossem queimados. Ele havia
matado tantos cristãos e destruído Escritos Sagrados
que, quando os cristãos ficaram quietos por algum
tempo e permaneceram escondidos, ele achou que
havia realmente conseguido eliminar as Escrituras.
Ele fez com que em uma medalha fosse gravada a
seguinte inscrição: "/I religião cristã está destruída e
o culto aos deuses restaurados".
Entretanto, não demorou muito para que
Constantino subisse ao trono e fizesse do
Cristianismo a religião oficial. O que diria Dioclécio
se pudesse voltar a terra e ver como a Bíblia tem
prosseguido em sua missão mundial?!.
Durante os dois séculos em que o Papado
teve poder absoluto na Europa Ocidental (1073-1294), os estudiosos passaram a colocar o credo
acima da Bíblia. Enquanto que a maioria deles ainda
procurava o apoio das Escrituras para o credo,
alguns deles se apegavam às religiões transmitidas
apenas pela tradição e não dependentes dos
ensinamentos da Bíblia.
Fischer diz que durante este período a
leitura da Bíblia por parte dos leigos ficou sujeita a
110
tanta restrições, especialmente após a ascensão dos
Valdenses, que se, não era absolutamente proibida,
era vista com graves suspeitas.
Durante a época da Reforma, quando a
Bíblia foi traduzida para a língua do povo, a Igreja
Católica impôs severas restrições à sua leitura,
alegando que as pessoas eram incapazes de
interpretá-las por si só. Tinham que obter permissão
para tê-las, mesmo quando essa permissão era dada,
era com a condição de que o leitor não tentasse
interpretá-la por si só.
Muitos deram sua vida pela simples razão
de serem seguidores de Cristo e colocaram sua
confiança nas Escrituras.
Newman diz: "Um esforço persistente foi
feito pelos romanistas para eliminar a Bíblia
inglesa".
"Em 1543, um decreto foi passado
proibindo terminantemente o uso de versão de
Tyndale, e qualquer das Escrituras em Assembléia,
sem a permissão real". A princípio, foram feitas
tentativas de proibir a impressão de sua Bíblia; e
quando finalmente publicou seu Novo Testamento em
Woms, teve que despachá-lo para a Inglaterra em
engradados de mercadorias.
Quando os livros chegaram a Inglaterra,
foram comprados em grandes quantidades pelas
autoridades eclesiásticas e queimados em Londres,
Oxford e Antuérpia. Dos 18.000 exemplares que se
estima terem sido impressos entre 1525 a 1528,
sabe-se que apenas dois fragmentos restaram.
E interessante notar, com respeito ao que
foi acima citado, que Voltaire, o famoso infiel
francês que morreu em 1778, predisse que em 100
anos a partir de sua época, o cristianismo estaria
extinto. Mas ao invés disto, apenas vinte e cinco
anos após sua morte, a Sociedade Bíblica Inglesa e
111
Estrangeira foi fundada, e as mesmas impressoras
que haviam imprimido a literatura infiel de Voltaire
têm sido usadas desde então para imprimir a Bíblia.
Como se pode ver nem decreto imperial,
nem restrições papais, nem destruições
eclesiásticas, conseguiram exterminar a Bíblia.
Quanto maiores têm sido as tentativas de levar cabo
tal destruição, maior tem sido a circulação da Bíblia.
A mais recente tentativa de roubar a
autoridade da Bíblia é o esforço modernista para
degradá-la até ao nível de todos os outros livros
religiosos. A Bíblia é hoje encontrada em mais de
1.000 línguas no mundo. O fator de
indestrutibilidade da Bíblia pesa fortemente de ser
ela a mensagem escrita de uma revelação divina.
* Argumento da natureza da Bíblia.
Quando consideramos a natureza da Bíblia,
somos forçados chegar a uma única conclusão: "Ela
é a mensagem escrita de uma revelação divina".
Em primeiro lugar:
Consideramos o conteúdo da Bíblia.
s Este livro inteiro reconhece a personalidade,
unidade e trindade de Deus;
S Magnifica a santidade e o amor de Deus, feita
à Sua semelhança;
s Explica a criatura como sendo uma criação
direta de Deus, feita também à Sua
semelhança;
S Expõe a criatura com uma livre rebeldia contra
a vontade revelada de Deus;
v' Mostra a condição de pecador do homem e seu
possível perdão;
s Ensina sobre o governo soberano de Deus no
universo;
112
s Apresenta, com grandes detalhes a salvação
providenciada por Deus e as condições pelas
quais ela pode ser experimentada;
s Delineia os propósitos de Deus com respeito a
Israel e a Igreja;
s Prediz o desenvolvimento do mundo: social,
econômico, político e religiosamente;
s Retrata o clímax de todas as coisas na
segunda vinda de Cristo, as ressurreições, os
julgamentos, o milênio e o estado eterno.
Que conceito e que livro! Quem, a não ser
Deus, poderia ter inventado tal esquema e quem,
alem dEle, poderia ter registrado tudo por escrito?
-» Em segundo lugar:
Consideremos a unidade da Bíblia. Apesar
de ter sido escrita por uns quarenta autores
diferentes durante um período de aproximadamente
1.600 anos, a Bíblia é um só livro. Tem um só
sistema doutrinário, somente um padrão moral, um
único plano de salvação e um exclusivo programa de
eras.
As diversas narrativas ali encontradas dos
mesmos incidentes e ensinamentos não são
contraditórios, mas suplementares. Por exemplo, as
palavras escritas na cruz foram, sem dúvida, as
seguintes: "Este é Jesus de Nazaré, o Rei dos
Judeus".
s Mateus diz: "Este é Jesus, o Rei dos Judeus"
(Mt 27.37);
s Marcos diz: "O Rei dos Judeus" (Mc 15.26);
S Lucas diz: "Este é o Rei dos Judeus" (Lc
23.38);
s João diz: "Jesus nazareno, o Rei dos Judeus"
(Jo 19.19).
113
Vemos a Lei e a Graça harmonizarem-se
quando entendemos a natureza e o propósito exatos
de cada um. Os relatos dos homens e nações que
praticaram o mal são inofensivos e até mesmo úteis
se percebermos que são registrados para serem
condenados. A doutrina do Espírito Santo se
harmoniza na natureza progressiva da revelação
desta verdade.
Falando a respeito das Escrituras
Maometanas, Zoroastranas e Budistas, Orr diz que
elas são: "destituídas de começo, meio e fim". Elas
são na maior parte, coleções de materiais
heterogêneos, juntados ao acaso. Quão diferente é
com relação á Bíblia, têm que reconhecer que são
livros singulares!
"Não há nada exatamente parecido com
ela, ou que mesmo se aproxime dela, em toda
literatura". "Considerando o conteúdo e unidade da
Bíblia, parecemos ser obrigados a concluir que ela é
incorporação de uma revelação divina".
Que homem poderia ter inventado tal visão
do mundo e da vida? Que autores poderiam
apresentá-la de forma tão harmoniosa e auto-
consistente?
"Afirmamos, portanto, que a natureza da
Bíblia prova ser ela a incorporação de uma revelação
divina".
Argumento da influência da Bíblia.
O Alcorão, o Livro dos Mórmons, Ciência e
Saúde, o Zenda Avesta, os Clássicos de Confúcio,
todos tiveram uma influência tremenda no mundo.
Mas existe uma vasta diferença entre o tipo de
influência que eles exerceram com a influência da
B íb lia .
Os primeiros conduziram a uma idéia
apagada de Deus e do pecado, até o ponto de
114
ignorá-los; produziram uma indiferença estoica par.i
com a vida e simplesmente resultaram em idéias a
respeito da moral e conduta.
A Bíblia, pelo contrário, tem produzido os
mais altos resultados em todas as esferas da vida.
Tem conduzido aos supremos tipos de criatividade
nos campos de arte, arquitetura, literatura e música.
s Pense nos grandes quadros de Rafael,
Michelangelo, Leonardo da Vinci, e dos mestres
holandeses;
s Veja, com os olhos da imaginação, as grandes
catedrais e santuários da Europa e da América;
s Relembre as obras escritas pelos antigos, pelos
reformadores protestantes, pelos poetas e
escritores ingleses, europeus e americanos;
S Relembre os grandes hinos, cantatas e oratórios
sacros;
s Examine as leis fundamentais dos países
considerados civilizados;
s Observe as grandes reformas sociais que tem
acontecido como a libertação dos escravos e o
reconhecimento dos direitos da mulher;
V Isso sem considerar o efeito regenerador sobre
milhões de vidas individuais - você encontrará
por toda parte influência mais poderosa da
Bíblia.
Onde, em todo o mundo, pode ser
encontrado um livro que mesmo remotamente1 possa
se comparar a Bíblia em toda a sua influência
beneficente sobre a humanidade? Com certeza, isto
prova que ela é revelação de Deus para a
humanidade carente.
Há mais de trinta anos apareceram na
publicação Gospel Banner (Estandarte do Evangelho)
1 Que sucedeu há muito tempo; antigo, longínquo.
115
diversascitações de grandes homens a respeito da
influência da Bíblia no mundo em suas próprias
vidas. Demos aqui algumas delas:
Willian E. Gladstoner disse: "Se me
pedirem para citar o que me conforta na tristeza, a
única regra de conduta, o verdadeiro guia na vida,
terá de indicar o que, no dizer de um hino
conhecido, é chamado a 'velha História', contada em
um livro muito antigo, que é a melhor e mais rica
dádiva de Deus para a humanidade".
Woodrow Wilson, o presidente americano
durante a I a Guerra Mundial, disse: "A opinião da
Bíblia inculcou em mim, não apenas pelo que aprendi
em casa quando menino, mas também a cada volta e
experiência da minha vida e a cada passo de estudo,
que ela é a única fonte suprema de revelação, a
revelação do significado da vida, da natureza de
Deus, e da natureza espiritual e necessidades do
homem".
A Bíblia é o único guia para a vida que
realmente leva o espírito para o caminho da paz e da
salvação.
John G. Whittier expressou de maneira
maravilhosa o fato que a verdade que os homens
buscam encontrar no mundo é, na realidade,
encontrada na Bíblia. Ele disse: "Buscamos no
mundo a verdade: Separamos o bom, puro e belo.
Gravado em pedra de pergaminho; dos velhos
campos floridos da alma e, cansados de buscar o
melhor, voltamos carregados de tesouros, para
descobrir que os sábios ditos estão nos livros que
nossas mães liam".
Argumento da profecia cumprida.
Este poderia parecer que pertence ao
argumento da natureza da Bíblia, mas devido a sua
singularidade, tratamos dele separadamente.
116
Estabelecemos o fato de que exkte
realmente a profecia que prediz um acontecimento
futuro, mostramos que as muitas profecias a
respeito de Cristo (nenhuma das quais estavam a
menos de 165 anos do primeiro advento, mesmo por
métodos modernos para o estabelecimento de datas
de livros do AT e muito mais distantes das datas
verdadeiras) foram, apesar disso, cumpridas quando
Ele veio.
Desejamos acrescentar a este tipo de
profecia algumas outras para provar que a Bíblia é a
incorporação de uma revelação divina. Somente
Deus pode revelar o futuro, e temos inúmeras provas
nas Escrituras de que Ele realmente o revelou aos
seus servos. Vamos ver aqui algumas delas:
Elliot diz: "Profecia, no sentido de
predição, é um milagre de conhecimento e pertence
tão realmente ao sobrenatural quanto aos milagres
do poder. Se, portanto, encontramos na Bíblia
predição de eventos futuros que já foram cumpridos
em todos os detalhes, temos evidência clara de que
seus escritores possuíram inteligência sobrenatura l".
A menos que desejamos então acusar os
escritores das Escrituras de representação
fraudulenta1, de escrever a história sob a forma de
predição, encontraremos muitas profecias na Bíblia
que já foram cumpridas há muito tempo.
As profecias a respeito da dispersão de
Israel já foram cumpridas em detalhes (Dt 28; Jr
15.4; 16.3; Os 3.4). No cumprimento, Samaria iria
ser conquistada, mas Judá seria preservada (Is 7.6-
8; Os 1.6,7; lR s 14.15), Judá e Jerusalém. Embora
salvas dos assírios, cairiam nas mãos dos babilónicos
(Is 39.6; Jr 25.9-12) a destruição de Samaria seria
1 Propenso à fraude. Em que há fraude; doloso; impostor;
fraudatório.
117
final (Mq 1.6-9), mas à Jerusalém deveria ser
seguida por uma restauração (Jr 29.10-14), até o
nome do restaurador de Judá foi predito (Is 44.28;
45.1); os medos e os persas haveriam de conquistar
a Babilônia (Is 21.2; Dn 5.28), a cidade de
Jerusalém, e o Templo deveriam ser reconstruídas
(Is 44.28).
Assim também há profecias a respeito das
nações gentias. Nínive, Babilônia, Tiro, Egito, Amon,
Moabe, Edom, e Filistia estão entre elas. Não é
necessário dar as referências para essas nações,
qualquer um pode
concordância.
achá-las usando uma boa
Notaríamos particularmente que as
profecias a respeito dos quatro grandes Impérios do
mundo em Daniel 2 e 7 já foram cumpridas. Algumas
partes relacionadas ao quarto desses impérios estão
manifestadamente ainda no futuro e nos levam ao
retorno de Cristo, mas as demais já foram
cumpridas.
Assim também o conflito detalhado entre a
Síria e o Egito que se seguiu à queda do Império de
Alexandre.
Tão precisa é a correspondência entre as
predições de Daniel 11 e os fatos históricos que os
anti-sobrenaturais são dogmáticos em suas
afirmações de que isto é história e não predição.
Com base nesta suposição, eles datam o
livro de Daniel entre 168-165 a.C. Mas, aqueles que
crêem nas revelações sobrenaturais de Deus
continuam a afirmar que temos neste capítulo uma
das mais fortes provas do fato de que temos na
Bíblia a incorporação da presciência divina e não um
registro de acontecimentos já passados, feito com
um piedoso logro1.
1 Engano propositado contra alguém; artif íc io ou manobra.
118
Há muitas outras predições na Bíblia que
poderiam ser mencionadas como prova da mesma
coisa. Vamos acrescentar apenas algumas.
s O progresso do conhecimento e das viagens nos
últimos tempos (Dn 12.4);
s A continuação das guerras e de rumores de
guerras (Mt 24.6,7);
S O aumento da maldade (Lc 17.26-37; 2Tm 3.1-
13);
s A preservação do remanescente de Israel (Rm
11.1-5,25-32); e
s A movimentação desses "ossos secos" e o seu
retorno à vida nacional e espiritual (Ez 37.1-
28).
Que homem poderia prever e predizer
qualquer uma destas coisas? Verdadeiramente temos
na Bíblia a mensagem escrita da revelação divina.
As Reivindicações da Própria Escritura
A Bíblia afirma ser não apenas uma
revelação da parte de Deus, mas também um
registro infalível dessa revelação. Apresentaremos
algumas provas do fato de que ela afirma ser uma
revelação de Deus. No entanto, enfrentamos já de
início a objeção de que é inadmissível recorrer ao
testemunho para provar que é uma revelação divina.
Será que o testemunho não ficaria sob suspeita?
Perguntam-nos.
Respondemos a isto que não. Se pudermos
provar a autenticidade dos livros da Bíblia e a
verdade das coisas que eles relatam a respeito de
outros assuntos, então estaremos justificados em
aceitar seu testemunho em favor de si próprio.
Se houvermos examinado as credenciais de
um embaixador e tivermos ficado satisfeitos quanto
119
à sua veracidade com respeito à autorização que
possui, podemos então aceitar também, suas
declarações pessoais a respeito de seus poderes e a
fonte de sua informação.
Temos freqüentemente declarações como
estas no Pentateuco: "Disse o Senhor a Moisés" (Êx
14.1,15, 26; 16.4; Lv 1.1; 4.1; 11.1; Nm 4.1; 13.1
Dt 32.48). Ele recebeu ordens de escrever o que
Deus lhe disse em um livro (Êx 17.14; 34.27) e
sabemos que ele assim o fez (Êx 24.4; 34.28; Nm
33.2; Dt 31.9,22, 24).
Também assim dizem os profetas: "O
Senhor é quem fala" (Is 1.2); "Disse o Senhor a
Isaías" (Is 7.3); "Mas agora assim diz o Senhor" (Is
43.1); "Palavras que veio a Jeremias da parte do
Senhor, dizendo" (Jr 11.1); "Veio expressamente a
Palavra do Senhor a Ezequiel" (Ez 1.3); "Palavra do
Senhor, que foi dirigida a Oséias" (Os 1.1); "Palavra
do Senhor, que foi dirigida a Joel" (Jl 1.1).
Afirma-se que estas declarações ocorrem
mais de 3.800 vezes no AT, declara ser uma
revelação de Deus. Os escritores do NT afirmam, da
mesma maneira, que elas declaram a mensagem de
Deus.
V Paulo afirma que as coisas que ele escreveu
eram mandamentos de Deus (ICo 14.37);
V Que os homens deviam aceitar como a própria
Palavra de Deus, aquilo que ele pregava ( lT s
2.13);
v Que a salvação dos homens depende da fé nas
doutrinas que ele ensinava (Gl 1.8).
v João ensina que seu depoimento era o
testemunho de Deus ( lJo 5.10);
V Pedro deseja que seus leitores se lembrem das
palavras que anteriormente foram ditas pelos
santos profetas, bem como do mandamentodo
120
Senhor Salvador, ensinado pelos vossos
apóstolos (2Pe 3.2).
s O autor de Hebreus prediz um castigo mais
severo para aqueles que rejeitarem a mensagem
que fora confirmada a ele por aqueles que a
ouviram (Hb 2.1-4).
s Severamente, o NT também afirma ser a
mensagem escrita da uma revelação divina.
7 O peso da evidência é cumulativo.
Se pesarmos separadamente os
argumentos apresentados nesta lição, podemos
achar que nenhum deles é conclusivo; mas se
permitirmos que cada argumento contribua com sua
parcela de verdade, será forçado a concluir que a
Bíblia, a Palavra de Deus, é uma revelação divina!
Aceitando esta idéia como estabelecida,
teremos os pré-requisitos para estudarmos os outros
assuntos da Bibliologia.
A Genuinidade
Quando aceitamos o fato que na Bíblia
temos a palavra escrita de uma revelação divina,
ficamos imediatamente interessados na natureza dos
documentos que transmitem essa revelação. Assim,
imediatamente desejamos saber se os diversos livros
da Bíblia são genuínos, dignos de crédito e
canônicos.
L? A genuinidade dos Livros da Bíblia.
Algumas pessoas usam o termo
"autenticidade", mas o uso corrente prefere o termo
"genuinidade". Os dois têm realmente o mesmo
significado.
121
Com genuinidade queremos dizer que um
livro é escrito pela pessoa ou pessoas cujo nome ele
leva, ou, se anônimo, pela pessoa ou pessoas a
quem a tradição antiga o atribui, ou, se não for
atribuído a algum autor ou autores específicos, à
época que a tradição lhe atribui.
Diz-se que um livro é forjado ou espúrio se
não tiver sido escrito na época que lhe é atribuída.
As Homilias Clementinas são atribuídas a
Clemente de Roma, mas a crítica é agora
praticamente unânime em afirmar que não foram
escritas por Clemente, mas sim por escritores
ebionistas, talvez da seita elquesiática do
ebionitismo.
O Evangelho de Tomé diz ter sido da
autoria do apóstolo Tomé, mas não é genuíno porque
não foi composto pelo apóstolo. O Credo Apostólico
não é genuíno por não ter sido escrito pelos
apóstolos.
Cremos que os livros do Antigo Testamento
e Novo Testamento são genuínos ou autênticos.
122
Questionário
Assinale com "X" as alternativas corretas
6. Imperador romano que, através de um decreto real
ordenou que todos os exemplares da Bíblia fossem
queimados
a ) [Hl Zenão
b) ÍT] Dioclécio
c) D Constantino
d ) [ZH Rômulo Augústulo
7. Argumento que considera em primeiro lugar o
conteúdo e em segundo a unidade da Bíblia
a) EH Argumento da analogia
b) [ZI Argumento da profecia cumprida
c) D Argumento da natureza da Bíblia
d) CH Argumento da influência da Bíblia
8. Não é um exemplo de predição da Bíblia
a) CH O aumento da maldade
b) D A preservação do remanescente de Israel
c) [Õ] O retrocesso do conhecimento e das viagens
nos últimos tempos
d) D A continuação das guerras e de rumores de
guerras
r Marque "C" para Certo e "E" para Errado
9. [TI O Alcorão; o Livro dos Mórmons; Ciência e Saúde;
o Zenda Avesta; os Clássicos de Confúcio; nunca
tiveram influência no mundo
10.0 O Evangelho de Tomé diz ter sido da autoria do
apóstolo Tomé, mas não é genuíno porque não foi
composto pelo apóstolo
123
Lição 5________________
Preservação e Tradução Bíblica
As Línguas Originais da Bíblia
Hebraico Antigo Testamento
Aramaico Antigo Testamento
Grego Novo Testamento
O hebraico.
Todo o AT foi escrito em hebraico, o idioma
oficial da nação de Israel, exceto algumas passagens
de Esdras, Jeremias e Daniel, que foram escritas em
aramaico. A mais extensa é em Daniel (2.4-7.28).
O hebraico faz parte das línguas semíticas,
que eram faladas na Ásia Mediterrânea, exceto em
raras regiões. As línguas semíticas formavam um
ramo dividido em grupos, sendo o hebraico
integrante do grupo cananeu. Este compreendia o
litoral oriental do Mediterrâneo, incluindo a Síria, a
Palestina e o território que constitui hoje a Jordânia.
Integrava também o grupo cananeu de línguas, o
ugarítico, o fenício e o moabítico.
O fenício tem muita semelhança com o
hebraico. O primitivo alfabeto hebraico é oriundo do
fenício, segundo a opinião dos versados na matéria.
Possivelmente Abrão encontrou esse
idioma em Canaã, ao chegar ali, em vez de trazê-lo
da Caldéia. Em Gênesis 31.47, vê-se que Labão, o
125
sobrinho de Abraão, vivendo em sua terra, a Caldéia,
falava aramaico; ao passo que Jacó, recém-chegado
de Canaã, falava o hebraico.
A língua hebraica é chamada no AT de
"Língua de Canaã" (Is 19.18) e "Língua judaica" ou
apenas: "Judaico" (Is 36.13).
Como a maior parte das línguas do ramo
semítico, o hebraico lê-se da direita para a
esquerda: O hebraico é composto de 22 letras todas
consoantes em seu alfabeto. Há sinais vocálicos,
sim, mas não podemos chamá-los de letras.
Sabe-se agora que a forma primitiva dos
caracteres hebraicos estava em uso na Palestina
1.800 anos antes de Cristo. Há exemplos mais
recentes das letras hebraicas no Calendário de Gézer
(950-920 a.C.), na Pedra Moabita (850 a.C.); na
inscrição de Siloé (702 a.C.); nas moedas do tempo
dos irmãos Macabeus (175-100 a.C.), e nalguns
fragmentos dos escritos achados junto ao mar Morto,
a partir de 1.947 d.C.
Esta forma primitiva do hebraico passou
por modificações ao longo da história. Após o exílio,
teve início a chamada "escrita quadrada", que, por
fim, foi pelos massoretas1 convertida na atual
forma do alfabeto hebraico - uma forma quadrada
modificada. As letras tipo bloco eram escritas em
maiúsculas, sem vogais, sem espaços entre palavras,
frases ou parágrafos, e sem pontuação.
A escrita hebraica dos tempos antigos só
empregava consoantes sem qualquer sinal de
vocalização. Os sons vocálicos eram supridos pelos
leitores durante a leitura, o que dava origem a
constantes enganos, uma vez que havia palavras
com as mesmas consoantes, mas com acepções
1 Cada um daqueles que co laboraram na M a s s o r á , que é o
conjunto dos comentários cr ít icos e gramatica is acerca da Bíblia
(sobretudo o Velho Testamento) feitos por doutores judeus.
126
diferentes. Quer dizer, a pronúncia exata dependia
da habilidade do leitor, levando em conta o contexto
e a tradição. É por causa disso que se perdeu a
pronúncia de muitas palavras bíblicas.
Após o século VI, os eruditos judeus
residentes em Tiberíades, passaram a colocar na
escrita, sinais vocálicos, perpetuando, assim a
pronúncia tradicional. Esses sinais são pontos
colocados em cima, em baixo e dentro das
consoantes. Os autores desse sistema de vocalização
chamavam-se massoretas - palavra derivada de
"massorah", que quer dizer tradição, isto porque os
massoretas, por meio desse sistema, fixaram a
pronúncia tradicional do hebraico.
Textos bíblicos posteriores ao século VI,
são chamados de "massorético", porque contêm
sinais vocálicos. Os mais famosos eruditos
massoretas foram os judeus Moses bem Asher e seus
filhos Arão e Naftali, que viveram e trabalharam em
Tiberíades, na Galiléia.
Além do texto massorético, há outro texto
hebraico das Escrituras, o do Pentateuco
Samaritano, que emprega os antigos caracteres
hebraicos. É do tempo pré-cristão. São, portanto,
dois tipos de textos que temos em hebraico: o
massorético e o Pentateuco Samaritano.
O aramaico.
O aramaico é um idioma semítico falado
desde 2000 a.C. em Arã ou Síria, que é a mesma
região (Arã é hebreu; Síria é grega). Nas Escrituras,
o território da Síria não é o mesmo de hoje, o que
acontece também com outras terras bíblicas.
O primitivo território estendia-se das
montanhas do Líbano até além do rio Eufrates,
incluindo Babilônia; Mesopotâmia Superior,
conhecida na Bíblia por Arã-Naaraim; e Padã-Arã (Gn
127
25.20), e outros distritos. Era ainda falado numa
grande área da ArábiaPétrea.
Algumas partes do Antigo Testamento
foram escritas nesse idioma:
S Uma palavra designando nome de lugar em
Gênesis 31.47;
s Um versículo em Jeremias (Jr 10.11);
s Cerca de seis capítulos no livro de Daniel (Dn
2 .4b-7 .28); e
v' Vários capítulos em Esdras (Ed 4.8-6.18; 7.12-
26).
A influência do aramaico foi profunda sobre
o hebraico, começando no cativeiro de Israel, em
722 a.C na Assíria. E continuando através do
cativeiro do Reino de Judá, em 587, na Babilônia.
Em 536 a.C quando Israel começou a
regressar do exílio, falava o aramaico como língua
vernácula1. É por esta razão que, no tempo de
Esdras, as Escrituras que era em hebraico, ao serem
lidas em público, era preciso alguém que pudesse
interpretá-las, para compreenderem o seu
significado (Ne 8.5,8).
No tempo de Cristo, o aramaico tornara-se
a língua oficial dos judeus e nações vizinhas, estas
foram influenciadas pelo aramaico devido às
transações comerciais dos arameus na Ásia Menor e
litoral do mediterrâneo.
Em 1000 a.C., o aramaico já era língua
internacional do comércio nas regiões situadas ao
longo das rotas comerciais do Oriente.
O aramaico é também chamado "siríaco",
no Norte (2Rs 18.26; Ed 4.7; Dn 2.4 ARC), e
também "caldaico", no sul (Dn 1.4). Tinha o mesmo
alfabeto que o hebraico, só diferia nos sons e na
estrutura de certas partes gramaticais.
1 Próprio da região em que está; nacional.
128
Do mesmo modo que o hebraico, não tinha
vogal, a partir de 800 a.C. é que os sinais vocálicos
foram introduzidos. É um idioma muito parecido com
o hebraico.
Foi usado pelo Senhor Jesus e seus
discípulos e pela Igreja Primitiva, em Jerusalém. Em
Mateus 5.18, quando Jesus diz que a menor letra é o
jota (aramaico iode), pois somente neste é que se
verifica isto (a letra iode originou o nosso i).
Nos dias de Jesus, o aramaico já se
modificara um pouco na Palestina, resultando no
"aramaico palestinense", como o chamam os
eruditos. Também em Marcos 14.36, o uso da
Palavra aramaica "abba", por Jesus, é outra
evidência de que Ele falava aquela língua. Que Ele
também falava o hebraico é evidente em Lucas 4.16-
20; uma vez que os rolos sagrados eram escritos em
hebraico.
Temos assim algumas palavras aramaicas
preservadas para nós no Novo Testamento:
s Ta l ith a Cum i ("Menina, levanta-te") em Marcos
5.41;
s Epha tha ("Abre-te") em Marcos 7.34;
s E l i, EH lam a s a b a ch th a n i ("Deus meu, Deus
meu, por que me desamparaste?") em Mateus
27.46.
s Jesus se dirigia habitualmente a Deus como
Abba ("Pai"). Note a influência disto em
Romanos 8.15 e Gálatas 4.6.
s Outra frase comum dos primeiros cristãos era
M arana tha ("Vem, nosso Senhor") em
ICoríntios 16.22.
O hebraico foi de fato absorvido pelo
aramaico, mas continuou sendo a língua oficial do
culto divino no Templo e nas sinagogas, dos rolos
sagrados, e dos rabinos e eruditos.
129
Havia escoias de rabinos, inicialmente em
Jerusalém e, depois da queda da cidade, em
Tiberíades. Havia escolas semelhantes noutros
centros judaicos.
As conquistas árabes e a propagação do
islamismo em largas áreas da Ásia, África e Europa,
reduziu e por fim destruiu a influência do aramaico.
Por sua vez, o hebraico, sendo língua morta,
começou a ressurgir.
Para que cumprissem as profecias
referentes a Israel, era necessário que a língua
revivesse e assumisse a posição que hoje desfruta
na família das nações modernas.
O aramaico ainda sobrevive numa remota e
pequena vila da Síria, chamada Ma liou la, com a
população de aproximadamente 4.000 habitantes.
Devido aos hebreus terem adotado o
aramaico como uma língua, este passou a chamar-se
hebraico, conforme se vê em João 5.2; 19.13,17,20;
Atos 21.40; 26.14; Apocalipse 9.11. Portanto,
quando o NT menciona o hebraico, trata-se na
realidade, do aramaico. Marcos, escrevendo para os
romanos, põe em seu livro referências aramaicas (Mc
5.41 e 15.34); Mateus que escreveu para os judeus
escreve a mesma passagem em hebraico (Mt 27.46).
O AT contém, além do hebraico e
aramaico, algumas palavras persas, como "tirsata"
(Ed 2.63) e "sátrapa" (Dn 3.2).
S? O grego.
Esta é a língua em que foi originalmente
escrito o NT. A única dúvida paira sobre o livro de
Mateus, que muitos eruditos afirmam ter sido escrito
em aramaico.
O grego faz parte do grupo de línguas
arianas. Vem da fusão dos dialetos: dórico e ático.
130
Os dóricos e os áticos foram as duas principais tribos
que povoaram a Grécia. É uma língua de expressão
mais precisa, e das línguas bíblicas, é a que mais se
conhece, devido a ser mais próxima da nossa.
O grego do NT não é o grego clássico dos
filósofos, mas o dialeto popular do homem da rua,
dos comerciantes, dos estudantes, que todos podiam
entender: era o "Koiné". Este dialeto formou-se a
partir das conquistas de Alexandre, em 336 a.C.
Nesse ano, Alexandre subiu ao trono e, no curto
espaço de tempo de 13 anos, alterou o rumo da
história do mundo. A Grécia tornou-se um império
mundial, e toda a terra conhecida recebeu influência
da língua grega.
Deus preparou deste modo, um veículo
linguístico para disseminar as novas do Evangelho
até aos confins do mundo, no tempo oportuno. Até
no Egito o grego se impôs, pois aí foi a Bíblia
traduzida do hebraico para o grego - a chamada
Septuaginta, cerca de 285 a.C.
Nos dias de Jesus, os judeus entendiam
quase tão bem o grego como o aramaico, haja vista
que a Septuaginta em grego era popular entre os
judeus. Nos primórdios do Cristianismo, o Evangelho
pregado ou escrito em grego podia ser compreendido
pelo mundo todo. Só Deus podia fazer isto! Ele não
enviaria seu filho ao mundo enquanto este não
estivesse preparado, a esse preparo incluía uma
língua conhecida por todos (ver Mc 1.15; Gl 4.4).
A língua grega tem 24 letras; a primeira é
alfa e a última ômega. Quando em Apocalipse Jesus
diz que é o Alfa e o Ômega, está afirmando que é o
primeiro e o último.
Os gregos receberam seu alfabeto através
dos fenícios, conforme mostram estudos a respeito.
Ninguém vá supor que por não conhecer as línguas
originais das Escrituras, não compreenderá a
131
revelação divina. Sim, o conhecimento e a
compreensão dos originais auxiliarão muito, mas não
é o aspecto principal, por não ser o suficiente.
Na Bíblia, como já dissemos, vêem-se duas
coisas principais: o texto e a mensagem. O principal
é a mensagem contida no texto. É especialmente a
mensagem que o Espírito Santo vitaliza, revela e
maneja como sua espada (Ef 6.17).
Os Manuscritos da Bíblia
A história da Bíblia e como chegou até nós,
é encontrada em seus manuscritos1. Assim como seu
texto foi preservado e transmitido.
Nos tratados sobre a Bíblia, a palavra
manuscritos é sempre indicada pela abreviatura MS,
no plural MSS. Há em nossos dias, cerca de 4.000
MSS, da Bíblia, preparados entre os séculos II e XV.
1. Material gráfico dos MSS bíblicos.
Vários materiais foram usados
nos tempos antigos, como:
1.1. Linho.
Tem sido encontrado nas
arqueológicas.
1.2. Ostrasco.
Fragmentos de cerâmicas. É
na Bíblia em Jó 38.14; Ezequiel 4.1. Foi
na Babilônia.
1.3. Pedra.
Muitas inscrições famosas encontradas no
Egito e Babilônia foram escritas em pedra.
Deus deu a Moisés os Dez Mandamentos
escritos em tábuas de pedra (Êx 24.12; 31.18;
1 São rolos ou livros da antiga l iteratura, escr itos à mão.
para escrita
descobertas
mencionado
muito usado
132
34.1,28; Js 8. 30-32). Dois outros exemplos são: a
Pedra Moabita (850 a.C.) e a Inscrição de Siloé,
encontrada no túnel de Ezequias, junto ao tanque de
Siloé (700 a.C.).
Um exemplo do emprego desse material é
o livro escrito em pedras, conhecido como Código
Hamurabi. Trata-se de um Rei de Babilônia coevo1 deAbraão. É identificado pelos cientistas como o
Anrafel de Gn 14.1. É um código de leis descoberto
em Susã, em 1902, lindamente trabalhado em pedra,
com dois metros de altura. Esse livro é testemunha
de que aquele tempo o homem atingira uma
capacidade literária notável. O Código trata do culto
nos templos (pagãos, é claro), administração da
justiça e leis em geral.
1.4. Argila.
O material de escrita predominante na
Assíria e Babilônia era a argila, preparada em
pequenos tabletes e impressa com símbolos em
forma de cunha chamados de escrita cuneiforme, e
depois assada em um forno ou seca ao sol. Milhares
desses tabletes foram encontrados por arqueólogos.
1.5. Madeira.
Tábuas de madeira foram muito usadas
pelos antigos para escrever. Durante muitos séculos
a madeira foi a superfície comum para escrever
entre os gregos. Alguns acreditam que este tipo de
material de escrita é mencionado em Isaías 30.8 e
Habacuque 2.2. Tábuas recobertas de cera (Is 81; Lc
1.63).
1.6. Couro.
O Talmude judeu exigia especificamente
que as Escrituras fossem copiadas sobre peles de
1 Que é do mesmo tempo, contemporâneo.
133
animais, sobre couro. É praticamente certo, então,
que o AT foi escrito em couro. Eram feitos rolos,
costurando juntas as peles que mediam de alguns
metros a 30 perpendiculares ao rolo. Os rolos, entre
26 e 70 cm de altura, eram enrolados em um ou dois
pedaços de pau.
1.7. Papiro.
É quase certo que o NT foi escrito sobre
papiro, por ser este o material de escrita mais
importante na época. O papiro é feito cortando-se
em tiras seções delgadas1 da cana de papiro,
empapando-as em vários banhos de água, e depois
as sobrepondo umas às outras para formar folhas. O
centro da indústria de papiro era o Egito, onde teve
início o seu emprego, cerca de 3.000 a.C.
O papiro é um tipo de junco de grandes
proporções. Tem caule tríquetro2 de 3cm a 5m de
altura, com 5cm a 7cm de diâmetro, tendo sua
fronde3 em forma de guarda-chuva. As dimensões da
folha de papiro preparada para a escrita eram
normalmente de 30cm a 3m de comprimento por
30cm de largura.
Essas folhas eram formadas por tiras
cortadas das plantas, sobrepostas cruzadas, coladas,
prensadas e depois polidas. Eram escritas de um
lado, apenas e tinham uma cor amarelada. A folha
do papiro assim preparada era chamada pelos gregos
de biblos.
1.8. Velino ou Pergaminho.
Este tipo de material foi utilizado centenas
de anos antes de Cristo e, por volta do século IV
1 De pouca espessura; fino.
2 Que tem seção tr iangu lar e, portanto, três ângulos maciços,
como os escapos das ciperáceas.
3 A copa das árvores.
134
d.C., ele suplantou o papiro. Quase todos os
manuscritos conhecidos são em velino. Seu uso
generalizado vem dos primórdios do cristianismo,
mas já era conhecido em tempos remotos, pois já
era mencionado em Isaias 34.4.
0 pergaminho preparado de modo especial
chamava-se veio. Este se tornou conhecido a partir
do século IV. Tem maior durabilidade. Foi muito
usado nos códices.
Tudo indica que o vocábulo pergaminho
derivou seu nome na capital de Pérgamo, capital de
um riquíssimo reino que ocupou grande parte da Ásia
Menor, sendo Eumenes II (197-159 d.C.), seu maior
rei que projetou formar para si uma biblioteca maior
do que a de Alexandria, Egito.
O rei egípcio, por inveja, proibiu a
importação do Papiro, obrigando Eumenes a recorrer
a outro material gráfico. Tal fato motivou o
surgimento de um novo método de preparar peles,
muito aperfeiçoado, que resultou no pergaminho.
O resultado é conhecido como velino ou
pergaminho. Embora os termos sejam usados
intercambiavelmente, o velino era preparado
originalmente com a pele de bezerros e antílopes1,
enquanto o pergaminho era de pele de ovelhas e
cabras. Obtinha-se assim um couro de excelente
qualidade, preparado especial e cuidadosamente
para receber escrita de ambos os lados.
O Novo Testamento menciona este material
gráfico em 2Timóteo 4.13 e Apocalipse 6.14.
A tinta usada pelos escribas era uma
mistura de carvão em pó com uma substância
semelhante à goma arábica (ver Jr 36.18; Ez 9.2;
1 Mamífero ruminante de porte médio ou pequeno, ch ifres
permanentes, longos, dir ig idos para cima e para trás. São
comuns na África.
135
2Co 3.3; 2Jo 12; 3Jo 13). 0 carvão é um elemento
que se conserva admiravelmente através dos
séculos, não sendo afetado por substâncias
químicas.
Para a escrita em papiro ou pergaminho,
usavam penas de aves, pincéis finos e um tipo de
caneta feita de madeira porosa e absorvente. Para a
cera usavam um estilete de metal (Is 30.8).
Cuidado redobrado havia com a escrita dos
livros sagrados. Devemos ser agradecidos aos judeus
por seu cuidado extremo na preparação e
preservação dos manuscritos do AT. Aqui estão
algumas regras que eles exigiam de cada escriba:
v' O pergaminho tinha que ser preparado de peles
de animais limpos, somente por judeus, sendo
as folhas unidas por fios feitos de pele de
animais limpos;
s A tinta era especialmente preparada;
s O escriba não podia escrever uma só palavra de
memória. Tinha de pronunciar bem alto cada
palavra antes de escrevê-la;
s Tinha de limpar a pena com muita reverência
antes de escrever o nome de Deus;
v'' As letras e palavras eram contadas;
v' Um erro numa folha inutilizava-a;
v' Três erros numa folha inutilizavam todo o rolo. 2
2. O formato dos MSS.
Quanto ao formato, o MSS pode ser códice
ou rolos. Códice é um MS, em formato de livro, feito
de pergaminho. As folhas têm normalmente 65cm de
altura por 55cm de largura.
Este tipo de MS começou a ser usado no
século II. O rolo podia ser de papiro ou de
pergaminho. Era preso a dois cabos de madeira, para
136
facilitar o manuseio durante a leitura e enrolado da
direita para a esquerda, sua extensão dependia da
escrita a ser feita. Portanto, antigamente não era
fácil conduzir pessoalmente os 66 livros como
fazemos hoje.
3= A caligrafia dos MSS.
Há dois tipos de caligrafia ou forma gráfica
nos MSS bíblicos. Tal diferença na forma gráfica deu-
se no século X, o que os divide em: u n c ia is e
cu rs ivos .
S Uncial é o MS de letras maiúsculas e sem
separação entre as palavras.
§ Cursivo é o de letras minúsculas, tendo espaço
entre as palavras.
Pa lim psesto é um MS reescrito, isto é, um novo
texto escrito por cima da escrita anterior, por
meio de raspagem. Isso ocorria devido ao alto
preço do pergaminho. Inutilizava-se assim uma
escrita para se usar o mesmo material.
Os manuscritos originais também não
tinham sinais de pontuação. Estes foram
introduzidos na arte de escrever em época recente. É
claro, pois, que a pontuação moderna não é
inspirada, e por isso não dá, às vezes, sentido às
palavras do original. 4
4. MSS originais da Bíblia.
MSS originais, isto é, saídos das mãos dos
escritores, não existe nenhum conhecido no
momento. Deus na sua providência permitiu isso. Se
existisse algum, os homens o adorariam mais do que
o seu divino Autor.
-» A serpente de metal posta entre os israelitas
como meio de auxílio à fé em Deus (Nm 21.8,9;
137
Is 45.22) foi depois idolatrada por eles (2Rs
18.4).
-» Deus cuidou do sepultamento de Moisés e
ocultou o seu local porque certamente o povo
adoraria seu corpo (Dt 34.5,6).
-» O Diabo tinha interesse na idolatria e contendeu
com o arcanjo sobre o corpo de Moisés (Jd 9).
Milhões, em muitas terras adoram a cruz de
Cristo, ao invés do Cristo da cruz.
-* É também o caso da virgem Maria, mãe de Jesus
Cristo, que milhões adoram-na e não o Filho.
Além disso, temos que considerar o
seguinte, historicamente, quanto à inexistência de
MSS originais:
1. Era costume judaico enterrar os MSS estragados
pelo uso ou qualquer outra causa, para evitar
sua mutilação,profanação e interpolação
espúria;
2. Os reis idólatras e ímpios de Israel podem ter
destruído muito ou contribuído para isso, como
é o caso descrito em Jeremias 36.20-26.
3. O tirano Antíoco Epifânio, rei da Síria (175-164
a.C.), durante seu reinado dominou sobre toda
a Palestina, extremamente cruel, tinha prazer
em aplicar torturas e decidiu exterminar a
religião judaica, assolou Jerusalém em 168 a.C.,
profanando o templo e destruindo todas as
cópias que achou das escrituras sagradas.
4. Nos dias do feroz Imperador Diocleciano (284-
305 d.C.), os perseguidores dos cristãos
destruíram quantas cópias acharam.
A literatura judaica afirma que a missão da
chamada Grande Sinagoga, presidida por Esdras, foi
reunir e preservar os MSS originais do Antigo
138
Testamento - que serviram aos Setenta no preparo
da Septuaginta - a primeira tradução das Escrituras
do Antigo Testamento, do hebraico para o grego.
Há inúmeras cópias de manuscritos
originais, em várias partes do mundo. Eles
harmonizam-se admiravelmente, assegurando-nos
assim da sua autenticidade. Uma confirmação disso
há nos MSS do Mar Morto:
Num dia de verão, em 1947, o pastor
beduíno1 Árabe, Muhammad ad Dib, da Tribo dos
Taa'mireh, que está entre Belém e o Mar Morto, saiu
a procura de uma cabra desgarrada nas ravinas2
rochosas da costa noroeste do referido Mar Morto, e
encontrou inestimável tesouro bíblico.
Estava um pastor junto à encosta rochosa
do Qumran e ao atirar uma pedra numa das cavernas
ouviu um barulho de cacos se quebrando. Entrou na
caverna e encontrou uma preciosa coleção de MSS
bíblicos: 12 rolos de pergaminhos ou fragmentos de
outros. Um dos rolos era um MS de Isaías do ano de
100 a.C., isto é, mil anos mais antigo que os
exemplares até então conhecidos. Os rolos estão
escritos em papiro e pergaminhos e envolvidos em
panos de linho.
Outras cavernas foram vasculhadas e
novos MSS foram encontrados. Novas luzes estão
surgindo na interpretação de passagens difíceis do
AT. Exemplos: em Êxodo 1.5, o total de pessoas é
75, concordando assim com Atos 7.14 (o hebraico
não tem algarismos para os números e sim letras;
daí, para ter um erro não custa muito...).
Em Isaías 49.12, o MS achado de Isaías diz
"Siene" e não "Sinin". Ora, Siene era uma
importante cidade fronteiriça do Egito, às margens
1 Árabe do deserto.
2 Escavação provocada pela enxurrada; barranco.
139
do Nilo, junto à Etiópia, hoje a moderna Assuam.
Ezequiel 29.10 e 30.6 referem-se a essa cidade; a
versão ARC grafa "Sevené". Muitos eruditos
pensavam até agora que o termo "Sinin" de Isaías
49.12 fosse uma alusão1 à China.
É muito confortante saber que os textos
desses MSS encontrados concordam com a versão
atual das Bíblias.
Pesquisas revelam que os MSS do Mar
Morto foram escondidos pelos essênios - seita
ascética judaica - durante a segunda revolução dos
judeus contra os romanos em 132-135 d.C.
Os responsáveis por um grande mosteiro2
agora descoberto, ao verem aproximarem-se as
tropas romanas, esconderam ali sua biblioteca! Nas
267 cavernas examinadas, foram encontrados
fragmentos de 332 obras, ao todo.
Encontraram, inclusive, cartas do líder
dessa revolta: Bar Kochba, em perfeito estado,
estando sua assinatura bem nítida. Nos MSS
encontrados há trechos de todos os livros do AT,
exceto Ester.
1 Menção, referência, relação.
2 Habitação de monges ou monjas.
140
Questionário
Assinale com "X" as alternativas corretas
1. Quanto às línguas originais da Bíblia, é certo que
a) D O idioma usado na escrita do Antigo
Testamento foi: o grego
b) L j Os idiomas usados na escrita do Antigo
Testamento foram: o hebraico e o aramaico
C )D O idioma usado na escrita do Novo Testamento
fo i: o hebraico
d ) D Os idiomas usados na escrita do Novo
Testamento foram: o aramaico e o hebraico
2. Uma das exigências do AT aos escribas:
a) D Um erro numa folha inutilizava todo o rolo
b) CH O pergaminho tinha que ser preparado de
peles de animais limpos, somente por gregos
c) D As letras e palavras não eram para ser
contadas
d) [>3 Eles tinham que pronunciar bem alto cada
palavra antes de escrevê-la 3 4
3 . ____ é o MS de letras maiúsculas e sem
separação entre as palavras; ________ é o de
letras minúsculas, tendo espaço entre as palavras
a) [H Uncial e Palimpsesto
b) D Palimpsesto e Cursivo
c) 0 Uncial e Cursivo
d) D Cursivo e Uncial
a*0 Marque "C" para Certo e "E" para Errado
4. y Vários materiais foram usados para escrita nos
tempos antigos, como: pergaminho, papiro e argila
5.1T-1 Há inúmeros MSS originais em várias partes do
mundo. Uma confirmação disso há nos MSS do Mar
Morto
141
A Tradução da Bíblia
Era preciso a tradução da Bíblia para dar
cumprimento às palavras do Senhor Jesus após
ressuscitar: "Ide por todo o mundo e pregai o
Evangelho a toda a criatura" (Mc 16.15).
Ora o mundo está dividido em nações,
tribos e povos, cada qual com sua língua. Hoje,
quando vemos as Escrituras traduzidas em 2.092
línguas e dialetos, sabemos que Aquele que
comissionou os discípulos para tão grande obra
proveria também os meios para a sua realização.
Portanto, abordaremos aqui três famosas
traduções da Bíblia, sendo elas: a S e p tu a g in ta , a
Vu lga ta e a Versão A u to r iz a d a ou Versão do R e i
Tiago.
^ A Septuaginta.
Foi a primeira tradução da Bíblia. É a
tradução feita do hebraico para o grego.
Compreende só o AT, é evidente. Foi a escritura que
Jesus e seus apóstolos usaram. A mais antiga cópia
da Septuaginta está na biblioteca do Vaticano. Data
de 325 d.C.
(%) Local da tradução: Alexandria, no Egito.
I Tempo: Cerca de 285 a.C.
r A Vulgata.
É a tradução da Bíblia toda, do hebraico
para o latim, feita por Jerônimo - um notável erudito
da Igreja que estava em Roma, a qual nesse tempo
ainda mantinha pureza espiritual.
O Concílio de Trento (1546 d.C.)
determinou que "apenas essa edição antiga .. dever
142
ser considerada autêntica para fins de leitura
pública, debate, sermões e discursos expositores, e
que ninguém ouse rejeitá-la sob qualquer pretexto".
(^ ) Local da tradução: Belém, Palestina.
1 Tempo: concluída em 405 d.C.
A Versão Autorizada ou Versão do Rei Tiago.
Essa versão é até hoje a predileta dos
povos de fala inglesa. O povo inglês tem alta
veneração pela Bíblia. Ela formou a mentalidade
desse povo, e é tida como seu sustentáculo e seu
maior legado.
(%) Local da tradução: Inglaterra.
1 Tempo: 1611 d.C.
A Bíblia em Português
A primeira tradução da Bíblia em português
foi feita pelo pastor João Ferreira de Almeida. Fato
interessante é que o trabalho foi realizado fora de
Portugal - na cidade de Batávia, ilha de Java, no
Oceano Índico. Hoje, Jacarta, capital da Indonésia.
Almeida foi ministro do Evangelho da
Igreja Reformada Holandesa, a mesma que
evangelizou o Brasil, com sede em Recife durante a
ocupação holandesa, no século XVII. Nasceu em
1628, em Torre de Tavares, concelho1 de Mangualde,
distrito de Veseu, em Portugal. Faleceu em Java em
1691.
A Igreja Católica, através do tribunal da
Inquisição, não teve como queimá-lo vivo, queimou
sua efíg ie2, em Goa, antiga possessão portuguesa na
1 C ircunscrição administrativa de categoria imediatamente
inferior ao d istr ito, do qual é divisão.
2 Imagem, figura, retrato (de pessoa).
143
índia. Essa igreja nem mesmo agora, no chamado
Ecumenismo1, se desculpou de tais coisas.
A Versão de Almeida
O Novo Testamento.
Almeida traduziu primeiro o NT, o qual foi
publicado em 1681 em Amsterdã, Holanda.
Na Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro,
há um exemplar da 3a Edição do Novo Testamento
de Almeida, feito em 1712.
r O Antigo Testamento.
Almeida traduziu primeiro o AT até o livro
de Ezequiel.Foi interrompida a tradução por causa
de sua morte em 1691.
Ministros do Evangelho da Igreja
Reformada Holandesa, amigos seus, terminaram a
referida tradução em 1694, e publicaram a tradução
completa em 1753.
A Sociedade Bíblica Britânica e
Estrangeira, de Londres, começou a publicar a
tradução de Almeida em 1809, apenas o NT. A Bíblia
completa num só volume, a partir de 1819. O Texto
em apreço foi revisado em 1894 e 1925.
A Bíblia de Almeida foi publicada pela
primeira vez no Brasil em 1944 pela Imprensa
Bíblica Brasileira, uma organização da Igreja Batista.
A Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira
foi maravilhosamente usada por Deus na
disseminação da Bíblia em português, em trabalho
pioneiro e contínuo, bem como a Sociedade Bíblica
Americana.
1 Movimento que buscam semelhante universa l idade, pregam a
união indistinta entre protestantes, católicos, judeus, espír itas,
budistas, etc.
144
A versão ARC (Almeida Revista e Corrida).
A Imprensa Bíblica Brasileira publicou em
1951 a edição revista e corrigida, abreviadamente
conhecida por ARC.
' A versão ARA (Almeida Revista e Atualizada).
Uma comissão de especialistas brasileiros
trabalhando de 1946 a 1956 preparou a Edição
Revista e Atualizada de Almeida, conhecida
abreviadamente por ARA. 0 NT foi publicado em
1951. 0 AT, em 1958.
A publicação é da Sociedade Bíblica do
Brasil. Foi usado o texto grego de Nestlé para o NT e
o hebraico de Letteris para o AT.
Outras Traduções
^ Versão do Padre Antonio Pereira de Figueiredo.
Grande latinista. Editou o NT em 1778 e o
AT em 1790. Tradução feita em Portugal. Figueiredo
traduziu da Vulgata Latina.
* A Tradução Brasileira.
Feita por uma comissão de teólogos
brasileiros e estrangeiros. O NT foi publicado em
1910 e o AT em 1917. É tradução mui fiel ao
original. Esgotada, sua publicação foi suspensa em
1954.
** Humberto Rhoden.
Padre brasileiro, de Santa Catarina.
Traduziu só o NT. Texto grego: Nestlé. Foi publicado
em 1935. Esse padre deixou a Igreja Romana. É
versão muita usada na crítica textual.
145
Matos Soares.
Também padre brasileiro. Traduziu da
Vulgata. Publicada no Brasil em 1946. Em Portugal
desde 1933. É a Bíblia popular dos católicos romanos
de fala portuguesa. Um grave inconveniente, são os
itálicos muito extensos, e que conduzem a
preconceitos e tendências.
A versão da Impressa Bíblica Brasileira.
A IBB lançou em 1968, após longos anos
de cuidadoso trabalho, uma nova versão em
português, conhecida como VIBB, baseada na
tradução de Almeida. Nessa versão foram utilizados
os melhores textos em hebraico e grego.
-r_ " Tradução Novo Mundo".
As Testemunhas de Jeová publicam uma
versão falsificada de toda a Bíblia - a "Tradução
Novo Mundo". O texto é mutilado e cheio de
interpolação1. Foi preparado para apoiar as crenças
antibíblicas dessa seita falsa.
As Sociedades Bíblicas
Há no Brasil várias entidades evangélicas
publicadoras e distribuidoras de Bíblias.
v' A primeira é a Imprensa Bíblica Brasileira
(IBB), fundada em 02/07/1940.
v' A segunda é a Sociedade Bíblica do Brasil
(SSB), fundada em 10/06/1948, resultante da
fusão em 1942, das agências que no Brasil
funcionavam, da Sociedade Bíblica Britânica e
Estrangeira e da Sociedade Bíblica Americana.
1 Numa cópia, inserção de liberada de e lemento(s) que não
constava(m) do orig inal.
146
Essa fusão (de 1942 a 1948) denominou-se
Sociedades Bíblicas Unidas.
A agência da Sociedade Bíblica Britânica e
Estrangeira no Rio de Janeiro foi a primeira desse
gênero organizada na América Latina.
A primeira remessa de Bíblias para
aquisição popular chegou ao Brasil em 1822 - o ano
da nossa independência política. É significativa essa
conotação entre a chegada aqui da Bíblia em massa
e a independência do Brasil.
A primeira, trazendo a emancipação
espiritual; a segunda, a nacional ou política.
Essa primeira remessa foi de 2000
exemplares de Bíblias e Novos Testamentos, enviada
pela Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, com
sede em Londres. Porto de chegada ao Brasil: Recife.
Em 1855 novas portas se abrem para uma
maior difusão da Bíblia com a fundação da primeira
Igreja Evangélica em nossa terra - a
Congregacional, pelo missionário Roberto Kalley e
esposa. A partir daí ele desenvolveu grande esforço
para a divulgação da Bíblia.
Em 1856 foi fundada a primeira agência
distribuidora de Bíblias no Brasil, pela Sociedade
Bíblica Britânica e Estrangeira (SBBE). A segunda
agência foi a Sociedade Bíblica Americana (SBA),
fundada em 1876. Ambas funcionaram no Rio de
Janeiro. Antes disso, Bíblias já circulavam no Brasil,
vindas através de comandantes de navios e entregue
aos revendedores.
Outro fator marcante foi os distribuidores
itinerantes (colportores), como é o caso do Rev.
James Thompson enviado pela SBBE em 1818, que
viajou muito através das Américas, distribuindo o
Santo Livro.
147
Outro caso que muito contribuiu para o
mesmo fim é o do missionário D.P. Kidder,
metodista, que distribuiu exemplares da Palavra de
Deus em quase todo o Império do Brasil, a partir de
1837.
Só na eternidade se revelará o benefício
que as Sociedades Bíblicas acima mencionadas,
coadjuvadas por pioneiros indómitos, como os
mencionados, têm trazido ao Brasil no sentido
espiritual, social e cultural, mediante a bendita
semeadura pioneira do Livro de Deus.
Funciona também no Brasil, com sede em
São Paulo, a Sociedade Bíblica Trinitariana.
A mais antiga Sociedade Bíblica do mundo
é a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira (SBBE)
fundada em 1804; a segunda é a Sociedade Bíblica
Americana (SBA) fundada em 1816.
Na distribuição de Bíblias em todo o
mundo, o Brasil ocupa o segundo lugar.
Particularidades Sobre o Texto Bíblico em
Geral e a sua Tradução
-r As palavras em itálico.
Não constam do original. Foram
introduzidas na tradução para completar o sentido
do texto. A única versão protestante com itálico é a
ARC.
Uso da margem.
Muitas Bíblias têm em suas margens, em
determinados trechos, a tradução literal do hebraico
e do grego. Às vezes, tem uma tradução diferente
quando o caso é duvidoso. São muito úteis essas
notas feitas à margem do texto bíblico.
148
v Datas impressas no texto.
Muitas Bíblias antigas, em português, bem
como noutras línguas, trazem datas impressas no
texto. São datas da chamada "Cronologia Aceita"
elaborada pelo Arcebispo Ussher (anglicano) e
inseridas pela primeira vez no texto bíblico em 1701.
Depois de Ussher, surgiram outras cronologias como
a de Calmet, Hales, etc.
As investigações modernas e descobertas
arqueológicas têm alterado em muitos pontos a
cronologia tradicional. A cronologia é terreno
movediço1, especialmente quanto aos primeiros
milênios da História.
O sumário dos capítulos.
São preparados pelos editores, e nada tem
com a inspiração e o texto original. As exceções são
algumas frases introdutórias de certos Salmos (4; 5;
6; 7; 8; 9; 22; 32; 45; 46; 53; 69; 75; etc). Tais
sumários nem sempre correspondem com os
capítulos aos quais fazem referências.
Há casos até negativos, como a parábola
dos "Dez Talentos", quando não são dez; a "Parábola
do Rico e do Lázaro", quando não se trata de
parábola, e assim por diante.
A divisão em capítulos e versículos.
Não vem do original. A primeira Bíblia que
trouxe essa divisão foi a Vulgata, em 1555. Em
muitos casos, a divisão tanto em capítulos como em
versículos, quebra o sentido, biparte2 o texto e
altera toda a linha do pensamento.
1 Que se move com facil idade. Pouco firme; instável. Volúvel,
inconstante.
2 D iv idir em duas partes.
149
Exemplo de capítulos: Isaías 53, que
deveria começar em 52.13; João capítulo 8, deveria
começar em 7.53; 2Reis 7 deveria começarem 2Reis
6.24, o capítulo 3 de Colossenses deveria terminar
em 4.1; o capítulo 10 de Mateus deveria começar em
9.35; Atos 5 deveria começar em 4.36, etc.
Com a divisão em versículos, acontece a
mesma coisa, por exemplo: Efésios 1.5 deveria
começar com as duas últimas palavras de 1.4.
ICoríntios 2.9,10 deveria ser um só versículo; o
mesmo deveria ocorrer com João 5.39,40. Na
Epístola aos Romanos, bem como em Efésios, há
diversos casos desses.
Também, a divisão em versículos não é a
mesma em todas as versões; por exemplo, Lucas
20.30 na ARC, corresponde a Lucas 20.30,31 na
"Tradução Brasileira". Marcos 9.49 deve ficar ligado
ao versículo 48, e não como está na ARA, tendo a
epígrafe1 entre os dois versículos.
,Jr' A divisão do texto em parágrafos.
É muito útil para a sua compreensão. O
Salmo 2, por exemplo, contém 5 parágrafos, tendo
cada um, aplicação diferente (vv 1-3, 4-6, 7-9, 10-
12a; 12b). A única versão em português que indica
os parágrafos é a ARA, com um tipo negrito cada vez
que isso ocorre.
Há versões noutras línguas que dão tanta
importância a essa divisão, que, para maior
comodidade ao leitor, imprimem o próprio sinal
gráfico para parágrafo (muito parecido com um "P"
invertido).
1 Títu lo ou frase que serve de tema a um assunto; mote. Curta
c itação posta no frontisp íc io de livro, na entrada de um
capítu lo, de uma composição poética, etc.
150
Questionário
S? Assinale com "X" as alternativas corretas
6. Quanto à Septuaginta, é errado afirmar que
a) 0 É a tradução feita do hebraico para o latim
b) HH Foi a primeira tradução da Bíblia
c) D Compreende só o Antigo Testamento
d) E] Foi traduzida em Alexandria, no Egito, cerca de
285 a.C
7. A Bíblia de Almeida foi publicada pela primeira vez
no Brasil em 1944 pela
a) CH Sociedade Bíblica do Brasil
b) IZI Sociedade Bíblica Americana
c) D Sociedade Bíblic^ Britânica e Estrangeira
d) Q Imprensa Bíblica Brasileira, uma organização
da Igreja Batista
8. Seita que publicou uma versão falsificada de toda a
Bíblia chamada de: "Tradução Novo Mundo"
a) Q A Maçonaria
b) CH O Grupo dos 12
C )S As Testemunhas de Jeová
d )G Os Mórmons
^ Marque "C" para Certo e "E" para Errado
9. ^1 A Vulgata é a tradução da Bíblia toda, do hebraico
para o latim, feita por Jerônimo, concluída em 405
d.C
10. □ A mais antiga Sociedade Bíblica do mundo é a
Sociedade Bíblica Americana
151
Biblioloqia
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Gráfica e Editora LEX Ltda
Fone/Fax: (44) 3642-I I 88
GUAÍRA - PR.
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