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Artigo sobre parede diafragma que apresenta definições, características, metodologia de execução e estudo de caso do metrô de São Paulo; descreve equipamentos e materiais usados (diafragmadora, clamshell, hidrofresa, lama bentonítica, armaduras, tubos e concreto).

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2º Seminário de Tecnologia das Construções – Parede Diafragma 
Belo Horizonte – MG 
Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais 
Programa de Graduação em Engenharia Civil 
 
PAREDE DIAFRAGMA 
 
Camila Rafaela Eustáchio Ferreira, Emilly Camille Eduardo, Fabiana Almeida 
Rocha, João Murilo Félix de Abreu, Juliana Bárbara Ribeiro Felisberto e Laís Fernanda 
Moreira de Moura. 
 
RESUMO 
 
Este artigo tem como objetivo apresentar as definições e características da estrutura 
de contenção “parede diafragma”, mostrando a metodologia de sua execução. Além de mostrar 
também o estudo de caso do metrô de São Paulo que para sua construção foi utilizado a 
parede diafragma como estrutura de contenção. 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
As paredes-diafragma são 
painéis de concreto, geralmente 
armado, pré-fabricados ou 
moldados in loco com a função de 
contenção em escavações de 
subsolo. Os painéis são executados 
por meio do preenchimento de 
trincheiras escavadas com o uso 
contínuo de lama polimérica ou 
bentonítica, cuja função é estabilizar 
as paredes de escavação e 
contrabalançar o empuxo causado 
pelo lençol freático no terreno. Para 
a escavação é empregado o 
equipamento clamshell hidráulico 
e/ou a hidrofresa. (ROMAN, 2013) 
Segundo a Geofix (2015) as 
paredes diafragmas podem ser 
utilizadas em elementos de 
contenção de água e terra 
(diafragmas rígidos), em 
escavações provisórias ou 
permanentes como vias, estações e 
galerias enterradas ou 
semienterradas, subsolos de 
edifícios, casas de bombas, turbinas 
ou reatores, em obras portuárias, 
barragens, diques e eclusas; em 
elementos impermeabilizantes 
(diafragmas plásticos), visando o 
controle da percolação de 
escavações em solos 
contaminados, diques, barragens, 
reservatórios; e em elementos de 
fundação (estacas Barrete), 
transmitindo cargas a camadas 
mais profundas. 
A parede diafragma tem 
como objetivo conter a água do 
lençol freático e consequentemente 
conter o solo, sendo executada em 
todo o perímetro da obra, variando 
espessura e profundidade. Sendo 
assim a parede diafragma é muito 
utilizada na maioria das vezes 
quando não conseguimos resolver o 
problema através de métodos 
tradicionais e principalmente em 
obras com subsolo e presença de 
água do lençol freático. (BARBOSA, 
2003) 
 
1.1 Objetivos 
 
Este trabalho tem o objetivo de 
mostrar como é feita a contenção do 
tipo parede diafragma e apresentar 
o estudo de caso da construção do 
metrô de São Paulo que foi utilizado 
essa contenção na sua construção.
 
 
2º Seminário de Tecnologia das Construções – Parede Diafragma 
Belo Horizonte – MG 
2. METODOLOGIA PARA A EXECUÇÃO DA PAREDE DIAFRAGMA 
 
2.1 Equipamentos e materiais 
 
 
Segundo Barbosa (2003) e 
Corsini (2013), para a execução da 
parede diafragma utilizamos os 
seguintes equipamentos e 
materiais: 
 DIAFRAGMADORA: conjunto 
composto pela clamshell e 
guindaste principal, esse 
equipamento que irá escavar 
para executar a parede 
diafragma; 
 CLAMSHELL: ferramenta de 
escavação, de formato 
retangular capaz de escavar as 
lamelas das paredes diafragma, 
podendo ser livremente 
suspensa ou acoplada às barras 
kelly (haste de metal que suporta 
e dirige a clamshell); 
 HIDROFRESA: equipamento de 
perfuração que tem uma 
estrutura pesada, de aço, com 
dois discos de corte na parte 
inferior, o seu uso complementa 
a escavação feita com a 
clamshell. O acionamento 
hidráulico dos discos, com 
rotação em sentidos contrários, 
faz o corte do solo, viabilizado 
pela combinação com o empuxo 
vertical ligado ao peso da 
ferramenta. E utilizada 
principalmente em solos de alta 
resistência e quando deseja-se 
perfurar poços com mais de 100 
m. 
 ARMADURAS OU GAIOLAS: 
ferragens dos painéis 
previamente montados já com os 
rolete (são roletes de plásticos 
que servem para deslizar a 
gaiola dentro do painel escavado 
e também serve para cobrimento 
da armadura); 
 PAINÉIS OU LAMELAS: 
componentes justapostos que 
são executados, em certa 
sequência, da superfície do 
terreno, possuindo juntas do tipo 
macho e fêmea; 
 TUBO JUNTA OU CHAPA 
JUNTA: chapas ou tubos 
colocados nas extremidade dos 
painéis antes da concretagem e 
são retirados quando inicia a 
pega do concreto; 
 CENTRAL DA LAMA 
BENTONÍTICA: Recipiente 
metálico para estocagem de 
lama bentonítica; 
 LAMA BENTONÍTICA: mistura 
de água com a bentoníta em pó 
em proporções adequadas ao 
desenvolvimento do serviço; 
 CAKE: película de lama 
bentonítica formada nas paredes 
da escavação através da 
penetração da lama nos seus 
vazios; 
 TUBO TREMONHA: tubos 
metálicos de diversos 
comprimentos acoplados entre 
si, utilizados para a concretagem 
da parede diafragma; 
 FUNIL: o funil metálico é 
colocado na parte superior do 
tubo tremonha para facilitar a 
aplicação do concreto; 
 CONCRETO: o concreto terá 
que ter um consumo de cimento 
de 400 kg por metro cúbico de 
concreto, o fator água cimento 
deve estar entre os limites 0,5 e 
0,6 e o slump poderá variar entre 
18 e 24 cm, dependendo do 
diâmetro do tubo tremonha, e o 
agregado graúdo de diâmetro 
máximo de 20 mm, segundo a 
NBR 6122(1996); 
 CHAPA ESPELHO: chapa de 
aço colocada do lado interno da 
parede diafragma a fim de 
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Belo Horizonte – MG 
melhorar as condições de 
acabamento e diminuir o 
overbreak (indica o excesso de 
concreto efetivamente utilizado 
em relação ao volume teórico. 
 
 
2.2 Tipos de parede diafragma 
 
Existem três tipos de parede 
diafragma, são elas: parede 
diafragma “in loco”, parede 
diafragma pré-moldada e parede 
diafragma plástica. 
 
2.2.1 Parede diafragma “in loco” 
 
As paredes diafragma 
moldadas “in loco” são formadas por 
painéis que se encaixam uns nos 
outros através de ranhuras laterais 
(o chamado sistema “macho-e-
fêmea”). Os painéis têm dimensões 
variadas, e suas espessuras ficam 
entre 30 e 120 cm. Painéis menores 
são mais estáveis, necessitam de 
um tempo menor de escavação e 
concretagem, e são indicados para 
solos com baixa capacidade de 
suporte. (SEADI, LEDUR, 2011) 
Segundo Seadi e Ledur 
(2011) as etapas de execução da 
parede diafragma são: 1) execução 
de paredes-guias, morros em 
concreto armado que percorrem 
todo o contorno da parede; 2) 
retirada de terra de dentro dos 
painéis, escavação através de uma 
Diafragmadora até a altura 
desejada; 3) injeção de lama 
bentonítica, logo após a retirada de 
terra, permitindo a estabilidade do 
solo evitando desmoronamento; 4) 
colocação das chapas junta e 
instalação da armadura; 5) 
concretagem dos painéis, 
preenchimento dos painéis de baixo 
para cima, consequentemente 
expulsando a lama bentonítica, que 
volta para o reservatório; 6) 
Retirada das chapas junta. 
 
2.2.2 Parede diafragma pré-
moldada 
 
De acordo com a Fundesp 
(2016) os painéis pré-moldados 
podem ser de concreto armado ou 
protendido. E o painel pré-moldado 
permite um recobrimento menor de 
no mínimo 3cm e concreto com fck 
superior a 25 Mpa, sendo assim a 
resistência da parede diafragma 
pré-moldada é superior a moldada 
“in loco”. 
Na execução para garantir a 
estanqueidade das juntas a lamela 
escavada com lama estabilizante é 
preenchida com coulis (mistura de 
cimento, bentoníta e água), antes 
da colocação da placa pré-moldada. 
E após a colocação da placa o 
coulis preencherá o espaço entre as 
juntas, impedindo a passagem de 
água. (FUNDESP, 2016) 
 
2.2.3 Parede diafragma plástica 
 
Segundo Anson (2001) 
citado por Barbosa (2003) existem 
dois processos construtivos da 
parede diafragma plástica, o 
primeiro é que a sua construção é 
igual a moldada “in loco”, sendo queno lugar do concreto tradicional é 
utilizado um conglomerado plástico 
criando uma estrutura impermeável 
com características mecânicas 
plásticas, porém mais deformável 
que o concreto armado. Já o 
segundo processo as paredes 
diafragmas plásticas são realizadas 
por meio da escavação e imediato 
preenchimento com lama-auto-
endurecedora, composta por 
cimento, bentoníta e eventuais 
aditivos
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Figura 1: Parede diafragma “In Loco”. 
Fonte: Brasfond, 2016 
 
 
 
 
Figura 2: Parede diafragma Pré-moldada. 
Fonte: Brasfond, 2016 
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Figura 3: Parede diafragma Plástica. 
Fonte: Fundesp, 2016 
 
 
3. ESTUDO DE CASO: Metrô de São Paulo 
 
Para finalizar o trabalho 
utilizamos os dados fornecidos por 
Kuguelle (2004) e analisamos a 
execução de paredes diafragmas na 
construção do metrô de São Paulo, 
obra essa que teve início em 29 de 
abril 1968 e que foi executada pela 
empresa Anson que é especializada 
em obras de fundação, serviços 
geotécnicos e recuperação de 
estruturas. O tipo de parede 
diafragma utilizado foi o moldado “in 
loco”, e o trecho compreende as 
estações: Conceição, Saúde, São 
Joaquim, Praça da Sé, República, 
Anhangabau, Fradique Coutinho, 
Paulista e Acesso Bianor. 
Para a execução das 
paredes diafragmas foi utilizado três 
métodos construtivos: 1) trincheira 
ou vala a céu aberto (VCA); 2) túnel 
mineiro (NATM) – método 
australiano; 3) mecanizado, 
máquina tuneladora (TBM). 
A vala a céu aberto foi o 
método mais utilizado na construção 
da linha1-azul. Nesse tipo de 
método construtivo utiliza-se uma 
contenção, nesse caso, foi utilizado 
a parede diafragma por
permitir a redução do nível do 
terreno e aproveitando do subsolo. 
Método no qual causou impactos no 
meio urbano, como transtornos ao 
tráfego da cidade, ocupação de 
longas áreas ao longo do seu 
traçado e a desapropriação de 
vários imóveis. 
Em 1979 começou as 
mudanças, ao alterar as espessura 
da parede diafragma para 40 cm, 
que anteriormente era de 30 cm. E 
em 1982 começou a ser utilizado a 
parede diafragma do tipo concreto 
pré-moldado. 
Contudo foi utilizado 
também o método invertido que é a 
escavação da superfície para baixo 
(subsolo), que é executado 
rapidamente para poder liberar a 
utilização da superfície.
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Figura 4: Método cut and cover. Projeto do Metrô de 
São Paulo em1991. 
Fonte: Kuguelle, 2004 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 5: Escavação invertida, notar laje de teto - Metrô de 
São Paulo. 
Fonte: Kuguelle, 2004 
 
 
 
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Figura 6: Túnel Tucuruvi - Metrô de São Paulo. 
Fonte: Kuguelle, 2004 
 
 
4. CONCLUSÃO 
 
 
Com o trabalho apresentado 
chegamos à conclusão de que a 
parede diafragma é uma grande 
“ferramenta” na construção civil, 
possibilitando obras de grande 
porte, podendo chegar a grandes 
profundidades de contenção. 
Porém, deve-se ter um 
grande estudo preliminar, 
observando as características do 
solo, impactos causados no tráfego 
urbano no local da obra, entre 
outros fatores, além de uma grande 
fiscalização por parte do engenheiro 
responsável. 
Concluindo, percebemos 
que pelo preço elevado deste tipo 
de contenção, a sua utilização fica 
limitado a obras de grande porte, já 
que precisa-se se uma mão de obra 
especializada e equipamentos 
específicos, impossibilitando assim 
economicamente para obras 
menores. Ou seja a construção do 
metrô de São Paulo por ser uma 
obra de grande porte e estar 
localizada em área urbana com 
pouco espaço para executar as 
contenções, optou-se por utilizar a 
parede diafragma. 
 
 
5. REFERÊNCIAS 
BARBOSA, Fabio Rodrigues Ferreira. Parede diafragma moldada in loco. 
Trabalho de conclusão de curso. São Paulo. 2003. 
BRASFOND, Fundações Especiais. Paredes diafragma. Disponível em: 
http://www.brasfond.com.br/fundacoes/pdiafragma.html. Acesso em: 24 maio. 
2016. 
CORSINI, Rodinei. Fundações e contenções. Infraestrutura Urbana. Edição 
34. Jan/2013. Disponível em: http://infraestruturaurbana.pini.com.br/solucoes-
tecnicas/34/2-escavacao-com-hidrofresa-302623-1.aspx. Acesso em: 28 abril 
2016. 
2º Seminário de Tecnologia das Construções – Parede Diafragma 
Belo Horizonte – MG 
FUNDESP. Parede de diafragma plástica. Disponível em: 
http://www.fundesp.com.br/2009/paredesdiafragma_plast.html. Acesso em: 24 
maio. 2016. 
FUNDESP. Parede de diafragma pré-moldada. Disponível em: 
http://www.fundesp.com.br/2009/paredesdiafragma_pre.html. Acesso em: 28 
abril 2016. 
GEOFIX. Parede diafragma com clamshell e/ou hidrofresa. In: Serviços 
especiais de fundações. São Paulo. 2015. P.16-17. 
KUGUELLE, Alexandre Bocchio. Métodos construtivos no sistema 
metroviário de São Paulo-ênfase para o método da couraça-
shields. Orientador: Innocente, Érico Francisco. São Paulo. Universidade 
Anhembi Morumbi (2004). 
LEDUR, Adriano; SEADI, Maria Lourdes Brizuela de. Parede diafragmas 
moldadas in loco: etapas de execução. Eso. 23 Junho.2011. Disponível em: 
http://www.ufrgs.br/eso/content/?p=558. Acesso em: 28 abril 2016. 
ROMAN, Rafael Roberto. Métodos para construção de parede-diafragma: 
clamshell e hidrofresa. Programa de Educação Tutorial do Curso de 
Engenharia Civil-UFSC. 25 nov. 2013. Disponível em: 
http://pet.ecv.ufsc.br/2013/11/metodos-para-construcao-de-parede-diafragma-
clamshell-e-hidrofresa/. Acesso em: 28 de abril 2016.

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