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CONTABILIDADE TERCEIRO SETOR AQUISIÇÃO DE ATIVOS DE RENDA ASSOCIAÇÕES AUXÍLIOS CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DA CONTABILIDADE CONTAS DE COMPENSAÇÃO CONTAS DE CUSTOS CONTRATOS, CONVÊNIOS E TERMOS DE PARCERIA CONTRIBUIÇÕES COOPERATIVAS SOCIAIS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS DEPRECIAÇÕES DIPJ – DCTF – DACON DOAÇÕES FORMAÇÃO DO PATRIMÔNIO SOCIAL FUNDAÇÕES GRATUIDADES INSS E CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS IPTU – IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL URBANA IRPJ – INCENTIVOS E BENEFÍCIOS ISS MENSALIDADES ORGANIZAÇÕES SOCIAIS PIS DEVIDO PELAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS PRESTAÇÃO DE CONTAS AO CNAS PRESTAÇÃO DE CONTAS AO MPAS PRESTAÇÃO DE CONTAS AO OSCIP PROVISÕES DESPESAS DE PUBLICIDADE REGIME DE RECONHECIMENTO – RECEITAS E DESPESAS RENUNCIA FISCAL SERVIÇOS VOLUNTÁRIOS SUBVENÇÕES SUPERÁVIT OU DÉFICIT O QUE É TERCEIRO SETOR VENDA DE BENS OU SERVIÇOS AQUISIÇÃO DE ATIVOS DE RENDA Os “ativos de renda” têm objetivos de gerar recursos futuros para implementação de atividades sociais. Por exemplo, a aquisição de ações para recebimento de dividendos, a compra de um imóvel para locação, etc. Tais ativos podem ser adquiridos ou recebidos em doação. Estes ativos devem ser registrados no subgrupo investimentos, para evidenciar sua caracterização de ativos destinados á obtenção de recursos futuros. Exemplo: Aquisição de 1.000 ações da Petrobrás S/A, no valor de R$ 10.000,00: D - Ações – Petrobrás S/A (Investimentos) C - Bancos Cta. Movimento (Ativo Circulante) R$ 10.000,00 Histórico: aquisição de 1.000 ações da Petrobrás S/A, visando dividendos futuros. Por ocasião do anúncio da distribuição de dividendos da respectiva empresa, a entidade contabilizará: D - Dividendos a Receber (Ativo Circulante) C - Dividendos Recebidos (Resultado) E, na ocasião do crédito dos dividendos em conta bancária: D - Bancos Cta. Movimento (Ativo Circulante) C - Dividendos a Receber (Ativo Circulante) ASSOCIAÇÕES Associações são pessoas jurídicas formadas pela união de pessoas que se organizam para a realização de atividades não-econômicas, ou seja, sem finalidades lucrativas. Nessas entidades, o fator preponderante são as pessoas que as compõem. As associações, de acordo com a sua finalidade, podem ser classificadas em 3 grupos principais: 1) Aquelas que têm por fim o interesse pessoal dos próprios associados, sem objetivo de lucro, como as sociedades recreativas ou literárias. 2) As que têm objeto principal a realização de uma obra estranha ao interesse pessoal dos associados, e que fique sob a dependência da associação ou se torne dela autônoma, por exemplo, as associações beneficentes. Embora seus associados possam visar interesse pessoal, sua finalidade primordial é a de prover uma obra de caridade em benefício de terceiros. 3) As associações que têm por finalidade principal ficarem subordinadas a uma obra dirigida autonomamente por terceiras pessoas. Adiante, a legislação respectiva, constante no atual Código Civil Brasileiro, relativamente às associações: CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO – LEI 10.406/2002 Capítulo II - Das Associações Art. 53. Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins não econômicos. Parágrafo único. Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos. Art. 54. Sob pena de nulidade, o estatuto das associações conterá: I - a denominação, os fins e a sede da associação; II - os requisitos para a admissão, demissão e exclusão dos associados; III - os direitos e deveres dos associados; IV - as fontes de recursos para sua manutenção; V - o modo de constituição e funcionamento dos órgãos deliberativos e administrativos; VI - as condições para a alteração das disposições estatutárias e para a dissolução. Art. 55. Os associados devem ter iguais direitos, mas o estatuto poderá instituir categorias com vantagens especiais. Art. 56. A qualidade de associado é intransmissível, se o estatuto não dispuser o contrário. Parágrafo único. Se o associado for titular de quota ou fração ideal do patrimônio da associação, a transferência daquela não importará, de per si, na atribuição da qualidade de associado ao adquirente ou ao herdeiro, salvo disposição diversa do estatuto. Art. 57. A exclusão do associado só é admissível havendo justa causa, obedecido o disposto no estatuto; sendo este omisso, poderá também ocorrer se for reconhecida a existência de motivos graves, em deliberação fundamentada, pela maioria absoluta dos presentes à assembléia geral especialmente convocada para esse fim. Parágrafo único. Da decisão do órgão que, de conformidade com o estatuto, decretar a exclusão, caberá sempre recurso à assembléia geral. Art. 58. Nenhum associado poderá ser impedido de exercer direito ou função que lhe tenha sido legitimamente conferido, a não ser nos casos e pela forma previstos na lei ou no estatuto. Art. 59. Compete privativamente à assembléia geral: I - eleger os administradores; II - destituir os administradores; III - aprovar as contas; IV - alterar o estatuto. Parágrafo único. Para as deliberações a que se referem os incisos II e IV é exigido o voto concorde de dois terços dos presentes à assembléia especialmente convocada para esse fim, não podendo ela deliberar, em primeira convocação, sem a maioria absoluta dos associados, ou com menos de um terço nas convocações seguintes. Art. 60. A convocação da assembléia geral far-se-á na forma do estatuto, garantido a um quinto dos associados o direito de promovê-la. Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, omisso este, por deliberação dos associados, a instituição municipal, estadual ou federal, de fins idênticos ou semelhantes. § 1.º Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao patrimônio da associação. § 2.º Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal ou da União. AUXÍLIOS Os auxílios, previstos em lei orçamentária, são destinados a despesas de capital de entes públicos ou de entidades privadas sem fins lucrativos. Por exemplo, uma entidade social recebe um auxílio monetário para destinação a formação de nova unidade de atendimento. A contabilização dos auxílios seguem a rotina das doações vinculadas. Exemplo: Auxílio recebido para a construção da sede social, no valor de R$ 100.000,00. 1) Pelo recebimento do auxílio: D - Bancos Conta Movimento – Recursos com Restrições (Ativo Circulante) C - Auxílios Vinculados a Despesas de Capital (Passivo Circulante) R$ 100.000,00 2) Pela aplicação dos recursos na sede social: D - (-) Doações e Auxílios Aplicados (Passivo Circulante – Conta Redutora) C - Bancos Conta Movimento – Recursos com Restrições (Ativo Circulante) R$ 100.000,00 3) Pela prestação de contas do auxílio e respectiva aprovação do mesmo, pelo ente governamental: D - Auxílios Vinculados a Despesas de Capital (Passivo Circulante) C - (-) Doações e Auxílios Aplicados(Passivo Circulante – Conta Redutora) R$ 100.000,00 4) Pelo registro da aplicação de capital: D - Edificações (Imobilizado) C - Subvenções, Contribuições e Auxílios (Receitas) R$ 100.000,00 CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DA CONTABILIDADE A estrutura patrimonial definida pela Lei das Sociedades por Ações (Lei 6404/1976) é a base da contabilidade do terceiro setor. Entretanto, algumas adaptações devem ser feitas e dizem respeito, principalmente, à nomenclatura de algumas contas a serem utilizadas. PATRIMÔNIO LÍQUIDO X PATRIMÔNIO SOCIAL O conceito básico de Patrimônio Líquido é o mesmo tanto nas empresas quanto no terceiro setor. A equação patrimonial clássica não se altera, mas os títulos sim. Ao invés de Patrimônio Líquido, chamar-se-á “Patrimônio Social”: PATRIMÔNIO SOCIAL = ATIVO - PASSIVO O Patrimônio Social não é composto de Capital Social, Reservas de Lucros, Reservas de Reavaliação e Lucros ou Prejuízos Acumulados, e sim, de contas com terminologias especiais. Subgrupo Fundo Patrimonial Fundo Institucional = composto dos valores de formação aportados pelos associados ou subscritores. Fundos Especiais = aqueles definidos pelo estatuto, para aplicação específica. Doações e Subvenções = aportes espontâneos de bens ou direitos de pessoas físicas ou jurídicas, especificamente com o objetivo de destiná-los ás atividades objeto da entidade. Subgrupo Superávit ou Déficit Acumulado Superávit do Exercício = registra a confrontação periódica de receitas x despesas, sendo o respectivo saldo credor transferido para esta conta, para aplicação nas atividades objeto da entidade. Déficit do Exercício = registra a confrontação periódica de receitas x despesas, sendo eventual saldo devedor tal é transferido para esta conta, até futura amortização pelos associados ou por superávits subseqüentes. FUNDOS ESPECIFICADOS A contabilidade registra os recursos recebidos para atender atividades ou projetos específicos de forma separada (em fundos), valendo-se das restrições impostas pelos doadores externos à entidade ou mesmo observando restrições impostas pelos órgãos diretivos da entidade. Na prática existirão, em uma entidade, vários tipos de "fundos" como, por exemplo, "Fundo para Construção de Sede Social", "Fundo para Bolsas de Estudos", "Fundo de Pesquisas", etc. OUTRAS CARACTERÍSTICAS Outras características distintivas da contabilidade do terceiro setor: 1) Aplicam-se a essas entidades os Princípios Fundamentais de Contabilidade, bem com as Normas Brasileiras de Contabilidade e suas Interpretações Técnicas e Comunicados Técnicos, editados pelo Conselho Federal de Contabilidade. 2) As entidades sem finalidade de lucro são aquelas em que o resultado positivo não é destinado aos detentores do patrimônio líquido e o lucro ou prejuízo são denominados, respectivamente, de superávit ou déficit. 3) O valor do superávit ou déficit do exercício deve ser registrado na conta Superávit ou Déficit do Exercício enquanto não aprovado pela assembléia dos associados e após a sua aprovação, deve ser transferido para a conta Patrimônio Social. CONTAS DE COMPENSAÇÃO As transferências a título de subvenções, contribuições, auxílios e doações devem ser contabilizadas em contas de compensação, pelo valor total dos recursos recebidos, enquanto perdurar a responsabilidade da entidade beneficiária dos recursos. Isto ocorre com freqüência, pois os doadores, subscritores e contribuintes desejam que tais recursos sejam especificamente aplicados em determinados projetos ou condições. Como exemplo, a doação de material escolar, com a condição de os mesmos serem distribuídos gratuitamente à famílias carentes. Ou o recebimento de uma subvenção municipal, condicionada á execução de reformas no edifício da entidade. Tal aparente complexidade contábil justifica-se, na medida em que uma entidade é representativa da vontade de seus associados, doadores, subscritores e contribuintes, necessitando prestar contas de sua gestão. Obviamente, um bom plano de contas contábil, incluindo as contas de compensação, poderá fornecer detalhamentos importantes para aferir se a entidade está ou não cumprindo com seus projetos, se sua capacidade de gerenciamento é adequada, se possui os recursos necessários, etc. Desta forma, a contabilidade torna-se uma ferramenta útil e prática para análise das atuais e futuras obrigações vinculadas á vontade dos doadores, subscritores e contribuintes. Exemplo 1: Recebimento de Subscrição Federal Vinculada Entidade recebe R$ 15.000,00 para aplicação exclusiva em obra civil vinculada ao atendimento assistencial: 1) Registro nas contas patrimoniais: D - Bancos Conta Movimento – Recursos com Restrições (Ativo Circulante) C - Recursos de Entidade Pública Nacional (Passivo Circulante) R$ 15.000,00 2) Registro em contas de compensação: D - Obras e Edificações a Executar (Compensação Ativa) C - Subvenção Federal a Destinar (Compensação Passiva) R$ 15.000,00 3) Pelo execução da obra civil, após a averbação da respectiva construção, reverte-se o lançamento das contas de compensação: D - Subvenção Federal a Destinar (Compensação Passiva) C - Obras e Edificações a Executar (Compensação Ativa) Exemplo 2: Recebimento de Doação Condicional Doação de R$ 20.000,00 efetuada mediante veículo, condicionada a que o mesmo permaneça pelo menos 3 anos no patrimônio da entidade e destinado ao transporte de pessoas assistidas. 1) Registro nas contas patrimoniais: D - Veículos (Imobilizado) C - Doações e Subvenções (Patrimônio Social) R$ 20.000,00 2) Registro nas contas de compensação: D - Bens sob Condicionalidades (Compensação Ativa) C - Condições de Uso – Bens (Compensação Passiva) R$ 20.000,00 3) Após o cumprimento do prazo mínimo previsto (3 anos), registra-se a baixa da referida condição, nas contas de compensação: D - Condições de Uso – Bens (Compensação Passiva) C - Bens sob Condicionalidades (Compensação Ativa) R$ 20.000,00 CONTAS DE CUSTOS A relevância da contabilidade para uma entidade do terceiro setor é proporcional ao nível de informações que gerar para seu público. Neste sentido, é recomendável que haja separação específica de despesas atividades-fim das atividades-meio. As atividades-meio estão relacionadas à administração geral da entidade ou à obtenção de fundos. As atividades-fim são aquelas para as quais a entidade existe, como assistência social, promoção cultural, esportiva, etc. A comparação entre o esforço feito pela entidade e as contribuições recebidas pela mesma é um importante indicador analítico. O termo “custos”, nesta obra, compreende todas as despesas, custos e encargos suportados pela entidade, independentemente de sua origem (doações, subvenções, serviço voluntário, etc.). ALOCAÇÃO DE CUSTOS INDIRETOS Determinados projetos têm, caracteristicamente, custos associados de forma direta e objetiva. Como exemplo: compra de roupas para atendimento de vítimas de enchentes. Entretanto, neste exemplo, haverá custos indiretos, que não se podem medir diretamente, e precisam ser “rateados” (distribuídos), pois não estão diretamente associados á atividade específica, e sim, á estrutura geral de apoio que a entidade mantém. Ainda no exemplo da distribuição de roupas, haverá custos associados à parte do tempo do pessoal de apoio (como motoristas) e outros custos indiretos (como a depreciação do veículo utilizado no transporte das roupas). Desta forma, a contabilidade precisa organizar uma forma regular de atribuição de tais custos, visando conhecer e dar a informação precisa ao público,de quanto foi dispendido em cada projeto (a “prestação de contas” para a sociedade). Em resumo: Cada atividade-fim desenvolvida pela entidade tem 2 tipos de custos: 1) custos diretos – facilmente identificáveis e diretamente alocados aos projetos respectivos e 2) custos indiretos – compreendendo uma gama de recursos de apoio ás atividades-fim, que devem ser rateadas nos projetos ou atividades de acordo com padrões lógicos e pré- estabelecidos. CUSTOS DIRETOS A contabilização dos custos diretos da entidade é um tema simples, bastando que a contabilidade receba a informação adequada para proceder ao registro. Exemplo: A Fundação Cultural de Curitiba promoveu uma palestra gratuita sobre História da Cultura Nacional. Foram pagas despesas de reembolso de transporte e alimentação aos palestrantes de R$ 150,00. A contabilização ficaria: D - Cultura (conta de Benefícios Concedidos – Gratuidade) C - Caixa R$ 150,00 CUSTOS INDIRETOS A primeira tarefa da contabilidade é determinar quais são as contas de custos indiretos, que devem ser rateadas entre as atividades ou projetos respectivos. Normalmente, são objeto de rateio: 1) Folha de pagamento de pessoal de apoio (motoristas, manutenção, etc.) 2) Despesas gerais (depreciação de veículos e equipamentos, telefonemas, etc.). Observe-se que nem todas as contas contábeis devem ser objeto de rateio, já que algumas despesas se caracterizam como atividades-meio e não atividades-fim. Somente as contas que registram despesas de atividades-fim é que são rateadas. Desta forma, não se rateiam despesas de publicidade, por exemplo. Mas isto não significa que determinado custo de publicidade não possa ser alocado diretamente a determinado projeto. Exemplo: desembolso de publicidade relativo á confecção de folhetos para uma promoção específica da entidade. Uma vez definido as contas que serão rateadas, deve-se procurar o padrão para rateio de cada grupo ou conta individualmente. Exemplo: Para as contas de despesas com veículos (combustível, depreciação de veículos, manutenção, etc.) pode-se fazer o rateio por Km rodado: Demonstrativo de Rateio - Despesas com Veículos Mês de: mai/04 Conta Valor R$ 3.8.3.01 Seguros 200,00 3.8.3.02 Combustíveis e Lubrificantes 1.950,00 3.8.3.03 Folha de Pagamento - Motoristas 3.500,00 3.8.3.04 Manutenção de Veículos 750,00 3.8.3.05 Depreciações - Veículos 500,00 Total Custos 6.900,00 Km total percorrida 12.000 Custo KM 0,575 Admitindo-se, ainda, que existem 3 atividades na respectiva entidade, que utilizaram-se de quilometragem dos veículos, então teremos a seguinte distribuição de custos indiretos, com base no Custo/Km: Atividade KM Custo - R$ Assistência Social - Idosos 2.000 1.150,00 Administração 1.500 862,50 Projeto Reciclagem 8.500 4.887,50 A contabilização de tais rateios será como segue: 1) Pela transferência dos custos indiretos de veículos, alocados á atividade de assistência social: D - Alocação de Recursos Indiretos - Atendimento a Idoso - Assistência Social (Resultado) C - (-) Transferências para Atividades (conta de transferência de custos) R$ 1.150,00 2) Pela transferência dos custos indiretos de veículos, alocados á administração: D - Despesas de Veículos (Resultado) C - (-) Transferências para Atividades (conta de transferência de custos) R$ 862,50 3) Pela transferência dos custos indiretos de veículos, alocados ao Projeto de Reciclagem: D - Alocação de Recursos Indiretos - Projeto de Reciclagem (Resultado) C - (-) Transferências para Atividades (conta de transferência de custos) R$ 4.887,50 CRITÉRIOS DE RATEIO A seguir, uma sugestão de critérios de rateio de custos indiretos, para possível alocação ás atividades: Tipo de Custo - Alocação por Despesas de Veículos - Km utilizada Depreciações e Manutenção de Imóveis - Metragem utilizada Luz - Potencial de consumo de aparelhos elétricos Água e Despesas de Pessoal - Número de funcionários ou pessoas atendidas Telefone - Número de chamadas solicitadas Tarifas Bancárias - Volume de recursos movimentados Auditoria Externa - Número de lançamentos contábeis de cada projeto ou atividade Outros critérios poderão ser observados, desde que sejam relacionados ás atividades-fim e calculados de forma regular e consistente. Não se pode alterar o critério aleatoriamente, segundo ditames da administração ou conveniências específicas. Pode ocorrer também que determinado patrocinador de algum projeto ou atividade exija a alocação dos custos indiretos de forma pré-determinada, conforme convencionado contratualmente. Neste caso, admite-se a utilização do critério contratual, fazendo-se constar o procedimento em notas explicativas às demonstrações financeiras. CONTRATOS, CONVÊNIOS E TERMOS DE PARCERIA Contratos, convênios e termos de parceria são instrumentos jurídicos e operacionais utilizados pelas Entidades na consecução de seus objetivos. Convênio, em direito administrativo, é o acordo de cooperação e atuação conjunta/complementar entre órgãos públicos. Ocorre quando dois entes públicos se juntam na consecução de um mesmo objetivo. Eventualmente, firma-se contrato de convênio entre as entidades públicas e uma organização de interesse público. O Termo de Parceria, descrito no artigo 9° da Lei 9.790/1999, é o instrumento destinado à formação de vínculo de cooperação entre as partes, para o fomento e a execução das atividades de interesse público. São firmados entre órgãos públicos e entidades que possuem a qualificação de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público. É relevante que o contabilista examine, nesses instrumentos, as cláusulas de prestação de contas e as de remuneração. Como tais contratos podem ser firmados tanto com entidades públicas como privadas, se houver remuneração, tal receita deve ser apropriada pelo regime de competência, ou seja, à medida da execução do respectivo contrato. Observe-se que os recursos totais recebidos a título de convênios, contratos e termos de parceria não se caracterizam como uma receita, pois sua aplicação é definida pelo próprio contrato, sendo uma obrigação (passivo) da entidade. RECURSOS DE TERCEIROS E COM RESTRIÇÕES Os recursos financeiros de terceiros em poder da entidade em virtude de parcerias devem ser depositados em contas bancárias específicas, para que não se misture com os recursos próprios da entidade. Á medida de sua liquidação, ou seja, da realização de pagamentos vinculados ao projeto, baixa-se na correspondente conta. Eventuais valores de terceiros que venham ser aplicados no mercado financeiro devem também ser destacados contabilmente. Os rendimentos auferidos por tais aplicações são recursos do projeto, salvo se, contratualmente, ficar fixado que a remuneração será destinada à entidade administradora. No plano de contas, modelo sugerido para entidades sociais, as contas do ativo que registram recursos disponíveis de terceiros são: - Bancos Conta Movimento - Recursos de Terceiros - Bancos Conta Movimento - Recursos com Restrições - Aplicações Financeiras de Liquidez Imediata - Recursos de Terceiros - Aplicações Financeiras de Liquidez Imediata - Recursos com Restrições RECEBIMENTO DE RECURSOS DE CONVÊNIOS Contabiliza-se a recepção de recursos para aplicação em convênios a débito da conta ativa e a crédito de uma conta passiva indicativa do projeto conveniado. Exemplo: 1) Recebimento de R$ 50.000,00 de convênio com o governo Brasileiro: D - Bancos Conta Movimento - Recursos com Restrições (Ativo Circulante) C - Recursos de Entidade Pública Nacional (Recursos de Projetos - PassivoCirculante) R$ 50.000,00 2) Por ocasião da aplicação de R$ 29.000,00 dos recursos do convênio: D - (-) Recursos Aplicados de Entidade Pública Nacional (conta retificadora de Projetos – Passivo Circulante) C - Bancos Conta Movimento - Recursos com Restrições (Ativo Circulante) R$ 29.000,00 Pela apropriação da remuneração do convênio, fixada em 2% sobre o valor aplicado (R$ 29.000,00 x 2% = R$ 580,00): a) registro da remuneração como receita na entidade: D - Remuneração de Convênios a Receber (Ativo Circulante) C - Taxas de Administração (Resultado) R$ 580,00 b) pela transferência do numerário relativo à remuneração: D - Bancos Conta Movimento – Recursos Livres (Ativo Circulante) C - Bancos Conta Movimento – Recursos com Restrições (Ativo Circulante) R$ 580,00 c) registro da taxa de administração como aplicação de recurso do convênio: D - (-) Recursos Aplicados de Entidade Pública Nacional (conta retificadora – Recursos de Projetos – Passivo Circulante) C - Remuneração de Convênios a Receber (Ativo Circulante) R$ 580,00 3) Pela prestação de contas do convênio – registro dos recursos aplicados (supondo-se que foram aplicados somente R$ 29.000,00 no convênio e mais R$ 580,00 da taxa de administração): D - Recursos de Entidade Pública Nacional (Recursos de Projetos - Passivo Circulante) C - (-) Recursos Aplicados de Entidade Pública Nacional (conta retificadora de Projetos – Passivo Circulante) R$ 29.580,00 4) Pela devolução do numerário não aplicado do convênio: D - Recursos de Entidade Pública Nacional (Recursos de Projetos - Passivo Circulante) C - Bancos Conta Movimento – Recursos com Restrições (Ativo Circulante) R$ 20.420,00 Nota: Quando a prestação de contas não é imediata e o convênio contratualmente já houver expirado, transfere-se o compromisso de devolução do saldo dos recursos não aplicados da seguinte forma: D - Recursos de Entidade Pública Nacional (Recursos de Projetos - Passivo Circulante) C - Recursos de Entidade Pública Nacional (Convênios Encerrados - Passivo Circulante) Observe que os recursos que deverão ser aplicados, oriundos de um convênio, não se constituem em RECEITA da entidade. O que poderá (eventualmente) constituir receita é a respectiva taxa de administração. A entidade é simples depositária dos recursos, e não pode apropriar como receita recursos que não são seus. Se, no contrato de convênio, houver alguma remuneração pela gestão dos recursos, tal remuneração é que constituirá a receita da entidade. Se o convênio não fixar remuneração, nenhuma parcela do convênio será registrada como receita. Tão somente se trabalhará com contas ativas e passivas, encerrando-se o passivo, como o exemplo citado, por transferência entre contas passivas (conta original do recurso recebido do convênio e conta retificadora que registre sua aplicação). No exemplo citado, o saldo bancário de R$ 580,00, após realizados todos os lançamentos, constituirá recurso de livre aplicação, que poderá ser utilizado para pagamento de despesas próprias da entidade, ou aplicado em ativos (como aplicação financeira ou imobilizado). CONVÊNIOS DE CUSTEIO Se o convênio destina-se a suprir custeio comum das atividades (folha de pagamento, gastos administrativos, etc.), pode-se utilizar contas redutoras de despesas para transferir parcelas de custeio conveniadas. Exemplo: Determinado convênio permite a absorção da folha de pagamento da entidade em até R$ 5.000,00 mensais. Primeiramente, contabiliza-se a folha normalmente (a débito de resultado e a crédito de salários e outras verbas a pagar). Posteriormente, faz-se a alocação de parte da folha, como aplicação de custeio - conforme convênio, utilizando uma conta redutora de resultado: D - (-) Recursos Aplicados de Entidade Pública Nacional (conta retificadora de Projetos – Passivo Circulante) C - (-) Transferências de Custeio - Convênios (Conta de Resultado) R$ 5.000,00 O QUE FAZER QUANDO A PRESTAÇÃO DE CONTAS É PELO REGIME DE CAIXA Muitos convênios, por força contratual, exigem que a entidade preste contas pelo regime de caixa, ou seja, somente quando a despesa é paga é que ela irá compor a prestação. Existem convênios, por exemplo, cujo contrato exige que todos os lançamentos estejam comprovados com o correspondente extrato bancário, sem o que não são considerados como aplicados. Mas uma coisa é a prestação de contas, e outra é a contabilização. A prestação de contas, tendo base contábil (pois obviamente todas as despesas pagas já foram escrituradas anteriormente ou no momento da sua execução), será uma obrigação contratual. Mas a contabilidade, pelos princípios e normas de contabilidade brasileira, não poderá deixar de registrar os custos e despesas, mesmos aqueles que não foram pagos (como provisão de férias), alocando as despesas corretamente a cada projeto. Conclusão: nem sempre o montante da prestação de contas irá "bater" com a contabilidade. O erro não está na contabilidade, mas em função da sistemática contratual, pode ocorrer uma distorção, pela utilização do regime de caixa para prestação de contas. Então se não houver como conciliar as duas exigências, o excesso de despesas será um encargo da entidade, que deverá ser transferido a contas específicas. Exemplo: Em determinado projeto, a entidade apurou os seguintes valores contábeis, no primeiro mês de apuração de projeto específico: Recursos de Entidade Pública Nacional – saldo credor de R$ 100.000,00 (-) Recursos Aplicados de Entidade Pública Nacional – saldo devedor de R$ 110.000,00 Portanto, o saldo do projeto acusou um “déficit”, ou seja, houve mais aplicação de recursos do que origens, no montante de R$ 10.000,00. Admitindo-se ainda que estes R$ 10.000,00 correspondam a despesas contabilizadas pelo regime de competência (como depreciações e provisões), então temos 2 situações distintas: 1. Estes recursos serão repostos pela entidade patrocinadora, pois há garantia contratual dos mesmos; 2. Estes recursos não serão repostos pela entidade patrocinadora, pois a sistemática contratual do fechamento de contas é mensal e obriga que o excesso de despesas seja arcado pela entidade executora. Teremos a seguinte contabilização: 1. Hipótese 1 (os recursos serão repostos pela entidade patrocinadora): a) Transferência do excesso de recursos aplicados, para conta do ativo: D - Antecipação de Recursos em Projetos e Parcerias C - (-) Recursos Aplicados de Entidade Pública Nacional R$ 10.000,00 b) Quando por ocasião do recebimento (reembolso) das respectivas despesas: D - Bancos Conta Movimento – Recursos Livres C - Antecipação de Recursos em Projetos e Parcerias R$ 10.000,00 2. Hipótese 2 (os recursos extras contabilizados não serão reembolsados pela entidade patrocinadora) – admitindo-se que o projeto refira-se a educação ambiental, temos que transferir este excesso de despesas para uma conta de resultado específica: D - Projeto Educação Ambiental C - (-) Recursos Aplicados de Entidade Pública Nacional R$ 10.000,00 Por fim, quando da prestação de contas, registra-se a correspondente transferência relativa aos recursos aplicados, em ambas as hipóteses: D - Recursos de Entidade Pública Nacional C - (-) Recursos Aplicados de Entidade Pública Nacional R$ 100.000,00 CONTRAPARTIDA DE CONVÊNIOS E CONTRATOS Denomina-se contrapartida o compromisso de a entidade conveniada ou contratada aportar recursos adicionais aos destinados pela conveniente ou contratante para atingir os objetivos do projeto. Tais recursos devem fazer parte do plano de trabalho e podem constituir-se em materiais, serviços, apoio ou dinheiro. Constandoesses recursos do termo celebrado entre as partes devem ser registrados em rubrica específica e destacados na prestação de contas. Exemplo: O Convênio entre a entidade Exemplo e a Conveniente Patrocinadora determina que o Projeto de Resgate Cultural receberá recursos de R$ 100.000,00 da Patrocinadora, sendo que a entidade participará com apoio de pessoal e materiais equivalentes a 20% do patrocínio. A contrapartida da entidade será registrada como segue: 1) Pelo registro da despesa de pessoal, devidas pela entidade no Projeto: D - Pessoal, Encargos e Benefícios (Convênios – Resultado) R$ 16.000,00 C - Salários a Pagar R$ 10.000,00 C - Previdência Social Patronal R$ 3.000,00 C - FGTS R$ 850,00 C - Provisão para 13º Salário R$ 900,00 C - Provisão de Férias R$ 1.250,00 2) Pelo registro de despesas relativas ao projeto, de responsabilidade da entidade: D - Material de Uso e Consumo (Convênios – Resultado) C - Almoxarifado (Estoques – Ativo Circulante) R$ 4.000,00 CONTRAPARTIDA FINANCEIRA OBRIGATÓRIA No caso de contrapartida financeira obrigatória, em que os recursos devem ser previamente depositados pela entidade receptora, pode-se efetuar a seguinte contabilização: D - Bancos Conta Movimento – Recursos com Restrições C - Bancos Conta Movimento – Recursos Livres R$ 10.000,00 CONTRIBUIÇÕES Contribuições são as transferências derivadas da lei orçamentária e concedidas por entes governamentais a autarquias e fundações e a entidades sem fins lucrativos, destinadas à aplicação em custeio e manutenção destas, sem contrapartida direta do beneficiário dos recursos em bens e serviços, ou determinadas por lei especial anterior, para o atendimento de investimentos ou inversões financeiras. As transferências a título de contribuição, mesmo que não correspondam a uma contraprestação direta de bens ou serviços para a entidade transferidora, devem ser contabilizadas como receita na entidade recebedora dos recursos financeiros. Exemplo: Recepção de contribuição governamental de R$ 10.000,00 para aplicação em entidade social – destinadas a custeio: D - Bancos Conta Movimento – Recursos com Restrições (Ativo Circulante) C - 4.1.1.03 Subvenções e Contribuições (Resultado) R$ 10.000,00 Nota: o código á frente do título da conta se refere ao plano de contas modelo de entidade social, em anexo á presente obra. Por ocasião do pagamento de despesas de custeio a que se destina a contribuição respectiva: D – conta do passivo ou da respectiva despesa C - Bancos Conta Movimento – Recursos com Restrições (Ativo Circulante) R$ (o valor pago) COOPERATIVAS SOCIAIS A Lei 9.867 de 10/11/1999 dispõe sobre a criação e o funcionamento de Cooperativas Sociais, constituídas com a finalidade de inserir as pessoas em desvantagem no mercado econômico, por meio do trabalho, fundamentadas no interesse geral da comunidade em promover a pessoa humana e a integração social dos cidadãos. Incluem-se entre as atividades das Cooperativas Sociais: 1. A organização e gestão de serviços sociossanitários e educativos; 2. O desenvolvimento de atividades agrícolas, industriais, comerciais e de serviços. Na denominação e razão social das entidades é obrigatório o uso da expressão “Cooperativa Social”, aplicando-se-lhes todas as normas relativas ao setor em que operarem. Consideram-se pessoas em desvantagem, para os efeitos da Lei 9.867/99: I – os deficientes físicos e sensoriais; II – os deficientes psíquicos e mentais, as pessoas dependentes de acompanhamento psiquiátrico permanente, e os egressos de hospitais psiquiátricos; III – os dependentes químicos; IV – os egressos de prisões; V – os condenados á penas alternativas á detenção; VI – Os adolescentes em idade adequada ao trabalho e situação familiar difícil do ponto de vista econômico, social ou afetivo. As cooperativas sociais organizarão seu trabalho especialmente no que diz respeito á instalações, horários e jornadas, de maneira a levar em conta e minimizar as dificuldades gerais e individuais das pessoas em desvantagem que nelas trabalharem, e desenvolverão e executarão programas especiais de treinamento com o objetivo de aumentar-lhes a produtividade e a independência econômica e social. A condição de pessoa em desvantagem deve ser atestada por documentação proveniente de órgãos da administração pública, ressalvando-se o direito á privacidade. O estatuto da Cooperativa Social poderá prever uma ou mais categorias de sócios voluntários, que lhe prestem serviços gratuitamente, e não estejam incluídos na definição de pessoas em desvantagem. DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS As Demonstrações Contábeis devem ser firmadas por contabilista habilitado pelo representante legal da entidade. As demonstrações contábeis que devem ser elaboradas pelas entidades sem finalidade de lucros são as determinadas pela NBC T 3 - Conceito, Conteúdo, Estrutura e Nomenclatura das Demonstrações Contábeis, e a sua divulgação pela NBC T 6 - Da Divulgação das Demonstrações Contábeis. Na aplicação das normas contábeis, em especial a NBC T 3, a conta Capital deve ser substituída por Patrimônio Social, integrante do grupo Patrimônio Líquido, e a conta Lucros ou Prejuízos Acumulados por Superávit ou Déficit do Exercício. FUNDAÇÕES Nas Fundações, a conta Capital será substituída pela conta Patrimônio Social e a conta Lucros ou Prejuízos Acumulados pela Conta Superávits ou Déficits Acumulados. A denominação da Demonstração do Resultado (item 3.3 da NBC T 3) é alterada para Demonstração do Superávit ou Déficit, a qual deve evidenciar a composição do resultado de um determinado período. Além dessa alteração, a NBC T 3 é aplicada substituindo a palavra resultado dos itens 3.3.2.3 d, 3.3.2.3, g e 3.3.2.3, m, pela expressão superávit ou déficit. A denominação Da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (item 3.5 da NBC T 3) é alterada para Demonstração das Mutações do Patrimônio Social, que deve evidenciar, num determinado período, a movimentação das contas que integram o seu patrimônio. Além dessa alteração, a NBC T 3 é aplicada com a substituição da palavras lucros dos itens 3.5.2.1 c, 3.5.2.1.f e 3.5.2.1.h, pela palavra superávit e a palavra prejuízo do item 3.5.2.1 i, pela palavra déficit. As Fundações estão dispensadas da elaboração da Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados (item 3.4), por estar incluída na Demonstração das Mutações do Patrimônio Social. Na Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos (item 3.6 da NBC T 3), a palavra resultado do item 3.6.2.1, a, é substituída pela expressão superávit ou déficit. ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL DE INTERESSE PÚBLICO O Decreto 3.100/1999, também exige, ao tratar da prestação de contas das Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), as seguintes Demonstrações Contábeis (Art. 11, § 2º): § 2o A prestação de contas será instruída com os seguintes documentos: I - relatório anual de execução de atividades; II - demonstração de resultados do exercício; III - balanço patrimonial; IV - demonstração das origens e aplicações de recursos; V - demonstração das mutações do patrimônio social; VI - notas explicativas das demonstrações contábeis, caso necessário; e VII - parecer e relatório de auditoria nos termos do art. 19 deste Decreto, se for o caso. NOTAS EXPLICATIVAS As notas explicativas devem ser utilizadas para aumentar o poder informativo das Demonstrações Contábeis. Essas notas devem ser consideradas como parte integrante das Demonstrações Contábeis, como requerido pelas Normas Brasileiras de Contabilidade. As demonstrações contábeis devem ser complementadaspor notas explicativas que contenham, pelo menos, as seguintes informações: a) o resumo das principais práticas contábeis; b) os critérios de apuração das receitas e das despesas, especialmente com gratuidades, doações, subvenções, contribuições e aplicações de recursos; c) as contribuições previdenciárias relacionadas com a atividade assistencial devem ser demonstradas como se a entidade não gozasse de isenção, conforme normas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS); d) as subvenções recebidas pela entidade, a aplicação dos recursos e as responsabilidades decorrentes dessas subvenções; e) os fundos de aplicação restrita e responsabilidades decorrentes desses fundos; f) evidenciação dos recursos sujeitos a restrições ou vinculações por parte do doador; g) eventos subseqüentes à data do encerramento do exercício que tenham, ou possam vir a ter efeito relevante sobre a situação financeira e os resultados futuros da entidade; h) as taxas de juros, as datas de vencimento e as garantias das obrigações a longo prazo; i) informações sobre os tipos de seguro contratados. Incentivos Fiscais, Subvenções, Contribuições, Auxílios e Doações Governamentais As notas explicativas relativas a existência de benefícios governamentais devem conter, no mínimo, as seguintes informações: a) os valores recebidos por tipo de benefício: incentivos fiscais, subvenções, contribuições, auxílios, perdão de empréstimos subsidiados e doações; b) critérios contábeis adotados, quando do registro dos benefícios recebidos; c) principais compromissos assumidos pela entidade por conta dos benefícios recebidos; d) potenciais ganhos ou perdas em decorrência do cumprimento ou descumprimento de compromissos de que trata esta norma; e) contingências relativas aos benefícios. ENTIDADES EDUCACIONAIS As entidades educacionais, além das notas explicativas, devem evidenciar a adequação das receitas com as despesas de pessoal, segundo parâmetros estabelecidos pela Lei das Diretrizes e Bases da Educação e sua regulamentação. ISENÇÃO DE TRIBUTOS As entidades beneficiadas com isenção de tributos e contribuições devem evidenciar suas receitas com e sem gratuidade de forma segregada, e os benefícios fiscais gozados. EXEMPLO DE BALANÇO PATRIMONIAL ATIVO 31/12/2003 31/12/2002 CIRCULANTE 48.000,00 35.450,00 Disponibilidades 14.550,00 10.250,00 Caixa 1.000,00 500,00 Bancos Conta Movimento – Recursos Livres 1.800,00 1.500,00 Bancos Conta Movimento – Recursos de Terceiros 750,00 400,00 Bancos Conta Movimento – Recursos com Restrições 600,00 650,00 Aplicações Financeiras Liq. Imediata – Recursos Livres 5.000,00 4.000,00 Aplicações Financeiras Liq. Imediata – Recursos de Terceiros 2.500,00 1.500,00 Aplicações Financeiras Liq. Imediata – Recursos com Restrições 2.900,00 1.700,00 Créditos a Receber 24.450,00 18.000,00 Aplicações Financeiras a Prazo 18.200,00 15.000,00 Cheques a Depositar 2.000,00 1.000,00 Mensalidades a Receber 3.500,00 1.500,00 Atendimentos a Receber 1.000,00 1.200,00 (-) Provisão para Devedores Duvidosos (1.750,00) (1.600,00) Créditos Tributários 1.500,00 900,00 Estoques 5.000,00 3.700,00 Almoxarifado 1.800,00 2.200,00 Materiais Doados a Distribuir 1.700,00 500,00 Mercadorias e Produtos á Venda 1.500,00 1.000,00 Adiantamentos e Gratuidades Condicionais 4.000,00 3.500,00 Adiantamentos Salariais 1.500,00 1.200,00 Antecipação de Recursos em Projetos 1.300,00 1.500,00 Gratuidades Condicionais 1.200,00 800,00 PERMANENTE 52.000,00 53.800,00 Investimentos 18.000,00 18.000,00 Imobilizado 30.000,00 28.000,00 (-)Depreciação Acumulada (6.000,00) (5.000,00) Diferido 14.000,00 14.000,00 (-)Amortização Acumulada (4.000,00) (1.200,00) TOTAL DO ATIVO 100.000,00 89.250,00 PASSIVO 31/12/2003 31/12/2002 CIRCULANTE 37.250,00 31.050,00 Obrigações com Instituições de Crédito 3.000,00 2.650,00 Financiamentos do Imobilizado 2.500,00 1.750,00 Empréstimos para Capital de Trabalho 500,00 900,00 Fornecimento de Material e Serviços 3.600,00 3.150,00 Fornecedores 3.000,00 2.700,00 Fretes a Pagar 600,00 450,00 Consignações 3.050,00 3.050,00 Previdência Social 1.400,00 1.200,00 Imposto de Renda na Fonte 200,00 150,00 Sindical 150,00 100,00 Pensão Alimentícia 300,00 250,00 Convênios 700,00 900,00 Outras Consignações 300,00 450,00 Obrigações Tributárias 2.600,00 2.300,00 Previdência Social Patronal 1.400,00 1.250,00 PIS/PASEP 600,00 550,00 Impostos e Contribuições – Renúncia Fiscal 600,00 500,00 Obrigações com Empregados 14.500,00 13.100,00 Salários a Pagar 12.000,00 11.000,00 Provisão para Férias 2.500,00 2.100,00 Recursos de Projetos 6.000,00 3.500,00 Recursos de Entidades 8.000,00 7.000,00 (-) Recursos Aplicados (3.000,00) (4.500,00) Recursos Pendentes de Convênios Encerrados 1.000,00 1.000,00 Antecipações de Receita 1.900,00 1.000,00 Recebimentos Antecipados 1.900,00 1.000,00 EXIGÍVEL A LONGO PRAZO 3.000,00 4.700,00 Financiamentos do Imobilizado 3.000,00 4.700,00 PATRIMÔNIO SOCIAL 59.750,00 53.500,00 Fundo Patrimonial 56.000,00 46.500,00 Fundo Institucional 47.000,00 40.000,00 Fundos Especiais 7.000,00 5.000,00 Doações e Subvenções 2.000,00 1.500,00 Superávit ou Déficit Acumulados 3.750,00 7.000,00 Superávit Acumulado 3.750,00 7.000,00 TOTAL PASSIVO + PATRIMÔNIO SOCIAL 100.000,00 89.250,00 DEMONSTRAÇÃO DO SUPERÁVIT DO EXERCÍCIO 2003 2002 RECEITAS ORDINÁRIAS NÃO VINCULADAS 42.384,21 35.600,00 Doações 1.800,00 2.100,00 Lucros e Dividendos Recebidos 2.500,00 1.900,00 Subvenções e Contribuições 4.500,00 2.500,00 Taxas de Administração 2.500,00 1.700,00 Mensalidades 16.084,21 14.900,00 Vendas de Bens e Serviços 15.000,00 12.500,00 CUSTOS E DESPESAS GERAIS NÃO VINCULADOS (31.400,00 ) (26.925,00) Despesas Administrativas (22.450,00 ) (19.450,00) Custo das Vendas de Bens e Serviços (8.500,00) (7.100,00) Despesas Tributárias das Vendas (450,00) (375,00) SUPERÁVIT OU DÉFICIT ORDINÁRIO NÃO VINCULADO 10.984,21 8.675,00 ATIVIDADES ORDINÁRIAS VINCULADAS Superávit ou Déficit de Atividade Social (2.000,00) 1.500,00 Receitas de Atividades de Assistência Social 37.000,00 29.000,00 Despesas de Atividades de Assistência Social (39.000,00 ) (27.500,00) Superávit ou Déficit de Atividade Educacional 5.000,00 4.500,00 Receitas de Atividades Educacionais 18.000,0016.000,00 Despesas de Atividades Educacionais (13.000,00 ) (11.500,00) SUPERÁVIT ATIVIDADES ORDINÁRIAS VINCULADAS 3.000,00 6.000,00 Receita Financeira 2.100,00 2.300,00 Despesas Financeiras 1.250,00 1.490,00 RESULTADO FINANCEIRO 850,00 810,00 Benefícios Obtidos - Gratuidade 15.000,00 16.000,00 Benefícios Concedidos - Gratuidade (25.000,00 ) (22.274,47) VARIAÇÕES PATRIMONIAIS LÍQUIDAS (10.000,00 ) (6.274,47) Receitas na Venda do Imobilizado 1.700,00 - Custo das Vendas do Imobilizado (1.600,00) - RECEITAS - DESPESAS EXTRAORDINÁRIAS 100,00 - DÉFICIT OU SUPERÁVIT ANTES DOS TRIBUTOS 4.934,21 9.210,53 IRPJ e CSLL sobre o Superávit do Exercício (1.184,21) (2.210,53) SUPERÁVIT LÍQUIDO DO EXERCÍCIO 3.750,00 7.000,00 DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO SOCIAL Histórico e Valores R$ Fundo Patrimo nial Fundo Instituci onal Fundo s Especi ais Doações e Subvenç ões Superá vit ou Déficit Patrimô nio Social Saldo Inicial em 31.12.2002 46.500,0 0 40.000,0 0 5.000, 00 1.500,00 7.000,0 0 53.500,0 0 Transferências - AGO de 15.04.2003 7.000,00 7.000,00 (7.000, 00) - Doações 200,00 200,00 200,00 Subvenções 300,00 300,00 300,00 Fundo para Construção de Sede 2.000,00 2.000, 00 2.000,00 Superávit do Exercício - 3.750,0 0 3.750,00 Saldo Final em 31.12.2003 56.000,0 0 47.000,0 0 7.000, 00 2.000,00 3.750,0 0 59.750,0 0 DEPRECIAÇÕES Depreciação corresponde ao encargo periódico que determinados bens sofrem, por uso, obsolescência ou desgaste natural. A taxa anual de depreciação de um bem, será fixada em função do prazo, durante o qual se possa esperar utilização econômica. A quota de depreciação a ser registrada na escrituração contábil da entidade, como custo ou despesa, será determinada mediante aplicação da taxa de depreciação sobre o valor do bem em reais. Observe-se que o limite de depreciação é o valor do próprio bem. Desta forma, deve-se manter um controle individualizado, por bem, do tipo “ficha do imobilizado” ou “planilha de item do imobilizado” para que o valor contabilizado da depreciação, somado ás quotas já registradas anteriormente, não ultrapasse o valor contábil do respectivo bem. O cálculo das quotas de depreciação de bens do ativo imobilizado será efetuado da seguinte forma: Bens já Existentes no Patrimônio no Exercício Anterior Para os bens já existentes no Exercício anterior, que não foram baixados no exercício, basta aplicar a taxa anual de depreciação sobre o respectivo valor do bem. Exemplo: Valor de Edificações da sede: R$ 105.000,00 Taxa anual de depreciação: 4% Valor da Depreciação no ano: R$ 105.000,00 x 4% = R$ 4.200,00 Valor da Depreciação mensal: R$ 4.200,00 : 12 meses = R$ 350,00 Bens Acrescidos no Ativo Imobilizado no Período A quota de depreciação em reais, das aquisições ou dos valores acrescidos aos bens existentes, será calculada da seguinte forma: a) aplicar a taxa anual de depreciação sobre o valor do custo de aquisição ou acréscimo, obtendo a quota anual em reais; b) dividir a quota anual em reais por 12, para obter o valor do duodécimo mensal de depreciação, a ser registrado na escrituração a partir do mês de aquisição ou incorporação do acréscimo; c) no caso de bem incorporado e baixado do Ativo Imobilizado, dentro do ano- calendário, serão apropriados os duodécimos de depreciação proporcionais ao número de meses que o bem permanecer incorporado ao ativo. Exemplo: Bem acrescido em 10.02.2003, no valor de R$ 21.600,00 Taxa anual de depreciação: 10% Valor da depreciação anual: R$ 21.600,00 x 10% = R$ 2.160,00 Valor da depreciação mensal: R$ 2.160,00 : 12 = R$ 180,00 Valor da depreciação no ano de aquisição: 11 quotas x R$ 180,00 = R$ 1.980,00 Bens Baixados no Período a) aplicar a taxa anual de depreciação sobre o valor do custo de aquisição ou acréscimo, obtendo a quota anual em reais; b) dividir a quota anual em reais por 12, para obter o valor do duodécimo mensal de depreciação, a ser registrado na escrituração a partir do mês de aquisição ou incorporação do acréscimo; c) no caso de bem baixado do Ativo Imobilizado, dentro do ano-calendário, serão apropriados os duodécimos de depreciação proporcionais ao número de meses que o bem permanecer incorporado ao ativo. Exemplo: Bem baixado em 10.07.2003, no valor original de R$ 18.000,00 Taxa anual de depreciação: 20% Valor da depreciação anual: R$ 18.000,00 x 20% = R$ 3.600,00 Valor da depreciação mensal: R$ 3.600,00 : 12 = R$ 300,00 Valor da depreciação no ano até a data da baixa: 7 quotas x R$ 300,00 = R$ 2.100,00 CONTABILIZAÇÃO O registro contábil do encargo de depreciação será feito a débito de uma conta de custo ou despesa operacional e a crédito da conta redutora do ativo imobilizado intitulada depreciação acumulada. Exemplo: Depreciação de R$ 10.000,00 de máquinas e equipamentos: D - Depreciação de Máquinas e Equipamentos (Resultado) C - (-) Depreciações e Amortizações Acumuladas (Imobilizado) R$ 10.000,00 DIPJ - DCTF - DACON DIPJ - DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICO-FISCAIS DA PESSOA JURÍDICA A elaboração e entrega da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ é obrigatória para todas as pessoas jurídicas de direito privado domiciliadas no País, registradas ou não, sejam quais forem seus fins e nacionalidade, incluindo as Entidades do Terceiro Setor. A inobservância dessa obrigação impõe restrições aos benefícios conquistados pela entidade, como a perda da imunidade ou da isenção, gerando passivo tributário e inviabilizando a continuidade da entidade. FORMA DE APRESENTAÇÃO A partir do exercício de 1999, ano-calendário de 1998, as declarações das pessoas jurídicas deverão ser apresentadas, exclusivamente, em meio magnético ou transmitidas via Internet. Na apresentação em meio magnético, o disquete deverá estar acompanhado do Recibo de Entrega da Declaração emitido pelo programa gerador da declaração e do cartão CNPJ. Na transmissão da declaração por meio da Internet, o Recibo de Recepção é emitido na conclusão do envio, podendo ser impresso pelo próprio contribuinte, como comprovante da recepção. Nenhum documento será anexado à declaração (RIR/1999, art. 809). PRAZO E PROGRAMA O prazo da apresentação é o último dia de maio de cada ano, compreendendo as operações do ano anterior. O programa DIPJ é baixado pela internet, através do site da Secretaria da Receita Federal www.receita.fazenda.gov.br DCTF - DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS A Instrução Normativa SRF 695/2006 (alterada pela Instrução Normativa SRF 730/2007) trouxe a obrigatoriedade de entrega da DCTF - Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, para todas as entidades sociais, esportivas, etc, inclusive associações religiosas, mesmo que não tenham qualquer valor a declarar. Somente se a entidade estiver inativa (ou seja, não tiver realizado qualquer atividade operacional, não-operacional, financeira ou patrimonial no curso do período e apresentar declaração IRPJ de inativa) é que estará dispensada da entrega da DCTF.Tal obrigatoriedade vigorará a partir de 2007, sendo que deverão ser apresentados dados relativos relativas aos 1º e 2º semestres de 2006 excepcionalmente até 08.05.2007, conforme artigo 14 da IN SRF 695 (na redação dada pela IN SRF 730). Até a edição da IN SRF 695/2006, as pessoas jurídicas imunes e as isentas, cujo valor mensal de impostos e contribuições a declarar na DCTF fosse inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais), não estavam obrigadas a entregar a DCTF, conforme norma anterior (IN SRF 583/2005). A maioria das entidades estava, assim, desobrigada da referida declaração. DACON - DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS A entrega do DACON relativo a fatos geradores ocorridos a partir do primeiro trimestre do ano-calendário de 2005, será obrigatória para as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, submetidas à apuração do PIS e da COFINS, nos regimes cumulativo e não-cumulativo, inclusive aquelas que apuram o PIS com base na folha de salários. Não estão obrigados à apresentação do DACON as pessoas jurídicas imunes e isentas do imposto de renda, cujo valor mensal das contribuições a serem informadas no Dacon seja inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). DOAÇÕES As doações constituem-se em transferência de dinheiro ou outros ativos para uma entidade, ou um cancelamento de um passivo, sem a necessidade de uma contrapartida. Essas doações podem ser em dinheiro, gêneros alimentícios, roupas, materiais de uso e consumo, equipamentos ou outro ativo qualquer ou também por meio de prestação de serviços. As doações devem ser reconhecidas no recebimento efetivo. TIPOS DE DOAÇÕES 1) CONDICIONAL – quando sujeita ao cumprimento de certas obrigações por parte da entidade donatária. 2) INCONDICIONAL: quando o doador não impõe nenhuma condição a ser cumprida pela entidade. A utilização dessa classificação é importante para o usuário externo, devendo constar do Plano de Contas da entidade. Exemplos: Recebimento de material escolar, como doação, que será utilizado em programa de atendimento de público escolar, sendo que o doador não fixou termo condicional de doação: D – Materiais Doados a Distribuir (Estoques - Ativo Circulante) C – Doações Incondicionais (Receitas) Se o doador fixasse termo condicional de doação, para vincular que a distribuição se fizesse exclusivamente a pessoas de baixa renda, haveria necessidade de registros específicos da doação: 1) Por ocasião da recepção da doação condicional: D – Materiais Doados a Distribuir (Estoques - Ativo Circulante) C - Doações Vinculadas a Distribuição de Materiais (Passivo Circulante) 2) Por ocasião da efetiva distribuição dos materiais: a) Pela baixa dos estoques distribuídos: D - Atendimento a Criança (Despesa de Atividade Educacional) C - Materiais Doados a Distribuir (Estoques - Ativo Circulante) b) Pelo registro do cumprimento da doação condicional: D - Doações Vinculadas a Distribuição de Materiais (Passivo Circulante) C – Doações Condicionais (Resultado) Observar também a necessidade de registro da doação condicional em conta de compensação. Para maiores detalhes, acesse o tópico respectivo. DOAÇÃO DE ATIVOS PATRIMONIAIS Quando a doação ocorrer sob a forma de outros ativos patrimoniais não-destinados ao custeio, a partida do registro deverá ser efetuada, observando a conta de aplicação dos recursos e a contrapartida diretamente no patrimônio social da entidade. Exemplo: Veículo recebido como doação, no valor de R$ 15.000,00, para utilização nas atividades da entidade. O registro ocorrerá da seguinte forma: D – Veículos (Imobilizado) C – Doações e Subvenções (conta do Patrimônio Social) DOAÇÃO DE MATERIAIS Quando a doação não for em dinheiro, deve ser efetuada avaliação do bem doado pelo seu valor justo de mercado, menos as despesas necessárias para colocá-lo em operação ou à venda, e o valor obtido é o valor a ser registrado. A maioria das doações deste tipo que as entidades recebem são doações de gêneros alimentícios, roupas, livros e material escolar, para distribuição á pessoas carentes ou vendas em bazares. Exemplo: Entidade recebe 150 livros para distribuição á alunos carentes. Pesquisando-se nas livrarias da região, obteve-se o valor de mercado de R$ 15,00 por livro. Entretanto, haverá R$ 200,00 de despesas relativas ao frete da recepção da doação. Então teremos: Valor de mercado dos livros: 150 x R$ 15,00 = R$ 2.250,00 Valor do frete para recepção: R$ 200,00 Valor efetivo da doação: R$ 2.250,00 menos R$ 200,00 = R$ 2.050,00. Contabilização: D - Materiais Doados a Distribuir (Estoques – Ativo Circulante) C - Doações Condicionais (conta de Resultado) R$ 2.050,00 O registro do frete, na recepção da doação, será: D - Materiais Doados a Distribuir (Estoques – Ativo Circulante) C – Fretes a Pagar (Passivo Circulante) R$ 200,00 O frete, como um custo acessório ao principal, constitui-se elemento integrante do custo dos livros, a serem distribuídos. Por ocasião da efetivação da doação, o lançamento poderá ser como segue: D - 5.2.1.02 Educação (conta de Benefícios Concedidos – Gratuidade) C - Materiais Doados a Distribuir (Estoques – Ativo Circulante) R$ 2.250,00 Nota: O número á frente do título da conta corresponde a do modelo de plano de contas, inserido nesta obra. PERDÃO DE DÍVIDA Quando ocorre um perdão de dívida para uma entidade social, isto se caracteriza, de forma indireta, como uma doação. Tal evento natureza exigirá uma pesquisa no registro da contrapartida da dívida, com a finalidade de obter informação sobre a aplicação do bem doado, se foi utilizado para custeio ou se para investimento. Uma vez determinado a aplicação é que deverá ser efetuado o registro da doação, se em conta de resultado ou se em conta do patrimônio social. Aplicação dos Recursos em Custeio Se os recursos da dívida perdoada foram destinados ao custeio, o registro contábil será a débito da conta que registra a dívida e a crédito da conta de doações. Exemplo: Entidade recebe perdão de R$ 5.000,00 de dívida de empréstimo efetuado junto a associados, sendo que aplicou os referidos recursos em pagamentos de salários. Então o registro contábil será: D - Empréstimos e Créditos de Associados (Passivo Circulante) C - Doações Incondicionais (Resultado) R$ 5.000,00 Nota: Se houver qualquer condição para o perdão da dívida, o registro a crédito será em conta de Doações Condicionais. Aplicação dos Recursos em Investimentos Se os recursos da dívida perdoada foram destinados a formação do patrimônio social, o registro contábil será a débito da conta que registra a dívida e a crédito da conta de Doações e Subvenções (Patrimônio Social). Exemplo: Determinado credor cancela a dívida de entidade no valor de R$ 10.000,00, decorrente de saldo aplicado em aquisição de veículo pela respectiva entidade. Tal veículo é utilizado nas atividades sociais da entidade. O registro será: D - Empréstimos e Créditos de Terceiros (Passivo Circulante) C - Doações e Subvenções (Patrimônio Social) R$ 10.000,00 DOAÇÃO CONDICIONAL Pelo princípio do conservadorismo, o registro de uma doação sujeita á condições fixadas pelo doador, só deve ser registrado pela entidade quando se completarem as respectivas condições. Num evento condicional, o registro deve ser efetuado, primeiramente, em contas de compensação. Após a implementação das condições fixadas, faz-se a reversão de tal lançamento e registra-se efetivamente a receita respectiva. Doação Condicional em Numerário Na hipótese do doador efetuar doação condicional,em dinheiro, mas sujeito á cumprimento de obrigações por parte da entidade, entende-se que tal registro deva ser, primeiramente, ser efetuado em conta passiva, até que os termos da doação sejam cumpridos. Exemplo: Determinado doador efetuou uma doação a uma entidade social, em dinheiro, no valor de R$ 15.000,00, para aplicação em projeto de construção de moradias para idosos. Primeiramente, a entidade, por conservadorismo, deverá registrar o recebimento do numerário (supondo-se que tal valor fosse recebido mediante cheque) D - Cheques a Depositar (Ativo Circulante) C - Doações Vinculadas ao Projeto de Moradias (Passivo Circulante) R$ 15.000,00 Por ocasião do depósito do respectivo cheque em conta bancária: D - Bancos Conta Movimento – Recursos com Restrições (Ativo Circulante) C - Cheques a Depositar (Ativo Circulante) R$ 15.000,00 Pela aplicação efetiva dos recursos no propósito do doador, ou seja, moradias a idosos, cada parcela aplicada será assim contabilizada D - Construções em Andamento (Imobilizado) C – Bancos Cta. Movimento – Recursos com Restrições (Ativo Circulante) E, simultaneamente, o mesmo valor será registrado como doação condicional, transferindo-se a parcela do passivo para o patrimônio social D - Doações Vinculadas ao Projeto de Moradias (Passivo Circulante) C - 2.3.1.03 - Doações e Subvenções (Patrimônio Social) Nota: Como a doação está vinculada á formação do patrimônio para atendimento ás pessoas idosas, registra-se a doação no patrimônio social, e não como receita. Uma doação que seja efetuada para custeio, será registrada em conta de resultado (Doações Condicionais). Doação Condicional em Bens Na hipótese do doador efetuar doação condicional, em bens, mas sujeito à cumprimento de obrigações por parte da entidade, tal registro deve ser, primeiramente, ser efetuado em conta de compensação, até que os termos da doação sejam cumpridos. Para maiores detalhes, acesse o tópico “contas de compensação”. Finalizando o compromisso da entidade que recebeu a doação, reverte-se o lançamento das contas de compensação, e registra-se o bem doado, em contrapartida à conta de Doações e Subvenções (Patrimônio Social). Exemplo: Um doador efetua a transferência um terreno e uma entidade social, no valor de R$ 100.000,00. As condições da doação são a de que tal terreno seja utilizado pela entidade para construção de uma creche. Somente após a realização de tal construção, será considerado cumprido os termos da doação. Após a execução da obra civil, e averbação correspondente da edificação no registro de imóveis, a entidade registrará o cumprimento da obrigação e contabilizará a doação da seguinte forma: D – Terrenos (Imobilizado) C - Doações e Subvenções (Patrimônio Social) R$ 100.000,00 Nota: Simultaneamente, deve-se efetuar o lançamento nas contas de compensação, visando baixar a obrigação. DOAÇÃO INCONDICIONAL DE RECEBÍVEIS Na hipótese da existência de promessa de doação incondicional de recebíveis, com regularidade, o registro deverá ser efetuado em contas a receber, obedecendo à periodicidade da intenção. O registro deve estar embasado em documento que comprove a existência da promessa por parte do doador de informa incondicional. Simples promessa ou compromisso verbal não pode ser registrada. Exemplo: Determinado testamento de doador falecido especificou que R$ 20.000,00 seriam doados em 10 parcelas mensais, iguais e sucessivas, de R$ 2.000,00 cada, para a entidade, de forma incondicional. 1) Pelo registro da doação dos recebíveis D – Mensalidades a Receber (Ativo Circulante) C – Doações Incondicionais (Resultado) R$ 20.000,00 2) Por ocasião da recepção de cada parcela (supondo-se que a mesma seja mediante depósito bancário na conta da entidade) D - Bancos Conta Movimento – Recursos Livres (Ativo Circulante) C - Mensalidades a Receber (Ativo Circulante) Nota: Não são registráveis as promessas de doações feitas em testamento enquanto o doador estiver vivo, pois não existe uma previsibilidade da doação. PROVISÃO PARA OS RECEBÍVEIS Nas situações de promessa de doação incondicional de recebíveis, é recomendável a constituição de provisão para o não-recebimento, baseada no histórico dos créditos não- realizados como requerido na NBC T 10.19, item 2.2. Para maiores detalhes, acesse o tópico “Provisões”. FORMAÇÃO DO PATRIMÔNIO SOCIAL As doações, subvenções e contribuições patrimoniais, inclusive as arrecadadas na constituição da entidade, são contabilizadas no patrimônio social. Exemplo: Doação de um imóvel, no valor de R$ 100.000,00, sendo R$ 20.000,00 do valor de terreno e R$ 80.000,00 do valor de edificações, na constituição da entidade e para uso desta em seus objetivos estatutários: D – Terrenos (Imobilizado) R$ 20.000,00 D – Edificações (Imobilizado) R$ 80.000,00 C - Fundo Institucional (Patrimônio Social) R$ 100.000,00 SEGREGAÇÃO DOS REGISTROS CONTÁBEIS Os registros contábeis devem evidenciar as contas de receitas e despesas, superávit ou déficit, de forma segregada, quando identificáveis por tipo de atividade, tais como educação, saúde, assistência social, técnico-científica e outras, bem como, comercial, industrial ou de prestação de serviços. FUNDAÇÕES Fundações são entes jurídicos que têm como fator preponderante o patrimônio. Este ganha personalidade jurídica e deverá ser administrado de modo a atingir o cumprimento das finalidades estipuladas pelo seu instituidor. A partir da vigência do Código Civil de 2002, somente podem ser constituídas fundações para fins religiosos, morais, culturais ou de assistência (parágrafo único do art. 62 – Lei 10.406/2002). O fator primordial da fundação é o patrimônio, sendo que este deve ser formado por bens livres, ou seja, legalmente disponíveis ou desonerados. Deverá ainda ser suficiente para a manutenção da entidade e desenvolvimento de suas finalidades estatutárias. Quando o patrimônio for insuficiente para a constituição da fundação, este será incorporado a outra fundação com finalidades estatutárias iguais ou semelhantes, a não ser que o instituidor tenha disposto de outra forma no ato de instituição (escritura pública ou testamento). Adiante, a legislação respectiva, constante no atual Código Civil Brasileiro, relativamente ás fundações: CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO – LEI 10.406/2002 Capítulo III - Das Fundações Art. 62. Para criar uma fundação, o seu instituidor fará, por escritura pública ou testamento, dotação especial de bens livres, especificando o fim a que se destina, e declarando, se quiser, a maneira de administrá-la. Parágrafo único. A fundação somente poderá constituir-se para fins religiosos, morais, culturais ou de assistência. Art. 63. Quando insuficientes para constituir a fundação, os bens a ela destinados serão, se de outro modo não dispuser o instituidor, incorporados em outra fundação que se proponha a fim igual ou semelhante. Art. 64. Constituída a fundação por negócio jurídico entre vivos, o instituidor é obrigado a transferir-lhe a propriedade, ou outro direito real, sobre os bens dotados, e, se não o fizer, serão registrados, em nome dela, por mandado judicial. Art. 65. Aqueles a quem o instituidor cometer a aplicação do patrimônio, em tendo ciência do encargo, formularão logo, de acordo com as suas bases (art. 62), o estatuto da fundação projetada, submetendo-o, em seguida, à aprovação da autoridade competente, com recurso ao juiz. Parágrafo único. Se o estatuto não for elaborado no prazo assinado pelo instituidor, ou, não havendo prazo, em 180 (cento e oitenta) dias, a incumbência caberá ao Ministério Público.Art. 66. Velará pelas fundações o Ministério Público do Estado onde situadas. § 1.º Se funcionarem no Distrito Federal, ou em Território, caberá o encargo ao Ministério Público Federal. § 2.º Se estenderem a atividade por mais de um Estado, caberá o encargo, em cada um deles, ao respectivo Ministério Público. Art. 67. Para que se possa alterar o estatuto da fundação é mister que a reforma: I - seja deliberada por 2/3 (dois terços) dos competentes para gerir e representar a fundação; II - não contrarie ou desvirtue o fim desta; III - seja aprovada pelo órgão do Ministério Público, e, caso este a denegue, poderá o juiz supri-la, a requerimento do interessado. Art. 68. Quando a alteração não houver sido aprovada por votação unânime, os administradores da fundação, ao submeterem o estatuto ao órgão do Ministério Público, requererão que se dê ciência à minoria vencida para impugná-la, se quiser, em 10 (dez) dias. Art. 69. Tornando-se ilícita, impossível ou inútil a finalidade a que visa a fundação, ou vencido o prazo de sua existência, o órgão do Ministério Público, ou qualquer interessado, lhe promoverá a extinção, incorporando-se o seu patrimônio, salvo disposição em contrário no ato constitutivo, ou no estatuto, em outra fundação, designada pelo juiz, que se proponha a fim igual ou semelhante. GRATUIDADES Uma das finalidades de boa parte dos esforços das entidades do terceiro setor, especialmente as que dão assistência social, é oferecer serviços de forma gratuita. Chama-se “gratuidades” a tais esforços, devendo os valores desembolsados serem registrados contabilmente, por exigência das Normas Brasileiras de Contabilidade e dos órgãos de controle (MPAS e SRF). Como exemplo, as entidades educacionais que cedem bolsas de estudos a alunos carentes, devem demonstrar, para fins de isenção parcial do INSS, a proporção entre o total das gratuidades e o total da receita bruta (art. 207 do Regulamento da Previdência Social). Para maiores detalhamentos, acesse o tópico INSS e Contribuições Sociais. Vamos aos exemplos de contabilização de gratuidades. 1) Doação de bolsas de estudos próprias: Uma entidade educacional doa 10 bolsas de estudos para crianças carentes. O custo de cada bolsa é de R$ 500,00 cada. Desta forma, teremos a seguinte contabilização mensal: D - Educação (Benefícios Concedidos – Gratuidade – conta de Resultado) C - Atendimento à Criança (Receita de Atividade Educacional – conta de Resultado) R$ 5.000,00 2) Doação de mercadorias: Entidade de assistência a idosos distribui agasalhos e alimentos, no valor de R$ 10.000,00: D - Assistência Social (Benefícios Concedidos – Gratuidade – conta de Resultado) C - Mercadorias e Produtos para Distribuição (Estoques – Ativo Circulante) R$ 10.000,00 3) Serviços de terceiros com reembolso parcial dos beneficiários: Entidade assistencial de saúde efetua prestação de consultas médicas e análises clínicas à população de baixa renda, no valor de R$ 1.000,00, sendo reembolsáveis 10% deste valor pelos usuários: a) Pelo registro do atendimento realizado: D - Assistência à Saúde (Benefícios Proporcional – Gratuidade - conta de Resultado) R$ 900,00 D - Atendimentos a Receber (Ativo Circulante) R$ 100,00 C - Contas a Pagar (Passivo Circulante) R$ 1.000,00 b) Pelo recebimento da parcela não subsidiada aos beneficiários: D - Caixa (Ativo Circulante) C - Atendimentos a Receber (Ativo Circulante) R$ 100,00 c) Pelo pagamento dos serviços prestados: D - Contas a Pagar (Passivo Circulante) C - Bancos Conta Movimento – Recursos Livres (Ativo Circulante) R$ 1.000,00 GRATUIDADES CONDICIONAIS Pode ocorrer que a gratuidade concedida exija algum requisito do beneficiário (como aproveitamento mínimo escolar, para bolsa de estudos). Neste caso, o registro da gratuidade será em conta de ativo, e a despesa registrada só deverá ocorrer quando a exigência for satisfeita. Exemplo: Concessão de bolsa de estudo a um adolescente, no valor de R$ 500,00 mensais, condicionada à que o aluno obtenha freqüência e aproveitamento mínimo determinados ao final de cada bimestre. a) Registro no primeiro mês, da gratuidade condicional: D - Gratuidades Condicionais (Ativo Circulante) C - Atendimento ao Adolescente (Resultado) R$ 500,00 b) Cumprimento da condição de gratuidade, verificada no segundo mês: D - Educação (Benefícios Concedidos – Gratuidade – Resultado) C - Gratuidades Condicionais (Ativo Circulante) R$ 500,00 c) Lançamento da gratuidade do segundo mês, cuja condição já esteja cumprida: D - Educação (Benefícios Concedidos – Gratuidade – Resultado) C - Atendimento ao Adolescente (Resultado) R$ 500,00 Na hipótese de o aluno não cumprir a exigência contratual fixada para a bolsa de estudo, deverá reembolsar a entidade. No recebimento, se contabilizará: D - Caixa ou Bancos Cta. Movimento (Ativo Circulante) C - Gratuidades Condicionais (Ativo Circulante) R$ 500,00 Caso houver inadimplência por parte do beneficiário, é prudente constituir provisão para créditos duvidosos. Consulte o tópico “Provisões de Recebíveis”. DESCONTOS FINANCEIROS Não se deve confundir a concessão de uma gratuidade com desconto de valor (por pagamento pontual, por exemplo). Quando a entidade conceder algum desconto de mensalidades, trata-se de despesa financeira, e não de concessão de gratuidade. Observe que na gratuidade não está presente a possibilidade de realização financeira do direito enquanto que na redução do débito ao devedor, pela concessão do desconto financeiro, essa possibilidade existia. Exemplo: Determinada entidade de saúde aprovou a concessão de um desconto de 40% para o débitos de R$ 1.000,00 em mensalidades, recebendo o restante em dinheiro: D - Juros e Descontos Concedidos (Resultado) R$ 400,00 D - Caixa (Ativo Circulante) R$ 600,00 C - Mensalidades a Receber (Ativo Circulante) R$ 1.000,00 INSS E CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS Fica isenta das contribuições ao INSS (parte patronal), bem como das contribuições provenientes do faturamento e do lucro, destinadas à seguridade social, a pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: I - seja reconhecida como de utilidade pública federal; II - seja reconhecida como de utilidade pública pelo respectivo Estado, Distrito Federal ou Município onde se encontre a sua sede; III - seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; IV - promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; V - aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando, anualmente, relatório circunstanciado de suas atividades ao Instituto Nacional do Seguro Social; e VI - não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores, benfeitores, ou equivalentes, remuneração, vantagens ou benefícios, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes são atribuídas pelo respectivo estatuto social. VII - esteja em situação regular em relação às contribuições sociais. PLANO DE AÇÃO A pessoa jurídica beneficiária da isenção deverá apresentar, até 31 de janeiro de cada ano, plano de ação das atividades a serem desenvolvidas durante o ano em curso. FOLHA DE PAGAMENTO, GRATUIDADES E DESTAQUE DA ISENÇÃO A entidade isenta deve manter as folhasde pagamento relativas ao período, bem como os respectivos documentos de arrecadação que comprovem o recolhimento das contribuições ao Instituto Nacional do Seguro Social, além de outros documentos que possam vir a ser solicitados pela fiscalização do Instituto. Outrossim, deve também, registrar na sua contabilidade, de forma discriminada, os valores aplicados em gratuidade, bem como o valor correspondente à isenção das contribuições previdenciárias a que fizer jus. Para maiores detalhamentos de tal contabilização, acesse os tópicos “Gratuidades” e “Obtenção de Renúncia Fiscal”. PLANO DE CONTAS O Ministério da Previdência e Assistência Social poderá determinar à pessoa jurídica de direito privado isenta das contribuições sociais que obedeça a plano de contas padronizado segundo critérios por ele definidos, aos princípios fundamentais de contabilidade e às normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade. PLACA INDICATIVA A pessoa jurídica de direito privado que se enquadre na isenção das contribuições patronais deverá manter, em seu estabelecimento, em local visível ao público, placa indicativa da respectiva disponibilidade de serviços gratuitos de assistência social, educacionais ou de saúde a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência, indicando tratar-se de pessoa jurídica de direito privado abrangida pela isenção de contribuições sociais, segundo modelo estabelecido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social. RELATÓRIO DE ATIVIDADES De acordo com o art. 209 do Decreto n° 3.048/1999, a entidade que for beneficiada com a isenção da contribuição patronal é obrigada a apresentar, anualmente, até o dia 30 de abril, relatório circunstanciado de suas atividades no exercício anterior. Para maiores detalhes, acesse o tópico Prestação de Contas ao MPAS. ENTIDADES QUE REALIZAM CESSÃO DE MÃO DE OBRA Somente poderão realizar cessão de mão-de-obra, sem perder a isenção prevista no art. 55 da Lei nº 8.212/91, as entidades que atendam dois critérios, a saber: 1. caráter acidental da cessão onerosa de mão-de-obra em face das atividades desenvolvidas pela entidade beneficente; e 2. mínima representatividade quantitativa de empregados cedidos em relação ao número de empregados da entidade beneficente. As entidades que fazem cessão de mão-de-obra sem atentar para um destes dois critérios, violam a exigência do inciso III do art. 55 da Lei nº 8.212/91 e não fazem jus à correspondente isenção. A conclusão acima é decorrente do PARECER/CJ INSS Nº 3.272 - DOU DE 21/07/2004, cuja íntegra é transcrito na presente obra, em arquivo próprio. PARCELAMENTO DE DÉBITOS – INSS A IN MPS/SRP Nº 17/2006 dispõe sobre o parcelamento de débitos de entidades sem fins econômicos, portadoras do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, concedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, nos termos do §. 12 do art. 4º da Lei nº 11.345, de 14 de setembro de 2006. IPTU – IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL URBANA O IPTU é de competência municipal (Art. 156, I, CF), e tendo como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de bem imóvel por natureza ou por acessão física, como definido na lei civil, localizado na zona urbana do município. O Código Tributário Nacional - CTN, em seu artigo 9º, inciso IV, alínea “c”, dispõe que é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios cobrar imposto sobre o patrimônio, a renda ou serviços das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, observados os requisitos legais. Entretanto, o STJ, no Processo Resp. 782305, entendeu que somente o patrimônio vinculado ao fim de instituição de ensino e assistência beneficia-se da imunidade, isso porque as atividades interessam diretamente ao Estado. Desta forma, imóveis fechados, sem uso, não estariam compreendidos na vedação de cobrança do IPTU, por parte dos municípios. IRPJ - INCENTIVOS E BENEFÍCIOS Os benefícios tributários dos investidores no terceiro setor pode ser resumida em duas grandes linhas fiscais: 1) os incentivos aos patrocinadores e 2) os benefícios para as entidades. INCENTIVOS AOS PATROCINADORES PROJETOS CULTURAIS INCENTIVADOS Cabe fruição do incentivo fiscal de dedução do Imposto de Renda devido por pessoas jurídicas, tributadas com base no lucro real, que efetuarem doações ou patrocínios em favor de projetos culturais. Base: Lei 8.313/91. As doações e os patrocínios em favor de projetos culturais somente poderão ser objeto do incentivo fiscal se o projeto houver sido aprovado pelo Ministério da Cultura (MinC). As regras sobre elaboração, formalização, apresentação e análise de projetos culturais constam da Portaria MinC 46/98, com as alterações efetuadas pelas Portarias MinC 180/98 e 365/98. Nota: devem ser observadas as normas da Portaria MinC 118/2000 que aprovou o Termo de Compromisso para captação de recursos e execução de projetos, e da Instrução Normativa MinC 1/2000, que estabeleceu a obrigatoriedade de acompanhamento da execução dos projetos por auditores externos independentes. CONCEITO DE DOAÇÕES E DE PATROCÍNIOS Considera-se doação: A transferência gratuita, em caráter definitivo, à pessoa física ou à pessoa jurídica de natureza cultural, sem fins lucrativos, de numerário, bens ou serviços para realização de projetos culturais, vedado o uso de publicidade paga para a divulgação desse ato, observando-se que se equiparam a doações: 1) as despesas efetuadas por pessoas físicas ou jurídicas com o objetivo de conservar, preservar ou restaurar bens de sua propriedade ou sob sua posse legítima, tombados pelo Governo Federal, desde que atendidos os requisitos correspondentes. 2) a distribuição gratuita de ingressos para eventos de caráter artístico-cultural efetuada por pessoas jurídicas a seus empregados e dependentes legais; Considera-se patrocínio: 1) a transferência gratuita, em caráter definitivo, à pessoa física ou jurídica de natureza cultural com ou sem fins lucrativos, de numerário para a realização de projetos culturais, com finalidade promocional e institucional de publicidade; 2) a cobertura de gastos ou a utilização de bens móveis ou imóveis, do patrimônio do patrocinador, sem a transferência de domínio, para a realização de projetos culturais por pessoa física ou jurídica de natureza cultural, com ou sem fins lucrativos. Nota: Constitui infração o recebimento, pelo patrocinador, de qualquer vantagem financeira ou material em decorrência do patrocínio que efetuar. DISPÊNDIOS QUE PODEM SER OBJETO DO INCENTIVO FISCAL Podem ser objeto do incentivo fiscal: a) os recursos financeiros correspondentes a doações ou patrocínios depositados em conta corrente mantida especialmente para este fim e de movimentação exclusiva do responsável pelo projeto cultural, em estabelecimento bancário de sua livre escolha; b) as doações ou os patrocínios realizados sob a forma de prestação de serviços ou de fornecimento de material de consumo, previstos como itens de despesa nos respectivos projetos culturais, observados os preços praticados no merca¬do; c) o valor de bens móveis ou imóveis doados, observadas as normas mencionadas adiante; d) as despesas realizadas pelo proprietário ou titular da posse legítima de bens tombados pelo Governo Federal, objetivando sua conservação, preservação ou restauração, desde que observados os seguinte requisitos: 1) preliminar definição, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHANI), das normas e dos critérios técnicos que deverão reger os projetos e os orçamentos; 2) aprovaçãoprévia, pelo IPHAN, dos projetos e dos respectivos orçamentos de execução de obras; 3) posterior certificação, pelo IPHAN, das despesas efetivamente realizadas e da circunstância de terem sido as obras executadas de acordo com os projetos aprovados; e) o custo de cessão de uso de bens móveis ou imóveis de propriedade do patrocinador, cedidos ao responsável pela execução do projeto cultural, observado que: 1) o custo de cessão de uso de bens móveis ou imóveis será calculado com base no preço de mercado que o proprietário deixar de receber durante o período de cessão do bem; 2) havendo dúvida quanto ao valor declarado, a Secretaria de Apoio á Cultura e a Secretaria da Receita Federal (SRF) poderão solicitar ao doador ou patrocinador laudo técnico de avaliação, assinado por três peritos; f) as doações em espécie ao Fundo Nacional da Cultura (FNC), desde que comprovadas por meio de recibo de depósito bancário e de declaração de recebimento firmada pelo donatário; g) as despesas realizadas por pessoas jurídicas na aquisição de ingressos para eventos de caráter cultural ou artístico, para doação a seus empregados e dependentes legais, devidamente representados pelas respectivas organizações de trabalhadores na empresa, desde que sejam objeto de acordo firmado entre as partes e aprovado pelo Ministério da Cultura. Bases: art. 91 e 477 do RIR/99; § 42 do art. 18 do Decreto 1.494/95; e art. 32 e §§ 12 e 22 do art. 40 da Instrução Normativa Conjunta da Secretária Executiva do Ministério da Cultura e do Secretário da Receita Federal 1/95. APROVEITAMENTO DO INCENTIVO FISCAL LIMITE DE DEDUÇÃO A dedução do incentivo referente a doações e patrocínios culturais é limitada a 4% (quatro por cento) do imposto normal devido (sem a inclusão do adicional do imposto), dele excluído o eventual valor do imposto incidente sobre a parcela do lucro real correspondente a lucros, rendimentos e ganhos de capital. PESSOA JURÍDICA DOADORA OU PATROCINADORA O art. 10 da Lei 9.532/97 dispõe que: “do imposto apurado com base no lucro arbitrado ou no lucro presumido não será permitida qualquer dedução a título de incentivo fiscal”, O que significa que somente as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real podem usufruir do incentivo fiscal de que trata este texto. Assim, observado o limite indicado anteriormente, as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real podem deduzir diretamente do Imposto de Renda devido importância correspondente a até: 40% do valor das doações e 30% do valor dos patrocínios realizados no período de apuração do imposto, em favor de projetos culturais previamente aprovados pelo Ministério da Cultura. DOAÇÕES POR PESSOAS FÍSICAS A pessoa física pode deduzir do IR os pagamentos referentes à Incentivo à Cultura - tanto mediante contribuições ao Fundo Nacional de Cultura (FNC), na forma de doações, como mediante contribuições diretas em favor de projetos: a) culturais disciplinados pelo Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac): Valor efetivo das doações e patrocínios, na hipótese de produção cultural nos segmentos de artes cênicas; livros de valor artístico, literário ou humanístico; música erudita ou instrumental; exposições de artes visuais; doações de acervos para bibliotecas públicas, museus, arquivos públicos e cinematecas, bem assim treinamento de pessoal e aquisição de equipamentos para a manutenção desses acervos; produção de obras cinematográficas e videofonográficas de curta e média metragem e preservação e difusão do acervo audiovisual; e preservação do patrimônio cultural material e imaterial; 80% das doações e 60% dos patrocínios relativos aos demais projetos culturais aprovados na forma da regulamentação do Pronac; b) de produção de obras cinematográficas e videofonográficas brasileiras de longa, média e curta metragens de produção independente, de co-produção de obras cinematográficas e videofonográficas brasileiras de produção independente, de telefilmes, minisséries, documentais, ficcionais, animações e de programas de televisão de caráter educativo e cultural, brasileiros de produção independente, aprovados pela Ancine, nos termos do § 6º do art. 39 da Medida Provisória nº 2.228-1, de 2001, desde que produzidos com os recursos de que trata o inciso X desse mesmo artigo. A dedução está condicionada a que os projetos tenham sido previamente aprovados pelo Ministério da Cultura ou pela Agência Nacional do Cinema (Ancine). Atenção: O somatório das deduções do imposto (Incentivos á Cultura + Audiovisual + Doações aos Fundos da Criança e Adolescente) está limitado a 6% do imposto devido apurado na declaração de ajuste. ATIVIDADE AUDIOVISUAL Até o ano calendário de 2006, inclusive, as pessoas jurídicas terão incentivos na área do Imposto de Renda caso efetuarem investimentos em: I - de produção independente de obras audiovisuais cinematográficas brasileiras de que trata o caput do art. 1º da Lei nº 8.685, de 1993; II - específicos da área audiovisual, cinematográfica de exibição, distribuição e infra- estrutura técnica apresentados por empresa brasileira, previstos no § 5º da art. 1º da Lei nº 8.685, de 1993; III - de produção de obras cinematográficas e videofonográficas brasileiras de longa, média e curta metragens de produção independente, de co-produção de obras cinematográficas e videofonográficas brasileiras de produção independente, de telefilmes, minisséries, documentais, ficcionais, animações e de programas de televisão de caráter educativo e cultural, brasileiros de produção independente, nos termos do § 6º do art. 39 da Medida Provisória nº 2.228-1, de 2001, desde que produzidos com os recursos de que trata o inciso X desse mesmo artigo 39. As deduções previstas no art. 1º da Lei nº 8.685, de 1993, ficam prorrogadas até o exercício de 2006, inclusive, devendo os projetos a serem beneficiados por estes incentivos ser previamente aprovados pela Agência Nacional do Cinema - ANCINE - art. 50 da MP 2228-1/2001. Os investimentos decorrentes de aplicações de que tratam os itens I e II anteriores, embora não contabilizados em despesas, e sim em conta patrimonial, podem reduzir o lucro real do período-base em que for efetuado o investimento, mediante exclusão, em seu valor integral. Observação: Os investimentos nos projetos de que trata o item III anterior não poderão ser excluídos do lucro líquido para fins de determinação do lucro real, conforme art. 28, parágrafo 3 da IN SRF 267/2002. REDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA Além do incentivo de exclusão do lucro líquido, relativo aos dispêndios tratados nos itens I e II anteriores, ainda é possível a redução do Imposto de Renda, conforme analisado mais adiante. Os valores aplicados nos investimentos poderão ser deduzidos em até 3% (três por cento) (era de 1% até 15.08.1996) do imposto devido (Lei 8.685/93, art. 1°, §§ 2° e 3°, Lei 9.323/96, art. 1°). A dedução é restrita a investimentos: em projetos aprovados previamente pelo Ministério da Cultura (MinC); efetuados mediante aquisição de quotas representativas dos direitos de comercialização das respectivas obras audiovisuais, caracterizadas por Certificados de Investimento emitidos de acordo com as normas baixadas pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). APROVEITAMENTO DO INCENTIVO Pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real trimestral As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real apurado trimestralmente só podem deduzir o incentivo do valor do imposto devido no trimestre em que os investimentos forem efetuados, observado, ainda, o limite de 3% do imposto normal devido (sem a inclusão do adicional do imposto),dele excluído o eventual valor do imposto incidente sobre a parcela do lucro real correspondente a lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior. Pessoas jurídicas optantes pela estimativa mensal Respeitado o limite, as pessoas jurídicas optantes pelo pagamento mensal do imposto por estimativa e, consequentemente, pela apuração do lucro real anual podem deduzir o incentivo do imposto devido no mês em que os investimentos forem feitos. Observações: 1) a parcela do investimento que exceder ao limite mensal de dedução poderá ser deduzida do imposto devido nos meses subseqüentes, até dezembro do mesmo ano, observado o limite legal; 2) do imposto calculado com base no lucro real anual será deduzido o valor dos investimentos feitos durante o ano-calendário e a eventual parcela excedente não poderá ser deduzida do imposto devido em períodos posteriores; e 3) se o valor do incentivo deduzido do imposto mensal estimado for superior ao calculado com base no imposto devido sobre o lucro real anual, a diferença deverá ser paga no prazo fixado para o pagamento do saldo do imposto apurado no ano. Bases: art. 486 do 818/99 e § 39 do art. 2 da Instrução Normativa SRF 56/94, com a redação dada pelo art. 1 da Instrução Normativa SRF 62/95 LIMITE DE DEDUÇÃO A dedução do incentivo relativo a investimentos em atividades audiovisuais é limitada a 3% do imposto normal devido (sem a inclusão do adicional do imposto), dele excluído o eventual valor do imposto incidente sobre a parcela do lucro real correspondente a lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior. Além disso, a dedução desse incentivo em conjunto com a dedução do incentivo relativo a Operações de Caráter Cultural e Artístico não poderá exceder a 4% do imposto normal devido (respeitado o limite específico de 3% para o incentivo referente a investimentos em atividades audiovisuais). Bases: § 11 do art. 394 e art. 486 e 543 do RIR/99 Exemplo: Contribuinte optante pelo pagamento do Imposto de Renda mensal por estimativa apresente os seguintes dados correspondentes ao mês de março/2001: Imposto normal - R$ 52.500,00 (+) Adicional do IR - R$ 23.000,00 (=) Total do IR devido no mês - R$ 75.500,00 Se considerarmos que, nesse mesmo mês, a empresa adquiriu Certificado de Investimento em projeto audiovisual no valor total de R$ 10.000,00, atendendo as demais normas legais: a) o limite de dedução do incentivo no mês seria de R$ 1.575,00 (3% de R$ 52.500,00, que é o imposto normal devido); b) restaria um excedente dedutível nos meses seguintes, até dezembro/2001 (observado o limite de 3% do imposto normal devido em cada mês), no valor de R$ 8.425,00, que é a diferença entre o valor do Certificado de Investimento (R$ 10.000,00) e o limite deduzido em março (R$ 1.575,00), supondo ainda que não exista excesso do incentivo relativo a meses anteriores. Exclusão, na apuração do lucro real, do valor total aplicado Sem prejuízo da dedução do incentivo diretamente do imposto devido, segundo as regras já focalizadas, o valor total aplicado pela empresa no investimento em projeto audiovisual poderá ser abatido como despesa operacional. Mas, como o valor aplicado deve ser registrado contabilmente em conta do Ativo Permanente (Investimentos) e não em conta de despesa operacional, a dedução será feita mediante ajuste ao lucro líquido, na determinação do lucro real (exclusão do lucro líquido, na parte ‘A” do Lalur, no período de apuração em que ocorrer o desembolso). Base: art. 372 do RIR/99 DEPÓSITO EM CONTA ESPECIAL Os recursos destinados aos projetos vinculados á emissão de Certificados de Investimento deverão ser depositados em contas especiais de aplicação financeira no Banco do Brasil, pela instituição financeira interveniente, em nome do produtor, para cada projeto. A movimentação da conta sujeitar-se-á à prévia comprovação, perante o Ministério da Cultura, de que se destina a investimentos em projetos de produção de obras audiovisuais cinematográficas brasileiras de produção independente. Os rendimentos decorrentes desses depósitos estão sujeitos à tributação na fonte segundo as regras previstas para a tributação de rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa. Notas: 1) Os investimentos não poderão ser utilizados na produção de obras audiovisuais de natureza publicitária. 2) As pessoas jurídicas receptoras do investimento deverão manter escrituração contábil destacada para cada projeto. AQUISIÇÃO DE QUOTAS DOS FUNCINE Como alternativa ao incentivo tratado anteriormente, as pessoas jurídicas tributadas pelo Lucro Real, que adquirirem quotas dos FUNCINES, poderão usufruir dos seguintes incentivos fiscais: 1) Exclusão do Lucro Líquido: O valor do investimento pode ser, mediante exclusão, deduzido da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, sendo: 100% nos anos-calendário de 2002 a 2005; 50% nos anos-calendário de 2006 a 2008; e 25% nos anos calendários de 2009 e 2010. 2) Dedução do imposto de renda devido: Sobre o valor das quantias dispendidas com a aquisição das cotas a pessoa jurídica, tributada com base no lucro real, aplicará o percentual resultante da soma das alíquotas do IRPJ e da CSLL devidos, inclusive adicional, encontrando a parcela a ser deduzida do imposto de renda devido no período de apuração, trimestral ou anual. A redução está limitada a 3% do imposto devido. Quando a empresa utilizar também outros incentivos fiscais de dedução do imposto, deverá observar os limites globais de dedução. Ver tópico próprio no presente trabalho, contendo Quadro Resumo dos Limites individuais e globais para cada incentivo de dedução do imposto devido. 3) Perdas na alienação do investimento: A perda apurada na alienação das quotas dos FUNCINES será sempre indedutível na apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL. DOAÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS As pessoas físicas poderão deduzir do imposto de renda devido os pagamentos efetuados a título de investimentos, por meio de aquisição de quotas representativas de direitos de comercialização, caracterizadas por Certificados de Investimentos, feitos em projetos: a) de produção independente de obras audiovisuais cinematográficas brasileiras; b) específicos da área audiovisual, cinematográfica de exibição, distribuição e infra- estrutura técnica, apresentados por empresa brasileira; c) de produção de obras cinematográficas e videofonográficas brasileiras de longa, média e curta metragens de produção independente, de co-produção de obras cinematográficas e videofonográficas brasileiras de produção independente, de telefilmes, minisséries, documentais, ficcionais, animações e de programas de televisão de caráter educativo e cultural, brasileiros de produção independente, nos termos do § 6º do art. 39 da Medida Provisória nº 2.228-1, de 6 de agosto de 2001, desde que produzidos com os recursos de que trata o inciso X desse mesmo artigo. A dedução está condicionada a que: 1) Os investimentos sejam realizados no mercado de capitais em ativos previstos em lei e autorizados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM); e 2) Os projetos tenham sido previamente aprovados pela Ancine. Atenção: O somatório das deduções do imposto (Incentivos á Cultura + Audiovisual + Doações aos Fundos da Criança e Adolescente) está limitado a 6% do imposto devido apurado na declaração de ajuste. MANUTENÇÃO DE REGISTROS E DE DOCUMENTOS PELAS EMPRESAS BENEFICIÁRIAS As empresas receptoras dos recursos oriundos dos incentivos fiscais focalizados neste texto deverão manter todos os registros e os documentosrelativos aos projetos, bem como o livro de registro de transferência dos Certificados de Investimento, pelo prazo de 5 anos, a contar da data fixada para a conclusão do projeto. DOAÇÕES AOS CONSELHOS DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE As doações aos Conselhos Municipais, Estaduais ou Nacionais dos Direitos da Criança e do Adolescente, em bens ou em dinheiro não são dedutíveis para fins de apuração do lucro real, embora possam reduzir o imposto devido. As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real podem deduzir do imposto devido, em cada período de apuração, as contribuições feitas aos fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, observados os limites e as regras a seguir focalizados. DOAÇÕES EFETUADAS POR PESSOA JURÍDICA As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real (e somente estas) podem deduzir do imposto devido o total das doações efetuadas aos fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, devidamente comprovadas, respeitado o limite. LIMITE DE DEDUÇÃO O total das doações efetuadas aos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real pode ser deduzido diretamente do Imposto de Renda devido, desde que não exceda o limite de 1% do imposto normal devido (calculado à alíquota de 15%, sem a inclusão do adicional), diminuído do imposto correspondente a lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos no exterior. A dedução das doações efetuadas aos fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente, se pleiteada em conjunto com outras deduções, não está submetida a limite global. Bases: §11 do art. 394 do RIR/99 e art. 39 da Instrução Normativa SRF 86/94 Exemplo: Total das doações efetuadas: R$ 10.000,00 Total do IRPJ devido (sem o adicional e o correspondente a lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos no exterior): R$ 150.000,00 Limite: 1% de R$ 150.000,00 = R$ 1.500,00 APROVEITAMENTO DO INCENTIVO Para fins de dedução do incentivo deve ser observado que: a) se a pessoa jurídica for optante pela tributação com base no lucro real trimestral, a dedução será feita no imposto devido no trimestre em que for efetuada a doação, até o limite de 1% exposto anteriormente; b) se a pessoa jurídica for optante pelo pagamento mensal do imposto por estimativa (lucro real anual): 1) o valor doado poderá ser deduzido do imposto devido no mês, observado o limite, e a parcela excedente do incentivo, em cada mês, poderá ser deduzida do imposto devido nos meses subseqüentes do mesmo ano-calendário, observando sempre o referido limite; 2) as doações feitas no ano-calendário poderão ser deduzidas do valor do imposto anual devido até o limite mencionado. Bases: Inciso 1 e § 49 do art. 9, § 4 art. 23 e inciso 1 do §2 art. 38 da Instrução Normativa SRF 93/97 DOAÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS A pessoa física pode destinar para o Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente até 6% do imposto de renda devido. As contribuições ao Fundo, juntamente com as doações em favor de projetos culturais e investimentos em atividades audiovisuais, no seu conjunto, não poderão exceder a 6% do imposto devido (Lei 9.532/1997, art. 22). Para que o contribuinte possa fazer uso da dedução dos valores relativos a doações na declaração, é necessário que as doações tenham sido efetuadas diretamente aos fundos de assistência da criança e do adolescente que são controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais ou Nacional dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes. Os fundos de assistência que estão limitados a um por município, um por estado e um nacional, devem emitir comprovante em favor do doador, especificando o nome, o número de inscrição no CNPJ ou no CPF do doador, a data e o valor efetivamente recebido em dinheiro, além do número de ordem do comprovante, o nome, o número de inscrição no CNPJ, o endereço do emitente, e ser firmado por pessoa competente para dar a quitação da operação. As contribuições devem ser depositadas em conta específica por meio de documento de arrecadação próprio. Base: Lei nº 9.250, de 1995, art. 12, I; RIR/1999, art. 102. Atenção: O somatório das deduções do imposto (Incentivos á Cultura + Audiovisual + Doações aos Fundos da Criança e Adolescente) está limitado a 6% do imposto devido apurado na declaração de ajuste. ENTIDADES BENEFICIÁRIAS DAS DOAÇÕES - PRESTAÇÃO DE CONTAS À SRF Os Conselhos Municipais, Estaduais ou Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente deverão informar à Secretaria da Receita Federal (SRF), até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, o valor das doações recebidas. A prestação da informação será efetuada em meio digital, nas condições a serem definidas pela Coordenação-Geral de Fiscalização (Cofis) da SRF. Base: art. 13 da Instrução Normativa SRF 267/2002. BENEFÍCIOS ÀS ORGANIZAÇÕES DO TERCEIRO SETOR Para os benefícios, as entidades podem ser divididas em dois campos: 1) as imunes e 2) as que somente podem gozar de isenções. IMUNIDADE CONSTITUCIONAL A imunidade é assegurada pela Constituição Federal a determinadas entidades, em seu artigo 150, nestes termos: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I a V - ... VI – instituir impostos sobre: a) .... b) templos de qualquer culto; c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; d) .... § 1º .... § 2º. A vedação do inciso VI, a, é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às leis decorrentes. § 3º... § 4º. As vedações expressas no inciso VI, alíneas b e c, compreendem somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das entidades nelas mencionadas. CONDIÇÕES DE IMUNIDADE A Lei 9.532/1997 condicionou o gozo de imunidade fiscal às entidades sociais e educativas, nos seguintes termos: Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea c, da Constituição, considera-se imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. § 1º. Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 2º. Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão obrigadas a atender aos seguintes requisitos: a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais; c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial; e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretariada Receita Federal; f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes; g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público. h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento das entidades a que se refere este artigo. § 3º. Considera-se entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (NR) (Redação dada ao parágrafo pela Lei nº 9.718, de 27.11.1998, DOU 28.11.1998) Já a Lei 10.637/2002 em seu artigo 34 estipula que não se aplica a proibição de remuneração dos dirigentes empregados, para tais entidades, qualificadas como OSCIP (Lei 9.790/1999) ou como Organizações Sociais (OS) – (Lei 9.637/1998). ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO As ONG que não se enquadram na imunidade constitucional devem recorrer às isenções, reguladas por lei ordinária e que variam de acordo com a natureza da atividade e do local onde a entidade está sediada. A Lei 9.532/1997 assim dispôs sobre a isenção do Imposto de Renda para as entidades: Art. 15. Consideram-se isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloque à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. § 1º A isenção a que se refere este artigo aplica-se, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subseqüente. § 2º Não estão abrangidos pela isenção do imposto de renda os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. § 3º Às instituições isentas aplicam-se as disposições do art. 12, alínea “a” a “ e” e § 3º e dos arts. 13 e 14. Nota: artigos 13 e 14 da referida Lei: Art. 13. Sem prejuízo das demais penalidades previstas na lei, a Secretaria da Receita Federal suspenderá o gozo da imunidade a que se refere o artigo anterior, relativamente aos anos-calendários em que a pessoa jurídica houver praticado ou, por qualquer forma, houver contribuído para a prática de ato que constitua infração a dispositivo da legislação tributária, especialmente no caso de informar ou declarar falsamente, omitir ou simular o recebimento de doações em bens ou em dinheiro, ou de qualquer forma cooperar para que terceiro sonegue tributos ou pratique ilícitos fiscais. Parágrafo único. Considera-se, também, infração a dispositivo da legislação tributária o pagamento, pela instituição imune, em favor de seus associados ou dirigentes, ou, ainda, em favor de sócios, acionistas ou dirigentes de pessoa jurídica a ela associada por qualquer forma, de despesas consideradas indedutíveis na determinação da base de cálculo do imposto sobre a renda ou da contribuição social sobre o lucro líquido. Art. 14. À suspensão do gozo da imunidade aplica-se o disposto no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996. RESULTADOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS Estará fora do alcance da tributação somente o resultado relacionado com as finalidades essenciais destas entidades. Assim, os rendimentos e os ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa e variável não estão abrangidos pela imunidade e pela isenção (Lei nº 9.532, de 1997, art.12, § 2º, e art. 15, § 2º). A QUESTÃO DA REMUNERAÇÃO DOS DIRIGENTES A questão da possibilidade ou não de remunerar dirigentes de uma ONG é bastante controversa, para fins de isenção fiscal. O artigo 4°, VI da Lei 9.790/99 institui a possibilidade de se remunerar dirigentes. Pelo artigo 34 da Lei 10.637/2002, adiante transcrito, entende-se admissível, sem perda da isenção fiscal, sob determinadas condições, a remuneração dos dirigentes empregados: Art. 34. A condição e a vedação estabelecidas, respectivamente, no art. 13, § 2o, III, b, da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 12, § 2o, a, da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, não alcançam a hipótese de remuneração de dirigente, em decorrência de vínculo empregatício, pelas Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), qualificadas segundo as normas estabelecidas na Lei no 9.790, de 23 de março de 1999, e pelas Organizações Sociais (OS), qualificadas consoante os dispositivos da Lei no 9.637, de 15 de maio de 1998. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se somente à remuneração não superior, em seu valor bruto, ao limite estabelecido para a remuneração de servidores do Poder Executivo Federal. Observe-se que a remuneração deve respeitar os valores praticados pelo mercado, na região correspondente a sua área de atuação. Entretanto, a possibilidade de remuneração de tais dirigentes é restrita para entidades qualificadas como OSCIP (Lei 9.790/1999) ou como Organizações Sociais (OS) – (Lei 9.637/1998), consideradas como instituição de educação ou de assistência social. Também não pode haver qualquer distribuição de lucros, resultados, dividendos, sobras ou superávit, a qualquer associado, dirigente ou pessoa ligada. EXPLORAÇÃO ECONÔMICA De acordo com o PN CST 162/1974, adiante transcrito, atividades de exploração econômica podem ser isentas do IR, tendo em relevo a finalidade social e a diminuta significação econômica das entidades favorecidas. PARECER NORMATIVO CST Nº 162, DE 11 DE SETEMBRO DE 1974 DOU 17.10.1974 As isenções do art. 25 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 58.400/66) referem-se a eventual lucro em atividades que se integrem nos objetivos ou finalidades da entidade, estritamente consideradas. 02 – Imposto Sobre a Renda e Proventos 02.02 – Pessoas Jurídicas 02.02.1919 – Isenções 1. Dúvidas vêm sendo levantadas pelas entidades beneficiárias da isenção instituída no art. 25 do RIR (Decreto nº 58.400/66) com relação aos ganhos provenientes de certas atividades por elas exercidas. 2. Para o exato alcance da norma consubstanciada no artigo citado, deve-se atentar para o fato de que embora a natureza das atividades e o caráter dos recursos e condições em que são obtidos não estejam mencionados no dispositivo como determinantes da perda ou suspensão do benefício, é indiscutível constituírem eles elementos a serem levados em consideração pela autoridade fiscal que reconhece a isenção. (RIR/66, art. 31, c, III e IV). Tendo em vista, ainda, que as isenções são outorgadas para facilitar atividades que ao estado interessa proteger e que, no caso em exame, adquire relevo a finalidade social e a diminuta significação econômica das entidades favorecidas, é de se concluir que não seria logicamente razoável que ela se servisse da exceção tributária, para, em condições privilegiadas e extravasando a órbita de seus objetivos, praticar atos de natureza econômico-financeira, concorrendo com organizações que não gozem da isenção. 3. Recorre daí que, por serem as isenções do art. 25 do RIR/66 de caráter subjetivo, não podem elas, na ausência de disposição legal, abranger alguns rendimentos e deixar de fazê-lo em relação a outros da mesma beneficiária. Conclui-se que, desvirtuada a natureza das atividades ou tornados diversos o caráter dos recursos e condições de sua obtenção, elementos nos quais se lastreoua autoridade para reconhecer o direito ao gozo da isenção, deixa de atuar o favor legal. 4. Algumas das dúvidas suscitadas podem ser resolvidas conforme segue. 5. Eventual lucro de entidades recreativas ou esportivas, originado de exploração de bar ou restaurante no âmbito de suas dependências e para seus usuários, não se sujeita ao imposto de renda, dado que essa atividade proporcionar melhores condições do desfrute e utilização das dependências da organização, integrando-se, pois, nos seus objetivos. 6. De modo contrário, se uma entidade esportiva explorar linha de ônibus para transporte de associados cobrando pelo serviço prestado, deixará de merecer a dispensa legal, pois tal operação é totalmente estranha a seus fins, além de se caracterizar como atividade de natureza essencialmente econômica. 7. Sociedade religiosa que mantém anexo ao Templo, livraria para venda de livros religiosos, didáticos, discos com temas religiosos e artigos de papelaria, visando a divulgação do Evangelho não terá o eventual lucro tributário. Da mesma forma o resultado da venda de dádivas ou donativos que os fiéis depositam nos altares e cofres dos Santuários, por ser esta uma forma de que se servem os ofertantes, para reverenciarem o alvo de sua crença. 8. O mesmo não ocorre, porém, se a associação religiosa exercer atividade de compra e venda de bens não relacionados a sua finalidade, quando então deixará de fazer jus à isenção, devendo efetuar a escrituração de modo usual como procedem os comerciantes, cumpridas as disposições do Decreto nº 64.567 de 22.05.69. 9. Instituições filantrópicas que mantêm creche, com serviços cobrados a uma parte dos usuários e atendimento gratuito aos demais mantida a igualdade de tratamento, não serão tributadas por superávit ocorrido. 10. Fundação cultural que mantém livraria para a venda de livros e alunos dos cursos por ela mantidos, ou a terceiros, não perde direito a isenção, eis que essa atividade se identifica como meios de realização de seus fins. 11. Cumpre ressaltar, todavia, ser indispensável o atendimento dos requisitos do art. 25 do RIR pelas organizações que, no gozo de isenção, obtenham resultados positivos no exercício de atividades adstritas aos fins a que se propuseram. ISS O inciso VI, alínea “c” do art. 150 da Constituição Federal estipula imunidade tributária para as instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei. Portanto, uma entidade que não seja educacional ou de assistência social, mesmo que não tenha fins lucrativos, deverá pagar o ISS, caso prestar serviços sujeitos a este imposto, relacionados na Lei Complementar 116/2003. O município somente deixará de cobrar o ISS caso haja legislação específica determinando tal isenção. Neste sentido, julgado do STJ, adiante reproduzido: ISS. ORGANIZAÇÃO SOCIAL SEM FINS LUCRATIVOS. ATIVIDADE RELACIONADA À PROMOÇÃO DO DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO E TECNOLÓGICO. ISENÇÃO. AUSÊNCIA DE LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. IMPOSSIBILIDADE. I - Originariamente, cuida-se de Mandado de Segurança impetrado pela ora Recorrente, contra ato do Exmo. Sr. Secretário de Fazenda e Planejamento do Distrito Federal, que indeferiu o seu pedido de isenção tributária, referente à emissão do denominado "Ato Declaratório de Isenção do ISS". II - A impetrante, ora Recorrente, sustenta que, na qualidade de instituição constituída sob a forma de associação sem fins lucrativos, tendo por objetivo social a promoção do desenvolvimento científico e tecnológico, faz jus à isenção do ISS. III - Não se extrai força normativa suficiente do art. 150, VI, "c", da Constituição Federal, que revele haver tributação dos entes políticos, no caso da incidência tributária recair sobre organização social privada sem fins lucrativos, mesmo que reconhecida como de interesse e utilidade social. IV - Fosse o Recorrente instituição de ensino ou de assistência social, haveria, em tese, a possibilidade de delinear os efeitos normativos do preceito constitucional citado. Ocorre que, consoante se observa dos seus próprios objetivos institucionais, às fls. 28/29 destes autos, sua finalidade é a promoção do desenvolvimento científico e tecnológico, de modo que nem presta serviço relacionado ao ensino, nem revela atividade de assistência social. V - Nesse contexto, ante a impossibilidade de extrair-se a imunidade pretendida do preceito constitucional, verdadeira exceção ao poder geral de tributação do Estado, surge a necessidade de lei específica que discipline a outorga de isenção em relação às suas atividades, que também se apresenta como restrição, só que em nível infraconstitucional, à potestade tributária. VI - De fato, o Código Tributário Nacional (art. 97) é suficientemente claro ao dispor que somente a lei pode estabelecer as hipóteses de exclusão do crédito tributário (inciso VI), nesta constando a isenção (art. 175, inciso I). Sendo imperativo o comando que determina a interpretação literal da outorga de isenção (art. 111, inciso II), revela-se necessária a edição de legislação específica que discipline o comando isencional às atividades desenvolvidas pelas organizações sociais sem fins lucrativos, que atendam ao interesse e à utilidade públicas, situação discutida nos presentes autos. VII - Inexistindo nos autos documentos que comprovem a existência de legislação distrital disciplinadora da isenção pretendida pela Recorrente, não há como deferi-la nos moldes pretendidos. VIII - Recurso Ordinário improvido. STJ, RMS 22371 / DF ; RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA 2006/0160035-0, Julg. 03/05/2007, DJ 24/05/2007. MENSALIDADES As entidades, como as associações, que prevêem cobrança de mensalidades de seus associados, registram tais valores, pelo regime de competência: D - Mensalidades a Receber (Ativo Circulante) C - Receitas de Mensalidades (Resultado) Entretanto, como é notório, há enorme inadimplência das mensalidades em qualquer associação. Por isso, recomenda-se que seja efetuado provisão para devedores duvidosos, quando a mensalidade do associado esteja atrasada por 3 meses ou mais. O lançamento da provisão será o seguinte: D - Provisão para Devedores Duvidosos - Mensalidades (Resultado) C - Provisão para Devedores Duvidosos (conta redutora do Ativo Circulante) Na eventualidade de alguma de tais mensalidades virem a ser quitadas, o lançamento seria: D - Caixa ou Bancos Cta. Movimento (Ativo Circulante) C - Mensalidades a Receber (Ativo Circulante) Neste caso, haveria necessidade de reversão da provisão anteriormente constituída, desta forma: D - Provisão para Devedores Duvidosos (conta redutora do Ativo Circulante) C - Reversão da Provisão para Devedores Duvidosos (Resultado) ORGANIZAÇÕES SOCIAIS São qualificáveis como organizações sociais pessoas jurídicas de direito privado, sem fins lucrativos, cujas atividades sejam dirigidas ao ensino, à pesquisa científica, ao desenvolvimento tecnológico, à proteção e preservação do meio ambiente, à cultura e à saúde, atendidos aos requisitos previstos na Lei 9.637/1998. As entidades qualificadas como organizações sociais são declaradas como entidades de interesse social e utilidade pública, para todos os efeitos legais. Às organizações sociais poderão ser destinados recursos orçamentários e bens públicos necessários ao cumprimento do contrato de gestão. ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL DE INTERESSE PÚBLICO - OSCIP A Lei 9.790/1999, regulamentada pelo Decreto 3.100/1999, qualifica as OSCIP, no universo do Terceiro Setor, em organizações que efetivamente têm finalidade pública, impondo condições para tal reconhecimento.A qualificação de OSCIP acolhe e reconhece legalmente as organizações da sociedade civil cuja atuação se dá no espaço público não estatal. Para efetuar a transferência de recursos públicos para as organizações da sociedade civil, a legislação anterior à Lei 9.790/99 adota os convênios como principal forma de operacionalização, sendo obrigatório o registro no Conselho Nacional de Assistência Social - CNAS. Outra alternativa são os contratos, que devem obedecer às determinações da Lei 8.666, de 21 de junho de 1993 (Lei das Licitações). A Lei 9.790/1999 criou o Termo de Parceria - novo instrumento jurídico de fomento e gestão das relações de parceria entre as OSCIP e o Estado, com o objetivo de imprimir maior agilidade gerencial aos projetos e realizar o controle pelos resultados, com garantias de que os recursos estatais sejam utilizados de acordo com os fins públicos. O Termo de Parceria possibilita a escolha do parceiro mais adequado do ponto de vista técnico e mais desejável dos pontos de vista social e econômico, além de favorecer a publicidade e a transparência. A Lei 9.790/1999 traz uma novidade importante: pela primeira vez, o Estado reconhece a existência de uma esfera pública em emersão, que é pública não pela sua origem, mas pela sua finalidade, ou seja, é pública mesmo não sendo estatal. A seguir, um quadro-resumo das qualificações das OSCIP e as demais entidades sociais, regidas pela legislação anterior: Lei 9.790/1999 Legislação anterior e vigente Cria a qualificação de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público/ OSCIP, concedida pelo Ministério da Justiça. A lei determina rapidez no ato de deferimento da solicitação porque a qualificação é ato vinculado ao cumprimento das exigências da lei, isto é, se a entidade entregou os documentos e cumpriu com as exigências, ela é qualificada automaticamente. No nível federal, são fornecidas duas qualificações: Declaração de Utilidade Pública Federal, pelo Ministério da Justiça; e Certificado de Fins Filantrópicos, pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS). Declarações de Utilidade Pública similares são oferecidas no nível dos estados e municípios. Tais qualificações dependem de vários documentos, cuja obtenção pode ser morosa e de custos elevados. Se o pedido de qualificação como OSCIP for negado, a entidade, após fazer as alterações indicadas na justificativa de indeferimento, feita pelo Ministério da Justiça, pode reapresentar o pedido imediatamente. Se o pedido para essas qualificações for negado, a entidade não pode proceder à reapresentação imediata, devendo esperar um período definido legalmente. Nota: A qualificação como OSCIP não substitui outras qualificações anteriores: a Declaração de Utilidade Pública Federal e o Certificado de Fins Filantrópicos. A legislação que rege essas qualificações continua vigorando concomitantemente à Lei 9.790/1999. PIS DEVIDO PELAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS A contribuição para o PIS das será determinada na base de 1% sobre a folha de salários do mês, pelas seguintes entidades: 1. Templos de qualquer culto. 2. Partidos políticos. 3. Instituições de educação e assistência social imunes ao Imposto de Renda. 4. Instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e associações isentas do Imposto de Renda. 5. Sindicatos, federações e confederações. 6. Serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei. 7. Conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas – do tipo CRC, CREA, etc. 8. Fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo poder público. 9. Condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais. 10. A Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e Organizações Estaduais de Cooperativas – previstas na Lei 5764/1971. Exemplo: Um sindicato, com folha de salários de R$ 10.000,00 - recolherá o PIS no valor de: 1% x R$ 10.000,00 = R$ 100,00. PARCELAS INTEGRANTES DA FOLHA DE SALÁRIOS Entende-se por folha de salários mensal, o total dos rendimentos do trabalho assalariado de qualquer natureza, tais como salários, gratificações, comissões, adicional de função, ajuda de custo, aviso prévio trabalhado, adicional de férias, qüinqüênio, adicional noturno, hora extra, 13° salário e repouso semanal remunerado. Não integram a base de cálculo: o salário-família; o aviso prévio indenizado; o FGTS pago diretamente ao empregado na rescisão contratual; a indenização por dispensa, desde que dentro dos limites legais. Exemplo: Determinada entidade apurou as seguintes verbas no fechamento de sua folha de pagamento no mês: Salários, horas extras, férias e adicional noturno - R$ 11.000,00 1a Parcela do 13o salário pago - R$ 5.000,00 Salário-família - R$ 200,00 Cálculo do PIS devido no mês: Base de cálculo: R$ 11.000,00 + R$ 5.000,00 PIS devido: R$ 16.000,00 x 1% = R$ 160,00 PRESTAÇÃO DE CONTAS AO CONSELHO NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL – CNAS A prestação de contas ao CNAS ocorre no momento em que é solicitada a concessão ou renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, nos termos do Decreto 2.536/1998, alterado pelo Decreto 3.504/2000. CONCEITO Considera-se entidade beneficente de assistência social, para os fins de obtenção do Certificado correspondente, a pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, que atue no sentido de: I - proteger a família, a maternidade, a infância, a adolescência e a velhice; II - amparar crianças e adolescentes carentes; III - promover ações de prevenção, habilitação e reabilitação de pessoas portadoras de deficiências; IV - promover, gratuitamente, assistência educacional ou de saúde; V - promover a integração ao mercado de trabalho. DOCUMENTAÇÃO A entidade deverá apresentar ao CNAS, além do relatório de execução de plano de trabalho aprovado, as seguintes demonstrações contábeis, relativas aos três últimos exercícios: balanço patrimonial; demonstração do déficit ou superávit; demonstração de mutações do patrimônio social; demonstração das origens e aplicações de recursos; notas explicativas, evidenciando o resumo das principais práticas contábeis e os critérios de apuração do total das receitas, despesas, gratuidades, doações, subvenções e aplicações de recursos, bem como a mensuração dos gastos e despesas relacionados com a atividade assistencial, especialmente daqueles necessários à comprovação do percentual mínimo de gratuidades; evidenciação das contribuições previdenciárias devidas, como se a entidade não gozasse de imunidade ou isenção. AUDITORIA INDEPENDENTE As entidades cujas receitas brutas de cada um dos três exercícios em análise excedam R$ 1.200.000,00 devem submeter suas contas à auditoria independente. Quando a receita de qualquer um dos três exercícios ultrapassar R$ 2.400.000,00, a auditoria deverá ser realizada por auditores registrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Nota: Limites decorrentes do Decreto 3.504/2000. PRESTAÇÃO DE CONTAS AO MPAS De acordo com o art. 209 do Decreto 3.048/1999 (conhecido como “Regulamento da Previdência Social), a entidade que for beneficiada com a isenção da contribuição patronal é obrigada a apresentar, anualmente, até o dia 30 de abril, ao órgão do Instituto Nacional do Seguro Social jurisdicionante de sua sede, relatório circunstanciado de suas atividades no exercício anterior, na forma por ele definida, contendo as seguintes informações e documentos: I - localização de sua sede;II - nome e qualificação completa de seus dirigentes; III - relação dos seus estabelecimentos e obras de construção civil identificados pelos respectivos números do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica ou no Cadastro Específico do Instituto Nacional do Seguro Social; IV - descrição pormenorizada dos serviços assistenciais, de educação ou de saúde prestados a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência, mencionando a quantidade de atendimentos e os respectivos custos, para o caso da pessoa jurídica de direito privado a que se refere o art. 206 do Decreto 3.048/1999; V - demonstrativo mensal por atividade, no qual conste a quantidade de atendimentos gratuitos oferecidos a pessoas carentes, o valor efetivo total das vagas cedidas, a receita proveniente dos atendimentos prestados ao Sistema Único de Saúde, o valor da receita bruta, da contribuição social devida, o percentual e o valor da isenção usufruída, para o caso da pessoa jurídica de direito privado a que se refere o art. 207; e VI - resumo de informações de assistência social. GUARDA DE DOCUMENTOS A entidade será, ainda, obrigada a manter à disposição do Instituto Nacional do Seguro Social, durante dez anos, os seguintes documentos: I - balanço patrimonial e da demonstração de resultado do exercício, com discriminação das receitas e despesas, relativos ao exercício anterior, para o caso da pessoa jurídica de direito privado de que trata o art. 206 do Decreto 3.048/1999 (entidades beneficentes de assistência social); II - demonstrações contábeis e financeiras relativas ao exercício anterior, para o caso da pessoa jurídica de direito privado de que trata o art. 207 do Decreto 3.048/1999 (atividade educacional ou atendimento pelo SUS parcialmente de forma gratuita), abrangendo: a) balanço patrimonial; b) demonstração de resultado do exercício, com discriminação das receitas e despesas; c) demonstração de mutação de patrimônio; e d) notas explicativas. PRESTAÇÃO DE CONTAS – OSCIP Para as entidades qualificadas como Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público – OSCIP, a Lei 9.790/1999 determina que as normas para prestações de contas a serem observadas pela entidade devem constar do estatuto e deverão conter, no mínimo: a) a observância dos Princípios Fundamentais de Contabilidade e das Normas Brasileiras de Contabilidade; b) que se dê publicidade por qualquer meio eficaz, no encerramento do exercício fiscal, ao relatório de atividades e das demonstrações contábeis da entidade, incluindo-se as certidões negativas de débitos com INSS e FGTS, colocando-os à disposição para exame de qualquer cidadão; c) a realização de auditoria, inclusive por auditores externos; se for o caso, a aplicação dos eventuais recursos objeto do termo de parceria; d) a prestação de contas de todos os recursos e bens de origem pública recebidos pela OSCIP será feita conforme determina o parágrafo único do art. 70 da Constituição Federal, segundo o qual “prestará contas qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiro, bens e valores públicos ou pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, assuma obrigações de natureza pecuniária”. O Decreto 3.100/1999, que regulamenta a Lei das OSCIP, estabelece que as prestações de contas anuais das OSCIP serão realizadas sobre a totalidade das operações patrimoniais e resultados da entidade, e deverão ser instruídas com os seguintes documentos: 1) relatório anual de execução de atividades; 2) demonstração do déficit ou superávit do exercício; 3) balanço patrimonial; 4) demonstração das origens e aplicações de recursos; 5) demonstração das mutações do patrimônio social; 6) notas explicativas das demonstrações contábeis, caso necessário; 7) parecer e relatório de auditoria, que é obrigatória quando a soma dos recursos originários dos termos de parceria for maior ou igual a R$ 600.000,00. AUDITORIA INDEPENDENTE A auditoria independente deverá ser realizada por pessoa física ou jurídica habilitada pelos Conselhos Regionais de Contabilidade. Os dispêndios decorrentes dos serviços de auditoria independente deverão ser incluídos no orçamento do projeto como item de despesa. COMPROVAÇÃO ESPECÍFICA Além da aludida documentação, deve ser feita a prestação de contas específica do termo de parceria, comprovando-se, perante o órgão estatal parceiro, a correta aplicação dos recursos públicos recebidos e do adimplemento do objeto do termo de parceria, mediante a apresentação dos seguintes documentos: a) relatório sobre a execução do objeto do termo de parceria, contendo comparativo entre as metas propostas e os resultados alcançados; b) demonstrativo integral da receita e despesa realizadas na execução; c) parecer e relatório de auditoria, segundo os critérios já mencionados; d) entrega do extrato da execução física e financeira. O modelo desse extrato consta do Anexo II do Decreto 3.100/1999, e deve, ainda, ser publicado na imprensa oficial da área de abrangência do projeto, no prazo máximo de sessenta dias após o término de cada exercício financeiro. PROVISÕES PROVISÕES DE RECEBÍVEIS As entidades sem finalidade de lucros devem constituir provisão em montante suficiente para cobrir as perdas esperadas, com base em estimativas de seus prováveis valores de realização, e baixar os valores prescritos, incobráveis e anistiados. Desta forma, quando determinada receita, já contabilizada, tiver sua realização prejudicada, por inadimplência do devedor, deve ser feito a provisão correspondente, para que o balanço não registre valores irreais. A provisão para perdas, chamada de “Provisão para Devedores Duvidosos”, será uma conta redutora (credora) do Ativo Circulante. O lançamento é como segue: D - Provisão para Créditos Duvidosos (Resultado) C - Provisão para Devedores Duvidosos (conta redutora do Ativo Circulante) Quando o valor se tornar definitivamente irrecuperável, por ter sua prescrição (ou seja, a possibilidade de cobrança – administrativa ou judicial – ter se expirado), deve-se baixar o correspondente valor, mediante débito á conta da respectiva provisão e crédito da conta do ativo. Exemplo: R$ 2.000,00, registrados na contabilidade, relativo a mensalidades de associados, tiveram sua prescrição ocorrida, não havendo qualquer possibilidade de cobrança. A baixa se procederá da seguinte forma: D - Provisão para Devedores Duvidosos (conta redutora do Ativo Circulante) C - Mensalidades a Receber (Ativo Circulante) R$ 2.000,00 PROVISÃO DE FÉRIAS E 13º SALÁRIO Atendendo ao regime de competência, a entidade que mantém empregados deve constituir, mensalmente, a provisão para o pagamento de férias e 13º salário. Esta provisão é calculada á base de 1/12 mensal, sobre a remuneração dos empregados. No caso de férias, acrescer 1/3 constitucional. O montante da provisão para pagamento de remuneração de férias, 13º e dos encargos sociais incidentes sobre referida remuneração será debitado em conta de despesas, de acordo com a natureza da utilização dos serviços dos empregados. Se os empregados forem da área administrativa, debita-se a conta respectiva no subgrupo Despesas Administrativas. Se o empregado estiver alocado em determinado atendimento, o débito é de despesa do respectiva atividade. No modelo de plano de contas da presente obra, sugere-se que, para fins de análise gerencial, a folha de pagamento (incluindo as provisões de férias e 13º salário) seja contabilizada globalmente, e após, seja transferido para as atividades o correspondente valordo pessoal alocado, através das contas "(-) Transferência para Atividades". No caso de empregados que estiverem vinculados á execução de obra de construção civil, o débito será à conta de Construções em Andamento, no Imobilizado. A contra partida das provisões será à conta do Passivo. A conta de provisão, classificada no passivo circulante, será debitada, até o limite provisionado, pelos valores pagos a qualquer beneficiário cujas férias ou 13º salário ali tenham sido incluídas. Caso não haja saldo suficiente na conta de provisão, o excedente será debitado diretamente a despesas. Exceção no caso de empregados na construção, cujo débito será a Construções em Andamento. ENCARGOS SOCIAIS Contabilizar os encargos sociais (20% do INSS, quando a entidade não tiver isenção da quota patronal, FGTS, percentuais devidos ao SAT e a terceiros) sobre o valor da provisão determinada, cujo ônus cabe à entidade e que incidirão por ocasião do pagamento das férias e 13º salário. Exemplo: Constituição da provisão para pagamento de férias em entidade que não tenha isenção da quota patronal do INSS no período encerrado em 30.06.2004: Férias vencidas e proporcionais - R$ 9.000,00 1/3 Adicional sobre Férias - R$ 3.000,00 INSS sobre férias - R$ 3.384,00 FGTS sobre férias - R$ 1.020,00 Total da Provisão - R$ 16.404,00 Nota: todos os empregados estão alocados á área de assistência social. O lançamento contábil referente à constituição da provisão para pagamento de remuneração de férias e respectivos encargos sociais poderá ser efetuado do seguinte modo: 1) Pelo valor da provisão para pagamento das férias (férias vencidas, proporcionais e 1/3), incluindo os respectivos encargos sociais: D - Férias (Despesas de Recursos Humanos) R$ 12.000,00 D - INSS (Despesas de Recursos Humanos) R$ 3.384,00 D - FGTS (Despesas de Recursos Humanos) R$ 1.020,00 C - Provisão de Férias (Passivo Circulante) R$ 16.404,00 2) Pelo pagamento de férias a funcionários: D - Provisão de Férias (Passivo Circulante) C - Caixa (Ativo Circulante) 3) Pelo pagamento de encargos sociais (INSS e FGTS) sobre parcela de férias: D - Provisão de Férias (Passivo Circulante) C - Bancos Cta. Movimento (Ativo Circulante) Nota: nos exemplos não consideramos os dados relativos ao Imposto de Renda na Fonte e o INSS retido do empregado. PAGAMENTO DO 13º SALÁRIO Adiantamento Os empregadores adiantam metade do 13º salário por ocasião da concessão das férias a partir do mês de fevereiro, quando solicitada pelo funcionário, ou até 30 de novembro. O valor do adiantamento será registrado em conta de adiantamento no Ativo Circulante, até a data da quitação da gratificação, ou seja, até o pagamento do saldo do 13º salário. Exemplo: Pagamento de R$ 8.000,00 relativo ao adiantamento da 1a parcela do 13. salário: D - Adiantamento de 13º Salário (Ativo Circulante) C - Caixa/Bancos (Ativo Circulante) R$ 8.000,00 Quitação O empregador deve efetuar o pagamento do saldo do 13º salário até o dia 20 de dezembro ou por ocasião da dispensa sem justa causa ou pedido de dispensa do funcionário. O valor do saldo do 13º salário pago poderá ser registrado contabilmente a débito da respectiva conta de provisão no Passivo Circulante, até o limite do valor provisionado. Nesta ocasião, o valor do adiantamento registrado no Ativo Circulante será transferido para a conta que registra a provisão para pagamento da gratificação no Passivo Circulante. Exemplo: Pagamento da 2a parcela do 13º salário, no total de R$ 9.000,00, relativo á quitação dos valores em 20 de dezembro. O valor da primeira parcela paga foi de R$ 8.000,00. Lançamento da transferência dos valores adiantados do 13º salário para a conta provisão de 13º salário: D - Provisão para 13º Salário (Passivo Circulante) C - Adiantamento de 13º Salário (Ativo Circulante) R$ 8.000,00 Lançamento do pagamento relativo á quitação: D - Provisão de 13º Salário (Passivo Circulante) C - Caixa/Bancos (Ativo Circulante) R$ 9.000,00 Supondo-se que houve um saldo credor de R$ 900,00 na conta “Provisão de 13º Salário”, após os lançamentos anteriores, deve-se ajustar este saldo, da seguinte forma: D - Provisão de 13º Salário (Passivo Circulante) C - 13º salário (Despesa) R$ 900,00 Nota: o saldo da provisão de 13º salário deverá ser zerado na ocasião de sua quitação. PROVISÃO DE VERBAS RESCISÓRIAS Especificamente em projetos, há necessidade de se provisionar, mensalmente, as verbas rescisórias que advirão na dispensa dos empregados celetistas contratados. Isto porque, se não forem provisionados tais custos e despesas, ao final do projeto as respectivas verbas rescisórias (como o FGTS – multa e indenização) terão que ser pagas por ocasião da dispensa do empregado. Estando o projeto já encerrado (e talvez a respectiva prestação de contas já aprovada), as respectivas verbas irão consumir recursos próprios da entidade, o que é incorreto. São principais verbas rescisórias, além do 13º salário e férias proporcionais: - Aviso prévio indenizado - FGTS - Multa por Rescisão sem Justa Causa: 40% - FGTS - Adicional instituído pela Lei Complementar 110/2001 (10%) - Multa pela Dispensa nos 30 dias anteriores à data-base da categoria (Lei nº 6.708/79 e a Lei nº 7.238/84). Aviso Prévio Indenizado O aviso prévio sendo indenizado, a base de cálculo é o último salário percebido pelo empregado. FGTS - Multa por Rescisão sem Justa Causa Na hipótese de despedida pelo empregador sem justa causa, depositará este, na conta vinculada do trabalhador no FGTS, importância igual a quarenta por cento do montante de todos os depósitos realizados na conta vinculada durante a vigência do contrato de trabalho, atualizados monetariamente e acrescidos dos respectivos juros (§ 1º do artigo 18 da Lei 8.036/1990 - Redação dada pela Lei nº 9.491, de 1997). FGTS - Adicional na Despedida Sem Justa Causa A contribuição social devida pelos empregadores em caso de despedida de empregado sem justa causa, deverá ser, à alíquota de dez por cento sobre o montante de todos os depósitos devidos, referentes ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, durante a vigência do contrato de trabalho, acrescido das remunerações aplicáveis às contas vinculadas. Adicional de Despedida antes da Data-Base A Lei nº 6.708/79 e a Lei nº 7.238/84, em ambas no artigo 9º, determinam uma indenização adicional, equivalente a um salário mensal, no caso de dispensa sem justa causa, no período de 30 (trinta) dias que antecede a data de sua correção salarial. Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984: "Art. 9º - O empregado dispensado, sem justa causa, no período de 30 (trinta) dias que antecede a data de sua correção salarial, terá direito à indenização adicional equivalente a 1 (um) salário mensal, seja ele optante ou não pelo Fundo de Garantia por Tempo de Serviço - FGTS." Exemplo: Entidade Social mantém um projeto com prazo determinado de 24 meses, recebendo recursos de entidade pública nacional. A folha de salários do respectivo projeto é de R$ 10.000,00 mensais. Então teremos as seguintes provisões de verbas rescisórias, mensalmente: 1. Aviso prévio indenizado, correspondente a 1/24 dos salários: R$ 10.000,00 dividido por 24 = R$ 416,67 mensais 2. FGTS – Multa por Rescisão sem Justa Causa: R$ 10.000,00 x 8% (valor do depósito mensal na conta do funcionário) x 40% (valor da multa) = R$ 320,00 mensais 3. FGTS – Adicional Instituído pela LC 110/2001: R$ 10.000,00 x 8% (valor do depósito mensal na conta do funcionário) x 10% (valor do adicional) = R$ 80,00 mensais 4. Adicional de Despedida antes da Data-Base:Considera-se que o projeto será encerrado em abril, sendo que a data base dos trabalhadores do respectivo projeto é 01 de maio de cada ano. Então, deve-se provisionar o adicional respectivo, da seguinte forma: R$ 10.000,00 dividido por 24 meses = R$ 416,67 mensais Conclui-se que, para fins de provisionamento de verbas rescisórias (itens 1 a 4), teremos um valor total mensal de R$ 1.233,34 Vamos aos lançamentos contábeis mensais: D - (-) Recursos Aplicados de Entidade Pública Nacional (conta retificadora de Projetos – Passivo Circulante) C - Provisão de Verbas Rescisórias (Passivo Circulante) R$ 1.233,34 Nota: é recomendável, para fins de controle, que a conta “Provisão de Verbas Rescisórias”, seja dividida em subcontas distintas, uma para cada projeto e subdividido por verba rescisória. AJUSTE PERIÓDICO Deve-se também ajustar, periodicamente, o saldo da conta Provisão de Verbas Rescisórias, em decorrência do aumento da base de cálculo das verbas sujeitas a incidência rescisória, como, por exemplo, o crédito de juros e correção monetária das contas vinculadas do FGTS dos trabalhadores. O ideal é que este ajuste se faça mensalmente. Porém, pelo menos por ocasião da data- base da categoria dos trabalhadores e por ocasião da prestação de contas (total ou parcial) devem ser feitos tais ajustes. Exemplo: Ajuste decorrente do crédito de juros e correção monetária nas contas vinculadas do FGTS dos trabalhadores: Saldo atualizado das contas vinculadas: R$ 5.000,00 1. FGTS – Multa por Rescisão sem Justa Causa: R$ 5.000,00 x 40% = R$ 2.000,00 2. FGTS – Adicional Instituído pela LC 110/2001: R$ 5.000,00 x 10% = R$ 500,00 3.Total das verbas rescisórias ajustadas (1+2) R$ 2.500,00 4. Valor contabilizado anteriormente: R$ 2.300,00 5. Diferença a ajustar (3 – 4): R$ 200,00 Teremos então, considerando-se que os recursos do projeto advém de entidade pública nacional: D - (-) Recursos Aplicados de Entidade Pública Nacional (conta retificadora de Projetos – Passivo Circulante) C - Provisão de Verbas Rescisórias (Passivo Circulante) R$ 200,00 DESPESAS DE PUBLICIDADE A captação de recursos é uma tarefa contínua de qualquer entidade. Neste esforço, buscam as mesmas aplicar em propaganda e publicidade, visando divulgar as ações a que se propõem e sensibilizar o público para os respectivos objetivos. Existem 2 tipos de publicidade básica nas entidades: 1) Institucional – aquela que busca divulgar a entidade em si, seus objetivos e a forma de trabalho. 2) Específica – objetiva propagar determinado projeto ou ação específica, buscando voluntários e recursos. A publicidade institucional é uma despesa administrativa, devendo ser contabilizada como tal, sem qualquer rateio para projetos ou atividades. Já a publicidade específica é alocável ao projeto ou atividade. Quando dois ou mais projetos ou atividades forem compreendidos numa mesma campanha, os custos da mesma devem ser rateados entre as mesmas. Exemplos: 1) Divulgação institucional da entidade, no valor de R$ 5.000,00, paga mediante cheque bancário: D - Publicidade Institucional (Despesa Administrativa) C - Bancos Cta. Movimento (Ativo Circulante) R$ 5.000,00 2) Divulgação específica de 2 projetos da entidade – Reciclagem e Primeiro Emprego, no valor de R$ 10.000,00, visando obtenção de voluntários e recursos para o desenvolvimento dos mesmos (fatura a pagar ao fornecedor): D - Divulgação Específica (Projeto Reciclagem) R$ 5.000,00 D - Divulgação Específica (Projeto Primeiro Emprego) R$ 5.000,00 C - Fornecedores (Passivo Circulante) R$ 10.000,00 REGIME DE RECONHECIMENTO - RECEITAS E DESPESAS As receitas e despesas devem ser reconhecidas, mensalmente, respeitando os Princípios Fundamentais de Contabilidade, em especial os Princípios da Oportunidade e da Competência. DOCUMENTAÇÃO As receitas de doações, subvenções e contribuições para custeio ou investimento devem ser registradas mediante documento hábil. Por documento hábil entende-se: contrato, recibo, nota fiscal, fatura ou demonstrativo (planilha, rateio ou forma semelhante) que dê suporte ao respectivo lançamento contábil. RECEITAS ESPECÍFICAS As receitas de doações, subvenções e contribuições recebidas para aplicação específica, mediante constituição ou não de fundos, devem ser registradas em contas próprias segregadas das demais contas da entidade. Exemplo: Recebimento de uma doação, mediante depósito em conta específica, para aplicação num projeto de atendimento a menores carentes, no valor de R$ 1.000,00. D – Banco Cta. Movimento – Projeto Menor Carente (Ativo Circulante) C - Atendimento a Criança (Receitas de Assistência Social) R$ 1.000,00 RECEITAS DE CUSTEIO As doações, subvenções e contribuições para custeio são contabilizadas em contas de receita. Exemplo: Recebimento de doação em dinheiro, no valor de R$ 100,00, para fins de custeio, sem condicionalidades do doador. D – Caixa (Ativo Circulante) C – Doações Incondicionais (Receitas) R$ 100,00 OBTENÇÃO DE RENÚNCIA FISCAL Muitas entidades sociais, por preencherem requisitos legais, obtêm isenção de tributos, seja na esfera federal, estadual ou municipal. O incentivo fiscal é a renúncia total ou parcial de receita fiscal do governo em favor de entidades públicas ou privadas com objetivo de geração de benefícios sociais e econômicos, sendo: I - Isenção tributária - desobrigação legal de pagamento de tributo; II - Redução tributária - desobrigação legal de pagamento parcial de tributo. Não é porque a entidade deixa de pagar tais tributos que os mesmos não devam ser contabilizados, já que trata-se, obviamente, de um compromisso social – a renúncia fiscal deve ter contrapartida a ações gratuitas, oferecidas pela entidade. É aí que se utilizam contas para registrar as isenções e sua respectiva contrapartida social. No modelo de plano de contas anexo á presente obra, trata-se do grupo 5 “Variações Patrimoniais”, com seus correspondentes subgrupos “5.1 – Benefícios Obtidos – Gratuidade” e “5.2 – Benefícios Concedidos – Gratuidade”. TRIBUTOS ISENTOS Os tributos (impostos, contribuições e taxas) devem ser registrados pelo regime de competência, independentemente de concessão ou não de caráter isentivo. Exemplo: Contabilização da quota do INSS, em entidade que tenha isenção de tal quota: D - INSS (Resultado) C - Impostos e Contribuições – Renúncia Fiscal (Passivo Circulante) Por ocasião do cumprimento das condições para a renúncia fiscal, a contabilização será: D - Impostos e Contribuições – Renúncia Fiscal (Passivo Circulante) C - Impostos Taxas e Contribuições Federais (Variações Patrimoniais) IRPJ E CSLL DO SUPERÁVIT No exercício em que a entidade obtiver superávit, registra o respectivo IRPJ e CSLL, como se devido fossem, do respectivo valor. A alíquota do IRPJ é de 15%, e da CSLL é de 9%. Se o superávit for superior a R$ 240.000,00 no exercício de um ano (ou R$ 20.000,00 por mês), há um adicional de IRPJ de 10% sobre o que exceder tal valor. A contrapartida é uma conta de benefício recebido (conta de resultado). Exemplo: Superávit do exercício (12 meses) de R$ 10.000,00 IRPJ = 15% de R$ 10.000,00 = R$ 1.500,00 CSLL = 9% de R$ 10.000,00 = R$ 900,00 Registros: D - IRPJ (Resultado) C - Impostos Taxas e Contribuições Federais (Benefícios Obtidos – Gratuidade Resultado) R$ 1.500,00 D - CSLL (Resultado) C - Impostos Taxas e Contribuições Federais (Benefícios Obtidos – Gratuidade Resultado) R$ 900,00 Nota: o registro do IRPJ e CSLL é efetuado diretamente em conta de gratuidades obtidas (resultado) emdecorrência da isenção não precisar ser reconhecida administrativamente pela SRF. No caso do INSS, a isenção depende de prestação de contas periódica, sujeita, portanto, a evento administrativo futuro e condicional. Para maiores detalhes, acesse o tópico Prestação de Contas ao MPAS. TRIBUTOS QUESTIONADOS JUDICIALMENTE Os depósitos em garantia de instância são mais freqüentes nos mandados de segurança impetrados com a finalidade de evitar pagamento de tributos. A autoridade judiciária pode se posicionar da seguinte forma em relação às discussões que envolvem o pagamento de tributos: a) concessão de medida liminar não condicionada a depósito; b) concessão de medida liminar condicionada a depósito. Concessão de Medida Liminar não Condicionada a Depósito Quando a medida liminar é concedida sem a obrigatoriedade do depósito, a impetrante fica dispensada do recolhimento do tributo questionado, porém, poderá ter que vir a fazê-lo mais tarde, caso perder a ação, incluindo juros. Desta forma, como a medida liminar está sujeita a posterior julgamento do mérito, podendo ser revogada, então a entidade, por questão de adesão ao princípio do conservadorismo, deverá contabilizar o tributo questionado. Tal contabilização deve ser a crédito de conta passiva, no passivo circulante, pois a medida liminar é em caráter precário, podendo ser revogada a qualquer momento, e a entidade terá que pagar no curto prazo o débito acumulado. A contabilização do crédito no exigível a longo prazo distorcerá as informações financeiras do balanço, não representando adequadamente a situação real. O valor do tributo ficará acumulado na conta contábil respectiva. Se a entidade obter vitória judicial (em sentença definitiva), o respectivo saldo será debitada na conta do passivo e creditado a uma conta de resultado. Caso a entidade perder a ação, ao valor do passivo seriam acrescentados os juros moratórios na data da sentença contrária, debitando-se o valor quando do pagamento (seja á vista ou mediante o parcelamento). Exemplo: Entidade filantrópica questiona o pagamento do INSS patronal. Obtém liminar, sem garantia de depósito. 1) Contabilização da despesa, em função do princípio do conservadorismo: D - INSS C - Previdência Social Patronal 2) Reversão do valor acumulado na conta 2.1.4.01 Previdência Social Patronal (Passivo Circulante), quando por ocasião da sentença definitiva (em que não há mais recurso), assegurando a vitória da entidade: D - Previdência Social Patronal C - Tributos Recuperados em Ações Judiciais Concessão de Medida Liminar Condicionada a Depósito Enquanto perdurar a pendenga judicial, os rendimentos produzidos por depósitos judiciais sujeitam-se à condição suspensiva, não cabendo, pois, a sua apropriação como receita, o que deverá ocorrer somente por ocasião da solução da lide ou desistência da ação proposta no Poder Judiciário. De igual forma, também não cabe a apropriação de encargos (juros) relativa à obrigação correspondente aos valores depositados. Pelo princípio do conservadorismo, deve-se, entretanto, contabilizar a despesa em conta de resultado, a crédito de conta passiva (exigível a longo prazo). A contabilização no exigível a longo prazo é plausível, desde que a contabilização do depósito judicial seja efetuada no realizável a longo prazo. As demandas judiciais, no Brasil, são longas e morosas, por isto justifica-se a contabilização de tais valores desta forma. Exemplo: Entidade filantrópica questiona o pagamento do INSS patronal. Obtém liminar, porém a mesma é condicionada a depósito em garantia de instância. 1) Pela contabilização da parcela do INSS patronal questionado, segundo o regime de competência: D - INSS C - Tributos Questionados Judicialmente c/ Depósito em Garantia 2) Pela realização do depósito: D - Depósitos para Garantia de Instâncias C - Bancos Conta Movimento 3) Pelo recebimento do valor corrigido do depósito, quando da decisão definitiva (ganho de causa), sem que haja possibilidade de recurso: a) Reconhecimento dos juros sobre os depósitos efetuados: D - Depósitos para Garantia de Instâncias C - Juros sobre Depósitos Judiciais b) Saque do valor, mediante autorização judicial: D - Bancos Conta Movimento (Ativo Circulante) C - Depósitos para Garantia de Instâncias c) Pela baixa da conta que registrou o passivo questionado judicialmente: D - Tributos Questionados Judicialmente c/ Depósito em Garantia C - Tributos Recuperados em Ações Judiciais Na hipótese de transferência à Fazenda Pública, do depósito convertido em renda (perda da causa), a contabilização seria: D - Tributos Questionados Judicialmente c/ Depósito em Garantia C - Depósitos para Garantia de Instâncias OBTENÇÃO DE SERVIÇOS VOLUNTÁRIOS A maioria das entidades obtém parte da execução de suas atividades mediante utilização de serviços de pessoas sem remuneração, que se denomina “trabalho voluntário”. A seguir, uma breve explanação sobre tal sistemática. TRABALHO VOLUNTÁRIO O trabalho não-remunerado exercido pelos voluntários foi caracterizado pela Lei 9.608/1998 como a atividade não-remunerada prestada por pessoa física a entidade pública de qualquer natureza, ou a instituição privada de fins não lucrativos, que tenha objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de assistência social, inclusive mutualidade. Assim, para ser enquadrado no conceito desta lei, o serviço deve ter as seguintes características: 1. ser voluntário, ou seja, não pode ser imposto ou exigido como contrapartida de algum benefício concedido pela entidade ao indivíduo ou à sua família; 2. ser gratuito; 3. ser prestado pelo indivíduo, isoladamente, e não como “subcontratado” de uma organização da qual o indivíduo faça parte e, portanto, seja pela mesma compelido a prestá-lo; e 4. ser prestado para entidade governamental ou privada, sendo que estas devem ter fim não lucrativo e voltado para objetivos públicos. O serviço voluntário não gera vínculo empregatício nem obrigação de natureza trabalhista, previdenciária ou afim, desde que esteja previsto em contrato escrito (termo de adesão) onde devem constar a correta identificação do prestador e do tomador dos serviços, natureza do serviço e condições para seu exercício, tais como carga horária, local, material de apoio e afins. A lei autorizou, também, o ressarcimento de despesas incorridas pelo voluntário, desde que estas sejam expressamente autorizadas pela entidade tomadora e sejam realizadas no desempenho das atividades voluntárias, mediante notas fiscais e recibos. O serviço voluntário não gera vínculo empregatício nem obrigação de natureza trabalhista, previdenciária ou afim, desde que esteja previsto em contrato escrito. MENSURAÇÃO DE VALOR Recomenda-se que a fixação do valor da gratuidade do serviço voluntário obtido seja feita com base no “valor-hora” ou tabela de honorários da correspondente atividade ou profissão. Assim, a recepção de serviços médicos será valorada pela tabela da respectiva classe profissional. Uma prestação de serviços voluntários de consertos elétricos, por um profissional da área, será mesurado pelas horas tomadas no tal serviço, multiplicado pelo valor hora de mercado do correspondente profissional. Exemplo: Determinada manutenção elétrica tomou 2 horas de serviço voluntário de eletricista. Sabe-se que o valor-hora do respectivo profissional, na área de atendimento, é de R$ 20,00. Então, o serviço voluntário prestado corresponderá a 2 x R$ 20,00 = R$ 40,00. REGISTRO CONTÁBIL A maioria dos serviços voluntários é prestada para atendimento direto nocusteio das atividades, portanto, se constituirá numa despesa. No modelo de plano de contas sugerido (Entidade Social), o grupo 5 - Variações Patrimoniais, se aplica para registros de receitas (ou despesas) não pagas (ou recebidas) financeiramente, como exemplo: obtenção de serviços voluntários gratuitos. Porém, na hipótese dos serviços serem executados na confecção de bens em estoques, tal contra-partida será a débito do ativo. Vamos exemplificar: 1) Serviços voluntários prestados por professores em programa de reforço escolar, sem qualquer contrapartida dos beneficiários: D - 5.2.1.02 Educação (conta de Benefícios Concedidos – Gratuidade) C - 5.1.2.02 Educação (conta de Obtenção de Serviços Voluntários) 2) Serviços voluntários obtidos de equipe de costureiras, na confecção de roupas a serem doadas: D - 1.1.3.04 Mercadorias para Distribuição (Estoques – Ativo Circulante) C - 5.1.2.03 Assistência Social (conta de Obtenção de Serviços Voluntários) Na subseqüente distribuição das roupas, de forma gratuita: D - 5.2.1.03 Assistência Social (conta de Benefícios Concedidos – Gratuidade) C - 1.1.3.04 Mercadorias para Distribuição (Estoques – Ativo Circulante) SUBVENÇÕES Subvenção é a contribuição pecuniária, prevista em lei orçamentária, concedida por órgãos do setor público a entidades públicas ou privadas, com o objetivo de cobrir despesas com a manutenção e o custeio destas, com ou sem contraprestação de bens ou serviços da beneficiária dos recursos. As subvenções devem ser reconhecidas no recebimento efetivo. As transferências a título de subvenção que correspondam ou não a uma contraprestação direta de bens ou serviços para a entidade transferidora, são contabilizadas como receita na entidade recebedora dos recursos financeiros. Exemplo: Recebimento de Subvenção municipal no valor de R$ 3.000,00, relativamente á manutenção de pessoal: 1) Registro do recebimento da verba, na conta bancária: D – Bancos Conta Movimento – Recursos com Restrições (Ativo Circulante) C – Subvenções Municipais (Receitas) R$ 3.000,00 2) Registro nas contas de compensação: D – Subvenção Municipal – Destinação de Recursos Humanos (Conta de Compensação Ativa) C – Subvenção Municipal a Destinar – Recursos Humanos (Conta de Compensação Passiva) R$ 3.000,00 Por ocasião do efetivo pagamento das despesas de pessoal (folha de pagamento, férias e 13o salário), baixa-se as contas de compensação, pelo lançamento: D - Subvenção Municipal a Destinar – Recursos Humanos (Conta de Compensação Passiva) C - Subvenção Municipal – Destinação de Recursos Humanos (Conta de Compensação Ativa) R$ 3.000,00 SUPERÁVIT OU DÉFICIT DO EXERCÍCIO No encerramento do exercício social, normalmente em 31 de dezembro de cada ano, a contabilidade deve proceder à apuração do superávit ou déficit. O valor do superávit ou déficit do exercício deve ser registrado na conta Superávit ou Déficit do Exercício enquanto não aprovado pela assembléia dos associados e após a sua aprovação, deve ser transferido para a conta Patrimônio Social. Exemplo: Determinada entidade apresentou superávit de R$ 105.000,00 no exercício. Inicialmente, este valor deve ser transferido da seguinte forma: D – Superávit do Exercício (conta do Encerramento de Resultado) C – Superávit Acumulado (conta do Patrimônio Social) R$ 105.000,00 Posteriormente, se tal valor for destinado, pela Assembléia que aprovar a respectiva demonstração, para incorporação na conta Patrimônio Social, procede-se ao seguinte lançamento: D - Superávit Acumulado (conta do Patrimônio Social) C - Fundo Institucional (conta do Patrimônio Social) R$ 105.000,00. Nota: a Assembléia pode constituir outros fundos, inclusive especiais. Neste caso, o valor aprovado será transferido a conta especificada, conforme decisão da respectiva Assembléia. O QUE É O TERCEIRO SETOR Denomina-se “terceiro setor” o conjunto das organizações não governamentais (sigla ONG). Caracterizam-se como ONG as entidades que não têm finalidade de lucro e não derivam do poder público, congregando objetivos sociais, filantrópicos, culturais, recreativos, religiosos, ecológicos ou artísticos. O primeiro setor é o governo, que é responsável pelas questões sociais. O segundo setor é o privado, responsável pelas questões individuais, tendo objetivo primordial o lucro. O terceiro setor é constituído por organizações sem fins lucrativos e não governamentais, que tem como objetivo gerar serviços de caráter público. TIPOS DE ENTIDADES Destacam-se os seguintes tipos de entidades do terceiro setor no Brasil: a) Associações b) Fundações c) Cooperativas Sociais d) Organizações Sociais e) Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público - OSCIP VENDA DE BENS OU SERVIÇOS As entidades que obtém recursos através de venda de bens ou serviços devem registrar tais rendas pelo regime de competência, destacadamente da receita auferida de outras fontes, como doação, subvenções, etc. Observe que também devem ser contabilizadas as respectivas despesas e custos relativos à obtenção da receita, pois o reconhecimento da receita deve ser consentâneo ao custo correspondente. Assim, a venda de produtos em estoques, devem ocorrer 2 registros simultâneos: 1) a receita, a débito de disponibilidades ou de créditos a receber e 2) a baixa dos estoques dos respectivos produtos vendidos, bem como as despesas de frete e tributos incidentes sobre a operação. Exemplo: Venda, em bazar de artigos artesanais, de R$ 1.000,00. O estoque dos referidos artigos vendidos era de R$ 400,00 e a tributação é a seguinte: ICMS: isento, por lei estadual (artigos artesanais) COFINS: 3% sobre a receita Cálculo: COFINS = R$ 1.000,00 x 3% = R$ 30,00 Lançamentos contábeis: 1) Registro das vendas: D - Caixa (Ativo Circulante) C - Vendas de Bens e Serviços (Resultado) R$ 1.000,00 2) Baixa dos estoques vendidos: D - (-) Custo das Vendas de Bens e Serviços (Resultado) C - Mercadorias e Produtos á Venda (Estoques – Ativo Circulante) R$ 400,00 3) Tributos na operação de venda: D - (-) Despesas Tributárias das Vendas (Resultado) C - COFINS (Passivo Circulante) R$ 30,00 NOTAS SOBRE A TRIBUTAÇÃO DE VENDAS DAS ENTIDADES DO TERCEIRO SETOR A possível isenção fiscal que gozam determinadas entidades é relativa á suas atividades- fins. A realização de operações mercantis como forma de levantamento de recursos obriga tais entidades ao regime tributário decorrente de tais operações. A isenção é para o objeto social, e não para as operações mercantis. O contabilista deve alertar aos responsáveis e administradores da diferença de tratamento tributário entre a obtenção de recursos mediante doações, subvenções e contribuições daquelas decorrentes de operações mercantis típicas (compra e venda de produtos e serviços). Para maiores detalhamentos sobre questões tributárias das entidades do terceiro setor, acesse o tópico correspondente. VENDAS EM CONSIGNAÇÃO Há situações em que a entidade tem a posse de um determinado bem de terceiro e, realizando a venda, passa a deter parte do resultado obtido. Nesta hipótese, os registros contábeis devem ser feitos como os de transação em conta alheia. Exemplo: Venda de artesanatos de terceiros, recebidos em consignação. O valor consignado é de R$ 1.000,00, e o valor da venda foi de R$ 1.500,00. Os lançamentos serão: 1) Pela recepção dos produtos consignados: D - Mercadorias e Produtos em Consignação (Estoques – Ativo Circulante) C - Consignações de Mercadorias e Produtos (Passivo Circulante) R$ 1.000,002) Pela venda dos aludidos artesanatos: D - Caixa C - Vendas de Bens e Serviços (Resultado) R$ 1.500,00 3) Pela baixa dos estoques a custo das vendas: D - (-) Custo das Vendas de Bens e Serviços (Resultado) C - Mercadorias e Produtos em Consignação (Estoques – Ativo Circulante) R$ 1.000,00 4) Pela contabilização da COFINS: D - (-) Despesas Tributárias das Vendas (Resultado) C - COFINS (Passivo Circulante) R$ 45,00 5) Pelo pagamento dos artesanatos ao consignante: D - Consignações de Mercadorias e Produtos (Passivo Circulante) C - Caixa R$ 1.000,00