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CONTABILIDADE TERCEIRO SETOR 
AQUISIÇÃO DE ATIVOS DE RENDA 
ASSOCIAÇÕES 
AUXÍLIOS 
CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DA CONTABILIDADE 
CONTAS DE COMPENSAÇÃO 
CONTAS DE CUSTOS 
CONTRATOS, CONVÊNIOS E TERMOS DE PARCERIA 
CONTRIBUIÇÕES 
COOPERATIVAS SOCIAIS 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
DEPRECIAÇÕES 
DIPJ – DCTF – DACON 
DOAÇÕES 
FORMAÇÃO DO PATRIMÔNIO SOCIAL 
FUNDAÇÕES 
GRATUIDADES 
INSS E CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS 
IPTU – IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL URBANA 
IRPJ – INCENTIVOS E BENEFÍCIOS 
ISS 
MENSALIDADES 
ORGANIZAÇÕES SOCIAIS 
PIS DEVIDO PELAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS 
PRESTAÇÃO DE CONTAS AO CNAS 
PRESTAÇÃO DE CONTAS AO MPAS 
PRESTAÇÃO DE CONTAS AO OSCIP 
PROVISÕES 
DESPESAS DE PUBLICIDADE 
REGIME DE RECONHECIMENTO – RECEITAS E DESPESAS 
RENUNCIA FISCAL 
SERVIÇOS VOLUNTÁRIOS 
SUBVENÇÕES 
SUPERÁVIT OU DÉFICIT 
O QUE É TERCEIRO SETOR 
VENDA DE BENS OU SERVIÇOS 
 
AQUISIÇÃO DE ATIVOS DE RENDA 
Os “ativos de renda” têm objetivos de gerar recursos futuros para implementação de 
atividades sociais. 
Por exemplo, a aquisição de ações para recebimento de dividendos, a compra de um 
imóvel para locação, etc. Tais ativos podem ser adquiridos ou recebidos em doação. 
Estes ativos devem ser registrados no subgrupo investimentos, para evidenciar sua 
caracterização de ativos destinados á obtenção de recursos futuros. 
Exemplo: 
Aquisição de 1.000 ações da Petrobrás S/A, no valor de R$ 10.000,00: 
D - Ações – Petrobrás S/A (Investimentos) 
C - Bancos Cta. Movimento (Ativo Circulante) 
R$ 10.000,00 
Histórico: aquisição de 1.000 ações da Petrobrás S/A, visando dividendos futuros. 
Por ocasião do anúncio da distribuição de dividendos da respectiva empresa, a entidade 
contabilizará: 
D - Dividendos a Receber (Ativo Circulante) 
C - Dividendos Recebidos (Resultado) 
E, na ocasião do crédito dos dividendos em conta bancária: 
D - Bancos Cta. Movimento (Ativo Circulante) 
C - Dividendos a Receber (Ativo Circulante) 
 
 
 
ASSOCIAÇÕES 
Associações são pessoas jurídicas formadas pela união de pessoas que se organizam 
para a realização de atividades não-econômicas, ou seja, sem finalidades lucrativas. 
Nessas entidades, o fator preponderante são as pessoas que as compõem. 
As associações, de acordo com a sua finalidade, podem ser classificadas em 3 grupos 
principais: 
1) Aquelas que têm por fim o interesse pessoal dos próprios associados, sem objetivo de 
lucro, como as sociedades recreativas ou literárias. 
2) As que têm objeto principal a realização de uma obra estranha ao interesse pessoal 
dos associados, e que fique sob a dependência da associação ou se torne dela autônoma, 
por exemplo, as associações beneficentes. Embora seus associados possam visar 
interesse pessoal, sua finalidade primordial é a de prover uma obra de caridade em 
benefício de terceiros. 
3) As associações que têm por finalidade principal ficarem subordinadas a uma obra 
dirigida autonomamente por terceiras pessoas. 
Adiante, a legislação respectiva, constante no atual Código Civil Brasileiro, 
relativamente às associações: 
CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO – LEI 10.406/2002 
Capítulo II - Das Associações 
Art. 53. Constituem-se as associações pela união de pessoas que se organizem para fins 
não econômicos. 
Parágrafo único. Não há, entre os associados, direitos e obrigações recíprocos. 
Art. 54. Sob pena de nulidade, o estatuto das associações conterá: 
I - a denominação, os fins e a sede da associação; 
II - os requisitos para a admissão, demissão e exclusão dos associados; 
III - os direitos e deveres dos associados; 
IV - as fontes de recursos para sua manutenção; 
V - o modo de constituição e funcionamento dos órgãos deliberativos e administrativos; 
VI - as condições para a alteração das disposições estatutárias e para a dissolução. 
Art. 55. Os associados devem ter iguais direitos, mas o estatuto poderá instituir 
categorias com vantagens especiais. 
Art. 56. A qualidade de associado é intransmissível, se o estatuto não dispuser o 
contrário. 
Parágrafo único. Se o associado for titular de quota ou fração ideal do patrimônio da 
associação, a transferência daquela não importará, de per si, na atribuição da 
qualidade de associado ao adquirente ou ao herdeiro, salvo disposição diversa do 
estatuto. 
Art. 57. A exclusão do associado só é admissível havendo justa causa, obedecido o 
disposto no estatuto; sendo este omisso, poderá também ocorrer se for reconhecida a 
existência de motivos graves, em deliberação fundamentada, pela maioria absoluta dos 
presentes à assembléia geral especialmente convocada para esse fim. 
Parágrafo único. Da decisão do órgão que, de conformidade com o estatuto, decretar a 
exclusão, caberá sempre recurso à assembléia geral. 
Art. 58. Nenhum associado poderá ser impedido de exercer direito ou função que lhe 
tenha sido legitimamente conferido, a não ser nos casos e pela forma previstos na lei ou 
no estatuto. 
Art. 59. Compete privativamente à assembléia geral: 
I - eleger os administradores; 
II - destituir os administradores; 
III - aprovar as contas; 
IV - alterar o estatuto. 
Parágrafo único. Para as deliberações a que se referem os incisos II e IV é exigido o 
voto concorde de dois terços dos presentes à assembléia especialmente convocada para 
esse fim, não podendo ela deliberar, em primeira convocação, sem a maioria absoluta 
dos associados, ou com menos de um terço nas convocações seguintes. 
Art. 60. A convocação da assembléia geral far-se-á na forma do estatuto, garantido a 
um quinto dos associados o direito de promovê-la. 
Art. 61. Dissolvida a associação, o remanescente do seu patrimônio líquido, depois de 
deduzidas, se for o caso, as quotas ou frações ideais referidas no parágrafo único do 
art. 56, será destinado à entidade de fins não econômicos designada no estatuto, ou, 
omisso este, por deliberação dos associados, a instituição municipal, estadual ou 
federal, de fins idênticos ou semelhantes. 
§ 1.º Por cláusula do estatuto ou, no seu silêncio, por deliberação dos associados, 
podem estes, antes da destinação do remanescente referida neste artigo, receber em 
restituição, atualizado o respectivo valor, as contribuições que tiverem prestado ao 
patrimônio da associação. 
§ 2.º Não existindo no Município, no Estado, no Distrito Federal ou no Território, em 
que a associação tiver sede, instituição nas condições indicadas neste artigo, o que 
remanescer do seu patrimônio se devolverá à Fazenda do Estado, do Distrito Federal 
ou da União. 
 
 
 
AUXÍLIOS 
Os auxílios, previstos em lei orçamentária, são destinados a despesas de capital de entes 
públicos ou de entidades privadas sem fins lucrativos. 
Por exemplo, uma entidade social recebe um auxílio monetário para destinação a 
formação de nova unidade de atendimento. 
A contabilização dos auxílios seguem a rotina das doações vinculadas. 
Exemplo: 
Auxílio recebido para a construção da sede social, no valor de R$ 100.000,00. 
1) Pelo recebimento do auxílio: 
D - Bancos Conta Movimento – Recursos com Restrições (Ativo Circulante) 
C - Auxílios Vinculados a Despesas de Capital (Passivo Circulante) 
R$ 100.000,00 
2) Pela aplicação dos recursos na sede social: 
D - (-) Doações e Auxílios Aplicados (Passivo Circulante – Conta Redutora) 
C - Bancos Conta Movimento – Recursos com Restrições (Ativo Circulante) 
R$ 100.000,00 
3) Pela prestação de contas do auxílio e respectiva aprovação do mesmo, pelo ente 
governamental: 
D - Auxílios Vinculados a Despesas de Capital (Passivo Circulante) 
C - (-) Doações e Auxílios Aplicados(Passivo Circulante – Conta Redutora) 
R$ 100.000,00 
4) Pelo registro da aplicação de capital: 
D - Edificações (Imobilizado) 
C - Subvenções, Contribuições e Auxílios (Receitas) 
R$ 100.000,00 
 
 
 
CARACTERÍSTICAS BÁSICAS DA CONTABILIDADE 
A estrutura patrimonial definida pela Lei das Sociedades por Ações (Lei 6404/1976) é a 
base da contabilidade do terceiro setor. 
Entretanto, algumas adaptações devem ser feitas e dizem respeito, principalmente, à 
nomenclatura de algumas contas a serem utilizadas. 
PATRIMÔNIO LÍQUIDO X PATRIMÔNIO SOCIAL 
O conceito básico de Patrimônio Líquido é o mesmo tanto nas empresas quanto no 
terceiro setor. 
A equação patrimonial clássica não se altera, mas os títulos sim. Ao invés de Patrimônio 
Líquido, chamar-se-á “Patrimônio Social”: 
PATRIMÔNIO SOCIAL = ATIVO - PASSIVO 
O Patrimônio Social não é composto de Capital Social, Reservas de Lucros, Reservas de 
Reavaliação e Lucros ou Prejuízos Acumulados, e sim, de contas com terminologias 
especiais. 
Subgrupo Fundo Patrimonial 
Fundo Institucional = composto dos valores de formação aportados pelos associados ou 
subscritores. 
Fundos Especiais = aqueles definidos pelo estatuto, para aplicação específica. 
Doações e Subvenções = aportes espontâneos de bens ou direitos de pessoas físicas ou 
jurídicas, especificamente com o objetivo de destiná-los ás atividades objeto da 
entidade. 
Subgrupo Superávit ou Déficit Acumulado 
Superávit do Exercício = registra a confrontação periódica de receitas x despesas, sendo 
o respectivo saldo credor transferido para esta conta, para aplicação nas atividades 
objeto da entidade. 
Déficit do Exercício = registra a confrontação periódica de receitas x despesas, sendo 
eventual saldo devedor tal é transferido para esta conta, até futura amortização pelos 
associados ou por superávits subseqüentes. 
FUNDOS ESPECIFICADOS 
A contabilidade registra os recursos recebidos para atender atividades ou projetos 
específicos de forma separada (em fundos), valendo-se das restrições impostas pelos 
doadores externos à entidade ou mesmo observando restrições impostas pelos órgãos 
diretivos da entidade. 
Na prática existirão, em uma entidade, vários tipos de "fundos" como, por exemplo, 
"Fundo para Construção de Sede Social", "Fundo para Bolsas de Estudos", "Fundo de 
Pesquisas", etc. 
OUTRAS CARACTERÍSTICAS 
Outras características distintivas da contabilidade do terceiro setor: 
1) Aplicam-se a essas entidades os Princípios Fundamentais de Contabilidade, bem com 
as Normas Brasileiras de Contabilidade e suas Interpretações Técnicas e Comunicados 
Técnicos, editados pelo Conselho Federal de Contabilidade. 
2) As entidades sem finalidade de lucro são aquelas em que o resultado positivo não é 
destinado aos detentores do patrimônio líquido e o lucro ou prejuízo são denominados, 
respectivamente, de superávit ou déficit. 
3) O valor do superávit ou déficit do exercício deve ser registrado na conta Superávit ou 
Déficit do Exercício enquanto não aprovado pela assembléia dos associados e após a 
sua aprovação, deve ser transferido para a conta Patrimônio Social. 
 
 
 
CONTAS DE COMPENSAÇÃO 
As transferências a título de subvenções, contribuições, auxílios e doações devem ser 
contabilizadas em contas de compensação, pelo valor total dos recursos recebidos, 
enquanto perdurar a responsabilidade da entidade beneficiária dos recursos. 
Isto ocorre com freqüência, pois os doadores, subscritores e contribuintes desejam que 
tais recursos sejam especificamente aplicados em determinados projetos ou condições. 
Como exemplo, a doação de material escolar, com a condição de os mesmos serem 
distribuídos gratuitamente à famílias carentes. Ou o recebimento de uma subvenção 
municipal, condicionada á execução de reformas no edifício da entidade. 
Tal aparente complexidade contábil justifica-se, na medida em que uma entidade é 
representativa da vontade de seus associados, doadores, subscritores e contribuintes, 
necessitando prestar contas de sua gestão. Obviamente, um bom plano de contas 
contábil, incluindo as contas de compensação, poderá fornecer detalhamentos 
importantes para aferir se a entidade está ou não cumprindo com seus projetos, se sua 
capacidade de gerenciamento é adequada, se possui os recursos necessários, etc. 
Desta forma, a contabilidade torna-se uma ferramenta útil e prática para análise das 
atuais e futuras obrigações vinculadas á vontade dos doadores, subscritores e 
contribuintes. 
Exemplo 1: 
Recebimento de Subscrição Federal Vinculada 
Entidade recebe R$ 15.000,00 para aplicação exclusiva em obra civil vinculada ao 
atendimento assistencial: 
1) Registro nas contas patrimoniais: 
D - Bancos Conta Movimento – Recursos com Restrições (Ativo Circulante) 
C - Recursos de Entidade Pública Nacional (Passivo Circulante) 
R$ 15.000,00 
2) Registro em contas de compensação: 
D - Obras e Edificações a Executar (Compensação Ativa) 
C - Subvenção Federal a Destinar (Compensação Passiva) 
R$ 15.000,00 
3) Pelo execução da obra civil, após a averbação da respectiva construção, reverte-se o 
lançamento das contas de compensação: 
D - Subvenção Federal a Destinar (Compensação Passiva) 
C - Obras e Edificações a Executar (Compensação Ativa) 
Exemplo 2: 
Recebimento de Doação Condicional 
Doação de R$ 20.000,00 efetuada mediante veículo, condicionada a que o mesmo 
permaneça pelo menos 3 anos no patrimônio da entidade e destinado ao transporte de 
pessoas assistidas. 
1) Registro nas contas patrimoniais: 
D - Veículos (Imobilizado) 
C - Doações e Subvenções (Patrimônio Social) 
R$ 20.000,00 
2) Registro nas contas de compensação: 
D - Bens sob Condicionalidades (Compensação Ativa) 
C - Condições de Uso – Bens (Compensação Passiva) 
R$ 20.000,00 
3) Após o cumprimento do prazo mínimo previsto (3 anos), registra-se a baixa da 
referida condição, nas contas de compensação: 
D - Condições de Uso – Bens (Compensação Passiva) 
C - Bens sob Condicionalidades (Compensação Ativa) 
R$ 20.000,00 
 
 
 
CONTAS DE CUSTOS 
A relevância da contabilidade para uma entidade do terceiro setor é proporcional ao 
nível de informações que gerar para seu público. 
Neste sentido, é recomendável que haja separação específica de despesas atividades-fim 
das atividades-meio. 
As atividades-meio estão relacionadas à administração geral da entidade ou à obtenção 
de fundos. 
As atividades-fim são aquelas para as quais a entidade existe, como assistência social, 
promoção cultural, esportiva, etc. 
A comparação entre o esforço feito pela entidade e as contribuições recebidas pela 
mesma é um importante indicador analítico. 
O termo “custos”, nesta obra, compreende todas as despesas, custos e encargos 
suportados pela entidade, independentemente de sua origem (doações, subvenções, 
serviço voluntário, etc.). 
ALOCAÇÃO DE CUSTOS INDIRETOS 
Determinados projetos têm, caracteristicamente, custos associados de forma direta e 
objetiva. Como exemplo: compra de roupas para atendimento de vítimas de enchentes. 
Entretanto, neste exemplo, haverá custos indiretos, que não se podem medir 
diretamente, e precisam ser “rateados” (distribuídos), pois não estão diretamente 
associados á atividade específica, e sim, á estrutura geral de apoio que a entidade 
mantém. 
Ainda no exemplo da distribuição de roupas, haverá custos associados à parte do tempo 
do pessoal de apoio (como motoristas) e outros custos indiretos (como a depreciação do 
veículo utilizado no transporte das roupas). 
Desta forma, a contabilidade precisa organizar uma forma regular de atribuição de tais 
custos, visando conhecer e dar a informação precisa ao público,de quanto foi 
dispendido em cada projeto (a “prestação de contas” para a sociedade). 
Em resumo: 
Cada atividade-fim desenvolvida pela entidade tem 2 tipos de custos: 
1) custos diretos – facilmente identificáveis e diretamente alocados aos projetos 
respectivos e 
2) custos indiretos – compreendendo uma gama de recursos de apoio ás atividades-fim, 
que devem ser rateadas nos projetos ou atividades de acordo com padrões lógicos e pré-
estabelecidos. 
CUSTOS DIRETOS 
A contabilização dos custos diretos da entidade é um tema simples, bastando que a 
contabilidade receba a informação adequada para proceder ao registro. 
Exemplo: 
A Fundação Cultural de Curitiba promoveu uma palestra gratuita sobre História da 
Cultura Nacional. Foram pagas despesas de reembolso de transporte e alimentação aos 
palestrantes de R$ 150,00. A contabilização ficaria: 
D - Cultura (conta de Benefícios Concedidos – Gratuidade) 
C - Caixa 
R$ 150,00 
CUSTOS INDIRETOS 
A primeira tarefa da contabilidade é determinar quais são as contas de custos indiretos, 
que devem ser rateadas entre as atividades ou projetos respectivos. 
Normalmente, são objeto de rateio: 
1) Folha de pagamento de pessoal de apoio (motoristas, manutenção, etc.) 
2) Despesas gerais (depreciação de veículos e equipamentos, telefonemas, etc.). 
Observe-se que nem todas as contas contábeis devem ser objeto de rateio, já que 
algumas despesas se caracterizam como atividades-meio e não atividades-fim. Somente 
as contas que registram despesas de atividades-fim é que são rateadas. 
Desta forma, não se rateiam despesas de publicidade, por exemplo. Mas isto não 
significa que determinado custo de publicidade não possa ser alocado diretamente a 
determinado projeto. Exemplo: desembolso de publicidade relativo á confecção de 
folhetos para uma promoção específica da entidade. 
Uma vez definido as contas que serão rateadas, deve-se procurar o padrão para rateio de 
cada grupo ou conta individualmente. 
Exemplo: 
Para as contas de despesas com veículos (combustível, depreciação de veículos, 
manutenção, etc.) pode-se fazer o rateio por Km rodado: 
Demonstrativo de Rateio - Despesas com Veículos 
Mês de: mai/04 
Conta Valor R$ 
3.8.3.01 Seguros 200,00 
3.8.3.02 Combustíveis e Lubrificantes 1.950,00 
3.8.3.03 Folha de Pagamento - Motoristas 3.500,00 
3.8.3.04 Manutenção de Veículos 750,00 
3.8.3.05 Depreciações - Veículos 500,00 
Total Custos 6.900,00 
Km total percorrida 12.000 
Custo KM 0,575 
Admitindo-se, ainda, que existem 3 atividades na respectiva entidade, que utilizaram-se 
de quilometragem dos veículos, então teremos a seguinte distribuição de custos 
indiretos, com base no Custo/Km: 
Atividade KM Custo - R$ 
Assistência Social - Idosos 2.000 1.150,00 
Administração 1.500 862,50 
Projeto Reciclagem 8.500 4.887,50 
A contabilização de tais rateios será como segue: 
1) Pela transferência dos custos indiretos de veículos, alocados á atividade de 
assistência social: 
D - Alocação de Recursos Indiretos - Atendimento a Idoso - Assistência Social 
(Resultado) 
C - (-) Transferências para Atividades (conta de transferência de custos) 
R$ 1.150,00 
2) Pela transferência dos custos indiretos de veículos, alocados á administração: 
D - Despesas de Veículos (Resultado) 
C - (-) Transferências para Atividades (conta de transferência de custos) 
R$ 862,50 
3) Pela transferência dos custos indiretos de veículos, alocados ao Projeto de 
Reciclagem: 
D - Alocação de Recursos Indiretos - Projeto de Reciclagem (Resultado) 
C - (-) Transferências para Atividades (conta de transferência de custos) 
R$ 4.887,50 
CRITÉRIOS DE RATEIO 
A seguir, uma sugestão de critérios de rateio de custos indiretos, para possível alocação 
ás atividades: 
Tipo de Custo - Alocação por 
Despesas de Veículos - Km utilizada 
Depreciações e Manutenção de Imóveis - Metragem utilizada 
Luz - Potencial de consumo de aparelhos elétricos 
Água e Despesas de Pessoal - Número de funcionários ou pessoas atendidas 
Telefone - Número de chamadas solicitadas 
Tarifas Bancárias - Volume de recursos movimentados 
Auditoria Externa - Número de lançamentos contábeis de cada projeto ou 
atividade 
Outros critérios poderão ser observados, desde que sejam relacionados ás atividades-fim 
e calculados de forma regular e consistente. Não se pode alterar o critério 
aleatoriamente, segundo ditames da administração ou conveniências específicas. 
Pode ocorrer também que determinado patrocinador de algum projeto ou atividade exija 
a alocação dos custos indiretos de forma pré-determinada, conforme convencionado 
contratualmente. Neste caso, admite-se a utilização do critério contratual, fazendo-se 
constar o procedimento em notas explicativas às demonstrações financeiras. 
 
 
 
CONTRATOS, CONVÊNIOS E TERMOS DE PARCERIA 
Contratos, convênios e termos de parceria são instrumentos jurídicos e operacionais 
utilizados pelas Entidades na consecução de seus objetivos. 
Convênio, em direito administrativo, é o acordo de cooperação e atuação 
conjunta/complementar entre órgãos públicos. Ocorre quando dois entes públicos se 
juntam na consecução de um mesmo objetivo. Eventualmente, firma-se contrato de 
convênio entre as entidades públicas e uma organização de interesse público. 
O Termo de Parceria, descrito no artigo 9° da Lei 9.790/1999, é o instrumento destinado 
à formação de vínculo de cooperação entre as partes, para o fomento e a execução das 
atividades de interesse público. São firmados entre órgãos públicos e entidades que 
possuem a qualificação de Organização da Sociedade Civil de Interesse Público. 
É relevante que o contabilista examine, nesses instrumentos, as cláusulas de prestação 
de contas e as de remuneração. 
Como tais contratos podem ser firmados tanto com entidades públicas como privadas, 
se houver remuneração, tal receita deve ser apropriada pelo regime de competência, ou 
seja, à medida da execução do respectivo contrato. 
Observe-se que os recursos totais recebidos a título de convênios, contratos e termos de 
parceria não se caracterizam como uma receita, pois sua aplicação é definida pelo 
próprio contrato, sendo uma obrigação (passivo) da entidade. 
RECURSOS DE TERCEIROS E COM RESTRIÇÕES 
Os recursos financeiros de terceiros em poder da entidade em virtude de parcerias 
devem ser depositados em contas bancárias específicas, para que não se misture com os 
recursos próprios da entidade. 
Á medida de sua liquidação, ou seja, da realização de pagamentos vinculados ao 
projeto, baixa-se na correspondente conta. 
Eventuais valores de terceiros que venham ser aplicados no mercado financeiro devem 
também ser destacados contabilmente. Os rendimentos auferidos por tais aplicações são 
recursos do projeto, salvo se, contratualmente, ficar fixado que a remuneração será 
destinada à entidade administradora. 
No plano de contas, modelo sugerido para entidades sociais, as contas do ativo que 
registram recursos disponíveis de terceiros são: 
- Bancos Conta Movimento - Recursos de Terceiros 
- Bancos Conta Movimento - Recursos com Restrições 
- Aplicações Financeiras de Liquidez Imediata - Recursos de Terceiros 
- Aplicações Financeiras de Liquidez Imediata - Recursos com Restrições 
RECEBIMENTO DE RECURSOS DE CONVÊNIOS 
Contabiliza-se a recepção de recursos para aplicação em convênios a débito da conta 
ativa e a crédito de uma conta passiva indicativa do projeto conveniado. 
Exemplo: 
1) Recebimento de R$ 50.000,00 de convênio com o governo Brasileiro: 
D - Bancos Conta Movimento - Recursos com Restrições (Ativo Circulante) 
C - Recursos de Entidade Pública Nacional (Recursos de Projetos - PassivoCirculante) 
R$ 50.000,00 
2) Por ocasião da aplicação de R$ 29.000,00 dos recursos do convênio: 
D - (-) Recursos Aplicados de Entidade Pública Nacional (conta retificadora de Projetos 
– Passivo Circulante) 
C - Bancos Conta Movimento - Recursos com Restrições (Ativo Circulante) 
R$ 29.000,00 
Pela apropriação da remuneração do convênio, fixada em 2% sobre o valor aplicado (R$ 
29.000,00 x 2% = R$ 580,00): 
a) registro da remuneração como receita na entidade: 
D - Remuneração de Convênios a Receber (Ativo Circulante) 
C - Taxas de Administração (Resultado) 
R$ 580,00 
b) pela transferência do numerário relativo à remuneração: 
D - Bancos Conta Movimento – Recursos Livres (Ativo Circulante) 
C - Bancos Conta Movimento – Recursos com Restrições (Ativo Circulante) 
R$ 580,00 
c) registro da taxa de administração como aplicação de recurso do convênio: 
D - (-) Recursos Aplicados de Entidade Pública Nacional (conta retificadora – Recursos 
de Projetos – Passivo Circulante) 
C - Remuneração de Convênios a Receber (Ativo Circulante) 
R$ 580,00 
3) Pela prestação de contas do convênio – registro dos recursos aplicados (supondo-se 
que foram aplicados somente R$ 29.000,00 no convênio e mais R$ 580,00 da taxa de 
administração): 
D - Recursos de Entidade Pública Nacional (Recursos de Projetos - Passivo Circulante) 
C - (-) Recursos Aplicados de Entidade Pública Nacional (conta retificadora de Projetos 
– Passivo Circulante) 
R$ 29.580,00 
4) Pela devolução do numerário não aplicado do convênio: 
D - Recursos de Entidade Pública Nacional (Recursos de Projetos - Passivo Circulante) 
C - Bancos Conta Movimento – Recursos com Restrições (Ativo Circulante) 
R$ 20.420,00 
Nota: Quando a prestação de contas não é imediata e o convênio contratualmente já 
houver expirado, transfere-se o compromisso de devolução do saldo dos recursos não 
aplicados da seguinte forma: 
D - Recursos de Entidade Pública Nacional (Recursos de Projetos - Passivo Circulante) 
C - Recursos de Entidade Pública Nacional (Convênios Encerrados - Passivo 
Circulante) 
Observe que os recursos que deverão ser aplicados, oriundos de um convênio, não se 
constituem em RECEITA da entidade. 
O que poderá (eventualmente) constituir receita é a respectiva taxa de administração. A 
entidade é simples depositária dos recursos, e não pode apropriar como receita recursos 
que não são seus. 
Se, no contrato de convênio, houver alguma remuneração pela gestão dos recursos, tal 
remuneração é que constituirá a receita da entidade. Se o convênio não fixar 
remuneração, nenhuma parcela do convênio será registrada como receita. Tão somente 
se trabalhará com contas ativas e passivas, encerrando-se o passivo, como o exemplo 
citado, por transferência entre contas passivas (conta original do recurso recebido do 
convênio e conta retificadora que registre sua aplicação). 
No exemplo citado, o saldo bancário de R$ 580,00, após realizados todos os 
lançamentos, constituirá recurso de livre aplicação, que poderá ser utilizado para 
pagamento de despesas próprias da entidade, ou aplicado em ativos (como aplicação 
financeira ou imobilizado). 
CONVÊNIOS DE CUSTEIO 
Se o convênio destina-se a suprir custeio comum das atividades (folha de pagamento, 
gastos administrativos, etc.), pode-se utilizar contas redutoras de despesas para 
transferir parcelas de custeio conveniadas. 
Exemplo: 
Determinado convênio permite a absorção da folha de pagamento da entidade em até R$ 
5.000,00 mensais. 
Primeiramente, contabiliza-se a folha normalmente (a débito de resultado e a crédito de 
salários e outras verbas a pagar). 
Posteriormente, faz-se a alocação de parte da folha, como aplicação de custeio - 
conforme convênio, utilizando uma conta redutora de resultado: 
D - (-) Recursos Aplicados de Entidade Pública Nacional (conta retificadora de Projetos 
– Passivo Circulante) 
C - (-) Transferências de Custeio - Convênios (Conta de Resultado) 
R$ 5.000,00 
O QUE FAZER QUANDO A PRESTAÇÃO DE CONTAS É PELO REGIME DE 
CAIXA 
Muitos convênios, por força contratual, exigem que a entidade preste contas pelo regime 
de caixa, ou seja, somente quando a despesa é paga é que ela irá compor a prestação. 
Existem convênios, por exemplo, cujo contrato exige que todos os lançamentos estejam 
comprovados com o correspondente extrato bancário, sem o que não são considerados 
como aplicados. 
Mas uma coisa é a prestação de contas, e outra é a contabilização. 
A prestação de contas, tendo base contábil (pois obviamente todas as despesas pagas já 
foram escrituradas anteriormente ou no momento da sua execução), será uma obrigação 
contratual. 
Mas a contabilidade, pelos princípios e normas de contabilidade brasileira, não poderá 
deixar de registrar os custos e despesas, mesmos aqueles que não foram pagos (como 
provisão de férias), alocando as despesas corretamente a cada projeto. 
Conclusão: nem sempre o montante da prestação de contas irá "bater" com a 
contabilidade. O erro não está na contabilidade, mas em função da sistemática 
contratual, pode ocorrer uma distorção, pela utilização do regime de caixa para 
prestação de contas. 
Então se não houver como conciliar as duas exigências, o excesso de despesas será um 
encargo da entidade, que deverá ser transferido a contas específicas. 
Exemplo: 
Em determinado projeto, a entidade apurou os seguintes valores contábeis, no primeiro 
mês de apuração de projeto específico: 
Recursos de Entidade Pública Nacional – saldo credor de R$ 100.000,00 
(-) Recursos Aplicados de Entidade Pública Nacional – saldo devedor de R$ 110.000,00 
Portanto, o saldo do projeto acusou um “déficit”, ou seja, houve mais aplicação de 
recursos do que origens, no montante de R$ 10.000,00. 
Admitindo-se ainda que estes R$ 10.000,00 correspondam a despesas contabilizadas 
pelo regime de competência (como depreciações e provisões), então temos 2 situações 
distintas: 
1. Estes recursos serão repostos pela entidade patrocinadora, pois há garantia contratual 
dos mesmos; 
2. Estes recursos não serão repostos pela entidade patrocinadora, pois a sistemática 
contratual do fechamento de contas é mensal e obriga que o excesso de despesas seja 
arcado pela entidade executora. 
Teremos a seguinte contabilização: 
1. Hipótese 1 (os recursos serão repostos pela entidade patrocinadora): 
a) Transferência do excesso de recursos aplicados, para conta do ativo: 
D - Antecipação de Recursos em Projetos e Parcerias 
C - (-) Recursos Aplicados de Entidade Pública Nacional 
R$ 10.000,00 
b) Quando por ocasião do recebimento (reembolso) das respectivas despesas: 
D - Bancos Conta Movimento – Recursos Livres 
C - Antecipação de Recursos em Projetos e Parcerias 
R$ 10.000,00 
2. Hipótese 2 (os recursos extras contabilizados não serão reembolsados pela entidade 
patrocinadora) – admitindo-se que o projeto refira-se a educação ambiental, temos que 
transferir este excesso de despesas para uma conta de resultado específica: 
D - Projeto Educação Ambiental 
C - (-) Recursos Aplicados de Entidade Pública Nacional 
R$ 10.000,00 
Por fim, quando da prestação de contas, registra-se a correspondente transferência 
relativa aos recursos aplicados, em ambas as hipóteses: 
D - Recursos de Entidade Pública Nacional 
C - (-) Recursos Aplicados de Entidade Pública Nacional 
R$ 100.000,00 
CONTRAPARTIDA DE CONVÊNIOS E CONTRATOS 
Denomina-se contrapartida o compromisso de a entidade conveniada ou contratada 
aportar recursos adicionais aos destinados pela conveniente ou contratante para atingir 
os objetivos do projeto. 
Tais recursos devem fazer parte do plano de trabalho e podem constituir-se em 
materiais, serviços, apoio ou dinheiro. Constandoesses recursos do termo celebrado 
entre as partes devem ser registrados em rubrica específica e destacados na prestação de 
contas. 
Exemplo: 
O Convênio entre a entidade Exemplo e a Conveniente Patrocinadora determina que o 
Projeto de Resgate Cultural receberá recursos de R$ 100.000,00 da Patrocinadora, 
sendo que a entidade participará com apoio de pessoal e materiais equivalentes a 20% 
do patrocínio. 
A contrapartida da entidade será registrada como segue: 
1) Pelo registro da despesa de pessoal, devidas pela entidade no Projeto: 
D - Pessoal, Encargos e Benefícios (Convênios – Resultado) R$ 16.000,00 
C - Salários a Pagar R$ 10.000,00 
C - Previdência Social Patronal R$ 3.000,00 
C - FGTS R$ 850,00 
C - Provisão para 13º Salário R$ 900,00 
C - Provisão de Férias R$ 1.250,00 
2) Pelo registro de despesas relativas ao projeto, de responsabilidade da entidade: 
D - Material de Uso e Consumo (Convênios – Resultado) 
C - Almoxarifado (Estoques – Ativo Circulante) 
R$ 4.000,00 
CONTRAPARTIDA FINANCEIRA OBRIGATÓRIA 
No caso de contrapartida financeira obrigatória, em que os recursos devem ser 
previamente depositados pela entidade receptora, pode-se efetuar a seguinte 
contabilização: 
D - Bancos Conta Movimento – Recursos com Restrições 
C - Bancos Conta Movimento – Recursos Livres 
R$ 10.000,00 
 
 
 
CONTRIBUIÇÕES 
Contribuições são as transferências derivadas da lei orçamentária e concedidas por entes 
governamentais a autarquias e fundações e a entidades sem fins lucrativos, destinadas à 
aplicação em custeio e manutenção destas, sem contrapartida direta do beneficiário dos 
recursos em bens e serviços, ou determinadas por lei especial anterior, para o 
atendimento de investimentos ou inversões financeiras. 
As transferências a título de contribuição, mesmo que não correspondam a uma 
contraprestação direta de bens ou serviços para a entidade transferidora, devem ser 
contabilizadas como receita na entidade recebedora dos recursos financeiros. 
Exemplo: 
Recepção de contribuição governamental de R$ 10.000,00 para aplicação em entidade 
social – destinadas a custeio: 
D - Bancos Conta Movimento – Recursos com Restrições (Ativo Circulante) 
C - 4.1.1.03 Subvenções e Contribuições (Resultado) 
R$ 10.000,00 
Nota: o código á frente do título da conta se refere ao plano de contas modelo de 
entidade social, em anexo á presente obra. 
Por ocasião do pagamento de despesas de custeio a que se destina a contribuição 
respectiva: 
D – conta do passivo ou da respectiva despesa 
C - Bancos Conta Movimento – Recursos com Restrições (Ativo Circulante) 
R$ (o valor pago) 
 
 
 
COOPERATIVAS SOCIAIS 
A Lei 9.867 de 10/11/1999 dispõe sobre a criação e o funcionamento de Cooperativas 
Sociais, constituídas com a finalidade de inserir as pessoas em desvantagem no mercado 
econômico, por meio do trabalho, fundamentadas no interesse geral da comunidade em 
promover a pessoa humana e a integração social dos cidadãos. 
Incluem-se entre as atividades das Cooperativas Sociais: 
1. A organização e gestão de serviços sociossanitários e educativos; 
2. O desenvolvimento de atividades agrícolas, industriais, comerciais e de serviços. 
Na denominação e razão social das entidades é obrigatório o uso da expressão 
“Cooperativa Social”, aplicando-se-lhes todas as normas relativas ao setor em que 
operarem. 
Consideram-se pessoas em desvantagem, para os efeitos da Lei 9.867/99: 
I – os deficientes físicos e sensoriais; 
II – os deficientes psíquicos e mentais, as pessoas dependentes de acompanhamento 
psiquiátrico permanente, e os egressos de hospitais psiquiátricos; 
III – os dependentes químicos; 
IV – os egressos de prisões; 
V – os condenados á penas alternativas á detenção; 
VI – Os adolescentes em idade adequada ao trabalho e situação familiar difícil do ponto 
de vista econômico, social ou afetivo. 
As cooperativas sociais organizarão seu trabalho especialmente no que diz respeito á 
instalações, horários e jornadas, de maneira a levar em conta e minimizar as 
dificuldades gerais e individuais das pessoas em desvantagem que nelas trabalharem, e 
desenvolverão e executarão programas especiais de treinamento com o objetivo de 
aumentar-lhes a produtividade e a independência econômica e social. 
A condição de pessoa em desvantagem deve ser atestada por documentação proveniente 
de órgãos da administração pública, ressalvando-se o direito á privacidade. 
O estatuto da Cooperativa Social poderá prever uma ou mais categorias de sócios 
voluntários, que lhe prestem serviços gratuitamente, e não estejam incluídos na 
definição de pessoas em desvantagem. 
 
 
DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS 
As Demonstrações Contábeis devem ser firmadas por contabilista habilitado pelo 
representante legal da entidade. 
As demonstrações contábeis que devem ser elaboradas pelas entidades sem finalidade 
de lucros são as determinadas pela NBC T 3 - Conceito, Conteúdo, Estrutura e 
Nomenclatura das Demonstrações Contábeis, e a sua divulgação pela NBC T 6 - Da 
Divulgação das Demonstrações Contábeis. 
Na aplicação das normas contábeis, em especial a NBC T 3, a conta Capital deve ser 
substituída por Patrimônio Social, integrante do grupo Patrimônio Líquido, e a conta 
Lucros ou Prejuízos Acumulados por Superávit ou Déficit do Exercício. 
FUNDAÇÕES 
Nas Fundações, a conta Capital será substituída pela conta Patrimônio Social e a conta 
Lucros ou Prejuízos Acumulados pela Conta Superávits ou Déficits Acumulados. 
A denominação da Demonstração do Resultado (item 3.3 da NBC T 3) é alterada para 
Demonstração do Superávit ou Déficit, a qual deve evidenciar a composição do 
resultado de um determinado período. Além dessa alteração, a NBC T 3 é aplicada 
substituindo a palavra resultado dos itens 3.3.2.3 d, 3.3.2.3, g e 3.3.2.3, m, pela 
expressão superávit ou déficit. 
A denominação Da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (item 3.5 da 
NBC T 3) é alterada para Demonstração das Mutações do Patrimônio Social, que deve 
evidenciar, num determinado período, a movimentação das contas que integram o seu 
patrimônio. Além dessa alteração, a NBC T 3 é aplicada com a substituição da palavras 
lucros dos itens 3.5.2.1 c, 3.5.2.1.f e 3.5.2.1.h, pela palavra superávit e a palavra 
prejuízo do item 3.5.2.1 i, pela palavra déficit. 
As Fundações estão dispensadas da elaboração da Demonstração de Lucros ou Prejuízos 
Acumulados (item 3.4), por estar incluída na Demonstração das Mutações do 
Patrimônio Social. Na Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos (item 3.6 
da NBC T 3), a palavra resultado do item 3.6.2.1, a, é substituída pela expressão 
superávit ou déficit. 
ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL DE INTERESSE PÚBLICO 
O Decreto 3.100/1999, também exige, ao tratar da prestação de contas das Organizações 
da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), as seguintes Demonstrações 
Contábeis (Art. 11, § 2º): 
§ 2o A prestação de contas será instruída com os seguintes documentos: 
I - relatório anual de execução de atividades; 
II - demonstração de resultados do exercício; 
III - balanço patrimonial; 
IV - demonstração das origens e aplicações de recursos; 
V - demonstração das mutações do patrimônio social; 
VI - notas explicativas das demonstrações contábeis, caso necessário; e 
VII - parecer e relatório de auditoria nos termos do art. 19 deste Decreto, se for o caso. 
NOTAS EXPLICATIVAS 
As notas explicativas devem ser utilizadas para aumentar o poder informativo das 
Demonstrações Contábeis. 
Essas notas devem ser consideradas como parte integrante das Demonstrações 
Contábeis, como requerido pelas Normas Brasileiras de Contabilidade. 
As demonstrações contábeis devem ser complementadaspor notas explicativas que 
contenham, pelo menos, as seguintes informações: 
a) o resumo das principais práticas contábeis; 
b) os critérios de apuração das receitas e das despesas, especialmente com gratuidades, 
doações, subvenções, contribuições e aplicações de recursos; 
c) as contribuições previdenciárias relacionadas com a atividade assistencial devem ser 
demonstradas como se a entidade não gozasse de isenção, conforme normas do Instituto 
Nacional do Seguro Social (INSS); 
d) as subvenções recebidas pela entidade, a aplicação dos recursos e as 
responsabilidades decorrentes dessas subvenções; 
e) os fundos de aplicação restrita e responsabilidades decorrentes desses fundos; 
f) evidenciação dos recursos sujeitos a restrições ou vinculações por parte do doador; 
g) eventos subseqüentes à data do encerramento do exercício que tenham, ou possam vir 
a ter efeito relevante sobre a situação financeira e os resultados futuros da entidade; 
h) as taxas de juros, as datas de vencimento e as garantias das obrigações a longo prazo; 
i) informações sobre os tipos de seguro contratados. 
Incentivos Fiscais, Subvenções, Contribuições, Auxílios e Doações Governamentais 
As notas explicativas relativas a existência de benefícios governamentais devem conter, 
no mínimo, as seguintes informações: 
a) os valores recebidos por tipo de benefício: incentivos fiscais, subvenções, 
contribuições, auxílios, perdão de empréstimos subsidiados e doações; 
b) critérios contábeis adotados, quando do registro dos benefícios recebidos; 
c) principais compromissos assumidos pela entidade por conta dos benefícios recebidos; 
d) potenciais ganhos ou perdas em decorrência do cumprimento ou descumprimento de 
compromissos de que trata esta norma; 
e) contingências relativas aos benefícios. 
ENTIDADES EDUCACIONAIS 
As entidades educacionais, além das notas explicativas, devem evidenciar a adequação 
das receitas com as despesas de pessoal, segundo parâmetros estabelecidos pela Lei das 
Diretrizes e Bases da Educação e sua regulamentação. 
ISENÇÃO DE TRIBUTOS 
As entidades beneficiadas com isenção de tributos e contribuições devem evidenciar 
suas receitas com e sem gratuidade de forma segregada, e os benefícios fiscais gozados. 
EXEMPLO DE BALANÇO PATRIMONIAL 
ATIVO 31/12/2003 31/12/2002 
CIRCULANTE 48.000,00 35.450,00 
Disponibilidades 14.550,00 10.250,00 
Caixa 1.000,00 500,00 
Bancos Conta Movimento – Recursos Livres 1.800,00 1.500,00 
Bancos Conta Movimento – Recursos de Terceiros 750,00 400,00 
Bancos Conta Movimento – Recursos com Restrições 600,00 650,00 
Aplicações Financeiras Liq. Imediata – Recursos Livres 5.000,00 4.000,00 
Aplicações Financeiras Liq. Imediata – Recursos de Terceiros 2.500,00 1.500,00 
Aplicações Financeiras Liq. Imediata – Recursos com 
Restrições 2.900,00 1.700,00 
Créditos a Receber 24.450,00 18.000,00 
Aplicações Financeiras a Prazo 18.200,00 15.000,00 
Cheques a Depositar 2.000,00 1.000,00 
Mensalidades a Receber 3.500,00 1.500,00 
Atendimentos a Receber 1.000,00 1.200,00 
(-) Provisão para Devedores Duvidosos 
 
(1.750,00) 
 
(1.600,00) 
Créditos Tributários 1.500,00 900,00 
Estoques 5.000,00 3.700,00 
Almoxarifado 1.800,00 2.200,00 
Materiais Doados a Distribuir 1.700,00 500,00 
Mercadorias e Produtos á Venda 1.500,00 1.000,00 
Adiantamentos e Gratuidades Condicionais 4.000,00 3.500,00 
Adiantamentos Salariais 1.500,00 1.200,00 
Antecipação de Recursos em Projetos 1.300,00 1.500,00 
Gratuidades Condicionais 1.200,00 800,00 
PERMANENTE 52.000,00 53.800,00 
Investimentos 18.000,00 18.000,00 
Imobilizado 30.000,00 28.000,00 
(-)Depreciação Acumulada 
 
(6.000,00) 
 
(5.000,00) 
Diferido 14.000,00 14.000,00 
(-)Amortização Acumulada 
 
(4.000,00) 
 
(1.200,00) 
TOTAL DO ATIVO 100.000,00 89.250,00 
 
PASSIVO 31/12/2003 31/12/2002 
CIRCULANTE 37.250,00 31.050,00 
Obrigações com Instituições de Crédito 3.000,00 2.650,00 
Financiamentos do Imobilizado 2.500,00 1.750,00 
Empréstimos para Capital de Trabalho 500,00 900,00 
Fornecimento de Material e Serviços 3.600,00 3.150,00 
Fornecedores 3.000,00 2.700,00 
Fretes a Pagar 600,00 450,00 
Consignações 3.050,00 3.050,00 
Previdência Social 1.400,00 1.200,00 
Imposto de Renda na Fonte 200,00 150,00 
Sindical 150,00 100,00 
Pensão Alimentícia 300,00 250,00 
Convênios 700,00 900,00 
Outras Consignações 300,00 450,00 
Obrigações Tributárias 2.600,00 2.300,00 
Previdência Social Patronal 1.400,00 1.250,00 
PIS/PASEP 600,00 550,00 
Impostos e Contribuições – Renúncia Fiscal 600,00 500,00 
Obrigações com Empregados 14.500,00 13.100,00 
Salários a Pagar 12.000,00 11.000,00 
Provisão para Férias 2.500,00 2.100,00 
Recursos de Projetos 6.000,00 3.500,00 
Recursos de Entidades 8.000,00 7.000,00 
(-) Recursos Aplicados 
 
(3.000,00) 
 
(4.500,00) 
Recursos Pendentes de Convênios Encerrados 1.000,00 1.000,00 
Antecipações de Receita 1.900,00 1.000,00 
Recebimentos Antecipados 1.900,00 1.000,00 
EXIGÍVEL A LONGO PRAZO 3.000,00 4.700,00 
Financiamentos do Imobilizado 3.000,00 4.700,00 
PATRIMÔNIO SOCIAL 59.750,00 53.500,00 
Fundo Patrimonial 56.000,00 46.500,00 
Fundo Institucional 47.000,00 40.000,00 
Fundos Especiais 7.000,00 5.000,00 
Doações e Subvenções 2.000,00 1.500,00 
Superávit ou Déficit Acumulados 3.750,00 7.000,00 
Superávit Acumulado 3.750,00 7.000,00 
TOTAL PASSIVO + PATRIMÔNIO SOCIAL 100.000,00 89.250,00 
DEMONSTRAÇÃO DO SUPERÁVIT DO EXERCÍCIO 
 2003 
 
2002 
RECEITAS ORDINÁRIAS NÃO VINCULADAS 
 
42.384,21 35.600,00 
Doações 
 
1.800,00 2.100,00 
Lucros e Dividendos Recebidos 
 
2.500,00 1.900,00 
Subvenções e Contribuições 
 
4.500,00 2.500,00 
Taxas de Administração 
 
2.500,00 1.700,00 
Mensalidades 
 
16.084,21 14.900,00 
Vendas de Bens e Serviços 
 
15.000,00 12.500,00 
CUSTOS E DESPESAS GERAIS NÃO VINCULADOS 
 (31.400,00
) (26.925,00) 
Despesas Administrativas 
 (22.450,00
) (19.450,00) 
Custo das Vendas de Bens e Serviços 
 
(8.500,00) (7.100,00) 
Despesas Tributárias das Vendas 
 
(450,00) (375,00) 
SUPERÁVIT OU DÉFICIT ORDINÁRIO NÃO 
VINCULADO 
 
10.984,21 8.675,00 
 
ATIVIDADES ORDINÁRIAS VINCULADAS 
Superávit ou Déficit de Atividade Social 
 
(2.000,00) 1.500,00 
Receitas de Atividades de Assistência Social 
 
37.000,00 29.000,00 
Despesas de Atividades de Assistência Social 
 (39.000,00
) (27.500,00) 
Superávit ou Déficit de Atividade Educacional 
 
5.000,00 4.500,00 
Receitas de Atividades Educacionais 
 
18.000,0016.000,00 
Despesas de Atividades Educacionais 
 (13.000,00
) (11.500,00) 
SUPERÁVIT ATIVIDADES ORDINÁRIAS 
VINCULADAS 
 
3.000,00 6.000,00 
Receita Financeira 
 
2.100,00 2.300,00 
Despesas Financeiras 
 
1.250,00 1.490,00 
RESULTADO FINANCEIRO 
 
850,00 810,00 
Benefícios Obtidos - Gratuidade 
 
15.000,00 16.000,00 
Benefícios Concedidos - Gratuidade 
 (25.000,00
) (22.274,47) 
VARIAÇÕES PATRIMONIAIS LÍQUIDAS 
 (10.000,00
) (6.274,47) 
Receitas na Venda do Imobilizado 
 
1.700,00 - 
Custo das Vendas do Imobilizado 
 
(1.600,00) - 
RECEITAS - DESPESAS EXTRAORDINÁRIAS 
 
100,00 - 
DÉFICIT OU SUPERÁVIT ANTES DOS TRIBUTOS 
 
4.934,21 9.210,53 
IRPJ e CSLL sobre o Superávit do Exercício 
 
(1.184,21) (2.210,53) 
SUPERÁVIT LÍQUIDO DO EXERCÍCIO 
 
3.750,00 7.000,00 
DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO SOCIAL 
Histórico e Valores R$ 
Fundo 
Patrimo
nial 
Fundo 
Instituci
onal 
Fundo
s 
Especi
ais 
Doações 
e 
Subvenç
ões 
Superá
vit 
 ou 
Déficit 
Patrimô
nio 
 
Social 
Saldo Inicial em 
31.12.2002 
46.500,0
0 
40.000,0
0 
5.000,
00 1.500,00 
7.000,0
0 
53.500,0
0 
Transferências - AGO de 
15.04.2003 
 
7.000,00 
 
7.000,00 
(7.000,
00) - 
Doações 
 
200,00 200,00 200,00 
Subvenções 
 
300,00 300,00 300,00 
Fundo para Construção de 
Sede 
 
2.000,00 
2.000,
00 2.000,00 
Superávit do Exercício - 
3.750,0
0 3.750,00 
Saldo Final em 
31.12.2003 
56.000,0
0 
47.000,0
0 
7.000,
00 2.000,00 
3.750,0
0 
59.750,0
0 
 
 
 
DEPRECIAÇÕES 
Depreciação corresponde ao encargo periódico que determinados bens sofrem, por uso, 
obsolescência ou desgaste natural. 
A taxa anual de depreciação de um bem, será fixada em função do prazo, durante o qual 
se possa esperar utilização econômica. 
A quota de depreciação a ser registrada na escrituração contábil da entidade, como custo 
ou despesa, será determinada mediante aplicação da taxa de depreciação sobre o valor 
do bem em reais. 
Observe-se que o limite de depreciação é o valor do próprio bem. Desta forma, deve-se 
manter um controle individualizado, por bem, do tipo “ficha do imobilizado” ou 
“planilha de item do imobilizado” para que o valor contabilizado da depreciação, 
somado ás quotas já registradas anteriormente, não ultrapasse o valor contábil do 
respectivo bem. 
O cálculo das quotas de depreciação de bens do ativo imobilizado será efetuado da 
seguinte forma: 
Bens já Existentes no Patrimônio no Exercício Anterior 
Para os bens já existentes no Exercício anterior, que não foram baixados no exercício, 
basta aplicar a taxa anual de depreciação sobre o respectivo valor do bem. 
Exemplo: 
Valor de Edificações da sede: R$ 105.000,00 
Taxa anual de depreciação: 4% 
Valor da Depreciação no ano: R$ 105.000,00 x 4% = R$ 4.200,00 
Valor da Depreciação mensal: R$ 4.200,00 : 12 meses = R$ 350,00 
Bens Acrescidos no Ativo Imobilizado no Período 
A quota de depreciação em reais, das aquisições ou dos valores acrescidos aos bens 
existentes, será calculada da seguinte forma: 
a) aplicar a taxa anual de depreciação sobre o valor do custo de aquisição ou acréscimo, 
obtendo a quota anual em reais; 
b) dividir a quota anual em reais por 12, para obter o valor do duodécimo mensal de 
depreciação, a ser registrado na escrituração a partir do mês de aquisição ou 
incorporação do acréscimo; 
c) no caso de bem incorporado e baixado do Ativo Imobilizado, dentro do ano-
calendário, serão apropriados os duodécimos de depreciação proporcionais ao número 
de meses que o bem permanecer incorporado ao ativo. 
Exemplo: 
Bem acrescido em 10.02.2003, no valor de R$ 21.600,00 
Taxa anual de depreciação: 10% 
Valor da depreciação anual: R$ 21.600,00 x 10% = R$ 2.160,00 
Valor da depreciação mensal: R$ 2.160,00 : 12 = R$ 180,00 
Valor da depreciação no ano de aquisição: 11 quotas x R$ 180,00 = R$ 1.980,00 
Bens Baixados no Período 
a) aplicar a taxa anual de depreciação sobre o valor do custo de aquisição ou acréscimo, 
obtendo a quota anual em reais; 
b) dividir a quota anual em reais por 12, para obter o valor do duodécimo mensal de 
depreciação, a ser registrado na escrituração a partir do mês de aquisição ou 
incorporação do acréscimo; 
c) no caso de bem baixado do Ativo Imobilizado, dentro do ano-calendário, serão 
apropriados os duodécimos de depreciação proporcionais ao número de meses que o 
bem permanecer incorporado ao ativo. 
Exemplo: 
Bem baixado em 10.07.2003, no valor original de R$ 18.000,00 
Taxa anual de depreciação: 20% 
Valor da depreciação anual: R$ 18.000,00 x 20% = R$ 3.600,00 
Valor da depreciação mensal: R$ 3.600,00 : 12 = R$ 300,00 
Valor da depreciação no ano até a data da baixa: 7 quotas x R$ 300,00 = R$ 2.100,00 
CONTABILIZAÇÃO 
O registro contábil do encargo de depreciação será feito a débito de uma conta de custo 
ou despesa operacional e a crédito da conta redutora do ativo imobilizado intitulada 
depreciação acumulada. 
Exemplo: 
Depreciação de R$ 10.000,00 de máquinas e equipamentos: 
D - Depreciação de Máquinas e Equipamentos (Resultado) 
C - (-) Depreciações e Amortizações Acumuladas (Imobilizado) 
R$ 10.000,00 
 
 
 
DIPJ - DCTF - DACON 
DIPJ - DECLARAÇÃO DE INFORMAÇÕES ECONÔMICO-FISCAIS DA 
PESSOA JURÍDICA 
A elaboração e entrega da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa 
Jurídica – DIPJ é obrigatória para todas as pessoas jurídicas de direito privado 
domiciliadas no País, registradas ou não, sejam quais forem seus fins e nacionalidade, 
incluindo as Entidades do Terceiro Setor. 
A inobservância dessa obrigação impõe restrições aos benefícios conquistados pela 
entidade, como a perda da imunidade ou da isenção, gerando passivo tributário e 
inviabilizando a continuidade da entidade. 
FORMA DE APRESENTAÇÃO 
A partir do exercício de 1999, ano-calendário de 1998, as declarações das pessoas 
jurídicas deverão ser apresentadas, exclusivamente, em meio magnético ou transmitidas 
via Internet. 
Na apresentação em meio magnético, o disquete deverá estar acompanhado do Recibo 
de Entrega da Declaração emitido pelo programa gerador da declaração e do cartão 
CNPJ. 
Na transmissão da declaração por meio da Internet, o Recibo de Recepção é emitido na 
conclusão do envio, podendo ser impresso pelo próprio contribuinte, como comprovante 
da recepção. Nenhum documento será anexado à declaração (RIR/1999, art. 809). 
PRAZO E PROGRAMA 
O prazo da apresentação é o último dia de maio de cada ano, compreendendo as 
operações do ano anterior. 
O programa DIPJ é baixado pela internet, através do site da Secretaria da Receita 
Federal www.receita.fazenda.gov.br 
DCTF - DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS 
FEDERAIS 
A Instrução Normativa SRF 695/2006 (alterada pela Instrução Normativa SRF 
730/2007) trouxe a obrigatoriedade de entrega da DCTF - Declaração de Débitos e 
Créditos Tributários Federais, para todas as entidades sociais, esportivas, etc, inclusive 
associações religiosas, mesmo que não tenham qualquer valor a declarar. 
Somente se a entidade estiver inativa (ou seja, não tiver realizado qualquer atividade 
operacional, não-operacional, financeira ou patrimonial no curso do período e 
apresentar declaração IRPJ de inativa) é que estará dispensada da entrega da DCTF.Tal obrigatoriedade vigorará a partir de 2007, sendo que deverão ser apresentados dados 
relativos relativas aos 1º e 2º semestres de 2006 excepcionalmente até 08.05.2007, 
conforme artigo 14 da IN SRF 695 (na redação dada pela IN SRF 730). 
Até a edição da IN SRF 695/2006, as pessoas jurídicas imunes e as isentas, cujo valor 
mensal de impostos e contribuições a declarar na DCTF fosse inferior a R$ 10.000,00 
(dez mil reais), não estavam obrigadas a entregar a DCTF, conforme norma anterior (IN 
SRF 583/2005). A maioria das entidades estava, assim, desobrigada da referida 
declaração. 
DACON - DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES 
SOCIAIS 
A entrega do DACON relativo a fatos geradores ocorridos a partir do primeiro trimestre 
do ano-calendário de 2005, será obrigatória para as pessoas jurídicas de direito privado 
e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, submetidas à 
apuração do PIS e da COFINS, nos regimes cumulativo e não-cumulativo, inclusive 
aquelas que apuram o PIS com base na folha de salários. 
Não estão obrigados à apresentação do DACON as pessoas jurídicas imunes e isentas 
do imposto de renda, cujo valor mensal das contribuições a serem informadas no Dacon 
seja inferior a R$ 10.000,00 (dez mil reais). 
 
 
 
DOAÇÕES 
As doações constituem-se em transferência de dinheiro ou outros ativos para uma 
entidade, ou um cancelamento de um passivo, sem a necessidade de uma contrapartida. 
Essas doações podem ser em dinheiro, gêneros alimentícios, roupas, materiais de uso e 
consumo, equipamentos ou outro ativo qualquer ou também por meio de prestação de 
serviços. 
As doações devem ser reconhecidas no recebimento efetivo. 
TIPOS DE DOAÇÕES 
1) CONDICIONAL – quando sujeita ao cumprimento de certas obrigações por parte da 
entidade donatária. 
2) INCONDICIONAL: quando o doador não impõe nenhuma condição a ser cumprida 
pela entidade. 
A utilização dessa classificação é importante para o usuário externo, devendo constar do 
Plano de Contas da entidade. 
Exemplos: 
Recebimento de material escolar, como doação, que será utilizado em programa de 
atendimento de público escolar, sendo que o doador não fixou termo condicional de 
doação: 
D – Materiais Doados a Distribuir (Estoques - Ativo Circulante) 
C – Doações Incondicionais (Receitas) 
Se o doador fixasse termo condicional de doação, para vincular que a distribuição se 
fizesse exclusivamente a pessoas de baixa renda, haveria necessidade de registros 
específicos da doação: 
1) Por ocasião da recepção da doação condicional: 
D – Materiais Doados a Distribuir (Estoques - Ativo Circulante) 
C - Doações Vinculadas a Distribuição de Materiais (Passivo Circulante) 
2) Por ocasião da efetiva distribuição dos materiais: 
a) Pela baixa dos estoques distribuídos: 
D - Atendimento a Criança (Despesa de Atividade Educacional) 
C - Materiais Doados a Distribuir (Estoques - Ativo Circulante) 
b) Pelo registro do cumprimento da doação condicional: 
D - Doações Vinculadas a Distribuição de Materiais (Passivo Circulante) 
C – Doações Condicionais (Resultado) 
Observar também a necessidade de registro da doação condicional em conta de 
compensação. Para maiores detalhes, acesse o tópico respectivo. 
DOAÇÃO DE ATIVOS PATRIMONIAIS 
Quando a doação ocorrer sob a forma de outros ativos patrimoniais não-destinados ao 
custeio, a partida do registro deverá ser efetuada, observando a conta de aplicação dos 
recursos e a contrapartida diretamente no patrimônio social da entidade. 
Exemplo: 
Veículo recebido como doação, no valor de R$ 15.000,00, para utilização nas atividades 
da entidade. O registro ocorrerá da seguinte forma: 
D – Veículos (Imobilizado) 
C – Doações e Subvenções (conta do Patrimônio Social) 
DOAÇÃO DE MATERIAIS 
Quando a doação não for em dinheiro, deve ser efetuada avaliação do bem doado pelo 
seu valor justo de mercado, menos as despesas necessárias para colocá-lo em operação 
ou à venda, e o valor obtido é o valor a ser registrado. 
A maioria das doações deste tipo que as entidades recebem são doações de gêneros 
alimentícios, roupas, livros e material escolar, para distribuição á pessoas carentes ou 
vendas em bazares. 
Exemplo: 
Entidade recebe 150 livros para distribuição á alunos carentes. Pesquisando-se nas 
livrarias da região, obteve-se o valor de mercado de R$ 15,00 por livro. Entretanto, 
haverá R$ 200,00 de despesas relativas ao frete da recepção da doação. 
Então teremos: 
Valor de mercado dos livros: 150 x R$ 15,00 = R$ 2.250,00 
Valor do frete para recepção: R$ 200,00 
Valor efetivo da doação: R$ 2.250,00 menos R$ 200,00 = R$ 2.050,00. 
Contabilização: 
D - Materiais Doados a Distribuir (Estoques – Ativo Circulante) 
C - Doações Condicionais (conta de Resultado) 
R$ 2.050,00 
O registro do frete, na recepção da doação, será: 
D - Materiais Doados a Distribuir (Estoques – Ativo Circulante) 
C – Fretes a Pagar (Passivo Circulante) 
R$ 200,00 
O frete, como um custo acessório ao principal, constitui-se elemento integrante do custo 
dos livros, a serem distribuídos. 
Por ocasião da efetivação da doação, o lançamento poderá ser como segue: 
D - 5.2.1.02 Educação (conta de Benefícios Concedidos – Gratuidade) 
C - Materiais Doados a Distribuir (Estoques – Ativo Circulante) 
R$ 2.250,00 
Nota: O número á frente do título da conta corresponde a do modelo de plano de 
contas, inserido nesta obra. 
PERDÃO DE DÍVIDA 
Quando ocorre um perdão de dívida para uma entidade social, isto se caracteriza, de 
forma indireta, como uma doação. 
Tal evento natureza exigirá uma pesquisa no registro da contrapartida da dívida, com a 
finalidade de obter informação sobre a aplicação do bem doado, se foi utilizado para 
custeio ou se para investimento. 
Uma vez determinado a aplicação é que deverá ser efetuado o registro da doação, se em 
conta de resultado ou se em conta do patrimônio social. 
Aplicação dos Recursos em Custeio 
Se os recursos da dívida perdoada foram destinados ao custeio, o registro contábil será a 
débito da conta que registra a dívida e a crédito da conta de doações. 
Exemplo: 
Entidade recebe perdão de R$ 5.000,00 de dívida de empréstimo efetuado junto a 
associados, sendo que aplicou os referidos recursos em pagamentos de salários. 
Então o registro contábil será: 
D - Empréstimos e Créditos de Associados (Passivo Circulante) 
C - Doações Incondicionais (Resultado) 
R$ 5.000,00 
Nota: Se houver qualquer condição para o perdão da dívida, o registro a crédito será 
em conta de Doações Condicionais. 
Aplicação dos Recursos em Investimentos 
Se os recursos da dívida perdoada foram destinados a formação do patrimônio social, o 
registro contábil será a débito da conta que registra a dívida e a crédito da conta de 
Doações e Subvenções (Patrimônio Social). 
Exemplo: 
Determinado credor cancela a dívida de entidade no valor de R$ 10.000,00, decorrente 
de saldo aplicado em aquisição de veículo pela respectiva entidade. Tal veículo é 
utilizado nas atividades sociais da entidade. 
O registro será: 
D - Empréstimos e Créditos de Terceiros (Passivo Circulante) 
C - Doações e Subvenções (Patrimônio Social) 
R$ 10.000,00 
DOAÇÃO CONDICIONAL 
Pelo princípio do conservadorismo, o registro de uma doação sujeita á condições 
fixadas pelo doador, só deve ser registrado pela entidade quando se completarem as 
respectivas condições. 
Num evento condicional, o registro deve ser efetuado, primeiramente, em contas de 
compensação. Após a implementação das condições fixadas, faz-se a reversão de tal 
lançamento e registra-se efetivamente a receita respectiva. 
Doação Condicional em Numerário 
Na hipótese do doador efetuar doação condicional,em dinheiro, mas sujeito á 
cumprimento de obrigações por parte da entidade, entende-se que tal registro deva ser, 
primeiramente, ser efetuado em conta passiva, até que os termos da doação sejam 
cumpridos. 
Exemplo: 
Determinado doador efetuou uma doação a uma entidade social, em dinheiro, no valor 
de R$ 15.000,00, para aplicação em projeto de construção de moradias para idosos. 
Primeiramente, a entidade, por conservadorismo, deverá registrar o recebimento do 
numerário (supondo-se que tal valor fosse recebido mediante cheque) 
D - Cheques a Depositar (Ativo Circulante) 
C - Doações Vinculadas ao Projeto de Moradias (Passivo Circulante) 
R$ 15.000,00 
Por ocasião do depósito do respectivo cheque em conta bancária: 
D - Bancos Conta Movimento – Recursos com Restrições (Ativo Circulante) 
C - Cheques a Depositar (Ativo Circulante) 
R$ 15.000,00 
Pela aplicação efetiva dos recursos no propósito do doador, ou seja, moradias a idosos, 
cada parcela aplicada será assim contabilizada 
D - Construções em Andamento (Imobilizado) 
C – Bancos Cta. Movimento – Recursos com Restrições (Ativo Circulante) 
E, simultaneamente, o mesmo valor será registrado como doação condicional, 
transferindo-se a parcela do passivo para o patrimônio social 
D - Doações Vinculadas ao Projeto de Moradias (Passivo Circulante) 
C - 2.3.1.03 - Doações e Subvenções (Patrimônio Social) 
Nota: Como a doação está vinculada á formação do patrimônio para atendimento ás 
pessoas idosas, registra-se a doação no patrimônio social, e não como receita. 
Uma doação que seja efetuada para custeio, será registrada em conta de resultado 
(Doações Condicionais). 
Doação Condicional em Bens 
Na hipótese do doador efetuar doação condicional, em bens, mas sujeito à cumprimento 
de obrigações por parte da entidade, tal registro deve ser, primeiramente, ser efetuado 
em conta de compensação, até que os termos da doação sejam cumpridos. Para maiores 
detalhes, acesse o tópico “contas de compensação”. 
Finalizando o compromisso da entidade que recebeu a doação, reverte-se o lançamento 
das contas de compensação, e registra-se o bem doado, em contrapartida à conta de 
Doações e Subvenções (Patrimônio Social). 
Exemplo: 
Um doador efetua a transferência um terreno e uma entidade social, no valor de R$ 
100.000,00. As condições da doação são a de que tal terreno seja utilizado pela entidade 
para construção de uma creche. Somente após a realização de tal construção, será 
considerado cumprido os termos da doação. 
Após a execução da obra civil, e averbação correspondente da edificação no registro de 
imóveis, a entidade registrará o cumprimento da obrigação e contabilizará a doação da 
seguinte forma: 
D – Terrenos (Imobilizado) 
C - Doações e Subvenções (Patrimônio Social) 
R$ 100.000,00 
Nota: Simultaneamente, deve-se efetuar o lançamento nas contas de compensação, 
visando baixar a obrigação. 
DOAÇÃO INCONDICIONAL DE RECEBÍVEIS 
Na hipótese da existência de promessa de doação incondicional de recebíveis, com 
regularidade, o registro deverá ser efetuado em contas a receber, obedecendo à 
periodicidade da intenção. 
O registro deve estar embasado em documento que comprove a existência da promessa 
por parte do doador de informa incondicional. Simples promessa ou compromisso 
verbal não pode ser registrada. 
Exemplo: 
Determinado testamento de doador falecido especificou que R$ 20.000,00 seriam 
doados em 10 parcelas mensais, iguais e sucessivas, de R$ 2.000,00 cada, para a 
entidade, de forma incondicional. 
1) Pelo registro da doação dos recebíveis 
D – Mensalidades a Receber (Ativo Circulante) 
C – Doações Incondicionais (Resultado) 
R$ 20.000,00 
2) Por ocasião da recepção de cada parcela (supondo-se que a mesma seja mediante 
depósito bancário na conta da entidade) 
D - Bancos Conta Movimento – Recursos Livres (Ativo Circulante) 
C - Mensalidades a Receber (Ativo Circulante) 
Nota: Não são registráveis as promessas de doações feitas em testamento enquanto o 
doador estiver vivo, pois não existe uma previsibilidade da doação. 
PROVISÃO PARA OS RECEBÍVEIS 
Nas situações de promessa de doação incondicional de recebíveis, é recomendável a 
constituição de provisão para o não-recebimento, baseada no histórico dos créditos não-
realizados como requerido na NBC T 10.19, item 2.2. Para maiores detalhes, acesse o 
tópico “Provisões”. 
 
 
 
FORMAÇÃO DO PATRIMÔNIO SOCIAL 
As doações, subvenções e contribuições patrimoniais, inclusive as arrecadadas na 
constituição da entidade, são contabilizadas no patrimônio social. 
Exemplo: 
Doação de um imóvel, no valor de R$ 100.000,00, sendo R$ 20.000,00 do valor de 
terreno e R$ 80.000,00 do valor de edificações, na constituição da entidade e para uso 
desta em seus objetivos estatutários: 
D – Terrenos (Imobilizado) R$ 20.000,00 
D – Edificações (Imobilizado) R$ 80.000,00 
C - Fundo Institucional (Patrimônio Social) R$ 100.000,00 
SEGREGAÇÃO DOS REGISTROS CONTÁBEIS 
Os registros contábeis devem evidenciar as contas de receitas e despesas, superávit ou 
déficit, de forma segregada, quando identificáveis por tipo de atividade, tais como 
educação, saúde, assistência social, técnico-científica e outras, bem como, comercial, 
industrial ou de prestação de serviços. 
 
 
 
FUNDAÇÕES 
Fundações são entes jurídicos que têm como fator preponderante o patrimônio. Este 
ganha personalidade jurídica e deverá ser administrado de modo a atingir o 
cumprimento das finalidades estipuladas pelo seu instituidor. 
A partir da vigência do Código Civil de 2002, somente podem ser constituídas 
fundações para fins religiosos, morais, culturais ou de assistência (parágrafo único do 
art. 62 – Lei 10.406/2002). 
O fator primordial da fundação é o patrimônio, sendo que este deve ser formado por 
bens livres, ou seja, legalmente disponíveis ou desonerados. Deverá ainda ser suficiente 
para a manutenção da entidade e desenvolvimento de suas finalidades estatutárias. 
Quando o patrimônio for insuficiente para a constituição da fundação, este será 
incorporado a outra fundação com finalidades estatutárias iguais ou semelhantes, a não 
ser que o instituidor tenha disposto de outra forma no ato de instituição (escritura 
pública ou testamento). 
Adiante, a legislação respectiva, constante no atual Código Civil Brasileiro, 
relativamente ás fundações: 
CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO – LEI 10.406/2002 
Capítulo III - Das Fundações 
Art. 62. Para criar uma fundação, o seu instituidor fará, por escritura pública ou 
testamento, dotação especial de bens livres, especificando o fim a que se destina, e 
declarando, se quiser, a maneira de administrá-la. 
Parágrafo único. A fundação somente poderá constituir-se para fins religiosos, morais, 
culturais ou de assistência. 
Art. 63. Quando insuficientes para constituir a fundação, os bens a ela destinados 
serão, se de outro modo não dispuser o instituidor, incorporados em outra fundação 
que se proponha a fim igual ou semelhante. 
Art. 64. Constituída a fundação por negócio jurídico entre vivos, o instituidor é 
obrigado a transferir-lhe a propriedade, ou outro direito real, sobre os bens dotados, e, 
se não o fizer, serão registrados, em nome dela, por mandado judicial. 
Art. 65. Aqueles a quem o instituidor cometer a aplicação do patrimônio, em tendo 
ciência do encargo, formularão logo, de acordo com as suas bases (art. 62), o estatuto 
da fundação projetada, submetendo-o, em seguida, à aprovação da autoridade 
competente, com recurso ao juiz. 
Parágrafo único. Se o estatuto não for elaborado no prazo assinado pelo instituidor, 
ou, não havendo prazo, em 180 (cento e oitenta) dias, a incumbência caberá ao 
Ministério Público.Art. 66. Velará pelas fundações o Ministério Público do Estado onde situadas. 
§ 1.º Se funcionarem no Distrito Federal, ou em Território, caberá o encargo ao 
Ministério Público Federal. 
§ 2.º Se estenderem a atividade por mais de um Estado, caberá o encargo, em cada um 
deles, ao respectivo Ministério Público. 
Art. 67. Para que se possa alterar o estatuto da fundação é mister que a reforma: 
I - seja deliberada por 2/3 (dois terços) dos competentes para gerir e representar a 
fundação; 
II - não contrarie ou desvirtue o fim desta; 
III - seja aprovada pelo órgão do Ministério Público, e, caso este a denegue, poderá o 
juiz supri-la, a requerimento do interessado. 
Art. 68. Quando a alteração não houver sido aprovada por votação unânime, os 
administradores da fundação, ao submeterem o estatuto ao órgão do Ministério 
Público, requererão que se dê ciência à minoria vencida para impugná-la, se quiser, 
em 10 (dez) dias. 
Art. 69. Tornando-se ilícita, impossível ou inútil a finalidade a que visa a fundação, ou 
vencido o prazo de sua existência, o órgão do Ministério Público, ou qualquer 
interessado, lhe promoverá a extinção, incorporando-se o seu patrimônio, salvo 
disposição em contrário no ato constitutivo, ou no estatuto, em outra fundação, 
designada pelo juiz, que se proponha a fim igual ou semelhante. 
 
 
 
GRATUIDADES 
Uma das finalidades de boa parte dos esforços das entidades do terceiro setor, 
especialmente as que dão assistência social, é oferecer serviços de forma gratuita. 
Chama-se “gratuidades” a tais esforços, devendo os valores desembolsados serem 
registrados contabilmente, por exigência das Normas Brasileiras de Contabilidade e dos 
órgãos de controle (MPAS e SRF). 
Como exemplo, as entidades educacionais que cedem bolsas de estudos a alunos 
carentes, devem demonstrar, para fins de isenção parcial do INSS, a proporção entre o 
total das gratuidades e o total da receita bruta (art. 207 do Regulamento da Previdência 
Social). Para maiores detalhamentos, acesse o tópico INSS e Contribuições Sociais. 
Vamos aos exemplos de contabilização de gratuidades. 
1) Doação de bolsas de estudos próprias: 
Uma entidade educacional doa 10 bolsas de estudos para crianças carentes. O custo de 
cada bolsa é de R$ 500,00 cada. Desta forma, teremos a seguinte contabilização mensal: 
D - Educação (Benefícios Concedidos – Gratuidade – conta de Resultado) 
C - Atendimento à Criança (Receita de Atividade Educacional – conta de Resultado) 
R$ 5.000,00 
2) Doação de mercadorias: 
Entidade de assistência a idosos distribui agasalhos e alimentos, no valor de R$ 
10.000,00: 
D - Assistência Social (Benefícios Concedidos – Gratuidade – conta de Resultado) 
C - Mercadorias e Produtos para Distribuição (Estoques – Ativo Circulante) 
R$ 10.000,00 
3) Serviços de terceiros com reembolso parcial dos beneficiários: 
Entidade assistencial de saúde efetua prestação de consultas médicas e análises clínicas 
à população de baixa renda, no valor de R$ 1.000,00, sendo reembolsáveis 10% deste 
valor pelos usuários: 
a) Pelo registro do atendimento realizado: 
D - Assistência à Saúde (Benefícios Proporcional – Gratuidade - conta de Resultado) R$ 
900,00 
D - Atendimentos a Receber (Ativo Circulante) R$ 100,00 
C - Contas a Pagar (Passivo Circulante) R$ 1.000,00 
b) Pelo recebimento da parcela não subsidiada aos beneficiários: 
D - Caixa (Ativo Circulante) 
C - Atendimentos a Receber (Ativo Circulante) 
R$ 100,00 
c) Pelo pagamento dos serviços prestados: 
D - Contas a Pagar (Passivo Circulante) 
C - Bancos Conta Movimento – Recursos Livres (Ativo Circulante) 
R$ 1.000,00 
GRATUIDADES CONDICIONAIS 
Pode ocorrer que a gratuidade concedida exija algum requisito do beneficiário (como 
aproveitamento mínimo escolar, para bolsa de estudos). 
Neste caso, o registro da gratuidade será em conta de ativo, e a despesa registrada só 
deverá ocorrer quando a exigência for satisfeita. 
Exemplo: 
Concessão de bolsa de estudo a um adolescente, no valor de R$ 500,00 mensais, 
condicionada à que o aluno obtenha freqüência e aproveitamento mínimo determinados 
ao final de cada bimestre. 
a) Registro no primeiro mês, da gratuidade condicional: 
D - Gratuidades Condicionais (Ativo Circulante) 
C - Atendimento ao Adolescente (Resultado) 
R$ 500,00 
b) Cumprimento da condição de gratuidade, verificada no segundo mês: 
D - Educação (Benefícios Concedidos – Gratuidade – Resultado) 
C - Gratuidades Condicionais (Ativo Circulante) 
R$ 500,00 
c) Lançamento da gratuidade do segundo mês, cuja condição já esteja cumprida: 
D - Educação (Benefícios Concedidos – Gratuidade – Resultado) 
C - Atendimento ao Adolescente (Resultado) 
R$ 500,00 
Na hipótese de o aluno não cumprir a exigência contratual fixada para a bolsa de estudo, 
deverá reembolsar a entidade. No recebimento, se contabilizará: 
D - Caixa ou Bancos Cta. Movimento (Ativo Circulante) 
C - Gratuidades Condicionais (Ativo Circulante) 
R$ 500,00 
Caso houver inadimplência por parte do beneficiário, é prudente constituir provisão para 
créditos duvidosos. Consulte o tópico “Provisões de Recebíveis”. 
DESCONTOS FINANCEIROS 
Não se deve confundir a concessão de uma gratuidade com desconto de valor (por 
pagamento pontual, por exemplo). 
Quando a entidade conceder algum desconto de mensalidades, trata-se de despesa 
financeira, e não de concessão de gratuidade. 
Observe que na gratuidade não está presente a possibilidade de realização financeira do 
direito enquanto que na redução do débito ao devedor, pela concessão do desconto 
financeiro, essa possibilidade existia. 
Exemplo: 
Determinada entidade de saúde aprovou a concessão de um desconto de 40% para o 
débitos de R$ 1.000,00 em mensalidades, recebendo o restante em dinheiro: 
D - Juros e Descontos Concedidos (Resultado) R$ 400,00 
D - Caixa (Ativo Circulante) R$ 600,00 
C - Mensalidades a Receber (Ativo Circulante) R$ 1.000,00 
 
 
 
INSS E CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS 
Fica isenta das contribuições ao INSS (parte patronal), bem como das contribuições 
provenientes do faturamento e do lucro, destinadas à seguridade social, a pessoa jurídica 
de direito privado beneficente de assistência social que atenda, cumulativamente, aos 
seguintes requisitos: 
I - seja reconhecida como de utilidade pública federal; 
II - seja reconhecida como de utilidade pública pelo respectivo Estado, Distrito Federal 
ou Município onde se encontre a sua sede; 
III - seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência 
Social fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três 
anos; 
IV - promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a 
pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de 
deficiência; 
V - aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e 
desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando, anualmente, relatório 
circunstanciado de suas atividades ao Instituto Nacional do Seguro Social; e 
VI - não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores, benfeitores, ou 
equivalentes, remuneração, vantagens ou benefícios, por qualquer forma ou título, em 
razão das competências, funções ou atividades que lhes são atribuídas pelo respectivo 
estatuto social. 
VII - esteja em situação regular em relação às contribuições sociais. 
PLANO DE AÇÃO 
A pessoa jurídica beneficiária da isenção deverá apresentar, até 31 de janeiro de cada 
ano, plano de ação das atividades a serem desenvolvidas durante o ano em curso. 
FOLHA DE PAGAMENTO, GRATUIDADES E DESTAQUE DA ISENÇÃO 
A entidade isenta deve manter as folhasde pagamento relativas ao período, bem como 
os respectivos documentos de arrecadação que comprovem o recolhimento das 
contribuições ao Instituto Nacional do Seguro Social, além de outros documentos que 
possam vir a ser solicitados pela fiscalização do Instituto. 
Outrossim, deve também, registrar na sua contabilidade, de forma discriminada, os 
valores aplicados em gratuidade, bem como o valor correspondente à isenção das 
contribuições previdenciárias a que fizer jus. Para maiores detalhamentos de tal 
contabilização, acesse os tópicos “Gratuidades” e “Obtenção de Renúncia Fiscal”. 
PLANO DE CONTAS 
O Ministério da Previdência e Assistência Social poderá determinar à pessoa jurídica de 
direito privado isenta das contribuições sociais que obedeça a plano de contas 
padronizado segundo critérios por ele definidos, aos princípios fundamentais de 
contabilidade e às normas emanadas do Conselho Federal de Contabilidade. 
PLACA INDICATIVA 
A pessoa jurídica de direito privado que se enquadre na isenção das contribuições 
patronais deverá manter, em seu estabelecimento, em local visível ao público, placa 
indicativa da respectiva disponibilidade de serviços gratuitos de assistência social, 
educacionais ou de saúde a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, 
idosos e portadores de deficiência, indicando tratar-se de pessoa jurídica de direito 
privado abrangida pela isenção de contribuições sociais, segundo modelo estabelecido 
pelo Ministério da Previdência e Assistência Social. 
RELATÓRIO DE ATIVIDADES 
De acordo com o art. 209 do Decreto n° 3.048/1999, a entidade que for beneficiada com 
a isenção da contribuição patronal é obrigada a apresentar, anualmente, até o dia 30 de 
abril, relatório circunstanciado de suas atividades no exercício anterior. Para maiores 
detalhes, acesse o tópico Prestação de Contas ao MPAS. 
ENTIDADES QUE REALIZAM CESSÃO DE MÃO DE OBRA 
Somente poderão realizar cessão de mão-de-obra, sem perder a isenção prevista no art. 
55 da Lei nº 8.212/91, as entidades que atendam dois critérios, a saber: 
1. caráter acidental da cessão onerosa de mão-de-obra em face das atividades 
desenvolvidas pela entidade beneficente; e 
2. mínima representatividade quantitativa de empregados cedidos em relação ao número 
de empregados da entidade beneficente. 
As entidades que fazem cessão de mão-de-obra sem atentar para um destes dois 
critérios, violam a exigência do inciso III do art. 55 da Lei nº 8.212/91 e não fazem jus à 
correspondente isenção. 
A conclusão acima é decorrente do PARECER/CJ INSS Nº 3.272 - DOU DE 
21/07/2004, cuja íntegra é transcrito na presente obra, em arquivo próprio. 
PARCELAMENTO DE DÉBITOS – INSS 
A IN MPS/SRP Nº 17/2006 dispõe sobre o parcelamento de débitos de entidades sem 
fins econômicos, portadoras do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência 
Social, concedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, nos termos do §. 12 do 
art. 4º da Lei nº 11.345, de 14 de setembro de 2006. 
 
 
 
IPTU – IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL URBANA 
O IPTU é de competência municipal (Art. 156, I, CF), e tendo como fato gerador a 
propriedade, o domínio útil ou a posse de bem imóvel por natureza ou por acessão 
física, como definido na lei civil, localizado na zona urbana do município. 
O Código Tributário Nacional - CTN, em seu artigo 9º, inciso IV, alínea “c”, dispõe que 
é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios cobrar imposto 
sobre o patrimônio, a renda ou serviços das instituições de educação e de assistência 
social, sem fins lucrativos, observados os requisitos legais. 
Entretanto, o STJ, no Processo Resp. 782305, entendeu que somente o patrimônio 
vinculado ao fim de instituição de ensino e assistência beneficia-se da imunidade, isso 
porque as atividades interessam diretamente ao Estado. Desta forma, imóveis fechados, 
sem uso, não estariam compreendidos na vedação de cobrança do IPTU, por parte dos 
municípios. 
 
 
 
IRPJ - INCENTIVOS E BENEFÍCIOS 
Os benefícios tributários dos investidores no terceiro setor pode ser resumida em duas 
grandes linhas fiscais: 
1) os incentivos aos patrocinadores e 
2) os benefícios para as entidades. 
INCENTIVOS AOS PATROCINADORES 
PROJETOS CULTURAIS INCENTIVADOS 
Cabe fruição do incentivo fiscal de dedução do Imposto de Renda devido por pessoas 
jurídicas, tributadas com base no lucro real, que efetuarem doações ou patrocínios em 
favor de projetos culturais. Base: Lei 8.313/91. 
As doações e os patrocínios em favor de projetos culturais somente poderão ser objeto 
do incentivo fiscal se o projeto houver sido aprovado pelo Ministério da Cultura 
(MinC). 
As regras sobre elaboração, formalização, apresentação e análise de projetos culturais 
constam da Portaria MinC 46/98, com as alterações efetuadas pelas Portarias MinC 
180/98 e 365/98. 
Nota: devem ser observadas as normas da Portaria MinC 118/2000 que aprovou o 
Termo de Compromisso para captação de recursos e execução de projetos, e da 
Instrução Normativa MinC 1/2000, que estabeleceu a obrigatoriedade de 
acompanhamento da execução dos projetos por auditores externos independentes. 
CONCEITO DE DOAÇÕES E DE PATROCÍNIOS 
Considera-se doação: 
A transferência gratuita, em caráter definitivo, à pessoa física ou à pessoa jurídica de 
natureza cultural, sem fins lucrativos, de numerário, bens ou serviços para realização de 
projetos culturais, vedado o uso de publicidade paga para a divulgação desse ato, 
observando-se que se equiparam a doações: 
1) as despesas efetuadas por pessoas físicas ou jurídicas com o objetivo de conservar, 
preservar ou restaurar bens de sua propriedade ou sob sua posse legítima, tombados 
pelo Governo Federal, desde que atendidos os requisitos correspondentes. 
2) a distribuição gratuita de ingressos para eventos de caráter artístico-cultural efetuada 
por pessoas jurídicas a seus empregados e dependentes legais; 
Considera-se patrocínio: 
1) a transferência gratuita, em caráter definitivo, à pessoa física ou jurídica de natureza 
cultural com ou sem fins lucrativos, de numerário para a realização de projetos 
culturais, com finalidade promocional e institucional de publicidade; 
2) a cobertura de gastos ou a utilização de bens móveis ou imóveis, do patrimônio do 
patrocinador, sem a transferência de domínio, para a realização de projetos culturais por 
pessoa física ou jurídica de natureza cultural, com ou sem fins lucrativos. 
Nota: Constitui infração o recebimento, pelo patrocinador, de qualquer vantagem 
financeira ou material em decorrência do patrocínio que efetuar. 
DISPÊNDIOS QUE PODEM SER OBJETO DO INCENTIVO FISCAL 
Podem ser objeto do incentivo fiscal: 
a) os recursos financeiros correspondentes a doações ou patrocínios depositados em 
conta corrente mantida especialmente para este fim e de movimentação exclusiva do 
responsável pelo projeto cultural, em estabelecimento bancário de sua livre escolha; 
b) as doações ou os patrocínios realizados sob a forma de prestação de serviços ou de 
fornecimento de material de consumo, previstos como itens de despesa nos respectivos 
projetos culturais, observados os preços praticados no merca¬do; 
c) o valor de bens móveis ou imóveis doados, observadas as normas mencionadas 
adiante; 
d) as despesas realizadas pelo proprietário ou titular da posse legítima de bens tombados 
pelo Governo Federal, objetivando sua conservação, preservação ou restauração, desde 
que observados os seguinte requisitos: 
1) preliminar definição, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional 
(IPHANI), das normas e dos critérios técnicos que deverão reger os projetos e os 
orçamentos; 
2) aprovaçãoprévia, pelo IPHAN, dos projetos e dos respectivos orçamentos de 
execução de obras; 
3) posterior certificação, pelo IPHAN, das despesas efetivamente realizadas e da 
circunstância de terem sido as obras executadas de acordo com os projetos aprovados; 
e) o custo de cessão de uso de bens móveis ou imóveis de propriedade do patrocinador, 
cedidos ao responsável pela execução do projeto cultural, observado que: 
1) o custo de cessão de uso de bens móveis ou imóveis será calculado com base no 
preço de mercado que o proprietário deixar de receber durante o período de cessão do 
bem; 
2) havendo dúvida quanto ao valor declarado, a Secretaria de Apoio á Cultura e a 
Secretaria da Receita Federal (SRF) poderão solicitar ao doador ou patrocinador laudo 
técnico de avaliação, assinado por três peritos; 
f) as doações em espécie ao Fundo Nacional da Cultura (FNC), desde que comprovadas 
por meio de recibo de depósito bancário e de declaração de recebimento firmada pelo 
donatário; 
g) as despesas realizadas por pessoas jurídicas na aquisição de ingressos para eventos de 
caráter cultural ou artístico, para doação a seus empregados e dependentes legais, 
devidamente representados pelas respectivas organizações de trabalhadores na empresa, 
desde que sejam objeto de acordo firmado entre as partes e aprovado pelo Ministério da 
Cultura. 
Bases: art. 91 e 477 do RIR/99; § 42 do art. 18 do Decreto 1.494/95; e art. 32 e §§ 12 e 
22 do art. 40 da Instrução Normativa Conjunta da Secretária Executiva do Ministério da 
Cultura e do Secretário da Receita Federal 1/95. 
APROVEITAMENTO DO INCENTIVO FISCAL 
LIMITE DE DEDUÇÃO 
A dedução do incentivo referente a doações e patrocínios culturais é limitada a 4% 
(quatro por cento) do imposto normal devido (sem a inclusão do adicional do imposto), 
dele excluído o eventual valor do imposto incidente sobre a parcela do lucro real 
correspondente a lucros, rendimentos e ganhos de capital. 
PESSOA JURÍDICA DOADORA OU PATROCINADORA 
O art. 10 da Lei 9.532/97 dispõe que: 
“do imposto apurado com base no lucro arbitrado ou no lucro presumido não será 
permitida qualquer dedução a título de incentivo fiscal”, 
O que significa que somente as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real 
podem usufruir do incentivo fiscal de que trata este texto. 
Assim, observado o limite indicado anteriormente, as pessoas jurídicas tributadas com 
base no lucro real podem deduzir diretamente do Imposto de Renda devido importância 
correspondente a até: 
40% do valor das doações e 
30% do valor dos patrocínios realizados no período de apuração do imposto, em favor 
de projetos culturais previamente aprovados pelo Ministério da Cultura. 
DOAÇÕES POR PESSOAS FÍSICAS 
A pessoa física pode deduzir do IR os pagamentos referentes à Incentivo à Cultura - 
tanto mediante contribuições ao Fundo Nacional de Cultura (FNC), na forma de 
doações, como mediante contribuições diretas em favor de projetos: 
a) culturais disciplinados pelo Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac): 
Valor efetivo das doações e patrocínios, na hipótese de produção cultural nos segmentos 
de artes cênicas; livros de valor artístico, literário ou humanístico; música erudita ou 
instrumental; exposições de artes visuais; doações de acervos para bibliotecas públicas, 
museus, arquivos públicos e cinematecas, bem assim treinamento de pessoal e aquisição 
de equipamentos para a manutenção desses acervos; produção de obras 
cinematográficas e videofonográficas de curta e média metragem e preservação e 
difusão do acervo audiovisual; e preservação do patrimônio cultural material e 
imaterial; 
80% das doações e 60% dos patrocínios relativos aos demais projetos culturais 
aprovados na forma da regulamentação do Pronac; 
b) de produção de obras cinematográficas e videofonográficas brasileiras de longa, 
média e curta metragens de produção independente, de co-produção de obras 
cinematográficas e videofonográficas brasileiras de produção independente, de 
telefilmes, minisséries, documentais, ficcionais, animações e de programas de televisão 
de caráter educativo e cultural, brasileiros de produção independente, aprovados pela 
Ancine, nos termos do § 6º do art. 39 da Medida Provisória nº 2.228-1, de 2001, desde 
que produzidos com os recursos de que trata o inciso X desse mesmo artigo. 
A dedução está condicionada a que os projetos tenham sido previamente aprovados pelo 
Ministério da Cultura ou pela Agência Nacional do Cinema (Ancine). 
Atenção: 
O somatório das deduções do imposto (Incentivos á Cultura + Audiovisual + Doações 
aos Fundos da Criança e Adolescente) está limitado a 6% do imposto devido apurado na 
declaração de ajuste. 
ATIVIDADE AUDIOVISUAL 
Até o ano calendário de 2006, inclusive, as pessoas jurídicas terão incentivos na área do 
Imposto de Renda caso efetuarem investimentos em: 
I - de produção independente de obras audiovisuais cinematográficas brasileiras de que 
trata o caput do art. 1º da Lei nº 8.685, de 1993; 
II - específicos da área audiovisual, cinematográfica de exibição, distribuição e infra-
estrutura técnica apresentados por empresa brasileira, previstos no § 5º da art. 1º da Lei 
nº 8.685, de 1993; 
III - de produção de obras cinematográficas e videofonográficas brasileiras de longa, 
média e curta metragens de produção independente, de co-produção de obras 
cinematográficas e videofonográficas brasileiras de produção independente, de 
telefilmes, minisséries, documentais, ficcionais, animações e de programas de televisão 
de caráter educativo e cultural, brasileiros de produção independente, nos termos do § 6º 
do art. 39 da Medida Provisória nº 2.228-1, de 2001, desde que produzidos com os 
recursos de que trata o inciso X desse mesmo artigo 39. 
As deduções previstas no art. 1º da Lei nº 8.685, de 1993, ficam prorrogadas até o 
exercício de 2006, inclusive, devendo os projetos a serem beneficiados por estes 
incentivos ser previamente aprovados pela Agência Nacional do Cinema - ANCINE - 
art. 50 da MP 2228-1/2001. 
Os investimentos decorrentes de aplicações de que tratam os itens I e II anteriores, 
embora não contabilizados em despesas, e sim em conta patrimonial, podem reduzir o 
lucro real do período-base em que for efetuado o investimento, mediante exclusão, em 
seu valor integral. 
Observação: 
Os investimentos nos projetos de que trata o item III anterior não poderão ser excluídos 
do lucro líquido para fins de determinação do lucro real, conforme art. 28, parágrafo 3 
da IN SRF 267/2002. 
REDUÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA 
Além do incentivo de exclusão do lucro líquido, relativo aos dispêndios tratados nos 
itens I e II anteriores, ainda é possível a redução do Imposto de Renda, conforme 
analisado mais adiante. 
Os valores aplicados nos investimentos poderão ser deduzidos em até 3% (três por 
cento) (era de 1% até 15.08.1996) do imposto devido (Lei 8.685/93, art. 1°, §§ 2° e 3°, 
Lei 9.323/96, art. 1°). 
A dedução é restrita a investimentos: 
 em projetos aprovados previamente pelo Ministério da Cultura (MinC); 
 efetuados mediante aquisição de quotas representativas dos direitos de 
comercialização das respectivas obras audiovisuais, caracterizadas por 
Certificados de Investimento emitidos de acordo com as normas baixadas pela 
Comissão de Valores Mobiliários (CVM). 
APROVEITAMENTO DO INCENTIVO 
Pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real trimestral 
As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real apurado trimestralmente só 
podem deduzir o incentivo do valor do imposto devido no trimestre em que os 
investimentos forem efetuados, observado, ainda, o limite de 3% do imposto normal 
devido (sem a inclusão do adicional do imposto),dele excluído o eventual valor do 
imposto incidente sobre a parcela do lucro real correspondente a lucros, rendimentos e 
ganhos de capital auferidos no exterior. 
Pessoas jurídicas optantes pela estimativa mensal 
Respeitado o limite, as pessoas jurídicas optantes pelo pagamento mensal do imposto 
por estimativa e, consequentemente, pela apuração do lucro real anual podem deduzir o 
incentivo do imposto devido no mês em que os investimentos forem feitos. 
Observações: 
1) a parcela do investimento que exceder ao limite mensal de dedução poderá ser 
deduzida do imposto devido nos meses subseqüentes, até dezembro do mesmo ano, 
observado o limite legal; 
2) do imposto calculado com base no lucro real anual será deduzido o valor dos 
investimentos feitos durante o ano-calendário e a eventual parcela excedente não poderá 
ser deduzida do imposto devido em períodos posteriores; e 
3) se o valor do incentivo deduzido do imposto mensal estimado for superior ao 
calculado com base no imposto devido sobre o lucro real anual, a diferença deverá ser 
paga no prazo fixado para o pagamento do saldo do imposto apurado no ano. 
Bases: art. 486 do 818/99 e § 39 do art. 2 da Instrução Normativa SRF 56/94, com a 
redação dada pelo art. 1 da Instrução Normativa SRF 62/95 
LIMITE DE DEDUÇÃO 
A dedução do incentivo relativo a investimentos em atividades audiovisuais é limitada a 
3% do imposto normal devido (sem a inclusão do adicional do imposto), dele excluído o 
eventual valor do imposto incidente sobre a parcela do lucro real correspondente a 
lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior. 
Além disso, a dedução desse incentivo em conjunto com a dedução do incentivo 
relativo a Operações de Caráter Cultural e Artístico não poderá exceder a 4% do 
imposto normal devido (respeitado o limite específico de 3% para o incentivo referente 
a investimentos em atividades audiovisuais). 
Bases: § 11 do art. 394 e art. 486 e 543 do RIR/99 
Exemplo: 
Contribuinte optante pelo pagamento do Imposto de Renda mensal por estimativa 
apresente os seguintes dados correspondentes ao mês de março/2001: 
Imposto normal - R$ 52.500,00 
(+) Adicional do IR - R$ 23.000,00 
(=) Total do IR devido no mês - R$ 75.500,00 
Se considerarmos que, nesse mesmo mês, a empresa adquiriu Certificado de 
Investimento em projeto audiovisual no valor total de R$ 10.000,00, atendendo as 
demais normas legais: 
a) o limite de dedução do incentivo no mês seria de R$ 1.575,00 (3% de R$ 52.500,00, 
que é o imposto normal devido); 
b) restaria um excedente dedutível nos meses seguintes, até dezembro/2001 (observado 
o limite de 3% do imposto normal devido em cada mês), no valor de R$ 8.425,00, que é 
a diferença entre o valor do Certificado de Investimento (R$ 10.000,00) e o limite 
deduzido em março (R$ 1.575,00), supondo ainda que não exista excesso do incentivo 
relativo a meses anteriores. 
Exclusão, na apuração do lucro real, do valor total aplicado 
Sem prejuízo da dedução do incentivo diretamente do imposto devido, segundo as 
regras já focalizadas, o valor total aplicado pela empresa no investimento em projeto 
audiovisual poderá ser abatido como despesa operacional. 
Mas, como o valor aplicado deve ser registrado contabilmente em conta do Ativo 
Permanente (Investimentos) e não em conta de despesa operacional, a dedução será feita 
mediante ajuste ao lucro líquido, na determinação do lucro real (exclusão do lucro 
líquido, na parte ‘A” do Lalur, no período de apuração em que ocorrer o desembolso). 
Base: art. 372 do RIR/99 
DEPÓSITO EM CONTA ESPECIAL 
Os recursos destinados aos projetos vinculados á emissão de Certificados de 
Investimento deverão ser depositados em contas especiais de aplicação financeira no 
Banco do Brasil, pela instituição financeira interveniente, em nome do produtor, para 
cada projeto. 
A movimentação da conta sujeitar-se-á à prévia comprovação, perante o Ministério da 
Cultura, de que se destina a investimentos em projetos de produção de obras 
audiovisuais cinematográficas brasileiras de produção independente. 
Os rendimentos decorrentes desses depósitos estão sujeitos à tributação na fonte 
segundo as regras previstas para a tributação de rendimentos de aplicações financeiras 
de renda fixa. 
Notas: 
1) Os investimentos não poderão ser utilizados na produção de obras audiovisuais de 
natureza publicitária. 
2) As pessoas jurídicas receptoras do investimento deverão manter escrituração 
contábil destacada para cada projeto. 
AQUISIÇÃO DE QUOTAS DOS FUNCINE 
Como alternativa ao incentivo tratado anteriormente, as pessoas jurídicas tributadas pelo 
Lucro Real, que adquirirem quotas dos FUNCINES, poderão usufruir dos seguintes 
incentivos fiscais: 
1) Exclusão do Lucro Líquido: 
O valor do investimento pode ser, mediante exclusão, deduzido da base de cálculo do 
IRPJ e da CSLL, sendo: 
100% nos anos-calendário de 2002 a 2005; 
50% nos anos-calendário de 2006 a 2008; e 
25% nos anos calendários de 2009 e 2010. 
2) Dedução do imposto de renda devido: 
Sobre o valor das quantias dispendidas com a aquisição das cotas a pessoa jurídica, 
tributada com base no lucro real, aplicará o percentual resultante da soma das alíquotas 
do IRPJ e da CSLL devidos, inclusive adicional, encontrando a parcela a ser deduzida 
do imposto de renda devido no período de apuração, trimestral ou anual. 
A redução está limitada a 3% do imposto devido. 
Quando a empresa utilizar também outros incentivos fiscais de dedução do imposto, 
deverá observar os limites globais de dedução. Ver tópico próprio no presente trabalho, 
contendo Quadro Resumo dos Limites individuais e globais para cada incentivo de 
dedução do imposto devido. 
3) Perdas na alienação do investimento: 
A perda apurada na alienação das quotas dos FUNCINES será sempre indedutível na 
apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro 
Líquido - CSLL. 
DOAÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS 
As pessoas físicas poderão deduzir do imposto de renda devido os pagamentos 
efetuados a título de investimentos, por meio de aquisição de quotas representativas de 
direitos de comercialização, caracterizadas por Certificados de Investimentos, feitos em 
projetos: 
a) de produção independente de obras audiovisuais cinematográficas brasileiras; 
b) específicos da área audiovisual, cinematográfica de exibição, distribuição e infra-
estrutura técnica, apresentados por empresa brasileira; 
c) de produção de obras cinematográficas e videofonográficas brasileiras de longa, 
média e curta metragens de produção independente, de co-produção de obras 
cinematográficas e videofonográficas brasileiras de produção independente, de 
telefilmes, minisséries, documentais, ficcionais, animações e de programas de televisão 
de caráter educativo e cultural, brasileiros de produção independente, nos termos do § 6º 
do art. 39 da Medida Provisória nº 2.228-1, de 6 de agosto de 2001, desde que 
produzidos com os recursos de que trata o inciso X desse mesmo artigo. 
A dedução está condicionada a que: 
1) Os investimentos sejam realizados no mercado de capitais em ativos previstos em lei 
e autorizados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM); e 
2) Os projetos tenham sido previamente aprovados pela Ancine. 
Atenção: 
O somatório das deduções do imposto (Incentivos á Cultura + Audiovisual + Doações 
aos Fundos da Criança e Adolescente) está limitado a 6% do imposto devido apurado na 
declaração de ajuste. 
MANUTENÇÃO DE REGISTROS E DE DOCUMENTOS PELAS EMPRESAS 
BENEFICIÁRIAS 
As empresas receptoras dos recursos oriundos dos incentivos fiscais focalizados neste 
texto deverão manter todos os registros e os documentosrelativos aos projetos, bem 
como o livro de registro de transferência dos Certificados de Investimento, pelo prazo 
de 5 anos, a contar da data fixada para a conclusão do projeto. 
DOAÇÕES AOS CONSELHOS DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO 
ADOLESCENTE 
As doações aos Conselhos Municipais, Estaduais ou Nacionais dos Direitos da Criança 
e do Adolescente, em bens ou em dinheiro não são dedutíveis para fins de apuração do 
lucro real, embora possam reduzir o imposto devido. 
As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real podem deduzir do imposto 
devido, em cada período de apuração, as contribuições feitas aos fundos controlados 
pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do 
Adolescente, observados os limites e as regras a seguir focalizados. 
DOAÇÕES EFETUADAS POR PESSOA JURÍDICA 
As pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real (e somente estas) podem deduzir 
do imposto devido o total das doações efetuadas aos fundos controlados pelos 
Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, 
devidamente comprovadas, respeitado o limite. 
LIMITE DE DEDUÇÃO 
O total das doações efetuadas aos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente 
pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real pode ser deduzido diretamente 
do Imposto de Renda devido, desde que não exceda o limite de 1% do imposto normal 
devido (calculado à alíquota de 15%, sem a inclusão do adicional), diminuído do 
imposto correspondente a lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos no 
exterior. 
A dedução das doações efetuadas aos fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente, 
se pleiteada em conjunto com outras deduções, não está submetida a limite global. 
Bases: §11 do art. 394 do RIR/99 e art. 39 da Instrução Normativa SRF 86/94 
Exemplo: 
Total das doações efetuadas: R$ 10.000,00 
Total do IRPJ devido (sem o adicional e o correspondente a lucros, rendimentos ou 
ganhos de capital auferidos no exterior): R$ 150.000,00 
Limite: 1% de R$ 150.000,00 = R$ 1.500,00 
APROVEITAMENTO DO INCENTIVO 
Para fins de dedução do incentivo deve ser observado que: 
a) se a pessoa jurídica for optante pela tributação com base no lucro real trimestral, a 
dedução será feita no imposto devido no trimestre em que for efetuada a doação, até o 
limite de 1% exposto anteriormente; 
b) se a pessoa jurídica for optante pelo pagamento mensal do imposto por estimativa 
(lucro real anual): 
1) o valor doado poderá ser deduzido do imposto devido no mês, observado o limite, e a 
parcela excedente do incentivo, em cada mês, poderá ser deduzida do imposto devido 
nos meses subseqüentes do mesmo ano-calendário, observando sempre o referido 
limite; 
2) as doações feitas no ano-calendário poderão ser deduzidas do valor do imposto anual 
devido até o limite mencionado. 
Bases: Inciso 1 e § 49 do art. 9, § 4 art. 23 e inciso 1 do §2 art. 38 da Instrução 
Normativa SRF 93/97 
DOAÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS 
A pessoa física pode destinar para o Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente até 
6% do imposto de renda devido. 
As contribuições ao Fundo, juntamente com as doações em favor de projetos culturais e 
investimentos em atividades audiovisuais, no seu conjunto, não poderão exceder a 6% 
do imposto devido (Lei 9.532/1997, art. 22). 
Para que o contribuinte possa fazer uso da dedução dos valores relativos a doações na 
declaração, é necessário que as doações tenham sido efetuadas diretamente aos fundos 
de assistência da criança e do adolescente que são controlados pelos Conselhos 
Municipais, Estaduais ou Nacional dos Direitos das Crianças e dos Adolescentes. 
Os fundos de assistência que estão limitados a um por município, um por estado e um 
nacional, devem emitir comprovante em favor do doador, especificando o nome, o 
número de inscrição no CNPJ ou no CPF do doador, a data e o valor efetivamente 
recebido em dinheiro, além do número de ordem do comprovante, o nome, o número de 
inscrição no CNPJ, o endereço do emitente, e ser firmado por pessoa competente para 
dar a quitação da operação. 
As contribuições devem ser depositadas em conta específica por meio de documento de 
arrecadação próprio. 
Base: Lei nº 9.250, de 1995, art. 12, I; RIR/1999, art. 102. 
Atenção: 
O somatório das deduções do imposto (Incentivos á Cultura + Audiovisual + Doações 
aos Fundos da Criança e Adolescente) está limitado a 6% do imposto devido apurado na 
declaração de ajuste. 
ENTIDADES BENEFICIÁRIAS DAS DOAÇÕES - PRESTAÇÃO DE CONTAS À 
SRF 
Os Conselhos Municipais, Estaduais ou Nacional dos Direitos da Criança e do 
Adolescente deverão informar à Secretaria da Receita Federal (SRF), até o último dia 
útil do mês de março do ano subseqüente, o valor das doações recebidas. 
A prestação da informação será efetuada em meio digital, nas condições a serem 
definidas pela Coordenação-Geral de Fiscalização (Cofis) da SRF. 
Base: art. 13 da Instrução Normativa SRF 267/2002. 
BENEFÍCIOS ÀS ORGANIZAÇÕES DO TERCEIRO SETOR 
Para os benefícios, as entidades podem ser divididas em dois campos: 
1) as imunes e 
2) as que somente podem gozar de isenções. 
IMUNIDADE CONSTITUCIONAL 
A imunidade é assegurada pela Constituição Federal a determinadas entidades, em seu 
artigo 150, nestes termos: 
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à 
União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: 
I a V - ... 
VI – instituir impostos sobre: 
a) .... 
b) templos de qualquer culto; 
c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das 
entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência 
social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; 
d) .... 
§ 1º .... 
§ 2º. A vedação do inciso VI, a, é extensiva às autarquias e às fundações instituídas e 
mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços, 
vinculados a suas finalidades essenciais ou às leis decorrentes. 
§ 3º... 
§ 4º. As vedações expressas no inciso VI, alíneas b e c, compreendem somente o 
patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades essenciais das 
entidades nelas mencionadas. 
CONDIÇÕES DE IMUNIDADE 
A Lei 9.532/1997 condicionou o gozo de imunidade fiscal às entidades sociais e 
educativas, nos seguintes termos: 
Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea c, da Constituição, 
considera-se imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os 
serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população 
em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. 
§ 1º. Não estão abrangidos pela imunidade os rendimentos e ganhos de capital 
auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. 
§ 2º. Para o gozo da imunidade, as instituições a que se refere este artigo, estão 
obrigadas a atender aos seguintes requisitos: 
a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados; 
b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus 
objetivos sociais; 
c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das 
formalidades que assegurem a respectiva exatidão; 
d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data da emissão, os 
documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, 
bem assim a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar 
sua situação patrimonial; 
e) apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em conformidade com o 
disposto em ato da Secretariada Receita Federal; 
f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a 
contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem assim cumprir as 
obrigações acessórias daí decorrentes; 
g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às 
condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de 
encerramento de suas atividades, ou a órgão público. 
h) outros requisitos, estabelecidos em lei específica, relacionados com o funcionamento 
das entidades a que se refere este artigo. 
§ 3º. Considera-se entidade sem fins lucrativos a que não apresente superávit em suas 
contas ou, caso o apresente em determinado exercício, destine referido resultado, 
integralmente, à manutenção e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (NR) 
(Redação dada ao parágrafo pela Lei nº 9.718, de 27.11.1998, DOU 28.11.1998) 
Já a Lei 10.637/2002 em seu artigo 34 estipula que não se aplica a proibição de 
remuneração dos dirigentes empregados, para tais entidades, qualificadas como OSCIP 
(Lei 9.790/1999) ou como Organizações Sociais (OS) – (Lei 9.637/1998). 
ISENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O 
LUCRO 
As ONG que não se enquadram na imunidade constitucional devem recorrer às 
isenções, reguladas por lei ordinária e que variam de acordo com a natureza da atividade 
e do local onde a entidade está sediada. 
A Lei 9.532/1997 assim dispôs sobre a isenção do Imposto de Renda para as entidades: 
Art. 15. Consideram-se isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, 
cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais 
houverem sido instituídas e os coloque à disposição do grupo de pessoas a que se 
destinam, sem fins lucrativos. 
§ 1º A isenção a que se refere este artigo aplica-se, exclusivamente, em relação ao 
imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, 
observado o disposto no parágrafo subseqüente. 
§ 2º Não estão abrangidos pela isenção do imposto de renda os rendimentos e ganhos 
de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável. 
§ 3º Às instituições isentas aplicam-se as disposições do art. 12, alínea “a” a “ e” e § 
3º e dos arts. 13 e 14. 
Nota: artigos 13 e 14 da referida Lei: 
Art. 13. Sem prejuízo das demais penalidades previstas na lei, a Secretaria da Receita 
Federal suspenderá o gozo da imunidade a que se refere o artigo anterior, 
relativamente aos anos-calendários em que a pessoa jurídica houver praticado ou, por 
qualquer forma, houver contribuído para a prática de ato que constitua infração a 
dispositivo da legislação tributária, especialmente no caso de informar ou declarar 
falsamente, omitir ou simular o recebimento de doações em bens ou em dinheiro, ou de 
qualquer forma cooperar para que terceiro sonegue tributos ou pratique ilícitos fiscais. 
Parágrafo único. Considera-se, também, infração a dispositivo da legislação tributária 
o pagamento, pela instituição imune, em favor de seus associados ou dirigentes, ou, 
ainda, em favor de sócios, acionistas ou dirigentes de pessoa jurídica a ela associada 
por qualquer forma, de despesas consideradas indedutíveis na determinação da base de 
cálculo do imposto sobre a renda ou da contribuição social sobre o lucro líquido. 
Art. 14. À suspensão do gozo da imunidade aplica-se o disposto no art. 32 da Lei nº 
9.430, de 1996. 
RESULTADOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS 
Estará fora do alcance da tributação somente o resultado relacionado com as finalidades 
essenciais destas entidades. Assim, os rendimentos e os ganhos de capital auferidos em 
aplicações financeiras de renda fixa e variável não estão abrangidos pela imunidade e 
pela isenção (Lei nº 9.532, de 1997, art.12, § 2º, e art. 15, § 2º). 
A QUESTÃO DA REMUNERAÇÃO DOS DIRIGENTES 
A questão da possibilidade ou não de remunerar dirigentes de uma ONG é bastante 
controversa, para fins de isenção fiscal. 
O artigo 4°, VI da Lei 9.790/99 institui a possibilidade de se remunerar dirigentes. 
Pelo artigo 34 da Lei 10.637/2002, adiante transcrito, entende-se admissível, sem perda 
da isenção fiscal, sob determinadas condições, a remuneração dos dirigentes 
empregados: 
Art. 34. A condição e a vedação estabelecidas, respectivamente, no art. 13, § 2o, III, b, 
da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e no art. 12, § 2o, a, da Lei no 9.532, de 
10 de dezembro de 1997, não alcançam a hipótese de remuneração de dirigente, em 
decorrência de vínculo empregatício, pelas Organizações da Sociedade Civil de 
Interesse Público (Oscip), qualificadas segundo as normas estabelecidas na Lei no 
9.790, de 23 de março de 1999, e pelas Organizações Sociais (OS), qualificadas 
consoante os dispositivos da Lei no 9.637, de 15 de maio de 1998. 
Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se somente à remuneração não 
superior, em seu valor bruto, ao limite estabelecido para a remuneração de servidores 
do Poder Executivo Federal. 
Observe-se que a remuneração deve respeitar os valores praticados pelo mercado, na 
região correspondente a sua área de atuação. 
Entretanto, a possibilidade de remuneração de tais dirigentes é restrita para entidades 
qualificadas como OSCIP (Lei 9.790/1999) ou como Organizações Sociais (OS) – (Lei 
9.637/1998), consideradas como instituição de educação ou de assistência social. 
Também não pode haver qualquer distribuição de lucros, resultados, dividendos, sobras 
ou superávit, a qualquer associado, dirigente ou pessoa ligada. 
EXPLORAÇÃO ECONÔMICA 
De acordo com o PN CST 162/1974, adiante transcrito, atividades de exploração 
econômica podem ser isentas do IR, tendo em relevo a finalidade social e a diminuta 
significação econômica das entidades favorecidas. 
PARECER NORMATIVO CST Nº 162, DE 11 DE SETEMBRO DE 1974 
DOU 17.10.1974 
As isenções do art. 25 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 58.400/66) 
referem-se a eventual lucro em atividades que se integrem nos objetivos ou finalidades 
da entidade, estritamente consideradas. 
 
02 – Imposto Sobre a Renda e Proventos 
02.02 – Pessoas Jurídicas 
02.02.1919 – Isenções 
1. Dúvidas vêm sendo levantadas pelas entidades beneficiárias da isenção instituída no 
art. 25 do RIR (Decreto nº 58.400/66) com relação aos ganhos provenientes de certas 
atividades por elas exercidas. 
2. Para o exato alcance da norma consubstanciada no artigo citado, deve-se atentar 
para o fato de que embora a natureza das atividades e o caráter dos recursos e 
condições em que são obtidos não estejam mencionados no dispositivo como 
determinantes da perda ou suspensão do benefício, é indiscutível constituírem eles 
elementos a serem levados em consideração pela autoridade fiscal que reconhece a 
isenção. (RIR/66, art. 31, c, III e IV). Tendo em vista, ainda, que as isenções são 
outorgadas para facilitar atividades que ao estado interessa proteger e que, no caso em 
exame, adquire relevo a finalidade social e a diminuta significação econômica das 
entidades favorecidas, é de se concluir que não seria logicamente razoável que ela se 
servisse da exceção tributária, para, em condições privilegiadas e extravasando a 
órbita de seus objetivos, praticar atos de natureza econômico-financeira, concorrendo 
com organizações que não gozem da isenção. 
3. Recorre daí que, por serem as isenções do art. 25 do RIR/66 de caráter subjetivo, 
não podem elas, na ausência de disposição legal, abranger alguns rendimentos e deixar 
de fazê-lo em relação a outros da mesma beneficiária. Conclui-se que, desvirtuada a 
natureza das atividades ou tornados diversos o caráter dos recursos e condições de sua 
obtenção, elementos nos quais se lastreoua autoridade para reconhecer o direito ao 
gozo da isenção, deixa de atuar o favor legal. 
4. Algumas das dúvidas suscitadas podem ser resolvidas conforme segue. 
5. Eventual lucro de entidades recreativas ou esportivas, originado de exploração de 
bar ou restaurante no âmbito de suas dependências e para seus usuários, não se sujeita 
ao imposto de renda, dado que essa atividade proporcionar melhores condições do 
desfrute e utilização das dependências da organização, integrando-se, pois, nos seus 
objetivos. 
6. De modo contrário, se uma entidade esportiva explorar linha de ônibus para 
transporte de associados cobrando pelo serviço prestado, deixará de merecer a 
dispensa legal, pois tal operação é totalmente estranha a seus fins, além de se 
caracterizar como atividade de natureza essencialmente econômica. 
7. Sociedade religiosa que mantém anexo ao Templo, livraria para venda de livros 
religiosos, didáticos, discos com temas religiosos e artigos de papelaria, visando a 
divulgação do Evangelho não terá o eventual lucro tributário. Da mesma forma o 
resultado da venda de dádivas ou donativos que os fiéis depositam nos altares e cofres 
dos Santuários, por ser esta uma forma de que se servem os ofertantes, para 
reverenciarem o alvo de sua crença. 
8. O mesmo não ocorre, porém, se a associação religiosa exercer atividade de compra 
e venda de bens não relacionados a sua finalidade, quando então deixará de fazer jus à 
isenção, devendo efetuar a escrituração de modo usual como procedem os 
comerciantes, cumpridas as disposições do Decreto nº 64.567 de 22.05.69. 
9. Instituições filantrópicas que mantêm creche, com serviços cobrados a uma parte dos 
usuários e atendimento gratuito aos demais mantida a igualdade de tratamento, não 
serão tributadas por superávit ocorrido. 
10. Fundação cultural que mantém livraria para a venda de livros e alunos dos cursos 
por ela mantidos, ou a terceiros, não perde direito a isenção, eis que essa atividade se 
identifica como meios de realização de seus fins. 
11. Cumpre ressaltar, todavia, ser indispensável o atendimento dos requisitos do art. 25 
do RIR pelas organizações que, no gozo de isenção, obtenham resultados positivos no 
exercício de atividades adstritas aos fins a que se propuseram. 
 
 
 
ISS 
O inciso VI, alínea “c” do art. 150 da Constituição Federal estipula imunidade tributária 
para as instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os 
requisitos da lei. 
Portanto, uma entidade que não seja educacional ou de assistência social, mesmo que 
não tenha fins lucrativos, deverá pagar o ISS, caso prestar serviços sujeitos a este 
imposto, relacionados na Lei Complementar 116/2003. 
O município somente deixará de cobrar o ISS caso haja legislação específica 
determinando tal isenção. 
Neste sentido, julgado do STJ, adiante reproduzido: 
ISS. ORGANIZAÇÃO SOCIAL SEM FINS LUCRATIVOS. ATIVIDADE 
RELACIONADA À PROMOÇÃO DO DESENVOLVIMENTO CIENTÍFICO E 
TECNOLÓGICO. ISENÇÃO. AUSÊNCIA DE LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. 
IMPOSSIBILIDADE. 
I - Originariamente, cuida-se de Mandado de Segurança impetrado pela ora 
Recorrente, contra ato do Exmo. Sr. Secretário de Fazenda e Planejamento do Distrito 
Federal, que indeferiu o seu pedido de isenção tributária, referente à emissão do 
denominado "Ato Declaratório de Isenção do ISS". II - A impetrante, ora Recorrente, 
sustenta que, na qualidade de instituição constituída sob a forma de associação sem 
fins lucrativos, tendo por objetivo social a promoção do desenvolvimento científico e 
tecnológico, faz jus à isenção do ISS. III - Não se extrai força normativa suficiente do 
art. 150, VI, "c", da Constituição Federal, que revele haver tributação dos entes 
políticos, no caso da incidência tributária recair sobre organização social privada sem 
fins lucrativos, mesmo que reconhecida como de interesse e utilidade social. IV - Fosse 
o Recorrente instituição de ensino ou de assistência social, haveria, em tese, a 
possibilidade de delinear os efeitos normativos do preceito constitucional citado. 
Ocorre que, consoante se observa dos seus próprios objetivos institucionais, às fls. 
28/29 destes autos, sua finalidade é a promoção do desenvolvimento científico e 
tecnológico, de modo que nem presta serviço relacionado ao ensino, nem revela 
atividade de assistência social. V - Nesse contexto, ante a impossibilidade de extrair-se 
a imunidade pretendida do preceito constitucional, verdadeira exceção ao poder geral 
de tributação do Estado, surge a necessidade de lei específica que discipline a outorga 
de isenção em relação às suas atividades, que também se apresenta como restrição, só 
que em nível infraconstitucional, à potestade tributária. VI - De fato, o Código 
Tributário Nacional (art. 97) é suficientemente claro ao dispor que somente a lei pode 
estabelecer as hipóteses de exclusão do crédito tributário (inciso VI), nesta constando a 
isenção (art. 175, inciso I). Sendo imperativo o comando que determina a interpretação 
literal da outorga de isenção (art. 111, inciso II), revela-se necessária a edição de 
legislação específica que discipline o comando isencional às atividades desenvolvidas 
pelas organizações sociais sem fins lucrativos, que atendam ao interesse e à utilidade 
públicas, situação discutida nos presentes autos. VII - Inexistindo nos autos documentos 
que comprovem a existência de legislação distrital disciplinadora da isenção 
pretendida pela Recorrente, não há como deferi-la nos moldes pretendidos. VIII - 
Recurso Ordinário improvido. STJ, RMS 22371 / DF ; RECURSO ORDINÁRIO EM 
MANDADO DE SEGURANÇA 2006/0160035-0, Julg. 03/05/2007, DJ 24/05/2007. 
 
 
 
MENSALIDADES 
As entidades, como as associações, que prevêem cobrança de mensalidades de seus 
associados, registram tais valores, pelo regime de competência: 
D - Mensalidades a Receber (Ativo Circulante) 
C - Receitas de Mensalidades (Resultado) 
Entretanto, como é notório, há enorme inadimplência das mensalidades em qualquer 
associação. Por isso, recomenda-se que seja efetuado provisão para devedores 
duvidosos, quando a mensalidade do associado esteja atrasada por 3 meses ou mais. O 
lançamento da provisão será o seguinte: 
D - Provisão para Devedores Duvidosos - Mensalidades (Resultado) 
C - Provisão para Devedores Duvidosos (conta redutora do Ativo Circulante) 
Na eventualidade de alguma de tais mensalidades virem a ser quitadas, o lançamento 
seria: 
D - Caixa ou Bancos Cta. Movimento (Ativo Circulante) 
C - Mensalidades a Receber (Ativo Circulante) 
Neste caso, haveria necessidade de reversão da provisão anteriormente constituída, 
desta forma: 
D - Provisão para Devedores Duvidosos (conta redutora do Ativo Circulante) 
C - Reversão da Provisão para Devedores Duvidosos (Resultado) 
 
 
 
ORGANIZAÇÕES SOCIAIS 
São qualificáveis como organizações sociais pessoas jurídicas de direito privado, sem 
fins lucrativos, cujas atividades sejam dirigidas ao ensino, à pesquisa científica, ao 
desenvolvimento tecnológico, à proteção e preservação do meio ambiente, à cultura e à 
saúde, atendidos aos requisitos previstos na Lei 9.637/1998. 
As entidades qualificadas como organizações sociais são declaradas como entidades de 
interesse social e utilidade pública, para todos os efeitos legais. 
Às organizações sociais poderão ser destinados recursos orçamentários e bens públicos 
necessários ao cumprimento do contrato de gestão. 
ORGANIZAÇÕES DA SOCIEDADE CIVIL DE INTERESSE PÚBLICO - OSCIP 
A Lei 9.790/1999, regulamentada pelo Decreto 3.100/1999, qualifica as OSCIP, no 
universo do Terceiro Setor, em organizações que efetivamente têm finalidade pública, 
impondo condições para tal reconhecimento.A qualificação de OSCIP acolhe e reconhece legalmente as organizações da sociedade 
civil cuja atuação se dá no espaço público não estatal. 
Para efetuar a transferência de recursos públicos para as organizações da sociedade 
civil, a legislação anterior à Lei 9.790/99 adota os convênios como principal forma de 
operacionalização, sendo obrigatório o registro no Conselho Nacional de Assistência 
Social - CNAS. Outra alternativa são os contratos, que devem obedecer às 
determinações da Lei 8.666, de 21 de junho de 1993 (Lei das Licitações). 
A Lei 9.790/1999 criou o Termo de Parceria - novo instrumento jurídico de fomento e 
gestão das relações de parceria entre as OSCIP e o Estado, com o objetivo de imprimir 
maior agilidade gerencial aos projetos e realizar o controle pelos resultados, com 
garantias de que os recursos estatais sejam utilizados de acordo com os fins públicos. O 
Termo de Parceria possibilita a escolha do parceiro mais adequado do ponto de vista 
técnico e mais desejável dos pontos de vista social e econômico, além de favorecer a 
publicidade e a transparência. 
A Lei 9.790/1999 traz uma novidade importante: pela primeira vez, o Estado reconhece 
a existência de uma esfera pública em emersão, que é pública não pela sua origem, mas 
pela sua finalidade, ou seja, é pública mesmo não sendo estatal. 
A seguir, um quadro-resumo das qualificações das OSCIP e as demais entidades sociais, 
regidas pela legislação anterior: 
Lei 9.790/1999 Legislação anterior e vigente 
Cria a qualificação de Organização da 
Sociedade Civil de Interesse Público/ 
OSCIP, concedida pelo Ministério da 
Justiça. 
 
 
A lei determina rapidez no ato de 
deferimento da solicitação porque a 
qualificação é ato vinculado ao 
cumprimento das exigências da lei, isto é, 
se a entidade entregou os documentos e 
cumpriu com as exigências, ela é 
qualificada automaticamente. 
No nível federal, são fornecidas duas 
qualificações: Declaração de Utilidade 
Pública Federal, pelo Ministério da Justiça; e 
Certificado de Fins Filantrópicos, pelo 
Conselho Nacional de Assistência Social 
(CNAS). 
 
Declarações de Utilidade Pública similares 
são oferecidas no nível dos estados e 
municípios. 
 
Tais qualificações dependem de vários 
documentos, cuja obtenção pode ser morosa 
e de custos elevados. 
Se o pedido de qualificação como OSCIP 
for negado, a entidade, após fazer as 
alterações indicadas na justificativa de 
indeferimento, feita pelo Ministério da 
Justiça, pode reapresentar o pedido 
imediatamente. 
Se o pedido para essas qualificações for 
negado, a entidade não pode proceder à 
reapresentação imediata, devendo esperar 
um período definido legalmente. 
Nota: A qualificação como OSCIP não substitui outras qualificações anteriores: a 
Declaração de Utilidade Pública Federal e o Certificado de Fins Filantrópicos. A 
legislação que rege essas qualificações continua vigorando concomitantemente à Lei 
9.790/1999. 
 
 
 
PIS DEVIDO PELAS ENTIDADES SEM FINS LUCRATIVOS 
A contribuição para o PIS das será determinada na base de 1% sobre a folha de salários 
do mês, pelas seguintes entidades: 
1. Templos de qualquer culto. 
2. Partidos políticos. 
3. Instituições de educação e assistência social imunes ao Imposto de Renda. 
4. Instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e associações 
isentas do Imposto de Renda. 
5. Sindicatos, federações e confederações. 
6. Serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei. 
7. Conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas – do tipo CRC, CREA, etc. 
8. Fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo poder 
público. 
9. Condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais. 
10. A Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e Organizações Estaduais de 
Cooperativas – previstas na Lei 5764/1971. 
Exemplo: 
Um sindicato, com folha de salários de R$ 10.000,00 - recolherá o PIS no valor de: 1% 
x R$ 10.000,00 = R$ 100,00. 
PARCELAS INTEGRANTES DA FOLHA DE SALÁRIOS 
Entende-se por folha de salários mensal, o total dos rendimentos do trabalho assalariado 
de qualquer natureza, tais como salários, gratificações, comissões, adicional de função, 
ajuda de custo, aviso prévio trabalhado, adicional de férias, qüinqüênio, adicional 
noturno, hora extra, 13° salário e repouso semanal remunerado. 
Não integram a base de cálculo: o salário-família; o aviso prévio indenizado; o FGTS 
pago diretamente ao empregado na rescisão contratual; a indenização por dispensa, 
desde que dentro dos limites legais. 
Exemplo: 
Determinada entidade apurou as seguintes verbas no fechamento de sua folha de 
pagamento no mês: 
Salários, horas extras, férias e adicional noturno - R$ 11.000,00 
1a Parcela do 13o salário pago - R$ 5.000,00 
Salário-família - R$ 200,00 
Cálculo do PIS devido no mês: 
Base de cálculo: R$ 11.000,00 + R$ 5.000,00 
PIS devido: R$ 16.000,00 x 1% = R$ 160,00 
 
 
 
PRESTAÇÃO DE CONTAS AO CONSELHO NACIONAL DE ASSISTÊNCIA 
SOCIAL – CNAS 
A prestação de contas ao CNAS ocorre no momento em que é solicitada a concessão ou 
renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, nos termos do 
Decreto 2.536/1998, alterado pelo Decreto 3.504/2000. 
CONCEITO 
Considera-se entidade beneficente de assistência social, para os fins de obtenção do 
Certificado correspondente, a pessoa jurídica de direito privado, sem fins lucrativos, que 
atue no sentido de: 
I - proteger a família, a maternidade, a infância, a adolescência e a velhice; 
II - amparar crianças e adolescentes carentes; 
III - promover ações de prevenção, habilitação e reabilitação de pessoas portadoras de 
deficiências; 
IV - promover, gratuitamente, assistência educacional ou de saúde; 
V - promover a integração ao mercado de trabalho. 
DOCUMENTAÇÃO 
A entidade deverá apresentar ao CNAS, além do relatório de execução de plano de 
trabalho aprovado, as seguintes demonstrações contábeis, relativas aos três últimos 
exercícios: 
 balanço patrimonial; 
 demonstração do déficit ou superávit; 
 demonstração de mutações do patrimônio social; 
 demonstração das origens e aplicações de recursos; 
 notas explicativas, evidenciando o resumo das principais práticas contábeis e os 
critérios de apuração do total das receitas, despesas, gratuidades, doações, 
subvenções e aplicações de recursos, bem como a mensuração dos gastos e 
despesas relacionados com a atividade assistencial, especialmente daqueles 
necessários à comprovação do percentual mínimo de gratuidades; 
 evidenciação das contribuições previdenciárias devidas, como se a entidade não 
gozasse de imunidade ou isenção. 
AUDITORIA INDEPENDENTE 
As entidades cujas receitas brutas de cada um dos três exercícios em análise excedam 
R$ 1.200.000,00 devem submeter suas contas à auditoria independente. Quando a 
receita de qualquer um dos três exercícios ultrapassar R$ 2.400.000,00, a auditoria 
deverá ser realizada por auditores registrados na Comissão de Valores Mobiliários 
(CVM). 
Nota: Limites decorrentes do Decreto 3.504/2000. 
 
 
 
PRESTAÇÃO DE CONTAS AO MPAS 
De acordo com o art. 209 do Decreto 3.048/1999 (conhecido como “Regulamento da 
Previdência Social), a entidade que for beneficiada com a isenção da contribuição 
patronal é obrigada a apresentar, anualmente, até o dia 30 de abril, ao órgão do Instituto 
Nacional do Seguro Social jurisdicionante de sua sede, relatório circunstanciado de suas 
atividades no exercício anterior, na forma por ele definida, contendo as seguintes 
informações e documentos: 
I - localização de sua sede;II - nome e qualificação completa de seus dirigentes; 
III - relação dos seus estabelecimentos e obras de construção civil identificados pelos 
respectivos números do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica ou no Cadastro 
Específico do Instituto Nacional do Seguro Social; 
IV - descrição pormenorizada dos serviços assistenciais, de educação ou de saúde 
prestados a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores 
de deficiência, mencionando a quantidade de atendimentos e os respectivos custos, para 
o caso da pessoa jurídica de direito privado a que se refere o art. 206 do Decreto 
3.048/1999; 
V - demonstrativo mensal por atividade, no qual conste a quantidade de atendimentos 
gratuitos oferecidos a pessoas carentes, o valor efetivo total das vagas cedidas, a receita 
proveniente dos atendimentos prestados ao Sistema Único de Saúde, o valor da receita 
bruta, da contribuição social devida, o percentual e o valor da isenção usufruída, para o 
caso da pessoa jurídica de direito privado a que se refere o art. 207; e 
VI - resumo de informações de assistência social. 
GUARDA DE DOCUMENTOS 
A entidade será, ainda, obrigada a manter à disposição do Instituto Nacional do Seguro 
Social, durante dez anos, os seguintes documentos: 
I - balanço patrimonial e da demonstração de resultado do exercício, com discriminação 
das receitas e despesas, relativos ao exercício anterior, para o caso da pessoa jurídica de 
direito privado de que trata o art. 206 do Decreto 3.048/1999 (entidades beneficentes de 
assistência social); 
II - demonstrações contábeis e financeiras relativas ao exercício anterior, para o caso da 
pessoa jurídica de direito privado de que trata o art. 207 do Decreto 3.048/1999 
(atividade educacional ou atendimento pelo SUS parcialmente de forma gratuita), 
abrangendo: 
a) balanço patrimonial; 
b) demonstração de resultado do exercício, com discriminação das receitas e despesas; 
c) demonstração de mutação de patrimônio; e 
d) notas explicativas. 
 
 
 
PRESTAÇÃO DE CONTAS – OSCIP 
Para as entidades qualificadas como Organizações da Sociedade Civil de Interesse 
Público – OSCIP, a Lei 9.790/1999 determina que as normas para prestações de contas 
a serem observadas pela entidade devem constar do estatuto e deverão conter, no 
mínimo: 
a) a observância dos Princípios Fundamentais de Contabilidade e das Normas 
Brasileiras de Contabilidade; 
b) que se dê publicidade por qualquer meio eficaz, no encerramento do exercício fiscal, 
ao relatório de atividades e das demonstrações contábeis da entidade, incluindo-se as 
certidões negativas de débitos com INSS e FGTS, colocando-os à disposição para 
exame de qualquer cidadão; 
c) a realização de auditoria, inclusive por auditores externos; se for o caso, a aplicação 
dos eventuais recursos objeto do termo de parceria; 
d) a prestação de contas de todos os recursos e bens de origem pública recebidos pela 
OSCIP será feita conforme determina o parágrafo único do art. 70 da Constituição 
Federal, segundo o qual “prestará contas qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou 
privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiro, bens e valores 
públicos ou pelos quais a União responda, ou que, em nome desta, assuma obrigações 
de natureza pecuniária”. 
O Decreto 3.100/1999, que regulamenta a Lei das OSCIP, estabelece que as prestações 
de contas anuais das OSCIP serão realizadas sobre a totalidade das operações 
patrimoniais e resultados da entidade, e deverão ser instruídas com os seguintes 
documentos: 
1) relatório anual de execução de atividades; 
2) demonstração do déficit ou superávit do exercício; 
3) balanço patrimonial; 
4) demonstração das origens e aplicações de recursos; 
5) demonstração das mutações do patrimônio social; 
6) notas explicativas das demonstrações contábeis, caso necessário; 
7) parecer e relatório de auditoria, que é obrigatória quando a soma dos recursos 
originários dos termos de parceria for maior ou igual a R$ 600.000,00. 
AUDITORIA INDEPENDENTE 
A auditoria independente deverá ser realizada por pessoa física ou jurídica habilitada 
pelos Conselhos Regionais de Contabilidade. 
Os dispêndios decorrentes dos serviços de auditoria independente deverão ser incluídos 
no orçamento do projeto como item de despesa. 
COMPROVAÇÃO ESPECÍFICA 
Além da aludida documentação, deve ser feita a prestação de contas específica do termo 
de parceria, comprovando-se, perante o órgão estatal parceiro, a correta aplicação dos 
recursos públicos recebidos e do adimplemento do objeto do termo de parceria, 
mediante a apresentação dos seguintes documentos: 
a) relatório sobre a execução do objeto do termo de parceria, contendo comparativo 
entre as metas propostas e os resultados alcançados; 
b) demonstrativo integral da receita e despesa realizadas na execução; 
c) parecer e relatório de auditoria, segundo os critérios já mencionados; 
d) entrega do extrato da execução física e financeira. O modelo desse extrato consta do 
Anexo II do Decreto 3.100/1999, e deve, ainda, ser publicado na imprensa oficial da 
área de abrangência do projeto, no prazo máximo de sessenta dias após o término de 
cada exercício financeiro. 
 
 
 
PROVISÕES 
PROVISÕES DE RECEBÍVEIS 
As entidades sem finalidade de lucros devem constituir provisão em montante suficiente 
para cobrir as perdas esperadas, com base em estimativas de seus prováveis valores de 
realização, e baixar os valores prescritos, incobráveis e anistiados. 
Desta forma, quando determinada receita, já contabilizada, tiver sua realização 
prejudicada, por inadimplência do devedor, deve ser feito a provisão correspondente, 
para que o balanço não registre valores irreais. 
A provisão para perdas, chamada de “Provisão para Devedores Duvidosos”, será uma 
conta redutora (credora) do Ativo Circulante. O lançamento é como segue: 
D - Provisão para Créditos Duvidosos (Resultado) 
C - Provisão para Devedores Duvidosos (conta redutora do Ativo Circulante) 
Quando o valor se tornar definitivamente irrecuperável, por ter sua prescrição (ou seja, a 
possibilidade de cobrança – administrativa ou judicial – ter se expirado), deve-se baixar 
o correspondente valor, mediante débito á conta da respectiva provisão e crédito da 
conta do ativo. 
Exemplo: 
R$ 2.000,00, registrados na contabilidade, relativo a mensalidades de associados, 
tiveram sua prescrição ocorrida, não havendo qualquer possibilidade de cobrança. A 
baixa se procederá da seguinte forma: 
D - Provisão para Devedores Duvidosos (conta redutora do Ativo Circulante) 
C - Mensalidades a Receber (Ativo Circulante) 
R$ 2.000,00 
PROVISÃO DE FÉRIAS E 13º SALÁRIO 
Atendendo ao regime de competência, a entidade que mantém empregados deve 
constituir, mensalmente, a provisão para o pagamento de férias e 13º salário. 
Esta provisão é calculada á base de 1/12 mensal, sobre a remuneração dos empregados. 
No caso de férias, acrescer 1/3 constitucional. 
O montante da provisão para pagamento de remuneração de férias, 13º e dos encargos 
sociais incidentes sobre referida remuneração será debitado em conta de despesas, de 
acordo com a natureza da utilização dos serviços dos empregados. Se os empregados 
forem da área administrativa, debita-se a conta respectiva no subgrupo Despesas 
Administrativas. 
Se o empregado estiver alocado em determinado atendimento, o débito é de despesa do 
respectiva atividade. 
No modelo de plano de contas da presente obra, sugere-se que, para fins de análise 
gerencial, a folha de pagamento (incluindo as provisões de férias e 13º salário) seja 
contabilizada globalmente, e após, seja transferido para as atividades o correspondente 
valordo pessoal alocado, através das contas "(-) Transferência para Atividades". 
No caso de empregados que estiverem vinculados á execução de obra de construção 
civil, o débito será à conta de Construções em Andamento, no Imobilizado. 
A contra partida das provisões será à conta do Passivo. 
A conta de provisão, classificada no passivo circulante, será debitada, até o limite 
provisionado, pelos valores pagos a qualquer beneficiário cujas férias ou 13º salário ali 
tenham sido incluídas. 
Caso não haja saldo suficiente na conta de provisão, o excedente será debitado 
diretamente a despesas. Exceção no caso de empregados na construção, cujo débito será 
a Construções em Andamento. 
ENCARGOS SOCIAIS 
Contabilizar os encargos sociais (20% do INSS, quando a entidade não tiver isenção da 
quota patronal, FGTS, percentuais devidos ao SAT e a terceiros) sobre o valor da 
provisão determinada, cujo ônus cabe à entidade e que incidirão por ocasião do 
pagamento das férias e 13º salário. 
Exemplo: 
Constituição da provisão para pagamento de férias em entidade que não tenha isenção 
da quota patronal do INSS no período encerrado em 30.06.2004: 
Férias vencidas e proporcionais - R$ 9.000,00 
1/3 Adicional sobre Férias - R$ 3.000,00 
INSS sobre férias - R$ 3.384,00 
FGTS sobre férias - R$ 1.020,00 
Total da Provisão - R$ 16.404,00 
Nota: todos os empregados estão alocados á área de assistência social. 
O lançamento contábil referente à constituição da provisão para pagamento de 
remuneração de férias e respectivos encargos sociais poderá ser efetuado do seguinte 
modo: 
1) Pelo valor da provisão para pagamento das férias (férias vencidas, proporcionais e 
1/3), incluindo os respectivos encargos sociais: 
D - Férias (Despesas de Recursos Humanos) R$ 12.000,00 
D - INSS (Despesas de Recursos Humanos) R$ 3.384,00 
D - FGTS (Despesas de Recursos Humanos) R$ 1.020,00 
C - Provisão de Férias (Passivo Circulante) R$ 16.404,00 
2) Pelo pagamento de férias a funcionários: 
D - Provisão de Férias (Passivo Circulante) 
C - Caixa (Ativo Circulante) 
3) Pelo pagamento de encargos sociais (INSS e FGTS) sobre parcela de férias: 
D - Provisão de Férias (Passivo Circulante) 
C - Bancos Cta. Movimento (Ativo Circulante) 
Nota: nos exemplos não consideramos os dados relativos ao Imposto de Renda na 
Fonte e o INSS retido do empregado. 
PAGAMENTO DO 13º SALÁRIO 
Adiantamento 
Os empregadores adiantam metade do 13º salário por ocasião da concessão das férias a 
partir do mês de fevereiro, quando solicitada pelo funcionário, ou até 30 de novembro. 
O valor do adiantamento será registrado em conta de adiantamento no Ativo Circulante, 
até a data da quitação da gratificação, ou seja, até o pagamento do saldo do 13º salário. 
Exemplo: 
Pagamento de R$ 8.000,00 relativo ao adiantamento da 1a parcela do 13. salário: 
D - Adiantamento de 13º Salário (Ativo Circulante) 
C - Caixa/Bancos (Ativo Circulante) 
R$ 8.000,00 
Quitação 
O empregador deve efetuar o pagamento do saldo do 13º salário até o dia 20 de 
dezembro ou por ocasião da dispensa sem justa causa ou pedido de dispensa do 
funcionário. 
O valor do saldo do 13º salário pago poderá ser registrado contabilmente a débito da 
respectiva conta de provisão no Passivo Circulante, até o limite do valor provisionado. 
Nesta ocasião, o valor do adiantamento registrado no Ativo Circulante será transferido 
para a conta que registra a provisão para pagamento da gratificação no Passivo 
Circulante. 
Exemplo: 
Pagamento da 2a parcela do 13º salário, no total de R$ 9.000,00, relativo á quitação dos 
valores em 20 de dezembro. O valor da primeira parcela paga foi de R$ 8.000,00. 
Lançamento da transferência dos valores adiantados do 13º salário para a conta provisão 
de 13º salário: 
D - Provisão para 13º Salário (Passivo Circulante) 
C - Adiantamento de 13º Salário (Ativo Circulante) 
R$ 8.000,00 
Lançamento do pagamento relativo á quitação: 
D - Provisão de 13º Salário (Passivo Circulante) 
C - Caixa/Bancos (Ativo Circulante) 
R$ 9.000,00 
Supondo-se que houve um saldo credor de R$ 900,00 na conta “Provisão de 13º 
Salário”, após os lançamentos anteriores, deve-se ajustar este saldo, da seguinte forma: 
D - Provisão de 13º Salário (Passivo Circulante) 
C - 13º salário (Despesa) 
R$ 900,00 
Nota: o saldo da provisão de 13º salário deverá ser zerado na ocasião de sua quitação. 
PROVISÃO DE VERBAS RESCISÓRIAS 
Especificamente em projetos, há necessidade de se provisionar, mensalmente, as verbas 
rescisórias que advirão na dispensa dos empregados celetistas contratados. 
Isto porque, se não forem provisionados tais custos e despesas, ao final do projeto as 
respectivas verbas rescisórias (como o FGTS – multa e indenização) terão que ser pagas 
por ocasião da dispensa do empregado. Estando o projeto já encerrado (e talvez a 
respectiva prestação de contas já aprovada), as respectivas verbas irão consumir 
recursos próprios da entidade, o que é incorreto. 
São principais verbas rescisórias, além do 13º salário e férias proporcionais: 
- Aviso prévio indenizado 
- FGTS - Multa por Rescisão sem Justa Causa: 40% 
- FGTS - Adicional instituído pela Lei Complementar 110/2001 (10%) 
- Multa pela Dispensa nos 30 dias anteriores à data-base da categoria (Lei nº 6.708/79 e 
a Lei nº 7.238/84). 
Aviso Prévio Indenizado 
O aviso prévio sendo indenizado, a base de cálculo é o último salário percebido pelo 
empregado. 
FGTS - Multa por Rescisão sem Justa Causa 
Na hipótese de despedida pelo empregador sem justa causa, depositará este, na conta 
vinculada do trabalhador no FGTS, importância igual a quarenta por cento do montante 
de todos os depósitos realizados na conta vinculada durante a vigência do contrato de 
trabalho, atualizados monetariamente e acrescidos dos respectivos juros (§ 1º do artigo 
18 da Lei 8.036/1990 - Redação dada pela Lei nº 9.491, de 1997). 
FGTS - Adicional na Despedida Sem Justa Causa 
A contribuição social devida pelos empregadores em caso de despedida de empregado 
sem justa causa, deverá ser, à alíquota de dez por cento sobre o montante de todos os 
depósitos devidos, referentes ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, 
durante a vigência do contrato de trabalho, acrescido das remunerações aplicáveis às 
contas vinculadas. 
Adicional de Despedida antes da Data-Base 
A Lei nº 6.708/79 e a Lei nº 7.238/84, em ambas no artigo 9º, determinam uma 
indenização adicional, equivalente a um salário mensal, no caso de dispensa sem justa 
causa, no período de 30 (trinta) dias que antecede a data de sua correção salarial. 
Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984: 
"Art. 9º - O empregado dispensado, sem justa causa, no período de 30 (trinta) dias que 
antecede a data de sua correção salarial, terá direito à indenização adicional 
equivalente a 1 (um) salário mensal, seja ele optante ou não pelo Fundo de Garantia 
por Tempo de Serviço - FGTS." 
Exemplo: 
Entidade Social mantém um projeto com prazo determinado de 24 meses, recebendo 
recursos de entidade pública nacional. A folha de salários do respectivo projeto é de R$ 
10.000,00 mensais. Então teremos as seguintes provisões de verbas rescisórias, 
mensalmente: 
1. Aviso prévio indenizado, correspondente a 1/24 dos salários: 
R$ 10.000,00 dividido por 24 = R$ 416,67 mensais 
2. FGTS – Multa por Rescisão sem Justa Causa: 
R$ 10.000,00 x 8% (valor do depósito mensal na conta do funcionário) x 40% (valor da 
multa) = R$ 320,00 mensais 
3. FGTS – Adicional Instituído pela LC 110/2001: 
R$ 10.000,00 x 8% (valor do depósito mensal na conta do funcionário) x 10% (valor do 
adicional) = R$ 80,00 mensais 
4. Adicional de Despedida antes da Data-Base:Considera-se que o projeto será encerrado em abril, sendo que a data base dos 
trabalhadores do respectivo projeto é 01 de maio de cada ano. 
Então, deve-se provisionar o adicional respectivo, da seguinte forma: 
R$ 10.000,00 dividido por 24 meses = R$ 416,67 mensais 
Conclui-se que, para fins de provisionamento de verbas rescisórias (itens 1 a 4), teremos 
um valor total mensal de R$ 1.233,34 
Vamos aos lançamentos contábeis mensais: 
D - (-) Recursos Aplicados de Entidade Pública Nacional (conta retificadora de Projetos 
– Passivo Circulante) 
C - Provisão de Verbas Rescisórias (Passivo Circulante) 
R$ 1.233,34 
Nota: é recomendável, para fins de controle, que a conta “Provisão de Verbas 
Rescisórias”, seja dividida em subcontas distintas, uma para cada projeto e subdividido 
por verba rescisória. 
AJUSTE PERIÓDICO 
Deve-se também ajustar, periodicamente, o saldo da conta Provisão de Verbas 
Rescisórias, em decorrência do aumento da base de cálculo das verbas sujeitas a 
incidência rescisória, como, por exemplo, o crédito de juros e correção monetária das 
contas vinculadas do FGTS dos trabalhadores. 
O ideal é que este ajuste se faça mensalmente. Porém, pelo menos por ocasião da data-
base da categoria dos trabalhadores e por ocasião da prestação de contas (total ou 
parcial) devem ser feitos tais ajustes. 
Exemplo: 
Ajuste decorrente do crédito de juros e correção monetária nas contas vinculadas do 
FGTS dos trabalhadores: 
Saldo atualizado das contas vinculadas: R$ 5.000,00 
1. FGTS – Multa por Rescisão sem Justa Causa: R$ 5.000,00 x 40% = R$ 2.000,00 
2. FGTS – Adicional Instituído pela LC 110/2001: R$ 5.000,00 x 10% = R$ 500,00 
3.Total das verbas rescisórias ajustadas (1+2) R$ 2.500,00 
4. Valor contabilizado anteriormente: R$ 2.300,00 
5. Diferença a ajustar (3 – 4): R$ 200,00 
Teremos então, considerando-se que os recursos do projeto advém de entidade pública 
nacional: 
D - (-) Recursos Aplicados de Entidade Pública Nacional (conta retificadora de Projetos 
– Passivo Circulante) 
C - Provisão de Verbas Rescisórias (Passivo Circulante) 
R$ 200,00 
 
 
 
DESPESAS DE PUBLICIDADE 
A captação de recursos é uma tarefa contínua de qualquer entidade. Neste esforço, 
buscam as mesmas aplicar em propaganda e publicidade, visando divulgar as ações a 
que se propõem e sensibilizar o público para os respectivos objetivos. 
Existem 2 tipos de publicidade básica nas entidades: 
1) Institucional – aquela que busca divulgar a entidade em si, seus objetivos e a forma 
de trabalho. 
2) Específica – objetiva propagar determinado projeto ou ação específica, buscando 
voluntários e recursos. 
A publicidade institucional é uma despesa administrativa, devendo ser contabilizada 
como tal, sem qualquer rateio para projetos ou atividades. 
Já a publicidade específica é alocável ao projeto ou atividade. Quando dois ou mais 
projetos ou atividades forem compreendidos numa mesma campanha, os custos da 
mesma devem ser rateados entre as mesmas. 
Exemplos: 
1) Divulgação institucional da entidade, no valor de R$ 5.000,00, paga mediante cheque 
bancário: 
D - Publicidade Institucional (Despesa Administrativa) 
C - Bancos Cta. Movimento (Ativo Circulante) 
R$ 5.000,00 
2) Divulgação específica de 2 projetos da entidade – Reciclagem e Primeiro Emprego, 
no valor de R$ 10.000,00, visando obtenção de voluntários e recursos para o 
desenvolvimento dos mesmos (fatura a pagar ao fornecedor): 
D - Divulgação Específica (Projeto Reciclagem) R$ 5.000,00 
D - Divulgação Específica (Projeto Primeiro Emprego) R$ 5.000,00 
C - Fornecedores (Passivo Circulante) R$ 10.000,00 
 
 
 
REGIME DE RECONHECIMENTO - RECEITAS E DESPESAS 
As receitas e despesas devem ser reconhecidas, mensalmente, respeitando os Princípios 
Fundamentais de Contabilidade, em especial os Princípios da Oportunidade e da 
Competência. 
DOCUMENTAÇÃO 
As receitas de doações, subvenções e contribuições para custeio ou investimento devem 
ser registradas mediante documento hábil. 
Por documento hábil entende-se: contrato, recibo, nota fiscal, fatura ou demonstrativo 
(planilha, rateio ou forma semelhante) que dê suporte ao respectivo lançamento 
contábil. 
RECEITAS ESPECÍFICAS 
As receitas de doações, subvenções e contribuições recebidas para aplicação específica, 
mediante constituição ou não de fundos, devem ser registradas em contas próprias 
segregadas das demais contas da entidade. 
Exemplo: 
Recebimento de uma doação, mediante depósito em conta específica, para aplicação 
num projeto de atendimento a menores carentes, no valor de R$ 1.000,00. 
D – Banco Cta. Movimento – Projeto Menor Carente (Ativo Circulante) 
C - Atendimento a Criança (Receitas de Assistência Social) 
R$ 1.000,00 
RECEITAS DE CUSTEIO 
As doações, subvenções e contribuições para custeio são contabilizadas em contas de 
receita. 
Exemplo: 
Recebimento de doação em dinheiro, no valor de R$ 100,00, para fins de custeio, sem 
condicionalidades do doador. 
D – Caixa (Ativo Circulante) 
C – Doações Incondicionais (Receitas) 
R$ 100,00 
 
 
 
OBTENÇÃO DE RENÚNCIA FISCAL 
Muitas entidades sociais, por preencherem requisitos legais, obtêm isenção de tributos, 
seja na esfera federal, estadual ou municipal. 
O incentivo fiscal é a renúncia total ou parcial de receita fiscal do governo em favor de 
entidades públicas ou privadas com objetivo de geração de benefícios sociais e 
econômicos, sendo: 
I - Isenção tributária - desobrigação legal de pagamento de tributo; 
II - Redução tributária - desobrigação legal de pagamento parcial de tributo. 
Não é porque a entidade deixa de pagar tais tributos que os mesmos não devam ser 
contabilizados, já que trata-se, obviamente, de um compromisso social – a renúncia 
fiscal deve ter contrapartida a ações gratuitas, oferecidas pela entidade. 
É aí que se utilizam contas para registrar as isenções e sua respectiva contrapartida 
social. No modelo de plano de contas anexo á presente obra, trata-se do grupo 5 
“Variações Patrimoniais”, com seus correspondentes subgrupos “5.1 – Benefícios 
Obtidos – Gratuidade” e “5.2 – Benefícios Concedidos – Gratuidade”. 
TRIBUTOS ISENTOS 
Os tributos (impostos, contribuições e taxas) devem ser registrados pelo regime de 
competência, independentemente de concessão ou não de caráter isentivo. 
Exemplo: 
Contabilização da quota do INSS, em entidade que tenha isenção de tal quota: 
D - INSS (Resultado) 
C - Impostos e Contribuições – Renúncia Fiscal (Passivo Circulante) 
Por ocasião do cumprimento das condições para a renúncia fiscal, a contabilização será: 
D - Impostos e Contribuições – Renúncia Fiscal (Passivo Circulante) 
C - Impostos Taxas e Contribuições Federais (Variações Patrimoniais) 
IRPJ E CSLL DO SUPERÁVIT 
No exercício em que a entidade obtiver superávit, registra o respectivo IRPJ e CSLL, 
como se devido fossem, do respectivo valor. 
A alíquota do IRPJ é de 15%, e da CSLL é de 9%. Se o superávit for superior a R$ 
240.000,00 no exercício de um ano (ou R$ 20.000,00 por mês), há um adicional de IRPJ 
de 10% sobre o que exceder tal valor. 
A contrapartida é uma conta de benefício recebido (conta de resultado). 
Exemplo: 
Superávit do exercício (12 meses) de R$ 10.000,00 
IRPJ = 15% de R$ 10.000,00 = R$ 1.500,00 
CSLL = 9% de R$ 10.000,00 = R$ 900,00 
Registros: 
D - IRPJ (Resultado) 
C - Impostos Taxas e Contribuições Federais (Benefícios Obtidos – Gratuidade 
Resultado) 
R$ 1.500,00 
D - CSLL (Resultado) 
C - Impostos Taxas e Contribuições Federais (Benefícios Obtidos – Gratuidade 
Resultado) 
R$ 900,00 
Nota: o registro do IRPJ e CSLL é efetuado diretamente em conta de gratuidades 
obtidas (resultado) emdecorrência da isenção não precisar ser reconhecida 
administrativamente pela SRF. No caso do INSS, a isenção depende de prestação de 
contas periódica, sujeita, portanto, a evento administrativo futuro e condicional. Para 
maiores detalhes, acesse o tópico Prestação de Contas ao MPAS. 
TRIBUTOS QUESTIONADOS JUDICIALMENTE 
Os depósitos em garantia de instância são mais freqüentes nos mandados de segurança 
impetrados com a finalidade de evitar pagamento de tributos. 
A autoridade judiciária pode se posicionar da seguinte forma em relação às discussões 
que envolvem o pagamento de tributos: 
a) concessão de medida liminar não condicionada a depósito; 
b) concessão de medida liminar condicionada a depósito. 
Concessão de Medida Liminar não Condicionada a Depósito 
Quando a medida liminar é concedida sem a obrigatoriedade do depósito, a impetrante 
fica dispensada do recolhimento do tributo questionado, porém, poderá ter que vir a 
fazê-lo mais tarde, caso perder a ação, incluindo juros. 
Desta forma, como a medida liminar está sujeita a posterior julgamento do mérito, 
podendo ser revogada, então a entidade, por questão de adesão ao princípio do 
conservadorismo, deverá contabilizar o tributo questionado. 
Tal contabilização deve ser a crédito de conta passiva, no passivo circulante, pois a 
medida liminar é em caráter precário, podendo ser revogada a qualquer momento, e a 
entidade terá que pagar no curto prazo o débito acumulado. A contabilização do crédito 
no exigível a longo prazo distorcerá as informações financeiras do balanço, não 
representando adequadamente a situação real. 
O valor do tributo ficará acumulado na conta contábil respectiva. Se a entidade obter 
vitória judicial (em sentença definitiva), o respectivo saldo será debitada na conta do 
passivo e creditado a uma conta de resultado. 
Caso a entidade perder a ação, ao valor do passivo seriam acrescentados os juros 
moratórios na data da sentença contrária, debitando-se o valor quando do pagamento 
(seja á vista ou mediante o parcelamento). 
Exemplo: 
Entidade filantrópica questiona o pagamento do INSS patronal. Obtém liminar, sem 
garantia de depósito. 
1) Contabilização da despesa, em função do princípio do conservadorismo: 
D - INSS 
C - Previdência Social Patronal 
2) Reversão do valor acumulado na conta 2.1.4.01 Previdência Social Patronal (Passivo 
Circulante), quando por ocasião da sentença definitiva (em que não há mais recurso), 
assegurando a vitória da entidade: 
D - Previdência Social Patronal 
C - Tributos Recuperados em Ações Judiciais 
Concessão de Medida Liminar Condicionada a Depósito 
Enquanto perdurar a pendenga judicial, os rendimentos produzidos por depósitos 
judiciais sujeitam-se à condição suspensiva, não cabendo, pois, a sua apropriação como 
receita, o que deverá ocorrer somente por ocasião da solução da lide ou desistência da 
ação proposta no Poder Judiciário. 
De igual forma, também não cabe a apropriação de encargos (juros) relativa à obrigação 
correspondente aos valores depositados. 
Pelo princípio do conservadorismo, deve-se, entretanto, contabilizar a despesa em conta 
de resultado, a crédito de conta passiva (exigível a longo prazo). 
A contabilização no exigível a longo prazo é plausível, desde que a contabilização do 
depósito judicial seja efetuada no realizável a longo prazo. As demandas judiciais, no 
Brasil, são longas e morosas, por isto justifica-se a contabilização de tais valores desta 
forma. 
Exemplo: 
Entidade filantrópica questiona o pagamento do INSS patronal. Obtém liminar, porém a 
mesma é condicionada a depósito em garantia de instância. 
1) Pela contabilização da parcela do INSS patronal questionado, segundo o regime de 
competência: 
D - INSS 
C - Tributos Questionados Judicialmente c/ Depósito em Garantia 
2) Pela realização do depósito: 
D - Depósitos para Garantia de Instâncias 
C - Bancos Conta Movimento 
3) Pelo recebimento do valor corrigido do depósito, quando da decisão definitiva (ganho 
de causa), sem que haja possibilidade de recurso: 
a) Reconhecimento dos juros sobre os depósitos efetuados: 
D - Depósitos para Garantia de Instâncias 
C - Juros sobre Depósitos Judiciais 
b) Saque do valor, mediante autorização judicial: 
D - Bancos Conta Movimento (Ativo Circulante) 
C - Depósitos para Garantia de Instâncias 
c) Pela baixa da conta que registrou o passivo questionado judicialmente: 
D - Tributos Questionados Judicialmente c/ Depósito em Garantia 
C - Tributos Recuperados em Ações Judiciais 
Na hipótese de transferência à Fazenda Pública, do depósito convertido em renda (perda 
da causa), a contabilização seria: 
D - Tributos Questionados Judicialmente c/ Depósito em Garantia 
C - Depósitos para Garantia de Instâncias 
 
 
 
OBTENÇÃO DE SERVIÇOS VOLUNTÁRIOS 
A maioria das entidades obtém parte da execução de suas atividades mediante utilização 
de serviços de pessoas sem remuneração, que se denomina “trabalho voluntário”. 
A seguir, uma breve explanação sobre tal sistemática. 
TRABALHO VOLUNTÁRIO 
O trabalho não-remunerado exercido pelos voluntários foi caracterizado pela Lei 
9.608/1998 como a atividade não-remunerada prestada por pessoa física a entidade 
pública de qualquer natureza, ou a instituição privada de fins não lucrativos, que tenha 
objetivos cívicos, culturais, educacionais, científicos, recreativos ou de assistência 
social, inclusive mutualidade. 
Assim, para ser enquadrado no conceito desta lei, o serviço deve ter as seguintes 
características: 
1. ser voluntário, ou seja, não pode ser imposto ou exigido como contrapartida de algum 
benefício concedido pela entidade ao indivíduo ou à sua família; 
2. ser gratuito; 
3. ser prestado pelo indivíduo, isoladamente, e não como “subcontratado” de uma 
organização da qual o indivíduo faça parte e, portanto, seja pela mesma compelido a 
prestá-lo; e 
4. ser prestado para entidade governamental ou privada, sendo que estas devem ter fim 
não lucrativo e voltado para objetivos públicos. 
O serviço voluntário não gera vínculo empregatício nem obrigação de natureza 
trabalhista, previdenciária ou afim, desde que esteja previsto em contrato escrito (termo 
de adesão) onde devem constar a correta identificação do prestador e do tomador dos 
serviços, natureza do serviço e condições para seu exercício, tais como carga horária, 
local, material de apoio e afins. 
A lei autorizou, também, o ressarcimento de despesas incorridas pelo voluntário, desde 
que estas sejam expressamente autorizadas pela entidade tomadora e sejam realizadas 
no desempenho das atividades voluntárias, mediante notas fiscais e recibos. 
O serviço voluntário não gera vínculo empregatício nem obrigação de natureza 
trabalhista, previdenciária ou afim, desde que esteja previsto em contrato escrito. 
MENSURAÇÃO DE VALOR 
Recomenda-se que a fixação do valor da gratuidade do serviço voluntário obtido seja 
feita com base no “valor-hora” ou tabela de honorários da correspondente atividade ou 
profissão. 
Assim, a recepção de serviços médicos será valorada pela tabela da respectiva classe 
profissional. 
Uma prestação de serviços voluntários de consertos elétricos, por um profissional da 
área, será mesurado pelas horas tomadas no tal serviço, multiplicado pelo valor hora de 
mercado do correspondente profissional. 
Exemplo: 
Determinada manutenção elétrica tomou 2 horas de serviço voluntário de eletricista. 
Sabe-se que o valor-hora do respectivo profissional, na área de atendimento, é de R$ 
20,00. Então, o serviço voluntário prestado corresponderá a 2 x R$ 20,00 = R$ 40,00. 
REGISTRO CONTÁBIL 
A maioria dos serviços voluntários é prestada para atendimento direto nocusteio das 
atividades, portanto, se constituirá numa despesa. 
No modelo de plano de contas sugerido (Entidade Social), o grupo 5 - Variações 
Patrimoniais, se aplica para registros de receitas (ou despesas) não pagas (ou recebidas) 
financeiramente, como exemplo: obtenção de serviços voluntários gratuitos. 
Porém, na hipótese dos serviços serem executados na confecção de bens em estoques, 
tal contra-partida será a débito do ativo. 
Vamos exemplificar: 
1) Serviços voluntários prestados por professores em programa de reforço escolar, sem 
qualquer contrapartida dos beneficiários: 
D - 5.2.1.02 Educação (conta de Benefícios Concedidos – Gratuidade) 
C - 5.1.2.02 Educação (conta de Obtenção de Serviços Voluntários) 
2) Serviços voluntários obtidos de equipe de costureiras, na confecção de roupas a 
serem doadas: 
D - 1.1.3.04 Mercadorias para Distribuição (Estoques – Ativo Circulante) 
C - 5.1.2.03 Assistência Social (conta de Obtenção de Serviços Voluntários) 
Na subseqüente distribuição das roupas, de forma gratuita: 
D - 5.2.1.03 Assistência Social (conta de Benefícios Concedidos – Gratuidade) 
C - 1.1.3.04 Mercadorias para Distribuição (Estoques – Ativo Circulante) 
 
 
 
SUBVENÇÕES 
Subvenção é a contribuição pecuniária, prevista em lei orçamentária, concedida por 
órgãos do setor público a entidades públicas ou privadas, com o objetivo de cobrir 
despesas com a manutenção e o custeio destas, com ou sem contraprestação de bens ou 
serviços da beneficiária dos recursos. 
As subvenções devem ser reconhecidas no recebimento efetivo. 
As transferências a título de subvenção que correspondam ou não a uma contraprestação 
direta de bens ou serviços para a entidade transferidora, são contabilizadas como receita 
na entidade recebedora dos recursos financeiros. 
Exemplo: 
Recebimento de Subvenção municipal no valor de R$ 3.000,00, relativamente á 
manutenção de pessoal: 
1) Registro do recebimento da verba, na conta bancária: 
D – Bancos Conta Movimento – Recursos com Restrições (Ativo Circulante) 
C – Subvenções Municipais (Receitas) 
R$ 3.000,00 
2) Registro nas contas de compensação: 
D – Subvenção Municipal – Destinação de Recursos Humanos (Conta de Compensação 
Ativa) 
C – Subvenção Municipal a Destinar – Recursos Humanos (Conta de Compensação 
Passiva) 
R$ 3.000,00 
Por ocasião do efetivo pagamento das despesas de pessoal (folha de pagamento, férias e 
13o salário), baixa-se as contas de compensação, pelo lançamento: 
D - Subvenção Municipal a Destinar – Recursos Humanos (Conta de Compensação 
Passiva) 
C - Subvenção Municipal – Destinação de Recursos Humanos (Conta de Compensação 
Ativa) 
R$ 3.000,00 
 
 
 
SUPERÁVIT OU DÉFICIT DO EXERCÍCIO 
No encerramento do exercício social, normalmente em 31 de dezembro de cada ano, a 
contabilidade deve proceder à apuração do superávit ou déficit. 
O valor do superávit ou déficit do exercício deve ser registrado na conta Superávit ou 
Déficit do Exercício enquanto não aprovado pela assembléia dos associados e após a 
sua aprovação, deve ser transferido para a conta Patrimônio Social. 
Exemplo: 
Determinada entidade apresentou superávit de R$ 105.000,00 no exercício. 
Inicialmente, este valor deve ser transferido da seguinte forma: 
D – Superávit do Exercício (conta do Encerramento de Resultado) 
C – Superávit Acumulado (conta do Patrimônio Social) 
R$ 105.000,00 
Posteriormente, se tal valor for destinado, pela Assembléia que aprovar a respectiva 
demonstração, para incorporação na conta Patrimônio Social, procede-se ao seguinte 
lançamento: 
D - Superávit Acumulado (conta do Patrimônio Social) 
C - Fundo Institucional (conta do Patrimônio Social) 
R$ 105.000,00. 
Nota: a Assembléia pode constituir outros fundos, inclusive especiais. Neste caso, o 
valor aprovado será transferido a conta especificada, conforme decisão da respectiva 
Assembléia. 
 
 
 
O QUE É O TERCEIRO SETOR 
Denomina-se “terceiro setor” o conjunto das organizações não governamentais (sigla 
ONG). 
Caracterizam-se como ONG as entidades que não têm finalidade de lucro e não derivam 
do poder público, congregando objetivos sociais, filantrópicos, culturais, recreativos, 
religiosos, ecológicos ou artísticos. 
O primeiro setor é o governo, que é responsável pelas questões sociais. 
O segundo setor é o privado, responsável pelas questões individuais, tendo objetivo 
primordial o lucro. 
O terceiro setor é constituído por organizações sem fins lucrativos e não 
governamentais, que tem como objetivo gerar serviços de caráter público. 
TIPOS DE ENTIDADES 
Destacam-se os seguintes tipos de entidades do terceiro setor no Brasil: 
a) Associações 
b) Fundações 
c) Cooperativas Sociais 
d) Organizações Sociais 
e) Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público - OSCIP 
 
 
 
VENDA DE BENS OU SERVIÇOS 
As entidades que obtém recursos através de venda de bens ou serviços devem registrar 
tais rendas pelo regime de competência, destacadamente da receita auferida de outras 
fontes, como doação, subvenções, etc. 
Observe que também devem ser contabilizadas as respectivas despesas e custos 
relativos à obtenção da receita, pois o reconhecimento da receita deve ser consentâneo 
ao custo correspondente. 
Assim, a venda de produtos em estoques, devem ocorrer 2 registros simultâneos: 
1) a receita, a débito de disponibilidades ou de créditos a receber e 
2) a baixa dos estoques dos respectivos produtos vendidos, bem como as despesas de 
frete e tributos incidentes sobre a operação. 
Exemplo: 
Venda, em bazar de artigos artesanais, de R$ 1.000,00. O estoque dos referidos artigos 
vendidos era de R$ 400,00 e a tributação é a seguinte: 
ICMS: isento, por lei estadual (artigos artesanais) 
COFINS: 3% sobre a receita 
Cálculo: 
COFINS = R$ 1.000,00 x 3% = R$ 30,00 
Lançamentos contábeis: 
1) Registro das vendas: 
D - Caixa (Ativo Circulante) 
C - Vendas de Bens e Serviços (Resultado) 
R$ 1.000,00 
2) Baixa dos estoques vendidos: 
D - (-) Custo das Vendas de Bens e Serviços (Resultado) 
C - Mercadorias e Produtos á Venda (Estoques – Ativo Circulante) 
R$ 400,00 
3) Tributos na operação de venda: 
D - (-) Despesas Tributárias das Vendas (Resultado) 
C - COFINS (Passivo Circulante) 
R$ 30,00 
NOTAS SOBRE A TRIBUTAÇÃO DE VENDAS DAS ENTIDADES DO TERCEIRO 
SETOR 
A possível isenção fiscal que gozam determinadas entidades é relativa á suas atividades-
fins. A realização de operações mercantis como forma de levantamento de recursos 
obriga tais entidades ao regime tributário decorrente de tais operações. A isenção é para 
o objeto social, e não para as operações mercantis. 
O contabilista deve alertar aos responsáveis e administradores da diferença de 
tratamento tributário entre a obtenção de recursos mediante doações, subvenções e 
contribuições daquelas decorrentes de operações mercantis típicas (compra e venda de 
produtos e serviços). 
Para maiores detalhamentos sobre questões tributárias das entidades do terceiro setor, 
acesse o tópico correspondente. 
VENDAS EM CONSIGNAÇÃO 
Há situações em que a entidade tem a posse de um determinado bem de terceiro e, 
realizando a venda, passa a deter parte do resultado obtido. Nesta hipótese, os registros 
contábeis devem ser feitos como os de transação em conta alheia. 
Exemplo: 
Venda de artesanatos de terceiros, recebidos em consignação. O valor consignado é de 
R$ 1.000,00, e o valor da venda foi de R$ 1.500,00. Os lançamentos serão: 
1) Pela recepção dos produtos consignados: 
D - Mercadorias e Produtos em Consignação (Estoques – Ativo Circulante) 
C - Consignações de Mercadorias e Produtos (Passivo Circulante) 
R$ 1.000,002) Pela venda dos aludidos artesanatos: 
D - Caixa 
C - Vendas de Bens e Serviços (Resultado) 
R$ 1.500,00 
3) Pela baixa dos estoques a custo das vendas: 
D - (-) Custo das Vendas de Bens e Serviços (Resultado) 
C - Mercadorias e Produtos em Consignação (Estoques – Ativo Circulante) 
R$ 1.000,00 
4) Pela contabilização da COFINS: 
D - (-) Despesas Tributárias das Vendas (Resultado) 
C - COFINS (Passivo Circulante) 
R$ 45,00 
5) Pelo pagamento dos artesanatos ao consignante: 
D - Consignações de Mercadorias e Produtos (Passivo Circulante) 
C - Caixa 
R$ 1.000,00

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