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�PAGE \* MERGEFORMAT�5� Aula – Esfera Pública (e Esfera Privada) REFERÊNCIAS BASILARES: ARENDT, Hannah. A condição humana. 10. ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2007. HABERMAS, Jürgen. Mudança estrutural da esfera pública: investigações sobre uma categoria da sociedade burguesa. São Paulo: Editora Unesp, 2014. REFERÊNCIAS DE APOIO: CORREIA, Adriano. A vitória da vida sobre a política. CULT. 129. ed. 2010. Disponível em:<http://revistacult.uol.com.br/home/2010/03/a-vitoria-da-vida-sobre-a-politica/>. VALLADARES, Christiane. A esfera pública e a política segundo Hannah Arendt. Monografia (Curso de Especialização em Instituições e Processos Políticos do Legislativo). Brasília: Centro de Formação e Aperfeiçoamento Câmara dos Deputados, 2009. Disponível em:<http://www2.camara.leg.br/responsabilidade-social/edulegislativa/educacao-legislativa-1/posgraduacao/arquivos/publicacoes/banco-de-monografias/ip-3a-edicao/ChristianeAparecidaSilvaValladaresIP3ed.pdf>. → Para Arendt, é a partir de três categorias de atividades que se dá vida ativa, sendo elas: o trabalho, a obra e a ação. → A autora aponta para a destruição das condições de existência do ser humano no mundo moderno, operada pela sociedade de massa. O trabalho: O trabalho é o modo como resolvemos permanentemente o fato de sermos viventes, como os outros animais e as plantas, que têm de saciar as necessidades permanentemente repostas do processo vital. → É uma atividade derivada da necessidade e concomitante futilidade do processo biológico, qualifica-a como a do animal laborans. A obra: A obra diz respeito ao legado não-natural do passado, ao mundo, que clama por conservação e renovação e ao mesmo tempo confirma nossa singularidade ante os outros viventes. → Também está contido no processo vital. É através dele que o homem, neste caso o homo faber, cria coisas, extraídas da natureza, convertendo o mundo num espaço de objetos partilhados pelo homem. É a atividade que garante a permanência de um mundo comum, a durabilidade do mundo. A ação: A ação responde à condição humana da pluralidade. → Para a autora, essa terceira atividade é a única que se exerce diretamente entre os homens sem a mediação das coisas ou da matéria, e tem como atributo criar a possibilidade para o exercício da liberdade e, consequentemente, a instauração do novo. Na era moderna, uma das manifestações de tal ameaça é o persistente tratamento dos objetos de uso como se fossem bens de consumo. A repetição e a interminabilidade impressas ao processo de fabricação de objetos após a revolução industrial o contaminaram com a circularidade peculiar ao trabalho, à produção de bens para o consumo, que não deixa nada de durável atrás de si. Dada a necessidade de substituir o mais rapidamente possível as coisas mundanas que nos rodeiam, devido à permanente ampliação da capacidade produtiva dos homens, não mais zelamos pela durabilidade delas. Pelo contrário, acabamos por consumir, por devorar, os objetos do mundo – nossas casas, nossa mobília, nossos carros – como se fossem bens de consumo, tragando-os para o ciclo interminável do metabolismo do homem com a natureza. Em decorrência disso, na modernidade os ideais do fabricante de objetos do mundo, o homo faber, que são a permanência, a estabilidade e a durabilidade, são sacrificados em nome da abundância, da saciedade e do conforto, que são os ideais do animal laborans. O que está em questão é a capacidade humana de erigir um modo de vida para além de sua inextirpável animalidade que, uma vez não atualizada, pavimenta a via da ocupação exclusiva com o prolongamento de uma vida confortável. ESFERA PÚBLICA E ESFERA PRIVADA → Na segunda aula, ao contextualizarmos o papel dos meios de comunicação, principalmente o do Jornal, no processo de disseminação da informação, mediante a complexidade de sociedade que surgia – cidades modernas/sociedades complexas – e as multidões que precisavam ser comunicadas e informadas automaticamente, se valendo do jornal para isso. → Apresentando assim a “Ideia de que o sujeito se fechava para o mundo/realidade quando abria o jornal”. → Ao trazermos a presente asserção para a aula de hoje, como forma de compreender o surgimento e tentativa de consolidação de uma esfera pública (e privada), com a emergência da mídia moderna, torna-se necessário um esforço imaginativo para trabalhar a noção de esfera pública em termos de um espaço social gerado pela comunicação. → Ou seja, o papel da comunicação para compreender mais e melhor o surgimento da Opinião Pública, atrelado a isso a Esfera Pública. → Nesse sentido, os jornais contribuíram genericamente para o surgimento da opinião pública, apenas retomando, termo cunhado por volta de 1750 (em inglês por volta de 1781 e em alemão, por volta de 1793). → Esse termo é redefinido a partir do trabalho de Jürgen Habermas que resultará no livro “Mudança estrutural da esfera pública” (resultado de sua tese de pós-doutorado, apresentado em 1961). → Segundo Habermas, a expressão Esfera Pública originou-se com base na tradução de uma palavra alemã OFFENTLICHKEIT (publicidade, no sentido de tornar-se público). → Prosseguindo, precisamos compreender que a esfera pública é a palavra, essa que se destina a convencer os interlocutores, servindo-se de argumentos e razões. → Vale destacar que as trocas públicas dos argumentos são conduzidas aqui com razoabilidade e racionalidade (OU SEJA, IMPORTÂNCIA DA LINGUAGEM DA COMPREENDER O POTENCIAL DA ESFERA E DA OPINIÃO PÚBLICA). → Sendo assim, uma discussão dotada de sentido social supõe que se discutam e empreguem-se argumentos que são dispostos em posições e contraposições voltadas para a obtenção de uma opinião prevalente ou de um consenso possível. → ASSIM, PARTICIPAR DA ESFERA PÚBLICA SIGNIFICA COMPROMETER-SE A OBEDECER ÀS LEIS DA RACIONALIDADE E DA DISCURSIVIDADE, prosseguindo... → A ARGUMENTAÇÃO PÚBLICA QUE SE REALIZA NA ESFERA PÚBLICA “CONSTRINGE” OS PARCEIROS DO DEBATE A ACEITAR COMO ÚNICA AUTORIDADE AQUELA QUE EMERGE DO MELHOR ARGUMENTO. → Até agora falamos da importância da discursividade no processo de uma opinião (pública) em uma Esfera Pública, mas afinal o que é e como surge a Esfera Pública? A esfera pública moderna (nos interessa compreender a esfera pública moderna, pois bebemos de sua fonte e somos constituídos até hoje por esses ideais) nasce com a Burguesia (essa classe que se firma no século XIX). → Para Habermas, valendo-se de Kant: O público dos “seres humanos” que discute mediante razões constitui-se no público dos “cidadãos”, no qual ele se entende sobre assuntos da “coletividade”. Essa esfera pública politicamente ativa torna-se, sob uma “constituição republicana”, o princípio organizador do Estado de direito liberal. Em seu âmbito, a sociedade civil é estabelecida como esfera da autonomia privada (cada um deve poder procurar sua “felicidade” pelo caminho que lhe parecer mais auspicioso). MINIMAMENTE COM O EXCERTO DE HABERMAS, PODEMOS LOCALIZAR INDÍCIOS DO QUE COMPETE A ESFERA PÚBLICA E O QUE ESTÁ PARA A ESFERA PRIVADA. → Se a esfera pública é o lugar da confluência da palavra e do agir humano em direção ao consenso social é, por conta disso, o lugar onde os homens revelam a sua singularidade. → A condição de sujeito ativo (pensamento contemporâneo deste conceito – “sujeito ativo”) permite ao homem revelar o que o torna singular, e isso o leva a inserir-se no mundo (A SOCIALIZAÇÃO BUSCA PELAS SINGULARIDADES). → Continuando, ao falarmos sobre as contribuições de Habermas – aluno de Arendt –, sobre Opinião Pública... → Torna-se necessário demarcar que: compreender as suas contribuições sobre a continuidade nos estudos da Esfera Pública (de sua professora), propicia uma melhor definição para campo midiático sobre o conceito da esfera pública burguesa. → Para o autor, a ESFERA PÚBLICA pode ser melhor descrita como UMA REDE PARA COMUNICAR (no sentido de transmitir) INFORMAÇÕES E PONTOS DE VISTA; → os fluxos decomunicação são, no processo, filtrados e sintetizados de tal forma que se aglomeram em feixes de opiniões pública tematicamente especificadas. ADENDO: do mesmo modo que o mundo da vida como um todo, a esfera pública também é reproduzida por meio da ação comunicativa, para qual o domínio da língua natural é suficiente; essa é configurada para a compreensão geral na prática comunicativa cotidiana. (AÇÃO COMUNICATIVA�, pedir para articular com TEORIAS DA COMUNICAÇÃO). → A partir da definição do autor sobre Esfera Pública, percebemos como essa esfera pública pode ser percebida na vida cotidiana, na experiência diária dos indivíduos, a partir de uma linguagem comum e acessível a todos. → Ao lançar a presente asserção, percebemos a contribuição da comunicação PRODUZIDA PELA MÍDIA para a DIVULGAÇÃO e FORMAÇÃO do próprio ESPAÇO PÚBLICO no qual ocorre a reflexão da vida social de forma aprofundada. → A contribuição dos VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO, consiste em enxergá-los como parte integrante e central do desenvolvimento das estruturas dos processos sociais. → OU SEJA, O DESENVOLVIMENTO DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO PARA HABERMAS NÃO DESTRUÍU O ESPAÇO PÚBLICO, MAS SIM CRIOU UM NOVO ESPAÇO PÚBLICO, ONDE OCORRE A REFLEXÃO DA VIDA SOCIAL MAIS PROFUNDAMENTE. → Essa nova esfera pública (midiática - se assim, pudermos dizer) prioriza a racionalidade comunicativa para o uso do convencimento para a produção do consenso. → Continuando, a esfera pública (RELEMBRAR A IDEIA DE PÚBLICO) é diferenciada em níveis de acordo com a densidade de comunicação, a complexidade organizacional e o objetivo, desde: O público esporádico encontrado nas tavernas, casas de café, ou nas ruas; Públicos ocasionais ou arranjados de apresentações particulares e eventos, tais como peças teatrais, concertos de rock, assembleias partidárias ou congressos de igreja; Até o público abstrato de leitores isolados, ouvintes e expectadores dispersos em amplas áreas geográficas, ou mesmo pelo globo, e apenas conectados pela mídia de massa (AQUI VEMOS UMA ESFERA PÚBLICA ORIGINÁRIA DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO). ... ESFERA PÚBLICA E ESFERA PRIVADA → Habermas, seguindo Arendt, estabeleceu a diferenciação entre a esfera privada e pública. → Frente ao poder público do estado apresentaria a esfera privada, subdivida entre o âmbito íntimo da família e as relações econômicas e de trabalho social. → E no contexto das relações econômicas e de trabalho social que se incluiriam as práticas habitualmente atribuídas aos meios de comunicação de massas. → Entender a distinção entre uma esfera de vida privada e uma esfera de vida política, é → demarcar a divisão entre as esferas pública e privada, entre a esfera da polis (pública) e a esfera da família (privada). ESFERA PÚBLICA como a condição e possibilidade de apropriação por parte do homem na realidade das coisas. A esfera pública assegura o fato de que ela existe para a geração presente, mas, sobretudo a sua existência visa à construção e a permanência para as futuras gerações. ESFERA PRIVADA realiza-se, para Arendt, uma explicação dos conceitos de propriedade e riqueza. Segundo a autora, viver na esfera privada significa estar privado de ser ouvido e visto por todos numa comunidade política em que os indivíduos partilham objetivamente de uma ação política num espaço comum (EM SUA CONCEPÇÃO INICIAL). → A esfera privada limita-se a um interesse pessoal circunscrito aos condicionalismos da sobrevivência biológica na família e na casa. → Antigamente a ideia de privado era da possibilidade de realizar algo mais permanente que a própria vida. Privado de uma relação objetiva. Privado da realidade que advém do fato de ser visto e ouvido por outros. → Nesse sentido, a autora assevera que perdeu quase que por completo o seu sentido antigo e: hoje, o que chamamos de privado não passa de um círculo de intimidades. Contemporaneamente... → Esfera pública: é uma construção, ao mesmo tempo, intelectual e coletiva. A construção da esfera pública é, na verdade, resultado de uma convenção social específica. Assim sendo, irá integrar a esfera pública aquilo que toda coletividade, e não apenas uma parte dela, pactuar, explícita ou implicitamente, ser de interesse comum. → A construção da esfera pública será também sempre historicamente delimitada. AFINAL aquilo que em um determinado momento histórico é considerado como indubitavelmente público pode não o ser em outro. → A clara separação entre esfera pública e esfera privada é a marca distintiva das sociedades capitalistas e democráticas contemporâneas em relação às demais. → Assim sendo, a esfera pública, é por excelência, a esfera de ação do Estado, enquanto a esfera privada é a de ação dos indivíduos na sociedade civil. � Vinculado ao modelo da ação comunicativa, Habermas apresenta a situação lingüística ideal: o discurso. Para Habermas, discurso (Diskurs) refere-se a uma das formas da comunicação ou da “fala” (Rede), que tem por objetivo fundamentar as pretensões de validade das opiniões e normas em que se baseia implicitamente a outra forma de comunicação ou “fala”, que chama de “agir comunicativo” ou “interação”. O discurso – teórico ou prático, conforme se refira a pretensões de validade de opiniões ou de normas sociais – no sentido de Habermas possui um aspecto intersubjetivo, que serve para classificá-lo como uma espécie do gênero “comunicação”, e um lógicoargumentativo, que serve para determiná-lo como caso específico da fundamentação de pretensões de validade problematizadas (Almeida 1989). Fonte: GONÇALVES, Maria Augusta Salin. Teoria da ação comunicativa de Habermas: possibilidades de uma ação educativa de cunho interdisciplinar na escola. Educação & Sociedade, ano XX, n. 66, Abril. 1999. Disponível em:<� HYPERLINK "http://www.scielo.br/pdf/es/v20n66/v20n66a6.pdf" �http://www.scielo.br/pdf/es/v20n66/v20n66a6.pdf�>.