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Material de estudo — Medicina Página 1
4. Sepse e choque séptico
Guia de revisão — reconhecimento, avaliação inicial e princípios de manejo
Como usar: leia a sequência, tente explicar os mecanismos sem consultar e depois revise os
pontos de decisão clínica.
1. Conceitos fundamentais
Sepse. Disfunção orgânica ameaçadora à vida causada por resposta desregulada do hospedeiro à
infecção. Não é sinônimo de bacteremia nem depende de hemocultura positiva.
Choque séptico. Subgrupo com alterações circulatórias e metabólicas profundas; operacionalmente,
necessidade de vasopressor para manter pressão arterial média ≥ 65 mmHg e lactato > 2 mmol/L apesar
de reposição volêmica adequada.
2. Reconhecimento clínico
Suspeita. Infecção possível ou confirmada associada a alteração aguda do estado mental, hipotensão,
taquipneia, hipoxemia, oligúria, pele marmórea, enchimento capilar lento ou alteração de lactato.
qSOFA. FR ≥ 22/min, pressão sistólica ≤ 100 mmHg e alteração do estado mental. É um alerta
prognóstico à beira-leito, não deve ser usado isoladamente para excluir sepse.
3. Avaliação inicial
ABCDE. Avalie via aérea, respiração, circulação, estado neurológico e exposição. Procure foco infeccioso,
sinais de hipoperfusão e disfunção orgânica.
Exames. Lactato, hemograma, função renal/hepática, eletrólitos, gasometria quando indicada, culturas
antes do antibiótico se isso não atrasar o tratamento e exames de imagem conforme o foco.
Culturas. Hemoculturas e culturas do foco ajudam a identificar o agente e direcionar terapia. Não se deve
atrasar antibiótico em paciente instável para obter amostras.
4. Tratamento inicial
Antimicrobianos. Inicie antimicrobianos rapidamente quando houver alta probabilidade de sepse ou
choque, escolhendo cobertura conforme foco, gravidade, epidemiologia local e risco de resistência.
Reavalie e descalone conforme resultados.
Fluidos. Cristaloides são usados na ressuscitação de hipoperfusão. A quantidade deve ser individualizada
e reavaliada frequentemente, especialmente em insuficiência cardíaca ou renal.
Vasopressor. Noradrenalina é geralmente o vasopressor de primeira linha no choque séptico. A meta
inicial usual de pressão arterial média é 65 mmHg, ajustada ao paciente.
5. Controle do foco e monitorização
Foco. Drenagem de abscesso, retirada de dispositivo infectado, desobstrução ou cirurgia podem ser
essenciais. O controle do foco deve ocorrer o mais cedo possível quando indicado.
Reavaliação. Acompanhe pressão, perfusão periférica, estado mental, diurese, lactato quando indicado,
oxigenação e resposta a fluidos/vasopressores.
6. Erros comuns
Evite. Esperar cultura positiva para reconhecer sepse; usar qSOFA como único rastreio; administrar fluidos
sem reavaliar; manter antibiótico amplo sem revisão; esquecer controle do foco.
Sepse é emergência médica. Este resumo não substitui protocolos institucionais nem avaliação especializada.

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