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Resumo medicina nuclear Tema 1
A medicina Nuclear teve inicio em 1896 descoberta por Henri Becquerel
Em 1898 Pierre e Marie Curie descobriram o Polônio e o radio ( Elementos Radioativos naturais )
Em 1932 Frederic e Irene Joliot-curie produziram artificialmente isótopos radioativos dos elementos de baixo numero atômico. 
1958 foi inventado o primeiro gerador 99mTC
 - Na medicina nuclear, os radionuclídeos são usados para diagnóstico ou terapia, não têm afinidade natural por órgãos específicos.
· São ligados a fármacos que conseguem levá-los até o local desejado. Quando um fármaco está marcado com um radionuclídeo, é chamado de radiofármaco.
· Os radiofármacos podem ser administrados por ingestão, inalação ou injeção. 
· A distribuição deles no corpo (biodistribuição) depende da combinação entre o fármaco e o radionuclídeo.
 Um mesmo radionuclídeo pode ser usado com diferentes fármacos para atingir órgãos distintos.
Ex: o tecnécio-99m pode ser usado com estanho coloidal para estudar o fígado ou com Dextran 500 para avaliar vasos linfáticos.
 Preparo de radiofármacos
 Geralmente utiliza o tecnécio-99m, obtido pela eluição de um gerador de molibdênio-99. A atividade do tecnécio extraído depende do tempo após a calibração e do decaimento radioativo, podendo ser calculada com fatores específicos.
Após a eluição, o tecnécio é usado para marcar fármacos, formando radiofármacos. A atividade final também depende do tempo de crescimento do tecnécio entre as eluições.
Os fármacos, como MDP, DMSA, MIBI e DTPA, geralmente vêm liofilizados e passam por processos semelhantes de marcação. Depois de preparados, são administrados em doses específicas (em mCi) conforme o exame, como na cintilografia óssea com MDP.
- A radiofarmácia 
É a área da farmácia voltada à produção, preparo, controle de qualidade e pesquisa de radiofármacos. Também é o local onde essas atividades são realizadas, podendo ser classificada em: 
Radiofarmácia industrial (produção),
 Radiofarmácia centralizada (distribuição) 
Radiofarmácia hospitalar (preparo das doses para pacientes).
As boas práticas incluem:
· eluição
· Produção
· fracionamento
· rigoroso controle de qualidade.
 Os radiofármacos devem ser: 
· Estéreis
· Apirogênicos
· Atóxicos
· Isotônicos
· Com pH adequado 
· Livres de impurezas e partículas.
- Testes importantes avaliam a pureza : 
Radioquímica (marcação correta) 
 Radionuclídica (ausência de contaminantes)
A estrutura da radiofarmácia deve garantir segurança, com blindagens, equipamentos adequados
Detectores gasosos
- Utilizam um gás entre dois eletrodos com tensão elétrica para detectar radiação ionizante. Quando a radiação interage com o gás, ocorre ionização e são gerados pulsos elétricos que podem ser medidos.
Funcionamento
Depende da tensão aplicada, que define diferentes regiões de operação. 
1. Região de saturação iônica (câmaras de ionização),têm maior estabilidade, precisão e resposta rápida, 
2. Região Geiger-Müller, ocorre o efeito avalanche, que amplifica muito os sinais, têm maior incerteza, tempo de resposta mais longo.
O tempo de resposta do detector depende do tempo de detecção somado ao tempo morto, que é o intervalo necessário entre dois pulsos consecutivos.
 Contador Geiger-Müller 
É um detector muito usado na medicina nuclear para identificar contaminação, especialmente em superfícies, utilizando o modelo tipo pancake. registra a radiação por meio de pulsos, medidos em contagens por segundo ou por minuto.
Principais vantagens:
 Alta sensibilidade e a capacidade de detectar vários tipos de radiação (α, β, γ e X). 
Desvantagens incluem: 
 Alto tempo de resposta e a incerteza nas medições.
Ativímetro (ou calibrador de dose)
 Equipamento usado para medir a atividade de radionuclídeos em amostras, essencial no preparo correto das doses de radiofármacos 
Funciona com uma câmara de ionização do tipo poço, onde a amostra é colocada para medição.
Detectores por cintilação:
 Funcionam convertendo radiação ionizante (raios X ou gama) em luz, por meio de um cristal cintilador.
Principais vantagens: 
 São a alta sensibilidade e grande precisão, enquanto as desvantagens incluem o alto custo e a fragilidade do cristal.
São amplamente usados em equipamentos de imagem, como câmaras gama (SPECT), permitindo reduzir a dose de radiofármacos e o tempo de exame. 
 Sonda de captação (ou cintígrafo linear)
 É um detector por cintilação usado para medir quanto de radiofármaco um órgão absorve, principalmente a tireoide em terapias com iodo-131. Essa captação é essencial para definir a dose correta do tratamento, como no hipertireoidismo ou na ablação após retirada da tireoide.
- O método consiste em medir a radiação em diferentes regiões: 
· tireóide 
· coxa
· simulador e fundo
· calcular a porcentagem de captação, descontando interferências do corpo e do ambiente.
O iodo-131 é amplamente utilizado porque a tireoide absorve grande parte do iodo ingerido, permitindo um tratamento localizado. Em alguns casos, usa-se iodo-123 para diagnóstico por emitir apenas radiação gama.
Gama-câmara, ou câmara Anger
 É um equipamento de medicina nuclear usado para produzir imagens do corpo após a administração de radiofármacos emissores de radiação gama. 
Ela permite obter imagens tomográficas, sendo também chamada de SPECT (tomografia por emissão de fóton único).
Os detectores à cintilação são compostos por três elementos principais:
1. Cristal cintilador – converte a radiação gama em luz. 
2. Tubo fotomultiplicador – transforma a luz em elétrons e multiplica essa quantidade. 
3. Pré-amplificador – intensifica o sinal elétrico para processamento. 
Função do colimador
Estrutura removível que bloqueia radiação espalhada, permitindo que apenas feixes com a direção correta atinjam o cristal cintilador. 
Contém lâminas de material radiopaco; apenas os raios paralelos ou com a divergência adequada passam
1. Bandas de energia:
· Banda de valência: elétrons “presos” nas ligações atômicas. 
· Banda proibida (gap): faixa de energia que nenhum elétron pode ocupar. 
· Banda de condução: elétrons podem se mover livremente. 
2. Fotoluminescência: 
Um fóton gama transfere energia a um elétron da banda de valência. 
O elétron salta para a banda de condução. 
Ao retornar à banda de valência, emite um fóton de luz com energia correspondente à diferença entre as bandas (ΔE = h × ν). 
Integração com o SPECT
· O fóton emitido pelo cristal é captado pelo fotocátodo. 
· Eletrons liberados passam por dínodos, multiplicando a corrente elétrica. 
· O sinal final é amplificado pelo pré-amplificador e processado por computador, formando a imagem
Princípios gerais
Sistemas de cintilação podem discriminar fótons pela energia. Quanto maior a energia do fóton gama, maior a intensidade do sinal elétrico gerado pelo tubo fotomultiplicador. 
Sinais elétricos são organizados em canais de energia, cada um representando uma faixa de energia detectada. 
Testes diários:
· Inspeção visual: verifica integridade física do equipamento. 
· Uniformidade de baixa densidade: intrínseca (sem colimador) e extrínseca (com colimador) usando fonte de baixa atividade. 
· Centralização e largura da janela energética: ajuste do fotopico para cada radionuclídeo. 
· Radiação de fundo: mede radiação presente na sala de exame. 
· Desempenho geral da câmara SPECT: testes com objetos simuladores. 
Princípios básicos do PET (Tomografia por Emissão de Pósitrons)
1. Disposição dos detectores: 
Os detectores formam um anel fixo dentro do gantry do equipamento. 
Esse arranjo permite captar radiação de qualquer ângulo ao redor do paciente. 
2. Detectores: 
São cristais cintiladores, semelhantes aos usados no SPECT. 
Convertendo fótons gama emitidos pela aniquilação do pósitron em sinais luminosos, que são amplificados por fotomultiplicadores. 
3. Técnica de detecção: 
O PET utiliza detecção por coincidência, captando simultaneamente os dois fótons gama emitidos em direções opostas após a aniquilação do pósitron. 
Isso permite determinar a linha de resposta (LOR – line of response)onde ocorreu a aniquilação. 
4. Reconstrução de imagem: 
As imagens são geradas usando retroprojeção filtrada ou algoritmos iterativos. 
O resultado final é um mapa tridimensional da distribuição do radiofármaco no corpo. 
5. Classificação do equipamento: 
O PET é considerado um tomógrafo de quarta geração, devido ao anel completo de detectores e à detecção simultânea de coincidências.
Detecção por Coincidência no PET
1. Princípio básico 
Pacientes recebem um radiofármaco emissor de pósitrons (β+). 
O pósitron emitido encontra um elétron no corpo, resultando em aniquilação. 
A aniquilação gera dois fótons gama de 511 keV, emitidos em direções opostas (180° entre si). 
2. Detecção por coincidência 
Apenas os fótons detectados simultaneamente em detectores opostos são contabilizados. 
Isso garante que os fótons vêm do mesmo evento de aniquilação. 
Há uma pequena diferença de tempo entre a chegada de cada fóton, pois percorrem distâncias diferentes. 
Tamanho dos detectores: 
Considerando uma fonte pontual, a largura a meia altura (FWHM) do pulso gerado define a resolução do detector. 
FWHM ≈ metade da largura física do detector. 
Quanto menor o detector e menor o alcance do pósitrons, melhor a resolução espacial. 
Limitações físicas do processo de aniquilação e da detecção determinam a precisão máxima.
Sensibilidade no PET
1. Definição 
Capacidade do sistema de detectar fótons emitidos pelo paciente. 
Depende de três fatores principais: 
· Eficiência intrínseca do detector (ε) 
· Geometria do sistema 
· Absorção dos fótons pelo corpo do paciente 
Para fótons de 511 keV (emissão de aniquilação), diferentes cintiladores apresentam diferentes eficiências:
BGO é o mais utilizado em PET devido à sua alta eficiência. 
Influência da geometria 
Sensibilidade depende da posição do evento de aniquilação em relação aos detectores. 
Condição favorável: alinhamento perfeito entre fótons e detector → máxima detecção. 
Condição desfavorável: incidência oblíqua → menor detecção. 
2. Absorção pelo corpo do paciente 
Fótons podem ser parcialmente absorvidos antes de atingir os detectores, reduzindo a sensibilidade efetiva do sistema.
3. Aplicações clínicas : Estudos de perfusão (fluxo sanguíneo em tecidos). Avaliação de processos metabólicos, como captação de glicose ou outros marcadores. Melhora a qualidade e a confiabilidade das imagens PET, permitindo diagnósticos mais precisos. 
Correção de Tempo Morto
É um intervalo após a detecção de um fóton em que o detector não consegue registrar novos eventos. 
Durante esse período, se outro fóton atingir o detector, ele não será contabilizado, podendo causar erros na contagem. 
Benefício clínico
· Melhora a exatidão quantitativa das imagens PET. 
· Reduz artefatos e distorções nos espectros de energia e na reconstrução da imagem.
Reconstrução de imagens tomográficas
Pixel e Voxel 
· Em imagens digitais, cada ponto é chamado de pixel. 
Em imagens tomográficas, cada pixel representa um volume, chamado de voxel. 
Cada voxel contém a informação de atividade nuclear da região correspondente. 
1. Inspeção visual da integridade física 
Verifica danos ou falhas visíveis no equipamento antes de iniciar o dia. 
2. Estabilidade do sistema de detectores 
Garante que todos os detectores respondam uniformemente a sinais iguais
 Resumo medicina nuclear Tema 2
Radiações e alterações celulares 
Desde a descoberta das radiações, percebeu-se que elas podem alterar o meio celular. 
Em nível atômico, a radiação pode: 
· Ionizar átomos 
· Excitar elétrons 
Isso resulta na deposição de energia no tecido, provocando: 
· Modificações nas ligações químicas 
· Quebra molecular 
· Mutações moleculares 
1. Consequências celulares 
· Os danos podem levar a disfunções celulares e morte celular. 
· Apesar do potencial de causar danos, a radiação também tem efeitos benéficos, principalmente em contextos terapêuticos, como tratamentos de câncer. 
2. Definição de Radiobiologia 
- A radiobiologia é a ciência que estuda os efeitos das radiações ionizantes em células e tecidos vivos. 
Objetivo principal: entender como a radiação interage com os organismos e os efeitos indesejados resultantes. 
Quando fótons de raios X ou gama atravessam tecidos, eles transferem energia para os átomos do material, ocorrendo principalmente dois efeitos físicos:
Efeito fotoelétrico
· O fóton interage com um elétron orbital do átomo. 
· A energia do fóton é totalmente absorvida, e o elétron é ejetado. 
· O fóton desaparece após a interação. 
· Mais frequente para baixa energia do fóton. 
Consequência: alteração química local no material absorvedor. 
· O fóton interage com um elétron, ejetando-o, mas continua como fóton espalhado em outra direção. 
· A energia do fóton espalhado é menor que a inicial; a diferença foi usada para ejetar o elétron. 
· Mais provável com aumento da energia do fóton. 
Consequência: perda de energia e mudança na direção do fóton, gerando radiação espalhada. 
 Interação com a molécula de DNA
Quando a radiação atinge células, a molécula de DNA é um alvo crítico, porque danos aqui podem levar a efeitos deletérios como mutações ou câncer.
Ação direta: 
O fóton colide diretamente com o DNA. Transfere energia diretamente para átomos do DNA, causando ionização e quebra de ligações químicas. Pode alterar a função do DNA ou destruir a molécula. 
 Ação indireta: 
Resulta da formação de radicais livres (H• e OH•) pela radiólise da água no corpo. Esses radicais são altamente reativos e podem atacar o DNA, causando ionização indireta. 
Contribui significativamente para o dano celular, principalmente em tecidos ricos em água. 
 Interações:
	Interação
	Tipo de energia transferida
	Fóton pós-interação
	Efeito principal
	Fotoelétrico
	Total
	Desaparece
	Ejeção de elétron, dano localizado
	Compton
	Parcial
	Espalhado
	Ejeção de elétron, espalhamento
	DNA – Direta
	Total para DNA
	–
	Quebra de ligações, ionização
	DNA – Indireta
	Radical livre
	–
	Modificação química do DNA
Quando fótons de raios X ou gama atravessam tecidos, eles transferem energia para os átomos do material, ocorrendo principalmente dois efeitos físicos:
 Efeito fotoelétrico
O fóton interage com um elétron orbital do átomo. A energia do fóton é totalmente absorvida, e o elétron é ejetado. O fóton desaparece após a interação. Mais frequente para baixa energia do fóton. Consequência: alteração química local no material absorvedor. 
Espalhamento Compton
O fóton interage com um elétron, ejetando-o, mas continua como fóton espalhado em outra direção. 
A energia do fóton espalhado é menor que a inicial; a diferença foi usada para ejetar o elétron. Mais provável com aumento da energia do fóton. Consequência: perda de energia e mudança na direção do fóton, gerando radiação espalhada. 
Efeitos determinísticos
Definição: Aparecem apenas acima de um limiar de dose; a severidade aumenta com a dose. 
Exemplo clássico: Síndrome aguda da radiação (SAR) – ocorre em exposição aguda de corpo inteiro. 
Fatores que determinam gravidade: 
· Dose total recebida 
· Taxa de dose (dose por unidade de tempo) 
· Região do corpo exposta 
· Tipos de SAR e doses de limiar: 
	Tipo de síndrome
	Dose para ocorrência
	Dose relacionada à letalidade
	Hematopoiética
	1–5 Gy
	 10 Gy
	> 100 Gy
Efeitos estocásticos
· Definição: Podem ocorrer mesmo com doses pequenas; não há limiar. 
· Relação: Dose × probabilidade de ocorrência (não severidade). 
· Exemplo: câncer, leucemia, efeitos hereditários. 
Efeitos imediatos: Quando ocorrem:Minutos a dias após a exposição. 
Principais manifestações: 
· SAR (hematopoiética, gastrointestinal, cerebrovascular) Lesões em pele, extremidades, gônadas Depressão hematológica Dano citogenético 
Relação com dose: Sempre correlacionados aos efeitos determinísticos. 
Quando ocorrem: Anos após a exposição. 
Principais manifestações: 
· Câncer (sólido ou hematológico) 
· Efeitos hereditários se houver envolvimento das gônadas 
· Relação com dose: Correlacionados aos efeitosestocásticos.
Efeitos somáticos
· Definição: Afetam o próprio indivíduo exposto. 
· Fatores determinantes: 
· Dose absorvida 
· Taxa de absorção 
· Região e área irradiada 
Lei de Bergonie e Tribondeau
 Formulada em 1906 por Jean Alban Bergonie e Louis Tribondeau, estabelece princípios fundamentais sobre a radiossensibilidade das células, relacionando-a a características fisiológicas do tecido irradiado.
Princípios da Lei de Bergonie e Tribondeau:
Células indiferenciadas (tronco) são mais radiossensíveis . Células que ainda não adquiriram especialização são mais suscetíveis à radiação. 
Exemplo: células da medula óssea, gônadas, epitélio intestinal. 
Células especializadas são mais radiorresistentes Quanto mais madura e especializada for a célula, maior será sua resistência à radiação. 
Exemplo: neurônios maduros e células musculares. 
Células jovens são mais radiossensíveis que células maduras A idade celular influencia a capacidade de resistir ao dano. Células em rápida proliferação são mais vulneráveis. 
Maior atividade metabólica → maior radiossensibilidade Tecidos com alta taxa de divisão celular ou intensa atividade metabólica reagem mais fortemente à radiação. 
Exemplo: feto em desenvolvimento, tecidos hematopoiéticos. 
Radiossensibilidade: nível de sensibilidade de células vivas ou tecidos à ação da radiação. Quanto mais sensível, maior a probabilidade de ocorrer dano celular mesmo com doses relativamente baixas. 
· Radiorresistência: resistência das células ou tecidos à radiação. Quanto mais radiorresistente, menor o dano mesmo com doses mais altas. 
radiossensível → fácil dano;
 radiorresistente → difícil dano.
A Transferência Linear de Energia (LET) indica quanto de energia a radiação deposita por unidade de massa do tecido. Quanto maior o LET, maior a resposta biológica (maior dano). 
Radiação com WR mais alto gera mais danos mesmo com doses iguais.
Tipo de tecido
Alguns tecidos são naturalmente mais sensíveis, enquanto outros são mais resistentes. Comparativo dos valores de sensibilidade ponderada (Wt) 
Idade e estado metabólico celular
· Células jovens e indiferenciadas são mais sensíveis. 
· Células maduras e especializadas são mais radiorresistentes. 
· Tecidos com alta atividade metabólica também são mais vulneráveis. 
Mais sensível: células-tronco, órgãos reprodutivos, medula óssea, intestino, feto. 
Mais resistente: neurônios maduros, músculo, tecido conjuntivo. 
Maior LET → mais dano → maior radiossensibilidade.
Descoberta da radiação 
em 1895 e da radioatividade em 1896. Desde então, houve rápida incorporação na Medicina e Odontologia, principalmente em diagnósticos e terapias. A radiação trouxe avanços significativos, permitindo imagens mais precisas e tratamentos mais eficazes. 
 Evolução da radioproteção
Ao longo da história, conceitos e diretrizes de uso seguro da radiação foram desenvolvidos. Muitas teorias foram testadas, confirmadas ou refutadas, contribuindo para práticas mais seguras. A radioproteção é resultado de um processo gradual de aprendizado científico, que continua em desenvolvimento. 
Tipos de radiação
a) Radiação artificial: Produzida por equipamentos, como a ampola de raios X. A exposição ocorre somente quando o aparelho é acionado. Utilizada no radiodiagnóstico moderno, tanto em Medicina quanto em Odontologia. 
b) Radiação natural: Provém de elementos encontrados na natureza com instabilidade nuclear. Para alcançar estabilidade, esses elementos emitem energia ou partículas do núcleo (radiações alfa, beta e gama). Essas fontes emitem radiação constantemente, mesmo sem acionamento, exigindo maiores medidas de segurança. Historicamente, já foram usadas em radiologia odontológica, mas hoje não fazem parte das rotinas. 
Características da radiação de raios X
Ondas eletromagnéticas, propagam-se na velocidade da luz (3,0 × 10⁸ m/s). A radiação se dissipa imediatamente após o desligamento do equipamento, ao contrário da radiação natural contínua. Os fótons interagem várias vezes com o material ou tecido, perdendo energia até serem totalmente absorvidos. 
Artificial: controlada, usada em aparelhos (raios X), segura se usada corretamente. 
Natural: constante, proveniente de elementos instáveis, exige mais proteção. 
Raios X: interação rápida, absorção depende do material atravessado.
Proteção Radiológica (Radioproteção)
Definição: 
· Conjunto de medidas preventivas para proteger: 
· Seres humanos, 
· Descendentes, 
· Ecossistemas. 
· Objetivo: Minimizar efeitos indesejáveis da radiação sem impedir atividades benéficas à sociedade ou ao indivíduo. 
Organizações envolvidas
1. ICRP : International Commission on Radiological Protection
· Cria, detalha e atualiza diretrizes e conceitos de radioproteção. 
2. ICRU : International Commission on Radiation Units and Measurements
· Desenvolve e atualiza grandezas e unidades radiológicas, essenciais para quantificar a exposição à radiação. 
Importância das grandezas radiológicas
· Entender a interação física da radiação com tecidos biológicos. 
· Avaliar quantitativa e qualitativamente a exposição. 
· Compreender os riscos à saúde e as possíveis sequelas de exposições. 
A radioproteção garante uso seguro da radiação, equilibrando benefício social/terapêutico e minimização de riscos biológicos, com base em diretrizes internacionais da ICRP e ICRU.
Tempo: 
Relação: Quanto maior o tempo de exposição, maior a dose recebida. 
· Aplicação: Reduzir o tempo de irradiação compatível com a execução do procedimento. 
· Objetivo: Minimizar a dose recebida sem comprometer a qualidade do exame ou tratamento. 
 Distância: 
· Princípio: A radiação diminui com o aumento da distância em relação à fonte. 
Lei do inverso do quadrado da distância: 
· r1r_1r1​ = distância inicial 
· r2r_2r2​ = distância final 
· D1D_1D1​ = dose na distância inicial 
· D2D_2D2​ = dose na distância final 
· Justificativa: Divergência dos fótons 
Blindagem
· Conceito: Barreiras físicas que impedem a passagem da radiação. 
· Utilização: 
Setores físicos: paredes e portas com barita ou chumbo 
EPIs: aventais, luvas, colares tireoidianos; materiais modernos podem incluir bismuto, tungstênio e antimônio 
Considerações: Blindagem de sala: deve manter níveis de dose abaixo dos limites da RDC 330 
EPIs em pacientes: proteção de áreas radiossensíveis não essenciais para o exame, geralmente com 0,5 mm de chumbo equivalente 
Manutenção: guardar EPIs esticados; integridade verificada anualmente 
Princípios da Proteção Radiológica
 Justificação da prática
Objetivo: Garantir que nenhuma exposição seja realizada sem benefício comprovado para a saúde do indivíduo ou da população. 
Níveis de aplicação: 
Genérica: Avaliação prévia de novas práticas antes da adoção generalizada; revisão contínua das práticas existentes. 
Individual: Justificação específica para cada paciente, considerando objetivos clínicos e características do indivíduo. 
Exemplos de aplicação: 
Preferir métodos sem radiação ionizante quando possível (ressonância magnética, ultrassom). 
Evitar exames radiográficos de rotina sem justificativa clínica. 
Restrições: 
Não realizar exposições para fins de treinamento, pesquisa ou rastreamento populacional, exceto quando justificadas. 
Otimização (ALARA – As Low As Reasonably Achievable)
Objetivo: Manter doses tão baixas quanto razoavelmente exequíveis, considerando fatores sociais, econômicos e técnicos. 
Aplicação: Planejamento de instalações e equipamentos. Minimização de doses em pacientes e profissionais durante procedimentos. 
Conceito-chave: ALARA → maximizar benefício minimizando a dose recebida. 
Limitação da dose individual
Objetivo: Estabelecer valores máximos de exposição para trabalhadores e público, garantindo que não sejam ultrapassados.
 
Importante: Não se aplica ao paciente; para ele, basta que a exposição seja justificada e otimizada. 
Dose de referência odontológica: 3,5 mGy na pele (DEP). 
 Prevenção de acidentes
Objetivo: Minimizar erros humanos e falhas operacionais que possam levar a exposições acidentais. 
Aplicação: Projetos e operaçãode equipamentos seguros. Treinamento e procedimentos operacionais padronizados. 
Evolução histórica da regulamentação
	Ano
	Documento / Norma
	Descrição
	1987
	Decreto nº 93.933
	Criou base para a Resolução nº 6/1988 do Conselho Nacional de Saúde, voltada à radioproteção.
	1988
	Resolução nº 6
	Estabeleceu princípios iniciais de radioproteção para pacientes, trabalhadores e público.
	1998
	Portaria nº 453
	Diretriz básica de proteção radiológica em radiodiagnóstico médico e odontológico. Aplicada por mais de 20 anos.
	2019
	RDC 330
	Substituiu a Portaria nº 453, contemplando novas tecnologias, telerradiologia, radiologia itinerante, radiologia veterinária e modalidades antes não abordadas (RM e USG).
Entidades responsáveis pela RDC 330
Ministério da Saúde – Formulação de políticas públicas de saúde, proteção e recuperação da saúde da população. 
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) – Controle sanitário de produtos, serviços e equipamentos de saúde, incluindo radiodiagnóstico. 
Diretoria colegiada da ANVISA – Supervisão e implementação das normas, composta por procurador, corregedor, ouvidor e unidades especializadas.
 Principais mudanças da RDC 330 em relação à Portaria nº 453
Fragmentação das recomendações por modalidade por meio de Instruções Normativas (INs). 
Inclusão de controle de qualidade para modalidades antes não regulamentadas: ressonância magnética (RM) e ultrassonografia (USG). 
Previsão de telerradiologia e radiologia itinerante. 
Inclusão da radiologia veterinária e radiologia intervencionista. 
Gestão aprimorada de tecnologias, qualidade, processos de trabalho e risco. 
Criação de nível de restrição para operação de equipamentos. 
Permanente: O treinamento anual obrigatório em radioproteção para indivíduos ocupacionalmente expostos 
(IOEs) continua valendo.
Normativas (INs)
As INs detalham normas específicas de cada modalidade, sem criar direitos ou obrigações adicionais, e incluem:
· Radiologia convencional 
· Fluoroscopia e radiologia intervencionista 
· Mamografia 
· Tomografia computadorizada 
· Radiologia odontológica extraoral e intraoral 
· Ultrassonografia 
· IN nº 59 – Ressonância magnética 
A RDC 330 representa a evolução normativa necessária para:
· Acompanhar novas tecnologias e modalidades de diagnóstico. 
· Garantir radioproteção de pacientes, profissionais e público. 
· Estruturar a gestão da qualidade, processos e riscos. 
· Detalhar procedimentos por Instruções Normativas específicas.

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