Prévia do material em texto
Respostas – 2º Instrumento Avaliativo – 2026.2 Direito Eleitoral · FATEPI Questão 1 (0,5 pt) Gabarito provável: A (apenas o item I está certo) I – Correto. Preparar, organizar e administrar o processo eleitoral é a função administrativa da Justiça Eleitoral. II – Errado. Ao TSE cabe julgar originariamente apenas o registro de candidatura à Presidência e à Vice- Presidência. O registro de candidatos ao Senado é de competência originária dos TREs. III – Errado. O Código Eleitoral (art. 1º, §3º) veda que parentes, consanguíneos ou afins até o segundo grau, integrem simultaneamente o mesmo tribunal. Há impedimento, sem distinção entre vínculo legítimo e ilegítimo. IV – Errado. A proposta de criação ou supressão de cargos da Justiça Eleitoral não segue a via indicada na alternativa. Confirme na sua fonte, pois a redação é o ponto mais sensível. Questão 2 (0,5 pt) Pela redação visível, nenhuma alternativa descreve completamente a composição do TSE. A CF/88 (art. 119) fixa três ministros do STF, dois do STJ e dois juristas nomeados pelo Presidente da República. A é a mais próxima: os três ministros do STF estão corretos, mas a alternativa omite os demais membros. B erra ao dizer que são apenas dois juízes do STJ e ao omitir os demais. C erra ao atribuir a nomeação ao Presidente do TSE. Os juristas são nomeados pelo Presidente da República. D descreve corretamente os dois juristas (indicados pelo STF, nomeados pelo Presidente da República, art. 119, II, CF/88), mas não a composição completa. Se o enunciado completo perguntar algo específico, como "qual parte é composta por...", a resposta muda. Confira o enunciado original antes de marcar. Questão 3 (0,5 pt) Gabarito provável: E A – Errada. A Justiça Eleitoral exerce função consultiva: o TSE responde a consultas sobre matéria eleitoral (CE, art. 23, XII, e art. 30, VIII). B – Errada. Solucionar conflitos de interesses é função jurisdicional. A função administrativa organiza o processo eleitoral. C – Errada. A consulta do art. 23, XII, do Código Eleitoral é restrita a matéria eleitoral. D – Errada. A vedação de agir de ofício é própria da função jurisdicional, em que o juiz depende de provocação. Não se aplica da mesma forma à função administrativa. E – Correta. Ao exercer a função normativa (CE, art. 23, IX), o TSE expede resoluções e outros atos de caráter geral em matéria eleitoral. Questão 4 (1,5 pt) – Enunciado: rejeição de contas e alínea "g" Caso: prefeito em segundo mandato consecutivo, com contas do primeiro mandato julgadas irregulares pelo TCE, com imputação de débito. Renúncia em março de 2026 para concorrer a deputado estadual. O MPE ajuizou AIRC com base na alínea "g" do inciso I do art. 1º da LC 64/1990. a) A mera rejeição de contas pelo tribunal de contas basta para a inelegibilidade? Não. A rejeição é apenas um dos requisitos. A alínea "g" exige, cumulativamente: 1. Contas rejeitadas por irregularidade insanável, em decisão do órgão competente. O TCE é o órgão competente, pois julgou contas de gestão com imputação de débito. 2. Ato doloso de improbidade administrativa reconhecido na decisão. Dano ao erário culposo não basta. 3. Decisão irrecorrível, não suspensa nem anulada pelo Judiciário. 4. Prazo de inelegibilidade contado a partir da decisão, conforme a redação vigente. A LC 219/2025 alterou a LC 64/1990 nesses pontos, inclusive quanto ao prazo. Confira o texto atual antes de responder, pois a redação da prova pode ser anterior à reforma. b) A alegação de ausência de ato doloso afasta, por si só, a inelegibilidade? Não, por si só. Ela precisa ser verificada no conteúdo da decisão do TCE. Se o órgão reconheceu dolo, a defesa não pode simplesmente negá-lo na Justiça Eleitoral. Se a decisão não reconheceu dolo na improbidade, a inelegibilidade cai, porque um requisito cumulativo faltaria. O segundo argumento da defesa, sobre ausência de enriquecimento ilícito, é fraco. Enriquecimento ilícito é elemento do art. 9º da Lei 8.429/1992. Dano ao erário doloso (art. 10) configura improbidade mesmo sem enriquecimento. O argumento forte é o primeiro, sobre dolo. Questão 5 (1,5 pt) – Condições de elegibilidade a) Condições de elegibilidade do art. 14, §3º, da CF/88 1. Nacionalidade brasileira; 2. Pleno exercício dos direitos políticos; 3. Alistamento eleitoral; 4. Domicílio eleitoral na circunscrição; 5. Filiação partidária; 6. Idade mínima, conforme o cargo (35 anos para presidente, vice e senador; 30 para governador e vice; 21 para deputados, prefeito e vice; 18 para vereador). b) Momento para comprovar as condições e efeito de fatos supervenientes A regra é que as condições sejam aferidas no momento do pedido de registro de candidatura. Os fatos posteriores têm tratamento diferente conforme o sinal: Supervenientes desfavoráveis, como perda de direitos políticos ou falta de filiação, podem levar ao indeferimento ou à cassação do registro, dependendo do momento em que ocorrem. Supervenientes favoráveis, como o alcance da idade mínima após o registro, são admitidos pela jurisprudência do TSE em certos casos, até a diplomação. Esse ponto é controverso; cite a jurisprudência com cuidado. Fundamentos: Resolução TSE 23.609/2019 e jurisprudência do TSE sobre registro de candidatura. Questão 6 (1,5 pt) – Condições de elegibilidade x causas de inelegibilidade a) Diferenciação dogmática e reflexos práticos Condições de elegibilidade são requisitos positivos. Sem elas, a pessoa não pode ser candidata. Estão no art. 14, §3º, da CF e são aferidas no registro. Causas de inelegibilidade são impedimentos negativos. Ainda que a pessoa preencha todas as condições, uma causa de inelegibilidade a impede de ser votada. Estão no art. 14, §§4º a 9º, da CF e na LC 64/1990. Reflexos práticos: 1. Instrumento processual. A falta de condição de elegibilidade leva ao indeferimento do registro. A inelegibilidade é discutida por meio de AIRC, prevista no art. 3º da LC 64/1990. 2. Prazo. A AIRC tem prazo de cinco dias após a publicação do edital de registro (art. 3º da LC 64/1990). 3. Interpretação. As causas de inelegibilidade são interpretadas de forma restrita, por restringirem direito fundamental. 4. Momento e alcance. A inelegibilidade pode ter fato gerador anterior ao registro, mas o TSE a analisa com foco no momento do pedido e na vigência da causa até a eleição. Há também a inelegibilidade reflexa, prevista no art. 14, §7º, da CF. Observação: o enunciado da questão 6 foi fotografado com itens além do item A, que não aparecem na imagem. Envie a continuação para resposta completa.