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Títulos de crédito e contratos
empresariais
Apresentação dos conceitos dos diferentes títulos de crédito e contratos empresariais como instrumentos
das relações corporativas no Brasil.
Prof. Alexandre Ferreira de Assumpção Alves
1. Itens iniciais
Propósito
Apresentar ao aluno a legislação sobre os títulos de crédito e os atos cambiários, bem como noções básicas
de letra de câmbio, nota promissória, duplicatas e cheque, além das peculiaridades dos contratos
empresariais, sua classificação e seus elementos de validade.
Preparação
Antes de iniciar a leitura e o estudo deste tema, tenha em mãos o Código Civil (Lei nº 10.406, de 2002), que é
a principal fonte legislativa para a compreensão do conteúdo destes módulos, bem como o Decreto nº 57.663,
de 1966, e a Lei nº 13974, de 2019.
Objetivos
Categorizar o conceito de títulos de crédito, os elementos nele contidos e suas aplicações nas relações
creditícias.
Identificar os princípios contratuais e sua aplicação nos contratos empresariais.
Introdução
Vamos explorar dois assuntos centrais: os títulos de crédito e os contratos empresariais. Os títulos de crédito
são documentos formais previstos em lei, conhecidos por sua facilidade, rapidez e informalidade na
transmissão, além de oferecerem maior segurança e a possibilidade de servirem como garantia. Eles podem
ser físicos ou eletrônicos, dependendo das exigências legais específicas.
Já os contratos empresariais são atos jurídicos baseados na livre manifestação de vontade das partes, seja de
pessoas físicas ou jurídicas, com o objetivo de produzir efeitos jurídicos. Estes contratos exigem a conjugação
de vontades, caracterizando-se como negócios jurídicos bilaterais. Ao longo deste módulo, entenderemos a
importância e as particularidades de cada um desses instrumentos fundamentais no mundo dos negócios.
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1. Títulos de Crédito
Conceito de títulos de crédito
Neste conteúdo, aprenderemos sobre os títulos de crédito, documentos com conteúdo formal previsto em lei
e dotados de atributos e princípios peculiares. Esses documentos são fundamentais no direito comercial e
civil, facilitando transações financeiras e comerciais. Os títulos de crédito possuem as seguintes
características:
Facilidade
Rapidez
Informalidade de sua transmissão
Eles simplificam a circulação da riqueza, permitindo que valores sejam transferidos de uma pessoa a outra
com menor burocracia e mais eficiência.
Além disso, os títulos de crédito têm a possibilidade de contar com garantia ou servir de garantia ao
pagamento, proporcionando maior segurança para quem os recebe. Isso significa que, ao possuir um título de
crédito, o portador tem um direito garantido de receber o valor nele estipulado, o que reduz significativamente
os riscos de inadimplência. Essa característica torna os títulos de crédito instrumentos atraentes para
empresas e indivíduos que buscam formas seguras e eficazes de gerenciar seus créditos e débitos.
O documento ao qual a lei atribui a natureza de título de crédito pode ser físico ou eletrônico. A escolha entre
um suporte ou outro depende da legislação vigente e da natureza da transação. Em alguns casos, a
preferência pelo formato eletrônico pode trazer ainda mais rapidez e eficiência, alinhando-se às tendências
atuais de digitalização e desburocratização. No entanto, é crucial observar que essa escolha nem sempre está
nas mãos do emitente, pois existem normas legais específicas que determinam o formato do título de crédito
em determinadas situações.
Resumindo
Os títulos de crédito são instrumentos essenciais no cenário econômico atual, proporcionando eficiência,
segurança e agilidade nas transações comerciais. Aprofundaremos nosso entendimento sobre esses
documentos, explorando suas características, tipos, modos de transmissão e os requisitos legais que os
regem. Compreender a dinâmica dos títulos de crédito é fundamental para qualquer profissional que atue
nas áreas de finanças, contabilidade, direito ou administração, pois esses documentos são fundamentais
para muitas operações econômicas.
Conceito de título de crédito e seus elementos
O artigo 887 do Código Civil traz o conceito de título de crédito nestes termos:
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Art. 887. O título de crédito, documento necessário ao exercício do direito literal e autônomo nele
contido, somente produz efeito quando preencha os requisitos da lei.
(Código Civil, 2002)
Esse conceito é a base para identificarmos, nas leis especiais, se o documento tem ou não natureza de título
de crédito. Isso é necessário porque nem toda lei que o institui se refere ao documento como tal.
Sendo preciso, então, recorrer ao Código Civil para verificar no título em questão a presença dos elementos
contidos no conceito.
Consta do artigo 6º da lei que instituiu o Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRI) − Lei nº 9514, de 1997 −,
que é título de crédito nominativo, de livre negociação, lastreado em créditos imobiliários e constitui promessa
de pagamento em dinheiro. Essa lei se refere ao CRI como título de crédito, logo, já se percebe que o
legislador indica a natureza especial do documento, não se tratando de mero documento de dívida. Vejamos
em sentido idêntico e em sentido diverso:
Não há nenhum dado quanto ao fato de ser o cheque um título de crédito, apenas a enumeração de requisitos
a serem observados na emissão. Com isso, para nos certificarmos de que o cheque é título de crédito, o
legislador impõe que utilizemos o Código Civil, no artigo 887. Assim, é feita a identificação na regulamentação
da lei especial dos elementos presentes no conceito, como, no caso, o formalismo.
Foram destacados trechos da redação do artigo 887 do Código Civil para elucidar os elementos presentes na
redação que servem para identificar um documento como título de crédito.Primeiramente, percebemos que o
título de crédito é um documento necessário ao exercício do direito nele contido. Essa parte do conceito
expõe o elemento (ou atributo) da cartularidade.
Sentido idêntico
Consta na Lei nº 5474, de 1968, que
atualmente regula as duplicatas de compra e
venda e de prestação de serviços: “Art. 2º No
ato da emissão da fatura, dela poderá ser
extraída uma duplicata para circulação como
efeito comercial, não sendo admitida
qualquer outra espécie de título de crédito
para documentar o saque do vendedor pela
importância faturada ao comprador.”
Também há indicação, embora indireta, de
que a duplicata é um título de crédito.
Sentido diverso
Vejamos que a Lei do Cheque (Lei nº
7357, de 1985) dispõe em seu artigo 1º: “O
cheque contém: I - a denominação
‘cheque’ inscrita no contexto do título e
expressa na língua em que este é
redigido; II - a ordem incondicional de
pagar quantia determinada; III - o nome
do banco ou da instituição financeira
que deve pagar (sacado); IV - a indicação
do lugar de pagamento; V - a indicação
da data e do lugar de emissão; VI - a
assinatura do emitente (sacador), ou de
seu mandatário com poderes especiais.”
Mulher apresentando o cheque.
Cartularidade
É um elemento que decorre do termo cártula, ou seja, documento. Pelo elemento ou atributo da
cartularidade, o documento (escrito manual ou com gravação eletrônica de dados) incorpora os direitos
que nele estão mencionados.
Desse modo, o portador do documento deve apresentá-lo para exercer
tais direitos. Exemplo da cartularidade é a necessidade de
apresentação do cheque a pagamento, pois nele estão contidos os
direitos de crédito e seus termos, como a quantia, o nome do
beneficiário etc. Assim, o cheque é um documento necessário para o
exercício dos direitos, já que incorpora, materializa o direito de crédito.
Embora o atributo da cartularidade, originariamente, tenha sido
concebido para o papel, o documento físico, ele se aplica a todos os títulos de crédito. Inclusive os escriturais,
só que sua aplicação também se dará para o documento eletrônico. Para isso, o portador deverá comprovar
seu direito na forma prevista na lei especial.
Exemplo
A duplicata escrituralCódigo Civil,
que:
Art. 421 - Nas relações contratuais privadas, prevalecerão o princípio da intervenção mínima e a
excepcionalidade da revisão contratual.
(Código Civil, 2002)
Princípio da relatividade dos efeitos dos contratos
Afirma-se que os efeitos dos contratos são relativos, porque eles atingem apenas as partes contratantes
(efeitos internos), não alcançando a esfera jurídica de terceiros, seja para prejudicá-los ou beneficiá-los.
Em situações de abuso por uma das partes ou de ambas, o princípio da relatividade dos contratos é
afastado diante do interesse da coletividade (função social do contrato), pela presença de cláusulas
abusivas ou prejuízo ao interesse público, do meio ambiente etc.
Agora, estudaremos os princípios contemporâneos, que são: supremacia da ordem pública; consensualismo;
boa-fé objetiva; equilíbrio econômico; função social.
Princípio da supremacia da ordem pública
Como o contrato é um negócio jurídico, também está sujeito aos requisitos de validade deste, em especial
quanto à licitude do seu objeto (como poderá ser observado mais à frente neste módulo).
Dessa forma, a autonomia da vontade é relativa, sujeitando-se à supremacia da lei e da ordem pública.
Consagra o princípio em comento o artigo 2035, parágrafo único, do Código Civil:
Art. 2035 - Nenhuma convenção prevalecerá se contrariar preceitos de ordem pública, tais como os
estabelecidos por este Código para assegurar a função social [...] dos contratos.
(Código Civil, 2002)
Ao se referir à convenção, o dispositivo engloba o contrato, pois este também decorre de um acordo de
vontades.
Princípio do consensualismo
A convergência de vontades acerca do objeto e do conteúdo tem força suficiente para fazer surgir o contrato.
Mas não se exige de forma especial, para sua formação, exceto de houver disposição expressa em contrário
exigindo um ato complementar. A legislação brasileira segue essa orientação apenas em alguns tipos
contratuais, em que há formalidades e solenidades a serem atendidas.
A vontade deve ser livre e consciente, mesmo em contrato de adesão, sob pena de anulação por vício de
consentimento, como erro, dolo ou coação (confira o artigo 171 do Código Civil).
Nos contratos empresariais, a vontade da sociedade é manifestada pelo seu órgão de representação
(administradores ou diretores), nos termos do artigo 1022 do Código Civil, e do empresário incapaz autorizado
por meio de seu representante ou assistente (confira o artigo 974 do Código Civil).
Princípio da boa-fé objetiva
É um dos princípios contemporâneos mais importantes, porque a boa-fé é uma das características das
relações empresariais. Nos contratos empresariais, presume-se que as partes são informadas, estão em
condição paritária, de boa-fé e têm consciência dos riscos do negócio e os ponderam em relação às
vantagens ou lucros que poderão advir dele.
A boa-fé não é apenas interna ou subjetiva (de cunho psicológico) manifestada na intenção de contratar. É,
também, um dever de conduta de cada parte durante e após a execução do contrato (sentido objetivo).
A boa-fé é um limitador à aplicação do princípio clássico da autonomia da vontade, desempenhando três
funções:
Função interpretativa
Representa que a interpretação do conteúdo do contrato deve lhe atribuir o sentido que corresponder
à boa-fé.
Função restritiva
Função restritiva da boa-fé é uma proteção ao exercício abusivo de direitos, pois cria limites para a
atuação das partes, assegurando que tal exercício se dê de forma regular. Portanto, não se
manifestando de maneira abusiva ou contraditória à boa-fé, aos bons costumes ou ao seu fim
econômico ou social (confira o artigo 187 do Código Civil, que considera ato ilícito o abuso do direito).
Homem assinando contrato.
Função criadora
Função criadora da boa-fé se refere aos deveres anexos à prestação principal das partes, em todas
as etapas da negociação (pré-negocial, negocial e pós-negocial). E possui a finalidade de incentivar a
cooperação mútua entre elas, impondo-lhes alguns deveres — como, por exemplo: esclarecimento e
informação, lealdade e cooperação, diligência, proteção e cuidado. Neste sentido de cuidado, dispõe
o artigo 422 do Código Civil: “Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do
contrato, como em sua execução, os princípios de probidade e boa-fé”.
Princípio do equilíbrio econômico
Esse princípio se aplica quando determinada obrigação se torna demasiadamente onerosa para uma das
partes em razão de acontecimentos extraordinários e imprevisíveis (exemplo: a pandemia de COVID 19 e as
medidas de distanciamento que afetaram o funcionamento de vários estabelecimentos).
Nesse quadro, será possível negociar a revisão contratual, mesmo judicialmente, de modo a assegurar,
quando possível, o valor real da prestação. Mas sem anular o negócio jurídico com fundamento na lesão por
inexperiência, diante da característica de paridade ou simetria da relação empresarial (confira os artigos 159 e
317 do Código Civil).
Observamos que o princípio do equilíbrio econômico, embora possa, pontualmente, afastar o princípio da
obrigatoriedade dos contratos, não o anula.
As cláusulas contratuais — como instrumento de alocação de riscos
definidos pelas partes (exemplo: garantias, prazos, índices de reajuste,
solução de litígios) — devem ser respeitadas e observadas. As partes
nos contratos empresariais têm direito de definir livremente o preço de
produtos e de serviços como consequência de alterações da oferta e
da demanda, exceto em mercados regulados (exemplo: tarifa de
transporte público).
A esse respeito, confira as importantes disposições do artigo 421-A do Código Civil e do artigo 3º, inciso III,
da Lei nº 13874, de 2019.
Princípio da função social
Ele se manifesta como limitador do princípio da relatividade dos efeitos do contrato. Em prol da sociedade
como um todo, as obrigações contratuais passam a ser oponíveis não apenas às partes contratantes, mas
também a terceiros, já que as relações jurídicas se manifestam dentro de um contexto social. Isso não ocorre
com qualquer contrato empresarial, mas apenas com aqueles que possuem contratação em massa e podem
afetar o mercado (exemplo: contratos de seguro).Com base no princípio da função social, devem as partes
agir de forma a respeitar os interesses socialmente relevantes que possam ser afetados pelo contrato
(exemplo: consumidor, meio ambiente, livre concorrência, função social da propriedade).Dessa forma,
afastaria a concepção individualista clássica de que terceiros não podem interferir no conteúdo do contrato.
Contrato
O princípio da função social está amparado pelo artigo 421 do Código Civil (“A liberdade contratual será
exercida nos limites da função social do contrato”) e no parágrafo único do artigo 2035 (“Nenhuma
convenção prevalecerá se contrariar preceitos de ordem pública, tais como os estabelecidos por este
Código para assegurar a função social [...] dos contratos”).
Exemplos de princípios contratuais
Exploramos diversos princípios fundamentais que regem os contratos empresariais. Cada princípio oferece
uma estrutura essencial para entender como os contratos são formados, executados e interpretados no
contexto das relações comerciais. A partir de exemplos práticos, como negociações de fornecimento, acordos
de serviços e contratos de desenvolvimento, ilustramos como princípios como autonomia da vontade,
obrigatoriedade, relatividade, consensualismo, boa-fé objetiva, equilíbrio econômico e função social moldam e
garantem a integridade e eficácia dos contratos empresariais. Veja:
Princípio da autonomia da vontade das partes
Duas empresas, a Empresa A e a Empresa B, decidem celebrar um contrato de fornecimento de
produtos tecnológicos. No contrato, as partes têm a liberdade de definir os termos e condições, como
preços, prazos de entrega, formas de pagamento e garantias. A autonomia da vontade permite que as
empresas negociem cláusulas específicas que atendam às suas necessidades particulares, como
descontos para grandes volumesde compra ou exclusividade no fornecimento de determinados
produtos.
Princípio da obrigatoriedade dos contratos
A Empresa A e a Empresa B firmam um contrato de prestação de serviços de TI, no qual a Empresa A
se compromete a fornecer suporte técnico por um período de um ano. Uma vez assinado, o contrato
é obrigatório para ambas as partes, significando que a Empresa A deve fornecer o suporte conforme
acordado e a Empresa B deve pagar pelos serviços prestados nos termos estabelecidos. Caso uma
das partes descumpra o contrato, poderá ser acionada judicialmente para cumprir suas obrigações ou
para reparar os danos causados pela inadimplência.
Princípio da relatividade dos efeitos dos contratos
A Empresa A contrata a Empresa B para realizar a manutenção de seu parque tecnológico. Esse
contrato gera obrigações e direitos apenas entre as duas empresas, não afetando terceiros. Por
exemplo, se a Empresa B subcontratar a Empresa C para realizar parte da manutenção, a Empresa C
não terá qualquer relação contratual direta com a Empresa A e não poderá demandar nada
diretamente dela, assim como a Empresa A não poderá demandar nada diretamente da Empresa C.
Princípio da supremacia da ordem pública
A Empresa A e a Empresa B firmam um contrato de fornecimento de materiais que inclui uma cláusula
que estipula um pagamento muito abaixo do valor de mercado, explorando a situação financeira da
Empresa B. Essa cláusula pode ser considerada nula por contrariar a ordem pública, que visa proteger
as partes contra abusos e práticas injustas. O contrato, nesse caso, deve ser revisado para assegurar
condições justas e equilibradas, respeitando as normas de proteção ao consumidor e à concorrência
leal.
Princípio do consensualismo
A Empresa A e a Empresa B chegam a um acordo verbal para a compra e venda de equipamentos de
escritório. Posteriormente, elas formalizam esse acordo em um contrato escrito. A validade do
contrato baseia-se no consentimento mútuo das partes, que expressaram sua vontade de realizar a
transação. Mesmo que o contrato ainda não tenha sido assinado, o acordo verbal inicial já demonstra
o princípio do consensualismo, desde que haja provas da manifestação da vontade das partes.
Princípio da boa-fé objetiva
A Empresa A e a Empresa B firmam um contrato de desenvolvimento de software. Durante a execução
do contrato, a Empresa A deve fornecer todas as informações e recursos necessários para que a
Empresa B possa desenvolver o software conforme o acordado. A boa-fé objetiva exige que ambas as
partes ajam com lealdade, transparência e cooperação, evitando qualquer comportamento que possa
prejudicar a outra parte ou frustrar a finalidade do contrato.
Princípio do equilíbrio econômico
A Empresa A e a Empresa B celebram um contrato de longo prazo para fornecimento de matérias-
primas. Devido a uma crise econômica, os custos das matérias-primas aumentam drasticamente,
tornando inviável para a Empresa B cumprir o contrato nos termos inicialmente acordados. Com base
no princípio do equilíbrio econômico, as partes renegociam o contrato para ajustar os preços,
assegurando que o contrato continue sendo viável e justo para ambas as partes, evitando um
desequilíbrio que poderia levar à quebra do contrato.
Princípio da função social
A Empresa A e a Empresa B firmam um contrato para a construção de uma nova fábrica. Durante a
construção, a Empresa A se compromete a empregar mão-de-obra local e a implementar práticas
sustentáveis que beneficiem a comunidade ao redor do projeto. O contrato, assim, atende não apenas
aos interesses econômicos das partes envolvidas, mas também contribui para o desenvolvimento
social e econômico da comunidade, demonstrando a função social do contrato ao promover o bem-
estar coletivo.
Princípios contratuais
O vídeo explora os princípios contratuais, dividindo-os em clássicos e contemporâneos e os exemplificando,
destacando a evolução da autonomia da vontade, obrigatoriedade, relatividade dos contratos e a inclusão de
princípios como boa-fé objetiva, equilíbrio econômico e função social.
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Contratos empresariais e bancários
Banco Central.
O vídeo explora os contratos empresariais e bancários, destacando a classificação de operações bancárias,
como depósitos e empréstimos, e enfatizando a natureza empresarial dos contratos celebrados entre bancos
e empresários.
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Verificamos que os contratos empresariais são celebrados entre empresários e, nessa categoria, enquadram-
se os bancos, que são instituições financeiras (confira o artigo 17 da Lei nº 4.595, de 1964).
Tradicionalmente, no revogado Código Comercial, os banqueiros eram
considerados comerciantes e suas operações, atos de comércio
(mercancia). Os bancos são sempre sociedades empresárias, pois
devem adotar o tipo de companhia com autorização do Banco Central
para funcionar. Assim, sempre que as operações bancárias (ou de
banco) eram realizadas através da celebração de contratos com outros
comerciantes, estavam disciplinadas pelas normas do Código
Comercial.
Atualmente, mesmo com a revogação dessas disposições, os contratos bancários permanecem na categoria
de contratos empresariais.
O elemento essencial do contrato bancário é a qualificação de, pelo menos, uma das partes como banco. E
dentro disso, estando devidamente autorizado a funcionar, sob pena de nulidade da operação e prática de
crime contra o sistema financeiro nacional. Ademais, identifica-se o contrato como bancário em razão das
operações que o banco realiza.
Operações bancárias
As operações bancárias, em sentido amplo, se inserem na empresa de intermediação de recursos em moeda
nacional ou estrangeira. Mas pode também incluir a captação de poupança de investidores — quando o banco
se torna devedor desses recursos − e a aplicação dos mesmos recursos de terceiros.
Para efeitos didáticos, as operações bancárias são classificadas quanto à natureza e à função. Na primeira
categoria, estão aquelas próprias das atividades dos bancos (denominadas operações bancárias típicas) e
outras que não são exclusivas dos bancos, mas entram na carteira de serviços prestados por eles (operações
atípicas). Acompanhe:
Quanto à função, as operações bancárias podem ser ativas ou passivas, respectivamente, quando o banco se
torna credor do terceiro ou devedor em razão do objeto do contrato. Como operações ativas podemos incluir
os empréstimos, desconto de títulos, abertura de crédito, adiantamento de contrato de câmbio; como
operações passivas estão os depósitos bancários, custódia de títulos, fiança bancária.
Operações típicas
Depósito e mútuo bancários, abertura de
crédito, crédito documentário,
adiantamento de contrato de câmbio.
Operações atípicas
Prestação de fiança, aluguel de cofres,
serviços de cobrança e desconto de
títulos, cartão de crédito.
Atenção
Nas relações empresariais, não se aplica o Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078, de 1990). Há
exceção, em situações excepcionais, nas quais a parte, mesmo empresária, prove sua condição de
vulnerabilidade. Porque a ideia é de que as relações empresariais são simétricas ou paritárias, afastando,
por isso, a incidência do CDC. Portanto, um empréstimo (mútuo bancário) concedido ao empresário não
é, via de regra, um contrato de consumo e sim empresarial.
Contratos bancários em espécie
Em razão das múltiplas operações bancárias, nos mais variados segmentos de negócios, atendendo tanto a
consumidores quanto empresários, listaremos alguns contratos empresariais bancários e suas noções
fundamentais.
1
Depósito bancário
É uma operação bancária típica e passiva em que o banco se obriga a restituir os bens depositados
quando a parte solicitar. Trata-se de contrato real que pressupõe a entrega dos valores à guarda do
depositário, mediante remuneração por esse serviço. Este pode utilizar os recursos para fornecer
crédito a terceiros, mas deverá tê-los à disposição para restituiçãoao depositante.
2
Mútuo bancário
É denominado, usualmente, empréstimo bancário e, por meio dele, o mutuário recebe do mutuante
(banco ou instituição financeira) determinada quantia, para devolvê-la nos prazos e condições
acordados, com incidência de juros e outros encargos.
O Código Civil se refere a esse mútuo como “a fins econômicos”, dispondo que se presumem devidos juros,
podendo haver capitalização anual (confira o artigo 591 do Código Civil), mas limitando a taxa de juros
remuneratórios a 1% ao mês (conferir artigo 406 do Código Civil c/c artigo 161, parágrafo 1º, do Código
Tributário Nacional).
Entretanto, essa limitação não se aplica às taxas de juros e aos outros encargos cobrados nas operações
realizadas por instituições que integram o sistema financeiro nacional, conforme entendimento do Supremo
Tribunal Federal (Súmula nº 596).
As taxas máximas de juros seguem as regras de livre mercado, somente podendo ser limitadas por
ato do Conselho Monetário Nacional.
Se o mútuo for para pagamento em parcelas e com finalidade de aplicação dos recursos em certo
empreendimento (rural, industrial, comercial etc.), é comum tal contrato ser denominado “financiamento”.
Esse tipo de contrato é, na sua essência, um mútuo. No entanto, pode o contrato ser vinculado a títulos de
crédito emitidos pelo mutuário, com ou sem garantias pessoais ou reais ao pagamento em favor do credor.
Assim, combinam-se os contratos bancários com títulos de crédito representativos de promessa de
pagamento em dinheiro, como as cédulas ou notas de crédito rural, comercial, industrial, à exportação, a
cédula de produto rural financeira e a cédula de crédito bancário. Vejamos:
Abertura de crédito em conta-corrente
O contrato de abertura de crédito é, também, uma variação do mútuo bancário e tem por objetivo
conceder ao cliente, que é titular de uma conta-corrente de depósito, por tempo determinado, mas
renovável, uma soma determinada (limite de crédito). E, quanto a isso, é possível a utilização total ou
parcial dos recursos.
Pela concessão do limite, o creditador pode cobrar do creditado uma remuneração, mas não os juros.
Isso porque eles só são devidos quando toda, ou parte da quantia, é utilizada. Ao contrário do mútuo
bancário, em que os juros são devidos desde o momento em que a quantia é posta à disposição do
mutuário, utilizando-a ou não.
Para a cobrança dos valores creditados e não pagos, inclusive os encargos da operação e da mora, o
credor pode se valer da cédula de crédito bancário (CCB), caso ele tenha obtido sua emissão do
creditado.
Desconto bancário
Tal contrato é muito utilizado pelos empresários que querem antecipar seu recebíveis (créditos
vincendos) para obter parte do seu valor com desconto ou deságio, razão do nome dado ao acordo.
O banco antecipa o crédito ao empresário (descontado), cobrando taxas. É uma variante também do
mútuo, só que ao invés de juros que acrescem ao valor do principal, a taxa de desconto incide para
reduzir seu valor.
Qualquer crédito, inclusive vencido, pode ser objeto de desconto, mas o comum são créditos
vincendos, passíveis de transmissão por endosso ou cessão de crédito.
O descontante, como endossatário ou cessionário, poderá realizar seu crédito tanto do devedor
constante do título adquirido e de seus garantidores como do descontado. Pois o desconto é sempre
com responsabilidade pela solvência do devedor (pro solvendo).
Adiantamento de contrato de câmbio (ACC)
A principal finalidade desse contrato é proporcionar um fluxo de caixa para o exportador no tempo
entre a contratação da exportação e o pagamento do produto pelo importador.
A instituição financeira adianta (financia), de forma imediata, até 100\% do valor da exportação,
dependendo do valor do crédito disponível ao exportador. Isso sem necessidade que este aguarde o
recebimento do importador. Logo, proporciona-Ihe liquidez imediata para honrar compromissos de
sua empresa.
Trata-se de operação bancária típica e ativa, com prazo máximo para liquidação de 1.500 (mil e
quinhentos) dias, contados da data de sua contratação (Circular BC n , de 2020).
O adiantamento é todo feito em moeda nacional, relativo ao valor da venda feita em moeda
estrangeira. Sendo a conversão para a moeda real feita pela taxa de câmbio corrente do dia da
contratação do ACC.
Diferentes espécies de contratos empresariais
O vídeo apresenta diversas espécies de contratos entre empresas, apontando suas particularidades e
exemplos práticos dessas relações contratuais.
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Sobre os contratos empresariais, pode-se afirmar que:
A São irrelevantes para tais contratos os usos como critério de interpretação.
B São contratos que não dão margem a informalidades.
C São naturalmente onerosos.
D São em regra de adesão, sem simetria.
E Podem ser firmados por qualquer pessoa.
A alternativa C está correta.
Os contratos empresariais são regidos pela onerosidade.
Questão 2
Mesmo com a unificação das obrigações promovida pelo Código Civil de 2002, que revogou as disposições do
Código Comercial sobre os contratos, é possível identificar um contrato como empresarial a partir de dois
aspectos relevantes, são eles
A a qualidade de empresário das partes e a função econômica vinculada, necessariamente, ao exercício
da empresa.
B a vulnerabilidade do devedor e a função econômica vinculada, necessariamente, ao exercício da
empresa.
C a liberdade ilimitada das partes na contratação e a qualidade de empresário do devedor.
D a qualidade de empresário do credor e a liberdade ilimitada das partes na contratação.
E a vulnerabilidade do devedor e a qualidade de empresário do credor.
A alternativa A está correta.
São elementos ou aspectos relevantes para identificação do contrato como empresarial a qualidade de
empresário das partes e a função econômica vinculada, necessariamente, ao exercício da empresa.
3. Conclusão
Considerações finais
Estudamos sobre títulos de crédito e contratos empresariais. Aprendemos que os títulos de crédito são
documentos formais que garantem ao portador um direito literal e autônomo. Isso proporciona maior
segurança para as partes envolvidas na negociação, pois o direito literal é limitado ao conteúdo do título, que
pode ser facilmente verificado por qualquer das partes ou por terceiros.
Além disso, as obrigações em um título de crédito são independentes entre si. Isso significa que o credor pode
cobrar de qualquer dos devedores, que são solidários no pagamento, caso um deles não possa ser
responsabilizado.
Por fim, vimos que os contratos empresariais são aqueles firmados entre empresários e que têm relação direta
com o exercício da atividade empresarial. Apesar de serem negócios jurídicos bilaterais e não terem um
tratamento legislativo distinto dos contratos civis, os contratos empresariais devem atender aos mesmos
requisitos de validade: capacidade, objeto e forma. Diferentemente dos contratos de consumo, não se
presume a vulnerabilidade de uma das partes.
Podcast
Ouça esta conversa para saber mais sobre títulos de crédito e contratos empresariais, abordaremos os
conceitos mais a fundo.
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Explore +
Leia o artigo de Antonio Marcos Fonte Guimarães e Daniel Amin Ferraz: A Lei da Duplicata Escritural: uma
análise sob a perspectiva do fomento ao financiamento da pequena e média empresa no Brasil e da
valorização da duplicata como garantia em operações de crédito, publicado na Revista da Procuradoria-Geral
do Banco Central, v. 13, n. 1. jun. 2019, p. 121-134. Essa leitura ajudará a entender melhor alguns conceitos
trabalhados aqui.
Leia o trabalho apresentado por Claudia Elly Larizzatti Maia e Lucimara Aparecida Main, no XXIV Congresso
Nacional do CONPEDI, em 2015, intitulado Os contratos empresariais como instrumento do desenvolvimento
sustentável, e aprofunde seus conhecimentos.
Referências
ABRÃO, Nelson. Direito bancário.18. ed. São Paulo: Saraiva, 2019.
BRASIL. Código de Tributário Nacional. Lei no 5. 172, de 25 de Outubro de 1966. Dispõe sobre o Sistema
Tributário Nacional e institui normas gerais de direito tributário aplicáveis à União, Estados e Municípios. Diário
Oficial da União, Brasília, DF, 27 de outubro de 1966.
BRASIL. Código de Tributário Nacional. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Diário
Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 139, n. 8, p. 1-74, 11 jan. 2002.
BRASIL. Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015. Institui o Código de Processo Civil. Diário Oficial da União,
Brasília, DF, 17 março 2015.
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COELHO, Fabio Ulhoa. Novo manual de direito comercial. 31. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2020.
COSTA, Wille Duarte. Títulos de crédito. 4. ed. 6ª tiragem. Belo Horizonte: Del Rey, 2013.
FORGIONI, Paula. Contratos empresariais: teoria geral e aplicação. 5. ed. São Paulo: Editora Revista dos
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HORNGREEN, C.; SUNDEM, G.; STRATTON, W. Contabilidade Gerencial. São Paulo: 12a edição, Ed. Pearson,
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MARTINS, Fran. Contratos e obrigações comerciais. 18. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2018.
MARTINS, Fran. Títulos de crédito. 17. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2016.
NEVES, Thiago Ferreira Cardoso. Contratos mercantis. 3. ed. Rio de Janeiro: GZ, 2020.
REQUIÃO, Rubens. Curso de direito comercial. 29. ed. São Paulo: Saraiva, 2012. 2. v.
TOMAZETTE, Marlon. Curso de direito empresarial. Títulos de crédito. 11. ed. São Paulo: Saraiva, 2020. 2. v.
Títulos de crédito e contratos empresariais
1. Itens iniciais
Propósito
Preparação
Objetivos
Introdução
1. Títulos de Crédito
Conceito de títulos de crédito
Resumindo
Conceito de título de crédito e seus elementos
Exemplo
Títulos de crédito
Conteúdo interativo
Princípios
Legitimação do portador
Apresentação ao devedor
Recomendação
Independência
Exemplo
Abstração
Exemplo
Inoponibilidade de exceções pessoais
Exemplo
Princípios
Conteúdo interativo
Legislação e atos cambiários
Legislação sobre os títulos de crédito
Atos cambiários
Saque ou emissão
Aceite
Atenção
Endosso
Atenção
Atenção
Cobrança
Garantir uma obrigação assumida com o terceiro, a quem endossa
Aval
O avalista
O aval
Resumindo
Os atos cambiários
Conteúdo interativo
Letra de câmbio, nota promissória, cheque e duplicatas
Letra de câmbio
Apresentação para pagamento
Apresentação para aceite
Obrigação do sacado
Garantia do sacador
Nota promissória
Na nota promissória
O aceite
O emitente
O aval
Nota promissória rural
Vendas a prazo
Recebimentos
Entregas
Cheque
Curiosidade
Duplicatas
Duplicata de compra e venda
Atenção
Atenção
Duplicata de prestação de serviço
Duplicata rural
Prescrição nos títulos de crédito
Comentário
Letra de câmbio, nota promissória, cheque e duplicatas
Conteúdo interativo
Verificando o aprendizado
2. Contratos empresariais
Características dos contratos empresariais
Exemplo
Breve explanação sobre os contratos empresariais e suas características
Elasticidade
Onerosidade
Contratos empresariais
Conteúdo interativo
Princípios contratuais
Princípio da autonomia da vontade das partes
Comentário
Princípio da obrigatoriedade dos contratos (pacta sunt servanda)
Princípio da relatividade dos efeitos dos contratos
Princípio da supremacia da ordem pública
Princípio do consensualismo
Princípio da boa-fé objetiva
Função interpretativa
Função restritiva
Função criadora
Princípio do equilíbrio econômico
Princípio da função social
Exemplos de princípios contratuais
Princípio da autonomia da vontade das partes
Princípio da obrigatoriedade dos contratos
Princípio da relatividade dos efeitos dos contratos
Princípio da supremacia da ordem pública
Princípio do consensualismo
Princípio da boa-fé objetiva
Princípio do equilíbrio econômico
Princípio da função social
Princípios contratuais
Conteúdo interativo
Contratos empresariais e bancários
Conteúdo interativo
Operações bancárias
Atenção
Contratos bancários em espécie
Depósito bancário
Mútuo bancário
Abertura de crédito em conta-corrente
Desconto bancário
Adiantamento de contrato de câmbio (ACC)
Diferentes espécies de contratos empresariais
Conteúdo interativo
Verificando o aprendizado
3. Conclusão
Considerações finais
Podcast
Conteúdo interativo
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Referênciasé uma modalidade de título de crédito eletrônico, ou seja, aquela emitida e mantida
até sua liquidação em registro perante entidade credenciada pelo Banco Central — confira a Lei nº
13.775, de 2018, que instituiu a duplicata escritural.
De acordo com o artigo 6º da Lei nº 13.775, os gestores dos sistemas eletrônicos de escrituração de
duplicata emitida sob a forma escritural expedirão, a pedido de qualquer solicitante, extrato do registro
eletrônico da duplicata. Esse extrato é o “documento” necessário ao exercício do direito e deverá
reproduzir as indicações da duplicata em meio eletrônico.
O direito cartular é literal e autônomo, ou seja, tem os atributos da literalidade e da autonomia. A literalidade
nos títulos de crédito tem relação com o seu conteúdo e as declarações nele contidas, sendo interpretada
restritivamente, ou seja, literalmente. Veja alguns exemplos:
Aquele que assinar (manual ou eletronicamente) um título sem ter poderes para tal, ou extrapolando os
poderes que recebeu, fica obrigado perante o portador;
Ao transmitir o crédito, se o credor insere a expressão “sem garantia”, significa que ele não responde
pelo pagamento. Isso adverte aos futuros portadores que ele não se torna devedor solidário;
Caso o devedor aceite o título, mas lance “aceite parcial” ou reduza o valor ao dar seu aceite, essa
limitação é válida e pode ser oposta ao portador atual do título e portadores anteriores. Portanto, o
direito do credor que emerge do título, direito cartular, é literal e não ampliado.
•
•
•
O elemento ou atributo da autonomia tem relação com as obrigações lançadas no título por pessoa capaz ou
por seu representante. Havendo mais de uma obrigação no título, cada uma delas é independente entre si. Se
houver alguma invalidade com uma das obrigações, as demais não são atingidas pela primeira.
Por fim, o documento só tem efeito como título de crédito quando contém os requisitos da lei. Esse atributo é
denominado formalismo ou rigor cambiário. Com isso, se o documento não contiver algum desses requisitos,
denominados essenciais, ele não produzirá efeito como título de crédito. Sendo assim, o direito nele
mencionado não terá pelo menos algum dos demais elementos ou atributos.
Primeira
Vejamos um exemplo de dispositivo legal que foi redigido com fundamento no atributo da autonomia.
Lei do Cheque (Lei nº 7.357, de 1985, artigo 13).
“Art. 13 - As obrigações contraídas no cheque são autônomas e independentes. Parágrafo único - A
assinatura de pessoa capaz cria obrigações para o signatário, mesmo que o cheque contenha assinatura
de pessoas incapazes de se obrigar por cheque, ou assinaturas falsas, ou assinaturas de pessoas
fictícias, ou assinaturas que, por qualquer outra razão, não poderiam obrigar as pessoas que assinaram o
cheque, ou em nome das quais ele foi assinado.”
No Código Civil, estão disciplinados os denominados “títulos atípicos” ou “inominados”. Ou seja:
aqueles que não possuem nome e legislação próprios e são emitidos pelas partes sem que haja uma
finalidade predeterminada em lei. Esses títulos inominados devem conter, como requisitos essenciais
(de cunho formal), a data da emissão, a indicação precisa dos direitos que conferem e a assinatura
do emitente.
Títulos de crédito
Neste vídeo, exploraremos os títulos de crédito, seus atributos legais, tipos, elementos essenciais e exemplos
práticos conforme a legislação vigente.
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Princípios
A utilização de títulos de crédito traz inúmeras vantagens e maior segurança em relação aos documentos
comuns de dívida, pelos princípios de direito cambiário que norteiam a emissão, a circulação e o pagamento.
Veremos quais são estes princípios e em que momento eles podem ser invocados.
Legitimação do portador
O possuidor de um título de crédito tem direito à prestação nele indicada. E isso pode ser a entrega de uma
mercadoria (exemplo: no conhecimento de transporte) ou o pagamento de certa quantia em dinheiro
(exemplo: na cédula de crédito bancário).
Quando o título é nominal, essa prestação só pode ser efetuada em favor do beneficiário. Mas,
quando o título for ao portador, qualquer pessoa está legitimada a receber a prestação, que é devida
ainda que o título tenha entrado em circulação contra a vontade do emitente, por força do artigo
905, parágrafo único, do Código Civil.
A despeito da legitimação do portador quanto aos direitos contidos no título de crédito, é possível ao
proprietário que o perder ou tiver extraviado, ou for injustamente desapossado dele, obter novo título através
de uma decisão judicial. Ou pode impedir que sejam pagos indevidamente capital e rendimentos.
Dessa forma, a aplicação do princípio da legitimação do portador somente se dará se o devedor ficar inerte e
não procurar obter uma medida judicial em seu favor.
Apresentação ao devedor
Tal princípio está referenciado no artigo 905 do Código Civil, que assegura ao portador de título de crédito
direito à prestação nele indicada, mediante a sua simples apresentação ao devedor. Com isso, verifica-se a
vantagem da legislação dos títulos de crédito, que dispensa qualquer outra providência que poderia aumentar
os custos de transação.
Recomendação
Advertimos que o credor deve observar os prazos de apresentação do título e de sua cobrança. Além da
necessidade pontual do protesto do título, pois a perda desses prazos ou a falta de protesto podem
acarretar a perda do direito de ação ou da pretensão à cobrança por força da prescrição (veremos mais
à frente, neste módulo).
Independência
O título de crédito, na sua emissão, pode estar ou não vinculado a um documento. Portanto, o princípio da
independência pode ser afastado por lei especial que estipular a “dependência” do título a outro documento.
Exemplo
O título de crédito dependente é a duplicata de compra e venda ou a duplicata de prestação de serviço,
já que ambas só podem ser emitidas com base na fatura correspondente.
A falta de emissão do documento preliminar ou sua irregularidade vicia o título de crédito ao qual ele se liga.
Entretanto, em regra, eles são documentos independentes, isto é, valem por eles mesmos.
E a recíproca também se verifica, pois a omissão de qualquer requisito legal (exemplo: data de emissão ou
assinatura do emitente), que retire a validade como título de crédito, não implica a invalidade do negócio
jurídico que lhe deu origem. Também há independência, desvinculação do título em relação ao negócio
subjacente.
Abstração
Outro princípio que não é aplicável a todos os títulos de crédito é o da abstração. Ele está relacionado apenas
aos casos de circulação do título de crédito por endosso, ou seja, títulos à ordem (veremos mais à frente).
Se o título não circular, isto é, permanecer com o credor originário ou circular por outra forma que não seja o
endosso, não haverá abstração. Ela consiste na desvinculação do título à causa anterior ou à causa de
emissão.
Com isso, o portador atual — denominado endossatário — exerce um direito abstrato em relação ao portador
e ao negócio anterior. Nos casos de transmissão diversa do endosso, o efeito dessa transmissão é o de
cessão de crédito.
Exemplo
Se um título de crédito for emitido em razão de um contrato de locação, poderá ser endossado por
causa distinta. Pois a causa de emissão não precisa ser a mesma nas transmissões futuras do título. Isso
dá uma grande flexibilidade ao credor de honrar compromissos com terceiros, usando o título de crédito
como instrumento de pagamento, sem precisar se prender à causa da emissão ou da transmissão
anterior.
Inoponibilidade de exceções pessoais
O princípio da inoponibilidade de exceções pessoais é derivado do princípio da abstração, e sua aplicação
segue o mesmo pressuposto desse, ou seja, a circulação por endosso.
Para proteger o novo portador (endossatário) que recebe o título de boa-fé e, presumidamente, desconhece
as relações do devedor com portadores anteriores, são inoponíveisàs exceções fundadas em relação do
devedor com os portadores precedentes.Há uma exceção neste caso: se o portador, ao adquirir o título, tiver
agido de má-fé, conforme se extrai do artigo 916 do Código Civil.
Código Civil
No mesmo sentido do Código Civil, a Lei nº 7357, de 1985 - Lei do Cheque - também enuncia este
princípio em seu “artigo 25: Quem for demandado por obrigação resultante de cheque não pode opor ao
portador exceções fundadas em relações pessoais com o emitente, ou com os portadores anteriores,
salvo se o portador o adquiriu conscientemente em detrimento do devedor.”
Exemplo
A (devedor) emitiu um cheque em favor de B (credor), mas não cumpriu o contrato assumido. Ocorre que
B endossou o cheque para C, que desconhece a relação anterior, entre A e B.
Pelo princípio em comento, A não pode invocar sua relação pessoal com B para se eximir do pagamento
perante C, exceto se C estiver agindo de má-fé para prejudicar A.
Princípios
Neste vídeo, abordaremos os princípios de direito cambiário que regem a emissão, circulação e pagamento
dos títulos de crédito, destacando sua importância para a segurança e eficiência das transações.
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Legislação e atos cambiários
Legislação sobre os títulos de crédito
Não há um código tratando dos títulos de crédito ou uma lei que reúna todos ou a maior parte deles. A
legislação sobre esse assunto pode ser dividida em duas partes: o Código Civil (artigos 887 a 926) e as leis
especiais, que tratam dos títulos nominados ou típicos, podendo vários títulos ser disciplinados por uma
mesma lei.
Ao Código Civil cabe disciplinar os títulos de crédito inominados, aqueles que não recebem um nome pelo
legislador. Por isso, recebem essa designação. Para esses títulos, as normas do Código são de aplicação
compulsória, como se deduz a partir da leitura do trecho a seguir:
Edição do Código Civil.
Artigo 903: Salvo disposição diversa em lei especial, regem-se os títulos de crédito pelo disposto neste
Código.
(Código Civil, 2002)
Como os títulos atípicos não são regulados em lei especial, não se aplica a ressalva contida na primeira parte
do artigo.
Em relação aos títulos regulados em leis especiais, percebemos que o
Código Civil tem aplicação subsidiária, pois suas disposições não
prevalecem sobre as especiais. Por exemplo: se houver uma norma que
regule um título em espécie contendo preceito contrário ao do Código
Civil, ela prevalecerá, pois é a “disposição diversa”.
Os títulos de crédito podem ser utilizados para os mais diversos fins e
circular em vários mercados. Dentre os quais, podemos citar: o
financeiro e o de capitais, mas também em negócios diretamente com o consumidor.
Diante dessas múltiplas possibilidades, existem títulos que representam pagamentos em mercadorias ou em
dinheiro, títulos que conferem direitos sobre bens móveis ou imóveis, títulos de securitização e de
financiamento.
Considerando essas subcategorias, apresentaremos uma relação exemplificativa da legislação com indicação
dos títulos que ela regula.
Legislação Título(s) a que se refere(m)
Decreto nº 57.663, de 1966,
e Decreto nº 2.044, de 1908
(parcialmente em vigor)
Letra de câmbio e nota promissória
Lei nº 7.357, de 1985 Cheque
Lei nº 5.474, de 1968 Duplicatas de venda e de serviço
Decreto-lei nº 167, de 1967 Duplicata rural e nota promissória rural
Decreto nº 19.473, de 1930 Conhecimento de transporte
Decreto nº 1.102, de 1903 Conhecimento de depósito e warrant
Lei nº 8.929, de 1994 Cédula de produto rural
Decreto-lei nº 167, de 1967;
Decreto-lei nº 413, de 1969;
Lei nº 6.840, de 1980, e Lei
nº 6.313, de 1975
Cédulas e nota de crédito (rural, industrial, comercial e à
exportação)
Legislação Título(s) a que se refere(m)
Lei nº 9.514, de 1997 Certificado de recebíveis imobiliários
Lei nº 10.931, de 2004
Cédula de crédito imobiliário, letra de crédito imobiliário e
cédula de crédito bancário
Lei nº 11.076, de 2004
Certificado de depósito agropecuário, warrant agropecuário,
certificado de direitos creditórios do agronegócio, letra de
crédito do agronegócio e certificado de recebíveis do
agronegócio
Lei nº 13.986, de 2020 Cédula imobiliária rural e certificado de depósito bancário
Tabela: Legislação e títulos que ela regula. Alexandre Ferreira de Assumpção Alves.
Atos cambiários
Denominam-se “atos cambiários” aqueles que são praticados nos títulos de crédito pelas pessoas envolvidas
na relação cambiária, com finalidades distintas: emissão, reconhecimento do débito, transmissão ou garantia
ao cumprimento de obrigação.
O objetivo é apresentar as noções mais importantes sobre cada um desses atos, diferenciando-os entre si.
Saque ou emissão
Denomina-se saque (ou emissão) o ato cambiário de criação do título de crédito, englobando tanto o seu
preenchimento (ou lançamento no sistema de gravação de dados) quanto a sua assinatura. Observe:
Nenhum título de crédito tem validade sem saque, que é o único ato cambiário necessário e diretamente
relacionado ao elemento do formalismo ou rigor cambiário. Cabe, a princípio, ao sacador inserir no título as
declarações essenciais.
Obedecendo, para isso, a legislação de cada título típico ou, para os atípicos, os requisitos do artigo 889 do
Código Civil. Entretanto, o saque pode ser feito por procurador com poderes especiais para emitir títulos de
crédito, mediante ordem e responsabilidade do mandante.
Embora o título de crédito seja um documento formal, é possível estar incompleto no momento de
sua emissão. Nesse caso, deve ser preenchido em conformidade com os ajustes realizados entre o
emitente e o beneficiário.
Na hipótese de o beneficiário completar o título em desacordo com os ajustes, o abuso de preenchimento não
constitui motivo de oposição ao terceiro portador que o recebeu por endosso. Salvo se este, ao adquirir o
título, tiver agido de má-fé.
Aceite
Saque
Este termo é utilizado para o título de crédito
que contém uma ordem de pagamento dada
pelo “sacador” (credor) ao sacado (devedor),
para que efetue a prestação ao beneficiário,
como a letra de câmbio, as duplicatas ou o
cheque.
Emissão
Este termo é empregado para o título
que contém uma promessa de
pagamento do emitente (devedor) ao
beneficiário (credor), como a nota
promissória, ou as cédulas e as notas de
crédito.
Título de crédito.
O ato cambiário do aceite só tem aplicação nos títulos de crédito que contêm uma ordem de pagamento a
prazo. Consiste no reconhecimento do débito pelo devedor para pagamento à data do vencimento e, também,
das declarações contidas no título (ex.: valor, data de emissão, data de vencimento, nome do beneficiário,
estipulação de juros etc.).
Atenção
Em regra, o aceite decorre da assinatura do sacado, pessoa a quem é dirigida a ordem de pagamento,
no anverso do título. Mas pode ser dado por procurador com poderes especiais, tal qual ocorre no
saque. Uma vez firmado, o aceite não pode ser cancelado, pois se trata de um ato unilateral do sacado.
Todavia, se o sacado retiver a letra de câmbio apresentada para aceite e, antes da sua restituição ao
apresentante, riscar sua assinatura, é considerado como recusado.
Nas ordens de pagamento à vista não têm cabimento o aceite, haja vista que o portador beneficiário
apresentará o título diretamente a pagamento a partir do dia do vencimento. E, se esse não for dia útil, no
primeiro dia útil seguinte (confira a respeito no artigo 6º da Lei nº 7.357, de 1985 — Lei do Cheque).
O Código Civil não regula o aceite, mas o instituto está presente na legislação sobre letra de câmbio e
duplicatas (veremos a seguir).
Endosso
O endosso é um ato cambiário relacionado à transmissão do título de crédito e de todos os direitos nele
mencionados. O endossante (aquele que transfere o título por endosso) pode limitar o endosso.
Isso quer dizer que reserva parte dos direitos para si (exemplo:
endosso no valor parcial do título ou de parte das mercadorias
representadas). Nesse caso, teremos o endossoparcial, que é nulo, em
virtude do artigo 912, parágrafo único, do Código Civil.
Em princípio, mesmo sem cláusula expressa, o título de crédito pode
ser transmitido por endosso. Alguns somente podem ser transferidos
dessa forma. Portanto, são denominados “títulos à ordem inatos”, como
as duplicatas, o conhecimento de depósito e o warrant.
Outros títulos poderão ser transferidos por endosso ou por cessão de
crédito. Nesse caso, mediante a inserção da cláusula “não à ordem”
pelo sacador, como a letra de câmbio, a nota promissória, o cheque ou o conhecimento de transporte. Cabe
ao sacador decidir o modo de transmissão, que vincula os signatários posteriores pelo atributo da literalidade.
A cessão de crédito é uma forma alternativa de transmissão de obrigações, mas não se trata de
instituto de aplicação exclusiva aos títulos de crédito como o endosso.
A cessão de crédito é disciplinada no Código Civil (artigos 286 a 298) e tem várias diferenças em comparação
ao endosso, das quais se destacam:
Pode não abranger a totalidade do crédito, mediante disposição expressa. •
A eficácia da cessão em relação a terceiros depende da elaboração de um documento público (lavrado
por um tabelião de notas) ou particular.
O devedor deve ser notificado pelo credor da cessão do crédito, do contrário a transmissão da
obrigação não tem eficácia em relação a ele.
O devedor pode opor ao cessionário (credor atual) as exceções que lhe competirem, bem como as que,
no momento em que veio a ter conhecimento da cessão, tinha contra o cedente (credor anterior).
Salvo estipulação em contrário, o cedente não responde pela solvência do devedor.
O endosso é tratado tanto no Código Civil (artigos 910 a 920) quanto em leis especiais, prevalecendo estas
quando dispuserem diversamente do primeiro (confira o artigo 903 do Código Civil).
Tal qual o saque e o aceite, o endosso decorre de assinatura (manual ou eletrônica, conforme o suporte do
documento) do credor ou de seu procurador com poderes especiais, sendo o primeiro endossante o credor
originário.
Atenção
Ao contrário dos outros atos cambiários, para a validade do endosso que se limitar a uma simples
assinatura do endossante, deve ser dado no verso do título. Sendo a assinatura do endossante
identificada como endosso, pode ser lançada no verso ou no anverso.
Ao endossar o título, o endossante pode designar ou não o beneficiário. No primeiro caso, o endosso é em
branco e o título passa a circular ao portador; no segundo, permanece como título nominal (endosso em preto
ou completo).
Se o endossatário recebe um título de crédito endossado em branco, pode mudá-lo para endosso em preto.
Basta completá-lo com o seu nome ou de terceiro. Ele pode, inclusive, endossar novamente o título, em
branco ou em preto.
Pode, ainda, transferi-lo sem novo endosso pela tradição, mantendo o documento ao portador (confira o
artigo 913 do Código Civil).
Além de transferir todos os direitos incorporados ao título e nele mencionados, o endosso tem outro
importante efeito: não torna o endossante responsável pelo pagamento, salvo se houver declaração em
sentido contrário.
O endosso é presumidamente sem garantia ao pagamento e o endossante não é um coobrigado.
Já esclarecemos que as disposições do Código Civil cedem diante de disposição diversa em lei especial.
Existem algumas delas que regulam certos títulos de crédito em que se adota outra orientação, exatamente no
sentido contrário:
•
•
•
•
O endossante, salvo cláusula em contrário, é garante tanto da aceitação como do pagamento da letra.
(Decreto nº 57663, de 1966, Anexo I, artigo 15)
Nos casos de endosso de letra de câmbio e de nota promissória, por exemplo, ele é presumidamente com
garantia e o endossante é um coobrigado. Exceto se ele excluir sua responsabilidade pela “cláusula sem
garantia”, que será aplicada aos demais signatários e ao portador pelo atributo da literalidade.
Atenção
Nos títulos típicos ou nominados, é fundamental consultar a lei especial e verificar qual efeito ela atribui
ao endosso. O endossante, mesmo se responsabilizando como um coobrigado no título, pode proibir
novo endosso. Isto é: inserir uma cláusula acessória ao seu endosso pela qual declara que não garante o
pagamento às pessoas a quem a letra for, posteriormente, endossada.
Com isso, o endossante limita sua obrigação apenas à pessoa para quem endossou e não a garante para os
portadores posteriores. A cláusula de proibição de novo endosso não tem previsão no Código Civil, mas é
admitida em leis especiais.O endosso pode ser realizado antes ou após o vencimento do título. Mas é
importante ressaltar que o endosso posterior ao vencimento produz os mesmos efeitos do anterior.
Tal regra, presente no artigo 920 do Código Civil, não é adotada uniformemente pela legislação dos títulos de
crédito em espécie ou nominados. Em determinadas situações, o endosso póstumo (após o vencimento) pode
ter efeito de cessão de crédito.
O endosso, uma vez lançado, não pode ser cancelado, seja total ou parcialmente, exceto se o endossante
tiver pago o título e recebê-lo quitado do portador. Nesses termos, poderá riscar seu endosso, que será
reputado cancelado, e dos endossantes posteriores a ele. Ausente essa hipótese, o endosso cancelado é
considerado não escrito.
Cabe alertar sobre a existência do endosso impróprio, isto é, aquele em que o endossante transfere o título
sem a finalidade de transmitir todos os direitos nele incorporados, mas com os seguintes escopos:
Especiais
Confiram-se o Decreto nº 57.663, de 1966, Anexo I, artigo 15 e a Lei nº 7.357, de 1985, artigo 21,
parágrafo único.
1 Cobrança
O endosso contém a cláusula mandato ou “por procuração”, habilitando o endossatário a agir como
mandatário (procurador) do endossante para os atos de cobrança do título, com posterior prestação
de contas.
2
Garantir uma obrigação assumida com o terceiro, a quem endossa
Quando o endosso contém a menção “valor em penhor” ou outra garantia, como a fiduciária, o
endossante utiliza o direito de crédito que advém do título (atributo da cartularidade) para vinculá-lo
ao pagamento de obrigações que assumiu perante o endossatário. É o que se extrai dos artigos 917
e 918 do Código Civil.
Aval
É o ato cambiário com finalidade de garantia pessoal a uma obrigação assumida por um signatário do título
(avalizado), seja ele sacador, endossante ou avalista.
Essa garantia pode ser dada por um terceiro ou mesmo por um signatário do título, denominado avalista, e
esse pode ser representado por procurador (mandatário) com poderes especiais.
O aval pode ser prestado antes ou depois do vencimento, a critério do avalista, produzindo, a
qualquer tempo, os mesmos efeitos.
Esse instituto é cabível nos títulos de crédito que contenham obrigação de pagar soma determinada,
disposição do artigo 897 do Código Civil, mas tal restrição pode ser afastada em lei especial.
Ao contrário da fiança — garantia contratual acessória ao contrato principal —, o aval é ato unilateral de
vontade e independe da celebração de um contrato, sendo próprio dos títulos de crédito. Todavia, mesmo as
obrigações assumidas nos títulos com cláusula “não à ordem” podem ser garantidas por aval. Observe:
O avalista
O avalista não garante o pagamento do título,
mas sim da obrigação assumida pelo avalizado,
a quem se equipara. Outro fato a se observar é
que mais de um avalista pode garantir, ao
mesmo tempo, a mesma obrigação (aval
simultâneo).
O aval
O aval, também, deve ser lançado no próprio
título, sendo possível ao avalista prestá-lo
apenas com sua assinatura ou, adicionalmente,
com alguma palavra (exemplo: “Aval”, “Avalista”,
“Avalizo”) ou expressão (exemplo: “Em aval de”,
“Bom para aval”). Caso o aval seja resultante da
simples assinatura do avalista, deverá ser
lançado no anverso do título.
De acordo com o artigo 897, parágrafo único, do Código Civil, é vedado o aval parcial, de modo que o avalista
não poderia validamente limitar a garantia a uma parte da obrigaçãoassumida pelo avalizado.
Contudo, registramos a existência de disposição diversa em algumas leis especiais, que admitem,
expressamente, o aval parcial, como o artigo 30 do Anexo I do Decreto nº 57.663, de 1966, e o artigo 29 da Lei
nº 7.357, de 1985. Perante o portador e beneficiário, o avalista responde solidariamente com os demais
signatários do título (sacador, endossante, aceitante) pelo aceite (quando cabível) e sempre pelo pagamento.
Ao contrário da responsabilidade do fiador, que é acessória em relação ao afiançado (benefício de ordem), a
obrigação do avalista é autônoma e independente.
Além disso, ela se mantém mesmo no caso de a obrigação do avalizado ser nula por qualquer razão que não
seja um vício de forma, ou seja, ausência de formalismo do título (como visto no início deste módulo).
Resumindo
Se o avalista realiza o pagamento, passa a ter direito de regresso em face do avalizado e contra os
obrigados para com este em virtude da letra. Isso ocorre, pois a ele se transferem os direitos do credor
satisfeito (opera-se a chamada sub-rogação da obrigação) emergentes do título.
O aval, uma vez prestado, não pode ser cancelado, sendo tal ato considerado não escrito.
Todavia, a despeito dessa regra, é admitido que o avalista poderá riscar seu aval e dos obrigados posteriores
a ele. Mas isso somente se tiver pago o título e se recebê-lo quitado do portador. Ausente essa hipótese,
aplica-se a regra geral da vedação do cancelamento.
Os atos cambiários
Neste vídeo, exploramos os atos cambiários essenciais — emissão, aceite, endosso e aval — que são
praticados nos títulos de crédito para criação, reconhecimento de débito, transmissão e garantia de
obrigações.
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Letra de câmbio, nota promissória, cheque e duplicatas
Existem muitos títulos de crédito, com as mais diversas finalidades, inclusive para oferta pública nos mercados
financeiros. Este módulo, porém, trará os tradicionais, presentes na maioria das transações comerciais, como
a letra de câmbio, a nota promissória, o cheque e as duplicatas.
Letra de câmbio
Esse é o mais antigo dos títulos de crédito e sua origem remonta ao contrato de câmbio praticado na Idade
Média entre mercadores de cidades distantes, com moedas distintas.
No Brasil, também, foi o primeiro título a ser regulado em uma lei, no caso o Código Comercial (1850).
Atualmente, existem dois diplomas legais que tratam da letra de câmbio e da nota promissória:
Decreto nº 2.044, de 1908
Decreto nº 57.663, de 1966Vamos abrir um parêntese para falar do Decreto nº 57.663, de 1966. Ele é
conhecido como Lei Uniforme de Genebra (LUG), fruto de uma convenção internacional realizada em
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1930. Seu objetivo era a adoção de uma lei uniforme em matéria de letra de câmbio e nota promissória
e estabelecer regras de regulação de conflitos de leis.
Para esclarecimento, o Decreto nº 2.044, de 1908, ainda permanece parcialmente em vigor nos temas em que
a LUG se omitiu (exemplos: ação cambial, ato cambiário praticado por mandatário, anulação da letra de
câmbio).
Também ainda regula os dispositivos do Anexo I da LUG, que foram objeto de reserva no Anexo II (consulte os
artigos 2º, 3º, 5º, 6º, 7º, 9º, 10º, 13º, 15º, 16º, 17º e 19º do Anexo II para verificar os dispositivos objeto de
reserva).
É interessante frisar que, de maneira subsidiária, o Código Civil, na parte que trata dos títulos de
crédito (confira o artigo 903), trata da letra de câmbio.
Em termos conceituais, a letra de câmbio é uma ordem de pagamento em dinheiro, à vista ou a prazo, dada
pelo sacador (credor) ao sacado (devedor) em favor do primeiro ou de terceiro beneficiário (tomador).
O título pode ser emitido livremente por não ter o saque vinculado a certo contrato ou ato (título de crédito
abstrato). Entretanto, chamamos atenção à proibição contida no artigo 2º da Lei de Duplicatas (Lei nº 5474,
de 1968).
Esse artigo proíbe a utilização de qualquer outro título de crédito pelo vendedor para documentar o crédito
fundado em contrato de compra e venda, incluído obviamente a letra de câmbio. Cabe ao sacador a emissão
da letra de câmbio, podendo designar para tal ato procurador com poderes especiais (saque por conta e
ordem de terceiro).
E, também, o preenchimento do título com os requisitos essenciais (confira o artigo 1º do Anexo I do Decreto
nº 57663, de 1966, para verificar quais são os requisitos essenciais, e o artigo 2º do mesmo anexo para
verificar quais são os requisitos não essenciais).
O sacador se torna coobrigado desde o momento do saque. Ele responde pelo seu aceite e pagamento
perante o portador original e outros posteriores (cessionários ou endossatários). O sacador não pode se
exonerar de garantir o pagamento do título. Veja um passo a passo:
Apresentação para pagamento
A letra de câmbio à vista deve ser apresentada para pagamento a partir do dia de seu vencimento e,
se esse não for dia útil, no primeiro dia útil seguinte.
Apresentação para aceite
Se for a prazo, deve ser apresentada para aceite do sacado até o dia do vencimento, salvo se o
sacador tiver inserido cláusula proibindo o aceite (confira o artigo 22 do Anexo I do Decreto nº 57.663,
de 1966).
Obrigação do sacado
Caso o sacado dê seu aceite, torna-se obrigado principal pelo pagamento e, se tiver algum avalista, o
avalista também o será.
Garantia do sacador
Não havendo aceite ou sendo parcial, o sacador garante o pagamento ao portador desde que a
recusa ao aceite seja comprovada pelo protesto, interposto em tempo hábil (confira o artigo 22 do
Anexo I do Decreto nº 57.663, de 1966).
A transmissão da letra de câmbio pode ser feita por endosso (em branco ou em preto) ou por cessão de
crédito, a critério do sacador, porém para que não seja endossável é preciso a aposição da cláusula não à
ordem por esse.
Como nos demais títulos de crédito, o endosso é sempre integral e não pode ser cancelado, exceto se o
próprio endossante tiver feito o pagamento. Em que pese a corresponsabilidade do endossante pelo aceite e
pagamento (ao contrário dos títulos inominados), é possível que seja feito sem garantia.
Há ainda a proibição de novo endosso, situações em que, respectivamente, o endossante não se torna
coobrigado ou limita a sua coobrigação a seu endossatário imediato (confira o artigo 15 do Anexo I do Decreto
nº 57663, de 1966).
Qualquer obrigação assumida em uma letra de câmbio pode ter seu pagamento garantido por aval,
inclusive parcial, sendo o avalista equiparado ao avalizado. Logo, sendo o aval prestado em favor do
aceitante, o avalista é obrigado principal no título; sendo prestado em favor de outro signatário, o
avalista é coobrigado.
O avalizado pode ter mais de um avalista − nesse caso, os avais são simultâneos − ou um avalista pode
avalizar o anterior − os avais são sucessivos. Caso o avalista não indique o avalizado (aval em branco), este
será sempre o sacador.
Como obrigado cambiário, a obrigação do avalista é autônoma e independente da do avalizado, não sendo
admissíveis exceções pessoais ao portador, exceto em casos de vício de forma ou má-fé comprovada. Para
saber mais sobre o aval na letra de câmbio, confira os artigos 30 a 32 do Anexo I do Decreto nº 57663, de
1966.
Nota promissória
A nota promissória é outro título bastante conhecido e muito utilizado pelo modo de operação bem simples.
Possui, apenas, duas figuras intervenientes principais:
O emitente
O beneficiárioA legislação aplicável a esse título é a mesma da letra de câmbio, já vista. Advertimos,
porém, que todos os dispositivos relativos à nota promissória contidos no Decreto nº 2.044, de 1908
(artigos 52 a 56), estão revogados pela superveniência do Decreto nº 57.663, de 1966.
Em termos conceituais, a nota promissória é uma promessa de pagamento em dinheiro, à vista ou a
prazo, feita pelo emitente ou subscritor (devedor) ao beneficiário ou tomador (credor).
•
•
O título pode ser emitido livremente por não estar vinculado a certocontrato ou ato (título de crédito
abstrato). Todavia, nada impede que essa vinculação ocorra, devendo constar do título esse detalhe para
ciência do terceiro.
Cabe ao devedor, na condição de emitente, preencher o título atentando aos requisitos essenciais para sua
validade (confira o artigo 75 do Anexo I do Decreto nº 57.663, de 1966, para verificar quais são os requisitos
essenciais, e o artigo 76 do mesmo anexo para verificar quais são os requisitos não essenciais).
A identidade da legislação da nota promissória com a letra de câmbio não é casual e sim proposital. Pois são
aplicáveis às notas promissórias quase todas as disposições relativas às letras de câmbio, tais como:
Endosso
Vencimento
Pagamento
Direito de ação por falta de pagamento
Aval
Prescrição
Cabem, contudo, algumas considerações:
Na nota promissória
Não há o instituto do aceite, exclusivo dos títulos em que o sacador dá ordem de pagamento ao
sacado.
O aceite
É o “de acordo” a essa ordem.
O emitente
O emitente de uma nota promissória é responsável da mesma forma que o aceitante de uma letra, isto
é, ele e seu avalista, se houver, são os obrigados principais nesse título e os endossantes e seus
avalistas, os coobrigados.
O aval
Se não indicar a pessoa por quem é dado (aval em branco), considera-se em favor do emitente da
nota promissória.
Nota promissória rural
Outro título de crédito criado por inspiração da nota promissória é a nota promissória rural, normatizada pelo
Decreto-lei nº 167, de 1967, artigos 42 a 45. A sua emissão é causal, ou seja, só pode ser feita nas situações
previstas no artigo 42, que são:
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Pessoa preenchendo um cheque.
Vendas a prazo
Nas vendas a prazo de bens de natureza
agrícola, extrativa ou pastoril, quando efetuadas
diretamente por produtores rurais ou por suas
cooperativas (o comprador é o emitente).
Recebimentos
Nos recebimentos, pelas cooperativas, de
produtos da mesma natureza entregues pelos
seus cooperados (a cooperativa é o emitente).
Entregas
Nas entregas de bens de produção ou de
consumo, feitas pelas cooperativas aos seus
associados (o cooperado é o emitente).
A nota promissória rural poderá ser emitida sob a forma cartular ou escritural. Nesse caso, mediante
lançamento em sistema eletrônico de escrituração, mas observados, em qualquer das hipóteses, os requisitos
essenciais previstos no artigo 43 do Decreto-lei nº 167, de 1967.
Cheque
O cheque era comumente utilizado no Brasil antes da popularização dos cartões de crédito. Hoje em dia, seu
uso é bastante restrito, mas ainda comum em algumas situações, tais como para pagamento na aquisição de
imóveis. Por isso, iremos aprender um pouco mais sobre os cheques.
O cheque apresenta, também, semelhanças com a letra de câmbio, por se tratar de ordem de pagamento em
dinheiro, porém exclusivamente à vista. Diante dessa característica, não há aplicação do instituto do aceite.
A legislação sobre o cheque, até 1985, era o Decreto nº 57.595, de 1966, que promulgou, no Brasil, a Lei
Uniforme em matéria de cheque (fruto de uma convenção internacional ocorrida em 1931). No entanto, a Lei nº
7.357, de 1985, passou a tratar do instituto e revogou as disposições em contrário, tornando-se o diploma
vigente.
O emitente do cheque é denominado sacador e deve ter fundos disponíveis (dinheiro) em poder do sacado e
estar autorizado a sobre eles emitir cheque, em virtude de contrato. A infração desses preceitos não prejudica
a validade do título como cheque.
O sacador, ao preencher o cheque, deve atentar para os requisitos
essenciais previstos no artigo 1º da Lei nº 7.357, de 1985, sob pena de o
documento não valer como cheque. Outro requisito de validade do
cheque diz respeito ao sacado, que deve ser banco ou instituição
financeira que lhe seja equiparada (confira o artigo 3º da Lei nº 7.357,
de 1985).
Após o preenchimento, o emitente deve assiná-lo, mas é admitida a
assinatura por mandatário com poderes especiais. Ou até mesmo a substituição desta por chancela mecânica.
Curiosidade
O beneficiário do cheque pode ser o próprio emitente, pessoa por ele indicada (cheque nominal) ou o
portador. A emissão e o pagamento de cheque ao portador têm restrição, sendo vedado se o valor for
superior a R$100,00 (cem reais), tendo que ser nominal.
O beneficiário pode apresentar o cheque ao sacado para pagamento imediatamente após sua emissão. Não
importando que o cheque seja pós-datado, isto é, aquele emitido com data futura de apresentação a
pagamento.
Por ser um título exclusivamente à vista, o sacado deve efetuar o pagamento do cheque na data de sua
apresentação, mesmo que seja antes do dia indicado como de emissão.
O cheque pode ser apresentado a pagamento no estabelecimento do sacado indicado no título (lugar de
pagamento) ou a uma câmara de compensação. Não obstante, o portador deve observar os prazos legais. São
eles:
Se o cheque não for apresentado no prazo legal, o portador somente poderá cobrar seu valor através da ação
cambial (ação de execução) do emitente ou do seu avalista. No cheque, o emitente é o obrigado principal e,
como tal, garante o pagamento, considerando-se não escrita a declaração pela qual se exima dessa garantia.
A forma de circulação do cheque é a mesma da letra de câmbio, por endosso ou cessão de crédito, cabendo
ao emitente a escolha. Também é vedado o endosso parcial, sendo possíveis as cláusulas “sem garantia” e de
proibição de novo endosso.
Três peculiaridades devem ser registradas:
O sacado não pode endossar o cheque, sob pena de nulidade.
Se o sacado receber o cheque por endosso, tal ato cambiário tem efeito apenas de quitação, não
podendo haver novo endosso.
O endosso do cheque após sua apresentação ou o prazo de apresentação tem efeito de cessão de
crédito (confiram-se os artigos 18 e 27 da Lei nº 7357, de 1985).
Duplicatas
Elas, também, são títulos de crédito com muitas semelhanças com a letra de câmbio. São ordens de
pagamento em dinheiro à vista ou a prazo dadas ao devedor pelo credor.
Entretanto, as duplicatas são títulos de crédito causais e à ordem. Isso quer dizer que a causa de sua emissão
não pode ser escolhida pelo emitente, sendo imposta por lei, e a circulação tem que ser por endosso. Com
isso, as figuras do sacador, sacado e tomador são aquelas diretamente vinculadas ao negócio que deu origem
ao crédito.
30 dias
Quando emitido no lugar onde houver de
ser pago.
60 dias
Quando emitido em outro lugar do
País ou no exterior, sempre a partir do
dia da emissão.
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Outros aspectos relevantes dizem respeito à necessidade de emissão prévia da fatura pelo sacador. Sendo a
duplicata uma cópia desta com efeito cambial, e a possibilidade de ação de cobrança em face do sacado
diante da recusa ao aceite.
Duplicata de compra e venda
Esta foi criada como título substitutivo da letra de câmbio para ser utilizada, facultativamente pelos
comerciantes. O objetivo era documentar o crédito oriundo do contrato de compra e venda mercantil,
podendo circular livremente por endosso, a fim de que o sacador obtivesse capital de giro.
Com a revogação da parte primeira do Código Comercial, em 2002, pelo Código Civil, deixou de existir o
referido contrato. Mas persiste o contrato de compra e venda, que atualmente é a causa da emissão.
O sacador da duplicata de compra e venda é o vendedor (credor); e o sacado é o comprador (devedor). Como
o vendedor se utiliza da duplicata para a cobrança do preço, ele é o beneficiário e primeiro endossante.
Atenção
Cabe ao sacador observar, na emissão da duplicata, os requisitos essenciais, inclusive indicar o número
da fatura de compra e venda (confira o artigo 2º, parágrafo 1º, da Lei nº 5.474, de 1968).
Como a duplicata é sacada após a realização da venda, presume-se que quando ela é remetida ao
sacado para aceite (confira como se dá a apresentação da duplicata no artigo 6º da Lei nº 5.474, de
1968) a mercadoria já foi entregue e recebida sem oposição.
Caso tenha havido algum problemacom a mercadoria ou com as condições da venda, reproduzidas na
duplicata, o sacado tem a prerrogativa de recusar o aceite.Havendo a comprovação de uma das causas para o
não aceite, o sacado deve devolver a duplicata ao apresentante dentro de 10 (dez) dias. Esse prazo é contado
da data de sua apresentação, acompanhada de declaração, por escrito, contendo as razões da falta do aceite.
Aceite
Sobre a recusa do aceite, vejamos o que dispõe o artigo 8º, da Lei no 5.474 de 1968: “O comprador só
poderá deixar de aceitar a duplicata por motivo de: I - avaria ou não recebimento das mercadorias,
quando não expedidas ou não entregues por sua conta e risco; II - vícios, defeitos e diferenças na
qualidade ou na quantidade das mercadorias, devidamente comprovados; III - divergência nos prazos ou
nos preços ajustados”.
A retenção da duplicata pelo sacado constitui ato ilícito, sendo possível o protesto por falta de
devolução para comprovar esse fato.
A obrigação de pagamento da duplicata poderá ser assegurada por aval, sendo o avalista equiparado àquele
cujo nome indicar; na falta da indicação, àquele abaixo de cuja firma lançar a sua; fora desses casos, ao
comprador ou sacado.
A cobrança da duplicata não paga, com ou sem aceite, é feita por meio de ação cambial (de execução),
inclusive em face do sacado ou de seu avalista. A emissão da duplicata de compra e venda pode ser escritural
ou eletrônica, a critério do sacador. Tal previsão, porém, não se encontra na Lei nº 5.474, de 1968, e sim em lei
própria — Lei nº 13.775, de 2018.
De acordo com essa lei, a emissão da duplicata é feita mediante lançamento em sistema eletrônico de
escrituração gerido por quaisquer das entidades que exerçam a atividade de escrituração de duplicatas
escriturais.
Todos os atos previstos na Lei nº 5.474, de 1968, referentes às duplicatas de compra e venda e de prestação
de serviços, deverão ser praticados no sistema eletrônico, tais como:
Apresentação
Aceite
Devolução e formalização da prova do pagamento
Controle e transferência da titularidade
Prática de atos cambiais sob a forma escritural, tais como endosso e aval
Os gestores dos sistemas eletrônicos de escrituração são obrigados a expedir, a pedido de qualquer
solicitante, extrato do registro eletrônico da duplicata. Esse documento servirá de base para a cobrança
judicial da duplicata.
Atenção
Cabe destacar a fixação de prazo menor de apresentação, por meio eletrônico, da duplicata escritural —
2 dias úteis contados de sua emissão. E o sacado, também por meio eletrônico, poderá recusar, no prazo
de 10 dias, a duplicata escritural apresentada ou, no mesmo prazo acrescido de sua metade, aceitá-la.
Duplicata de prestação de serviço
Ela, também, é regulada pela Lei nº 5.474, de 1968, sendo-lhe aplicáveis, com as adaptações cabíveis, as
disposições referentes à fatura e à duplicata de compra e venda. Não obstante, a emissão da duplicata de
prestação de serviços não é imposta ao sacador, ao contrário da duplicata de compra e venda.
De acordo com os artigos 20 e 22 da Lei nº 5474, de 1968:
Têm legitimidade para sacar esta duplicata: as pessoas físicas ou jurídicas que se dediquem à prestação
de serviços, inclusive profissionais liberais; e os que prestam serviço de natureza eventual.
(Lei nº 5474, 1968)
A duplicata deverá ser sacada após a emissão da fatura, que discriminará a natureza dos serviços prestados.
O sacador deverá enviar a duplicata ao aceite do sacado, ocasião em que este terá a oportunidade de aceitá-
la, tornando-se obrigado principal pelo pagamento, ou apresentar as razões de recusa.
•
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•
•
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Vários títulos de crédito.
Para ser considerada válida, a recusa deve estar fundada em um dos seguintes motivos:
Não correspondência com os serviços efetivamente contratados.
Vícios ou defeitos na qualidade dos serviços prestados, devidamente comprovados.
Divergência nos prazos ou nos preços ajustados.
Duplicata rural
Essa é a única espécie de duplicata que não é regulada na Lei nº 5.474, de 1968. Sua previsão está no artigo
46 do Decreto-lei nº 167, de 1967.
Também é um título causal associado exclusivamente a vendas a prazo de quaisquer bens de natureza
agrícola, extrativa ou pastoril. No caso da aquisição efetuada diretamente por produtores rurais ou por suas
cooperativas, que são os sacadores dessa duplicata.
Tal qual a duplicata de compra e venda, a rural poderá ser emitida sob a forma cartular ou escritural. Nesse
caso, mediante lançamento em sistema eletrônico de escrituração. Mas observados, em qualquer das
hipóteses, os requisitos essenciais previstos no artigo 48 do Decreto-lei nº 167, de 1967.
Prescrição nos títulos de crédito
Sabemos que todos eles têm importantes funções econômicas e uma delas é a possibilidade de obtenção de
crédito mediante sua emissão e/ou circulação, de modo mais rápido e informal, mas com segurança para o
credor.
Comentário
Ao verificarmos os princípios, identificamos que o credor pode cobrar de todos os signatários, em razão
da autonomia entre as obrigações. E que, se o título circular por endosso, o devedor não pode opor ao
portador atual as exceções que teria ao pagamento perante portadores anteriores. Pois bem: para que
tal tratamento seja dispensado ao credor no momento da cobrança, é fundamental que ele observe os
prazos para a propositura das ações de cobrança de cada título de crédito. Isso é de suma importância,
pois os prazos não são os mesmos e podem variar conforme o título em espécie e a pessoa que está
sendo cobrada − se aceitante, sacador, endossante ou avalista.
Quando o devedor deixa de aceitar ou de pagar o título de crédito, ele descumpre uma obrigação. O sacador,
porém, é responsável pelo aceite e pagamento, bem como os endossantes e avalista.
Caso o sacado não aceite, o portador tem direito de cobrança antes do vencimento perante os coobrigados,
tendo obtido o protesto do título. A mesma solução se dá em caso de aceite, mas sem que o pagamento seja
efetuado.
O credor tem uma pretensão à cobrança do crédito contido no título em
face dos devedores solidários, tanto na hipótese de falta de aceite
(títulos que representam ordens de pagamento a prazo) ou de falta de
pagamento. Essa pretensão deve ser exercida dentro de um prazo
fixado sempre em lei e que não pode ser reduzido ou ampliado pela
vontade das partes. Esse é o prazo de prescrição que, se atingido, vai
extinguir a pretensão ao exercício daquele direito.
•
•
•
O Código Civil dispõe sobre esses prazos em seu artigo 206. E, quanto à prescrição, para haver o pagamento
de título de crédito, o prazo é de 3 anos, contados da data do vencimento (confira o parágrafo 3º, inciso VIII,
desse artigo).
Precisamos destacar que o próprio dispositivo legal ressalva as disposições de lei especial, permitindo
concluir que o prazo de 3 anos somente se aplica:
Para os títulos atípicos ou inominados, que não seguem lei especial.
Para os títulos nominados, caso não haja prazo prescricional fixado na lei própria.Em razão dessa
ressalva, é fundamental que o credor verifique, em primeiro lugar, se o título é regulado por lei especial
e se essa lei tem um prazo prescricional diferente do Código Civil. Ou até mesmo se o evento fixado
para o início da contagem do prazo prescricional (termo inicial) é ou não a data do
vencimento.Havendo prazo específico em lei especial, este prevalecerá. Apresentaremos, a seguir, uma
relação exemplificativa de títulos que possuem prazos diferentes daquele do Código Civil. Foram
fixados em função da pessoa do devedor contra quem o credor exerce seu direito de ação.
Título de crédito Prazo prescricional
Letra de câmbio e nota
promissória (Anexo I do Decreto nº
57663, de 1966, artigo 70)
3 anos, contados do dia do vencimento, na cobrança
do aceitante e de seu avalista; 1 ano, contado da data
do protesto ou da data do vencimento (se o protesto
for dispensado no título) na cobrança do endossante,
do sacador e dos respectivos avalistas; 6 meses,
contados do dia em queo endossante pagou a letra ou
em que ele próprio foi acionado, na ação dos
endossantes e de seus avalistas um contra os outros e
contra o sacador e seu avalista;
Duplicatas de compra e venda e
de prestação de serviços (Lei nº
5.474, de 1968, artigo 18) Obs.: A
duplicata rural segue os prazos da
letra de câmbio — Decreto-lei nº
167, de 1967, artigo 60.
3 anos, contados do dia do vencimento, na cobrança
do sacado/aceitante e de seu avalista; 1 ano, contado
da data do protesto, na cobrança dos endossantes e
de seus avalistas; 1 ano, contado da data em que
tenha sido efetuado o pagamento do título de qualquer
dos coobrigados contra os demais (ação de regresso
de um obrigado ao pagamento da duplicata contra
outro).
Cheque (Lei nº 7.357, de 1985,
artigo 59)
6 meses, contados do término do prazo de
apresentação, na cobrança do emitente e de seu
avalista ou do endossante e de seu avalista; 6 meses,
contados do dia em que o obrigado pagou o cheque
ou do dia em que foi demandado (ação de regresso de
um obrigado ao pagamento do cheque contra outro).
Tabela: Relação de títulos que possuem prazos diferentes daquele do Código Civil. Alexandre Ferreira de
Assumpção Alves.
Após a ocorrência da prescrição, o credor, ainda assim, poderá propor uma ação de cobrança. Mas essa não
terá mais os benefícios da ação “cambial”, ou seja, aquela própria para a cobrança dos títulos de crédito.
Isso porque, com a prescrição, o documento deixa de ser um título executivo extrajudicial. E terá de passar
por um procedimento preliminar para se tornar, novamente, um título executivo.
•
•
Esse procedimento se dá através da ação monitória, prevista no artigo 700 do Código de Processo Civil.
Letra de câmbio, nota promissória, cheque e duplicatas
Este vídeo aborda os conceitos fundamentais sobre títulos de crédito tradicionais, como letra de câmbio, nota
promissória, cheque e duplicatas, destacando sua aplicação nas transações comerciais.
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Mário assinou como avalista uma nota promissória e limitou seu aval a 50% (cinquenta por cento) do valor do
título. Diante de tal limitação, qual dos princípios dos títulos de crédito deve ser aplicado para Mário se opor à
eventual cobrança do valor integral da nota promissória?
A Cartularidade
B Literalidade
C Autonomia
D Formalismo
E Abstração
A alternativa B está correta.
Observe que Mário lançou na nota promissória uma limitação a seu aval e só pode responder perante o
portador até metade do valor do débito. Ele pode se opor ao pagamento por meio da invocação ao princípio
da literalidade, ou à exceção relativa ao conteúdo literal do título de que trata o artigo 915 do Código Civil.
Questão 2
Joana recebeu de José, por endosso, cheque emitido por Maria. Sabendo-se que o endosso de José para
Joana foi em branco, Joana não poderá:
A Mudá-lo para endosso em preto indicando novo beneficiário.
B Endossar novamente o título, em branco ou em preto.
C Transferi-lo a terceiro por tradição manual e sem novo endosso.
D Realizar um endosso parcial.
E Endossar novamente o título, indicando diversos beneficiários diferentes.
A alternativa D está correta.
É vedado à Joana realizar endosso parcial do cheque, pois ele é sempre integral, compreendendo todo o
valor indicado no título.
2. Contratos empresariais
Características dos contratos empresariais
Este conteúdo tem como tema central os contratos empresariais. Todo contrato é um ato jurídico, pois
decorre de um ato volitivo, ou seja, de livre manifestação da vontade (seja da pessoa física, seja da pessoa
jurídica) com a finalidade de produzir efeitos jurídicos.
Além de ser um ato jurídico, o contrato integra uma categoria mais restrita, a dos negócios jurídicos ou atos
jurídicos em sentido estrito. Já que possuem sua formação e efeitos condicionados à livre manifestação de
vontade das partes.
Como, para a formação do vínculo contratual, é necessária a conjugação de vontades, ou consensualismo, o
contrato é um negócio jurídico bilateral, não se admitindo o “contrato consigo mesmo”.
Exemplo
Não se denomina contrato o documento de constituição de uma sociedade unipessoal, e sim ato
unilateral ou documento de constituição.
Nem o Código Civil de 1916 e nem o atual apresentam a noção de contrato. O Código de 1916 conceituou “ato
jurídico” no artigo 81 como:
Art. 18 - Todo o ato lícito, que tenha por fim imediato adquirir, resguardar, transferir, modificar ou
extinguir direitos.
(Código Civil, 1916)
O Código vigente não conceituou ato jurídico ou o negócio jurídico, limitando-se a apresentar os requisitos de
validade do negócio jurídico, em seu artigo 104.
Entretanto, como referência técnica, podemos citar a noção adotada pelo Código Civil italiano de 1942, fonte
legislativa para o Código brasileiro. Em seu artigo 1321, conceitua contrato como o acordo de duas ou mais
partes (sujeitos de direito) para estabelecer (criar), regular (podendo modificar) ou extinguir uma relação
jurídica patrimonial entre elas.
O contrato empresarial não tem natureza distinta dos demais contratos dentro da teoria do negócio jurídico.
Existem, porém, certas peculiaridades em relação a outros contratos (exemplos: civis, administrativos, de
consumo) que serão tratadas a seguir.
Breve explanação sobre os contratos empresariais e suas características
Até a entrada em vigor do Código Civil de 2002, havia um tratamento particular para os contratos e as
obrigações mercantis no Código Comercial (Lei nº 556, de 1850), que dedicava o Título V da Parte Primeira ao
tema. Ocorre que toda a parte primeira do Código Comercial foi revogada expressamente pelo artigo 2045 do
Código Civil. Acompanhe:
Em que pese o desaparecimento de um regramento próprio (disposições gerais e contratos em espécie), na
prática, continuam sendo celebrados contratos mercantis. Atualmente, porém, são denominados empresariais,
em referência ao empresário e sua empresa.
Ou seja: substituindo a nomenclatura tradicional que se referia ao comerciante e comércio ou à mercancia.
Cabe, também, observar que muitas leis especiais — não revogadas pelo Código Civil — continuam
disciplinando contratos empresariais ou institutos relacionados ao direito empresarial. Por exemplo,
arrendamento mercantil, franquia, representação comercial, ponto empresarial, alienação fiduciária,
concessão comercial, fretamento, seguro marítimo, transporte multimodal e transporte aéreo.
Diante da lacuna legislativa, você deve estar se perguntando: como identificar um contrato
empresarial? Quais seriam as características dos contratos empresariais?
O primeiro aspecto relevante para identificar um contrato como empresarial é a qualidade de empresário das
partes, de ambas e não apenas de uma delas. Para isso, é necessário recorrer ao Código Civil, que conceitua,
nos artigos 966 e 982, respectivamente, empresário e sociedade empresária.
Em ambos os dispositivos, é essencial que haja o exercício profissional (com habitualidade) de empresa. Isto
é: atividade econômica organizada para produção ou circulação de bens ou serviços.
Em termos práticos, como o exercício regular da empresa decorre sempre do registro, identifica-se o
empresário pela sua inscrição na junta comercial, exceto o empresário rural, que tem um regime de inscrição
facultativa.
Um segundo aspecto relevante dos contratos empresariais está associado à sua função econômica, que se
vincula, necessariamente, ao exercício da empresa. Assim, ao celebrar um contrato empresarial, as partes
visam ao lucro ou à obtenção de vantagem econômica equivalente para sua empresa.
E isso pode se dar pela aquisição de produtos ou serviços, obtenção de crédito, prestação de garantias a
obrigações de terceiros, investimento de recursos na empresa de terceiros etc.Se, por acaso, alguma pessoa
participar do contrato não sendo empresário, nem por isso ele se descaracteriza, pois é preciso sempre
verificar se o fim é empresarial. Por exemplo,uma sociedade empresária contrai um empréstimo (contrato de
mútuo) para aplicar na modernização de sua empresa. E, para liquidação do débito, é emitida pela mutuária
uma cédula de crédito bancário (título de crédito), com aval de um sócio pessoa física não empresário.
O simples fato de um dos devedores solidários não ser empresário não descaracteriza o mútuo como um
contrato empresarial, embora regulado pelo Código Civil, pois a função econômica está relacionada à
empresa.
Podemos apontar como características dos contratos empresariais:
Paridade ou simetria
Elasticidade
Informalidade
Onerosidade
Boa-fé
Revogação e relações comerciais
Em razão da revogação, deixaram de ter
regras próprias, compatíveis com as
características das relações mercantis ou
comerciais (exemplo: paridade, elasticidade,
informalidade, onerosidade, boa-fé,
importância dos usos).
Unificação dos contratos mercantis
De todos os contratos, apenas o de
comissão mercantil foi mantido no
Código Civil de 2002, com a
denominação reduzida para “comissão”
(confira os artigos 693 a 709). Os demais
foram “unificados” com os congêneres
civil, que eram disciplinados no Código
Civil de 1916.
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Importância dos usos como critério interpretativo
As relações empresariais são paritárias ou simétricas, pois há equivalência de poderes e forças entre as partes
contratantes. Não há, porém, presunção de hipossuficiência e/ou vulnerabilidade no que tange às questões
contratuais.
Com isso, as cláusulas contratuais serão objeto de livre estipulação. Por serem ambas as partes empresários,
possuem conhecimento e experiência em questões econômico-financeiras em geral. E são capazes de avaliar
o fim pretendido e, desse modo, identificar vantagens, desvantagens, riscos e potenciais de retorno em
relação ao negócio.
Veja as definições de elasticidade e onerosidade:
Elasticidade
Está presente no seu aspecto interpretativo. Afinal, partes poderão livremente pactuar regras de
interpretação, de preenchimento de lacunas e de integração dos negócios jurídicos diversas daquelas
previstas em lei. Até mesmo com estímulo à utilização da arbitragem para dirimir conflitos advindos da
interpretação do contrato.
Ao contrário dos negócios civis, os negócios empresariais (unilaterais e bilaterais) são, em regra,
informais. No módulo 1, tratamos sobre a informalidade do endosso e do aval em relação aos
institutos da cessão de crédito e da fiança, pois ambos são válidos com simples assinatura. E são
dessa forma para que o empresário tenha celeridade e menor custo de transação no momento da
contratação e da execução.
Em virtude disso, muitos contratos empresariais estão sendo celebrados no ambiente virtual ("web
space"), que se mostra propício e estimulante para contratações em massa e a distância.
Onerosidade
Decorre, naturalmente, do objetivo do empresário ao contratar, isto é, obter lucro ou vantagem
equivalente, por isso não se concebe gratuidade nos contratos empresariais.
Um exemplo dessa característica encontra-se no contrato de transporte. Uma vez que o
transportador se obriga, mediante retribuição, a transportar pessoas ou coisas, não se subordina às
normas do contrato de transporte o feito gratuitamente, por amizade ou cortesia.
Outra característica (marcante) dos contratos empresariais é a importância reservada aos usos como critério
interpretativo dos contratos empresariais, pois constituem uma das fontes do direito empresarial.Tal fato é
histórico e já tinha relevância no Código Comercial. O referido Código, em seu artigo 131, apresentava bases
para interpretação das cláusulas dos contratos comerciais, referindo-se aos usos nestes termos:
Art. 131 - O uso e a prática geralmente observados no comércio nos casos da mesma natureza, e
especialmente o costume do lugar onde o contrato deva ter execução, prevalecerá a qualquer
inteligência em contrário que se pretenda dar às palavras.
Atualmente, os usos ainda têm função interpretativa em razão do que dispõe o artigo 113 do Código Civil:
Art. 113. Os negócios jurídicos devem ser interpretados conforme a boa-fé e os usos do lugar de sua
celebração.
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Os usos são práticas espontâneas públicas, uniformes, reiteradas e lícitas. Inclusive regras corporativas
contidas em documentos de autorregulamentação, adotadas pelos empresários de um determinado lugar
(“praça”), região ou país.Ainda nos dias atuais, a lei recorre a eles, subsidiariamente, em alguns contratos
como de depósito, mandato, comissão e corretagem (confira os artigos 628, 658, 701 e 724 do Código Civil).
Contratos empresariais
No vídeo, abordamos a natureza e evolução dos contratos empresariais, destacando suas características
distintivas como paridade, elasticidade, informalidade, onerosidade, boa-fé e a importância dos usos.
Conteúdo interativo
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Princípios contratuais
Eles se dividem em clássicos e contemporâneos, sendo que estes não eliminam os primeiros, mas os
completam e, por vezes, os atenuam. Os princípios clássicos têm forte caráter individualista, em que as partes
teriam total liberdade para escolher quando contratar, o que contratar e como contratar.
Os princípios contratuais definem a oportunidade da contratação (e não são forçadas a contratar), o
conteúdo da avença e sua forma.
Com o passar do tempo e de fenômenos — como a produção de bens em massa, novas tecnologias,
regulação de certas atividades econômicas, intervenção do Estado em relações privadas, globalização, entre
outras causas —, os princípios clássicos passaram a conviver com novos princípios. E, para estes, o contrato
assume um papel “social” em vez de “individual”.
Veja os princípios contratuais clássicos:
Autonomia da vontade das partes
Obrigatoriedade dos contratos
Relatividade dos efeitos dos contratos
Princípio da autonomia da vontade das partes
As partes contratantes têm ampla liberdade para contratar, escolher a pessoa do contratante e estabelecer
entre si os termos e condições do vínculo contratual. Somente disposições imperativas de ordem pública
podem limitar essa autonomia.
Comentário
Nos contratos empresariais, que se relacionam com o exercício de atividades econômicas pelas partes, a
autonomia da vontade está alicerçada nos princípios constitucionais da livre iniciativa e livre
concorrência (confira o artigo 170 da Constituição de 1988).
Ela encontra limites nos atos anticoncorrenciais e contra a livre iniciativa (confira o artigo 36 da Lei nº 12529,
de 2011). Também constituiu limitação à autonomia da vontade as normas de ordem pública, pontualmente
presentes em alguns contratos.
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Por exemplo, aqueles que estabelecem seus elementos essenciais e relativos à responsabilidade civil objetiva
de algum dos contratantes ou de ambos. A Lei nº 13.874, de 2019, que institui a Declaração de Direitos de
Liberdade Econômica, faz essa ressalva em seu artigo 3º, inciso VIII.
Por esse dispositivo, estabelece que os negócios jurídicos empresariais paritários serão objeto de livre
estipulação das partes pactuantes. Assim sendo, aplicam todas as regras de direito empresarial apenas de
maneira subsidiária ao avençado, exceto normas de ordem pública.
Princípio da obrigatoriedade dos contratos (pacta sunt servanda)
Esse princípio está associado ao brocardo pacta sunt servanda, ou seja, “os acordos devem ser mantidos”. É
um outro princípio clássico do direito contratual, que tem mais importância no direito empresarial do que em
outros ramos do direito em razão da presunção de paridade entre as partes e profissionalismo.
A força obrigatória dos contratos é uma consequência lógica da autonomia da vontade. Ora, se as partes são
livres para pactuar seu conteúdo, se deduz que este deve prevalecer, em nome da própria segurança do
negócio. Assim, cria-se um vínculo jurídico obrigatório, no sentido de que “o contrato é lei entre as partes
contratantes”.
Nesse sentido, em reforço à manutenção dos acordos, dispõe o artigo 421, parágrafo único, do