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AC 1 — ANÁLISE CRÍTICA DE CASO
Análise do caso Mariana a partir das perspectivas
Psicanalítica, Behaviorista e Humanista
Curso: Psicologia
Turma: 2MA
Participantes
Isabella Soares Mascarenhas
Rosangela Moreira de Jesus
Gabriela Pereira Maia
Raphaelly Mesquita
Geovana Ferreira
2026
1. Introdução
O caso apresentado é o de Mariana, uma jovem de 24 anos
recém-formada em Administração que começou a trabalhar em uma
empresa de médio porte. Apesar de ter boas ideias e conhecimento
técnico, ela demonstra dificuldade para tomar decisões sem consultar
colegas ou superiores. Nas reuniões, evita expor suas opiniões antes que
outras pessoas falem e, em escolhas pessoais, sente ansiedade e procura
constantemente a aprovação dos outros.
Essas atitudes podem ser compreendidas de diferentes maneiras
pela Psicologia. Para analisar a situação, este trabalho apresenta três
perspectivas — Psicanalítica, Behaviorista e Humanista — destacando
como cada uma entende o comportamento, quais aspectos considera
importantes e quais são as diferenças entre elas. É importante lembrar que
o caso traz poucas informações, portanto não é possível afirmar uma causa
única ou fazer um diagnóstico sobre Mariana.
2. Perspectiva Psicanalítica
Na perspectiva psicanalítica, desenvolvida a partir dos estudos de
Sigmund Freud, parte do comportamento humano está relacionado a
processos inconscientes, experiências passadas e conflitos internos que
nem sempre são percebidos pela própria pessoa. Assim, a dificuldade de
Mariana em tomar decisões e se posicionar poderia estar ligada a medos,
inseguranças ou experiências anteriores em que expressar sua opinião
trouxe consequências negativas.
Por esse olhar, buscar a aprovação de colegas e superiores pode
funcionar como uma maneira de evitar sentimentos de culpa, rejeição ou
crítica. A ansiedade diante de escolhas também pode indicar um conflito
entre aquilo que Mariana deseja fazer e aquilo que acredita que esperam
dela. No entanto, essas são possibilidades de interpretação, e não
conclusões sobre sua história. Seria necessário conhecer melhor suas
relações familiares, experiências escolares, vínculos e a forma como ela
lida com erros e cobranças.
A psicanálise entende o sujeito como alguém influenciado por sua
história e por processos internos que nem sempre estão claros para ele. Por
isso, a análise não se limitaria a ensinar Mariana a falar mais nas reuniões;
buscaria compreender o significado que a exposição, a autonomia e a
aprovação têm para ela.
3. Perspectiva Behaviorista
O Behaviorismo, associado a autores como John B. Watson e B. F.
Skinner, concentra-se no comportamento observável e na relação entre o
indivíduo e o ambiente. Nessa abordagem, as atitudes de Mariana podem
ser analisadas considerando o que acontece antes e depois de cada
comportamento, sem presumir que exista uma causa inconsciente
específica.
Por exemplo, se Mariana costuma esperar que outra pessoa dê uma
opinião primeiro e, assim, evita ser criticada, o alívio imediato que sente
pode aumentar a chance de repetir esse comportamento. Da mesma
forma, se consultar um superior faz com que outra pessoa decida por ela e
diminua sua ansiedade naquele momento, essa consequência pode
reforçar a busca frequente por validação. Isso não significa que ela faça
isso de propósito, mas que o comportamento pode ter sido aprendido e
mantido pelas consequências.
A partir dessa perspectiva, seria importante observar em quais
situações a dificuldade aparece, como as pessoas respondem às suas
dúvidas e quais consequências ocorrem quando ela toma decisões sozinha.
Uma possibilidade de intervenção seria criar oportunidades graduais para
que Mariana expresse opiniões e faça escolhas, oferecendo retorno claro e
construtivo. O foco estaria em identificar e modificar padrões de
comportamento e condições ambientais que os mantêm.
4. Perspectiva Humanista
A perspectiva Humanista, relacionada a autores como Carl Rogers e
Abraham Maslow, valoriza a experiência subjetiva, a liberdade, a
capacidade de escolha e o potencial de desenvolvimento de cada pessoa.
Nessa visão, Mariana não deve ser vista apenas como alguém que
apresenta um comportamento inadequado, mas como uma pessoa que
tenta lidar com inseguranças e com as exigências de uma nova etapa
profissional.
A busca constante por aprovação pode sugerir que Mariana confia
pouco na própria avaliação e dá muito peso ao julgamento externo. Para
Rogers, a aceitação e a consideração positiva são importantes para o
desenvolvimento, mas a pessoa pode passar a agir de acordo com
expectativas alheias quando sente que precisa ser aprovada para ter valor
ou ser aceita. No caso, essa ideia pode ajudar a pensar por que Mariana
hesita em expressar o que realmente pensa.
Uma abordagem humanista procuraria oferecer um espaço de escuta
respeitosa, empatia e aceitação, no qual Mariana pudesse compreender
seus sentimentos e reconhecer seus próprios critérios para decidir. O
objetivo não seria impor um jeito correto de agir, mas favorecer a
autonomia, a confiança e a capacidade de fazer escolhas coerentes com
aquilo que ela considera importante.
5. Comparação entre as perspectivas
As três abordagens procuram compreender o comportamento de
Mariana, mas partem de pressupostos diferentes. A Psicanálise dá
destaque à história de vida, aos conflitos internos e aos processos
inconscientes. O Behaviorismo investiga os comportamentos observáveis e
as consequências ambientais que podem mantê-los. Já a perspectiva
Humanista enfatiza a experiência pessoal, a autonomia e as condições que
ajudam a pessoa a se desenvolver.
Também existem diferenças na forma de compreender o sujeito. Na
Psicanálise, ele é influenciado por processos inconscientes e pela própria
história; no Behaviorismo, seu comportamento é compreendido a partir das
relações com o ambiente e das aprendizagens; no Humanismo, é visto
como alguém capaz de atribuir sentido às experiências, escolher e
desenvolver suas potencialidades. Nenhuma dessas perspectivas,
isoladamente, permite concluir por que Mariana age dessa forma com base
apenas no breve relato apresentado.
Apesar das diferenças, as três podem contribuir para uma
compreensão mais cuidadosa do caso. Todas permitem levantar perguntas
relevantes sobre a dificuldade de Mariana, embora cada uma priorize
aspectos distintos. Uma análise responsável deve considerar o contexto de
trabalho, as relações com colegas e superiores e a própria percepção de
Mariana sobre o que está vivendo.
6. Considerações finais
A situação de Mariana mostra que ter conhecimento técnico não
significa necessariamente sentir segurança para decidir ou expressar
opiniões. A ansiedade, a hesitação e a busca de aprovação podem estar
relacionadas a diferentes fatores, e seria precipitado explicar essas
atitudes por uma única causa.
A análise das perspectivas Psicanalítica, Behaviorista e Humanista
mostra que a Psicologia oferece diferentes formas de compreender uma
mesma situação. Consideramos importante evitar julgamentos e procurar
entender o contexto em que os comportamentos acontecem. Com mais
informações e uma escuta adequada, seria possível compreender melhor
as dificuldades de Mariana e pensar em formas de ajudá-la a desenvolver
maior segurança e autonomia, respeitando sua história e suas
necessidades.
Referências
FREUD, Sigmund. O mal-estar na civilização. São Paulo: Companhia das
Letras, 2010.
ROGERS, Carl R. Tornar-se pessoa. São Paulo: Martins Fontes, 2009.
SKINNER, B. F. Ciência e comportamento humano. São Paulo: Martins
Fontes, 2003.

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