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RELATÓRIO DE REDESENHO ERGONÔMICO COM BASE EM AET: POSTO DE MONTAGEM AUTOMOTIVA LEVE Disciplina: Ergonomia Atividade Avaliativa: Redesenho Ergonômico com Base em AET Função: Técnico em Segurança do Trabalho 1. INTRODUÇÃO E DIAGNÓSTICO DO CENÁRIO O presente estudo aborda a intervenção ergonômica realizada no setor de montagem final de peças automotivas leves de uma indústria de pequeno porte. O posto de trabalho analisado apresenta um histórico crítico de queixas de dores lombares (lombalgias) e fadiga intensa em membros superiores entre os operadores. A análise preliminar indica que a estagnação postural combinada à repetitividade elevada e ao ritmo de trabalho acelerado configura um quadro severo de incompatibilidade entre as exigências do trabalho e as capacidades biomecânicas do trabalhador. Identificação dos Fatores de Risco Ergonômico · 1. Riscos Físicos / Biomecânicos: Permanência na postura de pé estática durante toda a jornada de trabalho, gerando compressão do disco intervertebral e estase venosa nos membros inferiores; falta de bancada adaptável à variabilidade antropométrica dos operadores; alta repetitividade de movimentos de braço (ciclo curto de 15 segundos = 240 repetições/hora); falta de assentos de descanso e ausência de apoio para os pés para alternância de carga vascular. · 2. Riscos Ambientais: Iluminação insuficiente e deficiente, agravada no turno noturno, induzindo o operador a flexionar o tronco e o pescoço (posturas forçadas/inadequadas) para visualizar a zona de parafusamento. · 3. Riscos Organizacionais: Ritmo de trabalho acelerado imposto por meta de produção elevada; ausência de pausas ativas ou fracionadas; inexistência de programa de rodízio de tarefas; e ausência de treinamento ergonômico sobre técnicas corretas de pega, postura e regulagens. Justificativa da Intervenção e Enquadramento na NR-17 A intervenção imediata justifica-se pelo alto risco de desenvolvimento de Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT/LER), enquadrando-se em descumprimentos diretos da NR-17 (Ergonomia): · NR-17.3 (Mobiliário dos Postos de Trabalho): Inobservância da obrigatoriedade de bancadas adaptáveis (subitem 17.3.2) e ausência de assentos para pausas durante o trabalho em pé (subitem 17.3.6). · NR-17.5 (Organização do Trabalho): Desrespeito ao ritmo de trabalho compatível com os limites fisiológicos (subitem 17.5.2) e falta de pausas para descanso em tarefas de alta repetitividade (subitem 17.5.3). · NR-17.6 (Condições Ambientais): Inadequação dos níveis de iluminância para atividades que exigem precisão visual, contrariando as diretrizes da NBR ISO/CIE 8995-1. 2. APLICAÇÃO DA METODOLOGIA DA AET (ANÁLISE ERGONÔMICA DO TRABALHO) Conforme as diretrizes da AET, a intervenção é estruturada em etapas sequenciais para identificar a discrepância entre o trabalho prescrito e o trabalho real: Etapa da AET Foco de Análise no Posto Metodologia / Ferramenta Utilizada 1. Análise da Demanda Mapeamento das queixas de dor lombar/braço e absenteísmo no setor. Entrevistas estruturadas e verificação de prontuários do SESMT/CIPA. 2. Análise da Tarefa O que é prescrito: montagem de peça com parafusadeira em meta X. Análise da Ordem de Produção (OP) e roteiro oficial de procedimentos. 3. Análise da Atividade Como é feito: estratégias operacionais, postura real e tempo de ciclo. Filmagem (métodos RULA/REBA), cronoanálise e observação de campo. 4. Análise Ambiental Medição de iluminância na zona de trabalho e esforço de pega. Luxímetro na altura da bancada e avaliação de torque da ferramenta. Avaliação dos Quatro Pilares Ergonômicos · A Tarefa (Prescrito): Montar o conjunto automotivo utilizando parafusadeira elétrica, fixando 4 parafusos por peça dentro da meta horária estipulada. · A Atividade (Realizado): Devido à iluminação deficiente, o trabalhador projeta a cabeça e o tronco para a frente, curvando a coluna. Com a bancada fixa, operadores mais altos flexionam a lombar e os mais baixos trabalham com os ombros elevados (abdução > 45°). · As Condições Ambientais: Iluminância medida em 220 lux na área de montagem (abaixo dos 500 lux recomendados para montagem de precisão) e transmissão de vibração manual pela parafusadeira sem suporte equilibrador. · Relatos dos Trabalhadores: Relatos de "queimação" nas costas ao final do turno, dormência nos dedos e fadiga extrema nos braços, forçando a ignorar a dor para não perder o prêmio de produção. 3. PROPOSTA DE REDESENHO DO POSTO DE TRABALHO A. Modificações Técnicas e de Engenharia (Mobiliário e Ferramentas) · 1. Bancada com Regulagem Hidráulica/Mecanizada de Altura: Instalação de bancada regulável na faixa de 85 cm a 115 cm, permitindo ajuste conforme a estatura do operador (percentis P5 feminino a P95 masculino) e permitindo alternância entre a postura de pé e sentada (trabalho semi-sentado). · 2. Assento Semi-Sentado / Ergonômico: Disponibilização de banco semi-sentado acolchoado com regulagem de altura e inclinação do assento, além de apoio circular para os pés integrado. · 3. Suporte Balancim (Equilibrador de Carga): Suspensão da parafusadeira elétrica por meio de balancim mecânico e braço articulado, reduzindo a zero o peso sustentado pelo braço do operador e absorvendo o torque da ferramenta. · 4. Redesenho da Iluminação Localizada: Instalação de luminária articulada em LED posicionada sobre a bancada, garantindo nível de iluminação uniforme de 500 a 750 lux conforme a NBR ISO/CIE 8995-1. · 5. Suporte / Descanso de Pé Móvel: Colocação de descanso para pé com inclinação e regulagem, possibilitando a alternância do peso corporal e o alívio da lordose lombar. B. Adaptações Organizacionais e Gestão do Trabalho · 1. Regime de Pausas Ativas e Revezamento: Implantação de pausas de 10 minutos a cada 50 minutos de trabalho contínuo, associadas a um programa de Ginástica Laboral orientada por fisioterapeuta do trabalho. Implantação de rodízio de postos entre a montagem e tarefas de inspeção/embalagem. · 2. Adequação de Metas de Produção: Revisão do ritmo de trabalho para eliminar metas punitivas, assegurando que o tempo de ciclo considere a necessidade fisiológica de recuperação muscular. · 3. Programa de Capacitação Ergonômica: Treinamento obrigatório para todos os operadores abrangendo: postura correta, regulagem do mobiliário, manuseio seguro de ferramentas e identificação precoce de sintomas fisiológicos. 4. ESQUEMA VISUAL DO POSTO REDESENHADO [BANCADA COM REGULAGEM ELÉTRICA DE ALTURA (85-115cm)] │ ├──► [LUMINÁRIA ARTICULADA LED - 500-750 LUX] ──► (Elimina postura curvada) │ ├──► [BALANCIM SUSPENSO PARA PARAFUSADEIRA] ──► (Zera peso no braço/ombro) │ ├──► [BANCO SEMI-SENTADO + APOIO DE PÉ] ──► (Alivia compressão lombar) │ └──► [SISTEMA ORGANIZACIONAL: Pausas de 10min/50min + Rodízio de Postos] 5. CONCLUSÃO E PLANO DE AÇÃO DO TST A proposta de redesenho ergonômico transformar o posto de montagem automotiva em um ambiente seguro, produtivo e humanizado. A eliminação das posturas forçadas, o alívio do peso da ferramenta pelo balancim suspenso e a adequação da iluminação atuam diretamente na causa raiz das queixas de dores lombares e fadiga muscular. Além disso, a gestão de pausas e a capacitação continuada garantem a sustentabilidade do sistema preventivo, demonstrando que a ergonomia atua como propulsora da saúde ocupacional e da qualidade industrial.