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■ COMO RESPONDER À PROVA — BIOQUÍMICA Respostas-modelo completas, objetivas e sem excesso de extensão 1. Descreva como ocorre a produção da bilirrubina, indique qual é a bilirrubina insolúvel e como ela é transportada pelo corpo, diferencie a bilirrubina direta da indireta e explique icterícia, seus tipos e diagnóstico. Resposta: A bilirrubina é produzida principalmente pela degradação da hemoglobina das hemácias envelhecidas. O grupo heme é convertido em biliverdina e, posteriormente, em bilirrubina não conjugada, também chamada de bilirrubina indireta. A bilirrubina indireta é insolúvel em água, por isso é transportada no sangue ligada à albumina até o fígado. No fígado, a bilirrubina é conjugada, tornando-se a bilirrubina direta ou conjugada, que é solúvel em água. Ela é excretada na bile e chega ao intestino, onde participa da formação dos pigmentos eliminados nas fezes. A icterícia é a coloração amarelada da pele, das mucosas e principalmente das escleras causada pelo aumento da bilirrubina no sangue. Pode ser pré-hepática, quando geralmente há hemólise e predomina o aumento da bilirrubina indireta; hepática, quando há alteração dos hepatócitos, podendo aumentar a fração direta e/ou indireta; ou pós-hepática, quando há obstrução do fluxo biliar, com predomínio da bilirrubina direta. O diagnóstico é feito pela avaliação clínica associada à dosagem de bilirrubina total, direta e indireta e, conforme a suspeita, por marcadores hepáticos como TGO, TGP, fosfatase alcalina e GGT, além de exames de imagem quando necessário. Frase-chave: indireta = não conjugada, insolúvel e ligada à albumina; direta = conjugada e solúvel. 2. Explique a relação entre amilase e lipase e a pancreatite aguda. Explique também os exames usados no diagnóstico do diabetes mellitus e a diferença entre os tipos de diabetes. Resposta: A pancreatite aguda é uma inflamação do pâncreas que provoca a liberação de enzimas pancreáticas na circulação. Por isso, os níveis de amilase e lipase podem aumentar. A amilase participa principalmente da digestão de carboidratos, enquanto a lipase atua na digestão de gorduras. A lipase é mais específica para lesão pancreática e costuma permanecer elevada por mais tempo. Para o diagnóstico do diabetes mellitus podem ser utilizados a glicemia de jejum, o teste oral de tolerância à glicose (TOTG) e a hemoglobina glicada (HbA1c). Entre os critérios diagnósticos clássicos estão glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL, HbA1c ≥ 6,5% ou glicemia de 2 horas no TOTG ≥ 200 mg/dL. A glicemia casual ≥ 200 mg/dL associada a sintomas clássicos também pode estabelecer o diagnóstico. No diabetes tipo 1, ocorre destruição das células beta pancreáticas, geralmente por mecanismo autoimune, levando a deficiência absoluta de insulina. No tipo 2, predomina a resistência à insulina, acompanhada de deficiência progressiva da secreção de insulina. O diabetes gestacional é diagnosticado durante a gestação. 3. Explique a abordagem inicial do infarto agudo do miocárdio, os marcadores cardíacos, por que os exames bioquímicos podem não ser realizados imediatamente e explique colesterol, transporte reverso e aterosclerose. Resposta: Diante de suspeita de infarto agudo do miocárdio, o paciente deve ser avaliado rapidamente, com triagem, avaliação clínica, eletrocardiograma (ECG) e, quando indicado, medidas terapêuticas iniciais. A investigação também inclui marcadores bioquímicos de lesão cardíaca. Os principais marcadores são as troponinas cardíacas I e T, consideradas os principais marcadores laboratoriais de lesão miocárdica, além da CK-MB. A mioglobina pode aumentar precocemente, mas é menos específica para o coração. Os marcadores bioquímicos podem não estar elevados logo na chegada porque, após a lesão do miocárdio, é necessário algum tempo para que essas substâncias sejam liberadas pelas células lesionadas e atinjam concentrações detectáveis no sangue. Por isso, podem ser necessárias dosagens seriadas, em conjunto com o ECG e a avaliação clínica. O colesterol é transportado no sangue por lipoproteínas. Entre as principais estão LDL, HDL e VLDL. A LDL transporta colesterol para os tecidos e, quando presente em excesso, está associada à formação de placas ateroscleróticas. A HDL participa do chamado transporte reverso do colesterol, retirando colesterol dos tecidos e levando-o de volta ao fígado para reutilização ou eliminação. A VLDL participa principalmente do transporte de triglicerídeos produzidos pelo fígado. A aterosclerose ocorre pela formação e progressão de placas na parede arterial, processo relacionado à retenção e modificação de lipoproteínas aterogênicas, especialmente LDL, com resposta inflamatória e formação de placas. A progressão dessas placas pode reduzir o fluxo sanguíneo e favorecer eventos cardiovasculares, como o infarto. 4. Qual marcador fica aumentado na gota, como ela se desenvolve e como é obtida a alta concentração desse marcador? Resposta: O principal marcador relacionado à gota é o ácido úrico. A gota está associada à hiperuricemia, que ocorre quando a concentração de ácido úrico no sangue fica elevada devido principalmente ao aumento da produção, à redução da excreção renal ou à combinação desses mecanismos. O ácido úrico é produzido a partir do metabolismo das purinas. Quando sua concentração permanece elevada, podem se formar cristais de urato monossódico, que podem se depositar nas articulações e provocar uma resposta inflamatória intensa, causando dor, vermelhidão e edema. A concentração elevada, portanto, resulta principalmente de produção aumentada e/ou eliminação renal reduzida. A avaliação laboratorial pode incluir a dosagem sérica de ácido úrico, embora o diagnóstico de gota também dependa da avaliação clínica e, quando necessário, da identificação de cristais no líquido sinovial. 5. Qual a principal diferença entre TGO e TGP e por que o aumento de TGO é mais preocupante quando analisamos o perfil hepático? Resposta: A TGO (AST) e a TGP (ALT) são aminotransferases utilizadas na avaliação de lesão celular. A principal diferença é que a TGP é mais específica do fígado, enquanto a TGO também está presente em outros tecidos, como músculos e coração. Assim, o aumento da TGO isoladamente não significa necessariamente uma lesão exclusivamente hepática, pois pode ocorrer em lesões musculares ou cardíacas, por exemplo. Por isso, sua interpretação deve ser feita em conjunto com TGP, outros marcadores hepáticos e o quadro clínico. Em doenças hepáticas relacionadas ao álcool, é comum observar TGO proporcionalmente maior que TGP. 6. Em casos de colestase, quais alterações aparecem nos marcadores? No alcoolismo crônico seriam as mesmas? Explique quais marcadores se alterariam. Resposta: Na colestase, ocorre redução ou obstrução do fluxo da bile. O padrão laboratorial característico é o aumento principalmente da fosfatase alcalina (FA) e da GGT. Também pode ocorrer aumento da bilirrubina direta, especialmente quando existe obstrução significativa das vias biliares. No alcoolismo crônico, o padrão não é necessariamente igual ao da colestase. Podem ocorrer aumentos de TGO e TGP, sendo classicamente observada uma relação em que TGO é maior que TGP. A GGT também pode estar aumentada. Portanto, enquanto a colestase apresenta um padrão predominantemente canalicular/colestático, com destaque para FA e GGT, a doença hepática relacionada ao álcool apresenta maior destaque para as aminotransferases, especialmente a relação TGO/TGP. 7. Explique como é realizado o clearance de creatinina e qual sua finalidade. Resposta: O clearance de creatinina é utilizado para avaliar a função renal e estimar a taxa de filtração glomerular. Para realizá-lo, geralmente é feita uma coleta de urina durante 24 horas, registrando-se todo o volume urinário produzido nesse período. Ao final ou durante o período de coleta, também é realizada uma coleta de sangue para determinar a creatinina sérica. A creatinina presente na urina, o volume urinário e a creatinina sérica são utilizados em uma fórmula para calcular o clearance,geralmente expresso em mL/min. De forma simplificada: Clearance = (creatinina urinária × volume urinário) / creatinina sérica. 8. Qual a diferença entre soro e plasma? Qual a sequência correta de tubos para uma coleta e qual material é obtido em cada tubo? Resposta: O soro é obtido após o sangue coagular e, por isso, não contém fibrinogênio. O plasma é obtido de sangue coletado com anticoagulante e, portanto, mantém o fibrinogênio e outros fatores de coagulação. A sequência clássica de coleta é: Orde m Tubo Principal aditivo/material Material obtido/uso 1 Hemocultura Meios próprios para cultura Amostra para investigação microbiológica 2 Azul-claro Citrato de sódio Plasma para coagulação 3 Vermelho / amarelo-dourado Sem anticoagulante ou ativador/gel, conforme o tubo Soro 4 Verde Heparina Plasma, usado em várias análises bioquímicas 5 Lilás/roxo EDTA Sangue total, principalmente hematologia 6 Cinza Fluoreto de sódio + anticoagulante, conforme o tubo Plasma para análises como glicose Macete da ordem: Hemocultura → Azul → Vermelho/Amarelo → Verde → Lilás → Cinza. ■ O que vale decorar para responder bem • Bilirrubina: indireta = não conjugada, insolúvel, ligada à albumina; direta = conjugada, solúvel. • Pancreatite: amilase + lipase; lipase é mais específica. • Infarto: troponina é o principal marcador; exames podem precisar ser repetidos porque os marcadores não aumentam imediatamente. • Colesterol: LDL leva colesterol aos tecidos e está relacionada à aterosclerose; HDL participa do transporte reverso. • Gota: ácido úrico elevado → cristais de urato. • Fígado: TGP é mais específica; TGO também existe em outros tecidos. Colestase → FA/GGT; álcool → TGO > TGP + GGT. • Rim: clearance de creatinina = urina de 24 h + creatinina sérica. • Coleta: Hemocultura → Azul → Vermelho/Amarelo → Verde → Lilás → Cinza.