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A terceira onda renovatória do acesso à justiça busca melhorar a qualidade e a efetividade dos resultados, utilizando tanto a jurisdição quanto meios adequados de solução de conflitos, como conciliação, mediação e arbitragem. Resumo das ondas: 1. Primeira: assistência jurídica aos pobres. 2. Segunda: proteção dos interesses coletivos e difusos. 3. Terceira: acesso efetivo à justiça e meios adequados de solução dos conflitos. Macete: 1ª pobres; 2ª coletivos; 3ª soluções adequadas. A alternativa correta é a A — Contraditório. Os arts. 9º e 10 do CPC garantem que as partes sejam ouvidas antes da decisão e proíbem a chamada decisão-surpresa, inclusive quando o juiz puder conhecer da matéria de ofício. Macete: contraditório = participar + poder influenciar a decisão. O art. 694, parágrafo único, do CPC permite que o juiz, a pedido das partes, suspenda o processo enquanto elas participam de mediação extrajudicial. As demais estão erradas porque: · B: advogado ou defensor público é obrigatório — art. 695, § 4º. · C: a audiência pode ser dividida em várias sessões — art. 696. · E: a parte não pode simplesmente decidir faltar. · A: havendo incapaz, o MP intervém, mas a lei não determina obrigatoriamente seu comparecimento à audiência — art. 698. Macete: “Família pede pausa para mediar fora” → art. 694, parágrafo único. Conforme o art. 165, § 2º, do CPC, o conciliador: · atua preferencialmente quando não existe vínculo anterior entre as partes; · pode sugerir soluções para o conflito; · não pode empregar constrangimento ou intimidação. Já o mediador atua preferencialmente quando há vínculo anterior, ajudando as próprias partes a construírem uma solução — art. 165, § 3º. Macete: Conciliação = sem convivência anterior + conciliador sugere. Mediação = vínculo anterior + mediador facilita o diálogo. O art. 3º, § 3º, do CPC determina que a conciliação, a mediação e outros métodos consensuais sejam estimulados por juízes, advogados, defensores públicos e membros do Ministério Público, inclusive durante o processo. Erros das demais: · B: todos os sujeitos do processo devem cooperar — art. 6º. · C: existem processos em segredo de justiça — art. 189. · D: a proibição do comportamento contraditório decorre da boa-fé processual — art. 5º. · E: a boa-fé possui dimensão negativa (não agir com deslealdade) e positiva (agir com lealdade e colaboração). Macete: “Consenso é dever de todos estimular.” → art. 3º, § 3º. Ela apresenta corretamente os três princípios: · Inércia da jurisdição: o Judiciário, em regra, somente age quando provocado — art. 2º do CPC. · Isonomia: o juiz deve assegurar às partes igualdade de tratamento — art. 7º. · Primazia do mérito: deve-se priorizar a resolução do mérito, permitindo, quando possível, a correção dos vícios processuais — arts. 4º e 6º, além dos arts. 317 e 321. Macete: IIP · Inércia: alguém precisa provocar. · Isonomia: tratamento igual. · Primazia: salvar o processo para julgar o mérito. O art. 4º do CPC garante às partes o direito de obter, em prazo razoável, a solução integral do mérito, incluindo a atividade satisfativa — isto é, não basta reconhecer o direito; é necessário efetivá-lo. As demais estão erradas: · B: a boa-fé aplica-se a todos os participantes do processo — art. 5º. · C: em regra, ninguém pode sofrer decisão sem ser previamente ouvido — art. 9º. · D: a cooperação envolve todos os sujeitos do processo — art. 6º. · E: a solução consensual deve ser estimulada inclusive durante o processo — art. 3º, § 3º. Macete: “Justiça completa = decidir e satisfazer em prazo razoável.” Conforme o art. 321 do CPC, ao verificar defeitos ou irregularidades na petição inicial, o juiz deve: · determinar que o autor a emende ou complete no prazo de 15 dias; · indicar precisamente o que precisa ser corrigido; · indeferir a petição inicial caso a determinação não seja cumprida. É uma aplicação do princípio da primazia do julgamento do mérito: antes de extinguir o processo por um defeito corrigível, o juiz deve permitir a correção. Macete: “Petição com defeito: 15 dias para dar um jeito.” Ela reproduz o art. 7º do CPC, que assegura às partes: · paridade de tratamento; · igualdade no exercício de direitos e faculdades processuais; · igualdade quanto aos meios de defesa, ônus, deveres e sanções; · dever do juiz de zelar pelo efetivo contraditório. As demais estão erradas: · A: o juiz deve atender aos fins sociais e às exigências do bem comum — art. 8º. · C: é vedada a decisão-surpresa, inclusive em matéria examinável de ofício — art. 10. · D: todos devem agir conforme a boa-fé — art. 5º. · E: o processo começa, em regra, por iniciativa da parte — art. 2º. Macete: “No processo, paridade de verdade: direitos, defesa, ônus e deveres em igualdade.” Conforme o art. 14 do CPC, a norma processual: · não retroage; · aplica-se imediatamente aos processos em curso; · respeita os atos processuais já praticados e as situações jurídicas consolidadas sob a lei anterior. É a chamada teoria do isolamento dos atos processuais: cada ato é regido pela lei vigente quando foi praticado. Macete: “Lei processual nova entra agora, mas não apaga o que ficou para trás.” Existem: · duas partes: Joana e José; · um pedido: separação judicial; · duas causas de pedir: violência doméstica e relacionamento extraconjugal público. Macete: “O que ela quer é o pedido; por que ela quer são as causas.” Na cumulação eventual ou subsidiária, o segundo pedido somente será analisado se o principal não for acolhido, conforme o art. 326 do CPC. Erros das demais: · A: a cooperação internacional depende, em regra, de autoridade central — art. 26, § 4º. · B: coisa julgada não é elemento essencial do conceito de jurisdição. · C: o pedido deve ser determinado, admitindo-se pedido genérico apenas nas hipóteses legais — art. 324. · E: está invertida: causa de pedir remota = fatos; causa de pedir próxima = fundamentos jurídicos. Macete: “Pedido subsidiário fica no banco: só entra se o principal não marcar.” ⚽ A alternativa incorreta é a C. O STJ realiza juízo de delibação na homologação de decisão estrangeira, verificando apenas requisitos formais, sem reexaminar o mérito. Porém, a questão erra ao afirmar que esse juízo é, em regra, necessário para a concessão de exequatur às cartas rogatórias executórias, como se fosse exigida uma prévia homologação da decisão estrangeira. A carta rogatória possui procedimento próprio: o STJ concede o exequatur e, depois, ela é encaminhada ao juízo federal competente para cumprimento — arts. 963, parágrafo único, e 965 do CPC. As demais estão corretas: · A: competência do STJ — art. 105, I, “i”, da Constituição. · B: cumprimento pelo juízo federal competente — art. 965 do CPC. · D: decisão administrativa estrangeira pode ser homologada se tiver natureza jurisdicional no Brasil — art. 961, § 1º. · E: não pode existir manifesta ofensa à ordem pública — art. 963, VI. Macete: “Sentença estrangeira: homologação; carta rogatória: exequatur.” Você tem razão: a resposta correta é a B. Minha resposta anterior, indicando a letra A, estava errada. O ponto decisivo é que Antônia pretende rescindir um único contrato celebrado entre ela, Nivaldo e Amanda. A rescisão altera a relação jurídica de todos; portanto, a decisão somente pode produzir adequadamente seus efeitos com a participação dos dois arquitetos. Trata-se de litisconsórcio necessário, conforme o art. 114 do CPC: pela natureza da relação jurídica, a eficácia da sentença depende da citação de todos. Se Amanda não constar da ação, o juiz deverá mandar Antônia requerer sua citação. Se isso não for feito, o processo será extinto, nos termos do art. 115, parágrafo único, do CPC. Há, porém, uma contradição no próprio comentário do sistema: depois de afirmar corretamente que o litisconsórcio é necessário, ele diz que Antônia poderia processar apenas Nivaldo, com sentença ineficaz contra Amanda. Isso não combina com a solução da letra B. Para obter a rescisão daquele contrato único, Amanda precisa integraro processo. Resposta para marcar: B. Macete corrigido: “Contrato de três, rescisão com os três.” 5 - O princípio da inevitabilidade da jurisdição significa que, uma vez instaurado o processo, as partes ficam submetidas à autoridade e às decisões judiciais, independentemente de concordarem com elas. As demais estão erradas: · A: há exceções que exigem prévio requerimento administrativo, como certas questões da Justiça Desportiva — art. 217, § 1º, da Constituição. · C: ser processado pela autoridade competente corresponde ao princípio do juiz natural, não à indelegabilidade — art. 5º, LIII, da Constituição. · D: a jurisdição voluntária nem sempre é facultativa; em alguns casos, a intervenção judicial é obrigatória. · E: o juiz natural não impede a criação prévia de varas ou câmaras especializadas; proíbe tribunais criados especificamente após o fato. Macete: “Entrou no processo, não tem escapatória: a decisão é inevitável.” Não é admitida a solicitação de produção de provas diretamente a representantes diplomáticos ou agentes consulares, pois eles não exercem atividade jurisdicional. A colheita internacional de provas pode ocorrer por: · carta rogatória ativa ou passiva; · auxílio direto, por meio da autoridade central; · mecanismos previstos em tratados internacionais. O fundamento geral está nos arts. 26 e 27, II, do CPC, que incluem a produção de provas entre os objetos da cooperação jurídica internacional. Macete: “Diplomata representa; não produz prova judicial.” A jurisdição arbitral tem eficácia reconhecida pelo Estado, e a sentença arbitral é título executivo judicial — art. 515, VII, do CPC. Entretanto, o árbitro não possui poder para realizar execução forçada ou atos de constrição sobre pessoas e bens. Se necessário, deverá solicitar a atuação do Poder Judiciário por meio da carta arbitral — art. 22-C da Lei de Arbitragem e art. 237, IV, do CPC. As demais estão corretas: · B: a lide é elemento acidental, pois existe jurisdição voluntária sem conflito. · C: a jurisdição é substitutiva: o Estado substitui a vontade das partes. · D: a imparcialidade é essencial à jurisdição. · E: para Chiovenda, o juiz concretiza a vontade abstrata da lei no caso concreto. Macete: “Árbitro decide; quem força e penhora é o Estado.” A teoria eclética, desenvolvida por Enrico Tullio Liebman, considera a ação como o direito de obter um julgamento de mérito, desde que estejam presentes as chamadas condições da ação. No CPC atual, permanecem expressamente: · legitimidade; · interesse processual — art. 17 do CPC. Erros das demais: · A: a teoria imanentista não reconhecia autonomia da ação em relação ao direito material. · C: a descrição é da teoria abstrata, não da teoria concreta de Wach. · D: a teoria abstrata reconhece a autonomia do direito de ação. · E: para Chiovenda, o direito potestativo de ação é exercido contra o adversário, e não contra o Estado. Macete: “Liebman só leva ao mérito se houver condições para a ação.” A questão está mal adaptada, porque as alternativas C e D são juridicamente corretas. O gabarito provavelmente esperado pelo banco da Estácio é a D: · A arbitragem é forma de heterocomposição; · um terceiro imparcial — o árbitro, autoridade não estatal — decide o conflito; · a sentença arbitral produz os mesmos efeitos da sentença judicial — art. 31 da Lei nº 9.307/1996. Entretanto, a C também está correta: a autodefesa ou autotutela, excepcionalmente permitida, pode ocorrer antes ou durante o processo. Exemplos incluem legítima defesa, desforço possessório imediato e greve. As demais estão erradas: · A: na jurisdição voluntária, o juiz não está preso à legalidade estrita — art. 723, parágrafo único, do CPC. · B: o juiz pode determinar provas de ofício — art. 370 do CPC. · E: carta precatória é cooperação entre juízos, e não exceção à indelegabilidade. Para marcar no sistema: D. Macete: “Arbitragem tem terceiro que decide: heterocomposição.” 10 - Aline e Alfredo devem realizar o divórcio pela via judicial, porque existe um nascituro. O art. 733 do CPC somente admite divórcio consensual por escritura pública quando não houver nascituro nem filhos incapazes. A partilha dos bens não precisa ocorrer no mesmo momento do divórcio, podendo ser realizada posteriormente — art. 731, parágrafo único, do CPC e Súmula 197 do STJ. Portanto: · o filho maior e capaz não impede o divórcio extrajudicial; · a gravidez, com a existência do nascituro, impede; · a concordância sobre partilha e alimentos não altera essa exigência. Macete: “Tem nascituro ou incapaz? Divórcio passa pelo juiz.” RESUMO – TEMA 2 O documento apresenta as bases do Direito Processual Civil contemporâneo a partir de três grandes eixos: 1. Direito processual, tríade processual e justiça multiportas O direito material estabelece direitos e deveres. Quando eles são violados ou ameaçados, o direito processual oferece os instrumentos necessários para sua proteção. A estrutura processual é formada pela tríade: · Ação: direito público, subjetivo, autônomo e abstrato de provocar o Estado e pedir tutela jurisdicional. · Jurisdição: função estatal de solucionar conflitos mediante decisão proferida por um terceiro imparcial. · Processo: instrumento composto por uma sequência organizada de atos destinada à aplicação do direito material. A jurisdição é, em regra, inerte: depende da provocação da parte, conforme o art. 2º do CPC. Além disso, o juiz deve respeitar os limites do pedido e da defesa — princípio da congruência. O acesso à justiça deixou de significar apenas “poder entrar com uma ação”. Atualmente, envolve: · acesso igualitário; · contraditório efetivo; · duração razoável; · tutela adequada; · decisão fundamentada; · resultado útil e justo. Ondas de acesso à justiça — Cappelletti 1. Assistência aos economicamente necessitados. 2. Proteção dos direitos coletivos. 3. Busca de resultados efetivos e de diferentes formas de solução dos conflitos. O documento aponta quatro grupos de reformas da Justiça: 1. ampliação de recursos materiais e humanos; 2. melhor gestão do Judiciário; 3. utilização da tecnologia e do processo eletrônico; 4. criação do sistema de justiça multiportas. Nesse sistema, o processo judicial não é a única possibilidade. O conflito deve ser encaminhado ao método mais adequado: · Conciliação: indicada quando não há vínculo anterior; o conciliador pode sugerir soluções. · Mediação: indicada quando existe vínculo anterior; o mediador restabelece a comunicação, mas não propõe nem impõe a solução. · Arbitragem: terceiro imparcial escolhido pelas partes profere uma decisão obrigatória. · Jurisdição estatal: juiz resolve o conflito por decisão imperativa. 2. Constitucionalização e princípios processuais O processo contemporâneo deve ser interpretado conforme a Constituição. Ele não é apenas uma sequência formal de atos, mas um instrumento destinado à produção de uma decisão constitucionalmente legítima. Contraditório O contraditório moderno não se limita a “informação + possibilidade de reação”. Ele compreende: Ciência + reação + poder de influência. As partes devem ter oportunidade real de participar da construção da decisão. Por isso, os arts. 9º e 10 do CPC proíbem a decisão-surpresa, inclusive quando o juiz pretende decidir matéria que poderia conhecer de ofício. Boa-fé processual A boa-fé dirige-se a todos os sujeitos do processo, incluindo juiz, partes, advogados e auxiliares. Possui duas dimensões: · Negativa: proíbe mentira, abuso, recursos procrastinatórios e comportamentos contraditórios. · Positiva: exige lealdade, esclarecimento, transparência e colaboração. Também fundamenta a proibição do comportamento contraditório — nemo venire contra factum proprium — e a proteção das expectativas legítimas. Cooperação O art. 6º do CPC transforma o processo em uma comunidade de trabalho. Não significa que autor e réu devam ajudar um ao outro a vencer. Significa que todos devem atuar de maneira ética, transparente e eficiente para que se alcance uma decisão justa em prazorazoável. O processo passa a ser: · dialógico; · cooperativo; · coparticipativo; · policêntrico, e não exclusivamente centrado no juiz. Primazia da decisão de mérito Sempre que possível, o conflito deve ser efetivamente resolvido. Antes de extinguir o processo por um defeito formal corrigível, o juiz deve permitir que a parte sane o vício. O processo é instrumento de justiça, e não um fim em si mesmo. Outros princípios destacados · isonomia e igualdade de armas; · imparcialidade; · duração razoável; · efetividade; · legalidade; · proporcionalidade e razoabilidade; · economia processual; · livre apreciação motivada da prova; · gestão processual; · preclusão e autorresponsabilidade. Os princípios são verdadeiras normas jurídicas e possuem eficácia direta, podendo fundamentar decisões judiciais. 3. Normas processuais Aplicação no espaço A regra é a lex fori: aplica-se a lei processual do lugar em que o processo tramita. Assim, se o processo tramita no Brasil, aplica-se normalmente a legislação processual brasileira, ainda que o direito material aplicável seja estrangeiro. Excepcionalmente, prevalecem normas previstas em tratados, convenções e acordos internacionais dos quais o Brasil seja parte. O art. 15 do CPC determina sua aplicação supletiva e subsidiária aos processos: · eleitorais; · trabalhistas; · administrativos. Aplicação no tempo Segundo o art. 14 do CPC: A lei processual nova tem aplicação imediata aos processos em curso, mas não retroage. São preservados: · atos processuais já praticados; · direitos processuais adquiridos; · situações jurídicas consolidadas; · ato jurídico perfeito; · coisa julgada. O CPC adotou a teoria do isolamento dos atos processuais: cada ato é analisado de acordo com a lei vigente no momento em que foi praticado. Interpretação O documento apresenta cinco métodos: · Literal: examina o texto da norma. · Lógico-sistemático: interpreta a norma dentro do ordenamento. · Histórico: considera sua origem e evolução. · Comparativo: utiliza referências de outros sistemas jurídicos. · Teleológico: busca os fins sociais e o bem comum. A decisão deve ser devidamente fundamentada, demonstrando o caminho racional percorrido pelo julgador. Integração O juiz não pode deixar de decidir sob a justificativa de inexistência ou falta de clareza da lei — proibição do non liquet. Na existência de lacuna, poderá utilizar: · analogia; · costumes; · princípios gerais do direito; · máximas de experiência. Macete geral Pense em “AJP”: · Acesso efetivo à justiça; · Jogo limpo entre todos — contraditório, boa-fé e cooperação; · Primazia do mérito e processo justo. E para a lei processual no tempo: “Entra agora, mas não volta atrás.” Ou seja: aplicação imediata aos processos em curso, preservando os atos já praticados. Mapa mental Resumo — Tema 3: Jurisdição e Ação O documento trabalha dois dos três pilares da ciência processual: A ação provoca → o processo instrumentaliza → a jurisdição tutela. 1. Jurisdição A jurisdição surgiu quando o Estado passou a substituir a autotutela pela solução imparcial dos conflitos. A autotutela é, em regra, proibida, salvo hipóteses legais, como o desforço possessório. Conceito contemporâneo Jurisdição é a função de tutelar adequadamente direitos, mediante processo justo, por um terceiro independente e imparcial. Pode ser compreendida como: · Poder: o Estado impõe suas decisões. · Função: promove pacificação social com justiça. · Atividade: conjunto de atos praticados para exercer esse poder. Teorias clássicas · Chiovenda: jurisdição atua a vontade concreta da lei. · Carnelutti: jurisdição promove a justa composição da lide, criando a norma individual do caso. · Liebman: combina as duas concepções — atuação da lei para composição da lide. A concepção moderna é mais ampla, pois admite processos sem conflito, como os de jurisdição voluntária, e valoriza a justiça multiportas. 2. Características da jurisdição · Inércia: o juiz depende da provocação da parte. · Substitutividade: o Estado substitui a vontade dos envolvidos e resolve o conflito. · Natureza declaratória: tradicionalmente, o juiz reconhece direitos preexistentes, embora atualmente se admita certa criatividade interpretativa. A lide e a definitividade não são elementos indispensáveis: · existem processos sem lide; · nem toda decisão forma coisa julgada material. 3. Princípios da jurisdição · Investidura: somente autoridade regularmente investida pode exercer jurisdição. · Aderência ao território: a jurisdição é exercida dentro dos limites territoriais do Estado e da competência do órgão. · Unidade: a jurisdição é una; o que se distribui é a competência. · Indeclinabilidade: o juiz não pode deixar de julgar por ausência ou obscuridade da lei — proibição do non liquet. · Indelegabilidade: o juiz não pode transferir sua função a quem não esteja investido. · · Inafastabilidade: nenhuma lesão ou ameaça a direito pode ser excluída da apreciação judicial — art. 5º, XXXV, da CF. · Juiz natural: autoridade competente, independente e previamente definida; proibição de tribunal de exceção. · Inevitabilidade: as decisões são impostas às partes independentemente de sua concordância. Macete “O juiz investido atua no território, em jurisdição una; não declina, não delega, não se afasta e sua decisão é inevitável.” 4. Classificações A jurisdição pode ser classificada: · pelo objeto: penal ou cível; · pela posição hierárquica: inferior ou superior; · pelo órgão: comum ou especial; · pela fonte do julgamento: de direito ou de equidade. O julgamento por equidade somente é admitido quando autorizado por lei. 5. Jurisdição voluntária Na jurisdição voluntária normalmente não existe conflito, mas o Judiciário fiscaliza ou integra determinado negócio jurídico. Exemplos: · interdição; · nomeação de tutor ou curador; · alienação judicial de bem de incapaz; · divórcio consensual judicial. A doutrina tradicional considera essa atividade uma administração pública de interesses privados. A doutrina moderna reconhece sua natureza jurisdicional porque existe tutela pública realizada por terceiro imparcial. 6. Desjudicialização É a autorização legal para que determinados procedimentos sejam realizados extrajudicialmente, sem eliminar a possibilidade de acesso ao Judiciário. Exemplos: · divórcio consensual extrajudicial; · inventário extrajudicial; · usucapião extrajudicial; · homologação extrajudicial do penhor legal. Sua finalidade é proporcionar maior rapidez, economia e adequação, principalmente quando não há conflito nem interesse de incapaz. 7. Limites da jurisdição brasileira Jurisdição concorrente — arts. 21 e 22 do CPC A demanda pode ser julgada no Brasil ou em outro país quando, por exemplo: · o réu estiver domiciliado no Brasil; · a obrigação tiver que ser cumprida no Brasil; · o fato ou ato tiver ocorrido no Brasil; · o credor de alimentos residir no Brasil; · o consumidor estiver domiciliado no Brasil; · as partes aceitarem a jurisdição brasileira. Jurisdição exclusiva — art. 23 do CPC Somente a autoridade brasileira pode julgar: · ações relativas a imóveis situados no Brasil; · inventário, confirmação de testamento e partilha de bens situados no Brasil; · partilha de bens situados no Brasil em divórcio, separação ou dissolução de união estável. Uma decisão estrangeira sobre matéria de jurisdição exclusiva brasileira não poderá ser homologada pelo STJ. Litispendência internacional Em regra, a ação ajuizada no exterior não impede que a mesma demanda seja proposta no Brasil — art. 24 do CPC. 8. Cooperação jurídica internacional É utilizada quando um ato processual precisa ser praticado em outro país. · Cooperação ativa: o Brasil solicita auxílio a outro país. · Cooperação passiva: outro país solicita auxílio ao Brasil. Instrumentos · Carta rogatória: comunicação de atos, produção de provas, obtenção de informações e cumprimento de decisões interlocutórias. · Auxílio direto: medida que não decorre diretamente de decisãoestrangeira submetida a juízo de delibação. · Homologação de sentença estrangeira: confere eficácia no Brasil à decisão estrangeira definitiva. Homologação pelo STJ O STJ realiza apenas juízo de delibação, verificando requisitos formais e compatibilidade com a ordem pública, sem rejulgar o mérito. Requisitos principais: · autoridade estrangeira competente; · citação regular; · eficácia no país de origem; · tradução oficial, quando necessária; · inexistência de ofensa à coisa julgada brasileira; · respeito à ordem pública. Não é indispensável comprovar o trânsito em julgado; basta que a decisão seja eficaz no país de origem. Depois da homologação pelo STJ, o cumprimento ocorre perante a Justiça Federal. Exceção importante: a sentença estrangeira de divórcio consensual puro produz efeitos independentemente de homologação. Macete “STJ dá validade; Justiça Federal dá efetividade.” 9. Direito de ação A ação é o direito público, subjetivo, autônomo e abstrato de exigir do Estado uma tutela jurisdicional adequada e tempestiva. É abstrato porque existe mesmo quando o pedido é julgado improcedente. Teorias da ação · Imanentista: ação é o próprio direito material reagindo à violação. · Concretista: ação é o direito a uma decisão favorável. · Abstrata: o direito de ação independe da existência do direito material. · Eclética — Liebman: ação é autônoma e abstrata, mas seu exercício regular depende de condições. 10. Condições da ação no CPC/2015 O art. 17 exige: · legitimidade; · interesse processual. A possibilidade jurídica do pedido deixou de ser condição da ação. Sua ausência passou a representar matéria de mérito. Legitimidade · Ordinária: a pessoa defende direito próprio em nome próprio. · Extraordinária: alguém, autorizado pelo ordenamento, defende direito alheio em nome próprio — art. 18 do CPC. Interesse de agir Resulta da presença de: · necessidade: o processo é necessário para alcançar o resultado; · utilidade: o provimento pode produzir benefício prático. Macete “LI para agir”: Legitimidade + Interesse. 11. Elementos identificadores da ação A demanda é identificada por: 1. partes; 2. pedido; 3. causa de pedir. Se duas ações possuem os três elementos iguais: · ambas em andamento: litispendência; · uma já transitou em julgado: coisa julgada. Pedido · Imediato: providência jurisdicional solicitada — declarar, constituir ou condenar. · Mediato: bem da vida pretendido — dinheiro, imóvel, guarda etc. O pedido deve ser certo e determinado, ressalvadas as exceções legais. Causa de pedir · Remota: fatos que originaram a pretensão. · Próxima: fundamentos jurídicos derivados dos fatos. Macete “Remota relata; próxima fundamenta.” 12. Cumulação de pedidos Cumulação própria O autor pretende o acolhimento de todos: · simples: pedidos independentes; · sucessiva: um pedido depende do acolhimento do anterior. Cumulação imprópria Somente um pedido será acolhido: · alternativa: não existe preferência entre os pedidos; · subsidiária: existe um pedido principal e outro apresentado como segunda opção. 13. Espécies de ações Pela tutela pretendida: · conhecimento: busca certeza sobre o direito; · execução: satisfaz obrigação constante de título executivo; · cautelar: protege o resultado útil do processo. As ações de conhecimento podem ser: · declaratórias: reconhecem existência ou inexistência de relação jurídica; · constitutivas: criam, modificam ou extinguem relação jurídica; · condenatórias: reconhecem o direito e impõem o cumprimento de uma prestação. Também se mencionam: · mandamentais: contêm ordem direta do juiz; · executivas lato sensu: permitem atos executivos no próprio processo de conhecimento. Atenção a uma inconsistência do documento Em determinado trecho, o material parece inverter os conceitos: · Substituição processual: alguém defende, em nome próprio, direito alheio; não ocorre necessariamente troca de parte. · Sucessão processual: uma pessoa efetivamente substitui outra no polo do processo, como ocorre após a morte da parte. Essa diferença pode aparecer em prova. Macete geral do tema A-P-J: a Ação abre a porta, o Processo organiza o caminho e a Jurisdição entrega a tutela. MAPA MENTAL image6.png image7.png image8.png image9.png image10.png image11.png image12.png image13.png image14.png image15.png image16.png image17.png image18.png image19.png image20.png image21.png image22.png image23.png image24.png image25.png image26.png image27.png image1.png image2.png image3.png image4.png image5.png