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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUÍZ DE DIREITO DA __ VARA 
CÍVEL DA COMARCA DE VALPARAÍSO 
Processo de origem nº ____________ 
Apelante: ÍRIS 
Apelado: DIONÍSIO 
Íris, já qualificada nos autos da Ação de Reparação de Danos Materiais, 
Lucros Cessantes e Danos morais, que move em face de DIONÍSIO, por 
intermédio de seu advogado que subscreve, inconformada com a sentença de 
fls. ___, vem, com fundamento no art. 1009 do Código de Processo Civil, 
interpor o presente 
RECURSO DE APELAÇÃO 
em face da decisão que julgou parcialmente procedente a Ação de Reparação 
de danos materiais, lucros cessantes e danos morais, ajuizada pela apelante. 
Requerendo, desde já, o seu recebimento no efeito suspensivo, com a imediata 
intimação do recorrido, para, querendo, oferecer contrarrazões e, sejam os 
autos, remetidos ao Egrégio Tribunal de Justiça, com as inclusas razões. 
Requer, ainda, a concessão dos benefícios da gratuidade de justiça, nos 
termos dos arts. 98 e seguintes do CPC, tendo em vista a impossibilidade da 
apelante em arcar com as custas processuais e honorários, sem prejuízo de 
sua subsistência, situação agravada pelos prejuízos materiais e pela 
impossibilidade temporária do exercício de sua atividade profissional 
decorrente do evento danoso objeto da presente demanda. 
Neste termos pede deferimento. 
Local, data. 
Advogado 
OAB nº XXXXXX 
 
RAZÕES DE APELAÇÃO 
Egrégio Tribunal de Justiça 
Colenda Câmara 
Ínclitos Desembargadores 
 
I – SÍNTESE PROCESSUAL 
A apelante ora qualificada é fotógrafa profissional especializada em cobertura 
de eventos sociais, tendo sido contratada para realizar a cobertura do 
casamento ocorrido no estabelecimento “Espaço Sublime”. 
Durante o evento, enquanto desempenhava suas funções, reconhecida no 
mercado por ser experiente, se posicionava para registrar o momento do corte 
do bolo, quando foi violentamente atingida pelo apelado, convidado da festa, 
que se encontrava em evidente embriaguez, conforme é possível verificar nas 
gravações dos fatos ocorridos. 
A colisão ocasionou na queda da apelante, tendo sofrido a perda total de sua 
câmera que estilhaçou, uma fratura do escafoide no pulso direito, resultando 
em imobilização por 60 dias. 
Em razão do ocorrido, foi proposta a presente ação indenizatório visando a 
reparação dos danos sofridos. Contudo, a sentença ora decorrida julgou a 
demanda parcialmente procedente, condenando o apelado a pagar apenas 
50% do valor do equipamento, a improcedência do pedido dos lucros 
cessantes e dos danos morais, e por fim, quanto aos honorários de 
sucumbência, o magistrado determinou a distribuição proporcional das custas e 
honorários e condenou a apelante ao pagamento dos honorários advocatícios 
de sucumbência ao advogado do apelado. 
A decisão, todavia, não se sustenta juridicamente, medida pelo qual se impõe 
reforma, como reparação da injustiça sofrida pela apelante. 
II – DO CABIMENTO E TEMPESTIVIDADE 
Conforme os art. 186 e 927 do Código Civil brasileiro, aquele que por ação ou 
omissão voluntária, negligência ou imprudência, causar dano a outrem, fica 
obrigado a repará-lo, observadas a conduta, culpa ou dolo, o dano e o nexo 
causal, o apelado transitava em evidente estado de embriaguez, caminhando 
de forma desordenada, poderia derrubar outras pessoas, ou objetos cortantes, 
o que revela a culpa, por uma imprudência grave, devido à perda de controle 
comportamental decorrente da ingestão voluntária e excessiva de álcool. 
Os danos suportados pela apelante são incontroversos, ora já demonstrados 
no decurso da presente ação, inclusive com provas documentais de sua lesão 
física, perda total do equipamento de trabalho, necessários a subsistência da 
apelante, e a impossibilidade temporária de exercício da sua profissão. Por fim, 
está evidentemente demonstrado que, a colisão provocada pelo apelado foi a 
causa direta da queda da apelante e dos prejuízos subsequentes. Por fim, 
resta configurada e incontestável a responsabilidade civil do apelado. 
III – DA INEXISTÊNCIA DE CULPA CONCORRENTE 
A sentença ora recorrida reduziu a indenização material com fundamento no 
art. 945 do Código Civil, o magistrado reconheceu o dano, mas afirmou que 
houve culpa concorrente da apelante, todavia, tal conduta, nobre 
desembargador, não se sustenta, pois a aplicação de referido dispositivo exige 
contribuição causal efetiva da vítima para o evento danoso, o que 
manifestadamente não ocorreu, como é possível observar pelas imagens, a 
apelante encontrava-se exercendo regularmente sua atividade profissional, e 
estava parada no momento da colisão, sendo atingida pelas costas. 
Portanto, não houve qualquer comportamento/ação da apelante que ensejasse 
imprudência ou negligência da vítima. O evento danoso ocorreu 
exclusivamente devido a conduta imprudente do apelado, razão pela qual, não 
há espaço para redução da indenização. 
V – DOS LUCROS CESSANTES 
Nos termos do art. 402 do Código Civil, as perdas e danos abrangem, além do 
que efetivamente se perdeu, o que razoavelmente deixou de lucrar, neste caso, 
restou configurado a imobilização da fratura no punho da apelante por 60 dias, 
impossibilitando- a de exercer suas atividades durante esse período. 
A sentença ora recorrida fundamentou a improcedência do pedido justificando 
a possibilidade de contratação de fotógrafo substituto, tal premissa ignora a 
natureza personalíssima da atividade artística e profissional exercida pela 
apelante, cuja contratação ocorre em razão de sua reputação, estilo e 
expertise, configurando típica obrigação intuito personae. 
Nesse sentido, restam plenamente demonstrados a necessidade de revisão 
dos lucros cessantes, sendo calculados em R$ 15.000,00 conforme 
demonstrativos dos cachês dos contratos. 
VI – DO DANO MORAL 
A situação ocorrida com a apelante configura lesão corporal com fratura óssea, 
fato que ultrapassa em muito a esfera do mero dissabor cotidiano, pois implicou 
em dor física significativa, limitação funcional e na impossibilidade temporária 
do exercício da profissão. A Constituição Federal assegura a reparação por 
dano moral em seu art. 5 º, incisos V e X, diante da violação a direito da 
personalidade, ensejando reparação, conforme art. 1º, inciso III. 
Consonante a este entendimento, o Código Civil em seus arts. 186 e 92, 
estabelece que aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou 
imprudência, violar direito e causar dano a outrem comete ato ilícito, 
negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem comete ato 
ilícito, surgindo, como consequência jurídica o dever de reparação. 
A conduta do apelado resultou na lesão corporal, configurando hipótese de 
dano moral presumido, pois o sofrimento, a dor e angústia decorrentes desse 
dano corporal são consequências naturais do próprio evento lesivo. Impõe-se a 
condenação do apelado ao pagamento da indenização correspondente, em 
atendimento ao princípio da reparação integral, consagrado no art. 944 do 
Código Civil. 
VII – DA SUCUMBÊNCIA 
Sob o fundamento da sucumbência recíproca, a sentença recorrida determinou 
a distribuição proporcional das custas e honorários advocatícios, nos termos do 
art. 86 do Código Civil, neste caso, ambas as partes foram declaradas 
vencedoras e vencidas em proporção relevantes, entretanto, os equívocos 
jurídicos dos resultados proferidos maculam os direitos da apelante, ferindo o 
art. 86 do Código Civil que preceitua se cada litigante for, em parte, vencedor e 
vencido, serão proporcionalmente distribuídas entre eles a despesa. 
Reconhecida a procedência integral das pretensões aduzidas, impõe-se a 
reforma da sentença também no que concerne à distribuição dos encargos 
sucumbenciais, para que o apelado seja condenado ao pagamento integral das 
despesas processuais. 
VIII- DOS PEDIDOS 
Diante do exposto, requer: 
1. A concessão dos benefícios da gratuidade de justiça; 
o conhecimento e provimento da presente apelação, para reformar 
integralmente a sentença;2. a condenação do apelado ao pagamento integral dos danos materiais, 
no importe de R$ 35.000,00; 
3. a condenação ao pagamento de lucros cessantes no valor de R$ 
15.000,00; 
4. a condenação ao pagamento de indenização por danos morais, em valor 
a ser arbitrado por este Tribunal; 
5. a condenação do apelado ao pagamento integral das custas e 
honorários advocatícios, nos termos do art. 85 do CPC. 
Termos em que, 
Pede deferimento. 
Advogado (a) 
OAB nº XX.XXX

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