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Estatística e
Probabilidade
Prof. Dr. Rogers Barros de Paula
Módulo 3 - Amostragem e
Estimação de Parâmetros
Unidade 1 - Noções de Amostragem e Distribuição
Amostral
Onde estamos?
Estatística
InferênciaEstatística Descritiva Probabilidades
● Análise tabular;
● Análise gráfica;
● Medidas de síntese.
● Probabilidades;
● Variáveis aleatórias;
● Distribuições de
probabilidade.
● Noções de amostragem;
● Estimação pontual e intervalar;
● Teste de hipóteses.
Coleta, organização,
tratamento, análise,
apresentação e
interpretação de dados.
Análise de situações que lidam com
o acaso e aleatoriedade para
determinação de probabilidades.
Métodos para realização de
inferência estatística a partir de
evidências amostrais.
Fonte: Autoria Própria, 2025.
Controle de Qualidade - Sunny Orange Juice
Fonte: Adapta One, Imagem (Google DeepMind), 2025. Disponível em:
app.adapta.one/geracao-de-imagens-com-ia. Acesso em: 06 jan. 2026.
Trilha de aprendizagem
● Conceitos Fundamentais;
○ Diferença entre População (Parâmetros) e Amostra
(Estatísticas);
○ Por que não podemos medir tudo? (Custo e Tempo).
● Técnicas de Amostragem;
○ Como coletar dados sem viés?
● Distribuição Amostral da Média;
● Distribuição Amostral da Proporção.
Conceitos fundamentais de amostragem
● População: Todos os elementos de interesse (Todas as garrafas
produzidas no dia);
● Parâmetros: μ (Média), 𝜎 (Desvio Padrão);
● Amostra: Subconjunto da população;
● Estatísticas: 𝑥 (Média amostral), s (Desvio padrão amostral);
● Censo: Avaliar a população inteira (Muitas vezes inviável).
Por que amostrar?
● Custo e Tempo: Medir tudo é
caro e demorado;
● Testes Destrutivos: Ex:
Testar a duração de uma
lâmpada ou volume da
garrafa de suco (se abrir, não
vende);
● Populações Infinitas:
Processos contínuos.
Desvantagens: os resultados estão
sujeitos a uma margem de erro
amostral, que é a diferença entre uma
estatística amostral e o parâmetro
populacional.
Fonte: Autoria Própria, 2025.
Qualidade da amostra
"(...) é preciso garantir que a amostra ou amostras que serão usadas
sejam obtidas por processos adequados. Se erros palmares forem
cometidos no momento de selecionar os elementos da amostra, o
trabalho todo ficará comprometido e os resultados finais serão
provavelmente bastante incorretos." (Costa Neto, 2002, p. 37)
Representatividade: A amostra deve funcionar como um "espelho" da
população, mantendo as mesmas características básicas nas
variáveis de interesse. Pequenas discrepâncias devido ao acaso são
normais; diferenças estruturais (viés) destroem a pesquisa.
Qualidade da amostra
Complexidade do Cenário
● Indústria: Problemas de amostragem
costumam ser mais simples e
controlados (ex: nossa fábrica de
sucos);
● Pesquisas Sociais/Opinião: Alta
complexidade; exige extremo cuidado
para não selecionar grupos com
características fundamentalmente
distintas da população.
Expertise do pesquisador: a estatística não
dispensa o bom senso e a experiência.
● Cuidado na Coleta: Evitar perguntas
inibidoras ou capciosas que distorçam
as respostas;
● Interdisciplinaridade: O trabalho
estatístico muitas vezes deve ser
complementado por um especialista no
assunto (ex: um engenheiro de
alimentos ou sociólogo).
Amostragem probabilística
"A amostragem será probabilística se todos os elementos da
população tiverem probabilidade conhecida, e diferente de zero, de
pertencer à amostra." (Costa Neto, 2002, p. 38) É a única que permite
calcular margens de erro e intervalos de confiança rigorosos.
● Definição Rigorosa:
○ Implica um sorteio com regras bem determinadas, teoricamente
restrito a populações finitas e totalmente acessíveis;
○ É o pré-requisito essencial para as técnicas da Estatística
Indutiva (Inferência).
Amostragem probabilística
● Na amostragem probabilística, o acaso é o único responsável por
eventuais discrepâncias entre a amostra e a população. Isso
garante a representatividade necessária para os métodos de
análise;
● Uma amostra não representativa é uma amostra viciada. O uso de
dados viciados leva, inevitavelmente, a conclusões que não
correspondem à realidade.
Amostragem probabilística
● Bom Senso: Em situações onde o sorteio perfeito não é possível, o
bom senso pode indicar se o processo é aceitável para efeitos
práticos;
● Populações Infinitas: Populações suficientemente grandes são
tratadas como "infinitas", permitindo a aplicação dos modelos
probabilísticos.
Principais tipos:
● Aleatória Simples (AAS): O
"sorteio" clássico. Todos têm
exatamente a mesma chance (ex:
bingo, números aleatórios);
● Estratificada: Divide a população
em grupos (estratos) homogêneos
(ex: homens/mulheres) e sorteia
dentro de cada um para garantir
representação proporcional;
● Sistemática: Escolha periódica a partir
de uma lista ordenada (ex: escolher a
cada 10ª garrafa na esteira da fábrica);
● Por Conglomerados: Sorteia-se grupos
inteiros (bairros, escolas, caixas de
suco) e não indivíduos isolados.
Amostragem não probabilística
A seleção depende do julgamento do pesquisador ou da facilidade de
acesso. Não utiliza sorteio aleatório, portanto, não permite
generalizações estatísticas precisas (cálculo de erro amostral). Costa
Neto (2002, p. 41) adverte que "sua utilização, entretanto, deve ser
feito com reservas e com a convicção de que não introduza o vício."
Principais motivos: inacessibilidade a toda a população; amostragem
a esmo ou sem norma; população formada por material contínuo;
amostragens intencionais; amostragem por voluntários.
Principais tipos:
● Por Conveniência: Seleciona-se os
elementos mais acessíveis (ex:
entrevistar quem passa na rua ou
os colegas de trabalho);
● Intencional (ou por Julgamento): O
pesquisador escolhe
intencionalmente elementos que
julga representativos ou "típicos"
baseados em sua expertise;
● Por Cotas: Similar à estratificada
(divide em grupos), mas a seleção
dentro do grupo não é aleatória (ex:
'preciso de 10 homens', pego os 10
primeiros que ver);
● Bola de Neve (Snowball): Um
participante indica outro; usado para
populações de difícil acesso.
Exemplo 1
Uma Secretaria de Educação deseja avaliar o desempenho em
matemática dos alunos do Ensino Médio de uma cidade. Foram
propostas duas metodologias de sorteio:
Metodologia A: A Secretaria possui a lista de todas as escolas.
Sorteia-se aleatoriamente 5 escolas e aplicam-se provas em todas as
turmas dessas 5 escolas;
Metodologia B: A Secretaria divide os alunos em três grupos: 1º Ano,
2º Ano e 3º Ano. Sorteia-se aleatoriamente 10% dos alunos de cada
um desses anos (séries) para fazer a prova.
Exemplo 1
Perguntas:
● Qual o nome técnico da técnica de amostragem utilizada na
Metodologia A e na Metodologia B?
Exemplo 1
Perguntas:
● Qual o nome técnico da técnica de amostragem utilizada na
Metodologia A e na Metodologia B?
○ Metodologia A: Amostragem por Conglomerados;
○ Metodologia B: Amostragem Estratificada.
Exemplo 1
● Explique a diferença principal entre elas focando no conceito de
homogeneidade e heterogeneidade dos grupos formados.
Exemplo 1
● Explique a diferença principal entre elas focando no conceito de
homogeneidade e heterogeneidade dos grupos formados.
○ Conglomerados (Escolas): O grupo (escola) é internamente
heterogêneo (tem alunos de todas as idades/níveis), assim como a
cidade toda. Por isso, um grupo representa bem o todo;
○ Estratificada (Séries): O grupo (série) é internamente homogêneo
(alunos do 1º ano sabem coisas parecidas). Se eu sorteasse só
escolas, correria o risco de pegar uma escola só de ensino
fundamental por engano. Aqui eu garanto representatividade de
todos os níveis.
Distribuição amostral da média
N = 5
μ = 498 mL
𝛔2 = 1,984
Fonte: Canva, Imagem (Canva Pro), 2025. Disponível em: www.canva.com.br. Acesso
em: 06 jan. 2026.
Amostras de tamanho n = 2
As médias amostrais descrevem uma
distribuição de probabilidades. Portanto é uma
variável aleatória.Fonte: Autoria Própria, 2025.
Fonte: Autoria Própria, 2025.
Esperança e variância da média amostral
Esperança Variância:
Fonte: Autoria Própria, 2025.
Amostras de tamanho n = 3
Construindo a Distribuição Amostral
(n = 3 com Reposição)
População: {496,5; 497,1; 497,4;
498,5; 500,5}
Total de Combinações: Nn = 53 = 125
amostras possíveis.
Tipo de Amostra Elementos Sorteados (x1, x2, x3) Média da Amostra
Mínima (Extremo) {496,5; 496,5; 496,5} 496,50
Mista (Baixa) {496,5; 497,1; 496,5} 496,70
... ... ...
Central (Típica) {497,4; 498,5; 500,5} 498,80
Central (Típica) {497,1; 498,5; 498,5} 498,03
... ... ...
Máxima (Extremo) {500,5; 500,5; 500,5} 500,50
Fonte: Autoria Própria, 2025.
Quadro resumo
Morettin (2010, p. 208):
Proposição 1: A média das
médias amostrais é igual à
média populacional;
Proposição 2: A variância das
médias amostrais é igual à
variância populacional dividida
pelo tamanho da amostra.
Fonte: Autoria Própria, 2025.
Demonstração
Pressupostos: Considere uma amostra com n elementos: X1, X2, …, Xn.
Como todos vêm da mesma população, todos têm a mesma
esperança e variância populacionais, isto é:
Sabe-se que .
Fonte: Autoria Própria, 2025.
Demonstração
Densidades
Fonte: Autoria Própria, 2025.
Teorema do Limite Central (TLC)
Considerando X como sendo uma variável aleatória de uma população
com média (μ) e variância (𝛔 2) e tomando uma amostra aleatória de
tamanho n dessa população, a distribuição amostral da média se
aproxima de uma distribuição normal com média μ e variância 𝛔 2/n
quanto maior for o tamanho da amostra. (Silva et al., 2019, p. 135)
Exemplo 2
Dados do Problema:
● A máquina foi calibrada
para μ = 500ml.
● O desvio padrão histórico
da máquina é 𝝈 = 10ml.
● Você coletou uma
amostra de n = 36
garrafas. A média da sua
amostra foi 498ml.
Pergunta: Qual a probabilidade de, estando a
máquina regulada em 500ml, pegarmos uma
amostra aleatória com média de 498ml ou menos?
Fonte: Autoria Própria, 2025.
Exemplo 2
Pergunta: Qual a probabilidade de, estando a
máquina regulada em 500ml, pegarmos uma
amostra aleatória com média de 498ml ou menos?
Probabilidade de 0,1151.
Fonte: Autoria Própria
Distribuição amostral da proporção
Seja uma população de cinco garrafas, dentre as quais duas vem com
um tipo de defeito: {1, 1, 0, 0, 0}. Proporção populacional e variância
populacional:
p = (1+1+0+0+0)/5 = 0.4
VAR(p) = [(1 - 0,4)2 +(1 - 0,4)2 +(0 - 0,4)2 +(0 - 0,4)2 +(0 - 0,4)2 ]/5 = 0,24
Amostras de tamanho n = 2
As proporções amostrais descrevem
uma distribuição de probabilidades.
Portanto é uma variável aleatória.
Esperança = 0,4
Variância = 0,28 - 0,42 = 0,12
Fonte: Autoria Própria, 2025. Fonte: Autoria Própria, 2025.
Quadro resumo
Proposição 1: A
média das
proporções amostrais
é igual à proporção
populacional.
Fonte: Autoria Própria, 2025.
Quadro resumo
Proposição 2: A
variância das
proporções amostrais
é igual à proporção
populacional, vezes
sua complementar,
dividido pelo tamanho
da amostra.
Fonte: Autoria Própria, 2025.
Demonstração
Seja uma amostra com n elementos: X1, X2, …, Xn, em que cada
elemento que possui a característica recebe o atributo 1, e recebe
atributo 0, caso contrário.
X ~ Ber(p) / E(X) = p e VAR(X) = p(1-p)
Fonte: Autoria Própria, 2025.
Demonstração
A soma X1+ X2+ …+ Xn equivale a (0 ou 1) + (0 ou 1) + …+ (0 ou 1). O
valor desta soma retorna o número de indivíduos com o atributo.
Para encontrar a proporção, basta fazer a média desta soma:
A proporção é uma média de zeros e uns. A distribuição da média é
conhecida pelo TLC. Aplicamos também para a proporção:
Exemplo 3
Na esteira da Sunny Orange Juice, o padrão histórico de descarte de
laranjas inadequadas (pequenas ou com defeito) é de 20%. Um novo
fornecedor entregou um carregamento hoje. O controle de qualidade
coletou uma amostra aleatória de n = 64 laranjas e encontrou uma
taxa de rejeição de 30%.
● Qual é o Erro Padrão esperado para uma amostra desse tamanho?
● Qual é o Z-score deste resultado (distância da média em desvios
padrões)?
Exemplo 3
● Cálculo do erro padrão:
● Cálculo do z-escore:
● O resultado está exatamente no limite de 2 desvios padrões. A
probabilidade de isso ocorrer por acaso com um lote bom é baixa
(aproximadamente 2,5%).
Síntese da aula
● Inferência Estatística:
○ É o processo de tirar conclusões sobre o todo (População)
observando apenas uma parte (Amostra);
○ Parâmetros (μ, p) são valores fixos e desconhecidos;
○ Estatísticas (média e proporção amostral) variam conforme a
amostra.
● Amostragem Correta:
○ Para evitar viés, a amostra deve ser representativa;
○ Utilizamos métodos probabilísticos (Estratificada para grupos
homogêneos, Conglomerados para grupos heterogêneos).
Síntese da aula
● O Poder do "n" (Tamanho da Amostra):
○ Quanto maior o n, menor o Erro Padrão;
○ Amostras maiores geram estimativas mais precisas e curvas
mais estreitas (menor variância).
● A "Régua" Z-Score:
○ Padronizamos os resultados para medir quão "estranha" é uma
amostra;
○ Se |Z| for maior ou igual a 2, temos um evento raro, indicando
possível problema no processo produtivo (média ou proporção
alterada).
Referências
COSTA NETO, Pedro Luiz de Oliveira. Probabilidades. 2. ed. São Paulo: Blucher, 2006. ISBN 9788521215349.
Disponível na Biblioteca Digital da UFMS.
MORETTIN, Luiz Gonzaga. Estatística básica: probabilidade e inferência. São Paulo: Pearson, 2010. ISBN
9788576053705. Disponível na Biblioteca Digital da UFMS.
SILVA, Juliane Silveira Freire da; GRAMS, Ana Laura Bertelli; SILVEIRA, Jamur Fraga. Estatística. Porto Alegre:
Sagah, 2019. ISBN 9788595027763. Disponível na Biblioteca Digital da UFMS.
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