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UNIVERSIDADE FEDERAL DE RORAIMA 
INSTITUTO INSIKIRAN DE FORMAÇÃO SUPERIOR INDÍGENA
CURSO GESTÃO TERRITORIAL INDÍGENA
GTI101 – AGRICULTURA FAMILIAR E SEGURANÇA ALIMENTAR
PROFESSORA RACHEL CAMARGO DE PINHO 
MAKDONES SANTOS DE ALMEIDA
REFLEXÃO SOBRE O FILME "GUARDIÕES E GUARDIÃS DAS SEMENTES DA 
PAIXÃO" NO CONTEXTO DAS COMUNIDADES INDÍGENAS DE RORAIMA
BOA VISTA – RR
2024
MAKDONES SANTOS DE ALMEIDA
REFLEXÃO SOBRE O FILME "GUARDIÕES E GUARDIÃS DAS SEMENTES DA 
PAIXÃO" NO CONTEXTO DAS COMUNIDADES INDÍGENAS DE RORAIMA
Trabalho apresentado para obtenção de nota 
parcial na disciplina de Segurança alimentar e 
agricultura familiar, sob a orientação da 
professora Mestre Rachel Camargo de Pinho.
BOA VISTA – RR
2024
O documentário Guardiões e Guardiãs das Sementes da Paixão destaca a 
importância da preservação das sementes crioulas, um legado transmitido por 
gerações de agricultores no Semiárido brasileiro. Essa reflexão se aplica de maneira 
direta às comunidades indígenas de Roraima, onde as sementes crioulas têm um 
papel central na garantia da soberania alimentar e na preservação da cultura e 
identidade indígena. Entretanto, apesar da relevância dessa prática, ainda há uma 
grande lacuna de informação sobre o tema para a maioria das comunidades, o que 
torna a luta pela preservação dessas sementes um grande desafio.
Os governos, muitas vezes, tentam quebrar essa cultura de preservação, 
promovendo ou impondo o uso de sementes modificadas geneticamente, muitas 
vezes sob o pretexto de auxílio ou modernização. Em algumas situações, as 
comunidades aceitam essas sementes modificadas, acreditando que estão sendo 
beneficiadas com doações ou subsídios, quando na verdade estão sendo 
introduzidas em um ciclo de dependência e perda de autonomia agrícola. Essa 
aceitação, porém, ocorre em grande parte por falta de acesso ao conhecimento 
científico, que permitiria entender as consequências negativas dessas sementes, 
como a contaminação genética das sementes crioulas e a perda da biodiversidade.
A falta de informação científica nas comunidades indígenas é uma barreira 
significativa para a preservação das sementes crioulas. No entanto, há um 
movimento crescente de jovens indígenas que estão deixando suas comunidades e 
se deslocando para cidades como Boa Vista, em busca de educação formal. Ao 
retornarem para suas comunidades com novos conhecimentos, esses jovens se 
tornam agentes de transformação, lutando pela preservação das sementes crioulas 
e combatendo a introdução de sementes transgênicas. Eles compreendem que a 
luta pela terra, pela autonomia e pela sustentabilidade passa pela preservação de 
suas práticas agrícolas tradicionais, que estão profundamente enraizadas em sua 
cultura e relação com o meio ambiente.
Esses jovens são essenciais na conscientização de suas comunidades, 
promovendo debates sobre o impacto das sementes transgênicas e ajudando a 
resgatar o valor das sementes crioulas. Eles atuam como verdadeiros "guardiões e 
guardiãs" da tradição, ao mesmo tempo em que utilizam o conhecimento acadêmico 
e científico adquirido nas universidades para fortalecer as bases de suas lutas. É por 
meio dessa ponte entre o conhecimento tradicional e o saber científico que muitas 
comunidades têm conseguido resistir às pressões externas, promovendo uma 
agricultura mais sustentável e culturalmente alinhada com suas necessidades e 
valores.
Nesta perspectiva podemos concluir que o caminho ainda é árduo. As 
sementes transgênicas continuam sendo vistas, em muitos casos, como uma 
solução rápida para os problemas de produtividade e segurança alimentar, sem que 
as comunidades indígenas tenham plena compreensão dos efeitos de longo prazo 
dessa prática. Para que a preservação das sementes crioulas se torne uma 
realidade mais consolidada, é necessário que políticas públicas se voltem para o 
fortalecimento da educação e da ciência dentro dessas comunidades, promovendo a 
valorização do conhecimento tradicional e criando espaços de diálogo sobre os 
desafios da modernidade.

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