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Universidade da Amazônia Curso de Medicina Veterinária Disciplina Farmacologia Autacoides e Agentes de Ação Tecidual Prof. Brenda Ventura 2023.1 AUTACOIDES E AGENTES DE AÇÃO TECIDUAL SUBSTÂNCIAS PRODUZIDAS PELO ORGANISMO Aminas: histamina, serotonina Derivados lipídicos: prostaglandinas, leucotrienos, interleucinas Peptídeos: bradicinina, angiotensinogênio Citocinas HISTAMINA Síntese: Complexo de Golgi / SNC - hipotálamo Armazenamento: grânulos no citoplasma de mastócitos, basófilos e eosinófilos. Células imunes: renovação lenta Demais tecidos: produção e liberação contínuas Mediadora de processos inflamatórios Moduladora de processos fisiológicos Sem uso farmacológico: biotransformação hepática e degradação pela flora intestinal Receptores de histamina: H1, H2, H3 e H4 Presentes na membrana celular de diversos tecidos no organismo, acoplados à proteína G RECEPTORES DA HISTAMINA Receptor H1 (acoplados à proteína G – sistema fosfolipase C) Locais: cérebro, músculo liso pulmonar e vascular, músculo cardíaco, TGI, TGU, células sistema imune Atividade: estado de alerta, contração da musculatura lisa (pulmão, TGI), aumento da permeabilidade vascular, vasodilatação arteriolar, liberação de mediadores inflamatórios e alérgicos RECEPTORES DA HISTAMINA Receptor H2 (acoplados à proteína G – sistema adenilatociclase) Locais: estômago, endotélio vascular, pele Atividade: aumento da secreção e motilidade gástricas, liberação de mediadores inflamatórios e alérgicos RECEPTORES DA HISTAMINA Receptor H3 (acoplados à proteína Gi – inibição da adenilatociclase) Locais: SN pré-sinapse, auto receptores inibitórios Atividade: regulação do apetite, processos relacionados à memoria Receptor H4 (acoplados à proteína G – sistema adenilatociclase) Locais: mastócitos e eosinófilos (e outros leucócitos), TGI, baço, timo Atividade: estímulo às reações alérgicas e anafiláticas EFEITOS DA HISTAMINA Estímulo da inflamação e hipersensibilidade: dor, prurido, vasodilatação, quimiotaxia Liberação lenta: reação local controlada pela degradação da histamina Liberação rápida: reação sistêmica generalizada Estímulo das secreções: gástrica, salivar, pancreática, lacrimal e brônquica Cardiovascular: aumento da permeabilidade capilar, vasoconstrição central (espécie- específico), vasodilatação capilar Pulmões: broncoconstrição SNC: regulação do estado de vigília, controle do apetite HISTAMINA ANTI-HISTAMÍNICOS ANTAGONISTAS DA HISTAMINA Antagonismo competitivo reversível Sintetizados por modificação química de moléculas de histamina Classificados de acordo com a afinidade pelos tipos de receptores H Cinética e dinâmica gerais: ↑ absorção VO, biotransformação hepática, excreção renal ANTI-HISTAMÍNICOS Antagonistas de H1: primeira* e segunda geração Dimenidrinato, clorfeniramina, hidroxizina, prometazina Cinética e dinâmica: ↑ lipossolubilidade podendo penetrar na BHE* Indicações: controle de reações alérgicas, rinites, urticárias, picadas de insetos Efeitos adversos: redução dos reflexos, sonolência Contraindicação: podem potencializar o efeito de fármacos depressores do SNC* ANTI-HISTAMÍNICOS Antagonistas de H2: primeira e segunda geração Cimetidina, ranitidina (10x↑) Cinética e dinâmica: ↑ especificidade H2 Indicações: redução da secreção gástrica, pró-cinético Efeitos adversos: náusea, diarreia, sobrecarga hepática Contraindicação: não usar em conjunto com fármacos que dependem da acidez estomacal para absorção EICOSANOIDES Prostaglandinas, Tromboxanos, Prostaciclinas Derivados de ácidos graxos poli-insaturados essenciais não sintetizáveis Ácidos: eicosatrienoico, eicosatetranoico (ácido araquidônico), eicosapentanoico) RECEPTORES DE EICOSANOIDES Receptores de membrana Acoplados à proteína G – sistema adenilciclase: DP, EP2, EP4, IP Acoplados à proteína G – sistema fosfolipase: EP1, FP, TP Acoplados à proteína Gi – inibição da adenilciclase: EP3 Classificados de acordo com afinidade e potência PROSTAGLANDINAS Prostaglandinas (PG) Classes: A, B, C, D, E, F Números: de acordo com a quantidade de ligações duplas Alfa: isomeria da hidroxila com o anel da cadeia Atuam em praticamente todos os tecidos, em diversos processos fisiológicos Não são armazenadas e dependem da disponibilidade dos ácidos ANÁLOGOS DAS PROSTAGLANDINAS Análogos sintéticos da PGF2Alfa Sincronização do ciclo estral por promoção da luteólise Associados aos corticosteroides para indução de parto ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO ESTEROIDAIS – AINE O processo inflamatório lesão tecidual → dano à membrana → liberação ác. araquidônico → ação de COX e LOX → eicosanoides → estímulo inflamatório COX-1 COX-2 COX-3 (SNC*) AÇÕES FISIOLÓGICAS, ex: TGI – citoproteção e tamponamento Atividade plaquetária Perfusão renal e hepática AÇÕES PATOLÓGICAS Inflamação Dor* Febre* ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO ESTEROIDAIS – AINE CARACTERÍSTICAS GERAIS: ácidos fracos apresentados em sais sódicos Cinética e dinâmica: absorção intestinal, biotransformação hepática, excreção renal e biliar (cães, ciclo enterohepático), ↑ ligado às PP ↓ distribuição, afinidade por locais inflamados Ação periférica: anti-inflamatória, analgésica, antitrombótica, antiendotóxica Ação central: analgésica, antipirética (não produzem sedação, ataxia, tolerância ou dependência) Importante: desvio do processo inflamatório para as vias LOX (vascular) Efeitos adversos: gastrite, úlceras, lesão renal, inibição de mecanismos de reparação tecidual, comprometimento da agregação plaquetária Obs: podem ter doses diferentes para efeitos analgésicos e anti-inflamatórios ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO ESTEROIDAIS – AINE Derivados do ácido carboxílico – Salicilatos Ácido acetilsalicílico, salicilato de sódio Efeitos: inibidor da agregação plaquetária Recomendações: processos inflamatórios leves, prevenção de distúrbios de ↑ coagulação Contraindicações: hemorragias, distúrbios de ↓ coagulação, felinos não conjugam fenóis ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO ESTEROIDAIS – AINE Derivados do ácido carboxílico – Ácidos acéticos Diclofenaco Efeitos: anti-inflamatório, analgésico Recomendações: processos inflamatórios leves a moderados, principalmente musculoesqueléticos Contraindicações: sensibilidade da mucosa gástrica nos cães ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO ESTEROIDAIS – AINE Derivados do ácido carboxílico – Ácidos propiônicos Ibuprofeno, naproxeno, carprofeno, cetoprofeno* Efeitos: anti-inflamatório, analgésico, antipirético, dupla-ação* Recomendações: processos inflamatórios moderados e graves*, principalmente musculoesqueléticos Contraindicações: ulcerogênico em cães (ciclo entero-hepático) ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO ESTEROIDAIS – AINE Derivados do ácido carboxílico – Ácidos aminonicotínico Flunixina meglumina Efeitos: anti-inflamatório, analgésico, antipirético, antiendotoxêmico Recomendações: processos inflamatórios moderados e graves, principalmente visceral Contraindicações: cães nefropatas ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO ESTEROIDAIS – AINE Derivados do ácido enólico – Pirazolonas Fenilbutazona (exclusivo IV) Obs: metabólitos ativo com 25% de atividade – oxifembutazona e hidroxifenilbutazona Efeitos: anti-inflamatório, analgésico, antipirético, antioxidante Recomendações: processos inflamatórios graves, principalmente musculoesqueléticos Contraindicações: gastrites, ulcerações no ID, nefropatas, hepatopatas ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO ESTEROIDAIS – AINE Derivados do ácido enólico – Oxicans Piroxicam, meloxicam (preferencial cox-2) Efeitos: anti-inflamatório, analgésico, antipirético, antitrombótico Recomendações: processos inflamatórios moderados, musculoesqueléticos e/ou viscerais Contraindicações: uso prolongado em felinos ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO ESTEROIDAIS – AINE Derivados do ácido enólico – Sulfonanilida Nimesulida (preferencial cox-2) Efeitos: anti-inflamatório, analgésico, antipirético Recomendações: processos inflamatórios moderados Contraindicações: hepatopatas ANTI-INFLAMATÓRIOSNÃO ESTEROIDAIS – AINE Coxibes (SELETIVOS cox-2) Firocoxibe, celecoxibe Efeitos: anti-inflamatório, analgésico, antipirético Recomendações: processos inflamatórios em todas as intensidades, quando necessário uso prolongado em pacientes com (ou propensos à) lesão gástrica Contraindicações: nefropatas graves, neonatos ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO ESTEROIDAIS – AINE Inibidores da COX com fraca ação anti-inflamatória Paracetamol*, dipironaº (preferencial cox-2 e cox-3 no SNC) Efeitos: analgésico, antipirético Recomendações: dores leves a moderadas, controle da febre Contraindicações: felino é deficiente em glicuronidação*, hepatopatas*, hipersensíveisº ANTI-INFLAMATÓRIOS NÃO ESTEROIDAIS – AINE Anti-inflamatórios que não atuam pela inibição de eicosanoides Dimetil sulfóxido Efeitos: carreador molecular, remoção de radicais livres, analgésico, antitrombótico, inibidor quimiotático Recomendações: SIRS, edema Contraindicações: animais de POA CORTICOIDES Produzidos nas glândulas adrenais Produção e liberação mediante estímulo, sem armazenagem Colesterol é molécula obrigatória para síntese, 80% dele é obtido de fontes exógenas Glicocorticoides: hidrocortisona (cortisol), produzida pela zona fasciculata, reguladores do metabolismo de carboidratos e proteínas, atividade anti-inflamatória e imunossupressora Mineralocorticoides: aldosterona, produzida pela zona glomerulosa, reguladores do equilíbrio hidroeletrolítico CORTICOIDES CRH – Hormônio liberador de corticotropina ACTH – Hormônio adrenocorticotrófico CORTICOIDES Regulação da produção e liberação de corticoides Importante: feedback negativo GLICOCORTICOIDES Transportados no plasma ligados à “globulina ligadora de colesterol” (CBG) e à albumina Somente ativos em fração livre Receptores glicocorticoides (GR): receptores citoplasmáticos de função nuclear Gatos tem 50% menos receptores glicocorticoides do que cães GRE negativo: transrepressão (inibição do fator NF-kB) EFEITOS DOS GLICOCORTICOIDES Efeitos metabólicos: hiperglicemiantes (impedindo ação da insulina e estimulando a gliconeogênese), estímulo ao catabolismo proteico, pequenos efeitos mineralocorticoides (retenção de Na+, excreção de Ca+ e K+), redução da absorção de Ca+ no TGI Efeitos nos sistemas: TGI: aumento da secreção de ácido gástrico, redução da produção de muco Tegumentar: inibição da produção de material conjuntivo, hiperpigmentação ME: atrofia e fraqueza muscular, reabsorção óssea Renal e cardio: aumento do débito cardíaco e do tônus vascular por ativação do SRAA, consequente HAS Endócrino: supressão do EHHA, supressão do TSH (consequente redução de T4) EFEITOS DOS GLICOCORTICOIDES Efeitos sobre os processos inflamatórios: • Inibe reações inflamatórias originadas por patógenos, estímulos físicos e químicos, reações imunológicas inapropriadas (alergias) • Reduz a migração e adesão dos leucócitos aos sítios de lesão • Inibem a ativação e proliferação dos linfócitos, estimula sua migração para os tecidos linfoides (baço, timo, medula) • Inibição da transcrição de genes de citocinas, quimiocinas, fatores de crescimento, moléculas de adesão celular, fatores de complemento, imunorreceptores, COX, fosfolipase “Os efeitos anti-inflamatórios e imunossupressores dos esteroides adrenais se estendam ao nível fisiológico, mantendo a resposta orgânica aos agentes de agressão dentro de limites aceitáveis. As reações do organismo às situações de estresse do dia a dia são impedidas de se tornarem exacerbadas” ANTI-INFLAMATÓRIOS ESTEROIDAIS – COSTICOSTEROIDES Análogos do cortisol, classificado conforme intensidade e duração dos efeitos Ésteres e acetonidos (acetato, benzoato, butirato, diacetato, dipropionato, valerato) Sais (fosfato sódico, succinato sódico) – possibilidade de uso IV A potência é sempre medida em comparação com a hidrocortisona Mais potentes: ↓ excreção, ↓ ligação às PP, ↑ afinidade com receptores Biotransformação hepática e renal Excreção renal e biliar ANTI-INFLAMATÓRIOS ESTEROIDAIS – COSTICOSTEROIDES Cortisona* (hidrocortisona), prednisona* (prednisolona), triancinolona, betametasona, dexametasona Pró-fármacos* Potência intensa: dexametasona, betametasona Potência intermediária: prednisolona, triancinolona VO: longo prazo, efeito intermediário controlável pela dose SC: para segurança na adm., efeito prolongado IV: adm. em terapias agudas supra farmacológicas de efeito rápido (anafilaxia) ANTI-INFLAMATÓRIOS ESTEROIDAIS – COSTICOSTEROIDES Princípios que não podem ser deixados de lado: • Doses únicas, mesmo supra, podem não apresentar efeitos colaterais • Para fins anti-inflamatórios, nunca é a primeira escolha • Ajuste periódico da dose com base na observação do paciente • A corticoterapia é tratamento sintomático, à exceção dos casos de insuficiência adrenal • A interrupção abrupta pode levar à sintomatologia de hipoadrenocorticismo ANTI-INFLAMATÓRIOS ESTEROIDAIS – COSTICOSTEROIDES Indicações terapêuticas • Doenças autoimunes (doses altas): anemia hemolítica, lúpus eritematoso, isoeritrólise neonatal Uso sistêmico prolongado • Reações alérgicas (doses moderadas): atopia, dermatite de contato, hipersensibilidade alimentar Uso sistêmico e tópico durante a investigação, retirar a causa e desmamar • Reações alérgicas que levam à doenças inflamatórias crônicas (doses baixas): bronquite, asma Uso sistêmico prolongado • Reações inflamatórias intra-articulares Uso local em dose única ou poucas vezes • Choque Uso sistêmico em dose única, supra ANTI-INFLAMATÓRIOS ESTEROIDAIS – COSTICOSTEROIDES Contraindicações: • Processos infecciosos (imunossupressor) • Gastrites e úlceras (redução da produção de muco) • Diabetes (hiperglicemiante) • Doenças renais (catabolismo proteico) Efeitos adversos: • Insuficiência adrenal