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Neurociência - um estudo ● Quando queremos nos referir à memorização de alguma coisa, dizemos “aprender de cor” (isto é, pelo coração), embora o mais correto, ao menos do ponto de vista anatômico, seria dizer “aprender pelo cérebro”. TRECHOS DO LIVRO: “O Cérebro Adolescente: A Neurociência da transformação da Criança em Adulto” MAIS ESTÍMULOS, MAIS RISCOS, MAIS DROGAS, MAS TUDO, E AGORA? O sistema de recompensa e a conquista da independência! SISTEMA DE RECOMPENSA: (conjunto de estruturas que nos premiam com uma sensação de prazer e nos fazem querer mais): essa mudança faz com que tudo que parecia mais prazeroso perca o atrativo para um cérebro em transição. (brinquedos, roupas mais infantis). —> Essa mudança é tão normal que a sociedade vê como aberração o jovem que demora demais a tomar a iniciativa de sair de casa e procurar seu trabalho e sua turma. (expectativa externa muito grande) ● Todas essas alterações do comportamento motivado (recompensa), são explicadas pela perda de função transiente ou embotamento do sistema de recompensa. Faz com que o jovem abandone seus velhos hábitos, subitamente tornados insatisfatórios, em busca de novos prazeres. ● Tudo que é novo é uma maneira certeira de ativar o sistema de recompensa. Ao mesmo tempo em que surge o tédio com o que é velho e conhecido, aparece então a supervalorização do novo. O que combina com a nossa capacidade do córtex pré-frontal de lidar com a abstração, surgindo novos interesses como a música, esporte, literatura, filosofia e religião. ] ● Cresce o valor atribuído a novas interações sociais, em busca de novas amizades. ● Quanto maior o estímulo (ESTÍMULOS FORTES) = maior a satisfação. Aumentando o comportamento de risco, ainda mais pelo não desenvolvimento completo do córtex pré-frontal (responsabilidade, culpa, antecipação de consequências negativas), surgindo o interesse pelos esportes radicais e outros riscos relativamente controlados. Como riscos urbanos das sociedades modernas (vandalismo, delinquência, rachas) ➔ Busca por mais estimulação para compensar a diminuição da capacidade de resposta do sistema de recompensa se estende aos chamados Prazeres Consumatórios, que atende as necessidades do corpo. (Comer passa a ser um meio de recompensa e de obter prazer). ➔ sexo= orgasmo ➔ Drogas psicotrópicas: capaz de ativar diretamente o sistema de recompensa e oferecer prazer intenso e imediato Permite que o adolescente se torne um adulto independente. O mesmo embotamento que causa tédio e a busca por novas fontes de satisfação, é responsável por vários dos feltros para encontrar a independência (afastar o adolescente da segurança familiar, impulsionar a explorar capacidade físicas e capacidades intelectuais, aprender as regras da sociedade (círculo de amizades cada vez maior, e a busca de um parceiro sexual longe da família). O sistema de recompensa é tão fundamental para o comportamento motivado! ENERGIA, MOTIVAÇÃO E O SISTEMA DE RECOMPENSA ● MOTIVAÇÃO: importância para as escolhas das nossas ações. O cálculo consciente ou inconsciente de satisfação que o cérebro pode ter através de um comportamento qualquer. (Potencial de Motivação) DA DOPAMINA AO PRAZER O sistema de recompensa é o conjunto de estruturas no cérebro responsáveis por premiar com prazer ou bem-estar aqueles comportamentos que acabaram de se mostrar úteis ou interessantes. Com auxílio da memória passada e baseada na imaginação de prazeres futuros (querer mais de tudo que parece bom—> seria uma busca angustiante para a liberação da dopamina). ● área tegmentar ventral- recebe dos sentidos informações sobre o que está acontecendo com o corpo e recebe pelo córtex pré-frontal, informações sobre as intenções que guiaram o comportamento atual. E acabam despejando dopamina- substância neuromoduladora, capaz de modificar a atividade elétrica dos neurônios que a recebem (sensação de bem-estar e prazer)--> pode ter uma maior resposta elétrica dependendo da quantidade de receptores de dopamina ● estriado ventral- mais dopamina, mais a ativação do estriado ventral. Influencia diretamente no comportamento (comunicar com regiões do córtex pré-frontal quanto por modificar a atividade de núcleos vizinhos) que promovem a continuidade do comportamento. ● Tudo que promove a liberação da dopamina sobre o núcleo acumbente e por tanto a sua ativação, tende a ser desejado e repetido. CRIANÇAS TÊM UM SISTEMA DE RECOMPENSA RIQUÍSSIMO, OU SEJA, MESMO COM POUCO ESTÍMULO HÁ UMA GRANDE LIBERAÇÃO DE DOPAMINA. TÉDIO E A ADOLESCÊNCIA O estriado ventral perde cerca de um terço dos seus receptores para a dopamina (ratos de laboratório). A perda de receptores para a dopamina causa uma satisfação menor) [- receptores = - satisfação]. Os elementos da infância se tornam incapazes de oferecer prazer. Tornando difícil de ser ativado ● Queda do paraíso (falling from grace), os adolescentes sentem-se menos prazerosos do que os adultos, além de serem menos otimistas! Como a motivação depende da ativação antecipada do mesmo sistema de recompensa embotado em respostas a simples expectativa de algo acontecer, ele precisa de mais estímulos para gerar motivação suficiente para vencer a inércia. O PRAZER DE CORRER RISCO Encontra um prazer à primeira vista masoquista em correr riscos. É um prazer que pode beirar a euforia. De fato, grandes quantidades de adrenalina são liberadas no corpo durante situações de risco, como parte de uma resposta de estresse disparada pelo cérebro ao se perceber potencialmente em perigo. O estresse voluntário – quer dizer, aquele risco que se corre voluntariamente (mesmo que nem sempre “conscientemente”!) – é, de fato, prazeroso. → A euforia do estresse, no entanto, não vem da adrenalina, embora as mudanças que esse hormônio provoca no corpo contribuam para a sensação de bem-estar e consciência muscular características da realização bem-sucedida de esportes radicais, por exemplo. Adrenalina liberada pelas glândulas supra renais durante o estresse, ou na verdade já a partir da antecipação do risco, prepara o corpo para enfrentar a situação: acelera os batimentos cardíacos e a frequência respiratória, aumenta a pressão sanguínea, promove o deslocamento de uma maior quantidade de sangue para os músculos, e favorece a transformação de depósitos de gordura e glicogênio em glicose jogada no sangue. Oferecer mais glicose e oxigênio aos músculos e ao cérebro. Além disso, a ínsula, uma região do córtex cerebral especializada em acompanhar as variações do estado fisiológico do corpo, detecta as mudanças corporais provocadas pela adrenalina, e provavelmente torna possível a sensação de aumento de energia e força muscular que correspondem ao barato da “adrenalina no sangue”. A adrenalina do sangue, no entanto, não entra no cérebro: uma barreira no revestimento de quase todos os capilares sanguíneos cerebrais lhe nega o acesso. Como os outros prazeres, a euforia do comportamento de risco vem da liberação de grandes quantidades de dopamina sobre o núcleo acumbente, associada à ação direta de outro hormônio do estresse, o cortisol, este sim capaz de atravessar a barreira entre o sangue e o cérebro e ativar diretamente o sistema de recompensa. Esses efeitos se combinam no cérebro e, associados ao alívio do fim do medo, levam a um estado de verdadeira euforia – e à sensação de superação do medo, acompanhada da vontade, meio ilógica, é verdade, de fazer tudo de novo. A superação do medo é uma das consequências mais importantes da ativação do sistema de recompensa em situações de risco! Mas qualquer que seja a razão do medo, é necessário expor-se a ele para conseguir superá-lo. A diferença genética está relacionada à quantidade de receptores para dopamina presente no sistema de recompensa.Por isso, essas pessoas precisam de estímulos fortes, comosituações de risco, para alcançar níveis de dopamina altos o suficiente para proporcionar um grau mínimo de ativação A diferença se estende a outras facetas do comportamento. O neuro-farmacologista Scott Lane, da Universidade do Texas em Houston, EUA, analisou as atitudes de adolescentes participando de jogos de azar, e encontrou diferenças marcantes entre jovens buscadores-de-riscos e avessos-a-riscos. Os primeiros optam por estratégias mais arriscadas (como virar cartas do baralho que costuma dar altos prêmios, mas ocasionalmente custa todos os ganhos obtidos), insistem nelas mesmo quando elas não funcionam – e terminam perdendo mais dinheiro do que os adolescentes avessos a riscos. Estes, mais comedidos desde o começo, optam por estratégias menos arriscadas, com ganhos mais modestos, mas também com menos riscos; não hesitam em abandonar estratégias arriscadas mal-sucedidas; e terminam o jogo com dinheiro em mãos ● Buscador-de-riscos ou avesso-a-riscos também está relacionado ao uso de drogas e à tendência ao vício. ● Dentre grupos grandes de animais ou jovens, são os buscadores-de-riscos que têm a maior probabilidade de usar doses elevadas e se tornam dependentes. —> Todas as drogas “recreacionais”, como a cocaína, agem por aumentar a quantidade de dopamina que estimula o sistema de recompensa. Quanto maior esse aumento, maior a sensação de prazer ou euforia com a droga. (O estresse contribui para a instalação da dependência). Se a quantidade de dopamina é excessiva, o sistema se “protege” da ativação exagerada reduzindo seu número de receptores para dopamina, o que o torna menos sensível a toda aquela dopamina que o inunda. A diminuição é duradoura, e se acentua com o consumo repetido da droga. A diminuição é duradoura, e se acentua com o consumo repetido da droga. E assim, à medida que é necessário consumir cada vez mais droga para obter cada vez menos prazer, rapidamente o vício se instala. (Tolerância- organismo se adapta ao uso da substância) ESTRESSE, INIMIGO TAMBÉM DOS ADOLESCENTES Quando presos em um tubo apertado, o que seria razão de estresse para qualquer pessoa, ratos geneticamente buscadores-de-riscos têm mais dopamina liberada no sistema de recompensa do que ratos avessos-a-riscos. No entanto, se a ação do hormônio do estresse corticosterona (a versão roedora do nosso cortisol) for bloqueada, a quantidade de dopamina liberada no núcleo acumbente em resposta ao estresse é a mesma em buscadores ou avessos-a-riscos. Curiosamente, o bloqueio da resposta de estresse também torna os animais - mesmo os antes buscadores-de-riscos - impávidos à atração da cocaína: mesmo que ganhem acesso livre à droga, sem o hormônio do estresse, os animais não se viciam. Indicam que a formação do vício somente acontece se a corticosterona circulante no sangue ultrapassar um certo valor limite. Por alguma razão, o cérebro usa a presença dos hormônios do estresse como condição sine qua non para se deixar viciar. Quando o cérebro responde à razão do estresse provocando um maior aumento da pressão arterial e maior produção de cortisol do que em adultos e crianças. O adolescente ainda está por definição exposto a novas razões de estresse – principalmente com as recém-adquiridas preocupações sociais e econômicas. Tudo se complica na medida que os níveis elevados de estresse característicos da adolescência provocam uma redução ainda maior do número de receptores de dopamina, num sistema que já estava sofrendo da perda desses receptores. ● Em 1995, um estudo francês demonstrou que ratos submetidos à agressão de outros ratos e derrotados apenas quatro vezes ao longo de uma semana buscavam se auto-injetar quantidades maiores de cocaína do que animais não expostos, machos ou fêmeas. Isso sugere que a combinação estresse + adolescência + ser buscador-de-riscos coloca o sistema de recompensa numa posição bastante delicada, por deixar o adolescente especialmente pobre em receptores de dopamina, e assim tanto dado a comportamentos de risco, que incluem o uso de drogas (em busca de estímulos fortes), quanto propenso a tornar-se viciado. ADOLESCÊNCIA COMO SÍNDROME DE ABSTINÊNCIA DA INFÂNCIA Usuários de drogas, que ficam habituados a níveis frequentemente elevados de ativação do sistema de recompensa, atravessam aquilo que deve ser uma das piores sensações possíveis para um ser humano quando passa o efeito da droga e seu sistema de recompensa fica abandonado a um baixíssimo nível de ativação, fruto de um número de receptores dopaminérgicos reduzido pela própria droga: a síndrome de abstinência. Ainda fica no cérebro abstinente aquela impressão reticente de que está faltando alguma coisa. E está, mesmo: falta prazer, que, no vício bem instalado, só pode ser proporcionado por uma nova dose da droga. A síndrome de abstinência tem muito em comum com o estado adolescente. Ambos são caracterizados por fissuras (PRECISO comprar esta roupa/ir ao cinema/ver meus amigos agora, ou eu vou ter um treco!); ansiedade (Será que vou passar na prova? Será que vou ter dinheiro?); falta de motivação (aqueles dias largados na cama); e tééééédio (nada, absolutamente nada, parece dar prazer ou ser interessante). ● Período de abstinência da infância, ou de abstinência da ativação dopaminérgica abundante da infância, causado pela perda inexorável de receptores. A boa notícia é que, com a idade, o número decrescente de receptores se estabiliza, enquanto, em compensação, a quantidade de dopamina liberada sobre o núcleo acumbente vai aumentando. IMPULSIVIDADE Entra em cena, portanto, a ativação antecipatória do sistema de recompensa, enquanto você avalia as vantagens de uma ou de outra alternativa. (Escolhas) A chave aqui é o grau de ativação do sistema de recompensa necessário para suportar o período de espera entre a escolha e a recompensa do prazer. Quando se contempla fazer algo que dará gratificação imediata, o potencial de prazer imediato – ou seja, a chance de obter ativação rápida do sistema de recompensa – é bastante grande. Por outro lado, escolher a opção que trará grande gratificação, mas apenas após algum tempo, deve depender de uma capacidade de ativação sustentada do sistema de recompensa durante o período de espera. Se o seu sistema de recompensa é lesionado experimentalmente, com a destruição do núcleo acumbente, os animais perdem o interesse em esperar um pouco para ganhar um prêmio maior. Antes perfeitamente capazes de esperar pelo prêmio maior, após a lesão os ratos preferem ganhar uma recompensa pequena mas imediata a obter uma recompensa maior mais tarde – o que indica que um núcleo acumbente intacto e funcionando normalmente é essencial para escolhas sensatas, não-impulsivas. (Com mais idade vem a sabedoria, devido ao Amadurecimento do sistema de recompensa, que se ajusta e encontra o ponto de equilíbrio). CÓRTEX PRÉ-FRONTAL DORSO LATERAL ● São incapazes de antecipar as consequências das suas ações; ● E de fazer planejamento a longo prazo; A importância do amadurecimento estrutural e funcional do córtex pré-frontal para a formação do comportamento adulto. Na verdade, a impulsividade, a incapacidade de antecipar consequências desastrosas de seus atos, a distração e o comportamento utilitário não surgem na adolescência; essas são características manifestas já no comportamento infantil. → E de fato é só tamanho, porque o cérebro, ainda em maturação, não pensa ainda em uma série de coisas, como as consequências dos próprios atos. (Desenvolvimento das características sexuais secundárias, mas não tem a maturação do cérebro). ● E como todas essas “falhas de comportamento” da infância e da adolescência se manifestam novamente em adultos que sofreram lesões do córtex pré-frontal, é tentador dizer que essa estrutura é inativa na infância, somente se tornando funcional aos poucos, na adolescência.➔ Córtex pré-frontal é funcional na infância, sim: exames de imageamento funcional, que medem o metabolismo das várias regiões do cérebro, constatam atividade, aliás bastante grande, no córtex pré-frontal infantil, ainda que nos primeiros meses de vida ela seja de fato pouco intensa. A fonte das diferenças entre o comportamento infantil e o adulto, no que concerne ao córtex pré-frontal, está na reorganização da sua arquitetura e conectividade ao longo da adolescência. Ou seja: na qualidade do funcionamento do córtex pré-frontal. A substância cinzenta cresce cerca de 10% da infância até a puberdade. É em torno dessa idade, aos 11 anos nas meninas e 12 nos meninos, que a substância cinzenta do lobo frontal atinge seu volume máximo. Mas daí em diante é ladeira abaixo, até uns 30 ou 40 anos de idade, quando o volume final do córtex frontal é ainda menor do que na infância! Se tudo fosse meramente uma questão de tamanho, portanto, jovens na puberdade deveriam estar no ápice de suas funções pré-frontais. A opinião mais atual da neurociência considera que o funcionamento adulto do córtex pré-frontal depende de um refinamento das suas conexões, ou seja, da eliminação dos contatos excedentes, desnecessários ou inconvenientes entre neurônios. (Poda Neurais) Acredita-se que tal refinamento é o que explica, mas não é só isso. Ao longo da adolescência, ao mesmo tempo que a substância cinzenta do córtex frontal diminui, a substância branca subjacente se expande. Por ela trafega grande parte das conexões de longa distância entre regiões diferentes do próprio córtex frontal, ou entre ele e outras regiões do cérebro. (ATV?)A expansão da substância branca subcortical corresponde à mielinização das conexões, ou seja, à formação continuada da capa de gordura que age como isolante elétrico das fibras nervosas e permite a transmissão em tempo hábil de sinais nervosos entre regiões cerebrais, e deste modo a integração funcional entre partes diferentes do próprio córtex pré-frontal. (Por isso os jovens sempre têm uma resposta rápida). CONTROLE DE IMPULSOS Além disso, a expansão da substância branca está relacionada à melhora em várias funções pré-frontais básicas que caracterizam a evolução do comportamento adolescente, como a memória de trabalho, a capacidade de seleção e inibição de comportamento, e a supressão de respostas automáticas.Se não fosse pelo DLPFC, a flexibilidade cognitiva de agir ou não dependendo do contexto seria provavelmente inviável. Um primeiro nível de elaboração acontece ainda no córtex pré-motor, que recebe um apanhado de todos os sentidos a cada momento, encaminhado por regiões posteriores do córtex, e direciona as ações de acordo. Se o telefone toca, é ele quem direciona sua mão (e não seu pé) para o fone (e não o controle remoto ao lado, digamos). Mas, no que dependesse do córtex pré-motor, telefones tocando sempre seriam atendidos. O controle pelo contexto é possível graças à ação da porção posterior do DLPFC, que usa informação sensorial de uma maneira mais global para definir se a ação em questão é mesmo apropriada. Se o córtex parasse aqui, você nunca atenderia ao telefone alheio. Sua capacidade de agir de outra forma com base em uma memória específica – sua amiga lhe pedindo para atender – é possível devido ao funcionamento da porção anterior do DLPFC, responsável pelo que é chamado “controle episódico” (instruções específicas) do comportamento: em tal contexto não se deve fazer isto, mas se tal situação específica também acontecer, então tudo bem. em volume da substância cinzenta cortical na adolescência – ao mesmo tempo que suas funções se aperfeiçoam, como você verá a seguir. Como também era de se esperar, as regiões responsáveis pelo controle contextual e episódico do comportamento estão em franco amadurecimento durante a adolescência. A parte que vem a seguir ainda é especulativa, mas é perfeitamente razoável e plausível: é à medida que os circuitos pré-frontais vão se refinando e se tornando mais eficientes, graças à limpeza sináptica e à comunicação aperfeiçoada e acelerada pela mielinização das fibras nervosas, que eles atingem o grau de precisão necessário para um bom funcionamento. A coincidência temporal é, no mínimo, impressionante. BRAIN ROT (CÉREBRO CANSADO/APODRECIDO) O neuropsicólogo do Hospital São Lucas da PUCRS, Dr. Eduardo Leal Conceição, explica que o termo é uma expressão informal utilizada para descrever o desgaste cognitivo causado pelo consumo excessivo de conteúdos superficiais e pouco estimulantes. “Ao passarmos longas horas expostos a informações fragmentadas e repetitivas, nosso cérebro pode entrar em um estado de letargia, dificultando a concentração, a criatividade e a capacidade de raciocínio”. ● excesso de telas ● conteúdo de baixa qualidade ● falta de estímulo Vão muito mais que a sensação de tédio; ● dificuldade de concentração ● diminuição da criatividade ● problemas de memória ● aumento de sintomas como ansiedade e depressão ● irritabilidade e impaciência ● fadiga mental- mesmo após um período de descanso ● dificuldade em tomar decisões- sobrecarga de informações e a falta de clareza mental Como combater: ● limitar tempo de tela ● buscar informações de qualidade ● diversificar as atividades- com diferentes habilidades ● praticar mindfulness- meditação e outras técnicas ● cultivar hobbies PARTE DOS MEUS ESTUDOS: ● treinamento mental ● autossugestão (influenciar-se com pensamentos positivos ou negativos ● aprendizagem contínua (ajuda a criar novas conexões neurais // mindset do crescimento - neurogênese- formação de novos neurônios - sinaptogênese- criação de novas conexões entre neurônios - poda neural- eliminação de sinapses consideradas ineficientes - mielinização- aprimoramento das conexões neurais, acelerando a condução dos impulsos elétricos ● cérebro (controle das funções cognitivas e motoras ● medula espinhal (transmite informações ● nervos periféricos (conecta o sistema nervoso ao resto do corpo - córtex pré-frontal- pode ser criado para evitar vieses negativos - amígdala- processamento emocional, moldada por experiências repetitivas e práticas como meditação - hipocampo- memória, fortalecido com novas experiências → + retenção e aprendizado CÉREBRO ADOLESCENTE: ● o cérebro do adolescente é mais impulsivo e atraído por novidades ● o córtex pré-frontal é responsável pelo planejamento e controle dos impulsos, ainda em desenvolvimento —-> aumento da impulsividade —> não prevê consequências ● há a libera de dopamina - neurotransmissor associado à recompensa ● busca por novidades- procura por novos interesses (perda de função transiente ou embotamento do sistema de recompensa) ● situações perigosas estimulam a liberação de adrenalina e dopamina, criando uma sensação de prazer ● drogas como a cocaína aumenta artificialmente a dopamina (tolerância) ● devido a perda dos receptores de dopamina, há a instalação de um tédio (menos sensível a estímulos repetitivos) constante (o que é bom, mas não em redes sociais) —> que também apresentam uma redução devido aos altos níveis de estresse —> (+ estressados = + vícios → ratos) ● o córtex pré-frontal dorsolateral é essencial para antecipar consequências e planejar ações ● poda neural, elimina conexões inúteis, tendo um refinamento e melhora na eficiência do cérebro. ➔ O QUE IMPLICA A REDUÇÃO DOS RECEPTORES DE DOPAMINA E A RECEPÇÃO DE DOPAMINA BARATA COM O USO DAS REDES SOCIAIS. ➔ ADOLESCENTES E A PSICANÁLISE SOBRE A SEPARAÇÃO DOS PAIS (WInnicott ..) ALGUNS CONCEITOS: ÍNSULA Localizada dentro da fissura lateral (Silviana), entre os lobos frontal e temporal. Ela é fundamental pela integração de informações emocionais, sensoriais e autonômicas. - percepção interoceptiva- monitorar o estado interno - regulaçãoemocional - nojo, medo, empatia (divertida mente) - consciência corporal e social - percepção do próprio corpo e de interações sociais - pacientes com lesão na ínsula param de fumar abruptamente, pois perdem a necessidade emocional da nicotina (conexão de estados emocionais e comportamentos compulsivos) - AJUDA A TOMAR A DECISÃO COM BASE NA SENSAÇÃO INTERNA, sente ansiedade ou desejo por um droga a ínsula mandando sinais para o cérebro buscar uma sensação para aliviar o desconforto (abstinência) CPF Localizado na parte anterior do lobo frontal, uma das mais evoluídas. - tomada de decisão e planejamento - controle inibitório- regula impulsos e respostas emocionais - atenção de memória e trabalho - (mielinização e poda neural) - maior impulsividade - dificuldade de antecipar consequências - regulação emocional estável - Dorsolateral (DLPFC)- regula planejamento e memória de trabalho - Ventromedial (VMPFC)- relacionado a regulação emocional - Orbitofrontal (OFC)- avaliação de recompensas e tomada de decisão (avaliação de riscos) - O mesencéfalo aumenta a sensibilidade à aceitação e recompensas. (durante o desenvolvimento cerebral) SUBSTÂNCIA CINZA Formada por detritos e corpos de neurônios, responsável pelo processamento das informações. ● Processar e integrar informações neurais ● diminui com o tempo Há um aumento inicial da substância cinzenta, seguindo de uma redução progressiva devido à poda neural, essencial para a especialização e eficiência cerebral. - CPF, refinamento da capacidade de controlar impulsos e planejamento - Sistema Límbico, ajuda a estabilizar reações emocionais ao longo da maturação - Melhora a especialização neural, permitindo funções cognitivas mais refinadas SUBSTÂNCIA BRANCA Composta por axônio mielinizados, que conectam diferentes partes do cérebro permitindo a conexão rápida entre neurônios. - aumento da mielinização, melhora a velocidade e eficiência da comunicação neuronal - CPF, aprimoramento das funções executivas - sistema de recompensa, melhora a integração entre emoção e controle racional - redução da impulsividade e aprimoramento do raciocínio lógico - aprimora a coordenação entre redes cerebrais NÚCLEO ACCUMBENS É uma estrutura do sistema de recompensa, localizado no estriado ventral. Recebe sinais da área tegmental ventral (ATV) e libera dopamina, desencadeando prazer. - mediador do prazer e motivação- maior sensação de recompensa - aprendizado e hábitos- associa comportamentos a experiências prazerosas (vicária - dependência química- substâncias viciantes aumenta a dopamina no NAc, levando a repetição compulsiva - altamente responsivo a estímulos novos - consolidação de hábitos- associa comportamentos a recompensas e incentiva a repetição - DROGAS → LIBERAÇÃO DE DOPAMINA, QUE CAUSA UM PRAZER ARTIFICIAL E EXTREMO - reforço positivo CORTISOL Hormônio do estresse liberado pelas glândulas suprarrenais e tem efeito direto no sistema de recompensa. - altos níveis de estresse reduzem os receptores de dopamina - uma menor sensibilidade ao prazer, aumento a busca por estímulos intensos (comida, droga, sexo, risco) - o estresse crônico potencializa o vício, pois buscam compulsivamente novas fontes de prazer para compensar a falta de dopamina - MUITO ALTO: DIFICULDADE EM SENTIR PRAZER, AUMENTO DA IMPULSIVIDADE, MAIOR RISCO DE VÍCIOS CORTICOSTERONA A versão de cortisol em roedores e também participa da regulação do estresse e sistema de recompensa - aumenta a sensibilidade ao estresse, mais propenso a impulsividade - facilita o vício, sistema de recompensa por período prolongados - aumenta o comportamento de busca por riscos - maior padrão de busca por drogas e compulsão - potencializa o vício ÁREA TEGMENTAR VENTRAL (ATV) Região do mesencéfalo que produz dopamina e envia pra accumbens e CPF - regulação da motivação - aprendizado por reforço- associa experiências como prazerosas ou desprazer (vicária - influência no vício- drogas aumentam a atividade da ATV, intensifica a sensação - no adolescente é intensificado e prolongado ESTRIADO VENTRAL Inclui o accumbens, papel na motivação e comportamento dirigido a recompensas - ativado quando antecipamos a recompensa - seu funcionamento inadequado está ligado a anedonia (falta de prazer e depressão SISTEMA DE RECOMPENSA Conjunto de estruturas cerebrais responsáveis pelo prazer, motivação e reforço de comportamento. - área tegmentar ventral - produção de dopamina - núcleo accumbens - sensação de prazer - CPF- avaliação da recompensa CICLO DOPAMINÉRGICO Liberação, ação, recaptura a dopamina- regulando prazer e motivação - drogas aumentam artificialmente a dopamina, gerando prazer intensos - o cérebro reduz seus receptores, tornando-se menos sensíveis a estímulos naturais - com o tempo precisa de mais dopamina para sentir prazer, levando ao vício - liberação excessiva de dopamina - dificulta em sentir prazer sem a substância - Via mesolímbica: associada ao prazer e à motivação. - Via mesocortical: relacionada à cognição e tomada de decisões. - Via nigroestriatal: responsável pelo controle motor. EMBOTAMENTO DE RECOMPENSA Refere-se à redução da capacidade de sentir prazer ou motivação em resposta a estímulos normalmente gratificantes. Esse fenômeno está associado a condições como depressão, transtornos do uso de substâncias e burnout, e pode resultar de disfunções no sistema dopaminérgico, particularmente na comunicação entre a área tegmentar ventral e o núcleo accumbens. —> Contudo, devido à poda sináptica e à menor densidade de receptores dopaminérgicos no córtex pré-frontal, o cérebro adolescente tem menos controle inibitório sobre os impulsos, tornando os adolescentes mais propensos a comportamentos de risco e busca intensa por novidade. ARTIGOS: Brain rot (apodrecimento do cérebro na era digital) Refere-se a degradação da função cognitiva devido ao consumo excessivo de estímulos fáceis e superficiais, como redes sociais e vídeos curtos e que disparam dopamina no nosso cérebro. ● Likes, notificações e vídeos curtos inundam o cérebro com dopamina rápida, criando um ciclo de compulsão e baixa motivação para tarefas difíceis. ● O cérebro precisa de estímulos cada vez mais rápidos para sentir prazer. Um estudo da Microsoft mostrou que o tempo médio de atenção caiu de 12 segundos para 8 segundos desde o ano de 2000. ● Scrolling infinito treina o cérebro a buscar recompensas imediatas, tornando difícil ler livros ● jogos e redes sociais acionam o sistema de recompensa muito mais rápido do que as atividades produtivas ● o nosso cérebro escolhe o caminho mais fácil, não sentindo mais prazer no esforço (estímulo rápido —> procrastinação → culpa —> mais estímulos rápidos) ● o estímulo passivo de informações (scrolling, vídeos curtos, binge-watching) reduz a capacidade de pensamento profundo e crítico ● o consumo excessivo de conteúdo fragmentado está ligado ao aumento da ansiedade digital. O cérebro se acostuma a estímulos rápidos e sofre com o tédio e o desconforto de momentos sem distrações, gerando inquietação e estresse. ➔ Dopamine detox - reduzir consumo de redes sociais e buscar prazeres naturais ➔ deep work- criar blocos de tempo para trabalho sem distrações ➔ leitura e escrita (blog) ➔ atividades offline- hobbie analógicos, meditação, exercício. ➔ selecionar conteúdo digital (importante → dessensibilização ) → o uso consciente da tecnologia Cérebro criado para economizar energia Em crianças complica o desenvolvimento emocional i ARTIGO BRAIN ROT: Nomeado à Palavra Oxford de 2024, refere-se ao declínio cognitivo e exaustão mental experimentado por indivíduos, devido à exposição excessiva a materiais online de baixa qualidade. Apodridão cerebral, leva à dessensibilização emocional, sobrecarga cognitiva e autoconceito negativo. Esses fatores prejudicam as habilidades de funcionamento executivo, incluindo memória, planejamento e tomada de decisão. ● passar horas na tela ● ansiedade longe de dispositivo móvel (olho absoluto) ● capacidade enfraquecida de prestar atenção adequada a atividades valiosas A página do for you incentiva a buscar mais conteúdos estimulantes para atingir a satisfação. Incentivando o consumo de ciclo infinito que pode promover a dessensibilização e períodos de atenção encurtados. O tempo excessivo: ● diminuição da autoestima ● aumento da incidência e gravidade de problemas de saúde mental e vícios ● aquisição e aprendizagens mais lentas ● concentração prejudicada ● problemas de memória ● risco aumentado de declínio cognitivo prematuro (filme que coloca refrigerante na plantação) ● aumento de ansiedade, depressão e estresse ● alternância (atenção alternada , a produtividade e motivação diminuem) DAVID THOREAU, em seu livro WALDEN, publicado em 1854 lançou o termo pela primeira vez na comunidade. → jovens adultos quando atingem o estado de fluxo - onde a procura por envolvimento digital se torna excessiva e torna-se cada vez mais difícil parar de usar as plataformas. A podridão é mais exacerbada pelo desgaste emocional das redes sociais. Há uma tendência a experimentar sentimentos constantes de descontentamento, depressão e ansiedade devido à superestimulação com informações, a pressão de estilo de vida impressionáveis e os padrões de beleza que nos cercam, e isso resulta em uma narrativa de podridão cerebral nas mídias sociais. A carga cognitiva pode ser categorizada em três tipos: intrínseca, estranha e pertinente [34]. A carga intrínseca é a dificuldade de processar informações, que varia de acordo com a complexidade do material. A carga é constante e não é afetada por condições externas. Por outro lado, a carga estranha é uma questão de como as informações são apresentadas e a relativa facilidade ou dificuldade de processá-las. Finalmente, há a carga pertinente, o esforço mental envolvido na integração de novas informações em estruturas de conhecimento pré-existentes, chamadas esquemas. Isso se refere ao esforço mental necessário para processar novas informações e armazená-las na memória permanente e é vital para o aprendizado e a compreensão em um nível profundo [35]. Além da podridão cerebral, a exposição avassaladora ao conteúdo digital, especialmente por meio de mídias sociais e multitarefas, pode levar à carga estranha, pois a apresentação das informações tende a ser extremamente dispersa e avassaladora [15]. Essa carga cognitiva constante, juntamente com o foco e a clareza mental diminuídos, pode prejudicar ainda mais a capacidade do cérebro de gerenciar cargas intrínsecas e pertinentes de forma eficaz, resultando em fadiga mental e declínio cognitivo. A análise de texto revela que os comportamentos de dependência da internet estão intimamente associados ao declínio cognitivo, particularmente em áreas como memória, capacidade de atenção e habilidades de resolução de problemas, destacando o impacto do uso digital excessivo na função cognitiva. O uso generalizado de smartphones e redes sociais cria um ambiente de rápida absorção de informação, levando a um envolvimento apenas superficial com o conteúdo. Este fenômeno, mais popularmente conhecido como “doomscrolling”, tem sido dito que fragmenta a atenção e reduz a capacidade de alguém de se concentrar por períodos contínuos de tempo. conteúdos online frívolos Isso é especialmente causado pela natureza compulsiva da tecnologia, particularmente a maneira como os ciclos de feedback impulsionados pela dopamina associados ao uso de mídia social amplificam a sobrecarga cognitiva e a exaustão emocional. → Os bebês possuem as mesmas habilidades dos adultos, mas não passaram pela experiência (estrutura dos estágios de piaget) —-> entre adolescentes, é comum que na presença de amigos ocorra a atividade de um estado motivacional alterado, o sistema de recompensa fica mais sensível por recompensas relacionadas a aceitação social (recompensas imediatas após atingir certo comportamento, benefício imediato de aceitação - CPF- - SISTEMA DE RECOMPENSA- as límbicas desenvolve mais cedo, tomar decisões com base nas recompensas imediatas, pois o cpf não está completo para calcular o risco → parecer descolado —> comportamento arriscado → procuram coisas novas para sentir euforia CRIANÇA: emoções básicas ADOLESCENTES: sofisticado e complexo (alterações neurobiológicas Quando o sistema de recompensa é sobrecarregado há riscos como o burnout, onde a exaustão emocional diminui a liberação de dopamina O MEDO E O SISTEMA DE RECOMPENSA: - Superação do medo gera recompensa: Quando enfrentamos uma situação assustadora e saímos bem, o cérebro libera dopamina, reforçando a sensação de conquista. Isso acontece, por exemplo, ao vencer um desafio ou ao falar em público após sentir ansiedade. - O medo pode ser viciante: Algumas pessoas buscam ativamente situações assustadoras, como filmes de terror ou esportes radicais, porque a ativação da amígdala seguida pela liberação de dopamina gera uma sensação de prazer. - Medo e busca por recompensa competem: Em situações de estresse intenso, o medo pode inibir o sistema de recompensa, dificultando a sensação de prazer e contribuindo para transtornos como depressão e ansiedade. - Vício e compulsões: Algumas pessoas usam drogas, comida ou jogos para compensar o medo e a ansiedade, ativando artificialmente o sistema de recompensa. Aperfeiçoamento e maturação Os adolescentes ficam mais à aceitação e rejeição de amigos- MESENCÉFALO ● Maior sensibilidade à aceitação social ● Maior suscetibilidade à influência dos pares ● Busca por recompensas imediatas ● Dificuldade em calcular riscos MELATONINA- ATRASO AO INÍCIO DO SONO (atraso na secreção da melatonina ● A VTA interage com o córtex pré-frontal para regular a modulação cognitiva da dopamina, influenciando decisões. Isso afeta a busca por recompensas e o controle inibitório. A amígdala processa ameaças e forma memórias emocionais. Ela está envolvida no aprendizado associado ao medo, regulando respostas emocionais. (EMOÇÕES, MEDO E TOMADA DE DECISÕES). O que pode influenciar comportamentos como a busca por novidades, o aumento da sensibilidade à pressão dos pares e uma maior propensão ao risco. A maturação precoce do sistema límbico (recompensa) e a imaturidade do controle cognitivo aumentam a sensibilidade à influência dos pares. —> comportamento de risco aumenta —--> inimputabilidade penal é a ausência de responsabilidade penal. serotonina = estabilidade emocional → episódios depressivos