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MATERIAL DE APOIO
Profa. Me Rebeca Meirelles das Chagas
BIOESTATÍSTICA
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Alguns Conceitos Necessários ao Estudo da Estatística
Razão, Proporção e Porcentagem
a) Razão e proporção
Ex. Vamos supor que foram entrevistados 150 pessoas de uma região e foram obtidos os
seguintes resultados, sobre a preferência por três programas de jornal:
Programa de Jornal No. de pessoas que assistem
A 90
B 40
C 20
Total 150
A razão 150
90
indica que a cada 150 entrevistados, 90 preferem o jornal A, ou
seja, por uma simplificação da fração, a cada 5 entrevistados, 3 preferem o jornal A.
Esta fração expressa assim, uma comparação entre o número de pessoas que preferem o
jornal A e o número total de entrevistados.
Proporção é a igualdade entre duas razões.
150
90
= 5
3
15
9
Mantida esta proporção, em 300 entrevistados, quantos dirão que preferem o
jornal A?
Obs: Não esquecer de verificar se as grandezas são diretamente proporcionais ou
inversamente proporcionais.
b) Porcentagem: quando uma razão é expressa por uma fração centesimal
(denominador igual a 100)
Ex.: Um cartaz diz: “Liquidação! Descontos de 40%”, isso significa que em cada R$
100,00 do preço houve redução de R$ 40,00. A razão estabelecida é 40/100.
Índice, Coeficiente e Taxa
Para a comparação entre duas grandezas, podemos estabelecer uma razão entre
elas. Algumas dessas razões têm uso bastante significativo na Estatística.
Índice: usado para medir quantitativamente variações ocorridas ao longo do
tempo. É usada por vários profissionais para comparar grupos de variáveis
relacionadas entre si e obter um quadro simples e resumido das mudanças
significativas em áreas relacionadas, como preços de matérias-primas, preços de
produtos acabados, volume físico de produto etc. Mediante o emprego de
índices, é possível estabelecer comparações entre lugares; diferenças entre
categorias semelhantes, tais como produtos, pessoas, organizações etc.
Ex.: QI = idade mental / idade cronológica
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Densidade Demográfica = população total / superfície total
Coeficiente: medida obtida pela comparação entre duas quantidades que
expressam uma mesma grandeza (relação parte/todo). Por exemplo, um
coeficiente determinado pela razão entre o número de observações de um
determinado fato estatístico e o número total considerado para as possibilidades
de ocorrências desse fato.
Ex.: Coeficiente de mortalidade = números de óbitos / população total
Coeficiente de aproveitamento escolar = número de aprovados / total de alunos
Taxa: um tipo de razão que é expressa em frações cujo denominador é uma
potência de 10, como, por exemplo, uma porcentagem.
Ex. número de óbitos = 80.080
População total = 520.000
Taxa de mortalidade =
Exercícios
Tabela 1 Dados relativos às cidades de Sorocaba, São Paulo e Porto Feliz
Cidade População Área
Sorocaba 578068 hab. 456 km2
São Paulo 10434252 hab. 1525 km2
Porto Feliz 45515 hab. 558 km2
Considere os dados da tabela acima e responda:
a) O que é densidade demográfica?
b) Qual é a densidade demográfica dessas cidades? Comente.
c) Esses números representam uma taxa, um índice ou um coeficiente?
d) Qual é a taxa de desempenho turístico de Sorocaba, sabendo-se que a cidade tem
2500 leitos?
2. Considerando que em uma região: População = 1 784 327 habitantes; Superfície =
137 420 km2; Nascimento em 1 ano = 42 327 nascidos vivos; Mortes em 1 ano = 16 230
óbitos.
Calcular:
a) Coeficiente de natalidade e taxa de natalidade (por mil habitantes)
b) Coeficiente de mortalidade e taxa de mortalidade (por dez mil habitantes)
c) Índice da densidade demográfica.
Critérios de Arredondamento
Se o primeiro algarismo a ser abandonado for menor ou igual a 4, o último a
permanecer fica inalterado.
Se o primeiro algarismo a ser abandonado for maior ou igual a 5, o último a
permanecer é acrescido de uma unidade.
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Somatório
Para indicar a soma de todos os valores atribuídos a uma variável em estudo, é
comum utilizar a letra grega sigma maiúscula , que significa soma. Por exemplo, se
quisermos representar a soma do quadrado de três termos de uma seqüência, podemos
escrever:
3
1
2
3
2
2
2
1
2
i
i xxxx
Exercícios
1) Use o critério do IBGE para arredondar com duas casas decimais os seguintes
valores:
a.
b. 45,244
c. 6,1743
d. 8,112
e. 0,131
f. 46,866
g. 28,089
h. 48,999
i. 48,989
j. 0,999055
k. 3,20202
2) O preço cobrado por uma diária de um hotel era R$ 190,00. O preço da diária foi
reajustado em 5%. Qual é o preço atual?
3) Numa pesquisa sobre preferência por dois restaurantes (I e II) que servem comidas
típicas, foram entrevistadas 137 pessoas. Do total, 92 afirmaram preferir o
restaurante II. Considerando que a proporção se mantém quando os grupos
escolhidos têm as mesmas características, quantos entrevistados devemos encontrar
preferindo o restaurante II, se forem consultadas 600 pessoas?
4) Uma reportagem de jornalismo na TV no mês de julho último informou que 45%
das pessoas que compram a prazo numa cidade do interior paulista estão
inadimplentes. Atoladas em dívidas, elas foram presa fácil do consumismo.
Informou ainda essa reportagem que 25% dos inadimplentes estavam com 40% da
renda sendo consumida por juros. Considerando que nessa cidade havia 1 milhão de
adultos que compraram a prazo, com renda de R$ 4000,00, na época da pesquisa,
calcule:
a. Quantas pessoas nesse grupo estão inadimplentes?
b. Quantas pessoas nesse grupo têm 40% da renda consumida por juros?
c. Quanto sobra da renda para outras despesas, para essas pessoas que pagam
40% de sua renda só de juros?
5) Estatísticas publicadas nos jornais de grande circulação apontam que a Polícia
Federal apreende 8 toneladas de cocaína por ano no Brasil. Informam ainda que essa
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quantia representa 10% do que é consumido no país. Com base nessas informações,
qual é o total estimado de cocaína consumido no Brasil?
COMO AS IDÉIAS ESTATÍSTICAS PODEM SER ABORDADAS
Ao longo da história da civilização, por interesse político, militar, econômico ou
social, encontramos muitos exemplos da utilização de ideias de caráter estatístico,
como, por exemplo, os recenseamentos ordenados na antiguidade romana.
Com o desenvolvimento de ferramentas mais adequadas de análise de dados, nos
dias de hoje, torna-se cada vez mais relevante o papel da Estatística em praticamente
todas as áreas do conhecimento. Ela é ferramenta fundamental na interpretação e análise
de dados, fornece elementos de controle, gestão e melhoria constante de processos e
serviços.
Iniciamos por um breve levantamento sobre a definição de Estatística encontrada
em alguns livros.
Começamos por Magalhães e Lima (2004, p. 1), que traduzem a Estatística
como “um conjunto de técnicas que permite, de forma sistemática, organizar,
descrever, analisar e interpretar dados oriundos de estudos ou experimentos,
realizados em qualquer área do conhecimento”.
De forma simples, Martins e Donaire (1990, p. 17) sugerem a definição de Dugé
de Bernonville: “Estatística é um conjunto de métodos e processos quantitativos que
serve para estudar e medir os fenômenos coletivos.”
Porém Novaes e Coutinho (2009) apresentam uma definição que se aproxima da
forma como a Estatística deve ser empregada pelos diversos profissionais, que é a
definição dada por Barnett: “Estatística é o estudo de como a informação deveria ser
empregada para reflexão e ação em uma situação prática envolvendo incerteza”, isto
é, as autoras consideram a Estatística como sendo a ciência que abarca o número em
contexto, que é de fundamental importância para analisar o resultado de um problema.
Para muitas pessoas, a Estatística traz à lembrança a idéia de números e censo. A
Estatística trata, indubitavelmente, de contagem e de medições, mas Estatística não é
apenas um “monte” de números; é sim um conjunto de técnicas e métodos de pesquisa
que entre outros tópicos envolve o planejamento do experimento a ser realizado, a
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coleta qualificada dos dados,a descrição, o processamento e análise das informações e
serve de base de apoio para decisões nas mais variadas áreas.
A IMPORTÂNCIA DA ESTATÍSTICA PARA AS ÁREAS MÉDICAS E
BIOLÓGICAS
Coletam-se dados de pessoas, de animais experimentais e de fenômenos físicos e
químicos.
Identificar carências e potencialidades de uma região;
Dados sobre mortalidade infantil;
Eficiência de medicamentos;
Incidência de doenças;
Causas de morte.
A utilização da Estatística pelas diversas áreas Biomédicas tem crescido de
forma significativa nos últimos anos ao ponto de ter dado origem ao termo
Bioestatística. Assim, toda pesquisa científica nessa área apresenta o cálculo de uma
média, um gráfico, o resultado de um teste ou outra ferramenta estatística adequada para
o problema específico.
A própria Estatística tem se desenvolvido a passos agigantados ao ponto de
muitos dos recentes avanços ainda não serem conhecidos pelos profissionais da área
Biomédica, o que sugere a necessidade de uma interação constante com os estatísticos.
A interação mencionada anteriormente exige uma compreensão dos conceitos
básicos da Bioestatística de forma a facilitar a troca de informação com os estatísticos, o
que resultará num melhor planejamento da pesquisa e uma melhor utilização dos dados
coletados.
Conceitos Iniciais
Diariamente, os meios de comunicação apresentam informações estatísticas
provenientes de pesquisas científicas, porém, diversos graus de confiabilidade devem
ser atribuídos a essas estatísticas, já que existem diversos fatores que não são incluídos
nos relatórios lidos pela população.
A palavra pesquisa tem uma conotação poderosa, ficando implícita a
confiabilidade dos resultados apresentados por ela. Sendo assim, poucas pessoas que
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não estão envolvidas com a pesquisa estão interessadas com os detalhes dela,
importando-se apenas com os resultados finais. Por outro lado, pode se assumir que é
possível replicar qualquer pesquisa em igualdade de condições, questionando se os
resultados obtidos seriam os mesmos em cada uma das replicações. Pelo exposto
anteriormente, toda pesquisa apresenta um ingrediente que foge do controle dos
envolvidos e que pode ser chamado de incerteza. A análise estatística permite colocar
limites a esta incerteza.
Nas pesquisas em ciências biomédicas, geralmente são coletados dados de
alguns indivíduos para fazer afirmações sobre grupos maiores, sem interesse particular
nesses indivíduos. Então, a informação proveniente de amostras de indivíduos é
utilizada para fazer inferência sobre uma população que contém esses mesmos
indivíduos. Dessa forma, os conceitos de amostra e população estão ligados com a
pesquisa que está sendo desenvolvida. Em algumas situações, geralmente de interesse
governamental, é necessária a observação das características de interesse em todos os
indivíduos que formam uma população. Isto constitui um censo.
A Estatística aparece nas diversas áreas que um profissional da área de Ciências
da Vida pode atuar. Por exemplo, a distribuição Normal padrão, que será vista
posteriormente, é utilizada para determinar o estado nutricional de crianças. Os modelos
de regressão são utilizados para avaliar e quantificar a influência de fatores
socioeconômicos e biológicos sobre algumas variáveis de interesse como peso ao
nascer, estado nutricional, nível de albumina, entre outros.
De forma geral, uma população é um conjunto de indivíduos que apresentam
uma característica de interesse. Uma amostra é qualquer subconjunto de indivíduos de
uma população.
Para realizar uma pesquisa que leve a fazer afirmações sobre a população de
interesse é necessário seguir os seguintes passos:
1. Planejamento e desenho
2. Execução (coleta de dados)
3. Processamento de dados
4. Análise de dados
5. Interpretação, apresentação e publicação de resultados.
1. Planejamento de uma pesquisa
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É necessário apresentar as diversas formas que se pode realizar um trabalho
científico com a finalidade de obter os resultados apropriados ao interesse da pesquisa
de forma adequada. Estes estudos serão apresentados de forma a mostrar suas principais
características.
1.1 Estudos observacionais e experimentais
Em um estudo observacional, o pesquisador coleta a informação sobre os
atributos ou faz as medições necessárias, mas não influência as unidades amostrais. Por
exemplo, quando se pretende determinar o estado nutricional de uma certa população.
Em um estudo experimental, o pesquisador deliberadamente influencia os
indivíduos e pesquisa o efeito da intervenção. Estudos em que se pretende conhecer o
efeito de uma nova dieta sobre a rapidez em aumentar os níveis de cálcio são exemplos
de estudos experimentais.
De forma geral, inferências mais fortes são obtidas de estudos experimentais
porque estes pressupõem um maior controle das unidades amostrais.
1.2 Estudos prospectivos e retrospectivos
Existe uma clara diferença entre estudos prospectivos e retrospectivos. Os
estudos prospectivos são utilizados quando se pretende conhecer o efeito de algum
fator, sendo os dados gerados a partir do início do estudo. Já os estudos retrospectivos
são utilizados quando se conhece o efeito de algum fator, sendo os dados referentes a
eventos passados e obtidos de recursos já existentes como prontuários. Nos
retrospectivos, geralmente já se conhece o efeito e quer se identificar qual foi a causa, o
fator gerador do efeito estudado.
O efeito de uma nova dieta precisaria ser estudado através de um estudo
prospectivo, enquanto que os fatores que levam à obesidade mórbida serão estudados
mediante um estudo retrospectivo. No primeiro são recrutados voluntários que irão fazer
a dieta e no segundo são levantados os prontuários de sujeitos com obesidade mórbida
para estudar seu histórico médico.
1.3 Estudos longitudinais e de corte transversal
Estudos longitudinais são aqueles que estudam mudanças ao longo do tempo,
possivelmente com relação a uma intervenção ou característica. Ensaios clínicos são
exemplos de estudos longitudinais porque eles estudam o efeito de um fator,
comparando medições efetuadas em, pelo menos, duas oportunidades.
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Estudos transversais são aqueles em que grupos de indivíduos são observados
uma única vez, coma intenção de estudar a situação naquele instante em que são feitas
as observações.
1.4 Estudos de caso-controle e coorte
Estudo caso-controle é uma forma de pesquisa que visa verificar se indivíduos
que foram selecionados porque têm uma característica ou doença, chamados de casos,
diferem significativamente de um grupo de indivíduos comparáveis, mas que não
possuem a característica ou doença, os controles, em relação à exposição a um dado
fator de risco. Um exemplo deste tipo de estudo ocorre quando se avalia o efeito de um
determinado composto químico administrado em comprimidos sobre o número de
cigarros fumados diariamente; para isto, é necessário um grupo de fumantes que receba
o composto e outro grupo de fumantes que receba um placebo.
No estudo de coorte se identifica um grupo de indivíduos de interesse e se faz
um seguimento dos mesmos, até um certo momento, para estudar o seu desfecho. Este
tipo de estudo pode levar muito tempo e, por este motivo, não é aplicado no estudo de
eventos raros.
Definição de Variável
Um conceito importante é o de variável estatística, que é a característica que se
quer observar dos elementos de um conjunto (população / amostra), ou melhor, é uma
função que associa a cada resultado do meu fenômeno um valor, portanto essa função
que é variável.
Uma variável pode representar características de diversos tipos, depende do que
queremos observar. Coutinho (2009) exemplifica: “num grupo de turistas que
escolheram o dito pacote aéreo, podemos querer observar não apenas o estado civil, mas
também o grau de escolaridade, a idade, o número de pessoas que moram na mesma
residência etc”.Perceber essas diferenças existentes entre essas categorias de variáveis
são importantes, pois auxiliarão na definição das formas com as quais os dados
estatísticos relativos a essas variáveis serão tratados.
A variável Qualitativa revela certo tipo de característica relacionada ao grupo
pesquisado, que não pode ser mensurada numericamente, como, por exemplo, gênero
(masculino ou feminino), alimentos arrecadados na campanha solidária, grau de
satisfação, etc. Estas variáveis podem ainda ser identificadas em subcategorias: nominal
ou ordinal.
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Segue a definição dada por Coutinho (2009, p. 24):
Uma variável qualitativa se diz nominal quando não se pode
estabelecer uma relação de ordem ou de hierarquia entre os
possíveis valores a serem assumidos pela variável. Exemplo: cor
dos olhos, causa de morte, grupo sanguínio etc. O mesmo não
ocorre com a variável qualitativa ordinal, que permite que se
estabeleça uma hierarquia coerente ou uma relação de ordem entre
os valores assumidos. Exemplos: os níveis de escolaridade, o grau
de satisfação dos clientes de um restaurante, o grau de aceitação
expresso em uma escala (concordo plenamente, concordo, discordo,
discordo plenamente), estágio da doença etc.
Já as variáveis quantitativas podem ser mensuradas numericamente, tal como a
idade, o número de pessoas que moram em uma mesma residência etc. Ela pode ser
discreta ou contínua. Segue as definições dada por Coutinho (2009):
As variáveis quantitativas discretas são aquelas que o conjunto de valores
que ela assume admite unidade mínima, indivisível (notas de alunos
(0,01 ou 0,1)) ou é oriundo de uma contagem, ou seja, entre dois valores
consecutivos da variável não podemos inserir nenhum outro valor.
Exemplo: número de alunos da classe X, número de pessoas nas famílias
de uma determinada cidade, quantidade de livros da biblioteca da escola,
número de batimentos cardíacos por minuto, salários (contagem em
números de salários mínimos ou mesmo contagem de R$ 0,01 em R$
0,01 – o centavo é a unidade mínima do Real, pois entre R$ 0,01 e R$
0,02 não podemos inserir nenhum outro valor, oficialmente).
As variáveis quantitativas contínuas assumem valores em intervalos dos
números reais e, geralmente, não é possível enumerar todos os valores.
Em outras palavras, entre dois valores consecutivos, sempre podemos
inserir um novo valor. Exemplo: o peso e a altura dos alunos da classe,
pressão arterial, temperatura corporal, lucro das empresas e a idade
(medida de tempo que não tem unidade mínima).
Existem algumas dificuldades para se distinguir entre uma grandeza discreta e
uma contínua, por exemplo, o tempo é considerado uma variável quantitativa contínua,
porém podemos dar a esta um tratamento de discreta de acordo com a mensuração.
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Exercício
Classifique, justificando, as variáveis envolvidas em cada uma das questões propostas
na pesquisa abaixo, que contém parte do questionário sobre a análise da atuação do
profissional de turismo, realizada com profissionais que trabalhavam em agências
ligadas ao ecoturismo de São Paulo.
1. Gênero:
( ) Feminino
( ) Masculino
Resp.: Qualitativa Nominal
2. Qual a sua faixa etária?
( ) [18;24[
( ) [24;30[
( ) [30;36[
( ) [36;42[
( ) 42 ou mais
Resp.: Quantitativa Contínua
3. Peso ao nascer:
( ) Adequado
( ) Baixo
( ) Não soube informar
Resp.: Qualitativa Ordinal
4. Classifique os seguintes dados:
(a) Estado de Fluorose Dentária em crianças de 12 anos de idade (muito leve, leve,
moderada e grave são as possíveis respostas). Resp.: Qualitativa Ordinal
(b) Tempo para atingir uma perda de peso de 5%. Resp: Quantitativa Contínua
(c) Número de horas de estudo para uma prova de estatística. Resp: Quantitativa
Contínua
(d) Número de consultas médicas feitas por ano por um associado ao plano de saúde.
Resp: Quantitativa Discreta
(e) Ocorrência de hipertensão pré-natal em grávidas com mais de 35 anos (sim e não são
possíveis respostas para a variável). Resp: Qualitativa Nominal
(f) Perda de peso de maratonistas, em quilos. Resp: Quantitativa Contínua
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5. Assinale a alternativa que corresponde ao número aproximado de horas que você
trabalha por dia:
( ) até 4 horas
( ) 6 horas
( ) 8 horas
( ) Mais de 8 horas
Resp.: Quantitativa Contínua
Definição da amostra ou população;
Analisaremos a diferença entre população e amostra.
Para Magalhães e Lima (2004), população é um conjunto de dados que contém a
característica que temos interesse. População refere-se não somente a uma coleção de
idivíduos, mas também ao alvo sobre o qual reside nosso interesse. Por exemplo, uma
empresa deseja controlar sua produção, e para isso faz um levantamento do total
de peças produzidas durante o período de 12 meses consecutivos, quanto ao total
produzido por cada um dos seus setores. Nesse caso, a população é formada pelo
conjunto a ser observado, ou seja, o conjunto de setores da empresa. Caso o
objetivo fosse observar a presença ou não de defeitos nas peças, a população seria o
conjunto formado por todas as peças produzidas nessa empresa.
Tendo-se em vista as dificuldades de várias naturezas (custo, tempo etc) para se
observar todos os elementos da população, toma-se alguns deles para formar um grupo
a ser estudado. Este subconjunto da população, com dimensão sensivelmente menor e
finita, é denominado amostra.
Exemplo: O número de cobaias existentes no mundo em determinado período de
tempo é, matematicamente, finito, mas as pesquisas que usam cobaias só podem ser
feitas com amostras, porque nenhum pesquisador dispõe de todas as cobaias do mundo
para seu trabalho.
Amostragem
Amostragem é o processo de fixar critérios para a composição de uma amostra
que tenha representatividade necessária no estudo em questão. O critério escolhido deve
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garantir que todos os elementos da população tenham a mesma probabilidade de serem
sorteados.
Tipos de amostragem:
Aleatória simples;
Estratificada.
Aleatória simples: quando todos os elementos da população têm a mesma
probabilidade igual a 1/N de ser escolhidos.
Exemplo: Suponha que o litoral norte de São Paulo possua 120 hotéis cinco estrelas.
Selecione uma amostra de 10% desses hotéis para conhecer os preços das diárias
praticadas nos mesmos.
* No excel digitar =aleatório()*120 (trará 12 possibilidades de visitas)
Amostra Estratificada: dividimos a população de N indivíduos em K subpopulações
ou estratos, atendendo a critérios que podem ser importantes para o estudo, por
exemplo, homens e mulheres, classe social, anos de escolaridade, renda mensal etc.
Dentro de cada estrato, fazemos amostras aleatórias simples.
Exemplo 2: Supondo agora que desses 120 hotéis, 16 estão em Caraguatatuba, 34 em
São Sebastião e 70 em Ubatuba.
Fazer...
Começa-se por determinar a proporção necessária.
São muitas as situações em que separar a população em estratos aumenta a
representatividade da amostra, pois a variável em estudo pode apresentar um
comportamento diferente de um estrato para o outro.
Amostra sistemática: quando os elementos da população estão ordenados em uma
lista. Saltando elementos de k em k, a partir de m, considerando que ela é circular.
Amostra por conglomerado: quando fazemos um estudo sobre os habitantes de uma
cidade, a amostra aleatória pode ter um custo muito alto, já que estudar uma amostra de
tamanho n implica enviar os entrevistadores a n pontos da cidade, de forma que em cada
ponto só se realiza uma entrevista. Neste caso é mais econômico fazer a denominada
“amostra por conglomerado”, que consiste em eleger aleatoriamente certos bairros da
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cidade, para depois eleger aleatoriamente, ruas e edifícios. Uma vez escolhido um
edifício, faz-se entrevista com todos os vizinhos.
O tamanho da amostra (número de pessoas que devem ser consultadas) e a
técnica de amostragem utilizada dependem muito mais de dois parâmetros estatísticos
do que do tamanho da população: a margem de erroe o nível de confiança.
Cálculo do tamanho da amostra:
Existem numerosos procedimentos estatísticos, algoritmos e softwares (Sample
Size Calculator) para o cálculo do tamanho da amostra. Quando o problema a ser
estudado na pesquisa se refere a uma proporção (maioria das situações de pesquisa de
opinião), existe uma fórmula que permite calcular o tamanho n da amostra em função da
margem de erro e com um nível de confiança de 95%:
(I)
2
96,1
1
e
ppn
O valor 1,96 é obtido na tabela da curva normal, para um nível de confiança de
95%.
p é a proporção de indivíduos da população que apresentam a característica que está
sendo medida.
Quando não se conhece p, damos a ele o valor estimado 0,5, e a fórmula se reduz a:
(II)
2
96,1
25,0
e
n
Valores obtidos na tabela da curva normal de acordo com o nível de confiança:
NÍVEL DE CONFIANÇA VALORES NA TABELA DA CURVA
NORMAL
90 1,64
95 1,96
15
99 2,58
Exemplo: Em uma pesquisa eleitoral para presidente, a disputa entre os candidatos
está acirrada e difícil. Queremos trabalhar com um erro máximo de 1 ponto (1%) a um
nível de confiança de 95%. Quantas pessoas devem ser entrevistadas?
Não conhecemos p. Usando (II), temos:
2
96,1
01,0
25,0n
200051,0
25,0
n
=
00002601,0
25,0n
9.611 pessoas
Exercícios:
1) Repitam os cálculos dos tamanhos das amostras na situação do exemplo anterior
com margens de erro de 0,5%, 2% e de 3%.
2) Determine a margem de erro de uma pesquisa com uma amostra de tamanho 150.
3) Em uma pesquisa eleitoral, queremos trabalhar com um erro máximo de 1 ponto
(1%). Quantas pessoas devem ser entrevistadas se considerarmos o nível de
confiança igual a:
a. 90%
b. 99%
4) Em uma localidade no Marrocos, aproximadamente 30% das crianças sofriam de má
nutrição crônica. Esse percentual é resultado das estatísticas nacionais sobre a
desnutrição no meio rural do Marrocos. Para realizar uma pesquisa com a população
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de crianças mal nutridas, qual deve ser o tamanho da amostra para um nível de
confiança de 95% e margem de erro de 5%?
Formas de coleta de dados:
Observação direta
Entrevista
Auto-entrevista
Organização dos dados
O conjunto de valores assumidos por uma variável estatística pode ser
representado por uma listagem simples, que respeite apenas a ordem de coleta. É o que
chamamos de “conjunto de Dados Brutos”. Se alguma ordenação é feita (variáveis
ordinais ou quantitativas), o conjunto aí representado chama-se Rol ou série de Rol.
Outra forma possível de organização dos dados se faz por uma “Distribuição de
freqüências”.
Uma distribuição de freqüências é uma função empírica que associa, a cada
valor assumido pela variável, o número de vezes que esse valor é observado, ou seja, a
freqüência absoluta desses valores. Ela é usualmente representada por uma tabela ou por
um gráfico, sendo que cada tipo de variável e o objetivo da análise dos dados podem
determinar a melhor representação. As freqüências também podem ser expressas em
porcentagens, ao que chamamos “freqüência relativa”, que indica as porcentagens
observadas no conjunto de dados estudado.
Para representar uma distribuição de freqüência por meio de uma tabela, existem
normas pelas quais deve constar o título (que descreva o que a tabela representa), o
cabeçalho, o corpo, rodapé e fonte, conforme o exemplo a seguir:
Questão aberta
Questão fechadaQuestionário
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Tabela X: Distribuição dos 120 alunos da Escola Z segundo as matérias
preferidas, 2009.
Matérias preferidas
Número de alunos
(fi) (%)
Português 15 12,50
Matemática 12 10,00
Ciências 13 10,83
Inglês 10 8,33
Educação Física 29 24,17
Artes 13 10,83
História 11 9,17
Geografia 17 14,17
TOTAL 120 100
Fonte: Dados fictícios
Título da tabela: numerado seqüencialmente. Deve indicar ao
leitor o que a tabela representa: o quê, onde e quando.
Rodapé: devemos colocar legenda e fonte.
Cabeçalho: descreve o conteúdo do corpo da tabela. Geralmente, na
primeira coluna encontramos a variável observada e nas colunas
seguintes as freqüências associadas a cada valor da variável (fi indica
o número de vezes que tal valor foi observado e % indica esse número
representado em porcentagem).
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Esquema 1: Ilustração dos elementos de uma Tabela de Distribuição de
Freqüências
Ainda segundo as normas vigentes da ABNT, uma tabela deve possuir traços
horizontais separando o cabeçalho, sem linhas de separação de dados e podem possuir
traços verticais separando as colunas de dados, sem fechamento lateral.
Além da organização dos dados em forma de tabelas, como foi investigado
anteriormente, podemos apresentar informações por meio de gráficos.
DISTRIBUIÇÃO DE FREQUENCIAS
É uma série estatística específica, onde os dados encontram-se dispostos em
classes ou categorias juntamente com as frequências correspondentes.
Complete a tabela:
Em uma escola do município de Niterói, foram avaliadas 145 crianças com idade entre
6 e 10 anos, calculando-se o estado nutricional segundo os critérios da OMS. Para estas
crianças, as tabelas de distribuição de frequências das variáveis estado nutricional e
idade aparecem a seguir:
Categoria Fi Fac fi fi ac
Baixo peso 11
Normal 105
Sobrepeso 25
Obeso 4
Total 145
- Variável Discreta: pode-se enumerar todos os possíveis valores.
Xi = identifica as categorias em que o fato se subdivide.
Fi = Corresponde a freqüência absoluta, isto é, o número de vezes que cada uma das
categorias ocorre.
Corpo da Tabela: descreve cada valor assumido pela variável, assim
como as respectivas freqüências (absolutas e ou relativas ou
percentuais).
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fi = frequência relativa n
Fifi
Observe: 100.fi = %
N = soma dos Fi = total de elementos observados na população.
n = soma dos Fi = total de elementos observados na amostra.
- Variável Contínua: a variável assume valores em intervalos da reta real, não é
possível enumerar todos os valores.
A construção da variável contínua requer o conhecimento de alguns conceitos que
vamos estabelecer aproveitando a tabela abaixo como exemplificação:
Classe Classe Fi
1 [2;4[ 4
2 [4;6[ 12
3 [6;8[ 10
4 [8;10[ 4
30
Dados Brutos: Aqueles que não foram numericamente organizados.
Rol: é o arranjo dos dados brutos em ordem de grandeza crescente ou decrescente.
Limites de classe: São os números extremos de cada classe; sendo assim, temos um
limite inferior e um superior.
Ex.: [2;4[, l=2 e L=4.
Intervalo de classe: é qualquer subdivisão da amplitude total de uma série estatística.
No exemplo acima subdividimos a amplitude total em quatro classes, obtendo os
intervalos de classe [2;4[
Amplitude Total: É a diferença entre o maior valor e o menor dado.
At = maior valor – menor valor (10-2=8)
Amplitude do intervalo de classe: é a diferença entre o limite superior e o limite
inferior da classe. Se usarmos h para representar a amplitude do intervalo de classe
podemos estabelecer: h=L-l
Ponto Médio das Classes (Xi): média aritmética entre os limites inferior e superior da
classe i.
Número de classes (K): quantas classes serão necessárias para representar o fato?
Existem vários critérios que podem ser utilizados a fim de possuirmos uma idéia do
melhor número de classes, porém tais critérios servirão apenas como indicação e
nunca como regra fixa, pois caberá sempre ao pesquisador estabelecer o melhor
número, levando-se em conta o intervalo de classe e a facilidade para os posteriores
cálculos numéricos.
Assim, podemos citar o critério que leva em consideração:
No. de elementos
observados
Número de classes (k)
Mínimo máximo
Até 50 5 10
51 a 100 8 16
101 a 200 10 20
20
201 a 300 12 24
301 a 500 15 30
Mais de 500 20 40
Fórmula de Sturges: K = no. de classes = 1 + 3,3.logN, onde N é o número de
elementos observados.
Para verificar o Intervalo de classe devemos calcular: classesno
amplitudeh
.
Freqüência absoluta (Fi): quantidade de elementos que pertencem à classe i.Freqüência Relativa da Classe (fi): n
Fifi
Observe: 100.fi = %
Freqüência Acumulada: corresponde à soma de frequências de determinada classe com
as anteriores.
Exercício 1: Construa uma tabela de distribuição de frequências, usando intervalos de
classes iguais, do tempo de internação, em dias, de pacientes acidentados no trabalho,
em um dado hospital:
7 8 1 7 13 6
12 12 3 17 4 2
4 15 2 14 3 5
10 8 9 8 5 3
2 7 14 12 10 8
1 6 7 4 11 7
Com referência a esses dados, determinar:
a) O rol.
b) A distribuição de freqüência (calcular o intervalo de classes utilizando o critério de
Sturges)
c) O maior e a menor tempo.
d) A amplitude total.
e) Qual a porcentagem dos pacientes que ficaram mais de 10 dias.
f) Qual o limite superior da 2ª. classe.
g) Qual o ponto médio da 3ª. classe.
h) Colocar a freqüência acumulada.
21
Representação gráfica (arquivo anexo)
Atividade sobre distribuição de freqüências e sua representação gráfica.
1) Dados do IBGE mostram que, em 1940, havia 4% da população brasileira com mais
de 60 anos. As estatísticas apontam para um aumento na expectativa de vida da
população. Complete a tabela abaixo e construa um histograma.
Idade (em anos) No. de pessoas Freq. acumulada Freq. Relativa
[0,10[ 03
[10,20[ 15
[20,30[ 32
[30,40[ 15
[40,50[ 42
[50,60[ 58
[60,70[ 29
[70,80[ 08
[80,90[ 03
Total 205
2. Uma pesquisa com moradores da cidade de São Paulo indagou sobre o número de
refeições realizadas em casa. Foram entrevistadas 30 pessoas obtendo-se os seguintes
números: 2, 3, 2, 1, 2, 1, 2, 1, 2, 3, 1, 1, 1, 2, 2, 3, 1, 1, 1, 1, 2, 1, 1, 2, 2, 1, 2, 1, 2 e 3.
a. Determine e classifique a variável.
b. Faça o Rol.
c. Organize uma tabela de frequência.
d. Admitindo que essa amostra represente bem o comportamento dos moradores da
cidade de São Paulo, você acha que a porcentagem dos moradores que fazem mais
de 1 refeição em casa é grande?
3) Construa uma tabela de distribuição de frequências com os dados apresentados
na tabela abaixo. Depois faça um polígono de frequência.
Peso, em quilogramas, de cães
22
23,0 19,0 23,8 15,0 20,0
22,7 19,5 22,0 19,0 14,9
18,3 21,2 20,1 18,7 15,1
22,3 21,5 25,5 19,5 22,2
24,0 17,0 21,1 28,0 13,6
15,8 28,4 23,0 15,0 16,1
16,0 19,0 18,0 18,8 18,0
20,5 15,0 14,5 16,0 16,0
4) Os dados abaixo são as idades em que 30 indivíduos começaram o tratamento de uma
certa insuficiência.
23 26 31 23 24 24
30 30 29 28 28 31
28 35 26 31 31 21
26 27 26 36 28 22
28 21 24 25 29 32
Construa uma tabela de distribuição de frequências considerando 6 classes. Construa
um gráfico adequado para os dados.
23
Medidas-Resumo
Introdução
Quando trabalhamos com pesquisas que envolvem a coleta e análise de dados, como as
pesquisas de opinião, as eleitorais, o estudo de uma ou mais características de uma população (não
necessariamente de pessoas), temos uma tarefa logo após a coleta dos dados: elaborar uma análise
descritiva dos mesmos, para conhecer melhor a população em estudo.
Por exemplo, se estamos estudando a estatura de pessoas adultas segundo o gênero (homem,
mulher) e segundo a faixa etária, queremos conhecer o número de pessoas em cada categoria em
relação ao total da população, e isso se obtém com as porcentagens, expressas em uma tabela de
freqüências.
Diante dos dados, pergunto:
Os dados se agrupam ao redor de que valor?
Supondo que se agrupam em torno de um número, como se comportam? Muito
concentrados em torno desse número? Muito dispersos?
Vamos pensar nos dados de uma amostra e estudar dois tipos de medidas associadas a eles.
Medidas de tendência central
Medidas de dispersão
Com essas medidas, é possível, por exemplo, comprar uma roupa para alguém, com pouca
margem de erro. Podemos assim dizer que a análise das medidas de tendência central permite a
construção de um “retrato” dos dados tratados, complementando as representações tabulares e
gráficas.
Medidas de tendência central
Elas respondem à primeira das questões propostas no parágrafo anterior: Os dados se
agrupam ao redor de que valor? A medida mais evidente que podemos calcular para descrever um
conjunto de dados observados é o seu valor médio.
Existem vários tipos de média, como: a média aritmética, média geométrica ou média
harmônica. Abordaremos somente o procedimento de cálculo da média aritmética, por ser o mais
utilizado nesse nível de estudo.
A média nada mais é do que a soma de todos os valores observados dividida pelo número
total de observações.
Em linguagem matemática: usamos a letra grega (pronuncia-se mi) para representar dados
da população e no caso da média amostral usa-se a notação X .
N
xi
N
i
1
, onde xi representa cada um dos valores observados e N é o número de elementos
da população. No caso de dados amostrais, teremos X= n
xi
n
i
1
Exemplo: Considere as idades, em anos, de uma amostra de 10 pessoas: 21, 32, 15, 59, 60,
61, 64, 60, 71, 80.
A idade média dessas pessoas é
__
X
24
Para dados agrupados o algoritmo fica da seguinte forma: N
xf
N
i
ii
1
.
.
Média aritmética para dados agrupados em intervalos
O algoritmo para esse cálculo é o mesmo do item anterior. No entanto, para os valores
tomaremos os pontos médios de cada uma das classes que compõem a distribuição de frequências
estudada.
Tabela 1: Idade de 58 pessoas pesquisadas
Classes Fi Colunas auxiliares
Ponto
médio(
[35, 45[ 5
[45, 55[ 12
[55, 65[ 18
[65, 75[ 14
[75, 85[ 6
[85, 95[ 3
58
SEPARATRIZES
Essas medidas fornecem uma rápida visualização da forma em que os dados estão
distribuídos, onde existe uma maior concentração ou dispersão.
É possível dividir uma distribuição, ao interesse da pesquisa, em quantas partes desejar.
Mediana: divide a distribuição em duas partes com o mesmo número de elementos.
Quartis: dividem a distribuição em quatro partes com o mesmo número de
elementos.
Decis: dividem a distribuição em dez partes com o mesmo número de elementos.
Percentis: dividem a distribuição em 100 partes com o mesmo número de elementos.
QUARTIS
Existem três quartis em um conjunto de dados:
O primeiro quartil (Q1) é o valor tal que 25% dos valores observados sejam menores ou
iguais a ele. O segundo quartil (Q2) é o valor tal que 50% dos valores observados sejam menores ou
iguais a ele (também recebe o nome de mediana Md). O terceiro Quartil (Q3) é o valor tal que 75%
dos valores observados sejam menores ou iguais a ele.
Assim:
Exemplo1: Considere a seguinte distribuição das notas de 15 alunos em Estatística: 2; 2; 7;
7; 7; 8; 3; 4; 4; 6; 9; 9; 4; 4; 7.
* Precisamos lembrar da Aplitude Total e dos valores máximo e mínimo.
At = Xmáximo – Xmínimo
Qual é a nota que divide o conjunto dos 15 valores apresentados em duas partes com
exatamente o mesmo número de elementos em cada uma delas? Qual a posição dessa nota na série
de Rol?
25% 25% 25% 25%
Mín Q1 Q2=Md MáxQ2
25
Inicialmente, colocamos a distribuição das notas em ordem crescente, com as respectivas
posições ocupadas na série de Rol.
2 2 3 4 4 4 4 6 7 7 7 7 8 9 9
1ª. 2ª. 3ª. 4ª. 5ª. 6ª. 7ª. 8ª. 9ª. 10ª. 11ª. 12ª. 13ª. 14ª. 15ª.
Observe que quando a distribuição está ordenada, a nota 6, que ocupa a oitava posição no
Rol, divide a distribuição em duas partes, tais que sete notas são menores e sete notas são maiores.
A nota 6 recebe o nome de Mediana (Md) ou segundo quartil (Q2).
Agora dividiremos cada conjunto obtido no processo descrito acima novamente em duas
partes de mesmo número de elementos. Ou seja, a distribuição ficará dividida em quatro partes com
o mesmo número de elementos:
2 2 3 4 4 4 4 6 7 7 7 7 8 9 9
1ª. 2ª. 3ª. 4ª. 5ª. 6ª. 7ª. 8ª. 9ª. 10ª. 11ª. 12ª. 13ª. 14ª. 15ª.
As notas 4; 6 e 7 ocupam as posições procuradas, ou seja, as posições que dividem a
distribuição
Outra medida de tendência central, usada habitualmente, é a mediana: trata-se da
observação que fica eqüidistante dos extremos, a observação que deixa metade das observações a
sua esquerda e a outra metade a sua direita. Para determinar a mediana de umconjunto de dados,
devemos ordená-los. No exemplo anterior, da idade de 10 pessoas, as observações ordenadas são:
15, 21, 32, 59, 60, 60, 61, 64, 71, 80.
Como o número de observações é par (10), os valores que se encontram no meio dos dados
são 60 e 60. Calculamos a média aritmética entre eles, que é 60, e esse valor é a mediana do
conjunto.
Calcule a média e a mediana da amostra abaixo e posteriormente construa o histograma:
3, 15, 48, 61, 64, 65, 65, 68, 70, 71.
Vamos determinar a mediana para o caso de variável contínua.
1. Passo: Calcula-se a ordem 2
n
2. Pela Fac identifica-se a classe que contém a mediana (classe Md)
3. Utiliza-se a fórmula: MD
MD F
hfn
lMd
.
2
Onde: lmd = limite inferior da classe Md
n = tamanho da amostra
f =soma das freqüências anteriores à classe Md
h = amplitude da classe Md
FMD = freqüência da classe Md
Exemplo:
Classes Fi Fac
[35, 45[ 5 5
[45, 55[ 12 17
26
[55, 65[ 18 35
[65, 75[ 14 49
[75, 85[ 6 55
[85, 95[ 3 58
58
Outra medida de tendência central é a moda que é o valor que mais se repete na distribuição,
tanto para variáveis quantitativas como para variáveis qualitativas.
Então de acordo com o primeiro exemplo a moda das idades é 60 anos, pois é o valor que
mais se repete.
Obs.: Uma distribuição pode ser:
Amodal;
Ter mais de uma moda, se as frequências de mais de um valor observado da
distribuição forem iguais.
Fórmula de Czuber para dados agrupados em intervalos (aplicar a fórmula após identificação da
classe modal)
21
1.
hlmo
Onde:
l =limite inferior da classe modal;
h amplitude da classe modal;
1 diferença entre freqüência da classe modal e a da classe imediatamente anterior;
2 diferença entre freqüência da classe modal e a da classe imediatamente posterior;
MEDIDAS DE DISPERSÃO
DESVIO PADRÃO
Estudo da Variabilidade nos Dados
Vimos que um conjunto de valores pode ser representado por tabelas, gráficos, e resumidos
por medidas tais como média associada com mediana, intervalo interquartílico ou ainda a moda. No
caso do uso da mediana, a associação com o intervalo interquartílico (Q3-Q1) pode ser muito útil na
obtenção de informações relevantes a partir dos dados observados.
Mas para interpretar os dados coletados, pode ser insuficiente o uso de um único desses
recursos.
a) Variância: para o seu cálculo consideramos a mesma média dos desvios, e, para eliminar a
possibilidade de essa soma ser nula, elevamos ao quadrado cada uma das parcelas. Veja esse
cálculo para o exemplo abaixo:
Fórmula para o cálculo:
-----(Amostra)
-------(População)
b) Desvio Padrão é a raiz quadrada do valor da variância.
c) Coeficiente de Variação: o desvio padrão é expresso na mesma unidade dos dados, portanto
mede a dispersão absoluta.
Para analisar a variabilidade dos dados nessas situações, podemos usar o coeficiente de variação
(CV), que é uma medida relativa de dispersão, ou seja, serve para comparação em termos relativos
do grau de concentração em torno da média de distribuições diferentes.
Cv=(s/x).100
27
d) Amplitude Total: É o valor máximo observado menos o valor mínimo.
At = valor(máx) – valor(min)
Exercícios
1) Para os valores dos conjuntos seguintes, determine a média aritmética e o desvio padrão de cada um
separadamente:
A={4,5,6,7,8}
28
B={1,4,6,7,12}
2) Comparando a média aritmética e o desvio padrão dos conjuntos, analisados anteriormente, discuta as diferenças
e semelhanças desses resultados.
3) Considere duas amostras de 100 pessoas cada, em que todas responderam à pergunta: “Qual é seu número de
horas diárias de sono?”
Amostra Média (horas) Desvio Padrão (horas)
A 6,5 1,2
B 6,9 0,8
Em qual das duas amostras, A ou B, os valores das horas diárias de sono das pessoas estão mais afastados da
média? Por quê?
Para cada uma das questões a seguir, assinale a alternativa correta:
1. A média aritmética é a razão entre:
a)
b) ( ) o número de valores e o somatório deles;
c) ( ) o somatório dos valores e o número deles;
d) ( ) os valores extremos;
e) ( ) os dois valores centrais.
2. Na série 60, 90, 80, 60, 50, a moda será:
a)
b) ( ) 50;
c) ( ) 60;
d) ( ) 66;
e) ( ) 90.
3. A medida que tem o mesmo número de valores abaixo e acima dela é:
a)
b) ( ) a moda;
c) ( ) a média;
d) ( ) a mediana;
e) ( ) o lugar mediano.
4. Numa distribuição de valores iguais, o desvio padrão é:
a)
b) ( ) negativo;
c) ( ) positivo;
d) ( ) a unidade;
e) ( ) zero.
5. O desvio padrão de um conjunto de dados é 9. A variância será:
a)
b) ( ) 3;
c) ( ) 18;
d) ( ) 36;
e) ( ) 81.
6. Na série 60, 50, 80, 90, o valor 70 será:
a)
b) ( ) a média e a mediana;
c) ( ) a média e a moda;
d) ( ) a mediana e a moda;
e) ( ) a média, a mediana e a moda.
7. Quando queremos verificar a questão de uma prova que apresentou maior número de erros, utilizamos:
a)
29
b) ( ) a moda;
c) ( ) a mediana;
d) ( ) a média;
e) ( ) qualquer das anteriores.
8. Média, mediana e moda são medidas de:
a)
b) ( ) dispersão;
c) ( ) posição;
d) ( ) assimetria;
e) ( ) curtose.
9. O coeficiente de variação é uma medida que expressa a razão entre:
a)
b) ( ) desvio padrão e média;
c) ( ) média e desvio padrão;
d) ( ) amplitude e mediana;
e) ( ) desvio padrão e moda.
10. O cálculo da variância supõe o conhecimento de:
a)
b) ( ) média;
c) ( ) ponto médio;
d) ( ) mediana;
e) ( ) moda.
11. Na série 10, 20, 40, 50, 70, 80, a mediana será:
f)
g) ( ) 30;
h) ( ) 40;
i) ( ) 35;
j) ( ) 45.
12. Realizou-se uma prova de matemática para duas turmas. Os resultados foram os seguintes:
Turma A: média=5 e s=2,5
Turma B: média=4 e s=2
Com esses resultados podemos afirmar que:
a) ( ) a turma B apresentou maior dispersão absoluta;
b) ( ) a dispersão relativa é igual à dispersão absoluta;
c) ( ) tanto a dispersão absoluta quanto a relativa são maiores para a turma B;
d) ( ) a dispersão absoluta de A é maior do que a de B, mas em termos relativos as duas turmas não diferem
quanto ao grau de dispersão das notas.
13. Cinqüenta por cento dos dados da distribuição situam-se:
a)
b) ( ) abaixo da média;
c) ( ) acima da mediana;
d) ( ) abaixo da moda;
e) ( ) acima da média.
14. Os coeficientes de variação dos resultados a seguir são:
Estatística: média = 80 e s=16
História: média = 20 e s=5
k) ( ) 16% e 40%;
l) ( ) 20% e 25%;
m) ( ) 50% e 40%;
30
n) ( ) 80% e 40%.
15. Em uma empresa, o salário médio dos homens é de R$ 4.000,00, com desvio padrão de R$ 1.500,00, e o
salário médio das mulheres é de R$ 3.000,00, com desvio padrão de R$ 1.200,00. A dispersão relativa dos
salários é maior para os homens?
Lista de exercícios – Estatística Descritiva
1 – Um órgão do governo do estado está interessado em determinar padrões sobre o investimento em
educação, por habitante, realizado pelas prefeituras. De um levantamento de dez cidades, foram
obtidos os valores (codificados) na tabela abaixo:
Cidade A B C D E F G H I J
Investimento 26 16 14 10 19 15 19 16 19 18
(a) Calcule a média, mediana, desvio padrão e coeficiente de variação das observações.
(b) Receberão um programa especial as cidades com valores de investimento inferiores à média menos
duas vezes o desvio padrão. Alguma cidade receberá o programa?
(c) Será considerado com investimento básico a média das observações compreendidas entre a média
original menos dois desvios padrão e a média original mais dois desvios padrão. Calcule o investimento
básico e compare com a média obtida no item (a). Justifique a diferença encontrada.
(d) Qual é o intervalo inter-quartil para esse conjunto de dados?
2 – Uma loja de departamentos está estudando o faturamento associado com a venda de seus produtos
através de dois veículos: Dinheiro (D) e Cartão de Crédito (CC). Um levantamento de vendas (em
milhares de reais) em períodos de tempo pré-determinados forneceu a seguinte tabela:
Faturamento consolidado (em milhares de reais)
D CC
46,00 70,25
40,50 86,65
47,47 103,11
38,64 76,6087,29
44,65
40,64
(a) Obtenha a média, mediana, variância e desvio padrão do faturamento para cada um dos modos
de pagamento.
(b) Compare os dois grupos com base nas medidas obtidas no item (a).
3 - A capacidade pulmonar é medida através do volume expiratório forçado (litros). Para 13 jovens os
valores observados deste parâmetro são: 2,3; 2,15; 3,5; 2,6; 2,75; 2,82; 4,05; 2,25; 2,68; 3,0; 4,02; 2,85;
3,38. Calcular o desvio padrão destes dados. Calcular e interpretar a mediana.
4. Os níveis séricos de colesterol para 1067 homens, com idades entre 25 e 34 anos encontram-se na
seguinte tabela:
mg/100ml No. De homens
80 - 120 13
31
120 - 160
160 - 200
200 - 240
240 - 280
280 - 320
320 - 360
360 - 400
150
442
299
115
34
9
5
(a) Defina e classifique a variável de interesse.
(b) Construa um gráfico adequado para os níveis séricos de colesterol.
(c) Calcule e interprete a mediana
5. Pacientes do Hospital Antônio Pedro fora submetidos a um teste de esforço quanto ao número de
quilômetros que conseguiram caminhar sem parar. Os dados estão apresentados a seguir:
Quilômetros No. De pacientes
0 - 4
4 - 8
8 - 12
12 - 16
16 - 20
438
206
125
22
9
(a) Qual é a variável em estudo?
(b) Qual é a distância média caminhada pelos pacientes examinados?
(c) Calcule e interprete o valor da mediana.
(d) Calcule o desvio padrão da distância caminhada.
6 – Uma pesquisa sobre o consumo exagerado de cerveja com 235 adolescentes na faixa dos 14 aos 17
anos mostrou o seguinte resultado:
Latinhas de 300 ml ou equivalente No. De adolescentes
[1;5[ 12
[5;9[ 08
[9;13[ 15
[13;17[ 50
[17;21[ 70
[21;25[ 80
Total 235
(a) Qual é o consumo médio de cerveja desses adolescentes?
(b) Qual é a quantidade de latinhas mais frequente observada nesse consumo?
(c) Calcule a mediana, o primeiro quartil e terceiro quartil, o valor máximo e o valor mínimo.
(d) Calcule o desvio padrão e o intervalo de normalidade.
(e) Construa um histograma e marque nele o intervalo definido nos itens c e d.
(f) O que se pode dizer sobre o consumo de cerveja desses jovens?
(g) Considerando que cada duas latinhas de cerveja equivalem a uma dose de vodca, e o intervalo
definido no item d, qual seria o equivalente dessa bebida que esses jovens estão consumindo
semanalmente?
7) Uma microempresa tem nove funcionários, cujos salários são: R$ 900,00; R$ 900,00;
R$ 900,00; R$ 950,00; R$ 1.120,00; R$ 1.200,00; R$ 1.200,00; R$ 6000,00 e R$
10.000,00.
32
a) Calcule a média, a moda, a mediana e a amplitude total dos salários desses
funcionários.
b) O valor encontrado para a média é um bom representante para o conjunto de
todos os salários? Justifique, relacionando com o valor da amplitude total.