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IMUNOLOGIA EDIÇÃO: VIAS DE ATIVAÇÃO DO SISTEMA COMPLEMENTO Este conteúdo é destinado para uso e exibição de caráter privado. Não é autorizado a: Comercialização, distribuição ou reprodução do conteúdo. Se o material for compartilhado (por qualquer meio ou formato) será classificado como pirataria, conforme o art. 184 do Código Penal. Caso haja pirataria do material, a pessoa que adquiriu os resumos poderá responder judicialmente e, conforme o artigo 184 do Código Penal com pena de 3 meses a 4 anos de reclusão ou multa de até 10x o valor do produto adquirido (segundo o artigo 102 da Lei nº 9.610). VENHA CONHECER NOSSA PÓS GRADUAÇÃO EM ANÁLISES CLÍNICAS E MEDICINA LABORATORIAL Olá pessoal tudo bem? Seja bem-vinda e bem-vindo ao nosso material didático! Espero que você aproveite e aprenda muito. SAIBA MAIS CLICANDO AQUI https://cursaueducacao.com.br/pg/pos-acml/ O sistema complemento é uma parte importante do sistema imunológico que corresponde a um conjunto de proteínas séricas e de membrana que participam da defesa contra microrganismos, bem como na modulação de respostas imunológicas. O termo complemento refere-se à capacidade de estas proteínas auxiliarem ou complementarem a atividade dos anticorpos. As proteínas do complemento são proteínas plasmáticas normalmente inativas; elas são ativadas apenas frente à estímulos (microrganismos ou anticorpos). A ativação das proteínas do complemento envolve a clivagem sequencial dessas proteínas, gerando moléculas efetoras capazes de se ligar a superfícies celulares. Essa cascata de ativação de proteínas do complemento, como todas as cascatas enzimáticas, é capaz de obter uma amplificação enorme, porque cada molécula de enzima ativada em uma etapa pode gerar múltiplas moléculas de enzima ativada na etapa seguinte. O complemento pode então ser ativado de três maneiras distintas: a via clássica, a via alternativa e a via da lectina. Cada uma dessas vias possui suas próprias características e mecanismos de ativação. No entanto, todas as vias de ativação resultam na clivagem da proteína C3. A forma como inicia-se as vias e como esse C3 é clivado é o que vai diferir. Após certo ponto, todas as vias convergem para uma via comum que corresponde a formação do complexo de ataque a membrana (MAC), uma estrutura responsável por levar à lise da célula. Vias de ativação do sistema complemento Via Clássica: A via clássica é uma das principais formas de ativação do sistema complemento e é iniciada por complexos antígeno-anticorpo. A ativação da via clássica começa quando os anticorpos (IgG ou IgM) se ligam a antígenos presentes na superfície de um microrganismo invasor, como uma bactéria. Esse complexo antígeno-anticorpo serve como um sinal de ativação para o sistema complemento. Os anticorpos mais eficientes em ativar o complemento são IgG1 e IgG3. Um outro detalhe é que, anticorpos livres circulantes não são capazes de ativar o complemento, somente anticorpos ligados a antígenos. A partir daí, a proteína C1 entra em ação. C1 corresponde à um complexo formando pelas subunidades C1q, C1r e C1s. A subunidade C1q tem o formado por 6 cadeias e com formato semelhante a um guarda-chuva. Ela é responsável por reconhecer e se ligar as regiões Fc do complexo antígeno-anticorpo. Após essa ligação, tem-se a ativação das subunidades C1r e C1s que tem funções enzimáticas. Isso desencadeia uma cascata de reações enzimáticas, levando à clivagem das proteínas C4 e C2 do complemento. Essas clivagens geram 2 fragmentos cada: C4a e C4b, C2a e C2b. C2a e C4b são os fragmentos maiores e ativos que se ligam na superfície da célula alvo e formam um complexo enzimático chamado de C3 convertase. Os fragmentos C4a e C2b terão a função de promover inflamação e opsonização. A C3 convertase tem a função de clivar a proteína C3 em dois fragmentos também: C3a e C3b. C3b irá se ligar a membrana da célula alvo e C3a terá as mesmas funções dos fragmentos C4a e C2b. A ligação de C3b à membrana resulta na formação de um novo complexo enzimático juntamente com C2a e C4b, formando, portanto, a C5 convertase (C2aC4bC3b). A C5 convertase irá então clivar a proteína C5 em C5a e C5b. Novamente, C5a funcionará como opsonina ou mediador inflamatório e C5b se liga à membrana da célula alvo. A partir desse ponto, inicia-se a via comum do sistema complemento. Montagem do Complexo de Ataque à Membrana (MAC): O fragmento C2a se liga ao fragmento C4b na superfície celular, formando um complexo conhecido como C3 A convertase. Isso permite a clivagem de C3 em C3a e C3b. O fragmento C3b se liga à célula-alvo ou à superfície bacteriana. Via Alternativa A via alternativa é ativada de forma independente de anticorpos e é mais rápida que a via clássica. Ela é constantemente ativada a baixos níveis, mas existem mecanismos regulatórios para evitar a ativação indiscriminada. A ativação inicial ocorre quando as proteínas do complemento interagem com superfícies celulares, incluindo aquelas de microrganismos. Uma das principais proteínas envolvidas é o fator B que se liga a superfícies celulares. Isso permite que o fator D clive o fator B, gerando dois fragmentos, o Bb e o Ba. O fragmento Ba tem as mesmas funções que os fragmentos C2b, C3a, C4a e C5a, e o framento Bb irá se ligar ao fragmento C3b. E de onde vai vir esse fragmento C3b aqui na via alternativa? A proteína C3 é clivada constantemente no plasma, em baixa quantidade, em C3a e C3b. Além disso, algumas das moléculas de C3b geradas na via clássica podem ser utilizadas para ativar a via alternativa, ligando-se ao Fator B. Ou seja, apesar de dividirmos as 3 vias de ativação para ficar mais didático, elas podem acontecer todas as mesmo tempo. Após a ligação da proteína C3b à superfície celular, tem-se a formação de um complexo, chamado de C3 convertase da via alternativa, formado por C3bBb. Além disso, uma outra proteína liberada por neutrófilos ativados, denominada properdina, pode se ligar e estabilizar o complexo C3bBb. Se o complexo C3bBb for formado acidentalmente na superfície das nossas células, ele é rapidamente degradado e a reação finalizada pela ação de diversas proteínas reguladoras. A C3 convertase irá clivar mais proteínas C3, gerando mais fragmentos C3b. Esses fragmentos C3b irão se unir a esse complexo enzimático, formando a C5 convertase da via alternativa: C3bBbC3b. C5 convertase por sua vez, cliva a proteína C5, formando os fragmentos C5a e C5b, dando seguimento à via comum do sistema complemento. Via das Lectinas A via das lectinas é ativada quando proteínas chamadas lectinas ligam-se a carboidratos específicos na superfície de microrganismos. A lectina ligante de manose (MBL) é a principal lectina envolvida nessa via e assemelha-se estruturalmente à molécula de C1q. Quando a MBL se liga a microrganismos, ela forma complexos que ativam as enzimas associadas, chamadas de MASP-1 e MASP-2. As MASPs são estruturalmente e funcionalmente semelhantes as enzimas C1r e C1s da via clássica. Portanto, elas irã clivar as proteínas C4 e C2, seguindo a mesma cascata de eventos descritas na via clássica. As etapas posteriores da ativação do complemento são iniciadas pela ligação dos fragmentos C5b, gerados nas 3 vias, à superfície celular. Essa ligação tem como resultado o recrutamento de outras proteínas do complemento: C6, C7, C8 e C9. Primeiramente, liga-se a proteína C6, formando um complexo C5bC6. Depois, o C7 é recrutado, formando o complexo C5bC6C7. Nesse ponto, o C7 já tem a capacidade de formar pequenos poros na membrana da célula, liberando alguns fosfolipídeos e desestabilizando a membrana. Porém, poros completos ainda não foram formados. Para isso, recruta-se então a proteína C8, formando o complexo C5bC6C7C8, que já é capaz de se inserir na membrana e formar poros instáveis. Para uma maior estabilidade, a proteína final da via, C9, polimeriza-se para formar um poro na membrana celular, chamado de complexo de ataque a membrana(MAC). O MAC permite a passagem de água e íons, o que causa a morte do microrganismo por lise celular. Referência Bibliográfica: ABBAS, Abul K.; PILLAI, Shiv; LICHTMAN, Andrew H.. Imunologia celular e molecular. 9 Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019, 565 p.