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1 Artefactum – Revista de Estudos Interdisciplinares, v. 25 n. 1, 2026 
ISSN: 1984-3852 
 
 
GRAVIDEZ EM MENORES DE 14 ANOS: ANÁLISE DE TENDÊNCIA NO TOCANTINS, 
ENTRE OS ANOS 2014 A 2023 
 
Pregnancy in girls under 14 years old: a trend analysis in Tocantins, between the years 
2014 and 2023 
 
Embarazo en niñas menores de 14 años: un análisis de tendencias en Tocantins, entre 
los años 2014 y 2023 
 
DOI: 10.23900/artefactum.v25i1.2600 
Submitted on: 2.18. 2026 
Accepted on: 3.11. 2026 
Published on: 3.19.2026 
 
Danielle de Oliveira Ferreira 
Graduanda em Medicina 
E-mail: daniellyferreiraa1@gmail.com 
 
Rodrigo Clementino São José 
Graduando em Medicina 
E-mail: rodrigocsj.academico@gmail.com 
 
Tainar Vieira dos Santos Barros 
Graduanda em Medicina 
E-mail: tainarvieira@hotmail.com 
 
Thaísa Gomes de Freitas 
Graduanda em Medicina 
E-mail: thatagfreitas@gmail.com 
 
Raimundo Célio Pedreira 
Mestre em Ensino de Ciência e Saúde 
E-mail: raimundo.pedreira@afya.com.br 
 
Bruna Mirelly Simões Vieira 
Especialista em Saúde Pública 
E-mail: bruna.vieira@afya.com.br 
 
Thompson de Oliveira Turíbio 
Doutor em Ciências 
E-mail: thompson.turibio@afya.com.br 
 
Lorena Dias Monteiro 
Doutora em Saúde Coletiva 
E-mail: lorenamonteiro3@hotmail.com 
 
 
 
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ISSN: 1984-3852 
 
 
RESUMO 
Introdução: A gravidez em menores de 14 anos configura grave violação de direitos 
humanos e problema de saúde pública, associado a altas taxas de morbimortalidade 
materno-infantil, desigualdades sociais e violência sexual. No Brasil, apesar da queda da 
fecundidade entre adolescentes de 15 a 19 anos, as gestações precoces em faixas etárias 
mais baixas permanecem estáveis, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, com 
impacto direto na saúde e nos direitos das meninas. O Tocantins carece de análises 
específicas sobre essa ocorrência. Objetivo: Descrever a tendência da gravidez em 
meninas menores de 14 anos no Estado do Tocantins, entre os anos de 2014 e 2023. 
Materiais e Métodos: Estudo ecológico descritivo, com dados secundários do Sistema de 
Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC), extraídos do DATASUS. Foram analisadas 
variáveis sociodemográficas e clínicas de partos de mães menores de 14 anos, com base 
na Declaração de Nascido Vivo. A taxa de gravidez foi calculada por região de saúde, 
considerando a população de meninas menores de 14 anos estimada pelo IBGE. Para 
análise de tendência, foi aplicado o modelo de regressão joinpoint (Poisson), com cálculo 
da Variação Percentual Anual (APC) e Média Anual (AAPC), utilizando o software Joinpoint 
Regression Program (v.4.1.0). Os dados foram apresentados em gráficos e tabelas. 
Resultados Esperados: Espera-se identificar tendência crescente da gravidez infantil no 
Estado e padrões regionais associados a fatores de vulnerabilidade. Os achados 
subsidiarão políticas públicas baseadas em evidências, voltadas à prevenção da gravidez 
precoce e ao fortalecimento do cuidado integral à saúde de meninas em situação de risco. 
 
Palavras-chave: gravidez na adolescência, saúde pública, violência sexual, epidemiologia, 
Brasil. 
 
ABSTRACT 
Introduction: Pregnancy in girls under 14 years of age constitutes a serious violation of 
human rights and a public health problem, associated with high rates of maternal and infant 
morbidity and mortality, social inequalities, and sexual violence. In Brazil, despite the decline 
in fertility among adolescents aged 15 to 19, early pregnancies in younger age groups 
remain stable, especially in the North and Northeast regions, with a direct impact on the 
health and rights of girls. Tocantins lacks specific analyses on this occurrence. Objective: 
To describe the trend of pregnancy in girls under 14 years of age in the State of Tocantins, 
between the years 2014 and 2023. Materials and Methods: Descriptive ecological study, 
with secondary data from the Information System on Live Births (SINASC), extracted from 
DATASUS. Sociodemographic and clinical variables of births from mothers under 14 years 
of age will be analyzed, based on the Live Birth Declaration. The pregnancy rate will be 
calculated by health region, considering the population of girls under 14 years of age 
estimated by the IBGE (Brazilian Institute of Geography and Statistics). For trend analysis, 
the joinpoint regression model (Poisson) will be applied, with calculation of the Annual 
Percentage Change (APC) and Annual Average (AAPC), using the Joinpoint Regression 
Program software (v.4.1.0). The data will be presented in graphs and tables. Expected 
Results: It is expected to identify a growing trend of child pregnancy in the State and regional 
patterns associated with vulnerability factors. The findings will support evidence-based 
public policies aimed at preventing early pregnancy and strengthening comprehensive 
health care for girls at risk. 
 
 
 
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Keywords: teenage pregnancy, public health, sexual violence, epidemiology, Brazil. 
 
RESUMEN 
Introduction: Pregnancy in children under 14 years of age constitutes a serious violation of 
rights human and public health problem, associated with high rates of morbidity and mortality 
maternal-child, social inequalities and sexual violence. No Brazil, even though it remains da 
Fertility among adolescents from 15 to 19 years old, as precocious gestations in younger 
ages We remain low, especially in the North and Northeast regions, with a direct impact Na 
health e nos direitos das meninas. O Tocantins lacks specific analyzes on this ocorrência 
Objective: To detect the tendency of pregnancy in girls under 14 years of age. State of 
Tocantins, between the years of 2014 and 2023. Materials and Methods: Ecological study 
descriptive, with secondary data of the Information System on Live Births (SINASC), 
extracted from DATASUS. Sociodemographic and clinical variables will be analyzed of births 
of children under 14 years of age, based on the Declaration of Live Birth. To taxa of 
Pregnancy will be calculated by health region, considering the population of minor girls 14 
year old esteemed IBGE hair. For trend analysis, the model will be applied joinpoint 
regression (Poisson), with calculation of the Annual Percentual Variation (APC) and Average 
Annual (AAPC), using the Joinpoint Regression Program software (v.4.1.0). The dice will be 
presented in graphs and tables. Expected Results: Wait to identify trends increase in child 
pregnancy in the State and regional parents associated with birth factors vulnerability. The 
achados will subsidize public policies based on evidence, turned to prevention of early 
pregnancy and strengthening of comprehensive care for children's health cliff situation. 
 
Palabras clave: embarazo adolescente, salud pública, violencia sexual, epidemiología, 
Brasil. 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
A gravidez em meninas menores de 14 anos é um desafio de saúde pública, 
associada a maior mortalidade materna, prematuridade, baixo peso ao nascer e maior 
mortalidade perinatal (UNITED NATIONS, 2020; WHO, 2023; Pinto et al., 2024). Além dos 
riscos clínicos, impacta a trajetória educacional e amplia desigualdades socioeconômicas 
(UNITED NATIONS, 2020; Pinto et al., 2024). Está relacionada a baixo desenvolvimento 
econômico, casamento infantil, acesso limitado a contraceptivos e educação sexual, além 
de normas de gênero e alta prevalência de violência sexual (UNITED NATIONS, 2020). 
Considerando que a gravidez em menores de 14 anos é configurada como violência 
sexual, o Estado Brasileiro estabeleceu normas legais para proteger crianças e 
adolescentes em relação ao casamento e ao início da atividade sexual. O Código Civil 
determina que a idade mínima para casamento é de 16 anos, exigindo autorização dos pais 
 
 
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ISSN: 1984-3852ou responsáveis legais para aqueles entre 16 e 18 anos. Além disso, a Lei nº 12.015/2009 
modificou o Código Penal, tornando inválido o consentimento para atos sexuais em 
menores de 14 anos e tipificando o estupro de vulnerável como qualquer conjunção carnal 
ou ato libidinoso com indivíduos abaixo dessa idade, independentemente da idade do 
parceiro ou do tipo de relacionamento entre eles (Freitas, 2016; Ventura, 2009). 
A violência contra crianças e adolescentes representa uma grave ameaça aos 
direitos humanos e à saúde desse grupo etário (Sullca, 2006). As meninas e mulheres estão 
mais suscetíveis à violência sexual devido às desigualdades de gênero e aos valores 
patriarcais enraizados na sociedade, resultando em consequências tanto individuais quanto 
sociais (Contreras et al., 2010). 
Se, em determinado momento histórico, a adolescência foi considerada a fase ideal 
para a gravidez, atualmente essa realidade se inverteu, sendo vista como uma idade 
inadequada para a gestação (Heilborn et al., 2002), devido às associações entre a gravidez 
precoce e o aumento de morbidades neonatais, além dos impactos econômicos, 
educacionais e sociais (Oliveira, 1998). Vale destacar que, conforme o Código Penal 
Brasileiro (Brasil, Lei nº 12.015), as relações sexuais com menores de 14 anos são 
caracterizadas como crime sexual contra vulnerável, independentemente da comprovação 
de discernimento para o consentimento da vítima ou de quaisquer outras circunstâncias 
(Ventura, 2009). 
É comprovado que a gravidez na adolescência impacta negativamente as 
oportunidades educacionais e profissionais das mulheres, motivando pesquisas e políticas 
públicas para sua redução. Nos últimos anos, a taxa de fertilidade entre adolescentes de 
15 a 19 anos tem diminuído globalmente, inclusive no Brasil, onde passou de 80,1 
nascimentos por 1.000 mulheres em 2000 para 60,9 em 2010. No entanto, essa redução 
ocorre de forma desigual entre as regiões, refletindo disparidades socioeconômicas. Em 
contrapartida, a taxa de fertilidade entre adolescentes menores de 14 anos, permanece 
baixa, mas seus impactos são severos, pois complicações obstétricas, como hemorragia 
pós-parto, anemia e parto operatório, são mais frequentes nesse grupo, além de um risco 
de morte materna quatro vezes maior em comparação com mulheres de 20 a 24 anos. 
Diante disso, a Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca a necessidade de políticas 
e pesquisas específicas para esse público (Borges et al., 2016). 
A adolescência (10-19 anos) é um período de vulnerabilidade biológica e 
 
 
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psicossocial. A gravidez precoce eleva o risco de complicações obstétricas, como parto 
prematuro e distúrbios hipertensivos, além de impactar a saúde mental e a adaptação ao 
puerpério, afetando a saúde materno-infantil (Azevedo et al., 2014). 
Os dados sobre gravidez em menores de 14 anos são registrados na Declaração de 
Nascidos Vivos (DNV), documento obrigatório no Brasil que reúne informações como idade 
materna, escolaridade, número de gestações, tipo de parto e peso ao nascer. Essas 
informações são essenciais para o monitoramento e desenvolvimento de políticas públicas 
voltadas à redução da gravidez precoce e ao suporte de gestantes adolescentes (BRASIL, 
2022). 
No Brasil, dados do SINASC indicam que, anualmente, cerca de 20 mil partos 
ocorrem em meninas menores de 14 anos (BRASIL, 2024). Esse cenário está associado a 
fatores como baixa renda e escolaridade, falta de informação, início precoce da atividade 
sexual e casos de estupro de vulnerável (Martinez et al., 2011). Outrossim, dados do 
SINASC em 2023 identificaram 23.145 nascimentos no Estado do Tocantins, sendo que 
2.751 (11,88%) ocorreram em menores de 14 anos (BRASIL, 2024). 
Entre 2000 e 2015, a taxa de fertilidade entre adolescentes de 15 a 19 anos no Brasil 
apresentou redução. No entanto, entre meninas menores de 14 anos, manteve-se estável, 
variando entre 3,38 e 3,29 por 1.000. Além disso, há diferenças regionais, refletindo 
desigualdades sociais, raciais e de gênero (Borges et al., 2016). 
Os dados de violência revelam uma grave violação dos direitos de meninas e 
mulheres, principais vítimas de violência sexual, com risco de gravidez indesejada e 
infecções sexualmente transmissíveis. Em 2022, registraram-se 74.930 casos de estupro 
no Brasil, 88,7% contra mulheres. Destes, 75,8% foram estupros de vulnerável, ocorrendo 
majoritariamente em residências (71,6%), com 64,4% dos agressores sendo familiares 
(FÓRUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PÚBLICA, 2024). 
Diante desse cenário, este estudo visa descrever a tendência e o perfil da gravidez 
em menores de 14 anos no Estado do Tocantins entre 2014 e 2023. A análise permitirá 
compreender o contexto local e as disparidades regionais no Estado, subsidiando dados 
para estratégias preventivas e assistenciais. Além disso, contribuirá para o debate científico 
sobre os determinantes da gravidez precoce, possibilitando a implementação de medidas 
baseadas em evidências para reduzir essa ocorrência e minimizar seus impactos na saúde 
e no desenvolvimento das crianças e adolescentes afetadas. O objetivo é analisar a 
 
 
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distribuição temporal dos nascimentos de filhos de mães menores de 14 anos, fornecendo 
insights cruciais para direcionar intervenções e políticas voltadas para mitigar esse grave 
problema social e de saúde. 
 
2 REFERENCIAL TEÓRICO 
 
A gravidez na adolescência, definida como a gestação ocorrida entre 10 e 19 anos, 
representa um desafio significativo para a saúde pública, tanto global quanto 
nacionalmente. No Brasil, dados do Ministério da Saúde indicam que, apesar de uma 
tendência geral de redução das taxas de fecundidade, a proporção de nascimentos em 
mães adolescentes permanece elevada, especialmente nas regiões menos desenvolvidas 
(BRASIL, 2009). 
Os desafios dessa problemática, está associada a maior mortalidade materna, 
prematuridade, baixo peso ao nascer e maior mortalidade perinatal (UNITED NATIONS, 
2020; WHO, 2023; Pinto et al., 2024). Pois, mães adolescentes estão mais propensas a dar 
à luz crianças com baixo peso, o que pode ser atribuído a fatores socioculturais, como 
pobreza e privação social, além de fatores biológicos e nutricionais durante a gravidez 
(BRASIL, 2009). Observa-se também que, frequentemente, essas gestações não são 
planejadas, resultando em início tardio e menor frequência de consultas pré-natais. Esses 
dados ressaltam a necessidade de políticas públicas direcionadas à educação sexual e ao 
planejamento familiar, visando a redução da gravidez precoce e suas consequências 
(Ronald, Costa, 2002). 
Além dos riscos clínicos que uma gravidez nessa idade coloca a mãe e o feto, essa 
condição impacta profundamente a trajetória educacional, com a limitação das 
oportunidades de educação, a maternidade precoce contribui para um ciclo contínuo de 
pobreza, conforme destacado em estudos recentes (UNITED NATIONS, 2020; Pinto et al., 
2024). Essa interrupção na educação não apenas compromete o desenvolvimento pessoal 
e profissional dessas adolescentes, mas também perpetua as desigualdades 
socioeconômicas (Pinto et al., 2024). 
No Brasil, 75% das mães adolescentes abandonam a escola e 66% das gestações 
em adolescentes não são intencionais. Além disso, o Brasil possui a maior taxa de mães 
adolescentes da América Latina, 46 nascimentos para cada mil adolescentes e jovens 
 
 
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mulheres, enquanto que na América Latina o índice é de 65,5 nascimentos para cada mil 
(BRASIL, 2022). 
A legislação brasileira proporciona um marco legal robusto para proteger menores 
de abuso sexual, conforme explica Ventura (2009) e conformereforçado pela Lei nº 
12.015/2009. Esta legislação especifica que qualquer ato sexual com indivíduos menores 
de 14 anos é classificado como estupro de vulnerável, destacando a falta de maturidade 
necessária para o consentimento informado e a necessidade crítica de proteção contra a 
exploração. No entanto, a United Nations (2020), aponta que a violência sexual continua 
sendo um problema grave, especialmente contra crianças, sugerindo que, apesar das leis 
em vigor, desafios significativos ainda persistem para erradicar esse tipo de violência. 
Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2024) indicam que a maioria dos 
estupros de vulneráveis ocorre em ambientes domésticos e é cometido por indivíduos 
conhecidos das vítimas. Esta situação não apenas agrava o trauma individual e familiar, 
mas também desafia a eficácia das respostas legais e de saúde pública destinadas a 
proteger essas jovens. A gravidade desse cenário é reforçada por dados do SINASC, que, 
no período entre 2011 e 2021, registraram mais de 127 mil ocorrências de gravidez em 
meninas menores de 14 anos (BRASIL,2021). 
O Estado brasileiro estipula que a idade mínima para o casamento seja de 18 anos; 
contudo, até 2019, o matrimônio era permitido para indivíduos de 17 ou 16 anos mediante 
autorização dos responsáveis, ou a menores de 16 anos por ordem judicial especial (em 
caso de gravidez ou para evitar a imposição de pena criminal). Em 2019, a permissão para 
casamento a quem não atingiu a idade núbil (16 anos) foi revogada. Ainda que o casamento 
infantil fosse legalmente permitido a menores de 16 anos em certos casos, ter relações 
sexuais com menores de 14 anos sempre foi considerado crime sexual contra vulneráveis. 
Apesar dessa conjuntura, estima-se que 877 mil mulheres se casaram antes dos 15 anos 
no país (Cardoso et al., 2022). 
A gravidez resultante de violência sexual configura uma grave violação dos direitos 
humanos, sexuais e reprodutivos. Nesse contexto, o aborto legal representa um direito da 
mulher e um dever do Estado, que deve assegurar políticas públicas voltadas à oferta desse 
serviço de forma segura, acessível e humanizada (Pedroso et al., 2021). A OMS (2016), 
recomenda como limite para a realização do aborto legal a inviabilidade fetal, em geral por 
volta da 22ª semana de gestação ou quando o peso fetal ultrapassa 500 gramas. 
 
 
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Entretanto, conforme destacado por Pinto et al., (2024), diversas barreiras ainda 
dificultam o acesso das mulheres ao procedimento. Entre elas, destacam-se o 
desconhecimento sobre os serviços disponíveis e sobre a legislação vigente, o medo da 
criminalização, a vergonha decorrente do estigma social relacionado ao aborto, e 
exigências indevidas por parte dos serviços de saúde, como Boletim de Ocorrência, laudo 
do Instituto Médico-Legal (IML) ou alvará judicial — documentos que não são legalmente 
obrigatórios nos casos de violência sexual. Além disso, há a recusa de profissionais de 
saúde em realizar o procedimento e negativas baseadas na desconfiança quanto à 
veracidade do relato da vítima, o que agrava ainda mais a violação de seus direitos. 
Além do cenário de violência descrito, problemas como medo, preconceito e 
dificuldades socioeconômicas frequentemente atrasam ou impedem que jovens vítimas 
busquem acompanhamento pré-natal no Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo o 
Ministério da Saúde, o pré-natal deve ser iniciado precocemente para um bom 
acompanhamento do binômio mãe-filho. A quantidade de consultas preconizadas são 6 
avaliações ou mais, distribuídas de acordo com os achados perinatais esperados para 
idade gestacional da paciente. A partir disso, até 28 semanas as consultas deverão ser 
mensais, entre 28 e 36 semanas quinzenais e da 36 a 41 semanalmente. Quando o parto 
não ocorre em até 41 semanas, é necessário encaminhar a gestante para avaliação do 
índice amniótico e monitoramento cardíaco fetal (BRASIL, 2012). Ressalta-se ainda que as 
gestantes adolescentes apresentam baixa adesão ao pré-natal, o que pode estar 
relacionado à maior taxa de partos operatórios e intercorrências obstétricas (Alegria, Shor, 
Siqueira, 2004). 
Conforme já citado, múltiplos fatores socioeconômicos, além de medo e preconceito, 
frequentemente impedem que adolescentes busquem cuidados especializados. Devido a 
esse cenário, a gravidez em menores de idade aumenta significativamente o risco de 
mortalidade materna e perinatal. Essa mortalidade está relacionada a intercorrências que 
ocorrem durante a gravidez, parto e puerpério. As complicações mais comuns são: toxemia 
gravídica, disfunção uterina, maior índice de parto cesárea, desproporção céfalo-pélvica, 
síndromes hemorrágicas, lacerações perineais, amniorrexe prematura e prematuridade. 
Somado a isso, tem-se anemia materna, trabalho de parto prolongado, infecções 
urogenitais, abortamento e baixo peso ao nascer (BRASIL, 2022). 
Diante disso, é essencial que, além das consultas obstétricas regulares do pré-natal, 
 
 
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seja realizada uma estratificação de risco detalhada, especialmente para gestantes 
menores de idade. É mandatório avaliar o perfil socioeconômico, a história reprodutiva 
anterior e quaisquer condições clínicas prévias que possam influenciar ou agravar 
complicações durante o período gravídico-puerperal (BRASIL, 2022). De acordo com 
Martins et al., (2011), a gestação na adolescência está diretamente relacionada com uma 
maior incidência de partos pré-termo e recém-nascidos de baixo peso, destacando a 
importância dessa avaliação cuidadosa. 
O acompanhamento pré-natal é fundamental para garantir a saúde de gestantes 
adolescentes e de seus bebês. O SUS enfatiza a importância de facilitar a inscrição dessas 
jovens no pré-natal, criando, sempre que possível, momentos específicos para o 
atendimento da adolescente grávida, seu companheiro e/ou familiares. Além disso, o pré-
natal adequado assegura o desenvolvimento saudável da gestação, permitindo um parto 
com menores riscos para a mãe e para o bebê. A adesão a um pré-natal de qualidade 
impacta diretamente na redução de complicações, como prematuridade e pré-eclâmpsia, 
promovendo uma rede de cuidado e proteção para a mãe e o recém-nascido (BRASIL, 
2024). 
Nesse âmbito, o SINASC permite o amplo conhecimento epidemiológico sobre 
nascimento no país, o que possibilita o planejamento de políticas públicas materno-infantis. 
Sendo que a DNV, contida neste sistema, é essencial para a análise dos dados, além de 
oportunizar à equipe de saúde o monitoramento da realidade local. Nesse contexto, essa 
ferramenta é substancial para o mapeamento das condições de saúde, sobretudo na 
gravidez de meninas menores de 14 anos, devido ao elevado risco gestacional (Fernandes, 
2019). 
Nessa perspectiva, torna-se imprescindível o correto preenchimento de todos os 
itens da declaração, visto que os erros no preenchimento dificultam a investigação dos 
dados, inviabilizando a compreensão da realidade da gravidez (Gotlieb, Jorge, Laurenti, 
2007). Apesar do percentual de erros ter diminuído, as variáveis índice de Apgar, 
quantidade de filhos vivos e mortos, ocupação materna e presença de malformações 
congênitas apresentam alto percentual de ignorados ou em branco (Agranonik, 2019). 
Os dados ignorados ou não preenchidos são comuns nos casos em que a paciente 
pertence a grupos vulneráveis, demonstrando tanto a falta de acolhimento das vítimas 
quanto a ausência de conhecimento dos profissionais responsáveis pelo preenchimento do 
 
 
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documento (Silva, Trindade, Oliveira, 2020). Somado a isso, é estimado que ocorra uma 
subnotificação de casos, sendo ainda mais grave na faixa etáriaabaixo dos 14 anos, tendo 
em vista a escassez de estudos com informações precisas sobre o tema (Souto, 2017). 
Para garantir a eficácia desse processo, é fundamental incentivar e supervisionar o 
preenchimento correto de todos os itens da declaração, assegurando qualidade e confiança 
dos dados coletados visto que isso afeta a elaboração de medidas eficazes para reduzir 
complicações obstétricas, melhorar o acesso ao pré-natal e garantir suporte adequado às 
mães adolescentes (Carniel et al., 2003). 
Dessa forma, abordar a gravidez em meninas abaixo de 14 anos envolve desafios 
complexos que permeiam várias dimensões da sociedade, como saúde pública, 
sexualidade, direitos sociais, acesso aos serviços de saúde e educação. A obtenção de 
dados atualizados é essencial para entender completamente este problema e formular 
políticas públicas eficazes. Focado no Estado do Tocantins, este estudo descritivo e 
ecológico, conduzido de 2014 a 2023, emprega dados secundários fornecidos pelo 
SINASC, uma divisão do DATASUS. 
 
3 METODOLOGIA 
 
O Estado do Tocantins está localizado na região Norte do país e é o mais novo dos 
26 Estados do Brasil. Possui uma população de 1.511.460 habitantes, área territorial de 
277.423.627 km e uma vegetação na qual predomina o cerrado (IBGE, 2022). Além disso, 
o Estado é formado por 139 municípios divididos em oito regiões de saúde (TOCANTINS, 
2014). 
Este estudo caracteriza-se como ecológico descritivo, abrangendo o Estado do 
Tocantins no período de 2014 a 2023. Foram utilizados dados secundários de domínio 
público referentes à ocorrência de nascidos vivos de mães com idade inferior a 14 anos, 
permitindo a análise da distribuição temporal desses eventos reprodutivos. 
A pesquisa utilizou como base de dados o DATASUS, a partir do SINASC. O SINASC 
é alimentado por meio da DNV, um formulário padronizado pelo Ministério da Saúde, que 
registra informações para o monitoramento do pré-natal, da gestação e do parto. Além de 
sua relevância epidemiológica, a DNV é um documento obrigatório para a emissão da 
certidão de nascimento, garantindo a formalização do registro civil do recém-nascido 
 
 
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(Szwarcwald et al., 2019). Os dados populacionais foram obtidos do IBGE com base nos 
censos demográficos de 2010 e 2022 e nas estimativas populacionais para os anos 
intercensitários (2014-2021 e 2023), extraídos do site do DATASUS (DATASUS, 2023; 
IBGE, 2020). 
Para a análise do perfil das gestantes, foram consideradas variáveis 
sociodemográficas e clínicas, incluindo: ano do nascimento, idade materna (inferior a 14 
anos), raça/cor e etnia, escolaridade, zona de residência, região de saúde, Estado civil, 
local do parto, adequação ao pré-natal, presença de anomalias congênitas, escores de 
APGAR no 1º e 5º minuto, duração da gestação, número de consultas pré-natais, peso ao 
nascer, raça/cor e sexo do recém-nascido, tipo de parto e tipo de gestação (BRASIL, 2022). 
As frequências absolutas e relativas dessas variáveis foram apresentadas por meio de 
tabelas e gráficos. 
Os indicadores foram calculados utilizando-se como unidade geográfica de análise 
o Estado do Tocantins e as oito regiões de saúde do Estado. Para a análise dos indicadores, 
foi calculada a taxa média de nascidos vivos de mães com menos de 14 anos no Estado 
do Tocantins e em suas oito regiões de saúde no período de 2014 a 2023. Essa taxa foi 
determinada pela razão entre a média anual de nascidos vivos de genitoras nessa faixa 
etária e a população de meninas menores de 14 anos residentes no Tocantins e em cada 
região de saúde, em cada ano do período analisado, multiplicada por 1.000. A análise 
descritiva dos dados foi representada por meio de gráficos. 
As análises das tendências temporais dos indicadores de taxa de natalidade em 
meninas menores de 14 anos para o período de estudo foram realizadas por meio do 
modelo de regressão joinpoint (por pontos de inflexão) de Poisson. A unidade geográfica 
para análise foi o Estado do Tocantins e as oito regiões de saúde do Estado. 
Essa técnica estatística regula o ajuste de uma série de linhas, bem como de seus 
pontos de inflexão, em uma escala logarítmica por meio do teste de tendências anuais (Kim 
et al., 2000). Com o intuito de obter a melhor linha de cada segmento, foi utilizado o método 
de permutação de Monte Carlo como teste da significância estatística. A partir da definição 
dos segmentos, foram calculadas a Variação Percentual Anual (Annual Percentual Change 
– APC) e a Variação Percentual Média Anual (Average Annual Percentual Change - AAPC), 
ao longo de toda a série histórica analisada (2014-2023), com seus respectivos IC 95% 
(Clegg et al., 2009). As análises de regressão joinpoint foram realizadas utilizando-se o 
 
 
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Programa de Regressão Joinpoint versão 4.1.0 (US National Cancer Institute, Bethesda, 
MD, USA). 
O estudo utilizou dados secundários, de domínio público, oriundos do Sistema de 
Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC), disponibilizados na plataforma DATASUS, 
em formato agregado e sem possibilidade de identificação direta ou indireta das 
participantes. Assim, em conformidade com a Resolução CNS nº 466/2012 e com a 
Resolução CNS nº 510/2016, a pesquisa é dispensada de submissão à apreciação do 
Sistema CEP/CONEP. 
 
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES 
 
Observa-se distribuição heterogênea entre as Regiões de Saúde (CIR). A região 
Médio Norte Araguaia concentrou o maior número absoluto de casos no período (n = 598), 
com média anual de 59,8 nascidos vivos, seguida por Bico do Papagaio (n = 463; média = 
46,3) e Capim Dourado (n = 461; média = 46,1). Essas três regiões, juntas, representam 
parcela expressiva dos casos no estado. Quanto à evolução temporal, verifica-se tendência 
geral de redução do número absoluto de nascidos vivos no estado, passando de 357 casos 
em 2014 para 214 em 2023, indicando possível declínio no fenômeno ao longo da série 
histórica. Essa redução também se reproduz em grande parte das regiões, embora com 
flutuações anuais. 
 
Tabela 1. Distribuição dos nascidos vivos de mães de 10 a 14 anos segundo Região de Saúde (CIR), 
Tocantins, 2014–2023. 
Região de 
Saúde (CIR) 
201
4 
201
5 
201
6 
201
7 
201
8 
201
9 
202
0 
202
1 
202
2 
202
3 
Tot
al 
Média 
do 
Períod
o 
Médio Norte 
Araguaia 80 86 72 49 66 47 43 57 57 41 598 
59.8 
Bico do 
Papagaio 57 41 41 54 55 46 43 54 37 35 463 
46.3 
Sudeste 23 14 19 16 19 10 19 23 11 10 164 16.4 
Cerrado 
Tocantins 
Araguaia 41 50 44 53 34 28 28 23 29 30 360 
36 
Ilha do 
Bananal 43 28 36 26 22 21 19 19 27 22 263 
26.3 
Capim 
Dourado 56 54 40 48 53 39 57 48 31 35 461 
46.1 
Cantão 37 21 28 21 23 25 30 24 18 18 245 24.5 
 
 
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Amor Perfeito 20 21 20 20 20 25 16 14 18 23 197 19.7 
Total 357 315 300 287 292 241 255 262 228 214 
275
1 
275.1 
Fonte: Elaborado pelos autores a partir de dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos 
(SINASC), Ministério da Saúde. 
 
Os achados sugerem que a ocorrência de gravidez em menores de 14 anos 
apresenta distribuição territorial desigual, possivelmente relacionada a fatores 
sociodemográficos, vulnerabilidade social, acesso a serviços de saúde e contextos 
regionais específicos, o que reforça a necessidade de estratégias intersetoriais 
direcionadas às regiões de maior concentração. 
A distribuição regional dos nascidos vivos de mães menores de 14 anos no Tocantins 
evidencia concentração nas regiões Médio Norte Araguaia, Bico do Papagaio e Capim 
Dourado, revelando padrão territorial desigual. Esse achado converge com a análise 
espacial realizada por Pinto et al. (2024), que identificaram clusters de gravidez emmeninas 
menores de 14 anos associados a contextos de maior vulnerabilidade social e fragilidade 
na rede de proteção. 
Estudos internacionais indicam que adolescentes muito jovens apresentam maior 
risco de desfechos obstétricos adversos e maior vulnerabilidade psicossocial quando 
comparados às adolescentes mais velhas (GANCHIMEG et al., 2014; MALABAREY et al., 
2012). Assim, os resultados deste estudo corroboram a literatura ao evidenciar que a 
gravidez em menores de 14 anos permanece como fenômeno socialmente determinado e 
territorialmente concentrado, demandando intervenções intersetoriais direcionadas às 
regiões de maior ocorrência. 
No período de 2014 a 2023, a distribuição dos nascidos vivos de mães menores de 
14 anos no Tocantins apresentou predominância da cor/raça parda, totalizando 2.026 
registros, o que representa a maioria expressiva dos casos ao longo de toda a série 
histórica. Em seguida, destacam-se mães indígenas (n = 382), brancas (n = 165) e pretas 
(n = 129). Quanto à escolaridade materna, verificou-se maior concentração de casos entre 
adolescentes com Ensino Fundamental incompleto/intermediário (n = 1.444), seguida por 
aquelas com Ensino Fundamental completo ou Ensino Médio incompleto (n = 1.222) 
(TABELA 2). 
 
 
 
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Tabela 2. Distribuição temporal dos nascidos vivos de mães de 10 a 14 anos segundo características 
sociodemográficas maternas (cor/raça e escolaridade), Tocantins, Brasil, 2014–2023. 
Variáveis 
do 
Estudo 
Categorias 
201
4 
201
5 
201
6 
201
7 
201
8 
201
9 
202
0 
202
1 
202
2 
202
3 
Tota
l 
Cor/raça 
Branca 33 17 14 22 19 16 12 10 13 9 165 
Preta 13 9 14 14 14 14 15 12 10 14 129 
Amarela 1 1 1 2 0 1 3 7 4 2 22 
Parda 
256 244 233 206 213 178 181 194 163 158 
202
6 
Indígena 50 41 34 39 41 32 42 36 36 31 382 
Ignorado 4 3 4 4 5 0 2 3 2 0 27 
Instrução 
da mãe 
Nunca 
frequentou 
a Escola 
1 1 0 0 0 3 0 0 1 0 6 
Ensino 
Fundament
al 
incompleto 
(início da 
alfabetizaç
ão) 
11 14 9 1 3 2 3 2 5 2 52 
Ensino 
Fundament
al 
incompleto/
intermediári
o 
204 171 172 171 159 129 124 128 106 80 
144
4 
Ensino 
Fundament
al 
Completo 
ou ensino 
médio 
incompleto 
134 127 116 113 127 106 126 128 115 130 
122
2 
Ensino 
Médio 
Completo 
1 0 0 0 0 0 0 1 1 1 4 
Ignorado 6 2 3 2 3 1 2 3 - 1 23 
Fonte: Elaborado pelos autores a partir de dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos 
(SINASC), Ministério da Saúde. 
 
Observa-se redução gradual do número absoluto de casos em praticamente todas 
as categorias ao longo dos anos, acompanhando a tendência geral de declínio no estado. 
A participação das mães pardas manteve-se majoritária em todos os anos analisados, 
evidenciando perfil racial compatível com a composição demográfica regional. A 
predominância de baixa instrução reforça o papel dos determinantes sociais na manutenção 
do fenômeno, indicando necessidade de estratégias intersetoriais voltadas à permanência 
escolar e à proteção social dessa população. 
 
 
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Neste trabalho ficou evidente que a concentração de mães pardas e a baixa 
escolaridade sugerem desigualdades estruturais que sustentam a gestação precoce. Em 
âmbito regional, a queda da fecundidade adolescente ocorre de modo desigual e pode 
mascarar bolsões persistentes de vulnerabilidade (NÚÑEZ, 2020). No Brasil, debates sobre 
gênero, iniciação sexual e acesso a direitos reprodutivos ajudam a explicar por que meninas 
permanecem expostas (CABRAL et al., 2020) em contextos sociais adversos. 
A predominância de escolaridade fundamental incompleta reforça que a gravidez 
antes dos 14 anos se relaciona à exclusão escolar e barreiras de cuidado. Tendências 
nacionais mostram variação na cobertura de pré-natal e no parto entre adolescentes, 
indicando que acesso e qualidade não são homogêneos (BICALHO et al., 2021). Em países 
de média renda, adolescentes têm menor cobertura de cuidados maternos e risco infantil 
(LI et al., 2020; NOORI et al., 2022). 
No período de 2014–2023 (n = 2.751), os partos ocorreram predominantemente em 
ambiente hospitalar (2.663; 96,8%), indicando forte institucionalização do parto no estado. 
Quanto à adequação do pré-natal, destacou-se a categoria “mais que adequado” (1.097; 
39,9%), houve ainda 19 (0,7%) registros de não realização de pré-natal e 115 (4,2%) não 
classificados, sugerindo coexistência de boa cobertura com parcela relevante de 
acompanhamento insuficiente (TABELA 3). 
Em relação aos desfechos perinatais, a maioria das gestações foi a termo (37–41 
semanas) (2.116; 76,9%), porém observou-se prematuridade (global dos escores, 
com ampla predominância de Apgar 8–10 (n = 2.593), enquanto os escores reduzidos foram 
menos frequentes (6–7: n = 67; 3–5: n = 13; 0–2: n = 8), com 70 ignorados (TABELA 4). 
 
Tabela 4. Distribuição dos nascidos vivos de mães de 10 a 14 anos segundo Apgar no 1º e 5º minuto e ano 
de ocorrência, Tocantins, 2014–2023. 
Variáveis do 
Estudo 
Categori
as 
201
4 
201
5 
201
6 
201
7 
201
8 
201
9 
202
0 
202
1 
202
2 
202
3 
Tot
al 
Apgar 1º minuto 
0 a 2 2 2 5 1 5 3 3 2 6 1 30 
3 a 5 12 13 12 5 8 13 9 13 10 10 105 
6 a 7 37 28 36 37 42 31 26 27 26 26 316 
8 a 10 296 265 238 235 231 186 215 210 183 172 
223
1 
Ignorado 10 7 9 9 6 8 2 10 3 5 69 
Apgar 5º minuto 
0 a 2 1 0 4 0 0 0 0 1 2 0 8 
3 a 5 2 1 2 2 0 3 0 2 1 0 13 
6 a 7 8 7 8 2 9 3 7 7 5 11 67 
8 a 10 336 300 277 274 276 227 246 242 217 198 
259
3 
Ignorado 10 7 9 9 7 8 2 10 3 5 70 
Fonte: Elaborado pelos autores a partir de dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos 
(SINASC), Ministério da Saúde. 
 
Apesar da vulnerabilidade inerente à gestação em menores de 14 anos, seus dados 
mostram predominância de Apgar 8–10 já no 1º minuto e melhora adicional no 5º, sugerindo 
boa adaptação neonatal e efetividade da assistência imediata ao recém-nascido. Esse 
padrão é coerente com evidências de que o acesso oportuno ao cuidado materno e à rede 
assistencial pode mitigar riscos perinatais mesmo em contextos adversos (SILVA et al., 
2025). Ainda assim, desigualdades sociais permanecem relevantes (COSTA et al., 2022). 
Por outro lado, a presença, ainda que minoritária, de Apgar baixo (0–5) no 1º e 5º 
minuto indica um contingente de recém-nascidos com maior risco e necessidade de cuidado 
intensivo, o que exige vigilância clínica e qualificação da linha de cuidado perinatal. No 
Brasil, a literatura aponta que a gravidez antes dos 14 anos frequentemente se insere em 
cenários de violência sexual e vulnerabilidade, com repercussões na saúde materno-infantil 
(TAQUETTE et al., 2021). A persistência de violência sexual notificada reforça a 
importância de ações intersetoriais (SCHUELTER-TREVISOL et al., 2025). 
 
 
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No período de 2014–2023 (n = 2.751), foram registrados 25 nascidos vivos com 
anomalias congênitas (0,9%), enquanto 2.711 (98,5%) não apresentaram anomalias e 15 
(0,5%) tiveram informação ignorada. Entre os casos com anomalias, as categorias mais 
frequentes foram outras malformações e deformidades congênitas do aparelho 
osteomuscular (n = 8) e deformidades congênitas dos pés (n = 5). Também se observaram 
outras malformações congênitas do sistema nervoso (n = 4) e outras malformações 
congênitas do aparelho digestivo (n = 4). As demais ocorrências foram raras, com registros 
isolados de malformações do aparelho circulatório (n = 1), fenda labial e fenda palatina (n 
= 1), testículo não-descido (n = 1) e hemangioma/linfangioma (n = 1). Esses achados 
indicam baixa frequência de anomalias congênitas na série histórica, com predominância 
de alterações osteomusculares entre os casos registrados (TABELA 5). 
 
Tabela 5. Frequência de anomalias congênitas e sua classificação entre nascidos vivos de mães de 10 a 14 
anos, Tocantins, Brasil, 2014–2023. 
Anomalias 
Congênitas 
Sim 25 
Não 2711 
Ignorado 15 
Tipo de Anomalias 
Congênita 
Outras malformações congênitas 
do sistema nervoso 4 
Malformações congênitas do 
aparelho circulatório 1 
Fenda labial e fenda palatina 1 
Outras malformações congênitas 
aparelho digestivo 4 
Testículo não-descido 1 
Deformidades congênitas dos pés 5 
Outra malformação e deformação 
congênita aparelho osteomuscular 8 
Hemangioma e linfangioma 1 
Sem anomalia congênita/não 
informado 2726 
Fonte: Elaborado pelos autores a partir de dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos 
(SINASC), Ministério da Saúde. 
 
A prevalência de anomalias congênitas foi baixa (0,9%), sugerindo que, nesta série, 
a gestação em menores de 14 anos se associou mais a desfechos funcionais imediatos do 
que a malformações estruturais. Estudos multicêntricos em países de baixa e média renda 
indicam que a idade materna muito precoce eleva sobretudo riscos de prematuridade, baixo 
peso e mortalidade infantil, não necessariamente a taxa de anomalias no mesmo padrão 
observado (NOORI et al., 2022; LI et al., 2020). 
 
 
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Entre os 25 casos, predominaram alterações osteomusculares e deformidades dos 
pés, perfil compatível com registro agregado e provável heterogeneidade diagnóstica na 
notificação. Em análises de gravidez precoce na América Latina, ressalta-se que sub-
registro e campos ignorados podem ocultar eventos raros, exigindo qualificação do SINASC 
e da vigilância (GONZÁLEZ-RODRÍGUEZ et al., 2024). Políticas intersetoriais que 
enfrentam violência e ampliem acesso ao pré-natal podem melhorar detecção e cuidado 
desses recém-nascidos (MEDRANO-SÁNCHEZ et al., 2025) em toda rede. 
 
5 CONCLUSÃO 
 
A análise dos nascidos vivos de mães menores de 14 anos no Tocantins (2014–
2023) evidencia um fenômeno persistente, territorialmente concentrado e socialmente 
determinado. Observou-se redução do número absoluto de casos no período, porém com 
concentração marcante nas Regiões de Saúde Médio Norte Araguaia, Bico do Papagaio e 
Capim Dourado, indicando manutenção de bolsões de maior risco. O perfil 
sociodemográfico predominante — mães pardas e com baixa escolaridade — reforça o 
papel das desigualdades estruturais e da exclusão educacional na gênese e continuidade 
do evento. 
Do ponto de vista assistencial, embora haja alta proporção de partos hospitalares e 
expressiva cobertura de pré-natal, a presença de pré-natal inadequado, prematuridade e 
baixo peso ao nascer sinaliza vulnerabilidade perinatal relevante em adolescentes muito 
jovens, exigindo qualificação do cuidado e vigilância contínua. Em conjunto, os achados 
sustentam que a gravidez em menores de 14 anos deve ser tratada como prioridade de 
Saúde Coletiva, demandando respostas intersetoriais robustas (saúde, educação, 
assistência social e sistema de justiça), com ações focalizadas nas regiões de maior 
ocorrência, prevenção da violência sexual, proteção integral e permanência escolar. 
Persistem lacunas que justificam novos estudos, especialmente com taxas por população 
feminina menor de 14, análises por município/CIR e abordagens que aprofundem 
determinantes e trajetórias de cuidado. 
 
 
 
20 Artefactum – Revista de Estudos Interdisciplinares, v. 25 n. 1, 2026 
ISSN: 1984-3852 
 
 
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