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UNIDADE IV • 1 INTOXICAÇÃO POR MEDICAMENTOS 1 Introdução 2 Desenvolvimento Intoxicação medicamentosa Intoxicação medicamentosa pode ser definida com uma série de sinais e sintomas produzidos, quando um medicamento é ingerido, inalado, injetado ou entra em contato com a pele, membranas, olhos mucosas em dose(s) acima da(s) terapêutica(s). Quanto à sua classificação, podem ser divididas em agudas ou crônicas, sendo que acordo com suas características específicas, incluindo a toxicocinética, cada droga pode apresentar um quadro de sinais e sintomas peculiares. Outros motivos, além dos desvios farmacocinéticos inerentes ao paciente e que podem levar a variabilidade da resposta medicamentosa, são a idade do indivíduo, politerapia, estado nutricional, condições clínicas graves, tabagismo, elitismo, obesidade, dentre outros. Os riscos da intoxicação por medicamentos podem variar desde manifestações clínicas mais simples, como diarréia, tonturas, enjôos e vômitos, até a quadros graves que podem levar à morte. A toxicologia é uma ciência que surgiu antes de Cristo. Desde os egípcios, gregos e dos romanos existem relatos sobre condenações a morte e sentenças que obrigavam o condenado a ingerir cianeto presente em amêndoas amargas. Durante a Ídade Média, o envenenamento acabou por ser visto como uma arte, e foi muito empregado com o intuito de eliminar pessoas indesejáveis. Com o passar dos anos, os envenenamentos reduziram e as CURSO: FARMÁCIA PROFESSOR (A): THAÍS FARIAS Olá, estudante. Tudo bem? A interação entre fármacos e organismo vivo é objeto de estudo há muitos anos, e continua recebendo importância da população científica ainda hoje. Durante as grandes guerras mundiais, muitas substâncias foram descobertas e desenvolvidas. Nesse período, também a concientização de que da mesma forma que os medicamentos auxiliam na manutenção da saúde, eles podem provocar sérios danos se mal administrados foram mais debatidos. Neste encontro, abordaremos um pouco sobre um problema enfrentando pelo Sistema de Saúde que são as intoxicações medicamentosas. E aí, vamos lá galera? UNIDADE IV • 2 intoxicações acidentais começaram a ser observadas. Hodiernamente, as intoxicações e suas consequências são uma grande preocupação da toxicologia. Nesse contexto é válido mencionar a famosa frase de Paracelsus, que diz: “Todas as substâncias são venenos, não existe nada que não seja veneno. Somente a dose correta diferencia o veneno do remédio.” O efeito tóxico causado por um fármaco, na maioria das vezes, tem início pelo acúmulo de metabólitos no corpo, o que pode levar à produção de radicais tóxicos, peroxidação lipídica, depleção de glutaiona e modificação de grupos sulfidrílicos, além de interagir diretamente com proteínas, lipídeos, carboidratos e com o DNA da célula que foi atingida. Deve ser considerada também a idiossincrasia, ou seja, a predisposição particular de cada indivíduo à influência de um agente externo no organismo, como por exemplo, a utilização de medicamento. Os medicamentos que tem um baixo índice terapêutico, são os que tem a maior probabilidade de causar efeitos tóxicos. Durante a utilização desses medicamentos, é indicada a monitorização terapêutica por meio da dosagem do fármaco ou de seus metabólitos no sangue e ajustes de dosagem para uma maior segurança para o paciente. Dentre as circunstâncias mais associadas com as intoxicações medicamentosas, podem se citadas: tentativas de suicídio, automedicação, acidentes individuais, erros de administração e/ou na prescrição de medicamentos, aborto, abuso de substâncias, dentre outros. Quanto a detecção de intoxicações medicamentosas, o diagnóstico inicialmente é clínico, mas para alguns casos, exames de urina e sangue podem auxiliar. Na maioria das intoxicações, o tratamento é de suporte; sendo que antídotos específicos podem ser necessários. Algumas estratégias que podem ser utilizadas para o tratamento em alguns casos são a administração de carvão ativado, catárticos salinos. Outro ponto importante é a manutenção das vias aéreas permeáveis. Em alguns casos, faz-se necessário tratar hipertensão e arritmias, monitorar sinais vitais e realizar ECG por 4 a 6 horas após intoxicação. Para cada tipo de intoxicação existem normas e protocolos específicos de tratamento, sendo necessárias algumas condutas para o socorro de imediato às vítimas. Nas intoxicações agudas, a avaliação clínica e o tratamento inicial devem ser o primeiro passo para a identificação e correção de situações de risco envolvidas. A identificação do medicamento e a determinação da sua concentração plasmática inicial são informações relevantes para o tratamento adequado, claro, quando é possível obtê-las. Em alguns casos, não é possível determinar o agente tóxico envolvido no episódio de intoxicação e a identificação de sinais e sintomas, através do reconhecimento das síndromes neurotóxicas, permite acompanhar o quadro clínico do paciente, para seguimento do tratamento e considerações especiais cabíveis. É através do reconhecimento da síndrome que se tenta orientar os testes diagnósticos e o tratamento, que em geral é sintomático e suportivo. UNIDADE IV • 3 Em 1980, o Ministério da Saúde criou o Sinitox, um sistema de informação vinculado a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), alimentado pela notificação voluntária de casos de intoxicação pelos diversos agentes, tais como medicamentos, inseticidas, alimentos, domissanitários, cosméticos, animais peçonhentos, produtos químicos industriais, produtos veterinários, drogas de abuso e outros. Tal sistema, teve como principal intuito, fazer com que as informações sobre medicamentos e outros agentes fossem acessíveis aos profissionais de saúde, população em geral e as autoridades de saúde pública. As notificações são provenientes de hospitais, cidadãos, médicos e outros profissionais de saúde. No entanto, por serem voluntárias, essas informações não retratam a real situação, ficando o número de intoxicações muito menor do valor real. O Sinitox é composto por Centros de Informações e Assistência Toxicológica (Ceatox) espalhados pelo pais. Foi somente a partir de 1985, que a Fiocruz passou a divulgar anualmente os casos de intoxicações e envenenamentos em humanos. Segundo dados do Sinitox, os medicamentos são os maiores agentes causadores de intoxicações humanas, sendo os benzodiazepínicos, antigripais, antidepressivos e antiinflamatórios as classes de medicamentos que mais intoxicam no Brasil. Um fato relevante no âmbito das intoxicações por medicamentos aconteceu no ano de 2003, com a publicação da Resolução RDC n° 140, de 29 de maio. Tal RDC permitiu o compêndio de bulas de medicamentos e normatização de uma linguagem mais fácil e acessível ao usuário, com informações mais completas aos profissionais de saúde. Um dos grandes desafios da saúde pública atual é notificar e assistir as intoxicações em humanos, principalmente aquelas que estão relacionados à utilização de medicamentos. Isso porque a grande facilidade de acesso a eles juntamente à adoção de práticas populares comuns como: a automedicação e a polifarmácia, contribuem consideravelmente para que ocorra o agravamento das intoxicações medicamentosas. O atendimento e suporte inicial ao paciente intoxicado segue etapas básicas. A presença do profissional farmacêutico é de suma importância neste processo, visto que, ele é o detentor privilegiado do conhecimento dos medicamentos, de modo a assegurar que o paciente obtenha sempre os melhores resultados clínicos através de uma farmacoterapia apropriada, objetivando contribuir para a restauração do estado de saúde e de qualidade de vida dos pacientes, promovendo o uso racional e prevenindo problemas e interações relacionadosa utilização de medicamentos. Faz-se necessário também medidas educativas que alertem a população dos riscos envolvidos com a utilização inadequada de medicamentos, e com a prática da automedicação. UNIDADE IV • 4 À medida que o conhecimento dos agentes tóxicos, de suas características de toxicidade, seus mecanismos de ação, bem como do quadro clínico que produzem passam a ser de domínio e conhecimento dos profissionais de saúde, a hipótese diagnóstica da intoxicação pode ser incluída na avaliação dos pacientes. Logo, o reconhecimento do agravo assim como a modelagem de seu perfil epidemiológico podem contribuir para o desenvolvimento das políticas de saúde necessárias para sua prevenção e controle. Daí a importância das notificações dos quadros de intoxicação serem realizadas. 3 Encerramento Durante a leitura você aprendeu um pouco sobre as interações medicamentosas. Que tal testar como estão os seus conhecimentos prévios antes da aula síncrona? Agora que você terminou essa leitura, mãos à obra! É só clicar na Análise Diagnóstica e responder às questões propostas. Vamos em frente! Aproveite os materiais da pré-aula e continue aprofundando os seus estudos. Anote as dúvidas e pergunte ao vivo ao professor da disciplina. Estaremos juntos no próximo encontro Pré-aula, até lá! REFERÊNCIAS As bases farmacológicas da terapêutica de Goodman & Gilman [recurso eletrônico] / Organizadores, Laurence L. Brunton, Randa Hilial-Dandan e Bjorn Knollman; [tradução: Augusto Langeloh...et al.; revisão técnica: Almir Lourenço da Fonseca]. - 13. ed. - Porto Alegre: AMGH, 2019. D'AMATO, C.; TORRES, J. P. M.; MALM, O. DDT (dichlorodiphenyltrichloroethane): toxicity and environmental contamnation - a review. Química. Nova, 2002. Fundamentos em toxicologia de Casarett e Doull [recurso eletrônico] / Cutis D. Klaassen, Jonh B. Waltikns III; [TRADUÇÃO: Adelaide José Vaz... Et al.] revisão técnica: Flavia Thiesen, Alice A. Da Matta Chasin. - 2. ed. - Dados eletrônico - Porto Alegre, ABGH, 2012. Manual de toxicologia clínica [recurso eletrônico] / Organizador, Kent R. Olson; [Organizadores associados, Ilene B. Anderson...et al.]; tradução: Denise Costa Rodrigues, Maria Elisabete Costa Moreira; revisão técnica: Rafael Linden. - 6. ed. - Dados eletrônicos. - Porto Alegre: AMGH, 2014. Toxicologia analítica / Regina Lúcia de Moraes Moreau, Maria Elisa Pereira Bastos de Siqueira. - 2. ed. - Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017.il. (Ciências farmacêuticas). Toxicologia forense / Daniel Junqueira Dorta...[et al.] - Saão Paulo: Blucher, 2018. Toxicologia [recurso eletrônico] / Roberto Marques Damiani… [et al.]; revisão técnica: Liane Nanci Rotta. - Porto Alegre: SAGAH, 2021.