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Aprendizagem e Desenvolvimento Motor - EAD

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APRENDIZAGEM E 
DESENVOLVIMENTO MOTOR
Prof.a Ma. fernanda GiMenez Milani
Reitor: 
Prof. Me. Ricardo Benedito de 
Oliveira
Pró-Reitoria Acadêmica: 
Maria Albertina Ferreira do 
Nascimento
Diretoria EAD: 
Prof.a Dra. Gisele Caroline 
Novakowski
PRODUÇÃO DE MATERIAIS
Diagramação:
Alan Michel Bariani
Thiago Bruno Peraro
Revisão Textual:
Fernando Sachetti Bomfim
Marta Yumi Ando
Olga Ozaí da Silva
Simone Barbosa
Produção Audiovisual:
Adriano Vieira Marques
Márcio Alexandre Júnior Lara
Osmar da Conceição Calisto
Gestão de Produção: 
Cristiane Alves
© Direitos reservados à UNINGÁ - Reprodução Proibida. - Rodovia PR 317 (Av. Morangueira), n° 6114
 Prezado (a) Acadêmico (a), bem-vindo 
(a) à UNINGÁ – Centro Universitário Ingá.
 Primeiramente, deixo uma frase de Só-
crates para reflexão: “a vida sem desafios não 
vale a pena ser vivida.”
 Cada um de nós tem uma grande res-
ponsabilidade sobre as escolhas que fazemos, 
e essas nos guiarão por toda a vida acadêmica 
e profissional, refletindo diretamente em nossa 
vida pessoal e em nossas relações com a socie-
dade. Hoje em dia, essa sociedade é exigente 
e busca por tecnologia, informação e conheci-
mento advindos de profissionais que possuam 
novas habilidades para liderança e sobrevivên-
cia no mercado de trabalho.
 De fato, a tecnologia e a comunicação 
têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, 
diminuindo distâncias, rompendo fronteiras e 
nos proporcionando momentos inesquecíveis. 
Assim, a UNINGÁ se dispõe, através do Ensino 
a Distância, a proporcionar um ensino de quali-
dade, capaz de formar cidadãos integrantes de 
uma sociedade justa, preparados para o mer-
cado de trabalho, como planejadores e líderes 
atuantes.
 Que esta nova caminhada lhes traga 
muita experiência, conhecimento e sucesso. 
Prof. Me. Ricardo Benedito de Oliveira
REITOR
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uNIDADE
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SuMáRIO DA uNIDADE
INTRODuçãO ........................................................................................................................................................... 5
1. O CONTEXTO DO DESENVOLVIMENTO MOTOR NA INFÂNCIA E A EDuCAçãO FÍSICA ............................... 6
1.1 DOMÍNIOS DO COMPORTAMENTO HuMANO: MOTOR, COGNITIVO E AFETIVO .........................................7
1.2 FASES DO DESENVOLVIMENTO MOTOR ....................................................................................................... 9
1.3 FASES MOTORA ................................................................................................................................................10
1.3.1 FASE DO MOVIMENTO REFLEXO ...................................................................................................................10
1.3.2 FASE DO MOVIMENTO RuDIMENTAR ......................................................................................................... 11
1.3.3 FASE DO MOVIMENTO FuNDAMENTAL .....................................................................................................12
1.3.4 FASE DO MOVIMENTO ESPECIALIZADO .....................................................................................................13
1.4 O MODELO DA AMPuLHETA .............................................................................................................................13
1.5 EXEMPLOS DE HAbILIDADES MOTORAS ENVOLVIDAS EM DIFERENTES CONTEXTOS ESPORTIVOS ..14
INTRODuçãO AO DESENVOLVIMENTO MOTOR
Prof.a Ma. fernanda GiMenez Milani
Ensino a distância
DISCIPLINA:
APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO MOTOR
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1.6 DESENVOLVIMENTO COGNITIVO ....................................................................................................................16
1.7 APRENDIZAGEM COGNITIVA ............................................................................................................................17
1.7.1 APRENDIZAGEM DE CONCEITOS ...................................................................................................................17
1.7.2 APRENDIZAGEM PERCEPTIVO-MOTORA ....................................................................................................17
1.8 DESENVOLVIMENTO AFETIVO .........................................................................................................................17
CONSIDERAçÕES FINAIS ......................................................................................................................................19
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EDUCAÇÃO A DistânCiA
INTRODuçãO
Neste primeiro capítulo, abordaremos, de modo geral, o movimento. Já parou para pensar 
no que seria de nós sem o movimento? Seja apenas o ato de movimentar a cabeça ou tronco, 
membros inferiores ou superiores, ou o movimento do corpo inteiro, o movimento nos auxilia 
em diversas tarefas. Além disso, a nossa própria existência depende do movimento, como, por 
exemplo, as batidas do nosso coração, que é o que nos faz manter vivos. Dessa forma, podemos 
dizer que o MOVIMENTO é vida.
Então, compreender como adquirimos o controle e aprimorarmos a nossa habilidade 
sobre o movimento que realizamos é essencial. Portanto, você aluno, vai ter a possibilidade de 
compreender a introdução do estudo em Desenvolvimento Motor, que, de maneira geral, pode 
ser compreendido pelo processo de mudança que ocorre ao longo da vida. 
Nesse sentido, um importante estudioso, um cinesiólogo do desenvolvimento (termo 
desenvolvido por Smoll (1982) e que podemos usar para descrever pessoas que estudam 
desenvolvimento motor), que através de modelos em formato de ampulheta, permitiu-nos 
compreender como funciona esse desenvolvimento motor, é David Gallahue. Por isso, você vai 
ler muito a respeito dele ao longo das unidades.
Ao longo da unidade, discutiremos a respeito de conceitos que precisam ser entendidos 
a fim de não tratarmos todos com o mesmo significado. Vale lembrar que as informações 
apresentadas ao longo da disciplina não é um veredito, mas sim uma tentativa de abordar o que 
mais encontramos sobre o tema. Porém, o campo científico está em constante evolução, por isso, 
é importante que você esteja em constante busca de informações.
Ao compreender como o desenvolvimento motor ocorre, bem como alguns conceitos, 
você aluno, que futuramente atuará como professor, conseguirá explorar de maneira mais criativa 
e humana a sua aula de Educação Física, que tem papel muito importante no decorrer desse 
processo de desenvolvimento.
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EDUCAÇÃO A DistânCiA
1. O CONTEXTO DO DESENVOLVIMENTO MOTOR NA INFÂNCIA E A 
EDuCAçãO FÍSICA
Sabe-se que o ser humano passa por diversas fases ao longo da vida. Essas fases são 
como marcos do crescimento maturacional psicológico e motor, que são determinantes no 
aprendizado de diferentes habilidades. Segundo Gallahue (2008, p. 38), pode-se compreender 
por desenvolvimento o “[...] processo contínuo de mudanças ao longo do tempo que se inicia na 
concepção e cessa somente na morte”. Embora seja um processo contínuo de mudanças ao longo 
da vida, é preciso que seja didaticamente separado em fases para que os estudiosos da educação 
física e áreas afins consigam visualizar melhor o processo de aquisição das habilidades motoras. 
Dentre várias metodologias existentes propostas por diferentes autores para se identificar 
o nível de desenvolvimento, está a categorização por idade cronológica (GALLAHUE & OZMUN, 
2005), assim há uma divisão em diferentes grupos de acordo com as faixas etárias. Portanto, à 
medida que o tempo vai passando, o desenvolvimento ocorre. É importante que você, aluno, 
compreenda que, mesmo que seja uma divisão comumente aceita para identificar as mudanças 
no nosso desenvolvimento motor ao longo da vida classificada em faixas etárias, há que se 
considerar as individualidades que permitem que haja exceções à regra. O que isso quer dizer?cada indivíduo possui seu próprio tempo de 
desenvolver os neurônios e o organismo. 
Para finalizarmos, espero que você, aluno, possa ter conseguido compreender todos esses 
processos e possa entender que, mais uma vez, vou enfatizar bastante isso, não podemos pensar 
no indivíduo com um ser que somente se movimenta, mas um ser que também possui um sistema 
cognitivo funcionando dentro dele, e que, em algumas situações, esse predomina muito de modo 
que a criança precisa ter respeito e paciência das pessoas ao redor.
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uNIDADE
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SuMáRIO DA uNIDADE
INTRODuçãO .......................................................................................................................................................... 39
1. FORMAS DE MOVIMENTO ................................................................................................................................. 40
1.1 PADRãO DE MOVIMENTO ................................................................................................................................ 40
1.2 PADRãO DE MOVIMENTO FuNDAMENTAL ................................................................................................... 40
1.3 PADRÕES DE MOVIMENTO E HAbILIDADE DE MOVIMENTO ..................................................................... 40
1.4 HAbILIDADES ESPORTIVAS .............................................................................................................................41
2. DEFINIçÕES .........................................................................................................................................................41
3. ESquEMAS uNIDIMENSIONAIS DE CLASSIFICAçãO DAS HAbILIDADES .................................................. 42
3.1 ASPECTOS MuSCuLARES ............................................................................................................................... 42
3.2 ASPECTOS TEMPORAIS .................................................................................................................................. 42
3.3 ASPECTOS AMbIENTAIS ................................................................................................................................. 43
HAbILIDADES MOTORAS
Prof.a Ma. fernanda GiMenez Milani
Ensino a distância
DISCIPLINA:
APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO MOTOR
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4. ASPECTOS FuNCIONAIS DAS HAbILIDADES ................................................................................................. 44
5. RESuMO DO MODELO uNIDIMENSIONAL PARA CLASSIFICAçãO DOS MOVIMENTOS ........................... 44
5.1 uSO DAS HAbILIDADES .................................................................................................................................. 44
6. ESquEMAS bIDIMENSIONAIS DE CLASSIFICAçãO DAS HAbILIDADES ..................................................... 45
6.1 ESquEMA bIDIMENSIONAL PROPOSTO POR GENTILE .............................................................................. 45
6.2 ESquEMA bIDIMENSIONAL DE GALLAHuE ................................................................................................. 48
6.3 ESquEMAS MuLTIDIMENSIONAIS ............................................................................................................... 50
CONSIDERAçÕES FINAIS ...................................................................................................................................... 53
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INTRODuçãO
Nesta unidade, será abordado de maneira mais profunda as habilidades motoras. Ao 
longo da nossa vida, durante o nosso dia a dia, nós realizamos muitas habilidades para atingirmos 
um determinado objetivo. Por exemplo, para ir a um consultório médico, ao mercado ou a casa 
de um parente, nós precisamos utilizar a habilidade motora de caminhar; para realizar tarefas da 
faculdade, fazer uma lista de compras, precisa desenvolver a habilidade motora de escrever; para 
se acomodar em uma sala de cinema, ou uma mesa para jantar, nós precisamos desenvolver a 
habilidade de sentar e levantar de uma poltrona ou cadeira. 
Você já realizou hoje ou está realizando nesse exato momento uma atividade motora. 
Provavelmente, você desenvolveu a habilidade de sentar em uma cadeira, digitar, escrever, entre 
outras. Viu só como as habilidades são essenciais no nosso cotidiano? Porém, para que você 
conseguisse realizar todas essas habilidades de maneira proficiente, você teve que primeiro 
aprender a realizá-las e depois refiná-las durante o ciclo da vida, em um processo conhecido 
como aprendizagem motora, que, como já vimos anteriormente, é definida como mudanças 
internas na capacidade de realizar movimento/habilidade motora já adquiridas, tendo em vista 
que modificações são decorrentes da prática ou experiência, de modo a tornar a execução da 
habilidade mais eficiente.
Além desse processo de aprendizagem, nós podemos perceber que existem semelhanças 
entre as habilidades motoras, como, por exemplo, o ato de caminhar e de correr. Elas são 
diferentes, porém, ambas são usadas com o objetivo de locomoção do recrutamento de grandes 
agrupamentos musculares. Para o ato de escrever e digitar também acontece isso por ambas terem 
que manipular um objeto e necessitarem de recrutamento de pequenos grupamentos musculares 
para que o movimento seja mais preciso.
Portanto, nesta unidade você aluno poderá compreender, todo o conceito de habilidade 
motora, alguns esquemas de classificação (unidimensional, bidimensional de Gentile e Gallahue 
e multidimensional), as tarefas de aprendizagem e também a análise dessas tarefas.
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1. FORMAS DE MOVIMENTO
O termo movimento refere-se a mudanças realizadas por qualquer parte do corpo humano. 
O movimento é, portanto, um ato resultante de processos motores. Assim, a palavra movimento, 
em geral, pode ser definida com o ato de movimentar-se. Desse modo, iremos abordar alguns 
termos e significados que são muito usados e que estão relacionados com o movimento.
1.1 Padrão de Movimento
São diversos movimentos organizados e relacionados. Para melhor compreender o padrão 
de movimento, diremos que consiste na performance de apenas um movimento, que é muito 
específico e que, portanto, não pode ser classificado como um padrão de movimento fundamental, 
por exemplo, realizar apenas e exclusivamente a movimentação do braço lateralmente ao corpo, 
movimentação do antebraço ou elevação ao máximo o braço para cima. Perceba que esses 
movimentos não compõem os movimentos fundamentais do arremesso, por exemplo. Eles são 
somente uma série de movimentos organizados.
1.2 Padrão de Movimento Fundamental
O padrão de movimento fundamental está relacionado à performance de movimentos 
básicos da locomoção, manipulação e estabilização. Nesse padrão, existe a combinação de dois 
ou mais segmentos corporais. Por exemplo, correr e saltar, bater e arremessar, virar e girar, 
são exemplos desses movimentos fundamentais de locomoção, manipulação e estabilização, 
respectivamente. 
1.3 Padrões de Movimento e Habilidade de Movimento
Embora o termo padrão de movimento e habilidade do movimento serem usados 
frequentemente como sinônimos e habilidade do desenvolvimento seja o mesmo que habilidade 
motora, existe uma pequena diferença. 
A habilidade motora dá ênfase para as contribuições dos mecanismos que não estão 
claramente explícitos, como, mecanismos neurais, musculares, biomecânicos, perceptivos, 
a habilidade de movimento, enfatiza aquilo que nós realmente podemos ver. Por exemplo, 
um pesquisador em seu laboratório foca nos aspectos motores das habilidades, enquanto o 
profissional em sua prática, no dia a dia, foca nos aspectos observáveis do movimento relativo à 
aprendizagem.
A habilidade de movimento tem foco na precisãoe se limita a apenas movimentos que 
são relevantes; já no padrão de movimento fundamental, tem ênfase no movimento e se limita a 
precisão, que não é pensada como um objetivo.
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1.4 Habilidades Esportivas
As habilidades esportivas são definidas como o refinamento ou a união de padrões de 
movimentos fundamentais, ou de habilidades de movimento na execução de alguma atividade 
relacionada com o contexto esportivo. Os padrões de movimento fundamentais são desenvolvidos 
até um grau de precisão elevado e aplicados nos esportes. Por exemplo, girar o corpo e bater, são 
desenvolvidos e aplicados na rebatida do beisebol, de forma horizontal, e de forma vertical, para 
jogar golfe. 
A performance de determinada habilidade esportiva exige que cada vez mais o indivíduo 
realize alterações de inúmeros detalhes nos movimentos, para que enfim alcance níveis de 
habilidades elevados.
Figura 1 – Exemplos de habilidades esportivas. Fonte: Fonplata (2018).
2. DEFINIçÕES
De acordo com Magill (2000), a habilidade refere-se a “[...] uma tarefa com uma finalidade 
específica a ser atingida”. Nesse caso, podemos considerar o fato de que realizar operações como 
divisão e multiplicação são habilidades matemáticas, da mesma forma, realizar um chute é uma 
habilidade motora, diferente de chutar uma bola, que é na verdade uma habilidade do esporte, 
nesse caso do futebol.
Já a habilidade motora é definida como “presença de movimento humano de maneira 
voluntária, usando membros ou o corpo todo a fim de atingir uma meta pré-estabelecida” 
(MAGILL, 2000). Uma das características das habilidades motoras é que elas necessitam ser 
aprendidas. Por exemplo, jogar vôlei, claramente o indivíduo não nasce sabendo desempenhar 
essas habilidades, e, portanto, é necessário que ele aprenda. Outro exemplo é de uma habilidade 
muito usada pelos seres humanos, a caminhada, que precisa ser aprendida na infância e que, 
quando adulto, o indivíduo saiba realizar de maneira correta e automática.
Para aprendermos executar uma habilidade motora, primeiramente precisamos passar 
pelo processo de aprendizagem, que nada mais é aprender ou modificar as habilidades, como 
resultado de experiências vividas, de estudos e observações, ou seja, a habilidade nunca é 
aprendida de maneira muito rápida.
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O aprendizado pode ser dividido em fases, que inicia com uma fase inicial, onde o 
indivíduo precisa ter muita atenção para executar a habilidade. Nessa fase, existem muitos erros 
e inconsistência na execução. Depois, passa para a fase final, onde já não é mais preciso ter tanta 
atenção e há poucos erros na execução.
Existem muitas habilidades motoras e que são agrupadas baseadas em características 
comuns.
3. ESquEMAS uNIDIMENSIONAIS DE CLASSIFICAçãO DAS 
HAbILIDADES
Os esquemas unidimensionais categorizam as habilidades através de aspectos musculares, 
temporais, do meio ambiente e funcionais.
3.1 Aspectos Musculares
Esse aspecto realiza uma categorização baseada no tipo de grupamentos musculares 
utilizados para executar o movimento, podendo ser de coordenação motora grossa e coordenação 
motora fina. 
A habilidade de coordenação motora grossa envolve o uso de grandes grupamentos 
musculares, sem precisar de muita precisão no movimento.
Já a habilidade de coordenação motora fina usa pequenos grupamentos musculares e 
necessita de uma maior precisão na execução do movimento, principalmente aquele que envolve 
coordenação de mãos e olhos. 
COORDENAÇÃO MOTORA GROSSA COORDENAÇÃO MOTORA FINA
Chutar Escrever
Arremessar Digitar
Rebater Costurar
Correr Pintar
Pular Desenhar
Quadro 1 - Exemplos de habilidades de coordenação motora grossa e coordenação motora fina. Fonte: O autor 
(2020).
3.2 Aspectos Temporais
Esse aspecto classifica as habilidades conforme as diversas formas de realizar a execução 
de um movimento, podendo ser categorizadas como, discreta, em série ou contínua. Uma 
habilidade discreta possui um início e um final bem definidos de pequenas durações e com 
posições definidas, por exemplo, o arremesso, um chute, salto no atletismo, entre outros.
Quando as habilidades discretas são combinadas e repetidas várias vezes, gerando uma 
sequência de movimentos, essa se classifica com sendo habilidade em série, por exemplo, uma 
sequência de ginástica.
Por fim, as habilidades contínuas são aquelas constituídas por movimentos repetitivos 
durante alguns minutos, não podendo determinar um início e um fim. Por exemplo, corrida, 
natação e ciclismo.
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Figura 2 - Exemplos de habilidades discretas, em série e contínuas. Fonte: Atletismo na escola (2020); Dicas Educa-
ção Física (2017); Ativo (2015).
3.3 Aspectos Ambientais
Esse aspecto classifica as habilidades com base na estabilidade do ambiente em que ela é 
realizada, ou seja, remete ao objeto na qual o indivíduo vai interagir ou o contexto que executa a 
habilidade. Nesse sentido, as habilidades podem ser classificadas em habilidade motora fechada 
ou habilidade motora aberta.
A habilidade motora fechada é executada em um ambiente previsível, onde o contexto, 
o objeto a ser utilizado na ação, não altera, e sim espera que indivíduo execute a ação sobre ele. 
Assim, a pessoa que vai realizar a habilidade pode previamente analisar, organizar os movimentos, 
sem sentir pressão e por realizar a ação sem necessidade de ajustes repentinos. Por exemplo, 
caminhar por uma casa vazia, enquanto você caminha o contexto do ambiente não irá mudar. 
Outros exemplos, são: chutar uma bola parada e atirar uma flecha em um alvo que está parado. 
Percebe-se que nessas ações o indivíduo pode iniciar a ação sem pressão e de acordo com sua 
vontade.
A habilidade motora aberta é realizada em ambiente em que as condições não são 
previsíveis, ou seja, estão em constante mudanças. Por isso, quando o indivíduo for realizar a 
ação, deve-se perceber o ambiente para ajustar o movimento, que geralmente é rápido e exige 
flexibilidade. Por exemplo, habilidades que serão desempenhadas durante os esportes exigem que 
o indivíduo realize uma leitura do ambiente (adversários, colegas do time, bola), para somente 
assim realizar o movimento. Vamos pensar em uma situação de jogo, em que seu adversário 
realiza um chute para o gol, o goleiro deve escolher para qual lado se movimentar, sendo essa 
uma situação imprevisível. Assim, para ter sucesso, ele precisa se deslocar e agir de acordo com 
o espaço e a velocidade da bola.
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Figura 3 - Exemplos de habilidade motora fechada e habilidade motora aberta. Fonte: Uncomo (2020); Globo Es-
porte (2018).
4. ASPECTOS FuNCIONAIS DAS HAbILIDADES
O aspecto funcional categoriza as habilidades como: estabilizadoras, locomotoras ou 
manipulativas. 
•	 Estabilizadora: requer muito equilíbrio.
•	 Locomotora: movimento que envolve a alteração da localização do corpo.
•	 Manipulativa: diz respeito a aplicar força ou receber força de algum objeto (manipulação 
rudimentar), e utilizar os músculos da mão (manipulação refinada).
5. RESuMO DO MODELO uNIDIMENSIONAL PARA CLASSIFICAçãO 
DOS MOVIMENTOS
No quadro a seguir, vamos conseguir visualizar de maneira clara e objetiva como o 
esquema unidimensional realiza a categorização das habilidades.
5.1 uso das Habilidades 
De maneira geral, essas habilidades são sempre usadas em combinação de uma ou mais 
categoria. Vejamos algumas situações de exemplos:
No jogo de basquete, usamos habilidades locomotoras para correr ou saltar, as habilidades 
manipulativas, para arremessar, quicar a bola ou passar, e as estabilizadoras, para realizar os giros.No jogo de futebol, o jogador utiliza durante uma cobrança de pênalti a habilidade de 
coordenação motora grossa; ao tocar a bola, a habilidade de manipulação; e a habilidade motora 
fechada já que a bola está parada esperando que o jogador realize o chute.
No vôlei, usamos a habilidade de coordenação motora grossa ao atacar a bola; a habilidade 
de locomoção para um salto; habilidade de manipulação para tocar a bola e habilidade motora 
aberta, pois é necessário que haja uma organização do movimento de acordo com a direção e 
velocidade da bola.
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No futebol americano, utiliza-se habilidade locomotora para correr e desviar dos 
adversários para receber a bola; habilidade manipulativas para receber o passe e estabilizadoras 
para recuperar o equilíbrio após contato físico com o adversário.
Quadro 2 - Categorização das habilidades de acordo com o modelo unidimensional. Fonte: Gallahue; Ozmun; 
Goodway (2013).
6. ESquEMAS bIDIMENSIONAIS DE CLASSIFICAçãO DAS 
HAbILIDADES
Os esquemas bidimensionais são mais completos para reconhecer o movimento humano 
quando comparado com os modelos unidimensionais. Ainda é possível através desse esquema 
compreender o movimento desde o mais simples até o mais complexo, partindo do geral para o 
específico, então, o diferencia dos modelos unidimensionais. O modelo bidimensional é proposto 
por Gentile (2000) focando no processo de aprendizagem da habilidade.
6.1 Esquema bidimensional Proposto por Gentile
Gentile (2000), em seu modelo, foi além do proposto no esquema unidimensional. Esse 
esquema leva em conta, dois aspectos, sendo eles o ambiente em que a habilidade é realizada e a 
intenção ou a função de realizar tal habilidade. 
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O aspecto do contexto ambiental, de acordo com Gentile (2000), é [...] existência de 
condições reguladoras estacionárias ou móveis e com ou sem variabilidade nas tentativas. Ao 
fazer essa classificação, Gentile aborda que os movimentos devem estar de acordo com o ambiente, 
para que assim possam desempenhar com sucesso. Por exemplo, para realizar uma corrida, os 
movimentos devem ser adequados com o terreno que o pé faz contato. Além disso, as condições 
reguladoras podem ser divididas em duas, estacionárias ou móveis:
Estacionárias: ocorre quando a tarefa é desempenhada em um ambiente fixo, ou seja, 
o contexto ambiental não muda, como, por exemplo, subir escadas, arremessar lance livre no 
basquete.
Figura 4 – Exemplos de tarefas desempenhadas em condições estacionárias. Fonte: Unimed (2016); Dourados Es-
portivos (2018). 
Figura 5 – Exemplos de tarefas desempenhadas em condições móveis. Fonte: Freepik (2020); Revista Tênis (2017).
Perceba que, nessa categoria, existe uma hierarquia de dificuldade, pois é mais fácil 
executar um movimento em condições estacionárias do que em condições móveis.
As condições reguladoras apresentam ou não variabilidade nas tentativas de executar 
determinados movimentos. Se durante a execução de uma habilidade, forem as mesmas, não 
há variação, ou seja, sentar em uma cadeira da mesma altura várias vezes, os movimentos não 
mudarão, o mesmo, por exemplo, acontece para caminhar em um ambiente vazio, pois os passos 
não mudarão.
Entretanto, se durante a execução da habilidade, existir uma variação, existirá 
consequentemente uma variabilidade, como, por exemplo, sentar em uma cadeira de alturas 
diferentes, os movimentos sempre serão diferentes, pois é necessário adaptar-se às diferentes 
alturas, da mesma forma para caminhar em um ambiente cheio de pessoas, onde os passos 
deverão ser dados de modo a não colidir com outras pessoas.
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EDUCAÇÃO A DistânCiA
Nesse sistema, também podemos perceber que há uma progressão na dificuldade do 
movimento, onde executar movimentos onde não há variabilidade entre as tentativas é mais fácil 
do que quando temos que realizar com variabilidade.
A função intencional, de acordo com Gentile (2000), diz respeito ao envolver ou não 
a movimentação do corpo e manipulação de um objeto durante o desempenho de alguma 
habilidade. Essa combinação de mover ou não o corpo associada a manipular ou não um objeto 
resulta, portanto, na opção de ficar parado ou se movimentar com ou sem manipulação de objeto. 
Até aqui, foi possível compreender os fatores do contexto ambiental e a função intencional 
das tarefas, conforme proposto por Gentile (2000), entretanto, como o próprio nome bidimensional 
já sugere, é necessário que todos esses fatores sejam utilizados em conjunto para análise da 
habilidade motora. Assim, para cada uma das quatros subcategorias criada das combinações 
do contexto ambiental, há também quatro categorias associadas à função intencional da tarefa, 
formando assim um esquema com 16 categorias de habilidades.
Observe no quadro a seguir, na primeira coluna, as combinações do contexto ambiental 
estão sendo representadas da mais fácil para a mais complexa. Na segunda linha da tabela, estão 
as combinações do fator intencional da tarefa, sendo apresentadas da esquerda para a direita 
como sendo da mais fácil para a mais difícil, respectivamente.
Os números que estão realçados em negrito representam a complexidade das 
habilidades. Observem que, no quadrante superior esquerdo, encontram-se as condições fixas 
sem variabilidade, não envolvendo a locomoção do corpo, por isso, são caracterizadas como 
menos complexas. Em contrapartida, no quadrante inferior direito, encontram-se as habilidades 
realizadas em condições reguladoras em movimento e com locomoção do corpo, por isso, são 
consideradas mais complexas.
Esse esquema proposto por Gentile (2000) é excelente para compreender sobre as 
habilidades e as características que permitem diferenciá-las e relacioná-las com as outras.
Função intencional da tarefa
Contexto ambiental Estabilidade sem 
manipulação
Estabilidade com 
manipulação
Locomoção sem 
manipulação
Locomoção com 
manipulação
Condições regula-
doras fixas + sem 
variabilidade entre 
as tentativas
1
Sentar-se em uma 
cadeira
2
Arremessar um 
dardo no alvo
3
Caminhar sobre 
uma superfície 
plana
4
Caminhar com 
um balde
Condições regula-
doras fixas + varia-
bilidade entre as 
tentativas
5
Sentar-se em cadei-
ras fixas de diferen-
tes alturas
6
Arremessar um 
dardo no alvo em 
diversas alturas
7
Caminhar sobre 
uma superfície es-
corregadia
8
Caminhar sobre 
uma superfície 
escorregadia com 
um balde
Condições regu-
ladoras em movi-
mento + sem varia-
bilidade entre as 
tentativas
9
Ficar em pé sobre 
uma escada rolante
10
Chutar uma bola 
rolando
11
Caminhar sobre 
uma escada rolante
12
Arremessar um 
dardo durante 
uma corrida
Condições regula-
doras em movimen-
to + variabilidade 
entre as tentativas
13
Sentar-se sobre uma 
bola de pilates com 
os pés suspensos
14
Receber uma bolsa 
arremessada em di-
ferentes velocidades
15
Correr e, em segui-
da, saltar em dife-
rentes alturas
16
Correr para re-
ceber uma bola 
no ar
Quadro 3 - Adaptação do esquema bidimensional de Gentile para a classificação do movimento. Fonte: O autor 
(2021).
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6.2 Esquema bidimensional de Gallahue
Esse modelo baseia-se na função intencional do movimento e também no desenvolvimento 
motor.
A função intencional do movimento é classificada como estabilizadora, locomotora e 
manipulativa. Já as fases do desenvolvimento motor são a reflexa, a rudimentar, a fundamental 
e a especializada, em que, dentro de cada uma delas, podemos observar os movimentos 
estabilizadores, locomotores e manipulativos.
Os movimentos reflexos envolvem movimentos involuntários, dainfância precoce, em 
que reflexos corpóreos verticais são exemplos de reflexos estabilizadores. Por exemplo, os reflexos 
de marcha e engatinhar, como reflexo locomotor, e a preensão plantar, como reflexo manipulativo.
Figura 6 - Exemplos de movimentos reflexos. Fonte: Sou mamãe (2018); Kinedu (2019).
Os movimentos rudimentares são aqueles onde a criança realiza os primeiros movimentos 
voluntários, onde o controle muscular da cabeça, pescoço e tronco são chamados de rudimentares 
estabilizadores. Como exemplo de rudimentares locomotores, podemos citar o ato de rastejar, 
engatinhar e andar. E, por fim, o ato de soltar e agarrar objetos, como sendo rudimentares 
manipulativos.
Figura 7 - Exemplos de movimentos rudimentares. Fonte: Escobar (2019); Macetes de mãe (2013).
Os movimentos fundamentais são aquelas habilidades que envolvem coordenação motora 
grossa, muito utilizadas no dia a dia e que são dominadas durante a infância, como exemplo de 
movimentos fundamentais estabilizadores, o ato de ficar em pé sem apoio realizar rolamentos e 
equilibrar-se. Os movimentos fundamentais locomotores são: saltar, correr, entre outros e, por 
fim, os movimentos fundamentais manipulativos são, por exemplo, arremessar, chutar e receber.
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Figura 8 - Exemplos de movimentos fundamentais. Fonte: Flau Brinquedos (2020); Instituto Pensi (2015); Ehow 
(2017).
Os movimentos especializados são aqueles que por fim foram refinados ou combinados 
a outros mais complexos. Os movimentos especializados de estabilidades são: caminhar sobre 
um chão escorregadio ou executar uma série de ginástica no solo ou barra. Como exemplo de 
habilidades especializada manipulativa, podemos citar: o arremesso no basquete e o chute no 
futebol, e, por fim, os movimentos especializados locomotores, incluem correr uma prova de 100 
metros rasos ou os 50 metros no nado crawl.
Figura 9 - Exemplos de movimentos especializados. Fonte: Youtube (2017); Freepik (2020); Él País (2019).
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Segue um exemplo de acordo com o modelo bidimensional de Gallahue de classificação 
do movimento.
Quadro 4 - Modelo bidimensional de Gallahue de classificação do moimento. Fonte: Compreendendo o desenvol-
vimento motor (2020).
6.3 Esquemas Multidimensionais
Esses esquemas consideram uma ampla variedade de importantes fatores cognitivos e 
afetivos, onde o instrutor, sejam eles, os pais, professores, técnicos, entre outros, primeiro decide 
os objetivos da aprendizagem de tal habilidade (seja para fins cotidianos, para participação em 
atividades esportivas ou atividades de lazer), entretanto, é preciso primeiro determinar alguns 
pontos:
1. Em qual fase do desenvolvimento motor (reflexiva, rudimentar, fundamental ou 
especializada) o aprendiz se encontra?
2. Em qual nível de aprendizado da habilidade do movimento o aprendiz está (iniciante, 
intermediário ou avançado)?
3. Qual é o tipo da habilidade do movimento (habilidade de coordenação motora grossa 
ou fina/ discreta, continua ou em série/ de locomoção, estabilização ou manipulação/ 
habilidade motora aberta ou fechada) que deve ser realizado? 
4. Quais são as exigências do movimento para executar a tarefa? (Do que o aprendiz 
precisa em termos de força e resistência muscular, flexibilidades articular, resistência 
aeróbia, potencia, equilíbrio, entre outros).
A partir dessas informações, o instrutor pode escolher de maneira correta e consciente o 
que ensinar, onde ensinar, quando ensinar e como ensinar uma habilidade ou a combinação de 
várias habilidades. 
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Quadro 5 – Modelo de habilidade multidimensional. Fonte: Compreendendo o desenvolvimento motor (2020).
Você sabia que algumas atividades físicas podem influenciar positivamente no 
desenvolvimento motor da criança? Por exemplo, natação para bebês vem sendo 
muito utilizada como forma de melhorar as funções neuromotoras, fortalecimento 
da musculatura, melhora da percepção sensorial, melhora da coordenação motora, 
do equilíbrio, da noção espaço temporal e da consciência corporal. Dessa forma, 
inserir a criança desde bebê nessa atividade oportuniza inúmeras experiências 
de aprendizado, criando um enorme repertório motor, de modo que favorece o 
desenvolvimento da motricidade da criança.
Discutimos ao longo desta unidade a questão do movimento humano. Vamos 
agora voltar para as aulas de Educação Física. Qual era o conteúdo mais abordado 
pelos professores? Podemos dizer que, em geral, era a questão esportiva, ou seja, 
o esporte muitas vezes predominava e as habilidades aprendidas nas aulas eram 
voltados para esse contexto. Porém, precisamos entender que muitos alunos 
precisam ser incentivados quanto a habilidades voltadas para dança, locomoção 
(caminha, corrida), ginástica, recreação. Assim, quando trabalhamos somente 
esportes, estamos privando muitos alunos de desenvolver habilidades motoras 
que são necessárias para o seu desenvolvimento.
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A leitura indicada dessa unidade é o livro “Educação Física desenvolvimentista para 
todas as crianças” dos autores David Gallahue e Frances Donnelly, que aborda o 
processo de desenvolvimento da criança dentro das aulas de Educação Física ou 
em contexto de atividade física. 
Outra leitura indicada é um artigo em que o objetivo foi de verificar como os 
professores de Educação Física utilizam o modelo para o ensino de habilidades 
motoras em situação real de ensino aprendizagem. Assim, após a leitura, espero 
que você, aluno, possa ter uma noção de quais os melhores modelos de realizar 
esse ensino. Leia:
• TONELLO, M. G. M.; PELLEGRINI, A. M. A utilização da demonstração para a 
aprendizagem de habilidades motoras em aulas de Educação Física. [S. l.]. Revista 
Paulista de Educação Física, v. 12, n. 2, p. 107-114, 1998. 
A indicação do filme desta unidade é “Boleiros”, de 1998, escrito por Ugo Giorgetti, 
onde ele descreve uma situação típica no futebol, em que um garoto de periferia, 
extremamente, habilidoso para sua idade, sobressai-se em um grupo de crianças 
da mesma idade que frequentam uma escolinha de futebol. Esse garoto nunca 
tinha recebido nenhuma instrução sobre a habilidade de jogar futebol. Após ver o 
filme, você ficará curioso para compreender como ele apresentava um desempenho 
tão superior quando comparado com as outras crianças. Será um talento inato? 
Ou ele tenha aprendido com base na observação, através de uma aprendizagem 
implícita? Procure saber mais.
Figura 10 - Indicação de filme. Fonte: E o vídeo levou (2020).
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CONSIDERAçÕES FINAIS
Ao longo desta unidade, podemos aprender um pouco a mais a respeito das formas de 
movimento, de modo que podemos identificar e diferenciar alguns conceitos relacionados ao 
movimento. Compreender essas diferenças são importantes quando nos referimos à execução 
de determinado movimento, entendendo que existe a possibilidade de dominar um movimento 
específico, mas que ele precisa ser unido a outros para que haja a execução de um movimento 
fundamental. Além disso, também foi possível abordar sobre habilidades esportivas, entendendo 
que elas devem estar em constante evolução até que chegue em um estágio de execução hábil e 
rápido sem necessidades de correções.
Logo em seguida, foram apresentadas definições de habilidades e habilidades motoras, 
em que em ambas existe a presença de uma meta a ser atingida. Essas habilidades necessitam 
ser aprendidas ao longo da vida, de modo que em uma hora ou outra, nós iremos desempenhá-las com facilidade e perfeição. A habilidade motora parte de movimentos voluntários que são 
compostos por fases.
Após essas definições, abordamos que essas habilidades são classificadas em diferentes 
esquemas, sendo que cada um deles possui as suas particularidades. Lembrando que elas podem 
ser unidimensionais, bidimensionais (proposto por Gentile ou Gallahue) e multidimensionais. 
Os esquemas unidimensionais levam em consideração aspectos musculares, temporais, 
ambientais ou funcionais. Já o esquema bidimensional proposto por Gentile, considera fatores 
de contexto ambiental e a função intencional da tarefa, já o de Gallahue, considera a função 
intencional da tarefa e as fases do desenvolvimento motor. Por fim, o esquema multidimensional 
leva em consideração fatores cognitivos e afetivos, em que quem vai ensinar determinada 
habilidade precisa compreender cada aspecto para escolher a melhor opção de ensinar.
Após todo esse aprendizado, os profissionais de Educação Física podem compreender 
que a vida do ser humano é baseada em movimentos, desde a infância até se tornar adulto. Por 
isso, compreender esses aspectos possibilita ao profissional decidir como e quando trabalhar essa 
questão de desenvolvimento de forma que a criança possa responder aos estímulos proporcionados. 
Ou seja, é na aula de educação física, ou até mesmo durante uma aula de personal trainer, uma 
recreação, que a criança pode estimular seu desenvolvimento.
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uNIDADE
04
SuMáRIO DA uNIDADE
INTRODuçãO .......................................................................................................................................................... 55
1. ASSIMILAçAO E ACOMODAçãO ....................................................................................................................... 56
1.1 TEORIA DA EquILIbRAçãO .............................................................................................................................. 58
1.2 DA AçãO AO PROCESSAMENTO DA OPERAçãO .......................................................................................... 59
1.3 TOMADA DE CONSCIêNCIA DA AçãO ............................................................................................................ 60
2. NOçAO DE ObJETO .............................................................................................................................................61
3. PERCEPçãO E APRENDIZAGEM ...................................................................................................................... 62
4.1 APRENDIZAGEM EMPÍRICA E LóGICO-MATEMáTICA ................................................................................. 64
4.2 COMPREENSãO E ORGANIZAçãO ................................................................................................................. 65
4.3 MOVIMENTO E PENSAMENTO ...................................................................................................................... 67
5. ESTáDIOS DO DESENVOLVIMENTO INTELECTuAL ...................................................................................... 67
6. PRAXIA E INTELIGêNCIA .................................................................................................................................. 68
CONSIDERAçÕES FINAIS ...................................................................................................................................... 70
DA FORMAçãO MOTORA À FORMAçãO MENTAL
Prof.a Ma. fernanda GiMenez Milani
Ensino a distância
DISCIPLINA:
APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO MOTOR
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INTRODuçãO
Jean Piaget (1997) dedicou grande parte da sua vida influenciando muito a psicologia 
e pedagogia, e hoje é um dos psicólogos mais conhecidos da atualidade. Seu interesse é em 
relação ao processo de raciocínio que as crianças usavam para produzir alguma resposta. Sua 
contribuição para o desenvolvimento cognitivo das crianças é sem sombra de dúvidas uma obra 
extraordinária.
O desenvolvimento, de acordo com Piaget, é pautado em bases de estudos da Biologia, 
da Filosofia, da Física, da Lógica, da Matemática e da Psicologia e também de estudos da 
Epistemologia Genética, ou Teoria do Conhecimentos.
Esse desenvolvimento se dá em um processo de construtivismo, ou seja, possui estádios 
caracterizados por possuir processos anteriores e posteriores, servindo como base de uma escala 
de evolução em que a criança desenvolve aptidões cognitivas, de modo a desenvolver autonomia 
durante o ciclo da vida. 
 O desenvolvimento da aprendizagem está relacionado com o mundo externo. Portanto, 
saber usar essa teoria dentro de um contexto pedagógico é importante, de modo que o papel 
do educador é de possibilitar, aos estudantes, situações ou vivências em diferentes contextos, 
permitindo que esses descubram outras possibilidades de ação e se desenvolvam. 
Proporcionar isso à criança é obrigação nossa, visto que na realidade, eles serão o futuro 
da sociedade e isso deve ser levado muito a sério, pois caso isso não aconteça, estaremos formando 
pessoas com conhecimentos ruins e sem autonomia.
Dessa forma, dentro dessa unidade, nós iremos abordar algumas principais ideias sobre 
o desenvolvimento cognitivo da criança, conforme as propostas de Piaget. Apesar de suas 
abordagens serem consideradas complexas, tentaremos abordar de maneira mais simples para 
facilitar a compreensão de suas abordagens.
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1. ASSIMILAçAO E ACOMODAçãO
De acordo com Piaget (1197), a inteligência do ser humano é baseada na adaptação do 
homem com o mundo externo. Essa adaptação possui dois componentes:
•	 Assimilação: do mundo externo para a criança.
•	 Acomodação: da criança para o mundo externo.
Figura 1 – Esquema entre assimilaçao e acomodação. Fonte: Desenvolvimento psicomotor e aprendizagem (2008).
Para Piaget, a inteligência é fruto das experiências do indivíduo, pois de acordo com ele, 
é através da experiência como a ação e motricidade que o indivíduo vai incorporando o mundo 
exterior e moldando ele.
Primeiro, opera-se a assimilação do mundo exterior e depois a acomodação do mundo 
exterior, ou seja, o indivíduo, ao transformar o mundo exterior, transforma também a si mesmo 
(seu interior).
A visão de Piaget sobre a inteligência humana, ou o funcionamento da cognição humana 
é como uma adaptação biológica do organismo, com um sistema cognitivo ativo, que tem a 
capacidade de interpretar informações para desenvolvimento do conhecimento.
Não se trata apenas de uma informação, como ela é apenas apresentada, mas sim de uma 
reconstrução e reinterpretação, para que uma ao enquadramento mental. A mente constrói o 
conhecimento a partir da captação de dados externos, de modo a interpretá-los, transformá-los, 
reorganizá-los de maneira autodirigida. 
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Portanto, esse processo é um sistema de interação com o mundo externo composto de dois 
componentes inseparáveis e indivisíveis que se complementam – a assimilação e acomodação. 
E para melhor compreender isso, é necessário separá-los, porém, em termos mentais, eles são 
inseparáveis. 
A assimilação é o processo cognitivo, em que um indivíduo aplica o que já se conheceu ou 
adquiriu a outras estruturas já adquiridas, ou seja, buscam informações do mundo exterior (isso 
pode ser relacionado com uma situação, com um evento ou objeto) (PIAGET, 1996). Ou seja, 
quando uma criança, por exemplo, vivencia novas experiências, ela adapta esses novos estímulos 
a estruturas já adquiridas anteriormente (WADSWORTH, 1996). Por exemplo, quando uma 
criança está aprendendo a identificar os animais, e até o momento ela só conhece o cachorro, 
e quando apresentamosum gato, ela também o terá como um cachorro, devido às semelhanças 
entre eles (ambos são quadrúpedes, possuem orelhas, entre outras semelhanças).
Figura 2 - Semelhança entre um gato e cachorro. Fonte: Estimação (2020).
No exemplo citado, podemos notar que ocorre esse processo de assimilação, pois a 
semelhança entre os animais faz com que o cachorro pareça o gato, devido à pouca experiência 
que a criança possui. Assim a diferenciação entre esses animais deve ocorrer por meio da 
acomodação. Quando a criança vir um cachorro, ela vai apontar dizendo que é um gato, dessa 
forma, um adulto provavelmente irá corrigir, e quando corrigida, a criança irá acomodar aquele 
novo significado, criando um novo esquema. Dessa forma a criança tem um esquema para o 
conceito cachorro e outro para o conceito gato.
A acomodação é compreendida, por outro lado, como a modificação dos esquemas 
de assimilação sob a influência do ambiente externo, ajustando respostas às características de 
um objeto ou situação (PIAGET, 1996). A acomodação ocorre quando a criança não consegue 
assimilar um novo estímulo, em função das particularidades desse estímulo (NITZKE et al., 
1997). Quando isso ocorre, existem duas saídas para resolver, criar um novo esquema ou mudar 
o esquema que já existe, essas duas opções resultam, portanto, em alterações cognitivas. Por fim, 
quando a acomodação ocorre, a criança pode assimilar o estímulo.
De maneira mais simples para compreender esse processo, Wadsworth (1996) descreve 
que durante a assimilação, o indivíduo expõe aos estímulos recebidos sua estrutura cognitiva, ou 
seja, o estímulo tem que se ajustar a essa estrutura, já na acomodação, acontece o inverso, pois é 
o indivíduo que precisa mudar suas estruturas para receber os novos estímulos. 
Esse modelo de assimilação e acomodação, embora semelhantes, fornece uma visão geral 
sobre o desenvolvimento cognitivo, influenciada pela maturação e pela experiência. O aumento 
no processo de assimilação e acomodação leva ao desenvolvimento de processos mentais que 
vão desenvolvendo outros processos em virtude das mudanças nas possibilidades de assimilar e 
acomodar.
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Desse modo, a criança precisa passar pela fase de assimilação (conhecida também como 
input, para somente depois atingir a acomodação, ou também conhecida como output. A criança, 
portanto, passa a ter uma conexão com o mundo externo através de um círculo entre as percepções 
(assimilação) e das ações (acomodação), onde sua motricidade, transforma a inteligência da 
prática e sensório motora, em inteligência reflexiva.
Figura 3 - Esquema de conexão da criança com o mundo externo. Fonte: Desenvolvimento psicomotor e aprendi-
zagem (2008).
Para Piaget, a inteligência verbal ou cognitiva vem de uma atividade sensório-motora que 
traz ações e associações adquiridas e já formada. A primeira e última forma de inteligência vem 
do sistema sensório-motor, que organizando e combinando os movimentos, a criança consegue 
interagir com o mundo que a cerca. O movimento de criar uma ação, ou movimento intencional, 
permite a compreensão que explica as ações e realizações de condutas.
Antes de adquirir a linguagem (período pré-verbal), a criança demonstra sua inteligência 
e adaptações a situações através do sistema sensório-motor, que aos poucos vai se aperfeiçoando.
1.1 Teoria da Equilibração
 
Essa teoria, de acordo com Piaget, trata-se de traçar um ponto de equilíbrio entre 
assimilação e acomodação, ou seja, é considerada como uma regulação para assegurar de fato a 
criança uma interação eficiente com o meio externo.
A importância dessa teoria se dá em dois postulados:
•	 Primeiro postulado: toda assimilação incorpora elementos exteriores com a sua natureza.
•	 Segundo postulado: toda assimilação é obrigada a modificar de acordo com suas 
particularidades, sem perder sua continuidade e nem assimilações anteriores.
Em outras palavras, Piaget define que o equilíbrio cognitivo consiste em afirmar a presença 
de acomodações nas estruturas e conservar as estruturas de maneira bem sucedida.
Esse equilíbrio é necessário, pois se a pessoa somente assimilasse, poderia acabar com 
alguns esquemas cognitivos. O contrário também é ruim, pois se a pessoa somente acomodasse 
os estímulos, também acabaria com uma grande quantidade de esquemas cognitivos. 
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Por exemplo, se uma criança ao passar por situação de experimentar um novo estímulo, tenta 
assimilar o estímulo a um esquema que existe, se der certo, o equilíbrio é alcançado no mesmo 
momento. Mas caso a criança não consiga assimilar o estímulo, ela tenta fazer uma acomodação, 
modificando um esquema ou criando um novo. E quando isso acontece, a assimilação ocorre e o 
equilíbrio também é alcançado (WADSWORTH, 1996).
1.2 Da Ação ao Processamento da Operação
Piaget destaca também a grande importância da motricidade para a formação da imagem 
mental. O que a criança vive, juntamente como movimento e experiências, é a interiorização do 
mundo (assimilação) e ao mesmo é a projeção no mundo (acomodação).
A inteligência é a junção de ação com interação. O movimento (ação) transforma o objeto 
e o real, modificando por processos sensórios motores que antecede a linguagem. A imagem 
mental só é possível quando há a ação.
Figura 4 – Representação entre a formação de uma imagem ou noção do objeto. Fonte: Desenvolvimento psicomo-
tor e aprendizagem (2008).
Como mostra a representação acima, a imagem, que é o aspecto figurativo, apoia-se na 
ação, ou seja, a imagem mental vem de uma imagem do real, porém ela só é assimilada quando 
passa pela ação e experiência. Dessa forma, a criança só pode ter uma imagem ou noção de um 
objeto se esses passarem pelos movimentos de suas mãos. Esse processo vai então do objeto real 
para o objeto mental, pois é a motricidade que se encarrega de produzir a imagem e representação. 
De maneira geral, podemos dizer que a criança só pode conhecer o objeto depois de manuseá-lo.
Figura 5 – Exemplo de como a motricidade pode produzir a imagem e representação. Fonte: Pedagogia ao pé da 
letra (2020).
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Diante desse contexto, no ambiente escolar ou clínico, torna-se de extrema importância 
trabalhar aspectos relacionados à motricidade e jogos em qualquer tipo de aprendizagem da 
criança, seja aprendizagem verbal ou não verbal, simbólica ou não simbólica. Sem o componente 
corporal em qualquer tipo de aprendizagem, torna-se mais difícil para se fixar.
A função simbólica que gera a linguagem, e consequentemente, a representação do 
pensamento humano, vem da ação e experiência. É de uma ação mais organizada que se passa a 
imagem, ou seja, uma reconstrução original. 
A imagem faz ligação com a ação e representação, onde contém um componente sensório-
motor e um simbólico. Como consequência da ação, a imagem primeiramente é estática e só 
depois pode ser dinâmica, onde a motricidade tem papel importante nisso.
Figura 6 – Representação entre a ligação da imagem com a ação e representação. Fonte: Desenvolvimento psicomo-
tor e aprendizagem (2008).
A constante interação da criança com o ambiente externo através da motricidade 
possibilita um controle ajustado e uma intencionalidade crescente. Por essa razão, ela começa a 
ter mais detalhes sensoriais e motores, espaciais e temporais da ação. Essa interação da criança 
com o ambiente externo baseado na motricidade gera uma integração multissensorial que 
envolve componentes auditivos, visual, tátil, cinestésico, olfativo, proprioceptivo, entre outros, 
que dessa forma compõem a representação interna. As atividades sensório-motoras permitem a 
interiorização das imagens mentais, que dará a possibilidade desuporte para linguagem e reflexo. 
1.3 Tomada de Consciência da Ação
A fase operacional, caracterizada por uma ação coordenada que implica na estruturação 
da inteligência da criança, permite a criança preencher as descoordenações iniciais, de modo a 
estruturar uma organização lógica e mais desenvolvida.
A criança realiza uma ação, mas ainda não compreende isso, e só posteriormente ela 
poderá compreender e saber o que ela faz. Os primeiros movimentos da criança, baseados no 
esquema sensório motor, ainda são inconscientes, e somente na fase operacional esses esquemas 
se tornam consciente.
A tomada de consciência da ação consiste em transpor para o plano consciente certos 
elementos do plano inconsciente.
A noção de representação para Piaget é a reconstrução do ato e da ação, que vai sendo 
aprimorada à medida que vão sendo ultrapassadas e superadas as interações de novos elementos. 
É como uma relação entre um nível de estruturas já existentes que permite organizar as operações 
concretas. É com base nisso que a noção do objeto e a noção do real se estruturam, ou seja, 
a criança só pode ter a noção do objeto quando ela puder utilizá-lo de maneira significativa. 
Utilizar de maneira significativa é, portanto, uma forma de adquirir conhecimento.
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2. NOçAO DE ObJETO
O brinquedo só será parte da criança quando ele for assimilado aos esquemas de ação, pois é 
somente através disso que haverá uma interação entre eles. Esse processo é muito importante, pois 
a criança adquire conhecimento da sua função. Não existem objetos que são para crianças, mas, 
sim, crianças que sabem utilizar os objetos. Diante disso, o objeto ou brinquedo é extremamente 
importante para a criança, pois é através dele que a ela possuirá a aprendizagem do que é real. A 
inteligência é a reconstrução do real e do objeto pelos pensamentos, nesse sentido, pensar é antes 
de mais nada agir (FONSECA, 2008).
Figura 7 – Representação do esquema de ação entre o objeto e a criança. Fonte: Desenvolvimento psicomotor e 
aprendizagem (2008).
Assimilar um objeto a um esquema de ação é proporcionar a essa ação uma estrutura 
cognitiva. Assim, ao relacionar a estrutura cognitiva à ação e à motricidade, a inteligência pode 
acomodar-se ao real. E quando a criança se acomoda ao real, pode reconhecer objetos e enfim 
representá-los. 
Aqui, pode ver que a motricidade é a peça chave de relação que permite a criança 
assimilar e acomodar ao real e aos objetos. A assimilação possui aqui um papel de integração 
e interação através da aprendizagem, o processo de acomodação. A assimilação do real e dos 
objetos é muito importante para a inteligência da criança, tal como a alimentação é importante 
para o crescimento e bem-estar.
É através da motricidade que a inteligência é construída, pois é pela inteligência que 
as percepções se estruturam, que os esquemas sensório-motores se aperfeiçoam. Ou seja, a 
inteligência não surge de maneira espontânea, como se fosse algo pré-fabricado, mas ao contrário, 
ela só existe devido às inúmeras experiências sensório e perceptivos motoras que a elaboram e 
organizam.
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Figura 8 - Representação de como a criança usa a motricidade para adquirir aprendizagem. Fonte: Desenvolvimen-
to psicomotor e aprendizagem (2008).
3. PERCEPçãO E APRENDIZAGEM
Como vimos anteriormente, a inteligência é a interação entre experiência motora de 
maneira assimilada. São adaptações que buscam estabelecer equilíbrio entre a criança e o ambiente 
externo, e essas adaptações são dinâmicas, visto que passam por situações novas e imprevisíveis. 
Cabe, portanto, à inteligência multiplicar a organização da adaptação com o mundo externo.
Para que ocorra evolução mental da criança, é necessário, portanto, que mantenha 
e conserve as experiências anteriores, para que elas possam ser coordenadas e adaptadas às 
novas experiências. A criança pode mudar seus comportamentos e aprender a conservar outros 
comportamentos. 
Para Piaget, só acontece de fato a aprendizagem quando frente a uma situação nova, a 
criança pode transformar, mas para isso ocorrer, é necessário também que as crianças se lembrem 
das funções de inteligência já adquiridas. A inteligência da criança se estabiliza à medida que um 
novo estádio se origina, sendo este um processo evolutivo.
Portanto, a criança não pode ser vista como um miniadulto, pois, na verdade, sua 
inteligência é inferior à de um adulto, o que na verdade acontece é que entre eles existe uma 
diferença de graus evoluídos quando falamos em um processo evolutivo.
Figura 9 – Exemplo representativo dos graus de evolução. Fonte: Dúvidas Direito (2019).
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Um pouco mais à frente, estudaremos sobre os estádios de inteligência e compreenderemos 
as mudanças, transições e transformações da cognição que são muito importantes, ou seja, é 
como uma espécie de passo a passo que é de muita relevância no processo de aprendizagem.
Em relação às aprendizagens escolares, como: ler, escrever, contar, entre outras, acontecem 
transformações que são pautadas em aprendizagens anteriores já bem estabelecidas, ditas como 
não verbais, como psicomotricidade, desenhos, jogo, música, dança e outros; e a introdução 
de novos elementos trará novas aprendizagens. Uma relação entre criança e símbolos, como 
fonemas, articulemas e grafemas gera a aprendizagem da escrita. A incorporação do símbolo só 
acontece por meio da motricidade da criança. Por exemplo, para aprender escrever, é necessária 
uma aprendizagem anterior que envolve a prática de letras, de diversas formas. É com base na 
experiência motora, no caso a criança, desenhando a letra, que ela vai construir imagens e formas 
de pensamento. Assimilando as letras, as crianças posteriormente darão origem ao processo de 
aprendizagem de leitura, escrita e cálculos.
Figura 10 – Representação da incorporação simbólica na criança. Fonte: Dentro da história (2018); Ensina mais 
(2018).
É possível observar que só existe aprendizagem (acomodação) da leitura ou de outra 
competência básica quando a criança desenvolve, portanto, a percepção (assimilação) dos 
atributos sensório-motores dos símbolos, no caso, das letras e números. 
Figura 11 - Processo pelo qual a criança adquire um conhecimento. Fonte: Desenvolvimento psicomotor e apren-
dizagem (2008).
De acordo com Fonseca (2008), a aprendizagem está para a percepção, assim como a 
acomodação está para a assimilação.
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A noção que a criança possui dos números e letras não é inata, é necessária uma construção 
acomodativa e assimilativa. Somente quando há um equilíbrio entre esses dois processos é que 
podemos falar em aprendizagem.
Para Piaget, a aprendizagem é uma aquisição que resulta da organização do interior com 
exterior, ou seja, é nessa relação que compreendemos a aprendizagem. 
Toda a aprendizagem do ser humano para Piaget:
[...] supõe um sistema de implicações e significações solidárias, que permitirão 
à inteligência a adaptação concreta ao meio. Tais implicações e significações 
são “categorias” de espaço, tempo, de causalidade, de substância, de ordem, de 
conservação, de número etc., que correspondendo a realidade, a integram no 
consciente através da ação intencional. O ‘acordo do pensamento com as coisas” 
e o “acordo do pensamento consigo próprio’ expressa a constante funcional 
da adaptação que, no seu conjunto, é sinônimo de aprendizagem (FONSECA, 
2008).
Podemos dizer, então, que os dois aspectos do pensamento (assimilação e acomodação) 
são inseparáveis, e, portanto, é se adaptando que o pensamento se organiza, demodo a conseguir 
estruturar as coisas.
A partir dessas informações apresentadas, Piaget e seus colaboradores começaram a 
investigar melhor qual era a real dependência do pensamento e da organização, bem como da 
assimilação e da acomodação, e da percepção e ação, ou seja, todos os aspectos que formam a 
inteligência. 
A percepção é o conhecimento imediato da realidade do ambiente externo, enquanto a 
aprendizagem está relacionada com o processo de adquirir conhecimento, em função da ação e 
motricidade.
Figura 12 - Esquema dos conceitos de percepção e aprendizagem. Fonte: Desenvolvimento psicomotor e aprendi-
zagem (2008).
4.1 Aprendizagem Empírica e Lógico-matemática
Existem duas formas de conhecimento:
•	 Empírica: garantida pela experiência (percepção e aprendizagem).
•	 Lógico-matemática: baseada na forma de coordenação das ações (está relacionada com 
a linguagem).
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Baseado nisso, pode perceber que a ação também dá base para a linguagem e o 
conhecimento, e é por meio dela que a criança refina suas percepções e paralelamente vai 
estruturando comportamento e aprendizagens.
A ação, ou esquema sensório-motor, auxilia a percepção, pois, por meio dela, existe a 
organização das estruturas lógicas que permitem a noção das coisas, integrando-as como uma 
aprendizagem. 
Figura 13 – Representação de como o sistema sensório-motor (ação) junto com a percepção permite a aprendiza-
gem. Fonte: Desenvolvimento psicomotor e aprendizagem (2008).
A aprendizagem consiste em uma pré-lógica própria dos mecanismos sensório-perceptivo 
e motores que são necessários para seu funcionamento que provem de um repetições variadas e 
experiências acumuladas.
Figura 14 - Pré-lógica da aprendizagem. Fonte: Desenvolvimento psicomotor e aprendizagem (2008).
4.2 Compreensão e Organização
Nessa perspectiva, a aprendizagem está relacionada com a combinação entre os esquemas 
sensório-motores que já existem. Para usarmos os resultados obtidos pela experiência, é necessário 
compreendê-los e para compreendê-los é necessário que haja uma organização seguindo uma 
estrutura lógico-matemática.
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A aprendizagem das lógicas está organizada em um espiral onde as estruturas se 
equilibram e vão progressivamente se reorganizando, fazendo surgir novas propriedades. 
No pensamento de Piaget, a aprendizagem, assim como a inteligência, é estável, e a 
partir daí surge a noção de adaptação em que em cada novo estádio de evolução surgem novas 
estruturas. Wallon, assim como Piaget, prega que a inteligência da criança é resultado de “[...] 
um processo dinâmico e dialético, contínuo e descontínuo, de equilíbrio e desequilíbrio, cujas 
mudanças acontecem em uma sequência, ilustrando a lógica do desenvolvimento da criança”. A 
lógica do desenvolvimento da criança está ligada também à lógica biológica e neurológica da vida 
(FONSECA, 2008).
O desenvolvimento da criança, segundo Piaget, acontece através de um espiral da 
aprendizagem, passando por faixas etárias, sendo elas:
•	 5 anos: possui algumas aprendizagens que poderão utilizar em certas situações.
•	 6 anos: possui o processo de aprendizagem mais rápido.
•	 8-9 anos: passa por um processo de reaprendizagem.
•	 12-13 anos: compreende imediatamente através da dedução de uma informação.
Figura 15 – Representação de como ocorre a aprendizagem através de faixas etárias. Fonte: O autor (2020).
A aprendizagem é função dos instrumentos que se encontram à disposição da criança 
ou jovem, é acumulada pelos processos de experiência e também pela interação com o ambiente 
externo. As ações sobre os objetos possibilitam coordenações ou experiências lógico-matemáticas, 
ou seja, traduzem os instrumentos que a compõem. 
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Figura 16 – Processo pelo qual a aprendizagem acontece. Fonte: Desenvolvimento psicomotor e aprendizagem 
(2008).
Portanto, é necessário que recordemos que o conhecimento e descoberta sobre 
determinado objeto só acontecem de fato quando a criança pode interagir com esse objeto e tocá-
lo. Essa informação já foi mencionada anteriormente, porém Piaget, em suas obras, também não 
se cansa de repetir, pois, a partir disso, chegamos a uma grande conclusão pedagógica. A criança 
só aprende quando interage. A partir disso, mais uma vez podemos observar como a motricidade 
é um meio que está em todos os níveis da evolução humana e também na evolução cognitiva. 
4.3 Movimento e Pensamento
Conforme já foi mostrado anteriormente, a cognição está relacionada com a motricidade, 
sendo que ela também é o instrumento de expressão verbal e não verbal. A motricidade é 
transformada pela linguagem, formando assim uma base a toda imaginação e conceitualização, 
confirmando a dimensão motora do comportamento humano (DANTAS, 1992).
Quando observada por seu aspecto operacional, a motricidade contribui muito para a 
inteligência, ou seja, a ação, não é vista somente com uma sucessão de movimentos ligados, mas 
também como uma relação entre meios e fins, onde os movimentos vão em direção a satisfazer 
essas necessidades. 
A seguir, abordaremos a proposta de desenvolvimento mental de Piaget com outra 
chamada embriologia motora. Então, a inteligência se origina na ação, ou seja, a ação é a própria 
inteligência em movimento. A função sensório-motor, bem como suas estruturas perceptivas e 
cognitivas, constitui a organização e a construção do intelecto.
5. ESTáDIOS DO DESENVOLVIMENTO INTELECTuAL 
Os estádios de desenvolvimento do intelecto, de acordo com Piaget, aparecem seguindo 
uma lógica de progressão de aquisição intelectual. As estruturas formam-se passo a passo através 
de degraus de equilíbrio. As estruturas intelectuais seguem algumas características, sendo elas: 
1. A ordem de aquisição é constante e depende das experiências anteriores e do meio 
externo.
2. Aquilo que foi construído em uma idade pode ser integrada na idade seguinte.
3. Um estádio corresponde a uma estrutura integrada, e não uma sobreposição.
4. O estádio só é integrado quando alcançar um nível de preparação e organização.
5. A continuidade desses estágios é resultado de um processo de formação.
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6. PRAXIA E INTELIGêNCIA
Antes de iniciar o desenvolvimento desse conteúdo, precisamos entender que, para 
Piaget, a ação também é conceituada de praxia. Dessa forma, a praxia é definida como conjunto 
de movimentos coordenados em função de ir em busca de um resultado. Nesse sentido, esses 
movimentos não são reflexos ou automáticos, mas são movimentos voluntários e muito bem 
coordenados.
A praxia compreende um aspecto motor, como um produto final e um aspecto cognitivo e 
perceptivo, como um processo mental interiorizado, que pode interpretar aquisições operacionais 
e figurativas.
Figura 17 - Esquema de como a praxia desenvolve a inteligencia. Fonte: Desenvolvimento psicomotor e aprendiza-
gem (2008).
Possivelmente, você, aluno, percebeu que nesta unidade conversamos bastante 
a respeito de Piaget. Mas, afinal, você sabe quem foi Jean Piaget? Ele foi uma 
das pessoas mais influentes na área da educação durante a segunda metade do 
século XX e chegou a ponto de se tornar um sinônimo de pedagogia, apesar de 
não atuar como pedagogo. 
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Ao desenvolver essa teoria de como ocorre a aprendizagem, Piaget possibilitou 
enormes contribuições sobre a educação de crianças, possibilitando aos 
profissionais desenvolver melhor o processo de ensino aprendizagem como 
compromisso profissional e de qualidade paraseus educandos.
Para adquirir mais conhecimento com uma visão diferente acerca 
do tema discutido nesta unidade, aprofundando melhor a respeito 
da Educação Física nesse contexto. Leia:
• VALE, C. C. Educação física infantil e psicomotricidade: influências 
e contribuições. [S. l.], 2017. Disponível em: 
A indicação do filme desta unidade é “O quarto de 
Jack”, lançado em 2015, que conta a história de uma 
mãe, Joy, que aos 17 anos foi sequestrada por Nick. 
Este a manteve em cativeiros por anos. Jack é fruto 
do abuso sexual que Joy sofreu. Ao assistir a esse 
filme, é possível analisar o desenvolvimento de Jack 
a partir da teoria de Piaget, pois sua mãe oferece 
inúmeros estímulos para desenvolver a cognição do 
menino, e, dessa forma, são os móveis do quarto que 
formam a personalidade de Jack, que ao acordar 
cumprimenta todos os móveis, como se eles fossem 
parte afetiva do emocional da criança. A única coisa 
que Jack compreende do mundo exterior é Nick, pois 
é ele quem traz os mantimentos básicos. Quando 
finalmente Jack passa a viver no ambiente externo, é 
necessária a adaptação cognitiva ao novo contexto. 
Figura 18 – Filme o Quarto de Jack. Fonte: Adoro Cinema (2016).
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CONSIDERAçÕES FINAIS
Ao longo da unidade, foi possível compreendermos como a aprendizagem é adquirida 
através de teorias propostas por Jean Piaget, bem como a importância da motricidade em todo 
esse processo.
A partir dessas informações, você, futuro profissional de Educação Física, pode pensar e 
estruturar suas aulas, pensando em qual é a melhor forma da criança adquirir o conhecimento, ou 
seja, pensar em atividades psicomotoras que as auxiliem a desenvolver o aspecto cognitivo, não 
só dentro do contexto escolar, mas também um desenvolvimento pessoal, proporcionando que 
ela conheça melhor o seu corpo e o ambiente social, de modo que consiga ter uma organização de 
pensamentos e que seja crítica dentro de uma sociedade. Assim, podemos pensar que o papel do 
professor de Educação Física é formar essa criança como um ser que se movimenta e que pensar.
Porém, para que esse processo ocorra, é necessário que os profissionais tenham 
conhecimento a respeito dos assuntos tratados e expostos, pois, como percebemos, para que o 
aluno consiga desenvolver a aprendizagem, é necessário expor a criança a estímulo para que ela 
vivencie determinadas situações, e somente assim assimilar a informação, pois se não tiver uma 
experiência de movimento corporal, a aprendizagem se torna muito mais difícil de acontecer. 
Vale lembrar também que os estímulos devem ser constantemente alterados, ou seja, devem-se 
disponibilizar para a criança novas situações o tempo todo.
Essa interação e estímulo ofertados também devem ser pensados de maneira a multiplicar 
seu repertório de inteligência, porém, a criança, aprende tudo isso em um formato de evolução, 
em que ela deve ser vista não como “atrasada” em relação a outras crianças ou adultos, mas 
sim como uma criança que está diferente em relação ao grau de evolução, é como se fosse uma 
escada, alguns estão mais para frente, outros mais para trás, mas de maneira individual, todos 
vão alcançar o objetivo.
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Ensino a distância
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habilidades? Por exemplo, existem diversos vídeos que mostram crianças que andam de skate ou 
que conseguem virar cambalhota, enquanto outras crianças da mesma idade ainda não possuem 
habilidades para isso. Pois é, cada pessoa se desenvolve dentro do seu tempo, e esses avanços são 
sempre contínuos. 
O desenvolvimento do indivíduo ao longo das etapas passa por domínios, sendo eles, 
cognitivo, afetivo, social e motor. Este último é muito importante, pois é pelo movimento que 
há a interação do indivíduo com o ambiente. Cada pessoa é exposta a um cenário diferente, 
tornando os estímulos diferentes, assim, somente as mudanças biológicas são comuns para todos. 
Muitas vezes, os termos desenvolvimento e crescimentos estão associados, porém, o 
termo “crescimento”, refere-se a “[...] um aumento no tamanho ou na massa corporal, resultante 
do aumento em partes corporais já formadas e completas” (TIMIRAS, 1972). Por exemplo: cada 
pessoa tem um período de crescimento no seu tamanho físico, geralmente inicia-se quando a 
pessoa nasce e biologicamente termina no final da adolescência e início da fase adulta.
Já o termo “desenvolvimento” refere-se ao desenvolvimento de capacidades motoras ao 
longo da vida, que se inicia na concepção e vai até a morte, estão relacionadas com a interação 
entre fatores biológicos do indivíduo, as tarefas motoras e o ambiente, conforme descrito pelo 
modelo transacional, apresentado na Figura 1.
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Figura 1 - Visão transacional da relação causal no desenvolvimento motor. Fonte: Gallahue, Ozmun e Goodway 
(2013).
Além do desenvolvimento, existem algumas mudanças internas na capacidade de realizar 
algum movimento/habilidade motora já adquiridas, sendo que essas modificações são decorrentes 
da prática ou experiência, de modo a tornar a execução de tal habilidade mais eficiente. Esse 
processo é denominado de Aprendizagem Motora (MAGILL, 2000; SCHMIDT e LEE, 2005). No 
campo da Educação Física, por exemplo, em uma situação em que o professor estimula o aluno 
a mudar a sua forma de sacar no tênis, ensinando a corrigir sua empunhadura, não podemos 
considerar isso como mudança no desenvolvimento motor e sim considerar essa situação como 
uma aprendizagem motora.
Na abordagem da Educação Física Desenvolvimentista, o movimento é o principal 
objeto de trabalho. Nesse sentido, os termos utilizados são “aprender a mover-se e mover-se 
para aprender”, são as principais metas e objetivos dessa abordagem. Na Educação Física 
Desenvolvimentista, cada criança é colocada individualmente em seu próprio tempo de 
desenvolvimento e crescimento. Ou seja, apesar de o desenvolvimento motor estar relacionado à 
idade, ele não depende da idade. Assim, cabe ao professor de Educação Física durante o processo 
do ensinar, pensar de acordo com a característica individual do aluno e não pensar em um grupo 
de etário, sendo este colocado em segundo plano. 
Ainda de acordo com Gallahue (2008), ao trabalhar com a criança, o professor deve levar 
em consideração os domínios cognitivos, afetivos e motores, reconhecendo a importância da 
interação entre eles.
1.1 Domínios do Comportamento Humano: Motor, Cognitivo e Afetivo
O comportamento do indivíduo é classificado pela ação dos três domínios, entretanto, 
cabe ressaltar que existe uma interação entre eles e sempre há participação de um sobre o outro 
que é determinado por conveniência, sem haver uma exclusão (BOCK; FURTADO; TEIXEIRA, 
2002). Por exemplo: em qualquer movimento esportivo, o domínio que iria predominar é o 
motor, porém o domínio cognitivo também estaria envolvido.
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O domínio motor institui a identificação do movimento corporal humano, também pode 
ser conhecido como psicomotor, haja vista a combinação entre habilidade físicas e processos 
cognitivos. Além disso, trata também de habilidades relacionadas à manipulação de objetos. São 
exemplos desse domínio: atividades esportivas, como: andar de bicicleta, jogar futebol.
Figura 2 - Exemplos do comportamento humano para o domínio motor. Fonte: Mtb Brasília (2014); Freepik (2020).
O domínio cognitivo inclui o conhecimento de compreender, pensar, raciocinar a agir, 
ou seja, é bem semelhante a atividades intelectuais. Esse domínio está sempre em constante 
mudança e, somente através da prática, torna-se algo eficaz. São exemplos desse domínio: jogar 
xadrez ou videogame.
Figura 3 - Exemplos do comportamento humano para o domínio cognitivo. Fonte: Rafael Leitão (2016); Clínica 
Alecrim (2014).
O domínio afetivo está relacionado ao processo de ampliar a capacidade da criança em 
interagir com o outro e consigo mesma, em relação a sentimentos e comportamentos, sendo de 
extrema importância para a criança. 
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Figura 4 – Exemplos do comportamento humano para o domínio afetivo. Fonte: Escola da Inteligência (2019); 
Alfaebeto (2019).
1.2 Fases do Desenvolvimento Motor 
O desenvolvimento motor na infância é a mudança que ocorre ao longo da vida, sendo 
que essas mudanças são dirigidas por um relógio biológico ou genético. Ou seja, cada criança 
possui seu tempo individual para o desenvolvimento e aquisição de habilidades.
A ampulheta é um modelo de desenvolvimento motor durante o ciclo de vida, proposto 
por Gallahue (2013) (Figura 5) que oferece um panorama do desenvolvimento em quatro fases 
(reflexiva, rudimentar, fundamental e especializado) e dos estágios correspondentes. As fases 
reflexiva e rudimentar são as bases, pois são características do bebê durante o engatinhar e que 
servem de apoio para as próximas fases, fundamental e especializado, que vai desde a primeira 
infância até o fim.
Figura 5 - Fases e estágios do desenvolvimento motor. Fonte: Gallahue; Ozmun; Goodway (2013).
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1.3 Fases Motora 
1.3.1 fase do movimento reflexo
Essa fase tem início no útero, pois são esses os primeiros movimentos que o feto realiza. 
São “[...] movimentos involuntários controlados subcorticalmente e que formam a base das fases 
do desenvolvimento motor” (GALLAHUE; OZMUN; GOODWAY, 2013). É a partir dessa fase 
que o bebê capta informações do ambiente, ou seja, a partir de toques, luz, sons e outros estímulos, 
é que o bebê realiza o movimento involuntário.
Os reflexos primitivos são aqueles que buscam informações, pois é a partir disso que há 
o estímulo cortical e desenvolvimento; buscam nutrição e proteção, pois são filogenéticos por 
natureza. Reflexos primitivos como sucção são importantíssimos, pois é a partir dele que o bebê 
consegue se alimentar.
Os reflexos posturais são movimentos involuntários, que se assemelham a alguns 
movimentos voluntários que o bebê realiza posteriormente. Esses reflexos parecem servir com 
testes de mecanismos estabilizadores, locomotores e manipulativos, que mais tarde o bebê 
começa a usar de maneira consciente. Por exemplo, os reflexos de se arrastar lembram muitos 
os movimentos voluntários de andar e engatinhar; o reflexo palmar lembra os movimentos 
voluntários de pegar e soltar.
Figura 6 – Exemplos de reflexos primitivos (reflexo de sucção) e reflexos posturais (reflexo palmar). Fonte: Sou 
mamãe (2018); Na Escola (2017).
A fase do movimento reflexo é dividida em dois estágios, o primeiro, chamado de “estágio 
de codificação de informações”, inicia-se durante o período de permanência do bebê no útero 
e vai até os 4 meses de vida. É caracterizado pelo período de coleta de informações através da 
atividade de movimentos involuntários. Nesse estágio, os centros cerebraisfisiologia: série incrivelmente fácil. Rio de 
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desenvolvidos, em comparação com o córtex motor, controlando dessa forma o movimento, 
gerando movimentos involuntários mediante estímulos. Diante disso, os reflexos primários do 
bebê são como um recurso para buscar alimento e proteção por meio de movimentos.
O segundo estágio, chamado de “estágio de decodificação de informações”, ou seja, o 
processamento da informação, inicia-se aproximadamente no quarto mês de vida. Nessa fase, 
os centros inferiores passam a agir menos, de modo que quem predomina é o córtex motor, 
substituindo os movimentos involuntários pelos voluntários. Nesse estágio, há uma substituição da 
atividade sensório-motora pela perceptivo motora, ou seja, o controle voluntário dos movimentos 
do bebê não reage apenas a estímulos, mas há uma combinação de estímulos sensoriais com as 
informações armazenadas.
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1.3.2 fase do movimento rudimentar
Essa fase é marcada pelos primeiros movimentos voluntários do bebê, que vai desde o 
nascimento até os dois anos de idade. Esses movimentos variam de acordo com a criança e depende 
de fatores biológicos, ambientais e da tarefa e representam formas de movimentos necessários 
para a sobrevivência. Envolve movimentos de estabilidade, como, por exemplo, adquirir controle 
de cabeça, pescoço e toda a musculatura do tronco; envolve tarefas de manipulação, como 
alcançar, agarrar e soltar e, por fim, envolve formas de locomoção, como, engatinhar e andar. 
A fase do movimento rudimentar da criança possui dois estágios progressivos em relação ao 
controle motor.
Figura 7 - Movimentos de estabilidade, manipulação e locomoção da fase rudimentar da criança. Fonte: Mãe antes 
dos 20 (2014); Kinedu (2019); Kinedu (2019).
O estágio de inibição do reflexo começa logo após o nascimento, quando os reflexos são 
os movimentos do bebê, que começa a ser influenciado pelo córtex que está se desenvolvendo de 
modo a inibir e fazer com que desapareçam alguns reflexos. Os reflexos primitivos e posturais 
passam a se tornar movimentos voluntários descontrolados, pois o sistema neuromotor do bebê 
ainda está em formação. Por exemplo, quando um bebê quer pegar um objeto, faz o uso da 
mão, punho, ombro e até o tronco, e embora ele desejar fazer aquilo, o movimento é muito 
descontrolado.
O estágio pré-controle começa em torno do primeiro ano de vida e é onde a criança 
consegue realizar movimentos de maneira mais precisa. Nesse estágio, há um desenvolvimento 
efetivo da cognição e processo motores, de modo que a criança tem ganhos rápidos nas habilidades 
de movimentos rudimentares. Por exemplo, é nesse estágio que a criança consegue equilibrar-se 
e locomover-se com controle motor e habilidade.
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1.3.3 fase do movimento fundamental 
É uma fase que compreende a criança no período de 2 anos de idade até os 7 anos. É 
nessa fase que a criança se encontra em um processo de exploração dos possíveis movimentos 
do seu corpo, ou seja, descobertas de movimentos relacionados à estabilidade, locomoção e 
manipulação.
Estabilizadores Locomotores Manipulativos
Equilíbrio dinâmico (ex.: caminhar com os pés juntos Andar Alcançar
Equilíbrio estático (ex.: apoio em um pé) Correr Arremessar
Movimentos axiais (ex.: rolamento) Saltar Receber
Balançar Escalar Chutar
Alongar Escorregar Driblar
Contorcer Arrastar Voleios
 Quadro 1 - Exemplos de movimentos fundamentais desenvolvidos nos primeiros anos da infância. Fonte: O autor 
(2020).
Esses movimentos adquiridos durante esses primeiros anos da infância são essenciais ao 
longo da vida, sendo de extrema importância na vida diária, seja de crianças ou adultos. Podemos 
citar, como exemplo, o fato de caminhar até o mercado ou precisar se equilibrar ao andar de 
ônibus. 
A fase de movimento fundamental é subdividida em três estágios, porém, esses não 
podem ser compreendidos totalmente de forma individual, ou seja, eles podem se sobrepor. São 
eles: o estágio inicial, estágios elementares emergentes e estágio de proficiência. 
O estágio inicial acontece por volta dos 2 e 3 anos de idade e é caracterizado pelas primeiras 
tentativas da criança em realizar um movimento fundamental. São movimentos realizados sem 
coordenação, entretanto, algumas crianças podem ser exceções e estarem além desse nível. Mas, 
em geral, a maioria delas encontra-se em fase de iniciação. 
Os estágios elementares emergentes ocorrem no terceiro e no quinto ano de vida, e envolve 
a aquisição de maior controle dos movimentos fundamentais, ou seja, a criança já possui um 
controle motor mais aprimorado. A criança com inteligência e físico normal consegue avançar 
esses estágios, porém, muitas pessoas, seja adulto ou crianças, não conseguem evoluir além desse 
estágio em um ou vários movimentos fundamentais.
O estágio de proficiência ocorre a partir dos 5 e vai até os 7 anos de idade, e é caracterizado 
pela realização dos movimentos de maneira eficiente e coordenada que podem ser sempre 
aperfeiçoados através de práticas constantes, instrução e estímulos. Quando isso não é oferecido 
para a criança, dificilmente ela consegue atingir esse estágio, o que ocasiona inibição até mesmo 
do estágio posterior (O’KEEFFE, 2001; STODDEN et al., 2008).
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1.3.4 fase do movimento especializado
Essa é a fase resultante da fase do movimento fundamental, ou seja, “Refinamento 
e acoplamento dos movimentos fundamentais resultando no surgimento de novos padrões 
motores” (GALLAHUE; OZMUN, 2005). Durante essa fase, o movimento é o instrumento para 
diversas atividades, sejam elas, uso de rotina diária, recreativo ou competição esportiva. Assim, 
os movimentos de estabilidade, locomoção e estabilizadores são aprimorados para o uso em 
alguma situação, por exemplo, os movimentos de saltar podem agora ser acoplados em atividades 
de pular corda. O desenvolvimento das habilidades nessa fase depende também da tarefa, do 
indivíduo e do ambiente.
A fase do movimento especializado possui três estágios:
O estágio de transição, em geral, inicia-se aos 7 anos de idade (HAUBENSTRICKER 
e SEEFELDT, 1986) e vai até aproximadamente os 10 anos. É nesse estágio que o indivíduo 
combina movimentos fundamentais, dessa vez, com maior precisão para executar habilidades 
relacionadas ao esporte e recreação, como, por exemplo, pular corda e jogar futebol. Nesse estágio, 
o professor de educação física deve auxiliar o aluno a melhorar o controle motor e executar com 
mais habilidade os movimentos em diversas atividades. Mas não podemos, nesses casos, fazer 
com que a criança se especialize ou se limite a alguma atividade, pois isso pode atrapalhar os 
estágios posteriores dessa fase.
O estágio de aplicação ocorre entre os 11 e 13 anos, quando muitas mudanças acontecem. 
Durante esse estágio, o indivíduo escolhe atividades esportivas com base em fatores como, 
escolhas próprias, tarefa e ambiente, através de decisões conscientes sobre o quanto pode alcançar 
sucesso e diversão, podendo buscar ou evitar participar de algumas atividades. Nesse estágio, os 
movimentos devem ser refinados e usadas em um esporte ou atividade já selecionada.
Por fim, o estágio de utilização ao longo da vida dá início aos 14 anos e perdura para 
o resto da vida. Esse estágio é caracterizado pelo auge do desenvolvimento motor e pela 
compilação dos movimentos adquiridos que são para o resto da vida. Aqui, alguns fatores podem 
interferir, como, por exemplo, tempo disponível, financeiro, instalações, ambientes, além de 
talento e oportunidades. Esses fatores definirão o nível que o indivíduo alcançará, podendo ser: 
profissional, universitário, escolar.
O estágio de utilização ao longo da vida ocorre devido a todas as outrasfases e estágios 
anteriores e tem uma continuação durante o restante da vida.
1.4 O Modelo da Ampulheta
Esse modelo de ampulheta apresentada é um instrumento metafórico, ou seja, um modelo 
que mostra a descrição do desenvolvimento motor. A ampulheta triangulada permite melhor 
compreensão do desenvolvimento motor. Nessa ampulheta, fatores genéticos e ambientais 
têm grande influência no desenvolvimento, sendo ambos importantes, pois contribuem para o 
movimento.
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Figura 8 - Ampulheta triangulada, modelo de processo de desenvolvimento motor ao longo da vida: Fonte: Gallahue; 
Ozmun; Goodway (2013).
Esse modelo da ampulheta faz dar a impressão de que o processo de desenvolvimento é 
um método ordenado e contínuo, porém, a areia no fundo da ampulheta é distribuída em forma 
de curva, indicando que existe uma distribuição dos movimentos (locomoção, manipulação e 
estabilização) e nas tarefas. Por exemplo, o indivíduo pode estar no estágio elementar em algumas 
habilidades, mas no estágio de proficiência em outros. Diante disso, o desenvolvimento motor 
conforme abordado na ampulheta é na verdade um processo descontinuo, ou seja, dinâmico, mas 
organizado. 
Os modelos apresentados são apenas para compreendermos como ocorre o 
desenvolvimento motor, de modo que não podemos considerá-los como exatos e completos.
1.5 Exemplos de Habilidades Motoras Envolvidas em Diferentes Contextos 
Esportivos
A tabela a seguir foi retirada do Caderno Pedagógico (2008), que teve por objetivo 
“sistematizar os conteúdos da Educação Física contemplados nas diretrizes curriculares de 
educação básica do Estado do Paraná”, onde uma adaptação foi realizada de uma tabela de 
Gallahue, seguindo os conteúdos elaborados pela Diretriz Curricular de Educação Física. 
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 Para você, futuro professor de Educação Física, é possível que esses exemplos permitam 
uma visão de onde utilizar cada uma das habilidades em diferentes contextos esportivos. Lembre-
se de que essas habilidades, na verdade, vão se desenvolvendo e aprimorando-se até se tornar uma 
habilidade comum e de fácil uso no seu dia a dia. Neste exemplo, também podemos perceber que 
as habilidades ali citadas vão desde as mais básicas até as mais complexas.
Essas atividades motoras propostas pelo professor de Educação Física proporcionam ao 
aluno também reconhecer o seu corpo, bem como, otimizar habilidades que contribuem também 
para o desenvolvimento do aspecto positivo em relação aos domínios motores, cognitivos e 
afetivos. Mas isso deve ser pensado no planejamento de atividades. 
Quadro 2 - Tabela de exemplos de habilidades motoras de estabilização, locomotores e manipulativos, usadas em 
diferentes contextos esportivos. Fonte: Caderno Pedagógico (2008).
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1.6 Desenvolvimento Cognitivo
Jean Piaget, autor da teoria do desenvolvimento intelectual, chamado Epistemologia 
Genética, estuda desde o nascimento até a idade adulta do ser humano, pautados em funções 
cognitivas como, memória, linguagem e percepção (PÁDUA, 2009). Assim, o sujeito passa por 
quatro períodos, sendo eles, Sensório-motor, Pré-operatório, Operações Concretas e Operações 
Formais, e de acordo com Piaget, 
[...] todos os indivíduos passam por todas essas fases ou períodos, nessa 
sequência, porém, o início e o término de cada uma delas dependem das 
características biológicas do indivíduo e de fatores educacionais sociais. Portanto, 
a divisão nessas faixas etárias é uma referência, e não uma norma rígida (BOCK; 
FURTADO E TEIXEIRA, 2002, p. 101).
O período sensório-motor (0 a 2 anos): nesse período por meio da percepção (sensório) e 
movimentos (motor), a criança conquista tudo o que a cerca, através de uma ação não interiorizada 
e não verbal. Porém, por volta dos dois anos, a criança começa a realizar a fala imitativa das 
pessoas adultas que convivem no mesmo ambiente.
Período pré-operatório (2 a 7 anos): nesse período, a criança adquire a linguagem, como 
uma forma a mais de comunicação.
Período das operações concretas (7 a 11 anos): caracterizado pelo início da adolescência. 
É nesse período que começa o processo de socialização, pois já entendem que fazem parte de um 
grupo social, que possui regras. O processo de linguagem está desenvolvido, permitindo assim a 
construção da lógica, de modo que o indivíduo já consiga expor e compreender pontos de vista.
Período das operações formais (12 anos em diante): corresponde da adolescência para 
frente. Nesse período, o adolescente busca entender o meio que convive através das suas próprias 
conclusões. Buscam encontrar grupos sociais que se sintam confortáveis e pertencentes a este. 
A teoria de Piaget interage também com fatores biológicos e sociais por meio de cinco 
conceitos:
•	 Esquema: pensamentos que a pessoa usa em situações específicas;
•	 Acomodação: ajuste dos pensamentos às situações;
•	 Assimilação: informações novas adquiridas através da cognição;
•	 Adaptação: ajuste das informações para surgimento de estruturas cognitivas;
•	 Equilíbrio: esquema e adaptação.
Diante desses conceitos, Krebs (1996) faz relação com a Educação Física. O professor 
deve iniciar atividades motoras do simples (esquema) ao complexo, com uma vasta gama de 
atividades (assimilação); dar para as crianças tempo suficiente para compreenderem o movimento 
(acomodação) e como ela deseja se movimentar (adaptação). A duração e as atividades devem 
respeitar o estágio de desenvolvimento da criança.
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1.7 Aprendizagem Cognitiva 
Pode ser definida como a mudança na habilidade de pensar, raciocinar e agir, e embora a 
Educação Física Desenvolvimentista tenha como foco o desenvolvimento de habilidades, também 
há um aspecto voltado para o aprimoramento da cognição das crianças, por meio de atividades 
que exigem um processo de tomada de decisão. Por isso, quando bem planejada, a Educação 
Física pode desenvolver aprendizado de conceitos.
1.7.1 aprendizagem de conceitos
Relacionada com o desenvolvimento motor, a aprendizagem de conceitos está relacionada 
com a mudança no comportamento motor, causada por experiências na Educação Física 
Desenvolvimentista. 
1.7.2 aprendizagem perceptivo-motora 
Está relacionada ao modo como o indivíduo percebe o mundo através do movimento, 
pois todo movimento ocorre em um espaço e tempo. Desenvolver esse conceito na criança é 
muito importante, pois permite que ela desenvolva a consciência corporal, temporal e espacial.
1.8 Desenvolvimento Afetivo
 
O desenvolvimento afetivo está relacionado ao aprendizado que a criança possui na 
capacidade de interagir com outras pessoas e consigo mesma por meio de movimentos. Desse 
modo, para que isso ocorra, é necessário ter estímulos relacionados a autoconceito para que ela 
adquira senso de segurança, autoestima para que ela compreenda, competência e merecimento, 
e autoconfiança. A presença de pessoas boas ou ruins, ambientes favorecidos ou desfavorecidos 
e presença ou ausência de estímulo vão influenciar diretamente na forma como a criança terá a 
visão do mundo.
O autoconceito é definido como a forma que uma pessoa percebe as suas competências 
físicas, cognitivas e sociais. O início desse autoconceito se dá na infância, quando geralmente as 
crianças percebem como sendo muito bom ou muito ruim o que elas fazem, ou seja, geralmente 
não conseguem perceber que elas podem estar, na verdade, no meio desses extremos. Assim, o fato 
da criança ser boa em jogos, esportes e outras atividades pode contribuir para um autoconceito 
positivo.
Você sabe quem é David Lee Gallahue? Ele é Doutorem Desenvolvimento Humano 
e Educação Especial, é um dos principais estudiosos do movimento humano e 
professor de Educação Física na Universidade de Indiana, em Bloomington.
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O filme Forrest Gump, o contador de história, é um filme norte americano de 
1994, dirigido por Robert Zemeckis e estrelado por Tom Hanks, conta a história 
de um menino que tem um QI baixo e por conta disso, sua infância foi marcada 
por situações de exclusão, repressões e preconceito. Forrest também possui 
um problema na perna, o que obriga o uso de um aparelho. Diante disso, em seu 
cotidiano, Forrest sofre muito preconceito, justamente pela falta do comportamento 
motor esperado pela sua faixa etária. Em uma cena do filme, Forrest, junto com 
uma amiga, encontra-se em uma situação em que ambos precisam correr e assim 
durante a cena ele se liberta dos aparelhos que corrigem sua forma de andar e 
identifica sua maior habilidade: correr com destreza motora, uma habilidade acima 
do normal. Essa habilidade ganha destaque ao longo do filme e, quando adulto, ele 
acaba sendo cada vez mais estimulado a usar essa habilidade. 
O desenvolvimento motor tem uma relação muito importante com a área da 
Educação Física, visto que compreender esse processo de desenvolvimento ao 
longo de cada fase, bem como seus estágios e faixas etárias correspondentes 
permite ao professor que ele compreenda o princípio da individualidade de cada 
aluno. Portanto, quanto mais o professor buscar conhecimento acerca do tema, 
melhor sua metodologia de ensino será, concorda?
Para melhor compreender o papel da Educação Física para o desenvolvimento 
motor dos alunos, leia: 
• FERNANDES, G. et al. O contributo da Educação Física para o 
desenvolvimento motor: uma revisão sistemática. Gymnasium, 
v. 2, n. 2, p. 1-6, 2017. Disponível em: . Acesso em: 20 mar. 2021.
Se houver interesse em compreender melhor as metáforas no estudo do 
desenvolvimento motor e também ter uma visão diferente (A montanha do 
desenvolvimento motor) que os autores proporão em relação ao desenvolvimento 
motor, leia:
• CLARK, J. E.; METCALFE, J. S. The mountain of motor development: A metaphor. 
Motor Development: Research and Reviews, v. 2, n. 163-190, p. 183-202, 2002.
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Figura 10 – Indicação de filme. Fonte: GloboPlay (2020).
Nesse sentido, após assistir ao filme, você, aluno, pode compreender e visualizar a 
importância de estímulos, instruções e práticas, que podem levar o aprimoramento 
do desenvolvimento motor.
CONSIDERAçÕES FINAIS 
Diante do exposto, ao fim desta unidade, podemos compreender que todo o 
desenvolvimento do ser humano se inicia já quando o bebê nasce e se torna um processo contínuo 
por toda a vida. A ampulheta que estudamos, proposta por Gallahue, serve como um modelo ou 
metáfora, onde aborda fase, estágios e idades, e pode nos auxiliar a compreender melhor como 
esse desenvolvimento ocorre. Também nos mostra que, dentro desse processo, existe a influência 
de fatores relacionados ao indivíduo, à tarefa e ao ambiente.
Esses fatores devem ser levados em consideração quando pensamos na aula de educação 
física, de modo que o professor pense e planeje atividades de desenvolvimento de habilidades 
voltadas para o indivíduo, pensando também na criança como um ser que é composto por 
domínios cognitivos, afetivo e motor. 
Além disso, devemos levar em consideração também o fato de que cada criança vive em 
ambientes diferentes, o que as diferem quanto a estímulos oferecidos, de modo que somente o 
aspecto biológico é comum para todos. Portanto, entender que cada criança possui seu tempo 
para desenvolver determinada habilidade é de extrema importância.
Além do desenvolvimento motor, a criança também possui desenvolvimento cognitivo, 
que tem forte relação com o pensar, e afetivo, que compreende a visão da criança em relação a ela 
mesma e ao mundo. Ambos possuem relação com o movimento, ou seja, para o desenvolvimento 
desses aspectos, proporcionar para as crianças atividades relacionadas à tomada de decisões e que 
estimule competências físicas é essencial.
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uNIDADE
02
SuMáRIO DA uNIDADE
INTRODuçãO .......................................................................................................................................................... 22
1. SISTEMA SENSORIAL ........................................................................................................................................ 23
1.1 LObO FRONTAL ................................................................................................................................................. 24
1.2 LObO OCCIPITAL .............................................................................................................................................. 24
1.3 LObO TEMPORAL ............................................................................................................................................. 24
1.4 LObO PARIETAL ................................................................................................................................................ 24
2. áREA DE bROCA E wERNICKE......................................................................................................................... 25
3. HEMISFÉRIOS CEREbRAIS: COMuNICAçãO NO CÉREbRO ......................................................................... 26
3.1 CARACTERÍSTICAS DO HEMISFÉRIO ESquERDO ........................................................................................ 26
3.2 CARACTERÍSTICAS DO HEMISFÉRIO DIREITO ........................................................................................... 27
3.3 HAbILIDADES DE CADA HEMISFÉRIO CEREbRAL ....................................................................................... 27
SISTEMA SENSORIAL E MECANISMOS DE 
CONTROLE DO MOVIMENTO
Prof.a Ma. fernanda GiMenez Milani
Ensino a distância
DISCIPLINA:
APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO MOTOR
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4. DESENVOLVIMENTO E AquISIçãO DA LINGuAGEM ..................................................................................... 27
5. MECANISMOS DE CONTROLE DO MOVIMENTO ............................................................................................ 28
5.1 O CÉREbRO E A MATuRAçãO NA APRENDIZAGEM ..................................................................................... 29
5.2 PROCESSO DE MATuRAçãO E DESENVOLVIMENTO MOTOR ................................................................... 29
5.3 ATENçãO, APRENDIZAGEM E MATuRAçãO ................................................................................................. 30
5.4 CóRTEX E PSICOMOTRICIDADE .....................................................................................................................31
5.5 DIFERENCIAçãO MOTORA E SENSORIAL .................................................................................................... 33
 CONSIDERAçÕES FINAIS .................................................................................................................................... 36
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INTRODuçãO
Nesta segunda unidade, nós abordaremos a respeito do sistema sensorial e alguns 
mecanismos de controle do movimento. Diversos estudiosos, como Luria, Vygotsky, Leontiev 
e Rubinstein, desde muito antigamente, buscam entender os mecanismos do cérebro e quais as 
relações com o movimento humano.
Como mencionado acima, um desses estudiosos é Aleksandr Romanovich Luria, um 
psicólogorusso, conhecido internacionalmente como um pioneiro da neuropsicologia, que 
realizou muitos trabalhos de cunho clínico-experimental da relação do cérebro e manifestações 
expressivas e concretas do psiquismo humano (FONSECA, 2008).
Para ele, o cérebro é o produto de inúmeros sistemas adquiridos em vários milhões de 
anos, advindo do processo histórico da espécie humana. Esses sistemas são definidos como a 
coordenação de áreas que estão em constante interação no cérebro. Portanto, o desenvolvimento 
e a aprendizagem são resultados da combinação de conexões entre muitas células que estão 
posicionadas em diversas áreas do cérebro.
As aprendizagens, a partir da interação completa e complexa entre os neurônios, atuam 
juntamente com outras áreas, a fim de produzir comportamentos, como, por exemplo, jogar, 
andar, falar, ler, entre outros.
Diante disso, podemos perceber que nenhuma área do cérebro pode trabalhar unicamente 
para produzir qualquer movimento humano, ou seja, para realizar qualquer movimento, 
como andar de bicicleta ou nadar, o cérebro entra em ação com um sistema que possui vários 
subsistemas, como o visual, auditivo e motor.
Vamos compreender também como o desenvolvimento motor se relaciona com o sistema 
nervoso central, bem como todo o processo de maturação de diversas áreas do cérebro que 
acontecem ao longo da vida e como isso contribui e influencia no desenvolvimento motor da 
criança. E a partir das informações obtidas, vamos conseguir compreender melhor o porquê cada 
criança tem seu próprio tempo quando falamos em adquirir determinadas habilidades motoras.
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1. SISTEMA SENSORIAL
O cérebro é a maior parte do encéfalo que compõe juntamente com a medula espinal 
o Sistema Nervoso Central (SNC). Além disso, ele ocupa cerca de 80% da massa encefálica e é 
responsável por funções mentais, como controlar as atividades sensoriais, motoras e também a 
inteligência. Está envolvido pelos ossos do crânio e protegidos pelo líquido cerebrospinal. 
O cérebro possui duas camadas, a superficial, que constitui o córtex cerebral (substância 
cinzenta) e possui espessura entre 2 a 4 mm; e abaixo, encontra-se a medula cerebral (substância 
branca), que constitui a segunda camada.
Existem dois hemisférios que compõem o cérebro, sendo eles, direito e esquerdo. O 
hemisfério direito comanda o lado esquerdo do corpo e o hemisfério esquerdo comanda o lado 
direito do corpo. O que liga esses dois hemisférios é o corpo caloso, uma massa de fibras nervosas. 
Dessa forma, é possível, então, que haja uma comunicação entre esses dois hemisférios. Sobre os 
hemisférios, nós abordaremos com mais ênfase nos próximos tópicos.
Existe comprovadamente uma predominância de um lado do corpo sobre o outro. O que se 
sabe, então, a partir de pesquisas comandadas pelo Dr. Roger Sperry, que venceu o Prêmio Nobel 
de Medicina e Fisiologia em 1981, é que o hemisfério esquerdo é responsável por habilidades 
analíticas e verbal, como, por exemplo: linguagem, raciocínio lógico, cálculos matemáticos. Já o 
hemisfério direito não faz uso de linguagem, ele apenas usa imaginação e sentimento (IBIAPINA, 
2007).
Cada um desses hemisférios é dividido em quatro lobos, separados por sulcos e fissuras. 
Essa divisão é feita a partir das marcas anatômicas e nas diferenças funcionais. Os lobos são 
nomeados de acordo com os ossos do crânio que estão sobre eles. Dessa forma, temos o lobo 
frontal, temporal, parietal e occipital (Figura 1).
Figura 1 - Estruturas encefálicas. Fonte: Anatomia e Fisiologia – Série Incrivelmente fácil (2013).
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1.1 Lobo Frontal 
O lobo frontal forma a porção anterior dos hemisférios. Ele influencia aspectos como a 
personalidade, julgamento, raciocínio abstrato, comportamento social, linguagem e o movimento. 
Faz parte desse lobo o córtex motor e córtex pré-frontal. 
A aprendizagem motora é realizada pelo córtex motor, de modo que funciona de maneira 
efetiva quando o cérebro pensa em um movimento que deve ser executado. A atividade desse 
lobo aumenta, portanto, quando ele percebe uma ação que deve realizar e como ele vai resolver 
isso, ou seja, quais movimentos e em que ordem eles serão executados, bem como o resultado 
final.
Um trauma nessa área do cérebro não necessariamente leva a um comprometimento, 
ocasionando uma paralisia, entretanto pode, sim, alterar uma velocidade em relação à fala e 
movimentos (CARDOSO, 2015). 
1.2 Lobo Occipital
O lobo occipital fica localizado na parte inferior do cérebro e é coberto pelo córtex 
cerebral, atuando principalmente na interpretação de estímulos visuais, por isso, ele também 
pode ser córtex visual, ou seja, integra o movimento dos olhos de modo a direcionar e focar 
em algo. Esse lobo possui subáreas. As informações da área primária são transmitidas para a 
área secundária, que processam informações vinda do exterior, por exemplo, a percepção de 
cores, formas, movimentos e distâncias. Entretanto, existe também uma conexão com outras 
áreas visuais de outros lobos, que permite assim captações e percepção individual, por isso, as 
pessoas diferem em relação às percepções. Danos nessa área do cérebro podem produzir uma 
cegueira total ou parcial. Dessa forma, a capacidade de não reconhecer objetos, rostos de pessoas, 
dificuldade de leitura, é conhecido como agnosia visual.
1.3 Lobo Temporal
O lobo temporal fica localizado abaixo do lobo parietal e da parte posterior do lobo 
frontal. Para maior compreensão da localização, sugiro que você, aluno, localize-o na figura 
anterior (Figura 1). É responsável por sensações auditivas, armazenamento de memória auditiva 
e visual. Da mesma forma que no lobo occipital as informações passam por duas subáreas. Então, 
quando a área auditiva é estimulada, os sons são passados para a área secundária que por fim dá 
significado e permite que o indivíduo reconhece o que está ouvindo.
1.4 Lobo Parietal
O lobo parietal fica localizado na parte superior do cérebro. Nesse lobo, podemos encontrar 
o córtex somatossensorial primário, que é onde chega, via hipotálamo e são interpretados os 
impulsos nervosos relacionados a sensações gerais, como, por exemplo, dor, temperatura, tato 
e pressão, originadas no corpo todo, pois é onde recebemos informações do ambiente externo. 
Essas informações são encaminhadas para o córtex somatossensorial secundário, onde são 
comparadas as informações que já existem, permitindo com que o indivíduo tenha respostas 
motoras. Lesões nessa área podem ocasionar perda de sensibilidade, comprometimento da 
consciência do esquema corporal, e compromete execução de movimentos (NETO, 2012).
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2. áREA DE bROCA E wERNICKE
O conhecimento a respeito das regiões do encéfalo que estão envolvidas na linguagem 
se deu principalmente por estudos que investigavam distúrbios da fala e da linguagem (afasia) 
causados por lesões nessas áreas em específico. Essas áreas geralmente estão no hemisfério 
esquerdo do cérebro.
A área motora da fala (área de broca) fica localizada no lobo frontal. A atividade neural 
provocada nessa área, que provoca, por sua vez, movimentos organizados de músculos na faringe 
e laringe, juntamente, com os músculos respiratórios, regulam o movimento do ar pelas pregas 
vocais. Assim, a ação muscular combinada permite que os pensamentos se tornem falas.
Outra área conhecida como área de Wernicke, que está localizada no lobo temporal 
esquerdo é ligada diretamente na área de broca através de fibras conhecidas como fascículo 
arqueado. As palavras que uma pessoa quer pronunciar tem origem na área de Wernicke e, em 
seguida, é passada para a área motora da fala através do fascículo arqueado.
Figura 2 - Áreas doencéfalo envolvidas no controle da fala. Fonte: Psicoativa (2020).
Outras áreas do cérebro também estão envolvidas com o processo de linguagem, de modo 
que surge então um modelo para explicar a linguagem por meio de três sistemas (KANDEL, 
2014):
•	 Sistema de implementação da linguagem: área de Broca e Wernick formam esse sistema 
que analisa os sinais de audição e constroem sinais fônicos e gramática. 
•	 Sistema de mediação: formada por várias áreas distribuídas pelos lobos temporal, parietal 
e frontal, nada mais é que um intermediário entre sistema de implementação e sistema 
conceitual.
•	 Sistema conceitual: está associado à especialização da linguagem.
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3. HEMISFÉRIOS CEREbRAIS: COMuNICAçãO NO CÉREbRO
O cérebro humano é dividido em dois hemisférios: esquerdo e direito. Na maioria dos 
seres humanos, o hemisfério que predomina é o esquerdo, que é responsável pelo pensamento 
lógico e capacidade de comunicação.
De acordo com Relvas (2009), os dois hemisférios eram considerados como irmãos: um 
que era ativo, dinâmico e falante, e o outro que era mudo e tolo, porém, em 1960, percebeu-se 
que o hemisfério direito era na verdade mudo e não tolo. O esquerdo era verbal e analítico, e o 
direito era rápido e complexo.
Figura 3 - Hemisférios Cerebrais. Fonte: Aula de Anatomia (2020).
3.1 Características do Hemisfério Esquerdo
•	 Verbal: usa palavras para nomear, descrever e definir.
•	 Analítico: explica as coisas de maneira sequencial. Por exemplo, compreende que o sinal 
“+” indica a ação de somar.
•	 Abstrato: recolhe uma pequena quantidade de informações e utiliza isso para representar 
um assunto como um todo.
•	 Temporal: tem relação com se manter no tempo e realizar ações em sequência. Por 
exemplo, faz uma coisa e só depois faz outra coisa.
•	 Racional: chega a conclusões baseadas na razão e dados.
•	 Digital: relação com números.
•	 Lógico: retira informações baseadas na lógica. Por exemplo, resolver um teorema 
matemático ou realizar uma argumentação.
•	 Linear: pensa em ideias, um pensamento que segue o outro e que converge na conclusão.
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3.2 Características do Hemisfério Direito 
•	 Não verbal: percebe as coisas, porém, estabelece relação mínima com as palavras.
•	 Sintético: une coisas para formar um todo.
•	 Analógico: encontra semelhanças entre diferentes ordens; consegue compreender as 
metáforas. 
•	 Atemporal: sem sentido de tempo.
•	 Não racional: não exige informações e fatos reais.
•	 Espacial: compreende as relações entre as coisas e como elas se unem para formar um 
todo.
•	 Intuitivo: realiza reconhecimentos, geralmente em padrões incompletos, sentimentos e 
imagens visuais.
•	 Holístico: percebe, ao mesmo tempo, padrões e estruturas que podem levar a conclusões 
diferentes.
3.3 Habilidades de cada Hemisfério Cerebral
Segue um quadro que aborda as habilidades que estão ligadas a cada especialização do 
cérebro de acordo com Mattiy (2013).
Quadro 1 - Habilidade dos hemisférios cerebrais. Fonte: Mattiy (2013).
4. DESENVOLVIMENTO E AquISIçãO DA LINGuAGEM
O processo de desenvolvimento e aquisição da linguagem envolve quatro sistemas: o 
pragmático, uso da linguagem em um contexto social; o fonológico, decisão e produção de sons 
para formar as palavras e frases; semântico, as palavras e seus significados; gramatical, compreensão 
de regras para desenvolver frases compreensivas. Os sistemas fonológico e gramatical dão forma 
à linguagem, o sistema pragmático descreve como usar a linguagem em situações específicas, por 
exemplo, ao transmitir emoções (CERVERA-MÉRIDA; YGUAL-FÉRNANDES, 2003).
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5. MECANISMOS DE CONTROLE DO MOVIMENTO
O desenvolvimento motor, conforme já foi abordado na Unidade 1, segundo Gallahue 
(2008, p. 38), é o “[...] processo contínuo de mudanças ao longo do tempo que se inicia na 
concepção e cessa somente na morte”. Além disso, sofre influências da tarefa, do próprio 
indivíduo e do ambiente. 
O sistema nervoso central também pode ter relação, visto que todo movimento sofre 
influência neural, pois precisa perceber e até efetivar como forma de resposta. Essa influência 
neural possibilita o aprendizado e comportamento, ou seja, quando nascemos, o sistema nervoso 
permite o aprendizado e, à medida que vamos amadurecendo, há a presença de comportamentos 
maduros.
Entretanto, apesar dessa maturação ao longo do tempo do sistema nervoso possibilitar o 
aprendizado e comportamento, ele restringe-se ao tempo de desenvolvimento, por exemplo, os 
bebês conseguem realizar muitos movimentos complexos, porém, apenas alcançarão um nível de 
coordenação adequado quando a formação da mielina estiver completa.
Dessa forma, o que significa pensarmos na maturação do sistema nervoso? E qual é a 
importância disso? Primeiramente, é preciso entender a célula nervosa para entender a maturação. 
Em segundo lugar, compreender isso permite explicar de fato o processo de aprendizagem. 
Os neurônios são a unidade fisiológica e morfológica do sistema nervoso, compõem-se 
de três partes: 
•	 Dendritos: diversos prolongamentos curtos do corpo celular que recebem as mensagens.
•	 Axônio: principal unidade conduta presente no neurônio.
•	 Corpo celular: onde se concentra todas as proteínas para os dendritos, axônio e terminais 
sinápticos. É como se fosse a fábrica de alimento do neurônio.
Figura 4 - Sinapse entre dois neurônios. Fonte: Neto (2012).
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Quando o corpo celular recebe a mensagem, cabe ao axônio conduzir até o dendrito 
de outro neurônio para fazer a sinapse (Figura 4). Mas, para isso, é preciso que o axônio esteja 
maduro, que é caracterizado pela presença da mielina.
O processo de mielinização acontece ao longo do tempo. Esse fato nos permite 
compreender então que os neurônios se mielinizam em épocas diferentes do desenvolvimento 
do organismo. Assim, podemos compreender melhor por que cada criança se desenvolve em seu 
próprio tempo em relação a comportamentos e aprendizagens motoras.
5.1 O Cérebro e a Maturação na Aprendizagem
Romanelli (2003) descreve a aprendizagem a partir de uma percepção neuropsicológica 
como “resultado da recepção e troca de informações entre o ambiente e centros nervosos”, ou 
seja, o aprender sempre precisa de uma informação como forma de estímulo do ambiente, que 
é transformada em impulso nervoso. O impulso chega até a área do cérebro que corresponde ao 
estímulo. Assim, o estímulo relacionado à visão termina no lobo occipital; da audição, termina 
no lobo temporal, e o tátil no parietal. 
Essas áreas do estímulo são chamadas de áreas de projeção ou primárias, que se trata de 
informações ainda sem significado, por exemplo, ao estimular somente essa área, o indivíduo 
percebe sensações vagas, como, sentir um formigamento. Após essa área, a informação chega até 
a área secundária, onde há a decodificação da informação, por exemplo, o indivíduo consegue ver 
uma imagem ou reconhecer uma voz. 
Depois a informação passa para a área terciária, de modo a formar a percepção e permite 
associações, por exemplo, reconhecer uma pessoa cuja voz é agradável e a pele é macia. Apesar 
de esse processo todo parecer algo que precise de um tempo para acontecer, na verdade, acontece 
de maneira muito rápida no cérebro.
 A aprendizagem motora também passa por esses processos complexos, passando pelas 
áreas primárias e indo até a terciária. Na região do lobo frontal, acontece o planejamento do 
movimento, de modo que, ao passar para a área pré-motora, acontece uma organização da 
sequência de movimento e, por fim, passa pela áreamotora primária que envia impulso para 
os músculos esqueléticos a fim de executar o movimento. Além disso, outras áreas também 
fornecem informações que permitem um ajuste do movimento, como, por exemplo, controle de 
força e de agilidade.
A área motora primária é a primeira a ser mielinizada no lobo frontal, e isso permite a 
execução de movimentos sem muita preparação. Depois acontece a maturação da área pré-motora, 
que possibilita uma melhor execução do movimento. Assim, a última área a ser mielinizada é o 
córtex pré-frontal, que permite por fim um bom planejamento do movimento.
5.2 Processo de Maturação e Desenvolvimento Motor
A cada idade, os movimentos corporais passam por mudanças de comportamentos 
motores que são importantes para o desenvolvimento da criança. Conforme foi citado na unidade 
anterior, o movimento pode ser classificado em três categorias, sendo elas: de estabilização, 
locomoção e manipulação.
A criança, quando possui cerca de 2 a 6 anos de idade, apresenta habilidades fundamentais 
ainda em desenvolvimento, ou seja, consegue realizar um movimento, mas ele ainda precisa 
ser aprimorado. Embora o controle motor não esteja totalmente refinado, ele encontra-se em 
processo de desenvolvimento. Além disso, a criança ainda não possui capacidade de estar em 
períodos prolongados de trabalhos minuciosos. 
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Durante essa fase, ainda não há uma total maturação de determinadas áreas cerebrais. 
Os lobos frontais, responsáveis por planejar e executar a tarefa, não estão completamente 
mielinizados, o que gera um problema ao organizar uma tarefa, além de falta de concentração, 
que não possibilita que a criança iniba alguns estímulos, de modo que isso causa uma distração 
(BOOTH et al, 2003).
Por volta dos 6 aos 10 anos, a criança já apresenta alguns movimentos de habilidades 
fundamentais mais estabelecidos, porém, ainda é possível encontrar algumas dificuldades em 
relação à coordenação em atividades que envolvem olhos, pois o tempo de reação ainda é lento. 
Esse é o período que marca a progressão das melhoras de habilidades fundamentais para o 
desenvolvimento, por exemplo, de habilidade atléticas.
Figura 5 - Exemplo de progressão entre habilidade fundamental para uma habilidade atlética. Fonte: Freepik (2020); 
Sputinik (2018).
O desenvolvimento de movimentos mais estabelecidos está relacionado com a maturação 
da área pré-frontal, permitindo uma melhora ao planejar um movimento, além de possibilitar a 
união de um ou dois movimentos. Dessa forma, estimular esse processo é importante para que 
haja formação de outras áreas cerebrais. Embora a mielinização aconteça nessa fase, ela continua 
a se formar até por volta dos 18 anos, quando dá início a outro período.
Na idade entre 10 e 20 anos de idade, já é caracterizado por movimentos especializados, 
e, portanto, ocorre poucas alterações no padrão de movimento. Durante essas idades, enfatizarão 
habilidades esportivas, que é influenciada por limitações pessoais e físicas, por isso, sempre existe 
a escolha de um determinado esporte. Além disso, o foco é sempre na melhora da competência.
Nessa fase, ainda ocorre a maturação do lobo frontal e que perdura durante todo o 
desenvolvimento do ser humano. Dessa forma, a motivação de realizar o movimento ocorre 
dependendo do real significado atribuído a esse movimento.
5.3 Atenção, Aprendizagem e Maturação
A atenção, de acordo com Magill (2000), pode ser definido como “focalização, 
concentração da consciência”, sendo de extrema importância para o controle motor, visto que um 
dano ou déficit da atenção pode gerar problemas para a aprendizagem, linguagem e até mesmo 
habilidades motoras. 
Realizar o movimento de pegar um objeto e colocá-lo na mesa para nós é um trabalho 
simples, porém, para o Sistema Nervoso Central, é uma tarefa difícil, pois envolve a participação 
de diversas áreas cerebrais para a organização de processos motores. Assim, para a execução do 
movimento, uma série de tarefas acontecem:
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•	 Identificar referências sobre o objeto;
•	 Enviar impulsos nervosos para os músculos aplicarem força para pegar o objeto através 
da contração;
•	 Parar de contrair levemente para deixar o objeto sobre a mesa com uma força correta de 
modo a não bater muito forte na mesa.
Na criança, o êxito nesse tipo de atividade pode variar, dependendo do seu desenvolvimento 
motor (ROSA NETO, 2002).
O controle motor fino é a habilidade que mais precisa de atenção na execução de um 
movimento. Em crianças hiperativas, o dano do controle motor fino é maior, de modo que elas 
apresentam maior déficit na motricidade.
A sinestesia corporal, que pode ser compreendida como a percepção do próprio corpo 
em relação ao ambiente, está ligada ao controle motor fino. E de acordo com Piek (1999), apesar 
de as crianças hiperativas possuírem déficit na motricidade, elas não possuem sinestésicas 
quando comparadas com crianças sem déficits. Com base nesses achados, explica-se que esse fato 
acontece devido ao processo de maturação da área frontal, pois os sistemas sensoriais não foram 
afetados, entretanto, eles possuem problemas de atenção e aprendizado motor.
A atenção pode influenciar bastante no controle motor, pois, através dela, o indivíduo 
consegue perceber e focar no estímulo que realmente interessa, deixando de lado estímulos 
irrelevantes. Nesse sentido, dois aspectos devem ser estudados: a atenção seletiva e a inibição de 
resposta. 
A atenção seletiva é a orientação para um estímulo específico, ou seja, direcionar a atenção 
para um estímulo mais relevante e ignorar outro, por exemplo, em uma festa, para conseguirmos 
prestar a atenção na conversa, nós precisamos ignorar todos os outros barulhos que acontecem 
ao nosso redor. E controle inibitório que é a habilidade de inibir respostas impulsivas, isso 
permitindo um melhor planejamento (MIRANDA et al, 2016).
5.4 Córtex e Psicomotricidade
 
A organização do córtex é função da motricidade que, organizada em comportamentos, 
gera generalização e associação dos dados sensoriais periféricos, como, ouvidos, pele, olhos, 
músculos, tendões, articulações e ligamentos. Entre o ambiente externo e o córtex existe função 
sensorial e neuronal que transfere um estímulo externo em um estímulo mental significativo. 
Assim, a partir dos órgãos sensoriais, a sensação é transmitida para o tálamo ou medula que 
transforma a sensação em imagem e percepção.
Figura 6 - Representação da ligação entre o mundo exterior e o córtex cerebral. Fonte: Desenvolvimento Psicomotor 
e Aprendizagem (2008).
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Dessa maneira, o córtex é um órgão que tem como especialidade organizar estímulos 
externos, transformando-os em experiências, mantidas pela memória, podendo ser utilizada no 
futuro.
A criança, portanto, ao receber esse estímulo externo que passa pelo córtex, pode 
transformar uma imagem subjetiva, elaborando assim uma resposta motora de acordo com o 
mundo real. A memória também pode fazer parte desse processo, pois é apenas por ela que a 
criança pode assimilar uma experiência passada com uma do presente e futuro, de modo que há 
uma sobreposição entre memória e estímulo externo.
A partir dessa perspectiva, alguns estudiosos apresentam uma noção de somatograma 
(conhecimento do corpo), de enagrama (integração cognitiva e afetiva) e de opticograma 
(integração do estímulo visual e processo perceptivo). Assim, de acordo com Ajuriaguerra (apud 
FONSECA, 2008), o opticograma é voluntário, já o enagrama e o somatograma são automáticos, 
ou seja, não sofrem influência da consciência. Enquanto o opticograma possui função de 
reconhecer sinais externos, o enagrama memoriza experiência anteriore o somatograma ajusta 
os gestos à situação. 
Confuso né? Mas vamos ao exemplo para melhor compreensão: quando uma criança 
escreve, o opticograma permite que ela perceba o espaço do caderno ou papel. O enagrama, por 
sua vez, permite o uso de palavras, frases adquiridas anteriormente, e o somatograma permite do 
uso da motricidade fina, como, preensão do lápis no caderno.
Assim, qualquer motricidade, em qualquer ambiente externo, exige uma complexa 
organização cortical, reunindo os três sistemas mencionados acima.
De acordo com Luria (apud FONSECA, 2008), a organização do cérebro, resultou em 
atividade motora do ser humano, na medida em que ocorre a maturação do sistema nervoso 
da criança em constante interação com o ambiente externo. Assim, enquanto não ocorre essa 
maturação, ela não pode aprender.
O sistema sensorial, por sua vez, processa informação através de quatro etapas:
•	 Discriminação;
•	 Sequencialização;
•	 Análise;
•	 Síntese;
Figura 7 - Esquema de como o sistema sensorial processa informações. Fonte: Desenvolvimento Psicomotor e 
Aprendizagem (2008).
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O córtex concentra a ação de regular e controlar estímulos e respostas, seja som, luz, 
escrita ou outras fontes externas. Ele também está estruturado em áreas primárias, secundárias e 
terciárias. O córtex também processa estímulos relevantes, descartando os irrelevantes.
De uma maneira de fácil compreensão, o nosso córtex, funciona, por exemplo, como 
uma central telefônica de uma grande cidade, que recebe inúmeras e diversas chamadas de 
regiões próximas a ela, colocando todas elas em perfeita harmonia em relação às comunicações, 
entretanto, pode haver problemas que geram pequenos ou grandes estragos entre seus sistemas.
Para nós, podemos considerar que nosso córtex vai além de uma constelação de trabalho, 
podendo chegar em proporções maiores, como a galáxia, ou seja, o cérebro funciona como 
uma galáxia com milhões de estrelas (os neurônios), que reunidas, permitem ao ser humano a 
possibilidade, responsabilidade, e intenção de programar e orientar a conduta de cada uma delas.
No ser humano, sempre haverá uma ligação entre aspectos motores e cognitivos. E é 
nessa ligação que encontramos o ser humano em ação.
Figura 8 - Representação da ligação entre aspectos motores e cognitivos, que geram o ser humano em ação. Fonte: 
O autor (2020).
5.5 Diferenciação Motora e Sensorial
Para compreendermos melhor a importância das áreas corticais na motricidade, 
Luria (apud FONSECA, 2008) recorre então à experiência envolvendo eletroencefalogramas e 
eletromiografia, que mostram a interação entre as áreas motoras e sensoriais.
Ambas as áreas são responsáveis por realizar o movimento de maneira voluntárias, que 
serão usados em qualquer situação de aprendizado. Podemos pensar como uma moeda de duas 
faces, em que ambas as faces não podem existir sem a presença do outro, e que essa interação 
representa, na verdade, uma evolução. Nessa evolução, portanto, podemos observar a quantidade 
de estruturas que compõem o sistema nervoso do ser humano.
Assim, de acordo com Luria, não é possível separar a motricidade do psiquismo, 
colocando como explicação que:
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O psiquismo seria uma motricidade de ideias sem ação motora propriamente 
dita, enquanto a motricidade comportamentalmente observada não seria mais 
do que um psiquismo em ação, como podemos apreciar na performance de um 
artista, de um músico ou de um atleta olímpico (LURIA apud FONSECA, 2008).
 
Vygotski (apud DANTAS, 1992) acrescenta informação a essa perspectiva, enfatizando 
que os movimentos voluntários não são inatos e, sim, que são propriedades acumuladas e 
adquiridas por meio do convívio social.
Dessa forma, a aprendizagem e a motricidade derivam de duas gerações, aqueles 
experientes e os inexperientes, por exemplo, as crianças estão sempre em constante interação 
com os adultos, que as colocam naturalmente diante de experiências ao seu redor. Essa interação 
permite então que a criança, por meio dos adultos, passe a interiorizar e executar o que lhes foi 
ensinado.
Figura 9 - Representação da interação entre criança e adulto. Fonte: A mente é maravilhosa (2020).
Lembrando, por fim, que esse processo é valido tanto para as competências motoras 
quanto para as cognitivas e afetivas.
Você sabia que a massa cinzenta é importante para a prática de exercício físico? 
Ela permite que você consiga pensar e se movimentar ao mesmo tempo. Além 
disso, já é comprovado cientificamente que o exercício também pode aumentar 
o volume da massa cinzenta. Isso é muito importante, pois ela é um principal 
componente do sistema nervoso central.
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A leitura indicada para essa unidade é o artigo publicado por autores maringaenses, 
e teve como objetivo analisar o desempenho motor e a maturidade cognitiva de 
pré-escolares de Maringá em função da idade. Esse artigo vai poder te auxiliar 
a compreender a importância de estudar o desenvolvimento cognitivo durante a 
infância, para o desenvolvimento motor. Leia:
• DA ROCHA, F. F. et al. Análise do desempenho motor e maturidade cognitiva de 
pré-escolares de Maringá (PR). [S. l]. Saúde e Pesquisa, v. 9, n. 3, p. 507-515, 2016. 
Você, aluno, já tinha parado para pensar o quanto o domínio cognitivo tem 
contribuição no desenvolvimento motor? Você como futuro profissional de educação 
física, quando for ministrar suas aulas, seja para crianças, adultos, populações 
especiais, pessoas com deficiência, entre outros, levará em consideração esses 
fatores ao planejar sua aula? Será que é possível proporcionar durante as aulas 
estímulos cognitivos e motores? Espero que, ao final dessa unidade, você possa 
entender a importância e buscar sempre o desenvolvimento pessoal e profissional 
para estar em constante aprendizado a respeito do tema. 
No vídeo “Controle Motor – como o movimento acontece?”, o 
professor Rogério J. de Souza aborda como o movimento que 
queremos fazer acontece através da organização do cérebro. 
Após assistir a esse vídeo, você poderá compreender melhor o que 
estudamos na unidade, além de aprender informações novas. 
O vídeo está disponível no Youtube, no canal Neurofuncional. Disponível em: 
.
Outra indicação é do vídeo intitulado “Funções Executivas: 
Habilidades para a vida e aprendizagem”. Nele, você poderá 
compreender como as habilidades são desenvolvidas 
dependendo do estímulo ofertado para o indivíduo. O vídeo está 
disponível no Youtube no canal Fundação Maria Cecilia Souto 
Vidigal. Disponível em: .
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 CONSIDERAçÕES FINAIS 
Chegando ao final de mais uma unidade, esta, por sua vez, foi uma unidade complexa 
e carregada de informações. Espero que, após a leitura e estudos, possamos compreender como 
é formado e organizado o cérebro, que, por sua vez possui dois hemisférios, onde, em geral, 
existe nos humanos a predominância do hemisfério esquerdo. Os hemisférios são divididos 
em quatro lobos (frontal, temporal, parietal e occitpital, sendo que cada um possui sua própria 
especificidade e função).
Parecia meio estranho ao ler esses tópicos e pensar na disciplina que estamos estudando. 
Afinal, se é que existe, qual é a relação entre elas? Pois bem, compreender partes do sistema 
nervoso é extremamente importante para compreender como se dá o desenvolvimento de 
aprendizagens e comportamentos. Lembrando que é preciso que ambos estejam em evolução, 
para que tudo ocorra conforme descrito, porém,

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