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Relatório    Terapia Ocupacional em Saúde Mental
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Saúde Mental Universidade da AmazôniaUniversidade da Amazônia

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## Resumo do Relatório da Prática 1: Assistência em Saúde Mental e o Papel do CAPSiO relatório aborda a evolução histórica da assistência às pessoas com transtornos mentais no Brasil, destacando a trajetória desde a exclusão e maus-tratos até a construção de um modelo de cuidado mais humanizado e inclusivo. Inicialmente, os indivíduos considerados “loucos” eram segregados e confinados em condições desumanas, muitas vezes junto a outros grupos marginalizados, como desocupados e mendigos, sofrendo maus-tratos físicos e isolamento social. Na Renascença, essa exclusão se manifestava pelo banimento dos loucos das cidades, confinando-os em deslocamentos errantes ou em navios sem destino. Já na Idade Média, a institucionalização em grandes asilos reunia diversos grupos indesejados, onde os tratamentos eram severos e repressivos.No século XVIII, Phillippe Pinel introduziu uma mudança significativa ao propor o tratamento moral, libertando os pacientes das correntes e focando na reeducação e respeito às normas, embora com o tempo essa abordagem tenha se esvaziado de suas ideias originais. Posteriormente, a loucura passou a ser vista também como uma doença orgânica, mas as práticas de submissão e contenção permaneceram, mesmo com avanços científicos em neurofisiologia e neuroanatomia. Somente na segunda metade do século XX, com o movimento da Luta Antimanicomial e a Reforma Psiquiátrica, houve uma ruptura com o modelo manicomial tradicional. Essa reforma, impulsionada pela redemocratização do Brasil e pela defesa dos direitos humanos, denunciou os manicômios como espaços de violência e propôs a criação de uma rede de serviços comunitários, inclusivos e solidários, que valorizassem a cidadania dos portadores de transtornos mentais.A partir da aprovação da Lei Federal 10.216 em 2001, a política de saúde mental brasileira passou a priorizar o cuidado em serviços substitutivos aos hospitais psiquiátricos, como os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Esses centros têm como objetivo acolher pacientes, estimular sua integração social e familiar, promover autonomia e oferecer atendimento multidisciplinar. O primeiro CAPS foi inaugurado em 1986 em São Paulo, resultado de um movimento social que denunciava as condições precárias dos hospitais psiquiátricos. A Terapia Ocupacional, desde o início da profissão no Brasil, esteve presente nesse contexto, adaptando-se às mudanças e ampliando o cuidado para promover o protagonismo social dos pacientes, especialmente diante da alta rotatividade e das novas demandas do sistema de saúde mental contemporâneo.### Caracterização do Local e Atividades DesenvolvidasO relatório descreve a prática realizada no Centro de Atenção Psicossocial Infanto Juvenil (CAPSi) de Ananindeua, que atende crianças e adolescentes com comprometimentos psiquiátricos, incluindo autismo, psicoses e neuroses. O CAPSi oferece uma variedade de serviços, como atendimentos individuais, grupais e familiares, visitas domiciliares, oficinas terapêuticas e atividades esportivas, contando com uma equipe multidisciplinar composta por psiquiatra, psicólogo, terapeuta ocupacional, fonoaudiólogo, enfermeiros, farmacêutico, fisioterapeuta, educador físico, entre outros. O funcionamento é diário, das 8h às 18h.Durante o período da prática, foram realizadas atividades psicomotoras e lúdicas com o objetivo de estimular a socialização, a atenção, a coordenação motora e a cooperação entre os adolescentes. Por exemplo, a atividade “escravo de Jó” foi utilizada para promover a interação social e o entendimento das regras, apesar de algumas dificuldades na execução. Essas atividades são fundamentais para o desenvolvimento das habilidades cognitivas e sociais dos pacientes, além de favorecerem o feedback e a participação ativa dos usuários no processo terapêutico.### Estudo de Caso e Considerações FinaisO relatório apresenta o caso de G.W., um adolescente de 16 anos, portador dos CID F79.1 (retardo mental grave) e F92 (transtornos disruptivos da infância e adolescência), que frequenta o CAPSi desde 2010. Ele apresenta sintomas como agressividade, alucinações e timidez excessiva, mas mantém um bom relacionamento familiar. O tratamento inclui o uso de medicamentos e participação em projetos externos, como o “Caminhar” na UFPA. Durante os atendimentos, foram aplicados modelos lúdicos, cognitivos e perceptomotores para estimular o desenvolvimento e a integração social do paciente.O relatório evidencia a importância da Reforma Psiquiátrica e da criação dos CAPS para a transformação do cuidado em saúde mental no Brasil, destacando a necessidade de um atendimento interdisciplinar, humanizado e centrado na promoção da autonomia e cidadania dos pacientes. A atuação do terapeuta ocupacional é ressaltada como fundamental para ampliar o cuidado e possibilitar o protagonismo social dos sujeitos com sofrimento psíquico, alinhando-se às políticas públicas atuais e aos direitos humanos.---### Destaques- A assistência aos portadores de transtornos mentais no Brasil evoluiu da exclusão e maus-tratos para um modelo comunitário e inclusivo, impulsionado pela Reforma Psiquiátrica.- A Lei Federal 10.216/2001 e a criação dos CAPS representam marcos importantes na garantia dos direitos e no cuidado humanizado em saúde mental.- O CAPSi oferece atendimento multidisciplinar a crianças e adolescentes com transtornos mentais, promovendo socialização, autonomia e integração familiar.- Atividades psicomotoras e lúdicas são ferramentas essenciais para o desenvolvimento cognitivo e social dos pacientes.- A Terapia Ocupacional desempenha papel crucial na promoção do protagonismo social e na adaptação das práticas terapêuticas às demandas contemporâneas da saúde mental.

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