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CONTABILIDADE E CUSTOS CAPÍTULO 2 - COMO SE DÁ A INTEGRAÇÃO DOS CUSTOS AOS DIVERSOS SISTEMAS CONTÁBEIS? Sandra Figueiredo INICIAR Introdução Neste capítulo você estudará como se dá a integração dos custos aos diversos sistemas contábeis. Considerando sua natureza, a empresa é um sistema aberto que interage com diversos sistemas, entre eles o sistema contábil. O sistema de custos, um dos subsistemas do sistema contábil, tem papel fundamental para planejamento do lucro e para sobrevivência da empresa. No sistema de custos, em especial o sistema dos custos da produção, as entradas são os gastos feitos com matéria-prima, mão de obra e custos indiretos que visam produzir informação sobre a fabricação dos produtos, no caso das empresas industriais e dos serviços nas empresas de serviço. Para começar este estudo você fará algumas reflexões importantes para estabelecer a relação entre os sistemas de custos e a contabilidade. Quais as nomenclaturas de custos usadas para a análise da relação dos custos com o volume de produção? Como se classificam os custos quanto à sua integração com a contabilidade financeira? O que dizem as normas brasileiras de contabilidade e como elas se aplicam aos estoques, o CPC 16? Quais os sistemas que apoiam o sistema de custos? A partir destas reflexões, neste capítulo você estudará o impacto dos custos dos estoques de matérias-primas no custo do produto e como pode ser feito o controle e o planejamento do lucro através do conhecimento dos custos fixos e variáveis, além de conhecer como os impostos impactam no custo e na formação do lucro. 2.1 Classificação e nomenclatura de custos em relação ao volume de produção A empresa está constantemente exposta às oscilações de demanda do mercado no qual está inserido. As vendas, algumas vezes, estão em alta, por isso é necessário dispor de valores para investir no aumento da produção e aproveitar a boa maré. Há também momentos em que a demanda se retrai e, neste caso, é necessário conhecer os custos que podem ser controlados para que não haja surpresas como a diminuição drástica de lucro. O motivo para se conhecer a natureza dos custos e separá-los por categoria em relação ao volume de produção é que classificá-los é uma forma de mantê-los controlados, além de ter dados que auxiliem no processo de cálculo do preço adequado para o produto ou serviço prestado em diversos momentos da vida da empresa. 2.1.1 Custos fixos e variáveis A classificação de custos quanto ao volume de produção é uma das mais úteis na produção de informações para o processo decisório baseado nas informações de custos. Para Martins (2010), uma classificação usual (e mais importante que todas as demais) é a que leva em consideração a relação entre o valor total de um custo e o volume de atividade numa unidade de tempo, dividindo os custos em fixos e variáveis. Esta classificação baseia-se na relação da variação dos custos quanto ao aumento da diminuição da produção e classifica os custos entre fixos e variáveis. Os custos fixos são custos estruturais que se mantêm constantes independente do aumento ou diminuição do volume produzido, considerando certa estrutura de produção. Quando se diz que seus valores são fixos não dizemos que não podem ser alterados, mas sim que a variação independe do aumento da produção, como aluguel, energia da produção, manutenção fixa de equipamentos etc. Os custos variáveis são aqueles cuja variação está atrelada ao aumento ou diminuição da produção e sua variação é a mesma do preço de venda, aumentam ou diminuem quando o volume produzido ou vendido aumenta ou diminui. Por exemplo, se fabricamos uma blusa com um metro de tecido, duas blusas precisarão de dois metros e assim por diante, mais matéria-prima, horas trabalhadas etc. Uma curiosidade a respeito dos custos fixos, por outro lado, é que quanto maior o volume produzido menor a parcela fixa atribuída ao produto individualmente, o que torna possível diminuir os preços cobrados. O custo variável unitário, entretanto, se mantém constante, somente aumenta o custo variável total. 2.1.2 Despesas fixas e variáveis A diferenciação entre custos e despesas é que os custos são associados aos produtos enquanto que as despesas são gastos que dizem respeito aos períodos contábeis feitas para administrar a empresa, vender seus produtos ou financiar suas operações. As despesas são feitas diretamente com o propósito de gerar receita no período contábil. As despesas, assim como os custos, também têm sua classificação entre fixas e variáveis dependendo se sua variação está ligada ou não ao volume de produção de bens e serviços no período contábil. Uma despesa com o salário do vendedor, por exemplo, é uma despesa fixa, enquanto que a despesa com a comissão de vendedores é variável. Veja o exemplo: Salário do vendedor = R$ 1.000,00 Preço de venda do produto = R$ 25,00 Custo unitário do produto = R$ 10,00 Quantidade vendida no mês = R$ 3.000 Comissão do vendedor = 2% das vendas Na tabela acima podemos ver que a estrutura de custo e preço não sofreu nenhuma modificação, apenas o que modificou foi o volume vendido, a despesa fixa (o salário do vendedor) se manteve constante, independente da quantidade vendida, mas a comissão aumentou no mesmo sentido em que aumentou o volume das vendas. 2.1.3 Representação gráfica dos custos e da receita É preciso considerar que os custos podem ser classificados em fixos e variáveis dependendo de seu comportamento em relação ao volume de produção. VOCÊ SABIA? Tabela 1 - Influência do volume de produção nos custos variáveis. Fonte: Elaborado pela autora, 2018. Que conhecendo o comportamento dos custos fixos e variáveis a empresa tem possibilidade de receber encomendas mesmo por valores menores que os preços praticados, quando possui capacidade ociosa e os seus custos fixos estão cobertos? Daí a utilidade do conhecimento do comportamento dos custos para que a empresa não tome decisões equivocadas. Na representação gráfica dos custos e de despesas é possível identificar a diferença da trajetória destes custos e despesas fixos e variáveis. Observa-se que os custos e despesas variáveis acompanham a trajetória do aumento das vendas. Na tabela abaixo temos uma estrutura de receitas de custos fixos e variáveis: Estes custos, caso fossem representados graficamente, demonstrariam as trajetórias de crescimento com comportamento bastante característico. À medida que aumentam as vendas, os custos de produção variáveis e as despesas variáveis vão aumentando, como observado na figura abaixo. Estes custos têm a mesma inclinação, pois, embora os valores unitários sejam diversos, seu crescimento tem igual tendência. Os custos e despesas variáveis, entretanto, têm comportamento constante e apresentam uma trajetória reta. Tabela 2 - Tabela de receitas de custos e lucro. Fonte: Elaborado pela autora, 2018. Sendo assim, como demonstrado na figura acima, os custos fixos e despesas fixas se mantêm constantes mesmo com o aumento do volume produzido e vendido, já os custos e despesas variáveis acompanham a trajetória de crescimento das vendas e seu aumento tem efeito imediato no aumento destes custos. 2.1.4 Margem de Contribuição e Ponto de Equilíbrio A classificação dos custos em fixos e variáveis e a análise do seu comportamento permite a empresa fazer uma série de análises para direcionamento de sua eficiência na gestão. Uma contribuição importante para a conhecimento e o controle dos custos na empresa é o conceito de Margem de Contribuição (MC). Mas, afinal, o que é margem de contribuição? Considerando que os custos fixos independem do aumento da produção e das vendas e que os custos variáveis possuem o mesmo comportamento das receitas, isso possibilita o cálculo da margem de contribuição que é a diferença entre os dois últimos valores. Em cada produto que é fabricado e vendido se pode apurar uma margem de contribuição que é a diferença entre o preço e o custo variável unitário. O valor produzido pela margem de contribuição cobre os custos fixos eapós cobertos estes custos, começa a formar o lucro. Figura 1 - Representação gráfica do comportamento dos custos e despesas. Fonte: Elaborado pela autora, 2018. MC = PV - CV Assim, em uma empresa que tivesse a seguinte estrutura de custo: CF = R$ 100.000; CV = R$ 55.000; PV = R$ 80.000. A Margem de Contribuição seria: R$ 80.000,00 - R$ 55.000,00 = R$ 25.000,00. Como temos R$ 100.000,00 de custos fixos, precisaremos de quatro margens de contribuição para cobri-los. Assim, quando vendermos 4 unidades, os custos fixos e variáveis estarão cobertos e, a partir dali, a margem de contribuição passará a formar o lucro. As análises do ponto de equilíbrio tornam-se possíveis exatamente porque alguns custos são constantes ou fixos em um dado período de tempo, enquanto outros variam de acordo com o aumento no nível de produção. Há um vídeo que faz uma análise interessante e explicativa sobre a utilidade da margem de contribuição e do ponto de equilíbrio. É uma videoaula e o responsável pelo vídeo é a empresa “Resultar Soluções para Gestão”. Acesse em: . A margem de contribuição é útil também na análise de rentabilidade de produtos quando temos limitação de recursos produtivos. Vamos considerar uma empresa que produz dois produtos: VOCÊ QUER VER? https://www.youtube.com/watch?v=vC9RRGninBs https://www.youtube.com/watch?v=vC9RRGninBs Produto A = Preço de venda R$ 30,00 e CV de R$ 15,00 Produto B = Preço de venda R$ 50,00 e CV R$ 40,00 Caso a empresa tivesse que descontinuar a fabricação de um dos dois produtos e não houvesse nenhuma limitação de mercado, teríamos que pensar da seguinte forma: Análise da Margem de Contribuição seria: PV - CV = MC MC Produto A = R$ 30,00 - R$ 15,00 = R$ 15,00 MC Produto B = R$ 50,00 - R$ 40,00 = R$ 10,00. Embora o produto B tenha preço maior, sua Margem de Contribuição de R$ 10,00 é menor do que a Margem de Contribuição do produto A, que é de R$ 15,00. Sendo assim, o produto A deve ser o escolhido pela empresa para ser produzido e o produto B deve ser descontinuado. O Ponto de Equilíbrio é aquele nível de volume de produção no qual as Receitas Totais igualam-se ao Custo Total, onde a soma das margens de contribuição unitárias de todos os produtos vendidos se iguala aos custos fixos. Se os custos fixos são constantes não importa que a empresa esteja fabricando 1 item ou 100 (desde que esteja dentro de sua capacidade normal de produção), sempre terá o mesmo custo. Os custos variáveis, entretanto, se repetem a cada novo item que se fabrica. Assim, para cada produto cujo custo variável seja 10, dois itens serão 10 + 10 = 20, três itens serão 10 + 10 + 10 = 30 e assim por diante. A margem de contribuição é o valor que cada item contribui para cobrir os custos fixos da empresa e passar a contribuir para a formação do lucro. Assim, em uma empresa que tivesse a seguinte estrutura de custo: CF = R$ 100.000; CV = R$ 55.000; PV = R$ 80.000 Qual seria a Margem de Contribuição? MC = PV - CV ; MC = R$ 80.000 – R$ 55.000 = MC = R$ 25.000 Qual seria o Ponto de Equilíbrio? O ponto de equilíbrio é o nível de produção no qual os custos e receitas se igualam e onde a soma das MC cobrem os custos fixos. Assim: PE = CF /PV-CV; PE = R$ 100.000/ (R$ 80.000 – R$ 55.000); PE = 4 Com a venda de 4 (quatro produtos), todos os custos estarão cobertos. Qual seria o Custo Total no Ponto de Equilíbrio? Custo Total = CF + (CVx Q) R$ 100.000 + (R$ 55.000 x 4) = CT = R$ 320.000 Qual seria a Receita Total no Ponto de Equilíbrio? Receita = PV x Q R = R$ 80.000 x 4 R = R$ 320.000 Se os custos variáveis já foram deduzidos no cálculo da MC e se o ponto de equilíbrio é o nível de produção onde os custos totais são iguais às receitas totais. Considerando uma empresa com a seguinte estrutura de custos: Custo fixo = R$ 90,00 Custo Variável = R$ 5,00 Preço de venda = R$ 20,00 Ponto de Equilíbrio será = Receita Total n o PE = PV X Q = 20 x 6 = R$ 120,00 Custo Total no Ponto de Equilíbrio PE = CF + (CVxQ) = 90 + (5x6) = R$ 120,00 O gráfico abaixo ilustra o ponto onde as Receitas Totais se igualam aos custos totais, exatamente no nível de produção de 6 unidades: Esta análise é muito importante para o planejamento do lucro. Veja que, se você planeja um evento como uma palestra, por exemplo, você tem o custo fixo do palestrante e o custo variável das pastas e crachás que serão distribuídos. Aplicando a análise do ponto de equilíbrio é possível saber para quantas pessoas você deverá vender sua palestra para não ter prejuízo no seu evento. Figura 2 - Ponto de Equilíbrio das Vendas. Fonte: Elaborado pela autora, 2018. Existem outras variações para aplicação da análise do Ponto de Equilíbrio (PE). A análise feita até agora se refere ao ponto de equilíbrio contábil onde os custos e despesas se igualam à receita e, consequentemente, os custos e despesas estão cobertos pelas vendas. Uma outra variação da análise do PE é o PE Econômico (PEE), onde além dos custos e despesas se planeja uma remuneração pelo capital investido: Existe também o Ponto de Equilíbrio Financeiro. Esta análise considera para o cálculo somente os gastos que geram desembolso, extraindo, assim, a depreciação que está incluída nos CF, por exemplo: Considerando os mesmos dados do exemplo acima, considere uma empresa com a seguinte estrutura de custos: Custo fixo = R$ 90,00 Custo Variável = R$ 5,00 Preço de Venda = R$ 20,00 Custo de Depreciação R$ 15,00 PL R$ 100,00 Remuneração desejada de 15% s/PL Ponto de Equilíbrio Contábil será PE = PE = 6 Ponto de Equilíbrio Econômico PEE será = 7 Ponto de Equilíbrio Econômico PEF será = 5 Ao calcular os Pontos de Equilíbrio, Contábil, Econômico e Financeiro, vemos que cada uma destas análises se adéqua à decisão que está sendo tomada no momento pelo gestor e a informação necessária para esta decisão. Como sabemos, ninguém trabalha somente para cobrir os custos por muito tempo e uma empresa precisa gerar resultados, daí a utilidade da análise do PEE. Quando a decisão é sobre fluxos financeiros de pagamentos e recebimentos, o ponto de Equilíbrio Financeiro é o mais adequado. 2.2 Fluxo de formação do custo e a integração com a contabilidade financeira Os sistemas de custos são parte integrante do sistema de gestão empresarial do qual o sistema contábil é parte importante e essencial, em se tratando da produção de informações para controle planejamento. Segundo Stark (2007, p. 29), referindo-se ao sistema contábil: O sistema de contabilidade é um mecanismo formal que permite obter, organizar e disponibilizar informações sobre as atividades da empresa. Fazem parte de um sistema de contabilidade, essencialmente, dois tipos de processos: 1) acumulação; e 20 alocação de custos aos objetos de custeio, sejam produtos, atividades, sejam departamentos clientes etc. Neste sentido, em termos dos princípios do sistema que apontam os caminhos para elaboração das informações e dos métodos utilizados para tratamento destas informações, eles seguem as mesmas determinações feitas para os sistemas contábeis, pois as informações geradas no sistema de custos serão integradas ao sistema contábil. Para Bornia (2002, p. 53), “o princípio determina qual informação o sistema deve gerar e está intimamente relacionado com o objetivo do sistema. O método diz respeito a como a informação será obtida e relaciona-se com os procedimentos do sistema.” Dentro deste contexto, o custeio por absorção, o custeio variável e outros são princípios dos sistemas de custos. A apuração e o reconhecimento dos custos nas empresas obedecem aos princípios e normas da contabilidade justamente porque existe a necessidade de sua integração com o sistema contábil para fins de apuração do resultado do exercício. Mesmo que a empresa utilize um sistema de apuração de custos independente da contabilidade com objetivos de esclarecermelhor o processo decisório, por ocasião do fechamento do exercício, esta integração se faz necessária e, muitas vezes, passa por algumas adaptações para atender à legislação vigente. Muitos dos sistemas contábeis informatizados já preveem estas adaptações. O livro “Contabilidade de Custos”, de José Antonio Stark, é um livro bastante interessante que trata da contabilidade de custos numa abordagem sistêmica, analisando o seu papel vital nas estratégias de sobrevivência das empresas. Ele está disponível em: . Existem, entretanto, algumas transações cujo registro já se faz integrado com a contabilidade. As compras de matéria-prima, por exemplo, são sempre registradas a débito da conta de compras e a crédito de fornecedores. O registro da mão de obra se faz a débito de despesas com mão de obra e o crédito na conta de salários a pagar. O débito das outras despesas gerais de fabricação se realiza em contas específicas de despesas, no caso de seu pagamento ter sido feito à vista ou a prazo tem registrado o crédito em bancos, caixa ou contas a pagar. A apuração do valor dos estoques, por ser mais complexa, às vezes, é feito em separado e seus valores contabilizados posteriormente. Por esta necessidade de integração com a contabilidade é que se faz necessário utilizar os sistemas de custeio por absorção que, obedecendo aos princípios e normas da contabilidade, atribui aos produtos todos os custos diretos e os indiretos VOCÊ QUER LER? http://wps.prenhall.com/br_stark_cont_1/ http://wps.prenhall.com/br_stark_cont_1/ por alocação. Apesar disso, ao utilizar outros sistemas de custeio, é possível adaptá- los na hora da integração ao sistema contábil. 2.2.1 Custeio por absorção No custeio por absorção, todo o custo da produção, não importa que estejam ligados direta ou indiretamente, devem ser absorvidos pelos produtos. Quando são medidos os custos dos produtos vendidos para confrontação com as receitas das vendas do período, o custeamento dos produtos pelo custeio por absorção requer a inclusão dos custos fabris que incorreram independentemente da produção, mas, para isso, os mesmos devem passar por critérios de rateio. Dessa forma, custos como aluguel, seguro e taxas que incorreram em uma base periódica ao invés de uma base relacionada com a produção, são atribuídos às unidades produzidas. Cada unidade produzida é composta, além dos custos variáveis da produção, por uma parcela dos custos fixos atribuídos ao setor ou ao período. As vantagens do custeio por absorção é que por ser um método aceito pela legislação do imposto de renda no Brasil é também o método adotado nos sistemas de contabilidade financeira. Também é interessante quanto às informações para atribuição de preço, pois em seu cálculo já estão considerados todos os custos. As vantagens do Custeio por Absorção na visão de Stark (2007, p. 160): Por ser um método adotado pela contabilidade financeira, é, portanto válido tanto pra fins de balanço patrimonial e demonstração dos resultados como também para o Imposto de renda na apresentação dos lucros fiscais; traz melhores informações à gerência, para estabelecimento dos preços de venda, visando a recuperação de todos os custos incorridos na empresa. Figura 3 - Fluxo do Custeio por Absorção. Fonte: Elaborado pela autora, 2018. As desvantagens consideradas pela maioria dos estudiosos de custos são as alocações dos custos indiretos fixos, pois os critérios de rateio muitas vezes possuem arbitrariedades. Existem outras formas de custeio muito frequentemente utilizadas nos sistemas de custo: o custeio variável. Por outro lado, o custeio variável atribui aos produtos somente os custos variáveis, isto é, os custos que variam de acordo com o volume de produção. Os custos fixos são atribuídos aos períodos em que incorreram e, por isso, são reconhecidos em sua totalidade diretamente no resultado do exercício. Este sistema de custeio considera que existem certos custos que incorrem numa base periódica e que o benefício derivado desse custo não é afetado pelo volume de produção durante um período de tempo. Considerando que custos como aluguel, seguros e salários são itens que incorrem em uma base mensal ou anual, o seu efeito no caixa da empresa não está necessariamente ligado às receitas. Uma vantagem do custeio variável sobre o custeio por absorção é sua utilidade para o processo de tomada de decisão, porque introduz no sistema contábil a distinção entre custo fixo e variável e auxilia no planejamento do lucro. 2.2.2 Fluxo básico de formação de custos Para calcular o custo de um produto ou serviço, após determinado o objeto de custo a ser custeado, em primeiro lugar separamos despesas e custos por sua natureza. As despesas são gastos de período para administrar, vender e financiar as operações da empresa, já os custos são os gastos do produto. Depois de separados os custos eles serão diferenciados entre custos diretos, identificados com os produtos, serviços e processos a que pertencem, e custos indiretos que passam por rateio e posterior alocação para serem identificados ao objeto de custo. Depois da escolha do critério de rateio e alocação dos custos indiretos aos produtos, estes serão levados ao estoque para que se calcule o valor do custo unitário e a determinação do Custo dos Produtos Vendidos. Somente farão parte do CPV o custo relativo aos produtos que foram vendidos os outros custos permanecerão no estoque final. A figura acima, do livro “Contabilidade de Custos” (2010), de Elizeu Martins, mostra de forma gráfica como se dá o fluxo de formação dos custos. 2.2.3 Fluxo físico de produção e sua relação com o fluxo financeiro As empresas brasileiras muitas vezes têm problemas na continuidade de suas operações por dificuldades em estabelecer uma perfeita relação entre os seus fluxos financeiros e fluxos físicos de produção. Quando a área de produção estabelece uma meta para o exercício, tal qual a quantidade dos produtos que vai fabricar, é necessário estar ciente do tipo de estrutura que dispõe e quanto custa esta estrutura. A produção se preocupa com as compras, os estoques, a logística, o planejamento e o controle da produção. Figura 4 - Esquema Básico da Formação dos Custos. Fonte: MARTINS, 2010, p. 57. Cada empresa possui uma determinada estrutura de produção que necessita de recursos financeiros para funcionar. Neste sentido, o fluxo financeiro da empresa, na Demonstração de Fluxo de Caixa, mostra as entradas e saídas financeiras da empresa em um certo período de tempo. Se uma empresa compra uma máquina, por exemplo, este valor, quando pago à vista, entrará no fluxo de caixa da empresa em sua totalidade. Entretanto, esta operação só será apropriada nos fluxos dos custos da produção através da parcela da depreciação da máquina. Um outro aspecto do fluxo da produção é quanto ao fluxo dos materiais iniciados pela compra da matéria-prima e, posteriormente, sua transformação, que compreende toda a atividade fabril de consumo dos insumos produtivos para transformá-la em produto final. Para suportar este fluxo produtivo temos a parcela do capital paga a cada participante desta operação, do início ao fim do pagamento, ao fornecedor da matéria-prima, ao salário dos funcionários, impostos, gastos gerais e tudo o mais. O que nos leva a concluir que o fluxo da produção não se realiza se não estiver alinhado ao fluxo financeiro. 2.3 Normas brasileiras de contabilidade e aplicação do CPC 16 na formação de estoques As Normas Brasileiras de Contabilidade são emitidas pelo Conselho Federal da Contabilidade - CFC e são classificadas em técnicas e profissionais. As normas profissionais definem procedimentos realtivos ao exercício da profissão contábil e são divididas em Normas Gerais (NBC PG - GERAL); Normas para o auditor Independente (NBCPA - do auditor independente) e as Normas para o Perito ( NBC PP - do perito). As Normas Técnicas dizem respeito a conceitos e doutrinas, regras, procedimentos,para elaboração da contabilidade. NBC TG – Geral: Normas completas; Normas Simplificadas para PMEs e Normas Específicas; NBCTSP – setor público; NBC TA – de auditoria independente e de informação contábil histórica; NBC TR – de revisão da informação contábil histórica; NBC TO – de asseguração da informação não histórica; NBCTSC – de serviço correlato; NBCTI – de auditoria interna; NBCTP – de perícia. Estas normas são revisadas e atualizadas sempre que se faz necessário para melhor entendimento e qualidade da informação produzida pela contabilidade. É muito importante o conhecimento das normas brasileiras de contabilidade, pois elas apontam o caminho para a excelência do trabalho do contador e da boa contabilidade. Zulmir Breda, o presidente do Conselho Federal de Contabilidade? Do Rio Grande do Sul, ao assumir a presidência do CFC, em janeiro de 2018, afirmou que o processo de convergência ao padrão internacional IFRS já completou sua etapa principal e está atualmente em uma fase de consolidação e atualização de algumas normas importantes. Mais informações em: . O pronunciamento técnico CPC 16 (CPC, 2009) ocupa-se da forma de avaliação dos estoque de forma geral, exceto aqueles estoques tratados em outros procedimentos técnicos como aqueles tratados no CPC 29 e no CPC 17. De acordo com o pronunciamento Contábil CPC 16 (CPC, 2009), que trata sobre o tratamento contábil para os estoques: A questão fundamental na contabilização dos estoques é quanto ao valor do custo a ser reconhecido como ativo e mantido nos registros até que as respectivas receitas sejam reconhecidas. Este Pronunciamento proporciona orientação sobre a determinação do valor de custo dos estoques e sobre o seu subsequente reconhecimento como despesa em resultado, incluindo qualquer redução ao valor realizável líquido. Também proporciona orientação sobre o método e os critérios usados para atribuir custos aos estoques. VOCÊ O CONHECE? http://cfc.org.br/ http://cfc.org.br/ O objetivo do pronunciamento contábil CPC 16 é estabelecer a forma de avaliação dos estoques nas indústrias e na prestação de serviço e sua contabilização. VOCÊ SABIA? Que o Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) foi idealizado a partir da união de esforços e comunhão de objetivos das seguintes entidades: ABRASCA; APIMEC NACIONAL; BOVESPA; Conselho Federal de Contabilidade;FIPECAFI; IBRACON.. Conheça mais em: . O pronunciamento, entre outros, trata dos seguintes pontos: Custos do estoque; Custos de aquisição; Custos de transformação; Outros custos; Critérios de valoração de estoque; Valor realizável líquido. A seguir, apresentamos a posição do CPC 16 (CPC, 2009) sobre alguns pontos importantes relativos aos estoques. Mensuração de estoque: Na mensuração do custo dos estoques devem ser incluídos, além do custo de transformação da matéria-prima avaliada pelo custo histórico, todos os outros custos que contribuem para colocá-la em condições de uso no local do processamento. Custo de aquisição: Deve contemplar, além do valor pago ao fornecedor pela compra, todos os tributos, mesmo os de importação, com exceção dos impostos recuperáveis. Também deve contemplar valores gastos com seguro, transporte manuseio de matéria-prima e produtos e serviços. Vale ressaltar que é necessária a dedução de descontos e abatimentos concedidos. Custos de transformação: Estão incluídos nestes gastos todos os custos incorridos para transformação da matéria-prima em produto, como é o caso do valor do custo da matéria-prima e de todos os gastos indiretos relacionados ao processo de transformação. Outros custos: O entendimento do CPC 16 (CPC, 2009) sobre outros custos contempla outros gastos gerais tais como aqueles gastos com projetos e desenho de produtos que não estão incluídos nos gastos da compra da matéria-prima e de transformação, mas que contribuem para a fabricação dos produtos, sendo mesmo essenciais para isso. http://www.cpc.org.br/CPC/CPC/Conheca-CPC http://www.cpc.org.br/CPC/CPC/Conheca-CPC Critérios de avaliação de estoques: Determina este parecer que devem ser utilizados os critérios de avaliação do Primeiro a Entrar Primeiro a Sair (PEPS) e o critério do custo médio ponderado. Valor realizável líquido: Quando, por alguma razão, o custo dos estoques não puder ser recuperado, por obsolescência, danificação ou mesmo por perda de valor no mercado, é possível escriturá-los por um valor menor que o seu custo, o seu valor realizável líquido, pois os ativos não podem ser escriturados por valores inferiores aos que se espera realizá-los por ocasião da venda. Importante anotar, ainda, que o Comitê de Pronunciamentos Contábeis, cujo objetivo é estudar, preparar pronunciamentos técnicos sobre procedimentos relativos à elaboração da informação contábil, foi criado pela Resolução CFC nº 1.055/05 (CPC, 2005). 2.4 Sistemas de apoio ao sistema de custo Os sistemas de apoio a gestão, dentre eles o sistema de custos, precisam estar em sintonia sob pena da informação gerada ser útil e assim não produza o resultado esperado. As necessidades da gestão são o grande objetivo dos sistemas empresariais, desta forma, para que os gestores tenham vantagens com o uso das informações produzidas por estes sistemas elas precisam estar integradas e adaptadas ao contexto e necessidades da gestão Para Bornia (2002, p. 51): A análise de um sistema de custos pode ser efetuada sob dois pontos de vista. No primeiro, analisamos se o tipo da informação gerada é adequada às necessidades da empresa e quais seriam as informações importantes que deveriam ser fornecidas. Essa discussão está intimamente relacionada com os objetivos do sistema, pois a relevância das informações depende de sua finalidade. Existe uma série de termos sobre o significado da terminologia sistemas de custos, tanto que até causam interpretações duvidosas, embora haja designação apropriada para tal (sistemas, métodos e critérios de acumulação de custos). Os objetivos dos sistemas de custo são avaliar estoques, controle e otimização do processo decisório. Passam pela determinação do objeto a ser custeado (objeto de custo); a forma de acumulação dos custos; análise e classificação da natureza dos custos; a medição dos custos; e a forma de atribuição. Quando nos referimos aos métodos de custeio são os princípios de como a informação é tratada no âmbito dos sistemas de custos e que são classificam em custeio por absorção ou variáveis, dentre outros. Quando nos referimos aos critérios de acumulação dos custos fala-se das duas formas mais usuais, a saber, por ordem e por processo contínuo, conforme formão modo de trabalhar e o produto da empresa. Os critérios de custeamento ou valorização dos estoques mais conhecidos são o de identificação específica, o PEPS – Primeiro a Entrar Primeiro a Sair, o UEPS – Último a Entrar Primeiro a Sair, o custo de reposição e a média ponderada. Neste estudo, quando nos referimos aos sistemas de custos, estamos nos referimos aos sistemas de custo de produção e sua forma de acumulação e avaliação dos custos. Dentre os sistemas de apoio ao sistema de custos da produção podemos identificar o sistema de custos de materiais diretos e indiretos; o sistema de custos da mão de obra direta que, no momento atual, vem sendo utilizado integrado com a folha de pagamento e fiscal (Sped e e-Social ); e os sistemas de gastos indiretos de produção. 2.4.1 Custo de materiais Definem-se matérias-primas como todo material usado na fabricação que passa a fazer parte integrante do produto. Quando se reflete sobre o custo dos materiais, alguns pontos se destacam, entre eles a avaliação, o controle, perdas e a programação das compras. Quanto à avaliação dos estoques, o item 9 do pronunciamento técnico do CPC 16 (R1) (CPC, 2009) determina que os estoques devam ser avaliados pelo valor de custo ou pelo valor líquido realizável e dos dois o menor. Entretanto, sobre o custo dosestoques, o ponto principal é qual o valor atribuir ao material usado na fabricação considerando que as compras foram feitas em momentos diferentes e por valores diferentes. Neste aspecto destaca-se o estudo dos critérios de avaliação Primeiro a Entrar e o Primeiro a Sair (PEPS), Último a Entrar e o Primeiro a Sair (UEPS), o Custo Médio Ponderado e o Custo Específico ou Identificado. Para Santos et al. (2015, p. 147): nos termos do item 25 do pronunciamento técnico CPC 16 (RI), o custo dos estoque que não possam ser valorados pelo critério do custo específico ou identificado, devem ser atribuído pelo uso do critério Primeiro a Entrar Primeiro a Sair (PEPS) ou pelo critério do custo ponderado. A entidade deve usar o mesmo critério para os estoque que tenham o uso semelhante. Além disso, existe o ponto sobre a contabilização dos impostos principalmente o ICMS que é um imposto recuperável. Um livro bem atualizado sobre os aspectos societário e tributário que contempla os CPCs, ICPCs e OCPCs vigentes, é o “Manual de Práticas Contábeis”, dos autores José Luiz dos Santos Paulo Schmidt, Luciane Alves Fernandes e José Mário Matsumura Gomes. O controle dos estoques pode ser feito de forma permanente ou periódica. Os controles permanentes são feitos nas contas específicas da contabilidade e no final do exercício são apurados os seus saldos. Quando não é feito este controle de forma permanente, na data do fechamento das demonstrações para apuração do resultado, é necessário o levantamento físico dos estoques. As compras e as requisições de material pelo departamento de produção são os instrumentos de controle a serem utilizados. Perdas podem surgir normalmente dentro do processo de produção e estas são consideradas perdas normais e seu valor integra o valor do material. Perdas anormais também podem acontecer, como a perda do material estocado por conta de um vazamento, então, estas perdas não integram o valor do custo do material e são levadas diretamente para abatimento do cálculo do resultado do exercício. A programação das compras de materiais consiste na determinação das quantidades a serem compradas para que a empresa tenha vantagem dos descontos, mas que não incorra em gasto com perda de validade ou com estocagem VOCÊ QUER LER? de material. 2.4.2 Custo de aquisição de matérias-primas Um ponto pacífico para reconhecimento do valor do material a ser incorporado ao custo de produção é a observância das normas da contabilidade, na atribuição e reconhecimento dos valores a serem incorporados aos produtos, o custo histórico e regime de competência e confrontação das receitas e despesas. Um vídeo bastante interessante sobre Estoque CPC 16 e outros aspectos da regulamentação da contábil é o “Estoques - CPC 16 - Contabilidade”. O vídeo demonstra os principais assuntos abordados no CPC 16 sobre estoques. Acesse em: . Para compor o custo dos materiais que será incorporado aos produtos, além da matéria-prima pelo valor pago ao fornecedor, os materiais de embalagem, os materiais intermediários, os custos dos seguros, fretes e impostos irrecuperáveis, já que os impostos recuperáveis, como o ICMS, devem ser excluídos e seu valor contabilizado em separado, em uma conta própria (conta do ativo) para posterior apuração. Isto faz com que material entre nos estoques como insumo da produção pelo valor líquido, sem o ICMS do valor da nota. Quanto ao IPI, o valor correspondente deve ser incorporado ao custo de aquisição salvo nos casos em que a empresa possua algum crédito. Os descontos comerciais e abatimentos são reduções ao preço de aquisição do material. Os descontos financeiros, por pagamento antecipado, por exemplo, não modificam o valor bruto do material, pois são considerados receita financeira na apuração do valor das mesmas na DRE. 2.4.3 Embalagens e materiais indiretos Os itens como embalagens e materiais indiretos incorporam o custo do material quando indispensáveis e essenciais para fabricar, fazer o acabamento e a boa apresentação do produto. VOCÊ QUER VER? https://www.youtube.com/watch?v=KNuE0l7Yzgg https://www.youtube.com/watch?v=KNuE0l7Yzgg Em se tratando de embalagens, como em uma fábrica de beneficiamento de leite, o leite in natura comprado dos produtores e vacarias é o material direto principal, mas as embalagens (as caixas de papelão) são indispensáveis para a conservação do produto e, consequentemente, de sua condição de comercialização. Os materiais indiretos são empregados em atividades auxiliares, mas nem por isso são menos importantes, como os materiais de limpeza para os recipientes que recebem o leite. Embora não sejam fundamentais para produção dos leites em si e seu custo não ter valor relevante no contexto geral dos custos, sua falta pode causar prejuízo e até perdas na produção. 2.4.4 Impostos nas compras de materiais Diversos tributos incidem sobre as compras de materiais entre eles o ICMS - Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços; o IPI - Impostos sobre Produtos Industrializados; o ISS - Imposto Sobre Serviços; o PIS - Programa de Integração Social; e o COFINS - Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, além do IE - Imposto de Exportação. Alguns destes tributos são recuperáveis, como é o caso do ICMS, que podem ser deduzidos do custo da mercadoria e posteriormente subtraídos de créditos que a empresa possua adquirido através de vendas. Os tributos irrecuperáveis são aqueles que integram o custo do material. Nas empresas industriais, o IPI e o ICMS são impostos recuperáveis de forma geral. Já nas empresas apenas comerciais, o ICMS é recuperável, mas o IPI não. Quanto ao ICMS vale lembrar que existem empresas que pertencem ao Regime de Substituição Tributária e para esta categoria o tratamento contábil do ICMS diverge das demais. Nas empresas do Lucro Real (sistema não cumulativo), o PIS e o COFINS incidem sobre o faturamento e são impostos recuperáveis, já nas empresas que optaram pelo lucro presumido ou arbitrado (sistema cumulativo) estes impostos não são recuperáveis. Um exemplo de contabilização de compra de material de uma empresa tributada pelo lucro real pode ser observado na operação apresentada na figura abaixo, com o crédito de PIS não cumulativo de R$ 1.980 (1,65%), COFINS R$ 9.120,00 (7,6%) com alíquota do ICMS (17%) . O ICMS e o IPI incidirão sobre os gastos com frete e seguros quando estes forem incluídos na nota fiscal, nos casos de serem feitos pelo fornecedor do transporte. CASO Ricardo Lira é o contador da empresa Trevo Ltda. que produz cadeiras para escritório. Ele utiliza o Custeio Variável para fins gerenciais, mas no momento de elaborar as demonstrações contábeis ele as converte para o Custeio por Absorção e as variações dos ajustes são lançadas no CPV do exercício. As informações para contábeis do ano 2016 e 2017 apresentaram os seguintes dados respectivamente: Preço de venda............... R$ 80,00 e R$ 90,00; Custo Variável Unitário - matéria-prima R$ 21,00 e R$ 23,00 - mão de obra direta R$ 19,00 e R$ 22,00 - custos indiretos variáveis R$ 8,00 e R$ 10,00 - despesas variáveis de administração e vendas R$ 2,00 e R$ 3,00 Custos fixos indiretos R$ 170.000,00 e R$ 180.000,00 A quantidade vendida foi 20.000 e 25.000 Os estoque iniciais em quantidade 1.500 e 2.000 Os estoques finais em unidade 2.000 e 1.500 Obs: nos dois anos, a capacidade produtiva considerada para fins de custeio por absorção é de 28.000 unidades. Foram preparadas as demonstrações contábeis pelo custeio variável e por absorção para determinar a diferença. Tabela 3 - Registro de compra a prazo de mercadorias com ICMS de 17% e PIS e COFINS não cumulativo. Fonte: SANTOS et al., 2015, p. 157. Os dois resultados (Lucro líquido) apresentam uma diferença de R$ 2.495,00 referente ao seguinte fato: o resultado obtido pelo custeio por absorção contém transferência de parte do custo fixo do ano de 2016 incorporado nos estoques (6,07 × 2.000= 12.140) e também transfere para o exercício seguinte, uma parte do custo fixo do período (6,43 × 1.500 = 9.645). Vale ressaltar que a mesma variação contida em estoques, (12.140 – 9.645 = 2.495) é devida aos custos fixos. O Custeio por Absorção é o único aceito pelo Fisco, sendo o custeio variável de muita utilidade para o processo decisório. As empresas que optam pela utilização do Custeio Variável precisam fazer, no final dos exercícios, os lançamentos de ajuste na Contabilidade Financeira. Síntese Você concluiu os estudos sobre a forma como se dá a integração dos custos aos diversos sistemas contábeis. Com essa discussão esperamos que você sinta-se competente para entender as nomenclaturas dos custos em relação ao volume de produção. Esperamos, ainda, que você tenha refletido sobre o fluxo de formação do custo e da integração com a contabilidade financeira, entendido sobre as normas brasileiras de contabilidade e aplicação do CPC 16 na formação dos estoques, bem como sobre os sistemas de apoio ao sistema de custos. Neste capítulo, você teve a oportunidade de: definir custos fixos e variáveis e utilizar as técnicas da margem de contribuição e do ponto de equilíbrio para planejamento do lucro nos projetos sobre sua responsabilidade; compreender o custeio por absorção e sua utilidade, além do fluxo básico da formação dos custos; definir fluxo físico da produção e sua relação com o fluxo financeiro; apresentar exemplos práticos do custo de materiais e os impostos legados a seu custo para melhor entendimento do conteúdo. Bibliografia BORNIA, A. C. Análise gerencial de custos. aplicação em empresas modernas. Porto Alegre: Bookman, 2002. CFC - Conselho Federal de Contabilidade. Conselho Federal de Contabilidade, 2018. Disponível em: . Acesso em: 09/03/2018. ______. Normas Brasileiras de Contabilidade, [20??]. Disponível em: . Acesso em: 24/02/2018. CPC - Comitê de Pronunciamentos Contábeis. Resolução CFC nº 1.055/05 (http://www.cpc.org.br/pdf/RES_1055.pdf) - Regimento Interno, 2005. Disponível em: . 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Acesso em: 08/03/2018. SANTOS, J. L. et al. Manual de Práticas Contábeis. Aspectos Societários e Tributários. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2015. STARK, J. A. Contabilidade de Custos. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. http://www.cpc.org.br/CPC/CPC/Conheca-CPC http://www.cpc.org.br/CPC/CPC/Conheca-CPC https://www.youtube.com/watch?v=KNuE0l7Yzgg https://www.youtube.com/watch?v=KNuE0l7Yzgg http://wps.prenhall.com/br_stark_cont_1/ http://wps.prenhall.com/br_stark_cont_1/ https://www.youtube.com/watch?v=vC9RRGninBs https://www.youtube.com/watch?v=vC9RRGninBs https://www.youtube.com/watch?v=vC9RRGninBs