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UNIVERSIDADE DA FÉ SACERDÓCIO REAL Um Reino de Sacerdotes PR DENIS FROTA 04/06/2024 Um breve estudo bíblico sobre a origem, funções e propósitos do Sacerdócio Real em Cristo e a urgente necessidade de um redirecionamento da igreja a este ministério universal. 1 Reino de Sacerdotes | Denis Frota Um Reino de Sacerdotes Dignidade e funções dos ministros de um culto; Designação do poder espiritual pertencente aos sacerdotes; Corpo eclesiástico, o conjunto dos sacerdotes; Ofício, função ou ocupação do sacerdote. Cremos que os propósitos de Deus para a humanidade permanecem inalterados desde o princípio. O ETERNO anseia continuamente andar conosco em íntima comunhão. Esse era Seu objetivo ao criar Adão, ao chamar para Si os filhos de Israel, e, certamente, é o Seu desígnio hoje em relação à Igreja de Jesus Cristo. O desejo amoroso do Pai Celeste abrange não só a igreja de Cristo como um todo, mas também cada um de nós individualmente. A intenção de Deus é estabelecer conosco um relacionamento íntimo, que transforme nossa natureza e caráter, moldando-nos à semelhança dos atributos divinos; e que essa mudança seja um instrumento de influência e de transformação dos outros. Em Gênesis, Deus trabalhou diretamente com indivíduos, como Noé, Sete e Enoque. Esses homens, por meio de sua fé e obediência, estabeleceram precedentes de relacionamento íntimo com Deus. 2 Reino de Sacerdotes | Denis Frota Posteriormente, a ideia de “povo de Deus” torna-se mais clara com a narrativa de Moisés e dos Israelitas no deserto. No entanto, mesmo naquela época, o SENHOR não buscava apenas uma multidão de adeptos religiosos. Ao contrário, Ele desejava ardentemente um relacionamento pessoal e íntimo com cada um. Três meses após a saída do Egito, Deus falou a Moisés sobre os Israelitas e revelou Sua intenção original e mais sublime para com eles. Disse Deus: “vós me sereis reino de sacerdotes...” (Êxodo 19:6). Essa declaração revela o tipo de relacionamento que o ETERNO pretende ter com o seu povo. YHWH planejou uma intimidade que qualificaria os israelitas a estarem em Sua presença e a desempenharem as funções sacerdotais. Entre as atribuições sacerdotais, incluíam-se o ministrar a Deus em adoração e intercessão e, em seguida, ministrar a outras pessoas, a partir do que fluísse da presença divina durante aqueles momentos. Essa era uma posição de honra e responsabilidade, indicando que todo o povo deveria viver em santidade e serviço. O plano de YHWH era que Seu povo O conhecesse e se relacionasse com Ele pessoal e intimamente, transformando-se em um reino de sacerdotes. Este conceito é reiterado no Novo Testamento, onde Pedro escreve aos cristãos, dizendo: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pedro 2:9). No verso acima, vemos que a intenção de Deus para a Igreja é semelhante àquela que Ele tinha para Israel: um povo que não apenas O conhece, mas que também reflete Sua luz e virtudes ao mundo. O sacerdócio na Nova Aliança, portanto, é um chamado à comunhão profunda com Deus e ao serviço ao próximo. É um convite a cada crente para participar ativamente da obra divina na Terra, mediando entre 3 Reino de Sacerdotes | Denis Frota Deus e a humanidade, trazendo a presença de Deus ao mundo e intercedendo pelo povo em oração. Assim como os sacerdotes do Antigo Testamento ministravam no Tabernáculo e no Templo, os crentes hoje são chamados a serem templos vivos do Espírito Santo, onde a adoração e o serviço fluem continuamente. Em suma, o desejo de Deus de estabelecer um reino de sacerdotes reflete Seu anseio por um relacionamento transformador e íntimo com cada pessoa. Ele nos chama a viver em santidade, a adorá-Lo e a servir uns aos outros, demonstrando ao mundo o amor e a graça que encontramos em Sua presença. 4 Reino de Sacerdotes | Denis Frota 5 Reino de Sacerdotes | Denis Frota A Recusa e o Fracasso dos Israelitas Lamentavelmente, os filhos de Israel fracassaram em sua relação com Deus e, consequentemente, não chegaram a ser um “reino de sacerdotes”. Quando o YHWH começou a aproximar-Se do povo e a revelar-lhe Sua santidade no monte Sinai, os israelitas afastaram-se Dele e transferiram a incumbência dessa comunhão a um único homem, dizendo a Moisés: “Fala-nos tu, e te ouviremos; porém não fale Deus conosco, para que não morramos” (Êxodo 20:19). “...O povo estava de longe em pé; Moisés, porém, se chegou à nuvem escura, onde Deus estava” (Êxodo 20:21). Certamente, o coração daquelas pessoas não estava correto para com Deus e, por isso, quando YHWH passou a falar-lhes, não puderam suportar. Esse afastamento revela uma profunda falta de confiança no relacionamento que Deus queria estabelecer com eles. Em vez de abraçarem a oportunidade de um vínculo íntimo e direto com o Criador, os israelitas escolheram o medo e a distância. Eles se contentaram em deixar que Moisés fosse o mediador exclusivo entre eles e Deus, em vez de se aproximarem e assumirem o papel de um povo sacerdotal conforme o plano divino. As Consequências do Afastamento O afastamento do ideal divino logo produziu seus frutos amargos. Enquanto Moisés estava na presença de Deus no monte Sinai, recebendo as tábuas da lei e as instruções para a vida comunitária e 6 Reino de Sacerdotes | Denis Frota cultual de Israel, o povo, deixado à sua própria sorte, rapidamente se desviou. A impaciência e a falta de fé dos israelitas os levaram a ceder às suas próprias paixões. Eles exigiram de Aarão um deus visível, palpável, e assim nasceu o bezerro de ouro, um símbolo de sua infidelidade e falta de entendimento da natureza de Deus (Êxodo 32:1- 4). O ato de idolatria foi uma traição direta ao pacto que tinham acabado de fazer com Deus. Ao criarem um ídolo, os israelitas demonstraram uma clara rejeição à soberania e santidade de Deus, preferindo um deus impessoal e manipulável que não exigisse deles um comportamento santo e separado. Este evento foi catastrófico, pois mostrou que o povo, em sua maioria, não estava disposto a seguir as diretrizes divinas nem a manter um relacionamento de confiança e obediência com Deus. A consequência imediata foi a ira divina. Deus, em Sua justiça, ameaçou destruir o povo infiel e começar de novo com Moisés (Êxodo 32:9-10). Apenas a intercessão fervorosa de Moisés salvou os israelitas da destruição total. No entanto, mesmo após o perdão divino, as cicatrizes dessa rebelião permaneceram. Deus os abandonou quase totalmente a um nível relacional mais baixo, e eles se tornaram inaptos para andar de acordo com a intenção divina original. Além disso, esse afastamento trouxe uma série de consequências práticas e espirituais para os israelitas: Perda da Intimidade com Deus - Ao rejeitarem a presença direta de Deus, perderam a oportunidade de um relacionamento mais profundo e transformador. Fragmentação da Liderança - Ao dependerem exclusivamente de Moisés, criaram uma distância entre o povo e a liderança espiritual, o que dificultou a internalização das leis e dos princípios divinos. Falta de Fé e Confiança - O episódio do bezerro de ouro demonstrou uma profunda falta de fé, que continuou a 7 Reino de Sacerdotes | Denis Frota manifestar-se ao longo da jornada pelo deserto, com queixas, murmurações e rebeliões frequentes contra Deus e Moisés. Ciclo de Infidelidade - A história dos israelitas após o Sinai é marcada por um ciclo de infidelidade, punição, arrependimento e restauração, que culminou em períodos de cativeiro e exílio, conforme relatado nos livros históricose proféticos do Antigo Testamento. Em resumo, o fracasso dos israelitas em se tornarem um "reino de sacerdotes" não só impediu a realização do plano divino original, mas também trouxe consequências negativas duradouras para a nação. Este episódio sublinha a importância de um relacionamento direto e sincero com Deus, que exige fé, obediência e uma disposição para abraçar o chamado que Ele oferece. 8 Reino de Sacerdotes | Denis Frota 9 Reino de Sacerdotes | Denis Frota O SACERDÓCIO LEVÍTICO O sacerdócio levítico desempenhou um papel fundamental na história de Israel, servindo como mediador entre Deus e o povo. Os sacerdotes hebreus receberam de YHWH a responsabilidade de executar as funções pertinentes ao culto da Antiga Aliança. Auxiliados pelos levitas, eram eles que cuidavam do Tabernáculo, dos cerimoniais da Lei e das demais atividades de adoração da congregação israelita. Nesse sentido, os sacerdotes serviam como mediadores entre Deus e o povo; eles apresentavam ao Senhor as ofertas e sacrifícios trazidos pelos crentes daquele tempo. Havia também um líder instituído por Deus sobre a classe sacerdotal: o sumo sacerdote. Esse líder tinha permissão de entrar no Santo dos Santos uma vez por ano diante da presença de Deus representada sobre o propiciatório, e apresentar os sacrifícios expiatórios pela nação (Levítico 16:2). A seguir vamos explorar as origens, funções e impacto desse sacerdócio complexo, buscando compreender sua relevância para a fé cristã, com ênfase no propósito inicial de Deus para Israel como nação sacerdotal. I. Propósito Inicial de Deus - Uma Nação Sacerdotal A declaração divina "vós me sereis reino de sacerdotes, nação santa" (Êxodo 19:6) revela o propósito original de Deus para Israel. Um Chamado à Santidade: Deus desejava que todo o povo israelita fosse santo e servisse como sacerdotes, representando-o diante das outras nações. Uma Luz para as Nações: Israel seria uma luz para as nações, demonstrando ao mundo a santidade e o amor de Deus (Êxodo 19:5). Através de seu exemplo e testemunho, as outras nações seriam atraídas para adorar o Deus verdadeiro. 10 Reino de Sacerdotes | Denis Frota Um Relacionamento Direto com Deus: Deus desejava ter um relacionamento direto com todo o seu povo, sem a necessidade de intermediários. Essa visão contrasta com o sacerdócio levítico que se desenvolveu posteriormente. II. A Recusa do Povo e o Surgimento do Sacerdócio Levítico É provável que, por não haver o coração do povo em geral correspondido à vontade original de Deus, tenha Ele designado um grupo especial de sacerdotes (Exôdo 20:19-21). De modo semelhante, é provável que a tribo de Levi foi escolhida porque estava pronta para ouvir a Deus, pelo menos até certo ponto, bem como para executar Seus julgamentos (Ex 32:28). Vemos, portanto, que com a ordenação de um sacerdócio especial, para se aproximar de Deus pelo povo, a maioria da comunidade israelita perdeu o privilégio de se tornar aquilo que seu Criador desejava que fosse. O Bezerro de Ouro: A recusa do povo em adorar a Deus no Sinai e a construção do bezerro de ouro (Êxodo 32) demonstraram sua falta de prontidão para viver como uma nação sacerdotal. Designação da Tribo de Levi: Diante da rebelião do povo, Deus designou a tribo de Levi para servir como sacerdotes (Êxodo 32:28). Essa escolha pode ter sido estratégica, pois Levi se manteve fiel a Deus durante o incidente do bezerro de ouro. Limitações do Sacerdócio Levítico: O sacerdócio levítico, embora necessário naquele momento, representava uma limitação em relação ao propósito original de Deus. Ele restringia a mediação entre Deus e o povo a uma única tribo, distanciando o restante da nação da santidade e da adoração direta a Deus. III. Funções do Sacerdócio Levítico Os sacerdotes tinham várias responsabilidades, incluindo: oferecer sacrifícios, interceder pelo povo, ensinar a Lei e liderar o culto e adoração a YHWH. Entretanto, a essência da função sacerdotal era representar o 11 Reino de Sacerdotes | Denis Frota povo diante de Deus, buscando Sua presença e favor em benefício da comunidade. 1. Oferecer Sacrifícios: Os sacerdotes eram responsáveis por oferecer sacrifícios animais a Deus em nome do povo, expiando seus pecados e restaurando a comunhão entre Deus e a humanidade (Levítico 1- 7). 2. Ensinar a Lei: Os sacerdotes também eram responsáveis por ensinar a Lei de Deus ao povo, garantindo que eles vivessem de acordo com os princípios divinos (Levítico 10:11). 3. Interceder pelo Povo: Os sacerdotes intercediam por Israel diante de Deus, implorando por perdão e bênçãos (Números 16:40-48). 4. Cuidar do Santuário: Os sacerdotes eram responsáveis por cuidar do Tabernáculo, o local sagrado onde Deus habitava entre o povo (Êxodo 25-40). IV. O Sacerdócio Levítico e o Novo Testamento No Novo Testamento, Jesus Cristo é apresentado como o Sumo Sacerdote definitivo, oferecendo o sacrifício perfeito por nossos pecados e abrindo caminho para uma relação direta e pessoal com Deus (Hebreus 7-10). Fim do Sacerdócio Levítico: Com a morte e ressurreição de Jesus, o sacerdócio levítico chegou ao fim, pois Jesus cumpriu plenamente seu papel como mediador entre Deus e a humanidade. Todos os Crentes como Sacerdotes: No Novo Testamento, todos os crentes em Jesus são considerados sacerdotes, com o privilégio de se aproximar de Deus em adoração e intercessão (1 Pedro 2:5). V. Reflexões e Aplicação Há pelo menos quatro importantes aplicações do estudo do Sacerdócio Levítico: 1. A importância da mediação: O estudo do sacerdócio levítico nos ensina sobre a importância da mediação entre Deus e o homem. No Antigo Testamento, essa mediação era realizada pelos sacerdotes. 12 Reino de Sacerdotes | Denis Frota No Novo Testamento, Jesus Cristo se tornou o nosso Sumo Sacerdote, tornando possível uma relação direta com Deus. 2. A responsabilidade do crente: Apesar do fim do sacerdócio levítico, todos os crentes em Jesus são chamados a serem "sacerdotes", responsáveis por adorar a Deus e interceder pelos outros. Isso significa que cada um de nós tem o privilégio de se aproximar de Deus em oração, oferecer louvores e súplicas, e compartilhar a fé com os outros. 3. A busca por santidade: O sacerdócio levítico era caracterizado pela santidade. Da mesma forma, os crentes no Novo Testamento são chamados a viver uma vida santa, em separação do pecado e em comunhão com Deus. Isso implica em buscar a santidade em todas as áreas da vida, através da obediência à palavra de Deus, da oração e da participação nos sacramentos. 4. O chamado à missão: Como sacerdotes, os crentes também são chamados a participar da missão de Deus de levar o evangelho ao mundo. Isso pode ser feito de diversas maneiras, como através da evangelização pessoal, do serviço social, do apoio à obra missionária e da intercessão pelos perdidos. Em suma, o sacerdócio levítico foi uma instituição complexa e importante na história de Israel. Apesar de ter chegado ao fim com a morte e ressurreição de Jesus Cristo, seus ensinamentos e princípios ainda são relevantes para os crentes de hoje. Ao compreendermos o propósito original de Deus para Israel como nação sacerdotal, a função do sacerdócio levítico e a importância do sacerdócio de todos os crentes em Jesus, podemos ser mais fiéis ao nosso chamado de adorar a Deus, interceder pelos outros e participar da sua missão de redenção. 13 Reino de Sacerdotes | Denis Frota O sacerdócio de Cristo O Novo Testamento deixa claro que o sacerdócio hebreu apontava diretamente para o sacerdócio celestial de Cristo. Ele é o grande Sumo Sacerdote no qual se cumpre plenamente todas as funções sacerdotais levíticas. Jesus éo único mediador entre Deus e os homens (1 Timóteo 2:5). Jesus Cristo é o Sacerdote-Rei anunciado nas Escrituras (Zacarias 6:13). O livro de Hebreus mostra que Jesus não era um sacerdote sob o sistema levítico, pois nasceu na tribo de Judá, e não como um levita [ver Hebreus 7:11-14]. É de extrema importância observar que o Senhor Jesus, quando andou nesta terra, não era um sacerdote sob o sistema levítico da Lei [ver Hebreus 8:4], mas sim, o Cordeiro do Sacrifício! No entanto, no Espírito, o Senhor Jesus é de uma ordem sacerdotal muito superior, que as Escrituras identificam como a ordem de Melquisedeque (Hebreus 5:5-6). A ordem sacerdotal de Melquisedeque é anterior à Lei, já nos dias de Abraão [ver Gênesis 14:18-20 e Salmos 110:4]. Esse sacerdócio eterno tem Jesus Cristo como nosso Grande Sumo Sacerdote [ver Hebreus 7:22–28]. 14 Reino de Sacerdotes | Denis Frota Melquisedeque Tipifica Jesus Melquisedeque, o sacerdote, rei da paz, reinava sobre Jerusalém. A carta aos Hebreus encontrou várias formas em que Jesus é tipificado nestes textos. “... e primeiramente é, por interpretação, rei de justiça, e depois também rei de Salém, que é rei de paz” - Hebreus 7:2. Um rei de justiça, e rei da paz, reinando sobre Jerusalém, é a tipificação do reino messiânico, quando Jesus virá e estabelecerá o Seu reino aqui na terra, cuja capital será Jerusalém. E haverá verdadeiramente paz, e haverá um banquete, uma ceia, onde será servido pão e vinho, como Melquisedeque ofereceu a Abraão. Jesus é sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, porque o ETERNO atestou na Sua palavra: Jurou o Senhor, e não se arrependerá: tu és um sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque. Salmos 110:4. Daí, quando João viu Jesus, no Apocalipse, ele o viu dessa maneira: E no meio dos sete castiçais um semelhante ao Filho do homem, vestido até aos pés de uma roupa comprida, e cingido pelos peitos com um cinto de ouro. Apocalipse 1:13. João viu Jesus, vestido com roupas semelhantes ao dos sacerdotes Levitas, com um cinto de ouro, que o sacerdote usava. Embora haja semelhanças nesta descrição, há também diferenças, uma vez que Jesus é sacerdote eterno, segundo a ordem de Melquisedeque. YHWH declarou que o Messias “se assentaria e reinaria no Seu trono”, acrescentando que Ele seria “um sacerdote no Seu trono” [Zacarias 6:11- 13, NKJV]. Os sacerdotes não tinham tronos e não governavam, mas Deus predisse um dia em que o Messias estabeleceria um Sacerdócio Real. Para esclarecer este ponto, Deus instruiu o Profeta a colocar uma coroa real na cabeça de Josué, filho de Jeozadaque, o Sumo Sacerdote. Aliás, o Sumo Sacerdote daquela época, Josué, tinha um nome que é uma variação de “Yeshua”, o Nome do Messias. 15 Reino de Sacerdotes | Denis Frota O nosso Senhor Jesus possui um Sacerdócio Real eterno, estabelecido nos Céus. Saber quem Ele é dá uma visão maior de quem somos Nele. Quando você renasceu em Cristo, você entrou no mesmo Sacerdócio Real. E nos fizeste reis e sacerdotes para o nosso Deus - Apocalipse 5: 9-10. A Escritura declara que “como Ele é, assim sois vós neste mundo” [1 João 4:17, NKJV]. Na função real Jesus edificou a sua Igreja como o Templo que Deus habita através do Espírito Santo; e na função sacerdotal ele abriu de uma vez por todas o caminho para o Santuário celestial através do seu próprio sacrifício (Hebreus 10:19-23). Como Sumo Sacerdote, Ele é o único mediador que conduz o seu povo à sala do trono da graça (Hebreus 4:16). Diferentemente dos sacerdotes da antiga dispensação que tinham que oferecer sacrifícios tanto para si mesmos quanto para o povo, Cristo, como Sumo Sacerdote, se deu a si próprio como sacrifício expiatório pelo pecado do seu povo. Seu sacrifício foi eficaz e definitivo; ele não precisa ser repetido ou complementado. (Leitura recomendada: Hebreus 2:17; 3:1; 4:14-16; 5:10; 6:20; 7:24-27; 9:12-26; 10:12). 16 Reino de Sacerdotes | Denis Frota 17 Reino de Sacerdotes | Denis Frota O Sacerdócio Real dos Cristãos Os santos compartilham do sacerdócio de Cristo. Todo cristão genuíno é um sacerdote, porque pela obra redentora de Cristo ele tem acesso imediato a Deus e pode servi-lo diretamente; apresentando-lhe sacrifícios espirituais agradáveis. Contudo, o sacerdócio real dos crentes não se baseia em qualquer qualificação humana. Os crentes foram chamados ao sacerdócio real porque foi Cristo quem os constituiu um reino de sacerdotes para Deus (Apocalipse 1:6). Ao explicar sobre como o sacerdócio real dos crentes deriva do sacerdócio celestial de Cristo, Lutero diz que somos sacerdotes como Cristo é sacerdote; somos filhos como Ele é Filho; e somos reis como Ele é Rei. Calvino também explica que é uma honra singular o fato de que Deus não apenas nos consagrou como templo para Ele, no qual Ele habita e é adorado, mas também nos fez sacerdotes. Infelizmente muitos crentes ainda hoje desconhecem as implicações do profundo significado do sacerdócio real dos crentes mediante o sacerdócio celestial de Cristo. 18 Reino de Sacerdotes | Denis Frota Não é raro encontrar dentro de muitas comunidades cristãs a ideia de que certas pessoas estão numa posição espiritual mais privilegiada que outras. Entretanto, o princípio bíblico do sacerdócio real de todos os crentes reprova esse tipo de entendimento. Na Igreja de Cristo não há uma divisão entre clero e leigos. Todos os membros do Corpo de Cristo são sacerdotes e, mediante a pessoa do Senhor Jesus Cristo, possuem livre acesso à presença de Deus. Mas os direitos desfrutados pelos crentes como sacerdócio real são também deveres. Conforme vimos, o apóstolo Pedro diz que a função dos sacerdotes reais é proclamar as virtudes d’Aquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz. Isso é um direito, mas também é um dever; é um privilégio, mas também é uma responsabilidade. Como sacerdotes, todos os crentes são chamados a anunciar o Evangelho e trabalhar em prol da expansão do Reino de Deus. Todos os cristãos têm o direito de pregar a Palavra de Deus, interceder uns pelos outros, discipular, julgar a doutrina, e ministrar com os dons recebidos. Trazendo a presença de Deus ao mundo Quando afirmamos que os cristãos, como sacerdotes, "trazem a presença de Deus ao mundo", é importante que essa frase seja contextualizada corretamente. Há duas justificativas essenciais para essa afirmação: Primeiro, os cristãos, em suas vidas e ações, refletem a presença de Deus através do serviço amoroso e da santidade, sendo exemplos vivos da graça e do amor de Deus. Segundo, os cristãos, ao intercederem em oração e adorarem a Deus, criam ambientes onde a presença de Deus é manifesta. Eles conduzem outros à experiência da presença divina por meio do louvor, da adoração e ministração de dons espirituais. A frase "trazendo a presença de Deus ao mundo" pode, de fato, lembrar mais a função profética, que é diretamente associada à comunicação da palavra de Deus e à denúncia do pecado. No entanto, os sacerdotes também "trazem a presença de Deus" no sentido de facilitarem a comunhão com Ele através da intercessão, adoração e mediação. 19 Reino de Sacerdotes | Denis Frota Portanto, ao se referir ao papel dos crentes como sacerdotes que "trazem a presença de Deus ao mundo", é crucial destacar que isso se dá principalmente através da intercessão, adoração e serviço, enquanto o aspecto profético seria mais apropriado ao proclamar e denunciar. A distinção é sutil, mas significativa para a compreensão dos diferentes papéis que ambos, sacerdotes e profetas, desempenham na narrativa bíblica. 20 Reino de Sacerdotes | Denis Frota21 Reino de Sacerdotes | Denis Frota O Plano de Deus Para a Igreja Desde o começo, a Bíblia mostra que o projeto de Deus era de uma nação sacerdotal, ou seja, um reino de sacerdotes, com duas funções conjugadas: a ministração ao Senhor aliada ao governo (governança do Reino). A história da Igreja informa que, logo após a partida dos apóstolos, os líderes das congregações começaram a obter um destaque cada vez maior. Bispos passaram a estender sua autoridade para além de uma cidade, por fim “cobrindo” regiões inteiras. Mais e mais ênfase foi colocada em posições religiosas e sobre a necessidade de submissão àqueles que as ocupavam. As posições religiosas continuaram através dos séculos até atingir seu apogeu com o aparecimento de chefes supremos. Esse processo não deveria nos surpreender porque todos os movimentos cristãos se deixam levar para essa direção. Atualmente, embora o protestantismo tenha feito algum progresso, libertando-se do jugo e escravidão encontrados no sistema religioso do qual saiu, infelizmente ainda conserva alguns de seus erros. O plano de Deus para a Igreja Jesus Cristo nos instruiu a levar as boas- novas até aos confins da terra. Somos embaixadores do Reino de Deus levando a todos a mensagem da reconciliação do homem com o Pai Celeste. Somos também integrantes do Sacerdócio Real. Todos nós somos convocados para o sacerdócio real. Desse relacionamento, então, brotará o ministério sacerdotal, permitindo que os desígnios de Deus sejam atingidos. A verdade é que se não estivermos ativamente engajados no trabalho de ministrar aos outros, quer pela pregação do evangelho, quer pelo exercício de nossos dons espirituais, estamos fora do propósito divino. 22 Reino de Sacerdotes | Denis Frota Deus espera que cada um de Seu povo esteja empenhado na Obra. Somos todos ministros e todos fomos chamados e ordenados pelo nosso Sumo Sacerdote para realizar um trabalho do Sacerdócio Real até a sua volta (Jo. 15:16). Quando Jesus Cristo ascendeu ao Pai, concedeu dons à sua Igreja. Esses dons espirituais não foram dados só a uns poucos escolhidos, mas a todos (I Co. 12:7). Cada função e cada parte é vital, à semelhança do que acontece com nossos diferentes órgãos e membros. Quando uma parte aparentemente pequena ou insignificante não está funcionando normalmente, todo o resto sofre. Dá-se o mesmo com a Igreja hoje. Quando todo o trabalho é feito somente por alguns, existe uma grande perda para o Corpo de Cristo. Somos ungidos para servir, portanto, à medida que dermos, mais nos será dado.Trata-se de uma lei espiritual. Se somos meros recebedores - semana após semana escutando de outros que gastaram seu tempo na presença de Deus - nosso conhecimento provavelmente aumentará, mas nossas vidas não serão mudadas. Essa é a infeliz condição de muitos na Igreja de hoje. Temos nossos “palestrantes, mas temos igualmente a “maioria passiva” a depender de outros para a realização do trabalho. Infelizmente, um grande número de reuniões cristãs estão repletas de bebês espirituais superalimentados que permanecem inativos. As conseqüências negativas desse fenômeno às vezes não estão evidentes à primeira vista, contudo, elas são reais e trarão prejuízos. Quando começamos a ministrar com os dons que recebemos do Alto, percebemos o quanto nossas vidas precisam de transformação e isso nos estimula a buscar o Senhor para nos aperfeiçoar. Se queremos verdadeiramente avançar em direção à maturidade, é essencial que todos nos tornemos sacerdotes que estejam exercendo suas funções na casa de Deus. O ministério sacerdotal não tem como finalidade apenas o nosso crescimento, mas também o progresso dos demais. Não importa saber quais sejam as suas funções espirituais no corpo, há sempre pessoas que precisam do que você tem. Quer seja uma pequena ou grande medida espiritual, você é absolutamente indispensável. Em algum lugar, entre os 23 Reino de Sacerdotes | Denis Frota cristãos que você conhece ou no mundo à sua volta, há pessoas para as quais seus dons e talentos são muito importantes. A sua medida do poder do Alto é essencial para o crescimento e bem estar espiritual dos outros. Deus entregou essa medida a você por causa das pessoas ao seu redor, sendo, portanto, importante exercitar o seu ministério sacerdotal. Em Sua sabedoria, nosso Pai construiu a Igreja de tal modo que cada membro depende dos demais. Assim sendo, para que “todos cheguemos” à maturidade (Ef. 4:13). O Papel dos Líderes Sem dúvida a liderança tem base nos ensinamentos bíblicos e é necessária para uma condição saudável da igreja. O encargo de um verdadeiro líder é de auxiliar os outros a cumprirem o seu ministério, crescendo em tudo o que Deus lhes preparou. Tais líderes são facilmente reconhecíveis, pois sempre terão como prioridade os interesses e o progresso espiritual dos outros. “Os reis dos povos dominam sobre eles, e os que exercem autoridade são chamados benfeitores. Mas vós não sois assim; pelo contrário, o maior entre vós seja como o menor; e aquele que dirige seja como o que serve” (Lc. 22:25-26). A verdadeira liderança sempre será levantada por Deus. No plano divino a programação humana é substituída por ministérios espirituais, levantados por Ele em nosso meio. Quando fazemos as coisas à maneira de Deus, o ministério de cada um é primeiramente descoberto, para depois serem incentivados naquela função específica. Considerando que Deus lhe preparou e chamou, Ele também irá prover uma forma de você começar a servir no Reino de Deus. Quando você realmente começar á agir na função para a qual Deus lhe designou, as portas da oportunidade se abrirão diante de você e as pessoas reconhecerão a mão divina em sua vida.Provavelmente tudo começará vagarosamente a princípio e poderá até parecer pequeno e insignificante 24 Reino de Sacerdotes | Denis Frota (Zc. 4:10). Todavia, à medida que você exercitar os talentos que Deus lhe deu, fiel e diligentemente, estes crescerão e você igualmente crescerá. A vontade de Deus é que sejamos para Ele um reino de sacerdotes. Cada um de nós possui um ministério para ser desempenhado e serviços espirituais para realizar. Quando comparecermos diante do SENHOR, teremos de prestar contas de nossas obras (Ap. 2:23). Naquele dia, aquilo que realizamos testificará a nossa verdadeira condição espiritual. Não poderemos dizer que não conhecíamos as necessidades ou que não estávamos qualificados. Lembre-se que o mesmo Deus que operou poderosamente nos apóstolos e profetas vive também em cada um dos Seus filhos. O SENHOR é capaz de fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos se apenas O obedecermos. 25 Reino de Sacerdotes | Denis Frota Sacerdócio Real – Um Reino de Sacerdotes. Denis Frota – Pastor-sênior da Comunidade de Nova Vida em Itapajé - Ceará. Direitos reservados *2024. Permitimos a cópia desta obra para fins não comerciais ou financeiros. Gentileza citar a fonte. Contato com o autor: denisfrota@yahoo.com www.novavida.com