Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

AULA 42 – CAPÍTULO 18 
PARTE 03 – MEDO DA FELICIDADE 
Prof. Agosttinho Almeida 
Formação em Psicanálise Clínica 
 
 Prof. Agosttinho Almeida 
 
FORMAÇÃO EM PSICANÁLISE CLÍNICA 
Medo da felicidade 
(Medo do estado de alegria) 
Quanto mais se observa a 
natureza humana, a conduta, o 
sentir e as emoções dos 
indivíduos, mais se convence do 
quanto são contraditórios e 
ambivalentes. O desejo de viver 
e de morrer, que 
simultaneamente habita em 
todos, é talvez o mais 
emblemático dessa 
ambivalência. É muito possível 
que daí derive também a 
aparentemente inexplicável e 
gritante contradição entre a 
busca ansiosa pela felicidade - 
razão maior da existência - e o 
medo de alcançá-la. É 
justamente aí, na necessidade vital de felicidade que o indivíduo tem, que talvez 
resida a principal razão dos temores: o medo de tê-la e depois perdê-la. 
Isso ocorre com o bebê em relação ao seio materno: tanto dele necessita, tanto 
teme perdê-lo, que chega a lhe ser hostil por reconhecer seu poder de causar-
lhe sofrimento. Para Gikovate, esse medo é como uma sensação de iminência 
de catástrofe que sempre acompanha o indivíduo nos momentos mais felizes. E 
atribui a esse sentimento o ritual supersticioso de bater na madeira ou fazer figa, 
com o que muitas pessoas (quase todas!) reagem a qualquer alusão a bons 
acontecimentos que estejam vivenciando. É como se, no fundo, não se 
julgassem merecedores daquela felicidade. Ou seja, não conseguem vivenciá-la 
sem culpa, mesmo que uma culpa inconsciente. E vivida com sentimento de 
culpa, a felicidade se esvai, não existe. Tão profundos são o medo e a 
intranquilidade diante da felicidade, que fica por agir no sentido oposto, 
destruindo ou fugindo do que o torna feliz. 
Para Freud, o indivíduo é feito de modo a somente poder derivar prazer intenso 
de um contraste e muito pouco de um determinado estado de coisas. Assim, 
suas possibilidades de felicidade seriam sempre restringidas por sua própria 
constituição, de tal maneira que a felicidade seria a cura simplesmente a 
ausência de sofrimento. Para Goethe, “nada nos é mais difícil de suportar do que 
uma sucessão de dias belos”. 
Embora não se negue a existência desse medo da felicidade - ao contrário, 
considera-se bastante frequente – não se atribui o caráter universal que é 
expresso a outros aspectos já descritos (inveja, ciúme, voracidade, despeito, 
admiração, necessidade de poder, a angústia própria dos três primeiros anos e 
 
 Prof. Agosttinho Almeida 
 
FORMAÇÃO EM PSICANÁLISE CLÍNICA 
a problemática edipiana), que seriam vivenciados por quase todos, variando 
apenas na intensidade e na repercussão futura ou atual em suas vidas. 
O medo da felicidade não aconteceria a 
todos; basicamente seria mais 
encontrado naqueles indivíduos 
intimamente inseguros, intranquilos e 
com baixa autoestima. O prejuízo 
potencial desse medo para a saúde, ou 
seu papel como fator de doença, seria 
explicado pela própria ansiedade e 
angústia que provoca. Além disso, há 
possibilidade de que sentimentos 
inconscientes de autopunição, que por 
não se julgar merecedor da felicidade, 
possam também agir como fator de 
doença orgânica. 
A relação entre o medo da felicidade e 
desejo de morte já foi notada por muitos 
autores, e fica evidente na expressão 
“podia morrer agora” que muitas vezes o 
indivíduo emprega nos momentos de maior felicidade. Talvez quem melhor 
resumiu a ambivalência e a angústia que a felicidade pode provocar tenha sido 
o pensador espanhol Julian Narias, quando disse que “felicidade é 
extremamente vulnerável; ela é um risco, e só como risco deve ser assumida”.