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Tópicos para Avaliação Regimental A1
 
Competências Constitucionais
 
A Constituição Federal de 1988 estabelece a distribuição de competências entre os entes 
federativos (União, Estados, Distrito Federal e Municípios) e os Poderes da República 
(Legislativo, Executivo e Judiciário). As competências podem ser divididas em legislativas e 
administrativas.
 
Competência Legislativa
 
Refere-se à capacidade de criar leis. A Constituição Federal define quais matérias são de 
competência privativa da União, concorrente entre União, Estados e Distrito Federal, ou de 
competência legislativa suplementar dos Estados.
Competência Privativa da União: A União possui a exclusividade para legislar sobre matérias 
específicas, como direito penal, processual, civil, comercial, agrário, marítimo, aeronáutico, 
espacial e normas gerais de direito tributário.
Competência Concorrente: União, Estados e Distrito Federal podem legislar sobre matérias 
como direito do consumidor, florestas, caça, pesca, fauna, conservação da natureza, defesa 
do solo, recursos hídricos e meio ambiente. A União estabelece normas gerais, e os Estados 
e o Distrito Federal podem legislar de forma suplementar, desde que não contrariem as 
normas federais.
Competência Suplementar dos Estados: Os Estados podem legislar sobre matérias de 
interesse local ou regional que não sejam de competência privativa da União ou de 
competência concorrente.
 
Competência Administrativa
 
Refere-se à capacidade de gerir a coisa pública, executar políticas e prestar serviços. Assim 
como a competência legislativa, a administrativa também é distribuída entre os entes 
federativos.
União: Responsável por políticas nacionais, defesa nacional, relações exteriores, moeda, 
sistema financeiro nacional, infraestrutura de interesse nacional, entre outras.
Estados: Responsáveis por serviços públicos de âmbito estadual, como educação superior 
(em parte), segurança pública (polícias civil e militar), transporte intermunicipal, entre outros.
Distrito Federal: Possui competências legislativas e administrativas tanto de Estado quanto 
de Município.
Municípios: Responsáveis por serviços públicos de interesse local, como transporte público 
municipal, educação infantil e fundamental, saúde básica, saneamento básico, uso e 
ocupação do solo urbano, entre outros.
 
Descentralização e Desconcentração
 
Ambos os conceitos referem-se a formas de organização administrativa, mas com naturezas 
distintas.
 
Descentralização
 
Consiste na transferência de competências e serviços públicos de um ente para outro ente da 
federação ou para uma entidade jurídica distinta, com personalidade jurídica própria. A 
descentralização pode ser:
Horizontal: Ocorre entre entes da federação (ex: União transfere a gestão de um programa de 
saúde para os Estados e Municípios).
Vertical: Ocorre dentro de um mesmo ente federativo, mas para uma entidade criada por ele 
(ex: União cria uma autarquia para gerir a previdência social).
 
A descentralização implica a criação de novas pessoas jurídicas (ex: autarquias, fundações 
públicas, empresas públicas, sociedades de economia mista) para exercerem as competências 
transferidas.
 
Desconcentração
 
Consiste na distribuição de competências e tarefas administrativas dentro da mesma pessoa 
jurídica. O objetivo é otimizar a gestão pública, aproximando os serviços do cidadão e 
especializando órgãos internos. A desconcentração não cria novas pessoas jurídicas, mas sim 
estabelece hierarquias e especializações entre órgãos.
 
Exemplos de desconcentração incluem a criação de secretarias, diretorias, divisões e núcleos 
dentro de um ministério ou de uma prefeitura.
 
Funções Típicas e Atípicas dos Poderes
 
A Constituição Federal estabelece a tripartição dos Poderes em Executivo, Legislativo e 
Judiciário, cada um com suas funções precípuas. No entanto, é comum que os Poderes 
exerçam funções que não são as suas típicas, caracterizando as funções atípicas.
 
Poder Executivo
Função Típica: Administrar o Estado, executar as leis, gerir a máquina pública, formular e 
implementar políticas públicas.
Função Atípica:
Legislativa: Sancionar e vetar leis, editar medidas provisórias (com força de lei).
Judiciária: Julgar processos administrativos disciplinares, aplicar sanções 
administrativas.
 
 
Poder Legislativo
Função Típica: Legislar (criar leis), fiscalizar os atos do Poder Executivo.
Função Atípica:
Executiva: Conceder licenças e férias a seus membros, administrar seus próprios órgãos.
Judiciária: Julgar o Presidente da República, Ministros de Estado e membros dos 
Tribunais Superiores em crimes de responsabilidade (impeachment), julgar seus próprios 
membros em casos específicos.
 
 
Poder Judiciário
Função Típica: Julgar conflitos de interesses, aplicar a lei aos casos concretos, garantir a 
observância da Constituição.
Função Atípica:
Legislativa: Elaborar seus regimentos internos, propor leis sobre sua organização e 
funcionamento.
Executiva: Administrar seus próprios órgãos, requisitar força policial, expedir mandados.
 
 
Imunidades Parlamentares
 
As imunidades parlamentares são garantias concedidas aos membros do Congresso Nacional 
(Deputados Federais e Senadores) com o objetivo de assegurar o livre exercício de suas funções 
e a independência do Poder Legislativo. Existem dois tipos principais:
 
Imunidade Material
 
Refere-se à inviolabilidade do parlamentar por suas opiniões, palavras e votos no exercício do 
mandato. O parlamentar não pode ser processado ou preso por aquilo que diz ou vota em razão 
de suas funções.
Abrangência: Cobre qualquer manifestação, seja ela verbal, escrita ou de qualquer outra 
forma, desde que relacionada ao exercício do mandato parlamentar.
Finalidade: Garantir a liberdade de expressão e debate dentro do parlamento, sem o temor de 
perseguições políticas ou judiciais por opiniões divergentes.
 
Imunidade Formal (ou Processual)
 
Refere-se à prerrogativa de foro e à impossibilidade de ser preso, salvo em flagrante de crime 
inafiançável.
Prerrogativa de Foro: O parlamentar só pode ser processado criminalmente perante o 
Supremo Tribunal Federal (STF).
Prisão:
Regra: O parlamentar não pode ser preso, exceto em flagrante de crime inafiançável.
Exceção: Se preso em flagrante de crime inafiançável, o caso deve ser submetido à 
Câmara dos Deputados ou ao Senado Federal, que decidirá sobre a manutenção da 
prisão. Se a prisão for mantida, o parlamentar será afastado de suas funções até o 
julgamento final.
 
 
A imunidade formal não protege o parlamentar contra processos civis ou administrativos, nem 
contra sanções disciplinares internas do parlamento. Ela visa proteger o mandato e a função, e 
não o indivíduo de forma absoluta.

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