Prévia do material em texto
Modelagem Tridimensional Professor Me. Dênis Martins de Oliveira Professora Me. Floriza Taira Otto Reitor Prof. Ms. Gilmar de Oliveira Diretor de Ensino Prof. Ms. Daniel de Lima Diretor Financeiro Prof. Eduardo Luiz Campano Santini Diretor Administrativo Prof. Ms. Renato Valença Correia Secretário Acadêmico Tiago Pereira da Silva Coord. de Ensino, Pesquisa e Extensão - CONPEX Prof. Dr. Hudson Sérgio de Souza Coordenação Adjunta de Ensino Profa. Dra. Nelma Sgarbosa Roman de Araújo Coordenação Adjunta de Pesquisa Prof. Dr. Flávio Ricardo Guilherme Coordenação Adjunta de Extensão Prof. Esp. Heider Jeferson Gonçalves Coordenador NEAD - Núcleo de Educação à Distância Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal Web Designer Thiago Azenha Revisão Textual Beatriz Longen Rohling Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante Geovane Vinícius da Broi Maciel Kauê Berto Projeto Gráfico, Design e Diagramação André Dudatt 2021 by Editora Edufatecie Copyright do Texto C 2021 Os autores Copyright C Edição 2021 Editora Edufatecie O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correçao e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permi- tidoo download da obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP O48m Oliveira, Dênis Martins de Modelagem tridimensional / Dênis Martins de Oliveira, Floriza Taira Otto. Paranavaí: EduFatecie, 2021. 107 p.: il. Color. 1. Desenho de moda. 2. Trajes - Modelagem. 3. Roupas – Confecção – moldes. I. Otto, Floriza Taira. II. Centro Universitário UniFatecie. III. Núcleo de Educação a Distância. IV. Título. CDD: 23 ed. 746.404 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577 UNIFATECIE Unidade 1 Rua Getúlio Vargas, 333 Centro, Paranavaí, PR (44) 3045-9898 UNIFATECIE Unidade 2 Rua Cândido Bertier Fortes, 2178, Centro, Paranavaí, PR (44) 3045-9898 UNIFATECIE Unidade 3 Rodovia BR - 376, KM 102, nº 1000 - Chácara Jaraguá , Paranavaí, PR (44) 3045-9898 www.unifatecie.edu.br/site As imagens utilizadas neste livro foram obtidas a partir do site Shutterstock. AUTORES Professor Mestre Dênis Martins de Oliveira ● Mestrado em Gestão do Conhecimento nas Organizações pela Unicesumar (2020). ● Especialização em EAD e as novas Tecnologias Educacionais. Centro Universi- tário de Maringá, UNICESUMAR (2019). ● Curso superior de Tecnologia em Design de Interiores pela Unicesumar (2018) ● Bacharelado em Moda pela Unicesumar (2016). ● Pós graduação em Docência no Ensino Superior, Centro Universitário de Maringá (2016). ● Licenciatura em Artes Visuais pelo Centro Universitário de Maringá (2012). Possui experiência na área de Moda, com ênfase em Artes. Ministrando as discipli- nas de: História da Arte e do Design; Teoria e Fundamentos do Design; Linguagem Visual; Processo Criativo Avançado; Visual Merchandising; Materiais e Expressão Gráfica; Dese- nho de Moda; Pintura e Gravura; Materiais e Técnicas Artísticas; Visagismo e Consultoria de Imagem. Professor de graduação e pós-graduação. Consultor de Imagem. CURRÍCULO LATTES: http://lattes.cnpq.br/787808509434425 Professora Mestre Floriza Taira Otto ● Especialização em Docência no Ensino Superior Centro Universitário de Maringá (2021). ● Mestrado em Gestão do Conhecimento nas Organizações (2017). ● Bacharelado em Moda pela Unicesumar (2015). ● Bacharelado em Administração pela Faculdade Integrado de Campo Mourão (2007). Experiência como professora mediadora em cursos de design de moda, graduação e pós-graduação. CURRÍCULO LATTES: http://lattes.cnpq.br/6019746533960915 APRESENTAÇÃO DO MATERIAL Olá Acadêmico (a), seja bem-vindo (a) ao universo da Modelagem, saiba que é um prazer receber você para esse mergulho nos processos que norteiam a técnica de Modelagem Tridimensional, vamos embarcar nessa jornada? O processo de modelar produtos de moda é parte primordial do desenvolvimento de um item vestível. No decorrer de sua jornada na área de moda, você poderá se deparar com diferentes técnicas de modelagem, mas saiba que o processo de modelar um produto de moda é função do profissional modelista, e você aluno(a), será um Designer, portanto você precisa conhecer o processo de modelagem, mas não necessariamente você precisa- rá modelar um produto quando estiver no mercado de trabalho. Na Unidade I, temos como principal foco a explanação acerca dos conceitos e da história sobre a modelagem tridimensional e a apresentação dos materiais básicos que você precisa ter para executar a técnica. Já na Unidade II de nosso material didático, você irá ter acesso às ferramentas que auxiliam no desenvolvimento de produtos de moda que vestem a parte superior do corpo, essas peças são chamadas de Tops no universo da moda. A Unidade III lhe apresentará as possibilidades criativas por meio das ferramentas úteis para o desenvolvimento de peças que vestem a parte inferior do corpo, ou seja, os Bottons. Por fim, na Unidade IV, você irá conhecer as aplicabilidades por meio de alguns cases para o desenvolvimento de vestidos, e ainda entender as possibilidades por meio da moda conceitual. É válido reforçar que por se tratar de uma técnica que valoriza e adequa os tecidos as curvas do corpo o foco deste material são peças femininas, pois as peças do vestuário masculino são melhor construídas na técnica de modelagem plana. Boa leitura!!! SUMÁRIO UNIDADE I ...................................................................................................... 3 Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional UNIDADE II ................................................................................................... 30 Modelagem Base de Tops UNIDADE III .................................................................................................. 58 Modelagem Base de Bottons UNIDADE IV .................................................................................................. 81 Modelagem Criativa 3 Plano de Estudo: ● Aspectos Históricos da Modelagem; ● Conhecendo os materiais; ● Marcação do Manequim; ● Costura Manual. Objetivos da Aprendizagem: ● Conceituar e contextualizar a Modelagem Tridimensional; ● Conhecer os diferentes materiais envolvidos no processo de modelagem tridimensional; ● Entender o processo de marcação do manequim técnico; ● Conhecer as técnicas de costura manual. UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional Professor Me. Dênis Martins de Oliveira Professora Me. Floriza Taira Otto 4UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional INTRODUÇÃO Prezado(a) aluno(a)! No universo do Design de Moda, dentre as diferentes técnicas de desenvolvimento de produto, temos a Modelagem Tridimensional. O designer de moda é o profissional que constrói uma verdadeira jornada no processo de desenvolvimento dos produtos, passando inclusive pela etapa de modelagem do produto de moda. É na etapa de modelagem que você irá buscar transformar os materiais têxteis da forma bidimensional para a tridimensional adequando-os ao corpo humano. O setor de modelagem é um dos setores mais importantes dentro da indústria de confecção. No chão de fábrica, o setor de modelagem é o responsável por produzir os moldes de vestuário compatíveis com o perfil produtivo da empresa e com o biotipo do público-alvo dentro do segmento de moda em que a empresa atua. A modelagem é o coração de um produto de moda, pois sem a devida adequação a anatomia do público-alvo, um produto de moda não tem como ser comercializado. A função do designer de moda é compreender todo o processo de desenvolvimentode uma técnica de acabamento. 54UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 54UNIDADE II Modelagem Base de Tops CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro(a) aluno(a), nesta unidade apresentamos a você o processo para modelar bases de blusas e também algumas variações de modelos, orientando e conduzindo todos os passos que você deve seguir, desde a preparação do tecido de modelagem até a sua peça acabada com as possibilidades de técnicas de acabamento. Ao compreender os passos da modelagem de uma peça superior, apresentamos também a você a possibilidade de inovar por meio das técnicas de transposição de pences e como você pode utilizar esse recurso de forma criativa, possibilitando a formação de outros modelos. A partir das bases aprendidas nessa unidade você é capaz de explorar o potencial de diferentes materiais, combiná-los e assim conseguir inúmeras versões criativas de blusas Agora você tem base sobre a modelagem tridimensional e isso aumenta sua per- cepção de viabilidade de modelos. Assim, quando for criar uma peça ou até mesmo uma coleção, muito mais do que inovar, você agora tem conhecimento para desenvolver peças distintas. É válido reforçar que aqui você está aprendendo a moldar os tecidos sobre o corpo e que modelos de peças em que o tecido fica mais solto, precisam apenas de atenção nas cavas e decotes, bem como no caimento, portanto não abordaremos esses processos por enquanto, pois o foco é a aprender a transformar a bidimensionalidade de um tecido, em um elemento vestível e tridimensional Por fim, tenho certeza de que os conhecimentos apresentados, irão lhe auxiliar na carreira de designer, e é importante lembrarmos que o profissional designer é aquele que projeta o produto de moda. Em uma indústria, você terá o profissional modelista que é real- mente quem domina todos os processos de modelagem e desenvolvimento de produto, o intuito dessa disciplina em sua formação, é mostrar as possibilidades e as bases projetuais para que você saiba até onde ir e como desenvolver uma peça de roupa. Bons Estudos! 55UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 55UNIDADE II Modelagem Base de Tops LEITURA COMPLEMENTAR Um novo olhar sobre o profissional de modelagem O design, que na década de 1990 no Brasil, assumiu formalmente os projetos de produto do vestuário como atividades pertencentes à sua área a pedido do MEC, segundo Deborah Chagas Christo e Alberto Cipiniuk (2013), entende que o designer é o gestor de projetos e deve deter o controle sobre as etapas de construção dos produtos do vestuário. Porém, talvez em função dessa mudança, ainda há uma falta de controle sobre o ci- clo de confecção, visto em estudo de caso realizado na empresa Moura Duarte Especiarias Ltda Epp, localizada no bairro Bom Retiro/SP, especializada em moda feminina. Nesse artigo, para fins de levantamento e tratamento de fontes primárias, será considerada a experiência da empresa mencionada. Nela, a responsável pela concepção de produtos relata que a maioria das fichas de desenvolvimento enviadas por seus clientes apresentam-se incompletas e há omissão de informações fundamentais para a conclusão dos projetos, tais como: representação da parte da frente e costas do modelo, tecidos, tipo de acabamentos, aviamentos, beneficiamentos etc. Estas são informações indispensáveis para a execução da modelagem do produ- to, etapa relevante para esta pesquisa, que se propõem a compreender o profissional de modelagem como ferramenta fundamental para a criação, desenvolvimento, e que pode apresentar soluções para a construção e conclusão de produtos do vestuário, no cenário industrial hoje observado no mercado da moda. A empresa se destina ao desenvolvimento de peças piloto e produção em série das mesmas. Atendendo grandes marcas nacionais, domina os processos de execução como modelagem, corte, pilotagem, acabamentos e finalização das peças concentrando-se na elaboração das mesmas internamente, e terceirizando certos beneficiamentos, que são processos aos quais são submetidos os tecidos (estamparia, sublimação, silk, bordados etc.), dando-lhes acabamentos diferenciados. É evidente a necessidade de uma comunicação eficiente entre as etapas de con- fecção de um produto, considerando a afirmação de Flávio Sabrá (2014) que diz que “o desenvolvimento de uma coleção, executado por estilistas ou designers de moda, precisa ser sistemático, bem planejado e administrado”. A partir da fala de Sabrá entende-se que o gerenciamento é possível por meio da ficha de desenvolvimento, documento que registra todos os processos e por intermédio dele os demais profissionais envolvidos na elaboração dos produtos de moda se orientam para a construção da peça. Funciona como um instru- mento de comunicação entre as etapas. 56UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 56UNIDADE II Modelagem Base de Tops Dentro de uma confecção, nomeia-se modelista o profissional que se dedica à construção tridimensional de projetos de produtos de moda. Para isso, ele utiliza recursos e conceitos de ergonomia, anatomia, geometria/trigonometria aplicada e matemática. A operação de modelar, representada por meio de moldes, é denominada modelagem. Fonte: MOTTA, M. G. H: MARTINS, L. R. o papel do modelista na criação de produtos do vestuário. 4º congresso brasileiro de Iniciação científica de design e Moda - UNESP - Bauru – SP 2017. 57UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 57UNIDADE II Modelagem Base de Tops MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Técnicas de modelagem feminina: Construção de bases e volumes Autor: Ana Laura Marchi Berg Editora: Senac Sinopse: A roupa perfeita vai além de escolher uma cor que com- bine com a pele, um modelo que favoreça uma parte do corpo ou um estilo requerido para uma ocasião. Na base do bem-vestir está a modelagem: a arte de construir um molde que, depois, transfor- ma o tecido em uma saia, uma calça, um vestido, uma camisa... Uma roupa bem modelada é a que alia estética e conforto – que, juntos, formam a elegância. Este livro apresenta a metodologia de modelagem adotada no Senac São Paulo em sua versão mais atualizada e aprimorada. O leitor encontra o passo a passo – com centenas de fotos e desenhos – de moldes que permitem a criação de diversas peças de roupas, desde as básicas até as elaboradas. Os moldes foram todos testados em manequins, e um capítulo especial ensina como adaptá-los aos tipos de corpo mais comuns entre as brasileiras. Com explicações claras e objetivas, Técnicas de modelagem feminina é uma obra de referência para quem já atua ou pretende atuar na indústria de confecção, costureiras, estilistas, estudantes de modelagem e até o público em geral interessado em desenhar a própria roupa para obter um visual exclusivo. FILME / VÍDEO Título: Iris, Uma Vida de Estilo Ano: 2014 Sinopse: O documentário Iris, Uma Vida de Estilo, dirigido por Albert Maysles, é a história de Iris Apfel, uma mulher singular e admiradora da moda e da arte. Iris nasceu nova-iorquina nascida no Queens, entrou na moda nos anos 1950, quando ela e seu marido Carl – que festejou 100 anos durante a filmagem – abriram a Old World Weavers, uma empresa de tecidos que chegou a ser contratada por nove presidentes americanos para restaurações da Casa Branca. Enquanto conversa e brinca com pessoas como Bruce Weber e Kanye West, Iris relembra momentos de sua vida, como quando Frieda Loehmann, fundadora da loja Loehmann’s, onde ela trabalhou como vendedora, disse: “Você não é bonita e você nunca será bonita, mas não importa porque você tem uma coisa muito melhor. Você tem estilo”. Sua excentricidade, assim como sua sensibilidade, é captada pelo diretor, que mergulha em sua vida e abre as portas de seu apartamento em Nova York, de seu closet único e absurdo e de sua mente sagaz. 58 Plano de Estudo: ● Base de Saia Reta; ● Saia Evasê; ● Técnicas de Acabamentos; ● Planificação deMoldes. Objetivos da Aprendizagem: ● Conhecer o processo de desenvolvimento da base de saia reta; ● Conhecer o processo de desenvolvimento do modelo de saia evasê; ● Compreender os tipos de acabamentos para saias; ● Entender o processo de planificação de moldes. UNIDADE III Modelagem Base de Bottons Professor Me. Dênis Martins de Oliveira Professora Me. Floriza Taira Otto 59UNIDADE III Modelagem Base de Bottons INTRODUÇÃO Olá aluno(a), seja bem-vindo(a) a mais uma unidade de estudo. Agora que você já tem o conhecimento técnico sobre os materiais e ferramentas que são utilizados no pro- cesso de elaboração da Modelagem Tridimensional, podemos avançar para outro conteúdo e tratar agora do processo de modelagem que envolve o desenvolvimento de peças para vestir a parte inferior do corpo feminino. É nessa etapa que os conceitos se misturam com a prática, e desta forma nossa unidade de conteúdo será organizada mesclando a teoria e os aspectos técnicos de modelar, com o passo a passo para execução das diferentes peças. Nesta unidade, você conhecerá as principais possibilidades de modelagem na parte inferior do corpo. Iniciando com a prepa- ração do tecido, passando pela organização das marcações e chegando até o molde final. Vamos executar um modelo de saia reta, peça básica da parte inferior do corpo, mol- dando sobre o corpo e colocando as folgas para garantir a vestibilidade. Em seguida, vamos utilizar as proporções estabelecidas pela peça base que foi desenvolvida e trabalhar o processo de interpretação de modelos, fazendo alterações para novas possibilidades de molde. Em cada modelo, depois da modelagem pronta, você deverá transferir o formato tridimensional de um molde para uma forma bidimensional, criando assim o que chamamos de planificação de moldes. Vamos transferir do tecido modelado para um molde de papel. Durante o processo é importante que você tenha alguns cuidados para que não ocorram erros e impactem no resultado final do produto de moda que você está modelando. Bons Estudos! 60UNIDADE III Modelagem Base de Bottons 1. BASE DE SAIA RETA O processo de modelagem de uma saia reta, consiste em uma sequência similar a utilizada no desenvolvimento da blusa. É necessário ter duas partes de tecido, que serão nossa matéria prima inicial para modelar a metade da peça frente e a metade da peça costas, pois estamos trabalhando com um modelo Simétrico. Desta forma para confeccionar uma saia reta para um manequim de tamanho 38, você precisará de duas partes de tecido medindo 40 cm de largura (sentido da trama), por 60 cm de comprimento (sentido do urdume). Você irá esquadrar esse tecido para trabalhar sempre no sentido do fio reto, de modo que não haja torções no tecido e o caimento da peça fique correto. Iniciaremos pela peça da parte frontal, e para que o caimento do tecido fique correto no corpo do manequim e consequentemente no produto final, você deve marcar uma linha paralela ao sentido do fio de urdume, com distância de 3cm. Essa linha será seu guia para alfinetar no eixo central. Posterior a essa marcação você pode marcar uma linha no sentido da trama com distância de 3cm (essa será sua linha de cintura). Feito essas duas marcações no tecido frente e no tecido costas, você deve ter algo parecido com a Figura 1. 61UNIDADE III Modelagem Base de Bottons FIGURA 1 - MARCAÇÃO DO TECIDO PARA SAIA BÁSICA Fonte: Silveira (2017, p. 66). A marcação da linha de pence apresentada na Figura 1, não é necessária ser elaborada, pois trabalharemos com a pence na linha princesa (linha que já se encontra marcada em seu manequim), isso facilita o processo e garante uma estética agradável no modelo final de sua saia reta. Feito essa etapa de preparação do tecido, você então irá alfinetar a linha de eixo central no manequim, e então começará a acomodar o tecido. Nesse processo, você poderá se deparar com a torção do tecido na altura do quadril, quando você começar a acomodá-lo no manequim. Desta forma, lembre-se sempre de que não poderá haver deslocamento do tecido, então ao alfinetar o eixo central você deve ir com a mão acomodando o tecido na al- tura do quadril (seu manequim está marcado com a linha de quadril, então vá acomodando o tecido pela linha do quadril, até chegar na linha lateral e então você poderá colocar um alfinete para assegurar que o tecido não torceu). Com o tecido acomodado na linha de quadril agora é o momento de acomodar a linha de cintura e você irá notar que haverá uma espécie de sobra de tecido. Como você tem a marcação no tecido que deve estar na linha de cintura, coloque um alfinete no encontro da linha de cintura com a linha lateral e agora você irá com a mão acomodando o tecido até chegar na linha princesa. Como já temos o tecido acomodado na altura do quadril e como a linha de cintura não está alfinetada por completo, ao chegar na linha princesa você irá desenvolver a pence. 62UNIDADE III Modelagem Base de Bottons Nesse caso a pence é necessária pois temos um volume reduzido na cintura, que se amplia na medida que avança para a altura do quadril, sua pence então deve estar posicio- nada na linha princesa frente, saindo da cintura em direção ao quadril, conforme a Figura 2. FIGURA 2 - MONTAGEM DA SAIA BÁSICA NO MANEQUIM Fonte: Silveira (2017, p. 68). Conforme você pode observar na Figura 2, o processo é o mesmo para realização da parte costas, você irá acomodar o tecido e fará a pence na altura da linha princesa costas. Existe apenas um detalhe no caso da parte costas, como na parte costas temos o volume das nádegas a profundidade da pence será maior, pois o tecido precisa acomodar a cintura que tem volume negativo e também as nádegas que possuem volume positivo em relação ao corpo. Feito esse processo, use a caneta para demarcar a linha lateral, bem como as pences e então você terá a estrutura de base de sua saia reta. Agora você retira os tecidos do manequim e com o auxílio das réguas você irá retraçar as linhas, para que elas fiquem corretas e posteriormente você faça os moldes em papel. Suas partes da saia reta frente e costas devem ficar conforme a Figura 3. 63UNIDADE III Modelagem Base de Bottons FIGURA 3 – MOLDE FRENTE E COSTAS SAIA RETA Fonte: Abling e Maggio (2014, p. 24). Desta forma você pode agora passar os moldes para o papel e colocar as infor- mações conforme constam na Figura 3, bem como acrescentar a margem de costura, que deve ser de 1,5cm em todo o molde. Lembrando que se trata de uma peça simétrica, desta forma o eixo frente deve ser cortado de modo que o molde se torne a parte completa da frente da saia. Já no eixo central costas você pode trabalhar com uma abertura para colocar o dispositivo de vestibilidade, nesse caso seria um zíper. Assim a parte costas da saia, mesmo sendo simétrica pode ser dividida em 2 partes apresentando uma costura de união no centro. Se por acaso você optar por colocar um zíper lateral, então a parte costas pode ser cortada, desdobrando o molde e fazendo uma parte única como foi feito na parte frente. Este é o processo para desenvolver a base de uma saia reta. 64UNIDADE III Modelagem Base de Bottons 2. SAIA EVASÊ A partir da modelagem base de uma saia reta, é possível trabalhar o desenvolvimento de outros modelos de saias, como uma saia lápis (onde haverá afunilamento da base de uma saia reta), ou ainda o modelo de saia evasê, que você aprenderá a desenvolver neste tópico. FIGURA 4 – MODELO DE SAIA EVASÊ Fonte: Duarte Saggese (2012, p. 40). O modelo de saia evasê consiste em um volume maior de tecido, formando assim uma circunferência de barra maior do que a circunferência de cintura, de modo que haja um aumento gradual no volume do tecido que sai da cintura e passa pelo quadril, acomodando assim as duas partes do corpo e trazendo movimento na altura da barra. A partir da base de saia reta, você, aluno (a), consegue estruturar uma saia evasê com algunsprocessos relativamente simples, veja a Figura 5. 65UNIDADE III Modelagem Base de Bottons FIGURA 5 – PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO DA SAIA RETA EM EVASÊ Fonte: Duarte (2012, p. 40). A Figura 5 apresenta o processo inicial de transformação da saia reta em evasê. Usando a mesma estrutura de uma base de saia reta cujo o eixo central está alfinetado, assim como a linha lateral e a linha de cintura, você irá então, marcar a linha princesa por completo no tecido e depois irá recortar da barra sentido cintura na linha princesa, até chegar na pence. Feito esse processo, você então retira os alfinetes da linha lateral e abre o tecido, de modo a ganhar alguns centímetros na abertura do recorte que você fez, seu molde deve ficar como a Figura 6. FIGURA 6 – SEQUÊNCIA DO PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO DA SAIA RETA EM EVASÊ Fonte: Duarte (2012, p. 40). 66UNIDADE III Modelagem Base de Bottons Você então pode acrescentar um outro tecido, alfinetando-o para preencher o espaço aberto no molde base, e assim, determinar o volume que você irá ter em seu evasê. Ao retirar o tecido do manequim, acrescente 3cm na barra de seu molde ampliando na lateral, e assim você terá um volume maior em sua saia o que proporcionará movimento ao design da peça. FIGURA 7 – ACRESCENTANDO VOLUME NA BARRA Fonte: Duarte (2012, p. 41). Feito esse processo, é só você passar a limpo e o molde final de sua saia evasê deve apresentar estrutura semelhante a Figura 8. Repare que ao cortar e abrir o molde a pence foi embutida no design da peça, então sua saia não terá pence, e o volume da abertura faz com que o tecido se amplie de forma gradativa da cintura para a barra. FIGURA 8 – MOLDE FINAL FRENTE SAIA EVASÊ Fonte: Duarte (2012, p. 41). 67UNIDADE III Modelagem Base de Bottons Ressaltamos que o processo é o mesmo visto em tópicos anteriores, por se tratar de uma peça simétrica, desenvolvemos somente a metade frente que deve ser espelhada para formar a frente completa. No caso da parte costas o princípio de vestibilidade deve ser respeitado, se a intensão for colocar zíper no eixo central, a parte costas pode apresentar duas partes, e se o zíper for lateral a parte costas pode ser espelhada como ocorreu na parte frente. SAIBA MAIS A origem da costura A história da costura começa provavelmente com as primeiras vestes conhecidas, originárias do período Paleolítico, que tinham a função de proteção contra o frio e eram feitas de materiais aproveitados dos animais caçados para a alimentação. Peles curtidas eram unidas uma na outra o auxílio de ossos, as primeiras agulhas, e tiras de couro, tendões e tripas. Acredita-se que o uso de lã de animais e fiapos de algodão já eram utilizados no feitio das primeiras vestimentas cerca de 25 mil anos atrás. Há registro de povos nativos na América que utilizavam plantas como a agave, da qual se aproveitava a ponta da folha como agulha e as fibras secas para costurar itens. Fonte: AUDACES. História da Costura, 2021. Disponível em: https://audaces.com/historia-da-costura/ Acesso em: 15/12/2021 68UNIDADE III Modelagem Base de Bottons 3. TÉCNICAS DE ACABAMENTO Após elaboramos o processo de modelagem de uma peça do vestuário, é necessá- rio pensarmos nas estruturas que irão compor essa peça como um todo, bem como quais serão os aspectos estéticos e de vestibilidade dessa peça enquanto produto final. Assim, o designer de moda, poderá explorar o design da peça, e combinar alguns elementos que são primordiais em um produto de moda. ● ERGONOMIA ● VESTIBILIDADE ● USABILIDADE A Ergonomia consiste na relação entre o usuário e o produto, ou seja, é como o produto de moda desenvolvido pelo designer se comporta no corpo do público alvo para o qual o produto se destina. Os estudos sobre Ergonomia consistem em compreender o bem estar, conforto e segurança dos indivíduos e nesse caso a relação entre a roupa e quem a usa. A vestibilidade, por sua vez, é o processo de adequação do produto ao biotipo do usuário, ou seja, como o tecido, a modelagem e as estruturas da peça se comportam em contato com o corpo das pessoas. A usabilidade, no entanto, está atrelada a capacidade de uso do produto, como as pessoas colocam e como as pessoas retiram as roupas, e quais dispositivos são necessários para que realmente haja vestibilidade e usabilidade, de modo que o produto seja ergonômico. 69UNIDADE III Modelagem Base de Bottons Considerando esse cenário, é necessário pensar em processos que tragam não só apelo estético aos produtos de moda, mas também que proporcionem o bem estar de quem utiliza o produto, nesse caso o designer pode explorar diferentes técnicas de acabamento, no que diz respeito ao produto de moda que veste a parte inferior do corpo feminino. Iniciamos o processo entendendo a importância da bainha. A bainha ou barra (co- mumente conhecida) é um acabamento dado ao final do produto em seu comprimento, pode estar em punhos, pernas de calças ou ainda na barra de uma saia, como é o caso de nosso exemplo na Figura 9. FIGURA 9 – BAINHA DE SAIA GODÊ Fonte: Crawford (2014). A bainha, é o tipo de costura de acabamento feita na barra de uma peça, e para que a estética da peça final fique harmônica, no caso de saias amplas ou com muito volume o ideal é fazer a bainha conforme a Figura 9 nos mostra. A mediação deve ocorrer a partir do chão, pois como o volume das nádegas pode variar, se a bainha for feita somente no molde considerando a mesma medida na peça como um todo, pode ser que fique curta na parte costas, assim fazendo a medição a partir do chão, consegue-se uma proporção equilibrada visualmente e que garanta o conforto a quem utilizará o produto. No caso da saia apresentada na Figura 9, o processo foi bem simples, dobra-se o tecido duas vezes de modo a esconder a parte desfiada e passa-se uma costura reta, formando assim a bainha. Mas existe um outro processo que pode ser feito para dará acabamento em barras de saia, é o caso da bainha anatômica, que pode ser feita com o auxílio de um viés. 70UNIDADE III Modelagem Base de Bottons FIGURA 10 – BAINHA ANATÔMICA Fonte: Duarte (2012, p. 47). Nesse caso, utiliza-se um tecido (que pode ser o mesmo da saia final) cortado em viés (ângulo de 45 graus), para que esse tecido seja costurado na barra e garanta acabamento para a peça. Podem ser utilizados tanto o tecido cortado em viés quando o viés em si. Mas você pode se perguntar por que precisa ser o viés? O viés é o único tipo de corte ou de aviamento que permite fazer curvas, devido a sua elasticidade do corte em 45 graus, por isso é o material e o corte indicado para dar acabamento em barras que no caso da saia é circular. Outra técnica de acabamento primorosa e essencial para uma calça, saia ou peça que veste a parte inferior do corpo é o Cós. O cós é um acabamento feito na altura da cintura para acomodar a peça em si e para que haja vestibilidade no produto. Desta forma existem dois tipos de cós. FIGURA 11 – CÓS RETO Fonte: Duarte (2012, p. 44). 71UNIDADE III Modelagem Base de Bottons O cós reto (Figura 11) é um acabamento em formato retangular aplicado na cintura de qualquer peça que cubra a parte inferior do corpo. Ressaltamos que não há obrigato- riedade em fazer um cós, pois a peça também pode ser confeccionada com um revél para dar acabamento na altura da cintura. O cós reto, portanto, é uma faixa reta que proporciona acabamento na peça, ele pode circundar a cintura da saia como um todo sem alterações em sua estrutura. REFLITA Normalmente, as vistas ou revel são costuradas no interior das roupas, de forma que não fiquem visíveis para o lado de fora. Porém, podem ocorrer casos em que tais aca- bamentos aparecem também do lado de fora da peça, para efeito decorativo, cumprindo função estética e de acabamento. Fonte: Heinrich (2005, p. 151). Outro tipo de acabamento comumente trabalhado em saias, é o cós anatômico, este por sua vez, consiste em uma paralela que se retira da cintura, ou seja,é parte que compõe a peça retirada da cintura em direção ao quadril e sua medida vai depender da estrutura que se deseja como resultado final na peça. Por se tratar de uma parte da peça com linhas curvas ele geralmente é cortado em formato duplo e deve ser entretelado, para que tenha estrutura de sustentação para o acabamento da peça. Ele deve ter a parte frente e a parte costas separado, pois são volumes diferentes na frente e nas costas de um manequim. FIGURA 12 – CÓS ANATÔMICO Fonte: Duarte (2012, p. 45). 72UNIDADE III Modelagem Base de Bottons Esses são os principais processos de acabamento para peças que vestem a par- te inferior do corpo. E você pode estar se perguntando quando a calças por exemplo; o desenvolvimento de calças é trabalhado no processo de modelagem bidimensional ou mo- delagem plana, pois são peças mais fácies de serem desenvolvidas por meio de cálculos, e consistem somente no acabamento de cintura (cós) de forma que as pernas em si não apresentam modelagens e estruturas elaboradas, ou curvas nas quais os tecidos precisam se acomodar, por isso não são ensinadas nessa disciplina. 73UNIDADE III Modelagem Base de Bottons 4. PLANIFICAÇÃO DE MOLDES Após desenvolver suas modelagens, você, precisa compreender o processo de planificação de moldes, para não só ter os moldes de forma correta, mas para construir seu acervo de modelagens base e arquivá-lo de forma organizada e legível para posterior uso e desenvolvimento de produtos. O processo para planificação dos moldes é então a retirada do tecido já com as devidas marcações do manequim, e você irá primeiramente, esticá-lo sobre uma superfície plana, para retraçar todas as marcações que você fez. Com o auxílio das réguas de mode- lagem você retraça todas as linhas que estavam “esboçadas” em seu tecido. Feito esse processo, você pode utilizar uma carretilha ou um carbono para então criar seus moldes. Você coloca um papel (geralmente utiliza-se papel kraft, ou manilha) coloca o carbono com o lado da tinta virado para o papel e coloca o tecido. Aí então, é só passar a carretilha ou um lápis e você conseguirá transpor as informações que estão no tecido para o papel. Feito essa etapa, você pode retraçar as marcações do papel com canetinha e colocar as informações sobre seu molde. Vamos a algumas dicas importantes para que seus moldes tenham coerência e para que você consiga utilizá-los no corte de suas peças de forma adequada. A pri- meira dica é sobre as pences, a pence é um elemento de extrema importância para proporcionar a vestibilidade de suas peças, portanto, no molde e também no processo de corte da peça você deve demarcar sua pence com “piques”, pequenos cortes para fazer com que se compreenda os dois pontos que deverão ser unidos para que haja a pence, conforme a Figura 13. 74UNIDADE III Modelagem Base de Bottons FIGURA 13 – PIQUES Fonte: Crawford (2014). Lembre-se de que o pique não pode ser profundo demais, pois você só tem no máximo 1,5cm de margem de costura, qualquer pique maior do que isso irá interferir e causar um defeito visível na peça. Dito isso, vamos para o processo de corte das peças, ou seja, como você posiciona seus moldes de papel sobre um tecido final, que formará a peça a ser costurada. O primeiro entendimento é o de posicionamento dos moldes sobre o tecido. Todos os seus moldes em papel devem ter a marcação do sentido do fio reto (fio de urdume) para que seja possível posicionar os moldes de forma correta e a peça fique com o caimento correto, observe a Figura 14. FIGURA 14 – POSICIONAMENTO DE MOLDES PARA CORTE DA PEÇA Fonte: Crawford (2014). 75UNIDADE III Modelagem Base de Bottons Repare que na Figura 14 que já estamos falando do processo de usar os moldes de papel para cortar a peça final. O sentido do fio reto dos moldes deve estar alinhado ao sentido do fio reto do tecido que será cortado, e todos os moldes devem estar com o alinhamento perfeito para que não haja torção na hora do corte, feito isso você alfineta cada molde no tecido para posteriormente cortá-los, para isso, você pode utilizar a fita métrica, ou uma das réguas de modelagem e ir ajustando o mesmo espaçamento da marcação do fio até a borda do tecido, conforme a Figura 15. FIGURA 15 – ALINHAMENTO DO FIO RETO Fonte: Crawford (2014). Lembre-se sempre de que se o molde for simétrico, a parte que deve ser espe- lhada, e ser posicionada na dobra do tecido, conforme Figura 16. Um espelhamento de molde significa que eu estou “copiando” espelhando uma parte para outra parte igual, o que servirá para cobrir a frente como um todo do meu corpo. FIGURA 16 – FRENTE DE BLUSA SIMÉTRICA Fonte: Crawford (2014). 76UNIDADE III Modelagem Base de Bottons Uma peça completa ocupa bastante espaço no momento de corte, portanto o pro- fissional que lida com a modelagem precisa trabalhar o que nós chamamos de “encaixe”, se trata do melhor posicionamento dos moldes sobre o tecido que será cortado a fim de aproveitar ao máximo o tecido que será cortado, e sempre respeitando o espelhamento das partes que possuem esse aspecto, bem como o posicionamento do sentido do fio reto, conforme Figura 17. FIGURA 17 – ENCAIXE Fonte: Crawford (2014). Ao respeitar todos esses processos, você garantirá um corte excelente e coerente de modo que sua peça tenha o caimento correto. Lembre-se sempre de identificar todos os moldes com os seguintes itens: ● Tamanho; ● Nome; ● Sentido do Fio Reto; ● Piques (se necessário); ● Margem de costura. Cabe ressaltar que o Designer de Moda não é um modelista, você apenas precisa compreender os processos de modelagem para conseguir projetar os produtos de forma coerente com os processos fabris, na indústria, você terá o auxílio de um modelista respon- sável por todo esse processo. Mas se a área de modelagem lhe agrada, então invista em cursos extras para se especializar cada vez mais. 77UNIDADE III Modelagem Base de Bottons CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro(a) aluno(a), a presente unidade lhe apresentou os principais aspectos da modelagem tridimensional de peças do vestuário para a parte inferior do corpo, envolvendo a criação de bases e interpretação de modelagem, nesse caso de saias. Ao iniciar o pro- cesso de modelagem de uma peça, o modelista deve fazer o estudo completo do modelo criado pelo estilista, ou seja, analisar a proposta, que tipo de peça vai ser confeccionado, o caimento do tecido, se a peça vai ficar justa ou larga ao corpo, quais serão os tipos de acabamentos e aberturas para vestibilidade que estarão na peça, para que assim a peça realmente atenda às necessidades do público alvo ao qual ela se destina. Com as noções sobre a volumetria corporal e trabalhando os exercícios de cons- trução da peça ao corpo, verificamos que é possível entender como se comporta um tecido sobre o corpo em si, e quais recursos devem ser empregados para o sucesso de uma peça de roupa. Ainda nesta unidade, vimos os passos de criação e materialização da base e da variação de modelos, em que constamos a possibilidades de criar os tipos de acabamentos para cada peça desenvolvida. Foi possível observar os processos de acabamentos e como eles são importantes no processo de design, vestibilidade, ergonomia e usabilidade de uma peça de roupa. Por fim, abordamos também os processos de planificação dos moldes e como esses moldes devem ser distribuídos para garantir o corte perfeito de uma peça modelagem de forma tridimensional e que ganha aspecto bidimensional ao se tornar um molde. Foi possível observar a importância de apresentar as informações corretas nos moldes e de como o posicionamento de tais moldes pode interferir no design da peça. Ressaltamos caro aluno(a) que os processos apresentados nessa unidade, dizem respeito a modelagem de saias, mas também se aplicam a outras peças do vestuário, principalmente o tópico sobre a planificação de moldes, portanto ao executar qualquer mo- delagem estejaatento, ao espelhamento das partes da peça, bem como ao posicionamento do sentido do fio reto. Bons estudos! 78UNIDADE III Modelagem Base de Bottons LEITURA COMPLEMENTAR O Processo de Modelagem Industrial Na materialização de um projeto de produto de moda, por meio da definição de tecidos, aviamentos, beneficiamentos, da elaboração de fichas técnicas, estudos de mode- lagens e pilotagens, os aspectos concretos são determinantes para a definição do tipo de produto. Todas essas atividades, assim como outras, se interrelacionam e dependem umas das outras para o estabelecimento de uma coleção de produtos de moda (DENIS,2004). Porém, sabe-se que para um resultado satisfatório do produto de moda, ou seja, para que o mesmo atenda às expectativas do usuário, além da criatividade para desen- volver o desenho, o projetista deve tomar como base para a modelagem do vestuário, a percepção dos contornos do corpo, bem como suas medidas antropométricas. Leite (2008) analisa que o processo de fabricação do vestuário é, acima de tudo, o resultado das informações de moda que resultam, posteriormente, em um produto. A moda está expressa nas mais diversas formas em diferentes áreas do conhecimento. Sendo assim, o processo de modelagem industrial está diretamente ligada a materialização do produto desejado pelo usuário (LEITE, 2008). A modelagem plana industrial é responsável pela materialização da ideia no produto, engloba as atividades relacionadas à execução das ferramentas – moldes – necessárias à reprodução fiel das formas originais do projeto. Nesta etapa do desenvolvimento, deve-se se- guir um planejamento com vistas à reprodução do produto em escala industrial, desenvolver uma sucessão estruturada de trabalhos interdisciplinares e de ações conjugadas, envolvendo também os setores relacionados com a produção e a comercialização dos produtos. A modelagem, segundo Araújo (1996) consiste na “arte de confecção de moldes a partir de um modelo pré-estabelecido”. Cabe ao modelista, por sua imaginação e capaci- dade de observação, ser capaz de adaptar, transformar e criar moldes, dentro daquilo que é o mais importante: a base do corpo. A modelagem tem como objetivo adaptar a coleção à produção, por meio do desenvolvimento dos moldes, baseando-se o design do modelo, numa base de dados de moldes básicos, componentes normalizados e famílias ou blocos de moldes que representam o corpo humano. A modelagem industrial é a técnica empregada na construção de roupas, sendo desenvolvida de forma bi ou tridimensional em quantas partes forem necessárias. Para isso, o modelista faz a interpretação de todas as formas do corpo humano por meio de 79UNIDADE III Modelagem Base de Bottons medidas antropométricas. Para a elaboração de modelagens de vestuários, as principais referências que devem ser consideradas são os desenhos projetados pelos designers e principalmente as dimensões antropométricas do usuário, o corpo (MEDEIROS, 2007). Radicetti (2004), respaldada nesses conhecimentos, afirma que o modelista, por meio das criações do designer, é capaz de desenvolver moldes de produtos que satisfaça os desejos estéticos, funcionais e emocionais dos consumidores. Woltz e Woltz (2006) ana- lisam ainda que os desenhos criados pelos designers devam possuir uma total clareza de informação sobre a roupa permitindo a elaboração de produtos adequados ao consumidor. É a partir desses desenhos e pela ficha técnica de produto, que o modelista fará a interpretação e a elaboração dos moldes dos produtos. O modelista faz a mediação entre a criação e a produção das peças em escala industrial, por isso é importante que todas as técnicas sejam avaliadas nesse processo, considerando que durante a produção industrial não será possível efetuar correções devido falhas da modelagem. A partir do momento que as partes das peças cortadas são levadas para a produção, não há mais retorno possível, a não ser que se refaça o molde e a peça piloto. (ESCOREL, 1999, p. 66). Fonte: MENEZES, M. S; SPAINE, P. A. A. Modelagem Plana Industrial do Vestuário: diretrizes para a indústria do vestuário e o ensino-aprendizado. Projética, Londrina, v. 1, n. 1, p. 82-100, dez. 2010. nº inaugural. 80UNIDADE III Modelagem Base de Bottons MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Corset: Interpretações da forma e da construção Autor: Ana Laura Marchi Berg. Editora: Senac. Sinopse: Poucas peças de roupa fascinam tanto quanto o cor- set. Ele, que começou como uma underwear, hoje atua tanto nos bastidores quanto no palco: pode combinar com saia, pantalona, jeans, ou servir para sustentar vestidos soltos, com drapeados, de noiva e o que mais a imaginação alcançar. Quer evidenciar o busto, afinar a cintura ou realçar o quadril? Escolha o modelo mais adequado, ajuste o cordão e a silhueta poderá ser visualmente modelada. Mas, para que o caimento seja perfeito, o corset deve ser construído minuciosamente. Corset: interpretações da forma e da construção, publicação do Senac São Paulo, revela com deta- lhes todo o processo de construção de diferentes tipos de corset (overbust, midbust, underbust e waist cincher), desde a modela- gem, utilizando a técnica da moulage, até a construção da peça final. Com fotografias mostrando o passo a passo do surgimento do corset, este livro comprova que a construção dessa peça é um apurado processo de modelagem e também uma delicada criação poética. FILME / VÍDEO Título: Coco Antes de Chanel Ano: 2009. Sinopse: Outro filme de moda indispensável para quem gosta do universo fashion, Coco Antes de Chanel conta a história da famosa estilista Gabrielle, mais conhecida como Coco Chanel. O longa mostra como a moça de família humilde vivia antes de construir seu império e se tornar um dos nomes mais famosos do mundo da moda. 81 Plano de Estudo: ● Vestidos; ● Inspirações e Processos; ● Moda Conceitual; ● Modelando Possibilidades. Objetivos da Aprendizagem: ● Conhecer o processo de modelagem de vestidos; ● Conhecer diferentes processos de modelagem e suas possibilidades; ● Compreender o que é a moda conceitual e sua relação com as técnicas de modelagem; ● Analisar os processos que envolvem técnicas de modelagem tridimensional. UNIDADE IV Modelagem Criativa Professor Me. Dênis Martins de Oliveira Professora Me. Floriza Taira Otto 82UNIDADE IV Modelagem Criativa INTRODUÇÃO Olá acadêmico(a), seja bem-vindo a mais uma unidade de nosso material sobre Modelagem Tridimensional. Você já observou que toda peça de roupa tem uma estrutura? Pois bem, essa estrutura só é possível devido ao processo de manipulação do tecido que por meio de linhas, recortes, dobras e acabamentos forma uma roupa. O produto de moda, ou seja, a roupa, é parte de um longo processo de pesquisa e criação que resulta em um objeto vestível. A modelagem, por sua vez, é parte fundamental desse processo, pois envolve justamente a construção da peça, a materialização do produ- to idealizado pelo designer. Nessa unidade, veremos algumas possibilidades para desenvolver modelos de vesti- dos de forma a combinar as bases de tops com as bases de bottons, veremos também como é possível buscar inspiração em outras áreas do saber, e transformá-las em produtos de moda. Posteriormente você irá adentrar o universo da moda conceitual e entender como esta área do design se conecta com a modelagem tridimensional, visando fomentar a cria- tividade e as possibilidades inovadoras dessa fusão. Por fim, veremos como é possível manipular algumas partes das bases de peças do vestuário e transformá-las em novos produtos, inovando de forma criativa. É importante, caro aluno(a), que você não deixe de pesquisar e de buscar novas referências se você gosta dos processos de modelagem, pois as possibilidades criativas são inúmeras e não caberiam em um único material didático. Boa Leitura! 83UNIDADE IV Modelagem Criativa 1. VESTIDOS Dentre os processos que auxiliam o designerno desenvolvimento dos produtos de moda, a modelagem é sem sombra de dúvidas, o processo que melhor define a criatividade, pois é por meio desse processo que temos a materialização de um produto de moda. O designer tem a liberdade criativa para definir os materiais e os tecidos que serão usados no desenvolvimento de um produto de moda conforme seu olhar criativo e suas inspirações, veja a afirmação de Udale (2014): Durante o período de aprendizagem, podemos criar pequenas amostras de tecido e desenvolver ideias de forma experimental. No entanto, o designer profissional que trabalha na indústria da moda deve saber como vender seu trabalho. Se você escolher fazer seus próprios tecidos, você terá que con- siderar os requisitos e equipamentos necessários para a fabricação assim como será necessário avaliar como os diferentes tipos de tecidos projetados formarão uma coleção. Então você terá que pensar sobre a quem apresentá- -los e onde vendê-los. (UDALE, 2014, p.38). Esse entendimento das possibilidades em se comprar um tecido ou em criar seu próprio tecido, vai depender do segmento de moda em que você irá atuar. De qualquer for- ma é essa escolha que implicará no desenvolvimento do produto final projetado por você. Desta forma, veremos a seguir algumas possibilidades para explorar as técnicas que vimos até aqui e combinar o processo de modelagem de Tops com o processo de modelagem de Bottons para então criarmos vestidos. 84UNIDADE IV Modelagem Criativa FIGURA 1 – VESTIDO TOMARA QUE CAIA Fonte: KIISEL (2013, p. 47). A peça apresentada na Figura 1 é estruturada de forma a deixar os ombros livres, ou seja, não há alças, portanto, a peça deve ser bem modelada ao corpo e assim sustentar o busto. Desta forma a estrutura da peça deve apresentar pences, conforme a Figura 2. FIGURA 2 – CROQUI DO TOP TOMARA QUE CAIA Fonte: KIISEL (2013, p. 47). A sequência para desenvolvimento de um top Tomara que caia conforme o exemplo da Figura 1, pauta-se nos seguintes passos: 85UNIDADE IV Modelagem Criativa FIGURA 3 - PASSO A PASSO DE UM TOP TOMARA QUE CAIA Fonte: KIISEL (2013, p. 48). Conforme vimos na unidade sobre o desenvolvimento de blusas, o tecido é aco- modado e constrói-se a pence para sustentar a volumetria do busto, nesse caso a pence parte da lateral em direção ao mamilo. Por fim, é só traçar o estilo de decote desejado e dar continuidade ao processo na parte costas, conforme Figura 4. FIGURA 4 – DECOTE E COSTAS Fonte: KIISEL (2013, p. 48). Para finalizar o modelo você, aluno(a), pode utilizar a modelagem de uma saia reta, e unir o top com a saia por meio de um cós mais largo, assim você terá o vestido tomara que caia pronto. É importante frisar que é necessário ter um dispositivo de abertura, então pense se você quer o zíper no eixo central costas ou na lateral, para então espelhar os moldes e traçar de forma correta sua modelagem. 86UNIDADE IV Modelagem Criativa Como uma segunda opção para criar vestidos, você pode trabalhar com o tecido sem formar um recorte na cintura, ou seja, é possível trabalhar um modelo de vestido usando um único tecido e criando uma peça mais ampla, chamada de corte em linha A, conforme a Figura 5. FIGURA 5 – VESTIDO EM CORTE A Fonte: KIISEL (2013, p. 49) FIGURA 6 – CROQUI DO VESTIDO EM LINHA A Fonte: KIISEL (2013, p. 49). 87UNIDADE IV Modelagem Criativa Esse modelo proporciona maior movimento e o caimento do tecido sobre o corpo apresenta uma forma leve e fluída, e você pode explorar a criatividade e acrescentar man- gas diferentes ou babados na saia, para trazer personalidade ao design da peça. O processo consiste em trabalhar com o tecido no comprimento desejado da peça, e de forma que sua largura cubra toda a linha frontal até a lateral do manequim, assim você conseguirá modelar toda a metade da frente do vestido, conforme o passo a passo da Figura 7. FIGURA 7 – MODELANDO O VESTIDO LINHA A Fonte: KIISEL (2013, p. 50). Lembre-se sempre de respeitar o sentido do fio reto, e assim posicionar o tecido de forma correta sobre o manequim, para que o caimento da peça fique correto. Na sequência, você pode traçar o decote a cava para finalizar a parte frente de sua peça. FIGURA 8 – FINALIZANDO A PARTE FRENTE Fonte: KIISEL (2013, p. 50). 88UNIDADE IV Modelagem Criativa Por se tratar de uma peça ampla, você pode utilizar essa modelagem de forma espelhada na parte frente, bem como na parte costas e assim criar um vestido em linha A com bastante movimento. Lembre-se do dispositivo de vestibilidade para que seja possível vestir e despir a peça sem problemas. Com essas possibilidades, você pode combinar de forma criativa blusas e saias e formar vestidos com design diferenciado, a fim de inovar de forma criativa o desenvolvi- mento de peças do vestuário feminino por meio das técnicas de modelagem tridimensional. SAIBA MAIS Charles Frederick Worth é geralmente considerado o pai da alta-costura e a figura fun- dadora da moda como indústria e arte. Através das suas criações, dos seus conceitos e da sua forma inovadora de abordar a costura, Charles Frederick Worth conseguiu definir a imagem do seu tempo e inspirar inúmeros designers que lhe seguiram. Quando estava fora do atelier, passava horas a fio a observar as maravilhas da Natio- nal Gallery, encantado com a beleza dos vestidos representados nos retratos a óleo de rainhas e damas da aristocracia. Foi nesses corredores que o incomparável sentido de estilo e de arte de Worth começou a tomar forma, e, através dos vestidos vaporosos, dos enfeites delicados e da mestria dos tempos antigos, começou a desenvolver o gosto pelo detalhe que mais tarde viria a definir o seu futuro e a desempenhar um papel impor- tante na definição do mundo da moda tal como o conhecemos. Fonte: LA PRAIRIE. A maioson Worth e a origem da alta-costura. 1875. Disponível em: https://www.laprai- rie.com/pt-latam/editorials-article?cid=haute-couture Acesso em: 23 nov. 2021. https://www.laprairie.com/pt-latam/editorials-article?cid=haute-couture https://www.laprairie.com/pt-latam/editorials-article?cid=haute-couture 89UNIDADE IV Modelagem Criativa 2. INSPIRAÇÕES E PROCESSOS Cada designer terá um olhar único sobre a referências que servirão de inspiração para criar um produto ou uma coleção de moda. O repertório criativo de cada profissional é fundamental para que novas conexões se tornem possibilidades e resultem em produtos de moda inovadores. Considerando os processos básicos ensinados no decorrer das unidades II e III, podemos explorar possibilidade e trabalhar com referências criativas para formar produtos com uma estética única. A Figura 9 apresenta o croqui de um vestido com inspiração na indumentária grega. FIGURA 9 – VESTIDO GREGO Fonte: KIISEL (2013, p. 27). 90UNIDADE IV Modelagem Criativa Para desenvolver essa peça você, aluno(a), irá trabalhar com um tecido que cubra toda a frente do manequim, pois iremos franzir esse tecido, e desta forma o tecido precisa ter amplitude, veja o passo a passo na Figura 10. FIGURA 10 – ACOMODANDO O TECIDO Fonte: KIISEL (2013, p. 28). O vestido grego é uma peça simétrica, então frente e costas devem ter as mesmas proporções. No caso do desenvolvimento dessa peça o ponto principal é a cintura, para que seja possível posicionar o elástico e franzir o tecido. Na época em que os gregos utilizavam esse modelo de peça não havia elástico, mas agora podemos utilizar esse material para criar na linha de cintura um franzido que adeque o tecido ao corpo, criando assim uma silhueta para a peça. FIGURA 11 – ADEQUANDO O ELÁSTICO Fonte: KIISEL (2013, p. 29). 91UNIDADE IV Modelagem Criativa Na lateral o encontro das partes frente e costas pode ser natural, sem que haja desenho da cava, pois estamos manipulando dois retângulos que se unem para cobrir o corpo. Lembre-se apenas de dar continuidade no franzido de forma harmônica para que a estética dapeça fique bem acabada. O elástico deve ficar por dentro de modo que fique escondido na peça final. FIGURA 12 – LATERAL DO VESTIDO GREGO Fonte: KIISEL (2013, p. 29). A peça final deve ter estética parecida com a Figura 13, e você pode utilizar um tecido leve e assim criar um efeito de movimento na peça, além é claro de poder bordar e ornamentar a peça conforme seu desejo. FIGURA 13 – PEÇA FINAL SIMÉTRICA Fonte: KIISEL (2013, p. 30). 92UNIDADE IV Modelagem Criativa O volume de tecido franzido para a peça dependerá de sua vontade, assim como o comprimento que pode ser curto, mediano ou longo, e assim você pode diversificar o modelo e criar novas possibilidades. Use a Criatividade!!! REFLITA Deixe seu cérebro buscar referências, memórias boas ou ruins, conexões com o que você faz ou deseja fazer. Fonte: Anjos (2020). 93UNIDADE IV Modelagem Criativa 3. MODA CONCEITUAL O designer de moda precisa ter um vasto conhecimento sobre as mais variadas áreas, pois é por meio desses conhecimentos e criando diferentes conexões que a ino- vação surge, e assim a moda se renova enquanto fenômeno mutável e efêmero que é. Nesse universo de possibilidades surge uma vertente da moda que explora a criatividade, a manipulação de diferentes materiais combinados de forma inusitada, e também valoriza os questionamentos que podem ocorrer no universo fashion, esses produtos são chamados de “Conceituais”, ou de “Moda Conceitual”. Assim afirma Udale (2014): A tendência começou com os designers japoneses e também alguns desig- ners belgas adotaram tal estética. Martin Margiela foi um deles; trabalhando com uma linha conceitual para que suas roupas parecem feitas à mão, não feitas de fabricação em massa. A desconstrução aplicada e a reciclagem em suas coleções. O jeans rasgado e customização aprovada para constituir o mainstream da estética conceitual nas peças. (UDALE, 2014, p. 09). A moda conceitual pode ser uma excelente ferramenta para exercitar possibilidade em termos de modelagens e de testes criativos para desenvolver peças únicas e com apelo estético. Veja um exemplo na Figura 14: 94UNIDADE IV Modelagem Criativa FIGURA 14 – LOOK DESTROYED Fonte: UDALE (2014, p. 22). O designer que opta por trabalhar com a moda conceitual, deve compreender que o foco está na poesia, na imagem, nas referências e na estética única, diferenciada, provocati- va e inovadora das peças. A linguagem autoral no processo de desenvolvimento de produtos conceituais sempre falará mais alto, ou seja, o designer transmite uma mensagem com a estética de suas peças, e o foco deixa de ser apenas o caráter comercial e a reprodução em série, para dar lugar a história por trás da peça, da marca e do profissional que a idealizou. Por meio do processo de manipulação de diferentes materiais é possível construir peças que tenham uma estética vanguardista, ou seja, que pareçam estar à frente do seu tempo. 95UNIDADE IV Modelagem Criativa FIGURA 15 – LOOK CAMADAS Fonte: UDALE (2014, p. 23). A moda conceitual usa de materiais e técnicas da modelagem tridimensional para ensaiar novas possibilidades e assim inovar nas linhas, formas e texturas que serão em- pregadas aos produtos. Muito se tem da tecnologia e dos avanços tecnológicos na área de maquinário, estamparia, impressão 3D, aviamentos e tecidos, e assim o designer tem inúmeras possibilidades para combinar técnicas e materiais no desenvolvimento de peças autorais e conceituais. FIGURA 16 – ESTAMPAS E TECIDOS Fonte: UDALE (2014, p. 49 e 60). 96UNIDADE IV Modelagem Criativa As formas que podem ser desenvolvidas usando a combinação de diferentes ma- teriais, pode criar volumes, e texturas únicas na peça a ser desenvolvida, de modo que um look conceitual cause impacto visual em um editorial de moda, um desfile ou em um palco como figurino de uma cantora. FIGURA 17 – LOOK CONCEITUAL Fonte: UDALE (2014, p. 76). Mas você pode estar se perguntando, a moda conceitual não é algo usável no dia a dia? A resposta é... depende. Existem designers que trabalham a moda conceitual de uma forma integrada com a usabilidade cotidiana, e assim os produtos apresentam estética inovadora, diferenciada, mas não extravagante, conforme o exemplo da Figura 18. 97UNIDADE IV Modelagem Criativa FIGURA 18 – MODA CONCEITUAL USÁVEL Fonte: UDALE (2014, p. 08). A usabilidade e os conceitos de Ergonomia e vestibilidade devem permanecer mesmo em produtos que tenham estética extravagante como é o caso de algumas peças conceituais. O designer deve sempre compreender que o processo de modelagem de uma vestimenta está pautado na relação da peça com o corpo do usuário e este processo deve proporcionar conforto e segurança a quem está vestindo a peça. A moda conceitual é uma vertente a ser explorada e a criatividade é a mola propulsora para trabalhar as modelagens nesse segmento de mercado. 98UNIDADE IV Modelagem Criativa 4. MODELANDO POSSIBILIDADES O conhecimento sobre as variantes e possibilidades para manipular os tecidos de forma criativa e assim estruturar peças do vestuário, faz com que a técnica de mode- lagem tridimensional seja um vasto campo a ser explorado, pois são inúmeras as formas de drapear um tecido sobre o corpo e assim formar uma peça de roupa. O designer tem, portanto, a missão de articular a técnica combinada com a estética a fim de conseguir um resultado que valorize a silhueta do cliente, bem como proporcione conforto e segurança conforme afirma Udale (2014): Do ponto de vista estético, é necessário considerar como o tecido é dra- peado, seu caimento, textura, cor, padrão ou qualquer outro aspecto de sua superfície. Devemos também pensar sobre sua função: o tecido tem que es- tar em conformidade com o corpo. Deve possuir qualidades proteger, talvez contra chuva ou frio? (UDALE, 2014, p. 08). Esse olhar técnico combinado com a sensibilidade estética do designer possibilita a criação de um produto de moda que atenda às necessidades do público-alvo da marca para a qual o designer trabalha. Desta forma, pensar em como os tecidos se comportam e em como podemos reorganizá-los sobre o corpo para criar um produto novo, é o que faz da modelagem tridimensional uma técnica interessante e criativa. A seguir, você verá algumas possibilidades para reestruturar as bases vistas na unidade II e assim combinar com outras referências criando peças diferentes. 99UNIDADE IV Modelagem Criativa A Figura 19 apresenta um modelo de decote drapeado, e você pode aplicar esse modelo nas mais variadas peças, considerando os mais variados tecidos. Com a manipu- lação da base para desenvolver o decote drapeado, em cada tipo de tecido você terá um resultado diferente. FIGURA 19 – DECOTE DRAPEADO Fonte: Silveira (2017, p. 49). Ao criar esse efeito no decote, você precisará dar acabamento, que pode ser por meio de um revel, ou de uma faixa que contorne o pescoço como se fosse um cós; você pode, ainda fazer essa faixa maior e criar um laço, valorizando ainda mais o design da peça. Como estamos falando de uma peça simétrica, você modela apenas um lado do manequim e depois espelha o molde para ter os dois lados iguais. Observe na Figura 20, que a pence de cintura se mantém e você alonga a linha de decote, de modo que a linha de ombro se desloca, e ao franzir o tecido você conseguirá que a linha de ombro volte para o local correto. 100UNIDADE IV Modelagem Criativa FIGURA 20 – MOLDE DO DECOTE DRAPEADO Fonte: Silveira (2017, p. 50). Outro processo interessante e válido para criar peças na técnica de modelagem tridimensional é o desenvolvimento de lapelas, ou seja, aberturas que se encontram na parte frontal do busto e que tenham um caimento de tecido conforme as possibilidades apresentadas na Figura 21. FIGURA 21 – LAPELAS Fonte: Silveira (2017, p. 54). Cada uma das linhas apresentadas em cores diferentes na lapela é um modelo ou formato que a lapela pode ter ao ser trabalhadaem um produto de moda. No caso do desenvolvimento do molde para lapelas, a base da blusa é manipulada de modo que haja tecido extra para a lapela e também haja tecido para o transpasse, pois no caso desse modelo temos os botões. Observe na Figura 22 que o tecido está além da linha de eixo central, assim como também há mais tecido na altura da lapela. 101UNIDADE IV Modelagem Criativa FIGURA 22 – MOLDE BASE DE LAPELA Fonte: Silveira (2017, p. 54). Para que haja acabamento em uma peça com lapela, você deve trabalhar com um revel de modo a garantir que avesso e direito da peça fiquem esteticamente bonitos e bem acabados. Assim, o revel de uma lapela, para lhe dar estrutura, deve partir da linha de ombro e avançar por toda a frente da peça. Lembrando que a peça possui abertura frontal, então o revel deve estar tanto no lado direto como no lado esquerdo da peça, observe a Figura 23. FIGURA 23 – REVEL DA LAPELA Fonte: Silveira (2017, p. 54). Para entender como esse processo funciona, basta você observar uma lapela de blazer, observe que tanto a parte externa quanto interna da lapela são feitas sempre no mesmo tecido, para que a dobra da lapela fique em harmonia com o tecido da parte externa da peça. Mas você, aluno(a) pode explorar a criatividade e fazer o revel da lapela em outras cores, trabalhando combinações cromáticas, diferentes texturas ou diferentes materiais. 102UNIDADE IV Modelagem Criativa CONSIDERAÇÕES FINAIS Chegamos ao fim de nossa última unidade do material didático sobre modelagem tridimensional. Nesse encontro, foi possível observar algumas nuances que envolvem o processo criativo, combinado com a técnica de modelagem tridimensional e como você aluno pode explorar essas possibilidades no desenvolvimento de produtos de moda por meio da técnica tridimensional de manipulação de tecidos. Primeiramente, observamos algumas possibilidades para o desenvolvimento de vesti- dos e como podemos combinar bases de saias com bases de blusas para criar peças diferentes. Posteriormente, observamos como a história nos serve de arcabouço criativo para criarmos modelagens, e com materiais simples e formas básicas podemos desenvolver diferentes peças do vestuário. Em um terceiro momento, apresentamos a você o que é a moda conceitual e como a modelagem tridimensional pode ser uma forma criativa de desenvolvimento de produtos que tenham apelo estético e sejam vanguardistas. Para finalizar nossa unidade você pode observar algumas possibilidades para explorar partes da modelagem e manipulá-las a fim de criar novos produtos e idealizar modelos que tenham personalidade. Encerramos aqui nosso conteúdo, bons estudos! 103UNIDADE IV Modelagem Criativa LEITURA COMPLEMENTAR O PROCESSO HÍBRIDO DAS TÉCNICAS DE MODELAGEM BI E TRIDIMENSIONAIS O processo híbrido de desenvolvimento de produtos trata da relação entre concei- tos e ferramentas que possibilitam, como resultado, a elaboração de uma etapa, processo ou produto que facilite o entendimento do design. Trata-se da “interação e formação de um pensamento único para a definição formal de um produto”, ou seja, da combinação de ideias que dão origem a uma meta única de projeto (RINALDI,2013, p.42). Assim, pode-se verificar que o Design é uma linguagem potencialmente híbrida, ou seja, uma linguagem, geralmente, composta por sistemas complexos e múltiplos, já que a concepção de um produto parte da utilização de diversos conceitos, técnicas, metodologias e ferramentas. Segundo o historiador James Laver (1996), toda construção de roupas se baseia em dois princípios: modelagem plana (modelagem bidimensional) e moulage (modelagem tridimen- sional). Nesse sentido, Duburg e Tol (2012, p.9) consideram que, na modelagem tridimensional, o ponto de partida para a construção do produto é o tecido, que é disposto em torno do corpo e fixado em pontos estratégicos. Já na modelagem plana, o corpo fica em primeiro plano, pois o molde é elaborado com base nas medidas do corpo do usuário, e o material é cortado de acordo com o molde, que representa as medidas de comprimento e largura. Nesse aspecto, a modelagem pode ser considerada uma ferramenta híbrida para o desenvolvimento de produtos do vestuário, já que utiliza várias técnicas e processos para a configuração dos moldes, em todas as fases de concepção do vestuário. Beduschi (2013), ao efetuar uma análise da modelagem do vestuário, salienta que: [...] a técnica denominada de modelagem híbrida é aquela em que os conteú- dos das técnicas básicas de modelagem plana e tridimensional são mescla- dos e alternados na exemplificação de como o molde é desenvolvido. É uma técnica recente e que possui traduzida para o português, somente uma obra (BEDUSCHI, 2013, p. 104). A obra citada pela autora é Pattern Magic, de Tomoko Nakamichi (2007), que propõe uma nova configuração de modelagem e apresenta, de forma detalhada, como uma relação entre as técnicas de modelagem plana e tridimensional pode contribuir para a elaboração de produtos de vestuário, com design inovador e diferenciado. Nakamichi (2007) relata a aplicação dessa técnica como ferramenta para a elaboração de modelagens mais comple- xas e com detalhes diferenciados. Fonte: BRITO, D. M; SPAINE, P. A. A; ANDRADE, R. R. O ensino da modelagem do vestuário sob as diretrizes do método de ensino Baseado em problema. Ensinar mode, Vol. 4, n. 1, p.180 - 197, 2594-4630, 2020. 104UNIDADE IV Modelagem Criativa MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Modelagem Industrial Feminina Autor: Cristina Rollim. Editora: Clube de Autores. Sinopse: As empresas de transformação, confecções do ves- tuário, buscam um diferencial para seu produto, tendo em vista a competitividade do mercado, e muitas vezes, esse diferencial está além do status social, quando se trata o que o usar, buscam na escolha aspectos como caimento da roupa, a vestibilidade, o con- forto e a funcionalidade, além da forma e tendências. A modelagem é essencial na contribuição para esse diferencial. O profissional capacitado na área de modelagem está em alta e muito disputado pelas empresas. Esta obra vem somar e contribuir na formação desse profissional e pretende mostrar, através de exemplos prá- ticos, detalhados e objetivos, o desenvolvimento da modelagem de peças do vestuário feminino. Iniciando pela construção das bases femininas (saia, corpo e calça), passando por diversas téc- nicas de modelagem (mangas, decotes, drapeados, golas, etc) e terminando com muitas interpretações de modelos (saias, blusas, camisetas, corseletes, vestidos, calças, chemisier, etc). FILME / VÍDEO Título: Dior e Eu Ano: 2014. Sinopse: O filme exibe o encantado universo da alta costura, especialmente da grife francesa, Christian Dior, sediada em Pa- ris. Além de mostrar os bastidores e como se dão os processos criativos, o documentário foca na construção da primeira coleção do estilista Raf Simons para a grife. É um belo exemplo de como cinema e moda podem se conectar para criar arte! 105 REFERÊNCIAS ABLING, B. Moulage, modelagem e desenho: prática integrada. Bina Abling, Kathleen Ma- ggio (org.). Trad. Claudia Buchweitz. Porto Alegre: Bookman, 2014. ANJOS, N. O cérebro e a moda. São Paulo: Editora Senac, 2020. COSGRAVE, B. História da indumentária e da moda: da antiguidade aos dias atuais. Bar- celona: Gustavo Gili, 2000. CRAWFORD, Connie Amaden. Confección de moda volume I Técnicas básicas. Barcelona, Gustavo Gili, 2014. DUARTE, S. MIB - Modelagem Industrial Brasileira: tabelas de medidas. Rio de Janeiro: Guarda Roupa, 2012. GRAVE, M. F. A modelagem sob a ótica da ergonomia. São Paulo: Zennex Publishing, 2004. HEINRICH, D. P. Modelagem e técnicas de interpretação para confecção industrial. Novo Hamburgo: Feevale, 2005. IIDA, I. Ergonomia, projetos e produção. São Paulo: Edgar Blücher Ltda, 2005. KIISEL, Karolyn. Draping the complete course. Laurence King: London, 2013. LAVER, J. A roupa e a moda: uma história concisa. Tradução: GlóriaMaria de Mello Carva- lho. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. MARTIN, Rosie. Costura sin patrones. Barcelona, Gustavo Gili, 2016. MOTTA, M. G. H: MARTINS, L. R. O papel do modelista na criação de produtos do vestuário. 4º congresso brasileiro de Iniciação científica de design e Moda- UNESP. Bauru, SP, 2017. SILVEIRA, I. Modelagem tridimensional - Moulage. Universidade Estadual de Santa Catari- na - UDESC: Florianópolis, 2017. 106 SMITH, A. Costura passo a passo: mais de 200 técnicas essenciais para iniciantes. São Paulo: PubliFolha, 2012. SOARES, Inês Sarto. Modelagem Tridimensional. Maringá: UniCesumar, 2016. UDALE, J. Diseno textil tejidos y técnicas. Barcelona, Gustavo Gili, 2014. 107 CONCLUSÃO GERAL Caro aluno (a), chegamos ao fim de nossa jornada no universo da Modelagem Tridi- mensional. Esperamos que você tenha aproveitado cada linha deste material, e ressaltamos que esse foi apenas o início de sua jornada no mundo design, pois a cada novo projeto com o qual você se deparar, as técnicas de modelagem podem ser revisitadas e você pode combiná-las de formas diferentes para trazer personalidade a seus produtos de moda. Em cada uma de nossas unidades do material didático, apresentamos os princípios básicos que norteiam a técnica de modelagem tridimensional. Na Primeira unidade, tratamos sobre os conceitos históricos referentes a modelagem tridimensional e a apresentamos os materiais básicos que você precisa ter para executar a técnica. Na Segunda unidade, a intenção foi a de trazer para você as ferramentas que auxiliam no desenvolvimento de produtos de moda que vestem a parte superior do corpo, ou seja, você conheceu o processo de modelagem de Tops. Em nossa Terceira unidade, o intuito foi apresentar a você as possibilidades criati- vas por meio das ferramentas úteis para o desenvolvimento de peças que vestem a parte inferior do corpo, ou seja, os Bottons. Por fim, finalizamos nosso material conhecendo as aplicabilidades por meio de alguns cases para o desenvolvimento de vestidos, e compreendendo as possibilidades por meio da moda conceitual. Após conhecer todos esses elementos ligados ao processo de Modelagem Tridi- mensional, tenho certeza de que você será capaz de desenvolver com maestria os melhores projetos de produtos do vestuário. Desejo sucesso em sua jornada, e continue pesquisando as possibilidades e os processos de modelagem! +55 (44) 3045 9898 Rua Getúlio Vargas, 333 - Centro CEP 87.702-200 - Paranavaí - PR www.unifatecie.edu.br UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional UNIDADE II Modelagem Base de Tops UNIDADE III Modelagem Base de Bottons UNIDADE IV Modelagem Criativade um produto e moda, para que assim possa trabalhar em parceria com o modelista, or- ganizando as melhores estratégias e soluções para desenvolver um produto, ergonômico, funcional e que tenha apelo estético e atenda aos anseios do público consumidor. Quando falamos de modelagem tridimensional, estamos considerando as técni- cas de modelagem utilizadas nas indústrias de confecção, de modo que o produto seja desenvolvido utilizando como base um corpo humano, ou no nosso caso, utilizando um manequim. Assim o processo de modelagem tridimensional atua no desenvolvimento de um produto que considera primordial a volumetria do corpo humano e como o tecido se comporta sobre esse corpo. Bons Estudos!!! 5UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 1. ASPECTOS HISTÓRICOS DA MODELAGEM O ato de cobrir o corpo, é algo que caminha em paralelo com a história do homem em si. Na Pré-história, o homem compreendeu que a utilização de peles de animais servia como proteção para o corpo. Percebeu que, se tais couros animais fossem maleáveis, a mobilidade seria maior e assim seria possível se proteger do clima e de predadores, bem como ainda conseguia correr, escalar e se movimentar conforme nos narra Cosgrave (2000): O ajuste da roupa ao corpo, seja ela uma pele de animal ou um tecido primiti- vo, feito de fibras naturais, se baseia na reflexão e no processo de proteção, que aos poucos ganhou status social, assim como a montagem de um guar- da-roupa de hoje requer. O modo como uma pessoa escolhe suas roupas é parte de sua caracterização como indivíduo ou como parte de um determina- do grupo (COSGRAVE, 2000, p. 07). Com o passar do tempo e o desenvolvimento das civilizações, o homem passou a criar mecanismos para trabalhar matérias primas e transformá-las em materiais têxteis, a fim de proteger o corpo e posteriormente a moda passou a ser utilizada como elemento de distinção social. Veja um panorama com as principais características das vestimentas ao longo da história. 6UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional TABELA 1 - HISTÓRIA DA MODA Antiguidade Egito O tecido mais utilizado era o Linho, principalmente na cor branca. Cores como azul, vermelho, verde e dou- rado eram utilizadas como acessórios. As roupas eram enroladas sobre o corpo. Grécia Utilizavam o algodão e o Linho, a lã para o inverno. As roupas eram enroladas sobre o corpo, sendo compostas por um ou dois retângulos de tecido. Roma Inspirou-se nas formas de vestir dos Gregos. Utilizava maior quantidade de drapeados e cores mais fortes, com muitos bordados na barra do tecido. Idade Média Europa Aos poucos as roupas femininas e masculinas vão se diferenciando e fica estipulado que os homens usaram uma espécie de calção, enquanto a mulher usa saia. Bizâncio Cidade Europeia que fechou suas fronteiras e desenvol- veu uma maneira de vestir diferenciada, composta por muitas pedras preciosas e túnicas. Utilização de cores fortes e escuras como: verde, azul, vermelho, violeta. Idade Moderna Inglaterra No período do Renascimento, a Inglaterra lança moda. As mulheres usam saias amplas com cores fortes, espe- cialmente o vermelho. Já os homens valorizam o peito e os ombros. São usadas muitas pedras preciosas borda- das nas roupas. França No século XVII a França se torna a capital da Moda de- vido ao rei Luis XIV e a corte. Idade Contemporânea França A França lança a moda feminina, surgindo em 1850 o primeiro estilista Charles Fréderick Worth. No século XX as mulheres abandonam o espartilho. Inglaterra Torna-se a capital da Moda masculina. Especializada na alfaiataria. Fonte: Adaptado de: Laver (2001) O tecido tramado desde o Egito antigo, aos poucos ganha forma e se torna um produto vestível, conhecido como roupa, ou indumentária. A roupa enquanto produto, foi sendo modificada ao longo do tempo, e tais mudanças tinham relação íntima com a cultura e o estilo de vida de cada povo. 7UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional FIGURA 1 - VESTIMENTAS GREGAS, ROMANAS E EGÍPCIAS Mas um processo não sofreu alteração, trata-se do fato de que o tecido ainda pre- cisa estar envolto ao corpo. É nas civilizações gregas e romanas que vemos o trabalho das técnicas de modelagem tridimensional com maior ênfase, em que os drapeados do tecido, formam as peças. FIGURA 2 - TRAJES GREGOS E ROMANOS Fonte: Cosgrave (2000). O ato de moldar o tecido no corpo, prendendo as partes com broches, alfinetes ou agulhas, ainda rústicas, era parte da cultura grego romana. E os princípios da modelagem tridimensional, se encontram justamente nesse processo de modelar os tecidos, acomo- dando-os sobre o corpo de modo a formar uma peça de roupa. A roupa sempre conectou dois elementos essenciais, tecido ou matéria prima e o corpo. Essa combinação foi explorada das mais variadas formas e teve inúmeras variações conforme o tempo e a cultura de cada época. Mas é na década de 1930 que a estilista Madeleine Vionnet traz com ênfase às técnicas de manipulação do tecido diretamente no corpo, e assim a modelagem tridimensional também conhecida como moulage ganha des- taque no universo da moda. 8UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional SAIBA MAIS Madeleine Vionnet – A visionária, revolucionária e perfeccionista das formas Madeleine Vionnet foi integrante de um seleto grupo de estilistas, em sua maioria franceses, que protagonizaram uma verdadeira reinvenção da maneira como as mulheres se vestiam no início do século XX. Muito embora Gabrielle Chanel reivindique a iniciativa de haver libertado as mulheres dos corsets e tenha sido celebrizada por essa conquista, registros históricos dão conta que existem outras (os) que disputam essa autoria: Paul Poiret, o espanhol Mariano Fortuny e a própria Madame Vionnet para quem os princípios de movimento, liberdade, proporção, e verdade eram fundamentos incontornáveis na busca de uma nova femini- lidade baseada na experimentação e independência. Fonte: DIÁRIO Induscom. Madeleine Vionnet – A visionária, revolucionária e perfeccionista das formas. 2020. Disponível em: https://www.diarioinduscom.com.br/madeleine-vionnet-a-visionaria-revolucionaria- -e-perfeccionista-das-formas/. Acesso em: 19 set. 2021. FIGURA 3 - AJUSTES DA ROUPA NO CORPO Fonte: KIISEL (2013, p. 08). https://www.diarioinduscom.com.br/madeleine-vionnet-a-visionaria-revolucionaria-e-perfeccionista-das-formas/ 9UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional Com o passar do tempo, as técnicas de modelagem tridimensional foram sendo aprimoradas e valorizadas cada vez mais, principalmente por estilista que desfilam na Alta Costura parisiense. O processo de desenvolvimento de produto diretamente no manequim, permite maior assertividade e valorização do biotipo do cliente, além de evitar ajustes e retra- balho, pois permite a alteração de detalhe no momento de desenvolvimento da peça em si. Jones (2005, p. 36) define moulage como “ajustar um tecido (musselina ou morim) diretamente no manequim do tamanho apropriado ou no próprio corpo da pessoa”. Seu nome em francês tem como tradução moldar, modelar, no caso, sobre um corpo ou manequim. A moulage, no Brasil, é mais conhecida como modelagem tridimensional, por representar as reais medidas de um corpo. Na Figura 4, podemos ver o estilista Yves Saint Laurent manipulando um tecido sobre um manequim, processo que envolve o ato de modelar uma peça de roupa. FIGURA 4 - YVES SAINT LAURENT E A MOULAGE Fonte: KIISEL (2013, p. 08). A modelagem tridimensional é um processo que envolve técnica e criatividade, e as possibilidades são as mais diversas, desde que haja entendimento sobre o tecido que será utilizado, bem como domínio sobre as linhas de marcação técnica do manequim. O produto resultado das técnicas de Modelagem Tridimensional é rico em personalidade e se torna primordial por envolver o fazer manual de manipulação dos tecidos, é uma técnica valiosa paraa formação em moda. 10UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 2. CONHECENDO OS MATERIAIS Para trabalhar as técnicas de Modelagem Tridimensional, o designer precisa en- tender quais são os materiais utilizados no decorrer do processo, compreender a diferentes fases de desenvolvimento do produto e assim poder explorar a criatividade no desenvolvi- mento de peças conceituais ou comerciais. FIGURA 5 - O ATELIÊ Fonte: Crawford (2014). 11UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional O ateliê conforme a Figura 5 nos apresenta, é o espaço de trabalho do designer, nesse caso em específico é onde o designer irá transformar seus croquis em produtos de moda, confeccionando a roupa com o auxílio de alguns materiais. É primordial que esse espaço de trabalho tenha alguns elementos: ● Boa iluminação; ● Bancada ou mesa espaçosa; ● Espaço para armazenagem; ● Manequim de modelagem ou busto técnico; ● Máquina de costura (opcional). Esses elementos citados, são essenciais para que haja um espaço minimamente organizado, onde você, aluno (a), poderá exercitar as técnicas de Modelagem Tridimensio- nal com conforto, segurança e qualidade. Para trabalhar nesse espaço, é necessário também, utilizar materiais que ao longo de seu processo de desenvolvimento da modelagem serão úteis: FIGURA 6 - MATERIAIS PARA MODELAGEM Fonte: KIISEL (2013, p. 12). Na Figura 6, temos a primeira imagem com giz de alfaiate, ideal para marcar o tecido; Lápis para trabalhar as marcações ou realizar anotações; Carretilha utilizada para transpor a forma do tecido modelado para o molde em papel; Papel carbono colorido para trabalhar a transposição do molde em tecido para o molde em papel com auxílio da carreti- lha; linha e agulha para possíveis alinhavos. Na segunda imagem, temos um kit de réguas de modelagem, geralmente utilizados na técnica de modelagem bidimensional ou modelagem plana, as réguas servem para você aluno (a) conseguir retraçar as linhas do molde no momento da planificação, criando assim linhas retas ou curvas com maior exatidão. 12UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional FIGURA 7 - MATERIAIS PARA MODELAGEM 2 Fonte: KIISEL (2013, p. 13). Continuando na Figura 7, temos mais algumas réguas de modelagem, agora em ângulos retos, ideais para esquadrar o tecido e fazer as marcações iniciais na matéria prima antes de iniciar o processo de modelagem; Fita métrica, Lápis grafite e Tesoura. Na segunda imagem, temos os alfinetes que serão utilizados para fixar o tecido no manequim, e vários viés ou fitas de cetim, que são utilizadas para demarcar o manequim conforme o modelo que você irá desenvolver, para facilitar a etapa de acomodação do tecido. FIGURA 8 - TECIDO PARA MODELAGEM Fonte: KIISEL (2013, p. 13). O tecido utilizado para o processo de modelagem tridimensional deve ser um tecido plano, sem elastano, ou seja, deve ser um tecido com composição 100% algodão e que não estique. Geralmente utilizamos o Morim, Cretone e até mesmo o Tricoline, em algumas regiões você poderá encontrar esse tipo de tecido com o nome de Tela, ou Algodão Crú. A quantidade de tecido a ser utilizada dependerá do modelo de peça que você irá executar. A seguir, você entenderá o processo de marcação do manequim e posteriormente o processo de manipulação do tecido para trabalhar a modelagem. 13UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 3. MARCAÇÃO DO MANEQUIM Dentre as ferramentas essenciais para o desenvolvimento de um produto de moda por meio da técnica de modelagem tridimensional, sem sombra de dúvidas o item de maior relevância é o manequim. É com o manequim que você, aluno (a) terá a noção espacial e volumétrica do corpo humano, e assim poderá confeccionar o produto de moda. FIGURA 9 - MANEQUIM DE MODELAGEM Fonte: KIISEL (2013, p. 10). 14UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional Existem diversos modelos de manequim no mercado, e o visto na Figura 9 é chamado de manequim de saia, pois ele apresenta um alongamento de quadril e não há divisão na entre pernas. Mas você pode encontrar manequins que tenham pernas, ou ainda que tenham somente o busto chegando até a linha de quadril, e o resultado de modelagem será o mesmo. O aspecto mais importante de um manequim de modelagem é que ele seja acolchoado, ou seja, revestido com fibra acrílica ou tecido de modo que você consiga alfinetar as agulhas no manequim para a fixação do tecido no momento da modelagem. Para conseguir trabalhar com o manequim e confeccionar os produtos por meio da técnica de modelagem tridimensional, é ideal que se entenda da volumetria corporal, pois os princípios de vestibilidade, usabilidade e ergonomia devem ser trabalhadas no processo de desenvolvimento de um produto de moda. Crawford (2014) apresenta deta- lhes sobre esse processo: A primeira etapa na criação de um modelo consiste em examinar as pro- porções da silhueta junto com a gama de cores e tecidos. Devemos criar modelos que respondam a nossas inclinações criativas e sociais, já que um modelo transmite instantaneamente informações sobre o usuário para todos aqueles com quem ele se encontra. As vestimentas não devem ser apenas atraentes para os outros, mas devem transmitir autoconfiança; para atingir esses objetivos, é importante criar roupas que complementam e realçam a figura, então devemos determinar que tipo de modelos são atraentes e dar bons resultados para cada biotipo. (CRAWFORD, 2014, p. 62). Ao compreendermos as dimensões corporais, será possível trabalhar de forma assertiva o desenvolvimento do produto de moda, usando a técnica de manipulação de te- cidos no processo de Modelagem Tridimensional. A Figura 10 nos apresenta as dimensões de um corpo humano e como são chamadas as divisões para o dimensionamento da figura humana. Os conceitos e entendimentos sobre a Ergonomia e os estudos antropométricos, são fundamentais nesse processo de modelagem tridimensional. 15UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional FIGURA 10 - AS DIMENSÕES ERGONÔMICAS DA FIGURA HUMANA Fonte: Iida (2005). Após conhecermos as dimensões corporais, é válido ressaltar que cada marca de moda possui um público-alvo e desta forma é possível trabalhar com diferentes bioti- pos. No Brasil, temos uma mistura de raças muito grande devido às diversas culturas que colonizaram nosso país, desta forma existem pessoas que são mais baixas, outras mais altas, magros, gordos. O importante é entender que aqui estamos falando de uma estrutura padronizada, que é o manequim, mas você pode adquirir ou trabalhar com o manequim no tamanho que melhor se adequar a seu público-alvo, e se necessário, você poderá fazer ajustes nas peças por meio das técnicas de gradação de tamanhos, para atender uma gama maior de pessoas. Para conseguir projetar uma peça de roupa na técnica de Modelagem Tridimensio- nal, é necessário entender o processo de marcação do manequim e as medidas que envol- vem essa demarcação, pois são as linhas demarcadas em seu manequim que servirão de guia para o processo de acomodação dos tecidos no momento da modelagem. 16UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional REFLITA Linhas de construção são marcas posicionadas tanto no sentido horizontal como verti- cal, respeitando a linguagem do corpo humano. Tais linhas têm como função servir como pontos de referência fundamentais na execução da modelagem e minimizar a possibi- lidade de erro na peça final. Fonte: Grave (2010). FIGURA 11 - MEDIDAS DO CORPO Fonte: MARTIN (2016). 17UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional Segundo Martin (2016), podemos considerar as medidas conforme a Figura 11 seguindo as orientações: 1- Contorno do busto: é medido ao redor do corpo, na altura da parte proeminente do busto. 2- Contorno parte de baixo do busto: é medido ao redor do corpo, bem perto sob o busto, onde normalmente fica a parte inferior do sutiã.3- Circunferência da cintura: medida ao redor do corpo, na altura da parte mais estreita dele ou umbigo. 4- Quadril: medido em torno do corpo, ao nível da pelve, onde geralmente fica posicionado o cós da calça. 5- Contorno do quadril: medido ao redor do corpo, na altura da parte mais ampla dele, abaixo do quadril, sobre a parte mais larga das nádegas. 6- Largura dos ombros: medido a partir do final mais proeminente de um ombro e ao longo da nuca, até chegar ao extremo do ombro oposto. 7- Comprimento do braço até o cotovelo: é medido do mais extremo proeminente do ombro para o cotovelo. 8- Comprimento do torso ao quadril: é medido na frente, desde o ponto onde o pescoço encontra a linha do ombro, até o quadril. 9- Comprimento do tronco até a cintura: é medido a partir do ponto onde o pescoço encontra a linha do ombro, até a cintura. 10- Comprimento do tronco até a parte inferior do busto: medido do ponto em que o pescoço encontra a linha do ombro, passando por cima a curva do busto, até a linha sob o busto. 11- Comprimento do tronco até o umbigo: é medido a partir do ponto onde o pescoço encontra linha do ombro, cruzando diagonalmente o corpo, até o umbigo. 12- Comprimento da saia: medidas da cintura para o meio do joelho. 13- Comprimento da cintura ao quadril: mede-se da cintura para ancas. A sequência de medidas é a base para que você, aluno (a), faça a marcação de seu manequim, respeitando cada linha a ser demarcada conforme as orientações descritas na figura 12. 18UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional FIGURA 12 - LINHAS TÉCNICAS DE MARCAÇÃO DO MANEQUIM Fonte: ABLING (2014). Segundo Soares (2016) o processo de marcação do manequim deve ser feito seguindo vários passos, com a fita de cetim em mãos, preferencialmente uma fita estreita, e você irá usar a fita métrica e demarcar todo seu manequim, com as linhas técnicas alfi- netando a fita de cetim com os alfinetes para demarcar todo seu manequim. Assim você terá as marcações básicas já estruturadas em seu manequim para execução de qualquer modelo de peça. Siga os passos apresentados por Soares (2016, p. 35 e 36) e marque o seu manequim, suas linhas devem ficar conforme a Figura 12. 19UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional ● Linha de eixo centro frente: primeiro, meça com uma fita métrica à distância da cava direita até a cava esquerda passando pela frente, com um giz marque a metade da distância. Em seguida, faça o mesmo processo medindo, entre os seios. Após isso, aplique a fita de cetim desde a base do pescoço até o final do manequim. ● Linha de eixo centro costas: meça a distância da cava esquerda até a cava direita, divida este valor ao meio e marque com giz. Meça também a metade das costas na região da omoplata, dívida também essa medida e marque com giz. Com os dois pontos marcados, você pode passar a fita de cetim iniciando na primeira vértebra e no meio da omoplata até o final do manequim. ● Linha do ombro: comece medindo com o ponto (0) zero da fita métrica, iniciando pelo mamilo, vá em direção às costas passando a fita no meio do ombro até a linha do busto costas, com a medida encontrada dividida ao meio e acrescente 2 cm. Com essa medida, coloque o ponto (0) zero da fita métrica na linha de busto nas costas e passe a fita pelo meio do ombro, onde der o valor marque com giz. Em seguida, coloque a fita de cetim no ombro. ● Circunferência do Busto: contorne o corpo na altura do busto, na maior parte desta circunferência. Pegue a fita de cetim e abrace toda a circunferência na altura do busto, passando pelos mamilos, deixando-a bem paralela ao chão, fixe com alfinetes. ● Circunferência da Cintura: acomode a fita de cetim ao redor da parte mais es- treita da cintura e fixe com alfinetes. ● Circunferência do Quadril: contorne o corpo na altura dos glúteos, ou seja, na parte mais saliente do quadril. A altura do quadril (cintura até a junção da perna) varia de uma pessoa para a outra, medindo entre 18 cm e 22 cm em média. ● Costura lateral: meça a distância entre o centro frente e o centro costas nas linhas do busto, da cintura e do quadril. No busto, você marca a metade e adicio- na 1 cm para trás, na cintura faça a mesma coisa, mas acrescente 0.5 cm para as costas. Na marcação do quadril apenas marque na metade sem acréscimo, agora com os 3 pontos marcados passe a fita paralela ao eixo central. ● Circunferência do pescoço: Circule a fita de cetim ao redor do pescoço, na junção do pescoço com o tronco, posicione a fita em toda circunferência do pescoço e alfinete. ● Cava: faça uma leve “concha” (conforme Figura 13) com a mão e mantenha o dedão para frente do manequim e o dedinho para as costas do manequim. Na altura de baixo do braço, marque 3 cm acima da linha do busto, na axila. Vai contornando com o giz a sua mão. Com isso, sua mão servirá de base, cava tanto no lado direito como no lado esquerdo do corpo. 20UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional FIGURA 13 - MARCAÇÃO DE CAVA Fonte: ABLING (2014). Esse foi o processo de marcação das linhas técnicas de seu manequim, agora seu material está pronto para receber o tecido e iniciar as modelagens. Ressaltamos que a técnica de Modelagem Tridimensional trabalha com produtos para o vestuário feminino, justamente por considerar a volumetria do corpo feminino mais complexa. Peças do ves- tuário masculino são comumente trabalhadas na técnica de modelagem bidimensional ou modelagem plana. 21UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 4. COSTURA MANUAL Ao trabalharmos com a técnica de Modelagem Tridimensional, é importante com- preender o manuseio do tecido, pois você, aluno (a) irá trabalhar com o tecido diretamente no manequim, para então formar o produto de moda, Crawford (2014) explica a importância do entendimento sobre os tecidos: O esquadrejamento garante que a trama e o urdume formem ângulos retos entre si. Uma vestimenta acabada deve estar corretamente aprumada; por tanto, é importante examinar o tecido antes de cortá-lo para determinar se o sentido do fio está torto. (CRAWFORD, 2014, p. 64). O tecido é uma composição que pode apresentar os mais variados tipos de ligamen- tos, e no caso dos tecidos planos, utilizados para a técnica de modelagem tridimensional o ligamento é envolve o entrelaçamento de fios de trama e fios de urdume. FIGURA 14 - FIO DE URDUME Fonte: Crawford (2014). 22UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional Conforme você pode observar na Figura 14, o fio de urdume percorre todo o compri- mento do tecido, trata-se de um fio contínuo. Para a construção de um produto de moda, é essencial que o caimento da peça seja trabalhado no sentido do fio de Urdume, assim, você terá um caimento natural, respeitando o processo de tecelagem da matéria prima. Nas laterais dos tecidos, temos sempre a ourela, uma borda onde há o acabamento do tecido que foi tramado, a ourela facilita o entendimento de onde se encontra o fio de Trama e o fio de Urdume. FIGURA 15 - FIO DE TRAMA Fonte: Crawford (2014). O fio de Trama se localiza no sentido da largura do tecido, é ele quem faz a ligação entre as duas extremidades do tecido, ou seja, ele liga as duas ourelas do material. As peças de roupa devem preferencialmente utilizar o sentido da Trama como sendo a largura, por exemplo, ao desenvolver um cós de uma saia por exemplo a medida da circunferência de cintura que formará esse cós deve ser posicionada no mesmo sentido do fio de Trama, pois é nesse sentido que o tecido pode esticar levemente, para uma melhor acomodação do cós no corpo. FIGURA 16 - SENTIDO DO VIÉS Fonte: Crawford (2014). 23UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional Você também pode utilizar o tecido respeitando o sentido do viés, ou seja, tra- balhando com o tecido na angulação de 45 graus, conforme a Figura 16 apresenta. Ao trabalhar com o posicionamento do tecido nesse sentido,você terá um caimento elegante, formando pequenas ondas, conforme trabalha Madeleine Vionnet em suas criações, esse efeito é ideal para saias e vestidos de festa, mas pode ser utilizado em mangas e em outras partes de peças conforme a sua criatividade. A manipulação e o posicionamento correto do tecido implicarão na vestibilidade da peça final, por isso, é importante conhecer o sentido dos fios e como eles se comportam, inclusive para que você possa futuramente explorar as possibilidades de usar os sentidos invertidos e criar peças com design diferenciado. REFLITA “Modelagem é mais parecida com engenharia do que qualquer outra coisa. É encontrar os limites do que você pode fazer ao envolver o corpo em tecido. Tudo evolui. Nada está rigidamente definido”. Fonte: John Galliano (2004). FIGURA 17 - SENTIDO DOS FIOS Fonte: Udale (2014). 24UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional Na Figura 17, temos na primeira imagem a representação do sentido de Trama e de Urdume, em que o rasgo do tecido indica a Trama, geralmente os tecidos rasgam com maior facilidade no sentido da Trama, e esse é um recurso que você pode utilizar para esquadrar seu tecido, caso ele esteja cortado errado. Já a segunda imagem, representa o movimento do sentido do viés, cujo o tecido na diagonal de 45 graus apresenta leve capacidade elástica, mesmo sendo um tecido sem elastano. Após conhecer cada parte que compõe o tecido, você, aluno (a) precisa conhecer alguns processos que envolvem as técnicas de costura manual. Pois muitas vezes será necessário trabalhar alguns detalhes no desenvolvimento do produto, e assim a costura manual pode lhe auxiliar. Veja alguns processos conforme Crawford (2014). 4.1 Ponto de bainha O ponta da bainha, também conhecido como ponto picado, é um ponto discreto e durável que costuma ser utilizado no acabamento à mão de uma bainha ou um zíper. 1. Vamos costurar a roupa tomando alguns fios do tecido. 2. Vamos dar outro ponto a cerca de 6 mm da borda da bainha. 3. Continuaremos costurando, iniciando o ponto na roupa e terminando na borda da bainha, até terminar de pregar a bainha. FIGURA 18 - PONTO BAINHA Fonte: Crawford (2014). 4.2 Ponto pé de galinha ou cruz O ponto pé de galinha ou cruz é um pesponto feito à mão com pontos curtos que são dados, alternadamente, direita e esquerda formando, portanto, uma densa fileira de pontos de cruz. 1. Vamos dar um pequeno ponto na direção horizontalmente na roupa, da direita para esquerda, perto da borda da bainha. 2. Vamos colocar um fio da vestimenta na direção diagonal, abaixo e à direita do primeiro ponto. 3. Continuaremos costurando de acordo com isso ziguezagueando para terminar a bainha. 25UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional FIGURA 19 - PONTO PÉ DE GALINHA Fonte: Crawford (2014). 4.3 Ponto escondido ou invisível O ponto escondido ou invisível é um pesponto manual invisível usado para prender as partes trabalhadas. Conforme você desliza a agulha uma dobra do tecido em cada ponto, a linha fica escondida. 1. Daremos um ponto pequeno e discreto na peça. 2. Vamos dar outro ponto na diagonal na borda da bainha. 3. Vamos continuar costurando, dando um pequeno ponto na roupa seguido por outro ponto na borda da bainha, de modo que o ponto termine embaixo, e fique escondido. FIGURA 20 - PONTO INVISÍVEL Fonte: Crawford (2014). O processo de costura manual, auxilia você, aluno (a) a trabalhar detalhes no mo- mento em que confeccionar os produtos de moda, bem como, facilita acabamentos, mesmo que você utilize a máquina de costura. 26UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional CONSIDERAÇÕES FINAIS Caro(a) aluno(a)! Chegamos ao final desta unidade. No decorrer de nossa primeira unidade sobre o universo da Modelagem Tridimensional, a intenção foi apresentar os prin- cipais aspectos da técnica, e quais são as referências basilares que você precisa ter para adentrar o universo criativo da modelagem tridimensional. O ato de modelar é, além de criativo, um processo extremamente técnico, e o intui- to deste primeiro contato foi apresentar a você, futuro designer de moda, uma introdução sobre o processo de execução do produto projetado, que pode ser confeccionado por meio desta técnica. Existem dentro do processo de modelagem várias técnicas também viáveis e todas com o mesmo grau de importância, mas nosso foco aqui, é evidenciar e explicar os processos da Modelagem Tridimensional e como executar a modelagem de peças de vestuário utilizando o manequim técnico. O conhecimento sobre essa técnica enriquece o seu repertório enquanto designer em formação com conhecimentos imprescindíveis de anatomia do corpo humano combina- do com a manipulação de materiais têxteis. Isso é muito importante para os profissionais da moda, pois esse conhecimento vai facilitar a aplicação da técnica ao desenvolver peças com equilíbrio em relação à simetria e assimetria do mesmo, valorizando os diferentes biotipos femininos existentes. Portanto, é muito importante que você, profissional de moda, construa corretamen- te e conheça os instrumentos e possibilidades para a confecção dos produtos de moda, pois só assim você terá garantia de qualidade nas suas modelagens. Os conhecimentos de Modelagem Tridimensional se destacam como método essencial durante o processo de criação, e a técnica é cada vez mais valorizada no mundo da moda, justamente por envolver a exclusividade de um modelo feito sob medida. 27UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional LEITURA COMPLEMENTAR Modelagem tridimensional (moulage) na indústria do vestuário Moulage, literalmente moldagem em francês, é ajustar um tecido diretamente ao manequim no tamanho apropriado ou no próprio corpo da pessoa. Quando a forma e o tamanho estão corretos, o tecido é removido e copiado em papel, adicionando as costuras. Utiliza-se também a moulage – também conhecida como draping – para peças trabalhadas em viés, porque permite moldar o tecido na forma do corpo e visualizar como a roupa se movimenta. O tecido pode ser controlado e com ele faz-se a escultura da peça. De acordo com Saltzman (2004), traçar as linhas construtivas na modelagem é decidir onde a peça se aproxima ou se afasta do corpo, onde ela cria volume ou aderência e definir que tipo de peça se busca, através da caracterização da superfície de planos, por suas qualidades têxteis e por união. A autora ainda ressalta que os planos construti- vos surgem da anatomia e estabelecem diferentes exigências de proteção e mobilidade. Portanto, a moulage torna o produto viável, usável e funcional. Melhora a produção dentro da indústria, por proporcionar a visualização do produto antes da montagem do protótipo, podendo transmitir o caimento, volume e forma desejados. Segundo Souza (2006), a visualização da tridimensionalidade do produto efetiva- mente permite a avaliação imediata das questões de vestibilidade, e essa avaliação se processa num intervalo de tempo relativamente curto, tendo em vista a multiplicidade de elementos envolvidos e as contribuições positivas desse resultado para o processo. Ainda segundo a autora, a grande vantagem da técnica tridimensional é a possibilidade de se trabalhar as técnicas de criação e materialização de modo simultâneo. COMPARAÇÃO E CRITÉRIOS ESTABELECIDOS DAS DUAS TÉCNICAS DE MODELAGEM “A modelagem se apoia nos planos do corpo. Para a execução de um modelo, é necessário atuar com auxílio dos planos, dos eixos e das linhas secundárias e terciárias, conforme as exigências específicas” (GRAVE, 2004, p. 54). Segundo Radicetti (1999), as empresas apresentam dificuldades para dimensionar seus problemas e adequá-las aos seus clientes, o que provoca perda, já na preparação dos moldes-piloto. Algumas indústrias chegam a montar até três protótipos para aprovar um 28UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional único modelo. Nesse caso, procedea constatação de Péclat (2000) de que a modelagem plana mais comumente usada nas indústrias de confecções do vestuário possui limitações quanto à eficiência, devido ao fato de traçar moldes em duas dimensões (altura e largura) para recobrir as formas do corpo, que são tridimensionais. A moulage, diferentemente da modelagem plana, favorece a visualização da evolu- ção do modelo, desde o início até o produto final, pois esse processo permite a verificação das possibilidades de construção, alterações ou mudanças do modelo (SOUZA apud PÉ- CLAT E FIGUERAS, 2006). Aprimorar a técnica e o conhecimento das medidas no manequim possibilita ao designer o desenvolvimento do desenho técnico em escala, facilitando o trabalho do mode- lista. Embora o draping seja a forma ideal de desenvolver ideias e criar novas silhuetas, às vezes é combinado com modelos planos. Essa abordagem combinada é especialmente útil, quando as variações sobre uma silhueta evidenciadas são produzidas. “A moulage é vista, portanto, como uma alternativa para a modelagem plana, ou mesmo como mais uma técnica para auxiliá-la no produto criado”. (SOUZA, 2006, p.99). Vale ressaltar que a modelagem tridimensional ainda enfrenta a resistência de muitos mo- delistas das indústrias de confecção que, habituados ao desenho e à modelagem plana, têm dificuldades para criar utilizando a moulage. Fonte: BORBAS, M. C.; BRUSCAGIM, R. R. Modelagem plana e tridimensional – moulage – na indústria do vestuário. Rev. Ciên. Empresariais da UNIPAR , Umuarama, v. 8, n. 1 e 2, p. 155-167, jan./dez. 2007. 29UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional MATERIAL COMPLEMENTAR LIVRO Título: Tecnologia em Produção de Vestuário Autor: Flávio Sabrá Editora: SENAI-CETIQT Sinopse: O livro foi revisado e ampliado para a 2ª edição e trata de diferentes aspectos que caracterizam, contextualizam e proble- matizam as questões do modelar na contemporaneidade. Os capí- tulos tratam do Processamento Têxtil (mercado, processo têxtil e de confecção), do Corpo (o estudo da antropometria e ergonomia, medidas do corpo, construção da modelagem, normas e medidas), do Gerenciamento de Produto (projeto de coleção, definição da capacidade produtiva, custos). Apresenta ainda um importante glossário anatômico que localiza e aponta os diferentes pontos do corpo que devem ser considerados para medição. Livro realizado em parceria com o SENAI-CETIQT. FILME / VÍDEO Título: Maria Antonieta Ano: 2006 Sinopse: Maria Antonieta conta a história da princesa austríaca e como ela conseguiu viver em meio às disputas territoriais e escân- dalos. O longa mostra um universo da moda do século XVIII, com destaque para os vestidos estilo rococó, tecidos de seda e cabelos volumosos. Em 2007, o filme chegou a ganhar o Oscar de melhor figurino. 30 Plano de Estudo: ● Base de Blusa I; ● Base de Blusa II; ● Manipulação de pences; ● Técnicas de Acabamentos. Objetivos da Aprendizagem: ● Entender o processo de desenvolvimento de blusas femininas; ● Compreender os tipos de pences e suas possibilidades; ● Conhecer os processos de acabamento para peças modeladas. UNIDADE II Modelagem Base de Tops Professor Me. Dênis Martins de Oliveira Professora Me. Floriza Taira Otto 31UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 31UNIDADE II Modelagem Base de Tops INTRODUÇÃO Olá aluno(a) nesta unidade, será possível obter conhecimento de como trabalhar com os tipos de modelagens base para elaboração de blusas, ou seja, os Tops como conhecemos na categorização de produtos de moda. É válido reforçar que a técnica de Modelagem Tridimensional envolve a construção de peças voltadas para o segmento fe- minino, uma vez que o corpo feminino apresenta maior volumetria e sinuosidade do que o corpo masculino. Desta forma os processos de modelagem tridimensional facilitam a confecção de produtos de moda feminina, justamente por permitir a adequação dos tecidos às diferentes formas do corpo. Você verá que a técnica de modelagem tridimensional se trata de revestir o corpo com tecido, que de forma automática você já estará executando com perfeição a cons- trução de moldes, conforme deseja. Assim, primeiramente iremos abordar o processo de acomodação dos tecidos para estruturar a base da blusa com suas pences fundamentais e posteriormente, será abordado também o processo relacionado ao desenvolvimento de moldes como espelhamento, será a partir destes conceitos que representamos o corpo inteiro, lado direito e esquerdo da peça modelada. Para completar todo o processo de confecção, iremos estudar também os proces- sos de manipulação de pences, para criar variações de modelos e como você pode explorar a partir de uma mesma base, diferentes possibilidades de Tops. Por fim, iremos analisar as técnicas e os processos de acabamento pertinentes ao desenvolvimento de peças que vestem a parte superior do corpo feminino, e como você aluno (a) pode construir seus modelos, criar e adequar as possibilidades inovando no desenvolvimento de peças do vestuário por meio da técnica de modelagem tridimensional. Bons Estudos!!! 32UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 32UNIDADE II Modelagem Base de Tops 1. BASE DE BLUSA I Iniciamos nosso processo de confecção de um top feminino entendendo as linhas e partes de uma peça que cobre o tronco de uma pessoa. Na indústria da moda, chamamos de Tops todo produto que cubra a parte superior do corpo. Para que você aluno(a), com- preenda o processo de modelagem e desenvolvimento do modelo I de blusa que iremos a presentar, é necessário conhecer as partes que compõem e as linhas que são utilizadas para desenvolvimento da peça, conforme Figura 1. FIGURA 1 – ESTRUTURA DE UMA BLUSA Fonte: Abling e Maggio (2014, p. 110). 33UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 33UNIDADE II Modelagem Base de Tops A linha de centro frente bem como a linha de centro costas sempre serão as refe- rências para iniciar qualquer modelo de peça. No caso de blusas, as linhas de ombro e as linhas de cava auxiliam na estrutura da peça, formando a base para que haja vestibilidade. Na horizontal, na altura do ápice do seio temos a linha de busto e na vertical saindo do meio dos ombros, passando pelo mamilo e descendo até a cintura temos as marcações da linha princesa. Nesta mesma marcação da linha princesa é possível construir as pences para acomodação do tecido no corpo. Essas são as referências básicas para entender uma base de blusa feminina. No processo de modelagem tridimensional é importante frisar que o tecido ideal para elaboração da peça deve ser um material que não possua elasticidade, e que tenha ligamento de Trama e Urdume, conforme vimos na Unidade I e nosso material. Desta forma, o sentido do Urdume deve sempre ser posicionado em paralelo com o eixo central, para que o caimento da peça fique uniforme. REFLITA Linhas de construção são marcas posicionadas tanto no sentido horizontal como verti- cal, respeitando a linguagem do corpo humano. Tais linhas têm como função servir como pontos de referência fundamentais na execução da modelagem e minimizar a possibi- lidade de erro na peça final. Fonte: Grave (2010). No caso do desenvolvimento deste modelo que peça, por se tratar de uma blusa simétrica, sempre desenvolvemos apenas um lado da frente partindo do eixo central em direção a linha lateral, e um lado das costas partindo do eixo central costas em direção a lateral (onde será a união da parte frente com a parte costas). Os moldes finais devem ficar com a estrutura conforme consta na Figura 2. 34UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 34UNIDADE II Modelagem Base de Tops FIGURA 2 – BASE DA BLUSA Fonte: Abling e Maggio (2014, p. 61). O modelo a ser executado terá então a forma simétrica, com uma pence de cintura e uma pence de busto que parte da lateral conforme a Figura 3. FIGURA 3 – MODELO DE BLUSA FEMININA I Fonte:Abling e Maggio (2014, p. 94). Para executar esse modelo, você, aluno (a), pode marcar seu manequim, ou já utilizar as linhas guias demarcadas conforme explicamos na unidade I, as linhas guias ou linhas técnicas do manequim devem sempre permanecer em seu busto de modelagem, e se necessário você pode acrescentar marcações para criar novos modelos e assim manipular o tecido com maior facilidade. As linhas de marcação são, portanto, seu guia para que a peça tenha proporção, equilíbrio e neste caso, também tenha simetria. 35UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 35UNIDADE II Modelagem Base de Tops Se o manequim estiver marcado, você irá precisar de duas partes de seu tecido que cubram a metade da frente do manequim, pois o modelo será simétrico, então iremos trabalhar somente do eixo central até uma das laterais. Você irá cortar dois retângulos de 40cm de largura por 50cm de comprimento, lembrando que o comprimento deve estar no sentido do fio de Urdume de seu tecido, ou seja, em paralelo com a ourela do tecido. Feito esse processo, trabalharemos com uma das partes para formar a frente e outra para formar as costas da blusa. Para a parte frente, meça 4cm de distância da lateral ao longo de todo o comprimento do tecido e faça uma linha com caneta para tecido, usan- do as réguas de modelagem apresentadas na unidade I. Feito isso, vamos alfinetar esse tecido no manequim para iniciar o processo modelagem. Alfinete a marcação que você fez com caneta sobre a linha de eixo central, de modo que mais ou menos 5cm de tecido fique sobrando acima da linha de ombro de seu manequim. Agora com o eixo central alfinetado, você irá fazer uma pequena marcação na altura da linha horizontal de busto do manequim, para que você consiga deixar o tecido esquadrado da forma correta e a peça não fique torta. Feito essa marcação, você retira o tecido do manequim e usa o esquadro para criar uma linha reta horizontal que passe por toda a largura do tecido. Agora, volte o tecido no manequim e alfinete a linha de eixo central e a linha de busto conforme as marcações que você traçou com a caneta, sua estrutura deve ficar conforme a Figura 4. FIGURA 4 – ACOMODANDO O TECIDO FRENTE Fonte: Abling e Maggio (2014, p. 56). 36UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 36UNIDADE II Modelagem Base de Tops Realizada esta etapa você irá agora acomodar o tecido para estruturar a frente como um todo formando as pences e deixando o tecido reto sem enrugá-lo. Vá aos poucos passando a mão sobre o tecido para que ele se acomode no manequim; primeiramente, faça a parte cima da linha de busto acomodando o tecido do eixo central em direção aos ombros e lateral, se necessário, faça piques com a tesoura no tecido, mas não faça piques muito profundos, respeite as linhas do manequim, ficando atento(a) as linhas de pescoço, ombros, cava, lateral e cintura conforme a Figura 5. FIGURA 5 – PIQUES NA LINHA DE PESCOÇO Fonte: Abling e Maggio (2014, p. 56). Ao realizar esse processo, você perceberá que um pouco de tecido irá se acumular na lateral próximo a linha de busto, é esse volume de tecido que você irá retirar por meio de uma pence, assim como você perceberá que também irá sobrar tecido na cintura onde você fará outra pence na linha princesa. Desta forma esse modelo de base de blusa terá então uma pence horizontal que sairá da lateral logo abaixo da linha de busto, e outra pence, agora na vertical que estará posicionada na linha princesa saindo da cintura. 37UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 37UNIDADE II Modelagem Base de Tops FIGURA 6 – PENCE DE CINTURA Fonte: Abling e Maggio (2014, p. 58). A pence é formada justamente para que o tecido consiga se acomodar respeitando o volume do busto e o que não temos de volume na cintura conforme é possível observar na Figura 6. Você pode ir criando os piques para que o tecido vá se acomodando e na linha princesa você forma a pence, que deve ter seu ápice na altura do mamilo. Após acomodar todo o tecido, na parte frente você pode usar a caneta e pontilhar todas as linhas de cintura, lateral, cava e ombro, seguindo as marcações que você tem em seu manequim, por isso é importante marcar o manequim com uma fita que tenha cor forte e seja possível ver as linhas através do tecido. Ao final das marcações, você pode retirar novamente todo o tecido do manequim, e recortar os excessos deixando apenas 1cm de tecido além da marcação de caneta, para termos a margem de costura. Após fazer esse processo sua peça deve ficar conforme a Figura 7. FIGURA 7 – FRENTE E LATERAL DA BLUSA Fonte: Abling e Maggio (2014, p. 94). 38UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 38UNIDADE II Modelagem Base de Tops Para o desenvolvimento a parte costas dessa peça, você seguirá o mesmo proces- so de esquadrar o tecido alinhando o eixo central costas com a linha horizontal do busto, e irá acomodar o tecido. Repare que, por não haver o volume do busto na parte costas, você pode fazer somente a pence de cintura e ela será mais “rasa” do que a pence da frente pois não há volumetria corporal para acomodar o tecido. O resultado deve ficar como a Figura 8. FIGURA 8 – COSTAS BLUSA MODELO I Fonte: Abling e Maggio (2014, p. 95). Desta forma você completa a base do modelo I de blusa com pence lateral e de cintura. Feito esse processo, agora é necessário retirar os tecidos do manequim e retraçar no papel para formar os moldes que você irá arquivar, ou utilizar para cortar a blusa em um tecido para a peça final. Ao retirar o tecido do manequim ele estará conforme a imagem 1 da Figura 9, e você ao passar para o papel deve deixá-lo conforme a imagem 2 da Figura 9, colocando as margens de costura. FIGURA 9 – MOLDES DO MODELO I DE BLUSA Fonte: Abling e Maggio (2014, p. 94). 39UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 39UNIDADE II Modelagem Base de Tops Agora, depois de finalizado o molde, você pode cortar a peça no tecido final e confeccionar sua blusa com pence lateral e pence de cintura. Neste caso, como o modelo é simétrico você deve dobrar o tecido ao meio no sentido do urdume e posicionar o eixo central do molde na dobra do tecido, alfinete esse molde no tecido e corte, ao abrir o tecido você terá os dois lados da blusa prontos, pois devido a dobra eles saíram espelhados, então você fecha as pences na máquina de costura ou à mão com costura manual. Depois, você une as laterais, ombro e define como será o acabamento de cavas e decote, bem como a barra de sua blusa, e assim sua peça estará pronta. 40UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 40UNIDADE II Modelagem Base de Tops 2. BASE DE BLUSA II No tópico 1 de nossos estudos nesta unidade, você, aluno (a), observou o processo de desenvolvimento da base de uma blusa com pence lateral e de cintura, mas dentre os processos de Modelagem Tridimensional, é possível não trabalhar com pences, e mesmo assim, ajustar os tecidos as formas do corpo feminino. Neste tópico, você irá entender o processo de modelagem de uma blusa com recorte na linha princesa saindo da cava. Esse processo elimina as pences e desloca a acomodação do tecido para o recorte fazendo com que o volume do busto se acomode na peça e o recorte valorize as linhas corporais trazendo personalidade ao design da peça. FIGURA 10 – BLUSA COM RECORTE NA LINHA PRINCESA Fonte: Abling e Maggio (2014, p. 86). 41UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 41UNIDADE II Modelagem Base de Tops Antes de iniciar o processo de acomodação do tecido sobre o manequim, você pode utilizar a fita de cetim ou o viés para demarcar seu manequim, acrescentando as linhas necessárias para a criação e desenvolvimento do modelo que você irá confeccionar. Desta forma com as devidas marcações sua peça sairá dentro dos padrões que você esta- belecer ao demarcar o manequim, veja este exemplo da blusa com recorte demarcado no manequim, conforme a Figura11. FIGURA 11 – MARCAÇÃO DO MANEQUIM Fonte: Abling e Maggio (2014, p. 88). Conforme apresentado anteriormente, o modelo proposto terá recorte na linha princesa, saindo da cava, desta forma a marcação da linha princesa se mantém como é da linha de busto até a cintura, e você aluno(a), acrescenta o deslocamento da fita para a linha de cava, ao invés de ir em direção ao ombro, faça este processo de forma suave, para que o deslocamento fique harmônico. Ressaltamos que por se tratar de um modelo simétrico, trabalharemos somente com um lado do manequim, conforme fizemos no modelo de blusa do tópico I. Repare que o processo na parte costas é o mesmo, segue-se a estrutura da linha princesa e depois desloca-se acima da linha de busto, a fita para a cava. Na imagem do meio da Figura 11, repare que as linhas frente e costas do recorte que sai da cava, se complementam, como em uma sequência contínua de um arco, isso valoriza o design da peça, procure sempre observar esses detalhes de continuidade e equilíbrio visual para que suas peças fiquem harmônicas e simétricas ao máximo. Seguindo no processo de modelagem, agora realizamos a mesma sequência apre- sentada no tópico I, mas nesse caso você irá separar 4 partes de tecido, duas para a frente da peça e duas para a parte costas, pois, como teremos os recortes, trabalharemos com partes independentes. Você irá acomodar os tecidos respeitando o sentido do fio reto (ur- dume) que sempre deve estar alinhado com o eixo central de seu manequim, acomodando o tecido do eixo central até a linha de recorte princesa, em que você pode cortar o excesso, deixando somente 1cm como margem de costura. 42UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 42UNIDADE II Modelagem Base de Tops A outra parte de tecido você irá esquadrar da mesma forma, e seguir a marcação da linha de busto para posicionar o tecido de forma reta, onde o caimento do mesmo fique alinhado, fio de urdume e fio de trama com a parte de tecido já acomodada, essa parte de tecido deve sair da linha lateral até a linha do recorte, veja a sequência na Figura 12. FIGURA 12 – SEQUÊNCIA DE ACOMODAÇÃO DO TECIDO Fonte: Abling e Maggio (2014, p. 88). Repare, caro(a) aluno(a) que o tecido acomoda todo o volume do busto de forma plena; o que ocorreu aqui é justamente o processo de pence, mas agora transformado em recorte, e você pode explorar esse tipo de trabalho, desenvolvendo os mais variados recortes, para trazer personalidade a suas peças. A técnica de modelagem tridimensional nos permite experimentar as possibilidades ao acomodar o tecido diretamente sobre o corpo, no caso, sobre o manequim. Observe na imagem do meio da Figura 12, que as linhas de marcação das duas partes de tecido estão alinhadas na linha de busto do manequim, isso faz com que o tecido tenha o caimento perfeito sobe o corpo e não gere deformidades na peça. FIGURA 13 – MOLDES PARA CORTE Fonte: Abling e Maggio (2014, p. 89). 43UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 43UNIDADE II Modelagem Base de Tops A Figura 13 apresenta a planificação do modelo de blusa com recorte na linha princesa saindo da cava. Ao retirar as partes de tecido de seu manequim, você deve ter 4 partes parecidas com essas apresentadas. A imagem 1 refere-se a parte que sai do eixo central costas em direção a linha princesa, a imagem 2 refere-se ao recorte que sai da linha princesa costas em direção a lateral costas; depois temos a imagem referente ao recorte frente que parte da lateral em direção a linha princesa frente e, pôr fim, a parte do recorte que sai da linha princesa em direção ao eixo central frente. É válido reforçar que na imagem 1 temos uma pequena pence na linha de ombro costas, mas essa pence é opcional, pios você consegue acomodar o tecido sem fazer pences na linha de ombro tranquilamente. Para transformar esses moldes em uma peça final lembre-se de que estamos lidan- do com uma peça simétrica, então após você passar a modelagem do tecido para o papel, deixando as devidas margens de costura conforme a Figura 13, você agora pode cortar sua peça no tecido final para depois costurá-la. Como estamos lidando com um modelo simétrico, você deve dobrar o tecido e na dobra posicionar o molde da peça que tem o eixo central frente e também o que apresenta o eixo central costas, as partes de recorte frente e costas podem estar em outras partes do tecido sem problemas. Ao posicionar e cortar as partes respeitando a dobra do tecido, você terá o eixo central frente da peça espelhado, bem como o eixo central costas, e sua peça terá então somente os recortes na linha princesa, conforme o modelo apresentado na Figura 14. FIGURA 14 – REVENDO O MODELO Fonte: Abling e Maggio (2014, p. 86). Esse processo de modelagem é a base para o desenvolvimento de qualquer peça do vestuário caro(a) aluno(a), pois você pode criar diferentes recortes ou mesclar recortes com pences, e transformar esse modelo de blusa em vestidos, acrescentando a saia, em casacos acrescentando mangas, alterando o decote ou acrescentando golas e criando modelos únicos. Use a criatividade e não tenha medo de experimentar. 44UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 44UNIDADE II Modelagem Base de Tops 3. MANIPULAÇÃO DE PENCES Caro(a) aluno(a), agora que você conhece o processo de modelagem da base das blusas, você pode se perguntar como é possível inovar no desenvolvimento de peças femininas utilizando a técnica de modelagem tridimensional? Você pode explorar diferentes formas de recortes e pences para criar peças diferenciadas, mesmo utilizando uma única base de modelagem. Veremos nesse tópico as possibilidades para desenvolvimento de peças com a técnica chamada de Manipulação de Pences, cujo você vai deslocando as pences para criar efeitos diferenciados no tecido e ainda assim acomodar o volume do busto. A Figura 15 apresenta as diferentes possibilidades para o processo de manipulação de pence, a nomenclatura de cada pence fica da seguinte forma: 1ª – Pence de Cintura. 2ª – Pence Lateral. 3ª – Pence de Cava. 4ª – Pence de Ombro. 5ª – Pence de decote. 45UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 45UNIDADE II Modelagem Base de Tops FIGURA 15 – MANIPULAÇÃO DE PENCES Fonte: Silveira (2017, p. 44). O processo de manipulação de pence, também pode ocorrer na parte da costa da peça, mas como não há volumetria corporal para ser acomodada, você não precisa explorar todas as possibilidades, geralmente a pence de cintura resolve a questão da acomodação do tecido. É válido reforçar que o uso das pences não é apenas uma questão estética, pelo contrário, trata-se de um recurso ergonômico para que haja vestibilidade na peça produzida e consequentemente conforto para que utilizar a peça. Para que a peça se acomode perfeitamente sobre o volume do busto, quase sem- pre você precisará trabalhar com duas pences em conjunto, de forma combinada para criar a tridimensionalidade que o tecido precisa para se acomodar no corpo feminino. A Figura 16 apresenta a combinação da pence de ombro com a pence lateral para criar a tridimensiona- lidade necessária para o busto, o processo de acomodação do tecido é o mesmo aprendido no tópico 1 desta unidade, somente o posicionamento das pences é que irá ser alterado. FIGURA 16 – MANIPULAÇÃO DE PENCES I Fonte: Silveira (2017, p. 45). 46UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 46UNIDADE II Modelagem Base de Tops Após realizar o processo de acomodação do tecido, lembrando que estamos traba- lhando com peças simétricas, por isso somente metade da peça é desenvolvida, o resultado deve ficar conforme a Figura 17. FIGURA 17 – MOLDE MANIPULAÇÃO DE PENCES I Fonte: Silveira (2017, p. 45). Uma segunda possibilidade é movimentar a pence para a cava da peça e combiná- -la com a pence de cintura, conforme a Figura 18. FIGURA 18 – MANIPULAÇÃO DE PENCES II Fonte: Silveira (2017, p. 46) 47UNIDADE I Princípios Básicos daModelagem Tridimensional 47UNIDADE II Modelagem Base de Tops Após realizar esse processo, o molde deve apresentar as características conforme a Figura 19, não se esqueça de esquadrar o tecido, respeitar o fio de urdume e iniciar o processo alfinetando o tecido na linha de eixo central e na linha de busto, para depois ir acomodando o tecido e formar as pences. FIGURA 19 – MOLDE MANIPULAÇÃO DE PENCES II Fonte: Silveira (2017, p. 47). Como terceira opção, o processo de manipulação de pence pode envolver a criação de uma pence no decote, combinada com uma pence de cintura, para acomodar assim o volume do busto no modelo de blusa, conforme você aluno(a) pode observar na Figura 20. FIGURA 20 – MANIPULAÇÃO DE PENCES III Fonte: Silveira (2017, p. 48). 48UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 48UNIDADE II Modelagem Base de Tops Feito o processo de manipulação das pences e a acomodação do tecido, ao retirar o tecido e transformá-lo em molde, a estrutura do molde deve ter as características conforme a Figura 21. FIGURA 21 – MOLDE MANIPULAÇÃO DE PENCES III Fonte: Silveira (2017, p. 49). Observe que em todos os processos de manipulação das diferentes pences, todas elas são direcionadas para o ápice do busto, pois é ali o maior volume que o tecido precisa acomodar na peça, é válido reforçar que as pences precisam terminar antes de encontrar umas às outras, respeitando o limite do mamilo, para que haja coerência entre a volumetria corporal e a peça confeccionada. 49UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 49UNIDADE II Modelagem Base de Tops 4. TÉCNICAS DE ACABAMENTO Ao confeccionarmos as peças do vestuário, independentemente de quais modelos, formas ou materiais que serão utilizados no desenvolver das peças, se faz necessário pensar, entender e aplicar as técnicas de acabamento, que consistem e processos para que a peça final seja valorizada esteticamente e se comporte ergonomicamente sobre o corpo do consumidor do produto. Enquanto designers é necessário aplicar os processos de acabamento pensando na vestibilidade, funcionalidade e usabilidade da peça. Um produto de moda pode apre- sentar as mais variadas formas, e ser vestível das mais variadas maneiras, portanto, cabe ao designer considerar as técnicas de acabamento que serão empregadas na produção da peça. Alguns exemplos são fáceis de serem compreendidos, como o caso de tecidos transparentes que exigem um forro, isso é um processo de acabamento, pois o forro pode ser solto (separado como se fosse uma segunda peça), ou embutido formando assim uma dupla camada de tecido que irá bloquear a transparência. 50UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 50UNIDADE II Modelagem Base de Tops SAIBA MAIS A origem da costura A história da costura começa provavelmente com as primeiras vestes conhecidas, ori- ginárias do período Paleolítico, que tinham a função de proteção contra o frio e eram feitas de materiais aproveitados dos animais caçados para a alimentação. Peles cur- tidas eram unidas uma na outra o auxílio de ossos, as primeiras agulhas, e tiras de couro, tendões e tripas. Acredita-se que o uso de lã de animais e fiapos de algodão já eram utilizados no feitio das primeiras vestimentas cerca de 25 mil anos atrás. Há registro de povos nativos na América que utilizavam plantas como a agave, da qual se aproveitava a ponta da folha como agulha e as fibras secas para costurar itens. Fonte: AUDACES. História da costura: uma breve linha do tempo. Disponível em: https://audaces.com/ historia-da-costura/ Acesso em: 14 dez.2021. Quando utilizamos tecidos texturizados ou ásperos, ou ainda muito grossos, se faz necessário pensar nos acabamentos, e como estratégia podemos utilizar viés (o avia- mento) como acabamento em tais peças, seja internamente como em costuras de união, seja em barras, cavas, punhos ou decotes, deixando o viés aparente como um detalhe estético na peça. O fato é que diferentes partes de uma peça podem ser utilizadas como acabamentos, e muitas vezes elas são parte fundamental do modelo a ser desenvolvido como é o caso das mangas. Uma manga serve como proteção para o braço e pode apresentar as mais variadas formas e modelos, no caso da modelagem tridimensional o processo de desenvolvimento de mangas se torna um pouco mais complexo, justamente porque a maioria dos manequins de modelagem não apresentam braços. Desta forma procuramos auxílio na técnica de Modelagem Bidimensional, ou Modelagem Plana, para o desenvolvimento de mangas, pois por meio dos cálculos e o auxílio das réguas, o processo se torna mais prático. https://audaces.com/historia-da-costura/ https://audaces.com/historia-da-costura/ 51UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 51UNIDADE II Modelagem Base de Tops FIGURA 22 – MODELOS DE MANGAS Fonte: Smith (2012, p. 190). Voltando ao processo de acabamentos, além de trabalhar com o viés e forro, pode- mos trabalhar técnicas de costura que não deixam as linhas de costura aparentes, como é o caso da costura francesa, ou ainda pensar em soluções estéticas como o caso da barra italiana por exemplo, vale a pena pesquisar tutoriais e materiais complementares sobre essas técnicas criadas para aplicar nas peças que você desenvolver. Outro processo de acabamento essencial quando não queremos utilizar o forro e mesmo assim é necessário trazer sustentação e acabamento para uma peça, é o que chamamos de revel. O revel é um pedaço de tecido que acompanha toda a borda da parte que receberá o acabamento, proporcionando assim, que as costuras não fiquem expostas. O revel pode ser utilizado tanto em tops quanto em Bottons, tudo vai depender do estilo de acabamento que você deseja empregar na peça. Esse tipo de acabamento é utilizado quando temos um tecido muito maleável e queremos um pouco mais de sustentação em algumas áreas, assim podemos trabalhar com o viés. Vejamos o passo a passo para desenvolvimento de um decote canoa e depois veremos como se organiza o viés para este decote. 52UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 52UNIDADE II Modelagem Base de Tops FIGURA 23 – DECOTE CANOA FRENTE E COSTAS Fonte: Abling e Maggio (2014, p. 116-117). Após definir as linhas do decote, você irá manipular o tecido e modelar a peça, repare que todo o tecido e as bases frente e constas com suas devidas pences já estão estruturadas, quando o decote é traçado, para que se tenha uma visão global da peça final. A profundidade do decote, nesse caso o decote canoa, fica a seu critério e você pode modelar e depois ajustar se sentir necessidade, conforme nos mostra a Figura 24. FIGURA 24 – PLANIFICAÇÃO DE BLUSA COM DECOTE CANOA Fonte: Abling e Maggio (2014, p. 116-117). Conforme consta na Figura 24, você pode aprofundar algo em torno de 4cm para deixar seu decote maior, mas lembre-se sempre da vestibilidade da peça. No caso desse modelo temos então a base costas com uma pence de cintura e a base frente com pence lateral e de cintura, conforme Figura 25. 53UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 53UNIDADE II Modelagem Base de Tops FIGURA 25 – MOLDE BLUSA DECOTE CANOA COM REVEL Fonte: Heinrich (2005, p. 151). A Figura 25 apresenta os moldes finais com seus respectivos revéis, repare que o revel, que são as partes pequenas de moldes copiadas de modo a contemplar o decote e a cava juntos, farão então o acabamento dessas duas partes da peça de uma única vez. Você irá costurar colocando o direito do revel junto com o direito da peça, e ao virar o revel para a parte de dentro da peça, você terá um acabamento sem costura aparente. Desta forma, o revel também auxilia como uma estrutura onde o tecido será duplo nessas partes, sem ter que colocar um forro na peça como um todo, economizando tecido. A frente em nosso material você verá a possibilidade para trabalhar o revel em saias, e verá que ele pode ser uma solução de design, além