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Modelagem
Tridimensional
Professor Me. Dênis Martins de Oliveira
Professora Me. Floriza Taira Otto
Reitor 
Prof. Ms. Gilmar de Oliveira
Diretor de Ensino
Prof. Ms. Daniel de Lima
Diretor Financeiro
Prof. Eduardo Luiz
Campano Santini
Diretor Administrativo
Prof. Ms. Renato Valença Correia
Secretário Acadêmico
Tiago Pereira da Silva
Coord. de Ensino, Pesquisa e
Extensão - CONPEX
Prof. Dr. Hudson Sérgio de Souza
Coordenação Adjunta de Ensino
Profa. Dra. Nelma Sgarbosa Roman 
de Araújo
Coordenação Adjunta de Pesquisa
Prof. Dr. Flávio Ricardo Guilherme
Coordenação Adjunta de Extensão
Prof. Esp. Heider Jeferson Gonçalves
Coordenador NEAD - Núcleo de 
Educação à Distância
Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal
Web Designer
Thiago Azenha
Revisão Textual
Beatriz Longen Rohling
Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante
Geovane Vinícius da Broi Maciel
Kauê Berto
Projeto Gráfico, Design e
Diagramação
André Dudatt
2021 by Editora Edufatecie
Copyright do Texto C 2021 Os autores
Copyright C Edição 2021 Editora Edufatecie
O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correçao e confiabilidade são de responsabilidade 
exclusiva dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permi-
tidoo download da obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem 
a possibilidade de alterá-la de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais.
 
 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP 
 
O48m Oliveira, Dênis Martins de 
 Modelagem tridimensional / Dênis Martins de Oliveira, 
 Floriza Taira Otto. Paranavaí: EduFatecie, 2021. 
 107 p.: il. Color. 
 
 
 
1. Desenho de moda. 2. Trajes - Modelagem. 3. Roupas – 
Confecção – moldes. I. Otto, Floriza Taira. II. Centro 
Universitário UniFatecie. III. Núcleo de Educação a Distância. IV. 
Título. 
 
 CDD: 23 ed. 746.404 
 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577 
 
UNIFATECIE Unidade 1 
Rua Getúlio Vargas, 333
Centro, Paranavaí, PR
(44) 3045-9898
UNIFATECIE Unidade 2 
Rua Cândido Bertier 
Fortes, 2178, Centro, 
Paranavaí, PR
(44) 3045-9898
UNIFATECIE Unidade 3 
Rodovia BR - 376, KM 
102, nº 1000 - Chácara 
Jaraguá , Paranavaí, PR
(44) 3045-9898
www.unifatecie.edu.br/site
As imagens utilizadas neste
livro foram obtidas a partir 
do site Shutterstock.
AUTORES
Professor Mestre Dênis Martins de Oliveira
● Mestrado em Gestão do Conhecimento nas Organizações pela Unicesumar 
(2020).
● Especialização em EAD e as novas Tecnologias Educacionais. Centro Universi-
tário de Maringá, UNICESUMAR (2019).
● Curso superior de Tecnologia em Design de Interiores pela Unicesumar (2018)
● Bacharelado em Moda pela Unicesumar (2016).
● Pós graduação em Docência no Ensino Superior, Centro Universitário de 
Maringá (2016).
● Licenciatura em Artes Visuais pelo Centro Universitário de Maringá (2012). 
Possui experiência na área de Moda, com ênfase em Artes. Ministrando as discipli-
nas de: História da Arte e do Design; Teoria e Fundamentos do Design; Linguagem Visual; 
Processo Criativo Avançado; Visual Merchandising; Materiais e Expressão Gráfica; Dese-
nho de Moda; Pintura e Gravura; Materiais e Técnicas Artísticas; Visagismo e Consultoria 
de Imagem. Professor de graduação e pós-graduação. Consultor de Imagem.
CURRÍCULO LATTES: http://lattes.cnpq.br/787808509434425
Professora Mestre Floriza Taira Otto
● Especialização em Docência no Ensino Superior Centro Universitário de Maringá 
(2021).
● Mestrado em Gestão do Conhecimento nas Organizações (2017).
● Bacharelado em Moda pela Unicesumar (2015).
● Bacharelado em Administração pela Faculdade Integrado de Campo Mourão 
(2007).
Experiência como professora mediadora em cursos de design de moda, graduação 
e pós-graduação.
CURRÍCULO LATTES: http://lattes.cnpq.br/6019746533960915
APRESENTAÇÃO DO MATERIAL
Olá Acadêmico (a), seja bem-vindo (a) ao universo da Modelagem, saiba que é 
um prazer receber você para esse mergulho nos processos que norteiam a técnica de 
Modelagem Tridimensional, vamos embarcar nessa jornada?
O processo de modelar produtos de moda é parte primordial do desenvolvimento 
de um item vestível. No decorrer de sua jornada na área de moda, você poderá se deparar 
com diferentes técnicas de modelagem, mas saiba que o processo de modelar um produto 
de moda é função do profissional modelista, e você aluno(a), será um Designer, portanto 
você precisa conhecer o processo de modelagem, mas não necessariamente você precisa-
rá modelar um produto quando estiver no mercado de trabalho.
Na Unidade I, temos como principal foco a explanação acerca dos conceitos e da 
história sobre a modelagem tridimensional e a apresentação dos materiais básicos que 
você precisa ter para executar a técnica.
Já na Unidade II de nosso material didático, você irá ter acesso às ferramentas que 
auxiliam no desenvolvimento de produtos de moda que vestem a parte superior do corpo, 
essas peças são chamadas de Tops no universo da moda. 
A Unidade III lhe apresentará as possibilidades criativas por meio das ferramentas úteis 
para o desenvolvimento de peças que vestem a parte inferior do corpo, ou seja, os Bottons.
Por fim, na Unidade IV, você irá conhecer as aplicabilidades por meio de alguns 
cases para o desenvolvimento de vestidos, e ainda entender as possibilidades por meio da 
moda conceitual. É válido reforçar que por se tratar de uma técnica que valoriza e adequa 
os tecidos as curvas do corpo o foco deste material são peças femininas, pois as peças do 
vestuário masculino são melhor construídas na técnica de modelagem plana.
Boa leitura!!!
SUMÁRIO
UNIDADE I ...................................................................................................... 3
Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional
UNIDADE II ................................................................................................... 30
Modelagem Base de Tops
UNIDADE III .................................................................................................. 58
Modelagem Base de Bottons
UNIDADE IV .................................................................................................. 81
Modelagem Criativa
3
Plano de Estudo:
● Aspectos Históricos da Modelagem;
● Conhecendo os materiais;
● Marcação do Manequim;
● Costura Manual.
Objetivos da Aprendizagem:
● Conceituar e contextualizar a Modelagem Tridimensional;
● Conhecer os diferentes materiais envolvidos 
no processo de modelagem tridimensional;
● Entender o processo de marcação do manequim técnico;
● Conhecer as técnicas de costura manual.
UNIDADE I
Princípios Básicos da 
Modelagem Tridimensional
Professor Me. Dênis Martins de Oliveira
Professora Me. Floriza Taira Otto
4UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional
INTRODUÇÃO
Prezado(a) aluno(a)! No universo do Design de Moda, dentre as diferentes técnicas 
de desenvolvimento de produto, temos a Modelagem Tridimensional. O designer de moda 
é o profissional que constrói uma verdadeira jornada no processo de desenvolvimento dos 
produtos, passando inclusive pela etapa de modelagem do produto de moda.
É na etapa de modelagem que você irá buscar transformar os materiais têxteis 
da forma bidimensional para a tridimensional adequando-os ao corpo humano. O setor de 
modelagem é um dos setores mais importantes dentro da indústria de confecção.
No chão de fábrica, o setor de modelagem é o responsável por produzir os moldes 
de vestuário compatíveis com o perfil produtivo da empresa e com o biotipo do público-alvo 
dentro do segmento de moda em que a empresa atua. A modelagem é o coração de um 
produto de moda, pois sem a devida adequação a anatomia do público-alvo, um produto de 
moda não tem como ser comercializado.
A função do designer de moda é compreender todo o processo de desenvolvimentode uma técnica de acabamento.
54UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 54UNIDADE II Modelagem Base de Tops
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Caro(a) aluno(a), nesta unidade apresentamos a você o processo para modelar 
bases de blusas e também algumas variações de modelos, orientando e conduzindo todos 
os passos que você deve seguir, desde a preparação do tecido de modelagem até a sua 
peça acabada com as possibilidades de técnicas de acabamento. 
Ao compreender os passos da modelagem de uma peça superior, apresentamos 
também a você a possibilidade de inovar por meio das técnicas de transposição de pences e 
como você pode utilizar esse recurso de forma criativa, possibilitando a formação de outros 
modelos. A partir das bases aprendidas nessa unidade você é capaz de explorar o potencial 
de diferentes materiais, combiná-los e assim conseguir inúmeras versões criativas de blusas
Agora você tem base sobre a modelagem tridimensional e isso aumenta sua per-
cepção de viabilidade de modelos. Assim, quando for criar uma peça ou até mesmo uma 
coleção, muito mais do que inovar, você agora tem conhecimento para desenvolver peças 
distintas. É válido reforçar que aqui você está aprendendo a moldar os tecidos sobre o corpo 
e que modelos de peças em que o tecido fica mais solto, precisam apenas de atenção nas 
cavas e decotes, bem como no caimento, portanto não abordaremos esses processos por 
enquanto, pois o foco é a aprender a transformar a bidimensionalidade de um tecido, em 
um elemento vestível e tridimensional
Por fim, tenho certeza de que os conhecimentos apresentados, irão lhe auxiliar na 
carreira de designer, e é importante lembrarmos que o profissional designer é aquele que 
projeta o produto de moda. Em uma indústria, você terá o profissional modelista que é real-
mente quem domina todos os processos de modelagem e desenvolvimento de produto, o 
intuito dessa disciplina em sua formação, é mostrar as possibilidades e as bases projetuais 
para que você saiba até onde ir e como desenvolver uma peça de roupa.
Bons Estudos!
55UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 55UNIDADE II Modelagem Base de Tops
LEITURA COMPLEMENTAR
Um novo olhar sobre o profissional de modelagem
O design, que na década de 1990 no Brasil, assumiu formalmente os projetos de 
produto do vestuário como atividades pertencentes à sua área a pedido do MEC, segundo 
Deborah Chagas Christo e Alberto Cipiniuk (2013), entende que o designer é o gestor de 
projetos e deve deter o controle sobre as etapas de construção dos produtos do vestuário.
Porém, talvez em função dessa mudança, ainda há uma falta de controle sobre o ci-
clo de confecção, visto em estudo de caso realizado na empresa Moura Duarte Especiarias 
Ltda Epp, localizada no bairro Bom Retiro/SP, especializada em moda feminina.
Nesse artigo, para fins de levantamento e tratamento de fontes primárias, será 
considerada a experiência da empresa mencionada. Nela, a responsável pela concepção 
de produtos relata que a maioria das fichas de desenvolvimento enviadas por seus clientes 
apresentam-se incompletas e há omissão de informações fundamentais para a conclusão 
dos projetos, tais como: representação da parte da frente e costas do modelo, tecidos, tipo 
de acabamentos, aviamentos, beneficiamentos etc. 
Estas são informações indispensáveis para a execução da modelagem do produ-
to, etapa relevante para esta pesquisa, que se propõem a compreender o profissional de 
modelagem como ferramenta fundamental para a criação, desenvolvimento, e que pode 
apresentar soluções para a construção e conclusão de produtos do vestuário, no cenário 
industrial hoje observado no mercado da moda.
A empresa se destina ao desenvolvimento de peças piloto e produção em série das 
mesmas. Atendendo grandes marcas nacionais, domina os processos de execução como 
modelagem, corte, pilotagem, acabamentos e finalização das peças concentrando-se na 
elaboração das mesmas internamente, e terceirizando certos beneficiamentos, que são 
processos aos quais são submetidos os tecidos (estamparia, sublimação, silk, bordados 
etc.), dando-lhes acabamentos diferenciados.
É evidente a necessidade de uma comunicação eficiente entre as etapas de con-
fecção de um produto, considerando a afirmação de Flávio Sabrá (2014) que diz que “o 
desenvolvimento de uma coleção, executado por estilistas ou designers de moda, precisa 
ser sistemático, bem planejado e administrado”. A partir da fala de Sabrá entende-se que o 
gerenciamento é possível por meio da ficha de desenvolvimento, documento que registra 
todos os processos e por intermédio dele os demais profissionais envolvidos na elaboração 
dos produtos de moda se orientam para a construção da peça. Funciona como um instru-
mento de comunicação entre as etapas.
56UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 56UNIDADE II Modelagem Base de Tops
Dentro de uma confecção, nomeia-se modelista o profissional que se dedica à 
construção tridimensional de projetos de produtos de moda. Para isso, ele utiliza recursos 
e conceitos de ergonomia, anatomia, geometria/trigonometria aplicada e matemática. A 
operação de modelar, representada por meio de moldes, é denominada modelagem.
Fonte: MOTTA, M. G. H: MARTINS, L. R. o papel do modelista na criação de produtos do vestuário. 
4º congresso brasileiro de Iniciação científica de design e Moda - UNESP - Bauru – SP 2017.
57UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 57UNIDADE II Modelagem Base de Tops
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO 
Título: Técnicas de modelagem feminina: Construção de bases e 
volumes
Autor: Ana Laura Marchi Berg
Editora: Senac
Sinopse: A roupa perfeita vai além de escolher uma cor que com-
bine com a pele, um modelo que favoreça uma parte do corpo ou 
um estilo requerido para uma ocasião. Na base do bem-vestir está 
a modelagem: a arte de construir um molde que, depois, transfor-
ma o tecido em uma saia, uma calça, um vestido, uma camisa... 
Uma roupa bem modelada é a que alia estética e conforto – que, 
juntos, formam a elegância. Este livro apresenta a metodologia 
de modelagem adotada no Senac São Paulo em sua versão mais 
atualizada e aprimorada. O leitor encontra o passo a passo – com 
centenas de fotos e desenhos – de moldes que permitem a criação 
de diversas peças de roupas, desde as básicas até as elaboradas. 
Os moldes foram todos testados em manequins, e um capítulo 
especial ensina como adaptá-los aos tipos de corpo mais comuns 
entre as brasileiras. Com explicações claras e objetivas, Técnicas 
de modelagem feminina é uma obra de referência para quem já atua 
ou pretende atuar na indústria de confecção, costureiras, estilistas, 
estudantes de modelagem e até o público em geral interessado 
em desenhar a própria roupa para obter um visual exclusivo.
FILME / VÍDEO 
Título: Iris, Uma Vida de Estilo
Ano: 2014
Sinopse: O documentário Iris, Uma Vida de Estilo, dirigido por 
Albert Maysles, é a história de Iris Apfel, uma mulher singular e 
admiradora da moda e da arte. Iris nasceu nova-iorquina nascida 
no Queens, entrou na moda nos anos 1950, quando ela e seu 
marido Carl – que festejou 100 anos durante a filmagem – abriram 
a Old World Weavers, uma empresa de tecidos que chegou a ser 
contratada por nove presidentes americanos para restaurações 
da Casa Branca. Enquanto conversa e brinca com pessoas como 
Bruce Weber e Kanye West, Iris relembra momentos de sua vida, 
como quando Frieda Loehmann, fundadora da loja Loehmann’s, 
onde ela trabalhou como vendedora, disse: “Você não é bonita e 
você nunca será bonita, mas não importa porque você tem uma 
coisa muito melhor. Você tem estilo”. Sua excentricidade, assim 
como sua sensibilidade, é captada pelo diretor, que mergulha em 
sua vida e abre as portas de seu apartamento em Nova York, de 
seu closet único e absurdo e de sua mente sagaz.
58
Plano de Estudo:
● Base de Saia Reta;
● Saia Evasê;
● Técnicas de Acabamentos;
● Planificação deMoldes.
Objetivos da Aprendizagem:
● Conhecer o processo de desenvolvimento da base de saia reta;
● Conhecer o processo de desenvolvimento do modelo de saia evasê;
● Compreender os tipos de acabamentos para saias;
● Entender o processo de planificação de moldes.
UNIDADE III
Modelagem Base de Bottons
Professor Me. Dênis Martins de Oliveira
Professora Me. Floriza Taira Otto
59UNIDADE III Modelagem Base de Bottons
INTRODUÇÃO
Olá aluno(a), seja bem-vindo(a) a mais uma unidade de estudo. Agora que você já 
tem o conhecimento técnico sobre os materiais e ferramentas que são utilizados no pro-
cesso de elaboração da Modelagem Tridimensional, podemos avançar para outro conteúdo 
e tratar agora do processo de modelagem que envolve o desenvolvimento de peças para 
vestir a parte inferior do corpo feminino. 
É nessa etapa que os conceitos se misturam com a prática, e desta forma nossa 
unidade de conteúdo será organizada mesclando a teoria e os aspectos técnicos de modelar, 
com o passo a passo para execução das diferentes peças. Nesta unidade, você conhecerá 
as principais possibilidades de modelagem na parte inferior do corpo. Iniciando com a prepa-
ração do tecido, passando pela organização das marcações e chegando até o molde final. 
Vamos executar um modelo de saia reta, peça básica da parte inferior do corpo, mol-
dando sobre o corpo e colocando as folgas para garantir a vestibilidade. Em seguida, vamos 
utilizar as proporções estabelecidas pela peça base que foi desenvolvida e trabalhar o processo 
de interpretação de modelos, fazendo alterações para novas possibilidades de molde. 
Em cada modelo, depois da modelagem pronta, você deverá transferir o formato 
tridimensional de um molde para uma forma bidimensional, criando assim o que chamamos 
de planificação de moldes. Vamos transferir do tecido modelado para um molde de papel. 
Durante o processo é importante que você tenha alguns cuidados para que não ocorram 
erros e impactem no resultado final do produto de moda que você está modelando.
Bons Estudos!
60UNIDADE III Modelagem Base de Bottons
1. BASE DE SAIA RETA
O processo de modelagem de uma saia reta, consiste em uma sequência similar a 
utilizada no desenvolvimento da blusa. É necessário ter duas partes de tecido, que serão 
nossa matéria prima inicial para modelar a metade da peça frente e a metade da peça 
costas, pois estamos trabalhando com um modelo Simétrico.
Desta forma para confeccionar uma saia reta para um manequim de tamanho 38, 
você precisará de duas partes de tecido medindo 40 cm de largura (sentido da trama), 
por 60 cm de comprimento (sentido do urdume). Você irá esquadrar esse tecido para 
trabalhar sempre no sentido do fio reto, de modo que não haja torções no tecido e o 
caimento da peça fique correto.
Iniciaremos pela peça da parte frontal, e para que o caimento do tecido fique correto 
no corpo do manequim e consequentemente no produto final, você deve marcar uma linha 
paralela ao sentido do fio de urdume, com distância de 3cm. Essa linha será seu guia para 
alfinetar no eixo central. Posterior a essa marcação você pode marcar uma linha no sentido 
da trama com distância de 3cm (essa será sua linha de cintura).
Feito essas duas marcações no tecido frente e no tecido costas, você deve ter algo 
parecido com a Figura 1.
61UNIDADE III Modelagem Base de Bottons
FIGURA 1 - MARCAÇÃO DO TECIDO PARA SAIA BÁSICA
Fonte: Silveira (2017, p. 66).
A marcação da linha de pence apresentada na Figura 1, não é necessária ser 
elaborada, pois trabalharemos com a pence na linha princesa (linha que já se encontra 
marcada em seu manequim), isso facilita o processo e garante uma estética agradável no 
modelo final de sua saia reta.
Feito essa etapa de preparação do tecido, você então irá alfinetar a linha de eixo 
central no manequim, e então começará a acomodar o tecido. Nesse processo, você poderá 
se deparar com a torção do tecido na altura do quadril, quando você começar a acomodá-lo 
no manequim. Desta forma, lembre-se sempre de que não poderá haver deslocamento do 
tecido, então ao alfinetar o eixo central você deve ir com a mão acomodando o tecido na al-
tura do quadril (seu manequim está marcado com a linha de quadril, então vá acomodando 
o tecido pela linha do quadril, até chegar na linha lateral e então você poderá colocar um 
alfinete para assegurar que o tecido não torceu).
Com o tecido acomodado na linha de quadril agora é o momento de acomodar 
a linha de cintura e você irá notar que haverá uma espécie de sobra de tecido. Como 
você tem a marcação no tecido que deve estar na linha de cintura, coloque um alfinete no 
encontro da linha de cintura com a linha lateral e agora você irá com a mão acomodando o 
tecido até chegar na linha princesa. Como já temos o tecido acomodado na altura do quadril 
e como a linha de cintura não está alfinetada por completo, ao chegar na linha princesa 
você irá desenvolver a pence.
62UNIDADE III Modelagem Base de Bottons
Nesse caso a pence é necessária pois temos um volume reduzido na cintura, que se 
amplia na medida que avança para a altura do quadril, sua pence então deve estar posicio-
nada na linha princesa frente, saindo da cintura em direção ao quadril, conforme a Figura 2.
FIGURA 2 - MONTAGEM DA SAIA BÁSICA NO MANEQUIM
Fonte: Silveira (2017, p. 68).
Conforme você pode observar na Figura 2, o processo é o mesmo para realização 
da parte costas, você irá acomodar o tecido e fará a pence na altura da linha princesa costas. 
Existe apenas um detalhe no caso da parte costas, como na parte costas temos o volume das 
nádegas a profundidade da pence será maior, pois o tecido precisa acomodar a cintura que tem 
volume negativo e também as nádegas que possuem volume positivo em relação ao corpo.
Feito esse processo, use a caneta para demarcar a linha lateral, bem como as 
pences e então você terá a estrutura de base de sua saia reta. Agora você retira os tecidos 
do manequim e com o auxílio das réguas você irá retraçar as linhas, para que elas fiquem 
corretas e posteriormente você faça os moldes em papel. Suas partes da saia reta frente e 
costas devem ficar conforme a Figura 3.
63UNIDADE III Modelagem Base de Bottons
FIGURA 3 – MOLDE FRENTE E COSTAS SAIA RETA
Fonte: Abling e Maggio (2014, p. 24).
Desta forma você pode agora passar os moldes para o papel e colocar as infor-
mações conforme constam na Figura 3, bem como acrescentar a margem de costura, que 
deve ser de 1,5cm em todo o molde. Lembrando que se trata de uma peça simétrica, desta 
forma o eixo frente deve ser cortado de modo que o molde se torne a parte completa da 
frente da saia. Já no eixo central costas você pode trabalhar com uma abertura para colocar 
o dispositivo de vestibilidade, nesse caso seria um zíper.
Assim a parte costas da saia, mesmo sendo simétrica pode ser dividida em 2 partes 
apresentando uma costura de união no centro. Se por acaso você optar por colocar um 
zíper lateral, então a parte costas pode ser cortada, desdobrando o molde e fazendo uma 
parte única como foi feito na parte frente. Este é o processo para desenvolver a base de 
uma saia reta.
64UNIDADE III Modelagem Base de Bottons
2. SAIA EVASÊ
A partir da modelagem base de uma saia reta, é possível trabalhar o desenvolvimento 
de outros modelos de saias, como uma saia lápis (onde haverá afunilamento da base de uma 
saia reta), ou ainda o modelo de saia evasê, que você aprenderá a desenvolver neste tópico.
FIGURA 4 – MODELO DE SAIA EVASÊ
Fonte: Duarte Saggese (2012, p. 40).
O modelo de saia evasê consiste em um volume maior de tecido, formando assim 
uma circunferência de barra maior do que a circunferência de cintura, de modo que haja um 
aumento gradual no volume do tecido que sai da cintura e passa pelo quadril, acomodando 
assim as duas partes do corpo e trazendo movimento na altura da barra.
A partir da base de saia reta, você, aluno (a), consegue estruturar uma saia evasê 
com algunsprocessos relativamente simples, veja a Figura 5.
65UNIDADE III Modelagem Base de Bottons
FIGURA 5 – PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO DA SAIA RETA EM EVASÊ
Fonte: Duarte (2012, p. 40).
A Figura 5 apresenta o processo inicial de transformação da saia reta em evasê. 
Usando a mesma estrutura de uma base de saia reta cujo o eixo central está alfinetado, 
assim como a linha lateral e a linha de cintura, você irá então, marcar a linha princesa por 
completo no tecido e depois irá recortar da barra sentido cintura na linha princesa, até 
chegar na pence. Feito esse processo, você então retira os alfinetes da linha lateral e abre 
o tecido, de modo a ganhar alguns centímetros na abertura do recorte que você fez, seu 
molde deve ficar como a Figura 6.
FIGURA 6 – SEQUÊNCIA DO PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO DA SAIA RETA EM EVASÊ
Fonte: Duarte (2012, p. 40).
66UNIDADE III Modelagem Base de Bottons
Você então pode acrescentar um outro tecido, alfinetando-o para preencher o espaço 
aberto no molde base, e assim, determinar o volume que você irá ter em seu evasê. Ao retirar 
o tecido do manequim, acrescente 3cm na barra de seu molde ampliando na lateral, e assim 
você terá um volume maior em sua saia o que proporcionará movimento ao design da peça.
FIGURA 7 – ACRESCENTANDO VOLUME NA BARRA
Fonte: Duarte (2012, p. 41).
Feito esse processo, é só você passar a limpo e o molde final de sua saia evasê 
deve apresentar estrutura semelhante a Figura 8. Repare que ao cortar e abrir o molde 
a pence foi embutida no design da peça, então sua saia não terá pence, e o volume da 
abertura faz com que o tecido se amplie de forma gradativa da cintura para a barra.
FIGURA 8 – MOLDE FINAL FRENTE SAIA EVASÊ
Fonte: Duarte (2012, p. 41).
67UNIDADE III Modelagem Base de Bottons
Ressaltamos que o processo é o mesmo visto em tópicos anteriores, por se tratar 
de uma peça simétrica, desenvolvemos somente a metade frente que deve ser espelhada 
para formar a frente completa. No caso da parte costas o princípio de vestibilidade deve ser 
respeitado, se a intensão for colocar zíper no eixo central, a parte costas pode apresentar 
duas partes, e se o zíper for lateral a parte costas pode ser espelhada como ocorreu na 
parte frente.
SAIBA MAIS
A origem da costura
A história da costura começa provavelmente com as primeiras vestes conhecidas, 
originárias do período Paleolítico, que tinham a função de proteção contra o frio e 
eram feitas de materiais aproveitados dos animais caçados para a alimentação. Peles 
curtidas eram unidas uma na outra o auxílio de ossos, as primeiras agulhas, e tiras de 
couro, tendões e tripas.
Acredita-se que o uso de lã de animais e fiapos de algodão já eram utilizados no feitio 
das primeiras vestimentas cerca de 25 mil anos atrás. Há registro de povos nativos na 
América que utilizavam plantas como a agave, da qual se aproveitava a ponta da folha 
como agulha e as fibras secas para costurar itens.
Fonte: AUDACES. História da Costura, 2021. Disponível em: https://audaces.com/historia-da-costura/ 
Acesso em: 15/12/2021
68UNIDADE III Modelagem Base de Bottons
3. TÉCNICAS DE ACABAMENTO
Após elaboramos o processo de modelagem de uma peça do vestuário, é necessá-
rio pensarmos nas estruturas que irão compor essa peça como um todo, bem como quais 
serão os aspectos estéticos e de vestibilidade dessa peça enquanto produto final. Assim, 
o designer de moda, poderá explorar o design da peça, e combinar alguns elementos que 
são primordiais em um produto de moda.
● ERGONOMIA
● VESTIBILIDADE
● USABILIDADE
A Ergonomia consiste na relação entre o usuário e o produto, ou seja, é como o produto 
de moda desenvolvido pelo designer se comporta no corpo do público alvo para o qual o produto 
se destina. Os estudos sobre Ergonomia consistem em compreender o bem estar, conforto e 
segurança dos indivíduos e nesse caso a relação entre a roupa e quem a usa. 
A vestibilidade, por sua vez, é o processo de adequação do produto ao biotipo do 
usuário, ou seja, como o tecido, a modelagem e as estruturas da peça se comportam em 
contato com o corpo das pessoas. A usabilidade, no entanto, está atrelada a capacidade de 
uso do produto, como as pessoas colocam e como as pessoas retiram as roupas, e quais 
dispositivos são necessários para que realmente haja vestibilidade e usabilidade, de modo 
que o produto seja ergonômico.
69UNIDADE III Modelagem Base de Bottons
Considerando esse cenário, é necessário pensar em processos que tragam não só 
apelo estético aos produtos de moda, mas também que proporcionem o bem estar de quem 
utiliza o produto, nesse caso o designer pode explorar diferentes técnicas de acabamento, 
no que diz respeito ao produto de moda que veste a parte inferior do corpo feminino.
Iniciamos o processo entendendo a importância da bainha. A bainha ou barra (co-
mumente conhecida) é um acabamento dado ao final do produto em seu comprimento, 
pode estar em punhos, pernas de calças ou ainda na barra de uma saia, como é o caso de 
nosso exemplo na Figura 9.
FIGURA 9 – BAINHA DE SAIA GODÊ
Fonte: Crawford (2014).
A bainha, é o tipo de costura de acabamento feita na barra de uma peça, e para que 
a estética da peça final fique harmônica, no caso de saias amplas ou com muito volume o 
ideal é fazer a bainha conforme a Figura 9 nos mostra. 
A mediação deve ocorrer a partir do chão, pois como o volume das nádegas pode 
variar, se a bainha for feita somente no molde considerando a mesma medida na peça 
como um todo, pode ser que fique curta na parte costas, assim fazendo a medição a partir 
do chão, consegue-se uma proporção equilibrada visualmente e que garanta o conforto a 
quem utilizará o produto. 
No caso da saia apresentada na Figura 9, o processo foi bem simples, dobra-se 
o tecido duas vezes de modo a esconder a parte desfiada e passa-se uma costura reta, 
formando assim a bainha. Mas existe um outro processo que pode ser feito para dará 
acabamento em barras de saia, é o caso da bainha anatômica, que pode ser feita com o 
auxílio de um viés.
70UNIDADE III Modelagem Base de Bottons
FIGURA 10 – BAINHA ANATÔMICA
Fonte: Duarte (2012, p. 47).
Nesse caso, utiliza-se um tecido (que pode ser o mesmo da saia final) cortado 
em viés (ângulo de 45 graus), para que esse tecido seja costurado na barra e garanta 
acabamento para a peça. Podem ser utilizados tanto o tecido cortado em viés quando o 
viés em si. Mas você pode se perguntar por que precisa ser o viés? O viés é o único tipo 
de corte ou de aviamento que permite fazer curvas, devido a sua elasticidade do corte em 
45 graus, por isso é o material e o corte indicado para dar acabamento em barras que no 
caso da saia é circular.
Outra técnica de acabamento primorosa e essencial para uma calça, saia ou peça 
que veste a parte inferior do corpo é o Cós. O cós é um acabamento feito na altura da 
cintura para acomodar a peça em si e para que haja vestibilidade no produto. Desta forma 
existem dois tipos de cós.
FIGURA 11 – CÓS RETO
Fonte: Duarte (2012, p. 44).
71UNIDADE III Modelagem Base de Bottons
O cós reto (Figura 11) é um acabamento em formato retangular aplicado na cintura 
de qualquer peça que cubra a parte inferior do corpo. Ressaltamos que não há obrigato-
riedade em fazer um cós, pois a peça também pode ser confeccionada com um revél para 
dar acabamento na altura da cintura. O cós reto, portanto, é uma faixa reta que proporciona 
acabamento na peça, ele pode circundar a cintura da saia como um todo sem alterações 
em sua estrutura.
REFLITA
Normalmente, as vistas ou revel são costuradas no interior das roupas, de forma que 
não fiquem visíveis para o lado de fora. Porém, podem ocorrer casos em que tais aca-
bamentos aparecem também do lado de fora da peça, para efeito decorativo, cumprindo 
função estética e de acabamento.
Fonte: Heinrich (2005, p. 151).
Outro tipo de acabamento comumente trabalhado em saias, é o cós anatômico, este 
por sua vez, consiste em uma paralela que se retira da cintura, ou seja,é parte que compõe 
a peça retirada da cintura em direção ao quadril e sua medida vai depender da estrutura 
que se deseja como resultado final na peça. Por se tratar de uma parte da peça com linhas 
curvas ele geralmente é cortado em formato duplo e deve ser entretelado, para que tenha 
estrutura de sustentação para o acabamento da peça. Ele deve ter a parte frente e a parte 
costas separado, pois são volumes diferentes na frente e nas costas de um manequim.
FIGURA 12 – CÓS ANATÔMICO
Fonte: Duarte (2012, p. 45).
72UNIDADE III Modelagem Base de Bottons
Esses são os principais processos de acabamento para peças que vestem a par-
te inferior do corpo. E você pode estar se perguntando quando a calças por exemplo; o 
desenvolvimento de calças é trabalhado no processo de modelagem bidimensional ou mo-
delagem plana, pois são peças mais fácies de serem desenvolvidas por meio de cálculos, 
e consistem somente no acabamento de cintura (cós) de forma que as pernas em si não 
apresentam modelagens e estruturas elaboradas, ou curvas nas quais os tecidos precisam 
se acomodar, por isso não são ensinadas nessa disciplina.
73UNIDADE III Modelagem Base de Bottons
4. PLANIFICAÇÃO DE MOLDES
Após desenvolver suas modelagens, você, precisa compreender o processo de 
planificação de moldes, para não só ter os moldes de forma correta, mas para construir seu 
acervo de modelagens base e arquivá-lo de forma organizada e legível para posterior uso 
e desenvolvimento de produtos.
O processo para planificação dos moldes é então a retirada do tecido já com as 
devidas marcações do manequim, e você irá primeiramente, esticá-lo sobre uma superfície 
plana, para retraçar todas as marcações que você fez. Com o auxílio das réguas de mode-
lagem você retraça todas as linhas que estavam “esboçadas” em seu tecido.
Feito esse processo, você pode utilizar uma carretilha ou um carbono para então 
criar seus moldes. Você coloca um papel (geralmente utiliza-se papel kraft, ou manilha) 
coloca o carbono com o lado da tinta virado para o papel e coloca o tecido. Aí então, é 
só passar a carretilha ou um lápis e você conseguirá transpor as informações que estão 
no tecido para o papel. Feito essa etapa, você pode retraçar as marcações do papel com 
canetinha e colocar as informações sobre seu molde.
Vamos a algumas dicas importantes para que seus moldes tenham coerência 
e para que você consiga utilizá-los no corte de suas peças de forma adequada. A pri-
meira dica é sobre as pences, a pence é um elemento de extrema importância para 
proporcionar a vestibilidade de suas peças, portanto, no molde e também no processo 
de corte da peça você deve demarcar sua pence com “piques”, pequenos cortes para 
fazer com que se compreenda os dois pontos que deverão ser unidos para que haja a 
pence, conforme a Figura 13.
74UNIDADE III Modelagem Base de Bottons
FIGURA 13 – PIQUES
Fonte: Crawford (2014).
Lembre-se de que o pique não pode ser profundo demais, pois você só tem no 
máximo 1,5cm de margem de costura, qualquer pique maior do que isso irá interferir e 
causar um defeito visível na peça. Dito isso, vamos para o processo de corte das peças, ou 
seja, como você posiciona seus moldes de papel sobre um tecido final, que formará a peça 
a ser costurada.
O primeiro entendimento é o de posicionamento dos moldes sobre o tecido. Todos 
os seus moldes em papel devem ter a marcação do sentido do fio reto (fio de urdume) para 
que seja possível posicionar os moldes de forma correta e a peça fique com o caimento 
correto, observe a Figura 14.
FIGURA 14 – POSICIONAMENTO DE MOLDES PARA CORTE DA PEÇA
Fonte: Crawford (2014).
75UNIDADE III Modelagem Base de Bottons
Repare que na Figura 14 que já estamos falando do processo de usar os moldes 
de papel para cortar a peça final. O sentido do fio reto dos moldes deve estar alinhado 
ao sentido do fio reto do tecido que será cortado, e todos os moldes devem estar com o 
alinhamento perfeito para que não haja torção na hora do corte, feito isso você alfineta cada 
molde no tecido para posteriormente cortá-los, para isso, você pode utilizar a fita métrica, 
ou uma das réguas de modelagem e ir ajustando o mesmo espaçamento da marcação do 
fio até a borda do tecido, conforme a Figura 15.
FIGURA 15 – ALINHAMENTO DO FIO RETO
Fonte: Crawford (2014).
Lembre-se sempre de que se o molde for simétrico, a parte que deve ser espe-
lhada, e ser posicionada na dobra do tecido, conforme Figura 16. Um espelhamento de 
molde significa que eu estou “copiando” espelhando uma parte para outra parte igual, o que 
servirá para cobrir a frente como um todo do meu corpo.
FIGURA 16 – FRENTE DE BLUSA SIMÉTRICA
Fonte: Crawford (2014).
76UNIDADE III Modelagem Base de Bottons
Uma peça completa ocupa bastante espaço no momento de corte, portanto o pro-
fissional que lida com a modelagem precisa trabalhar o que nós chamamos de “encaixe”, 
se trata do melhor posicionamento dos moldes sobre o tecido que será cortado a fim de 
aproveitar ao máximo o tecido que será cortado, e sempre respeitando o espelhamento 
das partes que possuem esse aspecto, bem como o posicionamento do sentido do fio reto, 
conforme Figura 17.
FIGURA 17 – ENCAIXE
Fonte: Crawford (2014).
Ao respeitar todos esses processos, você garantirá um corte excelente e coerente 
de modo que sua peça tenha o caimento correto. Lembre-se sempre de identificar todos os 
moldes com os seguintes itens:
● Tamanho;
● Nome;
● Sentido do Fio Reto;
● Piques (se necessário);
● Margem de costura.
Cabe ressaltar que o Designer de Moda não é um modelista, você apenas precisa 
compreender os processos de modelagem para conseguir projetar os produtos de forma 
coerente com os processos fabris, na indústria, você terá o auxílio de um modelista respon-
sável por todo esse processo. Mas se a área de modelagem lhe agrada, então invista em 
cursos extras para se especializar cada vez mais.
77UNIDADE III Modelagem Base de Bottons
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Caro(a) aluno(a), a presente unidade lhe apresentou os principais aspectos da 
modelagem tridimensional de peças do vestuário para a parte inferior do corpo, envolvendo 
a criação de bases e interpretação de modelagem, nesse caso de saias. Ao iniciar o pro-
cesso de modelagem de uma peça, o modelista deve fazer o estudo completo do modelo 
criado pelo estilista, ou seja, analisar a proposta, que tipo de peça vai ser confeccionado, 
o caimento do tecido, se a peça vai ficar justa ou larga ao corpo, quais serão os tipos de 
acabamentos e aberturas para vestibilidade que estarão na peça, para que assim a peça 
realmente atenda às necessidades do público alvo ao qual ela se destina. 
Com as noções sobre a volumetria corporal e trabalhando os exercícios de cons-
trução da peça ao corpo, verificamos que é possível entender como se comporta um tecido 
sobre o corpo em si, e quais recursos devem ser empregados para o sucesso de uma peça 
de roupa. Ainda nesta unidade, vimos os passos de criação e materialização da base e da 
variação de modelos, em que constamos a possibilidades de criar os tipos de acabamentos 
para cada peça desenvolvida.
Foi possível observar os processos de acabamentos e como eles são importantes 
no processo de design, vestibilidade, ergonomia e usabilidade de uma peça de roupa. Por 
fim, abordamos também os processos de planificação dos moldes e como esses moldes 
devem ser distribuídos para garantir o corte perfeito de uma peça modelagem de forma 
tridimensional e que ganha aspecto bidimensional ao se tornar um molde. Foi possível 
observar a importância de apresentar as informações corretas nos moldes e de como o 
posicionamento de tais moldes pode interferir no design da peça. 
Ressaltamos caro aluno(a) que os processos apresentados nessa unidade, dizem 
respeito a modelagem de saias, mas também se aplicam a outras peças do vestuário, 
principalmente o tópico sobre a planificação de moldes, portanto ao executar qualquer mo-
delagem estejaatento, ao espelhamento das partes da peça, bem como ao posicionamento 
do sentido do fio reto. 
Bons estudos!
78UNIDADE III Modelagem Base de Bottons
LEITURA COMPLEMENTAR
O Processo de Modelagem Industrial
Na materialização de um projeto de produto de moda, por meio da definição de 
tecidos, aviamentos, beneficiamentos, da elaboração de fichas técnicas, estudos de mode-
lagens e pilotagens, os aspectos concretos são determinantes para a definição do tipo de 
produto. Todas essas atividades, assim como outras, se interrelacionam e dependem umas 
das outras para o estabelecimento de uma coleção de produtos de moda (DENIS,2004).
Porém, sabe-se que para um resultado satisfatório do produto de moda, ou seja, 
para que o mesmo atenda às expectativas do usuário, além da criatividade para desen-
volver o desenho, o projetista deve tomar como base para a modelagem do vestuário, a 
percepção dos contornos do corpo, bem como suas medidas antropométricas.
Leite (2008) analisa que o processo de fabricação do vestuário é, acima de tudo, o 
resultado das informações de moda que resultam, posteriormente, em um produto. A moda 
está expressa nas mais diversas formas em diferentes áreas do conhecimento. Sendo 
assim, o processo de modelagem industrial está diretamente ligada a materialização do 
produto desejado pelo usuário (LEITE, 2008).
A modelagem plana industrial é responsável pela materialização da ideia no produto, 
engloba as atividades relacionadas à execução das ferramentas – moldes – necessárias à 
reprodução fiel das formas originais do projeto. Nesta etapa do desenvolvimento, deve-se se-
guir um planejamento com vistas à reprodução do produto em escala industrial, desenvolver 
uma sucessão estruturada de trabalhos interdisciplinares e de ações conjugadas, envolvendo 
também os setores relacionados com a produção e a comercialização dos produtos.
A modelagem, segundo Araújo (1996) consiste na “arte de confecção de moldes a 
partir de um modelo pré-estabelecido”. Cabe ao modelista, por sua imaginação e capaci-
dade de observação, ser capaz de adaptar, transformar e criar moldes, dentro daquilo que 
é o mais importante: a base do corpo. A modelagem tem como objetivo adaptar a coleção 
à produção, por meio do desenvolvimento dos moldes, baseando-se o design do modelo, 
numa base de dados de moldes básicos, componentes normalizados e famílias ou blocos 
de moldes que representam o corpo humano.
A modelagem industrial é a técnica empregada na construção de roupas, sendo 
desenvolvida de forma bi ou tridimensional em quantas partes forem necessárias. Para 
isso, o modelista faz a interpretação de todas as formas do corpo humano por meio de 
79UNIDADE III Modelagem Base de Bottons
medidas antropométricas. Para a elaboração de modelagens de vestuários, as principais 
referências que devem ser consideradas são os desenhos projetados pelos designers e 
principalmente as dimensões antropométricas do usuário, o corpo (MEDEIROS, 2007).
Radicetti (2004), respaldada nesses conhecimentos, afirma que o modelista, por 
meio das criações do designer, é capaz de desenvolver moldes de produtos que satisfaça 
os desejos estéticos, funcionais e emocionais dos consumidores. Woltz e Woltz (2006) ana-
lisam ainda que os desenhos criados pelos designers devam possuir uma total clareza de 
informação sobre a roupa permitindo a elaboração de produtos adequados ao consumidor.
É a partir desses desenhos e pela ficha técnica de produto, que o modelista fará a 
interpretação e a elaboração dos moldes dos produtos. O modelista faz a mediação entre 
a criação e a produção das peças em escala industrial, por isso é importante que todas as 
técnicas sejam avaliadas nesse processo, considerando que durante a produção industrial 
não será possível efetuar correções devido falhas da modelagem. A partir do momento que 
as partes das peças cortadas são levadas para a produção, não há mais retorno possível, 
a não ser que se refaça o molde e a peça piloto. (ESCOREL, 1999, p. 66).
Fonte: MENEZES, M. S; SPAINE, P. A. A. Modelagem Plana Industrial do Vestuário: diretrizes para 
a indústria do vestuário e o ensino-aprendizado. Projética, Londrina, v. 1, n. 1, p. 82-100, dez. 2010. nº inaugural.
80UNIDADE III Modelagem Base de Bottons
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO
Título: Corset: Interpretações da forma e da construção
Autor: Ana Laura Marchi Berg.
Editora: Senac.
Sinopse: Poucas peças de roupa fascinam tanto quanto o cor-
set. Ele, que começou como uma underwear, hoje atua tanto nos 
bastidores quanto no palco: pode combinar com saia, pantalona, 
jeans, ou servir para sustentar vestidos soltos, com drapeados, 
de noiva e o que mais a imaginação alcançar. Quer evidenciar o 
busto, afinar a cintura ou realçar o quadril? Escolha o modelo mais 
adequado, ajuste o cordão e a silhueta poderá ser visualmente 
modelada. Mas, para que o caimento seja perfeito, o corset deve 
ser construído minuciosamente. Corset: interpretações da forma e 
da construção, publicação do Senac São Paulo, revela com deta-
lhes todo o processo de construção de diferentes tipos de corset 
(overbust, midbust, underbust e waist cincher), desde a modela-
gem, utilizando a técnica da moulage, até a construção da peça 
final. Com fotografias mostrando o passo a passo do surgimento 
do corset, este livro comprova que a construção dessa peça é um 
apurado processo de modelagem e também uma delicada criação 
poética.
FILME / VÍDEO
Título: Coco Antes de Chanel
Ano: 2009.
Sinopse: Outro filme de moda indispensável para quem gosta do 
universo fashion, Coco Antes de Chanel conta a história da famosa 
estilista Gabrielle, mais conhecida como Coco Chanel. O longa 
mostra como a moça de família humilde vivia antes de construir 
seu império e se tornar um dos nomes mais famosos do mundo 
da moda.
81
Plano de Estudo:
● Vestidos;
● Inspirações e Processos;
● Moda Conceitual;
● Modelando Possibilidades. 
Objetivos da Aprendizagem:
● Conhecer o processo de modelagem de vestidos;
● Conhecer diferentes processos de modelagem e suas possibilidades;
● Compreender o que é a moda conceitual e sua relação 
com as técnicas de modelagem;
● Analisar os processos que envolvem técnicas 
de modelagem tridimensional.
UNIDADE IV
Modelagem Criativa
Professor Me. Dênis Martins de Oliveira
Professora Me. Floriza Taira Otto
82UNIDADE IV Modelagem Criativa
INTRODUÇÃO
Olá acadêmico(a), seja bem-vindo a mais uma unidade de nosso material sobre 
Modelagem Tridimensional. Você já observou que toda peça de roupa tem uma estrutura? 
Pois bem, essa estrutura só é possível devido ao processo de manipulação do tecido que 
por meio de linhas, recortes, dobras e acabamentos forma uma roupa.
O produto de moda, ou seja, a roupa, é parte de um longo processo de pesquisa e 
criação que resulta em um objeto vestível. A modelagem, por sua vez, é parte fundamental 
desse processo, pois envolve justamente a construção da peça, a materialização do produ-
to idealizado pelo designer.
Nessa unidade, veremos algumas possibilidades para desenvolver modelos de vesti-
dos de forma a combinar as bases de tops com as bases de bottons, veremos também como é 
possível buscar inspiração em outras áreas do saber, e transformá-las em produtos de moda.
Posteriormente você irá adentrar o universo da moda conceitual e entender como 
esta área do design se conecta com a modelagem tridimensional, visando fomentar a cria-
tividade e as possibilidades inovadoras dessa fusão.
Por fim, veremos como é possível manipular algumas partes das bases de peças 
do vestuário e transformá-las em novos produtos, inovando de forma criativa. É importante, 
caro aluno(a), que você não deixe de pesquisar e de buscar novas referências se você 
gosta dos processos de modelagem, pois as possibilidades criativas são inúmeras e não 
caberiam em um único material didático. 
Boa Leitura!
83UNIDADE IV Modelagem Criativa
1. VESTIDOS
Dentre os processos que auxiliam o designerno desenvolvimento dos produtos de 
moda, a modelagem é sem sombra de dúvidas, o processo que melhor define a criatividade, 
pois é por meio desse processo que temos a materialização de um produto de moda. O 
designer tem a liberdade criativa para definir os materiais e os tecidos que serão usados no 
desenvolvimento de um produto de moda conforme seu olhar criativo e suas inspirações, 
veja a afirmação de Udale (2014):
Durante o período de aprendizagem, podemos criar pequenas amostras de 
tecido e desenvolver ideias de forma experimental. No entanto, o designer 
profissional que trabalha na indústria da moda deve saber como vender seu 
trabalho. Se você escolher fazer seus próprios tecidos, você terá que con-
siderar os requisitos e equipamentos necessários para a fabricação assim 
como será necessário avaliar como os diferentes tipos de tecidos projetados 
formarão uma coleção. Então você terá que pensar sobre a quem apresentá-
-los e onde vendê-los. (UDALE, 2014, p.38).
Esse entendimento das possibilidades em se comprar um tecido ou em criar seu 
próprio tecido, vai depender do segmento de moda em que você irá atuar. De qualquer for-
ma é essa escolha que implicará no desenvolvimento do produto final projetado por você. 
Desta forma, veremos a seguir algumas possibilidades para explorar as técnicas que vimos 
até aqui e combinar o processo de modelagem de Tops com o processo de modelagem de 
Bottons para então criarmos vestidos.
84UNIDADE IV Modelagem Criativa
FIGURA 1 – VESTIDO TOMARA QUE CAIA
Fonte: KIISEL (2013, p. 47).
A peça apresentada na Figura 1 é estruturada de forma a deixar os ombros livres, 
ou seja, não há alças, portanto, a peça deve ser bem modelada ao corpo e assim sustentar 
o busto. Desta forma a estrutura da peça deve apresentar pences, conforme a Figura 2.
FIGURA 2 – CROQUI DO TOP TOMARA QUE CAIA
Fonte: KIISEL (2013, p. 47).
A sequência para desenvolvimento de um top Tomara que caia conforme o exemplo 
da Figura 1, pauta-se nos seguintes passos:
85UNIDADE IV Modelagem Criativa
FIGURA 3 - PASSO A PASSO DE UM TOP TOMARA QUE CAIA
Fonte: KIISEL (2013, p. 48).
Conforme vimos na unidade sobre o desenvolvimento de blusas, o tecido é aco-
modado e constrói-se a pence para sustentar a volumetria do busto, nesse caso a pence 
parte da lateral em direção ao mamilo. Por fim, é só traçar o estilo de decote desejado e dar 
continuidade ao processo na parte costas, conforme Figura 4.
FIGURA 4 – DECOTE E COSTAS
Fonte: KIISEL (2013, p. 48).
Para finalizar o modelo você, aluno(a), pode utilizar a modelagem de uma saia reta, 
e unir o top com a saia por meio de um cós mais largo, assim você terá o vestido tomara 
que caia pronto. É importante frisar que é necessário ter um dispositivo de abertura, então 
pense se você quer o zíper no eixo central costas ou na lateral, para então espelhar os 
moldes e traçar de forma correta sua modelagem.
86UNIDADE IV Modelagem Criativa
Como uma segunda opção para criar vestidos, você pode trabalhar com o tecido 
sem formar um recorte na cintura, ou seja, é possível trabalhar um modelo de vestido 
usando um único tecido e criando uma peça mais ampla, chamada de corte em linha A, 
conforme a Figura 5.
FIGURA 5 – VESTIDO EM CORTE A
Fonte: KIISEL (2013, p. 49)
FIGURA 6 – CROQUI DO VESTIDO EM LINHA A
Fonte: KIISEL (2013, p. 49).
87UNIDADE IV Modelagem Criativa
Esse modelo proporciona maior movimento e o caimento do tecido sobre o corpo 
apresenta uma forma leve e fluída, e você pode explorar a criatividade e acrescentar man-
gas diferentes ou babados na saia, para trazer personalidade ao design da peça.
O processo consiste em trabalhar com o tecido no comprimento desejado da 
peça, e de forma que sua largura cubra toda a linha frontal até a lateral do manequim, 
assim você conseguirá modelar toda a metade da frente do vestido, conforme o passo a 
passo da Figura 7.
FIGURA 7 – MODELANDO O VESTIDO LINHA A
Fonte: KIISEL (2013, p. 50).
Lembre-se sempre de respeitar o sentido do fio reto, e assim posicionar o tecido de 
forma correta sobre o manequim, para que o caimento da peça fique correto. Na sequência, 
você pode traçar o decote a cava para finalizar a parte frente de sua peça.
FIGURA 8 – FINALIZANDO A PARTE FRENTE
Fonte: KIISEL (2013, p. 50).
88UNIDADE IV Modelagem Criativa
Por se tratar de uma peça ampla, você pode utilizar essa modelagem de forma 
espelhada na parte frente, bem como na parte costas e assim criar um vestido em linha A 
com bastante movimento. Lembre-se do dispositivo de vestibilidade para que seja possível 
vestir e despir a peça sem problemas.
Com essas possibilidades, você pode combinar de forma criativa blusas e saias 
e formar vestidos com design diferenciado, a fim de inovar de forma criativa o desenvolvi-
mento de peças do vestuário feminino por meio das técnicas de modelagem tridimensional.
SAIBA MAIS
Charles Frederick Worth é geralmente considerado o pai da alta-costura e a figura fun-
dadora da moda como indústria e arte. Através das suas criações, dos seus conceitos e 
da sua forma inovadora de abordar a costura, Charles Frederick Worth conseguiu definir 
a imagem do seu tempo e inspirar inúmeros designers que lhe seguiram. 
Quando estava fora do atelier, passava horas a fio a observar as maravilhas da Natio-
nal Gallery, encantado com a beleza dos vestidos representados nos retratos a óleo de 
rainhas e damas da aristocracia. Foi nesses corredores que o incomparável sentido de 
estilo e de arte de Worth começou a tomar forma, e, através dos vestidos vaporosos, 
dos enfeites delicados e da mestria dos tempos antigos, começou a desenvolver o gosto 
pelo detalhe que mais tarde viria a definir o seu futuro e a desempenhar um papel impor-
tante na definição do mundo da moda tal como o conhecemos.
Fonte: LA PRAIRIE. A maioson Worth e a origem da alta-costura. 1875. Disponível em: https://www.laprai-
rie.com/pt-latam/editorials-article?cid=haute-couture Acesso em: 23 nov. 2021. 
https://www.laprairie.com/pt-latam/editorials-article?cid=haute-couture
https://www.laprairie.com/pt-latam/editorials-article?cid=haute-couture
89UNIDADE IV Modelagem Criativa
2. INSPIRAÇÕES E PROCESSOS
Cada designer terá um olhar único sobre a referências que servirão de inspiração 
para criar um produto ou uma coleção de moda. O repertório criativo de cada profissional 
é fundamental para que novas conexões se tornem possibilidades e resultem em produtos 
de moda inovadores.
Considerando os processos básicos ensinados no decorrer das unidades II e III, 
podemos explorar possibilidade e trabalhar com referências criativas para formar produtos 
com uma estética única. A Figura 9 apresenta o croqui de um vestido com inspiração na 
indumentária grega.
FIGURA 9 – VESTIDO GREGO
Fonte: KIISEL (2013, p. 27).
90UNIDADE IV Modelagem Criativa
Para desenvolver essa peça você, aluno(a), irá trabalhar com um tecido que cubra 
toda a frente do manequim, pois iremos franzir esse tecido, e desta forma o tecido precisa 
ter amplitude, veja o passo a passo na Figura 10.
FIGURA 10 – ACOMODANDO O TECIDO
Fonte: KIISEL (2013, p. 28).
O vestido grego é uma peça simétrica, então frente e costas devem ter as mesmas 
proporções. No caso do desenvolvimento dessa peça o ponto principal é a cintura, para que 
seja possível posicionar o elástico e franzir o tecido. Na época em que os gregos utilizavam 
esse modelo de peça não havia elástico, mas agora podemos utilizar esse material para 
criar na linha de cintura um franzido que adeque o tecido ao corpo, criando assim uma 
silhueta para a peça.
FIGURA 11 – ADEQUANDO O ELÁSTICO
Fonte: KIISEL (2013, p. 29).
91UNIDADE IV Modelagem Criativa
Na lateral o encontro das partes frente e costas pode ser natural, sem que haja 
desenho da cava, pois estamos manipulando dois retângulos que se unem para cobrir o 
corpo. Lembre-se apenas de dar continuidade no franzido de forma harmônica para que a 
estética dapeça fique bem acabada. O elástico deve ficar por dentro de modo que fique 
escondido na peça final.
FIGURA 12 – LATERAL DO VESTIDO GREGO
Fonte: KIISEL (2013, p. 29).
A peça final deve ter estética parecida com a Figura 13, e você pode utilizar um 
tecido leve e assim criar um efeito de movimento na peça, além é claro de poder bordar e 
ornamentar a peça conforme seu desejo.
FIGURA 13 – PEÇA FINAL SIMÉTRICA
Fonte: KIISEL (2013, p. 30).
92UNIDADE IV Modelagem Criativa
O volume de tecido franzido para a peça dependerá de sua vontade, assim como 
o comprimento que pode ser curto, mediano ou longo, e assim você pode diversificar o 
modelo e criar novas possibilidades. Use a Criatividade!!!
REFLITA 
Deixe seu cérebro buscar referências, memórias boas ou ruins, conexões com o que 
você faz ou deseja fazer.
Fonte: Anjos (2020).
93UNIDADE IV Modelagem Criativa
3. MODA CONCEITUAL
O designer de moda precisa ter um vasto conhecimento sobre as mais variadas 
áreas, pois é por meio desses conhecimentos e criando diferentes conexões que a ino-
vação surge, e assim a moda se renova enquanto fenômeno mutável e efêmero que é. 
Nesse universo de possibilidades surge uma vertente da moda que explora a criatividade, 
a manipulação de diferentes materiais combinados de forma inusitada, e também valoriza 
os questionamentos que podem ocorrer no universo fashion, esses produtos são chamados 
de “Conceituais”, ou de “Moda Conceitual”. Assim afirma Udale (2014):
A tendência começou com os designers japoneses e também alguns desig-
ners belgas adotaram tal estética. Martin Margiela foi um deles; trabalhando 
com uma linha conceitual para que suas roupas parecem feitas à mão, não 
feitas de fabricação em massa. A desconstrução aplicada e a reciclagem em 
suas coleções. O jeans rasgado e customização aprovada para constituir o 
mainstream da estética conceitual nas peças. (UDALE, 2014, p. 09).
A moda conceitual pode ser uma excelente ferramenta para exercitar possibilidade 
em termos de modelagens e de testes criativos para desenvolver peças únicas e com apelo 
estético. Veja um exemplo na Figura 14:
94UNIDADE IV Modelagem Criativa
FIGURA 14 – LOOK DESTROYED
Fonte: UDALE (2014, p. 22).
O designer que opta por trabalhar com a moda conceitual, deve compreender que o 
foco está na poesia, na imagem, nas referências e na estética única, diferenciada, provocati-
va e inovadora das peças. A linguagem autoral no processo de desenvolvimento de produtos 
conceituais sempre falará mais alto, ou seja, o designer transmite uma mensagem com a 
estética de suas peças, e o foco deixa de ser apenas o caráter comercial e a reprodução em 
série, para dar lugar a história por trás da peça, da marca e do profissional que a idealizou.
Por meio do processo de manipulação de diferentes materiais é possível construir peças 
que tenham uma estética vanguardista, ou seja, que pareçam estar à frente do seu tempo.
95UNIDADE IV Modelagem Criativa
FIGURA 15 – LOOK CAMADAS
Fonte: UDALE (2014, p. 23).
A moda conceitual usa de materiais e técnicas da modelagem tridimensional para 
ensaiar novas possibilidades e assim inovar nas linhas, formas e texturas que serão em-
pregadas aos produtos. Muito se tem da tecnologia e dos avanços tecnológicos na área 
de maquinário, estamparia, impressão 3D, aviamentos e tecidos, e assim o designer tem 
inúmeras possibilidades para combinar técnicas e materiais no desenvolvimento de peças 
autorais e conceituais.
FIGURA 16 – ESTAMPAS E TECIDOS
 
Fonte: UDALE (2014, p. 49 e 60).
96UNIDADE IV Modelagem Criativa
As formas que podem ser desenvolvidas usando a combinação de diferentes ma-
teriais, pode criar volumes, e texturas únicas na peça a ser desenvolvida, de modo que um 
look conceitual cause impacto visual em um editorial de moda, um desfile ou em um palco 
como figurino de uma cantora.
FIGURA 17 – LOOK CONCEITUAL
Fonte: UDALE (2014, p. 76).
Mas você pode estar se perguntando, a moda conceitual não é algo usável no dia 
a dia? A resposta é... depende. Existem designers que trabalham a moda conceitual de 
uma forma integrada com a usabilidade cotidiana, e assim os produtos apresentam estética 
inovadora, diferenciada, mas não extravagante, conforme o exemplo da Figura 18.
97UNIDADE IV Modelagem Criativa
FIGURA 18 – MODA CONCEITUAL USÁVEL
Fonte: UDALE (2014, p. 08).
A usabilidade e os conceitos de Ergonomia e vestibilidade devem permanecer 
mesmo em produtos que tenham estética extravagante como é o caso de algumas peças 
conceituais. O designer deve sempre compreender que o processo de modelagem de uma 
vestimenta está pautado na relação da peça com o corpo do usuário e este processo deve 
proporcionar conforto e segurança a quem está vestindo a peça. A moda conceitual é uma 
vertente a ser explorada e a criatividade é a mola propulsora para trabalhar as modelagens 
nesse segmento de mercado.
98UNIDADE IV Modelagem Criativa
4. MODELANDO POSSIBILIDADES
O conhecimento sobre as variantes e possibilidades para manipular os tecidos 
de forma criativa e assim estruturar peças do vestuário, faz com que a técnica de mode-
lagem tridimensional seja um vasto campo a ser explorado, pois são inúmeras as formas 
de drapear um tecido sobre o corpo e assim formar uma peça de roupa. O designer tem, 
portanto, a missão de articular a técnica combinada com a estética a fim de conseguir um 
resultado que valorize a silhueta do cliente, bem como proporcione conforto e segurança 
conforme afirma Udale (2014):
Do ponto de vista estético, é necessário considerar como o tecido é dra-
peado, seu caimento, textura, cor, padrão ou qualquer outro aspecto de sua 
superfície. Devemos também pensar sobre sua função: o tecido tem que es-
tar em conformidade com o corpo. Deve possuir qualidades proteger, talvez 
contra chuva ou frio? (UDALE, 2014, p. 08).
Esse olhar técnico combinado com a sensibilidade estética do designer possibilita 
a criação de um produto de moda que atenda às necessidades do público-alvo da marca 
para a qual o designer trabalha. Desta forma, pensar em como os tecidos se comportam e 
em como podemos reorganizá-los sobre o corpo para criar um produto novo, é o que faz da 
modelagem tridimensional uma técnica interessante e criativa. A seguir, você verá algumas 
possibilidades para reestruturar as bases vistas na unidade II e assim combinar com outras 
referências criando peças diferentes.
99UNIDADE IV Modelagem Criativa
A Figura 19 apresenta um modelo de decote drapeado, e você pode aplicar esse 
modelo nas mais variadas peças, considerando os mais variados tecidos. Com a manipu-
lação da base para desenvolver o decote drapeado, em cada tipo de tecido você terá um 
resultado diferente. 
FIGURA 19 – DECOTE DRAPEADO
Fonte: Silveira (2017, p. 49).
Ao criar esse efeito no decote, você precisará dar acabamento, que pode ser por 
meio de um revel, ou de uma faixa que contorne o pescoço como se fosse um cós; você 
pode, ainda fazer essa faixa maior e criar um laço, valorizando ainda mais o design da peça.
Como estamos falando de uma peça simétrica, você modela apenas um lado do 
manequim e depois espelha o molde para ter os dois lados iguais. Observe na Figura 20, 
que a pence de cintura se mantém e você alonga a linha de decote, de modo que a linha 
de ombro se desloca, e ao franzir o tecido você conseguirá que a linha de ombro volte para 
o local correto.
100UNIDADE IV Modelagem Criativa
FIGURA 20 – MOLDE DO DECOTE DRAPEADO
Fonte: Silveira (2017, p. 50).
Outro processo interessante e válido para criar peças na técnica de modelagem 
tridimensional é o desenvolvimento de lapelas, ou seja, aberturas que se encontram na 
parte frontal do busto e que tenham um caimento de tecido conforme as possibilidades 
apresentadas na Figura 21.
FIGURA 21 – LAPELAS
Fonte: Silveira (2017, p. 54).
Cada uma das linhas apresentadas em cores diferentes na lapela é um modelo 
ou formato que a lapela pode ter ao ser trabalhadaem um produto de moda. No caso do 
desenvolvimento do molde para lapelas, a base da blusa é manipulada de modo que haja 
tecido extra para a lapela e também haja tecido para o transpasse, pois no caso desse 
modelo temos os botões. Observe na Figura 22 que o tecido está além da linha de eixo 
central, assim como também há mais tecido na altura da lapela.
101UNIDADE IV Modelagem Criativa
FIGURA 22 – MOLDE BASE DE LAPELA
Fonte: Silveira (2017, p. 54).
Para que haja acabamento em uma peça com lapela, você deve trabalhar com um 
revel de modo a garantir que avesso e direito da peça fiquem esteticamente bonitos e bem 
acabados. Assim, o revel de uma lapela, para lhe dar estrutura, deve partir da linha de ombro 
e avançar por toda a frente da peça. Lembrando que a peça possui abertura frontal, então o 
revel deve estar tanto no lado direto como no lado esquerdo da peça, observe a Figura 23.
FIGURA 23 – REVEL DA LAPELA
Fonte: Silveira (2017, p. 54). 
Para entender como esse processo funciona, basta você observar uma lapela de 
blazer, observe que tanto a parte externa quanto interna da lapela são feitas sempre no 
mesmo tecido, para que a dobra da lapela fique em harmonia com o tecido da parte externa 
da peça. Mas você, aluno(a) pode explorar a criatividade e fazer o revel da lapela em outras 
cores, trabalhando combinações cromáticas, diferentes texturas ou diferentes materiais.
102UNIDADE IV Modelagem Criativa
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Chegamos ao fim de nossa última unidade do material didático sobre modelagem 
tridimensional. Nesse encontro, foi possível observar algumas nuances que envolvem o 
processo criativo, combinado com a técnica de modelagem tridimensional e como você 
aluno pode explorar essas possibilidades no desenvolvimento de produtos de moda por 
meio da técnica tridimensional de manipulação de tecidos.
Primeiramente, observamos algumas possibilidades para o desenvolvimento de vesti-
dos e como podemos combinar bases de saias com bases de blusas para criar peças diferentes.
Posteriormente, observamos como a história nos serve de arcabouço criativo para 
criarmos modelagens, e com materiais simples e formas básicas podemos desenvolver 
diferentes peças do vestuário.
Em um terceiro momento, apresentamos a você o que é a moda conceitual e como 
a modelagem tridimensional pode ser uma forma criativa de desenvolvimento de produtos 
que tenham apelo estético e sejam vanguardistas.
Para finalizar nossa unidade você pode observar algumas possibilidades para 
explorar partes da modelagem e manipulá-las a fim de criar novos produtos e idealizar 
modelos que tenham personalidade.
Encerramos aqui nosso conteúdo, bons estudos!
103UNIDADE IV Modelagem Criativa
LEITURA COMPLEMENTAR
O PROCESSO HÍBRIDO DAS TÉCNICAS DE MODELAGEM BI E TRIDIMENSIONAIS
O processo híbrido de desenvolvimento de produtos trata da relação entre concei-
tos e ferramentas que possibilitam, como resultado, a elaboração de uma etapa, processo 
ou produto que facilite o entendimento do design. Trata-se da “interação e formação de 
um pensamento único para a definição formal de um produto”, ou seja, da combinação de 
ideias que dão origem a uma meta única de projeto (RINALDI,2013, p.42).
Assim, pode-se verificar que o Design é uma linguagem potencialmente híbrida, ou 
seja, uma linguagem, geralmente, composta por sistemas complexos e múltiplos, já que a 
concepção de um produto parte da utilização de diversos conceitos, técnicas, metodologias 
e ferramentas.
Segundo o historiador James Laver (1996), toda construção de roupas se baseia em 
dois princípios: modelagem plana (modelagem bidimensional) e moulage (modelagem tridimen-
sional). Nesse sentido, Duburg e Tol (2012, p.9) consideram que, na modelagem tridimensional, 
o ponto de partida para a construção do produto é o tecido, que é disposto em torno do corpo 
e fixado em pontos estratégicos. Já na modelagem plana, o corpo fica em primeiro plano, pois 
o molde é elaborado com base nas medidas do corpo do usuário, e o material é cortado de 
acordo com o molde, que representa as medidas de comprimento e largura.
Nesse aspecto, a modelagem pode ser considerada uma ferramenta híbrida para o 
desenvolvimento de produtos do vestuário, já que utiliza várias técnicas e processos para a 
configuração dos moldes, em todas as fases de concepção do vestuário. Beduschi (2013), 
ao efetuar uma análise da modelagem do vestuário, salienta que:
[...] a técnica denominada de modelagem híbrida é aquela em que os conteú-
dos das técnicas básicas de modelagem plana e tridimensional são mescla-
dos e alternados na exemplificação de como o molde é desenvolvido. É uma 
técnica recente e que possui traduzida para o português, somente uma obra 
(BEDUSCHI, 2013, p. 104).
A obra citada pela autora é Pattern Magic, de Tomoko Nakamichi (2007), que propõe 
uma nova configuração de modelagem e apresenta, de forma detalhada, como uma relação 
entre as técnicas de modelagem plana e tridimensional pode contribuir para a elaboração 
de produtos de vestuário, com design inovador e diferenciado. Nakamichi (2007) relata a 
aplicação dessa técnica como ferramenta para a elaboração de modelagens mais comple-
xas e com detalhes diferenciados.
Fonte: BRITO, D. M; SPAINE, P. A. A; ANDRADE, R. R. O ensino da modelagem do vestuário 
sob as diretrizes do método de ensino Baseado em problema. Ensinar mode, Vol. 4, n. 1, p.180 - 197, 
2594-4630, 2020.
104UNIDADE IV Modelagem Criativa
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO
Título: Modelagem Industrial Feminina
Autor: Cristina Rollim.
Editora: Clube de Autores.
Sinopse: As empresas de transformação, confecções do ves-
tuário, buscam um diferencial para seu produto, tendo em vista a 
competitividade do mercado, e muitas vezes, esse diferencial está 
além do status social, quando se trata o que o usar, buscam na 
escolha aspectos como caimento da roupa, a vestibilidade, o con-
forto e a funcionalidade, além da forma e tendências. A modelagem 
é essencial na contribuição para esse diferencial. O profissional 
capacitado na área de modelagem está em alta e muito disputado 
pelas empresas. Esta obra vem somar e contribuir na formação 
desse profissional e pretende mostrar, através de exemplos prá-
ticos, detalhados e objetivos, o desenvolvimento da modelagem 
de peças do vestuário feminino. Iniciando pela construção das 
bases femininas (saia, corpo e calça), passando por diversas téc-
nicas de modelagem (mangas, decotes, drapeados, golas, etc) e 
terminando com muitas interpretações de modelos (saias, blusas, 
camisetas, corseletes, vestidos, calças, chemisier, etc).
FILME / VÍDEO
Título: Dior e Eu 
Ano: 2014.
Sinopse: O filme exibe o encantado universo da alta costura, 
especialmente da grife francesa, Christian Dior, sediada em Pa-
ris. Além de mostrar os bastidores e como se dão os processos 
criativos, o documentário foca na construção da primeira coleção 
do estilista Raf Simons para a grife. É um belo exemplo de como 
cinema e moda podem se conectar para criar arte!
105
REFERÊNCIAS
ABLING, B. Moulage, modelagem e desenho: prática integrada. Bina Abling, Kathleen Ma-
ggio (org.). Trad. Claudia Buchweitz. Porto Alegre: Bookman, 2014.
ANJOS, N. O cérebro e a moda. São Paulo: Editora Senac, 2020.
COSGRAVE, B. História da indumentária e da moda: da antiguidade aos dias atuais. Bar-
celona: Gustavo Gili, 2000.
CRAWFORD, Connie Amaden. Confección de moda volume I Técnicas básicas. Barcelona, 
Gustavo Gili, 2014.
DUARTE, S. MIB - Modelagem Industrial Brasileira: tabelas de medidas. Rio de Janeiro: 
Guarda Roupa, 2012.
GRAVE, M. F. A modelagem sob a ótica da ergonomia. São Paulo: Zennex Publishing, 2004.
HEINRICH, D. P. Modelagem e técnicas de interpretação para confecção industrial. Novo 
Hamburgo: Feevale, 2005.
IIDA, I. Ergonomia, projetos e produção. São Paulo: Edgar Blücher Ltda, 2005.
KIISEL, Karolyn. Draping the complete course. Laurence King: London, 2013.
LAVER, J. A roupa e a moda: uma história concisa. Tradução: GlóriaMaria de Mello Carva-
lho. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.
MARTIN, Rosie. Costura sin patrones. Barcelona, Gustavo Gili, 2016.
MOTTA, M. G. H: MARTINS, L. R. O papel do modelista na criação de produtos do vestuário. 
4º congresso brasileiro de Iniciação científica de design e Moda- UNESP. Bauru, SP, 2017.
SILVEIRA, I. Modelagem tridimensional - Moulage. Universidade Estadual de Santa Catari-
na - UDESC: Florianópolis, 2017.
106
SMITH, A. Costura passo a passo: mais de 200 técnicas essenciais para iniciantes. São 
Paulo: PubliFolha, 2012.
SOARES, Inês Sarto. Modelagem Tridimensional. Maringá: UniCesumar, 2016. 
UDALE, J. Diseno textil tejidos y técnicas. Barcelona, Gustavo Gili, 2014.
107
CONCLUSÃO GERAL
Caro aluno (a), chegamos ao fim de nossa jornada no universo da Modelagem Tridi-
mensional. Esperamos que você tenha aproveitado cada linha deste material, e ressaltamos 
que esse foi apenas o início de sua jornada no mundo design, pois a cada novo projeto 
com o qual você se deparar, as técnicas de modelagem podem ser revisitadas e você pode 
combiná-las de formas diferentes para trazer personalidade a seus produtos de moda.
Em cada uma de nossas unidades do material didático, apresentamos os princípios 
básicos que norteiam a técnica de modelagem tridimensional. Na Primeira unidade, tratamos 
sobre os conceitos históricos referentes a modelagem tridimensional e a apresentamos os 
materiais básicos que você precisa ter para executar a técnica.
Na Segunda unidade, a intenção foi a de trazer para você as ferramentas que 
auxiliam no desenvolvimento de produtos de moda que vestem a parte superior do corpo, 
ou seja, você conheceu o processo de modelagem de Tops.
Em nossa Terceira unidade, o intuito foi apresentar a você as possibilidades criati-
vas por meio das ferramentas úteis para o desenvolvimento de peças que vestem a parte 
inferior do corpo, ou seja, os Bottons.
Por fim, finalizamos nosso material conhecendo as aplicabilidades por meio de 
alguns cases para o desenvolvimento de vestidos, e compreendendo as possibilidades por 
meio da moda conceitual.
Após conhecer todos esses elementos ligados ao processo de Modelagem Tridi-
mensional, tenho certeza de que você será capaz de desenvolver com maestria os melhores 
projetos de produtos do vestuário.
 Desejo sucesso em sua jornada, e continue pesquisando 
as possibilidades e os processos de modelagem! 
+55 (44) 3045 9898
Rua Getúlio Vargas, 333 - Centro
CEP 87.702-200 - Paranavaí - PR
www.unifatecie.edu.br
	UNIDADE I
	Princípios Básicos da 
	Modelagem Tridimensional
	UNIDADE II
	Modelagem Base
	de Tops
	UNIDADE III
	Modelagem Base de Bottons
	UNIDADE IV
	Modelagem Criativade um produto e moda, para que assim possa trabalhar em parceria com o modelista, or-
ganizando as melhores estratégias e soluções para desenvolver um produto, ergonômico, 
funcional e que tenha apelo estético e atenda aos anseios do público consumidor.
Quando falamos de modelagem tridimensional, estamos considerando as técni-
cas de modelagem utilizadas nas indústrias de confecção, de modo que o produto seja 
desenvolvido utilizando como base um corpo humano, ou no nosso caso, utilizando um 
manequim. Assim o processo de modelagem tridimensional atua no desenvolvimento de 
um produto que considera primordial a volumetria do corpo humano e como o tecido se 
comporta sobre esse corpo. Bons Estudos!!!
5UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional
1. ASPECTOS HISTÓRICOS DA MODELAGEM
O ato de cobrir o corpo, é algo que caminha em paralelo com a história do homem em 
si. Na Pré-história, o homem compreendeu que a utilização de peles de animais servia como 
proteção para o corpo. Percebeu que, se tais couros animais fossem maleáveis, a mobilidade 
seria maior e assim seria possível se proteger do clima e de predadores, bem como ainda 
conseguia correr, escalar e se movimentar conforme nos narra Cosgrave (2000):
O ajuste da roupa ao corpo, seja ela uma pele de animal ou um tecido primiti-
vo, feito de fibras naturais, se baseia na reflexão e no processo de proteção, 
que aos poucos ganhou status social, assim como a montagem de um guar-
da-roupa de hoje requer. O modo como uma pessoa escolhe suas roupas é 
parte de sua caracterização como indivíduo ou como parte de um determina-
do grupo (COSGRAVE, 2000, p. 07).
Com o passar do tempo e o desenvolvimento das civilizações, o homem passou a 
criar mecanismos para trabalhar matérias primas e transformá-las em materiais têxteis, a 
fim de proteger o corpo e posteriormente a moda passou a ser utilizada como elemento de 
distinção social. Veja um panorama com as principais características das vestimentas ao 
longo da história.
6UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional
TABELA 1 - HISTÓRIA DA MODA
Antiguidade
Egito
O tecido mais utilizado era o Linho, principalmente na 
cor branca. Cores como azul, vermelho, verde e dou-
rado eram utilizadas como acessórios. As roupas eram 
enroladas sobre o corpo.
Grécia
Utilizavam o algodão e o Linho, a lã para o inverno. As 
roupas eram enroladas sobre o corpo, sendo compostas 
por um ou dois retângulos de tecido.
Roma
Inspirou-se nas formas de vestir dos Gregos. Utilizava 
maior quantidade de drapeados e cores mais fortes, 
com muitos bordados na barra do tecido.
Idade Média
Europa
Aos poucos as roupas femininas e masculinas vão se 
diferenciando e fica estipulado que os homens usaram 
uma espécie de calção, enquanto a mulher usa saia.
Bizâncio
Cidade Europeia que fechou suas fronteiras e desenvol-
veu uma maneira de vestir diferenciada, composta por 
muitas pedras preciosas e túnicas. Utilização de cores 
fortes e escuras como: verde, azul, vermelho, violeta.
Idade Moderna
Inglaterra
No período do Renascimento, a Inglaterra lança moda. 
As mulheres usam saias amplas com cores fortes, espe-
cialmente o vermelho. Já os homens valorizam o peito e 
os ombros. São usadas muitas pedras preciosas borda-
das nas roupas.
França No século XVII a França se torna a capital da Moda de-
vido ao rei Luis XIV e a corte.
Idade 
Contemporânea
França
A França lança a moda feminina, surgindo em 1850 o 
primeiro estilista Charles Fréderick Worth. No século XX 
as mulheres abandonam o espartilho.
Inglaterra Torna-se a capital da Moda masculina. Especializada na 
alfaiataria.
Fonte: Adaptado de: Laver (2001)
O tecido tramado desde o Egito antigo, aos poucos ganha forma e se torna um 
produto vestível, conhecido como roupa, ou indumentária. A roupa enquanto produto, foi 
sendo modificada ao longo do tempo, e tais mudanças tinham relação íntima com a cultura 
e o estilo de vida de cada povo.
7UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional
FIGURA 1 - VESTIMENTAS GREGAS, ROMANAS E EGÍPCIAS
Mas um processo não sofreu alteração, trata-se do fato de que o tecido ainda pre-
cisa estar envolto ao corpo. É nas civilizações gregas e romanas que vemos o trabalho das 
técnicas de modelagem tridimensional com maior ênfase, em que os drapeados do tecido, 
formam as peças.
FIGURA 2 - TRAJES GREGOS E ROMANOS
Fonte: Cosgrave (2000).
O ato de moldar o tecido no corpo, prendendo as partes com broches, alfinetes ou 
agulhas, ainda rústicas, era parte da cultura grego romana. E os princípios da modelagem 
tridimensional, se encontram justamente nesse processo de modelar os tecidos, acomo-
dando-os sobre o corpo de modo a formar uma peça de roupa.
A roupa sempre conectou dois elementos essenciais, tecido ou matéria prima e o 
corpo. Essa combinação foi explorada das mais variadas formas e teve inúmeras variações 
conforme o tempo e a cultura de cada época. Mas é na década de 1930 que a estilista 
Madeleine Vionnet traz com ênfase às técnicas de manipulação do tecido diretamente no 
corpo, e assim a modelagem tridimensional também conhecida como moulage ganha des-
taque no universo da moda.
8UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional
SAIBA MAIS
Madeleine Vionnet – A visionária, revolucionária e perfeccionista das formas Madeleine 
Vionnet foi integrante de um seleto grupo de estilistas, em sua maioria franceses, que 
protagonizaram uma verdadeira reinvenção da maneira como as mulheres se vestiam 
no início do século XX.
Muito embora Gabrielle Chanel reivindique a iniciativa de haver libertado as mulheres 
dos corsets e tenha sido celebrizada por essa conquista, registros históricos dão conta 
que existem outras (os) que disputam essa autoria: Paul Poiret, o espanhol Mariano 
Fortuny e a própria Madame Vionnet para quem os princípios de movimento, liberdade, 
proporção, e verdade eram fundamentos incontornáveis na busca de uma nova femini-
lidade baseada na experimentação e independência.
Fonte: DIÁRIO Induscom. Madeleine Vionnet – A visionária, revolucionária e perfeccionista das formas. 
2020. Disponível em: https://www.diarioinduscom.com.br/madeleine-vionnet-a-visionaria-revolucionaria-
-e-perfeccionista-das-formas/. Acesso em: 19 set. 2021.
FIGURA 3 - AJUSTES DA ROUPA NO CORPO
Fonte: KIISEL (2013, p. 08).
https://www.diarioinduscom.com.br/madeleine-vionnet-a-visionaria-revolucionaria-e-perfeccionista-das-formas/
9UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional
Com o passar do tempo, as técnicas de modelagem tridimensional foram sendo 
aprimoradas e valorizadas cada vez mais, principalmente por estilista que desfilam na Alta 
Costura parisiense. O processo de desenvolvimento de produto diretamente no manequim, 
permite maior assertividade e valorização do biotipo do cliente, além de evitar ajustes e retra-
balho, pois permite a alteração de detalhe no momento de desenvolvimento da peça em si.
Jones (2005, p. 36) define moulage como “ajustar um tecido (musselina ou morim) 
diretamente no manequim do tamanho apropriado ou no próprio corpo da pessoa”. Seu nome 
em francês tem como tradução moldar, modelar, no caso, sobre um corpo ou manequim. A 
moulage, no Brasil, é mais conhecida como modelagem tridimensional, por representar as 
reais medidas de um corpo.
Na Figura 4, podemos ver o estilista Yves Saint Laurent manipulando um tecido sobre 
um manequim, processo que envolve o ato de modelar uma peça de roupa.
FIGURA 4 - YVES SAINT LAURENT E A MOULAGE
Fonte: KIISEL (2013, p. 08).
A modelagem tridimensional é um processo que envolve técnica e criatividade, e as 
possibilidades são as mais diversas, desde que haja entendimento sobre o tecido que será 
utilizado, bem como domínio sobre as linhas de marcação técnica do manequim. O produto 
resultado das técnicas de Modelagem Tridimensional é rico em personalidade e se torna 
primordial por envolver o fazer manual de manipulação dos tecidos, é uma técnica valiosa 
paraa formação em moda.
10UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional
2. CONHECENDO OS MATERIAIS
Para trabalhar as técnicas de Modelagem Tridimensional, o designer precisa en-
tender quais são os materiais utilizados no decorrer do processo, compreender a diferentes 
fases de desenvolvimento do produto e assim poder explorar a criatividade no desenvolvi-
mento de peças conceituais ou comerciais.
FIGURA 5 - O ATELIÊ
Fonte: Crawford (2014).
11UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional
O ateliê conforme a Figura 5 nos apresenta, é o espaço de trabalho do designer, 
nesse caso em específico é onde o designer irá transformar seus croquis em produtos de 
moda, confeccionando a roupa com o auxílio de alguns materiais. É primordial que esse 
espaço de trabalho tenha alguns elementos:
● Boa iluminação;
● Bancada ou mesa espaçosa;
● Espaço para armazenagem; 
● Manequim de modelagem ou busto técnico;
● Máquina de costura (opcional).
Esses elementos citados, são essenciais para que haja um espaço minimamente 
organizado, onde você, aluno (a), poderá exercitar as técnicas de Modelagem Tridimensio-
nal com conforto, segurança e qualidade.
Para trabalhar nesse espaço, é necessário também, utilizar materiais que ao longo 
de seu processo de desenvolvimento da modelagem serão úteis:
FIGURA 6 - MATERIAIS PARA MODELAGEM
Fonte: KIISEL (2013, p. 12).
Na Figura 6, temos a primeira imagem com giz de alfaiate, ideal para marcar o 
tecido; Lápis para trabalhar as marcações ou realizar anotações; Carretilha utilizada para 
transpor a forma do tecido modelado para o molde em papel; Papel carbono colorido para 
trabalhar a transposição do molde em tecido para o molde em papel com auxílio da carreti-
lha; linha e agulha para possíveis alinhavos.
Na segunda imagem, temos um kit de réguas de modelagem, geralmente utilizados 
na técnica de modelagem bidimensional ou modelagem plana, as réguas servem para você 
aluno (a) conseguir retraçar as linhas do molde no momento da planificação, criando assim 
linhas retas ou curvas com maior exatidão.
12UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional
FIGURA 7 - MATERIAIS PARA MODELAGEM 2
Fonte: KIISEL (2013, p. 13).
Continuando na Figura 7, temos mais algumas réguas de modelagem, agora em 
ângulos retos, ideais para esquadrar o tecido e fazer as marcações iniciais na matéria 
prima antes de iniciar o processo de modelagem; Fita métrica, Lápis grafite e Tesoura. Na 
segunda imagem, temos os alfinetes que serão utilizados para fixar o tecido no manequim, 
e vários viés ou fitas de cetim, que são utilizadas para demarcar o manequim conforme o 
modelo que você irá desenvolver, para facilitar a etapa de acomodação do tecido.
FIGURA 8 - TECIDO PARA MODELAGEM
Fonte: KIISEL (2013, p. 13).
O tecido utilizado para o processo de modelagem tridimensional deve ser um tecido 
plano, sem elastano, ou seja, deve ser um tecido com composição 100% algodão e que 
não estique. Geralmente utilizamos o Morim, Cretone e até mesmo o Tricoline, em algumas 
regiões você poderá encontrar esse tipo de tecido com o nome de Tela, ou Algodão Crú. A 
quantidade de tecido a ser utilizada dependerá do modelo de peça que você irá executar. 
A seguir, você entenderá o processo de marcação do manequim e posteriormente 
o processo de manipulação do tecido para trabalhar a modelagem.
13UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional
3. MARCAÇÃO DO MANEQUIM
Dentre as ferramentas essenciais para o desenvolvimento de um produto de moda 
por meio da técnica de modelagem tridimensional, sem sombra de dúvidas o item de maior 
relevância é o manequim. É com o manequim que você, aluno (a) terá a noção espacial e 
volumétrica do corpo humano, e assim poderá confeccionar o produto de moda.
FIGURA 9 - MANEQUIM DE MODELAGEM
Fonte: KIISEL (2013, p. 10).
14UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional
Existem diversos modelos de manequim no mercado, e o visto na Figura 9 é 
chamado de manequim de saia, pois ele apresenta um alongamento de quadril e não há 
divisão na entre pernas. Mas você pode encontrar manequins que tenham pernas, ou ainda 
que tenham somente o busto chegando até a linha de quadril, e o resultado de modelagem 
será o mesmo. O aspecto mais importante de um manequim de modelagem é que ele 
seja acolchoado, ou seja, revestido com fibra acrílica ou tecido de modo que você consiga 
alfinetar as agulhas no manequim para a fixação do tecido no momento da modelagem.
Para conseguir trabalhar com o manequim e confeccionar os produtos por meio 
da técnica de modelagem tridimensional, é ideal que se entenda da volumetria corporal, 
pois os princípios de vestibilidade, usabilidade e ergonomia devem ser trabalhadas no 
processo de desenvolvimento de um produto de moda. Crawford (2014) apresenta deta-
lhes sobre esse processo:
A primeira etapa na criação de um modelo consiste em examinar as pro-
porções da silhueta junto com a gama de cores e tecidos. Devemos criar 
modelos que respondam a nossas inclinações criativas e sociais, já que um 
modelo transmite instantaneamente informações sobre o usuário para todos 
aqueles com quem ele se encontra. As vestimentas não devem ser apenas 
atraentes para os outros, mas devem transmitir autoconfiança; para atingir 
esses objetivos, é importante criar roupas que complementam e realçam a 
figura, então devemos determinar que tipo de modelos são atraentes e dar 
bons resultados para cada biotipo. (CRAWFORD, 2014, p. 62).
Ao compreendermos as dimensões corporais, será possível trabalhar de forma 
assertiva o desenvolvimento do produto de moda, usando a técnica de manipulação de te-
cidos no processo de Modelagem Tridimensional. A Figura 10 nos apresenta as dimensões 
de um corpo humano e como são chamadas as divisões para o dimensionamento da figura 
humana. Os conceitos e entendimentos sobre a Ergonomia e os estudos antropométricos, 
são fundamentais nesse processo de modelagem tridimensional.
15UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional
FIGURA 10 - AS DIMENSÕES ERGONÔMICAS DA FIGURA HUMANA
Fonte: Iida (2005).
Após conhecermos as dimensões corporais, é válido ressaltar que cada marca 
de moda possui um público-alvo e desta forma é possível trabalhar com diferentes bioti-
pos. No Brasil, temos uma mistura de raças muito grande devido às diversas culturas que 
colonizaram nosso país, desta forma existem pessoas que são mais baixas, outras mais 
altas, magros, gordos. O importante é entender que aqui estamos falando de uma estrutura 
padronizada, que é o manequim, mas você pode adquirir ou trabalhar com o manequim no 
tamanho que melhor se adequar a seu público-alvo, e se necessário, você poderá fazer 
ajustes nas peças por meio das técnicas de gradação de tamanhos, para atender uma 
gama maior de pessoas.
Para conseguir projetar uma peça de roupa na técnica de Modelagem Tridimensio-
nal, é necessário entender o processo de marcação do manequim e as medidas que envol-
vem essa demarcação, pois são as linhas demarcadas em seu manequim que servirão de 
guia para o processo de acomodação dos tecidos no momento da modelagem.
16UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional
REFLITA 
Linhas de construção são marcas posicionadas tanto no sentido horizontal como verti-
cal, respeitando a linguagem do corpo humano. Tais linhas têm como função servir como 
pontos de referência fundamentais na execução da modelagem e minimizar a possibi-
lidade de erro na peça final.
Fonte: Grave (2010).
FIGURA 11 - MEDIDAS DO CORPO
Fonte: MARTIN (2016).
17UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional
Segundo Martin (2016), podemos considerar as medidas conforme a Figura 11 
seguindo as orientações:
1- Contorno do busto: é medido ao redor do corpo, na altura da parte proeminente 
do busto.
2- Contorno parte de baixo do busto: é medido ao redor do corpo, bem perto sob o 
busto, onde normalmente fica a parte inferior do sutiã.3- Circunferência da cintura: medida ao redor do corpo, na altura da parte mais 
estreita dele ou umbigo.
4- Quadril: medido em torno do corpo, ao nível da pelve, onde geralmente fica 
posicionado o cós da calça.
5- Contorno do quadril: medido ao redor do corpo, na altura da parte mais ampla 
dele, abaixo do quadril, sobre a parte mais larga das nádegas.
6- Largura dos ombros: medido a partir do final mais proeminente de um ombro e 
ao longo da nuca, até chegar ao extremo do ombro oposto.
7- Comprimento do braço até o cotovelo: é medido do mais extremo proeminente 
do ombro para o cotovelo.
8- Comprimento do torso ao quadril: é medido na frente, desde o ponto onde o 
pescoço encontra a linha do ombro, até o quadril.
9- Comprimento do tronco até a cintura: é medido a partir do ponto onde o pescoço 
encontra a linha do ombro, até a cintura.
10- Comprimento do tronco até a parte inferior do busto: medido do ponto em que 
o pescoço encontra a linha do ombro, passando por cima a curva do busto, até a 
linha sob o busto.
11- Comprimento do tronco até o umbigo: é medido a partir do ponto onde o pescoço 
encontra linha do ombro, cruzando diagonalmente o corpo, até o umbigo.
12- Comprimento da saia: medidas da cintura para o meio do joelho.
13- Comprimento da cintura ao quadril: mede-se da cintura para ancas.
A sequência de medidas é a base para que você, aluno (a), faça a marcação de seu 
manequim, respeitando cada linha a ser demarcada conforme as orientações descritas na 
figura 12.
18UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional
FIGURA 12 - LINHAS TÉCNICAS DE MARCAÇÃO DO MANEQUIM
Fonte: ABLING (2014).
Segundo Soares (2016) o processo de marcação do manequim deve ser feito 
seguindo vários passos, com a fita de cetim em mãos, preferencialmente uma fita estreita, 
e você irá usar a fita métrica e demarcar todo seu manequim, com as linhas técnicas alfi-
netando a fita de cetim com os alfinetes para demarcar todo seu manequim. Assim você 
terá as marcações básicas já estruturadas em seu manequim para execução de qualquer 
modelo de peça. Siga os passos apresentados por Soares (2016, p. 35 e 36) e marque o 
seu manequim, suas linhas devem ficar conforme a Figura 12.
19UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional
● Linha de eixo centro frente: primeiro, meça com uma fita métrica à distância da cava 
direita até a cava esquerda passando pela frente, com um giz marque a metade da 
distância. Em seguida, faça o mesmo processo medindo, entre os seios. Após isso, 
aplique a fita de cetim desde a base do pescoço até o final do manequim. 
● Linha de eixo centro costas: meça a distância da cava esquerda até a cava 
direita, divida este valor ao meio e marque com giz. Meça também a metade das 
costas na região da omoplata, dívida também essa medida e marque com giz. 
Com os dois pontos marcados, você pode passar a fita de cetim iniciando na 
primeira vértebra e no meio da omoplata até o final do manequim. 
● Linha do ombro: comece medindo com o ponto (0) zero da fita métrica, iniciando 
pelo mamilo, vá em direção às costas passando a fita no meio do ombro até a 
linha do busto costas, com a medida encontrada dividida ao meio e acrescente 
2 cm. Com essa medida, coloque o ponto (0) zero da fita métrica na linha de 
busto nas costas e passe a fita pelo meio do ombro, onde der o valor marque 
com giz. Em seguida, coloque a fita de cetim no ombro. 
● Circunferência do Busto: contorne o corpo na altura do busto, na maior parte 
desta circunferência. Pegue a fita de cetim e abrace toda a circunferência na 
altura do busto, passando pelos mamilos, deixando-a bem paralela ao chão, fixe 
com alfinetes. 
● Circunferência da Cintura: acomode a fita de cetim ao redor da parte mais es-
treita da cintura e fixe com alfinetes. 
● Circunferência do Quadril: contorne o corpo na altura dos glúteos, ou seja, na 
parte mais saliente do quadril. A altura do quadril (cintura até a junção da perna) 
varia de uma pessoa para a outra, medindo entre 18 cm e 22 cm em média. 
● Costura lateral: meça a distância entre o centro frente e o centro costas nas 
linhas do busto, da cintura e do quadril. No busto, você marca a metade e adicio-
na 1 cm para trás, na cintura faça a mesma coisa, mas acrescente 0.5 cm para 
as costas. Na marcação do quadril apenas marque na metade sem acréscimo, 
agora com os 3 pontos marcados passe a fita paralela ao eixo central. 
● Circunferência do pescoço: Circule a fita de cetim ao redor do pescoço, na 
junção do pescoço com o tronco, posicione a fita em toda circunferência do 
pescoço e alfinete.
● Cava: faça uma leve “concha” (conforme Figura 13) com a mão e mantenha o 
dedão para frente do manequim e o dedinho para as costas do manequim. Na 
altura de baixo do braço, marque 3 cm acima da linha do busto, na axila. Vai 
contornando com o giz a sua mão. Com isso, sua mão servirá de base, cava 
tanto no lado direito como no lado esquerdo do corpo.
20UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional
FIGURA 13 - MARCAÇÃO DE CAVA
Fonte: ABLING (2014).
Esse foi o processo de marcação das linhas técnicas de seu manequim, agora 
seu material está pronto para receber o tecido e iniciar as modelagens. Ressaltamos que 
a técnica de Modelagem Tridimensional trabalha com produtos para o vestuário feminino, 
justamente por considerar a volumetria do corpo feminino mais complexa. Peças do ves-
tuário masculino são comumente trabalhadas na técnica de modelagem bidimensional ou 
modelagem plana.
21UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional
4. COSTURA MANUAL
Ao trabalharmos com a técnica de Modelagem Tridimensional, é importante com-
preender o manuseio do tecido, pois você, aluno (a) irá trabalhar com o tecido diretamente 
no manequim, para então formar o produto de moda, Crawford (2014) explica a importância 
do entendimento sobre os tecidos:
O esquadrejamento garante que a trama e o urdume formem ângulos retos 
entre si. Uma vestimenta acabada deve estar corretamente aprumada; por 
tanto, é importante examinar o tecido antes de cortá-lo para determinar se o 
sentido do fio está torto. (CRAWFORD, 2014, p. 64).
O tecido é uma composição que pode apresentar os mais variados tipos de ligamen-
tos, e no caso dos tecidos planos, utilizados para a técnica de modelagem tridimensional o 
ligamento é envolve o entrelaçamento de fios de trama e fios de urdume. 
FIGURA 14 - FIO DE URDUME
Fonte: Crawford (2014).
22UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional
Conforme você pode observar na Figura 14, o fio de urdume percorre todo o compri-
mento do tecido, trata-se de um fio contínuo. Para a construção de um produto de moda, é 
essencial que o caimento da peça seja trabalhado no sentido do fio de Urdume, assim, você terá 
um caimento natural, respeitando o processo de tecelagem da matéria prima. Nas laterais dos 
tecidos, temos sempre a ourela, uma borda onde há o acabamento do tecido que foi tramado, a 
ourela facilita o entendimento de onde se encontra o fio de Trama e o fio de Urdume.
FIGURA 15 - FIO DE TRAMA
Fonte: Crawford (2014).
O fio de Trama se localiza no sentido da largura do tecido, é ele quem faz a ligação 
entre as duas extremidades do tecido, ou seja, ele liga as duas ourelas do material. As 
peças de roupa devem preferencialmente utilizar o sentido da Trama como sendo a largura, 
por exemplo, ao desenvolver um cós de uma saia por exemplo a medida da circunferência 
de cintura que formará esse cós deve ser posicionada no mesmo sentido do fio de Trama, 
pois é nesse sentido que o tecido pode esticar levemente, para uma melhor acomodação 
do cós no corpo.
FIGURA 16 - SENTIDO DO VIÉS
Fonte: Crawford (2014).
23UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional
Você também pode utilizar o tecido respeitando o sentido do viés, ou seja, tra-
balhando com o tecido na angulação de 45 graus, conforme a Figura 16 apresenta. Ao 
trabalhar com o posicionamento do tecido nesse sentido,você terá um caimento elegante, 
formando pequenas ondas, conforme trabalha Madeleine Vionnet em suas criações, esse 
efeito é ideal para saias e vestidos de festa, mas pode ser utilizado em mangas e em outras 
partes de peças conforme a sua criatividade.
A manipulação e o posicionamento correto do tecido implicarão na vestibilidade da 
peça final, por isso, é importante conhecer o sentido dos fios e como eles se comportam, 
inclusive para que você possa futuramente explorar as possibilidades de usar os sentidos 
invertidos e criar peças com design diferenciado.
REFLITA 
“Modelagem é mais parecida com engenharia do que qualquer outra coisa. É encontrar 
os limites do que você pode fazer ao envolver o corpo em tecido. Tudo evolui. Nada está 
rigidamente definido”.
Fonte: John Galliano (2004).
FIGURA 17 - SENTIDO DOS FIOS
Fonte: Udale (2014).
24UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional
Na Figura 17, temos na primeira imagem a representação do sentido de Trama e 
de Urdume, em que o rasgo do tecido indica a Trama, geralmente os tecidos rasgam com 
maior facilidade no sentido da Trama, e esse é um recurso que você pode utilizar para 
esquadrar seu tecido, caso ele esteja cortado errado. Já a segunda imagem, representa 
o movimento do sentido do viés, cujo o tecido na diagonal de 45 graus apresenta leve 
capacidade elástica, mesmo sendo um tecido sem elastano.
Após conhecer cada parte que compõe o tecido, você, aluno (a) precisa conhecer 
alguns processos que envolvem as técnicas de costura manual. Pois muitas vezes será 
necessário trabalhar alguns detalhes no desenvolvimento do produto, e assim a costura 
manual pode lhe auxiliar. Veja alguns processos conforme Crawford (2014).
4.1 Ponto de bainha
O ponta da bainha, também conhecido como ponto picado, é um ponto discreto e 
durável que costuma ser utilizado no acabamento à mão de uma bainha ou um zíper.
1. Vamos costurar a roupa tomando alguns fios do tecido.
2. Vamos dar outro ponto a cerca de 6 mm da borda da bainha.
3. Continuaremos costurando, iniciando o ponto na roupa e terminando na borda 
da bainha, até terminar de pregar a bainha.
FIGURA 18 - PONTO BAINHA
Fonte: Crawford (2014).
4.2 Ponto pé de galinha ou cruz
O ponto pé de galinha ou cruz é um pesponto feito à mão com pontos curtos que 
são dados, alternadamente, direita e esquerda formando, portanto, uma densa fileira de 
pontos de cruz.
1. Vamos dar um pequeno ponto na direção horizontalmente na roupa, da direita 
para esquerda, perto da borda da bainha.
2. Vamos colocar um fio da vestimenta na direção diagonal, abaixo e à direita do 
primeiro ponto.
3. Continuaremos costurando de acordo com isso ziguezagueando para terminar 
a bainha.
25UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional
FIGURA 19 - PONTO PÉ DE GALINHA
Fonte: Crawford (2014).
4.3 Ponto escondido ou invisível
O ponto escondido ou invisível é um pesponto manual invisível usado para prender 
as partes trabalhadas. Conforme você desliza a agulha uma dobra do tecido em cada ponto, 
a linha fica escondida.
1. Daremos um ponto pequeno e discreto na peça.
2. Vamos dar outro ponto na diagonal na borda da bainha.
3. Vamos continuar costurando, dando um pequeno ponto na roupa seguido por 
outro ponto na borda da bainha, de modo que o ponto termine embaixo, e fique 
escondido.
FIGURA 20 - PONTO INVISÍVEL
Fonte: Crawford (2014).
O processo de costura manual, auxilia você, aluno (a) a trabalhar detalhes no mo-
mento em que confeccionar os produtos de moda, bem como, facilita acabamentos, mesmo 
que você utilize a máquina de costura.
26UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Caro(a) aluno(a)! Chegamos ao final desta unidade. No decorrer de nossa primeira 
unidade sobre o universo da Modelagem Tridimensional, a intenção foi apresentar os prin-
cipais aspectos da técnica, e quais são as referências basilares que você precisa ter para 
adentrar o universo criativo da modelagem tridimensional.
O ato de modelar é, além de criativo, um processo extremamente técnico, e o intui-
to deste primeiro contato foi apresentar a você, futuro designer de moda, uma introdução 
sobre o processo de execução do produto projetado, que pode ser confeccionado por meio 
desta técnica. Existem dentro do processo de modelagem várias técnicas também viáveis 
e todas com o mesmo grau de importância, mas nosso foco aqui, é evidenciar e explicar 
os processos da Modelagem Tridimensional e como executar a modelagem de peças de 
vestuário utilizando o manequim técnico. 
O conhecimento sobre essa técnica enriquece o seu repertório enquanto designer 
em formação com conhecimentos imprescindíveis de anatomia do corpo humano combina-
do com a manipulação de materiais têxteis. Isso é muito importante para os profissionais 
da moda, pois esse conhecimento vai facilitar a aplicação da técnica ao desenvolver peças 
com equilíbrio em relação à simetria e assimetria do mesmo, valorizando os diferentes 
biotipos femininos existentes.
Portanto, é muito importante que você, profissional de moda, construa corretamen-
te e conheça os instrumentos e possibilidades para a confecção dos produtos de moda, 
pois só assim você terá garantia de qualidade nas suas modelagens. Os conhecimentos 
de Modelagem Tridimensional se destacam como método essencial durante o processo 
de criação, e a técnica é cada vez mais valorizada no mundo da moda, justamente por 
envolver a exclusividade de um modelo feito sob medida.
27UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional
LEITURA COMPLEMENTAR
Modelagem tridimensional (moulage) na indústria do vestuário
Moulage, literalmente moldagem em francês, é ajustar um tecido diretamente ao 
manequim no tamanho apropriado ou no próprio corpo da pessoa. Quando a forma e o 
tamanho estão corretos, o tecido é removido e copiado em papel, adicionando as costuras. 
Utiliza-se também a moulage – também conhecida como draping – para peças trabalhadas 
em viés, porque permite moldar o tecido na forma do corpo e visualizar como a roupa se 
movimenta. O tecido pode ser controlado e com ele faz-se a escultura da peça.
De acordo com Saltzman (2004), traçar as linhas construtivas na modelagem é 
decidir onde a peça se aproxima ou se afasta do corpo, onde ela cria volume ou aderência 
e definir que tipo de peça se busca, através da caracterização da superfície de planos, 
por suas qualidades têxteis e por união. A autora ainda ressalta que os planos construti-
vos surgem da anatomia e estabelecem diferentes exigências de proteção e mobilidade. 
Portanto, a moulage torna o produto viável, usável e funcional. Melhora a produção dentro 
da indústria, por proporcionar a visualização do produto antes da montagem do protótipo, 
podendo transmitir o caimento, volume e forma desejados.
Segundo Souza (2006), a visualização da tridimensionalidade do produto efetiva-
mente permite a avaliação imediata das questões de vestibilidade, e essa avaliação se 
processa num intervalo de tempo relativamente curto, tendo em vista a multiplicidade de 
elementos envolvidos e as contribuições positivas desse resultado para o processo. Ainda 
segundo a autora, a grande vantagem da técnica tridimensional é a possibilidade de se 
trabalhar as técnicas de criação e materialização de modo simultâneo.
COMPARAÇÃO E CRITÉRIOS ESTABELECIDOS 
DAS DUAS TÉCNICAS DE MODELAGEM
“A modelagem se apoia nos planos do corpo. Para a execução de um modelo, é 
necessário atuar com auxílio dos planos, dos eixos e das linhas secundárias e terciárias, 
conforme as exigências específicas” (GRAVE, 2004, p. 54).
Segundo Radicetti (1999), as empresas apresentam dificuldades para dimensionar 
seus problemas e adequá-las aos seus clientes, o que provoca perda, já na preparação 
dos moldes-piloto. Algumas indústrias chegam a montar até três protótipos para aprovar um 
28UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional
único modelo. Nesse caso, procedea constatação de Péclat (2000) de que a modelagem 
plana mais comumente usada nas indústrias de confecções do vestuário possui limitações 
quanto à eficiência, devido ao fato de traçar moldes em duas dimensões (altura e largura) 
para recobrir as formas do corpo, que são tridimensionais. 
A moulage, diferentemente da modelagem plana, favorece a visualização da evolu-
ção do modelo, desde o início até o produto final, pois esse processo permite a verificação 
das possibilidades de construção, alterações ou mudanças do modelo (SOUZA apud PÉ-
CLAT E FIGUERAS, 2006).
Aprimorar a técnica e o conhecimento das medidas no manequim possibilita ao 
designer o desenvolvimento do desenho técnico em escala, facilitando o trabalho do mode-
lista. Embora o draping seja a forma ideal de desenvolver ideias e criar novas silhuetas, às 
vezes é combinado com modelos planos. Essa abordagem combinada é especialmente útil, 
quando as variações sobre uma silhueta evidenciadas são produzidas.
“A moulage é vista, portanto, como uma alternativa para a modelagem plana, ou 
mesmo como mais uma técnica para auxiliá-la no produto criado”. (SOUZA, 2006, p.99). 
Vale ressaltar que a modelagem tridimensional ainda enfrenta a resistência de muitos mo-
delistas das indústrias de confecção que, habituados ao desenho e à modelagem plana, 
têm dificuldades para criar utilizando a moulage.
Fonte: BORBAS, M. C.; BRUSCAGIM, R. R. Modelagem plana e tridimensional – moulage – na indústria 
do vestuário. Rev. Ciên. Empresariais da UNIPAR , Umuarama, v. 8, n. 1 e 2, p. 155-167, jan./dez. 2007.
29UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional
MATERIAL COMPLEMENTAR
LIVRO
Título: Tecnologia em Produção de Vestuário
Autor: Flávio Sabrá
Editora: SENAI-CETIQT
Sinopse: O livro foi revisado e ampliado para a 2ª edição e trata 
de diferentes aspectos que caracterizam, contextualizam e proble-
matizam as questões do modelar na contemporaneidade. Os capí-
tulos tratam do Processamento Têxtil (mercado, processo têxtil e 
de confecção), do Corpo (o estudo da antropometria e ergonomia, 
medidas do corpo, construção da modelagem, normas e medidas), 
do Gerenciamento de Produto (projeto de coleção, definição da 
capacidade produtiva, custos). Apresenta ainda um importante 
glossário anatômico que localiza e aponta os diferentes pontos do 
corpo que devem ser considerados para medição. Livro realizado 
em parceria com o SENAI-CETIQT.
FILME / VÍDEO 
Título: Maria Antonieta
Ano: 2006
Sinopse: Maria Antonieta conta a história da princesa austríaca e 
como ela conseguiu viver em meio às disputas territoriais e escân-
dalos. O longa mostra um universo da moda do século XVIII, com 
destaque para os vestidos estilo rococó, tecidos de seda e cabelos 
volumosos. Em 2007, o filme chegou a ganhar o Oscar de melhor 
figurino.
30
Plano de Estudo:
● Base de Blusa I;
● Base de Blusa II;
● Manipulação de pences;
● Técnicas de Acabamentos.
Objetivos da Aprendizagem:
● Entender o processo de desenvolvimento de blusas femininas;
● Compreender os tipos de pences e suas possibilidades;
● Conhecer os processos de acabamento para peças modeladas.
UNIDADE II
Modelagem Base
de Tops
Professor Me. Dênis Martins de Oliveira
Professora Me. Floriza Taira Otto
31UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 31UNIDADE II Modelagem Base de Tops
INTRODUÇÃO
Olá aluno(a) nesta unidade, será possível obter conhecimento de como trabalhar 
com os tipos de modelagens base para elaboração de blusas, ou seja, os Tops como 
conhecemos na categorização de produtos de moda. É válido reforçar que a técnica de 
Modelagem Tridimensional envolve a construção de peças voltadas para o segmento fe-
minino, uma vez que o corpo feminino apresenta maior volumetria e sinuosidade do que 
o corpo masculino. Desta forma os processos de modelagem tridimensional facilitam a 
confecção de produtos de moda feminina, justamente por permitir a adequação dos tecidos 
às diferentes formas do corpo.
Você verá que a técnica de modelagem tridimensional se trata de revestir o corpo 
com tecido, que de forma automática você já estará executando com perfeição a cons-
trução de moldes, conforme deseja. Assim, primeiramente iremos abordar o processo de 
acomodação dos tecidos para estruturar a base da blusa com suas pences fundamentais 
e posteriormente, será abordado também o processo relacionado ao desenvolvimento de 
moldes como espelhamento, será a partir destes conceitos que representamos o corpo 
inteiro, lado direito e esquerdo da peça modelada.
Para completar todo o processo de confecção, iremos estudar também os proces-
sos de manipulação de pences, para criar variações de modelos e como você pode explorar 
a partir de uma mesma base, diferentes possibilidades de Tops.
Por fim, iremos analisar as técnicas e os processos de acabamento pertinentes 
ao desenvolvimento de peças que vestem a parte superior do corpo feminino, e como 
você aluno (a) pode construir seus modelos, criar e adequar as possibilidades inovando no 
desenvolvimento de peças do vestuário por meio da técnica de modelagem tridimensional.
Bons Estudos!!!
32UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 32UNIDADE II Modelagem Base de Tops
1. BASE DE BLUSA I
Iniciamos nosso processo de confecção de um top feminino entendendo as linhas e 
partes de uma peça que cobre o tronco de uma pessoa. Na indústria da moda, chamamos 
de Tops todo produto que cubra a parte superior do corpo. Para que você aluno(a), com-
preenda o processo de modelagem e desenvolvimento do modelo I de blusa que iremos 
a presentar, é necessário conhecer as partes que compõem e as linhas que são utilizadas 
para desenvolvimento da peça, conforme Figura 1.
FIGURA 1 – ESTRUTURA DE UMA BLUSA
Fonte: Abling e Maggio (2014, p. 110).
33UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 33UNIDADE II Modelagem Base de Tops
A linha de centro frente bem como a linha de centro costas sempre serão as refe-
rências para iniciar qualquer modelo de peça. No caso de blusas, as linhas de ombro e as 
linhas de cava auxiliam na estrutura da peça, formando a base para que haja vestibilidade. 
Na horizontal, na altura do ápice do seio temos a linha de busto e na vertical saindo do meio 
dos ombros, passando pelo mamilo e descendo até a cintura temos as marcações da linha 
princesa. Nesta mesma marcação da linha princesa é possível construir as pences para 
acomodação do tecido no corpo. Essas são as referências básicas para entender uma base 
de blusa feminina.
No processo de modelagem tridimensional é importante frisar que o tecido ideal 
para elaboração da peça deve ser um material que não possua elasticidade, e que tenha 
ligamento de Trama e Urdume, conforme vimos na Unidade I e nosso material. Desta forma, 
o sentido do Urdume deve sempre ser posicionado em paralelo com o eixo central, para 
que o caimento da peça fique uniforme.
REFLITA 
Linhas de construção são marcas posicionadas tanto no sentido horizontal como verti-
cal, respeitando a linguagem do corpo humano. Tais linhas têm como função servir como 
pontos de referência fundamentais na execução da modelagem e minimizar a possibi-
lidade de erro na peça final.
Fonte: Grave (2010).
No caso do desenvolvimento deste modelo que peça, por se tratar de uma blusa 
simétrica, sempre desenvolvemos apenas um lado da frente partindo do eixo central em 
direção a linha lateral, e um lado das costas partindo do eixo central costas em direção a 
lateral (onde será a união da parte frente com a parte costas). Os moldes finais devem ficar 
com a estrutura conforme consta na Figura 2.
34UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 34UNIDADE II Modelagem Base de Tops
FIGURA 2 – BASE DA BLUSA
Fonte: Abling e Maggio (2014, p. 61).
O modelo a ser executado terá então a forma simétrica, com uma pence de cintura 
e uma pence de busto que parte da lateral conforme a Figura 3.
FIGURA 3 – MODELO DE BLUSA FEMININA I
Fonte:Abling e Maggio (2014, p. 94).
Para executar esse modelo, você, aluno (a), pode marcar seu manequim, ou já 
utilizar as linhas guias demarcadas conforme explicamos na unidade I, as linhas guias ou 
linhas técnicas do manequim devem sempre permanecer em seu busto de modelagem, e se 
necessário você pode acrescentar marcações para criar novos modelos e assim manipular 
o tecido com maior facilidade. As linhas de marcação são, portanto, seu guia para que a 
peça tenha proporção, equilíbrio e neste caso, também tenha simetria.
35UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 35UNIDADE II Modelagem Base de Tops
Se o manequim estiver marcado, você irá precisar de duas partes de seu tecido 
que cubram a metade da frente do manequim, pois o modelo será simétrico, então iremos 
trabalhar somente do eixo central até uma das laterais. Você irá cortar dois retângulos de 
40cm de largura por 50cm de comprimento, lembrando que o comprimento deve estar no 
sentido do fio de Urdume de seu tecido, ou seja, em paralelo com a ourela do tecido.
Feito esse processo, trabalharemos com uma das partes para formar a frente e 
outra para formar as costas da blusa. Para a parte frente, meça 4cm de distância da lateral 
ao longo de todo o comprimento do tecido e faça uma linha com caneta para tecido, usan-
do as réguas de modelagem apresentadas na unidade I. Feito isso, vamos alfinetar esse 
tecido no manequim para iniciar o processo modelagem. Alfinete a marcação que você fez 
com caneta sobre a linha de eixo central, de modo que mais ou menos 5cm de tecido fique 
sobrando acima da linha de ombro de seu manequim.
Agora com o eixo central alfinetado, você irá fazer uma pequena marcação na 
altura da linha horizontal de busto do manequim, para que você consiga deixar o tecido 
esquadrado da forma correta e a peça não fique torta. Feito essa marcação, você retira o 
tecido do manequim e usa o esquadro para criar uma linha reta horizontal que passe por 
toda a largura do tecido. Agora, volte o tecido no manequim e alfinete a linha de eixo central 
e a linha de busto conforme as marcações que você traçou com a caneta, sua estrutura 
deve ficar conforme a Figura 4.
FIGURA 4 – ACOMODANDO O TECIDO FRENTE
Fonte: Abling e Maggio (2014, p. 56).
36UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 36UNIDADE II Modelagem Base de Tops
Realizada esta etapa você irá agora acomodar o tecido para estruturar a frente 
como um todo formando as pences e deixando o tecido reto sem enrugá-lo. Vá aos poucos 
passando a mão sobre o tecido para que ele se acomode no manequim; primeiramente, 
faça a parte cima da linha de busto acomodando o tecido do eixo central em direção aos 
ombros e lateral, se necessário, faça piques com a tesoura no tecido, mas não faça piques 
muito profundos, respeite as linhas do manequim, ficando atento(a) as linhas de pescoço, 
ombros, cava, lateral e cintura conforme a Figura 5.
FIGURA 5 – PIQUES NA LINHA DE PESCOÇO
Fonte: Abling e Maggio (2014, p. 56).
Ao realizar esse processo, você perceberá que um pouco de tecido irá se acumular 
na lateral próximo a linha de busto, é esse volume de tecido que você irá retirar por meio 
de uma pence, assim como você perceberá que também irá sobrar tecido na cintura onde 
você fará outra pence na linha princesa.
Desta forma esse modelo de base de blusa terá então uma pence horizontal que 
sairá da lateral logo abaixo da linha de busto, e outra pence, agora na vertical que estará 
posicionada na linha princesa saindo da cintura.
37UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 37UNIDADE II Modelagem Base de Tops
FIGURA 6 – PENCE DE CINTURA
Fonte: Abling e Maggio (2014, p. 58).
A pence é formada justamente para que o tecido consiga se acomodar respeitando 
o volume do busto e o que não temos de volume na cintura conforme é possível observar 
na Figura 6. Você pode ir criando os piques para que o tecido vá se acomodando e na linha 
princesa você forma a pence, que deve ter seu ápice na altura do mamilo. Após acomodar 
todo o tecido, na parte frente você pode usar a caneta e pontilhar todas as linhas de cintura, 
lateral, cava e ombro, seguindo as marcações que você tem em seu manequim, por isso 
é importante marcar o manequim com uma fita que tenha cor forte e seja possível ver as 
linhas através do tecido. 
Ao final das marcações, você pode retirar novamente todo o tecido do manequim, 
e recortar os excessos deixando apenas 1cm de tecido além da marcação de caneta, para 
termos a margem de costura. Após fazer esse processo sua peça deve ficar conforme a 
Figura 7.
FIGURA 7 – FRENTE E LATERAL DA BLUSA
Fonte: Abling e Maggio (2014, p. 94).
38UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 38UNIDADE II Modelagem Base de Tops
Para o desenvolvimento a parte costas dessa peça, você seguirá o mesmo proces-
so de esquadrar o tecido alinhando o eixo central costas com a linha horizontal do busto, e 
irá acomodar o tecido. Repare que, por não haver o volume do busto na parte costas, você 
pode fazer somente a pence de cintura e ela será mais “rasa” do que a pence da frente pois 
não há volumetria corporal para acomodar o tecido. O resultado deve ficar como a Figura 8.
FIGURA 8 – COSTAS BLUSA MODELO I
Fonte: Abling e Maggio (2014, p. 95).
Desta forma você completa a base do modelo I de blusa com pence lateral e de 
cintura. Feito esse processo, agora é necessário retirar os tecidos do manequim e retraçar 
no papel para formar os moldes que você irá arquivar, ou utilizar para cortar a blusa em um 
tecido para a peça final. Ao retirar o tecido do manequim ele estará conforme a imagem 1 
da Figura 9, e você ao passar para o papel deve deixá-lo conforme a imagem 2 da Figura 
9, colocando as margens de costura.
FIGURA 9 – MOLDES DO MODELO I DE BLUSA
Fonte: Abling e Maggio (2014, p. 94).
39UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 39UNIDADE II Modelagem Base de Tops
Agora, depois de finalizado o molde, você pode cortar a peça no tecido final e 
confeccionar sua blusa com pence lateral e pence de cintura. Neste caso, como o modelo 
é simétrico você deve dobrar o tecido ao meio no sentido do urdume e posicionar o eixo 
central do molde na dobra do tecido, alfinete esse molde no tecido e corte, ao abrir o tecido 
você terá os dois lados da blusa prontos, pois devido a dobra eles saíram espelhados, 
então você fecha as pences na máquina de costura ou à mão com costura manual. Depois, 
você une as laterais, ombro e define como será o acabamento de cavas e decote, bem 
como a barra de sua blusa, e assim sua peça estará pronta.
40UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 40UNIDADE II Modelagem Base de Tops
2. BASE DE BLUSA II
No tópico 1 de nossos estudos nesta unidade, você, aluno (a), observou o processo 
de desenvolvimento da base de uma blusa com pence lateral e de cintura, mas dentre os 
processos de Modelagem Tridimensional, é possível não trabalhar com pences, e mesmo 
assim, ajustar os tecidos as formas do corpo feminino.
Neste tópico, você irá entender o processo de modelagem de uma blusa com 
recorte na linha princesa saindo da cava. Esse processo elimina as pences e desloca a 
acomodação do tecido para o recorte fazendo com que o volume do busto se acomode na 
peça e o recorte valorize as linhas corporais trazendo personalidade ao design da peça.
FIGURA 10 – BLUSA COM RECORTE NA LINHA PRINCESA
Fonte: Abling e Maggio (2014, p. 86).
41UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 41UNIDADE II Modelagem Base de Tops
Antes de iniciar o processo de acomodação do tecido sobre o manequim, você 
pode utilizar a fita de cetim ou o viés para demarcar seu manequim, acrescentando as 
linhas necessárias para a criação e desenvolvimento do modelo que você irá confeccionar. 
Desta forma com as devidas marcações sua peça sairá dentro dos padrões que você esta-
belecer ao demarcar o manequim, veja este exemplo da blusa com recorte demarcado no 
manequim, conforme a Figura11.
FIGURA 11 – MARCAÇÃO DO MANEQUIM
Fonte: Abling e Maggio (2014, p. 88).
Conforme apresentado anteriormente, o modelo proposto terá recorte na linha princesa, 
saindo da cava, desta forma a marcação da linha princesa se mantém como é da linha de busto 
até a cintura, e você aluno(a), acrescenta o deslocamento da fita para a linha de cava, ao invés 
de ir em direção ao ombro, faça este processo de forma suave, para que o deslocamento fique 
harmônico. Ressaltamos que por se tratar de um modelo simétrico, trabalharemos somente 
com um lado do manequim, conforme fizemos no modelo de blusa do tópico I.
Repare que o processo na parte costas é o mesmo, segue-se a estrutura da linha 
princesa e depois desloca-se acima da linha de busto, a fita para a cava. Na imagem do 
meio da Figura 11, repare que as linhas frente e costas do recorte que sai da cava, se 
complementam, como em uma sequência contínua de um arco, isso valoriza o design da 
peça, procure sempre observar esses detalhes de continuidade e equilíbrio visual para que 
suas peças fiquem harmônicas e simétricas ao máximo.
Seguindo no processo de modelagem, agora realizamos a mesma sequência apre-
sentada no tópico I, mas nesse caso você irá separar 4 partes de tecido, duas para a frente 
da peça e duas para a parte costas, pois, como teremos os recortes, trabalharemos com 
partes independentes. Você irá acomodar os tecidos respeitando o sentido do fio reto (ur-
dume) que sempre deve estar alinhado com o eixo central de seu manequim, acomodando 
o tecido do eixo central até a linha de recorte princesa, em que você pode cortar o excesso, 
deixando somente 1cm como margem de costura.
42UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 42UNIDADE II Modelagem Base de Tops
A outra parte de tecido você irá esquadrar da mesma forma, e seguir a marcação 
da linha de busto para posicionar o tecido de forma reta, onde o caimento do mesmo fique 
alinhado, fio de urdume e fio de trama com a parte de tecido já acomodada, essa parte de 
tecido deve sair da linha lateral até a linha do recorte, veja a sequência na Figura 12.
FIGURA 12 – SEQUÊNCIA DE ACOMODAÇÃO DO TECIDO
Fonte: Abling e Maggio (2014, p. 88).
Repare, caro(a) aluno(a) que o tecido acomoda todo o volume do busto de forma 
plena; o que ocorreu aqui é justamente o processo de pence, mas agora transformado em 
recorte, e você pode explorar esse tipo de trabalho, desenvolvendo os mais variados recortes, 
para trazer personalidade a suas peças. A técnica de modelagem tridimensional nos permite 
experimentar as possibilidades ao acomodar o tecido diretamente sobre o corpo, no caso, 
sobre o manequim. Observe na imagem do meio da Figura 12, que as linhas de marcação 
das duas partes de tecido estão alinhadas na linha de busto do manequim, isso faz com que 
o tecido tenha o caimento perfeito sobe o corpo e não gere deformidades na peça.
FIGURA 13 – MOLDES PARA CORTE
Fonte: Abling e Maggio (2014, p. 89).
43UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 43UNIDADE II Modelagem Base de Tops
A Figura 13 apresenta a planificação do modelo de blusa com recorte na linha 
princesa saindo da cava. Ao retirar as partes de tecido de seu manequim, você deve ter 4 
partes parecidas com essas apresentadas. A imagem 1 refere-se a parte que sai do eixo 
central costas em direção a linha princesa, a imagem 2 refere-se ao recorte que sai da linha 
princesa costas em direção a lateral costas; depois temos a imagem referente ao recorte 
frente que parte da lateral em direção a linha princesa frente e, pôr fim, a parte do recorte 
que sai da linha princesa em direção ao eixo central frente. É válido reforçar que na imagem 
1 temos uma pequena pence na linha de ombro costas, mas essa pence é opcional, pios 
você consegue acomodar o tecido sem fazer pences na linha de ombro tranquilamente.
Para transformar esses moldes em uma peça final lembre-se de que estamos lidan-
do com uma peça simétrica, então após você passar a modelagem do tecido para o papel, 
deixando as devidas margens de costura conforme a Figura 13, você agora pode cortar 
sua peça no tecido final para depois costurá-la. Como estamos lidando com um modelo 
simétrico, você deve dobrar o tecido e na dobra posicionar o molde da peça que tem o eixo 
central frente e também o que apresenta o eixo central costas, as partes de recorte frente 
e costas podem estar em outras partes do tecido sem problemas. 
Ao posicionar e cortar as partes respeitando a dobra do tecido, você terá o eixo 
central frente da peça espelhado, bem como o eixo central costas, e sua peça terá então 
somente os recortes na linha princesa, conforme o modelo apresentado na Figura 14.
FIGURA 14 – REVENDO O MODELO
Fonte: Abling e Maggio (2014, p. 86).
Esse processo de modelagem é a base para o desenvolvimento de qualquer peça 
do vestuário caro(a) aluno(a), pois você pode criar diferentes recortes ou mesclar recortes 
com pences, e transformar esse modelo de blusa em vestidos, acrescentando a saia, em 
casacos acrescentando mangas, alterando o decote ou acrescentando golas e criando 
modelos únicos. Use a criatividade e não tenha medo de experimentar.
44UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 44UNIDADE II Modelagem Base de Tops
3. MANIPULAÇÃO DE PENCES
Caro(a) aluno(a), agora que você conhece o processo de modelagem da base 
das blusas, você pode se perguntar como é possível inovar no desenvolvimento de peças 
femininas utilizando a técnica de modelagem tridimensional? Você pode explorar diferentes 
formas de recortes e pences para criar peças diferenciadas, mesmo utilizando uma única 
base de modelagem. 
Veremos nesse tópico as possibilidades para desenvolvimento de peças com a 
técnica chamada de Manipulação de Pences, cujo você vai deslocando as pences para 
criar efeitos diferenciados no tecido e ainda assim acomodar o volume do busto.
A Figura 15 apresenta as diferentes possibilidades para o processo de manipulação 
de pence, a nomenclatura de cada pence fica da seguinte forma:
1ª – Pence de Cintura.
2ª – Pence Lateral.
3ª – Pence de Cava.
4ª – Pence de Ombro.
5ª – Pence de decote. 
45UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 45UNIDADE II Modelagem Base de Tops
FIGURA 15 – MANIPULAÇÃO DE PENCES
Fonte: Silveira (2017, p. 44).
O processo de manipulação de pence, também pode ocorrer na parte da costa da 
peça, mas como não há volumetria corporal para ser acomodada, você não precisa explorar 
todas as possibilidades, geralmente a pence de cintura resolve a questão da acomodação 
do tecido. É válido reforçar que o uso das pences não é apenas uma questão estética, pelo 
contrário, trata-se de um recurso ergonômico para que haja vestibilidade na peça produzida 
e consequentemente conforto para que utilizar a peça.
Para que a peça se acomode perfeitamente sobre o volume do busto, quase sem-
pre você precisará trabalhar com duas pences em conjunto, de forma combinada para criar 
a tridimensionalidade que o tecido precisa para se acomodar no corpo feminino. A Figura 16 
apresenta a combinação da pence de ombro com a pence lateral para criar a tridimensiona-
lidade necessária para o busto, o processo de acomodação do tecido é o mesmo aprendido 
no tópico 1 desta unidade, somente o posicionamento das pences é que irá ser alterado.
FIGURA 16 – MANIPULAÇÃO DE PENCES I
Fonte: Silveira (2017, p. 45).
46UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 46UNIDADE II Modelagem Base de Tops
Após realizar o processo de acomodação do tecido, lembrando que estamos traba-
lhando com peças simétricas, por isso somente metade da peça é desenvolvida, o resultado 
deve ficar conforme a Figura 17.
FIGURA 17 – MOLDE MANIPULAÇÃO DE PENCES I
Fonte: Silveira (2017, p. 45).
Uma segunda possibilidade é movimentar a pence para a cava da peça e combiná-
-la com a pence de cintura, conforme a Figura 18.
FIGURA 18 – MANIPULAÇÃO DE PENCES II
Fonte: Silveira (2017, p. 46)
47UNIDADE I Princípios Básicos daModelagem Tridimensional 47UNIDADE II Modelagem Base de Tops
Após realizar esse processo, o molde deve apresentar as características conforme 
a Figura 19, não se esqueça de esquadrar o tecido, respeitar o fio de urdume e iniciar o 
processo alfinetando o tecido na linha de eixo central e na linha de busto, para depois ir 
acomodando o tecido e formar as pences.
FIGURA 19 – MOLDE MANIPULAÇÃO DE PENCES II
Fonte: Silveira (2017, p. 47).
Como terceira opção, o processo de manipulação de pence pode envolver a criação 
de uma pence no decote, combinada com uma pence de cintura, para acomodar assim o 
volume do busto no modelo de blusa, conforme você aluno(a) pode observar na Figura 20.
FIGURA 20 – MANIPULAÇÃO DE PENCES III
Fonte: Silveira (2017, p. 48).
48UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 48UNIDADE II Modelagem Base de Tops
Feito o processo de manipulação das pences e a acomodação do tecido, ao retirar o 
tecido e transformá-lo em molde, a estrutura do molde deve ter as características conforme 
a Figura 21.
FIGURA 21 – MOLDE MANIPULAÇÃO DE PENCES III
Fonte: Silveira (2017, p. 49).
Observe que em todos os processos de manipulação das diferentes pences, todas 
elas são direcionadas para o ápice do busto, pois é ali o maior volume que o tecido precisa 
acomodar na peça, é válido reforçar que as pences precisam terminar antes de encontrar 
umas às outras, respeitando o limite do mamilo, para que haja coerência entre a volumetria 
corporal e a peça confeccionada.
49UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 49UNIDADE II Modelagem Base de Tops
4. TÉCNICAS DE ACABAMENTO
Ao confeccionarmos as peças do vestuário, independentemente de quais modelos, 
formas ou materiais que serão utilizados no desenvolver das peças, se faz necessário 
pensar, entender e aplicar as técnicas de acabamento, que consistem e processos para 
que a peça final seja valorizada esteticamente e se comporte ergonomicamente sobre o 
corpo do consumidor do produto. 
Enquanto designers é necessário aplicar os processos de acabamento pensando 
na vestibilidade, funcionalidade e usabilidade da peça. Um produto de moda pode apre-
sentar as mais variadas formas, e ser vestível das mais variadas maneiras, portanto, cabe 
ao designer considerar as técnicas de acabamento que serão empregadas na produção 
da peça. Alguns exemplos são fáceis de serem compreendidos, como o caso de tecidos 
transparentes que exigem um forro, isso é um processo de acabamento, pois o forro pode 
ser solto (separado como se fosse uma segunda peça), ou embutido formando assim uma 
dupla camada de tecido que irá bloquear a transparência.
50UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 50UNIDADE II Modelagem Base de Tops
SAIBA MAIS
A origem da costura
A história da costura começa provavelmente com as primeiras vestes conhecidas, ori-
ginárias do período Paleolítico, que tinham a função de proteção contra o frio e eram 
feitas de materiais aproveitados dos animais caçados para a alimentação. Peles cur-
tidas eram unidas uma na outra o auxílio de ossos, as primeiras agulhas, e tiras 
de couro, tendões e tripas.
Acredita-se que o uso de lã de animais e fiapos de algodão já eram utilizados no feitio 
das primeiras vestimentas cerca de 25 mil anos atrás. Há registro de povos nativos na 
América que utilizavam plantas como a agave, da qual se aproveitava a ponta da folha 
como agulha e as fibras secas para costurar itens.
Fonte: AUDACES. História da costura: uma breve linha do tempo. Disponível em: https://audaces.com/
historia-da-costura/ Acesso em: 14 dez.2021.
Quando utilizamos tecidos texturizados ou ásperos, ou ainda muito grossos, se 
faz necessário pensar nos acabamentos, e como estratégia podemos utilizar viés (o avia-
mento) como acabamento em tais peças, seja internamente como em costuras de união, 
seja em barras, cavas, punhos ou decotes, deixando o viés aparente como um detalhe 
estético na peça. O fato é que diferentes partes de uma peça podem ser utilizadas como 
acabamentos, e muitas vezes elas são parte fundamental do modelo a ser desenvolvido 
como é o caso das mangas.
Uma manga serve como proteção para o braço e pode apresentar as mais variadas 
formas e modelos, no caso da modelagem tridimensional o processo de desenvolvimento 
de mangas se torna um pouco mais complexo, justamente porque a maioria dos manequins 
de modelagem não apresentam braços. Desta forma procuramos auxílio na técnica de 
Modelagem Bidimensional, ou Modelagem Plana, para o desenvolvimento de mangas, pois 
por meio dos cálculos e o auxílio das réguas, o processo se torna mais prático.
https://audaces.com/historia-da-costura/
https://audaces.com/historia-da-costura/
51UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 51UNIDADE II Modelagem Base de Tops
FIGURA 22 – MODELOS DE MANGAS
Fonte: Smith (2012, p. 190).
Voltando ao processo de acabamentos, além de trabalhar com o viés e forro, pode-
mos trabalhar técnicas de costura que não deixam as linhas de costura aparentes, como é 
o caso da costura francesa, ou ainda pensar em soluções estéticas como o caso da barra 
italiana por exemplo, vale a pena pesquisar tutoriais e materiais complementares sobre 
essas técnicas criadas para aplicar nas peças que você desenvolver.
Outro processo de acabamento essencial quando não queremos utilizar o forro 
e mesmo assim é necessário trazer sustentação e acabamento para uma peça, é o que 
chamamos de revel. O revel é um pedaço de tecido que acompanha toda a borda da parte 
que receberá o acabamento, proporcionando assim, que as costuras não fiquem expostas. 
O revel pode ser utilizado tanto em tops quanto em Bottons, tudo vai depender do estilo de 
acabamento que você deseja empregar na peça. Esse tipo de acabamento é utilizado quando 
temos um tecido muito maleável e queremos um pouco mais de sustentação em algumas 
áreas, assim podemos trabalhar com o viés. Vejamos o passo a passo para desenvolvimento 
de um decote canoa e depois veremos como se organiza o viés para este decote.
52UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 52UNIDADE II Modelagem Base de Tops
FIGURA 23 – DECOTE CANOA FRENTE E COSTAS
Fonte: Abling e Maggio (2014, p. 116-117).
Após definir as linhas do decote, você irá manipular o tecido e modelar a peça, 
repare que todo o tecido e as bases frente e constas com suas devidas pences já estão 
estruturadas, quando o decote é traçado, para que se tenha uma visão global da peça 
final. A profundidade do decote, nesse caso o decote canoa, fica a seu critério e você pode 
modelar e depois ajustar se sentir necessidade, conforme nos mostra a Figura 24.
FIGURA 24 – PLANIFICAÇÃO DE BLUSA COM DECOTE CANOA
Fonte: Abling e Maggio (2014, p. 116-117).
Conforme consta na Figura 24, você pode aprofundar algo em torno de 4cm para 
deixar seu decote maior, mas lembre-se sempre da vestibilidade da peça. No caso desse 
modelo temos então a base costas com uma pence de cintura e a base frente com pence 
lateral e de cintura, conforme Figura 25.
53UNIDADE I Princípios Básicos da Modelagem Tridimensional 53UNIDADE II Modelagem Base de Tops
FIGURA 25 – MOLDE BLUSA DECOTE CANOA COM REVEL
Fonte: Heinrich (2005, p. 151).
A Figura 25 apresenta os moldes finais com seus respectivos revéis, repare que o 
revel, que são as partes pequenas de moldes copiadas de modo a contemplar o decote e a 
cava juntos, farão então o acabamento dessas duas partes da peça de uma única vez. Você 
irá costurar colocando o direito do revel junto com o direito da peça, e ao virar o revel para 
a parte de dentro da peça, você terá um acabamento sem costura aparente. Desta forma, o 
revel também auxilia como uma estrutura onde o tecido será duplo nessas partes, sem ter 
que colocar um forro na peça como um todo, economizando tecido.
A frente em nosso material você verá a possibilidade para trabalhar o revel em 
saias, e verá que ele pode ser uma solução de design, além

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