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Tratamento de águas residuárias
As principais características das águas residuais, suas características físico-químicas, assim como os
principais mecanismos de tratamento e remoção de impurezas.
Prof. José Fernando Cuadros Bohórquez
1. Itens iniciais
Propósito
Apresentar em que se fundamenta a utilização de águas residuais e a importância de sua exploração como
alternativa para substituir o uso de água potável, tendo como recurso o produto de tratamento de esgotos.
Objetivos
Identificar as principais características das águas residuais, assim como os métodos e processos de 
tratamento.
Reconhecer as características gerais dos sistemas de tratamento e seus diferentes componentes.
Listar os parâmetros de projeto de sistemas com a finalidade de tratar águas residuais.
Definir os principais elementos e características de uma rede de recolecção e transporte.
Introdução
Olá! Antes de começarmos, assista ao vídeo a seguir e compreenda os conceitos de tratamento de águas
residuárias.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
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1. Sistemas de esgoto sanitário: origem e características do esgoto
Vamos começar!
As principais características das águas residuais e os métodos e processos de
tratamento
Assista ao vídeo a seguir para conhecer os principais pontos que serão abordados neste módulo.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
O problema de águas residuais
Eliminação e reaproveitamento de águas residuais
A partir do momento em que surgiram as primeiras populações estáveis, o descarte de resíduos tem sido um
grande problema para as sociedades humanas, uma vez que surgiu a necessidade de descartar tanto os
excrementos quanto os restos de alimentos. Desde as últimas décadas do século XX, o mundo vem
observando com preocupação, analisando e tentando solucionar uma série de problemas relacionados ao
descarte de resíduos líquidos de origem doméstica, agrícola e industrial (SELENDY, 2011).
Veja na próxima imagem um exemplo de tratamento desses resíduos.
Planta de tratamento de águas residuais.
As massas receptoras, ou seja, rios e córregos subterrâneos, lagos, estuários e o mar, na maioria dos casos,
principalmente nas áreas mais densamente povoadas e desenvolvidas, não conseguiram, por si sós, absorver
e neutralizar a carga poluidora que tais resíduos impõem. Assim, eles vêm perdendo suas condições naturais
de aparência física e sua capacidade de sustentar uma vida aquática adequada, que responda ao equilíbrio
ecológico que se espera deles para preservar nossas massas de água. 
Como consequência disso, muitas vezes, perdem as condições mínimas que lhes são exigidas para seu uso
racional e adequado como fontes de abastecimento de água, como vias de transporte ou mesmo como fontes
de energia.
Os problemas causados não são apenas de natureza física ou estética, mas também transcendem o
campo da saúde, pois as comunidades humanas precisam recorrer a diversos recursos hídricos
superficiais para o seu abastecimento de água potável e, se estiverem contaminados com resíduos
humanos ou industriais, podem levar a graves problemas epidemiológicos.
Está claro que a poluição está diminuindo a qualidade da água em muitas partes do mundo. Com essa
deterioração progressiva, o uso de técnicas e modelos para prever o comportamento de organismos
indicadores de qualidade da água tem se tornado cada vez mais importante.
Na maioria das nações, os programas de controle de poluição foram iniciados restringindo as descargas,
estabelecendo limitações para certos compostos e parâmetros químicos, e alguns produtos químicos tóxicos
foram identificados em águas residuais, para as quais foram estabelecidos regulamentos.
Apesar do sucesso alcançado no controle da poluição da água nos países mais industrializados, muitos
efluentes continuam a deteriorar os sistemas aquáticos e a interferir nos usos potenciais da água. 
As descargas de esgoto podem conter de algumas centenas a vários milhares de produtos
diferentes, muitos deles subprodutos que ainda não foram identificados.
É por isso que o efluente, antes de ser lançado nas massas receptoras, deve receber um tratamento
adequado de acordo com sua composição, capaz de modificar suas condições físicas, químicas e
microbiológicas, até que evite a ocorrência de problemas declarados de poluição e contaminação das águas
receptoras.
A eliminação de águas residuais não é o único problema a considerar, uma vez que, sendo a água um bem
escasso, a cada dia necessária em maior quantidade, torna-se cada vez mais imprescindível o
reaproveitamento dos recursos hídricos disponíveis de maneira a satisfazer as necessidades humanas. 
Definição e classificação das águas residuais
As águas residuais podem ser definidas como aquelas que, devido ao uso do homem, representam um perigo
e devem ser descartadas, por conterem grande quantidade de substâncias e/ou microrganismos.
Esse conceito inclui águas com várias origens:
Águas residuais domésticas ou águas negras
Provenientes de fezes e urina humanas, de higiene pessoal, cozinha e
limpeza da casa. Geralmente, contêm grande quantidade de matéria
orgânica e microrganismos, além de vestígios de sabonetes, detergentes,
lixiviados e gorduras.
Águas brancas
Provenientes da atmosfera (chuva, neve ou gelo) ou de irrigação e
limpeza de ruas, parques e locais públicos. Nos locais nos quais a
precipitação atmosférica é muito abundante, podem ser evacuadas
separadamente para que não saturem os sistemas de purificação.
Efluente industrial
Proveniente do processamento realizado em fábricas e estabelecimentos
industriais, contém óleos, detergentes, antibióticos, ácidos e gorduras,
além de outros produtos e subprodutos de origem mineral, química,
vegetal ou animal. Sua composição é altamente variável, dependendo
das diferentes atividades industriais.
Águas residuais agrícolas
Provenientes do trabalho agrícola no meio rural. As águas residuais
agrícolas costumam participar, em termos de origem, das águas urbanas,
que são utilizadas, em muitos lugares, para irrigação agrícola, com ou
sem tratamento prévio.
Qualidade da água de reúso
Segurança da água
Os padrões de água de reúso podem diferir, em natureza e forma, entre países e regiões. Não existe um
método único que possa ser aplicado universalmente. No desenvolvimento e na aplicação de regulamentos, é
essencial levar em consideração as leis atuais e propostas relacionadas à água, saúde e ao governo local, bem
como avaliar a capacidade de cada país de desenvolver e aplicar regulamentos.
Os métodos que podem funcionar em um país ou uma região podem não ser, necessariamente, transferíveis
para outros países ou regiões. Ao desenvolver uma estrutura regulatória, é essencial que cada país examine
suas necessidades e capacidades (CLARK; HAKIM, 2014).
Determinar a segurança – ou o que é considerado um risco aceitável em determinadas
circunstâncias – é uma questão que diz respeito a toda a sociedade.
Embora as diretrizes ou regulamentações descrevam a qualidade aceitável da água ao longo da vida, isso não
significa que, ao aplicar os valores de referência nessas diretrizes, a qualidade da água de reúso possa ser
degradada até o nível recomendado. De fato, deve ser feito um esforço contínuo para manter a qualidade da
água para consumo humano ao nível mais alto possível.
Um conceito importante na alocação de recursos para melhorar a segurança da água para consumo humano é
o aumento de melhorias progressivas que levam à realização de objetivos de longo prazo. As prioridades
estabelecidas para remediar os problemas mais urgentes (por exemplo, proteção contra microrganismos
patogênicos) podem ser vinculados a objetivos de longo prazo de melhorias adicionais na qualidade da água
(por exemplo, melhorias na aceitabilidade da água potável em relação a seu sabor, cheiro e sua aparência.
Aspectos a considerar para garantir a segurança da água
Os parâmetros básicos e essenciais para garantir a segurança da água para consumo humanonecessário estabelecer parâmetros condizentes com as regulamentações existentes e as
necessidades locais. Para tanto, como vimos, deve-se compreender os métodos e processos necessários ao
tratamento de águas residuais, assim como conhecer as características gerais dos sistemas de tratamento e
seus componentes.
Podcast
Para encerrar seu estudo, ouça o podcast e relembre alguns dos principais pontos tratados no conteúdo,
tais como: características das águas residuais e principais parâmetros indicadores da qualidade da água.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para ouvir o áudio.
Explore +
Pesquise o artigo Tratamento de água para abastecimento humano: contribuições da metodologia Seis Sigma,
de Paulo Henrique Mazieiro Pohlmann e colaboradores, publicado no periódico Engenharia Sanitaria e
Ambiental, v. 20, n. 1, jul./set. 2015.
Referências
AMÉRICO-PINHEIRO, J. H. P. (org.); BENINI, S. M. Bacias hidrográficas: fundamentos e aplicações. 2. ed. rev.
red. Tupã, SP: Associação Amigos da Natureza da Alta Paulista, 2019.
 
CLARK, R. M.; HAKIM, S. (ed.). Securing water and wastewater systems: Global Experiences. Cham: Springer
International Publishing, 2014. E-book. Consultado na internet em: 19 ago. 2022.
 
EATON, A.D.; FRANSON, M. A. H. Standard methods for the examination of water and wastewater. Washington:
American Public Health Association, American Water Works Association, Water Environment Federation, 2005.
 
FATTA-KASSINOS, D.; DIONYSIOU, D. D; KÜMMERER, K. Advanced treatment technologies for urban
wastewater reuse. Cham: Springer International Publishing, 2016. E-book. Consultado na internet em: 19 ago.
2022.
 
GERARDI, M. H. Wastewater pathogens. Hoboken, NJ: Wiley-Interscience, c2005. E-book. (Wastewater
Microbiology Series). Consultado na internet em: 19 ago. 2022.
 
GLOYNA, E. F.; ECKENFELDER, E. Advances in water quality improvement. Austin: Univ. of Texas, 1971, c1968.
(Water Resources Symposium, v.1).
 
KAWAMURA, S. Integrated design of water treatment facilities. Hoboken: Wiley, 1991.
 
NATIONAL SERVICE CENTER FOR ENVIRONMENTAL PUBLICATIONS. NSCEP. National air quality and
emissions trends report. USEPA, 1999. Consultado na internet em: 19 ago. 2022.
 
SELENDY, M. H. (ed.) Water and sanitation-related diseases and the environment: challenges, interventions,
and preventive measures. E-book. Hoboken, NJ: Wiley-Blackwell, c2011. Consultado na internet em: 19 ago.
2022.
 
WANG, L. K.; YANG, C. T.; WANG, M. S. Advances in water resources management. Cham: Springer
International Publishing, 2016. E-book. (Handbook of Environmental Engineering, 16). Consultado na internet
em: 19 ago. 2022.
	Tratamento de águas residuárias
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	Conteúdo interativo
	1. Sistemas de esgoto sanitário: origem e características do esgoto
	Vamos começar!
	As principais características das águas residuais e os métodos e processos de tratamento
	Conteúdo interativo
	O problema de águas residuais
	Eliminação e reaproveitamento de águas residuais
	Definição e classificação das águas residuais
	Águas residuais domésticas ou águas negras
	Águas brancas
	Efluente industrial
	Águas residuais agrícolas
	Qualidade da água de reúso
	Segurança da água
	Aspectos a considerar para garantir a segurança da água
	Aspectos microbiológicos
	Aspectos químicos
	Aspectos radiológicos
	Aspectos de aceitabilidade
	Descrição das operações unitárias nos sistemas de esgoto
	Etapas de potabilização
	Coagulação
	Floculação
	Sedimentação
	Simples
	Após a coagulação
	Filtração
	Desinfecção
	Vem que eu te explico!
	Definição de coloide
	Conteúdo interativo
	O que é a radiação?
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. Visão geral e seleção de processos
	Vamos começar!
	Os sistemas de tratamento e seus diferentes componentes
	Conteúdo interativo
	Sistemas de abastecimento de água
	Contaminantes presentes na água e processos de tratamento
	Chuva
	Àguas superficiais
	Águas subterrâneas
	Físico
	Químico
	Gasoso
	Biológico
	Plantas de tratamento de água
	Principais processos empregados no tratamento de água
	Triagem
	Coagulação e floculação
	Atenção
	Tipos de coagulante: vantagens e desvantagens
	Sulfato de alumínio
	Cloreto férrico
	Sulfato férrico
	Sedimentação
	Sedimentadores estáticos
	Armadilhas de areia
	Unidades de fluxo horizontal
	Unidades de fluxo vertical
	Unidades de fluxo helicoidal
	Decantadores dinâmicos
	Unidades de manto de lodo com suspensão hidráulica
	Unidades de manta de lodo com suspensão mecânica
	Decantadores laminares
	Decantadores laminares de fluxo horizontal
	Decantadores laminares de fluxo inclinado
	Filtração
	Transporte de partículas dentro dos poros
	Aderência aos grãos do meio
	Características da suspensão
	Características do meio filtrante
	Características hidráulicas
	Desinfecção
	Curiosidade
	Vem que eu te explico!
	Quais são as características dos processos difusivos?
	Conteúdo interativo
	Fatores que influenciam a desinfecção
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	3. Concepção de estações de tratamento de esgoto
	Vamos começar!
	Parâmetros de projeto de sistemas para tratamento de águas residuais
	Conteúdo interativo
	Qualidade do tratamento das águas residuais
	Importância do tratamento adequado
	Parâmetros indicadores de qualidade
	pH
	Alcalinidade
	Oxigênio dissolvido (OD)
	Demanda bioquímica de oxigênio - DBO
	DBO5
	Demanda química de oxigênio - DQO
	Nitrogênio total
	Fósforo total
	Gorduras e óleos
	Sistema de lodo ativado
	Características do sistema de lodo ativado
	Partes integrantes do sistema de lodo ativado
	Tanque de aeração (reator)
	Tanque de sedimentação (decantador secundário)
	Recirculação de lodo
	Remoção do excesso de lodo
	Classificação e tipos de sistema de lodo ativado
	Idade
	Fluxo
	Efluente
	Parâmetros de desenho do sistema de lodo ativado
	Parâmetros de projeto e operação
	Necessidade de oxigênio e tipo de aeração
	Recomendação
	Tempo de retenção de sólidos
	Processo secundário de lodo ativado
	Processo de nitrificação
	Processo de aeração prolongado
	Relação alimento-microrganismo (F/M)
	Processo de lodo ativado convencional
	Aeração estendida no processo de lodo ativado
	Sistema UASB
	Características do sistema UASB
	Recomendação
	Vem que eu te explico!
	O que significa DBO e DQO?
	Conteúdo interativo
	O que são os processos aeróbios e anaeróbios?
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	4. Rede de recolecção e transporte
	Vamos começar!
	Principais características dos sistemas de elevação, interceptores e emissários para sistemas de águas residuais.
	Conteúdo interativo
	Características da rede de recolecção e transporte
	Definição e composição da rede de recolecção e transporte
	Tipos de traçado geométrico da rede de esgotos
	Traço de baioneta
	Traço em baioneta e traço em pente
	Pista combinada
	Coletores, interceptores e emissores
	Layout de coletores, interceptores e emissores
	Traço perpendicular
	Traço radial
	Traço radial e traço na forma de interceptores
	Traço em forma de leque
	Coletores e emissores
	Emissores
	Local de despejo
	Aspectos a considerar no projeto da estrutura de descarga
	Tipos de descarga de efluentes
	Descarga em correntes de superfície
	Descarga em terra
	Descarga no mar
	Descarga em lagos e lagoas
	Descarga de água subterrânea
	Obras conexas
	Tipos de obras conexas
	Descarga doméstica
	Câmaras de visita
	Poços comuns e especiais
	Poços de caixa
	Poços de queda
	Vem que eu te explico!
	O que são emissores?
	Conteúdo interativo
	O que significa local de aterro?
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	5. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore +
	Referênciassão um
"quadro" para a segurança da água que inclui os objetivos de proteção da saúde estabelecidos por uma
autoridade com competência em matéria de consumo humano. Tal autoridade deve contar com sistemas
adequados e bem administrados, infraestrutura apropriada, monitoramento adequado, planejamento e gestão
eficazes, bem como um sistema de vigilância independente.
A aplicação de uma abordagem abrangente na avaliação e gestão de risco dos sistemas de abastecimento de
água aumenta a confiança na segurança da água. Essa abordagem envolve a avaliação sistemática dos riscos
em todo o sistema de abastecimento de água potável – desde a fonte e captação de água até o consumidor –
e a identificação de medidas que podem ser aplicadas para gerenciar esses riscos, incluindo métodos que
garantam que as medidas de controle estão funcionando de forma eficaz.
Água potável.
As mudanças climáticas também devem ser consideradas à luz das mudanças demográficas, como o
crescimento contínuo das cidades, o que por sua vez implica importantes desafios para o abastecimento de
água para consumo humano. Nesse sentido, as mudanças climáticas – que se manifestam em períodos de
seca longos e severos ou chuvas intensas que causam inundações – podem impactar tanto a qualidade
quanto a quantidade de água, o que exigirá planejamento e gestão para minimizar os efeitos adversos nas
fontes de água para consumo humano.
Em apoio à estrutura para a segurança da água para consumo humano, as diretrizes estabelecias pela
Organização Mundial da Saúde (OMS) oferecem informações abrangentes sobre os aspectos microbiológicos,
químicos, radiológicos e questões de aceitabilidade.
Veremos cada um desses aspectos a seguir:
Aspectos microbiológicos
A garantia da segurança microbiana no tratamento de águas residuais baseia-se na aplicação de
múltiplas barreiras, desde a coleta até o descarte. A segurança é aumentada pela implementação de
múltiplas barreiras, como a proteção dos recursos hídricos, a correta seleção e operação de uma série
de etapas de tratamento e gestão de sistemas de distribuição (com canalização ou não) para manter
e proteger a qualidade da água tratada. A estratégia preferida é a abordagem de gestão, que enfatiza
principalmente a prevenção ou redução da entrada de patógenos em fontes de água e reduz a
dependência de processos de tratamento para a eliminação de organismos patogênicos.
Em termos gerais, os maiores riscos microbiológicos estão associados à ingestão de água
contaminada com fezes humanas ou animais (incluindo as de aves). As fezes podem ser uma fonte de
patógenos, como bactérias, vírus, protozoários e helmintos.
A eliminação de microrganismos patogênicos é uma operação fundamental realizada com muita
frequência com produtos químicos reativos, como o cloro. Por tal motivo, a desinfecção é de
inquestionável importância na segurança do abastecimento de água para consumo humano.
A desinfecção é uma barreira eficaz contra muitos patógenos (especialmente bactérias) durante o
tratamento de água potável e deve ser usada tanto para águas superficiais quanto subterrâneas,
expostas à contaminação fecal. A desinfecção residual é utilizada como proteção parcial contra a
contaminação com baixas concentrações de microrganismos e seu crescimento no sistema de
distribuição.
Aspectos químicos
As preocupações com a saúde associadas aos componentes químicos da água são distintas daquelas
associadas à contaminação microbiana e devem-se principalmente à capacidade dos componentes
químicos de produzir efeitos adversos à saúde após períodos prolongados de armazenamento.
Poucos componentes químicos da água podem causar problemas de saúde como resultado de uma
única exposição, exceto no caso de contaminação em grande escala acidental no sistema de
abastecimento de água para consumo humano. Além disso, a experiência mostra que em muitos, mas
não em todos, desses incidentes, a água torna-se imprópria devido ao sabor, odor ou à aparência
inaceitáveis.
Em situações em que a exposição de curto prazo não é suscetível de causar danos à saúde, muitas
vezes, é mais eficaz concentrar os recursos disponíveis para ações corretivas na detecção e remoção
da fonte de contaminação, em vez de instalar um sistema caro de tratamento de água para consumo
humano para a remoção dos componentes químicos (GERARDI, 2005).
Aspectos radiológicos
Algumas fontes de água potável, particularmente aquelas provenientes de águas subterrâneas,
podem conter radônio, um gás radioativo. Embora o radônio possa entrar no ar interno dos edifícios
pela água corrente das torneiras ou da gaseificação do chuveiro, a fonte mais significativa de radônio
no ar interno vem do acúmulo natural no ambiente.
A água potável pode conter substâncias radioativas do tipo radionuclídeo, que podem representar um
risco para a saúde humana. Esses riscos são normalmente pequenos em comparação aos
apresentados por microrganismos e produtos químicos que podem estar presentes na água potável.
Aspectos de aceitabilidade
A prioridade máxima deve ser dada ao fornecimento de água para consumo humano que, além de
segura, tenha aparência, sabor e cheiro aceitáveis. A água esteticamente inaceitável afetará a
confiança do consumidor, gerará reclamações e, mais importante, poderá levar ao consumo de fontes
de água menos seguras.
Descrição das operações unitárias nos sistemas de esgoto
Etapas de potabilização
A purificação é entendida como um conjunto de operações e processos físicos e/ou químicos, que são
aplicados à água com o objetivo de melhorar sua qualidade e torná-la apta ao uso e consumo.
A frase processo comum de purificação de água nos remete a um sistema que combina uma série de etapas,
como coagulação, floculação, sedimentação, filtração e desinfecção, com produtos químicos, que atuam
como economizadores no uso de coagulante e/ou desinfetante.
Coagulação
A coagulação é definida, de acordo com a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura
(Food and Agriculture Organization of the United Nations – FAO), como a desestabilização de sólidos em
suspensão e de coloides por um produto químico (coagulante).
Algumas considerações que devem ser levadas em conta para uma coagulação eficaz e mistura rápida são:
Tipo de coagulante a ser utilizado.
Números de produtos químicos a serem adicionados e suas propriedades químicas.
• 
• 
Condições locais.
Características da água afluente.
Características físicas dos produtos químicos.
Possíveis perdas de carga na mistura rápida.
Variações da vazão afluente.
Tipo de processo subsequente.
Custo e diversos aspectos.
Floculação
A floculação é o passo imediato para a mistura rápida, cujo objetivo é aumentar o número de colisões,
permitindo a aglomeração de partículas coloidais, sedimentáveis ou filtráveis. Para isso, deve haver um
sistema agitado que não permita que as partículas se assentem ou provoquem sua quebra.
Sedimentação
A sedimentação é entendida como a operação pela qual as partículas presentes em uma suspensão são
removidas pela força da gravidade.
Existem duas formas de sedimentação: 
Simples
A sedimentação simples é usada regularmente
para reduzir a quantidade de sólidos, antes de
passar para a etapa de filtração ou processo
químico.
Após a coagulação
A sedimentação após a coagulação, floculação
ou amolecimento, como o próprio nome indica,
é realizada para a remoção de sólidos
sedimentáveis, que foram produzidos pelo
tratamento químico.
Filtração
Embora 90% da turbidez e da cor sejam eliminados regularmente por floculação e sedimentação, uma porção
do floco permanece em suspensão, sendo necessário removê-lo acondicionado em segmentos com diferentes
tamanhos de partículas de brita e areia. 
A turbidez é definida como a medida da dificuldade de um feixe de luz atravessar uma certa quantidade de
água, conferindo uma aparência turva à mesma.
A filtração é uma etapa de grande importância, pois elimina alguns microrganismos resistentes à desinfecção.
Além disso, a eliminação do floco remanescente eliminauma possível reação entre os elementos químicos da
floculação e os agregados para desinfecção.
A filtração não depende apenas de impedir a passagem de contaminantes no espaço vazio entre as partículas.
É também um processo no nível da superfície, na qual a maior parte deles é absorvida, pelo que é
fundamental uma boa filtração.
Desinfecção
A desinfecção é a destruição seletiva de organismos causadores de doenças. Nem todos os organismos são
destruídos durante o processo, que é a principal diferença entre desinfecção e esterilização, processo que
leva à destruição de todos os organismos.
Os métodos mais utilizados para realizar a desinfecção são:
Agentes químicos
Agentes físicos
Agentes mecânicos
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
Radiação
Os agentes químicos mais utilizados são os produtos químicos oxidantes, dos quais o cloro é o universalmente
utilizado, embora o bromo e o iodo também tenham sido utilizados para a desinfecção de águas residuais. O
ozônio é um desinfetante muito eficaz, cujo uso está aumentando, apesar de não deixar uma concentração
residual que permita avaliar sua presença após o tratamento. Os agentes físicos usados são a luz (radiação
ultravioleta e gama) e o calor.
Para o engenheiro sanitarista, o conhecimento sobre as diferentes espécies contidas na água é de grande
interesse, pois isso é indicativo do progresso alcançado em um sistema de tratamento. Esse conhecimento e
os valores das análises físico-químicas proporcionam a eficiência e o bom funcionamento do sistema. Os
agentes mecânicos envolvem o calor como agente desinfetante. Para o processo, normalmente, são usados
equipamentos que permitem mais controle e menos risco operacional.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Definição de coloide
Conteúdo interativo
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O que é a radiação?
Conteúdo interativo
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Assinale a alternativa que indica as águas com um alto conteúdo de matéria orgânica e microrganismos:
A
Águas negras
B
Águas subterrâneas
C
Águas de esgoto
D
Águas superficiais
• 
E
Águas naturais
A alternativa A está correta.
A água negra é o termo utilizado para descrever a água descartada que possui matéria fecal e urina. É
assim chamada pela grande quantidade e composição dos seus produtos químicos e contaminantes
biológicos, e também por ser mais difícil de ser reciclada.
Questão 2
Indique a opção que faz referência a águas provenientes de precipitação atmosférica muito abundante:
A
Águas negras
B
Água branca
C
Efluente industrial
D
Águas residuais agrícolas
E
Águas minerais
A alternativa B está correta.
Água branca é formada em uma corredeira; quando o gradiente de um rio aumenta o suficiente para
perturbar seu fluxo laminar e criar turbulência, forma uma corrente instável borbulhante ou aerada. A água
espumosa aparece na cor branca.
2. Visão geral e seleção de processos
Vamos começar!
Os sistemas de tratamento e seus diferentes componentes
Assista ao vídeo a seguir para conhecer os principais pontos que serão abordados neste módulo.
Conteúdo interativo
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Sistemas de abastecimento de água 
Contaminantes presentes na água e processos de tratamento
A água é de vital importância para o ser humano, pois, sendo considerada o solvente universal, ajuda a
eliminar as substâncias resultantes dos processos bioquímicos produzidos no organismo. No entanto, também
pode transportar substâncias nocivas ao organismo, causando danos à saúde das pessoas. 
As fontes de água que abastecem uma população podem ser provenientes de:
Chuva
Águas superficiais
Águas subterrâneas
• 
• 
• 
Chuva Àguas superficiais
Águas subterrâneas
A água tratada para consumo humano é de origem superficial. O crescimento populacional e o
desenvolvimento industrial multiplicaram os problemas de poluição da água tanto de fontes superficiais
quanto subterrâneas. A poluição da água é produzida principalmente pelo lançamento de esgoto, lixo, rejeitos
de mineração e produtos químicos (WANG, 2016).
Nessas condições, o ciclo da água já não tem capacidade suficiente para limpá-la, portanto, são necessários
vários processos para desinfetá-la e torná-la adequada ao consumo humano.
A complexidade dos processos que constituem o tratamento da água dependerá das características
da água superficial a ser tratada. Por essa razão, é necessário preservar a qualidade da água da
nascente para evitar custos não só ecológicos e sociais, mas também econômicos. 
A avaliação contínua da qualidade da água inclui as seguintes fases: 
Captação
Tratamento
Armazenamento
Distribuição à população
Um aspecto importante a ser considerado no tratamento de água é a produção de águas residuais, que devem
ser devidamente geridas para possível reutilização ou reciclagem.
Confira a classificação dos contaminantes presentes na água.
1. 
2. 
3. 
4. 
Físico
Os contaminantes físicos são:
Cor
Cheiro e sabor
Gorduras e óleos
Espumas
Radioatividade
Temperatura
Sólidos dissolvidos
Sólidos em suspensão
Químico
Os contaminantes químicos são:
Matéria orgânica
Acidez / alcalinidade
pH
Nitrogênio
Fósforo
Salinidade
Metais pesados
Detergentes
Compostos tóxicos
Pesticidas
Gasoso
Os contaminantes gasosos são:
Dióxido de carbono
Metano
Sulfato de hidrogênio
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Biológico
Os contaminantes biológicos são:
Bactérias
Fungos
Protozoários
Algas
Animais
Esses poluentes passam por diferentes processos para que a água atinja os limites máximos permitidos
estabelecidos. As análises para o controle do processo e da qualidade da água tratada são realizadas de
acordo com as normas aplicáveis da Organização Mundial da Saúde (OMS), da American Water Works
Association (AWWA) ou do American National Standards Institute (ANSI).
Todos esses processos são realizados em uma instalação chamada planta de tratamento, cujas características
veremos a seguir. 
Plantas de tratamento de água
A planta de tratamento de água é uma instalação na qual a água bruta é submetida a vários processos com o
objetivo de eliminar microrganismos e contaminantes físicos e químicos até os limites aceitáveis estipulados
pelas normas.
Conforme o tipo de processos que os formam, os tratamentos são classificados em plantas de filtração rápida
e filtração lenta.
De acordo com a tecnologia utilizada, podem
ser classificadas em usinas convencionais
antigas, usinas convencionais com tecnologia
adequada e plantas de tecnologia importada ou
patenteada. Além disso, a estação de
tratamento deve ser compacta, eficiente e de
custos operacionais mínimos. 
Principais processos
empregados no
tratamento de água
Triagem
Nesse processo, os sólidos maiores encontrados na água (galhos, madeira, pedras, plásticos etc.) são
removidos por meio de barras, nas quais esses materiais são retidos.
Coagulação e floculação
A coagulação consiste na adição de coagulantes a fim de desestabilizar as partículas coloidais para que
possam ser removidas. Esse processo ocorre em frações de segundos, dependendo da concentração do
coagulante e do pH final da mistura. Já a floculação é o processo pelo qual partículas desestabilizadas
colidem umas com as outras e se aglomeram, formando flocos.
Nesses processos, além da remoção de turbidez e cor, também são eliminados bactérias, vírus, organismos
patogênicos que podem ser separados por coagulação, algas e substâncias que produzem sabor e odor em
alguns casos.
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Atenção
Os processos de coagulação e floculação precisam ser controlados com muito cuidado, pois a eficiência
dos decantadores e filtros dependerá dessa fase, uma das mais importantes do tratamento. 
Nas estações de tratamento, a coagulação ocorre na unidade chamada de mistura rápida, e a floculação é
realizadaem floculadores. A mistura rápida é composta por canais Parshall, e é aí que ocorre a injeção do
coagulante.
Canais Parshall
Também chamada de calhas Parshall, são utilizadas em estações de tratamento para medir a vazão de
entrada e saída dos líquidos, quando estes estão passando por condutos livres.
Em relação aos coagulantes, é aconselhável dar-lhes tempo suficiente para que as partículas do composto se
dissolvam. Além disso, são usados auxiliares de coagulação, como polímeros catiônico ou aniônico.
Para determinar a dose ideal de coagulante, são realizados testes de jarro (jar tests), que simulam as
condições de coagulação e floculação da planta, buscando obter um floco pesado e compacto que
possa ser facilmente retido nos decantadores e que não se rompa ao passar pelos filtros.
O tamanho do floco produzido é determinado pelo índice de Willcomb, considerando um tempo de
sedimentação não inferior a 10 minutos. A jarra com o maior floco, a maior velocidade de sedimentação e a
menor turbidez residual é escolhida como a dose ideal. 
Tipos de coagulante: vantagens e desvantagens
Os coagulantes mais utilizados são: sulfato de alumínio, cloreto férrico e sulfato férrico.
Sulfato de alumínio
O sulfato de alumínio é o coagulante mais utilizado e domina o mercado. De baixo custo e fácil
manuseio, esse coagulante não muda quimicamente ao longo do tempo. No entanto, se sua dosagem
não for devidamente controlada, a concentração de alumínio residual pode exceder os limites
máximos estabelecidos para qualidade da água potável (0,2 mg/L). Além disso, as características da
água bruta podem diminuir sua eficiência, o que gera a necessidade de uso de um auxiliar de
coagulação, implicando maior custo.
Cloreto férrico
O substituto do sulfato de alumínio, o cloreto férrico (FeCl3), traz consigo muitas vantagens. No
entanto, existem algumas desvantagens que precisam ser analisadas. Primeiramente, tratando-se de
benefícios, a utilização de cloreto férrico reduz significativamente a cor, a turvação, a quantidade de
sólidos suspensos, a demanda biológica de oxigênio (DBO), além de eliminar fosfatos.
Ademais, o FeCl3 neutraliza cargas negativas dos coloides, reage produzindo hidróxidos insolúveis de
ferro, possui ampla faixa de pH, sendo que entre 5 e 11, origina bons flocos. Em relação ao ponto de
vista econômico, essa substância é inviável para algumas estações de tratamento, pois seu custo é
relativamente superior ao do sulfato de alumínio, porém, apresenta mais benefícios se comparado.
Sulfato férrico
O sulfato férrico não gera alumínio residual e, em alguns casos, produz um floco de sedimentação
mais pesado e rápido que o sulfato de alumínio. Pode ainda trabalhar com uma ampla faixa de pH. Por
outro lado, o custo atrelado à sua utilização é maior em relação ao do sulfato de alumínio. Também
pode produzir cor na água (EARNEST; WESLEY, 1971).
Sedimentação
A sedimentação é um processo físico por meio do qual partículas mais densas que a água são removidas ou
separadas do fluido devido à gravidade, resultando em um fluido clarificado e em uma suspensão mais
concentrada. A filtração também é utilizada para remoção de partículas, podendo ser realizada em conjunto
com a sedimentação. Esses processos são, portanto, complementares.
Entre os fatores que influenciam a sedimentação, podemos citar os seguintes:
Qualidade da água (variação na concentração de matéria em suspensão, temperatura da água)
Condições hidráulicas
Processos anteriores à sedimentação
Dependendo do tipo de partícula a ser removido, são utilizadas unidades de sedimentação ou decantação
diferentes. Essas unidades são classificadas da seguinte forma: 
Sedimentadores estáticos
Nestas unidades, a sedimentação ocorre normalmente com queda livre. São encontrados os seguintes tipos:
Armadilhas de areia
Têm como objetivo retirar a areia da água crua, evitando que essas partículas interfiram na operação
das bombas e nos processos seguintes.
Unidades de fluxo horizontal
Podem ser tanques de sedimentação retangular, circular ou quadrada. A remoção do lodo pode ser
contínua ou intermitente, com a vantagem de permitir uma implantação mais compacta, embora seu
custo seja maior.
Unidades de fluxo vertical
São unidades de formato cilíndrico. Na parte inferior está localizada na zona de lodos, que têm forma
cônica com inclinação de 45° a 60°, dependendo da natureza da água e do tratamento aplicado. A
recuperação da água sedimentada é realizada na parte periférica superior da unidade.
Unidades de fluxo helicoidal
São usadas para tratar água com alto teor de flocos e que possuem alta velocidade de sedimentação.
Decantadores dinâmicos
Requerem uma alta concentração de partículas para aumentar as possibilidades de contato no manto de lodo,
com concentração de partículas de 10 a 20% em volume. Temos os seguintes tipos: 
• 
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Unidades de manto de lodo com suspensão hidráulica
A vantagem é que, geralmente, não possuem partes removíveis dentro do tanque nem necessitam de
energia elétrica para funcionar. Da mesma forma, é necessário evitar turbulências na entrada de água,
uma vez que isso afetaria a manta de lodo.
Unidades de manta de lodo com suspensão mecânica
Unidades em que a decantação pode ocorrer por meio de agitação, separação e pulsação ou vácuo.
Decantadores laminares
São aqueles cuja eficiência diminui à medida que a carga superficial nas células aumenta; também depende
das características da água tratada e do design do decantador. Temos os seguintes tipos:
Decantadores laminares de fluxo horizontal
Com placas planas paralelas inclinadas (ângulo de 5°), para obter a inclinação adequada para
favorecer a drenagem dos flocos.
Decantadores laminares de fluxo inclinado
Possui duas seções paralelas (naves) dotadas de uma fileira de módulos formados por chapas de
polipropileno corrugado instaladas em um ângulo de 60°. O fluxo de água clarificada em cada
armazém é ascendente. Por meio de um sistema de tubos de PVC, a água é transportada até um
canal central aberto que separa os armazéns. Cada módulo possui funis de coleta de lodo em sua
parte inferior. Esse sistema encurta o caminho de deposição de partículas sólidas e induz o fluxo
laminar de água.
Filtração
Processo por meio do qual são retidas partículas e pequenas quantidades de microrganismos em um meio
poroso. Para que atendam aos padrões de qualidade da água potável, os filtros devem ter uma eficiência de
remoção bacteriológica superior a 99%.
O tamanho das partículas retidas pode variar de flocos de a coloides, bactérias e vírus menores que 
. Essas partículas são retidas, por peneiramento, nos interstícios do leito. Bactérias cujo tamanho é
muito menor que o dos poros devem ser removidas por meio de outros processos.
Na filtração, ocorrem as seguintes etapas complementares:
Transporte de partículas dentro dos
poros
É um fenômeno físico e hidráulico que é
influenciado por parâmetros que governam a
transferência de massa. Os mecanismos que
podem ocorrer são: peneiramento,
sedimentação, interceptação, difusão, impacto
inercial e ação hidrodinâmica.
Aderência aos grãos do meio
É um fenômeno de ação superficial, que é
influenciado por parâmetros físicos e químicos.
Os mecanismos que podem ocorrer na adesão
são: forças de Van der Waals, forças
eletroquímicas e ponte química.
As unidades de filtração são classificadas tendo em conta os seguintes parâmetros:
Leito filtrante: simples (areia ou antracite) e camas duplas ou múltiplas.
Direção do fluxo: descendente, ascendente e ascendente-descendente.
Forma de aplicação da carga de água no leito: gravidade e pressão.
Forma de controle operacional: taxa constante e nível variável; taxa e nível constante e taxa e nível
decrescente.
Os fatores que influenciam a filtragem são:
Características da suspensão
Tipo, tamanho, densidade, dureza e resistência
de partículas suspensas (flocos), temperatura
da água a ser filtrada e a concentração de
partículas suspensas no afluente.
Características do meio filtrante
Tipo,granulometria, peso específico do material
filtrante e espessura da camada filtrante.
Características hidráulicas
Taxa de filtração, carga hidráulica disponível
para filtração, método de controle do filtro e
qualidade do efluente.
Durante a filtração, os grãos do meio filtrante retêm as partículas até bloquearem o caminho do fluxo, por isso
precisam ser lavados periodicamente. A turbidez da água filtrada não deve ser superior a 1 unidade
nefelométrica de turbidez (nephelometric turbidity unity / NTU), com uma cor inferior a 5 unidades de cor
verdadeira (UCV).
No filtro de gravidade com leito de areia, o fluxo é descendente, assim como a taxa. A lavagem desse filtro de
areia é feita impedindo a entrada de água nele mesmo, abrindo simultaneamente a comporta de lavagem de
modo que, quando o nível de água no interior do filtro cai bruscamente, a água filtrada contida nos canais
laterais inverte seu padrão de fluxo por ter um nível mais alto, realizando a retrolavagem que agita o leito de
areia e remove as partículas, por meio do canal de lavagem. 
Após o término da retrolavagem, o portão de lavagem é fechado, e o portão de entrada é aberto para
restaurar o processo de filtragem.
Desinfecção
É o último processo de tratamento de água, que consiste na destruição seletiva de organismos
potencialmente infecciosos. Isso significa que nem todos os organismos patogênicos são eliminados nesse
processo, por isso, necessitam de processos prévios, como coagulação, sedimentação e filtração, para sua
eliminação. Os fatores que influenciam a desinfecção são (BENINI, 2019):
Os microrganismos presentes e seu comportamento
A natureza e concentração do agente desinfetante
A temperatura da água
A natureza e qualidade da água
O pH da água
O tempo de contato
A eficácia da desinfecção é medida pela porcentagem de organismos mortos dentro de tempo, temperatura e
pH predeterminados. A resistência desses microrganismos varia, sendo as esporas bacterianas as mais
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resistentes, seguidas da resistência por cistos de protozoários, vírus entéricos e bactérias vegetativas
(coliformes).
A presença de sólidos reduz a eficácia da desinfecção porque os organismos associados a esses sólidos
podem ser protegidos da ação do agente desinfetante físico ou químico. Os agentes ou produtos químicos
mais importantes são cloro, bromo, iodo, ozônio, permanganato de potássio, peróxido de hidrogênio e íons
metálicos. 
Os agentes físicos mais utilizados são os sistemas de coagulação-floculação, sedimentação, filtração, calor,
luz e raios ultravioleta. 
O cloro é o agente desinfetante mais importante; pode ser usado na forma de gás, líquido ou sal
(hipoclorito de sódio). É de fácil aplicação, manuseio simples e baixo custo. Em doses adequadas,
não produz riscos para o homem ou animais. Seu efeito residual impede que a água seja
contaminada nas redes de distribuição.
É importante tomar precauções no uso do cloro, devido à formação de trialometanos, considerados
potencialmente perigosos. Os trialometanos são considerados compostos carcinogênicos, e sua presença na
água deve ser evitada. 
Curiosidade
Levantamentos epidemiológicos relacionando a concentração dos trialometanos com a morbidade e a
mortalidade por câncer evidenciaram associações positivas em alguns casos de carcinomas. 
A sequência de processos considerados no tratamento da água e apresentados nesta seção foram: triagem,
coagulação, floculação, sedimentação, filtração e desinfecção. Na desinfecção, é realizada pré-cloração e
pós-cloração da água.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Quais são as características dos processos difusivos?
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Fatores que influenciam a desinfecção
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Indique a alternativa que representa os processos físicos nos quais as partículas de contaminantes são
separadas por gravidade.
A
Sedimentação
B
Coagulação
C
Filtração
D
Desinfecção
E
Radiação
A alternativa A está correta.
Sedimentação é um processo de separação em que a mistura de dois líquidos, ou de um sólido suspenso
em um líquido, é deixada em repouso, ou adicionada continuamente em uma unidade de sedimentação em
contínuo. A fase mais densa, por ação da gravidade, deposita-se no fundo do recipiente, ou seja,
sedimenta.
Questão 2
Assinale a alternativa que indica um processo físico de separação de partículas e pequenas quantidades de
microrganismos por um meio poroso.
A
Absorção
B
Floculação
C
Filtração
D
Desinfecção
E
Convecção
A alternativa C está correta.
A filtração é um processo físico de separação de misturas heterogêneas do tipo sólido-líquido ou gás-
sólido. Como o próprio nome indica, utiliza-se um filtro (um material poroso) para reter as partículas sólidas,
separando-as do líquido ou do gás.
3. Concepção de estações de tratamento de esgoto
Vamos começar!
Parâmetros de projeto de sistemas para tratamento de águas residuais
Assista ao vídeo a seguir para conhecer os principais pontos que serão abordados neste módulo.
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Qualidade do tratamento das águas residuais 
Importância do tratamento adequado
O tratamento adequado das águas residuais, juntamente com a capacidade de fornecer um suprimento
suficiente de água potável, tornou-se uma grande preocupação para muitas comunidades e um componente
da agenda de desenvolvimento sustentável (USEPA, 1999).
Os sistemas que garantem que as águas residuais sejam tratadas antes de qualquer descarga em águas
naturais receptoras reduzem as ameaças aos ecossistemas e aos serviços que eles fornecem, incluindo a
melhoria da qualidade e segurança (e, portanto, a facilidade de uso) da água doce e reduzindo a poluição e a
eutrofização em ecossistemas que fornecem alimentos.
Esses processos de purificação são realizados em estações de tratamento de efluentes, que
consistem em uma sequência de operações e processos unitários que visam eliminar determinado
tamanho de partícula, diminuindo seu tamanho à medida que as operações unitárias avançam. 
A dificuldade do processo aumenta com a diminuição do tamanho das partículas, o que torna as operações
unitárias mais complexas no final do sistema de tratamento de águas residuais (STAR) do que no início.
Parâmetros indicadores de qualidade
O desempenho do tratamento de águas residuais é, geralmente, avaliado medindo a remoção de
contaminantes do fluxo de águas residuais.
Esses parâmetros definem a qualidade das águas residuais e podem ser divididos em três categorias mais
utilizadas para o projeto de estações de tratamento, sendo que a diferença entre eles é:
Parâmetros físicos
Parâmetros químicos
Parâmetros biológicos
O parâmetro físico mais importante dos efluentes é o teor de sólidos totais, comumente classificados em
totais, sólidos suspensos, dissolvidos e sedimentáveis. 
Sólidos em suspensão e sólidos decantáveis são dois dos parâmetros sólidos mais utilizados para o projeto de
estações de tratamento, sendo que a diferença entre eles é:
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Outras características físicas a ter em conta na qualidade das águas residuais são a temperatura, turbidez, cor
e o odor. Entre os parâmetros químicos utilizados para determinar a qualidade do efluente, estão os seguintes:
pH
Indicador das condições ácidas ou alcalinas das águas residuais. Uma solução é neutra em pH 7. Os
processos de oxidação biológica normalmente tendem a diminuir o pH.
Alcalinidade
Indicador da capacidade tampão do meio (resistência a variações de pH). Causado pela presença de
íons bicarbonato e hidroxila.
Oxigênio dissolvido (OD)
Necessário para a respiração de microrganismos aeróbicos. Fator indispensável para microrganismos
responsáveis pela oxidação biológica da matéria orgânica em sistemas de tratamento de águas
residuaisaeróbicas.
Demanda bioquímica de oxigênio - DBO
Concentração de oxigênio (mg/L) necessária para oxidar a matéria orgânica presente em uma
amostra de água, por meio da ação biológica de microrganismos.
DBO5
DBO medido em cinco dias e 20◦C. Associado à fração biodegradável de compostos orgânicos
carbonáceos. Medição do oxigênio consumido após cinco dias por microrganismos na estabilização
bioquímica da matéria orgânica.
Demanda química de oxigênio - DQO
Representa a quantidade de oxigênio necessária para estabilizar quimicamente a matéria orgânica
carbonácea. Use agentes oxidantes fortes em condições ácidas.
Sólidos em suspensão 
São visíveis e flutuam no efluente entre a
superfície e o fundo, podendo ser removidos
por meios físicos ou mecânicos, por
processos de filtração ou sedimentação. 
Sólidos decantáveis 
São sólidos em suspensão que, devido
ao tamanho e peso, podem se
acomodar em até uma hora no cone de
Imhoff. 
Tanque de lodo ativado aerado.
Nitrogênio total
O nitrogênio é um nutriente importante para o crescimento de microrganismos e essencial para seu
crescimento em tratamentos biológicos. O nitrogênio total inclui nitrogênio orgânico, amônia, nitrito e
nitrato.
Fósforo total
O fósforo é um nutriente importante para o crescimento de microrganismos. O fósforo total existe em
formas orgânicas e inorgânicas. É um nutriente essencial no tratamento biológico de águas residuais.
Gorduras e óleos
Relacionado com a descarga no sistema de esgotamento sanitário de água de cozinha ou água de
uma indústria. Se forem atingidos níveis muito elevados, é necessário um pré-tratamento especial
para desengordurar a água residual.
Sistema de lodo ativado
Características do sistema de lodo ativado
O sistema de lodo ativado continua sendo o processo de tratamento biológico mais usado para reduzir a
concentração de poluentes orgânicos em águas residuais. É amplamente utilizado em todo o mundo para
tratamento de águas residuais domésticas e industriais, nas situações em que é necessária uma alta qualidade
de efluentes e a disponibilidade de espaço é limitada.
É um processo de crescimento suspenso,
predominantemente aeróbico, que mantém uma alta
população de microrganismos ou biomassa. As águas
residuais fluem continuamente para um tanque de aeração
no qual o ar é injetado para misturar lodo ativado com
águas residuais e fornecer oxigênio necessário para que os
organismos oxidem compostos orgânicos (KAWAMURA,
1991).
A mistura de lodo ativado e efluente no tanque de aeração é
chamada de licor misto e consiste em esgoto;
microrganismos (vivos e mortos); matérias: inerte coloidal e
coloidal biodegradável e não biodegradável. A concentração
de biomassa ativa é chamada de sólidos em suspensão voláteis de licor - MLVSS ou SSVLM, e a concentração
de biomassa ativa mais os sólidos inertes são chamados de sólidos suspensos em licor misto - MLSS ou
SSLM.
O licor misto flui do tanque de aeração para um clarificador secundário (decantador), no qual se deposita o
lodo ativado. A maior parte do lodo sedimentado é devolvido ao tanque de aeração (lodo de retorno) para
manter a população de microrganismos que permitem a rápida decomposição de compostos orgânicos.
Como é produzido mais lodo ativado do que o desejável no processo, parte do lodo de retorno é desviado ou
desperdiçado para o sistema de gerenciamento de lodo para tratamento e eliminação.
Partes integrantes do sistema de lodo ativado
As seguintes unidades são partes integrantes e a essência de qualquer sistema de lodo de fluxo contínuo
ativado, veja as etapas a seguir:
Tanque de aeração (reator)
Oorre a oxidação aeróbica da matéria orgânica carbonácea. Os microrganismos responsáveis pela
oxidação biológica são mantidos em suspensão, e o oxigênio é fornecido por aeração mecânica ou
difusa. O efluente primário que entra na bacia de aeração é misturado com o lodo de retorno ativado
do clarificador final para formar o licor misturado no tanque de aeração.
Tanque de sedimentação (decantador secundário)
Os flocos microbianos (excesso de lodo) produzidos na fase de aeração são separados do efluente
tratado.
Recirculação de lodo
Uma parte do excesso de lodo da decantação é devolvida ao tanque de aeração, para manter uma
concentração específica de biomassa no tanque de aeração. A reciclagem dessa parte do excesso de
biomassa faz com que o tempo médio de residência celular (tempo de retenção do lodo) seja maior
que o tempo de retenção hidráulica, o que permite ao processo manter um grande estoque de
microrganismos que oxidam os compostos orgânicos em um tempo relativamente curto.
Remoção do excesso de lodo
O excesso de lodo é retirado do sistema e vai para a etapa de tratamento de lodo.
Classificação e tipos de sistema de lodo ativado
Existem variantes do processo de lodo ativado. O principal e mais utilizado pode ser classificado de acordo
com as seguintes características (SELENDY, 2011):
Idade
Dependendo da idade do lodo (ou relação comida/microrganismo - F/M):
Lodo ativado convencional (baixa idade do lodo, alta relação F/M)
Aeração prolongada (alta idade da lama, baixa relação F/M)
Fluxo
Dependendo do fluxo:
Fluxo contínuo
Fluxo intermitente
Efluente
De acordo com o efluente para o estágio biológico de lodo ativado:
Água preta
Efluente de um tanque de sedimentação primário
Efluente de um reator anaeróbico
Efluente de outro processo de tratamento de águas residuais
Parâmetros de desenho do sistema de lodo ativado
Parâmetros de projeto e operação
Existem vários parâmetros que regem o projeto de um sistema de lodo ativado, que determinam a eficiência
do sistema, sua configuração espacial, bem como sua operação e manutenções adequadas. Alguns desses
parâmetros são descritos a seguir:
Necessidade de oxigênio e tipo de aeração
O parâmetro mais crítico no processo de digestão aeróbica é o oxigênio dissolvido. A manutenção de
concentrações adequadas de oxigênio permite que o processo biológico ocorra e evita odores desagradáveis.
Em digestores aeróbicos (reatores), as concentrações de oxigênio dissolvido normalmente variam de 0,5 a 2,0
mg/L. Níveis inadequados de oxigênio dissolvido resultam em digestão incompleta e, portanto, causam
problemas de odor. 
A taxa de uso de oxigênio (consumo) pelos microrganismos depende da taxa de oxidação biológica e é
utilizada para determinar o nível de atividade biológica e a destruição de sólidos resultante que ocorre no
digestor ou reator. A manutenção dos níveis de oxigênio dissolvido, em torno de 2,0 mg/L no tanque de
aeração (reator), permite a presença de microrganismos aeróbios que fixam a matéria orgânica.
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Recomendação
Ao projetar um sistema de lodos ativados, deve-se escolher um tipo de aeração, que terá uma série de
constantes e parâmetros empíricos diferentes para cada tipo. Da mesma maneira, a forma do tanque de
aeração deve garantir a distribuição uniforme do oxigênio, portanto, deve ser projetado levando em
consideração a localização dos aeradores. 
Tempo de retenção de sólidos
É chamado de tempo médio de residência celular, tempo de retenção de sólidos ou idade do lodo e é
teoricamente definido como o número de dias que um microrganismo permanece no sistema de lodo ativado
antes de ser desperdiçado fora do sistema.
Outra forma de defini-lo é como a razão entre a massa de lodo biológico presente no reator e a massa de lodo
biológico extraída (ou produzida) do sistema de lodo ativado por dia. A maior permanência de sólidos no
sistema garante a alta eficiência dos sistemas de lodo ativado, pois a biomassa tem tempo suficiente para
metabolizar praticamente toda a matéria orgânica nas águas residuais.
O tempo de retenção de sólidos pode ser diferente de acordo com o processo, veja:
Processo secundário de lodo ativado
Para um processo secundário de lodo ativado
que remove apenas DBO, o tempo de retenção
é normalmente de um a três dias.
Processo de nitrificação
Para um processo de nitrificação, o tempo de
retenção, geralmente, é de4 a 10 dias.
Processo de aeração prolongado
Para um processo de aeração prolongado ou
prolongado, o tempo de retenção, geralmente,
é de 20 dias ou mais.
Relação alimento-microrganismo (F/M)
É definida como a carga de alimento ou substrato (DBO) fornecida por dia pela unidade de biomassa no reator
(representada por SSVLM e expressa como kgBOD / kgSSVLM). Como os microrganismos têm uma
capacidade limitada de consumir o substrato (DBO) por unidade de tempo, uma alta relação F/M pode
significar uma oferta maior de matéria orgânica biodegradável do que a capacidade de consumo de biomassa
no sistema, o que resulta em excesso de substrato no efluente final. 
Por outro lado, valores baixos de F/M significam que o fornecimento de substrato é menor que a capacidade
dos microrganismos de utilizá-lo no sistema de lodo ativado. Como consequência, eles consumirão
praticamente toda a matéria orgânica do efluente, bem como seu próprio material orgânico celular. Altas
idades de lama estão associadas a baixos valores de F/M e vice-versa. As relações F/M típicas para várias
modificações do processo de lodo ativado variam de 0,04 a 2,00 mg/mg (CLARK; HAKIM, 2014).
Processo de lodo ativado convencional
No processo convencional de lodo ativado, parte da matéria orgânica (suspensa, decantável) do efluente é
retirada antes do tanque de aeração, no tanque de decantação primário. Portanto, os sistemas convencionais
de lodos ativados têm o tratamento primário como parte integrante de seu fluxograma (decantação primária). 
No sistema convencional, a idade do lodo é geralmente da ordem de 4 a 10 dias, e a relação F/M fica na faixa
de 0,25 a 0,50 kgBOD/kgMLVSS (Kg licor misto de sólidos voláteis em suspensão). O tempo no reator é da
ordem de seis a oito horas. Com essa idade do lodo, a biomassa removida do sistema em excesso de lodo
ainda requer estabilização. Esses sistemas podem obter eficiências de remoção de DBO na faixa de 85% a
95%. 
Aeração estendida no processo de lodo ativado
Lodo ativado com aeração prolongada é uma variante do processo convencional de lodo ativado. O
decantador primário é removido, e um reator de maior capacidade é colocado em seu lugar. Além disso, a
aeração é mais intensa.
No sistema convencional de lodo ativado, o tempo médio de retenção do lodo no sistema é de 4 a 10 dias.
Com essa idade do lodo, a biomassa removida no lodo excedente ainda requer uma etapa de estabilização do
lodo. Isso se deve ao alto nível de matéria orgânica biodegradável em sua composição celular. 
No entanto, se a biomassa for mantida no sistema por um período maior, com idade do lodo em
torno de 18 a 30 dias (daí o nome aeração prolongada), e recebendo a mesma carga de DBO do
sistema convencional, haverá menos alimento disponível para bactérias (devido ao lodo mais antigo
e maior volume do reator), portanto, haverá menos matéria orgânica por unidade de volume do
tanque de aeração e por unidade de massa microbiana (GERARDI, 2005).
Consequentemente, para sobreviver, as bactérias começam a usar a matéria orgânica de seu material celular
no seu metabolismo. Essa matéria orgânica é convertida em dióxido de carbono e água pela respiração,
gerando uma estabilização (digestão) da biomassa no tanque de aeração.
Enquanto no sistema convencional a estabilização do lodo é realizada separadamente, nos sistemas de
aeração prolongada a digestão é realizada simultaneamente com a estabilização de BOD no reator. Como não
há necessidade de estabilizar separadamente o excesso de lodo biológico, evita-se a geração de outros tipos
de lodo no sistema que requer tratamento adicional. Consequentemente, os sistemas de aeração prolongada,
muitas vezes, não possuem tanques de decantação primários.
Sistema UASB
Características do sistema UASB
Os reatores de manta de lodo anaeróbico de fluxo ascendente (UASB) são uma tecnologia adjunta de
tratamento biológico de crescimento em que a água residual flui para cima por meio de uma camada de
grânulos densos. À medida que as águas residuais fluem pelo manto, os microrganismos anaeróbios ligados
aos grânulos degradam os orgânicos, produzindo metano e dióxido de carbono. 
Da camada de lodo, os gases sobem para a superfície líquida do reator em que são capturados para uso ou
descarga. Uma vez que o efluente está acima da camada de lodo, os grânulos são separados por gravidade
das águas residuais a granel e redepositados no leito à medida que o efluente clarificado transborda do reator.
Um grande problema com o UASB é a formação contínua de grânulos densos. 
O processo UASB possui um reator anaeróbio na parte inferior que contém a camada de lodo, e acima desta
há um separador gás-líquido-sólido (GLS). Na zona GLS, placas de deflexão e capuzes de coleta são usados
para capturar o biogás e permitir que os sólidos em suspensão assentem e retornem à zona de deposição.
Uma das chaves para uma aplicação UASB bem-sucedida é um projeto GLS eficiente. O gás coletado no topo
do reator pode ser ventilado ou queimado para gerar calor ou energia.
Recomendação
Não é recomendado ventilar o gás diretamente para a atmosfera porque o metano é um poderoso gás de
efeito estufa. 
A queima de biogás requer queimadores especiais e potencialmente tratamento para remover o sulfeto de
hidrogênio e outros contaminantes. Os sinos de gás geralmente têm seções transversais triangulares, de
modo que as superfícies externas inclinadas criam uma zona de assentamento que aumenta com a distância
do topo da zona de digestão (FATTA-KASSINOS; KÜMMERER, 2016).
A alimentação é introduzida o mais uniformemente possível pelo fundo da zona de lama e flui verticalmente.
Os reatores UASB proporcionam disposição econômica de grandes frações de efluentes orgânicos; mas as
remoções não são altas o suficiente para atender os padrões de tratamento secundário. 
Em termos gerais, a remoção de matéria orgânica carbonácea (DBO, DQO) e SS ocorre com boa eficiência no
reator anaeróbio, porém, a remoção de nutrientes e microrganismos patogênicos é mínima, o que justifica a
necessidade de implantação de sistemas complementares de tratamento (pós-tratamento) para a maioria das
aplicações.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
O que significa DBO e DQO?
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O que são os processos aeróbios e anaeróbios?
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Qual é a concentração de oxigênio (mg/L) necessária para oxidar a matéria orgânica presente em uma
amostra de água, por meio da ação biológica de microrganismos?
A
BQO
B
FCC
C
DBO
D
FTY
E
ODQ
A alternativa C está correta.
O DBO é um parâmetro que mede a quantidade de dioxigênio consumida pela degradação da matéria
orgânica em uma amostra líquida. É o material que pode ser consumido ou oxidado por meios biológicos
que contêm uma amostra líquida, dissolvida ou em suspensão.
Questão 2
Qual parâmetro representa a quantidade de oxigênio necessária para estabilizar quimicamente a matéria
orgânica carbonácea?
A
BQO
B
FCC
C
DQO
D
FTY
E
ODQ
A alternativa C está correta.
A demanda química de oxigênio é um parâmetro que mede a quantidade de substâncias que podem ser
oxidadas por meios químicos que são dissolvidas ou suspensas em uma amostra líquida. É usado para
medir o grau de contaminação e é expresso em miligramas de oxigênio diatômico por litro.
Bueiro de esgoto na rua com a tampa aberta.
4. Rede de recolecção e transporte
Vamos começar!
Principais características dos sistemas de elevação, interceptores e
emissários para sistemas de águas residuais.
Assista ao vídeo a seguir para conhecer os principais pontos que serão abordados neste módulo.
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Características da rede de recolecção e transporte
Definição e composição da rede de recolecção e transporte
A rede de recolecção e transporte é compostapor todos ou alguns dos seguintes elementos: 
Rede de esgotos
Coletores
Interceptores
Emissores
Estação de tratamento de águas residuais
Estações elevatórias
Local de descarga ou descarga
Obras conexas ou acessórias
O destino final do esgoto pode ser um corpo receptor ou o reaproveitamento dele; tudo depende das
condições da área e da economia. Assim, o porte das obras de esgoto estará sujeito às condições do projeto,
sempre considerando que deve ser construído por estágios.
A rede de recolecção e transporte é a parte do sistema de esgoto cuja função é coletar e transportar
efluentes domésticos, comerciais e industriais para direcionar os fluxos acumulados para os coletores ou
emissores. 
Essa rede é constituída por um conjunto de condutos pelo qual circulam as águas residuais, iniciando-se na
descarga ou esgoto residencial, cujo diâmetro, na maioria dos casos, é de 15cm, sendo este o diâmetro
mínimo aceitável. A ligação entre a rede de esgoto e a rede exterior deve ser hermética e direcionada na
direção do fluxo de água nas tubulações da rua. 
A rede de esgotos localiza-se, geralmente, no centro das
ruas e recolhe as contribuições das descargas domésticas
ou esgotos. O diâmetro mínimo aceito é de 20cm, e seu
desenho e sua disposição estão totalmente condicionados
pela topografia da zona, devendo respeitar os limites de
velocidade máxima e mínima, sem perder de vista que, na
maioria dos casos, o funcionamento é por gravidade e,
nesse caso, a água funciona como meio de transporte.
Para ligar duas seções da rede de drenagem, é utilizada
uma estrutura chamada bueiro. Com o objetivo principal de
aproveitar ao máximo a capacidade da tubulação utilizada,
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o diâmetro mínimo deve ser considerado no dimensionamento hidráulico dos esgotos, verificando se atende
às condições de projeto. O traçado geométrico da rede de esgotos costuma ser feito coincidindo com o eixo
longitudinal de cada rua (no centro) e dependerá das curvas de nível. 
Tipos de traçado geométrico da rede de esgotos
Os traçados mais comuns são os seguintes:
Traço de baioneta
Este é o nome dado ao traço que tem um desenvolvimento em ziguezague ou escada. As vantagens
da utilização dessa linha são: permite maior desenvolvimento dos bueiros, podendo controlar melhor
as inclinações topográficas, e aumenta o número de descargas, conseguindo melhorar as condições
hidráulicas.
Geralmente motivado pelo desenvolvimento curto, a capacidade das tubulações é desperdiçada. Em
muitas ocasiões, como no início do bueiro há pouca profundidade, para descarregar no duto é
necessária a construção de um grande número de bueiros, aumentando assim o custo da construção.
Traço em baioneta e traço em pente
Esta linha é formada quando existem vários bueiros com tendências paralelas e descarregam seu
conteúdo em um tubo de maior diâmetro perpendicular a eles. Algumas das vantagens e
desvantagens consideradas para esse tipo de traçado são as seguintes:
Garante-se uma contribuição rápida e direta para a tubulação comum de cada coletor, definindo
rapidamente o regime hidráulico estabelecido. Há um grande número de valores para as encostas,
sendo muito útil quando a topografia é irregular.
Pista combinada
A linha combinada é a união das duas linhas anteriores, o que é exigido pelas condições topográficas
da localidade. Geralmente motivado pelo desenvolvimento curto, a capacidade das tubulações é
desperdiçada.
Coletores, interceptores e emissores
Layout de coletores, interceptores e emissores
Essas partes do sistema de esgoto, por questões de economia, devem funcionar como o restante do projeto,
por gravidade, e somente em condições muito especiais funcionarão por bombeamento.
Para a coleta final de águas residuais de uma localidade, é necessário traçar geometricamente essa série de
tubulações configuradas de acordo com: 
A topografia do local
O traçado das ruas
O(s) local(is) de descarga
A localização das estações de tratamento de águas residuais
Em todos esses casos, uma série de alternativas deve ser feita para localizar adequadamente o local das
estações de bombeamento (se necessário), bem como das estações de tratamento e analisar essas
alternativas com o objetivo de selecionar aquela que for mais adequada técnica e economicamente. Os
padrões de curso mais comuns são:
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• 
• 
1Traço perpendicular
Essa linha é usada quando uma cidade está localizada ao longo de um córrego e o terreno se inclina
suavemente em direção a ele, a melhor maneira de coletar as águas residuais é colocando os canos
perpendiculares ao córrego e adicionando um interceptor paralelo ao córrego.
2
Traço radial
Essa linha é usada quando as águas residuais saem da cidade radialmente pelos coletores.
3
Traço radial e traço na forma de interceptores
Essa linha é usada quando se trata de recolher águas residuais de uma população cujas curvas de
nível são mais ou menos paralelas sem grandes desníveis e cujos coletores estão ligados a um
interceptor que transporta a água para uma estação de tratamento.
4
Traço em forma de leque
Essa linha é usada quando a cidade está em um vale, são utilizadas linhas de tubulação
convergentes em direção ao coletor, que está localizado no interior da cidade, gerando uma única
tubulação de descarga.
Para as profundidades de instalação das tubulações, devem ser considerados:
A topografia (traço)
Os buffers mínimos (tipo de tubulação)
As velocidades máxima e mínima (declives)
A escolha da inclinação é feita de forma que a tubulação satisfaça, com o menor diâmetro, a capacidade de
condução necessária, sem ultrapassar os limites de profundidade mínima, inclinação e velocidades máxima e
mínima.
Coletores e emissores
O dimensionamento hidráulico dessas partes de um sistema de esgoto é feito da mesma forma que o cálculo
da rede de recolecção e transporte.
Emissores
A finalidade dos emissores é conduzir o fluxo de águas residuais da rede de esgoto, em direção à estação de
tratamento e desta até o local de descarga final. Eles funcionam por gravidade ou por pressão, dependendo
das condições topográficas da área e do projeto.
• 
• 
• 
Emissores.
Essa tubagem destina-se a conduzir o caudal máximo
extraordinário, na secção compreendida entre o coletor ou
coletores até a estação de tratamento e para o fluxo de
produção da estação de tratamento até o local de descarga.
Os emissores podem ser construídos como canais, desde
que carreguem água tratada.
Se forem projetados como condutos abertos, todos os
fenômenos hidráulicos que ocorrem nesse tipo de conduto
devem ser revistos, principalmente o de remanso, para
evitar sua influência em estruturas construídas a montante e
evitar possíveis transbordamentos de águas residuais que
provoquem contaminação do terreno. 
Caso o emissor trabalhe sob pressão, seu diâmetro será calculado pelo procedimento de diâmetro econômico,
devendo também ser considerados fenômenos transitórios para dimensionar a proteção das tubulações. Se o
perfil por onde passa o tubo for muito irregular, será conveniente colocar válvulas de admissão e expulsão de
ar nas cristas.
Local de despejo
Aspectos a considerar no projeto da estrutura de descarga
Para a disposição final ou o descarte de efluentes, é necessário considerar uma estrutura de descarga, cujas
características vão depender do local escolhido, da vazão de descarga, do tipo de condução (canal ou
tubulação) entre outras particularidades. 
Essa estrutura pode descarregar os resíduos que conduzem o emissor para um corpo d'água (rio, lago, mar),
poço de absorção, irrigação etc. e pode ser à pressão atmosférica ou na forma submersa.
Em todos os casos mencionados, é requisito essencial que a água seja tratada, mesmo que a
construção da estação de tratamento seja programada e realizada posteriormente.
Conforme mencionamos, o descarte final do efluente que leva ao esgoto sanitário será realizado após o seu
tratamento, portanto o dimensionamento dessa estrutura será considerado para o custo de produção da
estação de tratamento.Caso a construção da usina esteja programada no futuro, o custo de projeto da
estrutura de descarga será o custo máximo extraordinário.
Para o projeto, é necessário considerar o seguinte:
Localização adequada do local de descarga, garantindo que esteja o mais afastado possível da área
urbana.
Caso a descarga seja feita para uma corrente de água superficial, podem ser consideradas uma ou
várias saídas em diferentes níveis de acordo com a flutuação da profundidade do rio, sempre a jusante
da localidade, e verificando o aproveitamento da água desta corrente.
A disposição final dos efluentes pode ser feita de diversas formas, sendo as mais comuns as seguintes:
Tipos de descarga de efluentes
Como tipo de descarga temos:
• 
• 
Descarga em correntes de superfície
Rios e córregos têm sido utilizados como principal local de descarga,
mesmo quando a água residual não foi tratada, causando a contaminação
das correntes superficiais. Para tentar evitar o exposto, é importante
conhecer os usos que se fazem da corrente a jusante, de modo a
determinar o tipo de tratamento que deve ser realizado nas águas
residuais.
Para o projeto da estrutura de descarga, deve-se considerar o seguinte:
Despesas mínimas e máximas de águas residuais a serem
descarregadas.
Seções topográficas (transversais) na área de descarga,
indicando os níveis mínimo, máximo normal e máximo
extraordinário de água, o que será feito em um trecho reto da
corrente.
Características geotécnicas do canal.
Elevação do quadro de funcionários do emissor.
Descarga em terra
Feita para utilização das águas residuais tratadas para irrigação de
culturas (terras agrícolas) ou recarga de aquíferos. As informações
necessárias para poder dimensionar esse tipo de descarga são as
seguintes:
Despesa mínima e máxima de águas residuais.
Tipo de solo.
Permeabilidade do solo e facilidade de drenagem.
Elevação do lençol freático.
Topografia do terreno e área do emissor.
Se a tubulação for usada no emissor, o gabarito deve ser o mais raso
possível, e uma descarga por gravidade deve ser tentada.
Cuidados especiais devem ser tomados se esse tipo de descarga for
utilizado para irrigação de hortaliças, caso em que a água residual deve
ser devidamente tratada para não contaminar as hortaliças cultivadas.
Descarga no mar
Nas cidades costeiras, o mar é utilizado como corpo receptor de águas
residuais. Para isso, é necessário colocar uma tubulação (emissor
marinho) cujo comprimento deve ser grande o suficiente para evitar que
as marés retornem a água contaminada para as praias. Também é
necessário estudar as correntes marinhas para evitar o que já foi
exposto.
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Descarga em lagos e lagoas
Esse tipo não é recomendado, pois o corpo receptor é vedado. Se
utilizado, a água residual deve ser previamente tratada, de acordo com o
uso dado ao corpo receptor e a descarga deve ser afogada, o que
logicamente aumenta o custo do canteiro de obras.
Descarga de água subterrânea
As águas residuais também podem ser usadas para recarregar aquíferos,
o que pode ser feito por meio da utilização de poços de absorção ou
bombeados para aquíferos. Para isso, é fundamental a realização de
estudos geo-hidrológicos e considerar o tratamento adequado da água
para evitar a contaminação das águas subterrâneas.
Obras conexas
Tipos de obras conexas
As obras conexas ou acessórias exigidas por um sistema de esgotamento sanitário são necessárias para
melhor funcionamento. Algumas delas são brevemente descritas a seguir.
Descarga doméstica
A descarga domiciliar, também conhecida como esgoto, é uma tubulação, com diâmetro, geralmente,
de 15cm pelo menos, que despeja o esgoto das casas para a rede de esgotos. Sua ligação ao esgoto
deve ser hermética e sua união é feita por meio de peças especiais que canalizam a água de descarga
no sentido do fluxo de água no esgoto.
Câmaras de visita
As câmaras de visita são estruturas que desempenham diversas funções em um sistema de esgoto e
que são: mudança de direção, mudança de diâmetro da tubulação, mudança de inclinação, como
estrutura de limpeza, inspeção, ventilação e união de diversas tubulações.
Eles são feitos de materiais diferentes e devem ser herméticos para evitar que a água residual escape
para o solo, bem como a água subterrânea entre as tubulações. As câmaras de visita são
classificadas em: poços comuns, poços especiais, poços de queda ou poços de caixa.
Poços comuns e especiais
Os bueiros têm formato cilíndrico e troncocônico, são largos para que as pessoas possam entrar para
realizar trabalhos de manutenção e devem ter meio-fio de concreto ou ferro e tampa. A classificação
de comum ou especial deve-se ao diâmetro do tubo. Na parte inferior, devem ter uma meia volta
(canal) para canalizar o fluxo de águas residuais. Uma escada marítima é colocada para que o pessoal
de operação e manutenção possa descer para realizar seu trabalho.
Poços de caixa
Os poços de caixa são constituídos por uma caixa de betão armado e uma chaminé de tijolo. Essas
estruturas são utilizadas para diâmetros superiores a 76cm.
Poços de queda
Devido às situações topográficas altimétricas que a localidade apresenta, por vezes, é necessário
construir estruturas especiais que permitam mudanças bruscas de nível no interior. Esses elementos
são chamados de estruturas de queda e são classificados como:
Queda livre: gotas de até 40cm podem ser feitas sem usar nenhuma estrutura especial.
Poços com queda contígua: são caixas de visita ou poços comuns ou especiais aos quais é construída
lateralmente uma estrutura que permite uma queda de até 2m em tubulações de 20cm e 25cm.
Poços em queda: esses poços, nos quais uma diferença de altura de até 1,5m, pode ser transposto
para diâmetros entre 30cm e 76cm, são construídos com uma caixa e uma chaminé e uma tela
defletora é colocada no interior para amortecer a queda de água.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
O que são emissores?
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O que significa local de aterro?
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Qual é o sistema de transporte de efluentes cuja função é direcionar os fluxos de efluentes?
A
Rede hidráulica
B
Rede de esgoto
C
Rede de recolecção e transporte
D
Rede pneumática
E
Rede de trocadores
A alternativa C está correta.
Por meio da rede de recolecção e transporte, os efluentes são transportados até os coletores,
responsáveis por direcionar o fluxo acumulado até o seu destino final, para tratamento.
Questão 2
Quais são as caixas com uma estrutura lateral que permite a queda em tubulações?
A
Poços com queda contígua
B
Poços especiais
C
Poços artesãos
D
Poços horizontais
E
Poços industriais
A alternativa A está correta.
Os poços com queda contígua são estruturas especiais (caixas de visita, poços comuns ou especiais),
utilizadas quando há necessidade de uma mudança brusca de nível no sistema de esgoto, possibilitando
uma queda de até 2m em tubulações de 20 e 25cm.
5. Conclusão
Considerações finais
O constante crescimento das comunidades e o consequente aumento da poluição por efluentes nos levam à
necessidade de implantação de serviços de tratamento de águas residuais para novos empreendimentos.
Dependendo do seu uso, essas águas residuais podem ser tratadas no local onde são geradas (por exemplo,
caixas de gordura ou outros meios de purificação) ou podem ser coletadas e levadas, por meio de uma rede
de tubulações, a uma estação de tratamento municipal ou zonal.
O tratamento de efluentes consiste na remoção de contaminantes físicos, químicos e biológicos presentes na
água do efluente de uso humano, geralmente, contaminantes provenientes de processos industriais, os quais
requerem tratamento especializado.
Sendo assim, quando da realização de um projeto que vise à construção de um sistema de tratamento de
águas, é

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