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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ
CENTRO DE TECNOLOGIA
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA HIDRÁULICA E AMBIENTAL
CURSO DE ENGENHARIA AMBIENTAL
DISCIPLINA DE RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS
SEMESTRE 2025.2
PLANO DE RECUPERAÇÃO DE ÁREAS DEGRADADAS (PRAD):
IMPLEMENTAÇÃO DE SISTEMAS AGROFLORESTAIS SUCESSIONAIS NO
VALE DO RIO DOCE, MINAS GERAIS
ALUNOS: ANA CLARA HONORATO MOURA E THIAGO RODRIGUES DOS
SANTOS
CURSO: ENGENHARIA AMBIENTAL
MATRÍCULA: 473929
PROFESSOR: JOSÉ CARLOS ALVES BARROSO JÚNIOR E ANDERSON
BORGHETTI SOARES
TURMA: 01 (TERÇA-FEIRA E QUINTA-FEIRA DE 10H ÀS 12H)
FORTALEZA-CE
2026
SUMÁRIO
1. Identificação do Empreendedor e do Imóvel......................................................................3
2. Dados Técnicos (Elaboradores e Executores)....................................................................4
3. Dados Gerais da Propriedade.............................................................................................4
4. Caracterização Ambiental da Propriedade.........................................................................5
4.1. Climatologia...............................................................................................................5
4.2. Geomorfologia e Relevo.............................................................................................6
4.3. Pedologia e Edapologia..............................................................................................6
4.4. Cobertura Vegetal Original e Atual.............................................................................6
5. Objetivo e Justificativa do Projeto..................................................................................... 7
5.1. Objetivo Geral............................................................................................................ 7
5.2. Objetivos Específicos.................................................................................................7
5.3. Justificativa Técnica e Legal......................................................................................7
6. Diagnóstico Ambiental....................................................................................................... 8
6.1. Diagnóstico Químico do Solo (Ameaça Crítica)........................................................8
6.2. Diagnóstico da Vegetação e Capacidade de Regeneração..........................................9
7. Avaliação de Impactos Ambientais.....................................................................................9
8. Plano de Controle Ambiental – PCA................................................................................11
8.1. Programa de Controle de Erosão e Sedimentos........................................................11
8.2. Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos...................................................11
9. Plano de Desmobilização.................................................................................................12
10. Plano de Recuperação de Área Degradada (Prática – Ações a serem feitas).................12
10.1. Preparo e Correção do Solo (A "Cirurgia" Química).............................................12
10.1.1. Calagem (Neutralização da Acidez)................................................................12
10.1.2. Gessagem (Condicionamento do Subsolo).....................................................13
10.1.3. Fosfatagem......................................................................................................13
10.1.4. Cálculo Estimativo de Tempo de Recuperação Edáfica.................................13
10.2. Metodologia de Revegetação: Sistema Agroflorestal (SAF) Sucessional..............15
10.2.1. Arranjo Espacial..............................................................................................15
10.2.2. Seleção de Espécies (Consórcio)....................................................................15
10.2.3. Cronograma de Execução das Ações..............................................................16
11. Legislação Ambiental Pertinente....................................................................................18
12. Conclusões e Recomendações........................................................................................19
13. Bibliografia e Responsabilidade Técnica.......................................................................20
REFERÊNCIAS CITADAS...................................................................................................21
1. Identificação do Empreendedor e do Imóvel
A correta identificação dos agentes envolvidos e da localização espacial
do projeto constitui a base legal para a tramitação do Plano de
Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) junto aos órgãos
ambientais competentes, neste caso, o Instituto Estadual de Florestas
de Minas Gerais (IEF-MG) e, supletivamente, o IBAMA, dada a inserção
na Bacia Hidrográfica do Rio Doce.
Empreendedor / Interessado:
Razão Social / Nome: Associação Comunitária de Produtores
Rurais da Ilha Funda (Fictício para fins acadêmicos e
demonstrativos).
CNPJ / CPF: 00.000.000/0001-00
Representante Legal: Sr. João da Silva
Endereço de Correspondência: Rodovia BR-381, Km 150, Zona
Rural, Periquito - MG.
CEP: 35.156-000
Contatos: (33) 3000-0000 | contato@associacaoilhafunda.org.br
Dados do Imóvel Rural:
● Denominação: Fazenda Esperança.
● Registro no CAR (Cadastro Ambiental Rural): MG-0000000-
XXXX.XXXX.XXXX.XXXX.
● Matrícula: Nº 1.234, Livro 2, Cartório de Registro de Imóveis da
Comarca de Governador Valadares.
● Localização Geográfica: O imóvel situa-se na mesorregião do Vale
do Rio Doce, especificamente no município de Periquito, distrito de
Ilha Funda. O acesso principal ocorre via BR-381, percorrendo-se 5
km por estrada vicinal não pavimentada até a sede.1
● Coordenadas Geográficas (Centróide da Área Objeto do PRAD):
○ Latitude: 19° 09' 29" S
○ Longitude: 42° 14' 02" O.1
3
2. Dados Técnicos (Elaboradores e Executores)
A complexidade da degradação edáfica identificada na área exige uma
abordagem multidisciplinar. A responsabilidade técnica primária recai
sobre o profissional de Engenharia Ambiental, suportado por
especialistas em pedologia e botânica para assegurar a assertividade
das intervenções agronômicas e florestais.
Responsável Técnico (Elaboração e Execução):
● Nome: Ana Clara Honorato Moura e Thiago Rodrigues dos Santos
● Formação: Engenheiros Ambientais (Universidade Federal do Ceará
- UFC), com especialização em Modelagem Microclimática e
Recuperação de Áreas Degradadas.
● Registro Profissional: CREA-CE Nº [618.193.053.17] / Visto MG
[MG-0998].
● Registro Profissional: CREA-CE Nº [785.433.823.00] / Visto MG
[MG-0885].
● Anotação de Responsabilidade Técnica (ART): A ART referente a
este projeto foi recolhida sob o número, cobrindo as atividades de
diagnóstico, projeto e execução de obra de recuperação ambiental.
Equipe Técnica Multidisciplinar de Apoio:
● Engenheiro Agrônomo: Responsável pela interpretação das
análises de solo e prescrição de corretivos e fertilizantes, com foco
na reversão da toxicidade por alumínio em Latossolos.
● Biólogo / Ecólogo: Responsável pelo levantamento florístico da
vegetação remanescente e monitoramento da fauna bioindicadora
durante a fase de execução.
● Técnico em Agropecuária: Responsável pela supervisão
operacional diária das atividades de campo (plantio, combate a
formigas, manutenção).
3. Dados Gerais da Propriedade
A Fazenda Esperança possui uma área total de 150,00 hectares. O
4
histórico de uso do solo reflete o padrão de ocupação do Vale do Rio
Doce, marcado pela supressão da Mata Atlântica original para a
implantação de pastagens extensivas, predominantemente de Brachiaria
decumbens e capim-gordura (Melinis minutiflora). O manejo histórico
baseou-se no uso recorrente do fogo para "limpeza" e renovação das
pastagens, prática que, ao longo de décadas, resultou na exaustão
química do solo e naperda da capacidade de resiliência do
ecossistema.2
Atualmente, a área objeto deste PRAD, compreendendo 10,00
hectares, encontra-se em estágio de abandono ou subutilização,
caracterizada por solo exposto, focos de erosão laminar e vegetação
herbácea com baixo vigor. A propriedade está inserida na Bacia
Hidrográfica do Rio Doce, uma região estratégica para a segurança
hídrica do leste mineiro e do Espírito Santo, o que eleva a importância
regional deste projeto de recuperação.4
4. Caracterização Ambiental da Propriedade
A compreensão dos fatores abióticos e bióticos é crucial para o desenho
do sistema de recuperação. O Vale do Rio Doce apresenta desafios
específicos relacionados à sazonalidade hídrica e à fragilidade dos solos
quando desprovidos de proteção florestal.
4.1. Climatologia
O município de Periquito apresenta um clima tropical quente semiúmido,
enquadrado na classificação de Köppen como Aw.
● Precipitação: A pluviosidade média anual situa-se entre 1.000 mm e
1.500 mm. O regime de chuvas é marcadamente sazonal, com cerca
de 80% da precipitação concentrada no verão (novembro a janeiro).
As chuvas ocorrem frequentemente na forma de tempestades
torrenciais, que possuem alta energia cinética e capacidade erosiva,
exigindo que o PRAD contemple medidas robustas de contenção de
águas pluviais.2
● Temperatura: As médias anuais variam entre 22°C e 26°C. Durante
5
a estação seca, e especialmente nos veranicos (períodos de
estiagem dentro da estação chuvosa), as temperaturas máximas
podem ultrapassar 35°C, elevando a evapotranspiração e impondo
estresse hídrico severo às mudas recém-plantadas.7
4.2. Geomorfologia e Relevo
A área está inserida no domínio geomorfológico de "Mares de Morros",
com relevo dissecado em colinas e cristas. A topografia da área do
PRAD varia de ondulada a forte-ondulada, com declividades médias
entre 20% e 45%. Esta conformação topográfica favorece o escoamento
superficial rápido (run-off), dificultando a infiltração da água no solo e
acelerando o transporte de sedimentos para as partes baixas e cursos
d'água adjacentes.8
4.3. Pedologia e Edapologia
O solo predominante é o Latossolo Vermelho-Amarelo Distrófico,
típico das áreas de "mar de morros" do leste mineiro. São solos
profundos, muito intemperizados (velhos), ácidos e com baixa fertilidade
natural. Na área degradada, a remoção da cobertura vegetal e o pisoteio
animal (compactação) alteraram as propriedades físicas superficiais,
reduzindo a porosidade e a taxa de infiltração.2 A análise detalhada da
química deste solo, apresentada no item de Diagnóstico, revela a
severidade da degradação química, que atua como o principal filtro
ambiental impedindo a regeneração natural.
4.4. Cobertura Vegetal Original e Atual
A vegetação original corresponde à Floresta Estacional Semidecidual
(Mata Atlântica de interior), caracterizada pela caducifolia parcial durante
o inverno seco. Atualmente, a matriz vegetacional da área degradada é
dominada por gramíneas exóticas invasoras (Brachiaria sp.) e espécies
ruderais indicadoras de solos ácidos e degradados, como o sapé
(Imperata brasiliensis) e a samambaia (Pteridium aquilinum). A
regeneração natural de espécies arbóreas é nula ou incipiente, limitada
pela competição com as gramíneas, pela ausência de banco de
6
sementes e pela toxicidade do solo.9
5. Objetivo e Justificativa do Projeto
5.1. Objetivo Geral
O objetivo central deste PRAD é promover a restauração ecológica e
produtiva de 10,00 hectares de pastagem degradada na Fazenda
Esperança, convertendo um cenário de degradação edáfica severa em
um agroecossistema sustentável através da implantação de Sistemas
Agroflorestais (SAFs) sucessionais biodiversos.
5.2. Objetivos Específicos
1. Reverter a degradação química do solo: Neutralizar a toxicidade
por alumínio e elevar a saturação por bases, criando condições
mínimas para o desenvolvimento radicular.
2. Restabelecer a funcionalidade hidrológica: Aumentar a infiltração
de água e reduzir o escoamento superficial através de práticas
conservacionistas mecânicas e biológicas.
3. Promover a sucessão ecológica: Introduzir espécies arbóreas
funcionais (adubadeiras, pioneiras, secundárias e clímax) que
catalisem os processos naturais de recuperação.
4. Gerar benefícios socioeconômicos: Produzir alimentos (culturas
anuais) e produtos florestais (madeira, frutos, sementes) para
garantir a viabilidade econômica da manutenção do projeto pela
agricultura familiar local.
5. Atender à conformidade legal: Cumprir as exigências da Lei
12.651/2012 e das normativas estaduais de Minas Gerais para
regularização ambiental do imóvel rural.
5.3. Justificativa Técnica e Legal
A área encontra-se em um estado de degradação onde a resiliência
natural foi superada ("threshold of irreversibility" sem intervenção). A
análise do solo 3 demonstra uma saturação por alumínio superior a 95%,
o que torna o ambiente quimicamente letal para a maioria das espécies
7
nativas da Mata Atlântica. A simples exclusão de fatores de degradação
(como o gado) não resultaria em recuperação em tempo hábil.
A escolha do Sistema Agroflorestal (SAF) justifica-se pelos resultados
obtidos por Fávero et al. (2008) na mesma região do Vale do Rio Doce.
O estudo comprovou que SAFs são superiores à regeneração natural
passiva e às pastagens na recuperação de atributos químicos (aumento
do pH, Ca, Mg, P e C orgânico) e físicos do solo. Além disso, o SAF
alinha-se às diretrizes do Programa de Regularização Ambiental
(PRA) de Minas Gerais, permitindo a recomposição de passivos de
Reserva Legal com ganho econômico (uso sustentável).2
6. Diagnóstico Ambiental
O diagnóstico preciso é a etapa crítica que define as ações corretivas.
Utilizaremos como referência os dados analíticos da "Área Degradada
(DEG)" comparados aos sistemas de referência "SAF" e "Pastagem
(PAS)", conforme a Tabela 1 do documento de referência.3
6.1. Diagnóstico Químico do Solo (Ameaça Crítica)
Os dados revelam um solo quimicamente exaurido e tóxico na área
degradada (DEG):
● Acidez Extrema (pH 3,54): O pH em água de 3,54 classifica o solo
como extremamente ácido. Nesta faixa, ocorre a dissolução de
minerais de argila, liberando Alumínio tóxico em níveis letais. A
disponibilidade de Fósforo (P) é praticamente nula devido à fixação
por óxidos de ferro e alumínio.
● Toxicidade por Alumínio (Al³ ):⁺ O teor de Alumínio trocável é de
2,21 cmolc/dm³. Comparado à soma de bases (SB) de apenas 0,11,
isso resulta em uma Saturação por Alumínio (m%) de 95,20%.
○ Interpretação: Mais de 95% das cargas negativas do solo (CTC)
estão ocupadas por Alumínio. As raízes das plantas sofrem
engrossamento, paralisia de crescimento (especialmente em
profundidade) e necrose das coifas, impedindo a absorção de
água e nutrientes.
8
● Deficiência de Nutrientes (Bases):
○ Cálcio (Ca² ): 0,07 cmolc/dm³ (Traços - Deficiência severa).⁺
○ Magnésio (Mg² ): 0,01 cmolc/dm³ (Traços - Deficiência severa).⁺
○ Potássio (K): 0,04 cmolc/dm³ (Muito baixo).
○ A Soma de Bases (SB) totaliza apenas 0,11 cmolc/dm³, indicando
um solo "morto" do ponto de vista de fertilidade atual.
● Matéria Orgânica: A dinâmica do Carbono encontra-se prejudicada.
Embora Latossolos possam acumular C, a qualidade desse carbono
na área degradada é baixa (frações inertes), com baixa atividade
biológica para ciclar nutrientes.
Conclusão do Diagnóstico de Solo: A recuperação biológica é
impossível sem antes realizar uma "cirurgia química" no solo. A calagem
massiva e a gessagem não são opcionais; são pré-requisitos vitais.
6.2. Diagnóstico da Vegetação e Capacidade de Regeneração
A área classifica-se como Área Alterada Degradada. A resiliência é
muito baixa.
● Banco de Sementes: O banco de sementes do solo é dominado por
espécies invasoras (Urochloa spp., Melinis spp.). Não há propágulos
viáveis de espécies arbóreas nativas em quantidade suficiente para
iniciar uma sucessão secundária vigorosa.10
● Conectividade:A área está isolada de fragmentos florestais
robustos, reduzindo a chuva de sementes zoocórica (trazida por
animais).
7. Avaliação de Impactos Ambientais
A intervenção proposta (implementação do PRAD) gerará impactos
positivos a longo prazo, mas a fase de instalação acarreta riscos que
devem ser geridos.
Fator
Ambiental
Impacto
Negativo
Medida
Mitigadora
Impacto
Positivo (Pós-
9
Potencial
(Fase de Obra)
Implantação)
Solo Erosão laminar
devido ao
revolvimento
mecânico
(aração/gradag
em) e
exposição
temporária.
Terraceamento
prévio; plantio
em nível;
manutenção de
faixas
vegetadas; uso
de leguminosas
de cobertura
rápida.
Aumento da
infiltração;
fixação de
Nitrogênio;
aumento da
matéria
orgânica;
controle
definitivo da
erosão.
Ar Geração de
poeira e
emissões de
gases por
máquinas
agrícolas.
Umectação de
vias;
manutenção
preventiva de
máquinas;
proibição de
queimadas.
Sequestro de
Carbono
(biomassa
aérea e
subterrânea);
melhoria do
microclima.
Água Assoreamento
temporário de
drenagens por
sedimentos
soltos.
Bacias de
contenção
(barraginhas);
proteção de
taludes com
biomanta ou
hidrossemeadu
ra se
necessário.
Regularização
da vazão de
nascentes;
melhoria da
qualidade da
água (filtração).
Flora/Fauna Ruído e Operação Criação de
10
movimentação
podem
afugentar fauna
local
temporariament
e.
apenas em
horário diurno;
proibição de
caça e pesca
pelos
trabalhadores.
habitat;
aumento da
biodiversidade;
fornecimento
de alimento
para fauna.
8. Plano de Controle Ambiental – PCA
O PCA detalha as medidas operacionais para mitigar os impactos
negativos identificados durante a fase de instalação do PRAD.
8.1. Programa de Controle de Erosão e Sedimentos
Dado o relevo ondulado e o preparo mecanizado do solo, o risco de
erosão é alto nos primeiros 3 meses.
● Terraceamento: Construção de terraços de base larga ou estreita
(conforme declividade) em nível, utilizando trator de lâmina, antes de
qualquer outra intervenção no solo. O espaçamento vertical deve
seguir a equação de Lombardi Neto & Bertoni para Latossolos.12
● Cordões Vegetados: Em áreas onde máquinas não entram (>45%
declividade), utilizar cordões de contorno com Vetiver ou Cana-de-
açúcar para reter sedimentos.
● Bacias de Captação (Barraginhas): Instalação de bacias de
retenção de água de chuva nas estradas de acesso para evitar o
carreamento de terra para os cursos d'água.14
8.2. Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos
● Segregação: Separação rigorosa de resíduos no canteiro de apoio
(papel, plástico, orgânico, perigoso).
● Embalagens de Insumos: Sacos de adubo e calcário devem ser
recolhidos diariamente. Embalagens de produtos químicos (ex: iscas
formicidas) devem ser armazenadas em local seguro e devolvidas
via logística reversa obrigatória.15
● Proibição de Queima: É terminantemente proibida a queima de
11
qualquer resíduo ou biomassa na área do projeto.
9. Plano de Desmobilização
Ao final da fase de implantação mecânica pesada (aproximadamente no
4º mês), o plano de desmobilização visa garantir que a saída das
equipes e máquinas não deixe passivos.
1. Remoção de Infraestrutura Temporária: Retirada de tendas,
banheiros químicos e depósitos de insumos provisórios.
2. Recuperação de Vias de Acesso: As estradas internas abertas
para o trânsito de tratores e caminhões de calcário deverão ser
escarificadas (para descompactar o solo) e semeadas com
Stylosanthes spp. ou Brachiaria ruziziensis (para cobertura rápida),
caso não sejam incorporadas ao sistema viário permanente da
fazenda.16
3. Destinação Final de Resíduos: Comprovação documental (MTR -
Manifesto de Transporte de Resíduos) da destinação correta de todo
o lixo gerado durante a obra.
4. Inventário de Sobras: Insumos excedentes (adubos, sementes)
devem ser inventariados e armazenados em local apropriado na
sede da propriedade, protegidos de umidade e acesso de animais.
10. Plano de Recuperação de Área Degradada (Prática – Ações a
serem feitas)
Este capítulo descreve o itinerário técnico para transformar o Latossolo
degradado e ácido em uma agrofloresta produtiva.
10.1. Preparo e Correção do Solo (A "Cirurgia" Química)
Baseado no diagnóstico de pH 3,54, Alumínio 2,21 e saturação por
alumínio de 95,20%, a correção deve ser agressiva e profunda.
10.1.1. Calagem (Neutralização da Acidez)
● Cálculo da Dose: A dose de calcário foi determinada utilizando o
método de elevação da saturação por bases. O objetivo é elevar a
12
saturação (V%) atual de 1,75% para 60%, que é o nível adequado
para a maioria das espécies do SAF. Considerando a CTC do solo
de 6,38 e um calcário com PRNT de 80%, a fórmula aplicada é: NC
(t/ha) = (60 - 1,75) vezes 6,38 dividido por 80. O resultado é de
aproximadamente 4,6 toneladas por hectare.
● Material: Calcário Dolomítico (rico em Magnésio), fundamental pois
o teor de Magnésio no solo é traço (0,01).
● Método de Aplicação: Dividir a dose em duas aplicações.
1. 50% (2,3 t/ha): Aplicado a lanço antes da aração (incorporação a
20-30 cm).
2. 50% (2,3 t/ha): Aplicado a lanço após a aração e antes da
gradagem (incorporação a 0-10 cm). Isso garante correção em
todo o perfil arável.18
10.1.2. Gessagem (Condicionamento do Subsolo)
Como a toxidez de Alumínio é muito alta, é provável que ela persista em
profundidade (abaixo de 20cm), onde o calcário demora anos para
chegar. O gesso agrícola é necessário para levar Cálcio em
profundidade e reduzir a atividade do Alumínio tóxico.
● Dose Recomendada: Para Latossolos com teor de argila típico da
região (40-60%), recomenda-se de 1,5 a 2,0 toneladas/ha.
● Aplicação: Superficial, a lanço, sem necessidade de incorporação,
aplicada após a calagem.20
10.1.3. Fosfatagem
O Fósforo (2,18 mg/dm³) é limitante. Recomenda-se a aplicação de 150
kg/ha de P O₂ ₅ (superfosfato simples ou termofosfato magnesiano)
aplicado no sulco de plantio ou na cova, para garantir o arranque inicial
das raízes.
10.1.4. Cálculo Estimativo de Tempo de Recuperação Edáfica
Para que a área seja considerada apta para o plantio definitivo
(recuperada quimicamente), é necessário respeitar os tempos de reação
dos insumos e ciclos biológicos iniciais. A previsão baseia-se na lógica
13
de manejo abaixo:
Cálculo do Tempo Total = Tempo de Reação Química + Tempo do
Ciclo de Biomassa Inicial
1. Tempo de Reação Química (Fase Abiótica):
○ Este é o tempo necessário para o calcário reagir com a umidade
do solo, elevar o pH e precipitar o Alumínio tóxico.
○ Para calcário com PRNT próximo de 80%, estima-se
tecnicamente 90 dias (3 meses) de reação com chuva adequada
para atingir o efeito máximo na camada arável.
○ A gessagem inicia seu efeito em profundidade simultaneamente,
mas seu benefício pleno ocorre entre 6 a 12 meses. No entanto,
para o plantio, o fator limitante imediato é a acidez superficial,
que é resolvida pela calagem nos primeiros 3 meses.
2. Tempo do Ciclo de Biomassa Inicial (Fase Biótica - Coquetel de
Adubação Verde):
○ Refere-se ao tempo para o crescimento e corte da primeira
cobertura vegetal (ex: Feijão-de-porco, Crotalária e Milheto)
plantada após a correção química.
○ O ciclo médio destas espécies até o corte (plena floração) é de
120 dias (4 meses). Esta etapa é crucial para devolver vida ao
solo "morto" antes de inserir as mudas de árvores nativas mais
sensíveis.
Resultado do Cálculo:
Tempo Total = 3 meses (correção) + 4 meses (adubação verde) = 7
meses.
Conclusão do Cálculo:
A terra estará quimicamente segura (sem toxidez aguda de alumínio) em
3 meses. No entanto, para ser considerada agronomicamente
recuperada (com estrutura física melhorada e cobertura orgânica para
receber o SAF definitivo), o prazo técnico estimado é de 7 meses a partir
do início das obras.
14
10.2. Metodologia de Revegetação: Sistema Agroflorestal (SAF)
Sucessional
O modelo adotado é o SAF Multiestratificado Biodiverso, que
combina espécies de diferentes ciclos devida e extratos florestais.
10.2.1. Arranjo Espacial
● Linhas de Árvores (L): Espaçamento de 5 metros entre linhas.
● Entre-plantas (na linha): 1 metro entre plantas (alta densidade para
gerar biomassa e competição vertical).
● Entrelinhas (Ruas): Faixas de 5 metros de largura destinadas a
culturas agrícolas anuais e adubação verde nos primeiros 3-5 anos.
10.2.2. Seleção de Espécies (Consórcio)
As espécies foram selecionadas considerando a adaptação ao Vale do
Rio Doce e função ecológica.2
Grupo A: Adubadeiras / Pioneiras (Serviço Ecológico)
● Acacia mangium ou Acacia auriculiformis: Rústica, suporta solo
ácido, cresce rápido e fixa nitrogênio. Essencial para criar a "carne"
do solo (matéria orgânica).9
● Mimosa caesalpiniifolia (Sabiá): Nativa, produtora de estacas,
resistente à seca.
● Cajanus cajan (Guandu): Arbustiva, plantada por semente. O
"trator biológico" que descompacta o solo com suas raízes
pivotantes.
Grupo B: Secundárias / Frutíferas (Retorno Econômico Médio
Prazo)
● Musa spp. (Bananeira): Plantada a cada 4 metros na linha. Fornece
sombra úmida essencial para as árvores clímax e gera renda no 1º
ano.
● Bixa orellana (Urucum): Espécie rústica com mercado garantido na
região.
● Inga edulis (Ingá): Fixadora de N e produtora de frutos para fauna.
15
Grupo C: Clímax / Madeiras Nobres (Longo Prazo / Poupança)
● Dalbergia nigra (Jacarandá-da-Bahia): Espécie símbolo da Mata
Atlântica e do Rio Doce, madeira nobre.
● Joannesia princeps (Andá-açu): Nativa de MG, excelente para
recuperação de solos e produção de óleo.
● Lecythis pisonis (Sapucaia): Atrativa para fauna.
Grupo D: Culturas Anuais (Entrelinhas - Renda Imediata)
● Milho + Feijão: Consórcio tradicional mineiro.
● Mandioca: Rústica e adaptada a solos ácidos.
10.2.3. Cronograma de Execução das Ações
Etapa Ação Período (Mês) Detalhes
Técnicos
1 Combate a
Formigas
Mês 0 Iscas
granuladas
sistemáticas
em toda a área
e bordas.
Indispensável.
2 Preparo do
Solo
Mês 1 Roçada da
Brachiaria.
Calagem (1ª
dose). Aração.
Calagem (2ª
dose).
Gradagem.
Gessagem.
16
3 Reação
Química
(Espera)
Mês 2 a 4 Período de 90
dias para
reação do
calcário. Se
houver chuva,
pode-se iniciar
o plantio do
adubo verde
(Coquetel).
4 Adubação
Verde (Ciclo 1)
Mês 4 a 7 Crescimento
das
leguminosas
para
reestruturar o
solo e fixar
Nitrogênio.
5 Manejo e
Coveamento
Mês 7 Roçada/
acamamento
do adubo
verde.
Marcação de
curvas de nível
e coveamento
(40x40x40cm).
6 Adubação de
Plantio
Mês 7 Adição de
Fosfato e
composto
orgânico nas
covas.
17
7 Plantio
Definitivo SAF
Nov/Dez (Mês
8)
Plantio das
mudas
arbóreas e
semeadura
direta (Guandu,
Milho, Feijão)
no início das
águas. Uso de
Hidrogel
recomendado.22
8 Manutenção 1 Mês 10 Capina seletiva
(coroamento).
11. Legislação Ambiental Pertinente
O PRAD fundamenta-se nos seguintes dispositivos legais vigentes:
1. Lei Federal nº 12.651/2012 (Novo Código Florestal): Estabelece
as normas gerais sobre proteção da vegetação nativa. O projeto
atende ao Art. 66, que permite a recomposição de Reserva Legal
mediante o plantio intercalado de espécies nativas e exóticas
(modelo SAF), desde que as exóticas não excedam 50% da área.23
2. Instrução Normativa IBAMA nº 14, de 01 de Julho de 2024:
Marco regulatório recente que revoga a IN 04/2011. Estabelece que
o PRAD deve focar na trajetória da recuperação ambiental e
define indicadores ecológicos para o monitoramento. Introduz os
conceitos de PRAD Simplificado para agricultura familiar, embora
pela complexidade química deste solo, recomenda-se o PRAD
completo.24
3. Decreto Estadual (MG) nº 47.749/2019: Regulamenta os processos
de autorização para intervenção ambiental e produção florestal em
Minas Gerais. O projeto deve ser cadastrado no Sistema de
Licenciamento Ambiental (SLA) do estado.27
4. Resolução Conjunta SEMAD/IEF nº 3.102/2021: Define a
documentação e os termos de referência para projetos de
18
intervenção e recomposição (PRADA) em MG.29
12. Conclusões e Recomendações
O diagnóstico da área na Fazenda Esperança (Periquito/MG) identificou
um cenário de degradação edáfica extrema, caracterizada por
saturação de alumínio acima de 95% e ausência de nutrientes básicos.
A regeneração natural nesta área é inviável sem intervenção humana
intensa.
Conclusões:
● A aplicação de corretivos (calcário e gesso) nas doses calculadas é
o fator determinante de sucesso. Sem corrigir a química do solo,
nenhuma espécie arbórea, por mais rústica que seja, prosperará.
● Tempo de Recuperação: O cálculo técnico indica que são
necessários 7 meses de preparo (3 meses de reação química + 4
meses de adubação verde) para que o solo saia do estado de
"inércia produtiva" e possa sustentar o sistema agroflorestal
definitivo.
● O Sistema Agroflorestal (SAF) proposto, combinando espécies de
serviço (biomassa/nitrogênio) com espécies econômicas, é a
estratégia mais adequada para restaurar a funcionalidade ecológica
do Latossolo, conforme validado por literatura regional (Fávero et al.,
2008).
● A diversificação produtiva (milho, feijão, banana, madeira) oferece
segurança econômica ao produtor, incentivando a manutenção da
área a longo prazo.
Recomendações:
1. Monitoramento Rigoroso de Formigas: A principal causa de falha
em projetos de reflorestamento na região é o ataque de formigas
cortadeiras. O controle deve ser prévio e contínuo.
2. Manejo da Biomassa: O sucesso do SAF depende da poda. O
agricultor deve ser capacitado para entender que "podar é adubar".
Toda matéria orgânica podada deve permanecer no solo para cobri-
19
lo, reter umidade e ciclar nutrientes.
3. Monitoramento: Realizar relatórios semestrais de monitoramento
fotográfico e, anualmente, avaliar a taxa de cobertura do solo e a
sobrevivência das mudas, realizando replantios se a mortalidade for
superior a 10%.
13. Bibliografia e Responsabilidade Técnica
Bibliografia Citada:
1. AQUINO, A. M. Análise das etapas de um plano de recuperação de
área degradada (PRAD). 2012..3
2. FÁVERO, C.; LOVO, I. C.; MENDONÇA, E. S. Recuperação de
área degradada com sistema agroflorestal no Vale do Rio Doce,
Minas Gerais. Revista Árvore, v. 32, n. 5, p. 861-868, 2008..2
3. IBAMA. Instrução Normativa nº 14, de 01 de julho de 2024.
Estabelece procedimentos para o PRAD. Diário Oficial da União,
2024..24
4. SEMAD/IEF. Resolução Conjunta SEMAD/IEF nº 3.102, de 26 de
outubro de 2021. Dispõe sobre intervenção ambiental em MG..29
5. EMATER-MG. Manual de recomendações técnicas para
recuperação de pastagens e sistemas agroflorestais..31
Termo de Responsabilidade
Declaro serem verdadeiras as informações prestadas neste Plano de
Recuperação de Áreas Degradadas, assumindo a responsabilidade
técnica pela sua elaboração e orientação na execução, sob pena de
incorrer nas sanções administrativas, civis e penais cabíveis.
Periquito - MG,.
Thiago Rodrigues dos Santos
Engenheiro Ambiental
CREA-CE: [Inserir Número] / Visto MG: [Inserir Número]
ART nº:
20
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1. Identificação do Empreendedor e do Imóvel
2. Dados Técnicos (Elaboradores e Executores)
3. Dados Gerais da Propriedade
4. Caracterização Ambiental da Propriedade
4.1. Climatologia
4.2. Geomorfologia e Relevo
4.3. Pedologia e Edapologia
4.4. Cobertura Vegetal Original e Atual
5. Objetivo e Justificativa do Projeto
5.1. Objetivo Geral
5.2. Objetivos Específicos
5.3. Justificativa Técnica e Legal
6. Diagnóstico Ambiental
6.1. Diagnóstico Químico do Solo (Ameaça Crítica)
6.2. Diagnóstico da Vegetação e Capacidade de Regeneração
7. Avaliação de Impactos Ambientais
8. Plano de Controle Ambiental – PCA
8.1. Programa de Controle de Erosão e Sedimentos
8.2. Programa de Gerenciamento de Resíduos Sólidos
9. Plano de Desmobilização
10. Plano de Recuperação de Área Degradada (Prática – Ações a serem feitas)
10.1. Preparo e Correção do Solo (A "Cirurgia" Química)
10.1.1. Calagem (Neutralização da Acidez)
10.1.2. Gessagem (Condicionamento do Subsolo)
10.1.3. Fosfatagem
10.1.4. Cálculo Estimativo de Tempo de Recuperação Edáfica
10.2. Metodologia de Revegetação: Sistema Agroflorestal (SAF) Sucessional
10.2.1. Arranjo Espacial
10.2.2. Seleção de Espécies (Consórcio)
10.2.3. Cronograma de Execução das Ações
11. Legislação Ambiental Pertinente
12. Conclusões e Recomendações
13. Bibliografia e Responsabilidade Técnica
REFERÊNCIAS CITADAS