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Analise comportamental Introduçäo e Contexto Histórico Análise Experimental do Comportamento “Nenhum relato do que está acontecendo dentro do corpo humano, por mais completo que seja, irá explicar as origens do comportamento [...] O que acontece dentro do corpo não é um ponto de partida.” . F. Skinner (1989) Introdução O que é a Análise do Comportamento? A Análise Experimental do Comportamento se desenvolveu como uma área dentro da Psicologia que busca entender o comportamento humano e animal de forma científica. A abordagem se baseia em métodos científicos para investigar: ● As relações entre estímulos e respostas. ● As consequências dos comportamentos. "Comportamento humano e animal ocorre em função da interação entre eventos ambientais e o organismo." Contexto Histórico Antes que essa abordagem surgisse com Watson e Skinner, outros teóricos lançaram as bases experimentais para o estudo do comportamento e mente. Entre eles estão Wilhelm Wundt, Edward Titchener e Oswald Külpe. 1. Wilhelm Wundt (1832-1920) - O "Pai da Psicologia Experimental" foi o fundador do primeiro laboratório de Psicologia Experimental, em Leipzig, na Alemanha, em 1879. Ele é conhecido como o "pai" da Psicologia Científica, pois propôs que a mente deveria ser estudada de forma sistemática e com métodos experimentais rigorosos. Criador da Teoria da Apercepção; É a interpretação consciente e a compreensão de uma cena, situação ou estímulo, atribuindo significado ao que é percebido. Contexto Histórico Primeiro laboratório dedicado à Psicologia, na Universidade de Leipzig, Alemanha (1879) E. B. Titchener (1867–1927) - Estruturalismo foi um aluno de Wundt que levou suas ideias para os Estados Unidos, estabelecendo o estruturalismo, uma escola de pensamento dedicada a estudar a estrutura da mente humana. Defendia que a mente é a soma da experiência em um dado momento e deve ser decomposta em seus componentes. Titchener dividia a consciência em sensações, imagens e sentimentos, caracterizados por qualidade, intensidade, duração e nitidez. Sua teoria foi altamente criticada devido ao método pouco confiável e reducionista, apesar disso, fortaleceu a ideia de estudar aspectos psicológicos de maneira analítica e experimental, algo que influenciaria o desenvolvimento de abordagens mais objetivas no futuro (como o Behaviorismo). 3. O. Külpe (1862–1915) - Psicologia Experimental Aplicada, discípulo de Wundt, seguiu um caminho crítico em relação ao Mestre e trouxe contribuições importantes: o uso de métodos experimentais para estudar processos cognitivos complexos, como julgamento, pensamento e resolução de problemas e Influenciou o avanço de métodos objetivos para estudo de fenômenos psicológicos. O Surgimento da AEC A partir dessas bases experimentais e do esforço por compreender os fenômenos mentais, o campo da Psicologia começou a migrar para abordagens mais objetivas e mensuráveis. Essa transição foi marcada pelo Behaviorismo, que rejeitava a introspecção(a mente) e propunha o estudo exclusivo de comportamentos observáveis. Por que não a mente? O Surgimento da Análise do Comportamento • Redundância teórica que invariavelmente fragmenta o corpo e a “mente”; • Conceito socialmente aceito que valida características supostamente intrínsecas à espécie humana; • Mundo menor e interior (como consciência, ego, personalidade) que, por sua vez, não é objetivamente observável; • Pensamentos e sentimentos são comportamentos privados, provocados por estímulos físicos, portanto não se justificam por conta própria; • Preferência por análises quantitativas e qualitativas de um objeto de estudo mensurável e verificável: o comportamento (Baum, 2019) A partir dessas bases experimentais e do esforço por compreender os fenômenos mentais, o campo da Psicologia começou a migrar para abordagens mais objetivas e mensuráveis. Essa transição foi marcada pelo Behaviorismo, que rejeitava a introspecção e propunha o estudo exclusivo de comportamentos observáveis. A Psicologia Comportamental é uma perspectiva psicológica fundada por J. B. Watson (1878–1958) a partir da publicação do manifesto A psicologia como um behaviorista a vê em 1913, que visa a análise do comportamento associado aos estímulos ambientais; Base histórica - Behaviorismo, com ênfase no “ismo”, não é o estudo científico do comportamento, mas uma filosofia da ciência preocupada com o tema e os métodos da Psicologia (Skinner, 1969/1980, p. 339); • Behavioristas acreditam que os comportamentos podem ser aprendidos por meio do condicionamento. Isto é, as condições ambientais têm influência direta no comportamento do indivíduo ou animal. 1. Ivan Pavlov (1849–1936): ○ Descobriu o condicionamento clássico enquanto estudava reflexos digestivos. ○ Exemplo: Um cão salivando ao ouvir o som de um sino associado à comida. 2. John B. Watson (1878–1958): ○ Fundador do Behaviorismo como ciência, promovendo o estudo dos comportamentos observáveis. ○ Condicionamento clássico: O "Pequeno Albert" mostra a indução de medo em uma criança diante de estímulos neutros. 3. Burrhus F. Skinner (1904–1990): ○ Desenvolveu o conceito de condicionamento operante, destacando manipuladores do ambiente (reforços e punições). ○ Criou a caixa de Skinner, usada para estudar comportamento operante em animais. Behaviorismo Clássico • Fundado por Watson, o behaviorismo clássico ou metodológico foi o ponto de partida da Psicologia Comportamental, com base nas teorias sobre condicionamento do fisiologista I. P. Pavlov; • Se opôs à instrospecção e ao mentalismo, ou seja, descartou os estudos relacionados à mente, ao pensamento e aos sentimentos; • Baseou-se na observação e experimentação ao defender que o comportamento pode ser previsto e controlado a partir de estímulos. Experimento com o Bebê Albert (1920). O experimento com o bebê Albert, de dez meses, que vivia em um orfanato e tinha um comportamento tranquilo, foi exposto a um rato branco e outros animais peludos, como um coelho e um cachorro, um algodão, lã, que a princípio não causava medo à criança. O teste prosseguiu, foi inserido um barulho muito alto com um martelo, assustando Albert e o fazendo chorar. Depois que esse procedimento foi repetido por várias vezes, o bebê começou a sentir medo do rato mesmo antes do som alto ser reproduzido. O bebê passou cerca de um ano sendo submetido a vários testes, associando os outros elementos que antes não lhe causava medo, ao estrondoso som produzido por Watson e sua assistente. No final dos experimentos, o bebê passou de muito tranquilo e calmo a um bebê com ansiedade e episódios de angústia. Isso mostrou que o bebê havia aprendido a associar a sua resposta, o medo que sentia e o choro provocado, a um outro estímulo que antes não lhe causava medo. Behaviorismo radical • Epistemologia, Filosofia da Ciência ou Teoria do Conhecimento é o estudo crítico dos princípios, das hipóteses e dos resultados das diversas ciências, com a finalidade de determinar seus fundamentos lógicos, seu valor e sua importância objetiva; • A ciência busca explicar, prever e controlar fatos da natureza; • Criada por Skinner, diz respeito à filosofia que fundamenta a Análise do Comportamento. Influências a. Operacionalismo: relação entre fatores (contingências); b. Monismo: corpo e “mente” são indivisíveis, por isso fala-se em organismo; c. Materialismo: a realidade e os estímulos captados pelos sentidos são físicos; d. Fisiologia: experimentos Pavlov e J. B. Watson; e. Positivismo (A. F. Comte): estudo do que é observável por duas ou mais pessoas; f. CiênciasNaturais: rigor científico, Teoria da Evolução (Darwin) e testes com animais não humanos em laboratório; g. Lei do Efeito (E. L. Thorndike): consiste na negação ou repetição de um mesmo comportamento mediante ao grau de agradabilidade da consequência; h. Determinismo ambiental: comportamentos atuais foram aprendidos ao longo da história de interação entre o sujeito e o ambiente e poderão ocorrer também no futuro. a. Os organismos agem sobre o mundo, o modificam e são modificados pelas consequências de suas ações (Skinner, 1957/1978); b. Estuda o comportamento de forma direta, com base no ambiente em que vive o sujeito e no condicionamento (aprendizagem); c. Comportamento é toda interação entre o organismo e o ambiente, e estímulo é uma ação ou um agente do ambiente detectado por pelo menos um dos órgãos dos sentidos. Premissas Behaviorismo radical Skinner postula que o comportamento não é consequência do livre-arbítrio, mas das consequências dos próprios atos, sejam eles agradáveis ou desagradáveis: partindo da premissa que o indivíduo busca sobreviver, se proteger, se autorrealizar à medida que alcança o seu objetivo, o comportamento tende a se manter e repetir. Esse mecanismo de repetição é chamado de operante (Moreira & Medeiros, 2019). A Análise do Comportamento desenvolveu-se como uma entre as abordagens da Psicologia capaz de orientar a atuação do psicólogo. Os métodos de trabalho na pesquisa caracterizam-se pela utilização conjunta dos seguintes aspectos quando o trabalho é de análise experimental: A. Estudo intensivo do comportamento do indivíduo; B. Controle estrito do ambiente experimental; C. Uso de uma resposta repetitiva que produz pouco efeito imediato no ambiente; D. Meios eficazes de controle do comportamento do sujeito; E. Observação e registro contínuo do comportamento; F. Programação de estímulos e registro de eventos automáticos. Método Experimental • A AEC baseia-se sobretudo em experimentos empíricos, controlados e de alto rigor metodológico com animais não humanos e animais humanos, em que os resultados experimentais são diretamente aplicados a contextos não controláveis objetivamente, como acontece na maioria das formulações de estratégias terapêuticas; • Único método científico capaz de identificar comportamentos, não sendo aplicável a ambientes não controláveis pelo(s) experimentador(res), como nos contextos clínico, escolar, hospitalar e organizacional: Assim, a Análise do Comportamento implica determinar as características da ocasião em que o comportamento ocorre, identificar as propriedades públicas e privadas da ação e definir as mudanças produzidas pela emissão das respostas*, tanto no ambiente quanto no organismo (Skinner, 2006). ● A Análise do Comportamento (AC) é uma abordagem científica que sustenta todo um arcabouço teórico, sendo composta pela Análise Experimental do Comportamento (AEC), que investiga o comportamento de animais não humanos e humanos segundo a filosofia do behaviorismo radical, tendo na Análise do Comportamento Aplicada (ABA) a área responsável por prestar serviços mediante intervenções pontuais e realizar pesquisas com a população por meio de manipulação de variáveis. ANÁLISE DO COMPORTAMENTO (AC) 1. BEHAVIORISMO RADICAL 2. ANÁLISE EXPERIMENTAL DO COMPORTAMENTO (AEC) 3. ANÁLISE DO COMPORTAMENTO APLICADA (ABA) Conceitos Fundamentais Organismo: O organismo é entendido como um sistema biológico vivo e funcional que interage ativamente com o ambiente, sendo o sujeito que se comporta, é o palco onde ocorrem as interações, moldado pela sua história filogenética (espécie) e ontogenética (história de vida). Agente do Comportamento: O organismo é o indivíduo que emite respostas (comportamento operante ou respondente) a partir de estímulos do ambiente. O que é ambiente? Conjunto de estímulos externos ao organismo que influenciam, direta ou indiretamente, suas ações e respostas comportamentais. Não é apenas o local físico, mas toda a situação contextual (antecedentes e consequências) que interage com o indivíduo, determinando ações, escolhas e o desenvolvimento da personalidade. Compõem o ambiente os estímulos antecedentes: Eventos que ocorrem antes do comportamento e sinalizam as condições para a ação e os estímulos consequentes: Eventos que seguem a resposta, responsáveis por reforçar ou punir o comportamento. Inclui tanto o ambiente físico (objetos, infraestrutura) quanto o ambiente social (pessoas, cultura, normas sociais). Estímulos Estímulo é qualquer fator, interno ou externo, capaz de provocar uma reação, resposta ou comportamento em um organismo, agindo como um incentivo ou impulso para ação. Estímulo Externo: Sinais percebidos pelos sentidos, como luz, som ou toque. Estímulo Interno: Fatores biológicos ou emocionais, como fome, sede ou pensamentos Estímulo Neutro: Estímulo que não gera a resposta esperada inicialmente (ex: uma parede branca). Estímulo Incondicionado: Estímulo natural que produz reflexo sem aprendizado prévio (ex: comida). Respostas O tipo mais simples de interação entre organismo e ambiente é quando uma alteração no ambiente produz uma alteração involuntária, automática no organismo. Esse tipo de interação recebe o nome de REFLEXO Alterações no ambiente Alterações no organismo Reflexo. Reflexo: Um reflexo nervoso é uma resposta rápida, automática e involuntária do sistema nervoso a um estímulo específico, eliciada em situações potencialmente perigosas ou perturbadoras e em situações prazerosas. Há dois tipos de reflexos: Reflexos naturais, espontâneos e inatos, comuns a todas as pessoas, ditos reflexos incondicionados; Reflexos adquiridos e aprendidos, ditos reflexos condicionados. Ambos são meios de adaptação e defesa diante do ambiente ou modos de obter algum tipo de recompensa. Também chamados de comportamentos respondentes. Por exemplo, a contração da pupila quando se projeta sobre ela um feixe de luz é um reflexo incondicionado; o sono, na hora dormir, ou a fome, na hora de nos alimentarmos, são, em grande parte, reflexos condicionados. Os reflexos incondicionados são os mesmos para todas as pessoas, mas os reflexos condicionados pode variar de uma pessoa para outra. Reflexos Inatos Reflexo primitivo (inato) é um comportamento que não precisou ser ensinado. Sendo um mix da genética e ambiente, são respostas automáticas e estereotipadas a um determinado estímulo externo. Acender luz forte (Estímulo) → Contração da pupila (Resposta). (S → R). Quando falamos que é inato, quer dizer que esse reflexo acontecerá independente da vontade do sujeito, ou seja, como já dito, o Reflexo é a relação entre o estímulo e a sua resposta. a. Ato reflexo de salivar: alimento–saliva; b. Ato reflexo pupilar: intensidade da luz–contração pupilar; c. Ato reflexo patelar: pancada no tendão–flexão da perna. Estímulo - Resposta O estímulo elicia uma resposta. Esta relação é unilateral: o organismo não afeta o ambiente, mas em lugar disso, é afetado por ele. Leis do reflexo inato. a. Limiar: valor mínimo para eliciar a resposta. b. Intensidade-magnitude: proporcionalidade entre a intensidade do estímulo e a magnitude da resposta. c. Latência: tempo entre a intensidade do estímulo e a magnitude da resposta, sendo o produto da segunda lei. d. Habituação: um estímulo apresentado na mesma intensidade elicia uma diminuição na magnitude da resposta. e. Potencialização ou Sensibilização: um estímulo apresentado na mesma intensidade elicia um aumento na magnitude da resposta. Resumidamente: ● “Força do Reflexo”: quanto maior a intensidade do estímulo, maior a magnitude e a duraçãoe menor a latência. (e vice e versa) ● “Eliciações Sucessivas”: A partir do apresentar sucessivas vezes o mesmo estímulo ● Habituação: diminuição do responder ● Sensibilização: aumento do responder Respostas Condicionadas O reflexo condicionado é uma resposta automática e aprendida (fisiológica, motora ou emocional) desenvolvida através da associação repetida entre um estímulo neutro e um estímulo incondicionado (natural). É uma forma de aprendizado associativo em que um estímulo inicialmente neutro passa a desencadear uma resposta reflexa, devido à associação repetida com um estímulo naturalmente desencadeador dessa resposta. É crucial para a adaptação, permitindo que organismos antecipem eventos, como perigos ou recompensas. Influencia áreas como psicologia (tratamento de fobias), medicina e educação. Exemplos: nossas reações físicas e emocionais ao ouvir uma música, como o coração acelerado ou o frio na barriga. Condicionamento O condicionamento é o processo de aprendizagem e modificação de comportamento através de mecanismos estímulo-resposta sobre o sistema nervoso central do indivíduo. Corresponde a um tipo de memória implícita chamada "associativa". Condicionado= aprendido Condicionamento = = aprendizagem por experiência Tenha sempre em mente que o termo técnico condicionado, em Análise do Comportamento, significa apenas aprendido. Da mesma forma, o termo técnico condicionamento significa apenas aprendizagem por experiência. É importante lembrar também que reflexos, e não as pessoas, são condicionados. Condicionamento Clássico O condicionamento clássico consiste na associação de um estímulo inicialmente neutro com um estímulo significativo gerando uma resposta associada à esse estímulo. Para isso, é necessário a presença de um estímulo incondicionado que elicie determinada resposta, para que este seja associado ao estímulo neutro o tornado condicionado e eliciando a mesma resposta. Experiência do cão de Pavlov a. Estímulo Incondicionado: alimento. b. Resposta Incondicionada: saliva. c. Estímulo Condicionado: som (ação, agente ou evento ambiental inicialmente neutro). d. Resposta Condicionada: saliva. Condicionamento Clássico O condicionamento clássico consiste na associação de um estímulo inicialmente neutro com um estímulo significativo gerando uma resposta associada à esse estímulo. Para isso, é necessário a presença de um estímulo incondicionado que elicie determinada resposta, para que este seja associado ao estímulo neutro o tornado condicionado e eliciando a mesma resposta. Experiência do cão de Pavlov a. Estímulo Incondicionado: alimento. b. Resposta Incondicionada: saliva. c. Estímulo Condicionado: som (ação, agente ou evento ambiental inicialmente neutro). d. Resposta Condicionada: saliva. Condicionamento Clássico Nomenclatura do condicionamento respondente: Sigla Estímulo incondicional (unconditional stimulus) US/SI Resposta incondicional (unconditional response) UR/RI Estímulo condicional (conditional stimulus) CS/SC Resposta condicional (conditional response) CR/RC ** Na literatura também pode aparecer a nomenclatura incondicionado e condicionado (unconditioned/ conditioned) Paradigma do Condicionamento Clássico. O Condicionamento Clássico é o aprendizado por associação. Um estímulo que antes não significava nada passa a provocar uma resposta automática após ser repetidamente associado a um estímulo natural. Aqui está o resumo objetivo de cada elemento usando o exemplo clássico do cão e da sineta: · EI (Estímulo Incondicionado): O gatilho natural e biológico. · Exemplo: A comida (provoca o reflexo natural). · RI (Resposta Incondicionada): A reação natural e involuntária ao EI. · Exemplo: Salivar ao ver a comida. · EN (Estímulo Neutro): O estímulo que, no início, não gera nenhuma reação. · Exemplo: O som da sineta. · EC (Estímulo Condicionado): É o antigo Estímulo Neutro (sineta) após ser associado ao EI (comida) e passar a provocar a resposta sozinho. · Exemplo: O som da sineta sinalizando que a comida vem aí. · RC (Resposta Condicionada): A resposta aprendida, que agora é disparada pelo EC. · Exemplo: Salivar apenas ao ouvir a sineta. A Fórmula do Processo 1. Antes: EI = (Comida) RI (Salivar) 2. Treino: EM (sineta) + EI (comida) = RI (Salivar) 3. Depois: EC (Sineta) = RC (Salivar) Comportamento Operante “O comportamento operante é alterado pela consequência que segue a ação, sendo esta a chave para a modificação do comportamento.” B. F. Skinner (1938) Comportamento: Qualquer interação entre o organismo e o ambiente. Reflexos/Respostas também são comportamentos, são comportamentos respondentes. Comportamento Operante: Ação voluntária e deliberada realizada pelo organismo. O comportamento operante é controlado por suas consequências e ocorre de forma voluntária. Ele é aprendido e alterado com base nos efeitos que produz no ambiente. Sendo um "organismo vivo", ele está em constante mudança, com seu comportamento sendo alterado por consequências (reforçamento/punição) e estímulos. Exemplo: Estudar para tirar boas notas ou obedecer o chefe para não ser repreendido. A Caixa de Skinner, também chamada de câmara de condicionamento operante, consiste em uma ferramenta fundamental para o estudo do comportamento e aprendizado animal, desenvolvido por ele. Trata-se de uma estrutura fechada, com paredes suaves e um piso de grade metálica onde passam correntes elétricas. No seu interior, possui uma alavanca, uma pequena barra que pode ser pressionada pela pata ou pelo bico do animal, um comedouro, um recipiente que solta alimento ao ser ativado por um mecanismo específico, luzes, uma lâmpada verde e uma vermelha que podem ser ligadas ou desligadas e um alto-falante que emite sons de diferentes intensidades e tons. S→ R → C Onde S é o estímulo; R é a resposta operante; C a consequência atuando sobre a relação estímulo resposta. Essa relação de dependência entre os termos recebe o nome de contingência. Tríplice Contingência É a relação de dependência entre eventos, especificamente entre um Estímulo, uma Resposta e uma Consequência (a relação S-R-C), onde a consequência altera a probabilidade de a resposta ocorrer novamente em situações semelhantes, sendo fundamental para entender como o ambiente molda o comportamento. ● Estímulo Antecedente : O que ocorre antes do comportamento e sinaliza a ocasião para ele (ex: o sinal vermelho no trânsito). ● Comportamento/Resposta : A ação ou comportamento do indivíduo (ex: frear o carro). ● Consequência: O que acontece depois do comportamento, podendo reforçá-lo (aumentar a chance de ocorrer) ou puni-lo (diminuir a chance) (ex: evitar uma multa). Reforçamento ➔ O que é reforçamento? É o processo no qual uma consequência que se segue a um comportamento aumenta a probabilidade de esse comportamento ocorrer novamente no futuro. É um mecanismo fundamental de aprendizado, operando pelo aumento da frequência de respostas desejadas através da adição ou remoção de estímulos. O procedimento de reforçamento pode ser: Reforçamento Positivo; Adição de um estímulo com consequência agradável para aumento ou manutenção da emissão da resposta. Reforçamento Positivo Em outras palavras, reforçamento positivo significa um fortalecimento do comportamento, ou seja, um aumento na frequência da resposta a partir do acréscimo do estímulo reforçador. Ex: Uma criança chora para receber atenção dos pais. Sujeito: Uma criança Comportamento: Chorar Consequência: receber atenção dos pais Procedimento: reforçamento positivo. Tipo de estímulo: estímulo reforçador. Reforçamento Negativo Reforçamento negativo significaum fortalecimento do comportamento, ou seja, um aumento na frequência da resposta a partir da remoção do estímulo aversivo. A consequência é agradável ao sujeito pela retirada de um estímulo aversivo. Ex: Felipe sai da sala quando o colega inconveniente levanta a mão para participar da aula. Inclui comportamentos de fuga (remover um estímulo aversivo já presente) e esquiva (evitar que o estímulo aversivo apareça). Assim, no reforçamento negativo, o comportamento sempre é realizado por meio de fuga ou esquiva. Fuga e Esquiva Fuga O sujeito entra em contato direto com o estímulo aversivo e busca eliminá-lo do ambiente para interromper a interação. Ex.: Victória foi a um show com os amigos, mas imediatamente deixou o local ao encontrar o ex-namorado. Esquiva O sujeito se previne para adiar ou para não entrar em contato direto com o estímulo aversivo. Ex.: Victória preferiu ficar em casa no dia de uma festa entre amigos para evitar encontrar o ex-namorado. Reforçamento negativo Priscila retirou o par de tênis que a incomodava. Sujeito: Priscila Comportamento: retirar o tênis Consequência: acabar com o incômodo. Procedimento: reforçamento negativo por fuga. Tipo de estímulo: estímulo aversivo. Condicionamento Clássico II - Punição CONDICIONAMENTO OPERANTE: PROCEDIMENTOS. Assim como no condicionamento clássico, o condicionamento operante também possui contingências, sendo nesse processo de aprendizagem representada pelo paradigma estímulo antecedente – comportamento → consequência. Há quatro procedimentos operantes que descrevem contingências: • Reforçamento positivo; • Reforçamento negativo por fuga ou esquiva; • Punição positiva; • Punição negativa. consequências agradáveis ao sujeito. consequências desagradáveis ao sujeito. Contingências - Triplice • Para analisar o comportamento operante considera-se a tríplice contingência (ou contingência de três termos), que é a relação de interdependência entre estímulo antecedente, comportamento e consequência: Estímulo antecedente Comportamento Consequência (evoca) (provoca. Reforçamento ● O termo “reforçamento” é utilizado porque a consequência resulta no aumento ou na manutenção da probabilidade do comportamento reforçado ocorrer novamente: ● No procedimento de reforçamento a consequência é agradável ao sujeito. REFORÇAMENTO POSITIVO: A consequência é agradável ao sujeito pelo acréscimo do estímulo reforçador. REFORÇAMENTO NEGATIVO: A consequência é agradável ao sujeito pela remoção do estímulo aversivo por: a. Fuga : O sujeito entra em contato direto com o estímulo aversivo e busca eliminá-lo do ambiente para interromper a interação b. Esquiva: O sujeito se previne para adiar ou para não entrar em contato direto com o estímulo aversivo. Armadilhas do Reforçador Referem-se aos estímulos reforçadores que no momento presente são prazerosos, mas que a médio ou a longo prazo provocam efeitos nocivos ao sujeito, como, por exemplo: • as substâncias químicas; • o vício por apostas e jogos; • as compulsões alimentares; • se relacionar com colega de trabalho; • estudar e/ou trabalhar ininterruptamente. Punição ● O termo “punição” é utilizado porque a consequência resulta na redução ou na supressão temporária da probabilidade do comportamento punido ocorrer novamente. ● No procedimento da punição a consequência é desagradável ao sujeito. Ponição positiva ● A consequência é desagradável ao sujeito pela apresentação do estímulo aversivo. ● Um comportamento punido positivamente refere-se à ação consequenciada pela introdução do estímulo aversivo no ambiente, sendo algo incômodo ou ruim para o sujeito: animais, brinquedos, comidas, lugares, objetos, pessoas e situações; ● Em outras palavras, punição positiva significa um enfraquecimento do comportamento, ou seja, uma diminuição na frequência da resposta a partir do acréscimo do estímulo aversivo. Uma criança recebeu broncas dos pais por jogar bola dentro de casa. Sujeito: criança. Estímulo antecedente: bola. Comportamento: jogar bola. Consequência: broncas dos pais. Procedimento: punição positiva. Tipo de estímulo: estímulo aversivo. A paciente de um clínico analítico-comportamental relatou ter ido a um restaurante com os novos colegas de trabalho e encontrado o ex-chefe, mas devido às companhias não se sentiu confortável o suficiente para deixar o ambiente. Sujeito: paciente. Estímulo antecedente: ex-chefe. Comportamento: foi a um restaurante com os novos colegas de trabalho. Consequência: encontrou o ex-chefe. Procedimento: punição positiva. Tipo de estímulo: estímulo aversivo. Punição Negativa ● A consequência é desagradável ao sujeito pela remoção do estímulo reforçador. ● Um comportamento punido negativamente refere-se à ação consequenciada pela remoção do estímulo reforçador do ambiente, sendo algo bom ou interesante para o sujeito: animais, brinquedos, comidas, lugares, objetos, pessoas e situações; ● Em outras palavras, punição negativa significa um enfraquecimento do comportamento, ou seja, uma diminuição na frequência da resposta a partir da subtração do estímulo reforçador. A turma de Análise Experimental do Comportamento do período noturno deixará de realizar os TEAs com o auxílio da professora Andreia devido à bagunça, às conversas e a falta de engajamento durante as aulas. Sujeito: turma de AEC do período noturno. Estímulo antecedente: aulas de AEC. Comportamento: bagunça, conversas e falta de engajamento durante as aulas. Consequência: deixar de realizar os TEAs com o auxílio da professora Andreia. Procedimento: punição negativa. Tipo de estímulo: estímulo reforçador. Punição: Vantagens e Desvantagens ➔ Porquês da utilização da punição: • praticidade a quem pune; • diminuição abrupta da frequência da resposta de quem é punido; • e o punidor geralmente não é responsabilizado pelas consequências produzidas. ➔ Entre os efeitos colaterais mais frequentes do uso da punição estão: • eliciação de respondentes intensos ao sujeito punido, como ansiedade, medo e raiva; • tendência à recorrência do comportamento punido; • supressão de outros comportamentos além do punido; • e tendência ao contracontrole. Punição: Contracontrole O contracontrole é uma estratégia do organismo punido para livrar-se da punição. “O primeiro passo no contracontrole de uma agência poderosa é o aumento da força do controlado. Se não se pode fazer com que a agência governante entenda o valor do indivíduo para ela própria, deve-se fazer com que o próprio indivíduo compreenda (e exerça) seu poder.” (SKINNER, 1953) ** SKINNER, B. F. Walden II: uma sociedade do futuro. Tradução: Rachel Moreno e Nelson Raul Saraiva. Revisão I A análise experimental do comportamento é uma maneira de estudar o comportamento, origina-se de uma posição behaviorista radical assumida por Skinner. Os behavioristas acreditam que os comportamentos podem ser aprendidos por meio do condicionamento. Isto é, as condições do ambiente têm influência direta no comportamento do indivíduo ou animal. ambiente Todo conjunto de eventos que afetam e são afetados pelo comportamento dos organismos.(Para Skinner, o ambiente inclui não só o local com o qual o sujeito interage, mas também todos os objetos e seres vivos incluídos nessa interação e o próprio organismo, que nesse caso é chamado de ambiente interno). ➢ Estímulo é qualquer evento ou condição que afeta o comportamento/resposta de uma pessoa, seja ele interno ou externo. São classificados como incondicionados, neutros e condicionados. Respostas são reações/comportamentos que os organismos expressam. Podem ser respostas reflexas; que são o tipo mais simples de interação com o ambiente, são vindas do organismo de forma autônomae involuntária. Podendo ser inatas, ou seja, àquelas inerentes da espécie, ou aprendidas (condicionadas) a partir da vivência do indivíduo. Ex de respostas inatas: contração da pupila diante de feixe de luz nos olhos, salivação, fome diante de alimentos, ansiedade diante eventos estressantes, medo diante de escuro . Ex de respostas aprendidas; medo de barata, salivação, fome ao meio dia. Respostas Reflexas possuem “leis” que as regem, são elas: Limiar; Diz respeito ao ponto mínimo necessário de força ou intensidade de apresentação de um estímulo para que esse seja percebido e elicie então uma resposta. Ex: Para que um sabor seja percebido e elicie resposta(perceber se é doce ou azedo) é necessário um mínimo de intensidade desse sabor, ou para que a pupila contraia é necessário uma intensidade mínima de luz. Magnitude; Trata-se da relação entre a força e intensidade de um estímulo e a proporção da resposta. Ex: Quanto maior o calor mais você sua. Quanto mais eu baixo a temperatura de um ambiente mais rápido você para de suar. Latência: É o tempo entre a apresentação de um estímulo e a resposta. Ex: Ao entrar em uma sala com 5 graus de temperatura você levou 3 minutos para arrepiar de frio. Sensibilização; Diz respeito ao aumento da resposta diante do estímulo. Ex: Conforme eu subo mais meu coração acelera e minhas mãos suam. Habituação: Diminuição da resposta diante a exposição ao estímulo. Ex: Ao acender a luz a pupila contrai, após alguns segundos ela vai dilatando naturalmente pois houve habituação ao estímulo. Condicionamento é o nome dado ao processo de aprendizagem. Chamado de condicionamento Respondente, Reflexo, Clássico ou Pavloviano quando faz emparelhamento de um estímulo neutro, com um estímulo incondicionado eliciando uma resposta condicionada. Ex: Um garoto ao entrar em uma cachoeira fica arrepiado devido a temperatura fria da água, após isso acontecer algumas vezes consecutivas basta o garoto ver uma cachoeira e se arrepia. Estímulo Incondicionado: evento que não depende de aprendizagem para eliciar determinada resposta reflexa. Resposta Incondicionada: resposta orgânica, autônoma e involuntária que não depende de aprendizagem. Estímulo Condicionado: Necessário ser associado, emparelhado, pareado ao estímulo incondicionada para eliciar(provocar) a mesma resposta: Resposta Condicionada: Resposta acontece a partir da associação ao estímulo eliciador incondicionado. Paradigma respondente: S —> R Relação entre Estimulo que elicia Resposta Paradigma do condicionamento clássico, também conhecido como Pavloviano: descreve como um estímulo neutro, repetidamente associado a um estímulo incondicionado (que naturalmente causa uma resposta), passa a elicitar uma resposta semelhante, que é a resposta condicionada. Sn Si —> Ri Sc —> Rc Ao falarmos de condicionamento é necessário considerarmos a relação de dependência entre os termos analisados, essa relação recebe o nome de contingências. Ex: Eu preciso de um estímulo eliciador que elicia determinada resposta, para que isso ocorra ele precisa atingir um limiar, assim, “SE” o sabor for ácido suficiente “ENTÃO” eu sentirei a acidez na língua. Generalização respondente: Conceito onde um organismo passa a emitir uma resposta condicionada (emocional ou reflexa) diante de estímulos semelhantes ao estímulo condicionado original, ou seja, é a tendência de responder da mesma forma a estímulos diferentes, porém parecidos com o estímulo original. Ex: Uma pessoa com fobia de cães grandes (estímulo condicionado) pode sentir medo de cães pequenos ou de pelúcia (generalização). Generalização respondente: Conceito onde um organismo passa a emitir uma resposta condicionada (emocional ou reflexa) diante de estímulos semelhantes ao estímulo condicionado original, ou seja, é a tendência de responder da mesma forma a estímulos diferentes, porém parecidos com o estímulo original. Ex: Uma pessoa com fobia de cães grandes (estímulo condicionado) pode sentir medo de cães pequenos ou de pelúcia (generalização). Comportamento Operante: Comportamento Voluntário que opera nas contingências. Não é produto do estímulo que o antecede. É seguido de consequência. Os comportamentos operantes são controlados pelos estímulos consequentes(consequências). Contingências: Relação de dependência entre os termos. Vamos estudar a triplice contingência(três termos); relação entre os estímulos antecedentes, o comportamento e os estímulos consequentes(consequências). Condicionamento Operante: S→ R → C Onde S é o estímulo, R é a resposta operante e C a consequência atuando sobre a relação estímulo resposta. Em suma, o condicionamento operante busca prever/controlar comportamentos utilizando procedimentos para aumento ou diminuição da frequência desses através de consequências. Para isso, utiliza quatro procedimentos: Reforçamentos, para aumento da frequência de respostas; Sendo positivo quando um reforçador é inserido como consequência agradável e negativo quando um estímulo aversivo é retirado como consequência agradável. Os reforços podem ser naturais; resultado direto da resposta emitida(intrínseco) ou arbitrário(extrínseco); fornecido pelo ambiente. Reforços podem apresentar armadilhas, serem nocivos à médio/longo prazo. Punições, para diminuição da frequência de respostas; Sendo positiva quando um estímulo aversivo é inserido como consequência desagradável e negativa quando um estímulo reforçador é retirado como consequência desagradável. Punições são mais práticas de serem aplicadas, mas geram consequências emocionais como ansiedade, medo e raiva e levam ao contracontrole. O contracontrole é uma estratégia do organismo punido para livrar-se da punição. Reforçamento = Consequência agradável Punição = Consequência desagradável Reforçamento Positivo = Adicionar estímulo reforçador Reforçamento Negativo = Retirar estímulo aversivo Por fuga; estar diante de um estímulo aversivo e se retirar. Por esquiva; evitar entrar em contato com o estímulo aversivo Punição Positiva = Adicionar estímulo aversivo Punição Negativa = Retirar estímulo reforçador Reforços, Extinção Operante, Resistência e Desamparo Aprendido Reforçadores naturais e arbitrários Reforço natural (Intrínseco): A consequência é o resultado natural da resposta emitida. ○ Exemplos: Ler um livro e adquirir conhecimento, tocar um instrumento e ouvir a música, treinar um esporte e melhorar a saúde. ○ Vantagens: Fortalece uma ampla classe de respostas, promove a autonomia e é mais sustentável a longo prazo. Reforço Arbitrário (Artificial/Extrínseco): Consequências planejadas ou mediadas por outra pessoa, não sendo um produto direto do comportamento. ○ Exemplos: Receber elogios, ganhar um brinquedo, ganhar uma nota alta, receber um prêmio em dinheiro. ○ Vantagens/Desvantagens: Útil para comportamentos que não têm consequências naturais imediatas ou para crianças que ainda não valorizam reforços sociais (comum no TEA). No entanto, pode criar dependência do mediador e limitar o comportamento àquela situação. Contexto na Aplicação da Análise do coportamento: ● Controle Social: Reforçadores sociais (atenção, abraço, elogio) muitas vezes funcionam como uma ponte entre o arbitrário e o natural. ● Educação/Terapia: O ideal é planejar a transição de reforçadores arbitrários para naturais para garantir que o comportamento seja mantido pelo ambiente, e não apenas quando houver alguém controlando. Extinção Operante A extinção operante é a interrupção da consequência que mantinha o comportamento (ex: parar de dar atenção a um grito que antes era atendido). O comportamento não desaparece imediatamente; ele pode aumentarde intensidade ou frequência no início (surto de extinção) antes de diminuir. Pode gerar respostas emocionais, como frustração, raiva ou choro, e aumento da variabilidade comportamental. Exemplo: Uma criança chora para ganhar um doce (reforço). Se os pais pararem de dar o doce (extinção), após um tempo de choro intenso, ela parará de chorar, pois o comportamento não produz mais o resultado esperado. Resistência a Extinção Operante A resistência à extinção refere-se à persistência de um comportamento diante da suspensão do reforço. Quanto maior a resistência, mais tempo (ou mais respostas) o organismo emite o comportamento antes de extingui-lo. Esse fenômeno é diretamente influenciado pelo histórico de reforçamento. Principais Fatores e Características: Histórico de Reforçamento: Comportamentos reforçados por longos períodos ou muitas vezes são mais resistentes à extinção. Esquema de Reforço Intermitente: Comportamentos que não são reforçados todas as vezes (reforçamento parcial) demoram mais para sumir do que aqueles com reforço contínuo. Custo da Resposta: Comportamentos que exigem muito esforço (alto custo) tendem a desaparecer mais rápido. Exemplo Prático: O jogo patológico é um dos exemplos mais ilustrativos de resistência à extinção em seres humanos. Máquinas caça-níqueis operam em esquema de razão variável: o reforço (ganhar dinheiro) é liberado após um número imprevisível de respostas (apostas). Segundo os princípios de Moreira e Medeiros, isso explica por que o comportamento de jogar persiste mesmo após longas sequências de perdas: o histórico de reforçamento intermitente torna esse comportamento extremamente resistente à extinção. ❏ O mesmo princípio se aplica ao comportamento de verificar o celular repetidamente — as notificações chegam em intervalos imprevisíveis, criando um padrão de alta resistência. Desamparo Aprendido O desamparo aprendido é um fenômeno psicológico onde indivíduos, após repetidas experiências com situações aversivas incontroláveis, passam a acreditar que não têm controle sobre seu destino. Estudado por Martin Seligman, o conceito surgiu de estudos com animais submetidos a choques incontroláveis, que depois não tentavam fugir mesmo em situações evitáveis. Esse estado leva à passividade, desistência e baixa autoestima, mesmo quando a fuga ou mudança é possível. O Experimento de Seligman (1967) Nesse experimento, cachorros foram distribuídos em duas alas e os experimentadores observaram que: ao apresentarem choques elétricos em um dos compartimentos (punição positiva), os cães pulavam para a outra divisória (reforçamento negativo por fuga). Entretanto, quando os pesquisadores passaram a apresentar cargas elétricas em ambas repartições, em determinado momento os animais paralisaram devido à impossibilidade de diminuir, evitar ou remover as consequências desagradáveis provocadas pelas cargas. Desamparo Aprendido Pesquisas posteriores passaram a indicar que há uma tendência dos organismos animais não humanos e também humanos de não reagirem diante de eventos aversivos intensos que a princípio sejam incontroláveis ou inalteráveis; Pessoas que vivenciam traumas, abusos ou falhas repetidas (como desemprego crônico ou pobreza) podem desenvolver essa inércia. Inclui desesperança, desmotivação, humor negativo, ansiedade e depressão. O desamparo aprendido tornou-se uma das explicações para quadros ansiosos, depressivos e de inabilidade social: frente a estímulos aversivos que pareçam inevitáveis (como ambientes específicos, dores, traumas, etc), o sujeito tende a não emitir ações que proporcionem reforçamento negativo por fuga e/ou esquiva, ou seja, se avalia como incapaz e/ou paralisa perante o evento estressor ou antes mesmo de entrar em contato com ele. É visto como um modelo para entender a depressão, indicando que a inatividade não é preguiça, mas um comportamento "aprendido" de que tentativas de mudança são inúteis. Pode ser desaprendido através de terapia, que ajuda a reestruturar crenças de impotência e reforçar a autoeficácia. Efeitos do Desamparo Aprendido Moreira e Medeiros destacam que o desamparo aprendido produz três categorias principais de déficits, com profundas implicações clínicas e educacionais. Déficit Motivacional= Redução na iniciativa comportamental. O organismo não inicia respostas de enfrentamento, mesmo quando há oportunidade real de controle. Associado à apatia e à inação observadas em quadros depressivos. Déficit Cognitivo = Dificuldade em aprender novas contingências de controle. Mesmo quando o ambiente muda e o controle se torna possível, o organismo tem dificuldade em perceber e aprender essa nova relação. Déficit Emocional = Surgimento de reações emocionais negativas como ansiedade, medo e estado análogo à depressão. Seligman propôs o desamparo aprendido como modelo animal para compreender a depressão humana. Na prática Alunos que fracassam repetidamente em tarefas escolares, independentemente de seu esforço, podem desenvolver desamparo aprendido: passam a acreditar que estudar não adianta e deixam de tentar. Professores devem garantir contingências claras e alcançáveis. Trabalhadores em ambientes onde seus esforços não resultam em recompensas ou reconhecimento previsíveis podem desenvolver baixo engajamento e produtividade, caracterizando o desamparo aprendido no mundo do trabalho. Controle de Estímulos Controle de Estímulos O comportamento não ocorre no vácuo — ele é moldado pelo contexto ambiental. Vamos explorar como estímulos antecedentes influenciam a probabilidade de uma resposta ocorrer, um fenômeno central para compreender o comportamento humano e animal. O Estímulo Discriminativo (Sd) é qualquer estímulo antecedente cuja presença indica que determinado comportamento será seguido de reforço. O Sd não provoca a resposta diretamente — ele sinaliza que o reforço está disponível, aumentando a probabilidade da resposta ocorrer. Exemplo: O toque do celular (Sd) sinaliza que verificar o aparelho pode trazer uma mensagem reforçadora — uma notícia importante ou contato social. O Estímulo Delta (SΔ) é o estímulo antecedente na presença do qual a resposta não é reforçada. Ele sinaliza que o reforço não está disponível naquele momento, diminuindo a probabilidade da resposta ocorrer. ● Funciona em oposição ao Sd ● Resulta da história de extinção na sua presença ● Essencial para o desenvolvimento da discriminação ● Reduz comportamentos desnecessários e ineficientes. Exemplo: Sinal Vermelho Na condução, o semáforo vermelho é SΔ para avançar — o comportamento não será reforçado (chegada rápida), mas será punido. Porta Fechada. A porta fechada do consultório é SΔ para entrar — o cliente aprende que bater (Sd) é o comportamento a emitir. Sd vs. SΔ: A Relação Fundamental A distinção entre Sd e SΔ é a base do Controle de Estímulos. Juntos, eles definem quando um comportamento é e quando não é apropriado ao contexto. O Controle de Estímulos existe quando a probabilidade, frequência, duração ou topografia de uma resposta é influenciada pela presença ou ausência de um estímulo antecedente. É o resultado de uma história de vida individual. Controle de Estímulos O Controle de Estímulos se desenvolve por meio de respostas reforçadas na presença do Sd e extintas na presença do SΔ, até que o estímulo passe a "controlar" o comportamento. Aplicação Clínica: Em ABA, o controle de estímulos é manipulado para ensinar habilidades, reduzir comportamentos inadequados e promover independência funcional. A Generalização de Estímulos ocorre quando um organismoemite a mesma resposta na presença de estímulos semelhantes ao Sd original, mesmo sem ter sido reforçado naqueles contextos. Quanto maior a semelhança com o Sd, maior a tendência à generalização. O gradiente de generalização demonstra que a força da resposta diminui progressivamente à medida que o novo estímulo se afasta das propriedades do Sd original. Isso é fundamental para compreender tanto aprendizados adaptativos quanto respostas de ansiedade generalizada. Generalização: Exemplos Práticos Intervenção com Autismo: Uma criança aprende a cumprimentar com "Bom dia" na terapia. A generalização ocorre quando ela reproduz esse comportamento na escola e em casa — objetivo central das intervenções em ABA. Ansiedade Generalizada: Uma pessoa que sofreu um susto em elevador pode generalizar o medo a outros espaços fechados (metrô, salas pequenas). A generalização aqui representa um problema clínico a ser trabalhado. Discriminação de Estímulos A Discriminação de Estímulos é o processo inverso à generalização. Ocorre quando o organismo aprende a responder de forma diferente a estímulos distintos — emitindo a resposta na presença do Sd e suprimindo-a na presença do SΔ. É resultado do treino de discriminação. Treino de Discriminação: Procedimento no qual a resposta é reforçada na presença do Sd e extinta (ou punida) na presença do SΔ, até que o controle discriminativo seja estabelecido. ● Discriminação simples: dois estímulos (Sd e SΔ) ● Discriminação condicional: contexto determina qual é Sd ● Matching-to-sample: comparação de estímulos Exemplos Clínicos Controle de impulsos: aprender a falar em momentos apropriados (aula) vs. inapropriados (silêncio) Habilidades sociais: identificar quando pedir ajuda vs. tentar sozinho Regulação emocional: reconhecer situações que pedem diferentes estratégias de enfrentamento Leitura e escrita: discriminar letras e fonemas semelhantes (b/d, p/q). Generalização e discriminação são fenômenos complementares e opostos que coexistem na aprendizagem. O equilíbrio entre ambos é fundamental para o comportamento adaptativo. - Princípio Clínico: Em muitas intervenções, o terapeuta promove deliberadamente a generalização de comportamentos adaptativos e a discriminação de comportamentos-problema — sempre manipulando os estímulos antecedentes e consequentes do ambiente. Reforçamento Diferencial O reforçamento diferencial é uma estratégia comportamental em que o reforçador é entregue somente quando determinado comportamento (ou ausência dele) ocorre, enquanto outros comportamentos são extintos ou ignorados. Por que utilizamos? Essa técnica é fundamental para reduzir comportamentos indesejados sem recorrer à punição, promovendo comportamentos alternativos, incompatíveis ou mais adequados à situação clínica ou educacional. DRO - Reforçamento Diferencial de Outros Comportamentos No DRO (Differential Reinforcement of Other Behavior), o reforçador é apresentado após um intervalo de tempo em que o comportamento-alvo(comportamento que desejamos extinguir) não ocorreu. Não importa qual comportamento a pessoa emite — desde que não seja o comportamento problemático. DRO: Como Funciona na Prática? 1 Defina o comportamento-alvo Identifique claramente o comportamento que deseja reduzir, como autolesão, birras cu gritos em sala de aula, 2 Estabeleca o intervalo Determine um perioda (ex.: 5 minutos) durante o qua o comportamento-aivo não deve ocorre para que o reforça saja entregue 3 Entregue o reforço Se s intervalo transcorrar sem a omissás do comportamento grobemático, a reforçador e apresentado imediatamente 4 Aumente progressivamente A medida que o cliente avança, armpir gradualmente os Intervalos cara proniover manutenção a longo prazo. DRA - Reforçamento Diferencial de Comportamento Alternativo No DRA (Differential Reinforcement of Alternative Behavior), o reforço é entregue quando o indivíduo emite um comportamento alternativo ao comportamento-problema — geralmente um comportamento que serve à mesma função, mas de forma socialmente adequada. A lógica é simples: se o comportamento alternativo "funciona" para obter o mesmo reforçador, a motivação para emitir o comportamento problemático diminui naturalmente. Ex: Aluno ser respondido somente após levantar a mão antes de participar da aula ou fazer uma pergunta. DRI - Reforçamento Diferencial de Comportamento Incompatível O DRI (Differential Reinforcement of Incompatible Behavior) é um subtipo do DRA em que o comportamento reforçado é fisicamente incompatível com o comportamento-problema — ou seja, os dois não podem ocorrer ao mesmo tempo. Exemplo: Criança grita para obter atenção - DRI - É reforçada quando fala baixo Gritar e falar baixo ao mesmo tempo é impossível. DRL - Reforçamento Diferencial de Baixa TaxaNo DRL (Differential Reinforcement of Low Rates), o objetivo não é eliminar o comportamento, mas sim reduzir sua frequência a um nível aceitável. O reforço é entregue apenas quando o comportamento ocorre com menor frequência do que um critério estabelecido. Quando é indicado? O DRL é ideal para comportamentos que são aceitáveis em baixa frequência, mas problemáticos quando ocorrem em excesso: Perguntar repetidamente durante uma aula Levantar da cadeira durante atividades Verificar o celular durante o trabalho Comer petiscos ao longo do dia. DRH -Reforçamento Diferencial de Alta TaxaNo DRH (Differential Reinforcement of High Rates), o reforço é entregue quando o comportamento ocorre com frequência igual ou maior do que um critério pré-estabelecido. O objetivo é aumentar a ocorrência de comportamentos desejáveis. Aumentar o número de exercícios físicos por semana Elevar a frequência de leitura de textos acadêmicos Ampliar tentativas de comunicação verbal em crianças com TEA Incrementar respostas corretas em sessões de ensino. Comparativo entre os Cinco Procedimentos Tipo O que é reforçado? Objetivo Exemple DRO Ausência do comportamento-problema em um intervalo Eliminar o comportamento-alvo Sem autolesão por 5 minneforça DRA Comportamento alternativo (mesma função) Substituir sor conduta adequada Levantar a mão em vez tegrita DRI Comportamento fisicamente Incompativel Tornar o probleme impossivel de ocorter Mãos na mesa em vez be bater DRL Comportamento em baixa Frequência Reduzi a taxa, não eliminar Até 3 nterrupções por hora reforço DRH Comportamento zm alta frequência Aurrentlar a taxa de comportamento desejado 5+ verbelizações por sessão reforço