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ESTUDO	DAS	CORES
CAPI�TULO 1 - O QUE E� COR E COMO ELA SE FORMA?
Cristiane Aparecida Gontijo Victer
Introdução
Caro estudante, bem-vindo(a)!
Você com certeza já admirou a beleza de um arco-ı́ris, mas em algum momento se perguntou como são formadas as suas
cores? Em quais circunstâncias a cor tem alguma representação mais contundente em seu meio? Já percebeu que a cor
in�luencia diretamente em suas escolhas e no consumo de produtos?
A in�luência da luz, sua reação sobre cada matéria e a recepção nos olhos torna tudo que nos envolve num fascinante mundo
de cores, em constantes mudanças e transformações em nossa vida. Entender os processos que levam a percepção da luz
tornou-se fundamental em inúmeros setores das ciências. Não há como entender a cor sem conceituar que a luz é uma onda
eletromagnética, que entre alguns comprimentos pode ser captada pelos olhos, ou seja, é uma radiação eletromagnética
situada entre a radiação infravermelha e a ultravioleta.
Neste capı́tulo você estudará sobre as cores, o que é cor luz e cor pigmento, sua origem e como nós a percebemos, as teorias
ao longo dos tempos e a sua simbologia, fatores primordiais para o estudo da moda. Compreender o fenômeno cor também
é de suma importância para entender praticamente sobre tudo que consumimos.
Conhecer os processos da cor é primordial para quem irá trabalhar com desenvolvimentos de produtos, assim como a
percepção de que as cores são vistas e sentidas, por isso têm o poder de impressionar, expressar e de construir. Uma cor
pode assumir o valor de um sı́mbolo e se tornar construtiva, na forma de linguagem ao comunicar uma ideia e sentidos. 
Como a cor é uma sensação provocada pela ação da luz sobre o órgão da visão, portanto não tem existência material própria,
é preciso saber a origem das cores, compreender a forma com a qual luz e a cor são percebidas e os tipos de cores
existentes. Tudo isso nos proporcionará a possibilidade de ampliar nossos conhecimentos para projetarmos produtos de
moda e compreendermos com as pessoas percebem as cores e o que in�luencia nas escolhas deste ou daquele produto. 
Vamos lá? Acompanhe este capı́tulo com atenção!
1.1 Princípios Básicos 
O interesse pelas cores existe desde os primórdios. Vários �ilósofos e matemáticos estudaram sobre o fenômeno, com o
objetivo de compreender sua origem e como enxergamos a cor. O estudo da cor tornou intrı́nsecos os conhecimentos sobre
óptica, quı́mica, fı́sica e �isiologia, assim como da �iloso�ia e psicologia. Muitos estudiosos intrigados pelo fenômeno cor
dedicaram seus estudos para decifrar os segredos da cor. Entender a origem da cor, o seu estado natural, a sua relação com a
luz e o meio levou a busca pelo seu domı́nio, como consegui-la por meios arti�iciais, como usá-la e qual a sua capacidade de
envolver a mente humana. De acordo com Farina “[...] a cor exerce uma ação trı́plice, a de impressionar, a de expressar e a de
construir. A cor é vista, impressiona a retina. E� sentida, provoca emoção. E é construtiva, pois, tendo um signi�icado
próprio.’’ (FARINA, 1990, p. 27).
1.1.1 Teorias históricas
De acordo com Bernardo (2009), desde a época dos primeiros �ilósofos gregos até meados do século XIX, o tema das cores
foi motivo de muitas polêmicas, discussões �ilosó�icas e cientı́�icas e também de muitas contradições. O autor também diz
que as cores eram observadas pelos pintores da Grécia Antiga e �ilósofos, não tendo um signi�icado muito claro. 
Aristóteles (384 a.C. - 322 a.C.) foi um dos primeiros a estudar sobre cores que se tem conhecimento, sendo a teoria
aristotélica uma das mais antigas. Sobre este assunto, Bernardo (2009) explica que na interpretação aristotélica, as cores são
uma modi�icação da luz branca pura e homogênea. Conceitualmente, a cor para Aristóteles era uma qualidade do objeto
in�luenciada pela presença da luz. 
“De modo geral os �ilósofos da antiguidade oscilavam entre dois conceitos: o primeiro, dominante, considerava a cor como
propriedade dos corpos; o segundo se baseia na tese de que os fenômenos de coloração eram fruto do enfraquecimento da
luz branca.” (PEDROSA, 2009, p. 50). Aristóteles de�ine que a cor é uma das propriedades dos objetos, assim como o peso, a
textura, o material. 
Na Idade Média, segundo o poeta Plı́nio citado por Pedrosa (2013, p. 43),
existem três cores principais: o vermelho vivo, que brilha com todo seu esplendor nas rosas e encontra o re�lexo
nas púrpuras de Tiro , na púrpura, duas vezes tingida e na de Lacônia; a cor da ametista, que brilha nas violetas e
se reencontra na cor púrpura, e aquela que denominamos de iantino (nós só falamos de gêneros e que oferecem
várias subdivisões); en�im a cor conchı́fera propriamente dita, de várias sortes. 
Clique a seguir para conhecer a visão dos principais nomes da época.
De acordo com Pedrosa (2013, p. 60):
Depois de interceptar um raio de luz com um prisma, fazendo surgir as cores do espectro, Newton realizou uma
operação adicional em que as cores, ao atravessar um segundo prisma, ou uma lente convergente,
recompunham a luz branca original. A decomposição da luz branca pelo prisma permitiu-lhe deduzir que a
separação espacial das cores simples é obtida graças ao grau diferente da refração de cada cor revelado ao
atravessar os corpos transparentes. Essa refração é caracterizada por certa grandeza, denominada ı́ndice de
refração. 
Leon Battista Alberti (1404 -1472) 
Leonardo da Vinci (1542-1519) 
Isaac Newton (1643 - 1727) 
Foi discı́pulo de Brunelleschi e in�luenciador de Leonardo da Vinci, que junto
ao vermelho, azul e verde, acrescenta o cinza, relacionando-as aos elementos
fogo, ar, água e terra. “Os conceito de Leonardo com referência à pintura em
nada diferem dos de Alberti, em muitos casos constituem um
aprofundamento deles, como indica sua teorização da perspectiva”
(PEDROSA, 2013, p. 47).
Publicou, em italiano o Tratado da Pintura e da Paisagem: Sombra e Luz. Após
132 anos da morte de Leonardo o tratado foi editado na França em 1716
utilizando desenhos de Poussin (PEDROSA, 2013, p. 46). 
O tratado é um conjunto das anotações de Leonardo da Vinci, nas quais ele se
opõe a Aristóteles e diz que as cores não são propriedade do objeto, e sim da
luz. Concorda que as cores partem do vermelho, verde, azul e amarelo,
excluindo os extremos da luz, o branco e preto. 
Acreditava na teoria corpuscular da luz e fez importantes experimentos sobre
a decomposição da luz com prismas, que resulta no surgimento de espectros
nas cores vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta, e defendia
que as cores existiam devido ao tamanho da partı́cula de luz.
Ele expôs sua teoria em uma publicação da Royal Society, chamada Philosophical	Transactions	of	the	Royal	Society	of	London,
onde explica como foi a experiência com os prismas e a divisão do raio de luz em um espectro de cores. E mais tarde, em
outra publicação, ele detalha a experiência com dois prismas decompondo e recompondo a luz branca. Desta forma Newton
concluiu que as cores não são quali�icações da luz derivadas de refração ou re�lexões dos corpos naturais, mas propriedades
originais e inatas que são diferentes nos diversos raios, ou seja, alguns raios exibem determinada cor apenas, e que existem
raios inclusive para as cores intermediárias.
Newton demonstrou através de um dispositivo em cı́rculo com as sete cores do arco-ı́ris, chamado de Disco de Newton, que
ao girar rapidamente acontece a superposição das cores na retina do observador, dando a sensação de branco, concluindo
que não há um raio que possa exibir a luz branca, ela é sempre composta.
Newton con�irma com a Teoria	Corpuscular	da	Escuridão que a luz é composta por corpos luminosos, que chegam aos
olhos do observador e produzem a sensação de luminosidade, como a emissão, por parte de pequenas partı́culas. E que o
branco é a cor usual da luz, que é um agregado de raios de todos ostipos de cores. A partir desta teoria Newton inventou o
telescópio re�letor, que permite perceber que cada cor tem um ı́ndice de refração (desvio quando passa de um meio para
outro diferente). Clique e continue conhecendo as contribuições de outros pesquisadores para o estudo das cores.
Figura 1 - Decomposição da luz ao atravessar um prisma.
Fonte: Chirokung, Shutterstock, 2019.
No século XVIII, Jakob	Christof	Le	Blon (1667 - 1741), pintor e gravador alemão, demonstrou que as cores
pigmento primárias eram vermelho, amarelo e azul, produzido por combinações as cores complementares verde,
violeta e laranja. Ele inventou o sistema de 3 e 4 cores de impressão chamado de RYBK, que é similar ao CMYK,
métodos que ajudaram na formação do sistema atual de impressão.
Já em 1839, o francês Michel	Eugène	Chevreul (1768 – 1889) editou a lei do contraste simultâneo das cores.
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Jakob	Christof	Le	Blon
Michel	Eugène	Chevreul
O estudo de Goethe não despertou tanto interesse em sua época, mas foi resgatado por estudiosos da Gestalt, no século XX.
Atualmente nas universidades estudam-se as cores conforme Goethe propôs: cor fı́sica (óptica fı́sica), cor �isiológica (óptica
�isiológica) e cor quı́mica (óptica quı́mica). Isto corresponderia a teoria de Newton acrescida de observações sobre ondas.
Goethe descreve em seu livro como as cores e a luz se relacionam perfeitamente e que correspondem à natureza em seu
todo, não podendo serem vistas de formas separadas. 
“As cores são ações e paixão da luz. Neste sentido podemos esperar delas alguma indicação sobre a luz. Na verdade, a luz e
as cores se relacionam perfeitamente, embora devamos pensá-las como pertencendo a natureza em seu todo: ela é inteira e é
que assim quer se revelar ao sentido da visão” (GOETHE, 2011, p. 35).
“De todas as descobertas de Leonardo, nenhuma teve maior importância para o colorido nas artes visuais que a
da simultaneidade do contraste de cores. Esta descoberta revela a essência da beleza do colorido oriunda da ação
das cores umas sobre as outras.” (PEDROSA, 2013, p. 54).
Chevreul estabelece com seu estudo a percepção das cores em simultaneidade, conclusões que podem ser
observadas quando se justapõem uma cor fria com uma cor quente. Uma não modi�ica a outra, porém quando se
juntam duas cores quentes elas se esfriam e, ao contrário, ao se juntar duas cores frias elas se aquecem. Assim
como uma cor clara num fundo escuro �ica mais viva. 
No século XIX, Johann	Wolfgang	Von	Goethe (1749 - 1832) dedicou 40 anos de estudo em seu tratado sobre as
cores, contrapondo-se à teoria de Newton. Para Goethe a luz branca não podia ser constituı́da por cores, sendo
cada uma delas mais escura que o branco. Ele defendia que as cores eram resultado da interação da luz com a
escuridão. Na sua visão, a luz branca seria enfraquecida ao atravessar meios translúcidos, reinterpretando o arco-
ı́ris, no qual os dois extremos tenderiam ao vermelho, que seria o enfraquecimento máximo da luz. “De todos os
pesquisadores, Goethe é o que exerce maior in�luência sobre os intelectuais e artistas contemporâneos no tocante
a utilização dos princı́pios cromáticos.” (PEDROSA, 2013, p. 62).
Goethe destaca a �isiologia e psicologia da cor, como a retenção das cores na retina e a tendência do olho ver nas
bordas de uma cor complementar e que os objetos brancos parecem maiores que os pretos.
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VOCÊ O CONHECE?
Paul Klee é considerado um dos grandes pintores europeus do inıćio do século XX, fez
extensos experimentos e desenvolveu um grande domıńio sobre a cor e tonalidade. Ele
criou composições de quadrados coloridos impressionantes. Paul Klee lecionou na
famosa escola Bauhaus. Para Paul Klee “a arte não reproduz o que é visıv́el, ela torna
visıv́el”. (FRASER, ANKS, 2007, p. 44)
Johann	Wolfgang	Von	Goethe
E� importante você considerar que a teoria de Newton obteve mais sucesso em sua época, por ter comprovações cientı́�icas,
enquanto que e a de Goethe foi, de certa forma, entre seus contemporâneos, menos aceita, já que somente algum tempo após
é que os conceitos psicológicos fossem explicados por outros pesquisadores. A partir de então a teoria de Goethe passou a
ser de principal relevância para o uso das cores.
1.1.2 Cor como sensação provocada pela ação da luz sobre o órgão da visão 
Com a visão percebemos o mundo exterior, identi�icamos as caracterı́sticas dos seres e objetos, as formas, dimensões,
proximidade ou distância, iluminação, cor. O olho humano representa o mais elevado grau de aperfeiçoamento na captação
de energia luminosa (o estı́mulo), difere dos outros animais em quantidade e qualidade. Porém, a visão humana não se
restringe aos olhos, no nı́vel �isiológico (a sensação), e precisa ser conduzida pelo cérebro, que por sua vez, associa a
informações armazenadas para a interpretação correta (a percepção). “A cor não tem existência material, é apenas sensação
produzida por certas organizações nervosas sob a ação da luz” (PEDROSA, 2008, p. 20)
Os olhos humanos têm campo de visão de 180º e a função de captar imagens, forma esférica e diâmetro de
aproximadamente 24 mm. Formam os olhos a esclerótica, que é o invólucro branco, a córnea, o cristalino e a ı́ris. Na face
interna da esclerótica estão a coroide e a retina, que é composta por cones e bastonetes. “O processo de sensibilização da
retina pela luz é indiscutivelmente a base do fenômeno da visão” (PEDROSA, 2008, p. 40).
De acordo com Farina (1990), as cores são uma sensação produzida pelo olho e interpretada no cérebro como resposta a
estı́mulos de energia luminosa. Nossos olhos possuem cones e bastonetes sensı́veis a luz. A luz atinge a retina e é refratada
pela córnea, pelo humor aquoso, cristalino e pelo humor vı́treo. A percepção da cor pode ser compreendida pela
possibilidade que algumas matérias têm de absorverem alguns raios de luz e de re�letirem outros, sendo que algumas
superfı́cies re�letem todos os raios luminosos e, por isso, as vemos brancas. Aquelas que absorvem	 todos os raios as
vemos pretas. 
Nas �iguras acima podemos notar como a luz é absorvida pelo objeto e como ela chega em nossos olhos. Em uma superfı́cie
branca, toda a luz que é re�letida chega aos nossos olhos. Note que branco é a junção de todas as cores, como você poderá
veri�icar mais à frente. 
Na superfı́cie preta, nenhuma cor chega aos nossos olhos, toda cor é absorvida pela própria superfı́cie. Já na superfı́cie azul,
todas as cores chegam à ela e o que chega aos nossos olhos é somente a luz azul. 
1.1.3 A luz como estímulo e a luz e a visão
Luz é um fenômeno da natureza que produz onda eletromagnéticas. A luz é capaz de causar uma alteração externa que
provoca uma resposta �isiológica ou comportamental no organismo. E� muito interessante estar ciente do processo da nossa
visão, o que enxergamos não é o objeto em si, mas a luz que dele re�lete.
Figura 2 - Luz re�letida sobre a superfı́cie branca, preta e azul respectivamente.
Fonte: Udaix, Shutterstock, 2019.
 “O termo cor é sempre equivalente à expressão cor-luz. Podemos dizer que a cor constitui um evento psicológico. A Fı́sica
nos explica que a luz é incolor. Somente adquire cor quando passa através da estrutura do espectro visual. Concluı́mos, pois,
que a cor não é uma matéria, nem uma luz, mas uma sensação” (FARINA, 1990, p. 77).
Fazemos a percepção do espaço através da luz. Além do elemento fı́sico, a luz, e �isiológico, o olho, os dados psicológicos,
ou seja, fatores externos como a luminosidade, o matiz e a saturação alteram a qualidade do que se vê. Segundo Pedrosa
(2008), os estı́mulos que causam as sensações cromáticas estão divididos em dois grupos: o das cores luz e o das cores
pigmento. 
O que caracteriza o estı́mulo �isiológico é a sua integração com a sensação, pelo fato de ser originado
�isiologicamente. Há dois tipos principais de estı́mulos �isiológicos: o primeiro é geradopor uma excitação
mecânica saturando parte da retina com uma cor, forçando a outra parte da retina a produzir �isiologicamente a
cor complementar da que foi excitada (fenômenos das imagens posteriores, efeitos de deslumbramentos etc). O
segundo é o formado por excitação subjetiva, pela ação da própria retina, ou do cérebro (sensação colorida no
escuro, manipulação mental das cores realizada por pintores, mentalizações coloridas dos mı́sticos e das
demais pessoas que exercitam essa faculdade, como desdobramento da memória cromática, visões causadas
por alucinógenos, mecanismos dos sonhos etc), e por disfunções orgânicas (cores patológicas). (PEDROSA,
2009, p. 98)
O ambiente pode ser mudado através da luz. E� através do uso do estı́mulo da luz que controlamos o que será mostrado,
destacado; se o local será para descanso ou trabalho. Toda atmosfera pode ser projetada especialmente para que as
atividades sejam desenvolvidas da maneira mais completa e saudável, utilizando-se assim das diferentes intensidades,
temperaturas de cor, focos, fachos, efeitos e cores. “A cor e os efeitos de humor que você procura deveriam in�luenciar na sua
escolha da luz elétrica. A maior parte dos ambientes será iluminada pela luz natural durante o dia e pela arti�icial durante a
noite” (FRASER; BANKS, 2007, p. 70).
De acordo com Baer (2006), a luz é o efeito das radiações visı́veis e forma o espectro eletromagnético, composto por um
conjunto de ondas de energia eletromagnéticas, fazendo um movimento ondulatório. Estas ondas são medidas pelo seu
comprimento de ponta a ponta. A distância é bem variável de milionésimo de milı́metro até milhares de quilômetros. As
ondas eletromagnéticas possuem uma frequência, ou seja, um número de pulsações por unidade de tempo. Dentro de um
grande espectro, só as ondas entre 380 e 780 milimicrons têm propriedade de estimular a retina.
Os olhos têm a função de captar as imagens. Clique e conheça as suas propriedades.
Seletividade
A percepção de cada cor (o olho só é sensı́vel às radiações entre 0,380 e 0,780 microns).
Maior ou menor sensibilidade
Está relacionada ao comprimento de onda que corresponde às cores visı́veis.
Acomodação
E� a propriedade de se ajustar às distâncias.
Acuidade
E� a capacidade de reconhecer os objetos.
Adaptação
Ajuste automático às diferenças de iluminação dos objetos (abertura e fechamento da pupila).
A seguir, conheça uma curiosidade sobre o daltonismo.
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Segundo Gomes (2015), a Gestalt quer dizer forma, sendo o termo utilizado pelos psicólogos para designar o estudo da
percepção da forma, levando em consideração o todo. Neste sentido a visão tem papel fundamental da percepção das coisas.
Em termos gerais, os princı́pios básicos da Gestalt baseiam-se que as entidades �isiológicas, biológicas, fı́sicas e simbólicas
formam um todo que é maior que a soma das partes. Isto quer dizer que nossa mente é capaz de complementar o que falta
num desenho, por exemplo. A cor é parte fundamental no estudo da Gestalt, pois através dela conseguimos perceber as
formas. 
VOCÊ SABIA?
Que o daltonismo é uma anomalia onde as pessoas têm uma visão distorcida da
cores, geralmente de origem genética. O daltonismo normalmente é a
incapacidade de distinguir entre tons de vermelho e verde. E� causado por
de�iciências que afetam os cones de recepção das cores nos olhos. Uma
curiosidade é que os problemas relacionados às cores são mais comuns entre os
homens do que em mulheres – 8% da população masculina e 0,5% da feminina
(FRASER, BANKS).
Figura 3 - Nossa mente pode automaticamente complementar e reconhecer a formação do triângulo.
Fonte: Javier Calvete, Shutterstock, 2018.
Como você pode ver na �igura acima, nosso olho através de suas propriedades faz com que nossa mente complete o
desenho. Nesta hora, além de aspectos fı́sicos e �isiológicos, também fatores simbólicos contribuem para a formação da
imagem. Um fator básico ao qual nossa percepção está subordinada chama-se pregnância. De acordo com Pedrosa (2009), a
Pregnância é constituı́da por seis leis básicas, listadas a seguir. Clique para conferir. 
A tendência é um equilı́brio entre a cor e a forma, mas conforme aguçamos a percepção podemos distingui-las
separadamente. Veja a ilustração a seguir. 
Há uma tendência natural em ver elementos semelhantes, na cor, forma ou dimensão. Nosso cérebro de forma
automática busca por padrões. 
Elementos próximos uns dos outros tendem a se agrupar e são percebidos como uma unidade. Geralmente em
projetos são utilizados proximidade e semelhança de forma unidas. 
Acontece quando elementos estão próximos e seguem uma direção em linha contı́nua de pontos e nosso cérebro
entende como uma linha.
Indica a orientação das linhas de força e por consequência a ilusão de movimento.
A lei de fechamento acontece quando um objeto ou desenho é incompleto ou não tem seu espaço totalmente
fechado. O cérebro ativa algumas partes para completar a �igura. 
A unidade é a igualdade harmônica dos elementos visuais de uma composição. Quanto maior o equilı́brio, maior
a sensação de unidade. 
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Semelhança
Proximidade
Continuidade
Movimento
Tendência	à	Complementação
Figura	e	fundo
Pode-se observar na �igura acima a ambiguidade dada pelo branco e pelo preto em sua forma. Muitos irão ver primeiro um
vaso, outros irão ver dois rostos frente e frente. E� um jogo no qual cores, �igura e forma se misturam.
De acordo com Farina (1990), o processo pelo qual o cérebro interpreta as imagens ainda não foi totalmente estudado até
hoje, sendo ainda muito complexo. Podemos dizer que todas as sensações relacionadas a cor podem ser utilizadas na área
do design e da comunicação visual. 
Figura 4 - Tendência de equilı́brio entre cor e forma.
Fonte: Peter Hermes Furian, Shutterstock, 2019.
VOCÊ QUER VER?
Uma boa indicação para compreensão do conteúdo e aguçar a percepção das cores é o
�ilme A	moça	 com	o	brinco	de	pérola (2004), dirigido por Peter Webber. A história é
baseada na tela pintada em 1665, pelo artista neozelandês Johannes Vermeer, quadro
que tem como ponto focal um brinco. Uma luz incidente na janela que ilumina uma
jovem encanta o pintor, que se propõe pintá-la. 
1.2 Cor Pigmento X Cor Luz 
Pode-se dizer que a cor não tem existência material e que é provocada de pela ação da luz, que é o estı́mulo sobre o órgão da
visão, decodi�icada pelo cérebro, que consiste em sensação da cor, de onde decorre a percepção do fenômeno. 
Dois estı́mulos diferentes causam sensações cromáticas. O primeiro é a cor luz ou luz colorida, e o outro é a cor pigmento, a
substância material que absorve, refrata ou re�lete a luz que se difunde sobre ela. Tudo a nossa volta possui cor, mas na
verdade como foi dito, o efeito da cor é dado pela incidência de luz sobre um objeto, por exemplo. O que seria a cor
pigmento e como ela se forma? Quais as principais diferenças entre cor luz e cor pigmento? Vamos estudar a seguir!
1.2.1 Cor Pigmento e Cor Luz. (CMYK x RGB)
Chamamos de cor pigmento as substâncias corantes que fazem parte das cores quı́micas. As tintas automotivas, os vernizes,
a têmpera, a aquarela, tintas para tecido, tintas para impressão, fazem parte deste grupo. 
A cor pigmento, conforme sua natureza, absorve ou re�lete os raios luminosos componentes da luz que se difunde sobre ela.
De acordo com Baer (2002), as cores primárias pigmento são ciano, magenta e yellow	ou CMY que correspondem às iniciais
das palavras em inglês. 
Os pintores desde antiguidade utilizam como cores primárias as cores red,	yellow	e blue. Este sistema de cores chama-se
RYB, sendo utilizado mais entre pintores e artistas plásticos. As cores pigmentos podem ser chamadas também de cores
subtrativas. Como exemplo possuı́mos as tintas, onde cada tipo de pigmento tem seu grau de absorção de mais ou menos da
radiação. 
Cor	luzé a cor formada pela emissão direta da luz. A cor	luz são as cores decorrentes da decomposição da luz branca. As
cores vermelha, verde e azul, são chamadas cores simples ou primárias, RGB, do inglês	 red,	 green e blue. As cores luz
podem ser chamadas também de cores aditivas. A luz solar é o melhor exemplo, assim como os objetos que emitem luz,
como monitores, lanternas, televisão. 
Figura 5 - As cores primárias e secundárias do sistema das cores pigmento CMYK, o mais utilizado na atualidade.
Fonte: Lucie Rezna, Shutterstock, 2019.
Podemos concluir que a cor luz, o que emana, é o inverso da cor pigmento, que recebe. Nos dois estı́mulos existem as cores
primárias, que são puras, não se decompõem e formam todas as outras cores.
VOCÊ QUER VER?
Você gostaria de realizar experimentos e poder ver na prática a combinação das cores
luz? Neste site organizado pela Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, você
poderá realizar testes com as cores luz, fazendo combinações e podendo ver como
surgem as cores secundárias e terciárias luz. O simulador está disponıv́el em
.
https://phet.colorado.edu/sims/html/color-vision/latest/color-vision_pt_BR.html
Você poderá perceber na experiência realizada com o simulador que as três cores quando sobrepostas tornam-se brancas.
Ao unir o verde com o vermelho, surgirá o amarelo; o azul com o verde, surgirá o ciano; e o azul com o vermelho a cor
magenta. Sendo assim, as cores secundárias luz serão as mesmas cores primárias pigmento. Ou seja, ciano, magenta
amarelo. 
Figura 6 - A cor branca surge naturalmente no sistema de cor luz, a partir das cores primárias Red, Green e Blue, e das
secundárias, Ciano, Magenta e Yellow.
Fonte: Lucie Rezna, Shutterstock, 2019.
Todas as cores apresentam três caracterı́sticas: o matiz, o tom e a intensidade. Clique a seguir para conhecer mais essas
caracterı́sticas.
Figura 7 - Por meio da sı́ntese aditiva pode-se perceber a formação da cor branca, pela união das cores, conforme o
sistema RGB.
Fonte: Hermes Furian, Shutterstock, 2019.
Matiz
Na pintura, pode-se adicionar simultaneamente preto e branco, que é equivalente a adicionar cinza. Poderı́amos dizer que há
uma variação de saturação e luminosidade que damos o nome de valor. 
O valor é medido em uma escala de cinzas em nove degraus, desde o preto absoluto, que existe só na teoria, até o tom mais
claro. Este sistema de especi�icação foi criado pelo artista e pesquisador americano Albert H. Munsell. 
E� o que distingue a cor. As cores primárias são matizes e se misturamos o azul e o amarelo, criamos outro
matiz, o verde. Então são matizes também as cores secundárias e, logo também, as terciárias. Ou seja, a
mistura de matizes resulta em outro matiz.
Tom
Refere-se à maior ou menor quantidade de luz na cor. Se adicionamos preto a uma cor, ela �ica mais escura, e
acrescentando o branco obtém-se tons mais claros. A� medida que se adiciona o branco ou o preto cria-se uma
escala tonal.
Intensidade
Refere-se ao brilho da cor. Quanto mais alta a intensidade, mais vı́vida a cor, e quanto mais baixa, menos
brilhante, como as cores pastéis.
De acordo com Farina (1990, p.67), qualquer variação na cor, seja ela na saturação, na luminosidade ou no tom, produz uma
modulação, chamada escala. As escalas cromáticas podem ser monocromáticas ou policromáticas. As escalas
monocromáticas referem-se as escalas produzidas à partir de uma cor e as escalas policromáticas, a partir de várias cores. 
Além das caracterı́sticas, como matiz, tom intensidade e valor, as cores podem interferir na dimensão, porque dão a
sensação de aumentar ou diminuir os ambientes. No peso, porque aparentam aos volumes ser mais leve ou pesado. A cor
modi�ica a iluminação, pois pode absorver uma cor e re�letir outra, assim como a temperatura, dando a sensação de
quente ou frio. Confere simbolismo às cores quando as relaciona à tradição, e por �im, se re�lete na emoção ao se associar
ao nosso psiquismo.
VOCÊ QUER LER?
Você sabe o que são os pigmentos minerais e para que servem? Muitos eram usados
antigamente por artistas e até para fabricação de produtos de maquiagem. Conheça
um pouco mais sobres minerais no site do Serviço Geológico do Brasil (CPRM),
disponıv́el em: .
VOCÊ SABIA?
Pieter Cornelis Mondrian foi um pintor neerlandês modernista, criador do 
movimento artıśtico neoplasticismo. Foi colaborador da revista De Stijl na primeira
década do século XX. Trabalhava em suas obras com a simpli�icação das formas e
das cores, tentando dar a seus quadros um certo equilıb́rio. Em seu momento de
abstração passou a pintar traços �inos horizontais e verticais. Suas cores principais
eram o vermelho, o amarelo, o azul e o preto. Conheça mais sobre suas obras e de
muitos outros artistas em . 
http://www.cprm.gov.br/publique/Redes-Institucionais/Rede-de-Bibliotecas---Rede-Ametista/Canal-Escola/Pigmentos-Minerais-1263.html?UserActiveTemplate=&from_info_index=31
https://artsandculture.google.com/search?q=mondrian
1.3 Círculo cromático 
Você já pensou em como poderia ser representada a cor para que todos pudessem entender suas nuances e combinações?
Como artista, você em seu atelier realizará algumas misturas e precisa registrar como elas foram feitas. Assim surgiu o
Cı́rculo cromático. Ele é uma representação grá�ica ordenada em relação a harmonia e o contraste. E� constituı́do das cores
primárias ou simples, dando origem às cores secundárias, terciárias e assim por diante. Através deles podemos realizar
combinações de cores para realização de projetos. Os cı́rculos cromáticos mais conhecidos são os CMYK, o RGB e o RYB.
Acima temos um cı́rculo cromático CMYK, no qual as cores primárias Ciano, Magenta e Amarelo dão origem as outras cores.
Podemos ver também as cores em escala de valor mais claras mais ao centro e mais escuras nas bordas. Esta escala é dada
pelo acréscimo de preto e branco nas respectivas cores. 
Figura 8 - A partir do cı́rculo cromático CMYK podemos obter uma in�inidade de cores e o pro�issional poderá analisar
facilmente suas escolhas.
Fonte: Albachiaraa, Shutterstock, 2019.
1.3.1 Cor Luz e cor pigmento; cores primárias e secundárias; cores complementares e
análogas.
Como já sabemos, as cores não existem sem luz, neste sentido podemos dizer que as tonalidades de luz podem modi�icar as
tonalidades das cores. 
As cores luz, red,	green e blue	ou seja, vermelho, verde e azul, representadas pelas siglas RGB são utilizadas em dispositivos
eletrônicos, como máquinas fotográ�icas, computadores e TVs. Utilizamos o sistema RGB que possui as três cores
primárias: red,	green e blue. A imagem da tela de computador é formada através de pequenos pontos coloridos, em que as
cores primárias com mais ou menos intensidade juntam-se, formando as mais variadas cores. 
A sı́ntese aditiva é um fenômeno onde somam-se radiações de comprimento de ondas variados sobre uma tela branca, na
qual se pode perceber uma luz clara. Então, para se obter a luz branca, basta três feixes luminosos nas cores vermelho, verde
e azul-violeta sobrepostos. As cores compostas derivadas das cores primárias são: amarelo, ciano e magenta.
 “Cores-luz são as que provêm de uma fonte luminosa direta, estudadas mais detidamente na área da Fı́sica [...]. Em mistura
óptica equilibrada,tomadas duas a duas, essas cores produzem as secundárias: magenta, [...] amarelo, [...] ciano [...]. A
mistura proporcional das cores-luz produz o branco, em sı́ntese denominada aditiva” (PEDROSA, 2008, p. 28).
Misturas aditivas são conseguidas a partir da adição de mais cor, ou seja, mais luz, logo as cores resultantes serão mais
vı́vidas. As cores secundárias se originaram a partir das cores vermelho, verde e azul. Clique e veja como isso acontece.
Quando falamos de cor luz, falamos também de ondas radiação. O espectro visı́vel é o espectro magnético de radiação
composto por fótons que são capazes de sensibilizar o olho humano. Neste sentido, este espectro pode ser dividido em
faixas de acordo com o comprimento da onda. Este comprimento está diretamente ligado a cor. Algumas cores são
identi�icáveis ao olho humano e outras não. 
Vermelho + Verde =
Vermelho + Azul = 
Azul + Verde = 
Amarelo.
Magenta.
Ciano.
Cyan ou ciano é o nome dado a cor azul-verde que tem o comprimento de onda dominante igual a 495 milimicrons Amarelo
é o nome da cor com comprimento de onda dominante igual a 574 milimicrons.
Concluindo, a cor depende do comprimento da onda, sendo essencialmente luz. Neste sentido o termo cor corresponde ao
termo cor-luz. Sendo assim, na sı́ntese aditiva, as cores simples vermelho, verde e azul-violeta, correspondem as cores
primárias. As luzes são chamadas complementares quando as junções formam a luz branca, ou acromática. 
Todas as cores que não percebemos estão presentes na luz branca. Sua dispersão da luz, origina o fenômeno do
cromatismo. A luz branca, o branco que percebemos, é, portanto, acromático, isto é, não ter cor. O mesmo
diremos do preto, que representa a absorção total de todas as cores, a negação de todas elas. (FARINA, 2006, p.
78).
Existem cores que não são perceptı́veis ao olho humano e também surgem a partir da decomposição da luz branca. 
As cores primárias adicionadas às suas cores complementares ao serem misturadas formam a cor branca.
Luz Verde + Luz Magenta = Luz Branca 
Luz Azul Violeta + Luz Amarela   = Luz Branca 
Luz Vermelha + Luz Ciano = Luz Branca    
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CASO
Uma professora de artes queria explicar aos alunos sobre a cor-luz, então pediu
ao professor de fıśica algumas orientações, propondo um projeto interdisciplinar.
Ele solicitou à professora alguns objetos para realização da aula prática:
Em uma sala escura realizaram os experimentos com os alunos. Com a ajuda de
três voluntários, pediu que eles incidissem as luzes sobre a cartolina branca. Cada
lanterna tinha em sua passagem de luz uma folha colorida. A professora pediu
que o aluno que estava com a luz vermelha incidisse sobre a luz verde. O
resultado foi, assim, na cor amarela, depois da verde com a azul, resultando a cor
ciano e por último a cor azul com vermelho, resultando na cor magenta. Para
terminar a experiência, a professora pediu a junção das três luzes coloridas. Os
alunos �icaram surpresos pois a cor resultante da junção foi branca. Assim, a
professora pôde apresentar na prática para os alunos a teoria da cor luz no
sistema RGB. 
três lanternas;
folhas de papel celofane nas cores verde, azul e vermelha;
Uma cartolina branca. 
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As	 cores	 pigmento	 são substâncias corantes, possuem um poder seletor sobre todas as radiações luminosas que as
atingem. Como já vimos, as cores primárias são ciano, magenta, e yellow, representadas pela sigla CMY, também chamadas
de cores simples ou básicas. Ao misturar estas três cores obtemos uma espécie de marrom bem escuro e não o preto. A
partir daı́ tornou-se necessário, até por uma questão de economia no meio grá�ico, acrescentar a cor próximo ao preto,
representada pela letra K que signi�ica	Key	Color. Transformando a sigla em CMYK.
O fenômeno fı́sico de absorção da radiação, seja ela total ou parcial, chama-se sı́ntese subtrativa. As cores básicas e não
primárias são o amarelo, ciano e o magenta. Misturas subtrativas são obtidas através da diminuição da luz, a partir das
misturas das cores primárias CMYK, obteremos as cores secundárias tendendo ao escuro, ao preto, como mostrado no
esquema abaixo.
Ciano + magenta = azul violetado
Magenta + amarelo = vermelho
Amarelo + ciano = verde
A partir das cores primárias com as secundárias obteremos as cores terciárias.
Magenta + azul violetado = violeta  
Amarelo + vermelho = laranja
Ciano + verde = verde azulado
Magenta + vermelho = vermelho violetado
Amarelo + verde = amarelo esverdeado
Verde + ciano = verde azulado
As cores	complementares são aquelas que quando misturadas resultam em branco. Surgem da combinação de uma cor
secundária e uma cor primária ou básica, sendo o resultado da junção destas duas cores o preto, no caso da cor pigmento, e
o branco, no caso da cor luz. As cores complementares trazem harmonia, formam pares, uma completa a outra.
As cores simples, amarelo, cyan e magenta, “cores básicas” que juntas, absorvem todas as radiações luminosas
da luz branca incidentes, resultam no preto. As cores compostas, vermelho, verde e azul-violeta, são derivadas
da mistura de duas cores básicas de cada vez. As cores complementares, analogamente a sı́ntese aditiva, são as
próprias cores compostas. Combinando qualquer uma dessas com a cor básica (BAER, 2006, p. 83). 
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As cores que aparecem lado a lado no cı́rculo de cores são chamadas análogas, são usadas para dar sensação de
uniformidade e consideradas cores elegantes. Elas compartilham uma mesma cor básica. As cores análogas do ciano são o
azul, azul violetado e violeta.
As cores	 quentes passam a sensação de calor, são aquelas a partir do vermelho e amarelo, representam na natureza a
energia, o sol, ao fogo. Seu comprimento de onda é maior em relação as outras cores. Sinestesicamente, esta cor nos
transmite duas sensações: a visual e a sensação tátil. Sinestesia é o fenômeno neurológico que produz duas sensações ao
mesmo tempo. Geralmente as crianças têm uma sensibilidade maior às cores quentes, enquanto os idosos as cores frias.
Propagandas comerciais infantis usam deste recurso para atraı́rem as crianças. 
As cores	frias são aquelas produzidas a partir do azul, elas representam na natureza a calma, o gelo, a água etc. Já as cores
neutras são aquelas produzidas a partir do branco e do preto. 
Figura 9 - Por meio dos esquemas cromáticos o pro�issional que usará as cores pode fazer suas escolhas de forma mais
consciente.
Fonte: Ksanagraphica, Shutterstock, 2019.
As cores luz e as cores pigmento são muito utilizadas para a criação de produtos e sua divulgação. O conhecimento do
cı́rculo cromático é de suma importância para os designers.
VOCÊ QUER LER?
A partir de indagações como “As cores podem in�luenciar no ambiente de trabalho?
Qual o papel das cores em nossa vida? Como a percebemos? Qual a ação delas nos
ambientes, alimentação, vestuário?” as pesquisadoras Maria de Fátima Mendes de
Azevedo, Michelle Steiner do Santos e Rúbia de Oliveira produziram o artigo “O uso da
cor no ambiente de trabalho: uma ergonomia da percepção”. Você pode acessar o
artigo no link .
1.4 Simbologia das cores 
Um dos elementos fundamentais para a nossa comunicação é a cor, pois ela pode transmitir sensações que resultam em
vários sentimentos. A resposta a estas sensações dependerá da cultura, havendo uma diferença principal entre a cultura
oriental e ocidental. Para estudar a simbologia das cores é necessário compreender a grande in�luência da cultura na
percepção visual. O espaço e o tempo podem modi�icar a percepção das cores. 
Neste sentido, os códigos de comunicação irão variar de acordo com os aspectos culturais. De acordo com Eva Heller
(2013), os designers, os arquitetos, os artistas precisam saber como as cores afetam as pessoas. Elaainda diz que é
necessário o conhecimento para criação de produtos. Em que consiste o efeito causado pelas cores e qual seu signi�icado?
Eles mudam de acordo com a contextualização. O que são as cores psicológicas? Acompanhe a seguir!
1.4.1 Aspectos gerais da Cor como elemento de linguagem 
Desde a pré-história, o homem utiliza de pigmentos para realizar pinturas e através delas comunicar. Três pigmentos eram
utilizados: o ocre, o manganês e o amarelo, tirado da terra da gruta. Nas cavernas de Altamira, além dos pigmentos eram
trabalhados tons e luz e sombra, revelando uma certa sensibilidade. Estes desenhos tinham signi�icados mı́sticos, tendo as
cores um caráter mágico e simbólico. As cores são utilizadas como elemento de linguagem. Descubra como isso acontece
clicando a seguir. 
Os atributos fı́sicos da cor nos objetos, também estão ligados aos aspectos culturais e sociológicos. Teorias
psicológicas explicam que os aspectos socioculturais podem in�luenciar na percepção das cores. Então,
compreender a percepção humana das cores passa pelo simbólico. 
Experiências sociais, culturais e psicológicas in�luenciam na forma de ver a cor, sendo assim elas podem nos
transmitir impressões diversas. Por exemplo o vermelho pode nos transmitir paixão, como também ódio e
violência. 
https://docs.ufpr.br/~monica.anjos/artigos/05_cores_ambiente.pdf
Ao se projetar um produto, precisamos ter em mente quem é o nosso público-alvo e qual sentimento queremos causar,
principalmente no quesito cores. Importante também levar em consideração aspectos regionais e de estação para a criação e
desenvolvimento de coleção de moda. “O poder de atração e o fascı́nio que a cor exerce atuam diretamente na sensibilidade
humana, atingem a parte motivacional, levam o indivı́duo a reagir, e este realiza um desejo despertado improvisadamente,
através da aquisição. “ (FARINA, 2006, p. 181). 
Algumas cores são mais utilizadas em uma estação do que outra, principalmente por aspectos fı́sicos. O preto por exemplo é
pouco utilizado no verão devido a sua absorção da luz.
De acordo com Heller (2013), as pessoas que trabalham com cores, como os artistas, os cromoterapeutas, os designers
grá�icos ou de produtos industriais, os arquitetos de interiores, os conselheiros de moda, necessitam saber de como as
cores afetam as pessoas, tendo as cores efeitos universais. 
“O mesmo vermelho pode ter efeito erótico ou brutal, nobre ou vulgar.” (HELLER, 2013, p. 21). A autora traz em seu livro a
psicologia das cores um estudo com os signi�icados mais comuns que você poderá conferir clicando a seguir.
Questões culturais podem fazer com que as cores ganhem signi�icados diferentes, como por exemplo a cor
branca, que para nós signi�ica paz e para alguns povos orientais signi�ica luto. Dentro desta premissa e de
acordo com estudos realizados, podemos de�inir alguns signi�icados das cores mais conhecidas e usadas,
porém deve-se levar em conta que tais signi�icados podem adquirir novas vertentes de acordo com o tempo,
lugar e espaço. 
A cor produz sobre a alma humana um efeito especı́�ico, sempre de�inido e signi�icativo, que se radica
intimamente na esfera moral e, considerada como elemento de Arte, pode colocar-se a serviço dos mais
elevados �ins estéticos. (Goethe apud PEDROSA, 2008, p.119).
VOCÊ O CONHECE?
Vincent Van Gogh, nascido em 30 de março de 1853, é considerado um dos maiores
pintores holandeses e, ao lado de Rembrandt, explorou as tonalidades de amarelo de
uma forma muito intensa, era uma das suas cores favoritas e sobre ela disse: “O
amarelo é uma cor capaz de encantar a Deus”. Quer conhecer mais sobre suas obras?
Visite o museu virtual de Amsterdam 
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https://artsandculture.google.com/partner/van-gogh-museum
O azul vai bem em todas as ocasiões, em todas as estações. E� uma cor fria de efeito calmante, indicado para
dormitórios. E� a cor da compreensão mútua. Não existe sentimento negativo em que o azul predomine. Ela é uma
cor querida, considerada a cor do divino, a cor do céu – A cor da eternidade.
O vermelho tem signi�icados universais. De acordo com Heller (2013), o vermelho está ligado ao amor e aos
afetos. “O simbolismo do vermelho está marcado por duas vivências elementares: o vermelho é o fogo e o
vermelho é o sangue” (HELLER, 2013, p. 21). 
Amarelo corresponde à iniciativa e tomada de decisões. Essa cor ajuda a estimular várias funções corporais.
Laranja demonstra vontade de agir, é uma cor que transmite entusiasmo com vivacidade impulsiva e natural.
Também transmite vitalidade, criatividade e alegria, assim como con�iança e coragem. A cor laranja sugere uma
atitude autoritária ou esmagadora. “Dentre as poucas caracterı́sticas em que a primeira cor que nos ocorre é o
laranja está seu caráter penetrante, intrusivo” (HELLER, 2013, p. 340). A cor ainda está associada ao
descontentamento. De acordo com Heller (2013), a cor laranja é a cor complementar do azul. Azul é a cor da
re�lexão e do silêncio e do espiritual, no seu oposto temos, o laranja, representando as qualidades opostas. “Van
Gogh disse: “Não existe laranja sem azul” – com isso ele quis dizer que o modo de o laranja atuar com mais força
é quando ele vem acompanhado do azul. Quanto mais intenso o azul, mais escuro ele é. Quanto mais intenso o
laranja, mais radioso.” (HELLER, 2013, p. 339)
Verde indica adaptação ao ambiente. A cor está relacionada a adaptabilidade e generosidade. Essa cor atua como
um sinal para a renovação da vida e sua vibração. “O verde é uma ideologia, um estilo de vida: consciência
ambiental, amor à natureza, ao mesmo tempo a recusa a uma sociedade dominada pela tecnologia”. (HELLER,
2013, p. 191).
Violeta é a cor dos sentimentos ambivalentes. Formada do azul com o vermelho, re�lete dignidade, nobreza e
respeito próprio. A cor violeta está ligada à energia psı́quica e à intuição. “Em nenhuma outra cor se unem
qualidades tão opostas como no violeta: é a união do vermelho e do azul, do masculino e do feminino, da
sensualidade e da espiritualidade. A união dos opostos é o que determina a simbologia da cor violeta.” (HELLER,
2013, p.360).
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Azul
Vermelho
Amarelo
Laranja
Verde
Violeta
Alguns termos são muito utilizados no dia-a-dia. Quem nunca ouviu falar em �icar verde de fome, ou que alguém amarelou
ou que está tudo azul, quando tudo está bem. Muitos estudos são realizados principalmente por arquitetos e publicitários
para escolha da cor correta de acordo com os ambientes.
Para aprender mais sobre como as cores são vistas por outras culturas e seus signi�icados, assista ao vı́deo abaixo.
Como você pode perceber a simbologia das cores sofre in�luências da cultura. Ao usar a cor o pro�issional precisa
considerar quais as sensações serão provocadas, quais emoções serão atingidas, e que tipo de comunicação a cor traz
consigo.
VOCÊ QUER VER?
Os �ilmes do diretor Akira Kurosawa são obras de arte conhecidas mundialmente.
Conhecido como o mestre das cores, criou vários �ilmes com cores vibrantes. Assista o
�ilme Sonhos	(1990) para entender os aspectos culturais, simbólicos e psicológicos das
cores. Mergulhe no �ilme e se deixe levar pelas belas imagens. 
Síntese
Chegamos ao �inal do capı́tulo e vimos como se forma e como percebe-la, seus conceitos básicos e como ela nos afeta. 
Neste capı́tulo, você teve a oportunidade de:
compreender que a cor não tem existência própria. Ela precisa da luz como
estímulo e do órgão da visão para ser sentida, e só então a sua percepção
acontece no cérebro; 
analisar como pensadores entenderam a cor e qual a influência de suas
teorias, que reuniram óptica, física, química, fisiologia, filosofia e psicologia;
verificar que os estímulos são divididos em dois grupos, a cor luz e a cor
pigmento, sendo fundamental entender que a mistura de cor luzresulta em
branco e a da cor pigmento chega-se ao preto;
entender que a percepção está sujeita a aspectos que alteram a qualidade
do que se vê, sob parâmetros de matiz, valor e saturação da cor;
reconhecer as cores complementares, análogas, primárias, secundárias;
compreender que o sistema CMYK é utilizado para impressões; 
verificar como a cultura e simbologia das cores nos remetem ao uso focado
em determinados objetivos.
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Bibliografia
ALBUQUERQUE, M. Laboratório	de	cor: paradigmas do estudo da cor na contemporaneidade. 2013. Dissertação (Mestrado
em Artes) – Universidade Federal de Minas Gerais, Programa de Pós-Graduação em Artes, Belo Horizonte, 2013. 
AZEVEDO, M. F. M.; SANTOS, M. S.; OLIVEIRA, R. O uso da cor no ambiente de trabalho: uma ergonomia da percepção.
Ensaios de Ergonomia: Revista	Virtual	de	Ergonomia. Florianópolis: UFSC, jun. 2000.
BAER, L.	Produção	Grá�ica. 6. ed. São Paulo: Senac, 2006
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Distribuidora de Livros Ltda., 2015.
GUIMARA� ES, L. A	cor	como	informação. 3. ed. São Paulo: Annablume, 2004. 
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MOÇA com brinco de peróla. Direção de Peter Webber. Roteiro: Olivia Hetreed. Reino Unido e Luxemburgo. Imagem Filmes,
2004. (100min).
MONDRIAN, P. Arts & Culture. Disponı́vel em: . Acesso em: 16/01/2019. 
NETO, E. P. Cor	e	iluminação	nos	ambientes	de	trabalho. São Paulo: Livraria Ciência e Tecnologia Editora, 1980.
PEDROSA, I. Da	cor	à	cor	inexistente.	São Paulo: Senac, 2008.
RAMBAUSKE, A. M. Decoração	e	design	de	interiores:	teoria das cores. Campinas: Unicamp, 2000.
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SONHOS. Direção e produção: Akira Kurosawa. Estado Unidos e Japão. Apresentação de Steven Spielberg, Estúdio Warner, v.
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VAN GOGH MUSEUM. Arts & Culture. Disponı́vel em: . Acesso em: 16/01/2019.
http://www.cprm.gov.br/publique/Redes-Institucionais/Rede-de-Bibliotecas---Rede-Ametista/Canal-Escola/Pigmentos-Minerais-1263.html?UserActiveTemplate=&from_info_index=31
https://artsandculture.google.com/search?q=mondrian
https://phet.colorado.edu/sims/html/color-vision/latest/color-vision_pt_BR.html
https://artsandculture.google.com/partner/van-gogh-museum