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CONTABILIDADE APLICADA 
AULA 6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Rafaela Novaski Morges 
 
 
 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Nosso percurso de aprendizagem nos proporcionou muitos 
conhecimentos, não é mesmo? Partimos das origens da contabilidade até 
chegar em suas principais demonstrações obrigatórias, observando também as 
informações que são geradas pela contabilidade e que são de extrema 
importância para a tomada de decisão empresarial. 
Para fechar com chave de ouro, na aula de hoje, vamos falar sobre dois 
temas muito importantes: a avaliação de estoques e a depreciação. Antes de 
começarmos nossa aula, gostaríamos de lhe fazer algumas perguntas: 
• Você sabe o que é avaliação de estoques? 
• Conhece a diferença entre os métodos de avaliação PEPS, UEPS e 
MPM? 
• Sabe o que é depreciação e como realizar seu cálculo? 
Acompanhe os conteúdos desta aula para que, ao final de sua leitura, 
você possa responder esses questionamentos. 
TOP – AVALIAÇÃO DE ESTOQUES 
Você sabe o que são os estoques de uma empresa? Nas primeiras aulas 
desta disciplina, você aprendeu as principais contas contábeis existentes em 
uma companhia. Lembra que uma das contas do ativo circulante se chamava 
estoques? Pois bem, é sobre os itens contidos nessa conta que vamos falar hoje. 
 
Crédito: WindAwake/Shutterstock. 
 
 
3 
Os estoques, segundo Luz (2015), são um dos maiores investimentos 
realizados em uma empresa, se compararmos ao total de recursos investidos 
pela empresa, tanto em indústrias como em comércios. 
Quando estão no ativo, os estoques podem ser representados por 
matérias-primas, estoque de produtos acabado, estoque de produtos em 
processo, ou então estoque de mercadorias. Quando esses estoques são 
consumidos, ou vendidos, eles se transformam em custos e são contabilizados 
na demonstração do resultado de acordo com o princípio da competência. O 
valor que é contabilizado como custo dependerá do critério utilizado para o 
controle de entradas e saídas de estoque ou de qual modelo de inventário é 
utilizado. 
 
Crédito: Koonsiri Boonnak/Shutterstock. 
Saiba mais 
Quer se aprofundar na temática estoques? Então, acesse o CPC 16 (R1) 
pelo link a seguir e conheça mais sobre o assunto. Disponível em: 
. 
Acesso em: 7 out. 2020. 
Existem duas formas de controlar contabilmente os estoques e, 
consequentemente, o custo das mercadorias vendidas: o inventário periódico e 
o inventário permanente (Muller, 2014). 
 
 
 
4 
1.1 Inventário periódico 
No método periódico, o custo da mercadoria vendida é apurado no final 
de cada exercício ou período contábil. O montante de estoque é calculado, 
periodicamente, por meio do levantamento físico do estoque (Muller, 2014). 
Para tanto, a empresa precisa, primeiramente, realizar o levantamento 
do valor do estoque inicial, que é representado pelo valor do estoque final do 
período anterior. Após fazer esse levantamento, deve-se somar a esse valor 
compras efetuadas no período e diminuir o das unidades que ainda 
permaneceram no estoque, para então encontrar o estoque final (Luz, 2015). 
De forma mais prática, para compreender o cálculo dos custos das 
mercadorias ou produtos vendidos, temos a seguinte relação: 
CMV = EI + C – EF 
Em que: 
• CMV = custo das mercadorias vendidas; 
• EI = estoque inicial; 
• C = compras; 
• EF = estoque final. 
1.2 Inventário permanente 
O inventário permanente é um dos mais comumente utilizados, eles são 
aplicados àquelas empresas que têm sistemas integrados de gestão que 
permitem o controle da movimentação dos estoques. Ou seja, são realizados 
permanentemente o controle dos estoques disponíveis (Luz, 2015; Muller, 2014). 
No caso do inventário permanente, quando a mercadoria é vendida, os 
lançamentos já são automaticamente realizados, credita-se os estoques, e 
debita-se os custos dos produtos vendidos. 
Para ilustrar o funcionamento do controle de estoques pelo método 
periódico, Muller (2014) apresenta a seguinte tabela: 
 
 
 
5 
Tabela 1 – Controle de estoques pelo método periódico 
Descrição Valor 
Estoque inicial $ 1.200 
Compras $ 3.000 
Estoque final (apurado pelo inventário físico por ocasião do 
encerramento do exercício) ($ 1.500) 
Custo das mercadorias vendidas $ 2.700 
O lucro da empresa seria de: 
Venda $ 3.600 
Custo das mercadorias vendidas $ 2.700 
Lucro do exercício $ 900 
 
Fonte: Muller, 2014. 
Mas como controlar as entradas e saídas do estoque, seus valores e 
quantidades? Você já percebeu que em determinadas situações um mesmo 
produto pode apresentar valores diferentes? Em consequência disso, muitos 
contadores enfrentam problemas para determinar os custos dos produtos. Para 
facilitar esse trabalho, foram determinados alguns métodos para controle dos 
estoques, os quais serão apresentados na sequência (Muller, 2014). 
ROLÊ 1 – MÉTODO PRIMEIRO QUE ENTRA, PRIMEIRO QUE SAI (PEPS) 
No método PEPS, como o próprio nome diz, as primeiras mercadorias 
compradas devem ser as mesmas a ser vendidas, ou seja, a primeira que entra 
é a primeira que sai. A suposição desse método é a de que estoque mais antigo 
serão, em geral, o primeiro a ser vendido. Esse método também tende a 
acompanhar as tendências de mercado (Muller, 2014). 
Entretanto, em muitos casos, o método PEPS não se aplica ao controle 
das unidades físicas dos produtos, mas sim ao valor que será atribuído às 
unidades baixadas, o que faz com que os estoques sejam sempre avaliados 
pelas aquisições mais recentes (Luz, 2015). 
Para ilustrar com um exemplo, vamos imaginar uma loja de camisas que 
teve as seguintes movimentações de estoque: 
• 01/01/x1 – compra de 50 camisas ao valor de 50 reais cada; 
• 01/02/x1 – venda de 10 camisas ao valor de 105 reais cada; 
• 01/02/x1 – compra de 40 camisas ao valor de 45 reais cada; 
• 01/03/x1 – venda de 50 camisas ao valor de 105 reais cada. 
 
 
6 
Para as transações descritas, a ficha de estoque, pelo método do PEPS, 
poderia ser apresentada da seguinte maneira: 
Tabela 2 – Ficha de controle de estoque – PEPS 
Ficha de Controle de Estoque – PEPS 
 Entradas Saídas Saldo 
DATA Qtd. Preço 
unitário 
Total Qtd. Preço 
unitário 
Total Qtd. Preço 
unitário 
Total 
01/01/x1 50 R$ 50,00 R$ 2.500,00 50 R$ 50,00 R$ 2.500,00 
01/02/x1 10 R$ 50,00 R$ 500,00 40 R$ 50,00 R$ 2.000,00 
01/02/x1 40 R$ 40,00 R$ 1.600,00 40 R$ 50,00 R$ 2.000,00 
 40 R$ 40,00 R$ 1.600,00 
01/03/x1 40 R$ 50,00 R$ 2.000,00 0 R$ 0,00 R$ 0,00 
 10 R$ 40,00 R$ 400,00 30 R$ 40,00 R$ 1.200,00 
Fonte: Morges, 2020. 
Observando a movimentação apresentada na ficha de controle de 
estoque, é possível perceber que os itens são retirados do estoque conforme 
sua ordem de entrada (primeiro que entra, primeiro que sai). 
Observe também que os valores da coluna saída são utilizados conforme 
o custo histórico de entrada dos produtos e não pelo preço pago pelo cliente na 
venda. Portanto, no caso da venda do dia 01/03/x1 o valor total de saída é de R$ 
2.400,00 reais (custos), e o valor de venda é R$ 5.250 reais (receita). 
ROLÊ 2 – MÉTODO ÚLTIMO QUE ENTRA, PRIMEIRO QUE SAI (UEPS) 
O critério do UEPS é o inverso do método anterior PEPS, pois essa 
metodologia considera que a baixa dos estoques é realizada de acordo com o 
valor das últimas unidades adquiridas. Dessa forma, como adverte Luz (2015, p. 
81), “em uma economia, com algum nível de inflação”, o custo das mercadorias 
será “maior que o critério anterior, permanecendo no estoque as primeiras 
unidades adquiridas”. 
É importante que você saiba que o método UEPS não é aceito para efeitos 
fiscais, uma vez que esse método causa a diminuição do lucro. Contudo, ele 
pode ser empregado para fins de análises gerenciais (Luz, 2015). 
Para ilustrar a situação, vamos utilizar o exemplo da atividade anterior, 
porém, realizando o controle do estoquepelo método UEPS. 
 
 
 
7 
Tabela 3 – Ficha de controle de estoques – UEPS 
Ficha de Controle de Estoque – UEPS 
 Entradas Saídas Saldo 
DATA Qtd. Preço 
unitário 
Total Qtd. Preço 
unitário 
Total Qtd. Preço 
unitário 
Total 
01/01/x1 50 R$ 50,00 R$ 2.500,00 50 R$ 50,00 R$ 2.500,00 
01/02/x1 10 R$ 50,00 R$ 500,00 40 R$ 50,00 R$ 2.000,00 
01/02/x1 40 R$ 40,00 R$ 1.600,00 40 R$ 50,00 R$ 2.000,00 
 40 R$ 40,00 R$ 1.600,00 
01/03/x1 40 R$ 40,00 R$ 1.600,00 0 R$ 0,00 R$ 0,00 
 10 R$ 50,00 R$ 500,00 30 R$ 50,00 R$ 1.500,00 
Observando a movimentação apresentada na ficha de controle de 
estoque, é possível perceber que os itens são retirados do estoque conforme 
sua última entrada. 
TRILHA 1 – MÉTODO MÉDIA PONDERADA MÓVEL (MPM) 
O método da média ponderada móvel é o mais comumente utilizado e 
consiste na “média entre o saldo final em reais dividido pelo saldo físico de 
estoque” (Luz, 2015, p. 81). 
A ficha de controle de estoques a seguir demonstra um exemplo de como 
realizar o cálculo por meio da média ponderada móvel. 
Tabela 4 – Ficha de controle de estoque – MPM 
Ficha de Controle de Estoque – MPM 
 Entradas Saídas Saldo 
DATA Qtd. Preço 
unitário 
Total Qtd. Preço 
unitário 
Total Qtd. Preço 
unitário 
Total 
01/01/x1 50 R$ 50,00 R$ 2.500,00 50 R$ 50,00 R$ 2.500,00 
01/02/x1 10 R$ 50,00 R$ 500,00 40 R$ 50,00 R$ 2.000,00 
01/02/x1 40 R$ 40,00 R$ 1.600,00 80 R$ 45,00** R$ 3.600,00* 
01/03/x1 50 R$ 45,00 R$ 2.250,00 30 R$ 45,00 R$ 1.350,00 
* (=2.000 + 1.600) 
**(= 3.600/80 = 45,00) 
4.1 Escolha do melhor método 
Qual o melhor método para o controle de estoque da minha empresa? 
Muito bem, para a escolha do método de controle de estoque, é preciso levar em 
consideração os custos e os saldos finais que cada método apresenta. Nos 
exemplos citados, os custos e os saldos finas foram: 
 
 
8 
Tabela 5 – PEPS, UEPS e MPM 
 PEPS UEPS MPM 
Saldo final 1.200 1.500 1.350 
Custo 2.900 2.600 2.750 
Nesse sentido, a empresa precisa verificar qual controle de estoque está 
lhe trazendo a melhor informação para a tomada de decisão, lembrando que o 
método UEPS pode ser utilizado apenas para fins gerenciais. 
TRILHA 2 – DEPRECIAÇÃO 
Como você aprendeu nas aulas anteriores, outro grupo de contas que 
compõe o ativo é o ativo imobilizado. Os elementos que formam esse grupo, por 
sua própria natureza, apresentam uma vida útil determinada (Muller, 2014). 
O objetivo do cálculo da depreciação, amortização e exaustão é 
reconhecer contabilmente os custos dos valores investidos nesses ativos, na 
medida em que eles ocorrem, levando em consideração o princípio da 
competência (confronto de despesas e receitas no período de seu fato gerador) 
(Muller, 2014). 
 
Crédito: William Potter/Shutterstock. 
Confira a seguir a definição dos termos depreciação, amortização e 
exaustão: 
Quadro 1 – Depreciação, amortização e exaustão 
 
 
9 
Lei n. 6.404/76 Definição 
Depreciação “Perda de utilidade por uso, ação da natureza ou 
obsolescência”. 
 
Amortização “Corresponde à perda do valor do capital aplicado na 
aquisição de direitos da propriedade industrial ou comercial 
e quaisquer outros com existência ou exercício de duração 
limitada, ou cujo objeto sejam bens de utilização por prazo 
legal ou contratualmente limitado”. 
Exaustão “Perda do valor correspondente à extração de recursos 
minerais ou florestais, de bens aplicados nessa 
exploração”. 
 
Fonte: Lei n. 6.404/1976. 
Saiba mais 
Confira o CPC 4, que explica as principais características do ativo 
intangível. Disponível em: 
. Acesso em: 
7 out. 2020. 
5.1 Taxas de depreciação 
Segundo Luz (2015), as taxas de depreciação, amortização e exaustão 
variam de acordo com o tempo de vida útil estimada do ativo. Contudo, a maioria 
das organizações utiliza os percentuais estimados pela Receita Federal, que 
consideram as seguintes taxas: 
Tabela 6 – Taxa de depreciação 
Ativo Vida útil Taxa de depreciação 
Imóveis exceto terrenos 25 anos 4% a.a. 
Instalações, móveis, utensílios 10 anos 10% a.a. 
Veículos 5 anos 10% a.a. 
Saiba mais 
 
 
10 
Confira a lista com as taxas de depreciação definidas pela Receita 
Federal. Disponível em: 
. Acesso em: 7 out. 2020. 
5.2 Método de depreciação 
Para escolher o método de depreciação mais adequado para a empresa, é 
preciso analisar qual metodologia melhor reflete os desgastes sofridos pelo ativo 
imobilizado (CPC, 2009). 
O método mais utilizado é o linear, que aplica taxas constantes durante a 
via útil do bem, porém, também existem outros métodos, como a soma dos 
dígitos e o método do saldo decrescente. Além disso, a depreciação pode ser 
normal ou acelerada, dependendo de como o ativo é utilizado (Luz, 2015). 
Por exemplo, se o ativo imobilizado é utilizado em apenas um único turno, 
se utiliza a taxa normal. Caso o ativo passe a ser utilizado em dois turnos, a taxa 
deve ser multiplicada por 1,5, se for utilizada por três turnos, será aplicada a taxa 
multiplicada por 2,0 (Luz, 2015). 
E como realizar o cálculo da depreciação? Pois bem, esse cálculo é muito 
simples, basta você encontrar a vida útil do ativo saber a taxa de depreciação, 
depois disso, basta multiplicar a taxa pelo valor do ativo que está sendo 
depreciado. 
Acompanhe o exemplo: 
Tabela 7 – Cálculo da depreciação 
Bem Percentual Valor 
do bem 
Depreciação 
anual 
Depreciação 
mensal 
Veículo 20% 20.000 4.000 333,3333 
Edificações 4% 500.000 20.000 1.666,667 
Móveis e utensílios 10% 10.000 1.000 83,33333 
Total 
 
530.000 25.000 
 
Fonte: Luz, 2015. 
Para que esses valores sejam reconhecidos na contabilidade, basta 
realizar os seguintes lançamentos: 
• Débito – despesa com depreciação; 
• Crédito – depreciação acumulada (ativo). 
 
 
11 
ELO 
Na aula de hoje, você aprendeu sobre a importância do inventário nas 
organizações, os principais métodos de controle de estoque – o Primeiro que 
Entra, Primeiro que Sai (PEPS); o Último que Entra, Primeiro que Sai (UEPS); e 
a Média Ponderada Móvel (MPM). com os conteúdos aprendidos, você pode 
entender que é importante realizar o correto controle dos estoques. 
Por fim, falamos sobre a depreciação, que consiste no reconhecimento da 
desvalorização dos bens ao longo do tempo e de seu uso. Ainda, você aprendeu 
que os ativos intangíveis sofrem amortização, e os bens, como terrenos, 
reservas, jazidas, sofrem exaustão. 
Esperamos que os conteúdos que você aprendeu até aqui façam a 
diferença em sua vida profissional! Agora, aproveite para colocar seus estudos 
em prática e se destacar no mercado. Até mais! 
 
 
 
12 
REFERÊNCIAS 
BRASIL. Lei n. 6.404. de 15 de dezembro de 1976. Disponível em: 
. Acesso em: 21 
jun. 2020. 
CPC. Pronunciamento Técnico CPC 27. Ativo Imobilizado, 2009. 
LUZ, E. E. da; OLIVEIRA, A. C. L. de. Contabilidade geral das sociedades. 
Curitiba: Intersaberes, 2017. 
MÜLLER, A. N. Contabilidade básica: fundamentos essenciais. 5. reimp. São 
Paulo: Pearson Prentice Hall, 2014.

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