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Mente Afiada Extra - Ano 4, Nº 29 - Março, 2026
EXTRA
R$ 14,90
ALEGRIA, ALEGRIA, 
MEDO, MEDO, 
FOME, FOME, 
SONO...SONO...
Tudo isso é Tudo isso é 
controlado pela controlado pela 
nossa mente!nossa mente!
MUITO MUITO 
ALÉM ALÉM 
DO QIDO QI
A inteligênciaA inteligência
pode ser pode ser 
compreendidacompreendida
de diferentesde diferentes
maneirasmaneiras
ENTENDA MELHOR 
O SEU CEREBRO
Saiba mais sobre as funções que
promovem o conhecimento e a capacidade
de transformação desse órgão complexo
Piscamos e já estamos no mês de 
março! É engraçado como algumas 
vezes o tempo parece passar tão rá-
pido, outras tão devagar... Bom, essa 
percepção é causada pelo nosso cére-
bro: geralmente, o tempo passa mais 
rápido quando estamos entretidos, 
fazendo o que gostamos ou com pes-
soas que amamos. A todo momento o 
cérebro está liberando substâncias e 
colocando cada região do órgão para 
funcionar, causando sensações diver-
sas – e esse funcionamento pode afe-
tar o corpo todo, já que somos uma 
coisa só, interligada. Não é incrível 
a complexidade desse órgão vital? 
Para continuarmos falando sobre a 
mente e tudo o que acontece nela, é 
importante saber mais sobre a estru-
tura do cérebro, e é disso que vamos 
falar nesta edição. Boa leitura!
A Redação
Roberta Lourenço
rudzhan/Freepik
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OO
cérebro humano é o ór-
gão responsável pelo 
controle de todas as nos-
sas funções vitais. Contudo não 
é fácil para apenas um componente do cor-
po lidar com todas essas responsabilidades. 
É por isso que o sistema nervoso conta com 
diversos componentes que o auxiliam neste 
processo de gerenciamento das atividades. 
Veja a seguir como atuam em harmonia 
esses vastos procedimentos e entenda, de 
uma maneira simples e didática, como ocor-
re o funcionamento cerebral - desde suas mi-
De A a Z: conheça algumas partes do sistema 
nervoso e entenda o papel de cada uma
Uma jornada 
PELA MENTE
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Córtex cerebral: camada fina de subs-
tância cinzenta que reveste a massa branca 
do encéfalo. É uma das partes mais rele-
vantes do sistema nervoso central. Nes-
se local, as informações obtidas por todo 
o corpo são processadas e interpretadas.
Hipocampo: estrutura curvada presen-
te no sistema límbico fundamental na for-
mação da memória de curto e longo prazo.
Hipotálamo: área fundamental do siste-
ma nervoso responsável pelo gerenciamen-
to de diversas sensações do corpo humano 
relacionadas à sua homeostase (equilíbrio). 
Entre os sentimentos controlados pelo hi-
potálamo estão: sede, fome e sono.
Hipófise: essa pequena glândula – loca-
lizada na região central do cérebro – tem 
múltiplas funções no organismo. A principal 
delas é referente à regulação de alguns hor-
mônios, como do crescimento e da tireoide.
Lobo frontal: é uma das áreas em que 
o cérebro se subdivide. O lobo frontal inclui
algumas regiões importantes da cognição
humana, como a faixa motora e os campos
oculares frontais. Entre as funções mais im-
portantes contidas nesse local, estão a exe-
cução dos movimentos, a produção da fala
e o desenvolvimento do raciocínio lógico.
Lobo occipital: diferente dos outros lo-
bos, este possui a maioria de suas funções 
voltadas à visão. Sendo assim, quando 
ocorrem danos nessa área da mente, as 
lesões quase sempre provocam perda ou 
déficit visual.
croestruturas até quais transtornos impactam 
a mente e maneiras de controlá-los, seja por 
meio de medicamentos ou terapias alterna-
tivas. Confira:
Amígdala: região do cérebro com o forma-
to de uma amêndoa posicionada na porção 
anterior do lobo temporal. Exerce função im-
portante na regulação dos sentimentos, prin-
cipalmente o medo. Além de se relacionar 
com essa sensação, está associada ao ar-
mazenamento e à classificação de memórias.
Área de Broca: região localizada no lobo 
frontal do hemisfério esquerdo e responsá-
vel (conjuntamente associada a outras es-
truturas) pela articulação da fala. Leva esse 
nome em homenagem ao cientista que iden-
tificou as propriedades dessa área, o médi-
co francês Paul Broca.
Área de Wernicke: está posicionada na 
parte superior do lobo temporal esquerdo 
do encéfalo. Trabalha conjuntamente com a 
área de Broca e tem por função a identifica-
ção de palavras para realizar a articulação da 
fala. Recebe esse nome devido ao estudio-
so que a identificou, o neurologista alemão 
Karl Wernicke.
Bulbo ou medula oblonga: estrutura lo-
calizada no tronco cerebral que participa de 
funções automáticas do organismo, como 
respiração, digestão e frequência cardíaca.
Cerebelo: porção que fica entre o cérebro 
e o tronco cerebral. É o elemento responsá-
vel pela coordenação motora e o equilíbrio 
do corpo humano.
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FOTOS logika600/ Shutterstock Images
Lobo parietal: localizado posteriormente 
ao lobo frontal, superiormente ao lobo tem-
poral e anterior ao occipital. Essa região tem 
por responsabilidade a reunião das funções 
de recepção, interpretação e integração dos 
impulsos sensoriais primários recebidos 
pelo tálamo.
Lobo temporal: pode ser identificado 
nas regiões laterais do cérebro. Essa estru-
tura abriga as funções relacionadas à audi-
ção, às emoções e à memória.
Locus ceruleus: núcleo da formação reti-
cular do tronco cerebral humano. Tem impor-
tante função em elementos do organismo, 
como na regulação do ciclo sono-vigília, es-
tresse, ansiedade e pânico. Foi descoberto 
em 1786 pelo cientista francês Félix Vicq-
-d’Azyr. O nome Locus ceruleus deriva do la-
tim e significa “mancha azul”, devido à sua
coloração azulada observada microscopica-
mente.
Medula espinhal: é o fio condutor que 
liga os comandos cerebrais ao corpo. Na 
mesma medida, é responsável também por 
transmitir as sensações corporais ao siste-
ma nervoso. É, praticamente, uma estrada 
entre ambas as estruturas.
Neocórtex: é o nome dado a uma das 
áreas do cérebro catalogadas pelo neurocien-
tista estadunidense Paul Maclean. Segundo 
o especialista, o sistema nervoso se divide
em três partes: reptiliano, límbico e neocór-
tex. Cada uma dessas regiões possui uma
função específica no desenvolvimento huma-
no. O neocórtex seria, então, o local respon-
sável pelos pensamentos mais complexos,
pela razão e consciência humana.
Neurônio: é a principal célula do sistema 
nervoso central. Sua estrutura contém um 
corpo celular com núcleo, citoplasma, dendri-
tos e axônio. Os neurônios têm a habilidade 
de realizar conexões entre si a partir do mo-
mento que recebem impulsos do organismo 
que os abriga.
Sistema límbico: composto de diversas 
estruturas, como a amígdala, o tálamo, o hi-
potálamo e o hipocampo, tem por função 
gerenciar e adequar estímulos emocionais. Re-
laciona-se com outros elementos da mente, 
como a memória, atenção e personalidade.
Tálamo: essa região cerebral atua como 
um elemento retransmissor de informações, 
além de participar da recepção e integração 
dos impulsos nervosos.
Tronco cerebral: porção do organismo lo-
calizada entre a medula espinhal e o encé-
falo que contém a medula oblonga, a ponte 
de Varólio e o mesencéfalo.
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s neurotransmissores e os hormô-
nios são substâncias produzidas 
pelo organismo que participam de 
várias funções no sistema nervoso. 
Neurotransmissor é toda substância que age 
como um mensageiro químico, ou seja, trans-
porta e estimula os sinais entre os neurônios. 
Assim, um hormônio pode ser um neurotrans-
missor, mas nem todo neurotransmissor é um 
hormônio, já que este é produzido por glându-
las endócrinas, como a hipófise.
Você já deve ter ouvido falar de serotonina 
e endorfina, por exemplo, bastante citados 
quando o assunto é sensação de bem-estar. 
Os neurotransmissores e os hormônios cau-
sam sensações, mas também equilibram as 
funções do organismo e comandam diversos 
órgãos. Conheça alguns!
Acetilcolina: neurotransmissor responsá-
vel por diversas funções no organismo huma-
no. Entre elas estão: a comunicação entre os 
neurônios na formação de memórias e o au-
xílio nos processos de contração muscular.
Adrenalinae noradrenalina (também cha-
mados de epinefrina e norepinefrina, res-
pectivamente): ambas caracterizadas como 
catecolaminas, são neurotransmissores que 
possuem efeitos similares relacionados à ex-
citação e inibição de alguns elementos do sis-
tema nervoso periférico. Entre eles, estão a 
estimulação respiratória e o aumento da ativi-
dade psicomotora e cardíaca. A principal dife-
rença entre esses dois elementos é que eles 
exercem influências diferentes sobre seus re-
ceptores bioquímicos.
Cortisol: no organismo humano, apresenta 
papel importante em diversos processos bio-
lógicos, como metabolismo energético, manu-
tenção da pressão sanguínea e regulação de 
funções associadas à memória e ao estres-
se. Ele é conhecido como o “hormônio do es-
tresse” porque é mais liberado em situações 
de ansiedade, irritação ou preocupação extre-
ma, por exemplo. Em excesso, pode provocar 
sintomas como fadiga, perda de massa mus-
cular, hipertensão e hiperglicemia. Por outro 
lado, ele exerce funções importantes, como 
participar do metabolismo de proteínas e agir 
contra inflamações.
Dopamina: esse neurotransmissor atua 
principalmente no sistema de motivação e 
recompensa da mente humana. Além disso, 
funciona como um importante elemento do hu-
mor e da cognição. Age conjuntamente com 
a adrenalina e a noradrenalina.
Endorfina: liberada principalmente após 
a prática de exercícios físicos, a endorfina é 
um hormônio que age como um analgésico 
natural, provocando sensação de conforto e 
melhorando o humor.
Gastrina: hormônio que regula o aumento 
da liberação de ácido clorídrico no estômago 
para os processos digestivos.
GH: essa é a sigla em inglês da palavra 
Growth Hormone, que significa hormônio do 
crescimento. Produzida pela hipófise (peque-
na glândula com a aparência de um amen-
doim localizada na parte inferior do cérebro) 
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esse hormônio tem papel importante no de-
senvolvimento do organismo. Atua em todo 
o corpo, ocasionando o aumento celular, e,
por consequência, dos tecidos que o envol-
vem. A deficiência de GH pode promover um
quadro chamado de nanismo. Já o excesso
dessa substância pode resultar em um trans-
torno chamado de agromegalia e gigantismo.
Grelina: o nome desse hormônio deriva do 
termo ghre, correspondente em inglês à pala-
vra grow, traduzida como crescer. A associa-
ção a esse bioquímico acontece pelo fato de 
uma das suas principais funções ser a subs-
tância que induz o aumento da secreção do 
hormônio do crescimento (GH). Além disso, 
a grelina também tem papel decisivo no estí-
mulo ao aumento do apetite e outras funções 
do organismo.
Histamina: sintetizada e liberada por dife-
rentes células humanas, é um potente media-
dor de numerosas reações fisiológicas. Dentre 
as principais funções dessa substância, estão 
a vasodilatação e broncoconstrição, respos-
tas comuns em momentos que o organismo 
é atingido, por exemplo, por uma alergia.
Hormônio luteinizante: substância que 
possui papel ativo no processo reprodutivo 
humano. No corpo feminino, a ação do lutei-
nizante participa da indução do processo de 
ovulação. Já no organismo masculino, se re-
laciona à produção de testosterona.
FOTOS GarryKillian/Shutterstock Images
Insulina: hormônio secretado pelo pâncre-
as, responsável pela absorção de glicemia 
pelo organismo.
Leptina: substância que contribui no contro-
le do metabolismo energético. Atua também 
no comportamento de fome de muitos seres 
vivos, além de participar de algumas mudan-
ças no organismo, como o período da puber-
dade, tendo em vista que ela possui relação 
com os bioquímicos liberadores do hormônio 
de crescimento (GH).
Ocitocina: moléculas neuro-hormonais com 
atuação principal durante as etapas de parto 
e amamentação. Já quando atua como neu-
rotransmissor, a ocitocina auxilia a estabele-
cer vínculos sociais, como afeto, confiança e 
empatia.
Serotonina: neurotransmissor cujas prin-
cipais atividades são a regulação da fome e 
do apetite sexual. Está fortemente ligada ao 
transtorno depressivo, tendo em vista que, 
durante a doença, esse elemento bioquími-
co é transmitido de maneira menos efetiva. 
Testosterona: é o principal hormônio sexual 
masculino. Essa substância atua fortemente 
no desenvolvimento de tecidos reprodutores 
do sexo masculino, entre eles os testículos 
e o pênis. Além disso, tem papel importante 
no aumento de massa muscular e surgimen-
to de pelagem.
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Conheça os processos cerebrais envolvidos 
na obtenção de conhecimento
Funções 
COGNITIVAS
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AA
s funções cognitivas são todas aque-
las envolvidas no processo de aqui-
sição de conhecimento e troca de 
informações. Cada uma delas mo-
biliza diversas regiões do cérebro e é possí-
vel aperfeiçoá-las com atividades diárias que 
as exercitem e mantendo bons hábitos. Já o 
envelhecimento e algumas doenças, como o 
Alzheimer, prejudicam algumas funções cog-
nitivas, como a memória. Entenda melhor cada 
uma delas!
Criatividade: criar envolve interesse, reper-
tório, pensamento e, consequentemente, alí-
vio por uma solução, além de um complexo 
processo cerebral que passa por diversas ati-
vidades. “O cérebro vai recebendo estímulos 
em áreas diversificadas, que se comunicam 
como num sistema de rede”, afirma a terapeu-
ta Celeste Carneiro. Isso porque tomar uma 
atitude inovadora começa com a busca por 
informações, realizada na área occipital do 
cérebro, passa pela procura por memórias vá-
lidas, presentes no sistema límbico, e termina 
na ideia final, que é uma união de todas es-
sas etapas. A criatividade, que é a capacida-
de de encontrar diferentes soluções, é vista 
nos mais diversos cenários como uma quali-
dade para o indivíduo. Apesar de não se ter 
uma fórmula pronta para desenvolver a fun-
ção, buscar informações, passar a tratar pro-
blemas do dia a dia como oportunidades de 
se fazer melhor e de forma única, podem ser 
soluções para os que buscam inovar cons-
tantemente.
Linguagem: seja ao conversar com alguém 
no seu dia a dia ou ao ler e escrever um texto, 
a linguagem é utilizada como um meio de se 
aprender, trocar informações e realizar uma re-
lação comunicativa. A função cognitiva, que na 
antiguidade era realizada por meio de símbo-
los, evoluiu e hoje é constituída por sistemas 
complexos de sons e palavras. Apesar de ser 
um campo único do conhecimento, a lingua-
gem também é um exercício mental que en-
volve outras funções cerebrais. Por exemplo, 
para que uma nova palavra seja aprendida, a 
memória precisa ser ativada em conjunto com 
a língua para consolidá-la no cérebro.
Memória: um dos aspectos cognitivos 
mais importantes, a memória é um elemen-
to valioso para a aprendizagem, tanto em seu 
processo de aquisição como em sua manu-
tenção e consolidação ao longo do tempo. Ao 
realizar diversas atividades, das mais simples 
(como funções domésticas) às mais comple-
xas (buscar uma solução para um proble-
ma lógico), a memória se coloca em ação e 
busca padrões e informações disponíveis na 
mente para conseguir tomar a melhor decisão 
possível. “Assim, quanto mais você exercita 
sua memória, maiores serão as chances das 
suas capacidades serem aprimoradas e, con-
sequentemente, você se tornar uma pessoa 
mais competente”, afirma a psicóloga e pro-
fessora Maria Teresa Volpato. Isso porque o 
lobo temporal (área cerebral responsável por 
armazenar eventos passados), o hipocampo 
(seleciona e armazena fatos importantes) e 
a amígdala (realiza a comunicação cerebral 
que memoriza sons, cheiros e sabores) são 
ativados e a pessoa remonta a informações 
passadas para construir e consolidar novas.
Raciocínio: “Seja qual for o pensamento 
usado para examinarmos as informações e 
os dados que temos, chegamos a uma con-
clusão como se ela fosse a mais próxima do 
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acerto. Se a resposta decorre dos dados ana-
lisados, usamos o raciocínio para formar no-
vos conhecimentos”, aponta a pedagoga Sueli 
Adestro. O córtex frontal, além de ser encarre-
gado por outras faculdades mentais, também é 
responsávelpor esta capacidade cognitiva que 
é uma das operações mais realizadas no dia 
a dia, pois envolve o ato de se pensar e pon-
derar e é relevante para que se escolha algo.
Foco e concentração: definidos por muitos 
como a mesma coisa, o foco e a concentra-
ção apresentam diferenças fundamentais. O 
primeiro é caracterizado pelo filtro de elemen-
tos específicos, enquanto o segundo é defini-
do como a capacidade de deter a atenção por 
um período contínuo e constante em alguma 
atividade. Entretanto, ambos são importantes 
e se complementam durante o processo de 
aprendizagem. Ao estudar para um vestibular, 
por exemplo, o foco e a concentração em um 
problema complexo podem ser a chave para 
solucioná-lo e não enfrentar complicações fu-
turas. Por serem ativadas principalmente no 
córtex pré-frontal e no lobo parietal (áreas res-
ponsáveis pelo pensamento crítico e lógica), 
as duas funções são consideradas valiosas na 
realização de tarefas diárias. Contudo, como 
aponta a neuropsicóloga Tacianny do Vale, um 
contraponto é que podem ser influenciados 
e prejudicados por diversos estímulos. “Tanto 
o ambiente social quanto o estado afetivo e
a motivação podem gerar muita desatenção.
Portanto, o foco e a concentração podem va-
riar muito de acordo com o contexto que o in-
divíduo se encontra”.
FOTOS Kirasolly/ Shutterstock Images
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Você sabia que o cérebro é flexível e mutável? 
É por isso que é sempre possível adotar novos 
hábitos e aprender coisas novas!
Em constante 
MUDANÇA
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s neurônios consistem na unidade 
básica do sistema nervoso. São 
eles os responsáveis em receber, 
processar e enviar informações a 
outras células, através de sinais elétricos ou 
substâncias químicas. Aos 17 anos, estima-
-se que, de toda nossa capacidade intelectu-
al (ou seja, a capacidade de troca de 
informações entre os neurônios), apenas 30% 
seja inata, vinda da herança genética. Os 70% 
restantes teriam se constituído por meio de 
experiências e aprendizados adquiridos ao 
longo dos anos de vida. Isso só é possível 
graças a uma das maiores habilidades do 
corpo humano: a neuroplasticidade.
A plasticidade cerebral é a capacida-
de que o sistema nervoso central possui 
de modificar suas propriedades mor-
fológicas e funcionais em resposta às 
experiências do indivíduo. Ela permite a 
criação e o fortalecimento das sinapses 
— as ligações feitas pelas bilhões de cé-
lulas neurais que possuímos. Com isso, 
pode-se, inclusive, moldar nosso intelecto 
da maneira que quisermos!
Ines249 
SEMPRE PRESENTE
Esse processo é mais intenso em nossos 
primeiros anos, mas ocorre durante toda a 
vida. Aprender a dar os primeiros passos ou 
decorar um novo caminho para chegar ao tra-
balho só é possível graças a essa destreza 
do cérebro. “O sistema nervoso modifica-se 
continuamente, já que a plasticidade está as-
sociada a cada estímulo sensorial (olfato, tato 
e audição, por exemplo) e à atividade motora 
(como equilíbrio e coordenação) que o indi-
víduo é exposto”, explica a psicóloga cogniti-
vo-comportamental e neurocientista Renata 
Alves Paes.
Isso significa que, apesar da idade avan-
çada, qualquer pessoa pode desenvolver seu 
cérebro. É como se a ideia de que se está 
velho demais para aprender determinadas 
coisas caísse por terra. Para tal, é neces-
sário apenas botar a cuca para trabalhar, 
com treinamentos de repetição e tarefas 
específicas, por exemplo. “A estimulação 
deve ser criativa e com aspecto motivacio-
nal intenso, já que algo monótono não es-
timula o cérebro”, assegura Renata.
“Indivíduos resilientes conseguem 
resolver problemas de forma mais 
adequada, são mais habilidosos 
em suas ações e lidam com as 
adversidades sem ressaltar os 
aspectos negativos”
Renata Alves Paes, psicóloga cognitivo-
comportamental e neurocientista
Ines249 
RUMO À SUPERAÇÃO
Um dos aspectos fortalecidos pela plas-
ticidade é conhecido como resiliência. O ter-
mo é oriundo da física e se refere ao nível de 
resistência à pressão que um material pode 
sofrer sem que perca suas características e, 
assim, possa voltar ao seu estado original. 
Na psicologia, o conceito pode ser definido 
como a capacidade das pessoas responde-
rem às frustrações diárias, ou seja, é a ap-
tidão de recuperação emocional frente às 
adversidades. “Indivíduos resilientes conse-
guem resolver problemas de forma mais ade-
quada, são mais habilidosos em suas ações 
e lidam com as adversidades sem ressaltar 
ou destacar os aspectos negativos da situa-
ção”, descreve a psicóloga.
Como a neuroplasticidade está associa-
da à criação e ao fortalecimento de cone-
xões neurais, e ao consequente processo 
de transformação e adaptação, fica fácil en-
tender a ligação entre os dois termos. Sabe 
aquele velho ditado que diz que só sabemos 
fazer boas escolhas se tivermos experiência, 
e que essa bagagem só é adquirida ao fa-
zermos más escolhas? Troque escolhas por 
momentos e tudo fará sentido! Só consegui-
remos ter momentos positivos se soubermos, 
com a experiência, superar os acontecimen-
tos negativos.
Imagine você se deparando com um gran-
de problema que lhe cause incômodo. A resi-
liência permite que, ao encontrá-lo em uma 
segunda ocasião, a solução para essa ques-
tão seja encontrada mais facilmente. “Cada 
comportamento novo ou fortalecido é como se 
ficasse ‘gravado’. Assim, cada vez que estiver 
em situações semelhantes, estas conexões 
serão estabelecidas com maior velocidade e 
de forma muito natural”, exemplifica Renata. 
Tudo graças àquela capacidade de adap-
tação de seu cérebro: a plasticidade.
Ines249 
FOTOS BIBADASH/ Shutterstock Images
Se você chegou até aqui e percebeu 
que (ainda) não tem essa capacidade 
de superação, fique tranquilo! A resi-
liência é uma habilidade construída 
com o tempo, e você pode começar a 
mudar esse panorama quando quiser. 
“O primeiro passo é a autopercepção. 
Comece a observar como você age no 
seu dia a dia, tome consciência de seus 
comportamentos. Esteja aberto para 
ouvir, sentir e identificar as respos-
tas. São um treino e um aprendizado 
constantes”, garante a especialista em 
autoconhecimento e inteligência com-
portamental Heloísa Capelas. A pro-
fissional garante que, ao fazer isso, é 
possível atingir a consciência e a acei-
tação das imperfeições de cada um.
Outro ponto importante para essa 
“transformação” passa pela mudan-
ça de postura em relação às adversi-
dades, não se fazendo de impotente 
frente aos obstáculos. “Mudar o foco 
é preciso, e isso, muitas vezes, envol-
ve sair da posição de vítima para as-
sumir a responsabilidade pelos acon-
tecimentos”, alerta Heloísa. Para a 
psicóloga Renata Alves Paes, um ser 
resiliente “não busca um culpado pe-
los seus problemas, embora perceba 
que outras pessoas contribuíram para 
a situação”.
TORNANDO-SE RESILIENTE
Ines249 
Já foi o tempo em que tirar 10 em todas as 
provas era sinal de inteligência — hoje, é mais 
complexo definir quem é inteligente
O que é 
INTELIGÊNCIA?
Ines249 
CC
hamar alguém de inteligente pare-
ce ser um elogio relativamente ba-
nal. Mas já parou para pensar o que 
exatamente você quis dizer com 
isso? Seria a pessoa da sua sala de aula que 
desenvolve os melhores projetos? Uma pro-
fessora que articula muito bem suas ideias 
sobre assuntos como política e economia? 
Ou aquele cara que decora todos os livros 
que lê? Pois é, esse atributo vai muito da 
perspectiva de quem vê. As tantas possibili-
dades ilustram que descobrir o que torna 
uma pessoa mais inteligente do que a outra 
esbarra, logo de cara, numa questão de con-
ceito.
DEFINIÇÃO COMPLICADA
Na verdade, até hoje não se chegou a um 
verdadeiro consenso a respeito do que signi-
fica inteligência. “Trata-se de uma caracterís-
tica que engloba a capacidade de resolução 
de problemas de forma criativa e organizada, 
mesmo quando as situações-problema são 
modificadas”, descreve o neuropsicólogo 
Fábio Roesler.
É exatamente por englobar 
tantas características que 
ocorre esse verdadeiro nó 
conceitual.O neurologista 
Custódio Michailowsky re-
lata que são dois pontos de 
vista de definição. “O primei-
ro define a inteligência como 
um conjunto de habilidades de 
entender ideias complexas, de se adaptar 
com eficiência ao ambiente e superar obs-
táculos com o pensamento. Já o segundo 
conceito a descreve como a capacidade de 
raciocinar, planejar, resolver problemas, pen-
sar de forma abstrata, compreender ideias 
complexas, aprender corretamente rápido e 
utilizar esse aprendizado quando necessá-
rio”, resume.
MUITO ALÉM DO QI
Quase um sinônimo de escala de geniali-
dade, o teste de QI (Quociente de Inteligên-
cia) se consolidou no início do século 20. É 
uma avaliação que correlaciona memória ope-
racional, processamento intelectual, compre-
ensão verbal, percepção, entre outros fatores 
cognitivos.
Ainda que tenha predominado como forma 
de se medir a inteligência por muito tempo, 
houve um momento em que os especialistas 
começaram a se questionar se realmente ter 
um intelecto afiado era, de fato, a mesma coi-
sa que ser inteligente.
Assim, entre as correntes que surgiram 
ampliando esse conceito, está a teoria das 
Ines249 
FOTOS buffaloboy/ Shutterstock Images
UMA NOVA
PERSPECTIVA?
Um conceito bastante trabalhado 
recentemente é o de inteligência so-
cial. Esse termo lida com a questão 
de que a inteligência dos seres hu-
manos está totalmente vinculada 
ao convívio social.
O autor americano Daniel Goleman, 
que já havia publicado a obra Inte-
ligência Emocional, trabalhou com 
esse outro tema no livro Inteligên-
cia Social – o Poder das Relações 
Humanas. A proposta do psicólogo, 
baseada no campo da neurociência 
social, é relatar o quanto situações 
de amor, altruísmo, empatia e com-
preensão liberam substâncias neu-
roquímicas que auxiliam as intera-
ções sociais e consolidam modelos 
de sociabilidade e compartilhamen-
to de informações — justamente a 
inteligência social.
inteligências múltiplas, desenvolvida no iní-
cio da década de 1980 pelo psicólogo norte-
-americano Howard Gardner. “Esse conceito
compreende: inteligência corporal-cinestési-
ca, intrapessoal, interpessoal, lógico-matemá-
tica, linguística, musical, especial, naturalista
e talvez a existencial, mas há controvérsias
quanto a essa última”, aponta o neurologista.
Ou seja, conforme as teorias de Gardner, 
um jogador de futebol teria inteligência corpo-
ral; um violinista, a inteligência musical, pro-
jetistas e arquitetos, a espacial; e por aí vai. 
Cada um é inteligente conforme suas habili-
dades e especialidades.
GUERRA DOS SEXOS?
Ainda que a teoria de Gardner e outras 
que também surgiram tenham ampliado as 
discussões, um assunto vira e mexe causa 
polêmica: a questão sexista. Quem é mais 
inteligente: o homem ou a mulher? É verdade 
que as mulheres têm mais habilidade na área 
das ciências humanas, e os homens, nas exa-
tas? Segundo os especialistas, é melhor dei-
xarmos esse tipo de preconceito bem longe.
“Eu diria que nossa sociedade, de uns oi-
tenta anos para cá, deixou de ser machista 
e sexista”, destaca Custódio “É claro que o 
cérebro feminino é diferente do masculino, 
e que há interferência dos hormônios. Mas, 
acima de tudo, a inteligência sofre influência, 
metade da genética da pessoa, e a outra me-
tade vem de questões que envolvem o meio 
ambiente”. Com os devidos estímulos, todo 
mundo pode ser inteligente e seguir o cami-
nho que bem entender.
COORDENADORA DE REVISTAS DIGITAIS Hérica Rodrigues (herica.rodrigues@astral.com.br) 
REDAÇÃO Ana Carvalho (ana.carvalho@astral.com.br), Ana Kubata 
(anabeatriz.kubata@astral.com.br), Fernanda Villas Bôas (fernanda.villasboas@astral.com.br) e 
Gabrielle Aguiar (gabrielle.aguiar@astral.com.br) DESIGN Angela Soares 
(angela.soares@astral.com.br) e Roberta Lourenço (roberta.lourenco@astral.com.br) 
Conteúdo produzido e publicado originalmente na revista: Mente Curiosa - Ano 5, Nº 100 - 2021
DIREÇÃO João Carlos de Almeida e Pedro José Chiquito 
CONTATO atatendimento@astral.com.br
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A REPRODUÇÃO.
Ano 4, Nº 29 - Março, 2026
Ines249 
UMA PAIXÃO INESPERADA, UMA MORTE SUSPEITA E A 
INEXPLICÁVEL CONEXÃO ENTRE DUAS IRMÃS.
Quando sua irmã caçula morre, a empresária Emily se vê 
obrigada a pausar sua vida profissional para se isolar 
com a única sobrinha e o cunhado na fazenda da família. 
E lá, enquanto tenta reconstituir as últimas semanas de 
vida de Evelyn, Emily se aproxima do cunhado André e do 
jardineiro Juan, em uma investigação cheia de surpresas e 
desejo. Com a descoberta do diário de Evelyn escondido na 
casa de bonecas, Emily confronta o próprio passado, 
descobre o presente e reescreve seu futuro!
Já disponível na
Ines249 
	Capa
	Editorial e Índice
	Uma jornada pela mente
	Neurotransmissores e hormônios
	Funções cognitivas
	Em constante mudança
	O que é inteligência?

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