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REPRODUÇÃO HUMANA 
AULA 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Amândia Ramos Batschauer 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Reprodução humana 
Anteriormente, estudamos a respeito dos pontos de fisiologia, causas de 
infertilidade e diagnóstico da infertilidade masculina, nesta aula, iremos abordar 
os mesmos tópicos referente ao sistema reprodutor feminino. Entender como 
ambos os sistemas funcionam normalmente nos auxiliará a entender 
especialmente a aplicação das técnicas de reprodução assistida. 
TEMA 1 – GAMETOGÊNESE: OOCITOGÊNESE 
O sistema reprodutor feminino, assim como o masculino, inicia seu 
desenvolvimento ainda na vida intrauterina, quando os ovários são formados nas 
primeiras semanas do desenvolvimento. Como sabemos, a gametogênese é a 
formação dos gametas por meio da redução de 46 para 23 cromossomos através 
da meiose, no caso da gametogênese masculina, ou espermatogênese, cada 
célula de 46 cromossomos inicia a meiose e forma 4 espermatozoides com 23 
cromossomos. No caso da gametogênese feminina, ou ovocitogênese, cada 
célula de 46 cromossomos sofre meiose e forma apenar e célula com 23 
cromossomos. Neste tema iremos estudar como ocorre a gametogênese 
feminina. 
Ainda no útero materno, as células embrionárias que darão origem ao 
ovário se organizam e migram para o local que o ovário será formado. As 
germinativas presentes do interior dos ovários, chamadas ovogônias, começam 
a sofrer diversas divisões mitóticas. No 5º mês de desenvolvimento fetal, as 
ovogônias iniciam a meiose e passam a ser chamadas de oócitos primários, 
neste momento, quando se encontram em Prófase I, elas entram em estado de 
latência e se mantém assim até a maturidade sexual (puberdade). 
 
 
3 
 
Crédito: Alila Medical Media/shutterstock 
 
Em determinado momento da adolescência, dá-se início a puberdade. 
Neste momento, o hipotálamo começa a produzir o hormônio liberador de 
gonadotrofina chamado GnRH, igualmente dos meninos. 
Crédito: Alila Medical Media/shutterstock 
 
O GnRH irá atuar diretamente na hipófise (também chamada de glândula 
pituitária) e iniciar a produção de FSH (hormônio folículo estimulante) e LH 
(hormônio luteinizante), os quais são liberados na corrente sanguínea e irão 
 
 
4 
atuar nos ovários, iniciando a maturação dos óvulos e estimulando a produção 
de estrogênios e progesterona. Especialmente o estrogênio também irá realizar 
as mudanças físicas nas meninas e o marco da maturidade sexual se dá na 
primeira menstruação. 
A partir daí, a menina, agora mulher, mensalmente passará pelo ciclo 
menstrual, que tem duração de 28 dias em média e resulta na produção de um 
gameta feminino (óvulo) e em um útero receptivo ao embrião fertilizado. Mas, 
dentro do ovário, como ocorre a maturação do gameta que será ovulado? 
Dentro do ovário, o tecido folicular de um grupo de folículos primordiais 
(1) (cada folículo primordial possui um oócito primário no seu interior) se espessa 
e passam a serem chamados de folículos primários (2). Com base na resposta 
ao FSH, alguns folículos seguirão seu desenvolvimento (3) (folículos antrais) 
enquanto muitos outros degeneram. Na reta final, somente um dos folículos entra 
em dominância (4) e segue seu crescimento, enquanto os demais recrutados 
sofrem o que chamamos de atresia. 
Os óvulos que estavam anteriormente em estado de latência desde a vida 
intrauterina irão retomar sua meiose. Após finalizar a meiose 1, esse óvulo será 
chamado de oócito secundário, que irá excluir a primeira parte do seu material 
genético em um corpúsculo polar (mostrado na imagem anterior), este é o óvulo 
maduro que está apto para ser fertilizado pelo espermatozoide e será ovulado. 
Esse oócito secundário encontra-se dentro do folículo dominante e só irá finalizar 
a meiose quando fertilizado. Ele é ovulado (5) por meio de um pico de LH e irá 
aguardar sua fertilização. 
Ainda no ovário, após ovular o oócito, o folículo passa a se chamar de 
corpo lúteo (6 e 7), o qual produzirá progesterona para manter o útero pronto 
para a possível implantação de um embrião. Caso a implantação não ocorra, o 
corpo lúteo regride, tornando-se o corpo albicans, que irá parar de produzir 
progesterona e, então, ocorrerá a menstruação, para que um novo ciclo mentrual 
inicie. 
 
 
5 
 
Crédito: udaix/shutterstock 
 
TEMA 2 – FISIOLOGIA DO SISTEMA REPRODUTOR FEMININO 
O sistema reprodutor feminino tem como função a maturação do gameta 
feminino, fertilização do oócito, implantação e desenvolvimento embrionário. O 
sistema reprodutor feminino é formado por: 
• ovários; 
• tubas uterinas ou trompas; 
• útero; 
• canal vaginal. 
Os oócitos, que são produzidos nos ovários, como estudado no primeiro 
tema desta aula, serão ovulados na ampola da tuba uterina, a qual liga o ovário 
ao útero. O oócito poderá permanecer ali por cerca de 24 horas até que seja 
fertilizado. 
Os ovários têm função também de produzir hormônios, androgênios e 
estrogênios. Esses hormônios controlam o ciclo menstrual e o crescimento 
folicular. 
O útero é o órgão que é mensalmente preparado para receber um 
embrião. A parede interna do útero vai se proliferando, se tornando espessa, 
com muitas células e aumento de suprimento sanguíneo, fornecendo oxigênio e 
nutrientes. 
 
 
6 
O canal vaginal é uma passagem que acessa a entrada do útero, que 
chamamos de colo do útero. É nesse canal que ocorre a penetração do pênis e 
onde os espermatozoides são ejaculados, podendo acessar a entrada do útero 
e nadar de encontro ao oócito. 
 
Crédito: BlueRingMedia/shutterstock 
TEMA 3 – FERTILIZAÇÃO E IMPLANTAÇÃO 
Quando o oócito está em seu trajeto pela tuba uterina, caso haja relação 
sexual, os espermatozoides nadam de encontro ao oócito. Ao se encontrarem 
(1), o espermatozoide libera de seu acrossoma enzimas que digerem (2) a zona 
pelúcida (azul) e permitem que ele penetre no oócito (3 e 4). Quando um 
espermatozoide consegue penetrar, ocorre uma série de mudanças na 
composição físico-química da zona pelúcida que impede novos espermatozoides 
de fazerem o mesmo, esse fenômeno é chamado de bloqueio da poliespermia. 
Crédito: GraphicsRF.com/shutterstock 
 
 
7 
 
É somente neste momento que o oócito finaliza sua segunda meiose, 
porém, como já existe a presença do espermatozoide (fertilização), neste 
momento, podemos passar a chamá-lo de zigoto. O próximo estágio será a fusão 
entre os núcleos dos gametas, quando o DNA do espermatozoide é 
descondensado e os pronúcleos masculino e feminino são formados, iniciando-
se a preparação para a primeira divisão celular, chamada de clivagem. 
Crédito: Designua/shutterstock 
 
Após fertilizado, o agora zigoto irá se deslocar, com auxílio dos 
movimentos ciliares da tuba uterina, para o útero. O processo de ovulação até a 
chegada no útero, leva em torno de 5 dias e nestes 5 dias o zigoto, formado por 
somente uma célula envolto pela zona pelúcida, irá se multiplicar (clivar), 
aumentando o número de células. No segundo dia, normalmente o embrião está 
com 2-4 células, já no terceiro dia, 6-8 células, no quarto dia, o embrião já está 
com 16-32 células e elas começam a compactar umas nas outras, formando um 
maciço celular chamado mórula, o qual não é mais possível observar célula a 
célula. 
Do quarto para o quinto dia, a mórula começa a criar uma cavidade 
chamada blastocele e as células iniciam sua primeira diferenciação, formando 
os embrioblastos ou massa celular interna, que dará origem ao embrião, e o 
trofoblasto, que dará origem aos anexos embrionários. 
Nesse estágio, chamamos o embrião de blastocisto, após esse estágio, a 
blastocele se expande mais e o número de células aumenta, fazendo com que a 
zona pelúcida fique fina e se rompa. Após o rompimento da zona pelúcida 
(hatching embrionário), o embrião irá sair da zona e procurar o local para sua 
implantação (nidação), ou seja, o útero materno. 
 
 
8 
A imagema seguir, resume como ocorre cada etapa da ovulação, 
fertilização e implantação, quando ocorrida de forma natural. 
 
Crédito: Sakurra/shutterstock 
TEMA 4 – CAUSAS DA INFERTILIDADE FEMININA 
Como visto na aula anterior, a infertilidade é definida como a incapacidade 
de concepção após 12 meses ou mais de relações sexuais regulares, sem o uso 
de contraceptivos. Assim como no homem, as causas femininas são 
responsáveis por aproximadamente 50% dos casos de infertilidade. As causas 
femininas podem ser diversas e iremos discutir a seguir algumas das principais. 
4.1 Idade avançada 
Está como a principal suspeita de causar infertilidade nas mulheres. Isso 
se deve, pois com o passar dos anos a quantidade e a qualidade dos óvulos da 
mulher diminui muito, especialmente depois dos 35 anos. Antes do nascimento, 
o feto feminino tem em média 20 milhões de óvulos, ao nascimento, esse número 
reduz muito e, quando a mulher entra na puberdade, ela tem em média 500 mil 
óvulos, os quais muitos são perdidos todos os meses no ciclo menstrual. 
A mulher entra na puberdade com todas as suas células germinativas 
prontas para serem recrutadas e maturadas. Esta é uma das causas pela qual a 
 
 
9 
idade é um fator importantíssimo quando discutimos a infertilidade feminina. 
Esses óvulos estão sendo expostos durante toda a vida a todos os fatores que 
essa mulher vive, como hábitos de vida, alimentação, exposição a tóxicos, 
estresse oxidativo, medicamentos, fatores psicológicos, entre outros, e todos 
estes são fatores que podem influenciar negativamente a qualidade ovocitária. 
Além disso, o corpo da mulher recruta e regride muitos folículos por mês, 
o que reduz rapidamente a reserva ovariana de folículos. Quando a mulher 
chega aos 35 anos, o número de óvulos já costuma ser menor, os níveis 
hormonais começam a cair (imagem abaixo) e a infertilidade aparece. 
Concomitantemente a isso, as mulheres têm decidido ter filhos cada vez mais 
tarde devido a carreiras profissionais e opções pessoais, o que agrava ainda 
mais a situação, uma vez que essa mulher só descobrirá algum problema 
associado (se houver) muito tarde, agravando a situação. 
Sem falar em situações que a mulher tem a redução hormonal adiantada, 
esgotando sua reserva ovariana, entrando na menopausa precocemente e 
sendo impossibilitada de engravidar naturalmente muito antes do esperado. 
 
Crédito: Designua/shutterstock 
4.2 Endometriose 
Estima-se que cerca de 10 a 15% das mulheres em idade reprodutiva 
podem apresentar a endometriose. Essa doença é caracterizada pelo 
crescimento anormal do endométrio (tecido que reverte o útero internamente) 
para o exterior do útero (imagem ao lado), ou seja, esse tecido sai do endométrio 
 
 
10 
e pode atingir as tubas uterinas, ovários e cavidade abdominal, acometendo nas 
formas mais graves outros órgãos como intestino. 
A endometriose pode impedir a ovulação, obstruir as tubas, impedir a 
implantação do embrião e o processo inflamatório reduz a qualidade dos óvulos. 
Crédito: Fancy Tapis/shutterstock 
4.3 Infecções 
Algumas infecções bacterianas, fúngicas ou virais no sistema reprodutor 
feminino, especialmente na pelve, pode acometer o útero e tubas uterinas e, 
devido ao processo inflamatório, podem impedir a gravidez. As infecções que 
mais causam infertilidade são Clamídia e a Gonorreia que, principalmente nas 
mulheres, podem ser assintomáticas. Já as infecções virais como HPV (Human 
Papiloma Vírus), Hepatite B, Herpes e Sífilis acometem o sistema reprodutor 
feminino, mas a principal causa de infertilidade nestes casos são consequências 
dos tratamentos como medicamentos fortes e tratamentos oncológicos. 
4.4 Alterações na ovulação 
Outra causa comum de infertilidade feminina é a dificuldade ou a falta de 
ovulação (anovulação). Nestes casos, a mulher pode demorar muito mais para 
ovular, tornando o óvulo inápto a ser fertilizado ou nem mesmo chegar a ovular, 
levando a infertilidade, pois o óvulo não chega a ser liberado do ovário, não 
podendo ocorrer a fertilização e posterior formação de um embrião. 
Essa condição pode ter diversas causas, sendo elas externas e internas. 
No caso das causas externas, incluímos mulheres que tomam hormônios em 
excesso ou pacientes que fazem tratamentos mais intensos, como pacientes 
 
 
11 
oncológicas, nesses casos, o tratamento com quimioterapia e radioterapia 
podem deixar a mulher sem ovular. 
Entre as causas internas, podemos incluir a desregulação hormonal 
fisiológica e, mais comumente, a síndrome de ovário policístico (SOP). A SOP 
acomete aproximadamente 8% da população feminina em idade reprodutiva e é 
caracterizada por alterações horminais causadas pelo acúmulo de cistos no 
ovário. Fisiologicamente, todos os meses, diversos folículos crescem, acumulam 
líquido no seu interior e um deles, que cresce mais, é ovulado. No caso da SOP, 
vários folículos crescem e tornam-se cistos, cada cisto tem produção hormonal, 
o que bagunça todo o eixo endócrino, causando ovulação e menstruações 
irregulares. Além da desregulação endócrina, os cistos podem impedir 
mecanicamente a ovulação. 
 
Crédito: Marochkina Anastasiia/shutterstock 
4.5 Alterações na tireoide 
A última e não menos importante causa que discutiremos são disfunções 
do hormônio da tireoide, seja por excesso (hipertireoidismo) ou por redução 
(hipotireoidismo). Disfunções da tireoide são muito comuns na população e se 
não tratadas podem ser uma causa de infertilidade. 
 
 
12 
A alteração da produção de triiodotironina (T3) e tiroxina (T4), hormônios 
produzidos pela tireoide e responsáveis pelo controle do metabolismo. Quando 
esses hormônios se encontra em níveis maiores ou menos, podem desregular 
outros eixos hormonais, causando, por exemplo, a anovulação. 
Além disso, durante uma gravidez, a tireoide do bebê só consegue 
produzir esses hormônios a partir da 20ª semana, ou seja, até a 20ª semana é a 
tireoide da mãe que irá suprir a necessidade desses hormônios. Se a mãe já 
possui uma produção inferior ao esperado, o aporte hormonal para o bebê será 
insuficiente, podendo causar até abortos. 
4.6 Fatores externos 
Assim como nos homens, os fatores externos podem ser a causa da 
infertilidade ou o agravamento de um quadro. Os hábitos de vida refletem 
diretamente na saúde em geral, sendo a saúde reprodutiva afetada amplamente. 
Estilos de vida relacionados a exercícios físicos, alimentação e, por 
consequência, o peso, de forma equilibrada, contribuem muito para uma boa 
saúde reprodutiva, inclusive muitos estudos mostram que dietas específicas e a 
restrição de alguns alimentos inflamatórios pode contribuir muito para mulheres 
que estão tentando engravidar. 
Mas o contrário também aponta malefícios significativos, mulheres obesas 
apresentam baixa qualidade ovocitária, alterações de ovulação e risco maior de 
abortamento e, ainda, mulheres que possuem um estilo de vida saudável, mas 
que apresentam uma baixa porcentagem de gordura corporal (ex.: fisiculturistas) 
podem apresentar alterações hormonais e até mesmo quadros de anovulação. 
Tabagismo e etilismo também podem interferir na fertilidade feminina, 
levando ao aumento do risco de aborto, diminuição da reserva ovariana, 
menopausa precoce e redução de qualidade ovocitária. Além disso, o tabagismo 
predispõe a infecções vaginais, podendo causar obstrução tubária e efeitos 
maléficos no endométrio e tem efeitos antiestrogênicos, o que pode acarretar 
alterações microbiota e atrofia vaginal. 
Bem como estudo, qualquer condição, substância ou doença que possa 
interferir na fisiologia e nos processos normais de gametogênese, fertilização, 
implantação e desenvolvimento embrionário é considerado um fator de 
infertilidade. Neste próximo Tema, iremos discutir como diagnosticar as 
 
 
13 
situações acima, para que a causa da infertilidade seja tratada e/ou possa ser 
escolhido o melhor tratamento defertilidade possível. 
TEMA 5 – DIAGNÓSTICO DA INFERTILIDADE FEMININA 
Para iniciar a avaliação da infertilidade feminina, o médico começa a 
consulta com uma conversar bem detalhada de toda a história da paciente, 
chamamos isso de anamnese. Na anamnese, a paciente relata ao médico: 
• Há quanto tempo tenta engravidar 
• Histórico de ciclo menstrual (se regulado ou não) 
• Histórico de gestação anterior ou aborto 
• Antecedentes clínicos (doenças) e cirúrgicos 
• Medicações que utilizou e utiliza 
• Hábitos de vida (alimentação, atividade física, tabagismo, etilismo etc.) 
• Antecedentes familiares de infertilidade 
• Antecedentes genéticos 
• Queixas específicas 
Após essa avaliação, é realizada a avaliação física, como checagem de 
peso, altura (cálculo do índice de massa corpórea – IMC), exame ginecológico 
completo como avaliação minuciosa das mamas e análise genital. 
A partir daí, o médico tem um norte dos exames que deve pedir, para ser 
o mais assertivo possível no diagnóstico e posteriormente, no tratamento. A 
seguir, discutiremos alguns tópicos importantes no diagnóstico da infertilidade 
feminina. 
5.1 Avaliação da reserva ovariana 
Vamos discutir alguns desses testes e quando cada um é realizado. Na 
prática, normalmente o primeiro teste realizado é para avaliar a reserva ovariana, 
a fim de pesquisar qual a quantidade e indiretamente a qualidade dos oócitos. 
Os parâmetros mais utilizados para isso são: 
• Avaliação da idade: como já discutido, a mulher entra na menopausa com, 
em média, 50 anos, entretanto, a quantidade e qualidade dos folículos 
reduzem após os 30 anos e mais significativamente após os 35 anos, 
 
 
14 
podendo iniciar a redução ainda mais cedo, devido a fatores genéticos ou 
ambientais. 
• Dosagem de FSH: o FSH, como o nome já diz, é um hormônio folículo 
estimulante, produzido pela hipófise para estimular o crescimento dos 
folículos pelo ovário, conforme os folículos crescem, produzem hormônios 
que “avisam” a hipófise que não precisa mais produzir FSH, pois os 
folículos estão crescendo. Se não há o crescimento adequado dos 
folículos, a hipófise continuará produzindo FSH. Por causa disso, quando 
a dosagem de FSH no início do ciclo (3º ao 5º dia) é muito alta, já temos 
um diagnóstico de função ovariana prejudicada. 
• Dosagem de estradiol: o estradiol é o hormônio produzido pelos folículos 
e complementa a dosagem de FSH, confirmando a resposta ovariana que 
está acontecendo, podendo auxiliar na identificação dos problemas. 
Crédito: Allo4e4ka/shutterstock 
 
• Contagem de folículos antrais: a contagem dos folículos antrais é feita por 
meio de uma ultrassonografia entre o 2º e o 5º dia do ciclo. Neste período, 
os folículos estão começando a serem recrutados e essa média de 
folículos inicialmente recrutados é um parâmetro para a reserva ovariana. 
No ultrassom, o médico conta quantos folículos têm em cada ovário, como 
mostra essa imagem ao lado, o ovário possui 6 folículos (bolas escuras 
apontadas pelas setas amarelas) de tamanho pequeno. A contagem de 
folículos antrais menor que 4 indica um mau prognóstico em termos de se 
obter uma gestação e valores inferiores a dez folículos já traduzem 
diminuição da reserva ovariana. 
• Dosagem de hormônio antimülleriano (AMH): o AMH é um hormônio 
produzido pelas células que envolvem os oócitos (células da granulosa). 
Sua concentração sérica é muito baixa ao nascimento e atinge seu nível 
 
 
15 
máximo após a puberdade. Na fase adulta, ele é produzido 
acompanhando a diminuição da reserva folicular, podendo ser 
indetectável na menopausa. Ele tem se mostrado o padrão ouro para 
avaliação da reserva folicular, pois ele tem produção exclusiva pelo 
ovário. Valores inferiores ou iguais a 1,26 ng/ml de AMH são altamente 
preditivos de baixa reserva ovariana, menor resposta à estimulação 
ovariana e qualidade oócitária. 
5.2 Avaliação de fator ovulatório 
Outros exames também são realizados para auxiliar no diagnóstico da 
infertilidade feminina. A avaliação endócrina (dosagem de: progesterona, FSH, 
LH, testosterona) aponta fatores ovulatórios de infertilidade, como anovulação, 
ciclos irregulares, inaptidão do útero de implantar um embrião. 
Além disso, é comum realizar o monitoramento ultrassonográfico do 
crescimento folicular e consequente ovulação. Esse acompanhamento é 
realizado a partir do 8º dia do ciclo e posterior acompanhamento do crescimento, 
dominância e ao final, a ovulação. Nesta avaliação, é possível entender como é 
o ciclo menstrual dessa mulher e identificar ovários policísticos, por exemplo. 
5.3 Avaliação de fator cervical 
Os testes de avaliação da função cervical são baseados na interação 
entre os espermatozoides e o muco cervical. O teste mais comum é o teste pós-
coital (TPC), o qual é realizado no período pré ovulatório. No teste, o casal tem 
relação sexual e uma amostra do muco vaginal é retirado após o coito e 
analisado no laboratório, observando se existe progressão de pelo menos 10 
espermatozoides. Esse teste é pouco realizado, pois mesmo um teste anormal 
não impede uma gestação natural, já que o muco cervical é somente uma das 
barreiras que os espermatozoides precisam enfrentar. 
5.4 Avaliação de fator uterino 
Alterações na cavidade uterina podem estar relacionados a dificuldade de 
implantação embrionária. Miomas, adenomiose, pólipos endometriais e 
malformações uterinas podem ser responsáveis por falhas de implantação. Os 
principais métodos de avaliação da cavidade uterina são: 
 
 
16 
• Ultrassonografia transvaginal, avaliando o formato e as medidas dos 
órgãos. 
• Histerossalpingografia (HSG): realizada com a introdução de contraste 
iodado por meio do canal cervical e diversas radiografias da cavidade 
uterina e tubas são feitas. A HSG avalia a cavidade uterina e a 
permeabilidade tubária, uma vez que, se houver obstrução, o contraste 
não conseguirá atingir a ampola da tuba. 
• Histeroscopia: é a avaliação por meio de uma endoscopia da cavidade 
endometrial. Ela é considerada o melhor teste para avaliação da cavidade 
uterina, entretanto, como é um exame invasivo, indica-se sua realização 
quando a ultrassonografia ou a HSG sugerirem anormalidades. 
NA PRÁTICA 
No caso do diagnóstico da mulher, o embriologista tem atuação prática 
somente no teste pós-coital (TPC), de qualquer forma, entender como funciona 
cada causa de infertilidade das pacientes determina a conduta a ser tomada na 
clínica, sempre decidindo de forma individual para cada paciente, a fim de 
proporcionar o tratamento mais exclusivo e aumentando as chances de sucesso. 
FINALIZANDO 
Em síntese, o sistema reprodutor feminino é composto por vagina, canal 
vaginal, útero, tubas (trompas) uterinas e ovários, sendo que cada órgão deste 
possui um papel fundamental para o sucesso reprodutivo. Quando algum dos 
processos encontram-se comprometidos, seja por problemas congênitos ou 
adquiridos, ocorre a infertilidade feminina. O papel do embriologista na 
reprodução humana assistida é auxiliar no diagnóstico por meio da realização do 
teste pós-coital (TPC) e discutindo os casos clínicos junto à equipe médica para 
realizarem a melhor conduta possível. 
 
 
 
17 
REFERÊNCIAS 
AZAMBUJA, R. (Org.). Reprodução assistida: técnicas de laboratório. 1. ed. 
Porto Alegre: AGE, 2017. 
BALIZA, A. da S. et al. Smoking x Ginecological Conditions – a cross-section 
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em: . Acesso em: 21 dez. 2020. 
FARIAS, L. T.; SABOIA, R. C. B. de, LIMA, C. H. R. Obesidade e infertilidade: 
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FRBRASGO. Manual de orientação: reprodução humana. São Paulo: 
Febrasgo, 2011. 
JR, E. B.; FARAH, L. M. S.; CORTEZZI, S. S. Reprodução humana assistida. 
São Paulo: Editora Atheneu, 2011. 
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PEÑA, E. P. Manual de procedimentos clínicos em reproducción assistida. 
1. ed. Caracas: Editorial ATEPROCA C.A., 2015. 
RIZK, B. et al. Infertility and assisted reproduction. 1st ed. Cambridge: 
Cambridge University Press, 2008. 
WHO 2010. Laboratory manual for the Examination and processing of 
human semen. 5th ed. 
	Conversa inicial
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