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Lesões periodontais: Definição e natureza da enfermidade: -Trata-se de uma doença infecciosa. -Está associada à colonização bacteriana nas superfícies dentárias. -Pode causar destruição dos tecidos periodontais (gengiva, ligamento periodontal, osso alveolar e cemento). Relevância clínica: -Alta prevalência: afeta 95% da população. -Consequência grave: é a principal causa de perda dentária em adultos. -Representa um dos maiores desafios da Odontologia. Doença periodontal e radiologia: -Importância do diagnóstico por imagem: ● A avaliação correta e o acompanhamento da doença periodontal dependem de: ❖ Parâmetros clínicos (exame clínico do paciente). ❖ Radiografias periapicais (exames radiográficos focados na região de um ou poucos dentes). -Ferramentas diagnósticas: ● Sondagem manual: usada para medir a profundidade das bolsas periodontais. ● Radiografias convencionais: ajudam a observar a perda óssea e a extensão da lesão periodontal. ● Ambas são essenciais para o diagnóstico e monitoramento da progressão da doença. Melhores técnicas empregadas: -Técnica interproximal (bite-wing): ● Proporciona imagem mais fiel do nível ósseo interproximal. ● Ideal usar o filme na posição vertical, para melhor visualização do osso alveolar. -Técnica periapical: ● Baseada no princípio do paralelismo, oferece melhor resultado do que a técnica da bissetriz. ● Garante maior fidelidade anatômica e melhor reprodução da estrutura óssea. Qualidade da imagem radiográfica: -Deve apresentar: ● Máximo de detalhes (alta resolução). ● Contraste médio (permite distinguir as estruturas ósseas e dentárias). ● Mínima distorção (imagem fiel à realidade anatômica). -É fundamental: ● Usar técnica padronizada ao longo do tempo. ● Permitir reproduções consistentes para facilitar a comparação em exames sucessivos. Interpretação radiográfica: -Comparação: anatomia normal x doença periodontal ● Anatomia normal (em radiografias): ❖ Lâmina dura contínua ao redor da raiz. ❖ Espaço do ligamento periodontal uniforme. ❖ Crista óssea interproximal próxima à junção cemento-esmalte. ● Sinais radiográficos da doença periodontal: ❖ Perda da lâmina dura. ❖ Aumento do espaço do ligamento periodontal. ❖ Reabsorção óssea horizontal ou vertical. ❖ Alterações no contorno e densidade óssea. - Sinais clínicos correlacionados: ● Bolsas periodontais. ● Sangramento gengival. ● Mobilidade dentária. ● Recessão gengival. Ligamento periodontal e espaço pericementário: -Características normais: ● O espaço pericementário (ou espaço do ligamento periodontal) apresenta: ● Espessura fina e constante. ● Visualizado radiograficamente como uma linha radiolúcida (RL) entre a raiz do dente e o osso alveolar. -Alterações na espessura: ● Aumento da espessura do espaço: ❖ Hiperfunção dentária: relacionada a traumas oclusais (excesso de carga sobre o dente). ❖ Mobilidade dentária: geralmente devido à inflamação periodontal. ● Diminuição da espessura do espaço: ❖ Hipofunção dentária: ocorre em dentes com pouco uso funcional. ❖ Pode estar associada à hipercementose (aumento do depósito de cemento na raiz). -Irregularidades na continuidade do espaço: ● Alterações no padrão contínuo podem indicar: ❖ Abscessos periodontais. ❖ Fraturas dentárias. ❖ Trepanações radiculares (aberturas na raiz, muitas vezes iatrogênicas). Karine Beannucci Realce Karine Beannucci Realce Karine Beannucci Realce Karine Beannucci Realce Karine Beannucci Realce Karine Beannucci Realce Karine Beannucci Realce Osso alveolar: -Cortical alveolar (lâmina dura): ● Características normais: ❖ Representa a cortical interna do alvéolo. ❖ Visualizada como uma linha radiopaca (RO) fina e contínua ao redor da raiz dentária. ❖ Espessura fina e constante em condições normais. ● Espessamento da lâmina dura: ❖ Pode ocorrer em um periodonto íntegro como resposta adaptativa. ❖ Associado a aumento de carga oclusal no sentido axial (forças mastigatórias intensas). ● Estágios avançados de doença periodontal: ❖ Perda do delineamento da lâmina dura. ❖ A alteração pode ocorrer ao longo de toda a raiz, indicando comprometimento avançado. -Osso esponjoso (trabeculado): ● Trabeculado típico (normal): ❖ Presença de trabéculas ósseas regulares e espaços medulares bem distribuídos. ❖ Mantém a arquitetura óssea equilibrada. ● Esclerose óssea: ❖ Aumento da densidade óssea. ❖ Os espaços medulares ficam reduzidos. ❖ Pode ser uma resposta a estímulo oclusal excessivo ou inflamação crônica. ● Rarefação óssea: ❖ Diminuição da densidade trabecular. ❖ Há redução ou desaparecimento das trabéculas ósseas. ❖ Pode estar associada a processos infecciosos ou inflamatórios. Crista óssea alveolar: -Altura normal: ● A crista óssea alveolar localiza-se de: 1 a 1,5 mm abaixo da junção amelocementária (JAC). ● Essa medida é um parâmetro importante para avaliar a integridade periodontal. -Formas da crista óssea: ● Afilada: ❖ Comum em regiões anteriores. ❖ Indica arquitetura óssea saudável. Karine Beannucci Realce Karine Beannucci Realce Karine Beannucci Realce Karine Beannucci Realce ● Em platô: ❖ Superfície plana da crista. ❖ Pode ser uma variação anatômica normal ou adaptação funcional. ● Inclinada: ❖ Sugere perda óssea angular. ❖ Indicativa de doença periodontal em evolução. -Sinais radiográficos de alteração patológica: ● Perda de detalhe: a crista perde sua forma definida, tornando-se menos nítida. ● Perda de continuidade (esfumaçamento): ❖ A borda óssea aparece difusa, sem contornos bem definidos. ❖ Sinal precoce de inflamação ou reabsorção óssea. ● Ausência da lâmina dura: ❖ Indica alteração no suporte ósseo. ❖ Pode estar associada a processos patológicos periodontais. Quantidade de osso presente: -Fatores relacionados: ● Avaliação da quantidade de osso remanescente é feita considerando: ❖ Nível da união amelocementária (JAC). ❖ Idade do paciente (fatores fisiológicos podem influenciar a perda óssea com o tempo). -Perda óssea: ● Horizontal: ❖ Perda óssea uniforme ao longo da crista alveolar. ❖ Associada à periodontite com bolsa supraóssea. ❖ Ocorre de forma perpendicular ao longo do eixo do dente. ● Vertical: ❖ Perda óssea irregular, formando defeitos em angulação. ❖ Decorre de processos inflamatórios localizados. Karine Beannucci Realce Karine Beannucci Realce Karine Beannucci Realce Karine Beannucci Realce Karine Beannucci Realce ❖ Pode estar relacionada a cargas oclusais excessivas ou traumas diretos. ❖ Ocorre de forma oblíqua ao longo do dente. ● Furca (região de furcação): ❖ Ocorre em dentes bi ou trifurcados. ❖ Envolve a região entre as raízes, sendo uma das áreas de maior desafio clínico. -Classificação por quantidade: ● Leve: perda óssea discreta. ● Moderada: perda intermediária. ● Severa: perda extensa de suporte ósseo. -Classificação por distribuição: ● Localizada: afeta uma área ou grupo de dentes específico. ● Generalizada: afeta a maioria dos dentes. -Perda óssea por tipo: ● Horizontal: ❖ Associada à periodontite com bolsa supraóssea. ❖ A perda é perpendicular ao eixo do dente. ❖ Leve: ❖ Moderada: ❖ Severa: ● Vertical: ❖ O processo inflamatório ocorre lateralmente à crista óssea. ❖ Pode estar relacionado a trauma oclusal e cargas excessivas ❖ A perda segue um padrão oblíquo. ❖ Leve: ❖ Moderada localizada:Karine Beannucci Realce ❖ Severa: Alterações radiográficas do osso alveolar por doenças sistêmicas: -Algumas doenças sistêmicas podem modificar a aparência radiográfica do osso alveolar, como: ● Hiperparatireoidismo ● Displasia fibrosa ● Doença de Paget Fatores locais que causam ou intensificam a doença periodontal: -Cálculos interproximais: ● Acúmulo de tártaro (cálculo dental) entre os dentes. ● Favorece a retenção de biofilme bacteriano. ● Causa inflamação gengival e contribui para a progressão da doença periodontal. ● Pode ser visualizado radiograficamente como áreas radiopacas na região interproximal. -Restaurações mal adaptadas: ● Envolve restaurações com: ❖ Excesso de material. ❖ Margens abertas ou irregulares. ● Facilita o acúmulo de placa bacteriana. ● Dificulta a higienização e contribui para: ❖ Inflamação gengival. ❖ Perda de inserção periodontal. ● Pode ser identificada em radiografias como alterações no contorno da restauração ou discrepância entre dente e material restaurador. Radiografia digital e doença periodontal: ● Vantagem: subtração de imagens ● Técnica que permite a comparação de duas radiografias tiradas em tempos diferentes. ● Usada para: ❖ Detectar pequenas alterações ósseas. ❖ Avaliar a evolução da perda ou regeneração óssea. ❖ Monitorar respostas ao tratamento periodontal. Limitações da radiografia (convencional ou digital): -Limitações anatômicas: ● Sobreposição de estruturas: defeitos ósseos podem ficar ocultos quando estão localizados sobre as raízes dentárias e o tecido ósseo remanescente. -Limitações espaciais: ● Dificuldade em visualizar os níveis ósseos nas faces: ❖ Vestibular (externa). ❖ Lingual/palatina (interna). ● A radiografia mostra apenas duas dimensões, não revelando a profundidade real da perda óssea nessas áreas. -Limitações diagnósticas: ● Lesões ósseas iniciais (incipientes): ❖ Muitas vezes não são detectadas radiograficamente. ❖ O dano precisa ser maior para se tornar visível na imagem. ● Casos tratados com sucesso: ❖ Podem apresentar aparência radiográfica semelhante aos casos não tratados. ❖ A imagem não reflete diretamente a atividade da doença nem o estado clínico atual. Lesões periodontais: