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CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO 
UNEC / EAD PRÁTICA DE ENSINO I 
 
NÚCLEO DE ENSINO A DISTÂNCIA - NEAD Página | 35 
Professor: Inês Aparecida de Souza Azevedo – inesapasousa@yahoo.com.br 
 
 
Vamos recapitular o que vimos até aqui: os desafios da profissão professor, a 
visão de mundo e de natureza humana que perpassa a prática docente, as tendên-
cias pedagógicas, os modelos de escola, de educação que embasam a nossa práti-
ca e, finalmente, um estudo sobre o mais recente documento que orienta toda a prá-
tica educacional no país: a BNCC. 
Nesse módulo, vamos estudar sobre a ação educativa comprometida com a 
diversidade, com o propósito de garantir a todos um ensino de qualidade, contribuin-
do para o desenvolvimento, socialização e sucesso dos alunos. Vamos conhecer um 
pouco da proposta da “sala de aula invertida”1. Essa metodologia apresenta algumas 
inovações, porém, na essência verificamos a influencia das teorias de Piaget e de 
Vygotsky, o sociointeracionismo. Não cabe aqui aprofundarmos esse assunto. Em 
outra oportunidade vocês terão mais informações desse ponto. Podem pesquisar 
também. Fica a dica. 
A seguir, veremos o método da prática social, proposto por Demerval Saviani 
(1989), o grande iniciador e impulsionador do movimento histórico-crítico da 
educação no Brasil. Essa nova perspectiva de trabalho exige do professor o empre-
go variado de procedimentos didáticos que permitam uma participação coletiva efeti-
va e que, também, atenda aos alunos na sua diversidade social, cultural e econômi-
ca, bem como na maneira de ser, no ritmo de aprendizagem, vivências e valores, 
aptidões, potencialidades e habilidades. Nesse sentido, se firma uma boa proposta 
pedagógica. 
Nas palavras de Gandin (1988), para se firmar uma boa proposta é preciso 
pensar a realidade global do homem e da sociedade. O conhecimento desta realida-
de se traduz em tantos outros desafios para nossa ação. Parece, aliás, que só 
quando conhecemos a realidade existente é que podemos falar em transformação, 
tendo em vista que não podemos mudar o que não sabemos como é. 
É comum, ainda hoje, nos depararmos com escolas e professores que de-
sempenham somente o papel de transmissores do saber arcaico, quase sempre 
 
1
 De acordo com Moran e Milsom (2015), embora o conceito de Sala de Aula Invertida ao longo dos 
anos tenha sido desenvolvido de diferentes formas, frequentemente é atribuído a Bergmann e Sams 
(2012), que aplicou a metodologia em suas aulas de ciências do Ensino Médio a partir de 2006. 
AULA 4 
 
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desligados completamente de 
uma educação para o cresci-
mento pessoal, para atitudes 
cidadãs, afastando cada vez 
mais o gosto e o prazer de 
cada aluno pelo estudo e pela 
convivência na escola. 
A escola que se pre-
tende reflexiva e emancipado-
ra está cotidianamente conectada à realidade social na expressão de um projeto po-
lítico-pedagógico que evidencia noções básicas de convívio, e viabiliza o diálogo, 
valoriza a voz do aluno e escuta a 
comunidade em que se insere. 
O modelo tradicional de aula 
expositiva não corresponde mais aos 
avanços socialmente observados. Me-
todologias que valorizam a transmis-
são de conteúdos cristalizados em 
uma grade curricular guardam distân-
cia de um novo significado da escola 
e reforçam conteúdos que mantêm a 
tradição do afastamento professor x aluno. 
Vamos então iniciar nossas reflexões acerca da prática do professor, das mu-
danças de paradigmas e dos desafios enfrentados, tanto pelo docente quanto pelo 
discente. Sugiro que vocês leiam Ruth Rocha (Quando a escola é de vidro) e Rubem 
Alves (Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas) pra que tenham uma 
ideia do poder do professor e da escola sobre a vida do aluno. 
 
1. A sala de aula invertida: aprofundando conceito 
A renovação pedagógica que altera a lógica transmissiva dos conteúdos es-
colares, na sala de aula, aponta para a necessidade de o professor repensar sua 
prática educativa e (re) significar as metodologias, estratégias e procedimentos de 
ensino na direção da construção coletiva do conhecimento. 
 
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Tabela 1 – Definição mais ampla de Sala de Aula Invertida (Fonte: BISHOP e VERLEGER, 2013). 
Em sala de aula Fora da sala de aula 
Questões e respostas Vídeos e leituras 
Estudos em grupo Resolução de atividades fechadas, tipo 
Quizz. 
Resolução de problemas abertos e fechados Listas de exercício 
 
No portal “Desafios da Educação”, Ricardo Lacerda (2018)2 publicou uma en-
trevista exclusiva com o educador norte-americano Jonathan Bergmann, que defen-
de o conceito de sala de aula invertida – ou flipped classroom. Postarei, a seguir, 
fragmentos dessa entrevista que, além de esclarecedora, é interessante para nos-
sa leitura no momento. Como é entrevista, teremos as perguntas e respostas profe-
ridas por Bergmann. 
1. A implementação do conceito de flipped classroom foi introduzida pelo senhor em 
parceria com o professor Aaron Sams em 2007 em uma escola do Colorado. Em que 
momento vocês perceberam que era necessário fazer essa mudança? 
R. Na escola onde lecionávamos, muitos estudantes vinham faltando às aulas. Isso aconte-
cia porque era uma escola rural e muitos deles tinham de ir embora na hora do almoço, 
mesmo que o turno durasse mais duas ou três horas. Isso também acontecia porque alguns 
precisavam pegar um ônibus até outra escola para participar de competições – o que acon-
tece com frequência nos Estados Unidos. Então começamos a gravar nossas aulas matuti-
nas para as aulas do turno da tarde. A diretora nos parabenizou pela iniciativa, ficamos feli-
zes, e logo depois ela nos disse algo que nos fez refletir: a filha dela frequentava uma uni-
versidade em que os professores gravavam as aulas. „A minha filha adora, porque não tem 
mais que ir para a aula‟. Naquele mesmo dia, Aaron e eu começamos a pensar em qual se-
ria o valor do tempo em sala de aula se você não tem mais que ir para a aula. Foi quando 
fizemos a pergunta: „e se gravássemos pra valer?‟. Esse foi o momento que mudou tudo. 
2. A sala de aula invertida preconiza uma nova forma de comportamento por parte de 
estudantes e professores. Inclusive, o senhor chegou a dizer que o modelo é a estra-
tégia central que apoia todos os outros métodos de aprendizagem ativa. Por quê? 
 
2
 Disponível em Acesso em 17/07/2020. 
https://desafiosdaeducacao.grupoa.com.br/jon-bergmann-e-a-sala-de-aula-da/#:~:text=%C3%89%20com%20essa%20provoca%C3%A7%C3%A3o%20que,vez%20mais%20complexo%20e%20incerto.
https://desafiosdaeducacao.grupoa.com.br/jon-bergmann-e-a-sala-de-aula-da/#:~:text=%C3%89%20com%20essa%20provoca%C3%A7%C3%A3o%20que,vez%20mais%20complexo%20e%20incerto.
https://desafiosdaeducacao.grupoa.com.br/jon-bergmann-e-a-sala-de-aula-da/#:~:text=%C3%89%20com%20essa%20provoca%C3%A7%C3%A3o%20que,vez%20mais%20complexo%20e%20incerto.CENTRO UNIVERSITÁRIO DE CARATINGA GRADUAÇÃO 
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R. A sala de aula invertida está mudando a maneira como pensamos a educação. Digo que 
ela é uma meta-estratégia que apoia todas as outras, porque dá aos professores algo que 
pode parecer difícil de dimensionar: tempo. Tempo para fazer métodos de aprendizado mais 
ativos, como os baseados em projetos, em pesquisa ou competências. Se um professor 
gasta muito tempo lecionando, não sobra tempo para fazer essas outras coisas. Assim, a 
sala de aula invertida permite que os professores usem outras estratégias. 
3. Em sua opinião, qual é a maior inovação oferecida pela sala de aula invertida quan-
do comparada aos métodos mais tradicionais? 
R. Acredito que não seja tanto uma inovação quanto uma reordenação do tempo. É colo-
car o artifício certo, que é o tempo dos professores, em lugares de maior necessidade. A 
informação é barata e fácil, certo? Eu posso obter informações diretamente do meu celular. 
Assim, qual seria o melhor uso do tempo em sala de aula? Fazendo tarefas mais comple-
xas, auxiliando os alunos com o que eles têm mais dificuldade, ajudando-os a analisar, a 
aplicar e a avaliar conceitos cada vez mais complexos. Essa é a grande inovação. 
4. Quais as evidências de que essa metodologia melhora o aprendizado e o desempe-
nho dos alunos? 
R. Há evidências incontestáveis de que a sala de aula invertida funciona. Existem mais de 
500 pesquisas em revistas acadêmicas que mostram que, de fato, o método é eficaz. Nem 
todos disseram que ele é o melhor, mas a maioria deles sim. Pude viajar ao redor do mundo 
e ver que esse trabalho tem dado certo. Por exemplo, estou agora em um quarto de hotel na 
Pensilvânia, onde estão colocando a sala de aula invertida em prática e vendo que realmen-
te funciona. 
5. Como convencer os alunos de que essa metodologia pode beneficiá-los? 
R. Os alunos não são tão difíceis de convencer. Afinal, eles são os millenials, nativos digitais 
que entendem que a informação é de fácil acesso. Alguns alunos talvez prefiram um modelo 
de aprendizado passivo. No entanto, se o maior interesse dos estudantes está em se torna-
rem pessoas mais instruídas e se a sala de aula invertida é a melhor maneira para isso, eles 
vão comprar a ideia. Por exemplo, acabei de voltar de Missiones, na Argentina, do outro 
lado da fronteira com o Brasil. Por lá, há 1,5 mil professores aprendendo sobre a sala de 
aula invertida. E os alunos argentinos com quem tive a oportunidade de conversar também 
estão muito empolgados. 
6. Muitos alunos não têm hábitos frequentes de estudar e acabam não realizando ati-
vidades em casa. Como é possível envolvê-los e engajá-los nas tarefas que antece-
dem a aula? 
 
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R. A melhor maneira de envolver um aluno é deixá-lo saber que o professor se importa com 
ele. Um bom ensino sempre foi sobre relacionamentos e conexões. Descobrimos que, na 
sala de aula invertida, os professores conseguem construir um melhor relacionamento e, 
assim, atingir mais alunos, em mais aulas, cada vez mais. Claro que ainda há outros méto-
dos. Sempre tem aquele estudante que não fica super animado com o que o professor ensi-
na – e há muitas razões para isso. Acredito que seja importante manter o aluno responsável 
pelo seu aprendizado, fazendo tarefas pré-aulas. O que eu fiz, e que muitos professores 
também fazem, é que se o aluno não faz as tarefas em casa, ele faz durante a aula, en-
quanto os outros estão trabalhando em atividades mais complexas. No fim, os próprios alu-
nos chegaram à conclusão de que seria mais fácil se eles fizessem as atividades prévias. 
Assim, eles conseguem receber a ajuda do professor na tarefa. Isso tem resolvido a maioria 
dos problemas. Ainda vão existir aqueles que não vão fazer as atividades em casa, mas 
honestamente eles são os mesmos alunos que não iam muito bem às aulas de qualquer 
maneira. 
7. Em comunidades mais populares, de baixa renda, alguns alunos não têm acesso à 
internet em casa. Como lidar com esse tipo de situação? 
R. Não ter internet em casa é o menor dos problemas. Isso porque os estudantes têm cada 
vez mais acesso a mobiles e a outros dispositivos. Como já mencionei, eu estava em Missi-
ones, na Argentina, e pude conversar com um diretor de uma escola local. Ele me contou 
que grande parte dos alunos vem de famílias pobres e da zona rural, mas a maioria deles 
tem acesso a smartphone. No entanto, esses dispositivos não têm grandes dados de acesso 
à internet. Assim, os professores criam arquivos em áudio e em PDF. Assim, os alunos fa-
zem download do arquivo via Bluetooth e escutam as aulas. Mas a sala de aula invertida 
não depende somente da tecnologia. Claro, ela acelera o ritmo do processo. Nesse sentido, 
quanto melhor for a infraestrutura da escola, melhor será o acesso dos alunos. 
8. Outro desafio diz respeito aos próprios professores. Muitos ainda resistem a novos 
métodos de ensino. Por quê? E é possível engajá-los para que adotem o modelo de 
sala de aula invertida? 
R. Os professores são algumas das pessoas mais incríveis do mundo. Eles trabalham para 
o melhor dos seus alunos. No entanto, eles aprenderam e se formaram em um sistema que 
é difícil de mudar. Foi difícil para eu mudar. Eu gostava de ser o centro das atenções em 
sala de aula e eu tive que abrir mão disso – e foi a melhor coisa que eu fiz. Acredito que 
convencer os professores é um dos grandes desafios da sala de aula invertida. Já comentei 
duas vezes, mas eu fiquei abrilhantado por ver os professores de Missiones tão animados 
com as mudanças. É preciso alguém para compartilhar uma maneira melhor para que eles 
 
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possam mudar. Claro, ainda vai continuar sendo difícil. No geral, as pessoas têm dificuldade 
em mudar. 
9. Por fim, como é possível avaliar o desenvolvimento e a popularização do conceito 
de sala de aula invertida? 
R. A sala de aula invertida está funcionando, porque traz coisas novas ou amplia as antigas. 
O primeiro motivo é porque o método oferece aprendizado ativo. Com ele, é possível ampli-
ar relacionamentos. Acredito que esse seja o segredo: a conexão que o aluno tem com o 
professor e a conexão entre o professor com o aluno. Como educador, se eu ainda fizer o 
modelo tradicional, posso continuar me escondendo atrás da minha própria palestra e do 
conteúdo que estou ensinando. Mas nesse modelo invertido o professor precisa estar entre 
os alunos. Por isso, a sala de aula invertida apenas planta o solo para relacionamentos e 
conexões. Não é mais apenas sobre o intelecto e sobre a grade curricular, mas também 
sobre a vida como um todo – e essa é a 
chave. 
 
2. O método de prática 
social de Saviani 
 Philipp Perrenoud (2001) en-
fatiza que o ensino é um trabalho 
com pessoas, por isso, uma “profis-
são relacional”, tendo como principal 
“instrumento de trabalho” a pessoa 
do professor, um sujeito interagindocom outros sujeitos em atividades de dimensões existenciais e afetivas que não po-
dem ser desconsideradas. Esse esforço competente exige do professor uma reno-
vação do pensar a sala de aula, o aluno e a escola. 
Cada sala de aula é um microcosmo onde já está acontecendo o desvelamen-
to dos objetos do conhecimento, porque a escola reflete tudo o que acontece no 
mundo. O professor deve sistematizar essa rica interação, relacionando os conteú-
dos de sua matéria com a prática social, na dialogicidade.3 O desenvolvimento é es-
pontâneo, mas a aprendizagem não é. Ela é provocada por situações externas. 
 
3A dialogicidade é a essência da educação como prática da liberdade. O diálogo é tratado como um 
fenômeno humano em Paulo Freire (Pedagogia do Oprimido, 2005, p.89). 
 
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O movimento dialético do pensamento, passando da ação para a conceitua-
ção, na construção de conhecimentos, oferece um modelo para a aula que deseja-
mos hoje. Vamos compreender melhor: 
 
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 Da ação: partimos da interação do aluno com o objeto de aprendizagem. O 
aluno já interage com esse objeto na prática social da comunidade ou grupo 
social com o qual convive. O diálogo do aluno se dá com o objeto cultural 
mediatizado pelo professor e por outros alunos, com a cultura corporificada 
nas obras e práticas sociais transmitidas pela linguagem e gestos do profes-
sor. 
 Para a conceituação: o aluno passará dos seus conceitos sincréticos, de ne-
xos e categorias simples, para os conceitos científicos e concretos. Temos 
então que, a atividade predominantemente reflexiva dos alunos, juntamente 
com a do professor, é que completa a aprendizagem ao elaborar o concreto 
pensado. 
Comparem esse movimento com a proposta da sala de aula invertida e tirem 
suas conclusões, por favor. Demerval Saviani é o grande iniciador e impulsionador 
do movimento histórico-crítico da educação no Brasil, com a evidente intenção de 
superar os métodos tradicionais e escolanovistas. Vejamos os cinco passos dessa 
proposta, segundo Lilian Wachowicz (1989): 
 Primeiro passo: início na prática social 
A prática social do aluno é a da sua comunidade ou grupo social: o modo de 
encarar a vida, seus problemas e os conhecimentos. A prática social do professor é 
a da sua classe profissional e a do cotidiano da escola que lhe oferece uma “síntese 
precária” de compreensão do aluno e de seus conhecimentos. O aluno traz o modo 
de vida da sua classe social e conhecimentos de senso comum, sincréticos e sem 
 
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nexos lógicos, porque é um todo constituído de relações gerais e determinações 
simples. Neste momento, é preciso identificar o objeto da aprendizagem e lhe dar 
significação. 
 Segundo passo: problematização: intuir e conotar 
Consiste em identificar os principais problemas postos pela prática social. 
Sentir as tendências ou direções da comunidade ou grupo social, prever os futuros 
problemas e emitir juízo de valor ou qualidade. Responde à pergunta: quais são as 
grandes questões no âmbito da prática social? Ou, quais são os problemas da práti-
ca social que precisam se solucionados? De acordo com Gasparin (2007), a proble-
matização representa o momento do processo pedagógico em que a prática social é 
posta em questão, analisada, interrogada, levando em consideração o conteúdo a 
ser trabalhado e as exigências sociais de aplicação desse conhecimento. Professor 
e alunos, juntos, procuram “detectar que questões precisam ser resolvidas no âmbito 
da prática social e, em consequência, que conhecimento é necessário dominar” (Sa-
viani, 2008). As questões levantadas pelo professor devem despertar o pensamento 
crítico dos alunos e estimular a busca pelo aprofundamento do conhecimento. 
 Terceiro passo: instrumentalização 
Trata de favorecer a apropriação, pelos alunos, do saber colocado pela esco-
la. Segundo Saviani (1985), trata-se da apropriação pelas camadas populares das 
ferramentas culturais necessárias, ou seja, apropriação do patrimônio cultural pelo 
aluno. Para superar o saber do senso comum e resolver as contradições postas pela 
prática social, o aluno deve se instrumentalizar com novos conhecimentos e técni-
cas. Tendo em vista o aluno das classes populares, não se trata apenas de dar 
acesso à matrícula na escola, mas também dar oportunidade, através de atividades 
interpessoais de: aprimorar os sentidos de observação, aprender a usar os amplifi-
cadores culturais, desenvolver as atividades de estudo. Esta é a parte da aula onde 
o professor irá transmitir seu conhecimento, expondo os conceitos, explicando e 
dando exemplos, com fundamentação científica. 
 Quarto passo: catarse 
 A palavra catarse (do grego “kátharsis”) significa purificação. Neste contex-
to, a catarse é o momento em que o aluno manifesta um entendimento do conteúdo. 
Ele se “liberta” do senso comum e apropria-se do conhecimento científico, atingindo 
os objetivos estabelecidos pelo professor. É a “elaboração superior da estrutura em 
 
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superestrutura na consciência dos homens”. É o passo de maior transformação do 
próprio pensamento e dos conhecimentos: passagem da ação para a conceituação. 
A catarse implica a passagem: do puramente econômico para o ético-político, do 
abstrato para o concreto, da necessidade para a liberdade, da infraestrutura para a 
superestrutura, do inconsciente para o consciente. Sendo assim, o professor deve 
empregar instrumentos de avaliação para averiguar se o conteúdo foi assimilado e 
se os alunos apresentaram alguma dificuldade. É uma etapa muito importante, pois 
é nela que o professor saberá se alcançou os objetivos da aula e se poderá avançar 
no processo pedagógico. 
 Quinto passo: retorno à prática social 
Não é simples aplicação, como na pedagogia tradicional. Nem comprovação 
pela experimentação, como na pedagogia da escola nova, mas retorno à prática so-
cial da comunidade ou do grupo social a que o aluno pertence. O aluno retorna à 
prática social não com o saber sincrético, caótico e confuso, mas, com um saber 
concreto, constituído de relações múltiplas e determinações complexas. A prática 
social final é o momento em que o aluno demonstra que realmente aprendeu, mani-
festando mudanças em seu comportamento em relação ao conteúdo. Para Gasparin 
e Petenucci (2008), esta se manifesta “pelo compromisso e pelas ações que o edu-
cando se dispõe a executar em seu cotidiano pondo em efetivo exercício social o 
novo conteúdo cientifico adquirido”. 
Resumindo, o aluno interage com o objeto de conhecimento do seu grupo, 
identifica as contradições sociais e é instrumentalizado para a solução dos proble-
mas postos pela prática social. Nesses níveis, ele coleta os dados, observa as ca-
racterísticas, assimila e acomoda-se. Enfim, exerce açãosobre o objeto de conhe-
cimento num ambiente de dialogicidade. 
A implementação dessa prática docente está vinculada a uma nova forma de 
pensar a educação, sendo necessário muito esforço, estudo, experimentações, co-
ragem para inovar, divergir, arriscar e assumir desafios. Portanto, sua aplicabilidade 
exitosa, depende indubitavelmente do compromisso dos educadores em aprofundar 
seus conhecimentos teóricos e criarem condições necessárias como, nova forma de 
planejar e aplicar os conteúdos e as atividades escolares, almejando um ensino sig-
nificativo, crítico e transformador. 
 
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Vejam os slides anexo a esse módulo, para complementar os conceitos sobre 
sala de aula invertida. A seguir, façam a atividade na plataforma, postado no tópico 
“Aprimorando conceitos”. 
 
APRIMORANDO CONCEITOS 
 
Eu li, agora vou fixar!! 
 
 Faça uma releitura do texto desta aula, grifando as ideias importantes. A partir 
do que você grifou, escreva um RESUMO. 
 
PARA CONTINUAR SEUS ESTUDOS, POSTE NO ITEM “APRIMORANDO CON-
CEITOS – RESUMO 4”. 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
SAVIANI, Dermeval. Pedagogia histórico-crítica: primeiras aproximações. 9. ed. rev. e 
ampl. Campinas: Autores Associados, 2005. 
______Escola e democracia. 39. ed. Campinas: Autores Associados, 2007. 
GANDIN, Daniel. Planejamento como prática Educativa. Edições Layola. São Paulo: Bra-
sil, 1988. 
BERGMANN, J.; SAMS, A. Flip Your Classroom: Reach Every Student in Every Class 
Every Day. 1. ed. Colorado: ISTE and ASCD, 2012. 
MORAN, K.; MILSOM, A. The Flipped Classroom in Counselor Education. Counselor 
Education and Supervision, 2015. Disponível em: http://onlinelibrary.wiley.com/doi 
/10.1002/ceas.2015.54.issue-1/issuetoc. 
Perrenoud, P. Dez novas competências para ensinar. Artmed, 2000. 
WACHOWICZ, Lilian Wachowicz. O Método Dialético na Didática. Rio de Janeiro: Papirus, 
1989. 
http://onlinelibrary.wiley.com/doi%20/10.1002/ceas.2015.54.issue-1/issuetoc
http://onlinelibrary.wiley.com/doi%20/10.1002/ceas.2015.54.issue-1/issuetoc

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