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Proteção de Sistemas Elétricos de Potência Disciplina: Tópicos Especiais I – Norma IEC 61850 Prof. Vinícius G. R. Gomes • Formação Acadêmica: – Mestre em Engenharia de Controle e Automação pela UFOP; – Graduado em Engenharia de Controle e Automação pela UFMG; – Técnico em Eletrônica pelo SENAI; • Perfil Profissional – Atua há mais de 16 anos na concepção, desenvolvimento e implantação de projetos de automação para as indústrias de mineração, siderúrgica biocombustíveis; – Atua desde 2010 com projetos envolvendo automação de subestações com a norma IEC 61850; 3 Agenda • Visão geral sobre a norma IEC 61850; • Redes de computadores; • Arquitetura de rede segundo a IEC 61850; • Modelagem de dados: organização dos dados nos IEDs; • Protocolos de Comunicação: GOOSE, MMS e SV; 4 Agenda • Linguagem de programação: XML e os arquivos ICD, CID e SCD; • Protocolo de sincronismo de tempo: SNTP; • Projetos de automação para subestações; • Segurança de rede nas subestações; • Prova 5 Avaliação • Trabalho prático: 60 (sessenta) pontos; – Implementação prática dos principais fundamentos aprendidos na disciplina; • Prova final: 40 (quarenta) pontos; 6 Softwares • Neste curso faremos uso de 02 softwares: – SEL AcSELerator Architect • Download: https://selinc.com/products/5032/ – SEL AcSELerator Quickset • Download: https://selinc.com/products/5030/ • Downloads são gratuitos, mas precisa fazer conta; 7 https://selinc.com/products/5032/ https://selinc.com/products/5030/ Norma IEC 61850 Visão Geral 8 Norma IEC 61850 • IEC 61850: Redes de comunicação e sistemas em subestações de energia elétrica; • International Electrotechnical Comission; • Versão 1 – 2003; • Versão 2 – 2011; 9 Norma IEC 61850 • Aplicável aos sistemas de automação das subestações (SAS); – SAS pode ser definido com um conjunto de dispositivos interligados que monitoram, protegem e operam as subestações e a rede elétrica; – SAS fornece automação dentro de uma subestação e inclui os IEDs e a infraestrutura de rede de comunicação; • Define a comunicação entre os IEDs (Intelligent Electronic Devices) na subestação e os requisitos de sistema relacionados; 10 Norma IEC 61850 • Organização da norma: – Parte 01: Princípios básicos, organização da norma, histórico, etc.; – Descreve a premissa de interoperabilidade na troca de informações entre IEDs de fabricantes distintos e o suporte às funções de operação. – Suporte a futuros desenvolvimentos tecnológicos; 12 Norma IEC 61850 • Organização da norma: – Parte 02: Glossário; – Terminologias e definições utilizadas em várias partes da norma; – Ótimo ponto de consulta a siglas e nomes específicos da área; 13 Norma IEC 61850 • Organização da norma: – Parte 03: Requisitos: gerais, confiabilidade, disponibilidade, manutenibilidade, segurança, integridade de dados, rede; 14 Norma IEC 61850 • Organização da norma: – Parte 04: Gerenciamento do sistema e do projeto; requisitos de engenharia (hardware, parametrização, flexibilidade, escalabilidade); ciclo de vida do sistema e seus IEDs; garantia de qualidade do projeto até o descomissionamento; 15 Norma IEC 61850 • Organização da norma: – Parte 05: Definição das funções e modelagem em nós lógicos. Requisitos de comunicação para funções e modelos de dispositivos;; 16 Norma IEC 61850 • Organização da norma: – Parte 06: Linguagem de configuração para IEDs; SCL (Substation Configuration Language); • Subestação; • IEDs e LNs; • Comuniação. 17 Norma IEC 61850 • Organização da norma: – Parte 07: Estrutura de comunicação básica; Arquitetura de comunicação em camadas; Dispositivos lógicos; Nós lógicos; Classe de dados; Troca de informações; – São 04 partes; – Conceito de definição abstrata de dados e serviços. A criação de objetos, dados e serviços é feita independente de protocolo. 18 Norma IEC 61850 • Organização da norma: – Parte 08: Protocolos para subestações: GOOSE, MMS, SNTP; Operação entre dispositivos; 19 Norma IEC 61850 • Organização da norma: – Parte 09: Protocolo Sampled Values (SV); 20 Norma IEC 61850 • Organização da norma: – Parte 10: Teste de Conformidade; Procedimentos (testes de latência na comunicação, sincronismo de tempo); Garantia de qualidade; Documentação; 21 Norma IEC 61850 • Organização da norma: 22 Norma IEC 61850 • A evolução dos sistemas eletromecânicos para digitais, com poderosos microprocessadores, permitiu o desenvolvimento do sistema de automação das subestações; • IEDs desempenham funções diversas como proteção, controle local e remoto, monitoramento, etc; • Como consequência, a necessidade de uma comunicação eficiente entre os IEDs e também de um protocolo padrão; 23 Histórico: Pré IEC 61850 • Evolui-se de um sistema totalmente fiado para um sistema de comunicação em rede para supervisão e, posteriormente, para controle e proteção. 24 Histórico: Pré IEC 61850 • Evolução da Automação nas Subestações – Entre meados de 1970 e 1980 os sistemas era em sua totalidade fiados (interligados por cabo de cobre); – Troca de informações via contato. Cada entrada e cada saída representava um sinal apenas; – Grandes quantidade de cabos e chicotes para trocar poucas informações; – A partir dos anos 90, com novas tecnologias como os relés inteligente já foi possível realizar a comunicação entre os dispositivos e com o sistema de supervisão. – Porém, começa a se inserir complexidade. Como os dados são modelados? Quais protocolos devo usar? 25 Histórico: Pré IEC 61850 • Evolução da Automação nas Subestações – A partir dos anos 2000 já veio a necessidade de criar padronização. Criar uma metodologia, uma suíte de protocolos e um modelo de dados para os dispositivos; – Surge também a rede de comunicação ligando os dispositivos de campo aos IEDs. Cria-se um novo barramento de comunicação. 26 Histórico: Pré IEC 61850 • Comunicação nas subestações Comunicação Links Físicos Protocolos Proprietários: geralmente fechados Abertos: Modbus, Devicenet, Profibus, IEC 60870, DNP3, etc. EIA-232 Metálico/Óptico EIA-485 Metálico Ethernet Metálico Ethernet Óptico 27 Histórico: Pré IEC 61850 • Comunicação nas Subestações – Antigamente muitos equipamentos trocavam informações por comunicação serial; • Uma comunicação lenta e com baixo fluxo de dados; • Redes com poucos dispositivos. Redes maiores não são suportadas; • Redundância e supervisão são muito difíceis; – Os protocolos de comunicação eram muito variados e específicos de cada fornecedor (protocolos fechados); – Começaram a surgir uma variedade enorme de protocolos abertos, o que tornava muito difícil a comunicação e interoperabilidade entre os dispositivos. 28 Histórico: Pré IEC 61850 • Protocolo Modbus – Protocolo dos anos 70; – Utilizado associado aos CLPs; – Extremamente simples; – Baseado em registros de memória; – Toda informação é mapeada da mesma forma (mesmo registro em bits); – Faixas de endereço reservados para tipo de dados: saídas discretas, entradas discretas; saídas analógicas, entradas analógicas, etc. – Problema: confiabilidade da transmissão de dados (timestamp); 29 Histórico: Pré IEC 61850 • Protocolo DNP3 – Protocolo dos anos 90; – Padrão em sistema de energia, água, óleo e gás principalmente nos EUA; – Consolidado no Brasil como um dos padrões do setor elétrico; – Protocolo orientado a objetos; • Classificação da informação, como por exemplo: tensão de determinada fase seria um tipo “entrada analógica” e estado do disjuntor seria um tipo “entrada digital”; – Possibilidade de utilização de Timestamp e flags; 30 Histórico: Pré IEC 61850 • Consequências: diversos protocolos e padrões! MODBUS DNP3 DEVICENET PROFIBUS IEC 60870 Outros ... 31 FIELDBUS Histórico: Pré IEC 61850 • Desafios: – Muitos protocolos diferentes; – Um único protocolo não atende todas as necessidades; • Ex: alta velocidade,confiabilidade, organização dos dados; – Diferentes funcionalidades; – Interoperabilidade é um problema grande; – Custos de engenharia elevados; 32 Histórico: Pré IEC 61850 • Necessidades: – Operação em Tempo Real • Manobras, medições, monitoramento de estado do sistema, localização de falta, alarmes, sinalização, etc. – Proteção • Análise de atuação, seletividade, oscilografias, SOE (sequence of events), ajustes dos IEDs, etc. – Medição de faturamento 33 Histórico: Pré IEC 61850 • Necessidades: – Planejamento • Previsão de longo prazo, análise de estabilidade e fluxo de carga, relatórios de tendências, etc. – Manutenção • Desgaste dos equipamentos, análise de tempos de operação, monitoramento de baterias, relatórios de partida de motores, estatísticas, etc. 34 Histórico: Pré IEC 61850 • Necessidades: – Padronização – Protocolo “Global” – “Língua” única entre todos os dispositivos independente de seu fabricante ou da função que exerça na subestação. – NORMA IEC 61850! 35 Norma IEC 61850 • Principais objetivos da norma: – Desenvolver um padrão de comunicação que atenderá aos requisitos funcionais e de desempenho, ao mesmo tempo que oferece suporte a futuros desenvolvimentos tecnológicos. – O padrão de comunicação deverá suportar as funções de operação da subestação. – Cada função pode requerer uma comunicação diferente. Por exemplo: quantidade de dados a serem trocados, restrições de tempo na comunicação, etc. 36 Norma IEC 61850 • Principais objetivos da norma: – A norma deverá garantir os seguintes aspectos: • Que o perfil de comunicação completo é baseado nos padrões de comunicação IEC / IEEE / ISO / OSI existentes, se disponíveis. • Que os protocolos usados serão abertos e oferecerão suporte a dispositivos auto descritivos. • Que a norma é baseada em objetos de dados relacionados às necessidades da indústria de energia elétrica. • Que a sintaxe de comunicação e semântica são baseadas no uso de dados comuns relacionados ao sistema de potência. • Que o padrão de comunicação considere as implicações de a subestação ser um nó na rede elétrica, ou seja, do SAS ser um elemento no sistema de controle de energia geral. 37 Norma IEC 61850 • Principais objetivos da norma: – Garantir interoperabilidade e intercambialidade entre dispositivos de diferentes fabricantes; – Interoperabilidade: • Capacidade de dois ou mais IEDs de diferentes fabricantes trocar informações e posterior uso em funções específicas (IEC 61850-1); • Capacidade de operar na mesma rede ou caminho de comunicação compartilhando informações e comandos; • A troca de dados entre os dispositivos possibilita várias vantagens como a realização de proteção através da rede de comunicação e a flexibilidade de implementação de funções de intertravamento, inclusive fisicamente distantes; 38 Norma IEC 61850 • Principais objetivos da norma: – Garantir intercambialidade entre dispositivos de diferentes fabricantes; • Intercambialidade: capacidade de substituir um dispositivo fornecido por um fabricante por um dispositivo de outro fabricante, sem a necessidade de alterações nos outros elementos do sistema; 39 Norma IEC 61850 • Principais objetivos da norma: – Garantir interoperabilidade entre dispositivos de diferentes fabricantes; 40 Norma IEC 61850 • Principais objetivos da norma: – Padronizar os métodos de comunicação entre os dispositivos; – Suportar a evolução de tecnologias; – Possibilitar a comunicação em alta velocidade e com alta confiabilidade; – Definir os padrões e protocolos de comunicação que podem ser utilizados nas subestações. 41 Norma IEC 61850 • Não é um protocolo! • Define um modelo de informação; • Padroniza a comunicação e o sistema de automação de energia; • Não se limita a uma subestação e sim a todo o sistema – IEC TR 61850-90-1 – modela a comunicação entre subestações; – IEC TR 61850-90-8 – modelo para veículos elétricos; • Todo fabricante utiliza o mesmo “dialeto” para comunicação; 42 Norma IEC 61850 • O que esse modelo propõe? – Modelagem dos dispositivos de automação da subestação; • Orientação a objetos; – Modelagem dos mecanismos de comunicação; • Troca de mensagens e básico de redes; • Protocolos são usados para atender diferentes necessidades; – Linguagem de configuração padronizada; 44 Norma IEC 61850 • Requisitos Gerais (61850-3): – Confiabilidade: exige-se que a falha de um dispositivo de comunicação não influencie na operação do sistema e que o monitoramento e controle local sejam mantidos; – Falhas: a falha em um componente do sistema não pode desativar funções críticas, sendo assim as funções de proteção devem atuar de maneira autônoma. – Integridade dos dados: Deve-se garantir a integridade dos dados transmitidos, o sistema deve considerar detecção de erros de transmissão e recuperação frente ao congestionamento 45 IEDs • IED – Intelligent Electronic Device: – Qualquer dispositivo que incorpore um ou mais processadores, com a capacidade de receber ou enviar dados de, ou para, uma fonte externa. Exemplos: medidores multifuncionais, relés digitais, controladores; (IEC 61850-2) – Telecomunicações: • Gateways, conversores, RTUs; – Interface Homem-Máquina: • Gateways, computadores, servidores; IEDs com HMIs integradas; – Processo: • Relés de proteção, unidades de controle de bay, RTUs, medidores, controladores autônomos, transdutores. 46 IEDs • UTR – Unidade Terminal Remota – Possuem basicamente: • UCP: Unidade Central de Processamento • Cartões de E/S digitais e analógicas; • Canais de comunicação com protocolos diversos; – Podem ou não ter capacidade de programação de lógica; – Podem ser distribuídas por bays com interligação através de rede; 47 IEDs • CLP - Controlador Lógico Programável – Possuem basicamente: • Uma ou mais UCP; • Cartões de E/S digitais e analógicas; • Canais de comunicação com protocolos diversos; – São programáveis com linguagem do tipo Ladder, Texto estruturado, Diagrama de Blocos; SEL-2440 48 IEDs • Concentrador de Dados (Gateway) – Convertem protocolos de diferentes camadas; – Pode possuir um software embarcado ou não; – Sua principal função é coletar informações de outros equipamentos através dos canais de comunicação; – É conhecido também como Gateways de Comunicação. SEL-3573 SEL-3530 49 IEDs • Merging Units – Permitem a interligação de transformadores de instrumentos (TCs e TPs); – Realizam a amostragem dos sinais de tensão e corrente a uma taxa de amostragem configurada e disponibiliza a informação na rede (protocolo SV); 50 IEDs • Merging Units – Permitem a interligação de transformadores de instrumentos (TCs e TPs); – Realizam a amostragem dos sinais de tensão e corrente a uma taxa de amostragem configurada e disponibiliza a informação na rede (protocolo SV); SEL-401 51 IEDs • Medidores de Qualidade de Energia e Medidores de Faturamento – Medição precisa de grandezas analógicas como corrente, tensão, harmônicas, etc; – Ligados a TC´s de proteção; 52 IEDs • Relés de Proteção Digital – São dispositivos de proteção dedicados ou multifunção; – Além da função primária de proteção pode acumular também as funções de: • Controlador de Bay; • Automatizador de processos; • Medidor de variáveis analógicas – Devem prover sincronismo de seus relógios internos para geração de oscilografias e sequenciais de eventos precisos; – Permitem adição de lógica: booleana, aritmética, temporizadores, contadores, etc; 53 IEDs • Relés de Proteção Digital IHM no painel frontal 54 Dispositivos de Rede – Vão permitir a comunicação entre os dispositivos com o encaminhamento dos pacotes de dados; – Hubs; – Switches e roteadores; – Firewalls; Switches e Roteadores Firewalls 55 Referências Bibliográficas • IEC61850, Communication networks and systems in substations. 2003. • Universidade SEL, Introdução à automação de subestações. 2017. Contato • Prof. ViníciusGomes • Email: viniciusrgr@gmail.com • Telefone: (31) 99743-2202 56 mailto:viniciusrgr@gmail.com