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Estudo preliminar para a 
criação de selos de indicação 
geográfica de pinhão com 
base nas características locais 
e nos atributos sensoriais
Documentos
ISSN 1517-526X / e-ISSN 1980-3958
Colombo, PR / Junho, 2024
391
Embrapa Florestas
Colombo, PR
2024
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
Embrapa Florestas
Ministério da Agricultura e Pecuária
Estudo preliminar para a criação de 
selos de indicação geográfica de 
pinhão com base nas características 
locais e nos atributos sensoriais
Documentos 391
Elenice Fritzsons
Rossana Catie Bueno de Godoy
Michele Rosset
Maria Iolanda Mendes Silva
ISSN 1517-526X / e-ISSN 1980-3958
Junho, 2024
Embrapa Florestas
Estrada da Ribeira, Km 111, Guaraituba
Caixa Postal 319
83411-000, Colombo, PR
Fone: (41) 3675-5600
www.embrapa.br/florestas
www.embrapa.br/fale-conosco/sac
Comitê Local de Publicações
Presidente
Patrícia Póvoa de Mattos
Vice-presidente
José Elidney Pinto Júnior
Secretária-executiva
Elisabete Marques Oaida
Membros
Annete Bonnet
Cristiane Aparecida Fiorante Reis
Elenice Fritzsons
Guilherme Schnell e Schühli
Marilice Cordeiro Garrastazú
Sandra Bos Mikich
Susete do Rocio Chiarello Penteado
Valderês Aparecida de Souza
Edição executiva e revisão de texto
José Elidney Pinto Júnior
Normalização bibliográfica
Francisca Rasche (CRB-9/1204)
Projeto gráfico
Leandro Sousa Fazio
Diagramação
Celso Alexandre de Oliveira Eduardo
Foto da capa
Eder Lopes
Publicação digital: PDF
Todos os direitos reservados
A reprodução não autorizada desta publicação, no todo ou em parte, 
constitui violação dos direitos autorais (Lei nº 9.610).
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Embrapa Florestas
Estudo preliminar para a criação de selos de Indicação geográfica de pinhão 
com base nas características locais e nos atributos sensoriais. [recurso 
eletrônico] / Elenice Fritzsons ... [et al.]. − Colombo : Embrapa Floresta, 2024. 
PDF (46 p.) : il. color. - (Documentos / Embrapa Florestas, e-ISSN 1980-3958 ; 391)
1. Araucária angustifolia. 2. Pinhão. 3. Indicação geográfica. 4. Análise sensorial. 
5. Economia circular. 6. Agricultura familiar. 7. Produto florestal não lenhoso. 8. 
Produto alimentício I. Fritzsons, E. II. Godoy, R. C. B. de. III. Rosset, M. IV. Silva, M. 
I. M. V. Série.
CDD (21. ed.) 634.96
Francisca Rasche (CRB-9/1204) © 2024 Embrapa
Autores
Elenice Fritzsons
Engenheira-agrônoma, doutora em Engenharia Florestal, 
pesquisadora da Embrapa Florestas, Colombo, PR.
Rossana Catie Bueno de Godoy
Engenheira-agrônoma, doutora em Tecnologia de Alimentos, 
pesquisadora da Embrapa Florestas, Colombo, PR.
Michele Rosset
Química, doutora em Ciência dos Alimentos, professora no Instituto 
Federal do Paraná, Campus Colombo, PR.
Maria Iolanda Mendes Silva
Estudante de graduação em Tecnologia de Alimentos, Instituto 
Federal do Paraná, Campus Colombo, PR.
Apresentação
Este trabalho mostra uma forma de desenvolver estudos para obtenção 
de selo de indicação geográfica (IG) para pinhão e produtos derivados de 
pinhão. São várias as condições necessárias para obtenção do selo e o 
processo ocorre em várias etapas, sendo uma delas a caracterização do local 
(fatores naturais e humanos) e do produto ou serviço. Estas caracterizações 
são fundamentais, especialmente para obter o selo de denominação de 
origem (DO), onde as características do local têm forte peso na identidade 
do produto ou serviço, tornando-o singular. O estudo ambiental também 
subsidia a dimensão geográfica, ou seja, a área de origem do produto ou 
processo a ser delimitada. 
Este trabalho apresenta a caracterização local e também propõe 
uma forma de avaliar o produto, no caso pinhão, buscando identificar 
padrões de qualidade e de identidade por avaliações sensoriais e análises 
instrumentais como cor e textura. As localidades avaliadas neste trabalho 
foram: Lagoa Vermelha, RS, Painel, SC, Inácio Martins, PR e Cunha, SP e 
os pinhões avaliados foram provenientes destas localidades. Nestes locais 
há comunidades rurais organizadas, ou em vias de organização, que têm 
no pinhão uma fonte de renda alternativa e complementar, sendo que, em 
Painel, já há três produtos com selo de indicação geográfica. Esta nova linha 
de pesquisa da Embrapa Florestas objetiva congregar informações técnicas 
e direcionamentos para a obtenção de certificações regionais e agregação 
de valor aos produtos alimentícios de origem florestal. 
Este trabalho apresenta forte alinhamento às diferentes metas dos 
objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS), estabelecidos pela Agenda 
2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). Destacam-se os ODS 2, 8, 
12 e 17, pelo manuscrito apresentar proposta para a obtenção de certificações 
regionais e agregação de valor aos produtos alimentícios de origem florestal, 
reforçando a importância da gestão e uso eficiente desses recursos, além 
de contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas direcionadas ao 
crescimento econômico regional e desenvolvimento sustentável.
Guilherme Schnell e Schühli
Chefe interino de P&D da Embrapa Florestas
Sumário
Introdução _______________________________________________________________________ 9
Caracterização ambiental __________________________________________________13
Lagoa Vermelha - Região fisiográfica dos Campos
de Cima da Serra ou “Campos de Vacaria _________________________ 14
Localização da região _____________________________________________________ 14
Relevo e hidrografia ________________________________________________________ 15
Solos ___________________________________________________________________________ 16
Vegetação ____________________________________________________________________ 17
Economia e selo de indicação geográfica ____________________________ 17
Painel - Região fisiográfica do Planalto
de Lages da Serra Catarinense _________________________________________ 19
Localização da região _____________________________________________________ 19
Clima ___________________________________________________________________________ 19
Relevo e hidrografia ________________________________________________________ 21
Solos ___________________________________________________________________________ 21
Vegetação ____________________________________________________________________ 21
Economia _____________________________________________________________________ 21
Inácio Martins - Região fisiográfica
centro-sul do estado do Paraná ________________________________________ 24
Localização da região _____________________________________________________ 24
Área de proteção ambiental da Serra da Esperança ______________ 24
Clima ___________________________________________________________________________ 24
Relevo e hidrografia ________________________________________________________ 25
Solos ___________________________________________________________________________ 26
Vegetação ____________________________________________________________________ 27
Economia _____________________________________________________________________ 27
Cunha - Região fisiográfica de Mar de Morros ____________________ 28
Localização da região _____________________________________________________ 28
Clima ___________________________________________________________________________ 29
Relevo ________________________________________________________________________ 31
Geologia e Solos ____________________________________________________________ 31
Vegetação ____________________________________________________________________ 31
Economia _____________________________________________________________________ 32
Comparação entre os climas estudados _________________________33
Análise sensorial ____________________________________________________________36
Análises físico-químicas _________________________________________________37
Resultados da análise sensorial ______________________________________38
Resultados das análises físico-químicas__________________________39
ConsideraçõesFLORES, C. A.; BOGNOLA, I. Solos 
do Estado de Santa Catarina. Rio de Janeiro: Embrapa Solos, 2004. 721 
p. (Embrapa Solos. Boletim de pesquisa e desenvolvimento, 46). Disponível 
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Rio Grande do Sul. Disponível em: https://www.ufsm.br/museus/msrs. 
Acesso em: 30 ago. 2023.
https://www.gov.br/inpi/pt-br/central-de-conteudo/noticias/inpi-concede-ig-campos-de-cima-da-serra-para-queijo-artesanal-serrano
https://www.gov.br/inpi/pt-br/central-de-conteudo/noticias/inpi-concede-ig-campos-de-cima-da-serra-para-queijo-artesanal-serrano
https://www.ufsm.br/museus/msrs/unidade-de-solos
https://www.ufsm.br/museus/msrs/unidade-de-solos
https://www.ufsm.br/museus/msrs
45Estudo preliminar para a criação de selos de identificação geográfica de pinhão...
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guiadeareasprotegidas.sp.gov.br/. Acesso em: 1 set. 2023.
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digital/bitstream/item/145916/1/Doc.-290-Dados-Climaticos-M.Wrege.pdf.
https://smastr16.blob.core.windows.net/home/2020/07/tabela-municipio-inventario-florestal-if-2020.pdf
https://smastr16.blob.core.windows.net/home/2020/07/tabela-municipio-inventario-florestal-if-2020.pdf
https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/origens/queijo-artesanal-serrano,7353bda27b4ee710VgnVCM100000d701210aRCRD
https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/origens/queijo-artesanal-serrano,7353bda27b4ee710VgnVCM100000d701210aRCRD
https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/origens/queijo-artesanal-serrano,7353bda27b4ee710VgnVCM100000d701210aRCRD
https://guiadeareasprotegidas.sp.gov.br/
https://guiadeareasprotegidas.sp.gov.br/
C
G
PE
 1
85
94
	Introdução
	_Hlk140223400
	_GoBackfinais ______________________________________________________41
Referências _____________________________________________________________________42
9Estudo preliminar para a criação de selos de identificação geográfica de pinhão...
Introdução
Este estudo foi desenvolvido como complemento ao projeto 
Mulheres e a Cultura do Pinhão, em parceria com a VBio e Avon. 
A caracterização de pinhões de diferentes localidades é a base para 
a implantação de sistemas de rastreabilidade e, posteriormente, selos 
de indicação geográfica (IG) e denominação de origem (DO). 
O selo IG, emitido pelo Instituto Nacional da Propriedade Indus-
trial (INPI), incentiva o desenvolvimento dos produtos ou serviços 
regionais para o reconhecimento nacional e internacional. A impor-
tância do reconhecimento de IGs movimenta a economia local, am-
plia o mercado de trabalho e fomenta oportunidades para o turismo 
na região com geração de novos empregos, de valor agregado aos 
produtos e de visibilidade e desenvolvimento regional. Pode ser uma 
alternativa de inserção no mercado, frente às grandes empresas (Hic-
kenbick; Figueiredo, 2017).
O selo da IG garante que um produto só tem aquelas proprieda-
des porque é influenciado por características ambientais ou culturais 
de uma determinada região. Apesar de serem objetos de leis secu-
lares no exterior, principalmente na Europa, as indicações geográfi-
cas apareceram pela primeira vez na legislação brasileira em 1996, 
na Lei de Propriedade Industrial (LPI) (Sakkis, 2022). 
Há duas modalidades de IG: a indicação de procedência (IP) e a 
denominação de origem (DO). A IP é o nome geográfico de um país, 
cidade, região ou localidade, que tenha se tornado conhecido como 
centro de extração, produção ou fabricação de determinado produto 
ou de prestação de determinado serviço, tal como o queijo Canastra 
em Minas Gerais, o cacau do sul da Bahia e os serviços tecnológicos 
prestados pelo Porto Digital, em Recife.
A DO é o nome geográfico de país, cidade, região ou localidade 
de seu território, que designe produto ou serviço cujas qualidades ou 
características se devam exclusiva ou essencialmente ao meio geo-
gráfico, incluídos os fatores naturais e humanos (Brasil, 1996). Como 
exemplo, tem-se o vinho do Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul, 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9279.htm
10 Documentos 391
o mel de abelhas de Ortigueiras, no Paraná, assim como o café da 
região do Cerrado Mineiro. 
O processo de formalização para obtenção de um selo de IG de-
manda tempo, dedicação e trabalho integrado dos diversos agentes 
que participam da cadeia produtiva. São necessários longos perío-
dos de esforço conjunto para adequar sistemas, fazer o levantamen-
to histórico, caracterizar o ambiente, delimitar a área e tomar outras 
providências, a fim de atender todas as exigências do INPI (Instituto 
Nacional de Propriedade Industrial, 2022). Para compor uma IG são 
necessárias diversas etapas e, ao final destas, o processo é subme-
tido ao INPI para aprovação. O modelo esquemático apresentado na 
Figura 1 foi desenhado pelos autores a partir das informações obtidas 
no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial, 2022).
Apesar de todo este trabalho que envolve diversas etapas, a ob-
tenção de uma IG compensa por proteger a origem e a qualidade 
dos produtos ou serviços; diferenciar-se dos concorrentes e agregar 
valor ao produto ou serviço; fortalecer a identidade cultural e o desen-
volvimento local e aumentar a visibilidade e o reconhecimento dos 
produtos ou serviços no mercado. Por isso, o Brasil possui 88 IPs, 
sendo a primeira obtida em 2002 (Vale dos Vinhedos, RS). Há 26 DOs 
nacionais, sendo a primeira obtida em 2010 pela Associação dos Pro-
dutores de Arroz do Litoral Norte Gaúcho – Aproarroz, RS (Instituto 
Nacional de Propriedade Industrial, 2022).
Apesar de diversos produtos já terem obtido o selo de IG, até o 
momento não se tem registro de IG para pinhão ou para produtos 
derivados. Em função da importância que o mercado de pinhão tem 
para as diversas comunidades rurais, a aquisição de um selo de IG 
seria muito importante para agregar valor a esse produto florestal e 
contribuir para a conservação da floresta, pelo uso sustentável. 
A araucária (Araucaria angustifolia) é uma espécie comum do bio-
ma Floresta Atlântica e pertence ao ecossistema da Floresta Ombrófi-
la Mista ou Floresta com Araucária. Ocorre, especialmente, no Sul do 
País, mas também nas porções elevadas das serras e montanhas do 
Sudeste do Brasil, em áreas frias e com geadas frequentes. 
https://noticias.portaldaindustria.com.br/especiais/um-panorama-das-indicacoes-geograficas-no-brasil/
11Estudo preliminar para a criação de selos de identificação geográfica de pinhão...
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12 Documentos 391
A coleta de pinhão é feita de forma extrativista da semente de 
araucária, nos meses de outono e inverno. Na literatura há relatos de 
que existem variedades de pinhão com diferentes épocas de deiscên-
cia, sendo a variedade São José coletada entre fevereiro e março; a 
variedade Angustifolia no período de abril a maio e a variedade Caio-
vá ou Kayuvá, tardia, de junho a agosto (Araldi et al., 2018).
Para muitos agricultores familiares, a coleta do pinhão represen-
ta um ganho extra muito importante para manter suas atividades no 
campo e complementar a renda familiar. Um exemplo deste interes-
se no pinhão é o projeto da agroindústria de farinha de pinhão que 
será implantado em Inácio Martins, PR, pelo Consórcio Intermunicipal 
para Desenvolvimento Regional Conder e com apoio da Invest Para-
ná e também da prefeitura municipal de Inácio Martins, Ministério do 
Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Ministério da 
Agricultura e Pecuária (Mapa), Universidade Tecnológica do Paraná 
(UTFPR), Universidade Estatual de Ponta Grossa (UEPG), Instituto 
de desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), Secretaria da Agri-
cultura, CTAA e CNPF, da Embrapa (Embrapa 50, 2022). Esta agroin-
dústria objetiva processar a farinha do pinhão, e o pinhão descascado 
e congelado, ambos com alta agregação de valor. 
Com o incremento da cadeia produtiva do pinhão, os consumido-
res passaram a dar maior atenção à semente, apontando diferenças 
na matéria-prima, provenientes de localidades diversas. A aplicação 
de testes sensoriais e técnicas instrumentais como o perfil de textura 
e análise de cor são ferramentas que auxiliam na indicação e discri-
minação de grupos distintos de sementes de A. angustifolia. A hete-
rogeneidade encontrada pode estar relacionada às diferentes condi-
ções edafoclimáticas dos locais de origem e, também, às diferenças 
genéticas entre elas. 
A caracterização das condições ambientais dos locais de origem 
dos pinhões, além de importante para que estas relações sejam 
verificadas, é fundamental para a obtenção de um selo de indicação 
geográfica, uma vez que um dos requisitos é a indicação das 
características edafoclimáticas do ambiente. No caso de produtos 
processados, o saber fazer também deve ser genuíno sendo o caso, 
por exemplo, dos laticínios de Witmarsun ou do queijo serrano de 
Campos de Cima da Serra. 
13Estudo preliminar para a criação de selos de identificação geográfica de pinhão...
O objetivo deste trabalho é caracterizar o ambiente físico de qua-
tro locais geográficos e definir as características sensoriais e de tex-
tura dos pinhões provenientes destes locais. Para isto foram feitos os 
seguintes procedimentos:
1) Caracterização do local (ambiente físico e humano) de qua-
tro locais geográficos distintos onde há produção e coleta de 
pinhão (Lagoa Vermelha, RS; Painel, SC; Inácio Martins, PR e 
Cunha, SP);
2) Aplicação de testes sensoriais e composição do perfil de tex-
tura dospinhões provenientes destes quatro locais e mais a 
variedade Caiová e Angustifolia;
3) Utilização de testes estatísticos para verificar possíveis di-
ferenças nas respostas sensoriais e dos testes de perfil de 
textura.
Além do referencial metodológico, as informações oriundas des-
ses estudos dão subsídios para cumprir as etapas de obtenção de um 
selo de indicação geográfica (IG), no que se refere à caracterização e 
delimitação geográfica da área e ao padrão de definição dos critérios/
padrão de identidade dos produtos.
Caracterização ambiental
As variações no clima podem indicar um conjunto de variações 
ambientais significativas, por exemplo, maior ou menor ocorrência 
de geadas, diferenças de radiação solar, nebulosidade, número de 
horas de temperatura abaixo de 0 ºC, entre outras. Para os solos, 
há os caracteres de fertilidade, textura e profundidade, por exem-
plo, e há também singularidades de relevo, hidrografia e paisagem. 
Este trabalho de caracterização ambiental deve ser feito em escala 
tal que permita que as características que são diferenciais daquele 
local sejam evidenciadas e que, ao mesmo tempo, não se perca a 
14 Documentos 391
dimensão geográfica da área a ser delimitada. Como exemplo, para 
evidenciar as características locais, tais como monumentos naturais 
ou não, como áreas de cascatas, ou pequenas vilas, escala a partir 
de 1:25.000 ou maiores até 1:5.000 seriam adequadas. Para eviden-
ciar feições de relevo, tais como serras e montanhas e planícies, de-
vem ser adotadas escalas a partir de 1:50.000 ou até 1:10.000. 
Estas singularidades devem ser discriminadas e podem conferir 
especificidades ao produto, o que é especialmente importante para 
obter as DOs, uma vez que produto ou serviço deve apresentar ca-
racterísticas que estão relacionadas exclusiva ou essencialmente ao 
meio geográfico, sendo estas imprescindíveis para registrar a identi-
dade da marca. 
Muitas vezes, o ambiente é o responsável pelas características 
que diferenciam o produto (Malta et al., 2022), porém é necessário ob-
servar que as diferenças encontradas podem ocorrer devido a mate-
riais genéticos distintos e não, necessariamente, devido ao ambiente. 
A seguir serão descritas as caracterizações ambientais dos locais 
deste estudo.
Lagoa Vermelha − Região fisiográfica 
dos Campos de Cima da Serra 
ou Campos de Vacaria
Localização da região
Está localizada na região nordeste do estado do Rio Grande 
do Sul, na divisa com Santa Catarina, em altitude que vai de 900 a 
1.200 m acima do nível do mar, podendo ultrapassar 1.800 m, com 
declividade sempre em direção a oeste (Córdova; Schlickmann, 2020). 
Os municípios vizinhos são: Bom Jesus, Cambará do Sul, Campestre 
da Serra, Capão Bonito do Sul, Esmeralda, Ipê, Jaquirana, Monte 
Alegre dos Campos, Muitos Capões, Pinhal da Serra, São Francisco 
de Paula, São José dos Ausentes e Vacaria.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Fisiografia_do_Rio_Grande_do_Sul
https://pt.wikipedia.org/wiki/Fisiografia_do_Rio_Grande_do_Sul
https://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Grande_do_Sul
https://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Grande_do_Sul
https://pt.wikipedia.org/wiki/Bom_Jesus_(Rio_Grande_do_Sul)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cambará_do_Sul
https://pt.wikipedia.org/wiki/Campestre_da_Serra
https://pt.wikipedia.org/wiki/Campestre_da_Serra
https://pt.wikipedia.org/wiki/Capão_Bonito_do_Sul
https://pt.wikipedia.org/wiki/Esmeralda_(Rio_Grande_do_Sul)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ipê_(Rio_Grande_do_Sul)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jaquirana
https://pt.wikipedia.org/wiki/Monte_Alegre_dos_Campos
https://pt.wikipedia.org/wiki/Monte_Alegre_dos_Campos
https://pt.wikipedia.org/wiki/Muitos_Capões
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pinhal_da_Serra
https://pt.wikipedia.org/wiki/São_Francisco_de_Paula_(Rio_Grande_do_Sul)
https://pt.wikipedia.org/wiki/São_Francisco_de_Paula_(Rio_Grande_do_Sul)
https://pt.wikipedia.org/wiki/São_José_dos_Ausentes
https://pt.wikipedia.org/wiki/Vacaria
15Estudo preliminar para a criação de selos de identificação geográfica de pinhão...
O clima é do tipo Cfb (classificação de Köppen): clima oceânico 
temperado, o mês mais frio com temperatura média acima de 0 °C 
ou −3 °C, todos os meses apresentam temperatura média abaixo de 
22 °C e, pelo menos, quatro meses apresentam temperatura média 
acima de 10 °C. 
A região está sujeita aos ventos frios com origem no Atlântico Sul 
Meridional, no Oceano Antártico, e trans-andinos, sendo frequentes as 
mudanças bruscas de temperatura. Há ocorrência de geadas desde 
o início de abril até o mês de novembro e, em alguns invernos, há 
nevadas. As chuvas são, em geral, abundantes e com alguns veranicos. 
A visibilidade atmosférica é das melhores do Rio Grande do Sul, não 
apresentando nevoeiros e tetos baixos de prolongada duração, que 
são dissipados rapidamente pela ação do Sol.
A Tabela 1 apresenta valores médios anuais de variáveis climáti-
cas para cada estação do ano. A disponibilidade hídrica anual é por 
volta de 900 mm e há grande disponibilidade hídrica ao longo do ano, 
embora, no período de inverno e primavera, ela aumente. A tempera-
tura média anual é 17 °C e há, em média, 346 horas de frio no período 
de maio a agosto.
Relevo e hidrografia
Lagoa Vermelha situa-se a oeste da região de Campos de Cima da 
Serra, e o relevo é formado por campos, planaltos e colinas de peque-
nas e grandes elevações nas quais se desenvolve a atividade pastoril. 
Estas elevações (cabeceiras de drenagem) separam os rios que cor-
rem para o norte e deságuam no rio Pelotas, daqueles que correm para 
o sul e deságuam no rio das Antas e no Alto Taquari. A altitude média 
está em torno de 750 m acima do nível do mar. A altitude máxima é 
900 m e a mínima pouco menos de 600 m. A cidade sede do município 
situa-se a 797 m de altitude (Córdova; Schlickmann, 2020).
https://pt.wikipedia.org/wiki/Clima_oceânico
https://pt.wikipedia.org/wiki/Clima_oceânico
https://pt.wikipedia.org/wiki/Geadas
https://pt.wikipedia.org/wiki/Mês
https://pt.wikipedia.org/wiki/Chuva
https://pt.wikipedia.org/wiki/Veranico
https://pt.wikipedia.org/wiki/Visibilidade
https://pt.wikipedia.org/wiki/Sol
https://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Pelotas
https://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_das_Antas_(Rio_Grande_do_Sul)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Taquari_(Rio_Grande_do_Sul)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Altitude
https://pt.wikipedia.org/wiki/Metros
https://pt.wikipedia.org/wiki/Nível_do_mar
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cidade
https://pt.wikipedia.org/wiki/Município
16 Documentos 391
Tabela 1. Valores médios para os principais parâmetros climáticos de Lagoa 
Vermelha, RS, por estação do ano e anual.
Lagoa Vermelha, RS
Variáveis(1) Primavera Verão Outono Inverno Anual
Precipitação (mm) 480,18 436,97 369,50 438,78 1713,35
ETP (mm) 188,69 310,52 192,53 106,15 797,90
Insolação (horas) 188,09 214,26 183,69 162,02 187,81
P-ETP (mm) 292,33 113,93 175,48 332,74 916,40
Temperatura 
média (°C) 16,75 21,03 17,17 12,75 16,93
Temperatura míni-
ma (°C) 11,98 16,28 12,76 8,27 12,33
Temperatura míni-
ma absoluta (°C) 2,32 8,54 2,83 -2,99 2,68
Temperatura 
máxima (°C) 22,63 26,88 22,97 18,61 22,77
Temperatura 
máxima absoluta 
(°C)
31,97 33,64 30,19 27,67 31,36
Umidade relativa 
(%) 73,53 74,43 78,63 77,14 76,01
Velocidade do 
vento (m s-1) 3,45 3,09 2,83 3,10 3,12
(1) ETP – evapotranspiração potencial; P-ETP – precipitação pluviométrica menos 
evapotranspiração potencial.
Fonte: Wrege e Fritzsons (2015).
Solos
No mapa de solos do Rio Grande do Sul, há dois grandes grupos 
de solos que predominam no município: TBRa1 (Terra Bruna estrutu-
rada intermediária para Terra Roxa estruturada álica, A proeminente,-
textura muito argilosa e Solos Litólicos Alicos e distróficos, A proemi-
nente e moderado, textura média e argilosa, substrato basalto, relevo 
17Estudo preliminar para a criação de selos de identificação geográfica de pinhão...
ondulado e forte ondulado) e LBRa3 (Latossolo Bruno intermediário 
para Latossolo Álico, A proeminente, textura muito argilosa, relevosuave ondulado e ondulado) (Rio Grande do Sul, 2023).Em geral, são 
solos que, por serem álicos, são pobres em bases e nutrientes para 
as plantas. Semelhanças quanto ao processo de classificação podem 
ser encontradas em SiBCS (Santos, 2018).
Vegetação
Na vegetação de Campos de Cima da Serra, predomina os “Cam-
pos de Altitude” do ecossistema da Floresta Ombrófila Mista, do do-
mínio do bioma Mata Atlântica. Esses campos são produto de uma 
vasta história de mudanças evolutivas que principiaram há milhões 
de anos e são remanescentes de um clima semiárido, mais frio que 
o atual e, portanto, de formação anterior à Floresta Pluvial (Córdova; 
Schlickmann, 2020).
Na região leste dos Campos de Cima da Serra, há extensos pi-
nheirais ao longo dos Aparados da Serra e, na parte oeste, onde se 
situa a Lagoa Vermelha, há grandes capões com araucária encrava-
dos nos campos. No vale do rio Pelotas, existe uma ligação direta 
da Floresta Latifoliada (que segue pelo Vale do Uruguai até Missões), 
com a formação equivalente da borda leste do Planalto Médio, comu-
nicando com a Floresta Atlântica de Santa Catarina (Figura 2).
Economia e selo de indicação geográfica
No censo demográfico de 2022, a população do município de La-
goa Vermelha, RS, totalizava 27.659, o que representa um aumento 
de 0,48% em comparação com 2010. A população é 12% rural. A base 
econômica do município se concentra, fundamentalmente, na agro-
pecuária e na indústria moveleira, sendo um dos maiores produtores 
de móveis do Rio Grande do Sul e do Brasil. Há também a produção 
de aveia por empresas que praticam desde o cultivo até o proces-
samento e industrialização. Dados obtidos no Instituto Brasileiro de 
Geografia e Estatística (IBGE, 2022) estão presentes na Tabela 2.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Pelotas
https://pt.wikipedia.org/wiki/Floresta
https://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Uruguai
https://pt.wikipedia.org/wiki/Missões_(Rio_Grande_do_Sul)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Planalto_Médio_(Rio_Grande_do_Sul)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Floresta_atlântica
https://pt.wikipedia.org/wiki/Agropecuária
https://pt.wikipedia.org/wiki/Agropecuária
https://pt.wikipedia.org/wiki/Indústria_moveleira
https://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Grande_do_Sul
https://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil
18 Documentos 391
Figura 2. Aspectos da paisagem de Campos de Cima da Serra, em Lagoa 
Vermelha, RS.
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Tabela 2. Dados censitários de Lagoa Vermelha, RS.
Tipos de dados censitários Quantificação
Área territorial 1.260,227 km² [2022]
População humana 27.659 [2022]
Densidade demográfica 21,95 habitantes por km² [2022]
Escolarização (6 a 14 anos) 97,5% [2010]
Índice de desenvolvimento humano muni-
cipal (IDHM) 0,738 [2010]
Produto interno bruto (PIB) per capita 40.796,12 R$ [2020]
Fonte: IBGE (2022).
O Queijo Artesanal Serrano (QAS), que recebeu em 3 de março 
de 2020 a concessão nº 2.565 de indicação geográfica (IG) “Campos 
de Cima da Serra”, na espécie denominação de origem (DO) para o 
produto “queijo artesanal serrano”, foi o primeiro a receber tal indi-
cação no Brasil (Sebrae, 2023). A IG foi concedida em nome da Fe-
deração das Associações de Produtores de Queijo Artesanal Serra-
no de SC e RS, sendo que a delimitação territorial para este produto 
19Estudo preliminar para a criação de selos de identificação geográfica de pinhão...
abrange 18 municípios no estado de Santa Catarina e 16 municípios 
no Rio Grande do Sul, totalizando 34.372 km2. Esta área territorial 
possui especificidades edafoclimáticas que propiciam o desenvolvi-
mento de uma vegetação campestre, principal fonte de alimentação 
das vacas leiteiras cujo leite é utilizado no preparo do QAS. Além dis-
so, o processo produtivo desse queijo caracteriza-se por um conheci-
mento que está sendo transmitido de geração à geração, por mais de 
dois séculos (INPI, 2022). 
O QAS também é agregado do Selo Arte (Portaria nº 9918/19 
do Ministério da Agricultura e Pecuária), garantindo que o produto 
é elaborado de forma artesanal, com uso de mão de obra familiar, 
considerando tecnologia aplicada à tradição e à geografia local (Rio 
Grande do Sul, 2023). 
Painel - Região fisiográfica do Planalto 
de Lages da Serra Catarinense
Localização da região
Painel localiza-se na unidade geomorfológica do Planalto de Lages, 
situado na parte sudoeste da região geomorfológica Planalto Centro-
-Oriental de Santa Catarina. Este Planalto limita-se ao noroeste, oeste 
e ao sudoeste com a unidade geomorfológica do Planalto dos Campos 
Gerais, cujo contato, em alguns trechos, é feito por escarpas.
A altitude varia de 800 a 1.828 m e os municípios da região são: 
Anita Garibaldi, Bocaina do Sul, Lages, Campo Belo do Sul, Capão 
Alto, Cerro Negro, Correia Pinto, Otacílio Costa, Painel, Palmeira e 
São José do Cerrito. O principal centro urbano é a cidade de Lages.
Clima 
A classificação do clima de Painel, segundo Köppen, é Cfb, o 
mesmo de Lagoa Vermelha, porém, devido às altitudes elevadas, as 
temperaturas podem chegar a -14 ºC. Esta região é uma das mais 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Fisiografia_do_Rio_Grande_do_Sul
https://pt.wikipedia.org/wiki/Fisiografia_do_Rio_Grande_do_Sul
20 Documentos 391
frias do Brasil e as cidades mais conhecidas são Urubici, Urupema, 
São Joaquim e Lages, famosas pelo turismo de inverno. A disponibili-
dade hídrica anual é por volta de 900 mm, a temperatura média anual 
é 14 ºC e há, em média, 469 horas de frio de maio a agosto. Há um 
equilíbrio em temos de disponibilidade hídrica ao longo do ano, mas 
a disponibilidade é maior no inverno e primavera, da mesma forma 
como ocorre em Lagoa Vermelha (Tabela 3). 
Tabela 3. Valores médios para os principais parâmetros climáticos de Painel, 
SC, por estação do ano e anual.
Painel, SC
Variáveis (1) Primavera Verão Outono Inverno Anual
Precipitação (mm) 443,48 455,86 340,68 425,94 1668,70
ETP (mm) 163,60 259,02 166,89 100,37 689,88
Insolação (horas) 157,05 178,85 163,42 144,11 159,54
P-ETP (mm) 268,03 186,30 166,52 321,84 939,70
Temperatura mé-
dia (°C) 14,62 18,64 15,03 11,06 14,83
Temperatura míni-
ma (°C) 9,98 14,05 10,74 6,59 10,34
Temperatura míni-
ma absoluta (°C) -1,43 5,08 -0,89 -6,61 -0,96
Temperatura má-
xima (°C) 20,61 24,51 20,85 17,04 20,75
Temperatura 
máxima absoluta 
(°C)
30,18 31,48 28,24 26,23 29,11
Umidade relativa 
(%) 79,17 79,72 82,74 81,03 80,49
Velocidade do 
vento (m s-1) 2,97 2,68 2,45 2,60 2,68
(1) ETP – evapotranspiração potencial; P-ETP – precipitação pluviométrica menos 
evapotranspiração potencial.
Fonte: Wrege e Fritzsons (2015).
https://www.passagenspromo.com.br/blog/serra-catarinense/
https://www.passagenspromo.com.br/blog/serra-catarinense/
21Estudo preliminar para a criação de selos de identificação geográfica de pinhão...
Relevo e hidrografia
Em termos hidrográficos, o Planalto de Lages está situado nas mi-
crobacias do rio Canoas, Pelotas e Caveiras, na Alta Bacia do rio Uruguai. 
Painel apresenta um relevo de dissecação homogênea em forma de 
colina, homogeneidade interrompida pela presença de alguns morros 
testemunhos, como o morro do Tributo, em cota altimétrica de 1.200 m, 
enquanto, na maior parte da unidade, as cotas variam entre 850 e 900 m. 
(Comitê de Gerenciamento Bacia Hidrográfica do Rio Canoas, 2023).
Solos 
Os solos apresentam relação com a topografia, sendo os Cambis-
solos mais comuns em topografia suave ondulada e ondulada (43%), 
seguido dos Argissolos e Latossolos. Nas áreas mais acidentadas, 
há os Neossolos (27%). O restante, com pouca expressão, são solos 
hidromórficos. O uso da terra se dá em culturas anuais e perenes, 
pastagens e reflorestamentos (Embrapa, 1998). 
Vegetação 
A vegetação original é subtropical e pertence ao ecossistema da 
Floresta Ombrófila Mista (FOM), ou Floresta com Araucária, que está 
sob o domínio da Mata Atlântica, sendo expressiva a área ocupada 
pela vegetação campestre, especialmente nas microrregiões Campos 
de Lages (Figura 3). Na área dos campos, esta vegetaçãose parece 
com a de Lagoa Vermelha, porém a altitude é mais elevada e, portanto, 
sujeita a frios mais intensos e geadas. 
Economia
A população da cidade de Painel, SC, totalizava 2.215 no censo 
demográfico de 2022, o que representou uma queda de -5,86% em 
comparação com 2010, sendo que 60% da população é rural (IBGE). 
22 Documentos 391
Dados obtidos do IBGE (2023) configuram o município como apre-
sentado na Tabela 4. 
Tabela 4. Dados censitários de Painel, SC.
Tipos de dados censitários Quantificação
Área territorial 738,331 km² [2022]
População humana 2.215 [2022]
Densidade demográfica 3,00 habitantes por km² [2022]
Escolarização (6 a 14 anos) 97,4% [2010]
Índice de desenvolvimento humano muni-
cipal (IDHM) 0,664 [2010]
Produto interno bruto (PIB) per capita 28.231,47 R$ [2020]
Fonte: IBGE (2022).
A base econômica de Painel se concentra, fundamentalmente, 
na agropecuária, sendo que o Planalto Sul de Santa Catarina (PSC), 
onde está Painel, concentra os dez principais municípios produtores 
de pinhão do Estado, contribuindo com 75 a 80% da produção esta-
dual (Magnanti, 2019). 
 F
ot
o:
 R
os
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Figura 3. Aspectos da vegetação de Painel, SC.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Agropecuária
23Estudo preliminar para a criação de selos de identificação geográfica de pinhão...
O extrativismo do pinhão envolve a participação de homens, 
mulheres e crianças e pode ser considerado a base da agricultura 
familiar sendo, em alguns casos, a principal fonte de renda anual das 
famílias envolvidas nessa atividade (Fert Neto et al., 2013). Nos Sistemas 
Agroflorestais (SAFs), os pinheirais dividem espaço com frutíferas 
nativas, como: uvaia (Eugenia pyriformis), araçá (Psidium araca), goiaba 
serrana (Feijoa sellowiana) entre outras, e espécies florestais tais como, 
erva-mate (Ilex paraguariensis), bracatinga (Mimosa scabrella), canelas 
(Ocotea sp.) dentre outras espécies nativas.
A cultura do pinhão na região da Serra Catarinense tem forte 
apoio da Associação Vianei de Cooperação e Intercâmbio no Traba-
lho, Educação, Cultura e Saúde – Avicitecs, que é uma organização 
não governamental da sociedade civil de direito privado, sem fins lu-
crativos, sendo constituída por pessoas de diferentes áreas do co-
nhecimento que atuam desde 1983. 
Além disso, das 24 denominações de origem nacionais concedidas, três 
estão em Painel (Instituto Nacional de Propriedade Industrial, 2022): queijo 
artesanal de Campos de Cima da Serra; mel de melato de bracatinga e a 
produção da maçã 'Fuji'. Abaixo são listadas as três DOs, com as associa-
ções, número de filiados, a área de abrangência e os municípios envolvidos:
1) Produção de queijo artesanal de Campos de Cima da Serra, ob-
tido em 2020, pela Federação das Associações de Produtores 
de Queijo Artesanal Serrano de SC e RS (850 filiados). A área 
total da IG Campos de Cima da Serra é 34.372 km2. Abrange 18 
municípios em SC e 16 municípios no RS.
2) Mel de melato da bracatinga, obtido em 2021 pela Federação 
das Associações de Apicultores e Meliponicultores de Santa 
Catarina (776 filiados). A área é contínua, abrangendo total ou 
parcialmente 134 municípios (107 de SC, 12 do PR e 15 do RS).
3) maçã 'Fuji', obtido em 2021, pela Associação dos Produtores de 
Maçã e Pera de Santa Catarina (454 filiados). A área geográfica 
delimitada da Região de São Joaquim para DO da maçã Fuji 
possui um total de 4.928 km². Abrange totalmente a área geo-
gráfica dos municípios de São Joaquim, Bom Jardim da Serra, 
Urupema, Urubici e Painel. 
A DO Campos de Cima da Serra é a mesma de Lagoa Vermelha.
24 Documentos 391
Inácio Martins - Região Fisiográfica 
centro-sul do estado do Paraná
Localização da região
Inácio Martins localiza-se no centro-sul do estado do Paraná, em 
altitude de 1.205 m (sede do município de maior altitude do estado). 
Os municípios vizinhos são: Irati, Prudentópolis, Guarapuava, Pi-
nhão, Cruz Machado, Rio Azul, Mallet e Rebouças. 
Devido à quantidade de estudos reunidos sobre a área de proteção 
ambiental (APA) da Serra da Esperança, a compreensão de aspectos 
geográficos de Inácio Martins foi reportada por meio desta APA. 
Área de proteção ambiental da Serra da Esperança
Esta APA foi criada em 6 de dezembro de 1995, pela Lei 
Estadual 9.905 de 27 de janeiro de 1992 e pelo Decreto Estadual 
1.438, abrangendo parte das bacias hidrográficas do Ivaí e Iguaçu 
em área total de 206.555,82 ha. Compõem esta APA os seguintes 
municípios: Guarapuava (25%); Inácio Martins (22,18%); Cruz 
Machado (17,65%); Mallet (12,70%); União da Vitória (12,08%); 
Prudentópolis (6,86%); Irati (1,56%); Rio Azul (0,88%); Paula Freitas 
(0,70%) e Paulo Frontin (0,44%). Os números entre parêntesis 
representam a porcentagem de área do município que pertencem 
à APA. Observa-se, portanto, que Guarapuava e Inácio Martins têm, 
cada um, mais de 20% de suas áreas na APA da Serra da Esperança 
(Instituto Sócio Ambiental, 2023). 
Clima
O clima é do tipo Cfb (Köppen), o mesmo de Lagoa Vermelha e de 
Painel. Observa-se que a disponibilidade hídrica anual é 900 mm e há um 
equilíbrio em temos de disponibilidade hídrica ao longo de todo o ano. A 
temperatura média anual é 17,6 ºC, próxima daquela de Lagoa Vermelha 
e há, em média, 289 horas de frio de maio a agosto, menor que aquela em 
Lagoa Vermelha e bem menor que a de Painel (Tabela 5).
https://pt.wikipedia.org/wiki/Unidades_federativas_do_Brasil
https://pt.wikipedia.org/wiki/Paraná
https://pt.wikipedia.org/wiki/Irati_(Paraná)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Prudentópolis
https://pt.wikipedia.org/wiki/Guarapuava
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pinhão_(Paraná)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pinhão_(Paraná)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cruz_Machado
https://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Azul
https://pt.wikipedia.org/wiki/Mallet
https://pt.wikipedia.org/wiki/Rebouças_(Paraná)
https://www.legislacao.pr.gov.br/legislacao/pesquisarAto.do?action=exibir&codAto=7266&indice=1&totalRegistros=1&dt=27.0.2021.11.11.57.456
https://www.legislacao.pr.gov.br/legislacao/pesquisarAto.do?action=exibir&codAto=7266&indice=1&totalRegistros=1&dt=27.0.2021.11.11.57.456
https://www.legislacao.pr.gov.br/legislacao/pesquisarAto.do?action=exibir&codAto=38324&indice=1&totalRegistros=8&dt=27.0.2021.11.12.47.448
https://www.legislacao.pr.gov.br/legislacao/pesquisarAto.do?action=exibir&codAto=38324&indice=1&totalRegistros=8&dt=27.0.2021.11.12.47.448
25Estudo preliminar para a criação de selos de identificação geográfica de pinhão...
Tabela 5. Valores médios para os principais parâmetros climáticos de Inácio 
Martins, PR, por estação do ano e anual.
Inácio Martins, PR
Variáveis (1) Primavera Verão Outono Inverno Anual
Precipitação (mm) 471,95 525,28 416,84 361,75 1771,13
ETP (mm) 207,19 305,16 199,42 119,50 831,27
Insolação (horas) 149,06 158,98 151,33 145,38 150,78
P-ETP (mm) 263,41 218,84 211,66 241,65 914,50
Temperatura média 
(°C) 17,84 21,09 17,69 13,87 17,62
Temperatura míni-
ma (°C) 12,91 16,54 13,37 9,25 13,02
Temperatura míni-
ma absoluta (°C) 3,95 10,10 4,22 -1,87 4,10
Temperatura máxi-
ma (°C) 24,14 27,11 23,92 20,31 23,87
Temperatura máxi-
ma absoluta (°C) 33,09 33,13 30,24 28,02 30,76
Umidade relativa 
(%) 75,38 79,03 81,03 78,76 78,42
Velocidade do 
vento (m s-1) 2,59 2,28 2,08 2,27 2,31
(1) ETP – evapotranspiração potencial; P-ETP – precipitação pluviométrica menos 
evapotranpiração potencial.
Fonte: Wrege e Fritzsons (2015).
Relevo e hidrografia
A APA da Serra da Esperança constitui um divisor natural de águas 
entre o Segundo e Terceiro Planaltos Paranaenses. A drenagem do 
município e de, praticamente, toda a APA apresenta escoamento para 
oeste, em direção ao rio Paraná, sendo a bacia hidrográfica do Rio 
Iguaçu (Médio Iguaçu) a mais importante da região. Apenas a região 
nordeste da escarpa da Serra da Esperança, em Guarapuava, tem 
26 Documentos 391
escoamento para o norte (Bacia do Rio Ivaí). Quando analisada a 
declividade do terreno, fica evidente a presença dos terrenosmais 
íngremes na região leste, tanto do município de Inácio Martins, tanto 
da APA, na escarpa da serra (Instituto Socioambiental, 2023).
O Aquífero Guarani no estado do Paraná apresenta uma área 
de, aproximadamente, 131.300 km2, abrangendo toda a extensão 
do Terceiro Planalto Paranaense e, consequentemente, quase 
toda a APA da Serra da Esperança, uma vez que a maior área de 
abrangência desta última encontra-se no Terceiro Planalto. Além do 
Aquífero Guarani, os municípios de Inácio Martins e Cruz Machado 
estão quase que totalmente assentados sobre a área do Aquífero 
Serra Geral Sul (ASGS) (Athayde; Athayde, 2016). A recarga direta do 
Aquífero Guarani ocorre a partir das áreas de afloramento da escarpa 
da Serra da Esperança e a do ASGS é alimentado por fraturas da 
rocha da Formação Serra Geral e, por isso, reforça-se a importância 
da conservação destes ambientes naturais, para garantir a recarga e 
evitar a contaminação das águas subterrâneas destes aquíferos.
Solos 
Na geologia da APA da Serra da Esperança predominam rochas 
da Formação Serra Geral (basaltos e derivados) e, secundariamente, 
siltitos e arenitos das Formações Piramboia/Botucatu, além de por-
ções menos significativas das Formações Teresina e Rio do Rasto.
Considerando-se a origem eluvionar dos solos, a APA apresenta 
um predomínio de superfícies jovens decorrentes de um relevo movi-
mentado que se apresenta mais comumente de ondulado a escarpa-
do, nas quais se encontram, mais frequentemente, solos rasos com 
horizontes pouco desenvolvidos como os Cambissolos e os Neosso-
los. Estes solos, em conjunto, predominam em mais de 90% da área 
da APA. Os solos com os caracteres distrófico e alumínico denotam a 
falta de nutrientes e excesso de alumínio e, consequentemente, tem 
uma baixa fertilidade natural e perfazem 83,9% do total, enquanto 
solos naturalmente férteis (eutróficos) predominam em 15,8% da 
área, mas que, por se tratar de Neossolos Litólicos, apresentam alta 
suscetibilidade à erosão e problemas de disponibilidade de água nas 
épocas secas.
27Estudo preliminar para a criação de selos de identificação geográfica de pinhão...
Vegetação
A vegetação é do domínio da FOM, como ocorre em Painel e Lagoa 
Vermelha, porém, sem os campos de Lagoa Vermelha e do Planalto de 
Lages (Figura 4). Pela classificação da vegetação brasileira no Siste-
ma Fisionômico-Ecológico e considerando a altitude tem-se, em Inácio 
Martins a Floresta Ombrófila Mista Montana e Alto Montana, conside-
rando que a altitude do município está acima de 1.000 m (IBGE, 2012).
Figura 4. Aspectos da vegetação de Inácio Martins, PR.
 F
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Economia
No censo demográfico de 2022, a população de Inácio Martins, 
PR totalizava 9.670, o que representou uma queda de -11,63% em 
comparação com 2010 e, aproximadamente, 60% da população mora 
https://g1.globo.com/pr/campos-gerais-sul/cidade/inacio-martins/
https://g1.globo.com/pr/campos-gerais-sul/cidade/inacio-martins/
28 Documentos 391
na zona rural, assim como em Painel (Tabela 6). As atividades eco-
nômicas do município são agricultura, pecuária, produção florestal, 
pesca e aquicultura e, em valor bruto de produção agropecuária, pre-
dominam as atividades florestais (Instituto Paranaense de Desenvol-
vimento Econômico e Social, 2023).
Tabela 6. Dados censitários de Inácio Martins, PR.
Tipos de dados censitários Quantificação
Área territorial 936,208 km² [2022]
População humana 9.670 [2022]
Densidade demográfica 10,33 habitantes por km² [2022]
Escolarização (6 a 14 anos) 94,5% [2010]
Índice de desenvolvimento humano muni-
cipal (IDHM) 0,600 [2010]
Produto interno bruto (PIB) per capita 21.134,41 R$ [2020]
Fonte: IBGE (2022).
Inácio Martins compõe um dos 12 municípios do Paraná que tem 
o selo de IG na categoria de “Denominação de Origem” que é o do 
Mel de melato da bracatinga.
Cunha - Região Fisiográfica de Mar de Morros
Localização da região
O município de Cunha está localizado em uma área de planaltos 
(Bocaina, Paraitinga e Paraibuna) e serras (do Mar e Quebra-Canga-
lha), na região fisiográfica conhecida como Mar de Morros e abriga 
as nascentes e uma grande área das Bacias Hidrográficas dos rios 
Paraitinga e Paraibuna, formadores da grande bacia hidrográfica do 
Rio Paraíba do Sul (Ross; Moroz, 1997).
A altitude varia muito em toda a extensão do município, sendo que 
as áreas mais baixas (760 m) estão localizadas nas várzeas do Rio 
Paraitinga, na divisa com o município de Lagoinha, enquanto o ponto 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Mar_de_morros
https://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Paraitinga
https://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Paraitinga
https://pt.wikipedia.org/wiki/Lagoinha_(São_Paulo)
29Estudo preliminar para a criação de selos de identificação geográfica de pinhão...
culminante (1.840 m) está na Pedra da Macela, no alto da Serra do 
Mar, na divisa com o estado do Rio de Janeiro. A sede do município 
está a cerca de 950 m de altitude.
Os municípios vizinhos são: Lagoinha, São Luís do Paraitinga (Alto 
Vale do Rio Paraíba do Sul), São José do Barreiro, Areias, Silveiras, 
Lorena e Guaratinguetá (Médio Vale) (Muller, 1969). No sentido litoral, 
limita-se com Ubatuba, SP; Paraty, RJ; Angra dos Reis, RJ. 
O município abriga duas Unidades de Conservação de proteção 
integral, totalizando uma área de, aproximadamente, 12.500 ha o nú-
cleo Cunha-Indaiá do Parque Estadual da Serra do Mar (PESM) ao 
sul do município e parte do Parque Nacional da Serra da Bocaina, ao 
norte do município (São Paulo, 2023) 
O Núcleo Cunha do Parque Estadual da Serra do Mar protege 
os remanescentes de Matas Nebulares, situados em latitudes supe-
riores a 1.000 m e suas florestas preservam importantes mananciais 
para o abastecimento de água das cidades do Vale do Paraíba e, até 
mesmo, do Rio de Janeiro. As florestas de altitude abrigam muitas es-
pécies exclusivas em risco de extinção. O relevo acidentado favorece 
a formação de cachoeiras, especialmente nos rios Bonito, Ipiranga e 
Paraibuna, tornando este núcleo de especial interesse para a prática 
do ecoturismo (São Paulo, 2023). 
A Serra da Bocaina é uma parte da Serra do Mar que se liga 
também à Serra da Mantiqueira, na faixa limítrofe entre os estados de 
São Paulo e Rio de Janeiro. O Parque Nacional da Serra da Bocaina 
tem 104 mil hectares, sendo caracterizado por um forte gradiente al-
titudinal, abrangendo desde áreas situadas no nível do mar (região 
de Trindade, Paraty) até a parte serrana, com altitudes superiores a 
2.000 m em São José do Barreiro. Esse gradiente de altitude, deter-
minado por aspectos geomorfológicos, afeta diretamente os atributos 
físicos (clima, hidrografia) e bióticos (vegetação, flora e fauna) da re-
gião, gerando paisagens e ecossistemas diversos.
Clima
O clima da região de Cunha está sujeito a massas de ar equato-
riais e tropicais que imprimem à região uma dinâmica de clima úmido, 
com influências da altitude e dos efeitos orográficos da Serra do Mar. 
A estação chuvosa se estende de outubro a março com 75% do total 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Pedra_da_Macela
https://pt.wikipedia.org/wiki/Serra_do_Mar
https://pt.wikipedia.org/wiki/Serra_do_Mar
https://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_de_Janeiro_(estado)
30 Documentos 391
da pluviometria anual e um período mais seco, ou pouco úmido, ocor-
rendo de abril até setembro. A precipitação pluviométrica média anual 
é 2.240 mm e varia de 1.100 a 3.000 mm, com os maiores valores 
ocorrendo na Serra do Mar e da Bocaina, seguidas das que ocorrem 
na Serra do Quebra Cangalha (Starzynski et al., 2020).
A temperatura média anual do ar está em torno de 16,5 ºC. A tem-
peratura média de inverno é 10 ºC e a de verão é 22 ºC.
Devido aos fatores de maritimidade e continentalidade e variação 
nas cotas altimétricas, há dois tipos de clima (segundo Köppen) em 
Cunha: Af (na região da Serra do Mar) - tropical úmido sem estação 
seca; Cwb (no Planalto do Paraitinga) - temperado com inverno seco. 
De posse dos dados climáticos cedidos pelo Instituto dePesquisas Am-
bientais – Laboratório de Hidrologia Florestal Parque Estadual da Serra 
do Mar – Núcleo Cunha, de 2013 a 2017, foi composta a Tabela 7.
Tabela 7. Valores médios para os principais parâmetros climáticos de Cunha, 
SP, por estação do ano e anual.
Cunha, SP
Variáveis Primavera Verão Outono Inverno Anual
Precipitação plu-
viométrica (mm) 378 718 387 143 1700
Temperatura mé-
dia (°C) 16,7 19,7 16,8 13,1 16,6
Temperatura míni-
ma (°C) 11,5 15,1 12,1 6,9 11,4
Temperatura míni-
ma absoluta (°C) 1,5 6,9 2,1 -3,2 -3,2
Temperatura má-
xima (°C) 23,7 26,4 23,3 21,6 23,7
Temperatura 
máxima absoluta 
(°C)
33,7 32,1 30,6 30,1 33,7
Fonte: E-mail de Roberto Starzynski do Laboratório de Hidrologia Florestal do Parque 
Estadual da Serra do Mar, Estação de Monitoramento de Cunha, SP (2013-2017), 
Secretaria do Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo, 
enviado para a autora Elenice Fritzsons em 22/08/2023.
31Estudo preliminar para a criação de selos de identificação geográfica de pinhão...
Relevo
Apresenta relevo acidentado com predominância de serras, es-
carpas e morros altos, seguidos pela presença de morros baixos, 
morrotes e raras colinas e terraços fluviais. Devido ao relevo aciden-
tado e solos de baixa aptidão agrícola, o município de Cunha possui 
grande vocação florestal por apresentar 65,31% de sua área com de-
clividade superior a 18% e 53% do município está acima de 900 m 
(Starzynski et al., 2020).
Geologia e solos
A base geológica é formada por granitos, migmatitos e micaxistos 
do período Pré-Cambriano e depósitos aluviais do Quaternário consti-
tuídos por cascalhos, areias, silte e argila. A maior parte do município 
(mais de 70% da área) é constituída de solos com baixa aptidão agrí-
cola, tais como o Neossolo Litólico e o Cambissolo (Ross; Moroz, 2011). 
São solos com pouca profundidade e, em geral, suscetíveis a proces-
sos erosivos e, assim, em boa parte, limitantes para a exploração agrí-
cola de culturas anuais. A área mais propícia à agricultura consiste em 
aproximadamente 20% do município, nas zonas de Argissolos.
Vegetação
Resultados do Mapeamento Temático da Cobertura Vegetal Na-
tiva do estado de São Paulo, Inventário Florestal do estado de São 
Paulo – 2020 (São Paulo, 2020) indicam que há aproximadamente 
35% de cobertura vegetal nativa em Cunha. Segundo estudos de 
Silva et al. (2016), está havendo uma regeneração por capões de 
matas, em áreas onde a pastagem e a lavoura foram abandonadas 
pelos proprietários. Entre as décadas de 1960 e 1980, a atividade 
agropecuária no Vale do Paraíba diminuiu 13%, o que contribuiu para 
a estagnação dos índices de desmatamento na região. Desde então, 
a Mata Atlântica iniciou um processo espontâneo de regeneração. 
Muitas terras abandonadas se converteram em pequenos bosques 
de vegetação secundária, resultando em um aumento da cobertura 
32 Documentos 391
florestal (Andrade, 2017). Dos 35% da vegetação natural tem-se que 
aproximadamente 33% é da Floresta Ombrófila Densa e menos de 
1% da Floresta Ombrófila Mista (Figura 5). 
Economia
A população de Cunha totalizava 22.110 habitantes (Tabela 8), o 
que representou um aumento de 1,12% em comparação com o censo 
de 2010. Deste montante, 56% pertencem à zona rural e 44% à zona 
Figura 5. Aspectos da vegetação de Cunha, SP, da Flo-
resta Ombrófila Mista.
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33Estudo preliminar para a criação de selos de identificação geográfica de pinhão...
urbana (IBGE, 2022). As atividades agrícolas de Cunha incluem a 
apicultura, horticultura, a produção de leite e o turismo. No município 
há produção de azeitona, banana, café, caqui, erva-mate, figo, laran-
ja, maçã, pêssego, tangerina e uva, além de batata-inglesa, feijão, 
mandioca, milho e tomate.
Tabela 8. Dados censitários de Cunha, SP.
Tipos de dados censitários Quantificação
Área territorial 1.407,250 km² [2022]
População humana 22.110 pessoas [2022]
Densidade demográfica 15,71 habitantes por km² [2022]
Escolarização (6 a 14 anos) 98% [2010]
Índice de desenvolvimento humano 
municipal (IDHM) 0,684 [2010]
Produto interno bruto (PIB) per capita 13.857,47 R$ [2020]
Fonte: IBGE (2022)
A coleta de pinhão provém de áreas de ocorrência natural, sen-
do essa atividade exercida principalmente por agricultores familiares, 
como forma de geração suplementar de renda. Além dos aspectos 
econômicos relacionados à venda do pinhão, a araucária apresenta 
importância turística, sendo um atrativo na paisagem em função de 
sua beleza cênica.
Comparação entre os 
climas estudados
Os quatro locais foram comparados em termos de médias das 
precipitações pluviométricas e temperaturas, separados por estação do 
ano (Figuras 6 e 7). Nota-se que, em Painel, ocorrem as menores tem-
peraturas, porém a precipitação pluviométrica total anual é equivalente 
https://www.bing.com/ck/a?!&&p=62c5dfb135d66c1aJmltdHM9MTY5MTUzOTIwMCZpZ3VpZD0yYjE2MTY2Ny01ZjFhLTZjZWUtMWE1Yy0wNzkyNWUzNjZkYWUmaW5zaWQ9NTY5MQ&ptn=3&hsh=3&fclid=2b161667-5f1a-6cee-1a5c-07925e366dae&psq=população+rural+de+cunha+sp&u=a1aHR0cHM6Ly9wb3B1bGFjYW8ubmV0LmJyL3BvcHVsYWNhby1jdW5oYV9zcC5odG1s&ntb=1
34 Documentos 391
Figura 6. Comparação entre a distribuição da precipitação pluviométrica mé-
dia por estação do ano e por município.
Figura 7. Comparação da distribuição das temperaturas médias por estação 
do ano e por município.
35Estudo preliminar para a criação de selos de identificação geográfica de pinhão...
a de Cunha, ao passo que no verão a precipitação pluviométrica em 
Cunha é maior. 
Compondo a análise de cluster (Figura 8) com todos os dados de 
precipitação pluviométrica e temperatura, separados por estação do 
ano, tem-se que: Painel se isola dos demais locais, possivelmente de-
vido às temperaturas mais baixas; Inácio Martins e Lagoa Vermelha 
Figura 8. Agrupamento entre as estações climáticas dos municípios 
estudados.
não são muito distantes entre si, porém Cunha também apresenta 
uma distância dos demais. 
As avaliações climáticas preliminares evidenciam que o clima 
de Painel se diferencia dos outros, provavelmente por ser mais frio. 
O clima de Lagoa Vermelha se assemelha ao de Inácio Martins e o 
de Cunha se diferencia, especialmente por estar numa zona tropical, 
onde há um período mais seco marcado no inverno e mais chuvoso 
no verão, ao contrário dos demais que estão em zona subtropical. 
No entanto, a falta de estações meteorológicas em Cunha para 
avaliar horas de frio, nebulosidade, radiação solar etc., dificulta uma 
interpretação mais fidedigna da realidade climática e da comparação 
entre os locais. 
36 Documentos 391
 Análise sensorial 
As análises sensoriais foram feitas por método discriminativo, tes-
te triangular (Dutcosky, 2013), em que duas amostras são avaliadas 
ao mesmo tempo. As amostras foram avaliadas da seguinte forma: 
diferença entre pinhões de Cunha, SP e Inácio Martins, PR; entre 
Lagoa Vermelha, RS e Painel, SC (Figura 9). Adicionalmente, tam-
bém foi verificado se havia diferença entre as variedades Caiová e 
Angustifolia (Figuras 10 e11). Os avaliadores também analisaram a 
aceitação global das amostras, utilizando escala hedônica de nove 
pontos, variando de 1 - desgostei extremamente a 9 - gostei extrema-
mente (Stone; Sidel, 2004). Participaram do teste 28 avaliadores que 
AA BB
CC DD
Figura 9. Procedência dos pinhões: (A) Inácio Martins; (B) Lagoa Vermelha; 
(C) Cunha; (D) Painel.
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receberam as amostras codificadas com três dígitos, identificando 
qual delas era a amostra diferente. 
Para avaliar os dados do teste de diferença foi considerado o nú-
mero de acertos e comparado ao valor tabelado (α 0.05). Se o valor 
for maior ou igual ao valor da tabela, a diferença é significativa. 
37Estudo preliminar para a criação de selos de identificação geográfica de pinhão...
Já os dados do teste de aceitação foram submetidos à análise de 
variância (ANOVA).
Análises físico-químicas
Todas as análises foram realizadas para o pinhão in natura e para 
o pinhão cozido por 45 minutos, em triplicata.
A análise de textura foi realizada em equipamento em texturôme-
tro TA.XT2 (Stable Micro Systems, UK), utilizando-se a probe P/36R, 
Figura 10. Aspectos dos pinhões da variedade Caiová.
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Figura 11. Aspectos dos pinhões da variedade Angustifolia.
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38 Documentos 391
conforme método 74-09 (American Association of Cereal Chemists, 
1999). Os parâmetros utilizados nos testes foram: velocidade pré-tes-
te = 1,0 mm s-¹; velocidade de teste = 1,7 mm s-¹; velocidade pós-teste 
= 10,0 mm s-¹ e deformação = 10%. Foi avaliada a firmeza (kg) e a 
fraturabilidade (mm).
A análise de cor foi realizada em colorímetro portátil (Check II 
Plus, Datacolor), usando o sistema CIEL*a*b*, no qual os valores de 
luminosidade (L*) variam entre zero (preto) e 100 (branco) e os valo-
res das coordenadas de cromaticidade a* e b* variam de -a* (verde) 
até +a* (vermelho), e de -b* (azul) até +b* (amarelo). A análise foi rea-
lizada em ambos os lados do pinhão, separados por região 1 (mais 
clara) e região 2 (mais escura).
A atividade de água (Aw) foi determinada em medidor eletrônico 
(Pre Aqualab, Decagon), sob temperatura de 25,0 ± 0,3 °C. 
A análise de umidade, por método gravimétrico (934.01) em 
estufa (Odontobras) sob temperatura de 105 °C até peso constante 
(Association of Official Analytical Chemists, 2010). 
Resultados da análise sensorial
No teste discriminativo, observou-se que o pinhão da variedade 
Caiová é diferente, significativamente, do pinhão da variedade 
Angustifolia, mesmo sendo amostras do mesmo local. Houve diferença 
entre os pinhões oriundos de Painel, SC, quando comparados com os 
pinhões de Lagoa Vermelha, RS, assim como houve diferenças entre 
os pinhões originários de Inácio Martins, PR e Cunha, SP.
Com relação à aceitação, não houve diferença significativa en-
tre as amostras, no entanto apenas os pinhões da variedade Caiová 
atingiram a média de 7,1 entre gostei moderadamente a gostei muito, 
na escala hedônica. Todas as amostras atingiram aceitação no teste 
aplicado, com médias superiores a 6,0. 
Os resultados das médias de aceitação global foram as seguintes: 
Cunha, SP - 6,3; Inácio Martins, PR - 6,8; Lagoa Vermelha, RS - 6,9; 
Painel, SC 6,5; Variedade Angustifolia - 6,3 e Variedade Caoivá – 7,1. 
Deve-se considerar que a escala hedônica é de 9 pontos, onde 1 é 
“desgostei” e 9 é “gostei extremamente”.
39Estudo preliminar para a criação de selos de identificação geográfica de pinhão...
Resultados das análises físico-químicas
A firmeza da amostra é definida como a força máxima necessária 
para cortá-la, em Kg. Nas amostras in natura, a firmeza variou de 
1,47 a 2,70 kg e nas amostras cozidas ela variou de 0,43 a 2,29 kg, 
comprovando o efeito do cozimento no amaciamento dos tecidos, re-
duzindo a sua dureza (Lee et al., 2018).
A fraturabilidade é a tendência de um material à fratura, quebra 
ou desintegração, conforme ele sofre a aplicação de uma quanti-
dade relativamente pequena de força ou impacto. Nas amostras 
avaliadas, a fraturabilidade variou de 2,90 a 3,85 mm. Nos pinhões 
cozidos, ela variou de 0,92 a 2,62 mm. A redução da fraturabilidade 
dos pinhões cozidos deve-se à gelatinização do amido durante o 
cozimento, responsável pelo espessamento e estrutura do produto 
(Bet et al., 2019).
A atividade de água variou de 0,96 a 0,99, indicando as amos-
tras como de alta atividade de água (> 0,90) (Azeredo, 2012). Essa 
variável interfere diretamente nas reações de deterioração dos ali-
mentos, ou seja, na sua conservação.
A umidade das amostras cruas variou de 42,15 a 53,14% 
enquanto, nas amostras cozidas, ela variou de 28,21 a 59,27%. 
A diferença no teor de umidade durante o processo de cocção 
pode aumentar ou reduzir, conforme a incorporação de água na 
estrutura do produto, assim como os pigmentos (Lee et al., 2018). 
A tonalidade vermelha (a*) foi reduzida após o cozimento das 
amostras em ambos os lados da semente (claro e escuro). Para a 
tonalidade amarela (b*), também foi observada redução, mas em 
menor proporção. A luminosidade (L*) ou o brilho foram intensifi-
cados com o cozimento.
Foi feito, ainda, o teste de correlação de Spearman (Tabela 9) 
com todas as variáveis e mais os dados da avaliação sensorial 
que, para isto, foi composta a média das notas das avaliações 
sensoriais de cada localidade de origem. As variáveis com corre-
lação significativa (p(onde ocorre a araucária) são parecidas 
em termos de relevo e fitofisionomia da vegetação, porém, em Lagoa 
Vermelha e, em parte, em Painel, existem os Campos com Araucária, 
configurando-se locais mais abertos. 
Os dados climáticos foram utilizados para diferenciar os locais, 
porém outros dados poderão ser analisados, além da temperatura e 
precipitação pluviométrica, como o número de horas de frio e nebu-
losidade, por exemplo. A falta de uma estação meteorológica mais 
completa em Cunha, impossibilita uma comparação mais aprofunda-
da entre os locais. 
Em Inácio Martins, PR, 20% do município está localizado na área 
de APA da Serra da Esperança e, portanto, com restrições ao uso 
da terra. Além disso, o município se encontra sobre dois importantes 
mananciais de água subterrânea e, por isso, as atividades que não 
causam impactos sobre os aquíferos devem ser priorizadas, tal como 
esta agroindústria que está sendo desenvolvida, gerando emprego, 
renda e a possibilidade de trabalho no campo. 
Além do valor atribuído ao produto em si, ou seja, ao pinhão, a 
forma de seu processamento e a fabricação de outros produtos, tal 
como a farinha, pode ser um diferencial importante para, no futuro, se 
buscar um selo de IG pelo “saber fazer”. 
42 Documentos 391
Os perfis de textura dos pinhões não evidenciaram diferenças 
quanto aos locais de origem, porém, isto não significa que as dife-
renças não existam. Sugere-se a ampliação desse estudo com maior 
número de amostras e consumidores. Entretanto, foram evidencia-
das relações importantes para o processamento do pinhão no que se 
refere à firmeza, fraturabilidade e teor de umidade, que precisam ser 
aprofundadas para dar maior qualidade ao produto processado. 
As análises sensoriais para a caracterização do pinhão aplicadas 
neste trabalho não evidenciaram diferenças significativas nas res-
postas dos avaliadores, porém, notou-se uma leve preferência pelo 
pinhão da variedade Caiová, que precisa ser mais bem explorada em 
outras avaliações. 
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