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Estudo preliminar para a criação de selos de indicação geográfica de pinhão com base nas características locais e nos atributos sensoriais Documentos ISSN 1517-526X / e-ISSN 1980-3958 Colombo, PR / Junho, 2024 391 Embrapa Florestas Colombo, PR 2024 Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Embrapa Florestas Ministério da Agricultura e Pecuária Estudo preliminar para a criação de selos de indicação geográfica de pinhão com base nas características locais e nos atributos sensoriais Documentos 391 Elenice Fritzsons Rossana Catie Bueno de Godoy Michele Rosset Maria Iolanda Mendes Silva ISSN 1517-526X / e-ISSN 1980-3958 Junho, 2024 Embrapa Florestas Estrada da Ribeira, Km 111, Guaraituba Caixa Postal 319 83411-000, Colombo, PR Fone: (41) 3675-5600 www.embrapa.br/florestas www.embrapa.br/fale-conosco/sac Comitê Local de Publicações Presidente Patrícia Póvoa de Mattos Vice-presidente José Elidney Pinto Júnior Secretária-executiva Elisabete Marques Oaida Membros Annete Bonnet Cristiane Aparecida Fiorante Reis Elenice Fritzsons Guilherme Schnell e Schühli Marilice Cordeiro Garrastazú Sandra Bos Mikich Susete do Rocio Chiarello Penteado Valderês Aparecida de Souza Edição executiva e revisão de texto José Elidney Pinto Júnior Normalização bibliográfica Francisca Rasche (CRB-9/1204) Projeto gráfico Leandro Sousa Fazio Diagramação Celso Alexandre de Oliveira Eduardo Foto da capa Eder Lopes Publicação digital: PDF Todos os direitos reservados A reprodução não autorizada desta publicação, no todo ou em parte, constitui violação dos direitos autorais (Lei nº 9.610). Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Embrapa Florestas Estudo preliminar para a criação de selos de Indicação geográfica de pinhão com base nas características locais e nos atributos sensoriais. [recurso eletrônico] / Elenice Fritzsons ... [et al.]. − Colombo : Embrapa Floresta, 2024. PDF (46 p.) : il. color. - (Documentos / Embrapa Florestas, e-ISSN 1980-3958 ; 391) 1. Araucária angustifolia. 2. Pinhão. 3. Indicação geográfica. 4. Análise sensorial. 5. Economia circular. 6. Agricultura familiar. 7. Produto florestal não lenhoso. 8. Produto alimentício I. Fritzsons, E. II. Godoy, R. C. B. de. III. Rosset, M. IV. Silva, M. I. M. V. Série. CDD (21. ed.) 634.96 Francisca Rasche (CRB-9/1204) © 2024 Embrapa Autores Elenice Fritzsons Engenheira-agrônoma, doutora em Engenharia Florestal, pesquisadora da Embrapa Florestas, Colombo, PR. Rossana Catie Bueno de Godoy Engenheira-agrônoma, doutora em Tecnologia de Alimentos, pesquisadora da Embrapa Florestas, Colombo, PR. Michele Rosset Química, doutora em Ciência dos Alimentos, professora no Instituto Federal do Paraná, Campus Colombo, PR. Maria Iolanda Mendes Silva Estudante de graduação em Tecnologia de Alimentos, Instituto Federal do Paraná, Campus Colombo, PR. Apresentação Este trabalho mostra uma forma de desenvolver estudos para obtenção de selo de indicação geográfica (IG) para pinhão e produtos derivados de pinhão. São várias as condições necessárias para obtenção do selo e o processo ocorre em várias etapas, sendo uma delas a caracterização do local (fatores naturais e humanos) e do produto ou serviço. Estas caracterizações são fundamentais, especialmente para obter o selo de denominação de origem (DO), onde as características do local têm forte peso na identidade do produto ou serviço, tornando-o singular. O estudo ambiental também subsidia a dimensão geográfica, ou seja, a área de origem do produto ou processo a ser delimitada. Este trabalho apresenta a caracterização local e também propõe uma forma de avaliar o produto, no caso pinhão, buscando identificar padrões de qualidade e de identidade por avaliações sensoriais e análises instrumentais como cor e textura. As localidades avaliadas neste trabalho foram: Lagoa Vermelha, RS, Painel, SC, Inácio Martins, PR e Cunha, SP e os pinhões avaliados foram provenientes destas localidades. Nestes locais há comunidades rurais organizadas, ou em vias de organização, que têm no pinhão uma fonte de renda alternativa e complementar, sendo que, em Painel, já há três produtos com selo de indicação geográfica. Esta nova linha de pesquisa da Embrapa Florestas objetiva congregar informações técnicas e direcionamentos para a obtenção de certificações regionais e agregação de valor aos produtos alimentícios de origem florestal. Este trabalho apresenta forte alinhamento às diferentes metas dos objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS), estabelecidos pela Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU). Destacam-se os ODS 2, 8, 12 e 17, pelo manuscrito apresentar proposta para a obtenção de certificações regionais e agregação de valor aos produtos alimentícios de origem florestal, reforçando a importância da gestão e uso eficiente desses recursos, além de contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas direcionadas ao crescimento econômico regional e desenvolvimento sustentável. Guilherme Schnell e Schühli Chefe interino de P&D da Embrapa Florestas Sumário Introdução _______________________________________________________________________ 9 Caracterização ambiental __________________________________________________13 Lagoa Vermelha - Região fisiográfica dos Campos de Cima da Serra ou “Campos de Vacaria _________________________ 14 Localização da região _____________________________________________________ 14 Relevo e hidrografia ________________________________________________________ 15 Solos ___________________________________________________________________________ 16 Vegetação ____________________________________________________________________ 17 Economia e selo de indicação geográfica ____________________________ 17 Painel - Região fisiográfica do Planalto de Lages da Serra Catarinense _________________________________________ 19 Localização da região _____________________________________________________ 19 Clima ___________________________________________________________________________ 19 Relevo e hidrografia ________________________________________________________ 21 Solos ___________________________________________________________________________ 21 Vegetação ____________________________________________________________________ 21 Economia _____________________________________________________________________ 21 Inácio Martins - Região fisiográfica centro-sul do estado do Paraná ________________________________________ 24 Localização da região _____________________________________________________ 24 Área de proteção ambiental da Serra da Esperança ______________ 24 Clima ___________________________________________________________________________ 24 Relevo e hidrografia ________________________________________________________ 25 Solos ___________________________________________________________________________ 26 Vegetação ____________________________________________________________________ 27 Economia _____________________________________________________________________ 27 Cunha - Região fisiográfica de Mar de Morros ____________________ 28 Localização da região _____________________________________________________ 28 Clima ___________________________________________________________________________ 29 Relevo ________________________________________________________________________ 31 Geologia e Solos ____________________________________________________________ 31 Vegetação ____________________________________________________________________ 31 Economia _____________________________________________________________________ 32 Comparação entre os climas estudados _________________________33 Análise sensorial ____________________________________________________________36 Análises físico-químicas _________________________________________________37 Resultados da análise sensorial ______________________________________38 Resultados das análises físico-químicas__________________________39 ConsideraçõesFLORES, C. A.; BOGNOLA, I. Solos do Estado de Santa Catarina. Rio de Janeiro: Embrapa Solos, 2004. 721 p. (Embrapa Solos. Boletim de pesquisa e desenvolvimento, 46). Disponível em: https://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/216897/1/ Mapa-Levantamento-de-reconhecimento-dos-solos-do-Estado-de-Santa- Catarina-1998.pdf. RIO GRANDE DO SUL. Museu de solos do Rio Grande do Sul. Solos do Rio Grande do Sul. Disponível em: https://www.ufsm.br/museus/msrs. Acesso em: 30 ago. 2023. https://www.gov.br/inpi/pt-br/central-de-conteudo/noticias/inpi-concede-ig-campos-de-cima-da-serra-para-queijo-artesanal-serrano https://www.gov.br/inpi/pt-br/central-de-conteudo/noticias/inpi-concede-ig-campos-de-cima-da-serra-para-queijo-artesanal-serrano https://www.ufsm.br/museus/msrs/unidade-de-solos https://www.ufsm.br/museus/msrs/unidade-de-solos https://www.ufsm.br/museus/msrs 45Estudo preliminar para a criação de selos de identificação geográfica de pinhão... ROSS, J. L. S.; MOROZ, I. C. Mapa geomorfológico do Estado de São Paulo. Revista do Departamento de Geografia, v. 10, p. 41-58, 2011. DOI: https://doi.org/10.7154/RDG.1996.0010.0004 SANTOS, H. G. dos. Sistema brasileiro de classificação de solos. 5 ed. Brasília, DF: Embrapa, 2018. 356 p. SÃO PAULO (Estado). Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente. Instituto Florestal (IF). Resultados do mapeamento temático da cobertura vegetal nativa do Estado de São Paulo: inventário florestal do Estado de São Paulo – 2020. Disponível em: https://smastr16.blob.core. windows.net/home/2020/07/tabela-municipio-inventario-florestal-if-2020.pdf. Acesso em: 5 jun. 2023. SEBRAE. Queijo artesanal serrano. 2022. Disponível em: https://sebrae. com.br/sites/PortalSebrae/origens/queijo-artesanal-serrano,7353bda27b4ee 710VgnVCM100000d701210aRCRD. Acesso em: 5 jun. 2023. SAKKIS, A. Um panorama das indicações geográficas no Brasil. Agência de Notícias da Indústria, 2022. 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Introdução Este estudo foi desenvolvido como complemento ao projeto Mulheres e a Cultura do Pinhão, em parceria com a VBio e Avon. A caracterização de pinhões de diferentes localidades é a base para a implantação de sistemas de rastreabilidade e, posteriormente, selos de indicação geográfica (IG) e denominação de origem (DO). O selo IG, emitido pelo Instituto Nacional da Propriedade Indus- trial (INPI), incentiva o desenvolvimento dos produtos ou serviços regionais para o reconhecimento nacional e internacional. A impor- tância do reconhecimento de IGs movimenta a economia local, am- plia o mercado de trabalho e fomenta oportunidades para o turismo na região com geração de novos empregos, de valor agregado aos produtos e de visibilidade e desenvolvimento regional. Pode ser uma alternativa de inserção no mercado, frente às grandes empresas (Hic- kenbick; Figueiredo, 2017). O selo da IG garante que um produto só tem aquelas proprieda- des porque é influenciado por características ambientais ou culturais de uma determinada região. Apesar de serem objetos de leis secu- lares no exterior, principalmente na Europa, as indicações geográfi- cas apareceram pela primeira vez na legislação brasileira em 1996, na Lei de Propriedade Industrial (LPI) (Sakkis, 2022). Há duas modalidades de IG: a indicação de procedência (IP) e a denominação de origem (DO). A IP é o nome geográfico de um país, cidade, região ou localidade, que tenha se tornado conhecido como centro de extração, produção ou fabricação de determinado produto ou de prestação de determinado serviço, tal como o queijo Canastra em Minas Gerais, o cacau do sul da Bahia e os serviços tecnológicos prestados pelo Porto Digital, em Recife. A DO é o nome geográfico de país, cidade, região ou localidade de seu território, que designe produto ou serviço cujas qualidades ou características se devam exclusiva ou essencialmente ao meio geo- gráfico, incluídos os fatores naturais e humanos (Brasil, 1996). Como exemplo, tem-se o vinho do Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul, http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9279.htm 10 Documentos 391 o mel de abelhas de Ortigueiras, no Paraná, assim como o café da região do Cerrado Mineiro. O processo de formalização para obtenção de um selo de IG de- manda tempo, dedicação e trabalho integrado dos diversos agentes que participam da cadeia produtiva. São necessários longos perío- dos de esforço conjunto para adequar sistemas, fazer o levantamen- to histórico, caracterizar o ambiente, delimitar a área e tomar outras providências, a fim de atender todas as exigências do INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial, 2022). Para compor uma IG são necessárias diversas etapas e, ao final destas, o processo é subme- tido ao INPI para aprovação. O modelo esquemático apresentado na Figura 1 foi desenhado pelos autores a partir das informações obtidas no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial, 2022). Apesar de todo este trabalho que envolve diversas etapas, a ob- tenção de uma IG compensa por proteger a origem e a qualidade dos produtos ou serviços; diferenciar-se dos concorrentes e agregar valor ao produto ou serviço; fortalecer a identidade cultural e o desen- volvimento local e aumentar a visibilidade e o reconhecimento dos produtos ou serviços no mercado. Por isso, o Brasil possui 88 IPs, sendo a primeira obtida em 2002 (Vale dos Vinhedos, RS). Há 26 DOs nacionais, sendo a primeira obtida em 2010 pela Associação dos Pro- dutores de Arroz do Litoral Norte Gaúcho – Aproarroz, RS (Instituto Nacional de Propriedade Industrial, 2022). Apesar de diversos produtos já terem obtido o selo de IG, até o momento não se tem registro de IG para pinhão ou para produtos derivados. Em função da importância que o mercado de pinhão tem para as diversas comunidades rurais, a aquisição de um selo de IG seria muito importante para agregar valor a esse produto florestal e contribuir para a conservação da floresta, pelo uso sustentável. A araucária (Araucaria angustifolia) é uma espécie comum do bio- ma Floresta Atlântica e pertence ao ecossistema da Floresta Ombrófi- la Mista ou Floresta com Araucária. Ocorre, especialmente, no Sul do País, mas também nas porções elevadas das serras e montanhas do Sudeste do Brasil, em áreas frias e com geadas frequentes. https://noticias.portaldaindustria.com.br/especiais/um-panorama-das-indicacoes-geograficas-no-brasil/ 11Estudo preliminar para a criação de selos de identificação geográfica de pinhão... Fi gu ra 1 . M od el o es qu em át ic o da s et ap as p ar a ob te nç ão d o se lo d e in di ca çã o ge og rá fic a (IG ) Ad ap ta do d e In st itu to N ac io na l d e Pr op rie da de In du st ria l ( 20 22 ). 12 Documentos 391 A coleta de pinhão é feita de forma extrativista da semente de araucária, nos meses de outono e inverno. Na literatura há relatos de que existem variedades de pinhão com diferentes épocas de deiscên- cia, sendo a variedade São José coletada entre fevereiro e março; a variedade Angustifolia no período de abril a maio e a variedade Caio- vá ou Kayuvá, tardia, de junho a agosto (Araldi et al., 2018). Para muitos agricultores familiares, a coleta do pinhão represen- ta um ganho extra muito importante para manter suas atividades no campo e complementar a renda familiar. Um exemplo deste interes- se no pinhão é o projeto da agroindústria de farinha de pinhão que será implantado em Inácio Martins, PR, pelo Consórcio Intermunicipal para Desenvolvimento Regional Conder e com apoio da Invest Para- ná e também da prefeitura municipal de Inácio Martins, Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), Universidade Tecnológica do Paraná (UTFPR), Universidade Estatual de Ponta Grossa (UEPG), Instituto de desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-PR), Secretaria da Agri- cultura, CTAA e CNPF, da Embrapa (Embrapa 50, 2022). Esta agroin- dústria objetiva processar a farinha do pinhão, e o pinhão descascado e congelado, ambos com alta agregação de valor. Com o incremento da cadeia produtiva do pinhão, os consumido- res passaram a dar maior atenção à semente, apontando diferenças na matéria-prima, provenientes de localidades diversas. A aplicação de testes sensoriais e técnicas instrumentais como o perfil de textura e análise de cor são ferramentas que auxiliam na indicação e discri- minação de grupos distintos de sementes de A. angustifolia. A hete- rogeneidade encontrada pode estar relacionada às diferentes condi- ções edafoclimáticas dos locais de origem e, também, às diferenças genéticas entre elas. A caracterização das condições ambientais dos locais de origem dos pinhões, além de importante para que estas relações sejam verificadas, é fundamental para a obtenção de um selo de indicação geográfica, uma vez que um dos requisitos é a indicação das características edafoclimáticas do ambiente. No caso de produtos processados, o saber fazer também deve ser genuíno sendo o caso, por exemplo, dos laticínios de Witmarsun ou do queijo serrano de Campos de Cima da Serra. 13Estudo preliminar para a criação de selos de identificação geográfica de pinhão... O objetivo deste trabalho é caracterizar o ambiente físico de qua- tro locais geográficos e definir as características sensoriais e de tex- tura dos pinhões provenientes destes locais. Para isto foram feitos os seguintes procedimentos: 1) Caracterização do local (ambiente físico e humano) de qua- tro locais geográficos distintos onde há produção e coleta de pinhão (Lagoa Vermelha, RS; Painel, SC; Inácio Martins, PR e Cunha, SP); 2) Aplicação de testes sensoriais e composição do perfil de tex- tura dospinhões provenientes destes quatro locais e mais a variedade Caiová e Angustifolia; 3) Utilização de testes estatísticos para verificar possíveis di- ferenças nas respostas sensoriais e dos testes de perfil de textura. Além do referencial metodológico, as informações oriundas des- ses estudos dão subsídios para cumprir as etapas de obtenção de um selo de indicação geográfica (IG), no que se refere à caracterização e delimitação geográfica da área e ao padrão de definição dos critérios/ padrão de identidade dos produtos. Caracterização ambiental As variações no clima podem indicar um conjunto de variações ambientais significativas, por exemplo, maior ou menor ocorrência de geadas, diferenças de radiação solar, nebulosidade, número de horas de temperatura abaixo de 0 ºC, entre outras. Para os solos, há os caracteres de fertilidade, textura e profundidade, por exem- plo, e há também singularidades de relevo, hidrografia e paisagem. Este trabalho de caracterização ambiental deve ser feito em escala tal que permita que as características que são diferenciais daquele local sejam evidenciadas e que, ao mesmo tempo, não se perca a 14 Documentos 391 dimensão geográfica da área a ser delimitada. Como exemplo, para evidenciar as características locais, tais como monumentos naturais ou não, como áreas de cascatas, ou pequenas vilas, escala a partir de 1:25.000 ou maiores até 1:5.000 seriam adequadas. Para eviden- ciar feições de relevo, tais como serras e montanhas e planícies, de- vem ser adotadas escalas a partir de 1:50.000 ou até 1:10.000. Estas singularidades devem ser discriminadas e podem conferir especificidades ao produto, o que é especialmente importante para obter as DOs, uma vez que produto ou serviço deve apresentar ca- racterísticas que estão relacionadas exclusiva ou essencialmente ao meio geográfico, sendo estas imprescindíveis para registrar a identi- dade da marca. Muitas vezes, o ambiente é o responsável pelas características que diferenciam o produto (Malta et al., 2022), porém é necessário ob- servar que as diferenças encontradas podem ocorrer devido a mate- riais genéticos distintos e não, necessariamente, devido ao ambiente. A seguir serão descritas as caracterizações ambientais dos locais deste estudo. Lagoa Vermelha − Região fisiográfica dos Campos de Cima da Serra ou Campos de Vacaria Localização da região Está localizada na região nordeste do estado do Rio Grande do Sul, na divisa com Santa Catarina, em altitude que vai de 900 a 1.200 m acima do nível do mar, podendo ultrapassar 1.800 m, com declividade sempre em direção a oeste (Córdova; Schlickmann, 2020). Os municípios vizinhos são: Bom Jesus, Cambará do Sul, Campestre da Serra, Capão Bonito do Sul, Esmeralda, Ipê, Jaquirana, Monte Alegre dos Campos, Muitos Capões, Pinhal da Serra, São Francisco de Paula, São José dos Ausentes e Vacaria. https://pt.wikipedia.org/wiki/Fisiografia_do_Rio_Grande_do_Sul https://pt.wikipedia.org/wiki/Fisiografia_do_Rio_Grande_do_Sul https://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Grande_do_Sul https://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Grande_do_Sul https://pt.wikipedia.org/wiki/Bom_Jesus_(Rio_Grande_do_Sul) https://pt.wikipedia.org/wiki/Cambará_do_Sul https://pt.wikipedia.org/wiki/Campestre_da_Serra https://pt.wikipedia.org/wiki/Campestre_da_Serra https://pt.wikipedia.org/wiki/Capão_Bonito_do_Sul https://pt.wikipedia.org/wiki/Esmeralda_(Rio_Grande_do_Sul) https://pt.wikipedia.org/wiki/Ipê_(Rio_Grande_do_Sul) https://pt.wikipedia.org/wiki/Jaquirana https://pt.wikipedia.org/wiki/Monte_Alegre_dos_Campos https://pt.wikipedia.org/wiki/Monte_Alegre_dos_Campos https://pt.wikipedia.org/wiki/Muitos_Capões https://pt.wikipedia.org/wiki/Pinhal_da_Serra https://pt.wikipedia.org/wiki/São_Francisco_de_Paula_(Rio_Grande_do_Sul) https://pt.wikipedia.org/wiki/São_Francisco_de_Paula_(Rio_Grande_do_Sul) https://pt.wikipedia.org/wiki/São_José_dos_Ausentes https://pt.wikipedia.org/wiki/Vacaria 15Estudo preliminar para a criação de selos de identificação geográfica de pinhão... O clima é do tipo Cfb (classificação de Köppen): clima oceânico temperado, o mês mais frio com temperatura média acima de 0 °C ou −3 °C, todos os meses apresentam temperatura média abaixo de 22 °C e, pelo menos, quatro meses apresentam temperatura média acima de 10 °C. A região está sujeita aos ventos frios com origem no Atlântico Sul Meridional, no Oceano Antártico, e trans-andinos, sendo frequentes as mudanças bruscas de temperatura. Há ocorrência de geadas desde o início de abril até o mês de novembro e, em alguns invernos, há nevadas. As chuvas são, em geral, abundantes e com alguns veranicos. A visibilidade atmosférica é das melhores do Rio Grande do Sul, não apresentando nevoeiros e tetos baixos de prolongada duração, que são dissipados rapidamente pela ação do Sol. A Tabela 1 apresenta valores médios anuais de variáveis climáti- cas para cada estação do ano. A disponibilidade hídrica anual é por volta de 900 mm e há grande disponibilidade hídrica ao longo do ano, embora, no período de inverno e primavera, ela aumente. A tempera- tura média anual é 17 °C e há, em média, 346 horas de frio no período de maio a agosto. Relevo e hidrografia Lagoa Vermelha situa-se a oeste da região de Campos de Cima da Serra, e o relevo é formado por campos, planaltos e colinas de peque- nas e grandes elevações nas quais se desenvolve a atividade pastoril. Estas elevações (cabeceiras de drenagem) separam os rios que cor- rem para o norte e deságuam no rio Pelotas, daqueles que correm para o sul e deságuam no rio das Antas e no Alto Taquari. A altitude média está em torno de 750 m acima do nível do mar. A altitude máxima é 900 m e a mínima pouco menos de 600 m. A cidade sede do município situa-se a 797 m de altitude (Córdova; Schlickmann, 2020). https://pt.wikipedia.org/wiki/Clima_oceânico https://pt.wikipedia.org/wiki/Clima_oceânico https://pt.wikipedia.org/wiki/Geadas https://pt.wikipedia.org/wiki/Mês https://pt.wikipedia.org/wiki/Chuva https://pt.wikipedia.org/wiki/Veranico https://pt.wikipedia.org/wiki/Visibilidade https://pt.wikipedia.org/wiki/Sol https://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Pelotas https://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_das_Antas_(Rio_Grande_do_Sul) https://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Taquari_(Rio_Grande_do_Sul) https://pt.wikipedia.org/wiki/Altitude https://pt.wikipedia.org/wiki/Metros https://pt.wikipedia.org/wiki/Nível_do_mar https://pt.wikipedia.org/wiki/Cidade https://pt.wikipedia.org/wiki/Município 16 Documentos 391 Tabela 1. Valores médios para os principais parâmetros climáticos de Lagoa Vermelha, RS, por estação do ano e anual. Lagoa Vermelha, RS Variáveis(1) Primavera Verão Outono Inverno Anual Precipitação (mm) 480,18 436,97 369,50 438,78 1713,35 ETP (mm) 188,69 310,52 192,53 106,15 797,90 Insolação (horas) 188,09 214,26 183,69 162,02 187,81 P-ETP (mm) 292,33 113,93 175,48 332,74 916,40 Temperatura média (°C) 16,75 21,03 17,17 12,75 16,93 Temperatura míni- ma (°C) 11,98 16,28 12,76 8,27 12,33 Temperatura míni- ma absoluta (°C) 2,32 8,54 2,83 -2,99 2,68 Temperatura máxima (°C) 22,63 26,88 22,97 18,61 22,77 Temperatura máxima absoluta (°C) 31,97 33,64 30,19 27,67 31,36 Umidade relativa (%) 73,53 74,43 78,63 77,14 76,01 Velocidade do vento (m s-1) 3,45 3,09 2,83 3,10 3,12 (1) ETP – evapotranspiração potencial; P-ETP – precipitação pluviométrica menos evapotranspiração potencial. Fonte: Wrege e Fritzsons (2015). Solos No mapa de solos do Rio Grande do Sul, há dois grandes grupos de solos que predominam no município: TBRa1 (Terra Bruna estrutu- rada intermediária para Terra Roxa estruturada álica, A proeminente,- textura muito argilosa e Solos Litólicos Alicos e distróficos, A proemi- nente e moderado, textura média e argilosa, substrato basalto, relevo 17Estudo preliminar para a criação de selos de identificação geográfica de pinhão... ondulado e forte ondulado) e LBRa3 (Latossolo Bruno intermediário para Latossolo Álico, A proeminente, textura muito argilosa, relevosuave ondulado e ondulado) (Rio Grande do Sul, 2023).Em geral, são solos que, por serem álicos, são pobres em bases e nutrientes para as plantas. Semelhanças quanto ao processo de classificação podem ser encontradas em SiBCS (Santos, 2018). Vegetação Na vegetação de Campos de Cima da Serra, predomina os “Cam- pos de Altitude” do ecossistema da Floresta Ombrófila Mista, do do- mínio do bioma Mata Atlântica. Esses campos são produto de uma vasta história de mudanças evolutivas que principiaram há milhões de anos e são remanescentes de um clima semiárido, mais frio que o atual e, portanto, de formação anterior à Floresta Pluvial (Córdova; Schlickmann, 2020). Na região leste dos Campos de Cima da Serra, há extensos pi- nheirais ao longo dos Aparados da Serra e, na parte oeste, onde se situa a Lagoa Vermelha, há grandes capões com araucária encrava- dos nos campos. No vale do rio Pelotas, existe uma ligação direta da Floresta Latifoliada (que segue pelo Vale do Uruguai até Missões), com a formação equivalente da borda leste do Planalto Médio, comu- nicando com a Floresta Atlântica de Santa Catarina (Figura 2). Economia e selo de indicação geográfica No censo demográfico de 2022, a população do município de La- goa Vermelha, RS, totalizava 27.659, o que representa um aumento de 0,48% em comparação com 2010. A população é 12% rural. A base econômica do município se concentra, fundamentalmente, na agro- pecuária e na indústria moveleira, sendo um dos maiores produtores de móveis do Rio Grande do Sul e do Brasil. Há também a produção de aveia por empresas que praticam desde o cultivo até o proces- samento e industrialização. Dados obtidos no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2022) estão presentes na Tabela 2. https://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Pelotas https://pt.wikipedia.org/wiki/Floresta https://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Uruguai https://pt.wikipedia.org/wiki/Missões_(Rio_Grande_do_Sul) https://pt.wikipedia.org/wiki/Planalto_Médio_(Rio_Grande_do_Sul) https://pt.wikipedia.org/wiki/Floresta_atlântica https://pt.wikipedia.org/wiki/Agropecuária https://pt.wikipedia.org/wiki/Agropecuária https://pt.wikipedia.org/wiki/Indústria_moveleira https://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Grande_do_Sul https://pt.wikipedia.org/wiki/Brasil 18 Documentos 391 Figura 2. Aspectos da paisagem de Campos de Cima da Serra, em Lagoa Vermelha, RS. F ot o: V ils on A nt on io N ad in Tabela 2. Dados censitários de Lagoa Vermelha, RS. Tipos de dados censitários Quantificação Área territorial 1.260,227 km² [2022] População humana 27.659 [2022] Densidade demográfica 21,95 habitantes por km² [2022] Escolarização (6 a 14 anos) 97,5% [2010] Índice de desenvolvimento humano muni- cipal (IDHM) 0,738 [2010] Produto interno bruto (PIB) per capita 40.796,12 R$ [2020] Fonte: IBGE (2022). O Queijo Artesanal Serrano (QAS), que recebeu em 3 de março de 2020 a concessão nº 2.565 de indicação geográfica (IG) “Campos de Cima da Serra”, na espécie denominação de origem (DO) para o produto “queijo artesanal serrano”, foi o primeiro a receber tal indi- cação no Brasil (Sebrae, 2023). A IG foi concedida em nome da Fe- deração das Associações de Produtores de Queijo Artesanal Serra- no de SC e RS, sendo que a delimitação territorial para este produto 19Estudo preliminar para a criação de selos de identificação geográfica de pinhão... abrange 18 municípios no estado de Santa Catarina e 16 municípios no Rio Grande do Sul, totalizando 34.372 km2. Esta área territorial possui especificidades edafoclimáticas que propiciam o desenvolvi- mento de uma vegetação campestre, principal fonte de alimentação das vacas leiteiras cujo leite é utilizado no preparo do QAS. Além dis- so, o processo produtivo desse queijo caracteriza-se por um conheci- mento que está sendo transmitido de geração à geração, por mais de dois séculos (INPI, 2022). O QAS também é agregado do Selo Arte (Portaria nº 9918/19 do Ministério da Agricultura e Pecuária), garantindo que o produto é elaborado de forma artesanal, com uso de mão de obra familiar, considerando tecnologia aplicada à tradição e à geografia local (Rio Grande do Sul, 2023). Painel - Região fisiográfica do Planalto de Lages da Serra Catarinense Localização da região Painel localiza-se na unidade geomorfológica do Planalto de Lages, situado na parte sudoeste da região geomorfológica Planalto Centro- -Oriental de Santa Catarina. Este Planalto limita-se ao noroeste, oeste e ao sudoeste com a unidade geomorfológica do Planalto dos Campos Gerais, cujo contato, em alguns trechos, é feito por escarpas. A altitude varia de 800 a 1.828 m e os municípios da região são: Anita Garibaldi, Bocaina do Sul, Lages, Campo Belo do Sul, Capão Alto, Cerro Negro, Correia Pinto, Otacílio Costa, Painel, Palmeira e São José do Cerrito. O principal centro urbano é a cidade de Lages. Clima A classificação do clima de Painel, segundo Köppen, é Cfb, o mesmo de Lagoa Vermelha, porém, devido às altitudes elevadas, as temperaturas podem chegar a -14 ºC. Esta região é uma das mais https://pt.wikipedia.org/wiki/Fisiografia_do_Rio_Grande_do_Sul https://pt.wikipedia.org/wiki/Fisiografia_do_Rio_Grande_do_Sul 20 Documentos 391 frias do Brasil e as cidades mais conhecidas são Urubici, Urupema, São Joaquim e Lages, famosas pelo turismo de inverno. A disponibili- dade hídrica anual é por volta de 900 mm, a temperatura média anual é 14 ºC e há, em média, 469 horas de frio de maio a agosto. Há um equilíbrio em temos de disponibilidade hídrica ao longo do ano, mas a disponibilidade é maior no inverno e primavera, da mesma forma como ocorre em Lagoa Vermelha (Tabela 3). Tabela 3. Valores médios para os principais parâmetros climáticos de Painel, SC, por estação do ano e anual. Painel, SC Variáveis (1) Primavera Verão Outono Inverno Anual Precipitação (mm) 443,48 455,86 340,68 425,94 1668,70 ETP (mm) 163,60 259,02 166,89 100,37 689,88 Insolação (horas) 157,05 178,85 163,42 144,11 159,54 P-ETP (mm) 268,03 186,30 166,52 321,84 939,70 Temperatura mé- dia (°C) 14,62 18,64 15,03 11,06 14,83 Temperatura míni- ma (°C) 9,98 14,05 10,74 6,59 10,34 Temperatura míni- ma absoluta (°C) -1,43 5,08 -0,89 -6,61 -0,96 Temperatura má- xima (°C) 20,61 24,51 20,85 17,04 20,75 Temperatura máxima absoluta (°C) 30,18 31,48 28,24 26,23 29,11 Umidade relativa (%) 79,17 79,72 82,74 81,03 80,49 Velocidade do vento (m s-1) 2,97 2,68 2,45 2,60 2,68 (1) ETP – evapotranspiração potencial; P-ETP – precipitação pluviométrica menos evapotranspiração potencial. Fonte: Wrege e Fritzsons (2015). https://www.passagenspromo.com.br/blog/serra-catarinense/ https://www.passagenspromo.com.br/blog/serra-catarinense/ 21Estudo preliminar para a criação de selos de identificação geográfica de pinhão... Relevo e hidrografia Em termos hidrográficos, o Planalto de Lages está situado nas mi- crobacias do rio Canoas, Pelotas e Caveiras, na Alta Bacia do rio Uruguai. Painel apresenta um relevo de dissecação homogênea em forma de colina, homogeneidade interrompida pela presença de alguns morros testemunhos, como o morro do Tributo, em cota altimétrica de 1.200 m, enquanto, na maior parte da unidade, as cotas variam entre 850 e 900 m. (Comitê de Gerenciamento Bacia Hidrográfica do Rio Canoas, 2023). Solos Os solos apresentam relação com a topografia, sendo os Cambis- solos mais comuns em topografia suave ondulada e ondulada (43%), seguido dos Argissolos e Latossolos. Nas áreas mais acidentadas, há os Neossolos (27%). O restante, com pouca expressão, são solos hidromórficos. O uso da terra se dá em culturas anuais e perenes, pastagens e reflorestamentos (Embrapa, 1998). Vegetação A vegetação original é subtropical e pertence ao ecossistema da Floresta Ombrófila Mista (FOM), ou Floresta com Araucária, que está sob o domínio da Mata Atlântica, sendo expressiva a área ocupada pela vegetação campestre, especialmente nas microrregiões Campos de Lages (Figura 3). Na área dos campos, esta vegetaçãose parece com a de Lagoa Vermelha, porém a altitude é mais elevada e, portanto, sujeita a frios mais intensos e geadas. Economia A população da cidade de Painel, SC, totalizava 2.215 no censo demográfico de 2022, o que representou uma queda de -5,86% em comparação com 2010, sendo que 60% da população é rural (IBGE). 22 Documentos 391 Dados obtidos do IBGE (2023) configuram o município como apre- sentado na Tabela 4. Tabela 4. Dados censitários de Painel, SC. Tipos de dados censitários Quantificação Área territorial 738,331 km² [2022] População humana 2.215 [2022] Densidade demográfica 3,00 habitantes por km² [2022] Escolarização (6 a 14 anos) 97,4% [2010] Índice de desenvolvimento humano muni- cipal (IDHM) 0,664 [2010] Produto interno bruto (PIB) per capita 28.231,47 R$ [2020] Fonte: IBGE (2022). A base econômica de Painel se concentra, fundamentalmente, na agropecuária, sendo que o Planalto Sul de Santa Catarina (PSC), onde está Painel, concentra os dez principais municípios produtores de pinhão do Estado, contribuindo com 75 a 80% da produção esta- dual (Magnanti, 2019). F ot o: R os sa na C at ie B ue no d e G od oy Figura 3. Aspectos da vegetação de Painel, SC. https://pt.wikipedia.org/wiki/Agropecuária 23Estudo preliminar para a criação de selos de identificação geográfica de pinhão... O extrativismo do pinhão envolve a participação de homens, mulheres e crianças e pode ser considerado a base da agricultura familiar sendo, em alguns casos, a principal fonte de renda anual das famílias envolvidas nessa atividade (Fert Neto et al., 2013). Nos Sistemas Agroflorestais (SAFs), os pinheirais dividem espaço com frutíferas nativas, como: uvaia (Eugenia pyriformis), araçá (Psidium araca), goiaba serrana (Feijoa sellowiana) entre outras, e espécies florestais tais como, erva-mate (Ilex paraguariensis), bracatinga (Mimosa scabrella), canelas (Ocotea sp.) dentre outras espécies nativas. A cultura do pinhão na região da Serra Catarinense tem forte apoio da Associação Vianei de Cooperação e Intercâmbio no Traba- lho, Educação, Cultura e Saúde – Avicitecs, que é uma organização não governamental da sociedade civil de direito privado, sem fins lu- crativos, sendo constituída por pessoas de diferentes áreas do co- nhecimento que atuam desde 1983. Além disso, das 24 denominações de origem nacionais concedidas, três estão em Painel (Instituto Nacional de Propriedade Industrial, 2022): queijo artesanal de Campos de Cima da Serra; mel de melato de bracatinga e a produção da maçã 'Fuji'. Abaixo são listadas as três DOs, com as associa- ções, número de filiados, a área de abrangência e os municípios envolvidos: 1) Produção de queijo artesanal de Campos de Cima da Serra, ob- tido em 2020, pela Federação das Associações de Produtores de Queijo Artesanal Serrano de SC e RS (850 filiados). A área total da IG Campos de Cima da Serra é 34.372 km2. Abrange 18 municípios em SC e 16 municípios no RS. 2) Mel de melato da bracatinga, obtido em 2021 pela Federação das Associações de Apicultores e Meliponicultores de Santa Catarina (776 filiados). A área é contínua, abrangendo total ou parcialmente 134 municípios (107 de SC, 12 do PR e 15 do RS). 3) maçã 'Fuji', obtido em 2021, pela Associação dos Produtores de Maçã e Pera de Santa Catarina (454 filiados). A área geográfica delimitada da Região de São Joaquim para DO da maçã Fuji possui um total de 4.928 km². Abrange totalmente a área geo- gráfica dos municípios de São Joaquim, Bom Jardim da Serra, Urupema, Urubici e Painel. A DO Campos de Cima da Serra é a mesma de Lagoa Vermelha. 24 Documentos 391 Inácio Martins - Região Fisiográfica centro-sul do estado do Paraná Localização da região Inácio Martins localiza-se no centro-sul do estado do Paraná, em altitude de 1.205 m (sede do município de maior altitude do estado). Os municípios vizinhos são: Irati, Prudentópolis, Guarapuava, Pi- nhão, Cruz Machado, Rio Azul, Mallet e Rebouças. Devido à quantidade de estudos reunidos sobre a área de proteção ambiental (APA) da Serra da Esperança, a compreensão de aspectos geográficos de Inácio Martins foi reportada por meio desta APA. Área de proteção ambiental da Serra da Esperança Esta APA foi criada em 6 de dezembro de 1995, pela Lei Estadual 9.905 de 27 de janeiro de 1992 e pelo Decreto Estadual 1.438, abrangendo parte das bacias hidrográficas do Ivaí e Iguaçu em área total de 206.555,82 ha. Compõem esta APA os seguintes municípios: Guarapuava (25%); Inácio Martins (22,18%); Cruz Machado (17,65%); Mallet (12,70%); União da Vitória (12,08%); Prudentópolis (6,86%); Irati (1,56%); Rio Azul (0,88%); Paula Freitas (0,70%) e Paulo Frontin (0,44%). Os números entre parêntesis representam a porcentagem de área do município que pertencem à APA. Observa-se, portanto, que Guarapuava e Inácio Martins têm, cada um, mais de 20% de suas áreas na APA da Serra da Esperança (Instituto Sócio Ambiental, 2023). Clima O clima é do tipo Cfb (Köppen), o mesmo de Lagoa Vermelha e de Painel. Observa-se que a disponibilidade hídrica anual é 900 mm e há um equilíbrio em temos de disponibilidade hídrica ao longo de todo o ano. A temperatura média anual é 17,6 ºC, próxima daquela de Lagoa Vermelha e há, em média, 289 horas de frio de maio a agosto, menor que aquela em Lagoa Vermelha e bem menor que a de Painel (Tabela 5). https://pt.wikipedia.org/wiki/Unidades_federativas_do_Brasil https://pt.wikipedia.org/wiki/Paraná https://pt.wikipedia.org/wiki/Irati_(Paraná) https://pt.wikipedia.org/wiki/Prudentópolis https://pt.wikipedia.org/wiki/Guarapuava https://pt.wikipedia.org/wiki/Pinhão_(Paraná) https://pt.wikipedia.org/wiki/Pinhão_(Paraná) https://pt.wikipedia.org/wiki/Cruz_Machado https://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Azul https://pt.wikipedia.org/wiki/Mallet https://pt.wikipedia.org/wiki/Rebouças_(Paraná) https://www.legislacao.pr.gov.br/legislacao/pesquisarAto.do?action=exibir&codAto=7266&indice=1&totalRegistros=1&dt=27.0.2021.11.11.57.456 https://www.legislacao.pr.gov.br/legislacao/pesquisarAto.do?action=exibir&codAto=7266&indice=1&totalRegistros=1&dt=27.0.2021.11.11.57.456 https://www.legislacao.pr.gov.br/legislacao/pesquisarAto.do?action=exibir&codAto=38324&indice=1&totalRegistros=8&dt=27.0.2021.11.12.47.448 https://www.legislacao.pr.gov.br/legislacao/pesquisarAto.do?action=exibir&codAto=38324&indice=1&totalRegistros=8&dt=27.0.2021.11.12.47.448 25Estudo preliminar para a criação de selos de identificação geográfica de pinhão... Tabela 5. Valores médios para os principais parâmetros climáticos de Inácio Martins, PR, por estação do ano e anual. Inácio Martins, PR Variáveis (1) Primavera Verão Outono Inverno Anual Precipitação (mm) 471,95 525,28 416,84 361,75 1771,13 ETP (mm) 207,19 305,16 199,42 119,50 831,27 Insolação (horas) 149,06 158,98 151,33 145,38 150,78 P-ETP (mm) 263,41 218,84 211,66 241,65 914,50 Temperatura média (°C) 17,84 21,09 17,69 13,87 17,62 Temperatura míni- ma (°C) 12,91 16,54 13,37 9,25 13,02 Temperatura míni- ma absoluta (°C) 3,95 10,10 4,22 -1,87 4,10 Temperatura máxi- ma (°C) 24,14 27,11 23,92 20,31 23,87 Temperatura máxi- ma absoluta (°C) 33,09 33,13 30,24 28,02 30,76 Umidade relativa (%) 75,38 79,03 81,03 78,76 78,42 Velocidade do vento (m s-1) 2,59 2,28 2,08 2,27 2,31 (1) ETP – evapotranspiração potencial; P-ETP – precipitação pluviométrica menos evapotranpiração potencial. Fonte: Wrege e Fritzsons (2015). Relevo e hidrografia A APA da Serra da Esperança constitui um divisor natural de águas entre o Segundo e Terceiro Planaltos Paranaenses. A drenagem do município e de, praticamente, toda a APA apresenta escoamento para oeste, em direção ao rio Paraná, sendo a bacia hidrográfica do Rio Iguaçu (Médio Iguaçu) a mais importante da região. Apenas a região nordeste da escarpa da Serra da Esperança, em Guarapuava, tem 26 Documentos 391 escoamento para o norte (Bacia do Rio Ivaí). Quando analisada a declividade do terreno, fica evidente a presença dos terrenosmais íngremes na região leste, tanto do município de Inácio Martins, tanto da APA, na escarpa da serra (Instituto Socioambiental, 2023). O Aquífero Guarani no estado do Paraná apresenta uma área de, aproximadamente, 131.300 km2, abrangendo toda a extensão do Terceiro Planalto Paranaense e, consequentemente, quase toda a APA da Serra da Esperança, uma vez que a maior área de abrangência desta última encontra-se no Terceiro Planalto. Além do Aquífero Guarani, os municípios de Inácio Martins e Cruz Machado estão quase que totalmente assentados sobre a área do Aquífero Serra Geral Sul (ASGS) (Athayde; Athayde, 2016). A recarga direta do Aquífero Guarani ocorre a partir das áreas de afloramento da escarpa da Serra da Esperança e a do ASGS é alimentado por fraturas da rocha da Formação Serra Geral e, por isso, reforça-se a importância da conservação destes ambientes naturais, para garantir a recarga e evitar a contaminação das águas subterrâneas destes aquíferos. Solos Na geologia da APA da Serra da Esperança predominam rochas da Formação Serra Geral (basaltos e derivados) e, secundariamente, siltitos e arenitos das Formações Piramboia/Botucatu, além de por- ções menos significativas das Formações Teresina e Rio do Rasto. Considerando-se a origem eluvionar dos solos, a APA apresenta um predomínio de superfícies jovens decorrentes de um relevo movi- mentado que se apresenta mais comumente de ondulado a escarpa- do, nas quais se encontram, mais frequentemente, solos rasos com horizontes pouco desenvolvidos como os Cambissolos e os Neosso- los. Estes solos, em conjunto, predominam em mais de 90% da área da APA. Os solos com os caracteres distrófico e alumínico denotam a falta de nutrientes e excesso de alumínio e, consequentemente, tem uma baixa fertilidade natural e perfazem 83,9% do total, enquanto solos naturalmente férteis (eutróficos) predominam em 15,8% da área, mas que, por se tratar de Neossolos Litólicos, apresentam alta suscetibilidade à erosão e problemas de disponibilidade de água nas épocas secas. 27Estudo preliminar para a criação de selos de identificação geográfica de pinhão... Vegetação A vegetação é do domínio da FOM, como ocorre em Painel e Lagoa Vermelha, porém, sem os campos de Lagoa Vermelha e do Planalto de Lages (Figura 4). Pela classificação da vegetação brasileira no Siste- ma Fisionômico-Ecológico e considerando a altitude tem-se, em Inácio Martins a Floresta Ombrófila Mista Montana e Alto Montana, conside- rando que a altitude do município está acima de 1.000 m (IBGE, 2012). Figura 4. Aspectos da vegetação de Inácio Martins, PR. F ot o: E de r L op es Economia No censo demográfico de 2022, a população de Inácio Martins, PR totalizava 9.670, o que representou uma queda de -11,63% em comparação com 2010 e, aproximadamente, 60% da população mora https://g1.globo.com/pr/campos-gerais-sul/cidade/inacio-martins/ https://g1.globo.com/pr/campos-gerais-sul/cidade/inacio-martins/ 28 Documentos 391 na zona rural, assim como em Painel (Tabela 6). As atividades eco- nômicas do município são agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura e, em valor bruto de produção agropecuária, pre- dominam as atividades florestais (Instituto Paranaense de Desenvol- vimento Econômico e Social, 2023). Tabela 6. Dados censitários de Inácio Martins, PR. Tipos de dados censitários Quantificação Área territorial 936,208 km² [2022] População humana 9.670 [2022] Densidade demográfica 10,33 habitantes por km² [2022] Escolarização (6 a 14 anos) 94,5% [2010] Índice de desenvolvimento humano muni- cipal (IDHM) 0,600 [2010] Produto interno bruto (PIB) per capita 21.134,41 R$ [2020] Fonte: IBGE (2022). Inácio Martins compõe um dos 12 municípios do Paraná que tem o selo de IG na categoria de “Denominação de Origem” que é o do Mel de melato da bracatinga. Cunha - Região Fisiográfica de Mar de Morros Localização da região O município de Cunha está localizado em uma área de planaltos (Bocaina, Paraitinga e Paraibuna) e serras (do Mar e Quebra-Canga- lha), na região fisiográfica conhecida como Mar de Morros e abriga as nascentes e uma grande área das Bacias Hidrográficas dos rios Paraitinga e Paraibuna, formadores da grande bacia hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (Ross; Moroz, 1997). A altitude varia muito em toda a extensão do município, sendo que as áreas mais baixas (760 m) estão localizadas nas várzeas do Rio Paraitinga, na divisa com o município de Lagoinha, enquanto o ponto https://pt.wikipedia.org/wiki/Mar_de_morros https://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Paraitinga https://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Paraitinga https://pt.wikipedia.org/wiki/Lagoinha_(São_Paulo) 29Estudo preliminar para a criação de selos de identificação geográfica de pinhão... culminante (1.840 m) está na Pedra da Macela, no alto da Serra do Mar, na divisa com o estado do Rio de Janeiro. A sede do município está a cerca de 950 m de altitude. Os municípios vizinhos são: Lagoinha, São Luís do Paraitinga (Alto Vale do Rio Paraíba do Sul), São José do Barreiro, Areias, Silveiras, Lorena e Guaratinguetá (Médio Vale) (Muller, 1969). No sentido litoral, limita-se com Ubatuba, SP; Paraty, RJ; Angra dos Reis, RJ. O município abriga duas Unidades de Conservação de proteção integral, totalizando uma área de, aproximadamente, 12.500 ha o nú- cleo Cunha-Indaiá do Parque Estadual da Serra do Mar (PESM) ao sul do município e parte do Parque Nacional da Serra da Bocaina, ao norte do município (São Paulo, 2023) O Núcleo Cunha do Parque Estadual da Serra do Mar protege os remanescentes de Matas Nebulares, situados em latitudes supe- riores a 1.000 m e suas florestas preservam importantes mananciais para o abastecimento de água das cidades do Vale do Paraíba e, até mesmo, do Rio de Janeiro. As florestas de altitude abrigam muitas es- pécies exclusivas em risco de extinção. O relevo acidentado favorece a formação de cachoeiras, especialmente nos rios Bonito, Ipiranga e Paraibuna, tornando este núcleo de especial interesse para a prática do ecoturismo (São Paulo, 2023). A Serra da Bocaina é uma parte da Serra do Mar que se liga também à Serra da Mantiqueira, na faixa limítrofe entre os estados de São Paulo e Rio de Janeiro. O Parque Nacional da Serra da Bocaina tem 104 mil hectares, sendo caracterizado por um forte gradiente al- titudinal, abrangendo desde áreas situadas no nível do mar (região de Trindade, Paraty) até a parte serrana, com altitudes superiores a 2.000 m em São José do Barreiro. Esse gradiente de altitude, deter- minado por aspectos geomorfológicos, afeta diretamente os atributos físicos (clima, hidrografia) e bióticos (vegetação, flora e fauna) da re- gião, gerando paisagens e ecossistemas diversos. Clima O clima da região de Cunha está sujeito a massas de ar equato- riais e tropicais que imprimem à região uma dinâmica de clima úmido, com influências da altitude e dos efeitos orográficos da Serra do Mar. A estação chuvosa se estende de outubro a março com 75% do total https://pt.wikipedia.org/wiki/Pedra_da_Macela https://pt.wikipedia.org/wiki/Serra_do_Mar https://pt.wikipedia.org/wiki/Serra_do_Mar https://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_de_Janeiro_(estado) 30 Documentos 391 da pluviometria anual e um período mais seco, ou pouco úmido, ocor- rendo de abril até setembro. A precipitação pluviométrica média anual é 2.240 mm e varia de 1.100 a 3.000 mm, com os maiores valores ocorrendo na Serra do Mar e da Bocaina, seguidas das que ocorrem na Serra do Quebra Cangalha (Starzynski et al., 2020). A temperatura média anual do ar está em torno de 16,5 ºC. A tem- peratura média de inverno é 10 ºC e a de verão é 22 ºC. Devido aos fatores de maritimidade e continentalidade e variação nas cotas altimétricas, há dois tipos de clima (segundo Köppen) em Cunha: Af (na região da Serra do Mar) - tropical úmido sem estação seca; Cwb (no Planalto do Paraitinga) - temperado com inverno seco. De posse dos dados climáticos cedidos pelo Instituto dePesquisas Am- bientais – Laboratório de Hidrologia Florestal Parque Estadual da Serra do Mar – Núcleo Cunha, de 2013 a 2017, foi composta a Tabela 7. Tabela 7. Valores médios para os principais parâmetros climáticos de Cunha, SP, por estação do ano e anual. Cunha, SP Variáveis Primavera Verão Outono Inverno Anual Precipitação plu- viométrica (mm) 378 718 387 143 1700 Temperatura mé- dia (°C) 16,7 19,7 16,8 13,1 16,6 Temperatura míni- ma (°C) 11,5 15,1 12,1 6,9 11,4 Temperatura míni- ma absoluta (°C) 1,5 6,9 2,1 -3,2 -3,2 Temperatura má- xima (°C) 23,7 26,4 23,3 21,6 23,7 Temperatura máxima absoluta (°C) 33,7 32,1 30,6 30,1 33,7 Fonte: E-mail de Roberto Starzynski do Laboratório de Hidrologia Florestal do Parque Estadual da Serra do Mar, Estação de Monitoramento de Cunha, SP (2013-2017), Secretaria do Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo, enviado para a autora Elenice Fritzsons em 22/08/2023. 31Estudo preliminar para a criação de selos de identificação geográfica de pinhão... Relevo Apresenta relevo acidentado com predominância de serras, es- carpas e morros altos, seguidos pela presença de morros baixos, morrotes e raras colinas e terraços fluviais. Devido ao relevo aciden- tado e solos de baixa aptidão agrícola, o município de Cunha possui grande vocação florestal por apresentar 65,31% de sua área com de- clividade superior a 18% e 53% do município está acima de 900 m (Starzynski et al., 2020). Geologia e solos A base geológica é formada por granitos, migmatitos e micaxistos do período Pré-Cambriano e depósitos aluviais do Quaternário consti- tuídos por cascalhos, areias, silte e argila. A maior parte do município (mais de 70% da área) é constituída de solos com baixa aptidão agrí- cola, tais como o Neossolo Litólico e o Cambissolo (Ross; Moroz, 2011). São solos com pouca profundidade e, em geral, suscetíveis a proces- sos erosivos e, assim, em boa parte, limitantes para a exploração agrí- cola de culturas anuais. A área mais propícia à agricultura consiste em aproximadamente 20% do município, nas zonas de Argissolos. Vegetação Resultados do Mapeamento Temático da Cobertura Vegetal Na- tiva do estado de São Paulo, Inventário Florestal do estado de São Paulo – 2020 (São Paulo, 2020) indicam que há aproximadamente 35% de cobertura vegetal nativa em Cunha. Segundo estudos de Silva et al. (2016), está havendo uma regeneração por capões de matas, em áreas onde a pastagem e a lavoura foram abandonadas pelos proprietários. Entre as décadas de 1960 e 1980, a atividade agropecuária no Vale do Paraíba diminuiu 13%, o que contribuiu para a estagnação dos índices de desmatamento na região. Desde então, a Mata Atlântica iniciou um processo espontâneo de regeneração. Muitas terras abandonadas se converteram em pequenos bosques de vegetação secundária, resultando em um aumento da cobertura 32 Documentos 391 florestal (Andrade, 2017). Dos 35% da vegetação natural tem-se que aproximadamente 33% é da Floresta Ombrófila Densa e menos de 1% da Floresta Ombrófila Mista (Figura 5). Economia A população de Cunha totalizava 22.110 habitantes (Tabela 8), o que representou um aumento de 1,12% em comparação com o censo de 2010. Deste montante, 56% pertencem à zona rural e 44% à zona Figura 5. Aspectos da vegetação de Cunha, SP, da Flo- resta Ombrófila Mista. F ot o: C es ar G on ça lv es A fo ns o Fr iz o https://www.bing.com/ck/a?!&&p=62c5dfb135d66c1aJmltdHM9MTY5MTUzOTIwMCZpZ3VpZD0yYjE2MTY2Ny01ZjFhLTZjZWUtMWE1Yy0wNzkyNWUzNjZkYWUmaW5zaWQ9NTY5MQ&ptn=3&hsh=3&fclid=2b161667-5f1a-6cee-1a5c-07925e366dae&psq=população+rural+de+cunha+sp&u=a1aHR0cHM6Ly9wb3B1bGFjYW8ubmV0LmJyL3BvcHVsYWNhby1jdW5oYV9zcC5odG1s&ntb=1 https://www.bing.com/ck/a?!&&p=62c5dfb135d66c1aJmltdHM9MTY5MTUzOTIwMCZpZ3VpZD0yYjE2MTY2Ny01ZjFhLTZjZWUtMWE1Yy0wNzkyNWUzNjZkYWUmaW5zaWQ9NTY5MQ&ptn=3&hsh=3&fclid=2b161667-5f1a-6cee-1a5c-07925e366dae&psq=população+rural+de+cunha+sp&u=a1aHR0cHM6Ly9wb3B1bGFjYW8ubmV0LmJyL3BvcHVsYWNhby1jdW5oYV9zcC5odG1s&ntb=1 https://www.bing.com/ck/a?!&&p=62c5dfb135d66c1aJmltdHM9MTY5MTUzOTIwMCZpZ3VpZD0yYjE2MTY2Ny01ZjFhLTZjZWUtMWE1Yy0wNzkyNWUzNjZkYWUmaW5zaWQ9NTY5MQ&ptn=3&hsh=3&fclid=2b161667-5f1a-6cee-1a5c-07925e366dae&psq=população+rural+de+cunha+sp&u=a1aHR0cHM6Ly9wb3B1bGFjYW8ubmV0LmJyL3BvcHVsYWNhby1jdW5oYV9zcC5odG1s&ntb=1 33Estudo preliminar para a criação de selos de identificação geográfica de pinhão... urbana (IBGE, 2022). As atividades agrícolas de Cunha incluem a apicultura, horticultura, a produção de leite e o turismo. No município há produção de azeitona, banana, café, caqui, erva-mate, figo, laran- ja, maçã, pêssego, tangerina e uva, além de batata-inglesa, feijão, mandioca, milho e tomate. Tabela 8. Dados censitários de Cunha, SP. Tipos de dados censitários Quantificação Área territorial 1.407,250 km² [2022] População humana 22.110 pessoas [2022] Densidade demográfica 15,71 habitantes por km² [2022] Escolarização (6 a 14 anos) 98% [2010] Índice de desenvolvimento humano municipal (IDHM) 0,684 [2010] Produto interno bruto (PIB) per capita 13.857,47 R$ [2020] Fonte: IBGE (2022) A coleta de pinhão provém de áreas de ocorrência natural, sen- do essa atividade exercida principalmente por agricultores familiares, como forma de geração suplementar de renda. Além dos aspectos econômicos relacionados à venda do pinhão, a araucária apresenta importância turística, sendo um atrativo na paisagem em função de sua beleza cênica. Comparação entre os climas estudados Os quatro locais foram comparados em termos de médias das precipitações pluviométricas e temperaturas, separados por estação do ano (Figuras 6 e 7). Nota-se que, em Painel, ocorrem as menores tem- peraturas, porém a precipitação pluviométrica total anual é equivalente https://www.bing.com/ck/a?!&&p=62c5dfb135d66c1aJmltdHM9MTY5MTUzOTIwMCZpZ3VpZD0yYjE2MTY2Ny01ZjFhLTZjZWUtMWE1Yy0wNzkyNWUzNjZkYWUmaW5zaWQ9NTY5MQ&ptn=3&hsh=3&fclid=2b161667-5f1a-6cee-1a5c-07925e366dae&psq=população+rural+de+cunha+sp&u=a1aHR0cHM6Ly9wb3B1bGFjYW8ubmV0LmJyL3BvcHVsYWNhby1jdW5oYV9zcC5odG1s&ntb=1 34 Documentos 391 Figura 6. Comparação entre a distribuição da precipitação pluviométrica mé- dia por estação do ano e por município. Figura 7. Comparação da distribuição das temperaturas médias por estação do ano e por município. 35Estudo preliminar para a criação de selos de identificação geográfica de pinhão... a de Cunha, ao passo que no verão a precipitação pluviométrica em Cunha é maior. Compondo a análise de cluster (Figura 8) com todos os dados de precipitação pluviométrica e temperatura, separados por estação do ano, tem-se que: Painel se isola dos demais locais, possivelmente de- vido às temperaturas mais baixas; Inácio Martins e Lagoa Vermelha Figura 8. Agrupamento entre as estações climáticas dos municípios estudados. não são muito distantes entre si, porém Cunha também apresenta uma distância dos demais. As avaliações climáticas preliminares evidenciam que o clima de Painel se diferencia dos outros, provavelmente por ser mais frio. O clima de Lagoa Vermelha se assemelha ao de Inácio Martins e o de Cunha se diferencia, especialmente por estar numa zona tropical, onde há um período mais seco marcado no inverno e mais chuvoso no verão, ao contrário dos demais que estão em zona subtropical. No entanto, a falta de estações meteorológicas em Cunha para avaliar horas de frio, nebulosidade, radiação solar etc., dificulta uma interpretação mais fidedigna da realidade climática e da comparação entre os locais. 36 Documentos 391 Análise sensorial As análises sensoriais foram feitas por método discriminativo, tes- te triangular (Dutcosky, 2013), em que duas amostras são avaliadas ao mesmo tempo. As amostras foram avaliadas da seguinte forma: diferença entre pinhões de Cunha, SP e Inácio Martins, PR; entre Lagoa Vermelha, RS e Painel, SC (Figura 9). Adicionalmente, tam- bém foi verificado se havia diferença entre as variedades Caiová e Angustifolia (Figuras 10 e11). Os avaliadores também analisaram a aceitação global das amostras, utilizando escala hedônica de nove pontos, variando de 1 - desgostei extremamente a 9 - gostei extrema- mente (Stone; Sidel, 2004). Participaram do teste 28 avaliadores que AA BB CC DD Figura 9. Procedência dos pinhões: (A) Inácio Martins; (B) Lagoa Vermelha; (C) Cunha; (D) Painel. F ot os : R os sa na C at ie B ue no d e G od oy receberam as amostras codificadas com três dígitos, identificando qual delas era a amostra diferente. Para avaliar os dados do teste de diferença foi considerado o nú- mero de acertos e comparado ao valor tabelado (α 0.05). Se o valor for maior ou igual ao valor da tabela, a diferença é significativa. 37Estudo preliminar para a criação de selos de identificação geográfica de pinhão... Já os dados do teste de aceitação foram submetidos à análise de variância (ANOVA). Análises físico-químicas Todas as análises foram realizadas para o pinhão in natura e para o pinhão cozido por 45 minutos, em triplicata. A análise de textura foi realizada em equipamento em texturôme- tro TA.XT2 (Stable Micro Systems, UK), utilizando-se a probe P/36R, Figura 10. Aspectos dos pinhões da variedade Caiová. F ot o: R os sa na C at ie B ue no d e G od oy Figura 11. Aspectos dos pinhões da variedade Angustifolia. F ot o: R os sa na C at ie B ue no d e G od oy 38 Documentos 391 conforme método 74-09 (American Association of Cereal Chemists, 1999). Os parâmetros utilizados nos testes foram: velocidade pré-tes- te = 1,0 mm s-¹; velocidade de teste = 1,7 mm s-¹; velocidade pós-teste = 10,0 mm s-¹ e deformação = 10%. Foi avaliada a firmeza (kg) e a fraturabilidade (mm). A análise de cor foi realizada em colorímetro portátil (Check II Plus, Datacolor), usando o sistema CIEL*a*b*, no qual os valores de luminosidade (L*) variam entre zero (preto) e 100 (branco) e os valo- res das coordenadas de cromaticidade a* e b* variam de -a* (verde) até +a* (vermelho), e de -b* (azul) até +b* (amarelo). A análise foi rea- lizada em ambos os lados do pinhão, separados por região 1 (mais clara) e região 2 (mais escura). A atividade de água (Aw) foi determinada em medidor eletrônico (Pre Aqualab, Decagon), sob temperatura de 25,0 ± 0,3 °C. A análise de umidade, por método gravimétrico (934.01) em estufa (Odontobras) sob temperatura de 105 °C até peso constante (Association of Official Analytical Chemists, 2010). Resultados da análise sensorial No teste discriminativo, observou-se que o pinhão da variedade Caiová é diferente, significativamente, do pinhão da variedade Angustifolia, mesmo sendo amostras do mesmo local. Houve diferença entre os pinhões oriundos de Painel, SC, quando comparados com os pinhões de Lagoa Vermelha, RS, assim como houve diferenças entre os pinhões originários de Inácio Martins, PR e Cunha, SP. Com relação à aceitação, não houve diferença significativa en- tre as amostras, no entanto apenas os pinhões da variedade Caiová atingiram a média de 7,1 entre gostei moderadamente a gostei muito, na escala hedônica. Todas as amostras atingiram aceitação no teste aplicado, com médias superiores a 6,0. Os resultados das médias de aceitação global foram as seguintes: Cunha, SP - 6,3; Inácio Martins, PR - 6,8; Lagoa Vermelha, RS - 6,9; Painel, SC 6,5; Variedade Angustifolia - 6,3 e Variedade Caoivá – 7,1. Deve-se considerar que a escala hedônica é de 9 pontos, onde 1 é “desgostei” e 9 é “gostei extremamente”. 39Estudo preliminar para a criação de selos de identificação geográfica de pinhão... Resultados das análises físico-químicas A firmeza da amostra é definida como a força máxima necessária para cortá-la, em Kg. Nas amostras in natura, a firmeza variou de 1,47 a 2,70 kg e nas amostras cozidas ela variou de 0,43 a 2,29 kg, comprovando o efeito do cozimento no amaciamento dos tecidos, re- duzindo a sua dureza (Lee et al., 2018). A fraturabilidade é a tendência de um material à fratura, quebra ou desintegração, conforme ele sofre a aplicação de uma quanti- dade relativamente pequena de força ou impacto. Nas amostras avaliadas, a fraturabilidade variou de 2,90 a 3,85 mm. Nos pinhões cozidos, ela variou de 0,92 a 2,62 mm. A redução da fraturabilidade dos pinhões cozidos deve-se à gelatinização do amido durante o cozimento, responsável pelo espessamento e estrutura do produto (Bet et al., 2019). A atividade de água variou de 0,96 a 0,99, indicando as amos- tras como de alta atividade de água (> 0,90) (Azeredo, 2012). Essa variável interfere diretamente nas reações de deterioração dos ali- mentos, ou seja, na sua conservação. A umidade das amostras cruas variou de 42,15 a 53,14% enquanto, nas amostras cozidas, ela variou de 28,21 a 59,27%. A diferença no teor de umidade durante o processo de cocção pode aumentar ou reduzir, conforme a incorporação de água na estrutura do produto, assim como os pigmentos (Lee et al., 2018). A tonalidade vermelha (a*) foi reduzida após o cozimento das amostras em ambos os lados da semente (claro e escuro). Para a tonalidade amarela (b*), também foi observada redução, mas em menor proporção. A luminosidade (L*) ou o brilho foram intensifi- cados com o cozimento. Foi feito, ainda, o teste de correlação de Spearman (Tabela 9) com todas as variáveis e mais os dados da avaliação sensorial que, para isto, foi composta a média das notas das avaliações sensoriais de cada localidade de origem. As variáveis com corre- lação significativa (p(onde ocorre a araucária) são parecidas em termos de relevo e fitofisionomia da vegetação, porém, em Lagoa Vermelha e, em parte, em Painel, existem os Campos com Araucária, configurando-se locais mais abertos. Os dados climáticos foram utilizados para diferenciar os locais, porém outros dados poderão ser analisados, além da temperatura e precipitação pluviométrica, como o número de horas de frio e nebu- losidade, por exemplo. A falta de uma estação meteorológica mais completa em Cunha, impossibilita uma comparação mais aprofunda- da entre os locais. Em Inácio Martins, PR, 20% do município está localizado na área de APA da Serra da Esperança e, portanto, com restrições ao uso da terra. Além disso, o município se encontra sobre dois importantes mananciais de água subterrânea e, por isso, as atividades que não causam impactos sobre os aquíferos devem ser priorizadas, tal como esta agroindústria que está sendo desenvolvida, gerando emprego, renda e a possibilidade de trabalho no campo. Além do valor atribuído ao produto em si, ou seja, ao pinhão, a forma de seu processamento e a fabricação de outros produtos, tal como a farinha, pode ser um diferencial importante para, no futuro, se buscar um selo de IG pelo “saber fazer”. 42 Documentos 391 Os perfis de textura dos pinhões não evidenciaram diferenças quanto aos locais de origem, porém, isto não significa que as dife- renças não existam. Sugere-se a ampliação desse estudo com maior número de amostras e consumidores. Entretanto, foram evidencia- das relações importantes para o processamento do pinhão no que se refere à firmeza, fraturabilidade e teor de umidade, que precisam ser aprofundadas para dar maior qualidade ao produto processado. As análises sensoriais para a caracterização do pinhão aplicadas neste trabalho não evidenciaram diferenças significativas nas res- postas dos avaliadores, porém, notou-se uma leve preferência pelo pinhão da variedade Caiová, que precisa ser mais bem explorada em outras avaliações. Referências AACC INTERNATIONAL. American Association of Cereal Chemists. Method 74- 09.01. 11th ed. Saint Paulo, 1999. ANDRADE, R. de O. Floresta revigorada. Pesquisa FAPESP, n. 259, p. 36-39, 2017. ASSOCIATION OF OFFICIAL ANALYTICAL CHEMISTS. Official methods of analysis. 18th ed. Washington, DC., 2010. ARALDI C. G.; COELHO, C. M. M.; SHIBATA, M. Storage potential of local Brazilian pine seed varieties. Floresta e Ambiente, v. 25, n. 2, 2018. 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