Prévia do material em texto
O P L A N E J A M E N T O D O S U S N A R E G I Ã O 04 Fascículo CURSO SER GESTOR SUS 2025 2024. Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde. Esta obra é disponibilizada nos termos da Licença Creative Commons – Atribuição – Não Comercial – Compartilhamento pela mesma licença 4.0 Internacional. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte. A coleção institucional do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde pode ser acessada, na íntegra, na Câmara Brasileira do Livro - https://cbl.org.br/ . Desenvolvimento: Núcleo EaD do Conasems Coordenação Executiva: Conexões Consultoria em Saúde Ltda. Direção Editorial: Marta Sousa Lima Coordenação Editorial: Keylla Manfili Fioravante Curadoria Conasems: Cristiane Martins Pantaleão Denise Rinehart Marcos da Silveira Franco Nilo Bretas Junior Curadoria de Conteúdos Ministério da Saúde: Teresa Maria Passarella Revisão Técnica Maria da Penha Marques Sapata Patrícia Silva Campos Elaboração de texto: Denise Rinehart Kandice Falcão Marcela Alvarenga Marcos Franco Maria da Penha Marques Sapata Rosângela Treichel Brasil. Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde . Ser Gestor[recurso eletrônico] / Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde, Ministério da Saúde. – Brasília: Conasems, 2024. XX p. : il. – (CURSO DE APERFEIÇOAMENTO EM GESTÃO MUNICIPAL DO SUS; Fascículo 12 O cuidado na Atenção Básica. Modo de acesso: World Wide Web: inserir endereço pdf. 1. CURSO DE APERFEIÇOAMENTO EM GESTÃO MUNICIPAL DO SUS. 2. Processo de trabalho na Atenção Básica. 3 Autocuidado do usuário. 4 Cuidado da família. 5 Cuidado do território. Ficha Catalográfica Tiragem: 1ª edição – 2024 – versão eletrônica Elaboração, distribuição e informações: CONSELHO NACIONAL DE SECRETARIAS MUNICIPAIS DE SAÚDE – Conasems Esplanada dos Ministérios, Bloco G, Anexo B, Sala 144 Zona Cívico-Administrativo, Brasília/DF CEP: 70058-900 Tel.:(61) 3022-8900 Núcleo Pedagógico Mais Conasems Rua Professor Antônio Aleixo, 756 CEP 30180-150 Belo Horizonte/MG Tel: (31) 2534-2640 Diretoria Conasems Presidente Hisham Mohamad Hamida Vice Presidente Secretário Executivo Mauro Guimarães Junqueira Projeto Gráfico e Diagramação: Deslimites Preparação de texto: Adriana Cunha Camila Miranda Gisele Bicalho Renata Alves Pires Sandra Gomes Vinícius Amaral Fernandes Vanessa Camila da Silva Imagens: Fototeca do Conasems Envato Elements https://elements.envato.com Freepik https://br.freepik.com Revisão Linguística: Roberta Ker Elias Tiago Garcias Aline Almeida Elaboração, distribuição e informações: CONSELHO NACIONAL DE SECRETARIAS MUNICIPAIS DE SAÚDE – Conasems Esplanada dos Ministérios, Bloco G, Anexo B, Sala 144 Zona Cívico-Administrativo, Brasília/DF CEP: 70058-900 Tel.:(61) 3022-8900 Núcleo Pedagógico Conasems Rua Professor Antônio Aleixo, 756 CEP 30180-150 Belo Horizonte/MG Tel: (31) 2534-2640 Diretoria Conasems Presidente Hisham Mohamad Hamida Vice-Presidente Geraldo Reple Sobrinho Rodrigo Buarque Ferreira de Lima Secretário Executivo Mauro Guimarães Junqueira Desenvolvimento: Mais Conasems - NEAD/CONASEMS Coordenação Executiva: Conexões Consultoria em Saúde Ltda. Direção Editorial: Marta de Sousa Lima Coordenação Editorial: Keylla Manfili Fioravante Coordenação Pedagógica: Kelly Cristina Santana Esta obra é disponibilizada nos termos da Licença Creative Commons – Atribuição – Não Comercial – Compartilhamento pela mesma licença 4.0 Internacional. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte. A coleção institucional do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde pode ser acessada, na íntegra, na Câmara Brasileira do Livro - https://cbl.org.br/ . Tiragem: 1ª edição – 2024 – versão eletrônica 2024. Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde. Curadoria Conasems: Cristiane Martins Pantaleão Denise Rinehart Marcos da Silveira Franco Maria da Penha Marques Sapata Nilo Bretas Junior Patricia da Silva Campos Rubensmidt Ramos Riani Revisão Técnica: Cristiane Martins Pantaleão Maria da Penha Marques Sapata Patricia da Silva Campos Elaboração de texto: Marcos da Silveira Franco Nilo Bretas Junior Rodrigo César Faleiro de Lacerda Projeto Gráfico e Diagramação: Deslimites Design Gráfico Preparação de texto: Camila Miranda Revisão Linguística: Roberta Ker Elias Imagens: Fototeca do Conasems Envato Elements https://elements.envato.com Freepik https://br.freepik.com 24-233100 CDD-362.109 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Franco, Marcos da Silveira Curso ser gestor SUS [livro eletrônico] : 2025 : fascículo 4 : o planejamento do SUS na região / Marcos da Silveira Franco, Nilo Bretas Junior, Rodrigo César Faleiro de Lacerda. -- 1. ed. -- Brasília, DF : CONASEMS, 2024. PDF Bibliografia. ISBN 978-85-63923-73-8 1. Planejamento regional 2. Saúde pública 3. SUS (Sistema Único de Saúde) I. Bretas Junior, Nilo. II. Lacerda, Rodrigo César Faleiro de. III. Título. Índices para catálogo sistemático: 1. Saúde pública 362.109 Eliete Marques da Silva - Bibliotecária - CRB-8/9380 Esse fascículo pretende ampliar a compreensão do Gestor sobre o papel da gestão municipal de saúde no processo de planejamento ascendente previsto legalmente, a partir do qual se insere o Planejamento Regional Integrado (PRI), bem como a inserção da orçamentação em saúde. Permitirá, também, ao Gestor entender o planejamento como instrumento de gestão e articulação com a orçamentação; o Plano Municipal de Saúde como integrante do planejamento ascendente no SUS; e a importância do monitoramento e da avaliação dos serviços como ações importantes no planejamento em saúde. 4 SER GESTOR SUS | FASCÍCULO 4 | O PLANEJAMENTO DO SUS NA REGIÃO AB | Atenção Básica CF | Constituição Federal CIB | Comissão Intergestores Bipartite CIR | Comissões Intergestores Regionais CIT | Comissão Intergestores Tripartite CONASEMS | Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde EPS | Educação Permanente em Saúde MRS | Macrorregião de Saúde MS | Ministério da Saúde PAS | Programação Anual de Saúde PMS | Plano Municipal de Saúde PNAES | Política Nacional de Atenção Especializada PRI | Planejamento Regional Integrado PROADI | Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional RAS | Rede de Atenção à Saúde RREO | Relatório Resumido da Execução Orçamentária SEINSF | Seção de Apoio Institucional e Articulação Federativa SES | Secretaria de Estado de Saúde SIOPS | Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde SUS | Sistema Único de Saúde VS | Vigilância em Saúde S I G L A S 15 23 Figura 1 - Agenda regional Figura 2 - Estratégia tripartite para aprimorar a gestão e a governança no SUS F I G U R A S E Q U A D R O S F I G U R A S E Q U A D R O S S U M Á R I O 8 11 16 22 13 19 26 28 1. O espaço de governança regional 2. O Planejamento Regional Integrado (PRI) 3. Primeiros passos para a construção do PRI 4. Etapas do PRI 5. Análise da situação de Saúde 6. Planejamento ascendente 7. Considerações finais Bibliografia O ESPAÇO DE GOVERNANÇA REGIONAL O ESPAÇO DE GOVERNANÇA REGIONAL 1. A coordenação regional de saúde pode ser considerada a área com os maiores desafios e conflitos no Sistema Único de Saúde (SUS). A busca pelo acesso integral e oportuno aos serviços regionalizados para a atenção plena das necessidades de saúde locais é o foco de pactuações federativas entre os entes – em conformidade com a Constituição Federal (CF) e com as leis estruturantes do SUS. Considerando que os(as) usuário(as) devem estar no centro do planejamento regional, devemos refletir sobre como é possível: • Garantir o direito à integralidade da saúde. • Otimizar o acesso aosserviços especializados e em tempo oportuno. • Possibilitar equidade em relação ao acesso a esses serviços. É relevante destacar que a região de saúde é o local no qual diferentes governos, de nuances políticas diversas, coexistem e são responsáveis pelas ações e pelos serviços de saúde. Dessa forma, em alguns casos, pode haver conflito de interesses políticos, ou governamentais. Eles não podem, no entanto, causar o descumprimento da política de saúde nacional. Portanto, para a garantia da pactuação federativa, é preciso que os (as) gestores(as) dos entes autônomos da federação busquem sempre o consenso na tomada de decisões. O ambiente de pactuação pode ser considerado o primeiro espaço de governança do SUS. É nele que se divide o poder executivo para ordenar 9 as ações e os serviços regionalizados. O entendimento atual é que essa é uma governança colaborativa, cooperativa, em rede e participativa. Nela não há hierarquia entre entes. A gestão da regionalização da saúde necessita do conhecimento dos(as) gestores(as) em várias áreas, tais como: • A situação de saúde do seu município e dos municípios da região. • A organização da Rede de Atenção à Saúde (RAS). • A logística da RAS, incluindo a regulação, o transporte de pacientes e os sistemas de informação. • As regras e os limites orçamentários. 10 SER GESTOR SUS | FASCÍCULO 4 | O PLANEJAMENTO DO SUS NA REGIÃO O PLANEJAMENTO REGIONAL INTEGRADO (PRI) O PLANEJAMENTO REGIONAL INTEGRADO (PRI) 2. Os(as) gestores(as) devem definir uma agenda, que dará direcionamento às decisões a serem tomadas em determinado território. Quando há envolvimento dos municípios da região, da Secretaria Estadual de Saúde e da Superintendência Estadual do Ministério da Saúde para o planejamento regional, pode-se dizer que há um Planejamento Regional Integrado (PRI). O Planejamento Regional Integrado (PRI), conforme regulamentado nas resoluções CIT 23 e 37 da Comissão Intergestores Tripartite (CIT), tem a base geográfica definida como Macrorregião de Saúde (MRS). Após discussão nacional, foram estabelecidas 120 MRSs no Brasil. Essa área geográfica foi pensada como o espaço onde se dimensiona uma Rede Regionalizada de Atenção à Saúde. Trata-se de um ambiente de governança, em geral, com uma abrangência territorial maior do que a instituída pelo Decreto 7.508, de 2011, que organiza regionalmente o SUS em Comissões Intergestores Regionais (CIR). Atualmente, estão regulamentadas 456 CIRs no país. Quando abordarmos o PRI, as regiões devem ser entendidas como as MRSs, que, por sua vez, são definidas pelas Comissões Intergestores Bipartite (CIB). É importante compreender que a responsabilidade institucional pelo planejamento regional é dos(as) gestores(as) dos entes federados e não pode ser transferida, embora existam projetos de apoio ao processo de regionalização. Um exemplo é o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional (PROADI), que oferece apoio ao desenvolvimento regional do SUS. Iniciativas como essa utilizam como metodologia a Educação Permanente em Saúde (EPS), aportando aprendizado para que a gestão tripartite execute o planejamento. 12 SER GESTOR SUS | FASCÍCULO 4 | O PLANEJAMENTO DO SUS NA REGIÃO PRIMEIROS PASSOS PARA A CONSTRUÇÃO DO PRI PRIMEIROS PASSOS PARA A CONSTRUÇÃO DO PRI 3. Conhecer e respeitar o trabalho realizado pelos(as) gestores(as) anteriores do SUS na região e no estado é o ponto inicial para reforçar o processo de regionalização na área da saúde. A garantia da integralidade da atenção se consolida em um planejamento transparente e participativo. Dessa maneira, analisar os instrumentos de planejamento e de gestão dos municípios e do estado para a região se torna fundamental para observar se a regionalização está prevista nos instrumentos de planejamento, quais sejam: • no Plano Municipal de Saúde (PMS); • na Programação Anual de Saúde (PAS); • em relatórios quadrimestrais e anuais; • no Relatório Resumido de Execução Orçamentária (RREO); • no relatório do Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Saúde (SIOPS) para as ações e os serviços regionalizados. Lembrando que o planejamento anual da gestão em saúde deve conter as metas definidas para a atenção aos usuários e às usuárias do município, além das ações pactuadas regionalmente. Veja , a seguir (figura 1), as etapas sugeridas para a criação de uma agenda regional: 14 SER GESTOR SUS | FASCÍCULO 4 | O PLANEJAMENTO DO SUS NA REGIÃO O planejamento regional tem como pré-requisito o planejamento no município, em que são estabelecidas as programações para as ações regionalizadas inicialmente. Durante o planejamento regional, após uma pactuação que altere, eventualmente, o planejado na região, deve-se ter o cuidado de também alterar os instrumentos de planejamento e de gestão no município. A Comissão Intergestores Tripartite (CIT) orienta o processo de regionalização no SUS, estabelecendo etapas, processos, responsabilidades dos entes, organização e governança da RAS. COMPONENTES DAS AÇÕES E SERVIÇOS REGIONALIZADOS COMPONENTES DAS AÇÕES E SERVIÇOS REGIONALIZADOS COMPONENTE DAS AÇÕES E SERVIÇOS para outros municípios COMPONENTE DAS AÇÕES E SERVIÇOS em outros municípios PLANO MUNICIPAL DE SAÚDE Figura 1 - Agenda regional Fonte: Mais Conasems, 2024. 15 SER GESTOR SUS | FASCÍCULO 4 | O PLANEJAMENTO DO SUS NA REGIÃO ETAPAS DO PRI ETAPAS DO PRI4. Segundo a CIT, o PRI inicia-se com a definição das Macrorregiões de Saúde e do cronograma de sua implantação, aprovados na CIB e informados à CIT, considerando as seguintes etapas: a) Elaboração da análise da situação de saúde, identificando: • As necessidades de saúde. • A capacidade instalada e os vazios assistenciais. • Os fluxos de acesso. b) Definição de prioridades sanitárias (diretrizes, objetivos, indicadores e prazos de execução) e dos investimentos necessários. c) Organização dos pontos de atenção da RAS. d) Elaboração da Programação Geral de Ações e Serviços de Saúde. No âmbito dos pontos de atenção da RAS, os(as) gestores(as) devem estar atentos às normativas estabelecidas nacionalmente para a organização dos serviços nas suas regiões de saúde. Foram alteradas as regras para, visando simplificar as normas para o credenciamento de serviços de alta complexidade. Essas mudanças preveem a participação efetiva dos gestores estaduais, distritais e municipais, com base na leitura das necessidades de saúde de cada região/macrorregião e que foram devidamente aprovadas no PRI, objetivando a viabilização da oferta de serviços e o desenvolvimento da RAS. 17 SER GESTOR SUS | FASCÍCULO 4 | O PLANEJAMENTO DO SUS NA REGIÃO Cabe frisar que, recentemente, foi pactuada e publicada a Política Nacional de Atenção Especializada (PNAES), fruto de discussões ocorridas durante o ano de 2023 no Seminário Internacional de Atenção Especializada, no XXXVII Congresso do Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (CONASEMS) e na 17º Conferência Nacional de Saúde. Essa política busca estabelecer diretrizes e normas para a atenção especializada, campo considerado um dos maiores gargalos do SUS. Nesse sentido, muitas adequações estão em curso1 . 1 Para mais informações, acesse: https://portal.conasems.org.br/orientacoes- tecnicas/noticias/6176_publicada-portaria-que-institui-a-politica-nacional-de- atencao-especializada-em-saude-pnaes. Acesso em: 05 jun. 2024 18 SER GESTOR SUS | FASCÍCULO 4 | O PLANEJAMENTO DO SUS NA REGIÃO ANÁLISE DA SITUAÇÃO DE SAÚDE ANÁLISE DA SITUAÇÃO DE SAÚDE A análise da situação de saúde é a primeira etapa do processo de construção do PRI. Ela é uma ação de rotina na região, ocorrendo em todas as reuniões. A partir das análises, são formulados encaminhamentos e pactuações, em um processo de planejamento permanente. Durante a elaboração do PRI, a análise de situação deve ter uma amplitude maior do que a de rotina do foro regional.O SUS não se limita à assistência, portanto devemos contemplar as ações e os serviços de vigilância em saúde, de logística e as condições estruturais e funcionais da RAS. Ao refletir sobre a situação de saúde, considere, ainda, as dimensões políticas, administrativas, técnicas e éticas. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação (Art.196, CF, 1988). O acesso às ações e aos serviços de saúde é um dos pilares constitucionais para a construção do direito à saúde. Tratam-se de ações e de serviços de promoção, de proteção e de recuperação, organizados em rede. Em geral, essa rede possui serviços vinculados a diversos municípios ou, ainda, ao estado. Por si só, isso determina uma gestão em um espaço de governança colaborativa e participativa. 5. 20 SER GESTOR SUS | FASCÍCULO 4 | O PLANEJAMENTO DO SUS NA REGIÃO A organização da rede visa garantir o acesso a serviços de especialidades para as necessidades individuais e coletivas e diminuir a fila de espera por consultas e exames. O tamanho da fila para especialidades depende da resolutividade da Atenção Básica (AB). Isso quer dizer que uma AB resolutiva é a base para o acesso regional qualificado. Dessa forma, inúmeras questões colaboram para aumentar ou diminuir o tamanho da fila. Por exemplo, existem protocolos de encaminhamento e de regulação? E de monitoramento e de avaliação? A equipe da AB passa por processos de qualificação? Como é a integração dos serviços da AB e da VS no enfrentamento de endemias e de epidemias? Desse modo, sem o desenvolvimento de uma metodologia para a organização dos pontos de atenção, não é possível realizar um trabalho eficiente. Trata-se de uma análise multifatorial, que deve considerar, sempre, as quatro dimensões das responsabilidades da gestão, ou seja, existem fatores administrativos, técnicos, éticos e políticos que contribuem para a garantia, ou não, do acesso à saúde. 21 SER GESTOR SUS | FASCÍCULO 4 | O PLANEJAMENTO DO SUS NA REGIÃO PLANEJAMENTO ASCENDENTE PLANEJAMENTO ASCENDENTE A CIT pactuou e estabeleceu uma estratégia para a qualificação da gestão e do planejamento no SUS. O objetivo é construir o planejamento do SUS de forma ascendente, com planejamentos municipais, estaduais e da União que reflitam a integração de responsabilidades para a garantia da integralidade – componente da garantia do direito à saúde. Diversas iniciativas estão sendo adotadas no sentido de construir o planejamento do SUS de forma ascendente, com metas municipais, estaduais e nacionais que refletem a integração de responsabilidades para a garantia da integralidade do acesso à saúde, conforme podemos observar na figura 2, a seguir: 6. Figura 2 - Estratégia tripartite para aprimorar a gestão e a governança no SUS Fonte: Conasems, 2024. REDE COLABORATIVA PLANEJAMENTO ESTADUAL CURSO DE GESTÃO REGIONALIZAÇÃO/ PRI 23 SER GESTOR SUS | FASCÍCULO 4 | O PLANEJAMENTO DO SUS NA REGIÃO É importante lembrar que a responsabilidade pelo planejamento ascendente é tripartite, ou seja, para que o planejamento seja, de fato, integrado, os espaços para a sua construção devem prever a participação de protagonistas dos três entes federados. Projetos de apoio não substituem a responsabilidade dos gestores no planejamento. Não existe um único ente federado responsável pelo planejamento do SUS na região de saúde. Por isso, o planejamento do sistema deve estar contido nos instrumentos de planejamento e de gestão de cada um dos entes. Nesse sentido, a gestão do sistema com a participação desses protagonistas se dá em espaços de governança do SUS. O SUS possui vários espaços de governança para a participação dos(as) gestores(as), tais como: a CIR, a MRS, a CIB e a CIT. Esses ambientes devem ser democráticos, participativos, colaborativos e construtivos para que possam garantir a integralidade da atenção à saúde. Por se tratarem de locais de pactuação, neles não se pode ferir o princípio da autonomia dos entes federados. É importante ressaltar, nessa direção, que o planejamento deve partir de um consenso, e não de votação e de disputa. A CIR é o espaço onde as necessidades devem ser organizadas, caracterizando-se por ter a maior troca de experiências entre gestores, e uma grande identificação cultural. É a partir da CIR que são dados os primeiros passos para a construção do PRI. Na CIR, os(as) gestores(as) 24 SER GESTOR SUS | FASCÍCULO 4 | O PLANEJAMENTO DO SUS NA REGIÃO discutem, de maneira mais efetiva, suas responsabilidades e organizam a participação da região em um espaço ampliado, no qual se dá a construção do PRI: a MRS. Na MRS, a participação do Ministério da Saúde (MS), que coordena a Alta Complexidade, é indicada como orientação da CIT. Justifica-se a participação da Seção de Apoio Institucional e Articulação Federativa (SEINSF) do MS na discussão e na formulação do PRI para a garantia da plenitude da atenção em saúde, incluindo as de competência de gestão exclusivas do MS e da Secretaria de Estado de Saúde (SES). A orçamentação dos serviços regionais deve expressar, de forma transparente, as responsabilidades de cada ente no PRI. A orçamentação dos entes federados no PRI deve estar expressa no que foi programado e orçado em cada ente envolvido na MRS. Portanto, podemos afirmar que o PRI só se consolida se estiver inserido nos instrumentos de planejamento e de gestão de cada ente. 25 SER GESTOR SUS | FASCÍCULO 4 | O PLANEJAMENTO DO SUS NA REGIÃO CONSIDERAÇÕES FINAIS CONSIDERAÇÕES FINAIS 7. A garantia da integralidade da atenção se consolida em um planejamento transparente e participativo. A gestão deve estar preparada para percorrer os caminhos do planejamento desde o município, contemplando as questões regionais. É preciso, ainda, comprometer-se em participar do planejamento regional e se ocupar de institucionalizar, nos instrumentos de gestão do município, o que foi pactuado regionalmente e expresso no PRI. Nesse fascículo, aprofundou-se sobre o processo de planejamento do SUS e a sua estrutura dinâmica de formato ascendente, apresentando a importância da participação integrada do(a) gestor(a). Consideramos, ainda, as dimensões do diagrama de responsabilidades da gestão municipal como diretrizes fundamentais no exercício da gestão em saúde. Abordamos o planejamento como instrumento de gestão e a necessidade de sua articulação com a orçamentação, bem como o PMS como parte integrante do planejamento ascendente no SUS. Esperamos que, com auxílio do material, você possa contribuir para a construção do PRI em sua região de saúde. 27 SER GESTOR SUS | FASCÍCULO 4 | O PLANEJAMENTO DO SUS NA REGIÃO BIBLIOGRAFIA ALBUQUERQUE, Ana Coelho de et al. Desafios para regionalização da Vigilância em Saúde na percepção de gestores de regiões de saúde no Brasil. Saúde em Debate, [online], v. 45, n. 128, p. 29-41, 2021. Disponível em: https://www.scielo.br/j/sdeb/a/3z5xDSJ6jRKm7QsKLVRwXBv/?lan g=pt. Acesso em: 23 abr. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Lei Complementar nº 141, de 13 de janeiro de 2012. Diário Oficial da União, Brasília, n. 11, 16 jan. 2012. Seção I. p.1. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp141. htm. Acesso em: 23 abr. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. Diário Oficial da União, Brasília, n. 180, 20.set.1990 a. Seção I. p. 1. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm. Acesso em: 23 abr. 2024. BRASIL. Ministério da Saúde. Lei n° 8.142, de 28 de dezembro de 1990. Brasília, 1990b. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ leis/l8142.htm. Acesso em: 23 abr. 2024. BRASIL, Ministério da Saúde. Portaria nº 701, de 1º de setembro de 2023. Disponívelem: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-n-701-de- 1-de-setembro-de-2023-507758964. Acesso em: 23 abr. 2024. 28 SER GESTOR SUS | FASCÍCULO 4 | O PLANEJAMENTO DO SUS NA REGIÃO http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp141.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lcp/lcp141.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8080.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8142.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8142.htm BRASIL, Ministério da Saúde. Portaria nº 516, de 21 de junho de 2023. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-gm/mma- n-516-de-12-de-junho-de-2023-489148374. Acesso em: 23 de abr. 2024. BRASIL, Ministério da Saúde. Portaria nº 757, de 21 de junho De 2023. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-gm/ms-n- 757-de-21-de-junho-de-2023-491629280. Acesso em: 23 abr. 2024. BRASIL, Ministério da Saúde. Portaria nº 961, de 17 de julho de 2023. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria/ms-n-961- de-17-de-julho-de-2023-*-514110283. Acesso em: 23 abr. 2024. BRASIL, Ministério da Saúde. Portaria nº 688, de 28 de agosto de 2023. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/saes/2023/ prt0688_30_08_2023.html. Acesso em: 23 abr. 2024. BRASIL, Ministério da Saúde. Portaria nº 1.604, de 18 de outubro de 2023. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-gm/ ms-n-1.604-de-18-de-outubro-de-2023-517547992. Acesso em: 23 abr. 2024. BRASIL, Ministério da Saúde. Portaria nº 1.526, de 11 de outubro de 2023. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-gm/ms-n- 1.526-de-11-de-outubro-de-2023-516446366. Acesso em: 23 abr. 2024. BRASIL, Ministério da Saúde. Portaria nº 1.997, de 24 de novembro de 2023. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-gm/ ms-n-1.997-de-24-de-novembro-de-2023-525936175. Acesso em: 23 abr. 2024. BRASIL, Ministério da Saúde. Portaria nº 958, de 17 de julho de 2023. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2023/ prt0958_18_07_2023.html. Acesso em: 23 abr. 2024. BRASIL, Ministério da Saúde. Portaria nº 2.862, de 29 de dezembro de 2023. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-gm/ ms-n-2.862-de-29-de-dezembro-de-2023-534992967. Acesso em: 23 abr. 2024. BRASIL, Ministério da Saúde. Portaria nº 1.202, de 29 de dezembro de 2023. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-n- 1.202-de-29-de-dezembro-de-2023-534994310. Acesso em: 23 abr. 2024. 29 SER GESTOR SUS | FASCÍCULO 4 | O PLANEJAMENTO DO SUS NA REGIÃO https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2023/prt0958_18_07_2023.html https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2023/prt0958_18_07_2023.html BRASIL, Ministério da Saúde. Portaria nº 3005, de 2 de janeiro de 2024. Disponível em: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/portaria-gm/ms- n-3.005-de-2-de-janeiro-de-2024-535816012. Acesso em: 23 abr. 2024. CONASS. CONASEMS. Orientações tripartite para o planejamento regional. Ministério da Saúde, 2018. Disponível em: https://bvsms. saude.gov.br/bvs/publicacoes/orientacoes_tripartite_planejamento_ regional_integrado.pdf. Acesso em: 23 abr. 2024. CONASEMS. Regionalização da Saúde: posicionamento e orientações. Brasília, 2019. Disponível em: https://www.conasems.org.br/wp- content/uploads/2019/10/Cartilha-Regionalizacao_web.pdf. Acesso em: 23 abr. 2024. CONASEMS. Manual do(a) Gestor(a) Municipal do SUS – Diálogos no cotidiano. 2.ed. digital – revisada e ampliada. 2021. Disponível em: https://www.conasems.org.br/wp-content/uploads/2021/02/manual_ do_gestor_2021_F02-1.pdf. Acesso em: 23 abr. 2024. DOURADO, Daniel de Araújo; ELIAS, Paulo Eduardo Mageon. Regionalização e dinâmica política do federalismo sanitário brasileiro. Revista de Saúde Pública 45(1): 204-211, 2011. Disponível em: https:// www.redalyc.org/pdf/672/67240189023.pdf. Acesso em: 23 abr. 2024. LUI, Lizandro; SCHABBACH, Letícia Maria; NORA, Carlise Rigon Dalla. Regionalização da saúde e cooperação federativa no Brasil: o papel dos consórcios intermunicipais. Ciência & Saúde Coletiva, [online], v. 25, n. 12, p. 5065-5074, 2020. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ csc/a/SwygWF8DTW4DsfzK4mdtzkw/?lang=pt. Acesso em: 23 abr. 2024. MELLO, Guilherme Arantes; DEMARZO, Marcelo; VIANA, Ana Luiza D’Ávila. O conceito de regionalização do Sistema Único de Saúde e seu tempo histórico. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro, v. 26, n. 4, p. 1139-1150, 2019. Disponível em: https://www.scielo.br/j/hcsm/a/ JCpjVSbmMXxY3xnD3zrYFYb/?lang=pt#. Acesso em: 23 abr. 2024. 30 SER GESTOR SUS | FASCÍCULO 4 | O PLANEJAMENTO DO SUS NA REGIÃO https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/orientacoes_tripartite_planejamento_regional_integrado.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/orientacoes_tripartite_planejamento_regional_integrado.pdf https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/orientacoes_tripartite_planejamento_regional_integrado.pdf https://www.conasems.org.br/wp-content/uploads/2019/10/Cartilha-Regionalizacao_web.pdf https://www.conasems.org.br/wp-content/uploads/2019/10/Cartilha-Regionalizacao_web.pdf https://www.redalyc.org/pdf/672/67240189023.pdf https://www.redalyc.org/pdf/672/67240189023.pdf ANOTAÇÕES: 31 SER GESTOR SUS | FASCÍCULO 4 | O PLANEJAMENTO DO SUS NA REGIÃO CURSO SER GESTOR SUS 2025 sumário fig1 fig2 pag8 pag11 pag13 pag16 pag19 pag22 pag26 pag28 Atalho sumário-novo 46: Página 4: Página 10: Página 12: Página 14: Página 18: Página 20: Página 24: Página 28: Página 30: Botão 5: Botão 6: Botão 7: Botão 8: Botão 9: Botão 10: Botão 11: Botão 12: Botão 13: Botão 14: Atalho sumário-novo 45: Página 15: Página 17: Página 21: Página 23: Página 25: Página 27: Página 29: Página 31: