Prévia do material em texto
Processos Psicológicos Básicos (PPB) Sensação e Psicofísica Sensação | Transdução | Sistemas sensoriais | Psicofísica | Integração sensorial Mapa da Aula • Diferenciar sensação e percepção, com definições. • Explicar transdução sensorial como conversão de energia física em sinal neural. • Mapear os principais sistemas sensoriais e suas vias/áreas primárias e secundárias (visão geral). • Aplicar conceitos psicofísicos: limiar absoluto, limiar diferencial (DAP) e Lei de Weber. • Compreender integração sensorial e discutir sinestesia como caso-limite. Fonte: Feldman, 2015; Schiffman, 2005 Sensação vs. Percepção Sensação: definição Processo de detecção de estímulos físicos (energia) por receptores sensoriais. Envolve a conversão inicial do estímulo em atividade neural (via receptores). Pergunta-chave: “o que o organismo detecta?” Fonte: Feldman, 2015 Percepção: definição Processo de organização e interpretação das informações sensoriais. Integra dados de múltiplos receptores + contexto + conhecimento prévio. Pergunta-chave: “o que isso significa?” Fonte: Feldman, 2015; Schiffman, 2005 Sensação ≠ percepção Implicação: pessoas podem ter sensação semelhante e percepções diferentes. PERCEPÇÃO Organização/atribuição de sentido; construção do objeto percebido. Mais dependente de contexto, expectativas e experiência. SENSAÇÃO Detecção e codificação inicial do estímulo. Mais dependente das propriedades físicas (intensidade, duração). Fonte: Feldman, 2015; Schiffman, 2005 Transdução sensorial Do estímulo físico ao código neural Transdução: conceito central • Transdução é a conversão de energia física (luz, pressão, vibração, moléculas) em sinais neurais. • Permite que o sistema nervoso “represente” estímulos externos e internos. • Sem transdução, não há sensação. Fonte: Schiffman, 2005 O que o sistema precisa codificar? Modalidade: que tipo de energia é? (visão, audição, tato…). Intensidade: quão forte é o estímulo? Duração: por quanto tempo ocorre? Localização: onde ocorre no corpo/retina/campo auditivo? Esses atributos sustentam medidas psicofísicas e comparações entre sentidos. Sistemas sensoriais Mapa geral e áreas de projeção primária e secundária (visão geral) Mapa geral dos sistemas sensoriais Visão • Energia: luz | Receptores: fotorreceptores Audição • Energia: vibração | Receptores: células ciliadas Somestesia (tato/dor/temperatura/propriocepção) • Energia: mecânica/térmica/química | Receptores específicos Olfato e paladar • Energia: moléculas | Receptores: quimiorreceptores VIAS E ÁREAS PRIMÁRIAS E SECUNDÁRIAS: Cada sistema tende a projetar inicialmente em áreas corticais. Exemplos (visão geral): Visual: córtex occipital (V1). Auditivo: córtex temporal (A1). Somatossensorial: córtex parietal (S1). Gustação: regiões insulares/operculares (visão geral). Olfação: vias envolvendo bulbo olfatório e córtex olfatório (visão geral). Importante: percepção envolve redes e integração, não “um ponto único”. V1 A1 S1 VIAS E ÁREAS PRIMÁRIAS E SECUNDÁRIAS: Cada sistema tende a projetar inicialmente em áreas corticais primárias (especialização relativa). Exemplos (visão geral): Visual: córtex occipital (V1). Auditivo: córtex temporal (A1). Somatossensorial: córtex parietal (S1). Gustação: regiões insulares/operculares (visão geral). Olfação: vias envolvendo bulbo olfatório e córtex olfatório (visão geral). Importante: percepção envolve redes e integração, não “um ponto único”. VIAS E ÁREAS PRIMÁRIAS E SECUNDÁRIAS: Cada sistema tende a projetar inicialmente em áreas corticais primárias (especialização relativa). Exemplos (visão geral): Visual: córtex occipital (V1). Auditivo: córtex temporal (A1). Somatossensorial: córtex parietal (S1). Gustação: regiões insulares/operculares (visão geral). Olfação: vias envolvendo bulbo olfatório e córtex olfatório (visão geral). Importante: percepção envolve redes e integração, não “um ponto único”. CAMPOS RECEPTIVOS E ORGANIZAÇÃO ESPACIAL (MAPAS) Por que isso importa? Porque o sistema nervoso preserva “onde” e “como” o estímulo ocorre, o que sustenta localização, discriminação e integração posterior. “Campo receptivo” é a região do espaço sensorial (ou do corpo) cuja estimulação altera a atividade de um neurônio sensorial ou de um neurônio em uma via sensorial. Em muitos sentidos, há mapas organizados: Visão: organização retinotópica (mapeia o espaço visual) Tato: organização somatotópica (mapeia o corpo) Audição: organização tonotópica (mapeia frequências) Psicofísica Medindo quantitativamente a relação estímulo–experiência O que é psicofísica? É uma ponte metodológica entre física, fisiologia e psicologia. Permite transformar “sensações” em medidas comparáveis (funções psicométricas). Área que quantifica a relação entre estímulos físicos (ambiente) e experiência sensorial (psicológica). Limiar absoluto Definição: menor intensidade de um estímulo que pode ser detectada de modo consistente (não “sempre”, mas com regularidade). Em psicofísica, o limiar é definido por um critério probabilístico, porque a detecção varia tentativa a tentativa (curva psicométrica). Convenção comum: limiar absoluto = intensidade em que a pessoa detecta o estímulo em ~50% das tentativas (em tarefas “vi/não vi”). O limiar varia com: atenção, fadiga, expectativas/contexto e ruído ambiental (mais ruído → precisa de estímulo mais forte). Aplicações: audiometria (tons), visão noturna (baixa luminância), limiares olfativos (concentração de odor) Limiar diferencial (DAP) Menor diferença entre dois estímulos percebida como “diferente”. Também é probabilístico (ex.: detectável em ~50% das tentativas). Exemplos: notar mudança de volume; perceber diferença de peso; distinguir brilho. Lei de Weber A diferença apenas perceptível (ΔI) tende a ser proporcional à intensidade inicial (I). Exemplo: para notar mudança, um estímulo mais forte exige uma diferença maior. Exemplo Lei de Weber • Se em 100 g você nota diferença a partir de +5 g, então o DAP ≈ 5 g. • Pela Lei de Weber, se dobrar o peso inicial para 200 g, o DAP tenderia a dobrar também: ≈ +10 g.Aqui, o JND muda A Lei de Weber é a regra que descreve como esse limiar diferencial se comporta quando você muda o nível inicial do estímulo: o DAP tende a crescer proporcionalmente ao estímulo de base. “Primeiro: quando eu detecto algo? (limiar absoluto). Depois: quanto precisa mudar para eu notar que mudou? (limiar diferencial/DAP). Por fim: essa mudança mínima não é fixa; ela cresce com o nível inicial — isso é a Lei de Weber.” Integração sensorial Multimodalidade, contexto e sinestesia Integração sensorial: por que é necessária? No mundo real, os sentidos operam simultaneamente (multimodalidade). O SNC integra pistas convergentes para reduzir ambiguidade e aumentar precisão. Integração é a base para percepção estável do ambiente e do próprio corpo. Exemplos de integração multimodal A fala é percebida com pistas auditivas e visuais (movimento labial). Em ambientes ruidosos, pistas visuais aumentam inteligibilidade. Conflitos entre sentidos podem produzir ilusões (ex.: ventriloquismo). Sinestesia (caso-limite) Mostra que “fronteiras” entre sentidos podem ser mais permeáveis do que parecem. Condição em que um estímulo em uma modalidade evoca experiência em outra (ex.: letras → cores). Referências • Feldman, R. S. (2015). Introdução à psicologia (10ª ed.). AMGH. • Schiffman, H. R. (2005). Sensação e percepção (5ª ed.). LTC. Slide 1: Processos Psicológicos Básicos (PPB) Sensação e Psicofísica Slide 2: Mapa da Aula Slide 3: Sensação vs. Percepção Slide 4: Sensação: definição Slide 5 Slide 6: Percepção: definição Slide 7 Slide 8 Slide 9: Sensação ≠ percepção Slide 10 Slide 11: Transduçãosensorial Slide 12: Transdução: conceito central Slide 13 Slide 14 Slide 15: O que o sistema precisa codificar? Slide 16 Slide 17: Sistemas sensoriais Slide 18 Slide 19: Mapa geral dos sistemas sensoriais Slide 20: Vias e áreas primárias e secundárias: Slide 21 Slide 22: Vias e áreas primárias e secundárias: Slide 23 Slide 24: Vias e áreas primárias e secundárias: Slide 25 Slide 26 Slide 27 Slide 28 Slide 29: Campos receptivos e organização espacial (mapas) Slide 30: Psicofísica Slide 31: O que é psicofísica? Slide 32: Limiar absoluto Slide 33: Limiar diferencial (DAP) Slide 34: Lei de Weber Slide 35: Exemplo Lei de Weber Slide 36 Slide 37 Slide 38: Integração sensorial Slide 39: Integração sensorial: por que é necessária? Slide 40: Exemplos de integração multimodal Slide 41: Sinestesia (caso-limite) Slide 42 Slide 43: Referências