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UNIVERSIDADE ESTÁCIO DE SÁ Marcelle Silva de Lacerda EDUCAÇÃO INCLUSIVA NA EDUCAÇÃO INFANTIL NOVA IGUAÇU 2025 Marcelle Silva de Lacerda EDUCAÇÃO INCLUSIVA NA EDUCAÇÃO INFANTIL Trabalho apresentado como requisito obrigatório para conclusão do curso de licenciatura em pedagogia pela Universidade Estácio de Sá no formato de artigo científico, resultante de pesquisa desenvolvida no ano 2025. Tutor(a): Daniel Amaral. NOVA IGUAÇU 2025 RESUMO Esse estudo tem como tema os processos de inclusão na educação infantil. A atuação do professor busca por práticas pedagógicas inclusivas. Faz uma breve explanação sobre os pontos e contra pontos de uma educação inclusiva, relata as dificuldades de inclusão dos alunos com transtorno do espectro autista e uma breve explicação sobre as práticas pedagógicas inclusivas na alfabetização. O tema educação inclusiva na educação infantil, apesar de frequentemente estar presente nas discussões e pesquisas no meio acadêmico, apresenta-se como um relevante objeto de investigação. O objetivo geral é investigar como ocorre o processo de inclusão dentro da educação infantil. Oferecendo um ambiente acolhedor e humanizado. Analisando e verificando os processos que envolvem a educação inclusiva na educação infantil, o presente trabalho busca responder a seguinte problemática: com base no seguinte questionamento, qual a melhor forma para ensinar e dar suporte necessário na inclusão, dentro da educação infantil? Palavras-chave: Inclusão. Educação Inclusiva. Práticas Inclusivas. 1 INTRODUÇÃO O ambiente da educação infantil é crucial para o desenvolvimento global da criança, e a diversidade precisa ser valorizada desde os primeiros anos. A inclusão não se refere apenas a presença física dos alunos em sala de aula, mas a sua participação ativa em todas as atividades escolares. A educação infantil inclusiva é um conceito fundamental que busca garantir o acesso e a participação de todas as crianças, independentemente de suas habilidades ou necessidades. Este ambiente inclusivo não apenas enriquece a experiência educacional, mas também prepara as crianças para conviver em uma sociedade plural. Segundo Dias (2024, p. 14), “a construção de uma escola verdadeiramente inclusiva exige mudanças profundas na cultura escolar, na formação dos professores e na estrutura física das instituições”. A filosofia da inclusão apela para uma escola que tenha em atenção a criança- todo, e não só a criança-aluno, respeitando os níveis de desenvolvimento essenciais (acadêmico, sócio – emocional e pessoal) de forma a lhe proporcionar uma educação apropriada, orientada para a maximização do seu potencial. O conceito de inclusão não tem em conta só o aluno, mas também a modificação dos seus ambientes de aprendizagem. Dá a máxima relevância a uma educação apropriada, respeitando as capacidades e necessidades de cada um, como também tem em conta as características e necessidades dos ambientes onde as crianças interagem. Inclusão é aceitar as diferenças dos outros possibilitando um nível de aprendizado igual para todos os alunos. (Brandão; Ferreira,2013). Todas as crianças Tem direito a educação em classes do ensino regular, em escolas abertas á comunidade, onde se ofereça um ambiente educativo de qualidade e se vá ao encontro das necessidades pedagógicas e terapêuticas de cada criança. Numa filosofia de educação pré-escolar inclusiva, todos os intervenientes no processo educativo, crianças, educadores, terapeutas e órgãos de gestão trabalham de forma cooperativa na tarefa de ensinar e aprender, proporcionando experiências significativas para todas as crianças. Diante da problemática o presente trabalho busca responder o seguinte problema de pesquisa: qual a melhor forma para ensinar e dar suporte necessário na inclusão, dentro da educação infantil? O ambiente se torna inclusivo na medida do relacionamento das necessidades de cada um, da construção de um projeto pedagógico que parta do respeito aos potenciais disponíveis e da articulação das relações na produção de um coletivo na qual todos se reconheçam como participantes. Auxiliar a instituição levando-a a inclusão é trabalhoso pois precisa de estratégias e comprometimento com os valores humanos. (Sekkel; Zanelatto; Brandão, 2010). O presente artigo tem seu foco em alcançar os objetivos de uma educação inclusiva. Assim o maior desafio da inclusão é a mudança de atitudes no sentido de criar uma predisposição para o acolhimento das diferenças. A Educação Infantil parece, assim ser um lugar e um momento cuja importância merece destaque para os propósitos da educação inclusiva. A ideia de acolhimento traz o sentido de cuidado, que pressupõe o reconhecimento e legitimação das necessidades de cada um, caracterizando- se como ação humanizada, contrária á indiferença presente no ambiente social. (Sekkel; Matos; Prado; 2014 p. 87). Carvalho e Schmidt (2021) demonstram que, a educação inclusiva é uma proposta de ensino fundamentada nos direitos humanos e na equidade de oportunidades, na qual o sistema educacional deve organizar-se para garantir que todos os alunos aprendam juntos e tenham suas especificidades atendidas. O objetivo geral é investigar como ocorre o processo de inclusão dentro da educação infantil. Oferecendo um ambiente acolhedor e humanizado. Os objetivos específicos são verificar a importância da inclusão oferecendo suportes e acolhimento para que os alunos se desenvolvam e aprendam de uma maneira geral. Para o presente trabalho realizou-se uma pesquisa bibliográfica. Quanto a metodologia utilizou-se a abordagem, do tipo qualitativa. O presente estudo consiste numa revisão bibliográfica do tipo narrativa a respeito do tema educação inclusiva na educação infantil. A educação inclusiva abrange oportunidades iguais em todos os níveis de escolaridade em especial na educação infantil. (Carvalho; Schmidt, 2021). A construção da escola inclusiva desde a educação infantil implica em pensar em seus espaços, tempos, profissionais, recursos pedagógicos etc. Para a possibilidade de acesso, permanência e desenvolvimento pleno também de alunos com deficiências, alunos esses que, em virtude de suas particularidades, apresentam necessidades educacionais que são especiais. Entre outros aspectos, a necessidade de se repensar a prática pedagógica como elemento fundamental de inclusão escolar na educação infantil. A prática pedagógica inclusiva deverá se constituir pela junção do conhecimento adquirido pelo professor ao longo de sua trajetória e disponibilidade em buscar novas formas de fazer considerando a diversidade dos alunos e as suas características individuais. De acordo com Carneiro (2012 p. 86), “o planejamento de suas atividades deve considerar as formas diferentes de aprender dos alunos.” Em caso de alunos com deficiência, cada característica especifica de aprendizagem deve ser considerada, estratégias e recursos condizentes com as necessidades individuais, culminando em uma avaliação formativa que considere a evolução de cada um. Para tanto, de acordo com Carneiro (2012) é importante que a educação infantil se perceba imprescindível no desenvolvimento e aprendizagem de alunos com deficiência, considerando seu espaço privilegiado para oportunizar experiências significativas que possibilitarão a esses alunos permanência nos níveis mais elevados de escolarização. 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 Pontos e contra pontos de uma educação inclusiva A educação infantil torna-se solidária a medida que sua pedagogia de inclusão acolhe sem medidas (Brostolin; Souza, 2023). Portanto a escola inclusiva reconhece e responde ás necessidades de seus alunos, acomodando tanto os estilos, comoritmos diferentes de aprendizagem, assegurando uma educação a todos por meio de currículo apropriado, modificações organizações, estratégias de ensino, uso de recursos e parceria com a comunidade. O autor pontua que um processo pelo qual a sociedade se adapta para incluir em seus sistemas sociais gerais pessoas com necessidades especiais e, simultaneamente, estas se preparam para assumir seus papéis na sociedade. Incluir é trocar, entender, respeitar, valorizar, lutar contra a exclusão, transpor barreiras que a sociedade criou para as pessoas. É oferecer o desenvolvimento de autonomia, por meio da colaboração, de pensamentos e formulação de juízo de valor, de modo a decidir, por si mesmo, como agir nas diferentes circunstancias da vida. Para Conte (2021) e Santos, (2021) a educação inclusiva é aquela que oferece um ensino contextualizado ás diferenças e ás necessidades de cada estudante e não deve ser vista como uma ação pedagógica isolada, compartimentalizada, mas como parte do sistema regular de ensino, ou seja, sendo coordenada por ações dialógicas e projetos interdisciplinares. “O fato é que a inclusão escolar vai além de ofertar acessibilidade estrutural aos estudantes com deficiências.” (Conte; Santos, 2021). O grande problema na atualidade é que as escolas, além de não possuírem professores com especialização na área da educação inclusiva, também não estão preparadas para receber os estudantes com necessidades especiais ou deficiências. Colôa (2019) aponta em sua pesquisa a educação inclusiva é sobre como cada uma das comunidades desenvolve e projeta as suas escolas, salas de aula, programas e atividades para que todos os alunos aprendam e participem juntos. A educação inclusiva significa que todos os alunos frequentam e são acolhidos nas escolas do seu bairro em turmas apropriadas a idade e são apoiados para aprender, contribuir e participar em todos os aspectos da vida da escola (UNESCO) e da sociedade em geral. Colôa (2019), identificou que maneiras que afirmam que na aprendizagem tudo é possível através de circunstâncias de comunicação, etc. Segundo Ananias (2023), sentir-se incluso, faz parte do direito de todas as pessoas, a capacidade de entendimento e reconhecimento ao outro e assim, ter a habilidade de conviver e partilhar o que quiser e quando quiser, com pessoas diferentes, denominando assim ações inclusivas. Falar sobre o olhar inclusivo para os educandos é um ato de consideração livre de preconceitos, é dar atenção as diferenças dos outros, proporcionando um ambiente acolhedor valorizando o outro (Ananias, 2023). Este ato de incluir, ou ações inclusivas, se dá no momento em que se consegue manter o direito de expressar e ser compreendido, em qualquer momento e lugar, sendo assim, dentro da educação infantil, ser incluído é uma ação primordial, um processo contínuo e desafiador, mas fundamental para construir desde a primeira infância, uma sociedade inclusiva com atitudes de igualdade e justiça. Para que o dinamismo e a construção da inclusão de cada estudante sejam alcançados e respeitados efetivamente dentro da sala de aula, se faz necessário uma rede para apoiá-lo, também sua família, os profissionais e educadores envolvidos com o indivíduo incluso, sendo assim, observando cada um na sua particularidade, pode- se imaginar a dimensão do que se compreende a inclusão. A pesquisa de Magalhães (2024) ressalta que, ao adentrar-se na temática referente á educação intencional, torna-se importante disser que, ao professor da educação básica é imprescindível assumir a responsabilidade de exercer o papel de um profissional que considere a existência das diferentes necessidades das crianças enquanto sujeitos em continuo desenvolvimento. Ademais, a inclusão de alunos com deficiência física e intelectuais no contexto educacional também vêm sendo cada vez mais recorrente desde que a Declaração de Salamanca (1994) foi assinada e constitui-se a obrigatoriedade de todos os alunos, sejam estes com necessidades especiais ou não, a frequentarem as escolas regulares.” Legislação esta que teve um marco histórico e político- social imprescindível para uma educação democrática” (Magalhães, 2024, p.12). Considerando esta realidade educacional, a intencionalidade como base educativa é capaz de promover a existência de um trabalho pedagógico que seja capaz de contemplar a aprendizagem e este desenvolvimento integral de todos os indivíduos em sala de aula, sem distinção. A intencionalidade no contexto educacional no contexto educacional trata-se de uma educação cujos princípios de ensino estão focados em garantir a aprendizagem de todos os alunos, considerando toda diversidade que se faz presente. É fundamental relatar que, realizar com finalidade é fazer de estrutura responsável projetada e original (Magalhães, 2024). Partindo do pressuposto de intencionalidade como uma educação cujos princípios de ensino estão focados em garantir a aprendizagem de todos os alunos, o professor, em sua pratica pedagogicamente estruturada, deverá pensar todas as suas ações de forma reflexiva, contribuindo para uma educação inclusiva, que problematiza e favoreça para que os alunos se interessem e participem cada vez mais pelos conteúdos e atividades propostas. Considerando o exposto reafirma-se a necessidade de reflexão sobre a prática docente no ambiente escolar, a partir de um olhar docente sensível as especificidades e dificuldades presentes nesta realidade educativa, a fim de promover o desenvolvimento e formação integral dos alunos. Em suma, ao falar sobre o trabalho docente, é importante ressaltar que esta prática não envolve somente as expectativas e as parcerias que circundam este profissional. A reflexão por parte do educador se faz amplamente importante em todo os aspectos, para que por conseguinte possíveis e adequadas intervenções, sejam realizadas. 2.2 Inclusão escolar e autismo O autismo se caracteriza pela presença de um desenvolvimento atípico na interação social e comunicação, assim como pelo repertório marcadamente restrito de atividades e interesses. Estas características podem levar a um isolamento continuo da criança e sua família. Entretanto para Camargo (2009) e Bosa (2009) acredita-se que a inclusão escolar pode proporcionar a essas crianças oportunidades de convivência com outras da mesma faixa etária, constituindo-se num espaço de aprendizagem e de desenvolvimento da competência social. A socialização com outras crianças da mesma idade resulta em caminhos sociais que proporcionam a troca de informações durante a interação solucionando problemas (Camargo; Bosa, 2009). Diante de tal panorama, proporcionar ás crianças com autismo oportunidades de conviver com outras da mesma faixa etária possibilita o estimulo ás suas capacidades interativas, impedindo o isolamento continuo. Além disso, subjacente ao conceito de competência social está a noção de que as habilidades sociais são possíveis de serem adquiridas pelas trocas que acontecem no processo de aprendizagem social. Desse modo, a qualidade das interações com iguais a competência social influenciam- se mutuamente. Entretanto, o desenvolvimento social de algumas crianças já se encontra em risco desde os primeiros anos de vida, sendo o autismo o protótipo desses casos. Nesse sentido, a escola possui papel fundamental nos esforços para ultrapassar os déficits sociais dessas crianças, ao possibilitar o alargamento progressivo das experiências socializadoras, permitindo o desenvolvimento e novos conhecimentos. “Desse modo, observa-se uma dificuldade qualitativa de relacionar-se e comunicar de maneira usual com as pessoas, desde cedo na vida” (Camargo; Bosa; 2009, p. 65). “A educação de uma criança portadora de autismo representa, sem dúvida, um desafio para todos os profissionais da Educação” (Serra, 2004, p.25). A singularidadee a insuficiência de conhecimento sobre a síndrome nos faz percorrer caminhos ainda desconhecidos e incertos sobre a melhor forma de educar essas crianças e sobre o que podemos esperar de nossas intervenções. No entanto, a inclusão escolar de crianças especiais de um modo geral e dos portadores de autismo em particular, ainda caminha lentamente, provavelmente porque carregamos as marcas da história do processo de exclusão educacional. É fato que ao planejarmos todo e qualquer processo educacional, é preciso levar em consideração o indivíduo que se pretende educar, e para tanto, acreditamos ser importantes uma breve descrição do transtorno autista e de algumas características dos portadores desse transtorno. O autismo é considerado uma condição não progressiva. Todavia, existe dificuldade em estabelecer um prognóstico preciso, devido ás variáveis ambientais, e do próprio desenvolvimento do indivíduo. Serra (2004), acredita que os processos educativos possuem um papel indispensável na aquisição de comportamentos socialmente aceitáveis, na independência e na preparação para o trabalho dessas pessoas. É muito importante que haja uma parceria entre familiares e escola, pois os pais são portadores de informações preciosas que podem colaborar bastante com o planejamento das intervenções educacionais das crianças portadoras de autismo, especialmente pela peculiaridade da forma de comunicação dos portadores dessa síndrome. Monteiro (2024) enfatiza que, a inclusão de crianças com Transtorno do Espectro Autista representa um aspecto crucial e desafiador na educação contemporânea. Entender o autismo como um distúrbio do neurodenvolvimento que impacta a comunicação interação social e comportamental é fundamental. A diversidade de sintomas e intensidade sugere que cada criança apresenta necessidades distintas, exigindo um processo de inclusão altamente personalizado. As leis educacionais tem avançado no sentido de assegurar o direito a educação inclusiva para todos, incluindo indivíduos no espectro autista. “A concretização da inclusão necessita da compreensão e afirmação por parte do grupo da escola’ (Monteiro, 2024 p. 473). A conscientização e capacitação sobre o autismo são cruciais para estabelecer um ambiente acolhedor e adaptado ás necessidades desses estudantes. Ajustar o currículo e as metodologias de ensino é central na integração de alunos autistas. A avaliação e o acompanhamento individualizado são essências para monitorar o progresso e ajustar as estratégias educacionais conforme necessário, considerando as mudanças nas necessidades e capacidades do aluno ao longo do tempo. Promover a interação social e a inclusão desses alunos em atividades coletivas é crucial para seu desenvolvimento social e emocional. Para Monteiro (2024) o transtorno do Espectro Autista (TEA) representa um conjunto complexo de desordens neurológicas de desenvolvimento, evidenciando um leque de sintomas e variações de severidade. Esta condição é marcada principalmente por dificuldades na comunicação social, comportamentos repetitivos e interesses limitados. Á natureza diversificada do espectro autista indica uma ampla gama de perfis de habilidades e desafios, como memória ou música, enquanto outros enfrentam desafios significativos no cotidiano, necessitando de suporte constante. Particularmente desafiadora é a comunicação social. Pessoas com autismo podem enfrentar dificuldades em entender e usar a linguagem verbal, interpretar expressões faciais e gestos e manter conversas recíprocas. A inclusão escolar de crianças em condições especiais é um tema central na educação contemporânea, representa um desafio e uma oportunidade para sistemas educacionais ao redor do mundo. Na era da inclusão, a sociedade, assim como os profissionais da área da educação necessitam estar preparados para incluir crianças, adolescentes e demais pessoas com dificuldades e\ou transtornos, como por exemplo as crianças com autismo. “Estes devem ser tratados como seres humanos o direito de viver numa sociedade livre” (Paula; Peixoto, 2019). O autismo na atualidade é um tema bastante abordado por diversos autores e pesquisas. Demonstrando necessidade em discuti-lo. A importância da temática discorre ainda pelo fato de como deve ser tratada a inclusão nas instituições escolares, pois a mesma vai além de somente matricular a pessoa com necessidades educativas especiais, é preciso realmente inseri-la no processo de aprendizagem. Diante dos obstáculos o estudante deve ter preparo com um lugar estudado conforme as suas necessidades (Paula; Peixoto, 2019). É cientificamente conhecido como Transtorno do Espectro Autista (TEA). É caracterizado por problemas na comunicação, na socialização e no comportamento, geralmente diagnostificado entre 2 e 3 anos de idade. Esse transtorno resulta de alterações no desenvolvimento da criança. As quais são expressas por meio da emissão de diferentes comportamentos a saber: dificuldades na fala e comunicação, dificuldade em expressar sentimentos, pouco ou nenhum contato visual, isolamento, ausência de atenção compartilhada, dificuldade em fazer amizades e estabelecer vínculos afetivos, déficits na reciprocidade sócio- emocional, emissão de comportamentos em padrões repetitivos dentre outros. Levando em consideração as dificuldades apresentadas por indivíduos com autismo, é possível mensurar a dificuldade para uma criança com autismo compreender o que está acontecendo ao seu redor, e compreender de forma instantânea tudo que lhe é proposto. Por tais aspectos, o professor precisa ser bastante paciente, realizando uma rotina em sala de aula, para que o aluno autista possa se desenvolver de forma bastante significativa dentro de suas possíveis habilidades. Ressalta-se que mesmo as crianças típicas, possuem um ritmo de aprendizagem individualizado. Dessa forma com campanhas direcionadas para o TEA, uma parte da população ainda desconhece as características no neurodesenvolvimento atípico do autismo, causando estranhamento e até mesmo indiferença. Essas reações ocorrem muitas vezes devido á falta de informação, resultando em desconhecimento do transtorno e inabilidade para lidar com o indivíduo com TEA. É importante destacar que a criança com autismo pode ter acesso á educação formal, pois ele tem o direito de matrícula, bem como de receber apoio especializado na sala de Atendimento Educacional Especializado (AEE), visando propagar a inclusão do mesmo e desenvolvê-lo em vida estudantil muito benéfica, inclusive. “A educação inclusiva é um ritmo repleto de desafios” (weizenmann; Pezzi, 2020, p.217). Desempenhar a função de professor com qualidade e competência requer competências técnicas (ex. formação especializada) e pessoais (ex. desejo, flexibilidade). Um dos aspectos que justifica esse fato refere-se á inclusão escolar, que impõe ás escolas e necessidades dos alunos. Após vigorar a lei de inclusão, verificou-se um crescimento nas taxas de alunos incluídos em escolas de ensino regular. Por se tratar de um espectro de um espectro de condições, o padrão comportamental e cognitivo das crianças com TEA pode variar bastante, o que impõe ao professor desafios específicos no manejo com o aluno com TEA e com os demais da turma. O termo inclusão tem chamado muito a atenção nos últimos tempos. Está incluído no ambiente escolar é de suma importância para os estudantes com autismo pois tem como finalidade acolher crianças e adolescentes no espaço escolar sem se importar com as suas condições (Da Silva; Nunes, 2019). É importante relatar que a educação inclusiva para crianças com autismo deverá ser feita nas escolas regulares. Assim tendo como finalidade inserir a criança sem preconceito nenhum na sala de aula. A perspectiva que a avaliação da aprendizagem assume sentidos orientados e cooperativos ressalta que aprender é construirseu próprio conhecimento, e também, que os instrumentos de avaliação são apenas mediadores e com isso afastam-se das características humanas. “Avaliar é um ato de responsabilidade e comprometimento ético e moral” (Da Silva; Nunes, 2019, p. 151). Trabalhar com autista requer uma grande responsabilidade não só dos profissionais, mas também da família em si, onde juntos irão desenvolver um papel de suma importância na vida da criança autista, melhorando assim o seu desenvolvimento. A criança com autismo se desenvolve de maneira mais lenta se comparada com as que apresentam desenvolvimento típico. Ela é capaz de interagir e participar, mas da forma dela, talvez não tem como a escola ou a família espera. Os autistas tem dificuldades de lidar com mudanças, por menores que sejam, por isso é importante manter o seu mundo organizado e dentro da rotina. 2.3 Práticas pedagógicas inclusivas na alfabetização Para Ruppel (2024) a educação na diversidade mostra a dificuldade de entender suas particularidades de estudante, com suas curiosidades e relevâncias. Identificar as necessidades de aprendizagem específicas de cada aluno e planejar aulas de forma didática e com uma gestão eficaz do tempo são aspectos iniciais para garantir a participação de todos os estudantes. Diante disso a alfabetização por meio da educação inclusiva busca inserir a criança na sociedade, o que levanta reflexões sobre práticas pedagógicas e a reformulação curricular para crianças com dificuldades na leitura e na escrita, aspectos fundamentais para o desenvolvimento em outras áreas do currículo. Portanto, a revisão das práticas pedagógicas é fundamental para atender de maneira especial as crianças em processo de alfabetização, assegurando o direito á aprendizagem na idade apropriada. Sabemos que a abordagem inclusiva é mais do que tentar superar divisões no ensino dentro da sala de aula (Ruppel, 2024). Para assegurar o pleno desenvolvimento das potencialidades dos educandos, é fundamental adotar uma orientação metodológica que defina objetivos claros para o ensino, organize o trabalho pedagógico, determine a abordagem ao conhecimento e leve em consideração a realidade sociocultural dos alunos e o contexto da escola. Para superar essas dificuldades, são aplicadas atividades pedagógicas inclusivas, como leitura, uso do alfabeto móvel entre outras atividades. Silva (2025) mostra que o letramento e a alfabetização na primeira infância são processos fundamentais para o desenvolvimento integral das crianças, garantindo as bases para sua formação linguística, cognitiva e social. Esses conceitos, embora complementares, possuem especificidades. Em nosso país ainda existe muita carência com relação a atenção para com as escolas e inclusão efetiva dos alunos com necessidades educacionais (Silva, 2025). De Souza (2016) revela que as políticas públicas brasileiras vigentes se amparam em leis e resoluções que visam á atenção para a educação inclusiva, e em seus diversos dispositivos têm prevista a garantia aos direitos de acesso a educação de qualidade para todos os alunos. Diante de tal panorama, escutamos justificativas de que a escola e o professor não estão preparados para atender a estes alunos. Esse é um argumento que não se sustenta mais, uma vez que independentemente de qual seja a demanda do aluno é compromisso da escola organizar-se para receber todos os alunos e do professor preparar-se, ser proativo e buscar conhecer o seu aluno através de um diálogo permanente que o faça protagonista do seu processo de aprendizagem. Silva (2022) mostra que, a prática pedagógica deve ser organizada, ter intencionalidade e ser baseado no diálogo entre os interlocutores da prática (professor e crianças), já que as práticas pedagógicas são planejadas para atender as demandas dos discentes. “Portanto, o professor deve estar atento e ouvir suas crianças, prestar atenção no que é dito e também no que não é dito “(Silva, 2022, p.25). Deve ter sensibilidade para escutar seus pedidos, anseios, interesses, vontades e frustações. E quando se fala sobre criança com deficiência, essa atenção deve ser ainda maior. Estratégias e procedimentos que auxiliam na diversificação, variedade das estratégias, metodologias de ensino; exploração da criatividade e do potencial criador para a organização e estimulação da inteligência, da cognição e da possibilidade de generalizações; atenção aos estilos e ritmos dos alunos; valorização e mobilização social da aprendizagem; interação de alunos e de professor com alunos; e a avaliação. Compreendo ainda, a aquisição da leitura e da escrita pela criança como um processo de construção e compreensão individual, que ocorre por erros e acertos e reconstrução de pensamentos. Portanto, refletir como garantir processos para a criança com deficiência intelectual, considerando suas potencialidades, seu processo de alfabetização e suas características individuais. Boaventura (2023) enfatiza que, ao analisar os processos de alfabetização e letramento na educação especial desenvolvidos da ação pedagógica no processo de Alfabetização e Letramento e compreender o processo que envolve o ensino de leitura e escrita numa visão de alfabetização e letramento na educação especial, refletir sobre o processo atendendo a diversidade, assegurando o acesso, a participação e a aprendizagem de todos os indivíduos, sem qualquer exceção. A alfabetização é um elemento fundamental, necessário para se inserir na sociedade letrada, desde que, simultaneamente, seja trabalhada a função social desta aprendizagem, desenvolvendo práticas, experiências de leitura e escrita em situações concretas e significativas. Daí os defensores do letramento lançam questionamentos sobre a impossibilidade de formar um leitor sem que junto se trabalhe questões mais abrangentes sobre as funções sociais destes conhecimentos. A mediação do professor é que vai trazer bons resultados, a qualidade dessa mediação, a credibilidade que o professor deposita nas estratégias de aprendizagem e na capacidade de aprendizagem do aluno com deficiência. Tendo em conta essa perspectiva, o professor deverá ser capaz de criar situações de aprendizagem num contexto educativo, o que requer uma prática consciente e reflexiva em interação com a teoria é um desafio para a escola também para o professor, o primeiro passo é despertar nesses alunos o desejo de aprender a ler e escrever, condição básica para que o aprendizado aconteça. É necessário práticas constantes através de contribuições que geram atitudes pedagógicas e participativas gerando aprendizagem (Boaventura, 2023). A aquisição da linguagem escrita para pessoas com necessidades especiais assim como para pessoas ditas normais é um processo que exige que o professor utilize várias estratégias sejam desenvolvidas de diferentes maneiras de forma que o ensino proporcione ao aluno melhor interação, participação e desenvolvimento em atividades propostas, possibilitando lhe o acesso ao conhecimento. Nesse sentido Hachimoto (2024) identificou que, a alfabetização são processos fundamentais na formação das crianças, especialmente na educação infantil, pois são as bases para o desenvolvimento de habilidades linguísticas e cognitivas essências ao longo da vida escolar e além. Na educação infantil, alfabetização e letramento devem ser abordados de forma integrada, considerando as múltiplas linguagens presentes no ambiente escolar. Nesse sentido, o papel do educador é essencial, pois cabe a ele criar um ambiente propício á experimentação e á reflexão sobre a linguagem escrita. “As atividades pedagógicas na educação infantil são relacionadas a diversidade de projetos e atividades que exercitem o crescimento da linguagem escrita de forma recreativa e ideal para as crianças” (Hachimoto; 2024, p.117). Essas atividades permitem que as crianças explorema linguagem escrita de maneira contextualizada, relacionando-a com suas vivências e experiências cotidianas. Apesar dos avanços nas práticas pedagógicas voltadas para a alfabetização e letramento na educação infantil, ainda enfrentamos diversos desafios. Souza (2024) enfatiza que, a alfabetização e o letramento estabelecem processos fundamentais no desenvolvimento cognitivo e social do indivíduo, proporcionando meios essenciais para seu convívio social. No contexto da educação especial, esses processos contribuem em uma dimensão de grande proporção, uma vez que os alunos com necessidades especiais (NEE) enfrentam diversas dificuldades no acesso a educação de qualidade. “A educação de pessoas com necessidades especiais é a parte principal na ideia por novas buscas pedagógicas, que desenvolvam e integrem o aluno no processo de inclusão” (Souza; 2024). A alfabetização e o letramento proporcionam ao aluno habilidades de leitura e escrita promovendo autonomia no seu próprio aprendizado a sua compreensão de mundo. Do Nascimento e Cunha (2024) afirma que, a alfabetização discorre quando o sujeito é inserido na instituição educacional, isso não acontece de forma espontânea, é preciso apresentar o sistema alfabético, análise fonológica, relações de sistema, grafema e outros aspectos linguísticos.” Não podemos deixar de abordar as funções cognitivas que são divididas em: memória, atenção, linguagem, percepção e funções executivas” (Do Nascimento; Cunha, 2024). O sistema cognitivo nada mais é do que a relação entre as funções, desde os comportamentos mais simples até os de maior complexidade. O ato da leitura é muito importante pois, nos expande a concentração sobre a realidade verdadeira da importância da palavra letramento no caminho da alfabetização (Do Nascimento; Cunha, 2024). Entende-se que a leitura e escrita no decorrer do processo de aprendizagem é Fundamental e primordial no desenvolvimento dos alunos e educandos que fazem parte do Atendimento Educacional Especializado. A partir desta apreciação e pressupondo que os alunos do Atendimento Especializado são como também suas especificidades levando em consideração que são capazes de aprender e desenvolver projetos com práticas de letramento respeitando o ritmo de aprendizagem, todos os alunos devem ser inseridos nas diversas atividades propostas na escola e no AEE, e possibilitando melhores condições de aprendizagem da leitura e escrita. Diante disso a preocupação é inserir a participação dos alunos no sentido de ampliar o seu vocabulário linguístico e isso requer que se busquem meios para melhorar sua aprendizagem na escrita e na leitura. Nesse contexto, ressalta-se ainda o Atendimento Educacional Especializado para alunos com baixa visão e cegos que também tem direito a convivência e interação com os diversos meios de acesso á leitura e a escrita. 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS Esta pesquisa teve como objetivo geral investigar investigar como ocorre o processo de inclusão dentro da educação infantil. Oferecendo um ambiente acolhedor e humanizado. Com base nos resultados encontrados no desenvolvimento da pesquisa visando entender de que forma as instituições escolares desenvolvem suas habilidades e formações de alunos especiais. Procurou-se compreender como de fato transcorre o processo de inclusão na educação infantil, observando o quanto essa temática se faz essencial, sabendo que essa esta é a verdadeira base para concretizar o indivíduo em suas realizações. Dentre os principais resultados, destaca-se que é dever da escola ter a devida preocupação de desenvolver práticas pedagógicas que contribuam para o enriquecimento de um novo tipo de saber e novas metodologias livres de preconceitos. A inclusão acontece quando a sociedade compreende, respeita e atende as necessidades especiais de todos que fazem parte dela. A educação inclusiva é uma porta importantíssima para englobar essa tão sonhada diversidade mediante a construção de uma instituição que oferece proposta a comunidade como um todo, e ao mesmo tempo tenta atender as necessidades de cada um, olhando sempre com cuidado para aqueles que sofrem com a exclusão em termos de aprendizagem e cooperação em sala de aula. REFERÊNCIAS ANANIAS, Adilene Nogueira Ferreira. Educação inclusiva na educação infantil: como adaptar a sala de aula à esta realidade. 2023. BROSTOLIN, Marta Regina; SOUZA, Tania Maria Filiu de. A docência na Educação Infantil: pontos e contrapontos de uma educação inclusiva. Cadernos CEDES, v. 43, n. 119, p. 52-62, 2023. BRANDÃO, Maria Teresa; FERREIRA, Marco. Inclusão de crianças com necessidades educativas especiais na educação infantil. Revista brasileira de educação especial, v. 19, p. 487-502, 2013. BOAVENTURA, Cláudia Gislaine Moraes. Alfabetização e letramento na educação especial. 2023. 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