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PRÁTICA SOCIAL E PRÁTICA PROFISSIONAL
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Sociologia Universidade PaulistaUniversidade Paulista

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## Resumo: Reflexões Sobre a Prática Profissional do Assistente Social – relação teoria-prática, historicidade e materialização cotidianaEste ensaio apresenta um estudo exploratório de caráter bibliográfico que discute a prática profissional dos assistentes sociais, focando em três dimensões fundamentais: a historicidade da prática, a relação entre teoria e prática, e a materialização dessa prática no cotidiano profissional. Fundamentado em autores como Heller (1992), Iamamoto (2007) e Santos (2006), o texto busca refletir sobre as potencialidades e desafios da atuação profissional, contribuindo para o debate da categoria e para a produção de conhecimento no campo do Serviço Social.### Historicidade da Prática ProfissionalA historicidade é apresentada como uma característica essencial da prática profissional, que não pode ser compreendida isoladamente, mas sim em conexão com as relações sociais concretas e o contexto histórico em que se insere. A prática profissional do assistente social é resultado da especialização do trabalho coletivo, determinada pela divisão sociotécnica do trabalho, e condicionada por mecanismos institucionais, legais e normativos, como leis, códigos de ética e currículos formativos. Esses elementos moldam a profissão e sua atuação, que se desenvolve em meio a tensões e conflitos sociais, refletindo a configuração estrutural da sociedade capitalista.O texto destaca a distinção entre projetos societários – macroscópicos e coletivos – e projetos profissionais, que são construções específicas da profissão, definindo seus valores, objetivos, funções e relações com usuários e instituições. O exercício profissional do assistente social ocorre dentro da lógica capitalista, onde o trabalho é mercadoria e o profissional, assalariado, enfrenta limitações impostas pela condição de venda da força de trabalho. Essa condição gera uma tensão entre o projeto ético-político da profissão, que orienta a autonomia relativa do assistente social, e as demandas institucionais e capitalistas que condicionam sua prática. Assim, a prática profissional é permeada por disputas coletivas e lutas sociais que influenciam sua configuração e legitimidade.### Relação Teoria-PráticaA relação entre teoria e prática é tratada como uma unidade dialética, embora frequentemente mal compreendida no Serviço Social. Santos (2006) identifica três concepções equivocadas comuns: (1) a ideia de que a teoria de ruptura se traduz automaticamente em prática de ruptura, o que ignora a complexidade da transposição entre teoria e realidade social; (2) a crença de que a prática gera imediatamente a teoria, valorizando excessivamente a ação prática em detrimento do conhecimento teórico; e (3) a visão de que a teoria social, especialmente a marxista, não instrumentaliza para a ação, levando ao abandono da teoria em favor da prática.O ensaio enfatiza que, segundo a perspectiva marxista, a teoria e a prática são momentos distintos, porém inseparáveis, de um mesmo processo. A teoria é a apropriação racional do concreto, enquanto a prática é o ato concreto vinculado às necessidades humanas. A dificuldade reside em compreender que a prática tem prioridade sobre a consciência, mas que o conhecimento não pode se limitar à aparência imediata da realidade, devendo buscar a essência para uma compreensão total. Assim, a prática profissional é o espaço onde a teoria se materializa e se retroalimenta, configurando uma relação dialética que deve ser entendida em sua totalidade e complexidade.### Materialização da Prática no CotidianoA terceira dimensão abordada é a materialização da prática profissional no cotidiano, entendido como um espaço heterogêneo, imediato e superficial, onde o ser humano se insere integralmente com suas capacidades intelectuais, emocionais e sociais. O cotidiano é um locus onde se manifestam as contradições entre particularidade e genericidade do sujeito, marcado por uma hierarquia mutável que reflete as estruturas econômicas e sociais. O assistente social, inserido nesse contexto, vivencia a prática profissional permeada por múltiplas determinações, que vão desde as rotinas institucionais até as demandas sociais e pessoais.Heller (1992) destaca que o cotidiano é inevitável e que suas características, como a heterogeneidade, são imutáveis, embora possam ser transformadas. A prática profissional, portanto, é condicionada por essas características, mas também pode buscar a suspensão do cotidiano para alcançar uma esfera mais crítica e genérica, denominada homogeneização, que possibilita a reflexão e a ação coletiva. Contudo, essa elevação é transitória e coexistente com a particularidade, exigindo do assistente social uma prática crítica, consciente e articulada com a realidade social e os saberes críticos.O cotidiano profissional é marcado por mediações que nem sempre são apreendidas de forma consciente, levando a uma repetição automática de comportamentos e à alienação. A prática profissional, nesse sentido, deve buscar superar essas limitações, articulando teoria e prática para enfrentar as barreiras institucionais e sociais, promovendo intervenções que dialoguem com as demandas concretas e os projetos ético-políticos da profissão.### Considerações FinaisO ensaio conclui que a prática profissional do assistente social é um campo complexo, marcado por tensões entre autonomia e condicionamentos institucionais, entre teoria e prática, e entre particularidade e genericidade no cotidiano. A historicidade da profissão, a relação dialética entre teoria e prática e a materialização no cotidiano são elementos interligados que condicionam e possibilitam a atuação profissional. Para avançar, é necessário aprofundar essas reflexões, reconhecendo a prática como um espaço de disputa coletiva e construção de conhecimento, que deve buscar superar os limites impostos pela rotina institucional e pelo contexto capitalista, promovendo uma intervenção social crítica e transformadora.---### Destaques- A prática profissional do assistente social é historicamente determinada e condicionada pelas relações sociais e institucionais da sociedade capitalista.- A relação teoria-prática deve ser compreendida como uma unidade dialética, evitando reducionismos que privilegiam um em detrimento do outro.- O cotidiano profissional é um espaço heterogêneo e imediato, que condiciona a prática, mas também pode ser superado por processos críticos de reflexão e ação coletiva.- A autonomia relativa do assistente social enfrenta tensões entre o projeto ético-político da profissão e as demandas institucionais e capitalistas.- A construção da prática profissional é um processo coletivo e dinâmico, que requer articulação entre teoria, prática e historicidade para promover intervenções sociais efetivas e transformadoras.

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