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Políticas Públicas 
de Saúde
Material Teórico
Responsável pelo Conteúdo:
Profa. Ms. Jacqueline Mazzoni e
Profa. Esp. Isabel Souza Lima
Revisão Textual:
Prof. Ms. Claudio Brites
As Políticas Públicas no Brasil
• As Políticas Públicas de Saúde no Brasil: História e Evolução 
• Reforma Sanitária
• Exemplos de Políticas Públicas de Saúde no Brasil
 · Proporcionar ao aluno o conhecimento sobre como se desenvolveram 
as políticas públicas de saúde no Brasil. 
 · Entender a importância das políticas públicas no Brasil.
 · Conhecer as principais políticas públicas de saúde no Brasil.
OBJETIVO DE APRENDIZADO
As Políticas Públicas no Brasil
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem 
aproveitado e haja uma maior aplicabilidade na sua 
formação acadêmica e atuação profissional, siga 
algumas recomendações básicas: 
Assim:
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e 
horário fixos como o seu “momento do estudo”.
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar, lembre-se de que uma 
alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo.
No material de cada Unidade, há leituras indicadas. Entre elas: artigos científicos, livros, vídeos e 
sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você também 
encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua 
interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados.
Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discussão, 
pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato 
com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e aprendizagem.
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Determine um 
horário fixo 
para estudar.
Aproveite as 
indicações 
de Material 
Complementar.
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar, lembre-se de que uma 
Não se esqueça 
de se alimentar 
e se manter 
hidratado.
Aproveite as 
Conserve seu 
material e local de 
estudos sempre 
organizados.
Procure manter 
contato com seus 
colegas e tutores 
para trocar ideias! 
Isso amplia a 
aprendizagem.
Seja original! 
Nunca plagie 
trabalhos.
UNIDADE As Políticas Públicas no Brasil
Contextualização
Iniciaremos esta unidade refletindo sobre o que representam as Políticas 
Públicas de Saúde em nossa sociedade. Hoje temos o atendimento gratuito à saúde 
fornecido pelo SUS (Sistema Único de Saúde), porém nem sempre foi assim. O 
SUS foi implantado somente em 1986, imagine como era difícil para a população 
que trabalhava de modo informal (sem carteira assinada) pagar por tratamentos 
e atendimentos.
O conceito do SUS, de acordo com Rordrigues Neto (1994, p.9), é que:
[...] o SUS propunha ao lado da democratização geral da sociedade, 
a universalização do direito à saúde, um sistema de saúde racional, 
de natureza pública, descentralizado, integrando as ações curativas e 
preventivas e democrático, com participação popular.
Convidamos você a conhecer essa história.
RODRIGUEZ Neto, E. A Reforma Sanitária e o Sistema Único de Saúde: suas origens, suas 
propostas, sua implantação, suas dificuldades e suas perspectivas. In: BRASIL. Textos 
Técnicos para Conselheiros de Saúde – Incentivo à Participação Popular e Controle Social 
no SUS. Brasília: Ministério da Saúde, 1994. p. 9. Disponível em: https://goo.gl/k9RPzc
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As Políticas Públicas de Saúde no Brasil: 
História e Evolução 
A história da saúde pública teve início no Brasil Colônia, momento no qual o 
acesso à saúde era privado. Somente tinham acesso à assistência à saúde a parcela 
da população mais abastada, ou seja, que poderia pagar por esse atendimento 
e para fazer o tratamento. As primeiras ações foram feitas pela fiscalização de 
higiene pública. Os doentes eram afastados do restante da população para que não 
contaminassem os demais. Nesse período, a Igreja Católica era a única instituição 
que possuía hospitais – as Santas Casas de Misericórdia –, o foco era a caridade e 
não a preocupação com a saúde. Existiam também alguns poucos hospitais militares.
Figura 1 – Hospital da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro em 1780
Fonte: 4e20enfermarias.org.br
Importante!
O Hospital Geral da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, 427 anos a serviço da 
comunidade, foi fundado pelo jesuíta José de Anchieta, em 24 de março de 1582. No pátio 
da Santa Casa de Misericórdia, encontra-se a Igreja de Nossa Senhora do Bonsucesso, a 
mais antiga do Rio de Janeiro, edifi cada em 1567. Sua forma atual, porém, corresponde 
ao ano de 1780, quando foi reconstruída. 
Você Sabia?
Fonte: http://www.4e20enfermarias.org.br/pt/the-institution
Com a chegada da família real ao Brasil, houve uma melhora na questão sanitária 
nos portos e a fundação de universidades de medicina.
Nessa época, era muito comum as famílias terem os chamados “médicos 
de família”. O médico de família consistia em um profissional que geralmente 
acompanhava todo o ciclo de vida de uma determinada família por várias gerações. 
Esse médico estava sempre disponível para atender a essa família. Em geral, o 
atendimento era residencial e para toda a família, isso quer dizer que o mesmo 
médico atendia o recém-nascido, os pais, avós, tios, cunhados, etc.
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UNIDADE As Políticas Públicas no Brasil
Já a população que não tinha recursos financeiros para ter os médicos de família 
era atendida por leigos, por casas de caridade e curandeiros. Vale lembrar que 
nessa época a assistência médica não tinha qualquer vínculo ou custeio pelo Estado. 
Tal situação permaneceu imutável até o final do século XIX e início do século XX 
(momento no qual o Brasil passou a ter as Políticas Públicas implementadas).
No início do século XX, houve uma implantação do chamado “Estado Liberal” ou 
Liberalismo. O Liberalismo foi um movimento que tentou limitar o poder político, 
defendendo e apoiando os interesses individuais. Um dos pontos amplamente 
apoiados por esse movimento foi a instauração de medidas que melhorassem a 
questão da Assistência à Saúde no país. 
Além da pressão instaurada pelo Estado Liberal, o País estava passando por 
várias epidemias, tais como a de Malária (doença parasitária que causa febre alta, 
calafrios e sintomas similares aos da gripe transmitida por mosquitos), a Febre 
Amarela (doença infecciosa causa por vírus, também transmitida por mosquitos, 
que causa náusea, dor de cabeça, olhos e pele amarelada) e a Gripe Espanholada 
(chegou ao Brasil em 1918, transmitida por vírus, e causou mais de 90 milhões de 
mortes mundialmente). 
Esses fatos fizeram com que o Governo investisse em campanhas de vacinação 
coletiva, conhecido como Modelo Sanitarismo Campanhista (ou modelo das 
campanhas sanitárias). Esse modelo foi idealizado e criado por Oswaldo Cruz em 
1903 e coordenado pelo departamento nacional de saúde publica. Tinha como 
principal objetivo o combate a doenças que prejudicavam a exportação do café. 
Oswaldo Cruz dividiu o Brasil em 10 distritos sanitários (seguindo moldes militares), 
cada qual chefiado por um delegado de saúde.
Esse modelo promoveu uma enorme vacinação contra as principais epidemias 
que circulavam no país, mas essa vacinação foi imposta por meios abusivos e 
repressivos. O episódio mais marcante desse modelo foi a Revolta da Vacina, no 
qual foram utilizados meios repressivos por parte do Estado para realizar meios de 
combater essa epidemia com a vacinação em massa da população.
Veja a figura ilustrativa da Revolta da Vacina no link a seguir: https://goo.gl/vsvDVz
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A população foi obrigada a se vacinar, ou seja, não houve uma conscientização 
da importância da vacina, do motivo da campanha de vacinaçãoser necessária, 
o que acarretaria ao país caso as pessoas não aderissem a ela, o que poderia 
acontecer; simplesmente houve a imposição abusiva. 
Ao mesmo tempo, a vacinação era necessária. Um grande exemplo é que em 
cerca de 5 anos a Febre Amarela matou mais de 4 mil pessoas no Brasil. Uma 
verdadeira força tarefa foi organizada por Oswaldo Cruz: casas eram analisadas e, 
caso fossem detectados focos dos mosquitos ou indícios de que alguém era portador 
do vírus, os moradores eram colocados em quarentenas ou movidos para hospitais. 
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Calhas foram limpas, entulhos retirados, em casas com foco do mosquito multas 
eram aplicadas, entre outras medidas. Não se sabia muito da doença e acreditava-
se ainda que grande parte das epidemias e das doenças eram transmitidas pelo ar.
Lei Eloy Chaves – Caixas de Aposentadorias e Pensões (CAP)
Além da desigualdade imposta pelo capitalismo, ainda existia a precariedade 
das relações de trabalho. Não existia estabelecimento de jornada de trabalho, piso 
salarial, salário mínimo ou licença maternidade. Por esses motivos, as indústrias 
de carvão e de minério de ferro começaram a se organizar e criar movimentos 
sindicais de trabalhadores. 
A resposta a essa demanda veio em 1923 com a criação da Lei Eloy Chaves, 
que instaurou a criação das CAPs (Caixa de Aposentadoria e Pensões)
Figura 2 – Eloy Chaves, deputado responsável pelo projeto de lei que previa a criação das CAPs 
Fonte: jundiai.sp.gov.br
Até 1923 não existia aposentadoria ou pensão. Os trabalhadores formais e 
informais eram obrigados a pagar impostos e tributos sem que houvesse nenhum 
tipo de retorno sobre esse valor arrecadado. Não havia assistência à saúde, 
aposentadoria, pensão, ou seja, não existia qualquer benefício. 
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UNIDADE As Políticas Públicas no Brasil
Características das CAPs:
 · A primeira categoria de empresa a implementar a CAP foi a de minério 
de ferro. Funcionava da seguinte maneira: empregadores e empregados 
contribuíam com uma quantia para essas caixas de aposentadoria e, 
quando um trabalhador precisasse – seja por aposentadoria ou pensão –, 
aquele dinheiro seria retornado a essa pessoa;
 · A quantia era arrecada mensalmente e era estipulada e baseada no valor 
da remuneração mensal de cada trabalhador. Esse valor seria revertido 
no futuro em forma de aposentadoria, pensões e assistência médica;
 · A CAP era bilateral, ou seja, financiada pelo empregado e empregador;
 · Era opcional. O trabalhador não era obrigado a contribuir no pagamento. 
Porém, somente receberiam esse benefício quem contribuísse mensalmente 
com a CAP (a obrigatoriedade de pagamento de tributos independia da 
adesão ou não a CAP);
 · A CAP funcionava apenas para trabalhadores do mercado formal;
 · As CAPs não tinham vínculo nenhum com o orçamento da União, eram 
totalmente independentes e com uma única finalidade: a concessão de 
benefícios (aposentadoria, pensões, assistência médica, farmacêutica) 
aos empregados e seus dependentes;
 · Eram desenvolvidas por empresas, ou seja, cada empresa tinha a sua 
CAP independente. Não existia uma lei ou política que regulasse as CAPs.
Segunda Asensi (2010, p.35), 
[...] a utilização dos serviços de saúde se encontrou vinculada à situação 
empregatícia, ocasionando a exclusão de uma parcela relevante 
da população desempregada, seja por deficiências físicas, seja por 
insuficiências na educação ou, mesmo, por inacessibilidade estrutural ao 
mercado de trabalho formal. 
Ou seja, fica bem claro nessa explicação do autor que somente tinham direito 
a se vincular ao CAP trabalhadores contratados pelo regime da Consolidação das 
Leis do Trabalho (CLT).
Em 1930, durante o Governo de Getúlio Vargas, a economia brasileira ainda 
era focada na Indústria do Café e nessa mesma época aconteceu a Quebra da Bolsa 
de Valores de Nova Iorque, que impactou em muitos países, inclusive no Brasil. 
Um dos motivos para esse grande impacto na economia brasileira era o de que os 
Estados Unidos era o país que mais comprava o nosso café nacional. 
A produção de café nacional entrou em crise, essa consequentemente gerou 
um deslocamento do Polo Industrial da Zona Rural para a Zona Urbana. Esse 
deslocamento fez com que a cidade se desenvolvesse, havendo um grande avanço 
na economia urbana e também na sociedade urbana.
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Figura 3 - A Crise de 1929
Fonte: Acervo do Conteudista
Importante!
Também conhecida como Grande Depressão, a crise de 1929 foi uma das piores do sécu-
lo XX, e foi um dos motivos que desencadeou a Segunda Guerra Mundial. Sua causa foi 
uma grande baixa da Bolsa de Valores de Nova York, o que levou à falência um grande 
número de pessoas e empresas e instaurou o caos econômico em grande parte dos país-
es que tinham relações comerciais com os EUA.
https://goo.gl/51KL99
Você Sabia?
Em 1933, as CAPs passaram a ter uma nova nomenclatura e passaram a ser 
chamadas de IAPs (Institutos de Aposentadoria e Pensão). Com essa mudança, 
as características das CAPs, agora como IAPs também sofreram modificações:
 » Tornaram-se trilaterais: além da contribuição feita pelos empregados e em-
pregadores, nesse novo modelo, o Estado também passou a contribuir;
 » Ganhou elevada importância, ou seja, passaram a serem vistas como um be-
nefício necessário e que deveria ser ampliado para todo o país, para todas as 
empresas e que, consequentemente, dariam lucro e retorno para a Nação. 
Por isso, o Estado passou a intervir nas IAPs; 
 » O Estado unificou as IAPs. O que antes era por empresa, nesse momento 
passou a ser por categorias profissionais, ou seja, cada categoria profissional 
tinha uma base de benefícios para seus assegurados;
 » Os tributos continuavam a ser obrigatórios tanto no mercado formal quanto 
no mercado informal, independente da pessoa ser ou não filiada ao IAPs. 
Esses tributos não geravam retorno nenhum para o trabalhador;
 » O Estado passou a administrar os IAPs e a forma de contribuição era feita 
através do pagamento desses tributos arrecadados. Por tanto, conclui-se que 
o Estado contribuía com os IAPs através dos tributos arrecadados obrigato-
riamente por trabalhadores do mercado formal e informal. No entanto, os 
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UNIDADE As Políticas Públicas no Brasil
trabalhadores do mercado informal não tinham direito a usufruir desse be-
nefício e os trabalhadores do mercado formal acabavam contribuindo duas 
vezes: eles contribuíam todos os meses diretamente para os IAPs e faziam 
também o pagamento dos tributos que o Estado usava para contribuir; 
 · A contribuição continuava a ser feita apenas por trabalhadores do 
mercado formal;
 · As taxas de contribuição das IAPs passaram a ser mais altas do que 
nas antigas CAPs.
Entre os anos 1945 e 1960, as condições sociais no Brasil se agravavam, havia 
um aumento crescente do desemprego e as condições de saúde pioravam. Com 
isso, o empenho por parte dos movimentos sociais ganhava cada vez mais força 
no país, reivindicavam por melhorias nas políticas de saúde pública, entre essas 
reivindicações estava a Reforma Sanitária.
Em 1953, o Ministério da Saúde foi criado. Começou a ser discutido então um 
Plano Nacional de Saúde que atingisse as três esferas do Governo: município, es-
tado e união. No entanto, nesse período as suas atividades se resumiam apenas à 
promoção de saúde e à prevenção de doenças (vacinas, por exemplo), que eram 
realizadas para todos. Já a assistência médico-hospitalar era destinada aos indigen-
tes, ou seja, para quem não tivesse acesso aos IAPs. 
Importante!
Até então, a saúde pública era administrada pelo Ministério da Educação.
Você Sabia?
Em 1960, foi criada a Lei Orgânica da Previdência Social (LOPS). Ela unificou a 
legislação referente aos IAPs, uniformizando também os benefícios dos segurados. 
Ou seja, antes da LOPS, cada categoria profissional tinha benefícios distintos para 
seus segurados e, com a implantação dessa lei, houve uma uniformização de todos 
os IAPs. Com isso, todos passaram a contribuir com o mesmo valor para que todosos beneficiados e assegurados recebessem também o mesmo valor. 
O grande problema dessa unificação foi o “nivelamento para baixo” desses 
direitos: foi estipulado o mínimo do valor a ser pago e o mínimo de concessão de 
benefícios nessa época.
Em decorrência disso, as pessoas que eram beneficiadas pelo IAP iriam receber 
o mesmo valor, independente da sua categoria profissional.
A LOPS também alterou o limite de idade para aposentadoria. Até 1960, o 
limite de idade para aposentadoria era de 50 anos; com a lei, passou a ser de 
55 anos – foi levada em consideração a expectativa de vida da população, que 
estava aumentando.
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Em 1966, foi criado o INPS – Instituto Nacional da Previdência Social. Os 
IAPs voltavam a sofrer modificações e intervenções pelo Governo e passaram a 
configurar como INPS. Todos os IAPs foram unificados no INPS.
Em 1974, o INPS passou a ser chamado de INAMPS – Instituto Nacional de 
Assistência Médica de Previdência Social. O INAMPS tinha a responsabilida-
de de prestar Assistência à Saúde aos seus associados (trabalhadores formais e 
seus dependentes). 
A arrecadação feita pelo INPS gerou muito lucro ao Estado, por isso, com 
a criação do INAMPS, foram construídas grandes unidades de atendimento 
ambulatorial, hospitais e realizada a contratação de serviços privados nos grandes 
centros urbanos, ou seja, onde tinham mais contribuintes. Outro ponto importante 
foi que os trabalhadores rurais também passaram a fazer parte do INAMPS, já que 
antes somente os trabalhadores dos centros urbanos tinham direito a esse benefício.
O cenário da saúde pública do Brasil nesse momento era conhecido como 
Modelo Médico Assistencial Privatista, era dividido em três categorias:
1. As pessoas que podiam pagar pelos serviços de saúde – era a população mais 
abastada financeiramente e que não precisava contribuir com o INAMPS;
2. As pessoas que faziam parte do mercado formal (que eram contratadas pelo 
regime da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT) e que contribuíam 
com o INAMPS – essa população tinha direito a usufruir dos benefícios da 
assistência à saúde, previdência e pensão;
3. As pessoas que não tinham direito algum, sejam porque não contribuíam 
com o INAMPS ou porque faziam parte do mercado informal –essas pessoas 
simplesmente não tinham assistência à saúde, previdência e pensão.
Esse Modelo Médico Assistencial Privatista, na verdade, foi iniciado em 1923 
com a formação da Caixa de Aposentadoria e Pensão (CAP). Ele foi sendo cada 
vez mais aperfeiçoado e se tornando mais evidente com o passar das décadas e 
com o desenvolvimento da economia no País.
Características principais desse modelo são:
 » Prática médica curativa individual assistencialista e especializada;
 » Avanço tecnológico e compra de equipamentos de última geração;
 » Maior eficácia no diagnóstico e tratamento;
 » Foco no tratamento imediato da doença do paciente. O histórico de doenças do 
paciente e as causas eram colocados em segundo plano, ou seja, não eram im-
portantes para o diagnóstico. O foco mesmo era resolver a doença e não a causa;
 » Crescimento do complexo médico e hospitalar voltado para geração de lucro;
 » Não se trabalhava com prevenção e conscientização.
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UNIDADE As Políticas Públicas no Brasil
Em 1974, teve o surgimento da Atenção Primária à Saúde (APS). Começou-
se a discutir a necessidade das pessoas que eram trabalhadores informais, e que 
não podiam pagar pela assistência à saúde, a terem também direito à assistência 
médica, aposentadoria e pensão.
Em 1976, foi instaurado o Programa Interiorização das Ações de Saúde e 
Saneamento (PIASS). A finalidade era implementar uma estrutura básica de 
política pública de saúde e, com isso, disponibilizar uma unidade de tratamento em 
comunidades de até 20.000 habitantes. 
Era então o início de uma interiorização da assistência à saúde, que possibilitou 
a construção de hospitais, centros de saúde, postos de saúde, rede ambulatorial e 
a contratação de médicos e técnicos de saúde de ordem geral para o atendimento 
dessa população, que até então ficava a margem da assistência à saúde.
Reforma Sanitária
A Reforma Sanitária foi gerada a partir de uma crise no sistema de saúde e 
previdenciário, que foi mediada pela participação popular e que levou a iniciativas 
de extensão da cobertura à assistência à saúde para todo o Brasil. 
De acordo com PAIM (1992, p. 31), “o projeto da Reforma Sanitária foi gerado 
na luta contra o autoritarismo e pela ampliação dos direitos sociais”. Vale lembrar 
que o Brasil ainda passava pelo militarismo durante o período da Reforma Sanitária; 
entretanto, a população passou a lutar pelos seus direitos de cidadãos e a focar em 
uma melhor da qualidade de vida.
Um dos marcos foi a Crise dos 4 Is. Em 1980, a população já possuía uma visão 
bastante crítica sobre a questão da saúde no país. Os 4 Is são: 
1. Ineficiência – decorrente do modelo médico privatista que existia, no qual 
havia um enorme investimento em procedimentos custosos e tinham baixo 
impacto para a população de uma maneira geral;
2. Ineficácia – decorrente da desproporção entre o que era gasto e o impacto 
real dessa despesa na saúde da população; ou seja, se gastava muito para 
pouco resultado;
3. Inequidade – não havia um tratamento especial para pessoas com neces-
sidades especiais, ou seja, todos eram tratados com os mesmos recursos e 
com os mesmos modelos de tratamento;
4. Insatisfação popular – era o resultado do descontentamento da população 
em relação à assistência de saúde brasileira.
Para essa crise, houver 3 correntes explicativas:
1. Incrementalista: essa corrente afirmava que o Brasil vivia em crise porque 
os recursos financeiros eram escassos e porque havia pouco investimento 
na saúde; 
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2. Racionalista: essa corrente afirmava que a crise era resultado de má 
administração. Segundo essa corrente, havia gastos desnecessários e serviços 
de pouca utilidade para a sociedade – ou seja, ela reconhecia que o Brasil tinha 
dinheiro para investir na saúde, porém era administrado de forma errada;
3. Estruturalista: defendia que a crise acontecia devido ao modelo privatista 
de saúde brasileiro, focado na medicação, no tratamento e não na prevenção 
– ou seja, gerava custos altos que poderiam ser evitados com conscientização 
e prevenção de doenças. 
Na década de oitenta, foram definidos ainda os conceitos de Acumulação 
Epidemiológica e Transição Epidemiológica:
 · Acumulação Epidemiológica consistia no surgimento e nas descobertas 
de novas doenças, que se somavam com as doenças que já existiam no 
passado e que ainda não haviam sido erradicadas. Por isso, os profissionais 
de saúde precisavam estar capacitados para tratar as doenças recém-
descobertas e as ainda não erradicadas;
 · Transição Epidemiológica foi marcada pela expansão territorial brasi-
leira e com as novas tecnologias de diagnóstico, observou-se que existiam 
doenças específicas para cada região, ou seja, doenças mais prevalentes 
para cada região.
Em 1981, foi criado o Conselho Consultivo de Administração da Saúde Previ-
denciária (CONASP). Esse foi desenvolvido devido a uma necessidade de revisão 
nas formas de assistência médica e previdenciária que existia no Brasil. Tinha ainda 
o objetivo de conter as despesas da previdência social com a assistência médica. 
Para isso, foi criado o Plano CONASP.
Os objetivos do Plano CONASP eram:
 · Priorizar as Ações Primárias de Saúde. A ênfase era dada para o aten-
dimento ambulatorial e a integralização das instituições federais, munici-
pais e estaduais. Focava em um sistema regionalizado e hierarquizado.
 · Racionalizar gastos. Foco nos gastos na área hospitalar. 
 · Auditorias Técnicas. Foram introduzidos mecanismos de auditorias 
técnicas que tinham o intuito de reduzir o superfaturamento dos gastos 
com os custos previdenciários.
 · Descentralização da Assistência à saúde. Os Estados e os municípios 
passaram a ter mais autonomia do planejamento da Assistência à Saúde.Com o Plano CONASP, surgiram também as Ações Integradas em Saúde (AIS), 
que buscavam a reorganização institucional da Assistência à Saúde e tinham como 
objetivo principal evitar ações paralelas entre as instituições sanitárias. Era uma 
estratégia de integração programática entre as ações de saúde no nível municipal, 
estadual e federal. Focavam ainda em desenvolver uma capacidade gerencial dos 
serviços em nível local e regional, além de integrar os recursos que vinham de 
diversas fontes para as ações de saúde.
17
UNIDADE As Políticas Públicas no Brasil
As AIS resultaram, ainda, no surgimento das Comissões Interinstitucionais 
de Saúde (CIS) no nível estadual e posteriormente levaram à constituição dos 
Conselhos de Saúde.
O financiamento das Ações Integradas em Saúde era uma parceria entre as 
instituições que participavam, como por exemplo: o INAMPS, o Ministério da Edu-
cação, as Secretarias de Estado, as Secretarias Municipais de Saúde, as Instituições 
de Ensino, hospitais, entre outros. Houve então pela primeira vez a transferência 
dos recursos federais para o Município e para o Estado. 
Para recapitular, então, os princípios que norteavam as Ações Integradas em 
Saúde eram: universalidade; integralidade; equidade; regionalização; hierarquização; 
descentralização; democratização; planejamento; controle pelo setor público.
VIII Conferência Nacional de Saúde no Brasil (1986)
O objetivo desta conferência foi discutir uma pro-
posta de estrutura e de política de saúde no país. Essa 
conferência aconteceu em Brasília e foi considerada 
um marco dentro do movimento de Reforma Sanitária. 
Teve a participação de diversos profissionais da área de 
saúde, além de usuários, técnicos, políticos, lideranças 
populares, lideranças sindicais. Cerca de 5 mil pesso-
as participaram dessa conferência, que teve propostas 
para reestruturação do sistema de saúde brasileiro. 
A importância dessa conferência foi tão grande que 
parte do texto da Constituição Federal de 1988 foi ela-
borado durante ela. O conceito de saúde foi reformula-
do, conforme declara Brasil (1986, p.117): 
[...] saúde é a resultante das condições de alimentação, habitação, 
educação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, emprego, lazer, 
liberdade, acesso e posse da terra e acesso a serviços de saúde.
Entre as proposta discutidas estavam:
 · A ampla mobilização popular para garantir os direitos de saúde na Consti-
tuição Federal;
 · Saúde como interesse coletivo, como dever do Estado a ser contemplado de 
forma prioritário através de Políticas Sociais, Políticas Econômicas, entre outras;
 · Garantia da extensão do direito à saúde e acesso igualitário aos serviços e às 
ações de proteção, promoção e recuperação de saúde;
 · A caraterização dos serviços de saúde como públicos e essenciais.
Figura 4 – Dr. Sérgio Arouca (médi-
co sanitarista) foi um dos principais 
idealizadores do SUS no Brasil
Fonte: Wikimedia Commons
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Essa conferência gerou um novo conceito de saúde. A saúde passou a ser vista 
como um direito a todos. Essas propostas foram a essência do Sistema Único de 
Saúde (SUS).
O conceito do SUS, de acordo com Rordrigues Neto (1994, p. 9) é que:
[...] o SUS propunha ao lado da democratização geral da sociedade, 
a universalização do direito à saúde, um sistema de saúde racional, 
de natureza pública, descentralizado, integrando as ações curativas e 
preventivas e democrático, com participação popular.
O SUS foi criado em 1988 pela Constituição Federal Brasileira.
Exemplos de Políticas Públicas de Saúde 
no Brasil
Sistema Único de Saúde – SUS
O Sistema Único de Saúde – SUS é uma forma de política pública implantada 
por meio da Lei nº 8.080/1990, que traz um rol de princípios, objetivos e 
garantias inerentes à efetivação da saúde, garantindo assim a aplicação do direito 
fundamental de proteção à saúde.
Como dito anteriormente, cabe ao Estado garantir e efetivar o direito e o acesso 
à saúde através da implementação de políticas públicas. Como exemplo de política 
pública de saúde, pode-se citar o Sistema Único de Saúde – SUS.
Saiba mais em: https://goo.gl/Nf3dSw
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O Programa Nacional de DST e Aids
O Programa Nacional de DST e Aids (PN-DST/AIDS) foi criado a partir da 
publicação da Portaria nº 236, em maio de 1985, três anos depois da notificação 
do primeiro caso de aids no Brasil, quando o mundo ainda sabia muito pouco sobre 
a doença, considerada na época o ‘câncer gay’ ou ‘peste gay’. No final da década 
de 80, entretanto, descobriu-se que em 1980 já havia tido um caso de Aids na 
cidade de São Paulo.
Hoje o Programa de Tratamento da Aids é considerado um dos melhores 
modelos de nível mundial. Em 1991, o Ministério da Saúde começou a distribuir 
gratuitamente a medicação, conhecida como coquetel de tratamento contra AIDS.
Saiba mais em: https://goo.gl/BzeHga
Ex
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UNIDADE As Políticas Públicas no Brasil
Programa Nacional de Vacinação
Desde 1965, no âmbito do Programa Nacional de Vacinação, foram vacinadas 
mais de 7 milhões de crianças, assim como milhões de adultos, com diversas vacinas 
e diversas doses de cada vacina. Milhões e milhões de vacinas foram administradas 
com um perfil de segurança e de qualidade demonstrados. A efetividade das vacinas 
do PNV está comprovada com o controle ou mesmo eliminação das doenças alvo 
de vacinação, como é o caso da poliomielite, difteria, sarampo e tétano neonatal.
Além da mudança no panorama das doenças infeciosas, do contributo para a 
redução da mortalidade infantil e para o desenvolvimento do nosso país, o PNV 
português contribuiu também para momentos marcantes na história da humanidade: 
a erradicação da varíola em 1980 e a eliminação da poliomielite na região europeia 
da OMS em 2002, quando a Europa foi declarada “polio free”.
Saiba mais em: https://goo.gl/uuA57W
Ex
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Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Vídeos
Ministério da Saúde lança campanha de prevenção às DST e aids para carnaval 2015
Assista a campanha de prevenção às DSTs (Doenças Sexualmente Transmissíveis) e 
AIDS lançada pelo Ministério da Saúde em 2015.
https://youtu.be/2lVcehqMADc
Caminhos da Vacina
Veja o vídeo que fala sobre os Caminhos da Vacina, promovido pelo programa Médicos 
Sem Fronteira.
https://goo.gl/6kbWWh
 Leitura
Reflexos sobre Políticas Públicas de Saúde
Reflexos sobre Políticas Públicas de Saúde de Dráuzio Varella, publicado em 24 de 
julho de 2011. Revisado em 05 de abril de 2013.
https://goo.gl/gRszM3
Brasil bate recorde de pessoas em tratamento contra HIV e AIDS
Brasil bate recorde de pessoas em tratamento contra HIV e AIDS. Do Portal Brasil. 
Publicado em 28 de janeiro de 2016.
https://goo.gl/FR2kAb
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UNIDADE As Políticas Públicas no Brasil
Referências
4E20ENFERMARIAS. Hospital Geral da Santa Casa da Misericórdia do 
Rio de Janeiro. Disponível em: <http://www.4e20enfermarias.org.br/pt/the-
institution>. Acesso em: 15 jul. 2016.
ASENSI, F. D. Indo além da judicialização: O Ministério Público e a saúde no 
Brasil. Rio de Janeiro: Escola de Direito do Rio de Janeiro da Fundação Getúlio 
Vargas, Centro de Justiça e Sociedade, 2010. p. 35.
BRASIL. 8º CONFERÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE – Relatório Final. In: 
MINAYO, M. C. S. (org.). A Saúde em estado de choque. Rio de Janeiro: Fase, 
1996. p. 117.
CLICKESCOLAR. A crise de 1929. Disponível em: <http://www.clickescolar.
com.br/crise-de-1929.htm>. Acesso em: 13 jul. 2016.
PAIM, J. M. A. Reforma Sanitária e a Municipalização. Saúde e Sociedade, São 
Paulo, v. 1, n. 2, p. 31. 1992.
RODRIGUEZ NETO, E. A Reforma Sanitária e o Sistema Único de Saúde: suas 
origens, suas propostas, sua implantação, suas dificuldades e seus perspectivas. In: 
BRASIL. Ministério da Saúde. Incentivo à participação popular e Controle Social 
no SUS: textos técnicos para conselheiros de saúde. Brasília: IEC, 1994. p. 9.
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