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Aprendizagem por consequência Prof.ª Dra. Tatiana Lima de Almeida Aprendizagem por consequência Comportamento Operante: Ação e Consequência Definição: Comportamento operante é aquele que "opera" sobre o ambiente, produzindo modificações (consequências). A probabilidade de sua ocorrência futura é afetada por essas consequências. A notação utilizada é R → C (Resposta produz Consequência). Exemplos Cotidianos: Apertar o interruptor (R) → Luz acende (C). Dizer "Oi!" (R) → Pessoa responde "Olá!" (C). Estudar (R) → Tirar boa nota (C). Fazer birra (R) → Ganhar um doce (C). Os comportamentos não são emitidos aleatoriamente; eles são selecionados e mantidos ou enfraquecidos pelas consequências que produziram no passado. Esta é a essência do modelo de seleção por consequências, base do determinismo na Análise do Comportamento. Compreender a função de um comportamento é analisar as consequências que o mantêm. Estímulo Reforçador e Contingência de Reforçamento Consequência Reforçadora: É um tipo específico de consequência que, quando apresentada após uma resposta, aumenta a probabilidade de essa resposta voltar a ocorrer. Estímulo Reforçador: É a alteração no ambiente (o estímulo propriamente dito) que constitui a consequência reforçadora. Ex: a água para o rato sedento, o elogio para o aluno. Critério Funcional: Um estímulo só pode ser classificado como reforçador após a observação do seu efeito sobre o comportamento. Não é uma propriedade física intrínseca do estímulo. Exemplo: Comida é reforçadora para quem está com fome, mas pode ser neutra ou até aversiva para quem acabou de comer. Um elogio pode aumentar a frequência de participação de um aluno e não ter efeito algum sobre outro. Contingência de Reforçamento: É a relação de condicionalidade entre o comportamento e sua consequência, descrita na forma "se... então..." . Exemplo: Se o rato pressionar a barra (R), então uma gota d'água será liberada (C). Se a criança fizer birra, então ela ganha atenção. Efeitos Adicionais do Reforçamento Além de aumentar a frequência do comportamento reforçado, o reforçamento produz outros dois efeitos importantes: 1. Diminuição da Frequência de Outros Comportamentos: Quando um comportamento é reforçado, outros comportamentos que eram emitidos na mesma situação e que não produzem a mesma consequência tendem a diminuir de frequência. Exemplo: Em um bar, se a conversa de uma pessoa é reforçada com atenção, ela tende a conversar mais e a beber/comer/observar o movimento menos. 2. Diminuição da Variabilidade da Topografia da Resposta: Topografia da resposta é a forma do comportamento - os movimentos envolvidos, os sons produzidos. No início da aprendizagem, um comportamento pode ser emitido de várias formas diferentes (ex: rato pressiona a barra com a pata esquerda, direita, focinho). À medida que o reforçamento se repete, a topografia tende a se tornar mais estereotipada e eficiente. Exemplo: Ao aprender a responder "Onde fica a biblioteca?", a pessoa varia as respostas no início. Quando uma delas é bem-sucedida e repetidamente reforçada pela compreensão do interlocutor, a resposta se torna padronizada. Extinção Operante: Procedimento e Processo Procedimento de Extinção Operante: Consiste em suspender a apresentação da consequência reforçadora que antes mantinha um comportamento. Processo de Extinção Operante: É o efeito desse procedimento sobre o comportamento: a diminuição gradual da frequência da resposta até que ela retorne ao seu nível operante (a frequência com que ocorria antes de ser reforçada). Exemplo Clássico (Pesquisa de Walker & Buckley, 1968): Fase 1 (Nível Operante): Uma criança permanecia engajada em tarefas escolares, no máximo, 38% do tempo. Fase 2 (Reforçamento): A criança ganhava pontos (trocáveis por brinquedos) por se engajar nas tarefas. O tempo de engajamento subiu para próximo de 100%. Fase 3 (Extinção): Os pontos foram suspensos. O tempo de engajamento caiu gradualmente, retornando a níveis próximos de 40%. Esta pesquisa demonstra o caráter temporário dos efeitos do reforçamento e a importância de planejar intervenções que conectem o comportamento a reforçadores naturais do ambiente (ex: atenção e reconhecimento de professores e colegas). Efeitos Imediatos do Procedimento de Extinção No início do processo de extinção, antes da queda na frequência, três efeitos colaterais podem ocorrer: 1. Aumento na Frequência da Resposta: O organismo pode emitir a resposta com uma frequência maior do que a observada durante o reforçamento, como num "estouro" inicial. Exemplo: Quando ninguém atende à campainha, a pessoa tende a apertar o botão várias vezes seguidas antes de desistir. 2. Aumento na Variabilidade da Topografia da Resposta: A forma do comportamento volta a variar, como no início da aprendizagem. Exemplo: Além de apertar a campainha repetidamente, a pessoa pode começar a bater na porta com a mão, com o punho, ou bater palmas. 3. Evocação de Respostas Emocionais: O procedimento de extinção pode gerar respostas como frustração, irritação, ansiedade ou raiva. Exemplo: Jogar o celular no chão ao não conseguir fazer uma ligação, ou socar o volante quando o carro não pega. Ratos em extinção podem morder a barra. Resistência à Extinção Definição: é a persistência de um comportamento após a suspensão do reforçamento, medida pelo tempo ou número de respostas emitidas sem reforço. Comportamentos com alta resistência à extinção demoram mais para serem extintos. Fatores que Influenciam a Resistência à Extinção: Número de Exposições ao Reforçamento: Quanto mais vezes um comportamento foi reforçado no passado, mais resistente à extinção ele será. Exemplo: Uma birra reforçada por anos será muito mais difícil de extinguir do que uma birra que ocorreu poucas vezes. Custo da Resposta (Esforço): Quanto maior o esforço necessário para emitir um comportamento, menor sua resistência à extinção. "Se é mais difícil, desisto mais rápido". Exemplo: Entre duas barras que não produzem mais água, um rato parará de pressionar primeiro a barra mais pesada. Intermitência do Reforçamento: Comportamentos que foram reforçados apenas às vezes (reforçamento intermitente) são muito mais resistentes à extinção do que aqueles que foram reforçados todas as vezes (reforçamento contínuo). Aplicação da Extinção: O Caso Williams (1958) Problema: Uma criança de 2 anos, após se recuperar de uma doença grave, fazia birra (chorava) na hora de dormir. Os pais e uma tia precisavam ficar no quarto por 1h30 a 2h até que ela dormisse. O comportamento de chorar era mantido pela atenção/presença do adulto. Intervenção: Procedimento de extinção. Os cuidadores colocavam a criança na cama, saíam do quarto e não retornavam quando o choro começava. Resultados (Primeira Extinção): Noite 1: 45 min de choro. Noite 3: 10 min de choro. A partir da Noite 7: Choro extinto. Ocorrência do Recondicionamento: Uma semana depois, a tia, ao colocar a criança para dormir, retornou ao quarto quando ela chorou. Esse único reforçamento (recondicionamento) restabeleceu o comportamento de birra aos níveis iniciais. Resultados (Segunda Extinção): Uma nova sequência de 10 noites com o procedimento de extinção foi necessária para eliminar o choro novamente. Conclusões: A extinção é eficaz, mas raramente é usada sozinha. O ideal é combiná- la com o reforçamento de comportamentos alternativos (ex: ensinar a criança a pedir atenção de forma adequada). O caso ilustra a discriminação de estímulos (a criança chorava na presença da tia, mas não dos pais) e a força do recondicionamento (um único reforço pode restabelecer um comportamento extinto). Modelagem: aquisição de um comportamento É um procedimento de reforçamento diferencial de aproximações sucessivas de um comportamento. O resultado final é um novo comportamento. O reforço diferencial consiste em reforçar algumas respostas que obedecem a alguns critérios e em nãoreforçar outras respostas similares. Elementos principais Conceito Descrição Comportamento Operante R → C Comportamento que modifica (que opera sobre) o ambiente e é afetado por suas modificações. Reforço É um tipo de consequência do comportamento que aumenta a probabilidade de um determinado comportamento voltar a ocorrer. Extinção Operante É a suspensão de uma consequência reforçadora anteriormente produzida por um comportamento. Tem como efeito o retorno da frequência do comportamento ao seu nível operante. Modelagem É uma técnica usada para se ensinar um comportamento novo por meio de reforço diferencial de aproximações sucessivas do comportamento alvo. Slide 1: Aprendizagem por consequência Slide 2: Aprendizagem por consequência Slide 3: Exemplos Cotidianos: Slide 4: Estímulo Reforçador e Contingência de Reforçamento Slide 5 Slide 6: Efeitos Adicionais do Reforçamento Slide 7 Slide 8: Extinção Operante: Procedimento e Processo Slide 9: Exemplo Clássico (Pesquisa de Walker & Buckley, 1968): Slide 10: Efeitos Imediatos do Procedimento de Extinção Slide 11 Slide 12: Resistência à Extinção Slide 13: Fatores que Influenciam a Resistência à Extinção: Slide 14: Aplicação da Extinção: O Caso Williams (1958) Slide 15: Resultados (Primeira Extinção): Slide 16 Slide 17: Modelagem: aquisição de um comportamento Slide 18: Elementos principais