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Unidade 3
Grupos Sociais e Políticas de Inclusão
Aula 1
Povos Indígenas
Povos indígenas
Povos indígenas
Disciplina
RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS,
DIREITOS HUMANOS E EDUCAÇÃO
AMBIENTAL
Olá, estudante! Os povos indígenas são a base da nossa
história e cultura. Mas você sabe quais são os desafios que
eles enfrentam hoje? Nesta aula, vamos abordar a história, a
cultura e a luta dos povos indígenas, além de discutir a
importância desse tema para a sua formação pessoal e
profissional. Juntos, podemos construir um futuro mais justo
e respeitoso para todos.
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Ponto de Partida
Ponto de Partida
Estudante, desejamos a você boas-vindas a mais uma
oportunidade de reflexão. Para aprimorar o conhecimento
sobre os movimentos indígenas, suas culturas e tradições,
bem como os desafios contemporâneos, considere a
seguinte problematização, enquanto objeto de
aprendizagem: uma comunidade indígena tradicional,
localizada em uma região rica em biodiversidade, enfrenta a
ameaça de um grande projeto de mineração. A empresa
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https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/80473229-4cc2-45cc-9848-7ddaa0047132/48/f9ee1dde-7c20-588a-8c03-4923bb8c75bd.pdf
responsável pela mineração argumenta que o projeto trará
desenvolvimento econômico para a região, gerando
empregos e investimentos. No entanto, a comunidade
indígena teme que a mineração contamine os rios, destrua
seus territórios e afete sua cultura e modo de vida.
Considere que uma equipe multidisciplinar de profissionais
liberais é contratada para auxiliar a comunidade indígena a
enfrentar essa situação. A equipe é composta por diversos
agentes, entre os quais podemos mencionar antropólogos e
cientistas sociais, profissionais jurídicos, gestores ambientais
e financeiros, educadores, comunicadores, dentre outros.
Trabalhando juntos, precisam constituir o diagnóstico da
situação. Partindo dos seguintes questionamentos: Quais os
principais impactos socioambientais da mineração para a
comunidade indígena? Como a comunidade indígena
percebe essa ameaça e quais são suas principais
preocupações? Quais são os argumentos da empresa de
mineração e como eles podem ser contestados?
Já para a definição de estratégias, lançaram as seguintes
perguntas: Quais ações legais podem ser tomadas para
proteger os direitos da comunidade indígena? Como
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sensibilizar a sociedade e os órgãos governamentais para a
causa indígena? Quais alternativas econômicas podem ser
desenvolvidas para a comunidade, respeitando seus valores
e modo de vida? Como fortalecer a organização interna da
comunidade indígena para enfrentar esse desafio?
E, por fim, na etapa de implementação, fizeram as seguintes
provocações: Como construir um plano de ação conjunto
com a comunidade indígena? Quais são os desafios para a
implementação das ações propostas? Como monitorar os
resultados e avaliar o impacto das ações realizadas?
Na busca pela resolução desta situação, as seguintes
prerrogativas devem ser obedecidas: a discussão dos
dilemas éticos envolvidos na relação entre desenvolvimento
econômico e proteção ambiental e dos direitos humanos; a
ponderação pelo processo de formação simbólica e cultural
da comunidade envolvida, em respeito a sua história,
tradições, hábitos e costumes; a análise da história das
relações entre os povos indígenas e o Estado brasileiro,
identificando padrões de conflito e cooperação; a
comparação da situação dos povos indígenas no Brasil com
outros países, identificando as melhores práticas e desafios
globais; a utilização de tecnologias e ferramentas digitais que
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possam auxiliar na comunicação, na organização da
comunidade e na defesa de seus direitos.
Essa situação-problema oferece um contexto rico e
complexo para a formação profissional, desafiando a aplicar
os conhecimentos e habilidades para encontrar soluções
sustentáveis para os desafios enfrentados pelos povos
indígenas. Bons estudos!
Vamos Começar!
Vamos Começar!
Raízes ancestrais: um olhar para
os povos indígenas
Culturas e tradições na etnologia indígena
Você sabia que há um ramo do conhecimento científico
especializado no estudo dos povos indígenas e suas
culturas? A etnologia indígena é campo da antropologia, uma
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das grandes áreas das ciências sociais, que se dedica ao
estudo dos povos indígenas. Os temas abordados hoje são
cada vez mais complexos e interligados, refletindo as
transformações sociais, políticas e culturais que os povos
indígenas vivenciam em um mundo globalizado.
Antes da chegada dos portugueses ao território brasileiro, a
organização dos povos indígenas era bastante diversa,
adaptando-se às diferentes realidades de cada grupo (LÉON-
PORTILLA,2023). No entanto, algumas características gerais
podem ser destacadas, como o fato de as sociedades
indígenas serem geralmente divididas em aldeias, com
estruturas sociais complexas e sistemas de governo
próprios. A agricultura, a caça e a coleta eram atividades
fundamentais para a subsistência, e a relação com a
natureza era marcada por profundo respeito e
conhecimento. A organização social era baseada em clãs e
linhagens, com líderes espirituais e políticos que
desempenhavam papéis importantes nas decisões da
comunidade. As relações entre as aldeias podiam ser de
cooperação, troca ou conflito, formando redes complexas de
interação. A religiosidade também desempenhava um papel
central na vida indígena, com crenças e rituais ligados à
natureza e aos ancestrais (RIBEIRO, PINTO FILHO, 2022).
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No início do sistema colonial, o racismo assumiu
características religiosas. Na Junta de Valladolid (1550/51),
pela primeira vez se discutiu a questão da natureza – cristã
ou não – dos indígenas das Américas, portanto, também de
qual política colonial adotar em face deles. Embora os
nativos não tenham sido considerados nem hereges nem
pagãos, mas povos gentis – cristãos por natureza, que
deveriam ser convertidos à fé cristã –, não foram
reconhecidos como sujeitos em condição de igualdade com
os portugueses. Além disso, a população nativa não foi nem
um pouco poupada de tentativas de recrutamento para o
trabalho forçado, de muitos outros tipos de violência –
inclusive de abuso sexual e estupro das indígenas – nem de
massacres continuados, para não dizer de tentativas de
extermínio que certamente perduram até hoje – não sem a
resistência contínua desses povos, é claro (LEWIS, 2019).
Os sistemas de tutela e de reserva de terras, instituições
jurídicas nas quais, respectivamente, o indígena foi
considerado um menor de idade que devia ser tutelado pelo
Estado e devia se contentar com um espaço reduzido de sua
própria terra nativa, delimitado pela administração colonial,
foram utilizados para “apaziguar” as relações dos
portugueses com os indígenas sobreviventes. Esse sistema
provocou o isolamento dessa população, o que, até hoje, é
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motivo de debates muito vivos sobre como “integrar” essa
“alteridade” que, a todos efeitos, é a autêntica população
brasileira. Sabemos bem que essa população foi excluída da
participação das dimensões mais variadas da sociedade
brasileira, como o sistema educacional, político, de saúde, o
mercado de trabalho, dentre tantas outras (LÉON-PORTILLA,
2023).
O contato com a sociedade não indígena trouxe profundas
transformações aos povos indígenas, muitas vezes com
consequências devastadoras. A perda de territórios, a
introdução de doenças antes desconhecidas, a exploração
de seus recursos naturais e a desvalorização de suas culturas
são apenas alguns dos impactos. Além disso, a aculturação e
a discriminação minaram suas identidades e autoestima
(MALAQUIAS, 2020). Emnuclear tradicional é o modelo familiar mais comum
nas representações sociais, embora sua frequência tenha
diminuído nas últimas décadas. Chamamos de famílias
monoparentais aquelas que são chefiadas por um único
progenitor, seja homem ou mulher. As famílias homoafetivas
são aquelas constituídas por casais do mesmo sexo. Por
famílias recompostas podemos entender aquelas que foram
formadas após separações ou divórcios, com a presença de
filhos de relacionamentos anteriores. Há também famílias
sem filhos, compostas por casais que optam por não ter
filhos ou que não conseguem gerá-los. E ainda as famílias
multigeracionais, com a convivência de várias gerações sob o
mesmo teto (ARATANGY, 2010; SAYÃO; AQUINO, 2011; STREY
et al. 2015).
A família ampliada é reconhecida por aquele arranjo em que
além do núcleo familiar (pais e filhos), inclui outros parentes,
como avós, tios, primos etc., que residem no mesmo lar ou
mantêm laços estreitos. Outro modelo existente e recorrente
no Brasil afora, envolve a família anaparental, na qual as
crianças são criadas por adultos que não são seus pais
biológicos, como tios, avós, irmãos mais velhos ou amigos da
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família. Além destes, podemos falar das famílias
consensuais, cujos relacionamentos são estáveis, mas não
tem formalização legal (ARATANGY, 2010; SAYÃO; AQUINO,
2011; STREY et al., 2015).
Há famílias poligâmicas, que apresentam relacionamentos
com mais de um cônjuge, e as comunidades intencionais,
constituídas por grupos de pessoas que escolhem viver em
conjunto, compartilhando recursos e responsabilidades.
Para além desta catalogação, é importante mencionar que
essa lista não é exaustiva e que os arranjos familiares podem
ser ainda mais complexos e diversificados. A sociedade
contemporânea está em constante evolução, e os conceitos
de família continuam sendo redefinidos (ARATANGY, 2010;
SAYÃO; AQUINO, 2011; STREY et al., 2015).
A escola desempenha um papel fundamental na educação
das crianças sobre a diversidade familiar. Ao promover um
ambiente inclusivo e respeitoso, a escola auxilia na
construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
Através de atividades pedagógicas que valorizam diferentes
configurações familiares, a escola contribui para a
desconstrução de preconceitos e estereótipos, promovendo
a compreensão e a aceitação das diferenças. Ao abordar a
diversidade familiar de forma natural e positiva, a escola
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prepara as crianças para conviverem em um mundo cada
vez mais plural e complexo, ensinando-as a valorizar a
individualidade e a respeitar as escolhas de cada família
(MULTEDO, 2017; VIANA, 2018).
Os novos papéis familiares na contemporaneidade refletem
apenas algumas das transformações sociais e culturais. A
divisão tradicional de tarefas, com a mulher responsável
pelos cuidados domésticos e o homem pelo sustento da
família, está sendo questionada e renegociada. Atualmente,
observa-se uma maior participação dos homens nas tarefas
domésticas e na criação dos filhos, enquanto as mulheres
conquistam cada vez mais espaço no mercado de trabalho.
Além disso, a valorização da afetividade e da comunicação
nas relações familiares tem se tornado mais evidente. Esses
novos papéis desafiam os modelos familiares estabelecidos
e contribuem para a construção de relações mais igualitárias
e democráticas (WEISSMANN, 2019).
As tecnologias reprodutivas revolucionaram a forma como
entendemos e vivenciamos a reprodução humana. Através
de técnicas como a fertilização in vitro (FIV), a inseminação
artificial e a gestação de substituição, casais com dificuldades
de concepção podem realizar o sonho de ter filhos. Além
disso, essas tecnologias abrem portas para novas formas de
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parentalidade, como a maternidade solo e a paternidade por
homens homossexuais. No entanto, o avanço dessas
tecnologias também levanta questões éticas e sociais
complexas, como a seleção de embriões, a comercialização
de gametas e os impactos psicológicos e sociais da
reprodução assistida. A bioética e os estudos de gênero têm
um papel fundamental na análise crítica dessas tecnologias,
buscando garantir que seus benefícios sejam acessíveis a
todos e que seus riscos sejam minimizados (ANTONIO, 2022).
A afetividade e a convivência, pilares fundamentais da
instituição familiar, se apresentam como elementos
complexos e desafiadores na contemporaneidade. A rápida
transformação social, as novas tecnologias, as diferentes
configurações familiares e as demandas individuais impõem
novos desafios à construção e manutenção de laços afetivos
sólidos dentro do núcleo familiar. A busca por
individualidade, a fragilidade dos relacionamentos
interpessoais e a crescente exposição a diferentes modelos
de família, muitas vezes idealizados, podem gerar conflitos e
dificuldades na convivência familiar (SAYÃO, AQUINO, 2011;
ANTONIO, 2022).
A ausência de modelos claros e definidos de família, somada
às pressões sociais e culturais, também pode contribuir para
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a insegurança e a incerteza dos indivíduos em relação aos
seus papéis familiares. A afetividade, antes vista como um
valor intrínseco à família, precisa ser constantemente
cultivada e negociada, exigindo dos membros familiares um
esforço contínuo de comunicação, empatia e respeito às
diferenças. A convivência, por sua vez, demanda
flexibilidade, adaptação e a capacidade de lidar com os
inevitáveis conflitos que surgem em qualquer relação
humana (ARATANGY, 2010).
A problematização da afetividade e da convivência na
instituição familiar se torna ainda mais relevante quando se
considera o impacto que as relações familiares exercem
sobre o desenvolvimento individual e social. A qualidade dos
vínculos afetivos estabelecidos na infância e adolescência
influencia significativamente a saúde mental, o bem-estar e a
capacidade de estabelecer relacionamentos saudáveis na
vida adulta. Diante desse cenário, torna-se cada vez mais
urgente refletir sobre os desafios e as oportunidades que a
afetividade e a convivência apresentam na família
contemporânea, buscando construir relações mais
saudáveis, resilientes e satisfatórias para todos os seus
membros (MATOS, 2024).
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Os desafios contemporâneos às famílias também são
complexos e multifacetados, reflexos das profundas
transformações sociais, culturais e tecnológicas que
vivenciamos. A família, tradicionalmente vista como um
refúgio seguro e estável, enfrenta hoje, como vimos, um
cenário marcado pela incerteza, pela diversidade e pela
rápida mudança (ARATANGY, 2010).
As desigualdades sociais, a violência doméstica e a falta de
políticas públicas adequadas agravam ainda mais os desafios
enfrentados. Famílias mais vulneráveis, como as
monoparentais, as de baixa renda e as que vivem em
contextos de violência, sofrem de forma mais intensa com
essas dificuldades (CAMBY, 2024).
A violência doméstica, presente em diferentes formas e
intensidades, rompe com a ideia de harmonia familiar e
causa sofrimento físico, psicológico e emocional para suas
vítimas, principalmente mulheres e crianças. As causas da
violência doméstica são diversas e profundas. A
desigualdade de gênero, o uso abusivo de álcool e drogas, a
falta de acesso a serviços de apoio e a normalização da
violência são alguns dos elementos que contribuem para a
perpetuação desse problema. Destacamos que não se trata
de um problema individual, mas sim uma questão social que
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requer ações coordenadas de diferentes setores da
sociedade, como o Estado, a família, as escolas e as
comunidades. A prevenção, a denúncia e o atendimento às
vítimas são medidas essenciais para combater a violência
doméstica (CÚNICO et al.,2019).
Outro desafio delicado à esta instituição social, envolve a
questão da custódia dos filhos, especialmente em contextos
de separação ou divórcio. A decisão sobre quem terá a
guarda dos filhos envolve uma série de fatores, como o bem-
estar da criança, a capacidade de cada genitor de prover
cuidados e a relação de cada um com o filho. A lei estabelece
critérios para a definição da guarda, buscando sempre o
melhor interesse da criança. No entanto, a questão da
custódia pode gerar conflitos e tensionar ainda mais as
relações familiares, exigindo a mediação de profissionais
especializados para encontrar soluções que minimizem os
impactos da separação sobre os filhos. A guarda
compartilhada, que permite que ambos os pais participem
ativamente da criação dos filhos, tem se mostrado uma
alternativa cada vez mais comum, desde que haja respeito
mútuo e colaboração entre os genitores (CRUZ, 2021; LOBO,
2022).
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A adoção de crianças e/ou adolescentes representa um
caminho legítimo de construção familiar, baseada em laços
afetivos e não biológicos. Ao acolher uma criança ou
adolescente, os pais adotivos devem oferecer um lar, um
ambiente seguro e a oportunidade de um desenvolvimento
saudável. A adoção é um processo que envolve uma série de
etapas, desde a decisão de adotar até a construção de um
vínculo familiar sólido e duradouro. É importante destacar
que a adoção não substitui a família biológica, mas sim
oferece uma nova família para crianças que, por diversas
razões, não podem permanecer com seus genitores. A
adoção é um ato de amor, para o exercício da parentalidade,
que transforma vidas, tanto das crianças quanto dos pais
adotivos e não deve ser vista como uma forma de
solidariedade ou caridade – estereótipo que é extremamente
danoso à vida das crianças e/ou adolescentes envolvidos
(LEVINZON; LISONDO, 2022).
É fundamental reconhecer que os desafios contemporâneos
às famílias não são problemas individuais, mas sim o
resultado de um conjunto de fatores sociais, culturais e
econômicos. Para superá-los, é necessário um esforço
conjunto da sociedade, do Estado e das próprias famílias. A
promoção de políticas públicas que valorizem a família, o
investimento em educação e saúde, a criação de redes de
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apoio e a promoção de um diálogo aberto sobre as questões
familiares são algumas das ações que podem contribuir para
fortalecer os laços familiares e garantir o bem-estar de todos
os seus membros.
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A licença-paternidade na
transformação das relações de
gênero
A licença-paternidade, embora pareça um tema restrito à
esfera familiar, possui implicações profundas na busca por
uma sociedade mais igualitária entre homens e mulheres.
Historicamente, a responsabilidade pelos cuidados com os
filhos recaiu majoritariamente sobre as mulheres, o que
contribuiu para a desigualdade de gênero no mercado de
trabalho e na divisão das tarefas domésticas. A licença-
paternidade surge como um mecanismo para desafiar esse
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modelo tradicional, incentivando a participação ativa dos
homens na criação dos filhos e promovendo uma
distribuição mais equitativa das responsabilidades familiares
(THOMÉ, 2009).
Ao garantir um período de afastamento do trabalho para os
pais, a licença-paternidade fortalece os vínculos paternos,
estimula a criação de uma paternidade mais presente e ativa
e contribui para a construção de relações mais igualitárias
dentro da família. Além disso, essa medida tem o potencial
de transformar as dinâmicas de gênero na sociedade como
um todo, ao questionar os papéis sexuais estabelecidos e
promover uma maior divisão das tarefas domésticas entre
homens e mulheres (ALMEIDA et al., 2016).
No entanto, a implementação da licença-paternidade
enfrenta desafios. A cultura machista, que associa o papel de
cuidador exclusivamente às mulheres, dificulta a mudança
de mentalidades e a adesão dos homens à licença. Além
disso, a falta de políticas públicas que garantam a
manutenção da renda durante o período de afastamento e a
flexibilização das jornadas de trabalho podem desencorajar
os pais a utilizarem esse direito (ALMEIDA, PEREDA,
FERREIRA, 2016).
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Para superar esses desafios, é fundamental que haja uma
articulação entre diferentes atores sociais, como o Estado, as
empresas e a sociedade civil. É preciso investir em
campanhas de conscientização sobre a importância da
licença-paternidade, promover a flexibilização das relações
de trabalho e garantir que os pais tenham acesso a
informações e serviços que facilitem a conciliação entre a
vida profissional e familiar (MARQUES, 2015).
Em suma, a licença-paternidade é um instrumento
fundamental para a promoção da igualdade de gênero e
para a construção de uma sociedade mais justa e equitativa.
Ao incentivar a participação ativa dos homens na criação dos
filhos, essa medida contribui para a superação dos
estereótipos de gênero e para a construção de famílias mais
fortes e saudáveis.
Vamos Exercitar?
Vamos Exercitar?
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Desconstruindo estereótipos de
gênero: o caminho para a
igualdade
Na introdução aos estudos de gênero, lançamos os
questionamentos sobre o que justifica um comportamento
deste ou daquele sexo. De onde vem a ideia de que uma
atitude é coisa de homem ou de mulher?
A ideia de que certas atitudes são inerentes a um sexo ou
outro é construída socialmente e historicamente, moldada
por normas e estereótipos de gênero. Essa construção,
perpetuada por diversos fatores como família, mídia e
sociedade, atribui características e comportamentos
específicos a homens e mulheres, limitando suas expressões
e potencialidades. A justificativa para esses
comportamentos, muitas vezes, se baseia em generalizações
e preconceitos, ignorando a diversidade individual e as
influências culturais e sociais. É importante desconstruir
esses estereótipos para promover uma sociedade mais justa
e igualitária, em que cada indivíduo seja livre para ser quem
é, independentemente de seu gênero.
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Conforme observamos em relação às pensadoras e aos
movimentos feministas de meados do séculos XX, e, mais
recentemente, no que se refere ao surgimento de novas
concepções envolvendo os estudos de gênero, a
humanidade apresenta um contínuo esforço teórico e
importantes manifestações sociais, culturais e políticas, no
sentido de não manter restritivas acerca daquilo que nos
define enquanto seres humanos, transcendendo aspectos
materiais ou biológicos em favor da valorização de quaisquer
identidades ou liberdades que contemplem, de modo mais
integral, aquilo que nos faz feliz (CONTI; ALVES, 2019).
Aquilo que entendemos em um determinado momento e
local como sendo “natural” pode, em verdade, representar
uma imposição – voluntária ou involuntária – das concepções
do grupo dominante nesse espaço e tempo, assim como são
as perspectivas machistas em relação às mulheres e,
possivelmente, as compreensões limitadoras sobre as novas
afirmações da identidade de gênero.
Assim, a permanência de uma mentalidade machista
constitui fator fundamental para a persistência da violência
contra a mulher na sociedade brasileira. A conservação de
perspectivas antiquadas, de que a mulher deve se sujeitar a
atividades subordinadas e de que essas limitações seriam
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justificadas pela natureza feminina tendem a relegar as
mulheres a uma posição de inferioridade em relação aos
homens, sustentando uma relação de poder histórica e
culturalmente construída. Nesse cenário, a suposta
supremacia do homem, enraizada numa concepção
machista, bem como a menor autonomiaconferida a mulher
– limitando sua capacidade de reação –, acabam por
produzir os alarmantes níveis de violência contra a mulher
que, infelizmente, testemunhamos ainda em nosso país.
A reversão desse quadro exige, inevitavelmente, a ruptura
dessas concepções preconceituosas, segregacionistas e
sexistas. De imediato, o reconhecimento da opressão
feminina como sendo resultado de um processo civilizatório
machista, e não de uma inferioridade natural da mulher –
algo em linha com o conceito de gênero – torna-se o ponto
de partida para o fortalecimento do papel da mulher na
sociedade.
Como consequência, identificaríamos não apenas a
equiparação das garantias legais entre homens e mulheres,
como direitos civis e políticos, mas também de toda uma
série de concepções culturais de nossa sociedade,
reconhecendo, por exemplo, a igualdade no mercado de
trabalho, o equilíbrio na responsabilização pelas tarefas
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domésticas, o protagonismo feminino nas mais diversas
áreas da vida coletiva, em posição de paridade com os
homens, entre outros. Sem dúvida, a eliminação da
hierarquia entre homens e mulheres terá efeitos positivos na
redução dos índices de violência contra a mulher (CONTI;
ALVES, 2019).
 
Saiba mais
Saiba mais
Estudos de gênero, sexualidade e
educação no Brasil
A obra organizada por Fernando Seffner e Jane Felipe,
“Educação, gênero e sexualidade: (im)pertinências” (2022),
disponível em sua biblioteca virtual, fornece um importante
panorama sobre um conjunto de questões no campo dos
estudos de gênero, sexualidade e educação no Brasil, cujo
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alicerce teórico-político pauta-se nas produções feministas,
nos estudos queer, no pós-estruturalismo, na interface com
as pedagogias decoloniais e interseccionais, em uma estreita
vinculação com o contexto cultural e político
contemporâneo.
Nos últimos anos, temas como gênero, sexualidade e corpo
têm gerado um grande desconforto aos grupos
conservadores. Pesquisas realizadas com essas temáticas
são colocadas em suspeição e docentes que atuam em todas
as etapas de ensino relatam uma série de perseguições ao
conduzirem suas aulas pelo viés dos direitos humanos, em
defesa da equidade de gênero, das identidades vistas como
dissidentes e de uma educação para as relações étnico-
raciais.
SEFFNER, Fernando; FELIPE, Jane (autor). Educação, gênero e
sexualidade: (im)pertinências. 1. ed. Petrópolis: Vozes, 2022.
400 p.
Referências
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RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS,
DIREITOS HUMANOS E EDUCAÇÃO
AMBIENTAL
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Referências
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ampliação da licença-paternidade no Brasil. Revista Brasileira
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ANTONIO, Terezinha Damian. Família e filiação socioafetiva.
1. ed. Jundiaí: Paco e Littera, 2022. E-book. 
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STEINMETZ, Wilson. Direitos fundamentais, ecofeminismo e
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DIREITOS HUMANOS E EDUCAÇÃO
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Distribuidora Educacional S.A. 2019. 
CRUZ, Elisa Costa. Guarda parental: releitura a partir do
cuidado. 1. ed. Rio de Janeiro: Processo, 2021. E-book. 
CÚNICO, Sabrina Daiana; COSTA, Angelo Brandelli; STREY,
Marlene Neves. Gênero e violência: repercussões nos
processos psicossociais e de saúde. 1. ed. Porto Alegre:
ediPUCRS, 2019. E-book. 
Disciplina
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DIREITOS HUMANOS E EDUCAÇÃO
AMBIENTAL
HOLOVKO, Cândida Sé; CORTEZZI, Cristina Maria.
Sexualidades e gênero desafios da psicanálise. 1. ed. São
Paulo: Blucher, 2017. E-book. 
LEMOS, Fernanda. 10 lições sobre Beauvoir. 1. ed. Petrópolis:
Vozes, 2023. E-book. 
LEVINZON, Gina Khafif; LISONDO, Alicia Beatriz Dorado de.
Adoção: desafios da contemporaneidade. 1. ed. São Paulo:
Blucher, 2018. E-book. 
LIMA, Juliana Maggi. Família homoafetiva: na jurisprudência
do STF e do STJ. 1. ed. Indaiatuba, SP: Foco, 2022. E-book. 
LOBO, Fabiola Albuquerque. Multiparentalidade: efeitos no
direito de família. 2. ed. Indaiatuba: Foco, 2022. E-book. 
MACHADO, Bárbara Araújo; PINHEIRO, Camila Fernandes.
Relações de gênero e trabalho: história e teoria. Curitiba:
Intersaberes, 2023. E-book. 
MARQUES, Danusa; TRINDADE, Thiago Aparecido (org.).
Poder e desigualdades: gênero, raça e classe na política
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brasileira. 1. ed. Jundiaí, SP: Paco e Littera, 2019. E-book. 
MARQUES, Stanley Souza. Ampliar a licença-paternidade
para despatriarcalizar o Estado e a sociedade. Gênero &
Direito, v. 1, p. 241-260, 2015. 
MATOS, Ana Carla Harmatiuk et al. Transformações das
relações familiares e a proteção da pessoa: vulnerabilidades,
questões de gênero, tecnologias e solidariedade. Indaiatuba,
SP: Foco, 2024. E-book. 
MATOS, Ana Carla Harmatiuk; CUNHA, Leandro Reinaldo da;
ALMEIDA, Vitor (coord.); BORTOLATTO, Ariani Folharini.
Responsabilidade civil, gênero e sexualidades. 1. ed.
Indaiatuba, SP: Foco, 2024. E-book. 
MELLO, Cleyson de Moraes; BORDINHA, Patrícia.
Desigualdade de gênero: igualdade, violência de gênero,
direitos humanos. 1. ed. [S.l.]: Processo, 2023. E-book. 
MEYRER, Marlise Regina; KARAWEJCZYK, Mônica. Narrativas
de gênero: as várias faces dos estudos de gênero. 1. ed.
Porto Alegre: ediPUCRS, 2021. E-book. 
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MULTEDO, Renata Vilena. Liberdade e família: limites para
intervenção do estado nas relações conjugais e parentais. 1.
ed. Rio de Janeiro: Processo, 2017. E-book. 
OLIVEIRA, Adriana Vidal de et al. Gênero, vulnerabilidade e
autonomia: repercussões jurídicas. 2. ed. Indaiatuba: Foco,
2021. E-book. 
OLIVEIRA, Daniela Emilena Santiago Dias de; ESTEVES,
Germano Miguel Fávaro; GARCIA, Andreia Sanches (org.).
Violência, políticas públicas e relações de gênero. 1. ed.
Jundiaí, SP: Paco e Littera, 2021. E-book. 
PENSO, Maria Aparecida; COSTA, Liana Fortunato. A
transmissão geracional em diferentes contextos: da pesquisa
à intervenção. 1. ed. São Paulo: Summus, 2008. E-book. 
PINTINHO, Marcelino Cariço André. Efeitos da fuga à
paternidade na estrutura familiar. Jundiaí, SP: Paco e Littera,
2017. E-book. 
PINSKY, Carla Bassanezi; PEDRO, Joana Maria. Nova história
das mulheres no Brasil. 1. ed. São Paulo:Contexto, 2012. E-
book. 
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PRADO, Marco Aurélio Máximo; FREITAS, Rafaela
Vasconcelos. Travestilidades em diálogo na pista acadêmica.
1. ed. São Paulo: Autêntica, 2022. E-book. 
PRETTO, Valdir. Exclusão social e questões de gênero. 1. ed.
Porto Alegre: Educs, 2015. E-book. 
RAFART, Maria. Sexualidade humana. 1. ed. Curitiba:
Intersaberes, 2020. E-book. 
ROCHA, Elaine Pereira (org.). Ideias fora do lugar:
representações e experiências de raça e gênero. 1. ed.
Jundiaí: Paco e Littera, 2021. E-book. 
RODRIGUES, Renata de Lima. Planejamento familiar: limites e
liberdade parentais. 1. ed. Indaiatuba: Foco, 2021. E-book. 
SALIH, Sara. Judith Butler e a teoria Queer. Belo Horizonte,
MG: Autêntica, 2012. E-book. 
SAYÃO, Rosely; AQUINO, Julio Groppa. Família: modos de
usar. 1. ed. Campinas: 7 Mares, 2011. E-book. 
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SEFFNER, Fernando; FELIPE, Jane. Educação, gênero e
sexualidade: (im)pertinências. 1. ed. São Paulo: Vozes, 2022.
E-book. 
SOUSA, Cirlene Cristina de et al. (org.). Rompendo silêncios:
escrevivências sobre as trajetórias escolares das juventudes
negras e LGBTQI+. 1. ed. Jundiaí: Paco e Littera, 2021. E-
book. 
STREY, Marlene Neves; CÚNICO, Sabrina Daiana. Teorias de
gênero: feminismos e transgressão. 1. ed. Porto Alegre:
ediPUCRS, 2016. E-book. 
STREY, Marlene Neves; SOUZA, Nathalia Amaral Pereira de.
Corpo e relações de gênero na contemporaneidade. 1. ed.
PORTO ALEGRE: ediPUCRS, 1, 2017. E-book. 
STREY, Marlene Neves; VERZA, Fabiana; ROMANI, Patrícia
Fasolo. Gênero, cultura e família: perspectivas
multidisciplinares. 1. ed. Porto Alegre: ediPUCRS, 2015. E-
book. 
TEPERMAN, Daniela; GARRAFA, Thais; IACONELLI, Vera.
Gênero. 1. ed. São Paulo: Autêntica, 2020. E-book. 
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THOMÉ, Candy Florêncio. A Licença-Paternidade como
Desdobramento da Igualdade de Gênero: um estudo
comparativo entre Brasil e Espanha. 2009. 
VIANNA, Cláudia. Políticas de educação, gênero e diversidade
sexual: breve história de lutas, danos e resistências. 1. ed.
São Paulo: Autêntica, 2018. E-book. 
WEISSMANN, Lisette. Interculturalidade e vínculos familiares.
1. ed. São Paulo: Blucher, 2019. E-book.
Aula 3
Corporalidades e Questões Geracionais
Corporalidades e questões geracionais
Corporalidades e questões
geracionais
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Olá, estudante! Quer saber como a compreensão da relação
entre corpo e geração pode ajudá-los na sua carreira? Nosso
corpo conta histórias sobre nós mesmos e sobre a sociedade
em que vivemos. Nesta aula, vamos explorar como a relação
entre corpo e geração é moldada por fatores culturais,
sociais e históricos. Você entenderá como as representações
do corpo variam ao longo do tempo e como essas
representações influenciam nossas vidas.
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Ponto de Partida
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https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/80473229-4cc2-45cc-9848-7ddaa0047132/48/f35ed175-6f83-5688-8aaf-a7dbf976fe04.pdf
Ponto de Partida
Estudante, desejamos a você boas-vindas a mais uma
oportunidade de reflexão. Você está convidado a participar
de uma discussão sobre a importância da diversidade e da
inclusão na indústria tecnológica de dispositivos vestíveis
para a saúde e bem-estar. Através da análise de uma fictícia
campanha publicitária, exploraremos os conceitos de
capacitismo e etarismo e seus impactos na sociedade.
Para isso, imagine o contexto de uma empresa de tecnologia,
renomada por seus produtos inovadores, que decide lançar
uma nova linha de dispositivos vestíveis voltados para a
saúde e o bem-estar. A campanha publicitária, com o slogan
"Viva mais, viva melhor", apresenta pessoas jovens e
saudáveis utilizando os produtos de forma intensa durante
atividades físicas.
Contudo, a campanha publicitária da empresa gerou uma
grande repercussão negativa nas redes sociais. Pessoas com
deficiência e idosos denunciaram a exclusão e o capacitismo
presentes na campanha, argumentando que a
representação limitada a pessoas jovens e sem deficiência
reforça estereótipos e impede a inclusão de outros grupos.
Nesta problematização, considere os seguintes desafios e
questões a serem exploradas: a ética e responsabilidade
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social; o papel da empresa na inclusão e na diversidade; o
marketing e a comunicação: o design universal de produtos
que atendam pessoas com diferentes corporalidades e
idades; a legislação e os direitos humanos; questões de
estereotipação e exclusão; impactos psicológicos; entre
outros fatores.
Para tanto, considere as seguintes questões: Qual o papel da
indústria de tecnologia na promoção da diversidade? Como
as campanhas publicitárias podem influenciar a percepção
das pessoas sobre si mesmas e sobre os outros? Quais são
as consequências da exclusão de determinados grupos da
tecnologia? Como podemos construir organizações e
representações midiáticas mais justas e inclusivas?
O objetivo é levar você a uma reflexão sobre os conceitos de
capacitismo e etarismo, desenvolvendo a capacidade de
análise crítica e de formas alternativas de comunicação, com
habilidades de resolução de problemas complexos, estímulo
para a criação de soluções inovadoras para promover a
inclusão e a diversidade. O intuito é também sensibilizar
você para a importância da responsabilidade social e da ética
nas empresas. Bons estudos!
 
Vamos Começar!
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Vamos Começar!
Crianças e
adolescentes/juventudes
A socialização é um processo contínuo e fundamental na
construção da identidade de crianças e adolescentes,
influenciando suas percepções, valores e comportamentos.
Através da interação com a família, escola, grupos de pares e
mídia, indivíduos internalizam valores, normas e práticas
sociais, moldando sua percepção de si mesmos e do mundo
(RABELO; SIMAN, 2021).
A socialização primária ocorre nos primeiros anos de vida,
principalmente no âmbito familiar, no qual as crianças
aprendem as bases da linguagem, da cultura e da interação
social. Já a socialização secundária se inicia na infância e se
estende pela vida adulta, ocorrendo em instituições como a
escola, o trabalho e grupos sociais diversos. Nessa fase, os
indivíduos ampliam seus conhecimentos e papéis sociais,
adaptando-se a diferentes contextos e aprendendo a lidar
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com a complexidade da vida social. Ambas as fases são
interdependentes e complementares, moldando a
identidade e o comportamento dos indivíduos ao longo de
toda a vida (RABELO; SIMAN, 2021).
Mas a infância e a adolescência são períodos cruciais para
esta formação da identidade porque envolvem fases de
experimentação, descoberta e construção de um senso de
pertencimento. Fatores como gênero, classe social e etnia
influenciam significativamente esse processo, moldando as
oportunidades e os desafios enfrentados por cada indivíduo
(VIEIRA et al., 2018).
A intersecção entre a pobreza, o racismo, o sexismo e outras
formas de discriminação limitam o acesso à educação de
qualidade, à saúde, à alimentação adequada e a um
ambiente seguro. Crianças de famílias com menor renda, por
exemplo, tendem a ter pior desempenho escolar, maior risco
de doenças e menor expectativa de vida. A desigualdade
social se manifesta desde a primeira infância, afetando o
desenvolvimento cognitivo, emocional e social das crianças,
com consequências duradouras para sua vida adulta (VIEIRA
et al., 2018).
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Neste sentido, o racismo e a discriminação entre crianças e
adolescentes são problemas preocupantes, que se
manifestam desde a mais tenra idade. A exposiçãoa
preconceitos e estereótipos raciais desde a infância molda
percepções, atitudes e comportamentos, perpetuando
desigualdades e gerando impactos profundos na autoestima,
no bem-estar emocional e nas oportunidades de vida (ÁVILA
et al., 2018).
Crianças negras, indígenas e de outras minorias étnicas são
as mais vulneráveis, sofrendo discriminação em diversos
espaços, como escolas, comunidades e até mesmo dentro de
suas próprias famílias. Essa violência simbólica e estrutural
impede o desenvolvimento pleno dessas crianças, limitando
seu acesso a direitos básicos e perpetuando ciclos de
desigualdade. É fundamental que a sociedade como um todo
se engaje no combate à tais práticas, promovendo a
educação para a diversidade (VIEIRA et al., 2018).
Paralelamente, a construção da identidade de gênero se
inicia também na infância e é um processo complexo, sob
influências sociais e culturais. Desde cedo, crianças são
socializadas em papéis de gênero específicos, associados a
comportamentos, brinquedos, roupas e profissões
consideradas adequadas para meninos e meninas. Esses
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estereótipos de gênero são aprendidos através da família, da
escola, dos meios de comunicação e dos grupos de pares,
limitando as possibilidades de expressão e desenvolvimento
individual (VIEIRA et al., 2018).
Como vimos, a imposição de papéis de gênero pode ter
consequências negativas para crianças, restringindo suas
escolhas, limitando sua criatividade e reforçando
desigualdades. É fundamental quebrar esses estereótipos e
promover a igualdade de gênero desde a infância,
incentivando a liberdade de expressão, a valorização das
diferenças e o respeito à diversidade. Crianças trans e não
binárias enfrentam desafios adicionais, como a falta de
aceitação e o preconceito. É fundamental garantir seus
direitos e promover um ambiente escolar e social acolhedor
e respeitoso para todas as crianças, independentemente de
sua identidade de gênero.
É preciso agir de forma urgente para garantir que todas as
crianças e adolescentes tenham uma infância segura e livre
de violência. A violência causa danos físicos, emocionais e
psicológicos duradouros, manifestando-se de diversas
formas, como física, sexual, psicológica e negligência, tanto
no âmbito familiar, quanto no escolar, comunitário e até
mesmo online.
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Outro exemplo desafiador que podemos mencionar é o
bullying, termo em inglês que se traduz como intimidação, é
caracterizado por atos repetidos de agressão física, verbal ou
psicológica, intencionalmente praticados por um indivíduo
ou grupo contra outro. Essa prática causa danos emocionais
profundos, como ansiedade, depressão e baixa autoestima,
além de afetar o desempenho escolar e as relações sociais
das vítimas. Os agressores também sofrem as consequências
de seus atos, apresentando dificuldades de relacionamento
e maior probabilidade de se envolver em comportamentos
antissociais (FELIZARDO, 2019).
O cyberbullying é uma forma de violência que se manifesta
no mundo digital, utilizando as tecnologias como ferramenta
para intimidar, humilhar e constranger outras pessoas.
Através de redes sociais, aplicativos de mensagens e jogos
online, agressores espalham rumores, compartilham fotos
ou vídeos constrangedores, enviam mensagens
ameaçadoras e praticam outras formas de assédio virtual. A
prevenção e o combate ao bullying e ao cyberbulling exigem
a colaboração de toda a comunidade escolar, incluindo
professores, alunos, pais e diretores, a conscientização de
todos sobre os perigos da violência online, o
desenvolvimento de ações, habilidades digitais críticas e a
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criação de ambientes físicos e virtuais mais acolhedores e
seguros (FELIZARDO, 2021).
Outro desafio colocado à sociedade sobre as crianças e
adolescentes, envolve o trabalho infantil, um grave problema
que os priva de seus direitos fundamentais à educação, à
saúde e ao desenvolvimento integral. Essa prática, além de
ser ilegal, expõe as crianças a condições de trabalho
perigosas e insalubres, prejudicando sua saúde física e
mental. As consequências também são devastadoras,
principalmente sobre o futuro dessas crianças e na
perpetuação do ciclo da pobreza. As causas do trabalho
infantil envolvem diversos fatores, econômicos, sociais e
culturais. Entre os principais, a pobreza, a falta de
oportunidades educacionais e a necessidade de
complementar a renda familiar (CASTILHO; OLIVEIRA, 2020).
Ao atingir a idade permitida para o ingresso no mercado de
trabalho, a juventude enfrenta desafios significativos, como a
falta de experiência, a concorrência com profissionais mais
experientes e a exigência por qualificações específicas
dificultam a inserção dos jovens. A transição da escola para o
mundo do trabalho muitas vezes é abrupta, exigindo uma
adaptação rápida a novas rotinas e responsabilidades. Além
disso, a precarização do trabalho, com contratos
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temporários e baixa remuneração, é uma realidade para
muitos jovens (CASTILHO; OLIVEIRA, 2020).
A falta de oportunidades e a dificuldade em encontrar um
emprego estável podem levar à frustração e à desmotivação
dos jovens, impactando negativamente seu desenvolvimento
pessoal e profissional. Inclusive, a crescente informalidade e
precarização do trabalho têm impactado significativamente a
vida de jovens trabalhadores. A busca por oportunidades de
renda, muitas vezes aliada à falta de qualificação e à
dificuldade de encontrar empregos formais, leva muitos
jovens a aceitarem trabalhos informais, sem carteira
assinada e com direitos trabalhistas reduzidos (ÁVILA et al.,
2018).
Essa situação os expõe a condições de trabalho precárias,
com jornadas excessivas, remuneração baixa, ausência de
benefícios e riscos à saúde e segurança. A informalidade
também dificulta o acesso a direitos como aposentadoria,
seguro-desemprego e estabilidade no emprego,
comprometendo o planejamento de futuro desses jovens.
Além disso, a precarização do trabalho impede a construção
de carreiras sólidas e contribui para a desigualdade social
(ÁVILA et al., 2018).
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A educação desempenha um papel fundamental na
preparação dos jovens para o mercado de trabalho, mas é
preciso investir, também, em políticas públicas que
promovam a qualificação profissional e a geração de
empregos para os jovens, considerando as demandas do
mercado atual (ÁVILA et al., 2018).
A juventude não é uma fase da vida universal e imutável,
mas sim uma construção social que varia ao longo do tempo
e entre diferentes culturas. A sociologia nos mostra que a
juventude é moldada por fatores históricos, sociais e
culturais, que definem as expectativas, papéis e
oportunidades atribuídos a esse grupo etário. A maneira
como a sociedade enxerga os jovens, os valores a eles
atribuídos e as experiências vividas moldam a identidade
juvenil.
A juventude não é homogênea, mas sim marcada por
diversidades em relação a classe social, gênero, etnia,
orientação sexual e outras características. As transições da
infância para a vida adulta, as relações com a família, a
escola e o trabalho, as experiências de lazer e as formas de
expressão cultural são elementos que contribuem para a
construção da identidade juvenil. A sua compreensão
enquanto uma construção social é fundamental para
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analisar as desigualdades sociais, as políticas públicas
direcionadas aos jovens e as transformações que ocorrem
na sociedade.
A juventude contemporânea está profundamente imersa no
universo digital, com as mídias e tecnologias digitais
moldando seus hábitos, relações sociais e formas de
expressão. As redes sociais, os smartphones e a internet, em
geral, tornaram-se extensões de si mesmos,mediando suas
interações, consumos culturais e até mesmo a construção de
suas identidades. Essa intensa conectividade digital oferece
aos jovens diversas oportunidades, como acesso à
informação, criação de redes sociais mais amplas e
desenvolvimento de habilidades digitais (CASTILHO;
OLIVEIRA, 2020).
No entanto, o uso excessivo das tecnologias digitais também
pode gerar problemas como a dependência tecnológica, a
exposição a conteúdos nocivos e a dificuldade em
estabelecer relações interpessoais presenciais. A
compreensão desse fenômeno é fundamental para entender
as transformações que a juventude está vivenciando e os
desafios que se apresentam nesse novo contexto.
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Por sua vez, as mídias sociais têm ampliado as possibilidades
de mobilização e expressão política entre os jovens, mas
também podem gerar polarização e a propagação de
desinformação. Como sabemos, a relação entre juventude e
política é complexa e dinâmica, marcada por momentos de
grande engajamento e outros de aparente apatia.
Historicamente, os jovens sempre estiveram presentes nos
movimentos sociais e políticos, buscando transformar a
sociedade. No entanto, a participação política juvenil
enfrenta desafios como a desconfiança nas instituições, a
falta de representação política e a dificuldade em conciliar os
estudos e o trabalho com o ativismo (TERRA, 2015).
A participação política juvenil é fundamental para a
construção de uma democracia mais justa e inclusiva, pois os
jovens trazem novas perspectivas e demandas para o debate
público. Para isso, a construção da cidadania entre os jovens
é um tema fundamental, analisando como eles adquirem
direitos e responsabilidades e como se inserem na vida
política. Temos presenciado a participação dos jovens em
movimentos sociais como o feminismo, o ambientalismo e
os movimentos antirracistas, explorando formas de
mobilização e desencadeando processos de transformação
da sociedade (RABELO, SIMAN, 2021).
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Neste mesmo sentido, é preciso investir em políticas
públicas que promovam a educação política, o engajamento
cívico e a participação dos jovens na vida pública. Também é
fundamental que políticas públicas e ações sociais sejam
implementadas para reduzir essas desigualdades e garantir
que todas as crianças e adolescentes tenham oportunidades
iguais de desenvolvimento.
Podemos afirmar, em resumo, que a cultura jovem é um
fenômeno complexo e dinâmico, moldado por fatores
sociais, históricos e culturais, plural e diversa, refletindo as
diferentes realidades sociais e culturais das quais os jovens
fazem parte. Ela se manifesta de diversas formas, desde a
música e a moda até os valores, as atitudes e as formas de
interação social (RABELO; SIMAN, 2021).
A cultura jovem é marcada pela busca por identidade, pela
experimentação e pela contestação das normas
estabelecidas. As mídias sociais e as tecnologias digitais
desempenham um papel fundamental na construção e
disseminação da cultura jovem, conectando jovens de
diferentes partes do mundo e amplificando suas vozes. Sua
compreensão é fundamental para entender as
transformações que ocorrem na sociedade e para criar
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políticas públicas mais adequadas às necessidades e aos
interesses dos jovens. 
Pessoas idosas
Compreender as especificidades, demandas e lutas das
pessoas idosas na sociedade é um caminho para
compreender processos mais amplos de transformações
sociais, culturais e demográficas que ocorrem nas
sociedades modernas. Um dos primeiros aspectos a serem
observados é o aumento da expectativa de vida e a
consequente mudança na pirâmide etária, que tornam o
envelhecimento um fenômeno social de grande importância
(FALCÃO, 2015).
 Ao analisar as condições de vida, as relações sociais e as
políticas públicas que afetam os idosos, a sociologia
contribui para a construção de uma sociedade mais justa e
inclusiva para todas as idades. A “sociologia do
envelhecimento”, por exemplo, é um ramo do conhecimento
científico que permite desmistificar estereótipos, identificar
desigualdades e promover políticas públicas mais adequadas
às necessidades dos idosos, garantindo seus direitos e
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promovendo a qualidade de vida (SANTANA FILHO; COELHO,
2021).
Como sabemos, a saúde dos idosos apresenta desafios e
oportunidades complexos. O aumento da expectativa de
vida e a maior prevalência de doenças crônicas exigem um
olhar atento para a promoção da saúde e a prevenção de
doenças nessa fase da vida. O acesso a serviços de saúde, a
fragilidade e a polifarmácia precisam ser superadas. Ao
mesmo tempo, a tecnologia, a medicina personalizada e a
promoção do envelhecimento ativo abrem novas
possibilidades para melhorar a qualidade de vida dos idosos
(TAVARES, 2020).
Fatores como a aposentadoria com valor insuficiente, a
inflação e as desigualdades sociais também contribuem para
a situação de precariedade financeira na terceira idade. A
falta de recursos limita o acesso a serviços essenciais como
saúde, alimentação e moradia adequadas, comprometendo
o bem-estar físico e mental dos idosos, pode agravar
situações de estresse, ansiedade e isolamento social
(SANTANA FILHO; COELHO, 2021).
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Ao estudarmos as condições de vida e as políticas públicas
que afetam a saúde e outras áreas da vida dos idosos,
podemos contribuir para a construção de um processo de
envelhecimento mais equitativo e capaz de atender às
necessidades específicas dessa população, transformando
desafios em oportunidades para um envelhecimento
saudável e digno.
Etarismo, também conhecido como idadismo ou ageísmo, é
a discriminação contra pessoas com base em sua idade.
Assim como o racismo, o sexismo e outras formas de
preconceito, o etarismo envolve estereótipos, preconceitos e
discriminação contra indivíduos ou grupos por causa de uma
característica imutável: a idade (CORTELLA; RIOS, 2023).
Existem dois tipos principais de etarismo: a) contra jovens,
que consiste no preconceito contra pessoas mais jovens,
frequentemente vistas como imaturas, inexperientes e
incapazes de assumir responsabilidades; e b) contra idosos,
tipo mais comum, envolve estereótipos negativos sobre
pessoas mais velhas, como a ideia de que são frágeis,
dependentes, ultrapassadas ou menos produtivas
(CORTELLA, RIOS, 2023).
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A valorização da juventude e da beleza física é um dos
principais motores do etarismo [contra idosos]. A cultura
contemporânea, permeada por padrões de beleza
idealizados e pela busca incessante pela juventude, contribui
para a marginalização dos idosos, que são frequentemente
associados à decadência física e à perda de atratividade. O
culto à produtividade e à eficiência também alimenta o
preconceito contra os mais velhos. Em uma sociedade que
valoriza a juventude e a energia, os idosos, muitas vezes
percebidos como menos produtivos e mais lentos, podem
ser vistos como um fardo (MOREIRA, 2023).
A individualização e a cultura do consumo também
contribuem para o etarismo. A valorização do individualismo
e a busca por experiências novas e intensas podem levar as
pessoas a negligenciar os mais velhos, que são
frequentemente associados à tradição e à rotina. Os
estereótipos negativos sobre os idosos são amplamente
difundidos na sociedade e reforçam a ideia de que a velhice
é um período de declínio e dependência. A representação
dos idosos na mídia, muitas vezes caricata e negativa,
contribui para a perpetuação desses estereótipos (BARBOSA
et al., 2013).
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As causas do etarismo são diversas, envolvem um conjunto
de estereotipações culturais, isto é, Ideias pré-concebidas e
generalizaçõessobre diferentes grupos etários; aliadas com
preconceitos, atitudes negativas e discriminatórias em
relação a pessoas de determinadas idades. A mídia e a
publicidade exploram estas representações estereotipadas
nos diversos veículos de comunicação, fazendo com que
esse problema se ramifique e se estenda às mais variadas
instâncias da vida coletiva, como presenciamos, por
exemplo, no mercado de trabalho, que apresenta inúmeros
exemplos negativos de discriminação por idade na hora de
contratar ou promover funcionários (CORTELLA; RIOS, 2023).
Em vista disso, as consequências do etarismo são
extremamente danosas, por exemplo, a própria dificuldade
em encontrar emprego, promoções e oportunidades de
crescimento profissional, o isolamento social de pessoas
idosas, marginalizadas pela sociedade, depressão,
ansiedade, baixa autoestima e dificuldade em tomar
decisões sobre sua própria vida.
É importante ressaltar que o etarismo não é um fenômeno
natural, mas sim uma construção social. Ao desafiar os
estereótipos e promover uma cultura que valorize a
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diversidade e a experiência, podemos construir uma
sociedade mais justa e inclusiva para todas as idades.
A interseção entre tecnologia e envelhecimento representa
uma das fronteiras mais promissoras e desafiadoras da
sociedade contemporânea. As tecnologias digitais, antes
associadas exclusivamente às gerações mais jovens, vêm
ganhando cada vez mais espaço na vida dos idosos,
transformando a forma como eles vivenciam o
envelhecimento (IRIGARAY; GONZATTI, 2020).
A tecnologia oferece diversas possibilidades para melhorar a
qualidade de vida dos idosos, no entanto, sua inclusão digital
ainda enfrenta desafios, como a falta de acesso aos
equipamentos, a dificuldade de aprendizado e a adaptação
das interfaces para atender às necessidades específicas
dessa faixa etária (IRIGARAY; GONZATTI, 2020).
As políticas públicas para idosos são um conjunto de ações e
programas governamentais que visam garantir os direitos e
promover o bem-estar dessa parcela da população. Essas
políticas são fundamentais para enfrentar os desafios do
envelhecimento populacional e construir uma sociedade
mais justa e inclusiva.
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No Brasil, o Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/2003) é o
principal marco legal que garante os direitos dos idosos,
como saúde, assistência social, educação, cultura, esporte,
lazer, trabalho e renda (NEVES; LOYOLA, 2018). No entanto, a
implementação dessas políticas ainda enfrenta desafios,
como a falta de recursos, a desigualdade social e a
necessidade de fortalecer a rede de proteção social. 
Corporalidades e pessoas com
deficiência
Quando falamos em corporalidades, estamos nos referindo
às diversas formas de experimentar materialmente e
expressar o corpo. Já a corporeidade se refere à experiência
subjetiva do corpo, ou seja, à forma como cada indivíduo
vivencia e sente seu corpo no mundo. Vai além da simples
existência física e engloba as dimensões social, cultural,
histórica e subjetiva do corpo. Estudar as corporalidades e
corporeidades é importante porque permite questionar as
normas e os padrões de beleza e saúde que são impostos
socialmente, compreender as desigualdades sociais e as
relações de poder que se manifestam através do corpo,
promover a inclusão e a diversidade, valorizando as
diferentes formas de ser e estar no mundo e transformar as
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práticas sociais e culturais que limitam as possibilidades de
expressão corporal (SAFATLE, 2016; DEMELLO, 2023).
Entre os exemplos de corporalidades que podemos estudar
estão os corpos racializados, ou seja, a experiência corporal
de pessoas negras, indígenas e asiáticas, que é marcada por
uma história de racismo e discriminação (TEPERMAN et al.,
2021); os corpos femininos e masculinos, cujas experiências
são moldadas por diferentes papéis sociais e expectativas
culturais; os corpos LGBTQIAPN+, pois suas experiências
corporais são marcadas por questões de gênero,
sexualidade e identidade (STREY; SOUZA, 2017); os corpos
idosos, marcados por mudanças físicas e sociais, e por
estereótipos relacionados à idade (BARBOSA et al, 2013); e,
por fim, mas não menos importante, os corpos com
deficiência, pois a experiência corporal de pessoas com
deficiência é marcada por desafios e barreiras sociais
(DAOLIO, 2020).
Neste momento, vamos nos deter sobre este último grupo,
conhecendo mais de perto suas especificidades. Deficiência
é uma condição que afeta uma ou mais das funções de uma
pessoa, como a capacidade de ver, ouvir, andar, aprender ou
interagir socialmente. É uma característica humana e cada
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pessoa com deficiência possui suas próprias experiências e
necessidades.
Existem diversos tipos de deficiência, que podem ser
classificadas de diferentes formas. A deficiência física afeta a
capacidade de se mover, como paralisia, amputações e
dificuldades motoras. A deficiência visual compromete a
visão, desde baixa visão até cegueira total. A deficiência
auditiva afeta a audição, desde perda auditiva leve até
surdez total.
Diversos desafios específicos são enfrentados por pessoas
com deficiência, como a falta de acessibilidade física,
comunicacional e informacional, que é um dos maiores
obstáculos, limitando sua participação plena na sociedade.
Barreiras arquitetônicas, ausência de recursos de
comunicação alternativa e dificuldade em acessar
informações em formatos acessíveis são exemplos comuns.
Além disso, o preconceito e a discriminação são constantes,
afetando a autoestima e as oportunidades dessas pessoas.
A visão estereotipada sobre a deficiência e a falta de
conhecimento sobre suas reais capacidades perpetuam a
exclusão. Outro desafio significativo é a falta de
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oportunidades, que se manifesta na dificuldade de encontrar
emprego, estudar em instituições de Ensino Superior e
participar de atividades sociais e culturais. Ademais, muitas
pessoas com deficiência enfrentam questões de saúde
adicionais, o que pode agravar ainda mais as dificuldades do
dia a dia.
A forma de discriminação e preconceito direcionada a
pessoas com deficiência recebe o nome de capacitismo. Ele
se manifesta de diversas formas, desde atitudes e
comportamentos individuais até estruturas sociais e
institucionais que excluem e marginalizam essas pessoas.
Em essência, o capacitismo é a crença de que as pessoas
sem deficiência são superiores e que as pessoas com
deficiência são incapazes, inferiores ou incompletas. Essa
crença leva à criação de barreiras que impedem a plena
participação das pessoas com deficiência na sociedade.
O capacitismo é um problema complexo, se manifesta de
diversas formas e requer ações em diversos níveis. Pessoas
com deficiência são vítimas de capacitismo quando recebem
tratamento infantilizante, negação de sua autonomia, atitude
paternalista, compaixão excessiva e piedade ou foco na
deficiência, em vez da pessoa (OLIVEIRA, 2022).
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Os comportamentos capacitistas envolvem discriminação no
emprego, isolamento social, falta de acessibilidade,
linguagem pejorativa e exclusão de espaços e atividades.
Também são manifestações do capacitismo a arquitetura
inacessível, conforme mencionamos, o transporte público
inadequado, a falta de recursos tecnológicos assistivos e os
sistemas educacionais e de saúde não inclusivos (OLIVEIRA,
2022).
Apesar dos desafios, as pessoas com deficiência
demonstram uma grande capacidade de superação e
resiliência. Muitas desenvolvem estratégias para lidar com as
barreiras, buscando alternativas e soluções criativas para
suas necessidades.
A busca pela autonomia é um valor fundamental para que se
viabilizem formas de realizar suas atividadescotidianas de
forma independente, utilizando tecnologias assistivas e
outros recursos. Concomitante, o empoderamento é
essencial para que as pessoas com deficiência possam
defender seus direitos e participar ativamente da sociedade,
bem como o fortalecimento de redes de apoio, pois as
relações sociais e o apoio de familiares, amigos e
comunidades são fundamentais para a qualidade de vida das
pessoas com deficiência.
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A luta por direitos e inclusão das pessoas com deficiência é
uma jornada longa e complexa, marcada por avanços e
desafios. Historicamente, as pessoas com deficiência foram
marginalizadas e segregadas, muitas vezes vistas como
incapazes e dependentes. Os primeiros registros de
iniciativas para atender pessoas com deficiência remontam a
séculos atrás, com a criação de instituições isoladas e
especializadas. No entanto, essas instituições, embora bem-
intencionadas, muitas vezes reforçavam a ideia de que
pessoas com deficiência precisavam ser separadas da
sociedade (TESKE, 2019).
A partir da segunda metade do século XX, um movimento
social de pessoas com deficiência começou a ganhar força
em diversos países, incluindo o Brasil. Esse movimento foi
impulsionado pela busca por autonomia, independência e
pela defesa de seus direitos. Na década de 1970, surgiram os
primeiros grupos organizados de pessoas com deficiência,
que começaram a questionar o modelo assistencialista e a
defender a inclusão social (TESKE, 2019).
Depois, na década de 1980, a Organização das Nações
Unidas (ONU) declarou o Ano Internacional da Pessoa
Deficiente, que impulsionou as discussões sobre os direitos
das pessoas com deficiência em todo o mundo. No Brasil, o
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movimento ganhou força e se organizou em diversas frentes.
Já na década de 1990, a Convenção sobre os Direitos das
Pessoas com Deficiência começou a ser discutida e foi
aprovada em 2006 pela Assembleia Geral da ONU,
estabelecendo um marco legal internacional para a proteção
dos direitos das pessoas com deficiência (MARTINS;
HOUAISS, 2022).
Esse tratado internacional, que o Brasil também ratificou,
estabeleceu um novo paradigma para a compreensão e o
tratamento da deficiência, reconhecendo-a como uma
questão de direitos humanos. A Convenção tem como
objetivo promover, proteger e assegurar o exercício pleno e
equitativo de todos os direitos humanos e liberdades
fundamentais por todas as pessoas com deficiência. Ela
aborda diversas áreas, como a não discriminação, a
igualdade de oportunidades, a acessibilidade, o apoio a
pessoas com deficiência, a vida em família, a justiça, a
proteção contra exploração, violência e abuso (MARTINS;
HOUAISS, 2022).
Ela foi importante porque além de estabelecer um padrão
internacional, também contribuiu para empoderar as
pessoas com deficiência e impulsionou o processo de
mudança sobre a forma que a sociedade reconhece a
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deficiência. Agora, no século XXI, a luta por direitos continua,
com foco na implementação da Convenção da ONU, na
garantia da acessibilidade e na promoção da inclusão social
(SOUSA et al., 2020).
Desse modo, ao longo da história, o movimento das pessoas
com deficiência enfrentou diversos desafios, como o
preconceito, a discriminação, a falta de acessibilidade e a
ausência de políticas públicas adequadas. No entanto, graças
à luta e à organização das pessoas com deficiência e de seus
aliados, foram conquistados importantes avanços (SOUSA et
al., 2020).
Podemos mencionar a aprovação de diversas leis que
garantem os direitos das pessoas com deficiência, embora
ainda sejam necessário inúmeros avanços, a criação de
serviços e programas de apoio; a ampliação da
acessibilidade em espaços públicos e privados; a mudança
de mentalidades e a crescente conscientização sobre a
importância da inclusão (SOUSA et al, 2020).
No Brasil e em muitos outros países, as pessoas com
deficiência possuem direitos garantidos por lei, como o
direito à educação inclusiva, estudar em escolas regulares,
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com apoio especializado quando necessário; o direito de ter
oportunidades de emprego e de trabalhar em condições
justas e seguras; o direito de acessar espaços físicos,
transportes e informações de forma independente; o direito
de ter acesso a serviços de saúde de qualidade.
Frente a tantos desafios, alguns dos principais problemas a
serem enfrentados envolvem a questão da acessibilidade, do
preconceito e da discriminação, da falta de oportunidades.
Como você já deve ter percebido à essa altura dos seus
estudos, infelizmente, vivemos em uma sociedade que, a
despeito da fama de cordial, amigável e acolhedora, é
extremamente preconceituosa, com a internalização, em
geral, de atitudes negativas e estereótipos acerca de
diferentes públicos (TESKE, 2019).
Assim, o movimento das pessoas com deficiência continua
sendo fundamental para garantir que os direitos
conquistados sejam respeitados e para promover uma
sociedade mais justa e inclusiva. Atualmente, os desafios
incluem a luta por empregabilidade, a garantia do acesso à
educação de qualidade e a superação das barreiras
atitudinais.
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Como indicativo de avanços atuais e almejados para o
futuro, as tecnologias assistivas representam um conjunto
de recursos e serviços que visam promover a autonomia, a
independência e a inclusão social de pessoas com
deficiência. Elas atuam como ferramentas poderosas para
superar barreiras e ampliar as possibilidades de participação
dessas pessoas em todas as esferas da vida (TESKE, 2019).
Em termos mais simples, tecnologias assistivas são produtos,
equipamentos, dispositivos, recursos, metodologias,
estratégias, serviços e práticas que visam proporcionar
funcionalidade, de maneira autônoma, a pessoas com algum
tipo de deficiência. Essas tecnologias podem ser tão simples
quanto uma lupa ou tão complexas quanto um software de
reconhecimento de voz.
O principal objetivo das tecnologias assistivas é eliminar ou
minimizar as barreiras que as pessoas com deficiência
enfrentam em suas atividades cotidianas. Elas atuam na
facilitação de tarefas diárias, desde as mais simples, como
vestir-se ou comer, até as mais complexas, como trabalhar,
estudar e socializar. O futuro dessas tecnologias é promissor,
com o avanço da tecnologia e a crescente demanda por
soluções mais acessíveis e personalizadas. A inteligência
artificial, a realidade virtual e a internet das coisas são
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algumas das tecnologias que prometem revolucionar a área
da tecnologia assistiva (COSTA, 2020).
As cotas para pessoas com deficiência representam uma
política afirmativa fundamental para promover a inclusão
social e garantir o acesso a oportunidades que,
historicamente, têm sido negadas a esse grupo. Essa medida
busca compensar as desigualdades e barreiras que as
pessoas com deficiência enfrentam no mercado de trabalho,
na educação e em outros âmbitos da vida (SOUSA et al.,
2020).
Ao reservar uma porcentagem de vagas em concursos
públicos, universidades e empresas para pessoas com
deficiência, as cotas visam construir uma sociedade mais
justa e equitativa, na qual todos tenham a chance de
participar plenamente. Essa política reconhece que a
deficiência não é um impedimento para o exercício de
direitos e para a contribuição para a sociedade.
Apesar dos benefícios das cotas, essa política também gera
debates e enfrenta desafios. Alguns argumentos contra as
cotas alegam que elas podem gerar desigualdade entre os
candidatos, beneficiando alguns em detrimento de outros.
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No entanto, é importante ressaltar que as cotas não são um
privilégio, mas sim uma forma de compensaras
desigualdades históricas e garantir a igualdade de
oportunidades.
As cotas para pessoas com deficiência são um instrumento
importante para promover a inclusão social, mas não são a
única medida necessária. É fundamental que sejam
combinadas com outras políticas públicas, como a adaptação
de ambientes, a oferta de tecnologias assistivas e a
promoção da acessibilidade. A longo prazo, o objetivo é
construir uma sociedade em que a inclusão das pessoas com
deficiência já seja na realidade consolidada. No entanto, até
que esse objetivo seja alcançado, as cotas continuam sendo
uma ferramenta fundamental para garantir a igualdade de
oportunidades para todos.
Siga em Frente...
Siga em Frente...
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Uma jornada pela fronteira entre
ser humano e máquina
A discussão sobre ciborgues nos transporta para um terreno
fascinante e complexo, no qual a fronteira entre o biológico e
o tecnológico se torna cada vez mais tênue. Um ciborgue,
por definição, é um organismo cibernético, uma criatura
composta por partes orgânicas e mecânicas. Essa fusão
entre homem e máquina, que antes era relegada ao domínio
da ficção científica, está se tornando cada vez mais uma
realidade palpável, graças aos avanços da medicina, da
engenharia e da tecnologia (SILVA, 2013).
A ideia de um ciborgue evoca uma série de questões
filosóficas, éticas e sociais. Quais são as implicações de
fundir a mente humana com a inteligência artificial? Até
onde podemos ir na modificação do corpo humano? Quais
são os limites entre o que é natural e o que é artificial? Essas
são apenas algumas das perguntas que surgem quando
exploramos esse tema:
A possibilidade de aprimorar as capacidades humanas
através da tecnologia é um dos principais atrativos da ideia
de ciborgue, contudo, essa possibilidade também levanta
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questões sobre os limites éticos e sociais desse
desenvolvimento. Ao mesmo tempo, a integração de
componentes tecnológicos ao corpo humano desafia nossa
compreensão de identidade e individualidade. Como
exemplo, a alteração de características como memória e
personalidade através de implantes levanta questões sobre
o que significa ser humano (SILVA, 2013).
Importante apresentar a questão da desigualdade social,
pois o acesso às tecnologias de aprimoramento humano
pode aumentar as disparidades sociais existentes, criando
uma classe de "super-humanos" com vantagens significativas
sobre os demais. Ponderações éticas também emergem,
pois a tecnologia ciborgue apresenta tanto benefícios, como
a cura de doenças e a melhoria da qualidade de vida, quanto
riscos, como o uso para fins militares e a perda de
privacidade. Ademais, a necessidade de regulamentação é
crucial para garantir o uso ético e seguro dessas tecnologias,
protegendo os direitos individuais e coletivos (SILVA, 2013).
Embora a ideia de um ciborgue ainda possa parecer futurista
para muitos, a verdade é que já estamos dando os primeiros
passos nessa direção. Implantes cocleares que restauram a
audição, marca-passos que regulam o ritmo cardíaco e
membros protéticos controlados pelo cérebro são apenas
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alguns exemplos das tecnologias que estão transformando a
vida de pessoas com deficiência.
A discussão sobre ciborgues é complexa e multifacetada, e
não há respostas simples para as questões que ela levanta.
No entanto, é fundamental que sociedade como um todo
participe desse debate, para que possamos construir um
futuro em que a tecnologia seja utilizada para o bem de
todos, sem comprometer nossa humanidade.
Vamos Exercitar?
Vamos Exercitar?
Representatividade para todos: a
importância da inclusão
Na problematização desta aula, você foi convidado a
responder ao caso da empresa de tecnologia que lançou
dispositivos vestíveis para a saúde e bem-estar na campanha
publicitária que apresentou só pessoas jovens e saudáveis,
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de forma etarista e capacitista. Questionamos: Qual o papel
da indústria de tecnologia na promoção da diversidade?
Como as campanhas publicitárias podem influenciar a
percepção das pessoas sobre si mesmas e sobre os outros?
Quais são as consequências da exclusão de determinados
grupos da tecnologia? Como podemos construir
organizações e representações midiáticas mais justas e
inclusivas?
A resposta ideal para esta situação-problema é complexa e
multifacetada. O cerne dela engloba o fato de que a
campanha publicitária da empresa reproduz estereótipos
comuns sobre idade e deficiência, associando juventude e
saúde a um estilo de vida idealizado. Essa representação
excludente perpetua o capacitismo e o etarismo,
marginalizando grupos sociais importantes. Como
consequências, a campanha gera impactos negativos na
imagem da empresa, alienando consumidores com
deficiência, idosos e seus familiares. Além disso, reforça
preconceitos e discriminações existentes na sociedade.
Como caminhos propositivos para solucionar essa situação,
a empresa pode refazer a campanha, incluindo pessoas com
diferentes idades, tipos de corpos e condições físicas,
demonstrando que seus produtos são acessíveis e benéficos
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para todos, pode também desenvolver uma política interna
que promova a diversidade e a inclusão em todos os níveis
da organização. Também é necessário estabelecer parcerias
com organizações que atuam na defesa dos direitos das
pessoas com deficiência e dos idosos, oferecer treinamentos
aos seus colaboradores sobre temas como capacitismo,
etarismo e acessibilidade e investir em pesquisa e
desenvolvimento de produtos que atendam às necessidades
de pessoas com diferentes capacidades.
Portanto, é fundamental promover a inclusão, combater o
capacitismo e o etarismo, e construir uma imagem positiva
da empresa. Ao diversificar a representação, utilizar uma
linguagem inclusiva e desenvolver produtos acessíveis, a
empresa demonstra respeito pela diversidade humana e se
posiciona como uma marca comprometida com a inclusão. A
construção de uma cultura inclusiva é um processo contínuo
que exige um compromisso de longo prazo. É importante
monitorar o impacto das ações implementadas e realizar
avaliações periódicas para identificar novas oportunidades
de melhoria, bem como envolver pessoas com deficiência e
idosos no processo de desenvolvimento de produtos e
serviços pode gerar soluções mais inovadoras e eficazes.
Saiba mais
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Saiba mais
A longevidade é um tema cada vez mais presente em nossas
vidas, com inúmeras informações sobre como envelhecer
bem. No entanto, além dos cuidados com a saúde, o
envelhecimento é uma jornada singular, marcada por
aprendizado, autoconhecimento e relações interpessoais.
Este livro, disponível em sua Biblioteca Virtual, nos convida a
refletir sobre essa experiência única e a combater o
etarismo, uma forma de discriminação que impede que
construamos uma sociedade mais justa e inclusiva para
todas as idades.
CORTELLA, Mario Sergio; RIOS, Terezinha Azerêdo. Vivemos
mais! vivemos bem?: por uma vida plena. 2. ed. Campinas,
SP: 7 Mares, 2023.
Referências
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https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/212527/epub/0?code=oH8mnSUFic2jLYKF84XrrfgF5g45iCcGlRYmfFIxXa8aYKu0ijD2M00PqmGwuchounVewewe7e43/oGCfUcO4A==
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/212527/epub/0?code=oH8mnSUFic2jLYKF84XrrfgF5g45iCcGlRYmfFIxXa8aYKu0ijD2M00PqmGwuchounVewewe7e43/oGCfUcO4A==
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Referências
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book. 
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CASTILHO, Rosane; OLIVEIRA, Victor Hugo Nedel (org.).
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FELIZARDO, Aloma Ribeiro. Bullying: a violência que nasce na
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FELIZARDO, Aloma Ribeiro. Cyberbullying e o círculo de
diálogo respeitoso: a incrível ferramenta em que os alunos
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IRIGARAY, Tatiana Quarti; GONZATTI, Valéria. Inclusão digital
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MOREIRA, Wagner Wey (org.). Século XXI: a era do corpo
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NEVES, Gustavo Bregalda; LOYOLA, Kheyder; ROSA, Emanuel.
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OLIVEIRA, Jáima Pinheiro de. Educação especial: formação de
professores para a inclusão escolar. 1. ed. São Paulo:
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RABELO, Fabíola de Lourdes Moreira; SIMAN, Lana Mara de
Castro. Jovens em situação de rua e seus rolés pela cidade:
registros de subversão e (r)existência. Curitiba, PR: Appris,
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SAFATLE, Vladimir. O circuito dos afetos: corpos políticos,
desamparo e o fim do indivíduo. 1. ed. São Paulo: Autêntica,
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SANTANA FILHO, L. C.; COELHO, T. T. Terceira idade no Brasil:
representações e perspectivas. 1. ed. São Paulo: Blucher,
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Antropologia do ciborgue: as vertigens do pós-humano. 1.
ed. São Paulo: Autêntica, 2013. E-book.
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interdisciplinares. 1. ed. Indaiatuba: Foco, 2020. E-book.
STREY, Marlene Neves; SOUZA, Nathalia Amaral Pereira de.
Corpo e relações de gênero na contemporaneidade. 1. ed.
PORTO ALEGRE: ediPUCRS, 1, 2017. E-book.
TEPERMAN, Daniela; GARRAFA, Thais; IACONELLI, Vera.
Corpo. 1. ed. São Paulo: Autêntica, 2021. E-book.
TERRA, Ernani. A produção literária e a formação de leitores
em tempos de tecnologia digital. 1. ed. Curitiba: Intersaberes,
2015. E-book.
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TESKE, Ottmar. Sociologia da acessibilidade. 1. ed. Curitiba:
Intersaberes, 2019. E-book.
VIEIRA, Patricia Machado et al. Infâncias, adolescências e
juventudes na perspectiva dos direitos humanos. 1. ed. Porto
Alegre: ediPUCRS, 2018. E-book.
Aula 4
Origem e Religião
Origem e religião
Origem e religião
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Olá, estudante! A origem social é um fator determinante em
nossas vidas, influenciando desde a educação a que temos
acesso até as relações que estabelecemos. Inerente ao ser
humano também é a busca por significado e propósito, e a
religião oferece respostas para essas questões desde os
primórdios da humanidade. Nesta aula, vamos desmistificar
conceitos como origem social e explorar as diferentes
religiões, crenças e práticas. A partir dessas discussões, você
entenderá como podemos construir um futuro mais justo
para todos.
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Ponto de Partida
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https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/80473229-4cc2-45cc-9848-7ddaa0047132/48/81fa7973-db03-51e7-8a99-7bd9404723a5.pdf
Ponto de Partida
Estudante, desejamos a você boas-vindas a mais uma
oportunidade de reflexão. Nesse momento, vamos
promover uma compreensão aprofundada sobre origem
social, déficit habitacional e as pessoas em situação e rua, as
religiões e religiosidades, embora possa parecer distante, é
um ativo valioso que transcende os limites disciplinares. Essa
compreensão, independentemente da área de atuação
profissional que você busca, enriquece a capacidade de
interação humana, a tomada de decisões e a solução de
problemas complexos.
A partir destas temáticas, convidamos você a refletir sobre
uma situação-problema do tema “Campo x Cidade e
Religiosidade”. Imagine que uma pequena comunidade rural
(fictícia), com predominância de crenças tradicionais e
práticas agrícolas, está passando por um processo de
urbanização acelerado devido à construção de uma grande
indústria. A chegada de novos habitantes, com diferentes
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origens e crenças, está gerando conflitos e tensionando as
relações sociais.
A comunidade rural, tradicionalmente ligada à Igreja
Católica, vê suas crenças e práticas sendo questionadas pela
chegada de novos moradores, muitos deles evangélicos e
ateus. As diferenças religiosas se intensificam com a disputa
por espaços públicos para realização de cultos e a
construção de novos templos.
Ao mesmo tempo, a urbanização traz consigo novos desafios
como a poluição, a escassez de recursos naturais, a escassez
de moradia e a mudança nos hábitos de vida da comunidade
em geral. As antigas práticas agrícolas passam a ser cada vez
mais substituídas por atividades industriais, gerando
conflitos entre os defensores da tradição e os adeptos do
desenvolvimento econômico.
Com a posse do conhecimento desta aula, procure
responder às seguintes indagações: Como a origem social
(rural ou urbana) influencia a percepção dos indivíduos nesta
comunidade sobre os conflitos ambientais e
socioeconômicos gerados pela urbanização? De que forma o
déficit habitacional contribui para a intensificação dos
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conflitos sociais e ambientais na comunidade em questão?
Como os conflitos religiosos se interligam com as disputas
por recursos naturais e espaços urbanos na comunidade?
Aqui, a teoria se encontra com a prática. Estas discussões
oportunizam que você reflita melhor sobre o mundo ao seu
redor. Bons estudos!
Vamos Começar!
Vamos Começar!
Diferenças de origem: campo e
cidade
As ciências humanas dedicam uma atenção significativa ao
estudo da origem social, explorando as complexas
interações entre os indivíduos e as estruturas sociais que
moldam suas vidas. Essa área de estudo sobre a origem
busca compreender como os diferentes contextos sociais
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influenciam as oportunidades, as identidades e os trajetórias
de vida das pessoas (BOURDIEU, 2021a, 2021b, 2023).
O contraste entre o campo e a cidade é um dos temas de
estudos mais clássicos ao longo do processo de
desenvolvimento da humanidade, em que essas duas formas
de organização espacial têm apresentado características
distintas, moldadas por múltiplos fatores, políticos, culturais,
históricos, econômicos e sociais (SUZUKI, 2012; MENASHE,
2015).
O campo foi o espaço de origem das primeiras civilizações,
que começaram a surgir em áreas rurais, com base na
agricultura e na criação de animais. O campomuitos casos, o contato resultou em
genocídio cultural e físico, com a redução drástica de suas
populações (MARCHIORO, 2018).
O genocídio dos povos indígenas na América Latina e no
Brasil já foi documentado por muitos estudos. No entanto, é
importante atentarmos ao que Souza e Wittman (2016)
colocam em evidência. Os autores chamam atenção ao fato
de que essas populações estão vivas e presentes no
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território nacional, sendo também detentoras de direitos,
como todos os brasileiros. Nesse sentido, destacam:
[...] a falácia do discurso de que os povos indígenas
estavam extintos ou em vias de se extinguir por completo,
o que legitimaria o espólio de terras. A ideia do
desaparecimento por meio da mestiçagem serve até hoje
para o avanço sobre terras indígenas, sob a justificativa
de que os índios não podem mais ser assim reconhecidos
porque mudaram. A transformação, porém, é inerente às
relações humanas. O que esta história demonstra é, mais
do que a presença, uma agência indígena na defesa de
seus territórios coletivos. (SOUZA; WITTMAN, 2016, p. 20)
É crucial reconhecer essas históricas injustiças e trabalhar
por políticas públicas que garantam os direitos dos povos
indígenas e promovam a descolonização das relações entre
os povos. No que diz respeito ao território, a luta pela
proteção e demarcação de terras indígenas é um processo
complexo e contínuo, marcado por avanços e retrocessos.
Historicamente, desde a colonização das Américas, os povos
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indígenas têm enfrentado a invasão de seus territórios, a
expropriação de seus recursos naturais e a destruição de
seus modos de vida tradicionais (BRIGHENTI, 2016).
Para os povos indígenas, o território não é apenas um
espaço geográfico, mas um elemento fundamental de sua
identidade, intrinsecamente ligado às suas histórias,
cosmologias, práticas culturais e modos de vida. O território
é a base para a reprodução social, a produção de alimentos,
a manutenção de suas tradições e a conexão com os
ancestrais. A luta pela demarcação de terras é, neste sentido,
uma luta pela preservação de suas culturas e pela afirmação
de seus direitos, ao passo que a perda do território significa
também a perda de sua identidade e a consequente
fragilização de suas comunidades (RIBEIRO, 2017;
BERNARDO, 2021).
A Constituição Federal Brasileira reconhece os direitos
originários dos indígenas sobre as terras que
tradicionalmente ocupam (BRASIL, 1988). No âmbito
internacional, a Convenção 169 da OIT estabelece padrões
mínimos para a proteção dos direitos indígenas, incluindo o
direito à consulta prévia, livre e informada sobre qualquer
projeto que possa afetá-los (OIT, 2011). Na prática, a
aplicação dessas leis enfrenta diversos desafios, como a falta
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de recursos, a resistência de setores da sociedade e a
complexidade de conciliar os direitos indígenas com outros
interesses. A demarcação de terras indígenas, assim, é um
processo lento e muitas vezes contestado judicialmente
(BERNARDO, 2021).
A pressão por mineração, agronegócio e exploração
madeireira, entre outras atividades, resulta em invasões de
territórios, destruição ambiental e violação dos direitos
indígenas. A falta de demarcação e titulação de terras, aliada
à fragilidade das leis de proteção ambiental, agravam a
situação. A violência contra os povos indígenas, incluindo
assassinatos e ameaças, é uma constante nesses conflitos. A
ausência de diálogo e a falta de políticas públicas efetivas
para a proteção dos territórios indígenas contribuem para a
intensificação desses conflitos, colocando em risco suas
vidas e a culturas (BERNARDO, 2021).
As mudanças climáticas também intensificam os desafios já
enfrentados. Eventos extremos como secas prolongadas,
inundações e tempestades cada vez mais frequentes e
intensas alteram os ciclos naturais e afetam a
disponibilidade de recursos como água e alimentos.
Comunidades costeiras são ameaçadas pela elevação do
nível do mar, enquanto o derretimento das geleiras impacta
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a vida de povos indígenas de outras nações, principalmente
aquelas localizadas em regiões árticas (SILVA, ARBILLA,
2022). Essas e outras alterações ambientais comprometem a
segurança alimentar, a saúde e a integridade cultural desses
povos, aprofundando ainda mais as desigualdades sociais e
a vulnerabilidade (PEREIRA, 2022).
Em contrapartida, os conhecimentos tradicionais indígenas
sobre a natureza e suas práticas de conservação ambiental
são um acúmulo de saberes ancestrais, transmitidos pela
oralidade e pela imitação, de geração em geração. Uma
sabedoria que os permite estabelecer uma relação profunda
e harmoniosa com o meio ambiente, compreendendo os
ciclos naturais, a importância de cada elemento da ecologia e
a interdependência entre todos os seres vivos (RIBEIRO,
2017). Essa conexão, reconhecida inclusive pela ONU, torna-
os guardiões eficazes da biodiversidade, desenvolvendo
práticas sustentáveis de manejo dos recursos naturais e
promovendo a conservação dos ecossistemas. Ao valorizar e
integrar esses conhecimentos tradicionais às políticas de
conservação, é possível encontrar soluções inovadoras e
eficazes para os desafios ambientais contemporâneos.
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Movimentos indígenas - política e
representação
Politicamente, os povos indígenas também têm desenvolvido
diversas formas de mobilização para defender seus direitos
e interesses. Através de associações e organizações, eles se
unem para fortalecer suas vozes e construir uma
representação política mais efetiva, em diferentes níveis,
desde as comunidades locais até a esfera nacional e
internacional, articulando suas demandas e buscando
diálogo com governos e outros atores sociais (SOUZA,
WITTMAN, 2016).
Os movimentos sociais indígenas têm a sua história marcada
por diversas conquistas e lutas, desde o processo de
ocupação do território brasileiro pelos portugueses, marco a
partir do qual, desde então, os povos originários vêm
resistindo e se organizando para defender seus territórios e
culturas (RIBEIRO, 2016).
No século XX, entre os principais marcos, a partir da década
de 1970, os movimentos indígenas ganharam força e
visibilidade, com a criação de organizações e a realização de
grandes mobilizações. Exemplo disso foram as assembleias
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indígenas organizadas como espaços de discussão e
organização para os povos originários, fortalecendo a união
e a luta por seus direitos, o que se refletiu nos avanços
obtidos com a Constituição Federal de 1988, que reconheceu
seus direitos à terra, à cultura e à autodeterminação (SOUZA;
WITTMAN, 2016).
Houve também a criação de organizações indígenas em
âmbito local, regional e nacional, o que fortaleceu sua
representação política e ampliou suas possibilidades de
atuação. Podemos ilustrar com a Articulação dos Povos
Indígenas do Brasil (APIB), uma das principais organizações
que representa os povos indígenas em nível nacional. Ela
atua como uma voz unificada para defender os direitos e as
causas dos indígenas brasileiros, articulando diversas etnias
e organizações.
A APIB busca fortalecer a união dos povos indígenas, a
articulação entre as diferentes regiões e organizações do
país; unificando lutas, a pauta de reivindicações e demandas,
mobilizando as comunidades contra as ameaças e agressões
aos direitos indígenas. Trata-se de um papel fundamental
para fortalecer a identidade indígena, defender os territórios
e promover a participação política.
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Nas últimas décadas, a participação política indígena tem se
intensificado, com a eleição de lideranças para cargos
públicos e aera o local
onde se produzia o alimento e os recursos básicos para a
sobrevivência. Com o passar do tempo, as técnicas agrícolas
evoluíram e as populações rurais cresceram. No entanto, o
modo de vida no campo tendia a ser mais tradicional e
ligado aos ciclos da natureza (SANTOS, PERES, PAULA, 2017).
Já as cidades surgiram como centros de comércio, de poder
político e também de encontro religioso. Eram locais onde as
pessoas passaram a se concentrar para trocar produtos,
participar de atividades culturais e motivação sagrada, além
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de concentrar a função de administração do território. A
partir da 2ª metade do século XVIII, com a Revolução
Industrial, as cidades experimentaram um ritmo de
crescimento acelerado, atraindo grandes contingentes
populacionais em busca de trabalho nas fábricas. A
urbanização se intensificou, transformando as cidades em
centros de inovação e consumo (COUTINHO, 2024).
Apesar das diferenças, campo e cidade não são espaços
isolados, eles sempre devem ser analisados e estudados
como espaços interdependentes. A cidade depende do
campo para se alimentar e obter matérias-primas, enquanto
o campo depende da cidade para adquirir produtos
industrializados, serviços e tecnologias, ou seja, a relação de
interdependência é estreita, um não pode ser compreendido
sem considerar suas articulações com o outro (CARLOS et al.,
2012).
Entre os fatores que influenciam esta relação entre campo e
cidade, podemos mencionar a já referida industrialização,
pois sua expansão nas cidades atraiu mão de obra do
campo, provocando mudanças nas relações sociais e
econômicas; também a urbanização, já que o crescimento
das cidades gerou a expansão da área urbana sobre áreas
rurais, alterando o uso do solo e os modos de vida como um
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todo; e, por fim, mas igualmente importante, o fenômeno da
globalização, que intensificou os fluxos de pessoas,
mercadorias e informações, tornando as relações entre
campo e cidade mais complexas e interdependentes
(WILLIAMS, 2011).
Frente a essa breve introdução, reflita por um instante, você
acha que a origem de um indivíduo, se do campo ou da
cidade, influencia seu comportamento e impacta sua
trajetória? Você acerta se analisa que sim, pois de fato, a
origem, seja no campo ou na cidade, exerce uma influência
significativa na trajetória de vida de um indivíduo e em
diversos aspectos, desde as oportunidades de educação e
trabalho até a forma como as pessoas percebem o mundo e
a si mesmas. Para ilustrar o modo como a dimensão social,
neste caso, a origem, impacta profundamente a trajetória
singular de um indivíduo, vamos refletir juntos sobre alguns
destes aspectos.
Vamos começar pensando sobre os valores e os costumes.
Sujeitos cuja origem remonta ao camp tendem a ter valores
mais ligados à comunidade, à família e à natureza.
Destacamos a palavra “tendem”, pois sempre há exceções,
mas, em uma análise geral daquilo que predomina, a vida no
campo costuma ser mais simples, com um ritmo mais lento,
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o que pode influenciar na percepção de tempo e no valor
atribuído às relações interpessoais. Já sujeitos que crescem
na cidade tendem a ter valores mais individualistas e
competitivos, pelo fato de a vida urbana ser marcada pela
busca por status social e pelo consumo (WILLIAMS, 2011).
Agora refletindo quanto às oportunidades de trabalho, no
campo, elas costumam ser mais limitadas e ligadas às
atividades agrícolas e pecuárias. Além disso, a renda
geralmente é menor do que nas áreas urbanas, o que pode
restringir o acesso a bens e serviços – neste caso,
ressaltamos que não estamos nos referindo ao grande
proprietário latifundiário, mas à renda do trabalhador
agrícola. Já nas cidades, maior diversidade de oportunidades
de trabalho são oferecidas, tanto no setor formal, quanto no
informal. No entanto, a competição por empregos também é
mais acirrada (WILLIAMS, 2011).
Sobre o acesso à educação, no campo, a distância das
escolas e a falta de recursos podem limitar o acesso à
educação de qualidade para as pessoas. Isso pode afetar as
perspectivas de futuro e as oportunidades de ascensão
social. As cidades, por sua vez, geralmente oferecem um
maior número de escolas e instituições de Ensino Superior, o
que facilita o acesso à educação de qualidade.
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Um último aspecto mobilizado para ilustrar como a origem
impacta na trajetória de um indivíduo é a visão de mundo. A
vida no campo costuma proporcionar um contato mais
direto com a natureza e com os ciclos da vida. Isso pode
levar a uma visão de mundo mais holística e conectada com
o meio ambiente, enquanto a vida na cidade expõe as
pessoas a uma maior diversidade cultural e a um ritmo de
vida mais acelerado, podendo levá-las a uma visão de
mundo mais complexa e cosmopolita (WILLIAMS, 2011).
Evidentemente, esses são apenas alguns apontamentos para
incentivar sua reflexão, mas devem ser ainda mais
aprofundados com a observação de outros fatores
concomitantes. O nível socioeconômico, por exemplo, é um
deles, pois, como sabemos, a classe social de origem de um
indivíduo é um fator importante que pode influenciar as
oportunidades de vida, independentemente de sua origem
rural ou urbana. Da mesma forma, o acesso a recursos como
educação, saúde e tecnologia pode determinar o sucesso de
um indivíduo, independentemente de onde ele nasceu. Até
mesmo as redes sociais podem proporcionar apoio e
oportunidades, facilitando a transição entre o campo e a
cidade, assim como todas as demais escolhas que um
indivíduo faz ao longo da vida também têm um papel
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fundamental na sua trajetória, independentemente da sua
origem (SANTOS et al., 2017).
Mas vale ponderar que para cultivar uma compreensão
holística de um fenômeno ou de um indivíduo é sempre
importante ponderar o máximo de aspectos e fatores que
atravessam, moldam e impactam aquela realidade. É neste
sentido que podemos afirmar que a origem influencia, claro,
mas não determina o destino de um indivíduo. Muitas
pessoas que nasceram no campo conseguem construir
carreiras de sucesso nas cidades, enquanto outras que
nasceram nas cidades podem optar por um estilo de vida
mais simples e conectado com a natureza.
Em resumo, a origem rural ou urbana influencia a trajetória
de um indivíduo de diversas formas, moldando seus valores,
oportunidades e visão de mundo. No entanto, essa
influência não é determinante, e outros fatores como o nível
socioeconômico, o acesso a recursos e as escolhas
individuais também desempenham um papel importante.
Pierre Bourdieu, um dos sociólogos mais influentes do
século XX, é o exemplo de um dos autores que dedicou
grande parte de sua obra a compreender de que modo a
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origem social molda as trajetórias individuais e as
desigualdades sociais. Para ele, a posição social de um
indivíduo não é determinada apenas por fatores
econômicos, mas também por um conjunto de capitais que
se acumulam ao longo da vida e são transmitidos de geração
em geração (BOURDIEU, 2021b).
Para Bourdieu, além do capital econômico, há também o
capital social, o capital cultural e o capital simbólico. O capital
social diz respeito às redes de relações sociais que um
indivíduo possui e podem proporcionar a ele acesso a
recursos, informações e oportunidades, influenciando assim
o seu percurso social. O capital cultural engloba o conjunto
de conhecimentos, habilidades e valores que são valorizados
em uma determinada sociedade, sendo adquirido através da
educação formal e informal, e que também influencia o
desempenho em diferentes campos da vida social. Por fim, o
capital simbólico é o reconhecimento social e a legitimidade
que um indivíduo ou grupo possui,sendo construído através
da posse de outros tipos de capital (econômico, social,
cultural) e permite que as pessoas exerçam poder e
influência (BOURDIEU, 2023).
Com essa teorização, Bourdieu ofereceu uma lente poderosa
para compreender a complexidade das desigualdades
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sociais. Ao analisar como o capital social, cultural e
econômico se inter-relacionam e moldam os indivíduos, esse
autor nos ajuda a desvendar os mecanismos que perpetuam
as hierarquias sociais. Sua teoria permite compreender
como a origem social influencia as oportunidades de vida, as
escolhas e as trajetórias individuais. É, portanto, uma
ferramenta para analisar criticamente a sociedade e propor
ações transformadoras. 
Déficit de moradia e pessoas em
situação de rua
Déficit de moradia é a diferença entre o número de moradias
existentes e o número de moradias necessárias para atender
à demanda da população. Em curtas palavras, é a falta de
casas adequadas para todos os brasileiros (RODRIGUES,
2022). À essa altura dos seus estudos, você já deve ter
compreendido que, enquanto um fenômeno social, o déficit
de moradia possui causas diversas e interligadas. Vamos
considerar algumas delas, começando pela desigualdade
social, pois sem dúvida, a concentração de renda e a falta de
acesso à terra impedem que muitas famílias brasileiras
adquiram ou construam suas próprias casas.
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Precisamos ponderar também, entre as causas do déficit
habitacional, o crescimento populacional, pois o aumento da
quantidade de pessoas, especialmente nas cidades, exige a
construção de novas moradias para atender à demanda. A
urbanização acelerada também é um fator que ajuda a
explicar o fenômeno, porque a migração populacional do
campo para as cidades sobrecarrega os centros urbanos.
Além disso, o aumento dos custos da construção civil, pois a
alta nos preços dos materiais de construção e da mão de
obra encarece a produção de novas moradias. E por fim, a
falta de políticas públicas eficazes, consistentes e de longo
prazo para o setor habitacional, que dificulta a resolução do
problema (BERGER FILHO, 2021).
Assim como as causas são complexas, também são diversas
as consequências e os efeitos decorrentes do déficit
habitacional que impactam a vida de milhões de brasileiros.
Podemos elencar as favelas e as ocupações irregulares como
fruto dessa questão, pois a falta de moradias adequadas leva
à sua proliferação, com infraestrutura precária e condições
de vida insalubres. O aumento da violência também pode ser
notado, já que a disputa por moradia e a falta de
oportunidades em áreas com déficit habitacional podem
contribuir para o aumento da violência (SANTOS et al., 2017).
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Outra consequência também é a dificuldade de acesso a
serviços básicos, uma vez que a falta de moradia adequada
dificulta o acesso a serviços essenciais, como água potável,
energia elétrica e saneamento. Os efeitos são tão
expressivos que poderíamos elencar a falta de qualidade de
vida para crianças e adolescentes que crescem em meio à
precarização, ausência de alternativas dignas de lazer e
cultura, e também a precarização do trabalho, pois a
necessidade de trabalhar próximo ao local de moradia leva
muitas pessoas a aceitarem empregos com condições
precárias, ou o inverso, possuírem recursos apenas para
cobrir os gastos de moradias precárias (CARLOS et al., 2012).
Frente a essa realidade, as possíveis soluções para enfrentar
o problema do déficit de moradia envolvem a
implementação de políticas públicas de habitação de
interesse social, com foco em famílias de baixa renda;
incentivos fiscais para a construção de moradias, como a
redução de impostos para empresas e construtoras que
investem na produção de novas moradias; a regularização
fundiária também está entre as soluções, assim como a
facilitação da regularização de imóveis em áreas ocupadas,
garantindo segurança jurídica aos moradores; também é
primordial a melhoria da infraestrutura urbana básica,
principalmente em áreas com déficit habitacional, como
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saneamento, transporte e equipamentos públicos; as
parcerias entre o setor público e privado também
contribuem, com o estimulo à participação de empresas
privadas na construção de moradias populares (SILVA, 2021).
O déficit habitacional impacta de forma desproporcional
diversos grupos sociais, tornando-os mais vulneráveis. As
pessoas em situação de rua, obviamente, são as mais
diretamente atingidas, uma vez que não possuem moradia
alguma, mas, em geral, famílias de baixa renda também
sentem de forma dramática a dificuldade em arcar com os
custos de aluguel ou financiamento de imóveis, levando a
moradias inadequadas ou superlotadas (MAGALHÃES, 2024).
A população em situação de rua é um dos grandes desafios
sociais do Brasil. Caracterizada pela ausência de moradia fixa
e condições de vida precárias, essa realidade afeta milhares
de pessoas em todo o país. Apesar de ser um contingente
cada vez maior, essa parcela da sociedade, frequentemente
é invisibilizada e negligenciada, tanto pelas políticas públicas
quanto pela sociedade em geral. Pessoas em situação de rua
são frequentemente estigmatizadas e vistas como
responsáveis por sua própria condição, o que dificulta a
empatia e a mobilização em torno de suas causas (RABELO;
SIMAN, 2021).
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São diversas as causas que podem levar a essa realidade, a
começar pela concentração de renda e a falta de
oportunidades, que levam muitas pessoas à pobreza
extrema, dificultando o acesso à moradia; a perda do
emprego, seja por demissão ou seja por dificuldades em
encontrar um novo trabalho, pode levar à perda da moradia
e à situação de rua; a violência doméstica, a homofobia, a
transfobia, entre outras formas de discriminação que levam
pessoas a serem expulsas ou a fugir de casa e viver nas ruas;
diversos problemas de saúde mental, como a depressão e a
esquizofrenia, podem dificultar a inserção social e levar à
perda da moradia; a adicção, que envolve a dependência do
uso de substâncias psicoativos, como álcool e outras drogas,
e pode levar à perda do emprego, dos relacionamentos e da
moradia (RABELO; SIMAN, 2021).
As pessoas em situação de rua ficam vulneráveis a uma série
de riscos e dificuldades, como à violência física, sexual e
psicológica, a uma série de padecimentos e à falta de acesso
a serviços básicos de saúde, como água potável e
saneamento, o que aumenta o risco de doenças infecciosas;
expõem-se ainda à exclusão social, pois a situação de rua
leva à marginalização, aumentando ainda mais a dificuldade
de acesso a emprego, educação e outros direitos; e expostas,
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ainda, a uma ordem de situações de vulnerabilidade, como a
exploração e as intempéries climáticas.
O combate à situação de rua exige um conjunto de medidas,
que contemplem diferentes aspectos do problema. Ao
oferecer atendimento e acolhimento a essas pessoas,
ressaltamos a necessidade de uma abordagem humanizada,
por meio de escuta atenta, técnica e qualificada; para tanto,
o investimento na oferta de abrigos também se faz
necessário, com a ampliação da rede de serviços de
acolhimento institucional, na garantia de lugar seguro para
essas pessoas e atendimento especializado, que garanta
seus direitos e serviços básicos (SICARI; ZANELLA, 2018).
Em perspectiva global, a questão da situação de rua também
pode ser enfrentada por meio de políticas de emprego e
renda, com a criação de programas de qualificação
profissional que possam ajudar a tirar as pessoas dessa
situação; ademais, a necessidade de investir em políticas
públicas que combatam as causas estruturais desse
problema, como a desigualdade social, a violência e a faltade oportunidades. Nesse processo, a parceria com
organizações da sociedade civil também é fundamental para
fortalecer as ações de intervenção e mudança social, além
das ações do Estado (SICARI, ZANELLA, 2018).
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Sabemos, contudo, que historicamente, o Brasil tem oscilado
entre períodos de maior e menor investimento em serviços
sociais, influenciadas por fatores como crises econômicas,
mudanças de governo e prioridades políticas, com impactos
diretos na vida da população. Neste sentido, é fundamental
aumentar os investimentos em serviços sociais, buscando
fontes de financiamento inovadoras e eficientes, assim como
qualificar sua gestão pública, que pode ser mais eficiente e
transparente, com foco na qualidade do atendimento e na
otimização dos recursos. 
Religião e religiosidade
A origem religiosa exerce uma influência profunda e
abrangente na vida das pessoas, moldando suas crenças,
valores, comportamentos e até mesmo suas identidades.
Essa influência se manifesta de diversas formas, permeando
desde aspectos mais íntimos da vida individual até questões
sociais e culturais mais amplas.
Você sabia que religião e a religiosidade são conceitos que
parecem sinônimos, que frequentemente são utilizados de
forma intercambiável, mas que, na verdade, possuem
nuances importantes que os distinguem? A religião se refere
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a um sistema organizado de crenças, práticas e valores
relacionados à existência de um ser superior ou de uma
força divina. Ela envolve um conjunto de dogmas, rituais e
instituições que visam estabelecer uma conexão entre os
seres humanos e o sagrado. A religião é, portanto, uma
instituição social com características próprias, como dogmas,
hierarquias e práticas coletivas (MINSKY, 2021).
A religiosidade, por sua vez, diz respeito à vivência individual
da fé e à relação pessoal com o sagrado. Ela se manifesta
nas experiências pessoais, nas emoções e nas atitudes de
cada indivíduo em relação à religião. A religiosidade é mais
subjetiva e pode variar significativamente de pessoa para
pessoa, mesmo dentro de uma mesma religião. Ela é
compreendida principalmente pelo fato de não ser,
necessariamente, ligada a uma religião institucionalizada –
por exemplo, uma pessoa pode ser espiritualizada sem
seguir uma religião específica – e também porque a
religiosidade pode se manifestar de diversas formas, através
da oração, da meditação, da participação em rituais, do
serviço voluntário, da busca por um sentido para a vida,
entre outras diversas possibilidades (BONFIM, 2022).
É por essa distinção que é feita a utilização do termo
"religiosidades" indígenas, em vez de "religiões",
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intencionalmente, por ser uma nomenclatura que busca
refletir a complexidade e a diversidade das expressões
espirituais dos povos indígenas (CHUEIRE, 2021).
Os povos indígenas apresentam uma vasta gama de práticas
espirituais, crenças e rituais, que variam significativamente
entre as diferentes culturas e até mesmo dentro de uma
mesma comunidade. O termo "religiosidades" enfatiza essa
diversidade, evitando generalizações e estereótipos. Muitas
das práticas espirituais indígenas estão profundamente
ligadas à natureza, aos ancestrais e a elementos como a
terra, a água e os animais. A palavra "religiosidades" permite
abarcar essa relação intrínseca com o mundo natural, que
não se encaixa facilmente nos moldes das religiões
institucionalizadas (CHUEIRE, 2021).
Outro fator importante também se deve ao fato de o termo
"religião" ser frequentemente associado a conceitos e
estruturas ocidentais, com dogmas, hierarquias e
instituições religiosas formalizadas (RIES, 2019). Ao utilizar
"religiosidades", evitamos a imposição de categorias
ocidentais sobre realidades culturais distintas,
reconhecemos a autonomia dos povos indígenas para definir
e expressar suas próprias formas de espiritualidade, sem a
interferência de categorias externas. Em síntese,
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"religiosidades" é um termo que, por traduzir essa lógica
alternativa de compreensão de vínculos com o sagrado,
contribui para combater processos históricos de imposição
de crenças e práticas religiosas externas aos povos
indígenas, tais como a catequização e o proselitismo.
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Religiosidade popular
Falar em religiosidade popular é fazer referência ao
fenômeno das formas religiosas do povo de maneira
diferenciada do que é proposto pelas instituições, já que é
um fenômeno próprio presente nos sistemas religiosos e na
cultura popular. Faz parte do imaginário religioso dos
diversos setores populares, reproduzindo o conhecimento e
a prática erudita da religião dominante e mostrando a
relação com o universo social e simbólico das suas
experiências religiosas (BONFIM, 2022). A religiosidade
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popular, intrinsecamente ligada às práticas cotidianas e às
crenças arraigadas nas comunidades, constitui um
fenômeno fascinante e multifacetado.
As manifestações religiosas populares revelam uma
dimensão que vai além do ato religioso, representado por
festas, procissões, alimentação típica e outras práticas,
porque considera o extraordinário e revela os mais diversos
aspectos da vida cotidiana do povo. Como manifestações da
religiosidade popular são vastas e diversas, refletem a
riqueza da imaginação cultural e espiritual das comunidades.
Festas tradicionais, peregrinações, práticas de cura,
veneração de santos locais e rituais sincréticos são apenas
alguns exemplos. A devoção à Maria, mãe de Jesus, em
muitas culturas latino-americanas, ou a celebração do Dia
dos Mortos, no México, são instâncias emblemáticas dessa
rica tradição religiosa popular. Portanto, a cultura de um
povo se mostra pela compreensão da religião vivenciada por
ele, sendo muito importante e necessária a compreensão
não somente das religiões institucionalizadas, mas também
das manifestações populares que expressam o caráter
religioso e a compreensão da vida de um povo e de uma
cultura.
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A religiosidade popular não é apenas uma expressão
espiritual; ela é um componente vital na construção da
identidade cultural. Ao longo das gerações, as práticas
religiosas populares moldaram e preservaram tradições,
conectando as comunidades às suas raízes históricas.
Através de rituais transmitidos oralmente e festividades
ancestrais, as comunidades reafirmam sua identidade
coletiva (GEERTZ, 2008).
Apesar de sua riqueza cultural, a religiosidade popular
muitas vezes enfrenta desafios e controvérsias. A influência
de forças externas, a secularização crescente e, em alguns
casos, a estigmatização por parte de instituições religiosas
mais formalizadas podem representar ameaças à
preservação dessas tradições (SANCHIS, 1997).
A religiosidade popular, vista através da lente da
antropologia da religião, emerge como um fenômeno
intrincado que transcende as fronteiras teológicas. Ao
compreender suas manifestações, seus significados e seu
papel na construção da identidade cultural, somos
conduzidos a uma apreciação mais profunda das
complexidades da experiência religiosa humana. É na
interseção entre o divino e o mundano, entre o sagrado e o
cotidiano, que a religiosidade popular revela sua verdadeira
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essência, contribuindo de maneira significativa para a
riqueza da diversidade cultural e espiritual no panorama
global.
Vamos Exercitar?
Vamos Exercitar?
Conflito “Campo x Cidade e
Religiosidade”
A partir de agora, podemos revisitar aquela situação-
problema inicial, sobre o conflito “Campo x Cidade e
Religiosidade”, daquela comunidade rural que passa por um
processo de urbanização. Percebemosque os
questionamentos lançados são mais complexos do que
imaginávamos. Mas, com os conhecimentos adquiridos,
estamos mais equipados para encontrar soluções.
As indagações foram: Como a origem social (rural ou urbana)
influencia a percepção dos indivíduos nesta comunidade
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sobre os conflitos ambientais e socioeconômicos gerados
pela urbanização? De que forma o déficit habitacional
contribui para a intensificação dos conflitos sociais e
ambientais na comunidade em questão? Como os conflitos
religiosos se interligam com as disputas por recursos
naturais e espaços urbanos na comunidade?
Para compreender e buscar soluções a contento, precisamos
ponderar que a urbanização acelerada em comunidades
rurais, tal como a descrita, desencadeia uma série de
conflitos complexos e interligados. Isto porque a colisão
entre tradições, crenças e estilos de vida, intensificada pela
chegada de novos habitantes e pela imposição de um novo
ritmo de vida, gera tensões que se manifestam de diversas
formas.
Os conflitos religiosos, com suas raízes históricas e culturais
profundas, são um dos principais desafios enfrentados. As
diferentes interpretações de textos sagrados, as disputas por
espaços sagrados e a resistência à mudança de hábitos
religiosos geram um clima de polarização e desconfiança.
Paralelamente, os conflitos socioeconômicos se intensificam
com a chegada da indústria. A desigualdade na distribuição
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de renda, a precarização das condições de trabalho, o déficit
de moradia e a disputa por recursos naturais acirram as
tensões entre os diferentes grupos sociais. A população
local, tradicionalmente ligada às atividades agrícolas, pode se
sentir marginalizada e prejudicada pelos impactos da
industrialização.
Os conflitos ambientais também são uma consequência
direta da urbanização. A poluição, a degradação dos
recursos naturais e a perda da biodiversidade ameaçam a
qualidade de vida da população e a sustentabilidade do meio
ambiente. A disputa pelo uso da terra e da água intensifica
os conflitos entre os diferentes grupos de interesse.
Para superar esses desafios, é fundamental promover o
diálogo e a construção de consensos entre os diferentes
atores sociais. A educação para a diversidade, a cidadania e a
sustentabilidade, é fundamental para promover a
convivência pacífica e a construção de um futuro mais justo e
equitativo.
É necessário também investir em políticas públicas que
promovam a inclusão social, a geração de emprego e renda e
a proteção do meio ambiente. A participação da comunidade
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na elaboração e implementação dessas políticas é
fundamental para garantir a sua legitimidade e efetividade.
A resolução dos conflitos gerados pela urbanização exige
uma abordagem multidisciplinar, que leve em consideração
os aspectos sociais, econômicos, culturais e ambientais. É
necessário superar as visões fragmentadas e buscar
soluções integradas que beneficiem toda a comunidade.
Em suma, a urbanização acelerada em comunidades rurais
representa um grande desafio para a construção de
sociedades mais justas e sustentáveis. A superação dos
conflitos gerados por esse processo exige a construção de
um novo pacto social, baseado no diálogo, na cooperação e
no respeito às diferenças.
Ao compreender a origem social, somos capazes de
identificar e analisar as desigualdades sociais, as
oportunidades e os desafios que cada indivíduo enfrenta em
função de seu contexto social.
O conhecimento sobre o déficit habitacional nos sensibiliza
para a importância do direito à moradia digna e para as
consequências sociais da falta de acesso a um lar adequado.
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As religiões e religiosidades, por sua vez, moldam as visões
de mundo, os valores e os comportamentos das pessoas. Ao
compreender as diferentes manifestações religiosas,
podemos estabelecer relações mais empáticas e respeitosas
com pessoas de diferentes culturas e crenças.
Assim, foi possível apreender que o conhecimento desses
temas é um investimento no desenvolvimento pessoal e
profissional, permitindo que sejamos cidadãos mais
conscientes e engajados na construção de um mundo
melhor para todos.
Saiba mais
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Juventude e situação de rua
A obra escrita por Fabíola de Lourdes Moreira Rabelo e Lana
Mara de Castro Siman, “Jovens em situação de rua e seus
rolés pela cidade: registros de subversão e (r)existência”
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(2021), disponível em sua biblioteca virtual, fornece um
importante panorama sobre os processos de socialização
vivenciados por jovens em situação de rua na cidade de Belo
Horizonte-MG.
É um livro que apresenta reflexões acerca dos efeitos da
segregação social e espacial na vida dos jovens em situação
de rua, discutindo a invisibilidade social, o racismo, os
mecanismos de controle e violência que afetam suas
trajetórias. Para além disso, destaca as táticas cotidianas dos
jovens em situação de rua, tangenciadas por movimentos de
(r)existência e reinvenção de suas possibilidades de ser, viver
e estar na cidade.
 RABELO, Fabíola de Lourdes Moreira. SIMAN, Lana Mara de
Castro. Jovens em situação de rua e seus rolés pela cidade:
registros de subversão e (r)existência. 1. ed. Curitiba: Appris,
2021. 154 p. 
Religiões – no plural!
Conforme visto, a liberdade de religião reconhece a
existência de uma diversidade de credos, assegurando a
cada indivíduo a prerrogativa de seguir, se quiser, aquele
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https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/211506/epub/0?code=jesjYW4c5bcU70wmx0MDZo7LpQlyXa9DdKoxqdnD7Whhc0Ts95wzhc0LbgU0Q9v/nsnrvqnFnDer1WJK8TfC8g==
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/211506/epub/0?code=jesjYW4c5bcU70wmx0MDZo7LpQlyXa9DdKoxqdnD7Whhc0Ts95wzhc0LbgU0Q9v/nsnrvqnFnDer1WJK8TfC8g==
https://plataforma.bvirtual.com.br/Leitor/Publicacao/211506/epub/0?code=jesjYW4c5bcU70wmx0MDZo7LpQlyXa9DdKoxqdnD7Whhc0Ts95wzhc0LbgU0Q9v/nsnrvqnFnDer1WJK8TfC8g==
que melhor lhe convém. Como conciliar, todavia, essa
grande variedade religiosa em uma mesma sala de aula, com
diferentes estudantes? O ensino religioso é compatível com a
liberdade religiosa dos alunos? Sugerimos a leitura da
reportagem sobre o tema, indicada a seguir, para que reflita
sobre a viabilidade ou não do ensino religioso no Brasil, à luz
do direito à liberdade religiosa.
MARTÍN, María. STF decide que escola pública pode
promover crença específica em aula de religião. El País, 2017.
Referências
Referências
BASTIDE, Roger. FERNANDES, Florestan. Brancos e negros
em São Paulo. São Paulo: Editora Global, 2008. 
BERGER FILHO, Airton Guilherme et al. Cidade para todos. 1.
ed. Porto Alegre: Educs, 2021. E-book. 
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https://brasil.elpais.com/brasil/2017/08/31/politica/1504132332_350482.html
https://brasil.elpais.com/brasil/2017/08/31/politica/1504132332_350482.html
BONFIM, Luís Américo Silva. Religiosidade na América Latina:
complexidade, integração e valorização cultural. 1. ed.
Curitiba: Intersaberes, 2022. E-book. 
BOURDIEU, Pierre. Sociologia geral. vol. 1. 1ª ed. São Paulo:
Vozes, 2021a. E-book. 
BOURDIEU, Pierre. Sociologia geral: habitus e campo - curso
no Collège de France (1982-1983). vol. 2. 1ª ed. São Paulo:
Vozes, 2021b. E-book. 
BOURDIEU, Pierre. Sociologia geral: vol. 3: as formas do
capital - curso no College de France (1983-1984). vol. 3.
Petrópolis: Vozes, 2023. E-book. 
CAMPOS, Ana Cristina. “Brasil registra déficit habitacional de
6 milhões de domicílios” In: Agência Brasil [online], publicado
em 24/04/2024, 18h54. Disponível em:
https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2024-04/brasil-
registra-deficit-habitacional-de-6-milhoes-de-domicilios.Acesso: 24 out 2024. 
CARLOS, Ana Fani Alessandri; SOUZA, Marcelo Lopes de;
SPOSITO, Maria Encarnação. A produção do espaço urbano:
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AMBIENTAL
https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2024-04/brasil-registra-deficit-habitacional-de-6-milhoes-de-domicilios
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agentes e processos, escalas e desafios. 1. ed. São Paulo:
Contexto, 2012. E-book. 
CHUEIRE, Lúcia. Religiosidades africanas e ameríndias. 1. ed.
Curitiba: Intersaberes, 2021. E-book. 
GAETA, Irene. Memória corporal: o simbolismo do corpo na
trajetória da vida. 3. ed. São Paulo: Vetor, 2016. E-book. 
GEDDES, Patrick. Cidades em evolução. 1. ed. Campinas:
Papirus, 2022. E-book. 
GEERTZ, C. A religião como sistema cultural. In: GEERTZ, C. A
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MARTÍN, María. STF decide que escola pública pode
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RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS,
DIREITOS HUMANOS E EDUCAÇÃO
AMBIENTAL
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MINSKY, Tânia Maria Sanches. Religiões, cultura e identidade.
1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2021. E-book. 
RABELO, Fabíola de Lourdes Moreira; SIMAN, Lana Mara de
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RIES, Julien. A ciência das religiões: história, historiografia,
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RODRIGUES, Arlete Moysés. Moradia nas cidades brasileiras.
10. ed. São Paulo: Contexto, 2022. E-book. 
SANCHIS, P. As religiões dos brasileiros. In: Revista Horizonte,
Belo Horizonte, v. 1, n. 2, 1997, p. 28-43. 
SANTOS, Boaventura de Sousa.  MARTINS, Bruno Sena. O
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DIREITOS HUMANOS E EDUCAÇÃO
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SANTOS, Márcia Pereira dos; PERES, Selma Martines; PAULA,
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SICARI, Aline Amaral; ZANELLA, Andrea Vieira. Pessoas em
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SILVA, Marisa Machado da. Política pública de moradia: uma
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TESKE, Ottmar. Sociologia da acessibilidade. 1. ed. Curitiba:
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https://doi.org/10.47946/rnera.v0i10.1429
Aula 5
Encerramento da Unidade
Videoaula de Encerramento
Videoaula de Encerramento
Olá, estudante! Agora, vamos explorar um tema
fundamental para a construção de uma sociedade mais justa
e harmoniosa: a diversidade. Vamos entender o que significa
ser diverso, como a intolerância religiosa e o fanatismo
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ameaçam essa diversidade e quais as consequências desses
comportamentos para a sociedade. Prepare-se para uma
jornada de reflexão sobre a importância do respeito às
diferenças e a construção de um mundo mais inclusivo.".
Acompanhe-nos nessa jornada de aprendizado e
transformação.
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Ponto de Chegada
Ponto de Chegada
Fé e intolerância: paradoxo a ser
quebrado
Compreender a diversidade de grupos populacionais é
fundamental para construir sociedades mais justas. Ao
analisar as características e necessidades específicas de cada
grupo, podemos identificar desigualdades e criar políticas
públicas mais eficazes. As políticas de inclusão visam garantir
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https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/80473229-4cc2-45cc-9848-7ddaa0047132/48/a8a4dd8d-1c47-5b15-9859-bcadfe6ecc26.pdf
que todos tenham as mesmas oportunidades, combatendo a
discriminação e o preconceito.
O conhecimento sobre as questões dos povos indígenas, de
gênero, família e sexualidade, do etarismo e das pessoas
com deficiência, da origem social Campo X Cidade e do
respeito à diversidade religiosa é fundamental para a
construção de uma sociedade mais justa e equitativa. Ao
compreender as especificidades e desafios enfrentados por
cada grupo, podemos desconstruir estereótipos, combater a
discriminação e promover a inclusão. A diversidade é um rico
mosaico que enriquece a nossa sociedade.
A partir do entendimento da diversidade, podemos perceber
que é fundamental aprofundar a análise sobre as
consequências da falta desse conhecimento e respeito. A
intolerância religiosa, manifestação concreta da
desvalorização da diversidade, emerge como um dos
maiores desafios a serem enfrentados. Ao desconsiderar as
crenças e práticas religiosas alheias, a intolerância não
apenas fere direitos individuais, mas também fragiliza o
tecido social, alimentando conflitos e gerando um ambiente
de hostilidade e medo.
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O vínculo com o sagrado pode ser uma fonte de união e
comunidade, porque muitas pessoas encontram em suas
crenças um senso de pertencimento e propósito,
fortalecendo laços comunitários. A religião/religiosidade
oferece um conjunto de valores e princípios que guiam as
ações e as decisões das pessoas, promovendo a ética e a
moralidade. No mesmo sentido, a prática religiosa pode
trazer conforto, esperança e um sentido mais profundo de
significado para a vida.
Por outro lado, a religião também pode ser associada à
intolerância. Por diversos motivos, diferentes grupos
religiosos podem interpretar os mesmos textos sagrados de
formas distintas, gerando conflitos e desentendimentos.
Algumas religiões podem fomentar a ideia de que seus
seguidores são superiores a outros, justificando a
discriminação e a perseguição; alguns líderes religiosos
podem manipular as crenças de seus seguidores para fins
políticos, incitando o ódio e a violência contra grupos
considerados inimigos; e pesa ainda que conflitos religiosos
do passado podem deixar marcas profundas nas sociedades,
perpetuando a desconfiança e a hostilidade entre diferentes
grupos.
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Infelizmente, a intolerância ainda é algo presente na
realidade cotidiana de nosso país. Quando essa intolerância
é praticada de modo intenso, revelando uma adesão
fervorosa e desmedida a uma convicção, e em total desprezo
às outras maneiras de se analisar o tema, podemos
identificar o fanatismo nesse comportamento.
O fanatismo está presente em diversas áreas da vida
humana, seja na paixão por um time de futebol ou, numa
perspectiva mais pertinente aos estudos aqui empreendidos,
por meio da adesão a movimentos sociais mais amplos,
envolvendo componentes mais abrangentes da vida em
comunidade, como política e religião.
Existem alguns fatores levantados pelos estudiosos que
revelam, em linhas gerais, tendências do fanatismo.
Constata-se a tendência de se distinguir as pessoas em
categorias ou grupos, muitas vezes em apenas duas classesopostas, com o objetivo de reforçar aquilo em que
acreditamos. Um dos campos da vida coletiva em que o
fanatismo encontra terreno fértil para se desenvolver é na
conjunção entre a dinâmica política e a lógica religiosa.
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Do ponto de vista individual, afirmou-se a liberdade de
crença, permitindo que cada indivíduo professasse sua fé
independentemente da religião adotada; nesse sentido, é
exemplar o artigo 10º da Declaração de Direitos do Homem e
do Cidadão (1789): “Ninguém pode ser molestado por suas
opiniões, incluindo opiniões religiosas, desde que sua
manifestação não perturbe a ordem pública estabelecida
pela lei” (DECLARAÇÃO..., 1789, [s.p.]). Esse processo de
afastamento da atuação política da condução da vida
religiosa se desenvolveria com mais intensidade a partir de
então, até que chegássemos ao conceito de laicidade estatal,
reconhecendo, em linhas gerais, a neutralidade do Estado
em relação às questões religiosas, a liberdade de religião e a
pluralidade. 
Adotada atualmente na maioria dos países do globo, a
exemplo do Brasil, a laicidade determina que não há uma
religião oficial do Estado e permite que os cidadãos estejam
livres – e protegidos – para praticarem a religião que
escolherem. Note que a laicidade, ao negar a existência de
uma fé estatal, não estabelece a proibição das manifestações
religiosas, mas, muito pelo contrário, autoriza a
exteriorização de toda e qualquer crença religiosa,
amparando-as de modo igualitário.
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Assim, é a laicidade do Estado brasileiro que estabelece
fundamentos constitucionais para que ninguém tenha seus
direitos reduzidos sob justificativas religiosas, ou seja,
possibilita que os indivíduos disponham de total liberdade
para exprimirem sua fé, de modo pleno e salvaguardado –
tornando ilegais ofensas por parte tanto do Estado, quanto
de outros indivíduos, ou órgãos da sociedade civil, e impede
que órgãos estatais estabeleçam uma religião manifesta, sob
risco de afetar a liberdade religiosa e o tratamento igualitário
aos cidadãos nacionais. Percebe-se, portanto, a centralidade
da laicidade para a manutenção da pluralidade da
democracia de nosso país.
Sob tal entendimento, são variados os dilemas de nossa
sociedade contemporânea neste tema. Nesse sentido,
podemos ponderar sobre a o ensino religioso em escolas
públicas, na modalidade confessional – isto é, em que se
aprofunda o estudo de uma crença específica. Isso pode
prejudicar a neutralidade do Estado no campo religioso, uma
vez que a fé ensinada em uma instituição pública estaria em
situação de privilégio frente às demais. Segundo Elcio
Cecchetti, coordenador-geral do Fórum Nacional
Permanente de Ensino Religioso (Fonaper), a possibilidade
do ensino confessional: 
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acaba beneficiando a religião católica, que tem uma
estrutura de catequistas, editoras e meios de
comunicação capaz de atuar em todo o país. ‘As outras
instituições saem em desvantagem. Fico imaginando
como uma instituição como a umbanda, que não tem
editoria, não tem TV, não tem estrutura. Como vai formar
professores para dar aula nas escolas? Como as culturas
indígenas vão preparar professores? Estamos selando
uma desigualdade de partida. (MORENO, 2017, [s.p.]) 
Em âmbito político, também, podemos questionar a
manutenção ou não da laicidade estatal se observarmos a
formação de grupos parlamentares religiosos, que buscam
em suas crenças os fundamentos para a normatização de
temas com apelo moral, condicionando suas atuações na
dinâmica legislativa a uma determinada visão religiosa
(MARINI; CARVALHO, 2018).
Há que se reconhecer que as variáveis que orientam a
performance política devem ser estritamente racionais, isto
é, por mais que existam diferentes opiniões sobre como a
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política deve ser conduzida, é fundamental que tais
argumentos sejam estabelecidos com base em dados,
estudos e análises empíricos – do mundo real –, uma vez que
é nesse campo terreno – e não no domínio celeste ou divino
– que as relações políticas se estabelecem.
Na religião, por sua vez, existem dogmas, crenças e
princípios que estão além da razão humana, situando-se no
campo da fé, do sagrado, questões inquestionáveis do ponto
de vista estritamente racional; e é justamente nessa
condição que o fanatismo religioso se torna problemático.
Estabelecer toda uma série de preceitos religiosos – de
qualquer religião – como parâmetros para a determinação
de políticas públicas, significa retirar a política do campo da
razão e transferi-la para a lógica da fé.
Esse movimento de anular a laicidade estatal não só
desrespeita a liberdade religiosa, como também fragiliza a
administração da vida pública, já que torna a política distante
da argumentação racional, que é igualmente acessível a
todos os cidadãos.
Vale lembrar que se o fundamentalismo religioso se torna
evidente quando exercido por meio de ações extremas –
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como atentados violentos ou perseguições a minorias
religiosas –, esse mesmo fanatismo pode muito bem ser
praticado através de atuações mais sutis, como o
aparelhamento dos cargos públicos por integrantes de uma
doutrina específica, pelo desvio da atuação estatal em
benefício – ou em detrimento – de um grupo religioso e
mesmo pela utilização de princípios religiosos particulares na
produção legislativa, na atividade judiciária ou na
administração pública.
Nota-se, portanto, que o fundamentalismo religioso
contemporâneo apresenta obstáculos significantes ao
pluralismo e à consolidação de ambientes democráticos.
Essa modalidade de fanatismo estimula a segregação social,
ao criar categorias dos adeptos e não adeptos da fé oficial;
reduz as possibilidades de diálogo em meio à comunidade, já
que orienta sua conduta por crenças específicas unilaterais;
e estimula a intolerância, na medida em que atinge a
pluralidade social.
Nesse momento do estudo, torna-se importante ressaltar
que, embora normalmente se costume atribuir o
fundamentalismo religioso a esta ou aquela crença, é
necessário reconhecer que o fanatismo – infelizmente – não
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é exclusividade de nenhuma religião, existindo exemplos
históricos nas mais diversas devoções.
Se o aspecto religioso pode ser identificado como
fundamento para fanatismos que remontam a séculos
passados, e que persistem até os dias de hoje, existem
outras formas de radicalismo que são frutos da
contemporaneidade, principalmente por se utilizarem dos
meios tecnológicos característicos de nosso tempo. 
Analisados os diversos movimentos de fanatismo
contemporâneos, torna-se evidente que existem fatores
comuns à intolerância por eles defendidos, dentre os quais
podemos citar a utilização de argumentos sem
embasamento científico ou racional, valendo-se, portanto, de
mitos que não espelham e realidade, bem como o profundo
medo ou incompreensão daquilo que é diferente, revelando
a fragilidade que reside por trás da aparência de força,
tradicional aos movimentos fanáticos.
É Hora de Praticar!
É
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É Hora de Praticar!
Entrecruzamentos entre origem,
território e religião
Em um mundo cada vez mais interconectado, a
disseminação de informações e a polarização de opiniões
têm intensificado o fanatismo em diversas áreas, incluindo a
religião, a política e a ideologia. As redes sociais, em
particular, têm amplificado vozes extremistas e facilitado a
formação de grupos radicais.
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Imagine que uma universidade decide promover um projeto
interdisciplinar para abordar o tema do fanatismo de forma
abrangente, envolvendo alunos dediferentes áreas do
conhecimento. O objetivo é desenvolver soluções criativas e
inovadoras para combater o fanatismo e promover a
tolerância e o respeito à diversidade.
Reflita
Frente ao exposto, os seguintes questionamentos
perpassam a execução deste projeto: Como o fanatismo se
manifesta em diferentes contextos sociais e culturais? Quais
são as principais causas do fanatismo e como ele pode ser
combatido? Qual o papel das instituições de ensino na
promoção da tolerância e do respeito à diversidade?
Resolução do Estudo de Caso
Para responder às perguntas e executar o projeto, as tarefas
dos estudantes envolvem analisar eventos históricos em que
o fanatismo desempenhou um papel central e identificar os
fatores que contribuíram para o surgimento e a
intensificação desses movimentos; investigar as causas
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sociais e psicológicas do fanatismo, explorando conceitos
como identidade, pertencimento e medo do diferente;
analisar a influência dos meios de comunicação,
especialmente das redes sociais, na disseminação de
discursos de ódio e na polarização política; desenvolver
propostas pedagógicas para promover a educação para a
cidadania e o respeito à diversidade nas escolas; refletir
sobre os fundamentos filosóficos e ideológicos do fanatismo
para propor alternativas para uma convivência pacífica em
um mundo plural; e, por fim, criar obras de arte que
expressem a complexidade do tema e provoquem a reflexão
sobre o fanatismo.
Como cumprimento às tarefas, os estudantes chegaram ao
entendimento de que o fanatismo se manifesta de diversas
formas em diferentes contextos, mas geralmente envolve a
adesão cega a uma ideia ou ideologia, pois o fanático tende a
aceitar sem questionar as crenças de seu grupo, mesmo que
elas entrem em conflito com evidências ou valores
universais. A intolerância à diversidade também está
presente, pois o fanático rejeita opiniões e estilos de vida
diferentes dos seus, muitas vezes com hostilidade e
agressividade. E, ainda, a propensão à violência, uma vez
que, em casos extremos, o fanatismo pode levar à violência
contra aqueles que são considerados inimigos ou hereges.
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Os exemplos podem ser ilustrados com a religião, a política e
o esporte.
Já as causas, sociais e psicológicas do fanatismo são
complexas e multifatoriais, incluindo insegurança, pois a
busca por identidade e pertencimento pode levar indivíduos
a se apegar a grupos e ideias extremistas; o medo do
diferente, já que o medo e a desconfiança em relação a
pessoas e culturas diferentes podem alimentar o
preconceito e a intolerância; a desigualdade social, uma vez
que sentimentos de injustiça e exclusão podem levar
pessoas a buscar soluções radicais; e, ainda, a manipulação,
dado que líderes carismáticos e populistas podem explorar
as emoções e as frustrações das pessoas para manipulá-las e
incitá-las à violência.
Para combater o fanatismo na sociedade é necessário um
esforço conjunto de diversos setores, partindo da educação,
por promover a educação para a cidadania, o respeito à
diversidade e o pensamento crítico; do diálogo estimulado
entre pessoas de diferentes origens e crenças; da mídia, para
combater a disseminação de discursos de ódio e promover a
informação de qualidade; e também da legislação, para
elaborar leis que protejam os direitos humanos e punam
atos de discriminação e violência.
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As instituições de ensino têm um papel fundamental na
formação de cidadãos críticos e tolerantes, podendo
contribuir para o combate ao fanatismo através de currículos
inclusivos, que incorporem temas como diversidade, direitos
humanos e tolerância em todas as disciplinas; métodos de
ensino participativos, que promovam o debate, a troca de
ideias e a resolução de conflitos de forma pacífica; a
formação de professores capacitados para lidar com
questões complexas como o preconceito e a discriminação;
parcerias com a comunidade, a fim de estabelecer esforços
conjuntos para promover a diversidade e a inclusão.
Assimile
Tecnologias assistivas: um mapa
para a inclusão
As tecnologias assistivas são ferramentas que promovem a
autonomia e inclusão de pessoas com deficiência.
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Referências
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São Paulo: Editora Summus, 2011. 
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em: https://edisciplinas.usp.br/mod/resource/view.php?
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IKEDA, Cátedra Daisaki. Direitos Humanos - volume IV.
Editora Processo, 2024. 
MARINI, L.; CARVALHO, A. L. de. Renovada, bancada
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Congresso em foco, 2018. Disponível em:
https://congressoemfoco.uol.com.br/legislativo/renovada-
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congresso Acesso em: 06 nov. 2024. 
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https://congressoemfoco.uol.com.br/legislativo/renovada-bancada-evangelica-chega-com-mais-forca-no-proximo-congresso
https://congressoemfoco.uol.com.br/legislativo/renovada-bancada-evangelica-chega-com-mais-forca-no-proximo-congresso
MORENO, A. C. Ensino religioso confessional pode gerar
disputa por espaço em sala de ala, dizem especialistas. G1,
2017. Disponível em:
https://g1.globo.com/educacao/noticia/autorizacao-de-
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gestao-dizem-especialistas.ghtml Acesso em: 06 nov. 2024. 
SANTOS, Boaventura de Sousa.  MARTINS, Bruno Sena. O
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dignidade. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2019. 544 p. 
 
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https://g1.globo.com/educacao/noticia/autorizacao-de-ensino-religioso-confessional-pelo-stf-pode-criar-caos-de-gestao-dizem-especialistas.ghtml
https://g1.globo.com/educacao/noticia/autorizacao-de-ensino-religioso-confessional-pelo-stf-pode-criar-caos-de-gestao-dizem-especialistas.ghtml
https://g1.globo.com/educacao/noticia/autorizacao-de-ensino-religioso-confessional-pelo-stf-pode-criar-caos-de-gestao-dizem-especialistas.ghtmlocupação de espaços de decisão nas políticas
públicas. Essa mobilização e representação política são
fundamentais para garantir a proteção de seus direitos, a
valorização de suas culturas e de seus conhecimentos
tradicionais (SOUZA; WITTMAN, 2016).
Como vimos, a luta pela demarcação de terras indígenas é
um dos principais desafios, embora nem de longe seja o
único. Envolve a garantia do direito constitucional à terra, a
preservação da cultura e a sobrevivência dos povos
indígenas. A demarcação enfrenta obstáculos como invasões
de terras, pressões de grandes empresas e interesses
econômicos, além de processos burocráticos lentos e
complexos. A luta pela demarcação é uma constante no
movimento indígena, exigindo união, resistência e
mobilização para garantir a proteção dos territórios e a
justiça para os povos originários (BERNARDO, 2021).
Suas estratégias de luta têm englobado mobilizações e
protestos, ocupações de espaços públicos e privados,
articulações com outros movimentos sociais, utilização de
ferramentas jurídicas e comunicacionais, participação em
fóruns internacionais, fortalecimento da identidade cultural
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e da auto-organização, além da valorização dos
conhecimentos tradicionais e da busca por soluções
sustentáveis para o meio ambiente. Neste sentido, inclusive,
a participação em fóruns internacionais, como a Organização
das Nações Unidas (ONU), tem permitido aos povos
indígenas denunciar as violações de seus direitos e fortalecer
suas articulações.
A construção de identidades políticas indígenas envolve a
afirmação de suas origens, culturas e direitos, em oposição a
uma visão eurocêntrica e colonizadora. Através da
valorização de suas línguas e costumes, os povos indígenas
constroem suas identidades políticas, buscando autonomia e
autodeterminação. A bandeira contra a violência também é
uma constante nos movimentos sociais, em geral, e,
particularmente, indígenas, resistindo à criminalização e ao
assassinato de suas lideranças, bem como outras formas de
violações que os movimentos denunciam e combatem
(KRENAK; SILVESTRE; SANTOS, 2021).
A construção de políticas públicas específicas aos povos
indígenas envolve a participação ativa dos integrantes de
suas comunidades na definição e implementação de
processos que respeitem seus modos de vida. É necessário o
diálogo constante entre o Estado, as organizações indígenas
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e a sociedade civil, buscando soluções conjuntas. É
fundamental reconhecer a diversidade dos povos indígenas
e suas especificidades, assim como devem ser respeitados
os princípios da consulta prévia, livre e informada,
garantindo que os indígenas tenham voz nas decisões que os
afetam diretamente (MICHALISZYN, 2024).
Como trágica ilustração negativa do descumprimento desses
princípios, podemos apontar a implementação de projetos
desenvolvimentistas, tais como a construção de hidrelétricas,
rodovias, mineradoras e agronegócios, que causam
deslocamentos forçados, contaminação ambiental, perda de
biodiversidade e conflitos violentos. Em sua grande maioria,
esses projetos desconsideram os conhecimentos tradicionais
indígenas sobre a terra e seus recursos, resultando em
violações de direitos e empobrecimento das comunidades.
 A luta contra o racismo e a discriminação também é uma
batalha constante e multifacetada, envolve a desconstrução
de estereótipos, do etnocentrismo, a denúncia de práticas
racistas e a promoção da igualdade racial. Os povos
indígenas enfrentam um racismo estrutural e histórico que
se manifesta em diversas esferas da sociedade, desde a
educação até o acesso à justiça (FONSECA, 2012). A educação
desempenha um papel crucial ao promover o conhecimento
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sobre a história e a cultura dos povos indígenas e
desconstruir os estereótipos que os marginalizam (MARÇAL;
LIMA, 2015).
A busca por autonomia indígena é um movimento
fundamental para que possam exercer seu direito à
autodeterminação. Envolve a luta por maior controle sobre
seus territórios, recursos naturais e decisões políticas que os
afetam diretamente. Engloba o fortalecimento de suas
instituições e culturas, com o objetivo de garantir a
preservação de seus modos de vida e a construção de um
futuro mais justo e equitativo (SOUZA; WITTMAN, 2016). Vale
ressaltar que essa autonomia não significa isolamento, e sim
consiste na capacidade de participar ativamente da
sociedade, com suas próprias identidades e valores,
contribuindo para a construção de um país mais diverso e
plural.
Neste sentido, é importante ressaltar que a luta dos povos
indígenas é um processo que contribui para o fortalecimento
da sociedade como um todo, mediante a construção de uma
sociedade mais justa e igualitária.
Desafios contemporâneos
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No que tange à cultura e à identidade, conforme
destacamos, a educação desempenha um papel
fundamental. A política de criação de escolas indígenas, por
exemplo, busca garantir o direito à educação diferenciada e
intercultural para os povos indígenas, respeitando suas
culturas, línguas e conhecimentos tradicionais. Essas escolas
visam fortalecer a identidade indígena, promover o
bilinguismo e preparar os alunos para o exercício da
cidadania (MARÇAL; LIMA, 2015).
Trata-se de um direito constitucional e tem como objetivo
valorizar os saberes ancestrais e promover a autonomia dos
povos indígenas. Contudo, a implementação dessa política
vem enfrentando desafios, como a falta de recursos, a
carência de investimento na formação de professores
indígenas e a necessidade de adaptar os currículos às
realidades locais (MICHALISZYN, 2024).
A produção de materiais didáticos em línguas indígenas é um
passo fundamental para garantir o direito à educação
diferenciada e intercultural. Essa iniciativa pode valorizar as
línguas maternas, fortalecer a identidade cultural e
promover a aprendizagem de forma mais significativa. Ao
produzir esses materiais, torna-se mais acessível o desafio
da adaptação dos conteúdos aos contextos culturais e
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sociais específicos de cada povo. Além disso, essa prática
contribui para a revitalização das línguas indígenas e para a
construção de uma educação que respeite a diversidade
cultural do Brasil (MARÇAL, LIMA, 2015).
Os eventos culturais indígenas também são de fundamental
importância, pois, através deles, os membros de suas
comunidades podem compartilhar seus conhecimentos,
tradições e costumes, entre si e com outras comunidades,
fortalecendo sua identidade e visibilidade. Esses eventos
também servem como espaços de resistência e luta por
direitos, além de promover o diálogo intercultural e a troca
de saberes. As danças, músicas, artesanatos e rituais
apresentados são formas de expressão cultural que
conectam as gerações e transmitem a história e os valores
dos povos indígenas (RIBEIRO, 2017).
Para a compreensão da relação entre os povos originários e
o mundo ao seu redor, as cosmologias indígenas são de
fundamental importância. As cosmologias indígenas
consistem na complexa e rica visão de mundo que possuem,
baseada na interconexão entre todos os seres vivos e a
natureza. Elas são a base de seus conhecimentos
tradicionais, das suas práticas culturais e de seus sistemas
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de valores, guiando suas decisões e ações (RIBEIRO, PINTO
FILHO, 2022).
Através de suas cosmologias, os povos indígenas
estabelecem uma profunda conexão com a terra, os
ancestrais e os espíritos, compreendendo seu lugar no
universo e buscando viver em harmonia com a natureza.
Podemos afirmar que as cosmologias indígenas são um
tesouro de diversidade social, compostos de sabedoria
ancestral e que podem contribuir imensamente para a
construção de um futuromais sustentável e equitativo
(RIBEIRO, 2016).
Os sistemas de saúde tradicionais dos povos indígenas são
intrinsecamente ligados à sua cosmovisão, cultura e
espiritualidade. Eles representam um conhecimento milenar
transmitido de geração em geração, englobando práticas
curativas, rituais, uso de plantas medicinais e saberes sobre
o corpo e a mente. Esses sistemas vão muito além da
simples cura de doenças, abrangendo a promoção do bem-
estar físico, mental e espiritual. É fundamental reconhecer a
importância desses sistemas como parte do patrimônio
cultural e intelectual dos povos indígenas, e promover a sua
valorização e integração com os serviços de saúde
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convencionais, garantindo assim o direito à saúde e o
respeito à diversidade cultural (OIT, 2011).
Ainda sobre os povos indígenas, talvez você se pergunte se o
contato intercultural descaracteriza os povos indígenas. A
resposta a esta visão, muito recorrente e superficial, é que o
contato intercultural não descaracteriza os povos indígenas,
mas os transforma. Como um todo, a história da
humanidade é marcada por encontros e trocas culturais, e
os povos indígenas não estão imunes a esse processo. No
entanto, a forma como esses contatos ocorrem é
fundamental. Quando o contato é imposto e violento, tal
como ocorreu na colonização, ele pode levar à perda de
línguas, costumes e territórios. Por outro lado, quando o
contato é respeitoso e baseado na interculturalidade, ele
pode enriquecer ambas as culturas, sem que uma se
sobreponha à outra (CARVALHO, 2013).
É importante ressaltar que os povos indígenas são sujeitos
históricos que resistem e se adaptam às mudanças,
transformando-se ao longo do tempo, mas mantendo suas
identidades próprias. Os povos indígenas não são passivos
diante das transformações, pelo contrário, resistem,
adaptam-se e recriam suas culturas, demonstrando também
grande capacidade de resiliência e de ressignificação de suas
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identidades. Não podemos falar de extinção dos povos
indígenas, mas, sim, de um processo de transformação
constante, em que as culturas indígenas se misturam e se
reinventam ao longo do tempo (BRIGHENTI, 2016).
É neste sentido que devemos ressaltar, sempre, a
importância do diálogo intercultural, fundamental para os
povos indígenas em situação de contato com a cultura
nacional hegemônica, pois o diálogo permite a troca de
conhecimentos, experiências e visões de mundo,
promovendo o respeito mútuo e a valorização das diferentes
culturas. Através do diálogo, é possível construir pontes
entre os diferentes grupos sociais, desmistificar estereótipos
e fortalecer a luta pelos direitos indígenas (MICHALISZYN,
2024).
Deste modo, a tradição, com seus valores, costumes e
saberes indígenas, continua sendo a base de suas
identidades, mas se transforma ao entrar em contato com a
modernidade. Essa relação não é linear, mas marcada por
tensões e negociações. Os indígenas selecionam e adaptam
elementos da modernidade, incorporando-os à sua própria
cultura, criando assim novas formas de ser e viver. A tradição
não é estática, mas um processo vivo e em constante
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construção, moldado pelas experiências e desafios do
presente (BRIGHENTI, 2016).
Nesse sentido, a identidade juvenil indígena é um mosaico
complexo que exemplifica o modo como tradição e
modernidade se entrelaçam. Os jovens indígenas, ao mesmo
tempo em que se conectam com a ancestralidade de seus
povos, vivenciam as transformações do mundo
contemporâneo. Eles buscam preservar suas culturas,
línguas e costumes, mas também participam ativamente da
vida urbana, utilizam tecnologias e se engajam em
movimentos sociais. Essa dualidade cria uma identidade
única, marcada pela resistência, pela busca por
reconhecimento e pela construção de novos caminhos para
seus povos. As novas gerações indígenas são agentes de
transformação, carregando consigo a força da tradição e a
energia da inovação (SOUZA; WITTMAN, 2016).
Assim, os povos indígenas estão constantemente
reinventando suas formas de expressão cultural. Em um
mundo globalizado e digital, a juventude indígena combina
tradições ancestrais com ferramentas contemporâneas. Por
exemplo, a arte indígena transcende os limites das aldeias,
sendo exposta em galerias e museus, e adaptada a novas
mídias, como vídeos e animações. A música indígena
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também se reinventa, mescla instrumentos tradicionais com
ritmos urbanos, criando novos sons e alcançando um
público mais amplo. As redes sociais se tornaram
importantes ferramentas para a divulgação da cultura
indígena, permitindo que os jovens compartilhem seus
conhecimentos, suas artes e suas lutas por direitos. Essa
hibridização cultural não significa a perda da identidade, mas
sim uma forma de fortalecer e revitalizar as tradições em um
contexto contemporâneo (SOUZA; WITTMAN, 2016).
A etnologia indígena contemporânea busca compreender a
complexidade da experiência indígena em um mundo em
constante transformação, valorizando as vozes indígenas e
contribuindo para a construção de um futuro mais justo e
equitativo para todos os povos.
Siga em Frente...
Siga em Frente...
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Ameaçados e invisíveis: os
desafios dos povos indígenas
isolados
Segundo portal oficial Os Povos Indígenas no Brasil, a
situação dos povos isolados é uma das mais sensíveis do
planeta, e a compreensão de suas realidades é crucial para
garantir seus direitos e proteger seus territórios. Esses povos
habitam diversas regiões do mundo, mas estão
concentrados principalmente na Amazônia brasileira. No
Brasil, a maior parte desses grupos vive em terras indígenas
localizadas nas fronteiras com outros países, como Peru,
Colômbia e Bolívia.
Em território nacional, alguns dos grupos isolados mais
conhecidos incluem os Awá, no Maranhão, famosos por sua
resistência à invasão de seu território; os Kawahiva, em
Rondônia, que vivem em constante movimento para evitar o
contato; em diversos estados, os Guarani possuem grupos
que ainda mantêm um modo de vida tradicional e isolado.
Na região do Vale do Javari, no Amazonas, há uma
concentração significativa de povos isolados, muitos dos
quais ainda não foram contatados.
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A denominação "povos indígenas isolados", embora seja alvo
de muitos debates e discussões, se deve exatamente ao fato
de serem grupos que evitam o contato regular com a
sociedade não indígena. Essa decisão é, na maioria das
vezes, fruto de experiências históricas de violência e
exploração. O isolamento, portanto, é uma estratégia de
sobrevivência e resistência, que visa preservar sua
identidade e autonomia.
As principais ameaças que esses povos enfrentam incluem a
invasão de seus territórios por madeireiros, garimpeiros e
outros exploradores, a disseminação de doenças, a
construção de grandes projetos de infraestrutura e o contato
não consensual com a sociedade não indígena. O contato
pode levar à perda de suas culturas, à disseminação de
doenças e, em casos extremos, à extinção desses povos.
Culturalmente, cada povo indígena isolado possui suas
particularidades e desafios específicos, portanto, não existe
uma fórmula única para lidar com essas situações. Em geral,
eles preservam suas tradições, línguas e modos de vida de
forma autônoma. Socialmente, organizam-se em estruturas
próprias, com sistemas de parentesco e liderança distintos.
Territorialmente, ocupam áreas remotas, muitas vezes em
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florestas densas, onde encontram os recursos naturais
necessários para sua subsistência.
A proteção de seus territórios e a garantia de seu direito à
diferença são fundamentais e devem serrespeitados para
garantir a sua sobrevivência e a preservação de um
patrimônio cultural inigualável. Ações interinstitucionais
coordenadas são necessárias, envolvendo governos,
organizações indígenas e especialistas, para que as políticas
públicas sejam eficazes e respeitem as especificidades de
cada grupo.
É fundamental abordar cada caso de comunidade indígena
isolada de forma individualizada e respeitosa, buscando
sempre o diálogo com as demais organizações indígenas que
os representam. Existem diversas organizações indígenas
que trabalham em defesa de seus direitos, incluindo no
interesse dos povos indígenas isolados. A Survival
International é um destes exemplos de organização
internacional que luta pelos direitos dos povos indígenas,
com um foco especial nos povos isolados.
No Brasil, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI)
é responsável por proteger esses povos, incluindo os
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isolados. A FUNAI busca demarcar e proteger as terras
indígenas de invasores, porém, a efetividade dessas ações
varia. Contudo, a pressão de grupos econômicos e a falta de
recursos muitas vezes dificultam sua proteção, tornando-os
vulneráveis a diversas ameaças.
As melhores estratégias para protegê-los envolvem uma
abordagem multifacetada, que inclui a demarcação e
proteção efetiva de seus territórios, o monitoramento
constante dessas áreas para evitar invasões, a criação de
zonas de amortecimento para isolar os povos do contato
externo, a promoção de políticas públicas que garantam
seus direitos, o fortalecimento da vigilância indígena e a
conscientização da sociedade sobre a importância da
preservação dessas culturas, não apenas por uma questão
de direitos humanos, mas também de preservação da
biodiversidade e do equilíbrio ambiental.
A etnologia indígena recomenda uma abordagem
extremamente cautelosa e respeitosa à autodeterminação
desses grupos. A principal recomendação é evitar o contato
indiscriminado, compreendendo que a decisão de
estabelecer contato deve partir dos próprios povos
indígenas. A pesquisa etnográfica, quando realizada de
forma ética e responsável, pode fornecer informações
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valiosas para a elaboração de políticas públicas que visem à
proteção e promoção dos direitos dos povos indígenas
isolados.
Vamos Exercitar?
Vamos Exercitar?
Um caminho para a justiça
ambiental e social: protegendo
os direitos dos povos indígenas
A situação apresentada no início da aula revela um conflito
complexo entre o desenvolvimento econômico e a proteção
dos direitos dos povos indígenas. A mineração, embora
geradora de empregos e renda, representa uma grave
ameaça à cultura, ao modo de vida e ao meio ambiente de
comunidades tradicionais. A equipe multidisciplinar de
profissionais liberais tem um papel fundamental nesse
contexto, atuando como mediadores e defensores dos
direitos indígenas.
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Sobre o diagnóstico e a análise da realidade local, é
necessário observar: a) os impactos socioambientais: a
mineração pode causar contaminação de rios,
desmatamento, perda de biodiversidade e deslocamento de
comunidades, afetando diretamente a subsistência e a
saúde dos indígenas; b) a percepção da comunidade: a
comunidade indígena, por sua vez, vê seus territórios
ancestrais ameaçados, temendo a perda de sua identidade
cultural e a destruição de seus modos de vida tradicionais; c)
os argumentos da empresa: a empresa mineradora, por sua
vez, argumenta que o projeto trará desenvolvimento
econômico para a região, gerando empregos e
investimentos. No entanto, esses benefícios muitas vezes
são concentrados em poucos grupos, enquanto os custos
ambientais e sociais são distribuídos de forma desigual.
Sobre as estratégias e ações a serem implementadas, é
possível sintetizá-las em 6 passos:
1. A construção de um relacionamento de confiança com a
comunidade: é fundamental estabelecer uma relação de
confiança com a comunidade indígena, ouvindo suas
demandas e respeitando suas decisões.
2. A análise jurídica: realizar um estudo aprofundado da
legislação ambiental e dos direitos indígenas,
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identificando os instrumentos legais disponíveis para a
proteção dos territórios e dos direitos da comunidade.
3. A avaliação dos impactos socioambientais: realizar um
estudo detalhado dos impactos do projeto de mineração,
considerando os aspectos sociais, econômicos e
ambientais.
4. As propostas de alternativas: elaborar propostas de
desenvolvimento sustentável para a região, que
respeitem os direitos dos povos indígenas e promovam a
conservação da biodiversidade.
5. A mobilização social: desenvolver estratégias de
comunicação e mobilização social para sensibilizar a
sociedade sobre a importância da proteção dos direitos
indígenas e para pressionar os órgãos governamentais a
tomar medidas efetivas.
6. O acompanhamento e monitoramento: implementar um
sistema de monitoramento para acompanhar os
impactos do projeto de mineração e garantir o
cumprimento das medidas mitigadoras.
Alguns desafios a serem considerados consistem na pressão
econômica e política, pois a equipe multidisciplinar de
profissionais envolvidos neste caso certamente enfrentaria a
pressão de grupos econômicos e políticos que defendem os
interesses da mineração; além disso, a dificuldade de
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comunicação entre os diferentes atores envolvidos, que
poderia ser desafiadora, devido a diferentes culturas, valores
e interesses; e por fim, o tempo e recursos, dado que a
resolução de conflitos ambientais e sociais é um processo
longo e complexo, que exige tempo e recursos financeiros.
Deste modo, a situação apresentada reforça que a proteção
dos direitos dos povos indígenas é um desafio urgente e
complexo, que exige a atuação conjunta de diferentes
profissionais e setores da sociedade. Ao trabalhar de forma
colaborativa e respeitosa, os profissionais envolvidos de
forma ética e respeitosa podem contribuir para a construção
de um futuro mais justo e sustentável para todos.
Saiba mais
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Conheça um pouco mais sobre etnocentrismo, a partir da
definição de Everardo P. Guimarães Rocha (1988):
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Etnocentrismo é uma visão do mundo onde nosso
próprio grupo é tomado como centro de tudo e todos os
outros são pensados e sentidos através dos nossos
valores, nossos modelos, nossas definições do que é a
existência. No plano intelectual pode ser visto como a
dificuldade de pensarmos a diferença; no plano afetivo,
como sentimentos de estranheza, medo, hostilidade etc.
Perguntar sobre o que é etnocentrismo é, pois indagar
sobre um fenômeno onde se misturam tanto elementos
intelectuais e racionais quanto elementos emocionais e
afetivos. No etnocentrismo, estes dois planos do espírito
humano – sentimento e pensamento – vão juntos
compondo um fenômeno não apenas fortemente
arraigado na história das sociedades como também
facilmente encontrável no dia a dia das nossas vidas.
Assim, a colocação central sobre o etnocentrismo pode
ser expressa como a procura de sabermos os
mecanismos, as formas, os caminhos e razões enfim,
pelos quais tantas e tão profundas distorções se
perpetuam nas emoções, pensamentos, imagens e
representações que fazemos da vida daqueles que são
diferentes de nós.
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Sugerimos que se aprofunde no tema com o livro:
ROCHA, Everardo P. Guimarães. O que é etnocentrismo. Ed.
Brasiliense. São Paulo, 1988.
Referências
Referências
BERNARDO, Leandro Ferreira. Povos indígenas e direitos
territoriais. 1. ed. Belo Horizonte: Del Rey, 2021. E-book. 
BRIGHENTI, C. A. Colonialidade e decolonialidade no ensino
de História e CulturaIndígena. In: SOUZA, F. F.; WITTMAN, L.
T. Protagonismo indígena na história. Tubarão: Copiart,
2016. 
CARNEIRO, Sueli. Racismo, sexismo e desigualdade no Brasil.
São Paulo: Editora Summus, 2011. 
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DIREITOS HUMANOS E EDUCAÇÃO
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CARVALHO, Ana Paula Comin de et al. Desigualdades de
gênero, raça e etnia. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2013. E-
book. 
FERNANDES, Florestan. Mudanças sociais no Brasil: aspectos
do desenvolvimento. 4. ed. São Paulo: Global, 2008. E-book. 
FONSECA, Dagoberto José. Você conhece aquela?. 1. ed. São
Paulo: Summus, 2012. E-book. 
KRENAK, Ailton; SILVESTRE, Helena; SANTOS, Boaventura de
Sousa. O sistema e o antissistema: três ensaios, três mundos
no mesmo mundo. 1. ed. São Paulo: Autêntica, 2021. E-book. 
LÉON-PORTILLA, Miguel. A conquista da América Latina vista
pelos indígenas: relatos astecas, maias e incas. Petrópolis, RJ:
Vozes, 2023. E-book. 
LEWIS, N. Genocídio. Em reportagem de 1969, o extermínio
sem fim dos índios no Brasil. Piauí, [S.l.], p. 40-52, jan. de
2019. 
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MALAQUIAS, Maria Célia. Psicodrama e relações étnico-
raciais: diálogos e reflexões. 1. ed. São Paulo: Ágora, 2020. E-
book. 
MARÇAL, José Antônio; LIMA, Silvia Maria Amorim. Educação
escolar das relações étnico-raciais: história e cultura afro-
brasileira e indígena no Brasil. Curitiba: Intersaberes, 2015.
E-book. 
MARCHIORO, Marcio. Questão indígena no Brasil: uma
perspectiva histórica. 1. ed. Curitiba: Intersaberes, 2018. E-
book.
MICHALISZYN, Mario Sergio. Relações étnico-raciais para o
ensino da identidade e da diversidade cultural brasileira. 2.
ed. Curitiba, PR: Intersaberes, 2024. 
NEVES, Erivaldo Fagundes. Formação social do Brasil: etnia,
cultura e poder. 1. ed. São Paulo: Vozes, 2019. E-book. 
OIT - ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO.
Convenção n. 169 sobre povos indígenas e tribais e
resolução referente à ação da OIT. Brasília: OIT, 2011. 
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PEREIRA, Ana Lúcia. Famílias quilombolas: história,
resistência e luta contra a vulnerabilidade social, insegurança
alimentar e nutricional na comunidade Mumbuca - estado do
Tocantins. 1. ed. Jundiaí: Paco e Littera, 2022. 
RIBEIRO, Darcy. Os índios e a civilização. 1. ed. São Paulo:
Global, 2017. E-book. 
RIBEIRO, Darcy; PINTO FILHO, Darcy Ribeiro. O povo
brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. 4. ed. São Paulo:
Global, 2022. E-book. 
RIBEIRO, Darcy; PINTO FILHO, Darcy Ribeiro. As Américas e a
civilização. 7. ed. São Paulo: Global, 2022. E-book. 
RIBEIRO, Darcy. Configurações histórico-culturais dos povos
americanos. 2. ed. São Paulo: Global, 2016. E-book. 
ROCHA, Everardo P. Guimarães. O QUE É ETNOCENTRISMO.
Ed. Brasiliense. São Paulo, 1988.
SOUZA, F. F.; WITTMAN, L. T. Apresentação. In: SOUZA, F. F.;
WITTMAN, L. T. Protagonismo indígena na história. Tubarão:
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Copiart, 2016.
Aula 2
Gênero e Orientação Sexual
Gênero e orientação sexual
Gênero e orientação sexual
Olá, estudante! Gênero e orientação sexual são construções
sociais que moldam nossas vidas e relações. Ambos são
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temas cruciais para entendermos a sociedade em que
vivemos. Nesta aula, vamos desconstruir estereótipos e
promover a reflexão sobre a diversidade humana. Você
entenderá como esses temas impactam a sociedade e como
você pode contribuir para a promoção da igualdade e dos
direitos humanos.
Faça o download do arquivo
Ponto de Partida
Ponto de Partida
Estudante, desejamos a você boas-vindas a mais uma
oportunidade de reflexão. Como ponto de partida,
questionamos: O que justifica uma prática como um
comportamento deste ou daquele sexo? De onde se origina
a ideia de que uma atitude é coisa de homem ou de mulher?
Da biologia? Da tradição de nosso povo? Da cultura vigente
em nossa sociedade?
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https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/80473229-4cc2-45cc-9848-7ddaa0047132/48/2a61bfbe-58d4-5566-be8c-eaf457cd6e8a.pdf
A fim de melhor entendermos como essas questões se
desenvolvem em nossa sociedade, focaremos nosso estudo
nos fundamentos e nas consequências do conceito de
gênero, tão frequente nas discussões atuais. Para tanto, será
enriquecedor voltarmos um pouco no tempo, familiarizando-
nos com pensamentos e autoras que, alertando para certas
desigualdades entre homens e mulheres, nos ajudarão a
analisar a situação feminina contemporânea, sobretudo no
campo profissional.
Além de uma análise conceitual e histórica, essa reflexão
pode nos ajudar a entender uma outra situação recorrente
na sociedade brasileira: a violência contra a mulher e os
crescentes casos de feminicídio. Dependendo de seu sexo e
de sua vida até aqui, essa situação pode lhe parecer distante.
Um leitor menos empático poderá se basear em um dado
verdadeiro, mas falacioso e generalizante: o Brasil possui
uma das maiores taxas de homicídio do mundo e, por isso,
tanto mulheres quanto homens são assassinados aos
milhares todos os anos. No entanto, basta usar seu buscador
na internet com a frase “homem morto por”, ao que o
algoritmo automaticamente completará: “acidente”,
“bandido”, “carro”, “policial”; em seguida, faça o teste e
busque por “mulher morta por”, que reconhecerá entre as
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primeiras respostas nas notícias “namorado”, “marido”,
“companheiro” – o que evidencia uma realidade trágica:
milhares de mulheres são assassinadas todos os anos por
seus familiares, parceiros e ex-parceiros.
Como dados da ONU mostram, o lugar mais perigoso para
as mulheres – onde elas mais correm o risco de sofrerem
uma morte violenta – é a própria casa (REUTERS, 2018). Isso
porque, apesar de haver certos avanços no campo da
igualdade entre homens e mulheres, as sociedades ainda
apresentam enormes desafios para assegurar às mulheres
uma vida verdadeiramente digna. Bons estudos!
Vamos Começar!
Vamos Começar!
Estudos de gênero, orientação
sexual e família
As lutas das mulheres
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Nas diversas situações em que precisamos nos apresentar,
ou nos definir, enquanto pessoas, há grandes chances de
que nossa apresentação enquanto homem ou mulher seja
incluída no rol de características essenciais de nossa
identidade. Isso acontece porque com frequência esta
condição traz uma série de expectativas acerca dos gostos,
preferências e predisposições que possuímos, de certa
forma atribuindo ao fato de sermos homens ou mulheres
um agregado de características já preconcebidas.
Entretanto, essa amplitude de informações que surgem pelo
simples fato de nos identificarmos como homens ou
mulheres não acontece de modo automático e invariável –
até por isso, essas expectativas se mostram erradas em boa
parte das vezes. Há uma diferença fundamental entre o sexo
biológico e o entendimento sobre gênero.
Nos estudos de gênero, "sexo" se refere às características
biológicas que definem um indivíduo como homem ou
mulher, incluindo cromossomos sexuais, órgãos
reprodutivos e hormônios. É um aspecto fundamental da
identidade humana, mas não determina por si só as
experiências e papéis sociais de cada pessoa. Muito embora
a afirmação do sexo se dê majoritariamente em termos
binários – homem ou mulher –, existem outras formas de
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composição biológica dos seres humanos, na denominada
intersexualidade (CARNEIRO, 2011).
O sexo é visto como uma categoria natural, enquanto o
gênero é uma construção social e cultural que atribui
significados e expectativas a essas características biológicas.
Ao separar sexo e gênero, os estudos de gênero buscam
entender como as relações de poder e as normassociais
moldam as identidades masculinas e femininas, desafiando a
ideia de que os papéis de gênero são fixos e imutáveis
(STREY; CÚNICO, 2016).
O conceito de gênero, por sua vez, pode ser compreendido
como uma construção social de padrões de comportamento
e sociabilidade, criados e reproduzidos em nossas estruturas
sociais. Os papéis de gênero envolvem uma série de
condutas, hábitos e modos e são atribuídos a uma pessoa ao
nascer em função de seu órgão sexual, para que seja
seguido, em conformidade com a cultura, história e tradições
de um determinado povo (STREY; SOUZA, 2017).
Em outras palavras, o termo "gênero" se refere às
características sociais e culturais atribuídas a homens e
mulheres. É a construção social das diferenças sexuais, ou
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seja, a maneira como a sociedade define o que é ser homem
e o que é ser mulher. Ao contrário do sexo, que diz respeito
às características biológicas, o gênero é moldado por
normas, valores, papéis e expectativas sociais. Essas
construções sociais variam ao longo do tempo e entre
diferentes culturas, e podem ser desafiadas e
transformadas. O conceito de gênero permite analisar como
as relações de poder e as desigualdades sociais se
manifestam nas experiências de homens e mulheres
(TEPERMAN; GARRAFA; IACONELLI, 2020).
O que é considerado "masculino" ou "feminino" varia ao
longo do tempo e entre diferentes sociedades. Esses rótulos
determinam comportamentos, papéis sociais, expectativas e
até mesmo emoções que são atribuídas a homens e
mulheres. É importante ressaltar que essas construções
sociais não são fixas e podem ser desafiadas e
transformadas. O objetivo dos estudos de gênero é
justamente analisar como essas normas e expectativas são
criadas e como elas influenciam as vidas das pessoas
(MEYRER; KARAWEJCZYK, 2021). Ao separar sexo (biológico)
de gênero (social), os estudos de gênero buscam entender
como as relações de poder moldam as identidades
masculinas e femininas (TEPERMAN; GARRAFA; IACONELLI,
2020).
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Essa concepção acerca da masculinidade e da feminilidade
baseada na ideia de gênero teve origem em meados do
século XX, em um contexto de busca pela ampliação dos
direitos das mulheres e da consequente afirmação de sua
cidadania. Nesse cenário, houve a constatação de que as
diferentes realidades vivenciadas por homens e mulheres
não constituem um produto das diferenças naturais entre os
sexos, mas, sim, são o resultado de assimetrias de condições
– de direitos, de oportunidades, de estímulos – cultural e
socialmente estabelecidas, evidenciando relações de poder,
na qual as mulheres teriam suas liberdades limitadas
(VIANNA, 2018).
Nesse contexto, é importante ressaltar que o conceito de
gênero não procura negar a existência de diferenças entre
homens e mulheres, mas sim salientar que as distinções
biológicas entre os sexos masculino e feminino não são
capazes de explicar toda uma vastidão de ideias concebidas
a respeito de como homens e mulheres devem se
comportar. As diferenças são intrínsecas à existência do ser
humano, entretanto tais contrastes não são suficientes para
atribuir aos sexos certas propensões – por exemplo, de que
os homens teriam uma aptidão natural à liderança, ao passo
que as mulheres devem ser submissas. Esta concepção
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exemplifica que gênero é uma categoria que estrutura
relações sociais de poder (MARQUES, TRINDADE, 2019).
Rejeitando a naturalização das assimetrias políticas,
jurídicas, sociais e econômicas observadas entre homens e
mulheres, e fornecendo explicações socioculturais para essa
realidade, a análise propiciada pelo conceito de gênero
fornece novas qualificações às diferenças constatadas nas
sociedades, alertando para a existência de desigualdades e
privilégios sociais em favor dos homens e em detrimento das
mulheres (CARNEIRO, 2019).
Essa tomada de consciência por parte de alguns segmentos
das mulheres, de que as desigualdades constatadas em suas
sociedades resultavam de uma construção social que
subjuga o papel feminino em suas coletividades, serviu de
importante estímulo aos crescentes movimentos feministas
observados ao longo do século XX. É verdade que
manifestações de afirmação dos direitos da mulher podem
ser identificadas em diversos períodos da história humana,
mas não se pode negar também que a segunda metade do
século XX se mostrou particularmente rica quanto ao
fortalecimento de movimentos e intelectuais feministas
(MACHADO; PINHEIRO, 2023)
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De imediato, é importante esclarecer que o feminismo de
modo algum pode ser considerado como o equivalente
feminino do machismo, isso porque este último termo
traduz a ideia de superioridade e supervalorização das
características culturais ou físicas vinculadas ao homem,
estabelecendo, assim, uma relação de hierarquia entre
homens e mulheres, com o predomínio dos primeiros sobre
as segundas (MELLO; BORDINHA, 2023).
Por sua vez, o feminismo consiste na articulação de
argumentos filosóficos, políticos, sociais, entre outros,
visando à defesa da igualdade de direitos entre homens e
mulheres, em suas mais diversas manifestações sociais;
trata-se, portanto, do esforço no sentido de eliminar as mais
diversas formas de subordinação ou inferioridade das
mulheres frente aos homens, com vistas a uma sociedade
mais igualitária (STREY; CÚNICO, 2016).
Expoente da intelectualidade feminista do século XX, Simone
de Beauvoir (1908-1986) foi uma escritora e filósofa francesa
notabilizada por investigar o papel das mulheres nas
sociedades, utilizando-se de um vasto instrumental teórico
que engloba história, literatura, ciências médicas, filosofia,
entre demais fontes de conhecimento. Em seus estudos,
Beauvoir critica a posição de inferioridade que socialmente
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se atribuía às mulheres, incluindo em sua desaprovação
tanto as mulheres que se mostravam passivas, submissas e
sem ambições, quanto os homens cujo comportamento
cruel e covarde tendia a oprimir suas contemporâneas
femininas (LEMOS, 2023).
Em defesa da emancipação da mulher, esta filósofa francesa
argumentava que não há destino ou predisposição natural
da figura feminina a trabalhos domésticos, por exemplo,
conforme se afirmava tradicionalmente em sua época. Ela
defendia que as mulheres poderiam se responsabilizar por
outras atividades profissionais, principalmente se o seu
acesso ao mercado de trabalho fosse fortalecido e se maior
autonomia lhes fosse garantida em termos de controle de
natalidade. Nesse sentido, tornou-se célebre sua ideia de
rejeição a papéis naturalmente vinculados à mulher, e, sim,
de enfatizar a dimensão socialmente construída sobre esses
papéis e seus efeitos (LEMOS, 2023).
Assim, a inferioridade social atribuída à mulher não teria sua
origem no nascimento – e tampouco seria algo inevitável ou
predeterminado na constituição biológica das mulheres –,
mas, sim, algo culturalmente imposto pela comunidade, que,
gradativamente, seria incorporado no agir feminino, daí a
expressão “torna-se mulher”.
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O simbolismo estabelecido por Beauvoir na figura do
“produto intermediário entre o macho e o castrado”,
colocando a mulher numa posição inferior ao homem, pode
até parecer estranho à primeira vista; entretanto, temos que
reconhecer que, em nossa linguagem, frequentemente
estabelecemos esse processo de negar a masculinidade e
afirmar a feminilidade – de “castrar” – o indivíduo que
apresenta fraquezas ou incapacidades: chamar um garoto de
“mulherzinha” ou dizer-lhe “achei que você era homem”,
ideias sempre associadas à vulnerabilidade, exemplificam
essa representação feita pela filósofa (LEMOS, 2023).
Merece também destaque a contribuição teórica fornecidapela filósofa norte-americana Judith Butler (1956), sobretudo
em razão das novas abordagens trazidas em sua ideia de
“performances de gênero”. Segundo esta concepção, a
perspectiva de que o sexo é algo estritamente biológico, ao
passo que o gênero pode ser compreendido pela cultura e
pela história, é algo equivocada. Para Butler, na verdade,
existiria, uma construção social que afetaria igualmente o
sexo, o gênero e os desejos de um indivíduo. Assim, há em
nossa sociedade contemporânea uma “ordem compulsória”
exclusivamente heterossexual, que estabelece uma relação
fixa entre um determinado sexo, um gênero e um desejo –
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por exemplo, ter pênis, ser e comportar-se como menino e
gostar de meninas (SALIH, 2012).
Embora esses movimentos feministas do século XX tenham
contribuído efetivamente para a luta por maior equiparação
de direitos entre homens e mulheres, principalmente em
termos de garantias políticas e civis, e de uma maior
liberdade social para mulheres, existem desigualdades ainda
persistentes que impedem que se possa falar, em termos da
realidade internacional ou do contexto estritamente
brasileiro, de uma efetiva igualdade nas condições de vida
percebidas por homens e mulheres em tempos
contemporâneos (MEYRER; KARAWEJCZYK, 2021).
Se focamos a análise na experiência brasileira, constata-se
que as últimas décadas foram proveitosas em variáveis
inquestionavelmente relevantes para a emancipação da
mulher, a exemplo da elevação dos níveis educacionais
médios da população feminina do Brasil e da consagração
definitiva do direito ao voto e à elegibilidade das mulheres.
Entretanto, em certos critérios, principalmente naqueles
relacionados à participação da mulher no mercado de
trabalho nacional, os desafios ainda são imensos para que se
observe uma paridade de condições verdadeira (PINSKY;
PEDRO, 2012).
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Se é verdade que as mulheres têm assumido um
protagonismo cada vez maior em termos de participação no
mercado de trabalho brasileiro, elevando o percentual de
mulheres no total de empregos formais ao longo dos últimos
anos, também é verdade que essa inserção não se dá nas
mesmas condições observadas pelos trabalhadores homens.
De imediato, constata-se que a renda média recebida pelas
trabalhadoras ainda é bastante inferior aos proventos
observados pelos trabalhadores, atingindo, em dados de
2016, apenas 76,5% dos rendimentos dos homens (CONTI;
ALVES, 2019).
Quantitativamente, também podemos observar que as
mulheres se responsabilizam por encargos domésticos com
uma frequência significativamente maior àquela pela qual
homens se responsabilizam, conforme alerta o Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística: “No Brasil, em 2016, as
mulheres dedicaram aos cuidados de pessoas e/ou afazeres
domésticos cerca de 73% a mais de horas do que os homens
(18,1 horas contra 10,5 horas)” (IBGE, 2018, p. 3).
Essa percepção é particularmente importante quando
problematizamos as questões de gênero, uma vez que as
estatísticas revelam que no imaginário coletivo, os afazeres
domésticos ainda vistos como tarefa predominantemente
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feminina. Esse processo é responsável por criar o fenômeno
da dupla jornada de trabalho da mulher, haja vista a
necessidade de compatibilizar os trabalhos profissionais
externos com as atividades do domicílio, fato que,
inquestionavelmente, torna a inserção profissional ainda
mais cansativa para as mulheres sujeitas a tal duplicidade de
tarefas (MACHADO; PINHEIRO, 2023).
Adicionalmente, não bastasse a desigualdade ainda existente
no que se refere aos cuidados domésticos com os filhos –
como visto, nem sempre compartilhados de modo igualitário
pelos pais das crianças –, a própria gestação feminina pode
ser identificada como desafio a inserção profissional da
mulher no mercado de trabalho, uma vez que o direito
constitucional à licença-maternidade nem sempre é
respeitado por empregadores, exigindo o trabalho a
despeito de tal garantia fundamental da mulher ou, até
mesmo, evitando fazer contratações femininas a fim de
evitar tal situação, em clara atitude discriminadora e ilegal
(MACHADO, PINHEIRO, 2023).
Nesse cenário, é fundamental reconhecer a importância da
licença-paternidade, bem como os benefícios de um
eventual prolongamento em sua duração. O estabelecimento
de prazos semelhantes à licença-maternidade para esse
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direito dos pais é essencial não apenas para reverter o
preconceito com a mulher no mercado de trabalho, mas
também para que os pais possam compartilhar, de modo
mais igualitário, os cuidados com o recém-nascido,
rejeitando a discriminação de que a dedicação aos filhos é
dever sobretudo da mulher (CAMBI, 2024).
Ainda sobre os efeitos nocivos derivados de concepções
estereotipadas de gênero, em termos qualitativos, a
desconfiança e o preconceito atribuído à conduta
profissional de mulheres no ambiente de trabalho podem
ser identificados como limitadores do desenvolvimento de
suas carreiras. Concepções limitantes de gênero são
extremamente nocivas aos indivíduos, estabelecendo
preconceitos e padrões de conduta restritivos quanto às
reais capacidades de uma pessoa (HOLOVKO; CORTEZZI,
2017).
Percepções sexistas de que as mulheres não desempenham
satisfatoriamente funções de liderança podem interferir
negativamente nos procedimentos de escolha e promoção a
cargos de autoridade, o que gera o descontentamento de
eventuais subordinados, sobretudo por parte daqueles
dotados de um pensamento machista e até mesmo
reduzindo as aspirações de mulheres potencialmente
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compatíveis com postos de chefia (PRETTO, 2015). Frente a
isso, afirmar as novas configurações de gênero, de forma
mais fluída, pode atuar no sentido inverso, ampliando as
potencialidades individuais e fortalecendo o sentimento de
identidade e realização de cada ser humano. 
População LBGTQIAPN+
A identidade de gênero, nos estudos de gênero, é a
percepção individual e subjetiva de ser homem, mulher ou
outra identidade de gênero e não se limita às características
biológicas, mas é construída social e culturalmente ao longo
da vida. Ela é fluida e pode variar ao longo do tempo,
podendo ser diferente da identidade sexual de uma pessoa.
Engloba um conjunto de características, comportamentos,
expressões e papéis sociais que são associados a cada
gênero em uma determinada cultura (SEFFNER; FELIPE,
2022).
É também uma construção complexa e individual, que não
se encaixa em categorias binárias e está sujeita a mudanças
e transformações. Em outras palavras, é a perspectiva
subjetiva de uma pessoa em relação à sua própria existência,
no que se refere aos diferentes gêneros observados. Caso a
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identidade de gênero de uma pessoa seja coincidente com o
gênero que lhe foi originalmente designado, trata-se de um
indivíduo cisgênero; do contrário, observa-se um
transgênero (VIANNA, 2018).
Desse modo, em termos concretos, se uma pessoa é
designada, ao nascer, como mulher, mas tem uma
percepção diferente de si, enxergando-se e sentindo-se
como homem, é possível que se identifique como um
homem transgênero. Caso estejamos diante de alguém que
seja apontado como homem ao nascer, e realmente se
identifique com essa característica, estamos diante de um
homem cisgênero (HOLOVKO; CORTEZZI, 2017).
Pessoas não binárias, são aquelas que não se identificam
exclusivamente com o gênero masculino ou feminino. Sua
identidade de gênero transcende o binário, podendo ser
uma combinação de ambos, estar entre os dois ou ser
totalmente fora deles. Essa identidade é fluida e pode variar
ao longo da vida. A não-binaridade engloba diversas
experiências e expressões de gênero, desafiando as normassociais e expandindo a compreensão sobre o que significa
ser homem ou mulher. Pessoas não-binárias podem se
identificar como agênero, genderqueer, bigênero, entre
outras possibilidades, e podem escolher pronomes neutros
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ou uma combinação de pronomes. Ou seja, são pessoas que
percebem a si mesmas fora de uma lógica binária
estritamente masculina ou feminina, e fora da
cisnormatividade (MATOS; CUNHA; ALMEIDA, 2024; CONTI;
ALVES, 2019).
Outro atributo relevante, e que não deve ser confundido
com sexo biológico, gênero ou identidade de gênero, é a
orientação afetivo-sexual, que significa a inclinação para as
relações amorosas e eróticas do indivíduo, qualificando-se
como heterossexual caso esse desejo seja dirigido a pessoas
de gênero diferente; homossexual no caso do interesse por
indivíduos que compartilham o mesmo gênero; bissexual na
existência do desejo por ambos os gêneros, masculino e
feminino; pansexual, diante da atração por pessoas
independentemente do gênero; e, ainda, assexual diante da
não atração afetivo-sexual por quaisquer dos gêneros
(RAFART, 2020).
Dito de outro modo, podemos compreender que a
orientação sexual se refere à atração emocional, afetiva e
sexual que uma pessoa sente por outras. Ela não se define
apenas pela prática sexual, mas também pela identidade e
pela forma como a pessoa se relaciona afetivamente com
outras. A orientação sexual é diversa e abrange um espectro
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amplo de possibilidades. É importante ressaltar que a
orientação sexual é uma característica imutável, e não uma
escolha, e que cada pessoa experimenta a sua sexualidade
de forma única e individual (RAFART, 2020).
Diante dessas compreensões, podemos agora nos aproximar
da sigla LGBTQIAPN+, que representa um amplo espectro de
identidades de gênero e orientações sexuais, incluindo
lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transgêneros, queer,
intersexuais, assexuais, pansexuais, não binários e outras
(RAFART, 2020).  
Cabe a ressalva de que “transgênero” é um termo amplo que
engloba todas as pessoas cuja identidade de gênero não
corresponde ao sexo atribuído ao nascimento. Essa
identidade pode ser masculina, feminina ou não binária.
Travesti, por sua vez, é um termo específico que se refere a
pessoas que, embora nascidas em corpos masculinos, se
identificam com expressões de gênero femininas e, muitas
vezes, utilizam roupas e comportamentos associados ao
gênero feminino (PRADO; FREITAS, 2022).
A diferença entre ambas essas categorias envolve as
expressões de gênero, isto é, a forma como as pessoas
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transgênero e travestis expressam seu gênero, que pode
variar muito. Algumas pessoas transgênero podem optar por
realizar cirurgias de afirmação de gênero, enquanto outras
podem escolher não realizar nenhum procedimento médico.
Pessoas travestis, por sua vez, geralmente se expressam
através de roupas, comportamentos e características
associadas ao gênero feminino (PRADO, FREITAS, 2022).
O termo "travesti" tem uma história e um contexto social
específicos, especialmente na América Latina, e está
relacionado a questões de marginalização e estigmatização.
Já o termo "transgênero", por sua vez, é mais recente e tem
sido utilizado para englobar uma diversidade maior de
identidades de gênero. Independente da identificação, não
existe uma única forma de ser transgênero ou travesti, as
experiências e identidades de cada pessoa são únicas e
diversas. Ademais, os termos não são excludentes: Uma
pessoa travesti também pode se identificar como
transgênero. O respeito à identidade de cada pessoa é
fundamental, usando os pronomes e nomes que a pessoa
escolher para si mesma (PRADO, FREITAS, 2022).
A sigla LGBTQIAPN+ é fluida e em constante evolução,
buscando incluir e representar todas as formas de
diversidade sexual e de gênero (SOUSA et al, 2021). Cada
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DIREITOS HUMANOS E EDUCAÇÃO
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letra representa um grupo de pessoas com experiências e
identidades únicas, desafiando as normas sociais e binárias
de gênero. Em outras palavras, é uma sigla abrangente que
representa a diversidade de identidades de gênero e
orientações sexuais, desafiando as normas sociais e
buscando a inclusão e o respeito a todas as pessoas.
Não reconhecer a diversidade de gênero e orientação sexual
gera uma série de prejuízos individuais e sociais. Pessoas
LGBTQIAPN+ sofrem discriminação, violência e exclusão
social, o que impacta negativamente sua saúde mental e
física. A falta de reconhecimento também perpetua
estereótipos e preconceitos, limitando oportunidades e
direitos. Socialmente, a não aceitação da diversidade impede
o desenvolvimento de sociedades mais justas e inclusivas,
além de gerar perdas econômicas e sociais (HOLOVKO;
CORTEZZI, 2017). É fundamental que a sociedade reconheça
e respeite todas as identidades de gênero e orientações
sexuais, não apenas por ser um direito humano, mas
também por ser um investimento na construção de uma
sociedade mais justa, próspera e feliz para todos.
É evidente que todo e qualquer processo de transformação
histórica deve estar sujeito a críticas, entretanto, rejeitar a
própria existência de movimentos que nada mais buscam do
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que equiparar direitos diante de situações desiguais – o que,
repita-se, é algo diferente de buscar privilégios ou vantagens
– seria atribuir ao funcionamento da sociedade uma
neutralidade inexistente, ignorando que há, como visto,
relações de poder, desequilíbrios prejudiciais e violências
específicas sobre determinados grupos (MATOS et al., 2024).
Negar o movimento LGBTQIAPN+ é negar a existência e a
validade de diversas identidades de gênero e orientações
sexuais. Isso perpetua a discriminação, a violência e a
exclusão social de um grupo já marginalizado. Ao reconhecer
e respeitar a diversidade, a sociedade promove a inclusão,
fortalece a democracia, estimula a inovação e cria um
ambiente mais seguro e acolhedor para todos. Negar esse
movimento é ir contra os princípios de igualdade, justiça e
direitos humanos (RAFART, 2020).
A pluralidade e a diversidade resultantes do reconhecimento
das diferentes formas que os indivíduos encontram para
afirmar suas personalidades somente ampliam as liberdades
de que dispomos para buscarmos a felicidade e a realização
pessoal, assegurando que as diferenças – e não as
desigualdades – sejam elementos consagrados das
democracias que pretendemos construir neste século XXI. Os
estudos de gênero analisam e compreendem as
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complexidades dessas identidades, buscando promover a
igualdade e o respeito à diversidade (STREY; CÚNICO, 2016). 
Arranjos familiares – temas
contemporâneos
Os arranjos familiares contemporâneos estão em constante
transformação, refletindo as mudanças sociais, culturais e
econômicas da sociedade. A família, tradicionalmente
concebida como um núcleo formado por pai, mãe e filhos,
cedeu espaço para uma diversidade de configurações, como
famílias monoparentais, homoafetivas, recompostas, sem
filhos e multigeracionais, desafiando os modelos familiares
estabelecidos. Essa diversidade desafia conceitos antigos e
exige uma nova compreensão sobre o que constitui uma
família (STREY et al. 2015).
A afetividade, o cuidado mútuo e a construção de vínculos
sólidos são os pilares que unem essas diferentes
configurações familiares, demonstrando que a família, em
sua essência, é um espaço de amor e pertencimento –
embora seja necessário construir uma análise objetiva sobre
a família e desconstruir uma visão romântica, por considerar
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que, para alguns, a família também pode ser causadora de
sofrimento e violência (ARATANGY, 2010).
A família

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